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Azimutes



Um farol com mar ao fundo



Updated: 2018-01-19T12:39:40.829+00:00

 



Um vasto leque

2017-05-24T13:19:33.096+01:00

No(s) ido(s) de 2003, a 22 do mês que agora corre, surgia este blog. 
Deu um jeitaço, espraiar alguns parcos escritos, ver em que paravam as modas, tomar o pulso à vox populi e, entre actividades tão diversas como espernear contra maiorias, semear epigramas, celebrar a vida, o tempo escorreu, tinta-da-china, ou marca d'água, num certo estilo de escrita. Cristalizou(-se).

Como hoje a efeméride do horrível calor me parece a mais apropriada, escolhi esta bela imagem de uma recicladora de coisas várias (link abaixo). E, como apreciadora de leques desde sempre, deleito os olhares nos desenhos minimais de estilo gravateiro entre os violáceos e os verdes-seco. Vintage. Só faltava aspergir el abanico de gotinhas de colónia fresca e cítrica, a acidular o ar mornacento e entediante do fim de um ano lectivo "o-mais-trabalhoso-de-sempre-das-8-às-8...". Tinha 33 anos. Em breve, contarei 48. O que é bom. Muito bom. Como diz a miudagem, Mesmo! 





Imagens que (me) entristecem

2016-04-16T10:34:42.663+01:00





Ode to Teachers by Pat Mora : The Poetry Foundation

2016-03-16T11:55:31.975+00:00

Ode to Teachers by Pat Mora : The Poetry Foundation:





I remember / the first day, / how I looked down, / hoping you wouldn't see



Como Mulder (e segundo Scully), nos neo-X-Files, deve ser da "depressão endógena". Deve, deve.

2016-02-01T21:05:36.771+00:00

Ignoro se é facto, mas diz-se, por aí, que estão a morrer - se é que ainda caminham algumas entre nós - as pessoas que, realmente inteligentes e com alma, se prezam de saber, ainda, escrever.  Eu, que acabo de lançar fel sobre um suposto jornal online que envergonha a Língua da sua Pátria, pouco leio, já. Esparsas coisas de amigos, um ou outro livro antes de a "Mátria" ter sido cilindrada pelo prostituído "AO90" (e que asco é, nomeá-lo), livros ditos "antigos", mas semi-datados, segundo parece: pré-"Velho do Restelo"...  Agora, diz-se nos mentideros que um suposto povo - que Pátria habito eu, afinal, se esta me dói? - elegeu (palavra que se associaria a "eleitos", neste caso, um violento contraste) um representante. Um novo bobo, agitando o mesmo riso imbecil dos presidentes dos U.S.A. no vídeo "I pet goat II". Execro-o, pois que disse, algures, termos (pergunto-me quem é esse "nós!) de admitir que, sendo Vera Cruz (não, não o cito) formada por mais milhões, é dela a hegemonia. Segundo convictamente terá afirmado, temos de nos sujeitar ao peso populacional, monetário e... cultural. Vejam só, há verdadeira cultura em Vera Cruz. O território onde uma Pinacoteca vai chamar-se "Pina". E porque não Bausch, pergunto eu?... O território da escrita arrotada, sem brio desde Machado de Assis. Sem verdadeira literatura de fundo que tem de roubar Pessoa, incluindo-o na sua História da Literatura nacional, um lugar onde a escrita do povo TEM de ser respeitada (um proto-ex-presidente com nome de cefalópode dixit) e é preciso descer ao nível... abaixo do nível. Vómito. Abaixo disso, fossa, esgoto, cloaca. Será, talvez, de uma tendência da escriba deste blog para o pós-pós-pós-idealismo ou, como sempre confessou, optimismo realista, que sempre soa mais chique. Contudo, não é a valer, não. Dâmaso não diria que este blog é "chique a valer!". Aliás, ele gostava de uma veracruciana, uma suposta Maria Eduarda, cheia de rodagem e com sotaque sovaquento, dengosa e vendida. Coisas que, cem anos que viva, sempre hão-de revolver-me as entranhas. Manias de quem tem um olfacto canino.  Apesar de tudo, há milhões de livros nas bibliotecas que, tirando o ódio aos lepismas, eu poderia habitar como meus, entranhando-me neles, degustando-os, amando os seus sons em voz alta, devagar, como já não se lê hoje. São gostos. Nestes dias, resumo as mudanças que quero ao corte de cabelo mais ou menos curto. De resto, same old, same old. Paz aos insatisfeitos. Sempre odiei o Statu Quo.  [...]



In memoriam

2015-07-29T01:02:24.187+01:00

width="320" height="266" class="YOUTUBE-iframe-video" data-thumbnail-src="https://i.ytimg.com/vi/GXp7DOz_RT8/0.jpg" src="https://www.youtube.com/embed/GXp7DOz_RT8?feature=player_embedded" frameborder="0" allowfullscreen>
                                                      Love will keep us alive - Eagles 



Saudades de... Raul Durão

2014-09-10T17:46:01.379+01:00

No seu programa, creio ter ouvido SEMPRE esta música maravilhosa. Do tempo em que a música e os locutores mereciam esses nomes. A suavidade da voz deste senhor, a sua  ponderação, bom senso e bom gosto trazem-mo à memória frequentemente. Que repouse na paz que sempre me transmitiu. Sempre.



Imaginário

2014-07-24T11:20:26.797+01:00

        Retábulo. A biblioteca é um retábulo, o ninho por excelência, o lugar primevo das palavras, a minha matriz de sempre. Estar aqui é já estar em casa. 
        Bandos de gaivotas entraram pela cidadela dentro e gritam no céu acima, vozes que chamam pelas janelas dentro, enchendo os livros de marés e algas. O mar faz-se presente, espraia-se nestas costas feitas de estantes húmidas. Escorre por elas espuma e, no vaivém, ondulam páginas de todos os livros do mundo, nomes diluem-se, ao sabor do salitre, ora calmo, ora em fúria encapelada. Aqui, todas as praias e todas as ilhas aguardam, dentro das palavras ditas. Dentro da sala - e dentro do meu peito que sussurra os sons das palavras dos outros - ecoam brisas de muitas latitudes. Estar aqui é ir a todos os lugares. Sem voos, sem estradas, sem a obrigação de fazer conversa para se fingir que se é vivo... No silêncio, tudo se torna possível, o corpo curva-se às metáforas, os cabelos são velas, os olhos perdem-se num vazio que se enche de tudo o que se queira. O mar torna-se audível, as letras são as vagas e a pele não mente: se a língua humedece os lábios, é sempre a sal que eles sabem.



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2014-07-24T11:03:12.404+01:00

Sempre detestei futebol e tudo, absolutamente tudo o que ele envolve: negócio sujo que é, dado à exposição fácil do ódio e da frustração, não passa de um mundo onde hunos sedentos de mais cólera insultam - mesmo que mentalmente - as mães de todos os outros de todas as outras cores. Para isso, já temos o trânsito, num país onde a consciência cívica roça a dos piores napolitanos dos filmes do costume. Mas é impressão minha ou - sei-o pelo visionamento, de raspão, ao fazer zapping - há uma chusma de gente infantilóide, sem moral, idiota e disposta a tudo para ganhar a povoar o verde dos campos? Aqueles trogloditas não pensarão que estão num campo de ruggby? Mas que tipo de "desporto" é, afinal, essa fraude a que chamam futebol? Aquela gente é, na sua maioria, um bando de quebra-ossos! Que imagem fica na retina de cada criança que presencia aquelas anormalidades todas? Eu só tenho visto repetições em câmara lenta (slow motion replays, se quisermos armar ao moderno) de gente a uivar de dor, de pés que entram em cortes violentíssimos, de t-shirts e calções a serem puxados, de braços que se torcem, de empurrões, de corpos em queda-livre... Aquilo é um desporto? Aquilo é apenas uma guerrilha autorizada. Sempre foi, o que torna a coisa aflitiva, mas agora, eu, que estou do lado dos que lamentam profundamente o que tudo aquilo é realmente e o que simboliza, tenho visto actos de violência enraizada, gente relapsa e mal educada, desprezo total por regras... O dinheiro e uma suposta vitória (que palavra tão rebuscada) por uns tempos tornaram-se assim tão importantes? Os seres humanos têm de andar muito vazios para que algo assim, tão efémero e desproporcionado os preencha por minutos... Que desperdício de energias tão ridículo! São as más emoções da arena romana a regressar. O mundo avoluma a sua fúria contra muitos, contra tantos, que precisa assim de se exprimir como um bando de símios a gesticular em todas as direcções... Acredito que somos cada vez mais e sei que cada vez mais gente se apercebe do simiesco das situações. Continuo a considerar o futebol um acervo imenso de neandertais em busca de sangue, seja ele uma metáfora para o que quer que seja...



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2014-05-21T15:09:42.364+01:00

Se os moribundos "grupos musicais" (assim se dizia no meu tempo, sou alérgica a bândas; bandas, só as filarmónicas) cá do cada vez mais parvus Portugal podem celebrar 20, 25, 30 anos de carreira (Ah Ah, de rebolar a rir...), então também este demissionário blog pode fazê-lo. Assim sendo, celebra amanhã, dia 22, uns inusitados 11 anos. Olha... Podia ser pior.

Tenho de ir. O ticket do carro esgotou-se no tempo e eu liquefiz mais uns minutos de informação inútil. Assim como assim, é o que soe fazer-se por estes lados do Atlântico. Vamos lá então enobrecer o ministrocrato e corrigir mais uns quilos de testes cheios de erros, em "português abortado", o do "Acordo/aborto Ortográfico 1990". Siga a Marinha!









Be still my beating heart

2014-02-20T14:56:11.131+00:00



Sting canta, aqui ao lado, a música indicada em epígrafe e eu não consigo impedir-me de pensar no post abaixo: se alguém inventa, em laboratório, peónias como a sufrutticosa no "meu azul", vou precisar de um bypass...

Entretanto, as árvores que me viram crescer balançam-se, como só elas sabem, numa brisa que acusa Primavera por mim indesejada e recordam-me dos reconfortantes movimentos em vórtice que já só as crianças sabem fazer. Quando em idades mais sadias, o "povo pequenino" faz aparentes parvoeiras que, saboreadas de olhos fechados, o instalam num Olimpo de tontura onde não há noção de ridículas rotulagens de "ridículo"... Perto dessa sensação, só a de fugir aos próprios cabelos que, levados pelo vento, são a nossa sombra no passado. Ao correr na direcção oposta, temos a mais perfeita sensação de liberdade, principalmente se não sabemos até onde nos durará o fôlego. O ar frio a espevitar o rosto provoca o riso, a canção que tenhamos na cabeça sabe a pedacinho de erva verde arrancado junto à água que corre e mordido no caule e nada, absolutamente nada nos olhará de olhos cinzentos para nos dizer que já não temos idade para essas coisas. 

Aos 44 anos faço o meu credo e o julgamento que ensina Manuel António Pina - perguntar à pessoa jovem que fomos -: fui fiel à pessoa que era, que sempre quis ser quando contava 20 anos? O sabor do verde na boca, a brisa das árvores no balanço do corpo, os cabelos ainda soltos no vento, sim, sou ainda a mesma. Portanto, be still my beating heart, que as análises de hoje ao sangue acusarão, por certo, "assuntos" só dos 40 anos. Por dentro, a criança em mim grita, de cabelos soltos na brisa, ao encontro de um bando de gaivotas na areia e nada, absolutamente nada disto tem nada que ver com "paixões" de qualquer tipo. Apenas percebi, mais uma vez, ao ver aquele sangue escorrer para um frasco, de que estou viva. 

Portanto, venham daí as peónias no "meu azul"!

;0)



Aleluia!

2014-02-02T20:02:55.522+00:00


Finalmente, descobri! E é isto:

Cor: do catálogo Pantone, descobri o nome dado ao "MEU AZUL"
 VIOLET TULIP (16-3823).

E a flor (além das minhas tulipinhas amarelíssimas!)

É a paeonia suffruticosa!

Isto é aquilo a que chamo um dia feliz!




Cosmopolitismos bacocos da capital do reino

2014-01-31T21:56:31.543+00:00

Portugal (leia-se Lx) baba ante o elogio que uma supostamente importantíssima-íssima-íssima revista de turismo... espanhola (pois... íssima-íssima-íssima) fez a uma moribunda rua de Lisboa e a uma outra, vetusta também - e caótica, e terceiro-mundo e a escorrer pobreza, porque é isso e isso apenas que filmam os senhores da tv, especialmente em se tratando do Porto, pois o que de lá se mostra e os que de lá falam têm sempre um ar de propositada ruína - mas muito, muito longe do centro do universo que parece ser a metrópole

Vejamos em números:
Reportagem sobre a metrópole - 4 minutos e 3 segundos;
Reportagem sobre o Porto - 2 minutos e 31 segundos.

Odeio lugares-comuns e mais ainda escrevê-los do que dizê-los, mas há coisas que nunca mudam... Os complexados de Lisboa continuam a roçar a náusea e só não provocam bocejos porque uma injustiça atravessada na garganta de um nortenho não é uma simples bacorada: é um asco que se cimenta e vai crescendo. E recordo muitas reportagens - todas! - nas quais se procura a norte, a suposta boçalidade; a sul, um cosmopolitismo roto e podre que fede mais do que as águas do Tejo que engoliram a cidade após o terramoto. Mas aquela gente não aprende com a história?... Fogos fátuos, gentinha bárbara, de antolhos de burro sempre postos, cega à beleza que não vê mais do que o alcance do próprio nariz, envolta em nada mais do que o seu próprio cheiro a sovaco frustrado...



Ombra Mai Fu*

2013-10-23T01:26:18.175+01:00

Ombra mai fu
di vegetabile,
cara ed amabile,
soave più.

[Frondi tenere e belle
del mio platano amato
per voi risplenda il fato.
Tuoni, lampi, e procelle
non v'oltraggino mai la cara pace,
nè giunga a profanarvi austro rapace.]

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*Obrigada, Richard Zimler, por despertar a curiosidade dos adolescentes portugueses por obras-primas. Sabendo que devo ler o que acredito que também eles devem ler (e são sempre tantos, mais de 100 por ano!), detenho-me nas pp. 68-9 de «Ilha Teresa». «Ombra Mai Fu» deixa-nos sem fôlego, seja qual for o seu intérprete. Percebo a afirmação de Teresa: se tivesse de cantar a Deus para lhe devolver o pai, esta seria A Música... Grazzie Mille.



ZIMLER, Richard, TORDO, João

2013-10-06T09:57:55.626+01:00

Zimler            A par com João Tordo, Richard Zimler é autor que leio com gosto redobrado a cada novo contacto. O Último Cabalista de Lisboa, Meia-noite ou o Princípio do Mundo, Os Anagramas de Varsóvia e agora Goa ou o Guardião da Aurora são verdadeiras obras-primas, se comparadas com a algaraviada atónita e mal resolvida de portuguesinhos ensimesmados nos "rodriguinhos" da banalidade.                Zimler apresenta uma escrita à qual eu chamaria filigranítica, uma vez que a filigrana da ternura que escorre do papel - os primeiros capítulos da obra que agora leio, suplantam tudo o que já vi vertido em palavras - é, simultaneamente, o granito das obras que encerram gerações de gente de fibra, sobreviventes em épocas de grande adversidade. Em paralelo, Tordo é a escrita escorreita, singela, directa e profundamente inteligente. Estes dois autores sabem contar histórias. Não deambulam, não se perdem em conjecturas (as loboantunianas roçam o execrável, erráticas como os desabafos de um louco sem destino) e os únicos que se perdem com mestria, na minha óptica, foram Proust e, nos nossos dias, Paul Auster. Avançam e tudo, absolutamente tudo é útil na economia da obra que avança como um todo, indefectível, um fio de prumo. Há ali uma honestidade comprometida para com o leitor que fascina qualquer mente que aprecie a clareza e o despojamento.            Tendo tido a sorte de assistir a conversas dos dois autores, perpassaram a honestidade intelectual, a lucidez e a elevação, justamente desejáveis por não haver, ali, qualquer laivo de artifício ou populismo. É claramente o oposto do que impera no país, onde a verborreia para vender o produto, o fazer-se interessante inatingível e/ou o mostrar-se acessível no riso pacóvio,  a suposta cumplicidade com os leitores/clientes era escusada e se tornou anátema de provincianismos marcadamente lisboetas (reparei, em lançamentos de livros, na importância de pertencer ao círculo, adular, acreditar que é prestigiante porque alguém disse que é bom, porque o autor é difícil de ler).             Recordo aqui a podridão que grassa no meio literário: houve um concurso no qual participei, tendo ganho um senhor que - fiquei a saber pela acta publicada na internet - venceu porque, segundo aparecia na justificação (e atenção, este foi  o primeiro mérito apontado à escrita da criatura!) o autor tinha "um bom conhecimento da geografia europeia"!... O concurso não era, sequer, sobre suposta literatura de viagens! Definitivamente, eu  e  centenas de outros teríamos de ter amigos no meio, para poder vencer e viajar, vencer e viajar, vencer e reentrar no vicioso ciclo. Do I need to say more?...             Como leitora,  fui particularmente deliciada com feitios mais densos e adorava as patadas de Torga e Saramago numa horda de jornalistas acéfalos que primam pela tentativa da previsibilidade, ou seja, tudo tem de estar decidido de antemão, eles odeiam ser surpreendidos. Creio, aliás, ser este um dos anátemas do reino da obtusidade e da abulia. É assim com os governos, com os supostos intelectuais, com os supostos cronistas do reino: detestam a originalidade a que hoje se chama em linguagem empresarial "to think out of the box". Até no meio editorial, ninguém "lhes" troque as voltas, ou terão de trabalhar mais e melhor, face a esse grande Adamastor que é o brilhantismo precoce num país revelho, caduco e invejoso.[...]



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2013-09-26T18:37:09.273+01:00

Assim é...



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2013-07-09T18:55:27.340+01:00

    A vida corre, breve e a contento, apesar da espera acelerada pela hora da maior das verdades. Tudo o mais são futilidades, vazio e dias baços, nos quais as palavras são cobertas de ouro e esmaltes, como os de Gustav Klimt, que foi longe, ali mesmo no museu perto de casa, em busca do vale de Ur e das primordiais de entre todas as civilizações. Ali, cada palavra era tão acarinhada ao ponto de a escreverem na pedra, lapidar avant la lettre.   [...]



... and celebrations, já lá dizia o Cliff Richard(s)

2013-05-23T01:32:22.730+01:00

Segundo parece, ontem - que ainda há pouco era hoje! -, dia 22, capicuento e de ar imberbe (o dia, claro! Que também foi claro, com luz a mais, aliás...), cumpriu este blog os seus dez anos, o que faz dele, se não outra coisa qualquer, pelo menos uma criatura imberbe como este dia 22 que há mais de uma hora morreu e já só cumpre calendário... O dia, claro, que o blog está-se nas tintas (sem meias das ditas, pois eu e ele - o blog! - somos de tintas completas, direitas como prumo, ácidas até aos gorgomilos e da cepa antiga) para as regras instituídas e salamaleques afins. Poderíamos - eu e o blog, claro está, limpinho como água (piada com laivos de Portismo, nestes últimos dias em que a nação se clubitizou) - estar por aqui mais uns minutos, mas afinal... para quê? Está assinalada a senectute desta casa azimutal, faroleira (e farelona!) e com gáspea de couro. Soprámos as velas, depois de mais um sopapo no pêlo de um dos gatos que farejam a doçaria maçapanesca e vely coloufull que são estes bolos de hoje em dia - o raio do gato, pensa que é tudo nosso? - e partimos a doçaria com pinta de fête foraine, a qual mordemos (com as ganas de dar é uma trinca ao imbecilóide do gato!) com o afinco de tudo o que é as usual e agora vamos mas é dormir que esta vida anda um nojo... e eu cá levanto-me às seis. Ora então, está devidamente assinalada a efeméride (no seu mais amplo sentido, é-o, que o é, que o é!) e até um destes dias se estivermos (eu e o blog) - com l'cença -p'rái virados. O seu a seu dono. Greetings!



Choverá em breve.

2013-05-14T17:38:08.814+01:00

            O tempo aqueceu, mas não de mais. As crianças atinam, neste final de ano lectivo, quando se termina de hoje a um mês exacto e a chuva, a bem do meu espírito, ameaça, graças a Deus, os decotes de tanta vendedora ambulante de corpos sem-tom-nem-som, tanta axila malcheirosa, tanto calçado a bater, ríspido, no solo... Que tédio, a estupidez feminina, em vendas de bazar, a vulgaridade tropical de tanta pele à vista. Que será feito da sobriedade? Da discrição? Do recato...?
            As pessoas estúpidas (esta palavra diz tudo) não sabem que o são, dizem-me aqui ao lado. Por tentativa e erro, aprendo a não ser tão expansiva como esta mulher mais velha que  me fala, conformada, pois sei que excepto em casos raros - nos quais todas as palavras são desnecessárias pois o comprimento de onda é similar, bem como os estados de alma - o nosso interlocutor pensará que é a ele que nos referimos. Sendo esse interlocutor versado nos vários níveis da idiotia, ficará a pensar, forçosamente, que nível terá de atingir para ser tão estúpido como o que acaba de o ofender, por se atrever a dizer a verdade... Conversas estéreis, portanto, de gente que não sabe ler olhos nem atitudes e se limita ao óbvio.
            Prefiro, de longe, aquilo que me chegará com a chuva que aí vem: corpos menos expansivos e ostensivos, com menos odores, gente menos relaxada, mais metida com afazeres do que com as alheias medidas corporais ou de intelecto.
            A chuva, sábia, igualitária sem panfletos nem luzes de bazar a comprovar da sua utilidade a vários níveis, obriga a baixar olhares, em pestanas onde as gotículas impedem uma postura arrogante, gente entrevista apenas por entre guarda-chuvas, a sobriedade das roupas que envolvem, resguardam de olharapos, aperfeiçoam objectivos, porque há lugares onde ir, a esplanada enoja, os outros, todos os outros têm pressa, sempre muita pressa de fugir a uma das mais belas manifestações da natureza...            
            Fico-me com a chuva, desejada, imperiosa na sua subtileza, poética na forma. De uma só vez, todos somos sábios como idosos, pensativos como filósofos, mas fugazes, breves como crianças em transgressão: mais genuínos, em suma. Acredito piamente que a chuva é sempre o nosso melhor lado.



«Uma Agulha num Palheiro»

2013-01-08T01:47:12.388+00:00

... Então, dei por mim a pensar que os americanos (os dos E.U.A., pelo menos, aqueles de cuja way of life levamos, ao longo de uma vida, monumentais, cavalares injecções na panóplia de filmes que acabam sempre dentro das 4-5 fórmulas do costume) nunca prescindiram do bem a vencer em quaisquer circunstâncias nem de bandeiras hasteadas e apregoando alto que aquela é "a terra" onde TUDO o que seja devorável, por infantil, funcionará sempre.Uma das maiores desilusões dos últimos tempos: Uma Agulha num Palheiro, de J.D. Salinger. No original, Catcher in the Rye - título supostamente inspirado num poema de Robert Burns, mencionado na conversa entre Holden e Phoebe - consegue receber (em mais uma ridícula tradução à letra dos sempre estranhos brasileiros) o estranho título de «O Apanhador do Campo de Centeio»... Trata-se de mais uma daquelas histórias plenas das deambulações de um ser humano perdido entre as suas mal refreadas emoções e a realidade pesada e repetitiva. Mais uma luta contra o tédio. Assim será a chamada "obra-prima" de Kerouac, assim são todas as obras de Paul Auster, assim é o insuportavelmente redundante Pelo Mundo Fora, de Julia Glass: previsíveis, inacreditáveis acervos de todos os lugares-comuns da ment(alidad)e americana. Aconteça o que acontecer, haverá sempre uma justificação para tudo, uma desculpa para tudo, como se não passassem de crianças sem preparação para as desilusões e tivessem de ser compensados por todos os males que a História lhes reserve. Doentiamente psicanalíticos, preocupados com explicações para todos os seus comportamentos, Woodyallenescos em tudo, excessivos no que não importa, histriónicos até ao doloroso. Por aí passa, de certeza, a relação deste povo com a comida, com a crença psicótica no poder das armas, com a necessidade de expor toda a "roupa suja" familiar, voire íntima, em bares, seja a conversas de amigos ou de novos conhecimentos. Não se aguenta (de) tanto egocentrismo. Pude verificar de perto: como aluna Erasmus, enojava-me a obsessiva necessidade (o show-off) de centralizar TODAS as atenções dos meus colegas dos Estados Unidos... Tóxicos. Bebés à procura da chupeta, berrando em todas as direcções, tão bem intencionados que qualquer filme europeu os deixaria, soçobrantes, colados a crises existenciais para as quais nem saberiam, sequer, formular as perguntas. Há pouca realidade em toda aquela gente, como se todos nos gritassem, sistematicamente: «Alguém pode esbofetear-me para que me controle, por favor?»...Ou o meu cinismo europeu não me permite ver a suposta grandeza destes autores e de todo um star system baseado em falsas questões e premissas, ou a literatura desta gente é uma monumental (com (vossa) licença) merda!... Gira tudo à volta dos mesmos melosos temas, tal como praticamente toda a música sussurrada ou sambada do Brasil soa a melosa batalha hormonal, a pernas que não permanecem juntas por muitas horas, tudo esbarra no enojante tema do "ámôrr", tudo é tão forçado e redundante que nos perguntamos se alguns dos habitantes do território resistem sem pastilhas para o enjoo, tal é o bombardeio sobre os sentidos. Verdadeiros insultos à crueza do intelecto e maneiras de sentir de milhões de europeus que, mergulhados na lucidez, só podem afastar de tudo isto o seu gosto pessoal com náusea.Claro que eu também posso ser tão inculta que só entendo a crueza e gosto duvidoso da pintura de Picasso depois de ter me terem sido ensinados os motivos [...]



Eles "andem" aí, mas nem se nota...

2012-11-14T15:25:35.384+00:00

Quando se precisa que o homem nos anime, nos faça reclinar e mostrar toda a bela dentuça, reciclar o corpo com a gargalhada franca e cristalina de uma graça encontrada numa das frases da masculina espécie, nada... Afinal, eu é que preciso de sair deste zeitgeist em que a conjuntura me afundou, eu é que preciso de rir, de lhe agradecer por me ter feito "desopilar o fígado", por me ter iluminado o rosto, por ter trazido à luz do dia a gargalhada que por um ou outro motivo, afogo na garganta! 

É deste homem e é dos outros com os quais vou cruzando - nos vários lugares e papéis sociais que a vida nos vai, a todos, pondo no caminho - que quero a obrigatoriedade de me provocar o riso. Afinal, não é esse um dos pilares da conquista da inexpugnável fortaleza feminina, o humor? 

Arrepelam-se-me os cabelos quando sou genuína, digo o que penso e quero, tenho fúrias contra os maçónicos do costume, reparo em situações altamente ridicularizáveis do mundo que me cerca, rasgo o dia com veia satírica  e um qualquer homem presente - às vezes, até "o meu", rai's o partam! - diz, entre gargalhadas:
- Ah ah ah, és tão engraçada!

E vêm depois os psi-qualquer-coisa (...tacídeos?) dizer 
- Ah, e tal, o "humor masculino"... bzz.. bzz... bzz... bzz... bzzz... ...zzzzzzzzzzzzzzzz





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2012-10-25T13:35:49.187+01:00

Nos gloriosos anos 80-90,
a música era outra e, se feita de batida algo pirosa, inebriava.
(Co)Move-me sempre
Pat Benatar, Love is a Battlefield.
Fico a ouvi-la e sabe-me sempre bem:
We are young, no one can tell us we're wrong!



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2012-09-08T13:02:44.830+01:00



Desde meados do mês precedente, há dois tempos: 
o a.i. e um outro, d.i.
i de iPad.
Nunca uma maçã já trincada soube tão bem!
:D



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2012-07-06T17:43:23.819+01:00

Associo estes sabujos filhos duma grande mãe pária que querem escrever num Português abortado a que falsamente chamam "Acordo" a "portáteis" cobertos de imundície. Nestas reuniões finais reparo como, sob os reflexos solares, os computadores - que tantos colegas carregam como se ali levassem um diamantino estatuto social - estão cobertos de... esterco: dedadas de muitos meses, pingos de saliva perdigotados quando muitos deles gostam de se ouvir em português dúbio, submerso em calão e "tiques", crostas várias, uma poeira imensa... Sempre associei a falta de higiene a esparsos equilíbrio, abertura mental e, principalmente (...not least, claro!) a pouca clareza espiritual. Porque associei sempre as piores pessoas à sujidade? Porque assim me tem sido dado comprovar: quem é porco, é porco em tudo! Zumbe-me aqui, entre os (cumpre-me acreditar!) vários neurónios, uma certeza desde sempre: os abertos à novidade do costume são todos estes: com a adaptabilidade dos primatas que procuram apenas sobreviver, fica-lhes o discernimento tão raso que facilmente se entortam, enlameados, na senda dos muitos do mesmo lado, identificam-se demasiado cedo com o todo, o comum, a correria desenfreada para todos os lugares sem nunca se entregarem à chegada onde quer que seja... Avessos ao simples acto de pensar e sopesar o seu papel social, esquecem que os alunos aprendem com eles: a abrir uma porta sem que qualquer pé seja para aí chamado, a devolver uma cadeira ao lugar quando a usámos, se possível sem fingir que somos um dorido semi-deus carregando o mundo, a limpar as superfícies onde os milhões de bactérias acumuladas são uma prova civilizacional de falta de tudo. Antigamente, falava-se de "brio", dantes, quando tudo era importante e ninguém tinha de fingir pressa para fingir competência ou domínio... Agora, há demasiado de tudo: ruído, sujidade, objectos a mais, movimentos rítmicos de pernas que personificam como "inquietas", moedas que matraqueiam balcões, canetas que espetam mesas, despudor no verbo e no traje, dedos em riste a pessoas que apenas cruzaram a mesma estrada e não gostam de símios ao volante, vacuidade, insegurança, medições de força várias (neste domínio, as fêmeas dão cartas), medos... justamente quando se trabalhou tanto para que nada disso nos importunasse... Não é irónico?A todos esses males, associados a governos de "elites" atamancadas e ignóbeis em quase tudo associo eu esta vaga desdesodorizada e populista, lulasilvista e dilmaroussefiana, socretina, passoscoelhana, cavaquista, soarista, santanalopiana et allii do "acordo ortográfico", que é uma mentira em duas palavras, de uma só vez. Porcaria, insanidade, pressa de conseguir chegar algures, mas sempre com meta cifroniana, uma espécie de etnia espacial que roça o bolbo raquidiano do homo neandertalensis... Mas... para onde caminha esta "civilização"?...Tanta tecnologia e tanto retrocesso; tanto estatuto e tanto lixo; tanto futuro e tanta bestialidade... O português abortivo que por aí circula roça a insalubridade do esgoto a céu aberto, a indigência mental, a mendicidade civilizacional, o fim de tudo o que conheci e me foi dado amar de equilíbrio e rigor. Mas haverá alguém no seu perfeito juízo que ponha p'rái umas subversivas bombas de indignação rastilheira de "não-cumpros", que enfie uma simbólicas baionetas em meia dúzia de panç[...]