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Quitanda do Chaves



Um espaço sobre o cotidiano.Um encontro nos corredores, prateleiras e expositores, para uma conversa fiada sobre: Literatura /Mercado Editorial/Arte Brasileira // Aberto: De Segunda a Domingo * Entre sem Bater.



Updated: 2014-03-18T13:53:48.154-07:00

 



De volta ao trabalho

2009-07-26T12:24:50.480-07:00

(image)









No post anterior, escrevi que estava de volta, aqui era o meu lugar. Gosto deste espaço, utilizo para revelar um pouco de minha trajetória no mercado editorial. Neste mês fiz um ano (dia 18 de julho) que trabalho como livreiro virtual, nos portais Estante Virtual, Gojaba e SebosOnline atuando em duas versões, para Estante Virtual, criei o nome de fantasia: Banca da Carioca, e para os outros dois portais escolhi: Esquinas do Tempo, inspirado no nome de outro blog que escrevo. Dali para cá, ganhei novo fôlego, mergulhei de corpo e alma no universo do livro, em sua comercialização, na verdade é dali que extraio o meu oxigênio. Neste retorno ao livro, conheci os livreiros que trabalham no Largo da Carioca e o pessoal da periferia. Foi uma experiência, sem dúvida, proveitosa, pois acredito que tenha conferido em meu currículo como o único livreiro com experiência em diversos segmentos do mercado. Faltava vamos dizer para preencher o currículo, o trabalho na rua, de onde conheci pessoas que se arvoram em dizer que são livreiros. Cheguei a ter ataque de risos... São na verdade despreparados intelectualmente, com pouca ou nenhuma intimidade com a leitura e com a escrita. Fica dificil compreender este grupo como livreiro, há claro exceções de dois livreiros. que ali, transitam. É importante lembrar que estão surgindo novos livreiros, pricipalmente sebistas, mas é assunto para mais adiante.
Se pensarmos por exemplo: em Alberto Mathias, um dos mais antigos livreiros do Rio, o neto André, falecido Carlos todos da tradiconal livraria Padrão, na Miguel Couto, no livreiro Edson Nascimento(falecido) da Interciência, na Presidente Vargas, trabalhei com ele. Pensar nos livreiros Ernesto e Lucien Zahar das importantes livrarias na área de ciências humanas (Galáxia e Ler), no Rui Campos (Muro e Travessa), nos livreiros Graça e Chico da Dazibao e Luzes da Cidade, dona Vanna da Leonardo Da Vinci. Kiki e Aluizio Leite (falecido) da Timbre, na Gávea, o historiador José Antonio, da Arte Palavra (fechada) em uma galeria da 7 de Setembro, da jornalista Claudia Amorim e a sua mãe dona Yaci, sócias da livraria infantil Malasarte, na Gávea. Havia em Ipanema, lembro agora da figura lendária do livreiro José Sanz (falecido) da livraria do Pasquim, no Leblon, do Luis da Mar de Histórias, no Posto 6.
Poderia lembrar de Maria Antonia, como livreira e editora da Duas Cidades, que conheci, cheguei a ser distribuidor da editora, de Raimundo Jinkings (falecido) que conheci de nome, também como distribuidor, foi livreiro bem atuante em Belém. Falar de livreiros é passear pelos outros estados, mas prefiro no momento, escrever sobre os localizados no Rio de Janeiro. Há o pessoal de Niterói, como o livreiro e professor universitário Aníbal Bragança da importante Livraria Passárgada, fez história, de Antonio Gomes Eduardo da rede Gutenberg, da Casa da Filosofia ( do irmão de Aníbal) e da Livraria Debates, da livraria Encontro transformada em Diálogo. Por hoje, chega, pretendo retomar o assunto mais adiante. Os pedidos me chamam. Agradeço aos que me visitaram, foram palavras bem estimulantes, foram a força necessária para voltar e retomar o caminho da escrita.

* Imagem de Carybé (1911-1997) - Pretendo mais adiante, escrever sobre o artista, como ilustrador, principalmente em parceria com Jorge Amado.



Eu voltei, agora para ficar.

2009-01-29T03:33:11.870-08:00

(image)

Eu voltei, agora pra ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar. Eu voltei pras coisas que eu deixei, eu voltei, e se alguém achar que virei cantor, pode ficar aliviado, pois continuo livreiro. Sem esta de cantar a composição de Roberto Carlos que serviu apenas como fio condutor do que penso escrever neste espaço.
De uns tempos para cá carregava a indecisão de sair da “rua”, se deveria ficar mais algum tempo, protelei, adiei o quanto pude esta decisão. Depois do choque de ordem urbana que o prefeito aplicou na cidade, com mais uma tentativa de organizar o insano caos urbano. Achei que era a oportunidade que me ajudaria a tomar a decisão, foi o empurrão que necessitava. Ficou claro para mim que deveria atuar apenas como livreiro virtual. No espaço da rua, com elevada sonorização dos pregões do pessoal que vende cd, dificultava estabelecer qualquer conversa com a clientela interessada em comprar livros. Assim, anulava o meu papel de livreiro, pois a fala (a conversa) um ótimo veículo para venda dos livros, estava comprometida. A pressão sonora interferia nesta relação (o saxofonista desafinado e a gritaria produzida pela turma do cd ), foi sem dúvida um dos fatores que contribuiu em muito a tomada de decisão. Por um lado, não devo ignorar que as condições do tempo, sujeitos a chuva e trovoadas, pesaram nesta vontade de sair da rua. Na rua tive uma boa experiência, revi amigos e vi surgir outros amigos. Estava convicto que estava apenas de passagem.
Minha inquietação e as perspectivas de atuar apenas como livreiro virtual selaram a minha decisão. Na situação em que me encontrava e o espaço que dispunha para vender, afunilavam as iniciativas de apresentar ao público leitor um acervo variado. Tive várias idéias, todas abortadas. As vendas não correspondiam ao trabalho, pois tornava dispendioso minha ida ao Centro. Cheguei a ensaiar a redução de dias e horário, passei um período vindo após o almoço em casa.
Uma das áreas atingidas foi o espaço de livros na Rua Bitencourt Silva, entre a Caixa Econômica e o Edifício Central. Este intento atingiu a gregos e troianos. O desespero, a incerteza de como ficaria aquele espaço ocupou aquele momento. Dois livreiros inicialmente foi o que restou no primeiro momento, os que estavam em dia com a taxa de ocupação estavam garantidos, dias depois, os outros livreiros foram retornando, parece que não haveria mais com que se preocupar. Um dos livreiros que se orgulhava de estar em dia com a taxa, por isso, declarava que o lugar que ele ocupava estava pago. Fazia questão de dizer que a extensão de sua bancada, uma das maiores dali, era aquela metragem. Alegava que um fiscal demarcara o pedaço. De uma hora para outra o seu espaço ficou reduzido pela prefeitura, os argumentos que sustentavam os prolongamentos de sua bancada para mim e os outros, caíram por terra. Era evidente o abuso do uso do espaço público. Era o famoso jeitinho brasileiro.
No primeiro momento ao partilhar um mini-espaço oferecido pelo livreiro Alberto Pereira, me entusiasmou, uniria a possibilidade de venda com a nova experiência no trabalho de rua., depois, pude perceber que a tradução desta nova atuação, não correspondia, as vendas eram poucas e espaçadas, mesmo com o enorme fluxo de pessoas que ali transitam, a grande maioria não tinham o status de leitor.
Bom, fico por aqui, volto em um próximo post.

*Imagem: Octavio Araujo



Começo de um balanço final

2008-12-25T03:04:26.774-08:00

Voltei para escrever, talvez, o ultimo post do ano. Dar uma geral e preparar a faxina como costumo fazer no final do mês de dezembro. Começo por jogar fora o que escondi embaixo do tapete, arrumar os papéis e livros espalhados, enfim, organizar o caos. No momento, estou predisposto a encarar as tarefas que me incumbi de fazer. Quero dizer que, ainda cabe recurso, posso protelar para qualquer hora ou dia do próximo ano.Desde que voltei a trabalhar com livros e nesta etapa, como livreiro de rua. Foi uma chance oferecida e pela qual tive oportunidade de agradecer ao livreiro Francisco Olivar, que em verdade, reconheço como incansável trabalhador do livro. A outra chance e não se deve desperdiçar, foi a que se apresentou com o filósofo nietzscheriano Alberto Pereira - “Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal” - uma proposta logo aceita, de tomar conta de seu pequeno espaço (minifúndio), vender os seus livros, enquanto, fica liberado para outras atividades, como por exemplo, a de livreiro virtual, naturalmente, que em troca colocaria os meus em exposição. Ali, fiz diversas experiências, inclusive à de acompanhar os valores que Alberto estipulava em seus livros. Depois de resultados insatisfatórios, tive de fazer uma mudança radical, pelas características dos livreiros que me circundam, nenhum deles trabalhariam com livros comprometidos com a cultura libertária. Assim fui à luta, entrei em contato com Rafael, historiador e autor de um importante livro sobre a história do anarquismo, editado e esgotado pela Mauad. Recebi logo em seguida um convite do editor Robson Achiamé para um almoço, seria oportunidade de rever o querido amigo, colocar as conversas em dia, tomar conhecimento dos lançamentos editoriais que pululam na cabeça deste fantástico editor. Admiro muito Robson, um incansável editor, de muitos anos de estrada, muitas vezes superando as curvas perigosas para deslanchar nas retas, mas carregando na bagagem as imensas dificuldades de um pequeno editor em nosso país.Naquele espaço do Largo da Carioca, estou sentado em uma cadeira que é usufruída por uma turma de bunda mole, todos assentam a buzanfa sem a menor cerimônia, claro que os amigos do cd, há um espaço cativo para eles, cedo para almoçar ou descansar um pouco da longa jornada vendendo cd em pé durante horas. Estou localizado do lado de fora da tenda, fico embaixo da marquise do Edifício Central, no meio da muvuca dos vendedores de cd, deste modo, estou sujeito a pisadas, nem sempre com as devidas desculpas por terem acertado o alvo. A vida que segue. Meu retorno ao livro, depois que os amigos do livro souberam que estava de volta ao campo de batalha, muitos passaram para uma visita e por conta disto fui à Livraria Martins Fontes, em novo local que não conhecia, recebi as honras da casa, por intermédio de Sérgio, que aliás, conhece tudo de livro. Fomos colegas na Francisco Alves. Para minha alegria revi muita gente nesta nova fase de livreiro de rua. Assim, nesta nova condição vislumbrei o trabalho de venda de livros usados pela internet. Esta novidade foi à diferença. Renasci das cinzas. Hoje estou em três portais de venda de livros, em um deles, também trabalho com cd de músicas. Estou aos poucos galgando uma boa posição no ranking de sebistas, aferido pelo acervo em sua quantidade. Tenho um bom faro por livros de minha área, pudera, fui comprador de 3 livrarias por onde passei, além de ser dono de livraria em Ipanema nos anos 80, do modo que, tenho certa intimidade com a produção editorial publicada no Brasil.Em minha trajetória no mercado editorial, além de minha bagagem intelectual, traduzida por leituras, auxiliar de pesquisa na faculdade nos anos 70, de minha intenção de estudar e inventariar as editoras de esquerda no Rio de Janeiro, de meus conhecimentos com autores e editores, de uma militância política nos anos 70, esbarro em meu caminho com pessoas totalmente desvinculadas do trabalho com livros, inescrupulosas, d[...]



Os Anarquistas estão chegando.

2008-12-12T15:31:09.984-08:00

Outro dia, ou melhor, vez por outra, ressurge a pergunta inevitável para mim, se acostumei a trabalhar na rua no meio daquela muvuca, cercado dos mais variados sons, do som desafinado do saxofonista, passando pela elevada pressão sonora emitida pelos vendedores de cds e outros agregados, passantes ou não. Para o amigo que me perguntou, respondi que sim. Era a lei da selva, como animal político estava disposto a conviver com a poluição que o ambiente me proporcionava. Neste momento, sou interrompido por um som, elevado som, provindo de um dos personagens incorporados ao cotidiano da Rua Bitencourt Silva ao lado do Edifício Central, em pleno Largo da Carioca, ali, passa um sujeito diariamente conduzindo rápido e impaciente, um burro-sem-rabo, portando um aparelho de som, tocando um "hit" americano destes que tocam em discotecas, uma bandeira de um clube, que não vale a pena ser mencionado, ou qualquer outra coisa que no momento, não lembro, mas são quinquilharias com certeza... Como cada louco com a sua mania, um outro louco - sempre se encontra um - nem sei se vivemos em uma cidade ou em um hospício, é uma loucura generalizada. Este, seguia, em movimentos frenéticos o ritmo da música. Coisas deste tipo é motivo de frenesi para uma galera atenta, ávida a qualquer movimento estranho... Depois de ter aderido às vendas de livros pela internet, não estava muito convencido, pelas despesas envolvidas, a permanecer como livreiro de rua. As respostas dos amigos para as minhas hesitações, eram de estímulos a minha permanência, assim, protelei a minha decisão. No entanto, teria que fazer algo, dar uma sacudidela. Como fui distribuidor de livros, com mais de 70 editoras, embora, não tenha conseguido sobreviver, conheci muitos editores. Pelos livros comercializados naquele espaço, teria de procurar algo diferente dos demais livreiros, sou ideologicamente um livreiro de esquerda, é dentro deste campo que circula o meu pensamento, para fazer um diferencial, pensei nos livros sobre anarquismo, sobre a cultura libertária. Pronto! Encontrei o caminho. E fui à luta, fiz contato com Achiamé; fui seu divulgador, pracista e distribuidor. O material do Robson, seria a diferença que eu necessitava para alterar aquele quadro quase que negro. Alea jacta est, foi o que pensei de imediato. Nesta ocasião conheci o historiador e pesquisador Rafael Dominicis, dali em diante, me foram encaminhadas outras editoras, como a Imaginário, do editor Plínio Coelho, um grande estudioso do anarquismo e tradutor. Fui distribuidor da Editora Imaginário, não conhecia a pequena editora Faísca com suas publicações libertárias. Gostei do catálogo. É uma opção de trabalho, trabalhosa, reconheço, tanto, que estou ali, comercializando livros usados, apenas demorei muito para fazer esta opção. Às vendas destes últimos meses despencaram, tanto na rua, como na internet.É a crise do sistema capitalista que atinge com mais intensidade determinados segmentos sociais, e o livro dentro de uma hierarquia de valores de consumo como não ocupa um lugar muito privilegiado, é um dos primeiros a ser deixado para trás.A fome de ler é saciada de outra forma. Em conversa com o meu amigo e parceiro, o Filósofo Alberto Pereira, livreiro da melhor qualidade, anunciei que os anarquistas estavam chegando, ocuparia grande parte da semana em exposição, no mínimo espaço que disponho, alternaria, se fosse o caso com outros tipos de livros, tenho um acervo e preciso girar com este material, fazer promoção. A linguagem da rua é outra, movida por gritos, sussurros, barulhos e outros que tais. De onde fico, sentado em uma cadeira, que é democraticamente partilhada por várias pessoas, preferencialmente para os vendedores de cds que estão próximos a mim e trabalham em pé na grande parte do dia, cedo de bom grado para eles e aos outros conhecidos. Há sem dúvida, pessoas abusadas que sem nenhuma cerimônia, se apoderam da cadeira[...]



Ser ou Não Ser, Um livreiro de rua, eis a questão.

2008-11-23T02:51:30.850-08:00

Entre um cochilo e outro, acabei por dar um tempo para escrever como diria alguém, estas mal traçadas linhas. Escrevo para dizer que estou vivo, sacodi a poeira e dei a volta por cima. Diante deste teclado desarrumo minhas idéias e tento juntar palavra com palavra. Da ultima vez que escrevi, narrei a minha nova experiência como livreiro de rua e de livreiro virtual. Alí, de meu observatório em uma simples cadeira branca, sentado vejo o tempo passar e as pessoas, fico bem ao lado dos camelôs de cds em seu pregões diários, cada um grita mais do que o outro em busca da clientela, por conseguinte, da venda. Conheço alguns deles, são gente fina, estão batalhando desde cedo, como um dos mais velhos que ali trabalham, é no decorrer do dia vão surgindo o restante e outros agregados, como vendedores de café, de salgados, de frutas, etc... também uns chatos, verdadeiras malas sem alça, marcam o ponto naquele pedaço.Os camelôs travam muitas vezes um batalha verbal entre eles, é uma disputa palmo a palmo na conquista de um cliente. Quando fecha o tempo, quer dizer quando chove, há uma mutação dos vendedores, de uma hora para outra, alguns se transformam e passam a oferecer sombrinhas e guarda-chuvas. Qualquer sinal de chuva ou ventania, nós livreiros , ficamos em estado de alerta. É a batalha pela sobrevivência. Nesta selva urbana, no meio desta balbúrdia, estou ali, tentando ganhar uns trocados. Sei que é um trabalho a longo prazo, para isto, ou seja, tenho de trabalhar na rua, implica em muitas vezes em não ter tempo para as leituras que vinha fazendo, um inventário sobre as editoras de esquerda e sua produção editorial.Não tenho lido muito, o tempo dedicado ao oficio de livreiro virtual me toma mais tempo, além disto, tenho produzido melhor, estou identificado mais neste segmento, do que trabalhar como livreiro de rua. É muito barulho para pouca venda, e o melhor resultado para esta situação, são as pessoas que conheci e revi. Vivaldi, um bibliotecário aposentado, é um deles, conhecia de vista, e tive uma agradável supresa, é simpático, antenado, dono de uma boa cultura, conhece e percebe com a sua sensibilidade o meio livresco, o mundo dos livros em suas nuances. Gosto de levar um papo, aliás, tem sido um bom papo. Francico Olivar foi um dos que revi, conheço por mais de 20 anos, como já disse, é um bom vendedor de livros, batalhador e conhece o oficio, atua em um segmento diferente do meu, trabalha com livros raros, algumas preciosidades; conta com um público cativo e uma clientela atraída pelos saldos que promove. Olivar ainda vende vinil, que não deixa de ser uma alternativa para vendas. Encontrei Antonio Carlos, velho conhecido dos tempos de Eldorado Tijuca, fui colega de Marta, sua irmã em minha fase tijucana; um outro velho conhecido, foi Rizzo, meu gerente quando trabalhei na Interciência, encontrava mais vezes quando tive uma breve passagem pela Beta de Aquárius do livreiro Antonio Seabra. Aos poucos e com o recurso de minha memória volto a falar deste pessoal ligado ao livro ou as Ciências Sociais, dentre eles, o Mestre Aluizio Alves Filho, autor em plena esfervecência, tá produzindo a todo vapor, coisas da melhor qualidade, ainda mais conhece tudo de Monteiro Lobato, publicou um livro que está sempre vendendo, cujo título é As Metamorfoses do Jeca Tatu, editado pela Inverta. Tive contato com Michel Misse, fomos colegas de infância e de militância, tivemos passagem pelo Instituto La-Fayette, velho colégio tradicional da Tijuca.Voltando à rua, aliás, para sobrevivência dos que ali trabalham, uma boa ferramenta, um bom chamariz, é a promoção de livros, que vai de acordo com o livreiro que promove. Vavá conta com uma vendedora que mantém vínculos de parentescos com ele, me parece uma pessoa legal, seu nome é Vera, irmã de Ana, uma livreira que trabalha junto com a filha. Acho a livreira simpática, mas implica comigo sem mais nem menos, sem[...]



Um Observador do Cotidiano, Um Outro Olhar.

2008-10-03T01:55:19.076-07:00

Estava com saudades deste meu cantinho, aliás, tenho produzido muito pouco, desde que virei livreiro de rua e livreiro virtual. Como livreiro virtual, tenho um espaço onde coloco os meus livros à venda, são livros usados. Ali, na página da Estante Virtual, nomeei o espaço como Banca da Carioca, em homenagem ao local onde trabalho, que é no Largo da Carioca, no corredor, entre a Caixa e o Edifício Central. Sou um livreiro, como diria alguns, onde o povo está. De onde estou, sentado, sou um observador do cotidiano, do movimento incessante de passantes. Tenho visto uma mudança de comportamento, impossível de acontecer em décadas passadas, muitas mulheres de mãos dadas. Dalí, vou deixando a vida me levar, vendendo livros e alguns sonhos, conhecendo pessoas e revendo amigos.Gosto do Largo da Carioca, é uma das artérias do centro da cidade de grande e agitada movimentação de pessoas e de barulho. Confesso que mesmo tendo o ouvido de mercador, o som produzido no interior daquele espaço, é irritante, pois domina os gritos alucinados dos vendedores de cds, além dos xingamentos entre si, falam palavrão (não sou contra o uso do palavrão) sem nenhuma cerimônia, com muito exagero, brigam e não importam se estejam atendendo ou não.Naquele espaço onde me localizo, há divisões espaciais, de um lado os pintores, os retratistas, um homem que vende sinos e artefatos de bronze, um mais próximo à banca de jornais, parece que faz leitura divinatória, não reparei, se está sempre por ali. Há o desafinado e chato saxofonista na entrada da Estação do Metrô. Em um extremo, de quem vem da Avenida Rio Branco, há a presença do pessoal do “artesanato” e bijuterias, há também, alguns latinos vendendo artesanato. O Largo da Carioca, é com certeza, um espaço democrático. Estão sempre ali, os bêbados, os pivetes, os mendigos, os carregadores de todo tipo de mercadorias, os montadores das tendas de livros, os vendedores de café/chás, de comida, doces, salgados e outros personagens.No inicio da noite, um vendedor de sopa que sempre fala a mesma coisa, “ é sopa no mel, tome a sopa e depois o mel, a melhor sopa da cidade”. O vendedor é um homossexual nordestino, sempre de boné virado para trás, estaciona com um imenso carro perto do pessoal do cd, é uma encarnação geral. Sempre aparece por lá, o vendedor de livros jurídicos que é conhecido em toda a cidade como Camarão. O pessoal do cd e os passantes, os que ficam por ali, basta perceberem a presença de Camarão, ele gosta de ser assim chamado, mas faz o maior “mise en scène”, xinga os que o chamam pelo apelido, ameaça a brigar, é uma festa, um agito. Surgem gritos de Camarão por tudo que é canto.Coisa de louco.O vendedor de livros, Brás, um dos pracistas mais antigo, hoje aposentado e com 80 anos, em processo de decrepitude, passa todo dia para conversar as mesmas coisas comigo, fala muito baixo, que chego a não ouvir o que ele diz. Quando trabalhava para a distribuidora Irradiação Cultural, deixou de falar comigo, por ser um concorrente de seu patrão, na época em que eu tinha uma distribuidora de livros. Como é a vida, sempre o recebo bem, escuto. Sempre tratei colega muito bem, dei empregos para quem tivesse passando por dificuldades, era mixaria, mas acolhia um colega de profissão, penso que fui e sou um profissional solidário, não há ninguém que possa falar o contrário, para confirmar, os colegas que ainda estão no livro, apareceram para me visitar, souberam que eu estava de volta ao livro. Perdi muito tempo de minha vida, por escrúpulos de trabalhar na rua, hoje, não quero outra coisa, claro que hoje com a nova forma de trabalho, a internet, é uma ótima ferramenta, é um bom canal de vendas.Voltando ao assunto do local onde trabalho, é evidente que há um problema de espaço na Banca do Alberto, foi imposta a um reduzido espaço mínimo, onde mal cabem seis exposit[...]



Agradeço ao Livreiro Alberto Pereira, o Filósofo

2008-10-30T17:56:08.334-07:00

Estou como vocês perceberam, ausente deste blog e do outro. O outro para quem não sabe, é o blog Esquinas do Tempo, um espaço que criei para escrever o que vier na telha; também desempenho vez por outra, o papel de colaborador com comentários sobre a política do Vasco, clube pela qual torço, no site Supervasco. Se quase não tenho tempo para um, quanto mais para escrever em três, o tempo ficou escasso, pois no momento, me transformei em livreiro de rua e livreiro virtual, atividade que tenho curtido muito.Minha passagem junto ao livreiro Vavá foi efêmera e decepcionante, da empolgação inicial e o agradecimento pela oportunidade de voltar ao livro, sem dúvida, reconheço e mantenho meu agradecimento. Com o decorrer da convivência pude perceber claramente o comportamento dúbio, claudicante, escorregadio do livreiro Vavá, acrescentaria também, a dificuldade que tem de cumprimentar alguém, percebo que há ausência total no trato urbano. Acho muito deselegante, na convivência com outro colega de trabalho, o sujeito, não se dignar a cumprimentar, dar um Bom dia, ou, até mais...Acrescento o hábito deselegante de, sem mais nem menos, deixar a pessoa falar sozinha, que dizer, sai da conversa sem comunicar nada, simplesmente sai, quando notam, sumiu. A falta de compromisso com o outro, é a linguagem permanente de comunicação em seu cotidiano. Vi pessoas que ele marcava para comprar livros, aparecerem na hora combinada, ele como parte interessada, não comparecia. Um vez "combinou" com um livreiro morador de Santa Teresa para comprar seus livros, o homem veio com duas enormes e pesadas sacolas, quando ali chegou, constatou que Vavá sumira, deixou o cara a ver navios, o homem (César - descobri mais tarde em conversa com o próprio, o seu nome) ficou possesso, dizendo que gastou com passagem para nada.Para mim, não me comunicou nada, respondi e fiquei tão perplexo quanto, só não fiquei irado como o homem da sacola.Pelo tempo de trabalho com livros, Vavá formou uma boa clientela, um segmento de leitores dos quais muitos gostam de comprar livros por um real. Ali, entra tudo, desde livros sem capa, com defeito, faltando páginas, qualquer livro sobre qualquer assunto, são despejados naquele espaço.Tem sido a promoção permanente que faz em sua bancada. O convidativo preço, não diria, a preço de banana, pois a fruta está cada vez mais cara, pois superou o valor de um real, que hoje é vendida, ainda mais a peso e não à dúzias como se comprava no passado.Talvez, tenha me precipitado ao qualificar sua composição no perfil de livreiro, cabe mais a de vendedor de livros, um bom vendedor de livros, trabalhador, pega no pesado, sempre com a carga nobre prá lá e prá cá. Vava´se autoproclama um conhecedor da vida de Monteiro Lobato, pode até ser. Aliás, vende esta idéia de pesquisador da obra de Monteiro Lobato, de ter o maior acervo sobre Monteiro Lobato. Não fiquei muito convencido, para mim, a impressão que tive, foi um conhecimento envernizado da biografia de Monteiro Lobato, aliás desconheço qualquer trabalho de cunho intelectual provindo do livreiro Vavá. Em seu curriculum acrescenta a de escritor infantil, publicou e encontra-se esgotado um livro infantil cujo título é Risadinha, montou uma livraria em sua terra natal, é membro da Academia Cearense.Percebi quando comentei, que não sabia que Monteiro Lobato, foi quem apresentou em 1944, Ênio Silveira um estudante de Sociologia a Octalles Marcondes Ferreira, ex-sócio de Monteiro Lobato, na ocasião, Octalles era dono da Companhia Editora Nacional (CEN) que veio no futuro a ser sogro de Ênio, que casa com Cléo Marcondes Ferreira. Octalles convidou para trabalhar na Companhia Editora Nacional, mais tarde, entregou a Civilização Brasileira, que havia comprado em 1932, de um grupo, dentre eles, os sócios: Gustavo Barroso, escritor integralista, o livrei[...]



As Editoras de Esquerda: Civilização Brasileira e Paz e Terra

2008-07-11T03:21:11.467-07:00

O meu interesse em escrever sobre a indústria editorial, ou sobre livrarias, vem de longa data. Aliás, vez por outra, são feitos alguns registros nas páginas deste blog. A escolha do meu universo de pesquisa foi reforçado durante a minha trajetória como profissional do livro, trabalhei preferencialmente em editoras consideradas de esquerda, de oposição ao regime militar, intalado em nosso país, a partir de 1964.Quando fui pracista da Editora Paz e Terra e Graal por mais de 4 anos, havia um reconhecimento por parte do mercado livreiro, que percebia em mim, uma forte identificação com a Paz e Terrra. Em tempo, era também, leitor das editoras, enquanto estudante, conhecia os livros publicados, alguns dos editados foram meus professores, como: Leda Barreto, autora de Paz na Terra, com o selo da Paz e Terra e Julião, Nordeste, Revolução, editado em 1963 pela Civilização. ou colegas do curso de Ciências Sociais, como José Ricardo Ramalho, autor de Mundo do Crime - A Ordem pelo Avesso, sua tese de mestrado, defendida em 1978, com orientação de Ruth Cardoso, editada em 1979 pela Graal.Minha vontade de trabalhar com livros foi manifestada a partir de uma queima de livros promovida no final dos anos 60 pela Livraria e Editora Civilização Brasileira, que foi ampliada para rede de livraria Entrelivros e as feiras de livros que circulavam pelas praças da cidade. Os livros em promoção em grande parte foram os editados pela Civilização Brasileira, havia nesta queima: as Revistas: Civilização Brasileira, conhecidas como RCB, Politica Externa Independente, lançada apenas três números, Revistas da Paz e Terra, os livros em formato de bolso da série "Violão de Rua" - Poemas para a liberdade, que fazia parte da Coleção Cadernos do Povo Brasileiro, um dos projetos do Centro Popular de Cultura da UNE, era os meus primeiros contatos com a poesia engajada; os livros da BUP - Biblioteca Universal Popular que era financiada com a prestimosa colaboração do banqueiro José Luiz de Magalhães Lins. A BUP ficava sediada no terceiro piso da editora Civilização Brasileira, na rua Sete de Setembro, 97. Passava por várias vezes na Civilização, haviam livros que entravam em promoção ou em reposição; comprei O Capitalismo no Século XX, de autoria de Eugene Varga e outros livros descritos em posts passados. Os Cadernos do Povo Brasileiro faziam parte de minha biblioteca, os vários livros de Nelson Werneck Sodré, os livros de Gramsci (Os Intelectuais e a Organização da Cultura, Maquiavel, a Politica e o Estado Moderno, Cartas do Cárcere, Literatura e Vida Nacional, Concepção Dialética da História).Naquela ocasião travei conhecimento com os livros da Paz e Terra, uma editora oriunda da Civilização Brasileira, como selo. Vivenciava uma fome de ler. Lembro de ter comprado Canto Melhor - Uma perspectiva da poesia brasileira, de autoria do ex-diretor do Instituto Nacional do Livro do Rio Grande do Sul, Manoel Sarmento Barata (1955-1960), que fazia parte da Coleção Série Estudos sobre o Brasil e a América Latina, editado em 69. O livro Educação e Revolução, de autoria de Lucio Lombardo Radice; um livro editado pela Fulgor em 1963, de autoria do pedagogo argentino Anibal Ponce "Educação e Luta de Classes", editado muito tempo depois pela Cortez. Menciono mais sobre a Civilização em um post datado de maio de 2007.Uma combinação entre a minha postura ideológica com a produção editorial da Paz e Terra, compunha esta imagem. Confesso que perdi as várias oportunidades de entrevistar os editores, como Fernando Gasparian (1930-2006), ou Jorge Zahar (1920-1998), ou Ênio Silveira (1925-1996), ou os livreiros Lucien Zahar (1925-1998) com este, eu conversava muito, gostava de ouvir suas histórias sobre a trajetória da familia Zahar e sobre o mercado editorial, transpirava livros, da Livraria Galáxi[...]



De volta ao livro, um agradecimento ao livreiro Francisco Olivar

2008-10-30T18:17:32.992-07:00

Demorou! Agora estou de volta ao mundo dos livros, em especial ao comércio de livros usados, melhor ainda, a onde o povo está, ou seja, na rua, em um dos espaços de maior muvuca, localizado no coração da cidade, onde transitam desde engravatados, senhoras elegantes, estudantes, enfim, há diversos tipos de passantes; se me pedirem algum dado estatístico de quantas pessoas passam pelo local, confesso, que não disponho de nenhum. Só em olhar o agitado movimento das pessoas, percebi que há muito esbarrão entres as pessoas, que vão de encontro umas com as outras, nem sequer, ouve-se um pedido de desculpas, claro que há pessoas que fazem de propósito.Ouvir o barulho de tudo que é som, desde de um saxofonista, que me parece desafinado,o artista é dono sem dúvida de um repertório com pouca variação sonora, chega a ser constrangedor, mas ganha a vida desta maneira, cada um, se vira como pode, e assim deve ser.Ter um emprego formal, está cada vez mais difícil, as oportunidades se estreitam na medida em que você envelhece. Claro que esta situação vai muito além, envolve outros valores, em que a projeção do jovem, a beleza de alguma forma, são apresentações indispensáveis para o recrutamento da mão-de-obra. Acho que deve se apostar no jovem, em qualificar o profissional, no momento, ele é hoje, mas amanhã, pela passagem do tempo, passa a ser ontem, torna-se mais velho, as rugas e os cabelos brancos, são registros do tempo, daí em diante, o estigma, a exclusão, a marginalidade.Pela parte da manhã, antes das 8 horas, já estou na luta sem pedir licença, neste caso, há suas compensações, por exemplo, compondo a paisagem sonora, para quem trabalha ou passa por aquele trecho, somos brindados com a presença de um tocador de rebeca, além de bem intencionado, alguns dizem que desafina, mas infelizmente, oferece pouca variação, toca apenas música clássica, acredito que sejam as mais conhecidas. Durante a semana, a Avenida Rio Branco convive geralmente, com o caótico trânsito de ônibus, motos, bicicletas, transeuntes e automóveis com as suas insuportáveis buzinas, além dos apitos estridentes com o firme propósito de desorganizarem o caos. Avenida Rio Branco sem a presença das diversas manifestações de protestos com os seus mais variados protagonistas, não seria a mesma.É a artéria pulsante da avenida, que aliás, é uma via que serve de tremendo palco para qualquer tipo de manifestação, que muitas vezes, são reforçadas por possantes caixas de som, para dar ao falante, a certeza de quanto mais ele gritar, soltar a voz, será ouvido pelos passantes e fará vibrar a categoria sindical que eles representam.Para implementar a freqüência sônica, estou rodeado por todo tipo de som, o mais irritante, é a infernal gritaria dos vendedores de cds/dvds e programas de computador. Desde cedo, por volta de 8 horas, vai chegando a turma, há um bom números de pessoas, não identifiquei a presença de mulheres neste tipo de trabalho, a grande maioria, são de homens, na faixa de 20 e 30 anos, oferecendo os mais variados produtos,quer dizer programas, no entanto, quero registrar que há uma incessante repetição em um ritmo, só comparável aos papagaios, acho que sofrem de psitacismo, mas parece ser a voz o melhor instrumento de vendas, cada um instrumentaliza a voz como pode, então, que assim seja.O certo é que existe uma poluição sonora, que pode ser observada ou ouvida, se caminharmos em direção ao interior do Largo da Carioca. São sons produzidos por outros vendedores, pregadores religiosos, ruídos diversos, que revela a expressão musical da sinfonia caótica que toma conta da paisagem urbana dos grandes centros. Percebi que qualquer tipo de cidadão se acha no direito de mostrar a voz, gritar, assobiar, rir em tom elevado. Há alguns passantes que pegam c[...]



De volta ao livro, estou respirando.

2008-06-01T11:24:50.927-07:00

Não resisti ao passar diante de um sebo localizado em uma galeria de Copacabana, entrei. A minha felicidade poderia ter sido maior, no entanto, não foi, pois, estava delimitada aos poucos tostões que trazia no bolso. Ao dar os primeiros passos no interior da loja, esbarrei com os velhos conhecidos de outros carnavais, os habituais freqüentadores de alfarrábios. Com os cumprimentos de praxe, depois, cada um toma um rumo. Há os que ficam por ali, de papo, de olho nos livros e nos clientes que chegam para se desfazerem de livros. De prontidão, são os primeiros a reservarem os livros, ou mesmo, a comprarem. Engraçado há sempre gente querendo se desfazer de livros. No momento em que eu estava na loja no periodo da manhã, apareceu uma senhora, bem vestida por sinal, portando uma sacola com livros, cuja intenção era fazer uma avaliação, pois tinha um amigo que estava muito interessado em comprar os seus livros, mas ela não sabia qual o preço que poderia vender para o amigo. Mostrou os exemplares ao rapaz que avalia e se ele poderia dizer quanto valia. Uma rápida olhada nos títulos o vendedor, estipulou o valor total da mercadoria, que sem dúvida foi bem depreciado, o baixo valor, foi reforçado com o argumento, de que os livros oferecidos, alguns deles, ainda haveriam exemplares em estoque. Ao estipular um valor X, a senhora logo se mostrou decepcionada, mas o livreiro esclareceu que ela poderia negociar o preço com o amigo, provavelmente com o valor mais elevado, colocou tudo na sacola e foi embora.Muitas vezes é fácil detectar clientes que querem vender livros, mas sentem-se envergonhados, usam vários artifícios ao abordar o comprador; observei por muitas vezes como cliente de sebo, ou como profissional, muita decepção por parte de clientes ao se desfazerem de livros ou bibliotecas, imaginam que o livro de sua propriedade vale muito, porém, não desconfiam que nunca vai corresponder, nem se aproximar do valor imaginado. Há situações em que se pode chegar através de uma conversinha, um pouquinho para lá e para cá, uma negociação, ainda mais se o livreiro percebe com clareza que é material raro e valioso que o cliente tem para oferecer.Ao trabalhar em um sebo percebi com maior clareza, o procedimento do livreiro ou o encarregado em fazer a avalição, isto, quando os livros implicam em uma visita ao local para fazer o frete da mercadoria; na livraria em que trabalhei o livreiro não dispunha de transporte próprio, trazia de táxi, no contato seja pessoal ou por telefone, o livreiro geralmente procura saber qual a quantidade de livros (uma estimativa) e os assuntos, muitos são os livreiros que não trabalham por exemplo com livros jurídicos, ou de medicina. Geralmente é avaliado pelo valor mais baixo até o limite que o livreiro tem disponível para oferecer. Há muitas livrarias que aceitam troca, geralmente, são 2 ou 3 livros por um, há outra opção, estipula-se um valor X para ser trocado em livros. Por falar em preço de livros em sebos, houve pelo que constatei um considerável aumento para venda dos livros. Geralmente os livros didáticos de 1º e 2º graus são recusados, alguns jurídicos, para livrarias da zona sul, não são receptivos. Hoje com toda certeza, o comércio que oferece maiores condições de trabalho e lucratividade é o segmento de livros usados. Convém registrar que há bons sebos e bons livreiros. O sebo, entendo e não convém esquecer, como uma das vias de formação de um profissional do livro, claro que existem outros pré-requisitos nesta formação. Para se formar um livreiro, leva-se um tempo. O primeiro deles, é gostar de livros e que implica de imediato em gostar de ler. O livro tem de ser tratado com carinho, com cuidado, com zelo, diria mesmo com sabedoria.Sempre freqüentei sebos, desde do[...]



Recordações de um livreiro

2008-10-31T02:49:43.044-07:00

Estava ontem pensando em livros, ou melhor, estava recordando os momentos em que fui um profissional do livro. Em que saia quando não estava em trabalho interno, fazendo chuva ou sol pra rua vender livros, apresentar as novidades das editoras. Acho que nem sempre deve-se apresentar apenas os lançamentos, deve-se de alguma forma (re)apresentar o catálogo da editora usando uma capa ou mesmo livro, resgatar aquele livro que ficou esquecido, deixado de lado pelo livreiro. É uma maneira de dar uma oxigenada no livro, um pouco de sobrevida, fazer com que ele apareça, que ele respire nas estantes ou balcões das livrarias.Fazia visita em vários bairros da cidade do Rio de Janeiro e não são muitos os bairros em que havia a presença de livrarias. Algumas livrarias a visita se tornava mais frequente em função do ritmo de compra de cada uma; muita gente, autor, principalmente, pensa que um livro não se encontra em determinada livraria, é o fim do mundo. Não sabe, desconhece a conduta daquela livraria, pode haver diversos motivos de um livro não estar´presente em uma livraria. A ausência de um livro em uma livraria badalada ou não, também serve para os editores, que não compreendem como o livro que editam, não está nesta ou naquela livraria. Há títulos que não impulsionam nenhuma empatia, não geram vendas. Quando há resistências por parte do livreiro por alguma razão podemos entrar com consignação, aqui abro um parentêses, há livreiros e editores que não apreciam consignações..Os editores para se preservarem engendram limites e mais limites para compra de livros por parte da livraria, estabelecem desde mínimo de faturamento, até a negativação por parte do comerciante na praça. Em minha época de distribuidor achava um absurdo pautar minhas vendas através de uma entidade de classes que estava voltada para o livro didático. Se houvesse algum débito pendente em alguma editora ou distribuidora de livros didáticos, haveria restrição de crédito e não forneceria para o cliente. Não partilhava desta concepção, são fornecedores diferentes, nem queria saber, fornecia sem me ater ao impedimento por parte deste controle em que as editoras didáticas determinavam. Era a conduta deles e não a minha. Fornecia, seja através de um vale provisório, de um livro, até se obter condições de faturamento, nunca criei obstáculos para vender. Achava melhor o livro na livraria do que no depósito. Não fazia como os didáticos que desprezavam as livrarias para venderem nas escolas. Subvertia prazo e descontos, não segmentava por faturamento e tamanho, todos independentes da livraria, receberiam o mesmo tratamento. Havia no Rio de Janeiro, de minha época casos excepcionais, como a Sodiler, por ser a maior rede de livrarias da cidade. Era um caso pontual, pois não compravam toda novidade, inclusive pelas características das lojas em aeroportos, rodoviárias e shoppings. Abria espaços para conversas para negociar prazo em função de alguma promoção das editoras que eu representava, em que alteravam o meu desconto e o meu prazo, assim poderia repassar condições melhores ao livreiro.Como fui comprador nas livrarias e pracista em editoras e na minha distribuidora, fui testemunha de que era raro encontrar um vendedor de livros didáticos. Nesta caminhada esbarrava com muitos vendedores pracistas e não identificava um profissional da área de didáticos. Estas editoras faziam um bom trabalho de divulgação, aí sim era o caminho da mina. Naturalmente pegava outros atalhos. A distribuidora Obra Aberta tinha um perfil de atuação com livros na área universitária, um segmento que priorizei desde da época em que criei em Ipanema nos anos 80, a livraria Quarup.Muitos livros demoram na reposição, também há muitos fator[...]



Um Vendedor de Livros.

2008-03-22T07:07:36.974-07:00

Remexendo com os velhos papéis amarelados das páginas avulsas de minhas memórias deixadas num canto das gavetas desarrumadas, é verdade, algumas delas, até com poeira, estão. Nada que uma soprada ou um pano, não dê jeito. Aliás, estes registros são mantidos deste jeito, pois é assim, que consigo dar uma ordem neles. De uns tempos prá cá, criei o blog Esquinas do Tempo, um espaço reservado para outros escritos, pelo menos imagino que sejam identificados como contos, ou crônicas quando abordo assuntos pertinentes ao meu clube do coração, o Vasco da Gama. Manter este blog imagino que seja um dos mecanismos que engendro para resgatar através dos fragmentos colados em minhas lembranças, um modo de me encontrar com o tempo, de voltar para trás, com um recurso de um retrovisor, olhar para um passado que transformo em presente. Gosto de me ter como leitor e espectador diante desta tela. Quando mergulho em busca de fragmentos, mesmo que em superfície, ou nadando no raso, procuro ser um sujeito bem intencionado, com o firme propósito de recuperar narrativas, cujo cenário ajudei a meu modo, a fazer. Sou um carpinteiro deste momento, vou traçando e rabiscando trajetos e pontes imaginárias para ligações com o meu tempo de vendedor de livros. Um simples vendedor de livros cuja história não provoca nenhum interesse e se for manifestado algum, provavelmente a sugestão seria à lata de lixo da história. Ir direto, sem pestanejar para o esquecimento, ou em sua tradução moderna, ser deletado.O vendedor de livros, se não configurar como livreiro ou editor, a tendência é ser rotulado de pouca importância, um sujeito pelo lugar que ocupa no elo da comercialização. Editores e Distribuidores não reconhecem por várias razões a importância de um vendedor de livros, neste caso, de um "pracista", um vendedor externo, um profissional do livro, que representa editoras ou distribuidoras com atuação nas praças das cidades, para os vários tipos de comércio. Por outro lado, há editores ou distribuidores que mantém vendedores por muitos anos, atuando por muito tempo na mesma empresa. Fiquei por quase cinco anos na Paz e Terra, saí para caminhar com as próprias pernas, resolvi montar uma distribuidora, a Obra Aberta, localizada na Cinelândia, na Rua Álvaro Alvim, 48, em cima do cinema Pathé, fechado nos anos 90, transformou-se em um templo religioso. Outra editora que fiquei por algum tempo, foi a Edições Achiamé, também tive várias passagens, como divulgador, pracista e distribuidor.A começar pela mídia carioca, durante este tempo de militância como vendedor, nunca consegui localizar ou identificar alguma reportagem com vendedores, seja interno ou externo. são sempre os mesmos livreiros e editores. Distribuidor também muito pouco, quando muito, os poucos legitimados pela mídia, que exercem o dublê de editor/distribuidor. Às vezes é necessário dar uma pausa para um cafezinho, sair do assunto, não totalmente, pois quero falar sobre vendedores, vendedores de livros, seja de ilusão ou de transformação.No Rio de Janeiro, diferente do que os jornalistas classificavam como livrarias, geralmente vinculavam aos badalados livreiros e editores, tratados para o público leitor com se existissem apenas estes. Pequenas ou grandes eram depreciadas, ignoradas pelos jovens jornalistas.Confesso que com esta declaração de partilhar meus escritos com outro espaço como Esquinas, além de breves comentários em blogs sobre futebol, acabo por deixar ao relento o blog Quitanda, este espaço que reservei para narrar de algum modo minha trajetória no mercado de livros. Claro que não incide a culpabilidade do tempo em que fico dedicado ao Esquinas, tem também o que me traz grande felicidade, a maior dela[...]



Editoras e Livrarias - Um Papo.

2008-03-22T05:57:41.604-07:00

Atualmente nem nos sebos tenho passado para xeretar algo de interessante para ler. O jornal impresso também desisti de ler, apenas pego emprestado com a vizinha o caderno de classificados para localizar alguma oportunidade de trabalho, aliás, estão cada vez mais escassas, mais ainda, quando a idade é superior aos cinqüenta anos.Fico em casa como se estivesse internado, diante do computador, fico horas pesquisando, mergulhado na leitura da produção intelectual das ciências sociais. Voltei após longos invernos a ficar interessado em minha área de formação acadêmica, que abandonei para me dedicar ao mundo dos livros. Claro que pela atividade que exercia com os livros, obtinha informações do que as ciências sociais estava produzindo. Fui distribuidor e editor na cidade do Rio de Janeiro e o perfil da empresa, era alinhado com as editoras universistárias. Algumas destas editoras em seus catálogos havia algum conhecido do meu tempo de estudante, ou de quando atuei como profissional de divulgação editorial nas universidades. Lembro que fui divulgador de editoras com uma tintura de esquerda nos anos 80, trabalhava com distribuidores ou diretamente com os editores. Haviam editoras que eu não considerava como de esquerda, por exemplo: Ibrasa/Ibrex, Papelivros, Documentário e outras que agora não lembro. Eram representadas pela Vários Escritos, um distribuidor que representava também: Alfa-Ômega, Summus/Ágora, Avenir, Vega. Divulguei pela Quadrelli, as editoras Brasiliense, Global e Alhambra. Fui divulgador das editoras Paz e Terra e Edições Graal. Bons tempos eram aqueles, em que eu tinha bastante editora para divulgar como a Hucitec e Livramento, representadas pela Século XXI, e finalmente as Edições Achiamé.Foi um trabalho de suma importância para as editoras, um momento de interação entre editor e autor/professor que passou de alguma forma atuar como um agente de vendas, ao indicar títulos para adoção. Para a Brasiliense neste período foi uma mão na roda, estavam arejando a o catálogo e lançando diversas coleções, como os Primeiros Passos. Uma época de efervescência cultural, títulos e mais títulos eram lançados.A Brasiliense surgiu no inicio dos anos 40 com vários sócios, dentre eles: Caio Prado Júnior, o pai de Caio, Lenadro Dupré, Hermes Lima e Arthur Heládio Neves. Monteiro Lobato foi um dos seus sócios.A editora Brasiliense detinha os direitos da obra de Monteiro Lobato desde 1945. O autor, amigo de Caio de longa data assinou antes de morrer um contrato de validade "ad infinitum", até cair em dominio público, o que não aconteceu. Outro dia li pela internet que houve uma disputa judicial com os herdeiros de Lobato e a Brasiliense , que acabou perdendo os direitos, quem saiu beneficiada foi a Editora Globo que passa a publicar todos os títulos de Monteiro, com nova apresentação visual da obra do grande autor da literatura infantil.Caio Prado passou o bastão para o seu filho Caio Graco Prado nos anos 70. A editora passou por um período em que esbarrava com o cerceamento dos militares e os segmentos conservadores, tanto que em 1964 fecharam a Revista Brasiliense editada desde 1955 e dirigida por Elias Chaves Neto. Quem examinasse o catálogo da editora poderia identificar uma produção de esquerda. Luiz Schwarcz atuou na editora, passando por estagiário até ser diretor editorial, cuja saída em 1986, montou a sua própria editora, a Companhia das Letras. Caio Graco fundou em 1978 com Claudio Abramo o jornal Leia Livros, deixou de funcionar nos anos 90. Hoje a editora está sob os cuidados da filha Yolanda Prado, a Danda, que assumiu a editora após a morte do irmão Caio Graco em 1992 em acidente de moto.O mercado de livros mudou bastante,[...]



Uma Conversa sobre Editoras

2008-02-25T06:24:33.014-08:00

Nestas buscas que tenho feito pelas páginas da internet, fiquei espantado com a identificação de um leitor que nos anos 70 comprou a “Historia da Revolução Russa” em 3 volumes de autoria de Leon Trotsky, publicada em 1967 pela Saga, como uma editora de orientação comunista. Não tenho tanta certeza quanto este leitor de rotular a Saga com esta assinatura. Incluiria esta classificação como uma editora com perfil de esquerda. A Saga foi dirigida por José Aparecido de Oliveira (1929/2007) ex-embaixador, ministro da Cultura do governo Sarney, depois adquirida pelo empresário e editor Fernando Gasparian, (1930/2006) um liberal à americana como define Marcus Gasparian, um dos seus filhos. A Historia da Revolução Russa em 3 vols. foi editado pela Paz e Terra, na coleção Pensamento Crítico vol.11, relançada em 1977. Dez anos após a edição publicada pela Saga que deixou de existir no inicio dos anos 70. Recentemente o livro foi reeditado com nova apresentação visual e com nova tradução pela Editora Sunderman surgida entre nós em 2003. A editora é uma homenagem ao casal de militantes socialistas José Luis e Rosa Sunderman dirigentes do PSTU assassinados em 1994. A edição saiu em dois tomos. A editora mantém vínculos com o PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados. No panorama do surgimento de editoras houve sim, editoras que se identificavam como de esquerda e outras como católicas ou conservadoras, ou liberais e direitistas. Nos anos 60 houve editoras que foram simpáticas e colaboraram de alguma forma para o golpe de 64 através do Ipês – Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, fundado em 1961. Há um excelente livro 1964: A Conquista do Estado: Ação Política, poder e golpe de classe, do cientista político uruguaio e ex- professor da UFF, René Aramand Dreifuss (1945/2003), editado pela Vozes (católica) que analisa o papel do empresariado brasileiro no processo de desencadeamento do golpe de 64. Os editores como empresários não poderiam estar de fora, deram a sua contribuição. Durante o período editorial surgiram editoras de oposição ao regime militar. Havia pequenas editoras de esquerda com ligações partidárias ou grupos políticos. Com uma tintura de esquerda, mas não comunista, por exemplo: a Editora Sabiá criada em 1967 por Fernando Sabino em parceria com Rubem Braga. Editou Ernesto Che Guevara, o livro Nossa Luta em Sierra Maestra, publicado em 1968; O Cristo do Povo de Márcio Moreira Alves editado em 1968 ou Dom Helder Câmara em A Revolução dentro da Paz editado em 1968. Identificar uma editora como de orientação comunista como fez o leitor é de uma simplicidade, deste jeito a sua referência está contaminada por sua posição ideológica. O leitor não tem idéia do catálogo da editora Saga que publicou dentre outros autores: Celso Furtado, Jorge Wilheim, Luciano Martins, Paulo Mercadante, Thomas Skidmore, Guerreiro Ramos, Guevara; seria o mesmo que classificar como comunista o editor José Olympio por ter em seu catálogo escritores comunistas, ou editor da Record, Alfredo Machado também por ter editado escritores comunistas. Ou de que Carlos Lacerda que nos anos 30 teve uma aproximação com a Federação da Juventude Comunista, a Nova Fronteira, sua editora criada em 1965, seria comunista. Ou mais recentemente a Record por ter incorporado uma editora com vínculos de esquerda como a Editora Civilização Brasileira que teve em seu antigo proprietário Ênio Silveira como dirigente do PCB, não são seguramente indicadores para identificar uma editora com orientação comunista como sugere o leitor. Claro que pelo catálogo pode-se observar que determinado editor produz, des[...]



Gerchman: Uma homenagem silenciosa

2008-01-30T12:10:56.730-08:00

(image) Sua Arte estará sempre viva entre nós!












Rubens Gerchman
- Pintor, Desenhista, Gravador e Escultor. Um Grande Artista!

10/01/1942 - 29/01/2008






Fonte de Consulta: Casa das Artes



Um papo rápido sobre editoras portuguesas.

2008-02-05T13:12:43.187-08:00

Vez por outra tenho declarado nas páginas deste blog que não tenho visitado as livrarias, sejam elas megas ou não. Outro dia, ou melhor, na primeira quinzena de janeiro, passei pela livraria Argumento, filial de Copacabana, na Rua Barata Ribeiro, 502. Estava em companhia de minha companheira por mais de 30 anos, resolvemos entrar. A livraria naquela hora da manhã estava vazia. Achamos por bem presentear com um livro o meu neto mais velho, sua condição de ouvinte, nos estimulou a dar o mesmo livro que foi oferecido ao pai no inicio dos anos 80, quando eu tinha a livraria Quarup; gostava muito dos livros de autoria do casal Eliardo França e Mary França editados pela Ática, da Coleção Gato e Rato e foi o Rabo do Gato que escolhemos. Não havia na livraria nenhum livro da coleção nem da Ática e nem da Mary & Eliardo que criaram a sua própria editora. Fomos para o andar superior dar uma olhada e acabamos escolhendo um livro publicado pela editora paulistana Girassol. Diga-se de passagem, que eu não conhecia a editora, principalmente as mais recentes ligadas ao universo da criança.Foi um livro sem texto, apenas com poucas ilustrações e vinha com adesivos. Outra procura foi um livro introdutório de ciências sociais, particularmente de Sociologia. Não dei nenhuma referência de autor, apenas o tema. Uma das vendedoras indicou a coleção de bolso chamada Ciências Sociais: Passo-a-Passo, publicada pela Jorge Zahar, os vendedores: duas mulheres e um homem não conseguiram identificar nenhum autor que tratasse do assunto. Na minha ignorância deduzo, que por ser tratar de uma coleção com este título poderia, acharam eles, encontrar o que nós procurávamos. Não encontramos nada, como de hábito fotografei as prateleiras com os olhos de um antigo vendedor de livros. Digo antigo, pois há muito tempo que estou afastado do mercado livreiro. Lembrei agora da conversa com Marilene, após a saída da livraria, caminhando pelas ruas de Copacabana, falava do tempo em que trabalhava no comércio de livros. Conversa vai, conversa vem, esclareci que não saberia responder todos os títulos de uma editora, ou saber de cor e salteado os livros de um estoque ou acervo de uma livraria; no entanto, a minha condição de comprador, facilitava bastante uma interação com títulos e editora. Acho que os profissionais do livro, burocráticos, presos ou acorrentados as informações inseridas no computador, a memória para estes profissionais, pelo menos é esta a impressão fica em outro plano. Sempre me alimentei com leituras e informações dos mais variados assuntos, mas hoje ponho em dúvida do interesse de um livreiro por um profissional com o perfil de livreiro, com ampla bagagem intelectual e acrescento, pior ainda se tiver a idade fora dos limites do desejado. Como dar qualificação para este profissional mais jovem,com pouca experiência com livros? Enquanto caminhávamos em direção ao Hortifruti; surgiu o nome de Fátima no rol de minhas lembranças, lembro que conheci três mulheres com este nome ligadas ao livro: Fátima, a gerente da livraria Eça em Ipanema, na Ataulfo de Paiva 135, no local da antiga livraria do Pasquim, em que o badalado livreiro, escritor/tradutor, ligado ao cinema José Sanz era o gerente. Fátima da Editora Paz e Terra/ Graal, faturista da editora, era responsável também pelo depósito. Trabalhei com Fátima no final dos anos 70, quando começava a editora Graal, de propriedade do deputado baiano Max da Costa Santos depois adquirida pelo empresário Fernando Gasparian, convivi com Fátima em outro momento durante os anos 80 e 90. A Paz e Terra foi adquirida [...]



Uma Despedida para Helenoida Studart

2007-12-04T08:04:42.410-08:00

Quando li a noticia da morte de Heloneida Studart bateu de imediato, fragmentos de lembranças dos anos 70 e 80. Heloneida foi escritora, teatróloga, ensaísta e jornalista, nascida em Fortaleza, em 9 de Abril de 1932, e faleceu em 3 Dezembro de 2007, vitima de parada cardíaca, na Casa de Saúde São José, aos 75 anos. Esta combativa mulher, que passou por prisões na época da ditadura militar que se instalou em nosso país; foi moradora do Leme e mãe de seis filhos, todos do sexo masculino.Lembrei de imediato que fui seu eleitor e leitor. Aqui neste mesmo espaço da Quitanda escrevi sobre Heloneida e mencionei um dos seus trabalhos, “Homem não entra” como teatróloga, peça em que Cidinha Campos atuou como atriz. Escrevi o post em junho de 2005, intitulado: “A Militante Heloneida Studart“. Admirava a trajetória e os trabalhos de Heloneida, em sua atuação como mulher e cidadã.Sua trajetória passa pelo engajamento ao movimento de luta pelos direitos da mulher brasileira, junto com Rose Muraro, que foi uma das suas amigas, criaram o Centro Brasileiro da Mulher, mais as sociólogas Moema Toscano, Fanny Tabak, Branca Moreira Alves, todas com livros publicados. Neste período dos anos 70, aumentei minha carga em leituras, estava tão atuante que fui associado ao CERU - Centro de Estudos Rurais e Urbanos da USP, da Revista Ciência e Cultura (SBPC), as publicações da Fundação Carlos Chagas, de São Paulo; leitor de vários jornais alternativos, também com a temática sobre as mulheres, como Brasil Mulher e Nós Mulheres. Tinha um grande interesse por estudos feministas, lia na ocasião os poucos livros publicados, recordo que o movimento editorial engatinhava com esta produção, aqui vejo o papel de suma importância de Rose Marie Muraro como editora por muito tempo da Editora Vozes e de outras casas publicadoras. Eu procurava o livro Segundo Sexo, editado pela Difel em dois volumes, de autoria de Simone de Beauvoir, andava esgotado, como precisava ler e não encontrava, quem acabou me emprestando foi a escritora e novelista Glória Perez, fomos colegas da mesma faculdade, ela no curso de História, eu no curso de Ciências Sociais. Na ocasião fazia um trabalho para o curso de Antropologia, ministrado por Venúsia Neiva. Escolhi como objeto de investigação a prostituta, ou “mulheres da vida” como muitos chamavam as “trabalhadoras” do Mangue, um espaço denominado de baixo meretrício, localizado no centro do Rio de Janeiro. Estava empolgado e eu como homem fui senão o único, um dos poucos a se interessar pelo trabalho feminino. Tentei perceber o corpo como uma forma de expressão do trabalho informal, fui a campo, pesquisar e entrevistar algumas prostitutas, acompanhado por um grupo de colegas da faculdade.Deste interesse parti para leitura de autoras como Eva Alterman Blay, um livro editado pela Ática, intitulado Trabalho Domesticado, em artigos, de Heleieth Safiotti , a sua tese publicada em livro, A Mulher na Sociedade de Classes: Mito e Realidade, editado pela editora paulista Quatro Artes e os vários artigos espalhados pelos periódicos; lia Carmem da Silva (1919/1985), inclusive os artigos publicados na Revista Cláudia, filava a revista de minha madrinha.Como profissional do livro, atuando em livraria no final dos anos 70, lidei com a produção de Heloneida, fui testemunha de um livrinho chamado “Mulher - Objeto de Cama e Mesa”, obra que alcançou milhares de exemplares vendidos e foi publicado pela Editora Vozes, na coleção “Cosmovisão”, com introdução de Lauro de Oliveira Lima, educador cearense e autor de um título da mesma coleç[...]



Deu nos classificados do jornal: Editora Vendo

2007-11-25T03:30:12.128-08:00

Ontem, pensava na morte da bezerra, quando Marilene lia os classificados do jornal O Globo, leitura obrigatória para nós em busca de uns trocados para dar uma ajuda nas despesas. Ao abrir uma página nem sempre encontramos alguma coisa de compatível com o nosso perfil. Sabemos que a idade pesa um pouco nesta busca, às vezes são postas como barreiras de acesso para as oportunidades oferecidas pelo mercado. Continuamos na luta para conseguir este complemento, dentro de nossas limitações como profissionais. Sou interrompido pela leitura de um anúncio encontrado por Marilene. Você conhece a Editora Nova Razão Cultural? Conheço, respondi. Está sendo colocada à venda. “Empresa de médio porte”, deste modo é identificada no anúncio. Não cheguei a conhecer a dona da editora, a escritora Clair de Mattos, sei que tem uma boa produção na área de literatura. Foi nos anos 80 que tive contato com um dos livros da escritora, nesta ocasião eu tinha a livraria Quarup, na Rua Visconde de Pirajá, em Ipanema. Freqüentava a minha livraria, a escritora e amiga Vera Moll, que lançava pela Antares o livro Teias de Aranha. Uma das poucas resenhas que escrevi, foi o seu livro, em um jornal de bairro de Ipanema. Em uma das nossas conversas mencionou o nome da escritora Clair de Mattos, que ela conhecia e que lançava um livro pela Antares. Lembro que fiz o pedido do livro de Clair pela Antares, aproveitei e comprei outros títulos da editora. Conheci, não lembro quem me apresentou a editora Maura Ribeiro Sardinha, uma das sócias da editora Antares, eu achava muito interessante o catálogo, que incluía alguns títulos premiados em literatura infantil, a editora era localizada na Rua Visconde de Pirajá, 82, depois parece que passou para o Jardim Botânico. Vendi enquanto profissional do livro, alguns títulos de Clair de Mattos, não tenho muita certeza, se eu tive em mãos alguma obra de Clair, quando eu trabalhei pelas Edições Achiamé, do incansável editor Robson Achiamé Fernandes, mas lembro que ele fazia alusão a autora. Anos depois, quando voltei a morar em Copacabana, conheci uma livraria que Clair montou em Copacabana, altura do Posto 6, nos fundos de uma galeria. Uma loja espaçosa, mas com uma baixa freqüência de leitores/clientes, pelo menos foi o que constatei ao passar mais vezes pela loja. Tempos depois a livraria deixou de funcionar, cerrando as portas. Nos anos 90 fui distribuidor, criei a Obra Aberta, mas a Razão Cultural, depois, passou a ser Nova Razão Cultural, tinha um distribuidor. Fui também um dos compradores da Francisco Alves, Ipanema e Unilivros Cultural, em Ipanema, eu dava uma força para o autor nacional e comprava alguns títulos da autora. Tempos depois de ter encerrado a distribuidora, fechei também a locadora Sagarana de fitas no Catete e parti em busca de trabalho, encontrei um anuncio da editora Nova Razão Cultural pedindo vendedores, me apresentei para o cargo, fui entrevistado em Copacabana, no oitavo andar, por uma moça que no decorrer da entrevista percebi que estava muito longe de ter um currículo igual ou parecido com o meu, mas detinha o poder de contratar um vendedor. Na conversa mostrei minha passagem como profissional do livro, terminada a entrevista, ficou de ligar, nunca ligou. Fico chateado com pessoas que se acham o máximo no mercado de livros, arrogantes, que de posse de um cargo, ficam inchados. Não me foi dado nenhuma resposta, como um profissional experiente em vendas no varejo e no atacado; parece não preencher os requisitos para ser um vendedor de uma editora. Se fui, por exemplo: du[...]



Papo sobre livrarias: descontos oferecidos

2007-11-18T04:58:34.119-08:00

O mundo do livro sempre me despertou , desde garoto, uma curiosidade, uma vontade de me aproximar como leitor, pegar, examinar e ler. Em minha fase adulta, achei que poderia ingressar neste mundo, pela via comercial. Foi pela venda que dei os primeiros passos para a minha entrada neste universo. Circulei por algumas etapas nos diversos segmentos do mercado editorial, mas vou abandonar esta descrição, por estar inserida em muitos posts que publiquei neste espaço. Na minha concepção, o blogueiro é uma atividade muitas vezes não remunerada, mas comungo da idéia de que é muito prazerosa e rica pelas oportunidades oferecidas. Uma das melhores, é a figura do leitor, seja na condição de anonimato ou da revelação de sua identidade, ou pelo espaço social que declara estar inserido. Eu identificava um leitor, aquele que tem por hábito a prática da leitura, a maneira de pedir um livro, seu conhecimento sobre livros, autores e até editoras, poderia haver outras configurações para o leitor, o de estar sempre comprando livros ou em busca de novidades. Sempre tive em mente respeitar o leitor, é o bem maior de quem atua com livros. Quando livreiro cheguei a emprestar livros, alguns foram convertidos em venda. Nunca criei dificuldades em vender livros, tanto para o leitor/comprador quanto para as livrarias quando fui proprietário da Obra Aberta. Hoje quero comentar, a partir da leitura da coluna editada aos sábados no Segundo Caderno do jornal O Globo, de autoria do colunista Arnaldo Bloch, cujo titulo é: “Livreiros irados da Rio Branco.”publicado na página 12. Sua revelação de orgulho em ser carioca, está na existência da Livraria Leonardo Da Vinci, na Avenida Rio Branco, 185 localizada no sub-solo do edifício Marques de Herval, no centro da cidade. A Da Vinci para inicio de conversa, é uma ótima livraria, com uma oferta variada de títulos; conheço como antigo profissional e leitor, os amplos espaços que ocupam os livros, melhor ainda, é uma livraria especializada em livros importados, com concentração na área de humanas. Em meu tempo de profissional do livro conheci bons vendedores, como: George Gould e Jorge Chaves naquela loja, tendo a frente à livreira Vanna Piraccini, proprietária da loja, que ainda tem como companhia os filhos. Recordo no momento o nome da filha Milena, soube que presidia a Associação Estadual de Livrarias (AEL-RJ). A outra livraria que é mencionada no texto de Arnaldo Bloch é a livraria Camões, situada na parte lateral do Edifício Avenida Central, na Avenida Rio Branco 156, na verdade é localizada na Bittencourt da Silva, 12 especializada em livros portugueses, cujo responsável, é o livreiro José Manuel Estrela. A Camões é uma livraria pertencente à Imprensa Nacional Casa da Moeda de Lisboa, surgida entre nós lá pelos anos 70, criada com intuito de divulgar o livro e a cultura portuguesa. No momento em que chegava o jornalista, ele flagrou uma discussão de uma cliente com o livreiro, a respeito de desconto de 20% que pelas contas da cliente, não era deduzido em sua totalidade. Olhando daqui também concordo com a reclamação da cliente, se são 20% são 20% e não o arredondamento do valor do preço do livro em desconto, o que geralmente se atribui como o desconto oferecido. Em feiras do livro da época em que eu freqüentava nas duas condições, ou seja, de distribuidor ou leitor, fui testemunha desta prática em algumas barracas. Pior do que este arredondamento está na conduta de diversos comerciantes de outros ramos em não devolver, não dar satisfação [...]



Distribuidores de Livros: Uma Obra Aberta

2007-11-07T04:27:12.460-08:00

" Um país se faz com homens e livros"“Entre os mais humildes comércios do mundo está o do livreiro. Embora sua mercadoria seja á base da civilização, pois que é nela que se fixa a experiência humana, o livro não interessa ao nosso estômago nem a nossa vaidade. Não é portanto compulsoriamente adquirido. – O pão diz ao homem: ou me compras ou morres de fome; - O batom diz á mulher: ou me compras ou te acharão feia. E ambos são ouvidos. Mas se o livro alega que sem ele a ignorância se perpetua, os ignorantes dão de ombros, porque é próprio da ignorância sentir-se feliz em si mesma, como o porco com a lama. E, pois o livreiro vende o artigo mais difícil de vender-se. Qualquer outro lhe daria maiores lucros; ele o sabe e heroicamente permanece livreiro. E é graças a esta generosa abnegação que a árvore da cultura vai aos poucos aprofundando as suas raízes e dilatando a sua fronde. Suprimam-se o livreiro e estará morto o livro – e com a morte do livro retrocederemos á idade da pedra, transfeitos em tapuias comedores de bichos de pau podre. A civilização vê no livreiro o abnegado zelador da lâmpada em que arde, perpetua, a trêmula chamazinha da cultura”. Monteiro Lobato.Hoje resolvi publicar, ou melhor, reproduzir o texto acima, mas confesso que não consegui identificar em qual publicação de Monteiro Lobato imprimiu esta definição de livreiro. Lembro que em forma de folheto, ganhei da ABL (Associação Brasileira do Livro) à época em que eu atuava em feiras de livros nas praças públicas de minha cidade. Quando li na ocasião, no inicio dos anos 80 e foi na data de nascimento (18 de abril) de Monteiro Lobato que a entidade que controla a feira do livro distribuiu o folheto para os participantes da feira na Cinelândia, Apareceu o livreiro Santana, dono de um sebo na Visconde de Inhaúma, próximo ao Colégio Pedro II , sempre trajando camisa social e gravata, talvez por representar a classe, era o presidente da associação de livreiros. Não sei qual o tempo em que presidiu e foi por muitos anos e nem a data de seu falecimento. E foi apenas deste modo, que largou a presidência da entidade. Foram criados movimentos de oposição e não obtiveram êxito; alguns deles foram cooptados,com cargos de direção.Atuei na feira em barracas das Edições Graal e Achiamé no anos 80, na maioria das praças em que eram realizadas as feiras, que tinham por obrigação oferecer 20% de desconto para o consumidor, uma exigência da associação para que se pudesse utilizar as praças. Todas as barracas pagam um preço para expor na praça, que é cobrado pela entidade e que há variação de valor em função da praça. Há também um pagamento como filiação a entidade. Quando fui distribuidor no inicio dos anos 90, o dono da Irradiação Cultural, uma das maiores distribuidoras de livros no Rio, (uma soma imensa de editoras para fazer a distribuição) o que se poderia chamar de "concorrente" engavetou minha proposta de associado, usou das armas que dispunha para atingir um profissional do livro. Não teve a percepção de que o mercado não tinha dono, e achava que ele era um dos poucos a ter este privilégio e não permitia quem quisesse montar um negócio e trabalhar no ramo do livro. Eu que vim do livro, tenho toda a trajetória ligada ao ramo editorial. Como não havia muita editora com exclusividade de distribuição, estaria nesta condição aberto para quem tivesse distribuidora, oferecer na praça as editoras que representava. Havia casos em que editoras insatisfeitas[...]



Quarup: Uma livraria de resitência

2007-11-03T07:33:03.178-07:00

Em maio de 1983 fui entrevistado por Mara Caballero (1950-2003) pelo Caderno B do Jornal do Brasil. Ela fazia uma matéria sobre livrarias da zona sul, ou melhor, em Ipanema e Leblon. Lembro que expus minha preocupação com a sobrevivência da Quarup, localizada em um centro comercial de Ipanema. Quando a jornalista entrou, reiniciava a leitura antes interrompida de Maternidade e Sexo, de autoria de Marie Langer (1910-1987) psicanalista austríaca, naturalizada argentina e publicado pela Editora Artes Médicas, uma casa publicadora situada em Porto Alegre, surgida nos anos 70. A Artes Médicas Sul (Artmed) no meu entendimento como livreiro, sinalizava uma ótima produção editorial. Gostava da editora, publicava textos de educação, psicologia, psicanálise e áreas afins. Um ótimo catálogo com alto padrão de qualidade editorial. Sempre dei preferência para editoras com fundo editorial ou, as pequenas editoras progressistas, embora, em pouco número, faziam minha cabeça. Eu olhava desconfiado para editoras que se aproximaram como colaboradoras do IPÊS, o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, fundado em 1961, situado em 13 salas do Edifício Central, na Avenida Rio Branco, 156. Contando com a participação dos empresários e fundadores como: Antonio Gallotti ligado a Light e Augusto T de Azevedo Antunes da Caemi, com colaboração de escritores como José Rubem Fonseca, editores como Augusto Frederico Schmidt e dirigido também por Golbery do Couto e Silva. O grupo se alinhava a ideologia direitista presente em vários grupos sociais, com o propósito da derrubada do governo Goulart. Interrompi mais uma vez minha leitura, quando Mara começou a fazer perguntas sobre as livrarias da zona sul. Minha livraria, aliás, comecei com dois sócios que depois abandonaram o barco. Dois exilados que voltaram ao Brasil e estavam dispostos a abrir uma livraria na zona sul. Juntou então a fome com a vontade de comer. Conheci os dois, Rogério e Jaime, quando trabalhávamos na Editora Achiamé, do meu querido Robson Achiamé Fernandes, que antes de montar sua editora, passou pela Editora da Fundação Getulio Vargas, como coordenador editorial. Gostava muito da Achiamé que começava a despontar com um bom catálogo na área de ciências humanas. Em sua produção editorial havia meus antigos colegas e professores do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na ocasião eu atuava na área de divulgação editorial; circulava entres os departamentos das universidades, para apresentar as novidades e falar a respeito dos catálogos das editoras. Fui antes de montar a livraria, divulgador editorial como: Graal, Paz e Terra, Brasiliense, Hucitec, Summus e muitas outras editoras. A Quarup foi criada logo após a inauguração da Dazibao em uma galeria. Nos anos 80, as pequenas livrarias estavam escondidas em centros comerciais. Com a minha formação de sociólogo, e os dois sócios exilados políticos, era o suficiente para dar uma tintura de esquerda para a livraria. Um ledo engano, não eram significativas à procura por livros de ciências sociais em uma área nobre da zona sul, havia uma tendência para área psi e de comunicação. A livraria de alguma forma abria espaços para formas alternativas de expressão, como a poesia intitulada de marginal. Nós viemos de experiência partidária. Quando os sócios saíram resolvi dar um outro desenho para a livraria. Concentrei na área psi e posters de Che, Chaplin, posters-poemas editados pela[...]



Uma contribuição para o mercado livreiro.

2007-10-24T10:23:28.303-07:00

O texto que publico neste espaço foi feito com o propósito de contribuir mesmo de modo tímido para a discussão do mercado de livros. A intenção de participar de um tema em que as pequenas livrarias estejam à beira da morte, partiu de uma leitura do Blog do Galeno que abordava o assunto com base em uma discussão que passava pela Associação Nacional de Livrarias (ANL). Imagino que eu esteja de alguma forma credenciado para participar de tais debates. Minha trajetória profissional está estritamente vinculada ao mercado livreiro, com características singulares de ser aqui no Rio de Janeiro, um profissional com nível superior e com passagens em diversos segmentos do mercado de livros. Trabalhei como vendedor em lojas, fui divulgador editorial para o segmento de universidades, trabalhei como barraqueiro (feiras de livros em praça pública), em estandes da bienal do Rio e São Paulo, fui proprietário da livraria Quarup (livreiro) em Ipanema, montei a editora e distribuidora Obra Aberta,com perfil universitário, atuei assessorando livraria, como a Poiésis de Denise Emmer, vendedor pracista da Editora Paz e Terra/Graal na praça do Rio de Janeiro e São Paulo, pracista de editoras e distribuidoras na cidade do Rio de Janeiro, atuei por um tempo como vendedor de sebo (livraria de livros usados) que até pouco tempo, era o único espaço em que não tinha experiência no mercado de livros.Desde a criação da Quitanda o tema mercado de livros sempre esteve em pauta, mesmo que tenha sido produzido de modo esparso. Abordo o momento em que atuei no meio do livro, com assuntos concebidos por um viés de escritos baseados em observação e fragmentos da memória, naturalmente com os vínculos de minha experiência. Esta reconstrução da memória tem sido para mim um exercício, um desafio. Extraio assuntos pertinentes ao universo livreiro, que sejam de minha intimidade e gosto.Não me proponho a fazer resenhas de livros, cabe a um profissional mais qualificado, com as ferramentas de análises que eles optarem. O que está em exposição neste espaço foi um texto que foi inserido no Blog do Galeno sob forma de comentário.A criação de meu blog, foi a verdadeira via que me abriu possibilidades como autor poder escrever o quer der na telha, claro que dentro da ética. Não tenho a preocupação imediata com um público, interesso sim, por leitores, aqueles que usando a curiosidade e uma lupa encontraram e identificaram este blog como veículo para a história do livro, de livrarias e editoras.Sei que a midia impressa não acolheria com interesse o que escrevo e os cadernos culturais tampouco, estes me parecem alinhados as grandes editoras e aos melhores autores, é disto que sobrevivem. Sempre ignoraram qualquer palavra de um pequeno livreiro ou pequeno editor. Nunca li durante este tempo, qualquer entrevista com um distribuidor ou pequeno livreiro sobrevivente no mercado de livro. Torço para que um dia qualquer e de um ano qualquer, jornalistas saiam um pouco das redações e circule pelos bairros a procura de pequenos livreiros antes que eles acabem.############################################################ Acho que o segmento mais atingido durante longas datas, são os pequenos livreiros, verdade que muitos estão em processo de extinção. Com isto é atingida a figura do livreiro, um profissional dedicado ao livro, ao seu conhecimento, acervo e muitas vezes também sua clientela. Hoje parece que há um encantamento da mídia, de alg[...]



Pequeno livreiro - um ser em extinção.

2007-10-20T04:10:39.691-07:00

Não tenho visitado as novas livrarias, portanto, desconheço as modernas livrarias que aliadas ao bom gosto, combinam com inovações arquitetônicas, criando em seus espaços territoriais, novos lugares de sociabilidade no interior destas lojas. Parece que tem havido boa receptividade, dada a acolhida que a mídia faz sobre estas novas ou antigas livrarias convertidas em modernas. Os jornalistas efusivos reverenciam este novo comportamento no mundo dos livros. O consumo de livros parece existir apenas nos novos espaços, a impressão que passa vende-se livros como água, para usar uma expressão antiga do mercado editorial, onde são promovidos lançamentos, palestras e badalados eventos; veiculando que aquele local é o da moda. Fora dali, autores e leitores estão alijados do espaço cultural. Livreiros e editores de outros estados enaltecem a beleza desta ou aquela livraria. Creio que há uma boa disputa para ganhar visibilidade e conquistar algum quinhão no novo templo da cultura.Algumas trataram de agregar uma concepção de grandeza aos seus novos espaços, batizando como megalivrarias. Contratam um pessoal qualificado para atender e consultar o terminal, constata-se que poucos possuem intimidade com a leitura, ou mesmo o livro em seus diversos formatos, casa publicadora, assunto ou autor. Os tempos mudaram, na verdade são outros, desarrumaram o conceito tradicional de livrarias, substituindo talvez pelos sofisticados supermercados da cultura, tal a diversidade oferecida, como dvds, cds, papelarias, exposições de artes e poltronas confortáveis. Não percebi com clareza se diminuiu os espaços de exposição ocupados pelos livros, até mesmo por limitações físicas de um imóvel, acredito que sim.Acho que o livreiro deve encontrar os meios de sobrevivência, diversificando sua comercialização, procurando alternativas além das convencionais, oferecendo novas opções e produtos, se há público para tanto, que vá em frente.Com minha experiência por mais de 20 anos, fui também livreiro posso dizer que a presença de público nas livrarias nem sempre é traduzido por compradores-leitores, muitos aparecem para ver as novidades e serem vistos, outros simplesmente apareciam para dar uma lida em algum livro. Eu identificava alguns leitores deste tipo, volta e meia, apareciam, liam e saiam, raramente compravam.O que me leva a pensar, se conheço um pouco do mercado de livros, será que alterou tanto o comportamento dos leitores para que surjam cada vez mais livrarias desta natureza, para citar algumas, como: Livraria Cultura, Saraiva, Fenac, Argumento e Travessa. Deixo claro que não invalida a idéia que tenho delas como boas livrarias para determinados segmentos do mercado.Sei que no passado muitas lojas tradicionais ou não, que vendiam apenas livros, passam hoje por situação preocupante, claro que não afeta a todas. Por um lado fico muito contente, melhor termos livrarias do que os templos religiosos e outros tipos de comércio.Lembrei neste momento de Jorge Ileli, um dos maiores livreiros do Rio de Janeiro. dono da Unilivros Paulista, uma livraria na Barão de Itapetininga em São Paulo; famoso também por ser cineasta, dono da Entrelivros e Unilivros, sendo que possuía os melhores pontos de lojas da cidade, muitas delas bem amplas, como a do final do Leblon, que acabou sendo vendida nos anos 80 para a Drogaria Popular. Todas durante os anos seguintes foram vendidas, deixaram de existir até a segunda m[...]



Quitanda : Uma Página sobre o Mundo do Livro.

2007-10-20T03:29:59.140-07:00

Hoje sonhei que estava em uma livraria, não identifiquei o nome, apenas que tinha um enorme acervo de publicações de editoras brasileiras. Despertei com a imagem de ter atendido uma professora universitária e pesquisadora gaúcha, da obra de Monteiro Lobato. Procurava, me confidenciou, há muito tempo pelo biógrafo de Monteiro Lobato, para a sua surpresa, informei que a loja tinha um exemplar dos dois volumes da biografia. Está ali, a sua espera,apontei a sua localização no canto inferior da estante. Abriu um largo sorriso de felicidade. Informei o preço, achou barato, realmente estava. Com todo cuidado, como se estivesse achado uma pedra preciosa e rara, decidiu que levaria. Deixou pra mim um sorriso de agradecimento.Deu tempo para conversar por alguns minutos sobre Monteiro Lobato. Disse que desde de garoto, fui leitor de Monteiro Lobato e que ganhei de presente de minha madrinha. Assim começou minha grande admiração e foi tanta que cheguei por um momento na época em que fazia ciências sociais, a iniciar uma pesquisar sobre a obra deste grande escritor. Falei que um dos meus professores do IFCS, o mestre Aluizio Alves Filho tinha a intenção de fazer uma pesquisa sobre a identidade de Jeca Tatu; que posteriormente foi editada sobre a forma de livro, com o título Metamorfoses de Jeca Tatu, editada pela Inverta, em 2003, que acabei vendendo para a pesquisadora.O livro está tão presente em minha vida, em meu inconsciente, que acabei por decidir que este espaço fica dedicado ao livro e ao seu mundo. Para outros textos de minha parca produção intelectual, criei o blog Esquinas do Tempo.***************************Edgar Cavalheiro (1911-1958) é considerado como o principal biógrafo e muito amigo de Monteiro Lobato (José Bento Monteiro Lobato, 1882 -1948) um dos nossos maiores escritores e pioneiro na publicação e distribuição de livros em nosso país. Edgar, autor de Monteiro Lobato: Vida e Obra em dois volumes, publicado em 1951 pela Brasiliense, com cerca de 900 páginas, posteriormente em 1955, foi editado pela Companhia Editora Nacional; estudioso da obra de Fagundes Varella (1841-1875), com edição pela Livraria Martins Editora, com ilustração de Belmonte (Benedito de Bastos Barreto, 1896-1947, um dos colaboradores do vespertino jornal paulista Folha da Noite, criador do Juca Pato, um dos nossos maiores chargistas). Juca Pato passou a ser uma premiação literária promovida pelo jornal Folha de São Paulo e a União Brasileira de Escritores (UBE), surgida em 1962. Seu primeiro contemplado foi Afonso Schmidt (1890-1964) como intelectual do ano.Cavalheiro, participou da formação do conselho editorial da Revista Brasiliense, editada pelo historiador e editor Caio Prado Junior; junto com Raimundo de Menezes (org) publicou Histórias de Crimes e Criminosos - Uma Antologia de Contos Brasileiros, editado pela Companhia Distribuidora de Livros, São Paulo, 1956, 344 páginas, ilustração do artista italiano radicado em São Paulo, Mick Carnicelli (1893-1967). Uma de suas obras, Panorama da Poesia Brasileira, vol. II (Romantismo) foi editada pela Civilização Brasileira, em 1959. Obras primas da lírica brasileira, com notas de Edgar, publicado pela Martins, em 1957. Em parceria com Almino Rolmes Barbosa, criou uma série de antologias. Em Obras Primas da Lírica Nacional, seu parceiro foi Manuel Bandeira. Em 1944 foi autor de Testamento de uma Geração, livro de entrevista[...]



Não fui à Bienal do Livro.

2007-10-20T03:33:38.772-07:00

Não fui à Bienal do Livro. A falta de grana foi determinante para que a minha vontade fosse relegada, deixada de lado. Quem sabe, da próxima vez, aqui mesmo no Rio de Janeiro, naquele distante Rio Centro, reúna melhores condições financeiras e consiga finalmente fazer uma visita, comprar alguns livros que me interessam e rever pessoas conhecidas da época em que eu trabalhava com livros.Mas o hábito de leitura permanece, leio o jornal e os livros acumulados que separo para uma leitura imediata. Tenho a mania de juntar os livros que pretendo ler, deixando-os em pilha, tortas, é verdade. Uns vão passando a frente de outros, assim por diante.Pela manhã, como sempre faço, folheando o jornal O Globo, ao ler a coluna de Joaquim Ferreira dos Santos, encontrei uma nota a respeito da Editora do Autor, que desfazia de livros, de um galpão e uma referência aos antigos donos da editora. Citava Rubem Braga e Fernando Sabino, mas esqueceu de Walter Acosta. Pensei em escrever para o ilustre jornalista, informando da ausência de um dos sócios, mas abandonei a idéia. No entanto, no dia 21 de setembro, o jornalista reescreve a nota e coloca o nome do sócio ausente na nota anterior, desta vez grafando em negritos o nome de Walter Acosta. Melhor assim. Devem ter lembrado ao jornalista o nome do outro editor e que permanece até hoje com a editora. Walter continuou com a editora, Sabino e Rubem Fonseca se desligaram da sociedade, que durou cerca de sete anos. Sabino e Rubem Braga criaram a Editora Sabiá, que produziu quase cem livros. A editora chegou a ser sediada em Copacabana, no final dos anos 60, mais tarde nos anos 70, o seu catálogo foi incorporado à Editora José Olympio.Fico contente por mais uma edição da bienal, a XIII Bienal Internacional do Livro, ter conseguido mobilizar um número imenso de público, que a cada ano, aumenta a freqüência. Muitos editores apontam que o pessoal que circula pelos estandes não traduz ou efetivamente produzem vendas. Concordo! Acho mesmo que são mais visitantes do que consumidores de livros, muitos vão para assistir palestras, outros, acredito que um número menor, compareça apenas para encontrarem com artistas, de preferência, atores globais. Lembro da presença de Xuxa e Castrinho em bienais passadas. Parece-me um efeito espuma. Há sempre recorde de público. Segundo a mídia estandes lotados. É verdadeiramente uma festa literária. Autores, público (estimado em 245 000), editores e livreiros comungando dos mesmos interesses.Vi em foto publicada no jornal em matéria sobre esta bienal, uma livraria que trabalha com ponta de estoque, na verdade, um sebo, o sebo Beta de Aquarius do livreiro Antonio Augusto Seabra. Dono de um ótimo sebo na Rua Buarque de Macedo. Deve ter logrado sucesso, livros “novos” entenda, como ponta de estoque, com preço compatível com o bolso da ampla maioria dos consumidores de livros em nosso país.Bienal também é espaço para chiadeira, editores e livreiros, são protagonistas deste cenário. Desta vez, li sem nenhuma surpresa que o livreiro, o badalado livreiro de origem ipanemense, reclamava que os editores davam descontos nos livros, provocando uma “sangria nas livrarias”. Achei estranho quando li, pois o livreiro Rui Campos, participou de bienais e até das feiras de livros nas praças de nossa cidade que oferecem desconto de 20 % , causando um desconforto em livreiros ao redor das[...]