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Proglemas Existenciais





Updated: 2016-09-09T15:48:37.445+01:00

 



Santa Ignorância

2015-04-09T17:49:30.876+01:00

Estando quase sempre fora de Portugal, não estou tão a par do que se passa na actualidade lusitana quanto gostaria. É verdade que com estas modernices dos computadores (é assim que a minha avozinha descreve a Internet) a informação está lá. No entanto, grande parte da informação que assimilamos hoje em dia é-nos oferecida como uma mãe alimenta uma criança - camuflada como um aviãozinho e, se necessário, à força. No geral, esta desactualização é uma bênção - aposto que não preciso de expressar o meu contentamento sobre não ter sido forçado a ouvir todas as "opiniões" que usaram e abusaram dos termos "Resgate", "Austeridade", "Troika" ou "Crise" até ao ponto de todas estas se terem tornado num sinónimo vazio da palavra "Poia". No entanto, o resultado mais agradável da minha ausência do país é sem dúvida o não ter tido de olhar para as feições da senhora Chanceler da Alemanha noite sim, noite sim, durante os últimos trinta e seis meses. Sinceramente, acho que fariam um favor ao povo português um favor se introduzissem uma espécie de "Agora Escolha" antes de cada Telejornal, em que os telespectadores teriam a oportunidade de escolher entre a cara de Lili Caneças, a figura de corpo inteiro de José Castelo Branco vestido de toureiro ou a face da senhora Merkel. Aposto que não só seria agradável variar o papel de fundo das más notícias, mas permitiria a psicólogos e sociólogos tirar conclusões bastante assustadoras sobre o estado mental do nosso povo nesta altura difícil.A única excepção que abro à teoria do "não quero saber - la la la" (nome que deve ser lido, naturalmente, com as mãos a tapar os ouvidos) advém do recente caso da prisão preventiva do ex-Primeiro Ministro Português, o Eng. José Sócrates. Esta excepção é aberta pura e simplesmente porque tudo o que advém da investigação ao senhor é ouro puro. Sem querer aprofundar muito a coisa (sob pena de acabar a escrever três mil palavras sobre isto e tudo o que a geração do Sr. Engenheiro fez pela nossa nação), vou debruçar-me especialmente sobre os numerosos movimentos de solidariedade para com o mesmo - não por achar que estes merecem a atenção de alguém com mais de três neurónios funcionais, mas porque sempre achei libertador debruçar-me sobre movimentos de solidariedade. Como sei muito pouco sobre o assunto na generalidade, vou-me focar na homenagem feita por Rihanna, Kanye West e Paul McCartney ao ex-Primeiro Ministro Português no seu tema "FourFiveSeconds". Julgo ser do conhecimento comum que o verso "If I go to jail tonight, promise you'll pay my bail", proferido pelo Sr. West a certa altura da canção, é uma clara alusão à situação legal do Sr. Engenheiro, que mais sentido ainda faz se considerarmos a história judicial dos três artistas que colaboram nesta homenagem. As semelhanças não acabam aqui - assim como o nosso Ex-Primeiro Ministro é, no contexto da Segunda República, o que menos bem lhe fez e o primeiro a vestir o uniforme de presidiário também Paul McCartney é, dos três intérpretes da canção, o claro líder em termos de encontros imediatos com as autoridades e o que menos contribui para a canção. A razão para a falta de participação do ex-Beatle na canção parece-me ser uma simples e tremenda injustiça, uma vez que este ganha a Kanye West tanto em termos de registo criminal como da qualidade dos sons emitidos pelas respectivas cordas vocais (e não necessariamente num contexto musical). Já a performance governativa de José Sócrates e a sua actual situação imobiliária, por outro lado, devem-se a uma imbatível combinação de incompetência e canalhice - e aqui terminam as comparações com o trio Paul McCartney, Kanye West e Rihanna.Agora que terminei o meu raciocínio sobre a primeira canção internacional de apoio a José Sócrates, que posso garantir ao caro leitor ter sido produzido sem o recurso a substâncias ilícitas, resta-me partilhar um medo que me assola a alma desde a primeira vez que ouvi a música em questão. No Spotify, o[...]



O Papel do Ralhamento na História Russa do Século XXI

2015-02-20T16:43:17.917+00:00

Estou a ler o Doutor Jivago. Quinhentas páginas de puro prazer, em parte com o objectivo de preparar o estômago para o Guerra e Paz - outra das minhas resoluções de ano novo. As reflexões políticas, religiosas, filosóficas e sociológicas são muito interessantes, mas o que me tem impressionado verdadeiramente é a miríade de alcunhas e nomes que os russos têm uns para os outros. Vejamos esta passagem: 
"(..)Lara chorou como uma simples camponesa e, agarrando Antípov pelas mãos, ajoelhou-se à frente dele.
- Pacha, Páchenka - gritava -, para que nos vais deixar, a mim e à Kátenka?(…)"
Ora a Lara, na realidade, é Larissa, mas depois de se casar com o Pacha também passa a ser conhecida por Antípova. O Pacha e o Páchenka são a mesma pessoa, que na verdade se chama Pável Pávlovitch, e que naturalmente é por vezes tratado pelo seu apelido, Antípov. Ah e por outra alcunha, Patúlia. Se ainda não estão suficientemente confusos, a Kátenka (que pelos vistos é diminutivo de Yekaterina) é uma pirralha de três anos, mas de certeza que até aprender a ler ainda lhe arranjam mais quatro ou cinco nomes só por causa das tosses…
Isto tem dois efeitos: um literário e outro no ramo da descompostura. O literário é óbvio - num livro com vinte personagens recorrentes, se cada um tem em média duas alcunhas e um apelido, o leitor tem de memorizar oitenta nomes para perceber mais ou menos o fio à meada. Ao lado disto, a Guerra dos Tronos mais valia chamar-se Novas Flores para Crianças Mais Atrevidas.
No ramo da descompostura o efeito é ligeiramente mais complexo mas, como o leitor decerto concordará, ainda mais pertinente. Quando a senhora minha mãe ralhava comigo usava, geralmente, o meu nome completo. Aliás - à excepção de qualquer encontro com a minha avó, esta é a única altura em que o meu segundo nome é proferido sem quem o diz levar um pontapé nas canelas. Quando a senhora minha mãe quer ser querida comigo chama-me pela alcunha mais ridícula que alguém alguma vez inventou, talvez à excepção de Patúlia. 
Ora estes Russos, com a sua mania de achar que alcunhas, nomes próprios e apelidos servem todos para o mesmo, tornam a vida negra às pobres crianças, que não fazem ideia se estão a ser tratadas de maneira fofinha ou se estão a levar com uma valente descompostura.
O caríssimo leitor (ou a caríssima leitora) compreende o que acaba aqui de acontecer? Este blogue acaba de avançar uma teoria perfeitamente plausível para a história Russa dos últimos 125 anos, que como toda a gente sabe é basicamente uma factura detalhada de guerras - mundiais, civis, frias, com fiambre, queijo ou mistas. Se não fosse esta palermice dos nomes e das alcunhas iam ver se o senhor Estaline, o senhor Lenine e o senhor Putine (eu sei que é Putin, mas não rimava) e todos os outros não eram tipos pacíficos e sem graves problemas de saúde mental! Bastava saberem dizer imediatamente, no início de cada frase, se as respectivas mãezinhas estavam a ralhar com eles ou a estragá-los com mimos.
Era só isto. Obrigado e boa tarde.

Beijos e abraços,
Ginete (Ou João. Ou Joãozinho. Ou Janico.)



Bicicletas, Milagres e o Despotismo dos Agentes Imobiliários Bifes

2015-02-03T14:12:18.576+00:00

É oficial - com vinte anos de atraso, estou perigosamente perto de finalmente poder dizer que sei andar de bicicleta. Ainda é cedo para me enviarem troféus e medalhas pelo correio, mas não há dúvida que existe progresso - enquanto que há quinze dias tinha mais probabilidades de sofrer um traumatismo cranioencefálico do que de me deslocar mais de dez metros deste modo, hoje estão ela por ela. Esta é uma das minhas resoluções de Ano Novo, sobretudo porque se não o fizer terei de ir a pé para o trabalho… O que em Inglaterra significa contrair uma média de sete broncopneumonias por ano (caso o leitor esteja a perguntar-se se hoje é o dia Mundial de usar termos médicos extremamente compridos, a resposta é "sim").Existem cinco grandes grupos de pessoas que vivem em Londres. A saber - gente que trabalha em Londres, gente que não trabalha em Londres, gente com mais dinheiro que juízo, estudantes e pessoas a receber subsídios. Sobre estes três últimos grupos, que se intersectam, não me vou alongar para não me chatear muito. A gente que trabalha em Londres, na sua grande maioria, trabalha na indústria do milagre de multiplicação das libras. Bancos de investimento, mercados de seguros e companhias especializadas em ajudar o grupo de gente com mais dinheiro que juízo a ter ainda mais dinheiro (também conhecidas como consultorias). Normalmente, as pobres almas que começam a trabalhar para estes senhores recebem três bagos de arroz por mês e partilham um T0 com oito colegas, mas daí a um ano (caso a tentativa de suicídio não seja bem sucedida) são promovidas e passam a ganhar o suficiente para conseguirem sobreviver em Londres.Gente que não trabalha em Londres vive em Londres por uma razão muito simples - o resto de Inglaterra é uma retrete. Há excepções para situações específicas - ser estudante em Oxford ou Cambridge ou, como no meu caso, em Bristol até pode ser simpático - mas no geral é mais ou menos isso. Como tal, qualquer ser humano não-bife que tente viver numa terrinha bife e também sobreviva à primeira tentativa de suicídio acaba por fugir para Londres. E o que o espera em Londres? O seguinte - rendas absurdas, impostos por tudo menos o ar que respira e a necessidade de vender um rim para pagar o passe do comboio. Se acham que estou a brincar, aqui vai - para a viagem de 36 minutos de Londres até à estação de comboio mais próxima do meu futuro emprego o passe anual são 4300 libras. Isso - quatro mil e trezentas. Em Português, isto são mais de cinco mil e setecentos Euros. E nós pagamos de bom grado, uma vez que em comparação com a vida na terrinha bife sobreviver com um só rim é o negócio do século.E isto traz-me ao assunto final deste texto - essa espécie peculiar dos agentes imobiliários ingleses. Se tivesse de compilar uma lista de profissões a extinguir, essa estaria empatada na liderança com a de funcionário da EMEL cá do sítio. Mais - se me chamasse Noé e houvesse um dilúvio amanhã, garanto que não haveria espaço na minha arca para um senhor e uma senhora com essa ocupação.Uma pequena estória para ilustrar a razão desta minha aversão a esta gente. A casa em que vivo neste momento foi-me mostrada por um senhor que é a cara chapada do Príncipe Geoffrey da Guerra dos Tronos, e cuja boca tive portanto vontade de pontapear no instante em que ele se apresentou. Não sou o único, visto que na manhã em que me mostrou a casa o rapaz tinha a cara coberta de chagas, o que devia ter sido um sinal de aviso… Adiante - ao mostrar-me a casa, que era habitada por três pessoas que tinham ar de ser adeptas do banho mensal, garantiu-me que a casa seria limpa e arranjada quando eles saíssem, e pediu-me para ignorar as montanhas de lixo que quase chegavam ao tecto. Confiando na palavra do senhor seguimos em frente, uma vez que a casa era enorme e a renda era só um ligeiro furto - uma combinação que é um excelente negócio nesta cidade. No dia em que me mudei para a casa esta estava ex[...]



O Regresso do Tótó

2015-01-21T17:41:16.424+00:00

Olá. Está alguém desse lado? Não? Pois, bem me parecia. Nada de novo!Quando alguma alma caridosa se der ao trabalho de ler estas linhas, sinto que lhe devo uma explicação para o retomar das actividades desta coisa, depois de 817 dias de ausência (contei-os todos!). Na verdade trata-se de uma santíssima trindade de razões - a saber: inspiração, medo e muito tempo livre nas mãos - que passo a expor ao/à estimado(a) leitor(a).Comecemos pela inspiração. Li por alturas do Natal o novo livro do Professor João Magueijo, intitulado "Bifes Mal Passados", e imediatamente senti saudades dessa nobre arte de  de gozar com coisas às quais só eu acho piada e da igualmente louvável prática de dizer mal de coisas que só a mim me fazem espécie. Farei naturalmente os possíveis para que os próximos textos deste blogue não sejam cópias mal enjorcadas do livro do senhor - sobretudo ao nível do vernáculo, visto que este sempre foi (e sempre será) um blogue de família. No entanto, aconselho a leitura do dito a quem está com uma crise de portuguesismo, e subscrevo a grande maioria das observações do autor sobre o povo entre o qual vivo há muito, muito tempo.Já o medo tem a sua origem… ontem à noite. Num jantar em Lisboa passei a noite a traduzir para português (para efeitos de auto-flagelação humorística) expressões idiomáticas inglesas. A certa altura quis traduzir a expressão "down to Earth" e precisei da ajuda de alguém para me lembrar do quase literal "com o pés assentes na Terra". Já nessa manhã tinha dito, à última pessoa com a qual pretendo fazer figura de emigrante tótó, que não tinha colocado alarme no telemóvel, só me lembrando horas depois de que a palavra "despertador" está viva e de boa saúde. Para quem gozou durante anos com o pessoal do St. Julian's, que dá muito uso àquela língua inventada em que se povilham frases portuguesas com palavras inglesas num rácio de 4:1, facilmente compreenderão que isto é um caso sério.Já a abundância de tempo livre nas mãos não carece de grandes explicações. Uma das razões pelas quais parei de escrever foi simplesmente trabalho a mais e tempo a menos. Agora que me foi concedido um time-out (saudável, não se preocupem!) dessa realidade, vamos tentar outra vez. Quando voltar a portar-me como gente crescida… bom, logo se vê!Uma das minhas resoluções de blogue semi-novo (um conceito que, mais ano menos ano, se tornará tão popular como as de ano novo) é a de conter os posts em doses facilmente digestíveis. Se já é difícil ler um texto escrito por alguém que perdeu a língua materna entre as almofadas de um qualquer sofá algures nos últimos dois anos, ainda mais chato isso se torna quando a dimensão desse texto é comparável com a do terceiro filme do Senhor dos Anéis. Com todo o respeito a quem percebe do assunto e é fã dos filmes do senhor Peter Jackson, quatro horas atrás de uma fornalha é muito tempo. A segunda resolução é falar menos de aviões e aeroportos. Para já, é um tema tão gasto que se fosse um par de boxers teria o elástico frouxo e às ondinhas. Por demais, ao reler alguns dos últimos textos do moribundo Proglemas, confesso que os que se dedicam a esta matéria soam um tanto ou quanto presunçosos. Acreditem que a criança que está neste momento a gritar a plenos pulmões e a dar pontapés nas costas da minha cadeira enquanto o pai o tenta distrair com um jogo no telefone como quem tenta acalmar um cão raivoso com um biscoito não está a facilitar-me a vida, mas resistirei à tentação.E bom, por hoje é tudo. Se, mais tarde ou mais cedo, alguém perdido tropeçar nisto façam o favor de dizer qualquer coisa para eu não me sentir muito sozinho, tá bom?Beijos e abraços,GineteP.S. - Caso haja dúvidas, o meu amigo com problemas em pronunciar a palavra "problemas" continua a fazê-lo da maneira que dá título a este blogue. No dia em que isso lhe passar (que, sendo ele tão emigrante e tão t[...]



O Último Acto (ou outro título igualmente melodramático à escolha do leitor)

2012-10-26T13:12:43.468+01:00

Caso ainda não tenham reparado, já não escrevo há uns tempos valentes. Gostava de dizer que é por falta de tempo ou até por falta de vontade, mas a verdade é que por estes dias tenho a minha fraca e limitada cabeça ocupada com coisas que não têm lugar neste blogue. Se ainda há alguém que passe por cá de quando em vez, terão reparado que há anos que não escrevo sobre aquilo que foi a matéria prima deste sítio desde o seu início - observações e histórias sobre nada em especial que me ocorriam no dia-a-dia, e cujo valor humorístico (regra geral no domínio vasto da palermice) era incomensurável. A razão para esta falta de inspiração é-me desconhecida, mas o mais provável é que tenha a ver ou com o facto de já não ter dezasseis anos ou tanto tempo livre nas mãos. Será provavelmente uma mistura das duas, mas seja como for a ausência prolongada destas histórias e observações só pode ter um efeito na vida dos Proglemas.No entanto, antes de colocar um ponto final neste último post, sinto-me quase obrigado a escrever qualquer coisa mais ou menos séria sobre o que se vai passando no sítio onde nasci e cresci. Pode ser irónico ou apenas inevitável, mas tal como muitos posts deste blogue escrevo-o a meio de um voo (atrasado) da TAP, que me levará contra minha vontade de volta a Londres. E por "contra minha vontade" não quero dizer que vá algemado a um simpático detective da Polícia Judiciária, apenas que preferia que esta visita a casa durasse mais do que quarenta e oito horas.Há precisamente dois dias, quando aterrei no velhinho mas sempre saudoso Aeroporto da Portela, um senhor americano sentado à minha frente passou o voo inteiro a ouvir a conversa entre mim e a senhora meia inglesa, meia americana, meia francesa que estava sentada ao meu lado. A parte da conversa com que ele embirrou foi aquela em que eu revelei ter trinta dias de férias por ano. Segundo o senhor, um país em que se trabalha menos de sessenta horas por semana e em que se dá mais de duas semanas de férias anuais aos trabalhadores nunca irá a lado nenhum, e que tanto nós como a Grécia e a Espanha teremos rapidamente de seguir esse caminho se queremos ir a algum lado. Diferenças culturais e crenças no "mais e maior é melhor" à parte, a ideia que fica é que estamos na situação que todos conhecemos por sermos preguiçosos.Tanto eu como o caro leitor sabemos que isto não é verdade. Durante séculos e séculos, muitos são os exemplos de Portugueses que foram mais longe, que ambicionaram mais e que fizeram melhor que o resto do Mundo. Não somos um povo preguiçoso ou sem ambição, e ainda menos um povo sem talento ou paixão. No entanto, talvez por descuido mas provavelmente por deslumbramento, desde há muito que os problemas estruturais do nosso país estão à vista mesmo de quem tem os olhos semicerrados. Esta é a primeira vez desde há muito tempo em que não temos um corrimão onde nos apoiar. Desde que os Descobrimentos nos levaram à costa Africana, passando pela Índia, o Brasil e pelo Oriente mais distante que a audácia de alguns deu riqueza a todos os outros. De uma forma ou de outra, as colónias foram a nossa tábua de salvação até ao fim do regime Salazarista, e por muito que nos orgulhemos dos navegantes da nossa história, isso acabou por nos "estragar com mimos" durante um longo período de tempo. A União Europeia adiou o inevitável, com a adesão em meados dos anos oitenta a trazer uma riqueza artificial que nunca foi devidamente investida - mais uma vez o problema não surgiu aí, perdeu-se simplesmente uma oportunidade de procurar uma solução.Os tais "problemas estruturais" em si são motivo para outro post num blogue de alguém que saiba mais sobre o assunto do que eu, por isso não vou abrir essa porta. Vou sim dizer que a preguiça de que o americano mentecapto falava só é verdadeira exactamente neste ponto - quando chega a altura de procurar uma solução. N[...]



Dentes de ouro e fome

2012-07-09T00:16:41.542+01:00

Não sou, decerto, o único a ter opiniões contrastantes sobre a entrevista em que Sofia Aparício revelou ter adquirido, como acessório, um dente de ouro. Por um lado, admiro a coragem da senhora em chegar-se à frente e assumir-se como um exemplo para as gerações futuras sobre o efeito que o crack pode ter nos três neurónios funcionais de uma manequim. Por outro lado, parece-me perigosa a relação que ela faz entre o facto de não usar brincos e a decisão de embelezar a sua dentadura com uma reluzente favola doirada. Será que vai pegar moda entre adolescentes cujos pais não admitem o uso de piercings ou mesmo de brincos normais? Haverá perigo de esta revelação criar uma geração de vilãs do 007, cuja dentição metálica não só lhes trará a capacidade de mastigar enormes placas de aço ao pequeno almoço mas também enormes proglemas na segurança aeroportuária? E estas dentições douradas têm mesmo de ser em ouro a sério ou a crise ditará que o metal precioso seja substituído por latão ou, se as coisas piorarem, da prata que normalmente reveste os bombons de chocolate? É pena que ninguém dê a devida atenção a estas questões pertinentes e desate logo a abandalhar.

Acabei de ler o último livro da trilogia "Hunger Games" (o filme sobre o primeiro capítulo foi traduzido à chapada como "Os Jogos da Fome". Apesar de não me ocorrer uma alternativa mais apropriada, continua a soar mal por isso vou ter de me armar em snob e usar o título em estrangeiro).
Acontece-me poucas vezes ver um filme e ficar tão impressionado que vá a correr comprar o livro. Foi o caso, já que não só é um bom filme como apresenta uma premissa que apesar de não ser original (uma espécie de 1984 misturado com o filme japonês Battle Royale) é cativante e quase actual. Também acontece pouco chegar ao fim do livro e querer que o autor escreva mais, apesar de a história estar fechada e de um quarto livro não fazer grande sentido. No entanto, o que me aconteceu com estes livros pela primeira vez foi ser genuinamente afectado pelo destino dado a algumas das personagens, ao ponto de durante dias depois de acabar o último livro quase sentir que eu era a personagem principal e que o que acontece nos últimos capítulos também me tinha acontecido, numa qualquer dimensão paralela. A única explicação que encontro para isto é eu ter uma coisa importante em comum com a Katniss Everdeen, mas gostava de estar enganado e que os livros tenham esse efeito com todos os que os lerem.
Ao início não me parecia ser o livro mais bem escrito à face da terra, mas cada vez mais acho que a linguagem é mantida a um nível simples pelo facto de ser contada na primeira pessoa por uma rapariga de dezasseis anos. Independentemente da qualidade ou complexidade da linguagem, o enredo e a mensagem são suficientes para recomendar esta trilogia a quem ainda tenha paciência para me ouvir. Fica a sugestão.

Beijos e abraços,
Ginete



37º post anual sobre a apanha do caracol

2012-05-30T22:10:08.292+01:00

É brincadeirinha, trata-se naturalmente do sétimo post anual sobre o festival Eurovisão da canção. Ora sem mais demoras, vamos analisar a participação portuguesa. allowfullscreen="" frameborder="0" height="360" src="http://www.youtube.com/embed/fk5i7Hfyy3o?rel=0" width="640">Numa palavra - fraquinho. Levar o faduncho para a Eurovisão é previsível, mas ainda assim quase obrigatório de vez em quando. Agora um electro-faduncho ranhoso vindo de duas senhoras que, se me encostassem a um canto, me davam uma tareia que dificilmente me levantava sozinho? Das duas uma, ou se manda uma canção como deve ser ou se manda uma catraia bem parecida para agradar à vista, agora para isto não vale estar a gastar-se o dinheiro dos impostos da classe média e do proletariado! Ok, o espírito de Álvaro Cunhal apoderou-se de mim momentaneamente, mas está tudo bem. Adiante - os Jedward, a representar mais uma vez a República da Irlanda… allowfullscreen="" frameborder="0" height="360" src="http://www.youtube.com/embed/e1cuimKLNpU?rel=0" width="640">Ora depois de visionamentalizacionar este vídeo ocorre-me apenas uma pergunta - o que é aquilo? E, após longa deliberação, só consigo chegar a uma resposta - são dois adolescentes, a cada um dos quais foram implantados dois eléctrodos, um em cada nádega, emitindo descargas eléctricas ao ritmo desta animada cantiga. Só isto explica o ritmo frenético a que eles dançam e tremem como se estivessem em cima de uma daquelas máquinas de exercícios que vibram, mas em tamanho gigante. E, perdoem-me ir por estes caminhos, mas o que é aquele coraçãozinho com as mãos no meio da cantiga? Aquilo não é só muito foleiro: se tivermos em conta que se tratam de menores e, vá, de irmãos gémeos, chega a roçar o doentio. E o doentio é um tipo que não aprecia ser roçado assim por dá cá aquela palha. Que estupidez, adiante. allowfullscreen="" frameborder="0" height="360" src="http://www.youtube.com/embed/K3ruy639kTQ?rel=0" width="640">Ora a Roménia. É-me difícil dizer mal da Roménia, especialmente num ano em que escassearam concorrentes cujas qualidades musicais passam para segundo plano assim que aparecem no ecrã, e para quadragésimo nono plano assim que abrem a boca - como todos sabemos, parte essencial do panorama da Eurovisão. No entanto, não consigo fechar os olhos ao facto de a entrada da Roménia, apresar de ter os seus argumentos, cantar em espanhol. Ainda menos ao facto de o refrão da cantiga em questão ser "sai-lai-lai-lei-lai-lee everyday, everybody". Felizmente existe um botão em qualquer dispositivo electrónico que permite eliminar os sons emitidos pela senhora, acto altamente recomendado pela direcção deste blogue durante a visuamentali…coiso o vídeo acima.Outro exemplo desta escola de participantes no festival da Eurovisão é a senhora Eleftheria Eleftheriou (também conhecida como a Fernando Fernandes grega), que junta os pontos já referidos a outros claramente relacionados com a actual situação económica vivida na Grécia - não há dinheiro para grandes roupas, por isso três trapinhos servem (há que mostrar compaixão) e não há dinheiro para ginásios, portanto a alternativa mais viável é passar os três minutos e trinta e três segundos da cantiga aos saltos (o que a miséria faz às pessoas). De certeza que há uma explicação socioeconómica para o facto de a senhora passar a música inteira a fornicar com a lente da câmera de filmar, mas agora não me ocorre nenhuma… allowfullscreen="" frameborder="0" height="360" src="http://www.youtube.com/embed/NreIi8ma_PY?rel=0" width="640">O Reino Unido decidiu novamente apostar na luta pelos míticos nil points, trazendo uma cantiga cujo ponto mais interessante é a altura em que o seu intérprete - nascido na Índia inglesa, antes de deixar de o ser em 1947, altura em que o senhor Engelbert Humperdinck era um jovem de 178[...]



Gatunagem palerma

2012-05-04T12:09:38.334+01:00


Muito já foi escrito e dito sobre a promoção do Pingo Doce, que por um dia tornou Portugal numa gigantesca missão de distribuição de alimentos da ONU num qualquer país "em desenvolvimento". A coisa que mais confusão me faz, e eu peço ao (meio) estimado leitor que me ilumine sobre questão, é a seguinte: porque é que os bandidos que acabaram a saquear e a pilhar os estabelecimentos em questão não foram ao Jumbo ou ao Continente? Meus amigos, se é para roubar mais vale fazê-lo onde é mais caro, assim o lucro é maior. Agora estar a roubar num sítio que oferece 50% de desconto é parvo todos os dias, não só no primeiro de Maio. Para além disso, uma vez que os contingentes inteiros da PSP e da GNR se viram obrigados a rumar aos Pingos Doces para controlar as multidões que não se importavam de pagar pelas suas compras, não teriam sobrado agentes da autoridade para policiar as restantes superfícies comerciais, por demais facilitando o saque e a pilhagem. Por fim, optar por assaltar um supermercado que não o Pingo Doce teria diminuído a probabilidade de levar com uma posta de bacalhau demolhado e ultracongelado no meio da testa, o que segundo consta foi prática corrente nesse dia…

Convém notar que este blogue não pretende promover o banditismo ou a gatunagem, mas se estes são para ser feitos que sejam feitos com cabeça.

Beijos e abraços,
Ginete



Ouro

2012-03-14T22:02:03.544+00:00

No outro dia lembrei-me que os Jogos Olímpicos de Londres, que tornarão o meu Verão numa experiência no mínimo interessante, são a minha última oportunidade de representar a selecção das quinas nos jogos Olímpicos. Obviamente que há sempre a hipótese de daqui a uns anos ser seleccionado como um dos três jogadores com mais de 23 anos, mas esse cenário parece-me um tanto ou quanto remoto, uma vez que sou da opinião que existem pelo menos três jogadores portugueses com mais de 23 anos que jogam melhor à bola que eu. Portanto a minha oportunidade de representar o país no maior evento desportivo do planeta parece ter os dias contados. Uma pena, uma vez que tal como grande parte da população masculina portuguesa sempre achei que o talento está cá, só faltou a sorte e a dedicação. Ficam as memórias dos golos memoráveis marcados pelos relvados e, vá, ringues de cimento desse país e desse Mundo, e fica também a esperança de que haja outro desporto que me acolha de braços abertos. Se continuar num trabalho que me faça passar o dia inteiro sentado e onde os órgãos mais exercitados do meu corpo sejam a meia dúzia de neurónios que ainda me restam, é bem provável que esse desporto seja o lançamento do peso o de outra coisa qualquer, uma vez que não faltará muito até atingir o peso do atleta Marco Fortes.Os Óscares marcaram mais um ano de filmes, com uma cerimónia que, apesar de simples e sem a extravagância de outros tempos, fez o que hoje em dia anda muito fora de moda - reconhecer o trabalho de actores e actrizes cujas carreiras já não têm o brilho de outrora antes de estes falecerem. Desde o senhor James Earl Jones, que deu voz a Darth Vader, até Dick Smith que maquilhou "O Exorcista" e "Amadeus", a cerimónia foi agradavelmente nostálgica e o triunfo de "O Artista" serviu para lembrar que não são precisas duas horas de efeitos especiais em 3D para fazer um grande filme. É um facto que "O Artista" é um filme muito bem escrito, realizado e montado, com um grupo de actores que conseguiu fazer um filme mudo vingar na era do 3D. Não tendo a intensidade de "Hurt Locker" ou "Crash" (outros filmes menos comerciais a ganhar o último prémio da noite), é sem dúvida merecedor, apesar de os restantes filmes ("The Descendants" e "Moneyball", por exemplo) terem formado uma das listas de nomeados mais fortes dos últimos anos. Outra nota para "Midnight in Paris", que muito merecidamente ganhou melhor argumento original, mas que sobretudo merecia ganhar qualquer coisa que seja por me ter feito ficar preso ao sofá no fim do filme a pedir que durasse mais uma hora…As últimas semanas do campeonato nacional parecem saídas de um dos jogos de Football Manager que dizimaram a minha pobre vida social durante o Secundário. Por muito bem que construísse uma equipa, havia sempre uma altura em que os jogadores pura e simplesmente paravam de jogar. De dar quatro ao Sporting passava a empatar com a Académica depois de um jogo com setenta remates à baliza, e a perder com o Porto com três penáltis para os sacanas dos tripeiros (particularmente realista neste ponto). Outro ponto em que a época 2011/2012 do Benfica se assemelha àquela em que eu liderei os destinos do Glorioso é naquela transferência livre em Janeiro só porque sim. Assim como fomos buscar o Djaló à praia da Carcavelos, eu também ia de vez em quando comprar um Roberto Carlos de 57 anos ou um Ronaldo (o gordo) que já ia no seu quinto joelho esquerdo, só pela piada. E regra geral não dava grande resultado e acabavam nas reservas a receber mais que o Aimar…Enfim, esperemos que a vitória frente ao Zenit mude o rumo recente das coisas e que o Porto meta água até Maio, porque se aquele pateta do Vítor Pereira for campeão nacional ultrapassará o Fernando Santos como a alminha mais incompetente a ganhar o[...]



Djaló, Romana e Carvalho da Silva

2012-02-03T00:32:31.004+00:00


Lembrei-me hoje que ainda não tinha escrito nada este ano, o que me deixou bastante transtornado. Sendo assim, e visto que não me apetece ir dormir ou arrumar a cozinha, vamos à habitual revista dos temas da actualidade.

O Yannick Djaló assinou pelo Benfica. Um amigo meu descreveu esta transferência como uma atitude de "agora sem mãos!" no que toca à conquista "iminente" do título de Campeão nacional. A mim, pelo contrário, parece-me que o Benfica chegou ao dia 30 de Janeiro sem negócios sonantes no horizonte, e quando o senhor Vieira viu o Porto agarrar um jogador atrás de outro pegou no que estava mais à mão. Infelizmente, o que estava mais à mão não toca numa bola há coisa de um ano, mesmo quando tocava numa bola todos os dias não tinha muito jeito para a coisa e tem uma filha chamada Lyonce Viiktórya. Espero que estejamos todos enganados e que este seja mais um produto da Academia de Alcochete que acaba campeão numa equipa que não perde com o Moreirense pelo menos uma vez por ano. Futebol à parte, esta movimentação significa que Luciana Abreu já não terá de se mudar de armas e bagagens para o estrangeiro, o que lhe possibilitará continuar a aparecer três vezes por semana nos programas do Goucha. Parecendo que não, quanto menos tempo de antena for dado a Romana vestida de Cyndi Lauper melhor…

Carvalho da Silva estará por estes dias a gozar da sua reforma de dirigente sindical. Numa altura em que se fala tanto da reforma do tio Aníbal, estou pessoalmente mais interessado em saber quanto ganhará o ex-talvez-futuro-secretário-geral da CGTP. Para celebrar tão brilhante carreira, naturalmente, convocou-se mais uma greve. Sou só eu ou alguém tem de explicar a estes senhores que este ciclo não é exactamente sustentável? O país está falido, a vida está difícil, portanto "os trabalhadores" convocam uma greve. Esta greve custa ao país falido mais umas centenas de milhões, tornando a vida ainda mais difícil, pelo que "os trabalhadores" convocam outra greve. E por aí fora. 
Ao mesmo tempo, de repente o principal problema do país é o excesso de feriados. Acaba-se com o 5 de Outubro e com o primeiro de Dezembro, mais dois feriados religiosos, o que fará com que os trabalhadores eficientes contribuam para o desenvolvimento do país com mais trinta e duas horas de trabalho por ano. Infelizmente, fará também com que os (dois ou três) trabalhadores inúteis contribuam para o desenvolvimento do país com mais trinta e duas horas por ano a jogar à sueca, uma vez que os seus "direitos" continuam a impedir (Deus nos livre) que sejam despedidos por não fazerem nenhum. 
A Europa inteira está com dificuldades por estes dias, e no resto da Europa as empresas não são obrigadas a dar emprego a quem não trabalha. Se tivermos isto em conta, até não nos estamos a safar assim tão mal…

Beijos e abraços,
Ginete



Os Proglemas de 2011

2011-12-31T15:42:45.879+00:00

Ora já que pelos vistos este será o meu último post de revista anual, visto que dizem que o ano que vem vai ser à Fernando Santos e portanto não chega ao Natal, mais vale começá-lo a tempo e horas para não deixar nada de fora. Antes de mais, gosto particularmente do facto de este fim do Mundo ter dia marcado. Dá sempre jeito, até porque uma pessoa tem de ir às finanças para deixar tudo nos conformes, e se um apocalipse aparece assim de repente só o trânsito para lá chegar é o cabo dos trabalhos.Onze coisas boas que aconteceram em 2011 (para os cépticos que acham que foram só coisas más):O nosso primeiro-ministro já não se chama José Sócrates. Se há coisa boa que este senhor vez pelo nosso país foi unir pessoas de todos os credos e níveis de inteligência (sim, até militantes do PCP) contra ele.Acabou oficialmente a Guerra do Iraque. Acho que por esta altura já há pouca gente que concorde com as razões pelas quais começou, mas infelizmente também poucos se lembram que gente continua a morrer nela todas as semanas. O hábito é, às vezes, uma coisa chata e como é óbvio uma cerimónia não vai mudar grande coisa no imediato, mas é um começo.O Mundo acaba o ano com um saldo negativo de quatro ditadores. Este ano foi mau para a fava, para a beterraba e para o ditador. Desde a Líbia ao Egipto, passando pela Tunísia e pelo Iémen (um dos meus nomes de países favoritos - e eu sou um fã de nomes de países), muita gente finalmente arranjou órgãos genitais para mandar senhores que já estavam no poder há várias décadas para a reforma. Felizmente, na nossa Democracia perfeita já não existem casos desses e portanto não temos nada com que nos preocupar.Pessoas acamparam em praças. Muitos criticam-nos por supostamente não terem uma causa específica, outros por não se lavarem. Independentemente de tudo isto, a população Mundial finalmente mostrou que ainda não está em coma e que começa a ficar farta de encolher os ombros enquanto pessoas com muito dinheiro e/ou poder fazem o que bem lhes apetece com o pouco dinheiro e/ou poder que os outros ainda vão tendo. Uma pequena nota - enquanto que noutros países se protestava contra a ordem da sociedade global, nós fazíamo-nos de coitadinhos e queixavamo-nos de que a vida anda difícil e de que não há emprego. Custa-me dizer isto, mas às vezes parece que tentamos dar razões àqueles que nos chamam pequeninos.A popota revolucionou o Natal dos portugueses com esta pérola. allowfullscreen="" frameborder="0" height="360" src="http://www.youtube.com/embed/89SfRGOB9OA" width="480">Os senhores separatistas do país Basco decidiram parar de atar explosivos à volta da cintura para matar espanhóis. Pelo menos até se cansarem de jogar a versão basca do Angry Birds - o Tuxeko Xiska.Pedro Abrunhosa não editou nenhum disco. Positivo, mas parece-me apenas um pequeno passo em direcção a um Mundo perfeito em que não temos de ouvir o senhor a discursar com música de fundo na rádio hora sim hora não.Pablo Aimar não se lesionou. A brincar a brincar, já não acontecia para aí desde 2003. Ao mesmo tempo, as lesões do Benfica passaram de jogadores importantes como Aimar ou Luisão para o Rúben Amorim, o que sem querer soar mauzinho até é positivo. Infelizmente, este último quer ir embora, o que me deixa preocupado. Pelo menos ainda temos o César Peixoto e o Jardel para absorver a quota de lesões do plantel…Pessoas más foram presas. No caso de Isaltino Morais, durou dois dias, mas se tudo correr bem pelo menos serviu para mostrar aos senhores Juízes que tal feito é possível, por muitos recursos que o senhor interponha por mês. Já Duarte Lima, para além de ter trazido dezenas de carrinhas de televisão muito interessadas em filmar a porta d[...]



Três coisas que não compreendo

2011-11-24T23:32:21.189+00:00

Este post vai ser sucinto e directo ao assunto, visto que me encontro com certas dificuldades em manter os olhos abertos durante mais de cinco segundos.

A primeira coisa é, lá está, a greve geral de hoje. A sério que senti uma ponta de vergonha quando, durante a pausa para almoço no trabalho, vi na BBC a notícia sobre este acontecimento. Para começar, teria curiosidade em saber o que é que os senhores que nos estão a "emprestar" uma pilha de notas acham desta nossa acção de graças... Infelizmente nenhum dos meus colegas se pronunciou sobre o assunto, e eu estava ocupado demais a esconder-me debaixo da mesa para perguntar. Ao mesmo tempo, é de uma estupidez incompreensível achar que esta é a altura oportuna para fazer uso do direito à greve, mais um caso em que a actual geração de pessoas-que-dirigem-instituições cospe no 25 de Abril sem pedir licença. Infelizmente, os tempos conturbados que vivemos fazem com que muita gente pense que a culpa do estado em que o país está é só dos políticos. Por muito maus que estes sejam, a culpa (tal como a selecção) é de todos nós, e é de uma irresponsabilidade nunca vista lavar as mãos e esperar que os problemas se resolvam por magia. De uma maior irresponsabilidade ainda é convocar uma greve geral numa altura em que a Europa inteira olha para nós de lado como um país de gente que gosta de muitos feriados e pouco trabalho...

A segunda é a campanha à volta do filho do senhor Carlos Martins. Como devem imaginar, não tenho nada contra o rapaz e só lhe desejo as melhoras e que corra tudo bem. Contudo, não consigo aceitar que o filho de um jogador de futebol gere um aumento de cem vezes (um, zero, zero) no número de novos doadores de medula óssea por dia. É uma vergonha que estas pessoas achem que a vida do miúdo vale mais do que a de todas as outras crianças que sofrem que problemas semelhantes, pelo simples facto de o pai deste dar pontapés numa bola aos Domingos. Mesmo que esta iniciativa acabe por ajudar outros para além do filho do Carlos Martins, o que duvido bastante, não deixa de ser repugnante que tenha chegado a este ponto... Doar medula óssea é um acto de uma nobreza assinalável, e reduzi-lo a um acto de fanatismo futebolístico era impensável até há quinze dias, pelo menos para mim.

Por fim, e para acabar de uma maneira mais leve, li que os senhores que fazem as pulseiras do equilíbrio estão a ser processados como se não houvesse amanhã. Acho muito bem, mas não compreendo como é que alguém que paga 50 euros por uma fita de plástico tem lata para se queixar que esta não lhes dá força e equilíbrio como prometido... Sou só eu ou isto é o mesmo que comprar o Jornal do Incrível todos os dias e depois queixar-se que, afinal, o presidente da República não foi violado por um extraterrestre durante as férias do Verão em Boliqueime? (há melhores exemplos nos tablóides britânicos, e para além disso creio que o Jornal do Incrível já está morto e enterrado)

Peço desculpa pela falta de energia deste post, mas tenho de ir dormir e já estamos quase em Dezembro, por isso convém escrever qualquer coisa...

Beijos e abraços,
Ginete



Cenas

2011-10-28T16:45:16.093+01:00

Começo este post sem fazer a mínima ideia do que vou falar. Não é a primeira vez e provavelmente não será a última, mas pode ser que saia alguma coisa de jeito.Nas notícias desportivas em terras lusas, o jogador espanhol e conhecido atrasado mental Joan Capdevilla queixa-se de que está a perder tempo no Benfica. Já sou parte da massa adepta (uma das minhas expressões favoritas em toda a língua portuguesa) do Glorioso há muitos anos, e devo dizer que nunca fui tão orgulhoso de o ser. Já vi o Benfica ser campeão três vezes (inteiras!), já o vi a ganhar ao United e ao Liverpool e a não levar uma tareia assim tão grande do Barcelona. Nenhum destes feitos suplanta o acto nobre de oferecer um contrato ao jogador que expulsou o Ricardo Costa no campeonato do Mundo ao simular uma agressão, só para depois o deixar a apodrecer no banco durante seis meses.  É bonito e o Benfica deve isto à selecção de todos nós - relembro que existe todo um historial de contratar jogadores imediatamente após estes nos causarem desgraças em Euros e Mundiais, desde Karel Poborsky depois de este espetar vistoso chapéu num Vítor Baía com cabelo à tigela até metade da selecção grega depois daquilo que me escuso a descrever por já ter uma lágrima no canto do olho. Melhor do que isto seria contratar o Petit no mercado de inverno e pô-lo em marcação cerrada ao sacana do espanhol nos treinos. Assim talvez ele perceba a diferença entre uma cotovelada imaginária de um menino e uma cotovelada a sério dessa lenda (mais ou menos) viva que é Armando Teixeira.Fui jantar a um restaurante italiano em Londres onde a quase totalidade dos empregados era de nacionalidade portuguesa. Acontece muito, parecendo que não, mas o que não acontece com tanta frequência é ser servido pelo Toy. Mais - ainda é mais raro ter o privilégio de pedir uma garrafa de água à versão 1985 do artista com a voz mais potente da península ibérica. O senhor que servia à mesa do tal restaurante era cara chapada do homem que tão veementemente nos pedia para chamar o António, mas com menos vinte anos e outros tantos quilos em cima. Pode parecer parvo, mas a minha mente esteve num conflito insuportável durante cerca de sete minutos, uma vez que parte de mim queria pedir-lhe um ou dois versos de "Na Casa do Toy" (a meu ver um dos pontos altos da carreira deste artista), enquanto que o resto de mim achava que isso talvez não fosse boa ideia. Felizmente o meu conflito interno foi rapidamente resolvido, visto que alguém fazia anos e quando o grupo de empregados se juntou para cantar os parabéns fez-se notar um distinto vozeirão que sobressaía do resto do coro. Se não acreditava na reencarnação até hoje, continuo a não acreditar. Mas se alguma coisa faz sentido neste Mundo, essa voz só podia ser a do mini-Toy.Pelos vistos está neste momento um contingente de carrinhas de televisão estacionado à porta de minha casa. Segundo os meus pais, um senhor que mora no nosso prédio matou uma senhora. Alegadamente. Infelizmente não creio que seja a senhora que falava alto ao telefone a meio da noite e não me deixava dormir quando eu andava no secundário, o que aliás faria pouco sentido porque já não moramos nesse sítio há três anos. No entanto, o que mais me faz confusão é o facto de as ditas televisões passarem o dia a filmar a porta do meu prédio para noticiarem às oito da noite que o dito edifício continua a ser branco com portas vermelhas. Faz-me lembrar os tempos agitados do processo Casa Pia, em que multidões iam para a porta da Polícia Judiciária olhar para o edifício branco onde o Bibi e o Carlos Cruz estavam presos. Senhores, arrumem as coisas e vão à procura de notícias para noticiar o[...]



Keep looking until you find it. Don't settle.

2011-10-11T18:43:55.803+01:00

Caso não tenham reparado, morreu um dos fundadores da Apple, o senhor Steve Jobs. Podia gastar o meu latim a repetir tudo o que já toda a gente disse, mas estou cansado demais para tal. No entanto, não estou cansado o suficiente para deixar de reparar na quantidade de pessoas que espetaram no seu facebook o discurso do senhor na cerimónia de graduação (viva o acordo ortográfico!) da Universidade de Stanford em 2005. Para além de ser bastante criativo e original ir desenterrar um discurso em que alguém que acabou de falecer fala sobre a morte (e contra a previsibilidade não tenho nada), o que me faz alguma impressão é que muitas das pessoas que vi partilharem o vídeo em questão parecem defecar diariamente nas palavras do senhor Jobs. Caros leitores, por favor não fiquem ofendidos - não é minha intenção perder a minha legião fiel de dois leitores e meio, por isso este texto não é sobre ninguém em especial. A sério.A única coisa em que consegui pensar quando abri o meu Facebook na manhã do dia 5 de Outubro foi na quantidade de voltas (metafóricas) que o senhor Jobs deveria estar a dar na campa. A quantidade de pessoas que publicaram  o supracitado discurso só tem um significado - que este foi inútil. A retórica do senhor teve um objectivo muito simples: o de mudar a vida das centenas de alunos que naquele dia deixaram de ser o futuro e passaram a ser o presente. Das centenas de pessoas que eu vi partilharem o vídeo do discurso no dia 5 de Outubro, contam-se pelos dedos aquelas que eu acredito não terem feito copy, paste e seguido a sua vida como o tinham feito até aí.O mais impressionante é que, de todos os meus "amigos" que espetaram o discurso no seu facebook sem pensarem duas vezes, muito poucos mostram sinais de perceberem o verdadeiro significado da minha frase favorita do discurso - "Keep looking until you find it. Don't settle". Eu sou bastante novo e conheço gente a mais que já ignorou, a vários níveis, este conselho. Há sempre desculpas muito sólidas e bem ensaiadas para tal - pressões familiares estão sempre no topo da lista, mas "tenho de pensar no meu futuro" e "azar" também gozam de um elevado número de fãs. Pressões familiares existirão sempre, e em grande parte dos casos são fruto da uma tentativa paternal de não deixar os filhos caírem nos mesmos erros que eles. Se não o fizessem não seriam bons pais, mas infelizmente o afecto não os deixa perceber que foram esses erros que os fizeram tornar-se no que são hoje. Viver no futuro sem tomar riscos no presente é uma perda de tempo. Se "planear o nosso futuro" funcionsse não haveria crises e todos viveríamos para lá dos 90 anos. Azar é uma motivação, não uma desculpa para não continuar a tentar. A verdadeira razão é a falta da sede de fazer algo de extraordinário que levou o senhor Steve Jobs a levantar-se todos os dias da cama, mesmo depois de saber que não lhe restava muito tempo entre comuns mortais como nós. Esta falta de sede é uma das muitas razões para que um país outrora extraordinário como o nosso se tenha tornado o bobo da corte da Europa, e o acto de aceitarem o que a vida lhes oferece ao invés de exigirem mais (e fazerem por isso) é a razão que me irrita que grande parte dos meus "amigos" que partilharam este vídeo em redes sociais não tenham ouvido o discurso do senhor Jobs e pensado sobre o mesmo durante trinta segundos.Se quem estiver a ler este post achar que é um destes meus amigos-entre-aspas peço desculpa por soar arrogante e mal-educado, mas há coisas que precisam de ser ditas e é só o facto de não me apetecer perder estes "amigos" que me impede de o fazer pessoalmente. Ao mesmo tempo, já me m[...]



Bundesverwaltungsgericht

2011-09-24T22:42:14.929+01:00

Segundo um amigo meu, que viveu para cima de seis meses nessa terra fascinante que é a Alemanha, a palavra que dá título a este post significa, portanto, tribunal. Este é só um exemplo do quão estranho é o povo alemão e a sua eterna missão em tornar o mundo o mais eficiente e frio possível. A palavra tribunal, que suponho que exista desde que o alemão se começou a formar, é composta pela aglutinação de uma dúzia de palavras, que suponho que expliquem a ideia da coisa. É o mesmo que se em português lhe chamássemos sítioondeantigamentesecondenavagentemáàforcamasondehojeemdiasóosmandamparaachoçavinteecincoanosoquemeparececlaramentefraquinho porque ninguém se deu ao trabalho de, no século três, inventar um nome para tal establecimento.Sinceramente não tenho muito que me queixar, visto que a grande maioria do tempo que estou na Alemanha é passado a trabalhar ou tentar dormir mais de cinco horas (um feito raro) antes do turno seguinte, o que não me deixa muito tempo para interagir com os autóctones. Outro facto que é capaz de manchar a minha imagem do país onde David Hasselhoff teve uma carreira musical é o facto de não falar grande coisa de alemão. Normalmente faria um esforço para me desenrascar, e provavelmente acabarei por fazer visto que vou passar um quarto do ano que vem por estes lados, mas sucede que o alemão é uma das línguas mais perfeitamente desinteressantes que já me invadiram as cavidades auriculares. Independentemente do conteúdo do discurso, seja alguém a agradecer-me por o ter puxado da frente de um comboio a alta velocidade ou a chamar-me atrasado mental por lhe ter entornado café em cima, não consigo deixar de ter quase a certeza de que estão a ralhar comigo. Mas pensando melhor no assunto, o facto de eu responder a qualquer tentativa de conversa alemã em inglês é capaz de fazer com que o meu interlocutor esteja, de facto, a ralhar comigo. Nesse caso terei de começar a responder com uma das minhas actividades favoritas, que é disparar a maior quantidade possível de palavrões e insultos em português a alguém que não fala uma palavra da língua de Camões. Não há nada como acusar a mãe de alguém de trabalhar no ramo do entretenimento horizontal e receber um sorriso confuso e um aceno com a cabeça…O Sporting marcou 3 golos em 15 minutos contra o Vitória de Setúbal. Diz que têm um jogador novo (daqueles 48 que compraram durante o verão) que jogou muito bem e que e chama Ferderico Van Volkswagen. Ou coisa parecida. As boas notícias são que vão para a cama em quarto lugar, o que para a história recente do clube de Alvalade é mais ou menos o equivalente a chegar ao topo do Evereste. As más notícias são que a Académica vai jogar com o Feirense (que empatou com o Porto a semana passada, e não é Natal todos os dias) e o Marítimo com um Guimarães em auto-destruição. Portanto não se exaltem amigos sportinguistas, até Domingo voltam para o vosso lugar cativo…Está prestes a começar o primeiro Outubro desde 1994 em que não vou estar passar os meus dias sentado numa sala de aulas. Pode parecer palerma, mas é muito estranho… Não que tenha saudades de ouvir engenheiros a tentar explicar-me coisas que a) não percebo nem vou perceber; b) não me interessam ou c) me interessam e percebo, e portanto não preciso que mas expliquem. É mais o hábito de chegar ao fim do verão, comprar dois ou três cadernos e meia dúzia de canetas e lápis e guardá-los numa gaveta, onde passariam os seis meses seguintes a apanhar pó.Um nadinha mais a sério, estou a demorar tempo a mais a habituar-me à ideia de que já não estou na faculdade. Não que is[...]



11 de Setembro (confere, é hoje)

2011-09-12T01:37:20.573+01:00


Se não me lembrasse que ia passar duas horas dentro de um avião no aniversário do dia em que dois bichos desses foram arremessados contra duas torres bastante grandes, que meia hora depois estavam feitas em mil pedaços, as televisões espalhadas pelo aeroporto a mostrar imagens de dois aviões a serem arremessados contra duas torres bastante grandes, e destas a desintegrarem-se em mil pedaços meia hora depois trataram do assunto. No hilariante filme "Aeroplano", o filme que passa nos monitores enquanto os pilotos, inconscientes, estão a ser arrastados pela cabine é o de um avião em chamas durante uma aterragem falhada. Por esta razão, não consegui fazer outra coisa que não partir-me a rir quando caminhava para a minha porta de embarque, rodeado de monitores de televisão que repetiam insistentemente imagens de aviões a bater em torres. Suspeito que pessoas com medo de andar de avião não tenham achado tanta piada, mas não há de ser nada.

Se Baptista Bastos me perguntasse onde estava no 25 de Abril, infelizmente a resposta seria em lado nenhum, porque nessa altura estava a 19 dias de fazer menos quinze anos. No entanto, se o mesmo mítico entrevistador inquirisse sobre o meu paradeiro aquando dos atentados de 11 de Setembro de 2001 poderia contar exactamente e com uma precisão assustadora tudo o que fiz nesse dia. Ao mesmo tempo, poderia também contar em detalhe a história da pessoa tão hilariante quanto desconhecida que decidiu telefonar para a minha escola duas semanas depois dos supracitados atentados a tentar a sua sorte e a fazer ela própria uma ameaça de bomba que nos mandou todos para casa no Dia Europeu sem Carros. Naturalmente, demorámos cerca de três horas a percorrer um caminho de vinte minutos, devido à ideia de génio do Dr. João Soares e companhia, mas chegámos a casa sãos e salvos e voltámos à escola, que com muita pena nossa ainda estava de pé, na manhã seguinte.
Igualmente, tenho pena de nunca ter visitado Nova Iorque antes dos atentados. Não sei se mudaria muito, mas a verdade é que das duas vezes que visitei a cidade dei por mim à procura das duas torres gigantes que me tinha habituado a ver no skyline da cidade durante anos de filmes e séries. De qualquer das maneiras, é impossível não ter admiração por uma cidade tão habituada a ter as ruas cheias de gente ocupada demais para perceber que o lugar onde vive é diferente de todas as outras cidades do Mundo. Ao mesmo tempo, e apesar do constnte estado de caos que se respira na cidade, estaria a mentir se dissesse que se tivesse uma oportunidade de viver em Nova Iorque não pensaria no assunto…

E bom, foi um prazer falar convosco mas a senhora hospedeira está a mandar-me desligar o computador, por isso a minha dissertação sobre o quão mau o Sporting é tem de ficar para a próxima.

Beijos e abraços,
Ginete



Caras pessoas que não dormem há um mês porque o chat do Facebook mudou de sítio

2011-09-09T00:33:23.777+01:00

Por favor arranjem que fazer e convençam-me de que não são um desperdício de oxigénio. Eu quero ter fé na humanidade, a sério que quero, e acreditar que a nossa geração não é tão fraquinha quanto nos pintam. Infelizmente, quando cada vez que mudam o Facebook aparecem milhares de mensagens de protesto e de links duvidosos para voltar a pô-lo como dantes grande parte dessa esperança vai pela pia abaixo - metaforicamente falando. Ou não.Que eu me lembre já escrevi um post que expandia a minha teoria sobre como o Facebook está lentamente a resvalar para o nível do defunto (ou quase) hi5, e se não já o fiz oralmente, num discurso decerto memorável para todos vós. O que me preocupa, mais do que tudo, é que se corre o risco de as coisas ficarem piores que nos tempos do ai cinco e mesmo assim a popularidade se manter em alta. A minha maior esperança é uma amiga da minha irmã, que desde que comecei a escrever este post já mudou de "relacionamento" sete vezes, e a este ritmo é possível que o Facebook vá abaixo um dia destes (em que as hormonas da dita amizade estejam particularmente excitadas) e nunca mais volte.Todos os anos por esta altura perco horas de sono a ver o US Open, mas desta feita tenho mesmo de me levantar cedo no dia seguinte, o que não deixa de ser desagradável. A sessão nocturna de Flushing Meadows tem um ambiente sem igual no desporto, e é uma das poucas coisas em que tenho orgulho de ter dado os olhos da cara para testemunhas ao vivo. Felizmente este bilhete vinha com uma promoção, uma vez que depois de dar uma tareia no já velhinho Carlos Moya, o senhor Djokovic decidiu brindar o público com imitações estranhamente fidedignas de Rafael Nadal, Andy Roddick e Maria Sharapova.Este ano, pelo contrário, as coisas não têm corrido tão bem. Agora que por estes lados só chove dois ou três dias por semana, pelas américas não chegou outro furacão com nome de senhora de 60 anos, teve de vir mais uma semana de chuvinha para estragar a festa. Parece que o pior já passou, uma vez que o supracitado senhor Djokovic está a dar uma tareia a outro senhor com o nome acabado em vic. Agora que falo nisso, o rapaz acabou de arrancar um bocado ao dedo gordo do pé esquerdo, por isso é melhor passar ao assunto seguinte.Se há coisa que me irrita é ver fotografias de amigos meus na praia por estes dias. É capaz de ser uma coisa genética, mas faz-me bastante impressão sair do trabalho às quatro da tarde e vir para casa debaixo de chuva em vez de ir para a praia apanhar sol. No outro dia dizia um colega meu que se pudesse trabalhar a partir de casa se mudava para a terra dele. Tendo em conta que o senhor é do Norte desta ilhota, que não é propriamente uma Toscânia (ou um S. João do Estoril), não pude deixar de imaginar um cenário, um tanto ou quanto utópico, em que eu teria exactamente o mesmo emprego mas em Lisboa. Assusta-me um bocado pensar demais nestes cenários, já que tenho noção de que o ser humano passa a vida a correr desmesuradamente atrás do que não tem. Felizmente o meu turno acabou logo a seguir, pelo que voltei a casa debaixo da chuva, fechei as cortinas e fui dormir (já que eram oito da manhã e eu estava a trabalhar desde as onze da noite).Uma nota final para o facto de furacões, guerras e aniversários do onze de Setembro terem sido mais eficazes em fazer com que o resto do Mundo se esqueça de que a nossa economia está transformada num aterro sanitário do que oito pacotes de medidas de austeridade seguidos. Ao mesmo tempo acabei de reparar que tenho um voo marcado para o dia onze de Setembro, pela segunda[...]



Os hits do Verão 2011 - especial Kuduro (ah pois!)

2011-08-15T00:17:13.817+01:00

Duas semanas (inteiras!) de férias foram exactamente o que estava a precisar. Não por estar exausto e a precisar de descanso, mas por necessitar de exposição ao portuguesismo para ter material para escrever o já lendário (pelo menos para a minha mãezinha) post dos hits de verão. Este ano o teor desta publicação será ligeiramente diferente do habitual. Noutros tempos passaria sete parágrafos a dissecar cantigas de Rihanna, Jennifer Lopez mais o seu canito Pitbull, Katy Perry ou até a sua prima Christina Perri, que tem aquela música muito animada em que uma das vozes canta duas notas do princípio ao fim da canção.Este ano, no entanto, valores mais altos se levantam. No verão passado, quando eu passava o dia numa conhecida praia da linha de Cascais a troco de uma modesta quantia ao fim do mês, começou a passar uma música no bar que me irritava severamente. A cantiga em si não era particularmente irritante, mas o facto de a gerência do estabelecimento gostar tanto dela que a passava cerca de quinze vezes por dia fazia um bocadinho de comichão. O caso só tomou proporções assinaláveis quando, num certo dia, chego a casa e apanho o meu pai a cantarolar “iô iô iô-ô-ô, iô iô iô-ô-ô” e aí percebi que até senhores respeitáveis de 50 anos eram cativados pelos ritmos daquele pseudo-kuduro cantado pelo computador de um filho de emigrantes portugueses em Bordéus, na França. A gota de água que fez transbordar o copo deu-se há pouco mais de quinze dias, quando ouvi esta mesma música a passar à noite em Colónia (sempre em trabalho) não uma mas duas vezes. Caso tenham passado uma temporada em Júpiter e não saibam do que estou a falar, aqui fica o teledisco. width="640" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/f9aMmSzIHnI" frameborder="0" allowfullscreen=""> Até aqui tudo (ou quase) bem. O ponto em que esta obra, que data já do ido verão de 2010, passa a ser a base deste post prende-se com o típico chico-espertismo do tuga. Assim que aparece um novo “estilo” de música a passar em tudo o que é sítio, vem um exército de energúmenos “inspirar-se” (ou seja, copiar escarrado e cuspido) e fazer a sua própria interpretação da coisa. Normalmente, estas obras são publicadas pela Editora Zé Naifas, sediada na Venda Nova, e passam ao lado de grande parte do público que não ouve a rádio Romântica. Desta vez, no entanto, o caso é diferente. Muito diferente. width="640" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/ZbIcXuf3sVw" frameborder="0" allowfullscreen=""> Por onde começar? A descrição do vídeo revela que esta obra do mestre do pimba marca um momento chave na carreira do cantor, em que Emanuel se reinventa como artista, adaptando-se às sonoridades da nova década do século XXI, que nos informam que começa este ano. Caso estejamos distraídos. O cantor em si parece ainda em recuperação de um AVC, que o deixou com uso limitado dos músculos dos ombros e do pescoço, vendo-se obrigado a fazer a totalidade da coreografia com os cotovelos e as mãos. Quando Emanuel está a descansar os antebraços, o ecrã é dominado por um palerma de camisola de alças e calças brancas que parece saído de um anúncio do OMO máquina, e que às vezes fala português e noutras fala portunhol, como na memorável passagem “arriba, abarro, izquerda, dereicha”. A cereja no topo do bolo é o talhante a dançar animadamente com as catraias que lhe entram pelo estabelecimento dentro, pondo em prática os anos e anos de experiência a lidar com gado, e um traseiro subliminar ao dois minutos e vinte segundos, claram[...]



Renascer das cinzas

2011-08-01T19:33:59.419+01:00

É o que necessito urgentemente que fazer. Se sair do meu último exame para o meu primeiro dia de trabalho não acabou comigo, uma semana em Colónia a trabalhar 10 horas por dia (e a ingerir quantidades significativas de Kolsch as restantes) é bem capaz de me ter inserido num estado de coma que me permite andar e pouco mais. Felizmente seguem-se duas semanas de "férias forçadas" que se tudo correr bem serão suficientes para descansar. Caso não seja esse o caso, que sejam pelo menos suficientes para dormir mais de quatro horas por noite. Quando Portugal chegou à final do Euro 2004, o estado era de euforia. No entanto, sete anos volvidos e uma visão imparcial das coisas mostra como às vezes a combinação de partes "mais ou menos" ou até fraquinhas pode, sem se saber muito bem como, dar qualquer coisa de extraordinário. A sério, olhando para o onze que deu uma tareia à Holanda, temos - Nuno Valente a lateral esquerdo, Maniche a distribuír jogo e fruta, um Luís Figo que corria menos que o chefe Silva que tentou apanhar o invasor de campo durante a final e Pauleta como a nossa principal arma atacante, marcando cerca de zero golos durante a competição. Costinha, com cerca de 93 anos, povoava o meio campo quando Petit estava de açaime posto e a lateral direita era disputada por Miguel, que na altura se preparava para se transferir da Kapital para o Luanda por 5 milhões de Euros, e Paulo Ferreira, cuja armação capilar sugava cerca de 75% do orçamento para a campanha da selecção nacional. Incrivelmente, a soma destas partes medíocres com dois ou três bons jogadores mais o Ricardo criou aquela que foi provavelmente a melhor selecção nacional de sempre, ou pelo menos aquela que meteu os ingleses no sítio e que ainda hoje me dá razões para gozar com eles quando bem me apetece.Sem querer dizer mais do que posso, é mais ou menos assim que funciona o sítio onde trabalho. As condições não são (surpreendentemente) as melhores, especialmente comparando com outras equipas que nunca ganharam uma corrida que seja, mas sem sabermos muito bem como passámos de eternos segundos a dominar as duas últimas corridas. Infelizmente o rapaz alemão mal precisa de se levantar da cama ao domingo de manhã até ao fim da época para ser campeão, mas pelos vistos a ideia é não desistir.O mesmo está a tentar fazer o Sporting, que cada vez mais se parece ao Benfica de há dez anos atrás. A pré-época passada a esfregar as mãos e a dizer “este ano é que é”, uma enchente de aquisições com nomes exóticos como “Kandaurov” ou “Jankauskas” e uma série de jogos amigáveis a dar tareias em mortos. O Sporting fez mais ou menos o mesmo este ano, a começar com a contratação do treinador do momento, que a esta hora deve estar a perguntar-se porque raio é que não ficou em Braga. Depois lançaram-se ao mercado e comparam três plantéis inteiros, na esperança de que pelo menos um sirva. A euforia instalou-se e depois foi-se embora quando levaram três secos do Valência.O que vale é que o Porto vai jogar com o Barcelona daqui a nada e vai levar uma tareia tão grande tão grande que vai fazer lembrar... Bom, vai fazer lembrar as tareias que deram ao Benfica na época passada. Felizmente o adversário mais poderoso que o Benfica tem esta pré-época é o Arsenal, que como a taça é do Eusébio deve trazer a equipa de sub-16, o que significa que só ganham por um ou dois.Uma nota final para o estado de descontentamento em que me encontro por parecer andar com o mau tempo na mala de viagem. No dia em que fui da bifolâ[...]



Barbichas, direcções e merceeiros

2011-06-30T23:38:09.322+01:00

Hoje, durante um período surpreendentemente calmo no trabalho (surpreendente porque no Domingo passado levámos uma tareia dos nossos amigos azuis e dos nossos amigos vermelhos), matava o tempo a ver as notícias da terra mãe e fiquei surpreendido pela quantidade de informação interessante que preencheu os últimos dois ou três dias.A primeira notícia que me chamou à atenção foi a de que o governo planeava instituir uma série de exames de admissão à carreira de professor. Como é mais que óbvio, esta medida foi recebida com pânico generalizado pela classe docente, como mais um atentado ao direito que uma pessoa com curso superior (ou às vezes sem ele) possui para exercer uma carreira na área da educação. Faz todo o sentido. Os alunos têm testes todos os meses, mas os professores responderem a UM exame quando querem começar a trabalhar é um escândalo. Qualquer dia começamos a dar emprego só aos professores que sabem, de facto, a matéria que vão ensinar, e aí então temos o caldo entornado. Se o meu nome fosse Nuno Crato cortava aquela barbicha ridícula. Quando acabasse, fazia todos os professores do ensino secundário responder aos respectivos exames nacionais ao mesmo tempo que os alunos. A comparação dos resultados daria sem dúvida informações interessantes...A segunda notícia que me chamou à atenção foi a privatização de, vamos lá, tudo. O governo pretende privatizar a TAP, os CTT, a EDP, a RTP e todas as outras coisas que possui com siglas compostas por três letras. Naturalmente, o PCP e o Bloco de Esquerda pegaram nos foguetes e desataram a disparar em todas as direcções (um pequeno aparte – o meu Word acabou de tentar corrigir “direcções” para direções. Podem ir dar uma volta senhores da Microsoft, nem que tenha de fazer um dicionário só para mim). Portanto os senhores dos partidos de esquerda (e não incluo o PS, visto que este não sabe muito bem o que é) estavam, há seis meses, contra o aumento do investimento para aumentar as receitas do estado, e agora estão contra a redução das despesas. Para quem ainda não se apercebeu, estas criaturas nasceram para estar contra. É esse o trabalho deles, e ainda há 15% da população que vota no PCP e no BE, que para além do mais são uma cambada de totalitaristas carniceiros. Mas vivemos numa democracia, e portanto têm o direito de ser uma cambada de totalitaristas carniceiros com assento parlamentar...Finalmente, o Sporting Clube de Portugal está a comprar o Mundo inteiro. A sério, um jogador de cada vez, o plano do senhor careca de cabelos brancos que se parece com o merceeiro da minha rua é contratar todos os jogadores de futebol do Mundo inteiro, e depois todos os não-jogadores de futebol do Mundo inteiro. A ideia é, até 2045, contratar a totalidade da população mundial, e de preferência ter um departamento para cada pessoa chinesa contratada, o que significa que em 2045 o Sporting terá tantos departamentos quanto o número de secretários de estado do governo de José Sócrates.A sério que para a próxima escrevo qualquer coisa com mais calma, mas agora tenho mesmo que ir dormir que amanhã o dia começa cedo.Beijos e abraços,Ginete[...]



À rasca...

2011-06-24T00:14:18.566+01:00

Desde a última vez que escrevi neste sítio, aconteceram duas ou três coisas. Para começar, aconteceram sete exames de duas ou três horas cada, após os quais eu jurei nunca mais responder a uma pergunta na vida. Cada vez mais confio neste sistema de ensino, onde a maneira de decidir se temos ou não jeito para ser engenheiros é obrigar-nos a decorar quinze quilos de apontamentos durante três semanas, após as quais noventa por cento da informação desaparece como que por magia. A sério, mais valia fazerem um reality show da coisa e deixarem o público decidir quem eliminar a cada semana...No meio disto tudo, e para complicar as revisões ainda mais, fui chamado para uma segunda entrevista de emprego dois dias antes do meu primeiro exame. Infelizmente o emprego era bom demais para dizer que não, por isso lá fui eu de fato e gravata tentar enganar estes senhores e convencê-los de que sou mais ou menos esperto. A coisa correu bem telefonaram-me na manhã seguinte a perguntar se eu podia começar dia 15 de Junho. O meu último exame foi a 13.Dois parágrafos de informação perfeitamente irrelevante para justificar o facto de não escrever uma letra que seja neste sítio há um mês e meio. Como é hábito, é sempre bom fazer a chamada sinopse dos acontecimentos dos últimos tempos...As eleições, que calharam no início de uma semana em que tive três exames em quatro dias, foram obviamente o ponto alto do último mês e meio. Sinceramente as minhas expectativas eram baixas. Por ter acreditado nas sondagens (que cada vez mais são tão fiáveis como as previsões do Professor Bambo) temia que o PS ganhasse mas sinceramente tinha perdido a esperança que mesmo que o PSD vencesse, com ou sem maioria, houvesse uma mudança significativa. Sou capaz de estar errado. O primeiro ponto interessante são os ministros, em grande parte independentes e com um equilíbrio notável entre o PSD e o CDS. É possível que seja coincidência, mas espero que seja mesmo um sinal de que se puseram politiquices de parte e de que se está a fazer (pela primeira vez em vinte anos) o que é melhor para o país. A polémica dos Governadores Civis é ridícula, uma vez que as únicas pessoas que se queixam são as pobres alminhas que perderam o emprego, que iriam perder o emprego de qualquer maneira, uma vez que se trata de um cargo essencialmente político. Talvez tenhamos os senhores Governadores Civis de Braga, Lisboa e Faro na próxima manifestação da geração à rasca. Faz-lhes bem, forma carácter.Sinceramente continuo a pensar que se perde demasiado tempo a "dar o exemplo" e a mudar bilhetes de executiva para turística, e que em vez de manobras de marketing ridículas se devia passar ao trabalho. Foi esse, aliás, o ponto que mais me agradou na noite eleitoral, quando Paulo Portas se apressou a afirmar que o dia seguinte era dia de trabalho. Naturalmente, de imediato veio a super-Ana Jorge defecar no espírito de coesão nacional e começar a disparar em todas as direcções. A sério que já vi miúdos de sete anos com menos mau-perder, e a respeitável senhora com uma reconhecida carreira diplomática perdeu não uma mas quinze oportunidades para ficar calada, e espero que o fique até toda a gente se esquecer do sucedido. Mesmo que o comentário não fosse incrivelmente inoportuno, um militante do PS a acusar outrém de fazer o que quer que seja com quem quer que seja é como Zézé Camarinha fazer uma campanha publicitária para a Durex. O que é capaz de ter acontecido, mas fica a ide[...]



Um post quase tão imprevisível como os doze pontos da Suécia

2011-05-16T22:37:33.865+01:00

É Maio, o sol brilha lá fora e o Festival Eurovisão da Canção prenda-nos novamente com matéria mais que digna de figurar nos Proglemas. Como já vem sendo hábito, toda uma análise exaustiva deste magnífico evento está na ordem do dia, mesmo tendo sete maravilhosos exames à porta. É isso mesmo crianças, aqui o tio Ginete tem as prioridades no sítio. Como é tradição (e se não é passará rapidamente a ser), comecemos pela actuação máirridícula (estou a ler um romance do Mia Couto e o senhor pegou-me o vício de inventar palavras) da noite, e o prémio vai decididamente para a Moldávia. Ora numa tentativa de tentar descrever o indescritível peço ao leitor que construa a seguinte imagem - peguem nos Offspring (banda do final dos anos 90 que fazia questão de gritar as suas canções ao invés de as cantar) e espetem-lhes umas estalagmites na pinha. Combinando isso com efeitos luminosos que fazem com que a BBC tenha de incluir um aviso para epilépticos, o resultado é este: O facto de a canção se chamar "So Lucky" e de a letra fazer tanto sentido como o discurso eleitoral de José Sócrates só servem para aumentar o fascínio por este país que nos habituou a um elevado nível de... presença artística, vá, nos últimos anos. Mesmo assim, valeu o esforço e o efeito "o que é que aquelas criaturas têm na cabeça", essencial em qualquer edição deste festival. A segunda actuação que merece destaque é, sem dúvida, a da Fránça. Sendo um dos tipos com quem partilho casa este ano francês, já me tinha chegado aos ouvidos que este ano os súbditos de Sarkozy eram favoritos à vitória. Sinceramente não fiquei surpreendido, visto que após mandarem nos últimos dois anos um cadáver e um congolês que tinha engolido uma bateria de automóvel para andar aos pinotes à volta do palco, muito pior não podia ser. Mas foi. O tal favorito é um tenor a quem ainda não foi apresentado o conceito de chuveiro. Com uma cabeleira onde poderão decerto ser encontradas dezenas de novas espécies de parasitas, o senhor lá se apresentou em palco, disfarçado de Napoleão, e cantou a música menos eurovisãoesca (Mia Couto) desta edição. O facto de o senhor ser provavelmente o único de entre os vinte e cinco que emitia mais de três notas afinadas seguidas não ajudou ao facto de a música ser escrita num dialecto falado por cerca de sete pessoas, e o pobre rapaz acabou em décimo quinto. Palermas dos franceses, mandar alguém que sabe cantar à Eurovisão, onde é que isto já se viu? Se bem se lembram, a Espanha mereceu, no ano passado, um parágrafo inteiro no meu post sobre este concurso. Como devem imaginar acabei esse parágrafo com os dedos a sangrar, e não fosse o senhor Jimmy Jump ter invadido o palco nem duas frases mereciam, por isso este ano ficamos por aqui. Já a Alemanha fez o que por terras lusitanas é (ou devia ser) conhecida como uma participação à lá Dora, e digo isto em dois sentidos. Para já, é a segunda vez que esta rapariga participa no festival, tendo saído vencedora o ano passado quando tinha apenas dezoito anos, enquanto que a Dora nos representou nos idos anos de mil nove e oitenta e seis e mil nove e oitenta e oito. Quanto ao segundo sentido, deixarei o leitor tentar adivinhar através da visuamentalização de um excerto da dita cantiga: Ora bom, caso o caro leitor não tenha lá chegado sozinho, é óbvio que a catraia tenta cativar o público usando os olhos para procriar com a câmara de uma mane[...]



A Troika

2011-05-10T23:43:01.066+01:00

Eu nasci há vinte e um anos e onze meses, e até ao mês passado nunca tinha ouvido a palavra que figura no título deste post. Não compreendo porque é que, de repente, os senhores do FMI são "a troika" em vez de "os senhores do FMI" e, no decorrer de um qualquer jornal da tarde ou da noite, ouvimos essa palavra cerca de setenta e oito vezes vinda da boca de gente que muito provavelmente não faz ideia do que esta significa, como a pivot do jornal da TVI, o senhor que aparece de fato na SIC a falar dessa entidade mitológica chamada "mercados financeiros", o nosso Primeiro Ministro interino, o nosso Primeiro Ministro demissionário e o nosso provável futuro Primeiro Ministro (infelizmente, estes três últimos são uma e a mesma pessoa). Segundo a Wikipédia, como se sabe possuidora da verdade, "troika" é uma palavra russa que significa "grupo de três", e mais dez segundos de pesquisa nas internétes revelam que a razão para o uso deste termo advém do facto de serem três as organizações que nos vão emprestar os dois euros que necessitamos para comprar tabaco. O que mais me espanta nesta história toda é que a criatura que é paga para governar o país (ainda que de forma provisória) anda em campanha eleitoral, a receber aplausos de outras bestas do mesmo clube depois de dizer, palavra por palavra, que foram os partidos da oposição que "criaram" esta crise. Vamos, portanto, recapitular - o mentecapto que é primeiro ministro há seis anos está a tentar convencer onze milhões de portugueses que a culpa de termos uma dívida pública do tamanho da Simara (antes da dieta) é de toda a gente menos de quem tem governado o país. A situação é mais ou menos a mesma da senhora que tenta convencer o noivo, com quem tinha concordado esperar até à noite de núpcias, que engravidou por intervenção divina. A diferença é que a senhora não recebe uma ovação no final do seu discurso...Infelizmente acredito sinceramente que este senhor, cujo QI é sensivelmente inferior ao de um polvo em coma, vai ganhar as eleições de Junho que vem. E digo isto porque o seu principal rival, que segundo a minha mãe só pode ser vigarista porque reside em Massamá, tem usado a sua campanha eleitoral para mostrar ao Mundo que é tão inútil e ainda ligeiramente mais estúpido do que o actual Primeiro Ministro. E digo que é ligeiramente mais estúpido porque o senhor Sócrates já percebeu que cada vez que abre a boca só sai esterco, e portanto não o faz sem ter uma folha de papel ou um tele-ponto à frente. Já Passos Coelho continua a dizer alarvidade atrás de alarvidade, no tempo em que não está ocupado a convidar senhores com um passado político com oito meses de idade para Presidente da Assembleia da República. Tão bom que era que os eleitores acordassem a tempo desta vez e votassem em branco para que a mensagem fosse transmitida à classe política na única língua que eles parecem compreender...Voltar a Lisboa, mesmo por um mês que seja, significa ser exposto a horas de transmissão radiofónica, tanto no carro como por toda a casa, já que o meu pai tem um fascínio estranho por rádios. A coisa que mais impressão me faz é a insistência em repetir as músicas da moda até à exaustão. E quando digo até à exaustão não estou a exagerar - eu ouvi o "Price Tag" duas vezes na mesma rádio com quarenta minutos de intervalo... O mais chato é que algumas dessas músicas (que não o "Price Tag") são boas, pelo meno[...]



E enquanto estivemos de férias...

2011-04-01T01:14:04.335+01:00

... duas ou três coisas aconteceram por terras lusitanas. A primeira foi a já quase esquecida manifestação da "geração à rasca". Ora bom, qualquer evento que nasça a partir de uma música dos Deolinda merece logo cerca de três segundos da minha atenção, e normalmente não mais que isso. Este caso é diferente.Desde muito pequeno que venho ouvindo pessoas mais adultas chamarem "rasca" à minha geração. Sendo que não é simpático ouvir isto quando temos doze anos e pouco poder para mudar tais opiniões, é ainda menos simpático se pensarmos que se a nossa geração é ou deixa de ser alguma coisa, é porque não lhe foi dada educação suficiente para fazer melhor. E neste momento não falo de educação formal e do desastre nuclear que é o nosso sistema de ensino, simplesmente da atenção que é dada em casa e das coisas que só se ensinam com o exemplo. Chamar nomes a uma geração que ainda nem chegou ao mercado de trabalho só demonstra uma incrível irresponsabilidade e uma falta de noção sobre como a sociedade funciona.O segundo ponto em que os manifestantes têm razão é o do estado do país no dia de hoje. A Democracia é uma coisa muito bonita, mas desde que a conquistámos parece que nos sentámos no sofá e deixámos as coisas seguirem o seu curso. Criámos um sistema político em que os partidos ensinam os seus "profissionais" a ganhar eleições e que, quando chega a altura de governar, passam três anos a aprender como se toma conta de um país. A maior parte dos que não lá chegam são umas bestas inúteis, mal formadas e arrogantes, que passam uma vida inteira a meter ao bolso parte da quantidade absurda de impostos que pagamos. A geração do pós-25 de Abril conseguiu deitar pelo cano abaixo milhões de milhões de contos (e depois Euros) vindos da União Europeia como se esta fosse um poço inesgotável de riqueza e, surpresa das surpresas, quando o poço secou as coisas começaram a ficar complicadas. Mais importante, reforma atrás de reforma conseguiram deixar o nosso sistema de ensino básico e secundário num estado deplorável, que "combate" o insucesso escolar baixando o nível de exigência dos exames ano sim ano sim. O ensino universitário, com algumas nobres excepções, pouco ensina e muito pouco investiga, o que talvez tenha um tudo nada a ver com a quantidade de licenciados sem emprego que saíram à rua pelo país fora. Em suma, se a geração anterior à minha tivesse gastado menos latim a insultar os seus filhos e mais a guiar o país na direcção certa talvez a Europa não se estivesse a rir baixinho de nós por estes dias.Ao mesmo tempo, quem saiu à rua por estar "à rasca" não faz mais do que colher os frutos que vem semeando desde que aprendeu a somar dois mais dois. Portugal sempre foi o país do desenrascanço e do chico-espertismo, e não serei o único a notar que para muita gente da minha geração a dinâmica do "vai-se fazendo" domina grande parte das responsabilidades, sendo a escola uma delas. É claro que gente mais e menos aplicada existe em todo o lado, mas quando um aluno decente é visto pelos colegas como um estranho sabemos que algo está mal. O facto de grande parte dos estudantes universitários continuarem a viver em casa dos pais (ao contrário do que acontece na maior parte do Mundo) não ajuda, visto que o choque de ter de sobreviver por conta própria é benéfico para a formação humana e, sobretudo, faz o acto de reg[...]



Alguém me explica...

2011-02-23T19:01:28.975+00:00

... como é que passou um mês, três dias e uma mão cheia de horas desde o nascimento da criança de Luciana Abreu e Hélder Postiga sem eu ter a minima noção da dimensão deste acontecimento?! Pelo que tenho lido foi o nome da criança que fez as delícias de meio mundo, mas há muito para além de um nome que parece húngaro mas soa a nome de barraca de churros da praça de espanha. Muito mesmo. E agora que penso no assunto é capaz de ser o Yannick Djaló e não o Hélder Postiga, mas eu confundo os dois muito facilmente, uma vez que para além de serem goleadores igualmente destros são também bastante parecidos. Mas já está Hélder, fica Hélder. Para além disso o corrector ortográfico embirra com Yannick...Uma rápida leitura da peça (curta e concisa, como se aprecia) do Diário de Notícias online oferece ao ouvinte detalhes do parto dos quais, em qualquer outra situação, eu dispensaria ter conhecimento. O caso de Lucy e Hélder é, no entanto, diferente. Senão veja-se pelas declarações da mãe babada:"A Dra. tirou a cabecinha da Lyonce Viiktória e o Hélder tirou o corpinho dela do meu ventre e ambos a puseram em cima de mim."Ora tendo em conta que a mesma peça revela que a própria Luciana cortou o cordão umbilical da criança todo este relato parece refutar de imediato o mito difundido por toda a população feminina deste Mundo - o de que dar à luz é um acto mais doloroso do que levar um pontapé nas chamadas gónadas. Ora bom, eu não sei se algum dos meus leitores do sexo masculino alguma vez teve a oportunidade de comprovar o outro lado da teoria mas eu já, e garanto-vos que se nos 10-15 minutos que se seguiram alguém me oferecesse uma tesoura para cortar um cordão umbilical eu provavelmente introduziria a dita tesoura pela garganta do(a) energúmeno(a) abaixo. A descrição da senhora deixa a entender que, enquanto trazia a criança ao Mundo, Luciana lia a última edição da Flash com uma mão, bebericava um cházinho com a outra enquanto cortava o supracitado cordão umbilical com o pé direito, o que deita por terra as pretensões femininas nesta (até hoje eterna) discussão. Vejamos então outro parágrafo desta incrível peça de jornalismo:O jogador explica que só duas horas antes do parto é que Luciana Abreu lhe deu autorização para assistir ao parto. "Eu quase não queria acreditar e fiquei tão feliz que nem cabia em mim. Quando chegou o verdadeiro momento estava tão nervoso como nunca estive. Nem sabia como havia de estar", confessou.Ora bom, sou só eu ou duas horas é um espaço de tempo um nadinha curto para a senhora ir de não deixar o Hélder assistir ao parto da filha, que suponho também ser dele, a deixá-lo remover a criança do seu ventre? É certo que a senhora grávida é uma espécie muito dada a mudanças de humor, mas entre não deixar o pobre rapaz estar dentro da sala a deixá-lo armar-se em parteira vai uma distância considerável. E chegamos então à parte mais esperada desta análise, pelo menos por mim - o nome da pobre criatura. Ora vejamos:Lyonce Viiktórya é o nome da filha de Luciana Abreu e Hélder Postiga. "Lyonce da fusão de Luciana e Hélder e Viiktórya pelo nosso amor ter triunfado e ter vencido os obstáculos e má língua de tanta gente, principalmente daqueles que até hoje só apareceram na nossa sombra, graças à nossa luz e por sermos figuras públicas tão mediáticas", lê-se.Ante[...]