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Este Fulgor Baço da Terra



Ninguém sabe que coisa quer./ Ninguém conhece que alma tem,/ Nem o que é mal nem o que é bem./ (Que ânsia distante perto chora?)/ Tudo é incerto e derradeiro./ Tudo é disperso, nada é inteiro./ Ó Portugal, hoje és nevoeiro... Fernando Pessoa, Me



Updated: 2014-10-06T22:17:02.780-07:00

 



Leituras que contam (III): como a internet nos encasula

2011-06-12T02:22:40.180-07:00

Uma busca no google (e outros search engines) realizada por duas pessoas no seu computador pessoal sobre determinado assunto pode redundar em resultados perfeitamente distintos. Isto porque os motores de busca vão construindo o nosso B.I. a partir do nosso histórico de navegação, seleccionando aquilo que poderá ter mais interesse para nós (e dar vantagens económicas a outros). Ora, se a nossa experiência online está assim condicionada, isso significa que se nos fecham outras possibilidades de conhecimento e partilha de informação.

"The new internet doesn't just know you're a dog: it knows your breed and wants to sell you a bowl of premium dog food."

A personalização da internet tem como consequência a limitação da nossa exposição a áreas que são de menor interesse para nós, com consequências inimagináveis ao nível da construção do eu social e da discussão pública de problemas que transcendam o nosso interesse individual.

O artigo completo, em inglês, no Guardian, baseado num artigo de Eli Paliser em The Filter Bubble:

Vale mesmo a pena ler!



Jornal ao lixo!

2011-05-21T01:05:27.757-07:00

Não há nada que mais me irrite que um jornal falsamente isento. Acabei de ver, num noticiário televisivo, que a capa do Jornal de Notícias de hoje, na sua edição em papel, ostenta este título extraordinário: "Sócrates confiante, Passos hesitante".

Admito que um órgão de comunicação social possa ser apoiante de um qualquer partido (ou clube de futebol, banda filarmónica ou o raio que o valha), mas deve identificar-se claramente como tal. Não o fazer é contribuir para uma cidadania menor.

O lixo passa a ser (já não estava longe) o destino deste pasquim!



Leituras que contam (II): Chief Mouser

2011-02-18T08:02:58.307-08:00

Não, não é o nome de uma arma, mas tem uma função semelhante: Chief Mouser to the Cabinet Office é o nome do novo membro do governo britânico. Não será exagero se dissermos que a Assembleia da República poderia fazer bom uso de um reforço desta estirpe, tal é a ratagem que ali prolifera, desbastando o erário público, roendo descaradamente salários, subsídios e direitos adquiridos afins. Podem saber mais sobre este aliado mortal no The Telegraph, no SapoNotícias (menos extenso) e até na Wikipédia (com informação detalhada sobre os seus predecessores implacáveis).

E por que é uma leitura que conta? - Porque os portugueses não são capazes de fazer humor com tanta seriedade. E o humor sério engrandece.



Fevereiro esquizofrénico

2011-02-12T18:13:50.176-08:00

O Primeiro Ministro jurou a pés juntos, hoje, perante socialistas anestesiados, que Portugal está no bom caminho. Está tudo bem, tudo, incluindo a capacidade de se financiar no estrangeiro a juros fantásticos. É um país extraordinário, liderado por um homem incomensurável!

Há nove anos, uma octogenária morreu no seu apartamento, naturalmente, ao fim de uma vida aparentemente só, incógnita. Foi preciso que As Finanças arregaçassem as mangas para que se soubesse de tão infeliz acontecimento. Ao menos estas sabem fazer o seu trabalho. Limpíssimo. Urra!

Nas escolas, os professores preparam-se para se avaliarem uns aos outros, concorrendo, avaliadores e avaliandos, para as mesmas quotas - apesar de ainda não saberem quais são ou se virão a existir de facto. Está tudo em festa! É uma bacanal! Não tardarão as notícias de abusos inebriados. E ainda não chegaram todas as alterações legislativas, todas as adaptações curriculares, todas as circulares e todos os despachos que esclarecem e alteram a legislação novinha em folha. Um fartote de ideias brilhantes que emana todos os anos do iluminadíssimo Ministério da Educação. E que este ano parece trazer uma cereja no topo do bolo: uma desejadíssima dieta de horários para o próximo ano lectivo. Vão ser sete cães a uma cereja! Um regabofe! Sim, cães, pois, como diz o ditado, é assim que os tratam!

Francisco Louçã e o nosso primeiríssimo discutiam acaloradamente quem tinha o dito mais pequenino, quando, no calor da refrega parlamentar, e porque este se furtava a esse título liliputiano, rejeitando liminarmente submeter-se à confiança dos seus congéneres de câmara, aquele arremessou-lhe, com a antecipação de um mês, uma moção de censura. E todos se calaram! Saiu-lhe, coitado! Está tudo perdido! Estão todos perdidos!

Os gatos, indiferentes, vagueiam pelos telhados, à luz da lua e das estrelas; circulam casas, prédios, muros...  Inconsolados, em esquizofrenia consertada. Mas estes sabem o que querem: é Fevereiro e faz frio.



Leituras que contam (I): "terras raras"

2010-12-26T16:09:22.595-08:00

As mil e uma coisas que gosto de fazer tornam a frequência das postagens nos meus quatro blogues menos regular do que o almejado. Abro hoje uma nova "coluna" n'Este Fulgor Baço da Terra. Optimizo o tempo: partilho algumas leituras que justificariam postagens originais; ao fim e ao cabo, deixo aos outros aquilo que eles saberão dizer melhor do que eu.
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"Terras raras". Que belo conceito; que inesperado significado; que inquietante futuro nos parecem reservar...
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Terras raras são sinónimo de metais de terras raras. Ficam a saber o mesmo, por certo. "Rare earths" ou "rare earth metals", em Inglês, como aparecem no artigo para que vos remeto, no jornal britânico Guardian. Descubram-nas, porque é importante.
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O fim da autenticidade?

2010-10-13T13:11:03.392-07:00

O resgate dos mineiros chilenos é um marco na história da televisão: é o funeral simbólico da autenticidade - já há muito desaparecida dos nossos ecrãs, exceptuando algumas aparições fugazes.
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A única coisa verdadeiramente autêntica neste espectáculo mediático são os sentimentos profundos dos mineiros - mas, mesmo estes, contidos, modelados por imperativos políticos e de imagem televisiva.
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Até numa ilha deserta a vida seria mais interessante.
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E um bom romance do Vargas Llosa é mais verosímil do que esta make up da realidade.
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A ficção ultrapassa a realidade: não no plano da imaginação, como é comummente referido, mas no da similitude do imanente.
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Mario Vargas Llosa - um Nobel tardio e urgente

2010-10-07T16:18:36.747-07:00

Embora não haja limites para o reconhecimento público, mais vale tarde e em vida do que nunca ou postumamente.
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Mario Vargas Llosa ganhou o Nobel da Literatuta 2010. Mas já o podia ter ganho há 20-30 anos. De certo modo, é incompreensível que só agora lho tenham atribuído. Por outro lado, é significativo que tenham escolhido este momento da História.
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Num mundo de regimes ditaturais emergentes, de princípios civilizacionais quase sagrados postos em causa, de transformações económicas e sociais imprevisíveis, as obras de Mario Vargas Llosa poderão servir-nos de farol, de baluarte do muito que foi conquistado pelo Homem no último século.
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Se a minha humilde opinião vos servir de guia, são três as obras que deverão ler urgentemente:
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- A Cidade e os Cães, 1963
- Conversa na Catedral, 1969
- A Guerra do Fim do Mundo, 1981
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Não, não li toda a sua obra. Mas li o bastante para não necessitar de aconselhar mais nenhum título. E se puderem ler apenas uma delas, percam-se no labirinto das conversas na Catedral, que assim começa:
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(image) Da porta de La Crónica, Santiago comtempla a Avenida Tacna, sem amor: automóveis, edifícios desiguais e desbotados, esqueletos de anúncios luminosos a flutuar na neblina, o meio-dia cinzento. Em que altura se tinha fodido o Perú? Os ardinas vagueiam entre os veículos detidos pelo semáforo da Wilson, apregoando os jornais da tarde, e ele começa a andar, devagar, em direcção à Colmena. De mãos nos bolsos, cabisbaixo, é escoltado por transeuntes que se dirigem, também, à Plaza San Martín. Ele era como o Perú, Zavalita, a certa altura, tinha-se fodido. Pensa: em que altura? De fronte do Hotel Grillón, um cão vem lamber-lhe os pés: põe-te a mexer, não vás estar raivoso. O Perú fodido, pensa, Carlitos fodido, todos fodidos. Pensa: não há solução.
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É uma obra muito difícil, de diálogos cruzados no espaço e no tempo, em que o leitor é chamado a reconstruir as peças da narrativa. O sofrimento exigido ao leitor nessa reconstrução vertiginosa espelha a opressão que condiciona os actos e as convicções dos personagens. É uma obra genial, daquela mão-cheia que levaríamos para uma ilha isolada.
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Mas façam um esforço suplementar e leiam as outras duas. Mais fáceis de ler, mas não menos grandiosas. Merece o Vargas Llosa e merecemos nós, apaixonados por textos sublimes ou simples homens preocupados com o seu futuro.
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Imagem da capa e excerto da edição de 1991 do Círculo de Leitores



Morreu José Saramago, O Imaginador

2010-06-19T14:06:39.434-07:00

Dizia-se das suas obras que eram difíceis. Incompreensíveis, até. E ostensivamente vermelhas. A minha mãe, que tem a antiga 4ª classe e é social-democrata, não concorda. Devorou o Ensaio sobre a Cegueira como quem segue fielmente o enredo de uma telenovela - que ela também vê.
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Só duas coisas o podem explicar: a minha mãe é muito paciente e gosta de histórias bem imaginadas e surpreendentes.
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A escrita de Saramago exige perseverança por parte do leitor, pois desafia os nossos modelos de leitura e joga com o nosso fio de raciocínio, recreando-se provocadoramente com as palavras. Ninguém poderá escrever como José Saramago, pois a sua palavra é tão distinta que qualquer imitação não será mais do que isso: a escrita de Saramago. Tal como reconhecemos a de Vargas Llosa, a de Ubaldo Ribeiro, a de Faulkner...
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As histórias imaginadas por José Saramago são irrepetíveis. Todos os seus livros narram histórias quase inimagináveis. É esse o seu ponto mais forte.
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José Saramago ficará na história da literatura universal por três obras - aquelas a que chamamos primas: o já referido Ensaio sobre a Cegueira, O Ano da Morte de Ricardo Reis e o Memorial do Convento. Porque a três histórias universais, Saramago soube aliar uma escrita irrepreensível, vivaz, sôfrega, inteira. Fechamos estes livros e sabemos que mais nada havia a contar, nem podia ser contado de outro modo. São obras completas.
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Morreu o homem, fica o escritor.
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Santana Lopes revisitado

2010-04-30T17:34:29.805-07:00

A República Portuguesa está num impasse: atravessa um momento da sua história em que não é possível discernir para onde vamos e com quem. O primeiro ministro já perdeu o direito à grafia em maiúsculas: anda tão desnorteado como Santana Lopes quando colocado à proa desta nau sem velas, inebriado de vertigem, a perorar dislates. José Sócrates mostra a sua desorientação na teimosia: "como não sei onde fica o norte, vamos sempre em frente - o futuro está ali, é verde esperança!", mesmo que todos o vejamos negro como breu. O que diferencia este momento do anterior é o grau de profundidade da crise: eleições antecipadas seriam mais uma pazada no fosso em que estamos. Falta saber se com ela não poderíamos encontrar um pouco de bom-senso, o ouro da contemporaneidade política. De que, parece, só a Cavaco Silva resta um pouco. Será suficiente?



O clamor!

2010-04-21T12:21:14.583-07:00

A deputada Inês de Medeiros tem o manifesto azar de ter a sua residência oficial na cidade de Paris. Teve ainda a infelicidade de ser eleita como deputada à Assembleia da República pelo partido socialista, tributo dos eleitores ao seu percurso de serviço dedicado à causa pública. Não levanta qualquer incompreensão fundada, pois, que o Conselho de Administração da Assembleia da República tenha aprovado hoje um Despacho que autoriza o pagamento das suas viagens à Cidade Luz, para o seu justo descanso.
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Um clamor indignado avoluma-se por esta terra enjeitada. E não é que vem dessa classe mal-agradecida, desses privilegiados da nação! Desses, desses e dessas dezenas de milhar que, diariamente, percorrem com abnegação milhares de quilómetros de estradas inefáveis para cumprir o nobre rito da certificação escolar!
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Terão eles a suprema lata de exigir também "direito ao subsídio de transporte e ajudas de custo?!" Se assim é, avalie-se já o seu imperfeito juízo!



"(Mas) Tu achas isto normal?!"

2010-03-12T16:20:49.359-08:00

A pergunta "(Mas) Tu achas isto normal?!" é um dasabafo, um apelo a um olhar conivente, a uma resposta que torne a incompreensão do mundo que nos rodeia menos solitária. É a pergunta, o desabafo que mais se ouve no meu local de trabalho, quase transformado em tique. Mas é a pergunta mais legítima do nosso presente, em Portugal. É um grito silencioso pelas respostas que não lhe dão quem devia decidir por nós.
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Um menino de 12 anos suicida-se porque é violentado pelos colegas e um professor suicida-se porque é violentado pelos seus alunos; a uma ouvinte é-lhe cortada a palavra num fórum da rádio por dizer que sicrano é incompetente quando outros dizem que é competente; a gasolina já vai a caminho do euro e meio ao litro e alguém disse alguma coisa?; os clubes de futebol têm orçamentos bilionários com assistências nos seus estádios que nem merecem esse nome; os nossos jovens são subsidiados para estudar e uma consulta de dez minutos no dentista custa trinta e cinco euros; uma aluna adulta desempregada que frequenta um curso de Educação e Formação ganha mais do que vários funcionários com anos de serviço na escola que frequenta; trabalhamos oito, dez e doze horas por dia quando não há e cada vez haverá menos trabalho para todos; o Procurador Geral da República não se encontra a si mesmo; os nossos alunos usam melhor um gadget do que uma caneta, quando a têm; pedem-nos mais produtividade e, para isso, aumentam-nos a idade da reforma; a construção da linha de TGV até Madrid será uma forma de estimular o emprego e a economia, mas teremos de custear os seus custos de exploração por falta de utilizadores e de pagar o subsídio de desemprego àqueles que a construirão...
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Tudo, tudo factos de absoluta normalidade em Portugal.
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Mas ainda há quem faça aquela pergunta!



Educação nonsense

2010-01-10T16:16:19.791-08:00

O texto do acordo entre o Ministério da Educação e os sindicatos do sector para retocar o processo de avaliação dos professores é um hino ao ridículo: 20 % para isto, 5% para aquilo; percentagens para agora, percentagens para mais tarde; vagas para estes, factores de compensação para aqueles; observação de aulas obrigatória para filhos do diabo, voluntária para os de deus, mas obrigatória para ambos em duas escalas do inferno; restrições para os tristes, avanços para os alegres e bonificações para os alienados; índices e escalões para todos, dignidade e justiça para nenhuns.
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Não têm mais com quem brincar?
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Só há dois caminhos para melhorar as aprendizagens dos alunos: cultura de exigência e valorização do saber. O resto são mentiras.



6+6+6+6 = Equilíbrio, bom senso e inteligência

2009-12-13T14:31:22.118-08:00

Há dias, ouvi na TSF estas palavras, de um ouvinte que participava num fórum: "os homens deviam trabalhar seis horas, brincar seis horas, estudar seis horas e dormir seis horas". Não sei se seriam suas, mas ter partilhado estas palavras, para quem as ouve pela primeira vez, foi como uma bofetada seca, ou um aprofundar de convicções no meu caso.
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O modelo económico das sociedades modernas, baseadas no consumo crescente, é uma ilusão, uma mentira ao serviço do bem-estar de alguns - cada vez mais, é verdade -, mas em prejuízo evidente e irreversível do planeta. There's no such a thing as a free lunch, já diziam muitos economistas há décadas atrás, embora noutro contexto. Os recursos têm fim, assim como a nossa capacidade para o trabalho e a sanidade mental dos indivíduos e das sociedades.
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O emprego pleno é outra ilusão, cada vez menos discutível (ainda que pouco discutida), face ao desenvolvimento tecnológico imparável. Das duas uma: ou temos uma grande e cada vez maior percentagem de cidadãos de segunda, desempregados e discriminados pelos apoios sociais do estado, com evidentes consequências ao nível das relações sociais, ou uma distribuição mais equitativa e menos pesada do trabalho. É este segundo caminho que urge seguir e que acarreta profundas alterações ao nosso modelo de desenvolvimento, que deverá ser baseado no lazer e no conhecimento, como contrapontos do trabalho e do descanso.
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Saramago sobre Vasco Pulido Valente

2009-10-23T14:12:56.705-07:00

Tenho lido com admiração os artigos de opinião do Vasco Pulido Valente, mesmo não concordando sempre com os seus pontos de vista.
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Mas o seu artigo de última página no Público de hoje foi um erro. Um erro brutal. Ou seria Uma Farsa?
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Diz o Vasco, por várias vezes, de ângulos vários, que não é inteligente quem dá valor - seja ele qual for - a José Saramago. Sem rodeios. Bruto. Pouco polido, mesmo.
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Acontece que o Vasco não pode ter lido Saramago, ou, com maior probabilidade, não soube ler Saramago.
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José Saramago reinventou a língua portuguesa: deu-lhe uma dinâmica nova, uma outra agilidade; difícil de adestrar para o leitor comum, é verdade, mas de um fulgor que só me lembro de ver com igual regularidade em Camões. E são muitos os linguístas que o dizem.
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José Saramago não é tão genial na arquitectura dos seus romances, com duas ou três excepções. A alguns deles, de uma linearidade exemplar e com personagens extraordinárias (não me lembro de autores que tenham transformado animais em personagens tão sublimes, por exemplo), falta-lhes uma volta de tarraxa.
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Nos seus últimos romances (ainda não li Caim) é notória a sua decadência criativa. Natural, convenhamos.
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Falo do escritor, não do homem, que não conheço. Senão pelas suas opiniões mediatizadas. O Vasco confundiu os dois, o que é pena. Ou valente, se pretendia realmente Uma Farsa.
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O Vasco cometeu um erro brutal. Foi pouco polido. Eventualmente valente.
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Gatos ao Poder!

2009-10-19T17:36:48.098-07:00

Por entre as nuvens cinzentas que abraçam a sociedade e a vida política portuguesas, a inteligência do humor fedorento deixa-nos alguma esperança. Nele descrutinamos mais saber sobre a realidade da economia, da educação e da política do que esta exibe e nos deixa perceber. Tanto assim é que nos questionamos: seriam os Gatos capazes de nos governar pior? Venham eles a escrutínio!



Os votos que vão decidir

2009-09-12T19:05:23.372-07:00

A quinze dias das eleições legislativas, e após os dez debates televisivos entre os candidatos dos principais partidos, restam-me poucas dúvidas sobre os votos que vão decidir.
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Ao contrário do que entende a maior parte dos comentadores políticos, parece-me que a maior fatia de votos voláteis está dividida entre o Bloco de Esquerda e o PSD. Estranho, mas é um facto: são os dos eleitores (sobretudo funcionários públicos) que já decidiram há muito não votar PS e que simpatizam com o dinamismo interventivo do Bloco, mas que hesitam entre esta empatia e a necessidade do voto na única força política que pode derrotar José Sócrates.
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Para além destes, há muitos votantes PS de há 4 anos que não querem repetir aquele voto (e não desejam votar à esquerda), mas que ainda não decidiram votar PSD, por não o verem como alternativa. Os quinze dias que antecedem as eleições serão decisivos para estes eleitores.
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Por último, quem mais está em jogo nestas eleições legislativas é Paulo Portas. Arrisca-se a desaparecer do mapa político ou a ser o grande vencedor.
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"Derrotar Sócrates" vai ser a motivação decisiva para a ida às urnas daqueles eleitores. Tudo o resto é mais ou menos previsível.
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Bom Sinal

2009-03-09T17:56:16.812-07:00

Hoje foi notícia que as reservas das agências de viagens para o período de férias da Páscoa se mantêm a níveis do ano passado e, em alguns casos, até superiores. Ao contrário do que poderão pensar a maioria das pessoas face a este dado, no momento de crise económica em que nos encontramos, parece-me um bom sinal. Sem ironia.
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É verdade que algumas dessas férias serão pagas a crédito, o que não é muito aconselhável neste contexto. Mas o que me parece importante realçar é que as pessoas não estão dispostas a prescindir dos seus momentos de lazer, de fuga à lógica do trabalho, de descompressão. O lazer tornou-se um valor absoluto. Algo que está acima de outros impulsos consumistas e de certos valores mais tradicionais. É uma mensagem importante aos líderes mundiais que insistem em recauchutar a antiga ordem económica e financeira. O mundo quer um novo paradigma - o do trabalho para o lazer, como um direito de todos. E é possível. Haja vontade!
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Um novo modelo civilizacional

2009-01-24T18:53:10.905-08:00

Parecerá não fazer sentido face às ideias feitas dos nossos caros (literalmente) economistas e líderes políticos mundiais, mas se queremos que a humanidade se continue a desenvolver de modo mais equilibrado e constante, com mais justiça e paz social, há que "mudar agulhas":
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- cada um de nós trabalhar menos horas por dia (seria possível apenas metade), tendo, como resultado, mais tempo livre e, com este:
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- dedicar mais tempo à família (à educação dos filhos e ao cuidado dos idosos), aos amigos e ao convívio social
- investir mais na sua educação e formação pessoal
- desfrutar da vida
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Ilusão?
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Não!
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Com várias nuances e esquematicamente: o desemprego diminuiria de forma crescente até zero. As prestações sociais com o desemprego e a formação profissional "fantasmas" deixariam de ser necessárias. Consequentemente, os impostos a pagar por cidadãos e empresas diminuiriam (assim como a fuga ao fisco), libertando verbas para os salários de mais empregados, com manutenção e até aumento dos rendimentos disponíveis. O crescimento da indústria do lazer e da cultura (com mais emprego não sazonal) teria o contraponto na redução da máquina do estado e da despesa deste. O aumento da felicidade e bem-estar geral teria repercussões na saúde das pessoas e, consequentemente, por várias vias, no erário público; o investimento na formação pessoal e na educação num maior e melhor desenvolvimento tecnológico e científico, posto ao serviço do trabalho e da salvaguarda do ambiente, bem como no fortalecimento dos valores humanos. A valorização do ambiente e da saúde promoveriam a prática agrícola de qualidade e a utilização de energias limpas. O bem comum observado à nossa volta teria reflexos na não aceitação de práticas especulativas e de exploração económica e humana. A corrupção não teria onde se alimentar. A diferença entre ricos e pobres diminuiria significativamente...
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Em teoria, a humanidade podia viver maioritariamente do lazer e da cultura. A indústria e a agricultura cada vez mais mecanizadas ocupariam uma pequena parte dos homens e mulheres do planeta.
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Sonhemos?
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A mentira é tão feia!

2008-12-03T06:22:35.960-08:00

Os sindicatos de Professores dizem - com verdade - que a adesão dos Docentes à greve convocada para hoje é superior a 90%. Basta cada um de nós observar o que se passa na sua cidade, vila ou aldeia para o conferir.
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O ministério da educação diz que a grande maioria das Escolas "está aberta". Certamente, my dear watson. Basta que um Professor, no seu direito, tenha decidido dar aulas, para que a Escola esteja "aberta".
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Era preferível que o exmo. sr. secretário de estado dissesse que as Escolas estão onde sempre estiveram, evidenciando, assim, 100% de estabilidade. Toma-lo-íamos por desequilibrado, e não por estar a brincar com a verdade.
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É isto que temos: não um interesse genuíno no estado da Educação e na sua melhoria, mas sim fazer crer ao povinho que o governão tem razão.



Estes senhores são uns brincalhões!

2008-11-29T04:02:06.983-08:00

Segundo Paulo Rangel, líder parlamentar do PSD, noticiado por vários jornais online, o Orçamento de Estado para 2009 inclui um Artigo - o 138º - (sem título: certamente para não dar nas vistas) que visa legalizar retroactivamente todo o processo de avaliação de professores, uma vez que todas as delegações de competência para a sua avaliação necessitam de ser publicadas em Diário da República e não o foram. Este artigo vem dizer que tais delegações ficam dispensadas de publicação. O que, segundo o referido político, é ilegal e inconstitucional.
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Ora, à parte os considerandos e demais quejandos legais e políticos, pergunto-me o que é que um assunto desta natureza está a fazer no texto do Orçamento de Estado? Se não fosse tão sério, pareceria brincadeira! Quando é que o Carnaval acaba?



O Caos

2008-09-26T17:38:25.982-07:00

Se os meios de comunicação social tivessem coragem para descrever o dia-a-dia das nossas escolas...



Viva João Ubaldo Ribeiro!

2008-12-11T05:29:56.345-08:00

O prémio Camões acaba de ser atribuído ao escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro. E com toda a justiça.
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Os jornais portugueses, na sua maioria, fazem referência aos romances A Casa dos Budas Ditosos e O Sorriso do Lagarto como as suas obras de referência, especialmente a primeira (como se a polémica que criou a sua publicação em Portugal fosse um carimbo de qualidade), o que só pode significar que os redactores de serviço não leram nenhuma delas. Jornalismo à portuguesa, pois claro.
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(image) De resto, não se esperaria que lessem as 673 páginas da sua obra magna, Viva o Povo Brasileiro (nesta edição do Círculo de Leitores, de 1996). Quem já se deu ao trabalho - porque dá algum - de ler este extraordinário romance, sabe do que falo. Trata-se, certamente, de uma das maiores criações novelescas de sempre em língua portuguesa. E é tanto o que conta sobre nós! Deixo-vos parte do primeiro parágrafo, que, estou certo, tocará o espírito de quem gosta de literatura e ainda não teve o privilégio de ler este romance sublime:
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"Contudo, nunca foi bem estabelecida a primeira encarnação do Alferes José Francisco Brandão Galvão, agora em pé na brisa da Ponta das Baleias, pouco antes de receber contra o peito e a cabeça as bolinhas de pedra ou ferro disparadas pelas bombardetas portuguesas, que daqui a pouco chegarão com o mar. Vai morrer na flor da mocidade, sem mesmo ainda conhecer mulher e sem ter feito qualquer coisa de memorável. É certamente com a imaginação vazia que aqui desfruta desta viração anterior à morte, pois não viveu o bastante para realmente imaginar, como até hoje fazem os muito idosos em sua terra, todos demasiado velhos para querer experimentar o que lá seja, e antão deliram de cócoras com seus cachimbos de três palmos, rodeados pelo fascínio dos mais novos e mentindo estupendamente. (...)"
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Concurso inútil

2008-07-17T17:56:44.070-07:00

O concurso de docentes, nomeadamente o de afectação dos professores dos Quadros de Zona Pedagógica, é uma tonteria pegada.
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Cria-se uma angústia terrível: a obrigatoriedade de ter de concorrer caso o professor não tenha componente lectiva atribuída, só o sabendo horas antes do prazo limite (nem os Conselhos Executivos o sabem ao certo, a tempo e horas, uma vez que muitas matrículas ainda estão por fazer); os inúmeros "erros" da aplicação informática (são tantas as variáveis e os condicionalismos não previstos que a máquina tem que emperrar); as trocas de mensagens de correio eletrónico entre as escolas e os professores com a DGRHE, por este ou aquele problema, este ou aquele erro, sem que a maior parte das situações sejam sequer esclarecidas...
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E tudo isto para ficar quase tudo na mesma, pois os professores que não tenham componente lectiva na escola deste ano, dificilmente terão noutra no próximo, ficando afectos administrativamente àquela. Mais: com a agravante de alguns deles serem objectivamente prejudicados, sobretudo os melhor graduados, pois basta que haja um horário para concurso no seu grupo de recrutamento para que o professor melhor graduado em concurso tenha que mudar de escola, ficando os restantes professores (por ausência de horário) na mesma. Isto porque na fase inicial do ano lectivo muitas horas ainda não foram atribuídas. A maioria destes docentes termina o ano lectivo com o horário completo (novas turmas, licenças de gravidez, apoios educativos, aulas de substituição...). Para quê estar a obrigar estes professores a mudar de escola (porque alguns deles acabam por mudar), quando em quase todas as suas escolas originais há necessidade dos seus serviços. Qual a lógica pedagógica?
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Chama-se a isto desperdício. Resultante de um manifesto desconhecimento da realidade no terreno.
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Um novo modelo de competição

2008-06-21T14:48:47.026-07:00

Os jogadores da selecção portuguesa de futebol e o seu ex-treinador deveriam penar frente a um aparelho de televisão a preto e branco (sim, a preto e branco, pois a arte não precisa de cor) e ver e rever o jogo de hoje da selecção russa frente à Holanda. A Rússia poderá não vir a ganhar este Campeonato da Europa, mas terá ganho o coração de milhares de adeptos de boa bola por esse mundo fora.
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Mas o que mais ressalva destes últimos jogos do Europeu é a falência do seu modelo de competição. As melhores equipas podem ser afastadas num jogo menos feliz. A Holanda é uma boa equipa. A Roménia é uma boa equipa. Portugal, com um pouco mais de disponibilidade física e vontade, é uma boa equipa... E, acima de tudo, a Grécia não teria sido campeã há quatro anos atrás!
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O modelo de competição mais justo é o verdadeiro "campeonato", em que cada um joga contra todos. O que pressupõe, numa competição de fim de época como esta, que não se façam mais de meia dúzia de jogos. Portanto, apenas oito equipas apuradas para a fase final e sete jogos cada (apenas mais um do que os finalistas no actual modelo). Ou, melhor ainda, apenas seis selecções: cinco jogos cada e uma final a duas mãos entre os dois primeiros, em que o jogo realizado entre ambas na primeira fase conte como terceiro jogo (obrigando o segundo classificado a ganhar os dois jogos se quiser ser campeão). Como se vê, há muitas variáveis possíveis e uma certeza: a vencedora seria realmente a melhor selecção.
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Amy Winehouse em Lisboa

2008-05-30T16:19:49.214-07:00

Voltará?
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O concerto de Amy Winehouse no Rock in Rio Lisboa foi tão sofrível quanto inesquecível. A afonia audível e alcoolemia aparente não foram suficientes para ocultar a genialidade: a voz de Amy é inigualável; a banda é excelente; e a música, estranhamente revolucionária.
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Ouvir Amy é uma experiência atemporal: um pouco de orquestra americana, muito jazz, algum blues, bastante soul, rock que baste e inexplicavelmente pop. Descontando a dose de teatralidade tão apreciada nos dias que correm, de que outro modo se compreenderia esta paixão juvenil?
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Seja qual for o seu destino (e deseja-se que o seu sobrenome não seja premonitório), Amy Winehouse já tem um lugar na história da música.
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