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Timewatching



What do we know but that we face/ One another in this place? W.B.Yeats ---> Blog mantido por Carla Milhazes (carla_m30@hotmail.com)



Updated: 2012-04-16T02:41:10.583+00:00

 




2003-06-13T13:18:19.000+00:00

MANHÃ DE JUNHO


Talvez, talvez sejam os últimos
dias. Se for assim, são um esplendor.
Apesar dos aviões da Nato despejarem
bombas e bombas no Kosovo, a perfeição
mora neste muro branco
onde o escarlate
da flor da buganvília sobe ao encontro
da luz fresca da manhã de Junho.
A beleza (não há outra palavra
para dizê-lo), desta manhã
é terrível: persiste, domina,
apesar dos aviões, mesmo com
bombas a cair e crianças a morrer.




Eugénio de Andrade




2003-06-12T17:40:46.000+00:00

INDO PARA O LEITO


(image)


Vem, Dama, vem, que eu desafio a paz;

Até que eu lute, em luta o corpo jaz.

Como o inimigo diante do inimigo,

Canso-me de esperar se nunca brigo.

Solta esse cinto sideral que vela,

Céu cintilante, uma área ainda mais bela.

Desata esse corpete constelado,

Feito para deter o olhar ousado.

Entrega-te ao torpor que se derrama

De ti a mim, dizendo: hora da cama.

Tira o espartilho, quero descoberto

O que ele guarda, quieto, tão de perto.

O corpo que de tuas saias sai

É um campo em flor quando a sombra se esvai.

Arranca essa grinalda armada e deixa

Que cresça o diadema da madeixa.

Tira os sapatos e entra sem receio

Nesse templo de amor que é o nosso leito.

Os anjos mostram-se num branco véu

Aos homens. Tu, meu Anjo, és como o Céu

De Maomé. E se no branco têm contigo

Semelhança os espíritos, distingo:

O que o meu Anjo branco põe não é

O cabelo mas sim a carne em pé.

Deixa que a minha mão errante adentre

Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre.

Minha América! Minha terra à vista,

Reino de paz, se um homem só a conquista,

Minha Mina preciosa, meu Império,

Feliz de quem penetre o teu mistério!

Liberto-me ficando teu escravo;

Onde cai minha mão, meu selo gravo.

Nudez total! Todo o prazer provém

De um corpo (como a alma sem corpo) sem

Vestes. As jóias que a mulher ostenta

São como as bolas de ouro de Atalanta:

O olho do tolo que uma gema inflama

Ilude-se com ela e perde a dama.

Como encadernação vistosa, feita

Para iletrados, a mulher se enfeita;

Mas ela é um livro místico e somente

A alguns (a que tal graça se consente)

É dado lê-la. Eu sou um que sabe;

Como se diante da parteira, abre-

Te: atira, sim, o linho branco fora,

Nem penitência nem decência agora.

Para ensinar-te eu me desnudo antes:

A coberta de um homem te é bastante.




John Donne




2003-06-12T17:18:10.000+00:00

TRATADO DO EGOÍSMO Sucedeu-me nascer egoísta. Não é que me faltasse generosidade, mas também não sobrava e apesar de não me importar que os outros possuíssem, a verdade é que só sossegava se também eu possuísse. Fosse o alpista especial para dar ao canário sempre que não cantava com aquela vontade que nós humanos gostamos de ver num animal, mesmo que a não tenhamos a não ser para ouvir o pássaro cantar todas as manhãs com um trinar minimamente audível e agradável, substituindo o horrível despertador que penetrava paredes, furava canos e colidia com janelas, estilhaçando cabeças ensonadas logo àquela hora imprópria, estragando o dia a um prédio de 3 andares; fosse o bâton da Célia que era, na verdade, o seu único indício de beleza e que ela esfregava nos lábios com a sofreguidão de quem o sabe como qualquer pessoa que a visse do lado esquerdo, lado em que o nariz ganhava uma dimensão cruel, estranhamente mais saliente e o olho vesgo parecia saltar da órbita pisada e a bochecha excessivamente sardenta refulgia como um aquário fosco em que se vissem apenas pequenos pontos no lugar dos peixes; fosse o amor que até a vizinha do rés-do-chão ainda sentia aos 86 anos e do qual tanto alarde fazia quando eu bem sabia que o Sr. Adérito, 18 anos mais jovem do que a esposa, se demorava em cinemas pouco recomendáveis na companhia de colegiais à procura de maneiras de manifestar a sua rebeldia. Até me rio sozinha quando penso no alpista e no bâton! Isto são coisas que se invejem? Mas a velha, mesmo enganada não o sabia e vivia a sua ilusão de amor eterno, e eu cobiçava secretamente ser traída... destruir aquela segurança era o primeiro passo a dar. Enviei uma carta batida à máquina ( anónima, como convém) indicando-lhe a morada do cinema e as sessões diletas do seu dileto maridinho. Passaram-se semanas e ela insistia em louvar as qualidades do paneleiro que tinha em casa, até que, como se a carta recolhida tivesse ficado esquecida a um canto e subitamente a visse quando limpava a jarra da dinastia mung, comecei a ouvir um arfar asmático do fundo das escadas e passos indecisos. A porta bateu violentamente, como se quatro braços humanos a segurassem e a arremessassem contra a parede e, por momentos, duvidei da sinceridade da velha, teria ela realmente a idade que com tanto à vontade propagandeava? O Adérito nem voltou para casa. Eu não tinha amor, mas ela também nunca mais dele se poderia gabar. E foi então que o Alberto apareceu, substituindo o amor de mulher pelo amor de mãe. Ela até podia ter as persianas mais impecavelmente limpas do bairro, mas eu já só lhe invejava essa dedicação saída do nada de um filho saído do nada amparando-a com nada, só com essa presença de amor que lhe iluminava a fronte cinzenta agora sorridente exibindo-se à vizinhança com o filho pelo braço, orgulhosa de um braço forte amparar o seu, acreditava ela, para sempre. As paredes do prédio não existiam e assim pude acompanhar as exigências de dinheiro, dinheiro que a mamã dizia não possuir. Os cheques que o carteiro teimosamente enfiava na minha caixa de correio e que eu sempre devolvia à caixa da velhota, chegaram ao conhecimento do Alberto através de uma entrevista que lhe solicitei alegando motivos de interesse para ambos. Cobiçava-lhe o dinheiro e o filho e descobri que ao 3º encontro, para além de cobiçar o dinheiro que eu sabia existir, o Alberto também já me cobiçava a mim. Felicidade! Redimo-me do meu pecado vislumbrando-o em outrem. Atirou-se de uma janela, apesar de viver num rés-do-chão. E a polícia nem inquiriu sobre esse facto, uma ideia do meu Alberto. Levar a mãezinha ao pombal lá em cima com a intenção de lhe mostrar o pombo campeão comprado para competição para conseguir o tal dinheiro que precisava, lembra-se mãe? Com o bâton que eu já possuía tingiu o passeio (onde já se viu uma matrona daquela idade pintar-se daquela maneira?), entornou alpista que eu já possuía e que [...]




2003-05-22T13:55:34.000+00:00

O DESAFIADOR



(image)


Na ronda pelos jornais da nossa praça encontrei esta pérola... imperdível.



Apesar do mito e do que se diz e escreve dele, há sempre coisas a aprender com Vincent Gallo. Por exemplo, que é uma "pessoa mesquinha". Ontem, não fez cerimónias, e disse mal de Kirsten Dunst ou de Wynona Rider, que estavam previstas para entrar no filme como duas das raparigas com quem Bud se cruza no seu percurso; com nenhuma das actrizes o encontro foi frutuoso, mas com a frágil Wynona, de quem Gallo foi o protector na rodagem de "A Casa dos Espíritos", foi especialmente cruel - "a minha ideia era ter Winona no filme; acredito que ela roubou mesmo aquela loja, podia ser bom para 'Brown Bunny'".

Pode descobrir-se, ainda, que nunca leu um livro. Provocação de um actor, realizador, músico, fotógrafo, manequim e etc.? "Numa provocação há sempre verdade. De facto nunca li um romance. Li partes de 'O Padrinho', na altura em que o filme saiu, mas deixei-o a meio. Vivi algum tempo com William S. Burroughs, mas nunca li nada dele, a não ser postais que me enviava. Nunca li um argumento, mas consigo estar horas a ouvir um realizador a contar-me a história do seu filme. A palavra escrita não me provoca emoção. Os meus pais não liam. A Bíblia lá de casa nunca foi lida. Só consigo ler livros técnicos, porque servem para concretizar algo ou melhorar a produtividade".

Nesta altura, a sua produtividade em termos do que é habitual numa conferência de imprensa já era grande e Gallo conquistara a sala do Palais des Festivals. O encontro começara mal, no entanto, com promessas de provocações mútuas e este diálogo:

- Queríamos saber se o pénis que se vê no filme é verdadeiro ou é uma prótese?

- Vejo que ficou a pensar nesse assunto, é porque ficou impressionado!

Gallo não virou a cara ao desafio, e a sua candura tratou do assunto. "Ego trip? Ainda não viram uma 'ego trip' de Vincent Gallo. Andam a dizer pelas minhas costas que tenho um ego gigantesco. Isso não me afecta. Há muito que decidi aceitar o facto de não ser popular. É a zona em que me sinto bem. Na escola infantil, eu era o Mr. Popular. As amigas da minha mãe e as miúdas gostavam de mim, porque eu era louro. A certa altura, o meu cabelo escureceu e tornei-me menos escandinavo. A minha reacção foi proteger-me, e decidi não estar aberto nem à amizade nem ao amor. Por receio de rejeição. É por isso que chego tarde aos encontros. Se chego a horas, pode haver sempre o caso de alguém não aparecer".

E assim falou Vincent, que foi visto na Croisette com uma camisola com uma palavra mágica escrita nas costas: "Gallo". Alguém lançou: "Tem medo que se esqueçam dele".
(Vasco Câmara IN «Público»)




2003-05-21T15:02:32.000+00:00

SEVILHA


Em Sevilha, ciganas de vestidos coloridos e rodados com rosas inertes, já murchas do calor andaluz encostadas ao peito, cercam-me e acercam-se da minha mão para abrirem a palma afogueda à adivinhação dos olhos treinados. Sabem bem o que dizer ao "tipo" a que aparentemente pertenço, como sabem ao alemão que se aproxima com um sorriso de curiosidade complacente face à exótica postura das sevilhanas. Melhor só em Barcelona, onde me podem relatar o destino em castelhano, catalão, inglês, alemão, francês e italiano. Cartomantes poliglotas.

Hoje, agarram na mão livre (na outra está a caneca de cerveja, claro está!) de um adepto do Celtic de Glasgow e asseguram-lhe que dali a poucas horas a taça UEFA estará na mão dos escoceses. E agarram na mão livre do adepto do Futebol Clube do Porto (na outra está o farnel, pois claro!) e garantem-lhe que a vitória já lhes não foge.

Business.




2003-05-21T14:44:04.000+00:00

PODE ALGUÉM SER QUEM NÃO É


(image)


- Senhora de preto
diga o que lhe dói
é dor ou saudade
que o peito lhe rói
o que tem, o que foi
o que dói no peito?
- É que o meu homem partiu

Disse-me na praia
frente ao paredão
"tira a tua saia
dá-me a tua mão
o teu corpo, o teu mar
teu andar, teu passo
que vai sobre as ondas, vem"

Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?

Seja um bom agoiro
ou seja um mau presságio
sonhei com o choro
de alguém num naufrágio
não tenho confiança
já cansa este esperar
por uma carta em vão

"por cá me governo"
escreveu-me então
"aqui é quase Inverno
aí quase Verão
mês d'Abril, águas mil
no Brasil também tem
noites de S. João e mar"

Pode alguém ser quem não é?

É estranho no ventre
ser de outro lugar
e tão confusamente
ver desmoronar
um a um sonhos sãos
duas mãos
passando da alegria ao desamor


Pode alguém ser livre
se outro alguém não é
a algema dum outro
serve-me no pé
nas duas mãos,
sonhos vãos, pesadelos
diz-me:
Pode alguém ser quem não é?




2003-05-21T13:27:31.000+00:00

MORRESTE-ME


(image)


Sublinhei:


Comigo, a casa estava mais vazia. O frio entrava e, dentro de mim, solidificava. As várias sombras da sombra de mim, imóveis, passeavam-se de corpo para corpo, porque todos eles, todos meus, eram igualmente negros e frios. E abri a janela. Muito longe do luto do meu sentir, do meu ser, ser mesmo, o sol-pôr a estender-se na aurora breve solene da nossa casa fechada, pai. E pensei, não poderiam os homens morrer como morrem os dias?...



José Luís Peixoto,
«Morreste-me»




2003-05-21T13:31:40.000+00:00

THE TETONS AND THE SNAKE RIVER


(image)
Ansel Adams, 1942


Uma serpente esgueira-se por entre os picos nevados iluminados de uma cordilheira que tem por limite a cauda invisível do réptil aquoso.







2003-05-20T18:47:54.000+00:00

ACRESCENTAR


Uma das últimas detecções do blogo é o Acrescentar, um blog que promete acrescentar novos ingredientes de bom-gosto ao panorama bloguístico português. Aconselho vivamente uma visita. Já o acrescentei aos meus favoritos.




2003-05-20T16:56:47.000+00:00

SABEDORIA


A sabedoria é o lado épico da verdade.



Walter Benjamin




2003-05-19T16:25:33.000+00:00

UM PRADO NO TEJO


É quando se atravessa a Ponte Vasco da Gama a determinada hora de maré baixa. Quem for desperto junto à janela tem o privilégio único de ver um vastíssimo prado a estender-se onde deveria estar o rio e não há lugar para questionamentos racionais, interrogações filosóficas e existenciais, análise depurada do fenómeno. Apenas encosto a testa ao vidro e acredito na realidade do surreal.




2003-05-19T15:39:01.000+00:00

NOVA IORQUE


(...)

Nova Iorque, no seu estridor e na sua severa decrepitude castanha, no seu insondável declínio, gera sempre algumas manhãs estivais como esta, manhãs invadidas em todo o lado por uma afirmação tão determinada de vida nova que é quase cómica, como uma personagem de cartoon que sofre infindáveis e horrendos castigos e sai sempre incólume, ilesa, pronta para mais.

(...)




Michael Cunningham,
«As Horas»




2003-05-17T18:38:08.000+00:00

ASSIS NA BOCA DO LOBO


Em Felgueiras há polícias, pelo menos vi-os nas imagens televisivas, no entanto (e aqui é que me parece que reside o equívoco de alguns), para conter a multidão em fúria era necessário um contingente que, julgo, nenhum cidadão comum em situação semelhante receberia. A isto chamo igualdade. E, afinal, quem o mandou ir a Felgueiras exactamente no dia em que se realizaria uma manifestação de apoio à ex-presidente da câmara? Bom-senso precisa-se...




2003-05-17T17:42:32.000+00:00

THE LIE


(image)
Sir Walter Raleigh


Go, Soul, the body's guest,
Upon a thankless errand;
Fear not to touch the best;
The truth shall be thy warrant:
Go, since I needs must die,
And give the world the lie.

Say to the court, it glows
And shines like rotten wood;
Say to the church, it shows
What's good, and doth no good:
If church and court reply,
Then give them both the lie.

Tell potentates, they live
Acting by others' action;
Not loved unless they give,
Not strong but by a faction.
If potentates reply,
Give potentates the lie.

Tell men of high condition,
That manage the estate,
Their purpose is ambition,
Their practice only hate:
And if they once reply,
Then give them all the lie.

Tell them that brave it most,
They beg for more by spending,
Who, in their greatest cost,
Seek nothing but commending.
And if they make reply,
Then give them all the lie.

Tell zeal it wants devotion;
Tell love it is but lust;
Tell time it is but motion;
Tell flesh it is but dust:
And wish them not reply,
For thou must give the lie.

Tell age it daily wasteth;
Tell honour how it alters;
Tell beauty how she blasteth;
Tell favour how it falters:
And as they shall reply,
Give every one the lie.

Tell wit how much it wrangles
In tickle points of niceness;
Tell wisdom she entangles
Herself in overwiseness:
And when they do reply,
Straight give them both the lie.

Tell physic of her boldness;
Tell skill it is pretension;
Tell charity of coldness;
Tell law it is contention:
And as they do reply,
So give them still the lie.

Tell fortune of her blindness;
Tell nature of decay;
Tell friendship of unkindness;
Tell justice of delay:
And if they will reply,
Then give them all the lie.

Tell arts they have no soundness,
But vary by esteeming;
Tell schools they want profoundness,
And stand too much on seeming:
If arts and schools reply,
Give arts and schools the lie.

Tell faith it's fled the city;
Tell how the country erreth;
Tell manhood shakes off pity
And virtue least preferreth:
And if they do reply,
Spare not to give the lie.

So when thou hast, as I
Commanded thee, done blabbing—
Although to give the lie
Deserves no less than stabbing—
Stab at thee he that will,
No stab the soul can kill.




Sir Walter Raleigh




2003-05-16T14:32:48.000+00:00

A GENTILEZA


O conteúdo das inúmeras cartas de resposta às minhas inúmeras candidaturas espontâneas são sempre (compreensivelmente!) fabricadas segundo um modelo comum a tantos outros infortunados candidatos e acompanha-as uma fria gentileza que me permite detectar um «... lamentamos todavia informar que neste momento não é possível dar satisfação ao seu pedido...» mesmo antes de abrir o sobrescrito. A última que recebi foi ontem. Em papel lindíssimo como que para suavizar a má notícia, com o nome da instituição no topo e o logótipo num baixo relevo de muito bom gosto. Até têm razão (será a utlização do papel parte de uma estratégia aconselhada por um grupo de psicólogos contratados para o efeito?)... ler aquela nega naquele papel deixou-me indiferente, provavelmente se o papel fosse rasca não reagiria com uma não-reacção.




2003-05-16T14:03:28.000+00:00

O PORCO


(image)


Vendedores de rua faziam bom negócio com um brinquedo de papel que representava um porco: dobrando e desdobrando o papel de determinada maneira, o boneco transformava-se na cara de Hitler.



Wladyslaw Szpilman,
«O Pianista»





2003-05-14T20:23:05.000+00:00

ADVOGADO DO DIABO x 2


Desconhecia existir em tão distante terra, tão profundo conhecedor do sistema judicial português (até utilizou o termo "salazarista" num belo rasgo de conhecimento da história do século XX português...). Um prodígio, é o que vos digo! Em poucos dias, sabia de trás para a frente todos os pormenores do caso da sua mais recente constituinte e proclamava a superioridade democrática do país colonizado sobre o país colonizador. Haja pachorra!




2003-05-14T20:04:23.000+00:00

VODKA


(image)

Pois... é ele mesmo...




2003-05-14T19:30:10.000+00:00

LÍNGUAS DE GATO


Um sonho que me contaram:


Eu e o pessoal reunimo-nos para assaltar um banco. Quando lá entrámos eram sacos e sacos a perder de vista, sacos com o cobiçado ouro lá dentro. Carregámo-los às costas com esforço e chegados finalmente ao esconderijo onde veriamos o nosso tesouro pela primeira vez, era grande a expectativa. Quando enfim abrimos os sacos, em vez de reluzentes barras de ouro, demos de caras com línguas de gato, aqueles biscoitos que sempre tinha adorado mas que naquele momento detestei como nunca tinha detestado algo. Afinal, já não ia ser milionário.




2003-05-13T18:58:15.000+00:00

NA ESTAÇÃO


(image)


Virginia Woolf: I'm dying in this town!
Leonard Woolf: If you were thinking clearly, Virginia, you would recall it was London that brought you low.
Virginia Woolf: If I were thinking clearly? If I were thinking clearly?
Leonard Woolf: We brought you to Richmond to give you peace.
Virginia Woolf: If I were thinking clearly, Leonard, I would tell you that I wrestle alone in the dark, in the deep dark, and that only I can know. Only I can understand my condition. You live with the threat, you tell me you live with the threat of my extinction. Leonard, I live with it too.




2003-05-12T17:20:03.000+00:00

DESTAQUE PARA GEORGE ORWELL


(image)


A RTP online faz aqui referência ao centenário do nascimento de George Orwell.




2003-05-12T16:59:58.000+00:00

MOTORISTAS & PEDINTES


Não é novidade que existe uma misteriosa incompatibilidade entre os motoristas de autocarro e os pedintes, de tal forma que, quando uma fila de carros parados num semáforo se apresenta ao pobre de mão esticada como um potencial manancial de esmolas, nem se aproximam da janela entreaberta do motorista responsável pela carga humana que transporta.
Mas e quando o pedinte se converte em passageiro? A má-vontade avoluma-se no tom de voz e a mulher curvada com a cara coberta curva-se ao desprezo nada disfarçado do homenzinho que lhe recebe as moedas como quem recebe pedaços de carvão em brasa.






2003-05-12T16:38:26.000+00:00

ESCUTA, POSTO


O posto de escuta pretende ser um "farol" do que de melhor se vai publicando nos blogs portugueses, reconheço o mérito desse trabalho de recolha mas, devido precisamente ao seu carácter antológico, alguns conteúdos, em especial de cariz cultural, não são sequer referidos, concentrando-se a atenção do posto sobretudo em textos de reflexão social e política cuja qualidade não discuto tão indubitável ela é. Felicito o esforço do posto mas pedia-lhe mais equilíbrio nas escolhas para que a escuta seja realmente universal e para que os ecos da blogosfera não redundem numa uniformidade incompatível com o próprio espírito bloguista.
Posto isto...




2003-05-11T20:30:45.000+00:00

FESTRÓIA


(image)


Mesmo com uma redução de cerca de 40% do subsídio, o Festróia avança e este ano homenageia Ruy de Carvalho, a Suiça e exibe uma mostra de curtos galeses.




2003-05-11T20:22:22.000+00:00

QUERO UM IGUAL


(image)


Foi um fenómeno. E está quase tudo dito. O insólito é que aquilo que parece estar a animar os meios de comunicação, sobretudo além-fronteiras, nesta fase de expectativa que acompanha a pré-estreia é não tanto o conteúdo da película, perfeitamente secundarizado em detrimento do estilo de Neo and friends. Haverá tempo para se esmiuçar o argumento (se muito não estiver já esmiuçado com o primeiro filme da trilogia) mas por agora humildemente me rendo a esta magnífica peça de vestuário que Neo enverga no cartaz que aqui deixo.