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Albarcuel, uma praia na Sibéria





Updated: 2017-10-24T22:32:57.676+02:00

 



James Bond, eu e mais qualquer coisa

2015-12-28T23:23:44.794+01:00

E agora para algo ligeiramente diferente, passem lá por aqui.
Querem vir?



Dia histórico...o Paulinho ficou sem jogo de anca.

2015-11-12T00:53:08.299+01:00


Mesmo com o Costa, este será o governo mais à esquerda desde o PREC.
Portas fora dos ministérios é uma excelente notícia para os portugueses em geral, péssima para a Xerox em particular.
Se daquele power point manhoso que o PS mostrou com as medidas do "vamos fazer tudo", este executivo cumprir metade, já ficamos com 2016 ganho.
Jerónimo no governo. A D O R O.
Concordo com quem diz que hoje é um dia histórico. Goste-se ou não, as regras da AR foram respeitadas e o normal funcionamento também.
Veremos o que aí vem. Pior acho que não fica.
Sócrates, e agora pá?
(Ps - quem fala de sede de poder da esquerda, já se esqueceu o que fizeram Passos e Portas na altura do PEC IV
Ps1 - qualquer acontecimento que meta a Grândola a tocar nas escadarias da AR, vale só por si um momento kodak)



Quem quer o lugar que o Paulinho inventou?

2015-10-20T18:24:56.718+02:00

Andava aqui a pregar aos meus botões quando me lembrei que Portugal ainda não tem governo. Primeira questão : já repararam que não se nota ? É o que acontece normalmente nos protectorados. Temos dois ou três mangas de alpaca e pensamos todos que existe por ali, entre o Rato e a (introduzir rua da sede do PSD - eu não me lembro e não vou Googlar detalhes que só estragam a prosa), algum poder de decisão. Mas não, é ligeiramente irrelevante. As ordens chegam da UE, da Merkel e de mais dois ou três governos de direita que mandam nos outros 27. Manda quem paga. É um clássico desde o tempo da Roma de César. Um qualquer, do Júlio ao Augusto.Mas voltando ao burgo, dizia que que andamos no limbo e nas reuniões esquerda-direita e coiso e tal. Tenho lido bons romances nestas últimas duas semanas e alguns mistérios com golpes palacianos. Não percebo bem o escândalo das esquerdas se unirem…qual é o problema? Não representam efectivamente a maioria dos votantes? Ah e tal mas não mostraram esse cenário antes das eleicões? E então? Se mostrassem os outros 50% teriam ido votar? Passariam a ter interesse na vida política e nas decisões? Como diria Rui Oliveira e Costa, I don’t sink so.Das várias coisas boas que apareceram na imprensa destaco a declaracão de Paulinho : ”Cedo o meu lugar no governo a António Costa”. Muito e muito bom. Qual lugar Paulinho? Aquele que inventaste em mais um jogo de cintura irrepreensível ou aquele que achas que terás num governo que ainda não foi empossado? Se algum dia quisermos contar a um filho, de forma resumida, o que é o lamacal político português, basta mandá-lo ler o Linkedin do Paulo Portas. Está tudo ali. Da lata ao esquema, passando pela ambicão desmedida.Cavaco vai chamar Passos e dizer um “orienta-te“. Provavelmente terá a mesma sorte do que o segundo governo de Sócrates. Costa, os Seguristas e o novo BE vão fazer a cama a PSD e CDS. Cheira a poder dentro de um ano. Se tivesse que apostar fichas ainda deixava umas de lado para o “animal feroz” que entretanto se soltou.   Continuo a achar que a alternativa PS não é uma verdadeira alternativa. Com BE, PCP e o Livre (a quem os eleitores não deram qualquer hipótese) em lugares de decisão, já acredito mais. E ao contrário da maioria não vejo como negativa esta abertura de BE e PCP para a negociacão. Prefiro que neguem alguns dos seus valores da campanha para entrarem em zona de decisão do que, como até aqui, ter o Centrão e a sua teia de interesses a gerirem o dinheiro público.Um dado que acho interessante, pelo menos visto daqui, é a realidade dos deputados eleitos pelos círculos fora de Portugal. PS e PSD colocam os mesmos deputados há anos em representacão dos emigrantes, uma espécie de lugar vitalício, ainda por cima, segundo vou percebendo, por pessoas que nem sequer residem fora de Portugal e pouco ou nada conhecem da realidade que representam. É uma simples conta de distribuir os boys pelos lugares elegíveis. E nós continuamos a votar…fora e dentro, nos mesmos, com ou sem troika, com ou sem austeridade, com ou sem 100 000 a abandonarem o país por ano.E no fim de tudo, o argumento que decididamente não consigo perceber e que me leva ao descrédito total. Semanas, meses de propaganda económica, com comentadores laranja em todos os canais, artigos nos jornais e a máquina bem oleada a explicar que « agora Portugal pode mais », que o esforco valeu a pena, que as contas estão em ordem e agora é que é. Mais de 30% da populacão disse que sim e concordou com esta falácia. Ora…dados públicos disponibilizados pelo INE (qualquer pessoa pode consultar) explicam que a dívida externa do país subiu brutalmente nestes 4 anos. Percebem ? Uma coisa é o país endividar-se para segurar os empregos, manter os apoios sociais, manter as empresas públicas, etc. Outra coisa bem diferente é um país aumentar a sua dívida externa, ao mesmo tempo que vende as suas em[...]



Que a realidade não nos tolde a visão...tás a ceber?

2015-09-29T12:16:30.792+02:00

Já não se fala de bola aqui no tasco há uns tempos. Mais precisamente desde Marco de 2014, altura em que o Maior caminhava para selar o trigésimo quarto título. Na altura títAlo.Falar da redondinha baixa logo a audiência. Não combina com as discussões sobre o Guernica de Picasso, os refugiados a quem insistem chamar migrantes ou, ainda melhor, com quantos paus se faz uma canoa cheia de banqueiros e austeridade.Eu gosto de futebol. E não o acho um tema menor. Discute-se apaixonadamente política, economia, cultura ou desporto. Desde que não se seja mono-temático, por mim qualquer debate faz sentido.Dito isto…O que se passa na tv portuguesa camaradas ??Eu gosto de ouvir programas sobre a poda, discussões táticas, opcões de plantel e por aí fora. Já me aborrecem mais conversas de mão na bola e árbitro ladrão mas, a questão que se coloca é : qual é o critério na escolha destes painéis ?Eu tenho uma sugestão para a base – domínio da lingua portuguesa. Ao nível da conjugacão de verbos pelo menos. Outra característica interessante : não ser aquele tipo de personagem a quem apetece dar pauladas de cada vez que abre a boca. Podemos juntar não estar metido em processos de corrupcão ou ter um tipo de discurso absolutamente repetitivo e monótono. A cereja no topo do bolo seria, mas talvez seja demais pedi-lo, não iniciar uma frase com um “É assim” ou verbo no infinitivo «dizer ainda que«.É que, para um simples e comum mortal, que tem o azar de gostar de bola, torna-se um processo de vergonha alheia ver um programa destes. E aqui, cores à parte, todos os clubes têm representantes que nos envergonham. Miguel Guedes, João Gobern, Eduardo Barroso, António Simões, Tomáz Morais, Pedro Ribeiro, Pedro Barbosa e Rogério Alves são aqueles que mais gosto de ouvir. Também não me desagrada o Manuel « eu digo tudo » José. Defendendo mais ou menos as suas cores, são educados, com discurso assertivo e não ofendem ninguém. E não aborrecem, o que também é importante num programa de televisão.Rui Oliveira e Costa é de um enfado que não se aguenta. Repete a mesma coisa há 10 anos e mal o homem comeca a discursar, já todos percebemos 10 minutos antes o que ele vai dizer. Homem…já se percebeu que a arbitragem é suficiente -, os jogadores bons e os treinadores bons +. Muda o disco e fala menos com os bracos. E já percebemos que foste deputado e que dominas a estatística. Mete o lado B. E não é o que é que dissesteS homem! Corta o S, cortaaaaaaa !Rui Gomes da Silva, Manuel Serrão, Guilherme « antes pagava-se em dinheiro« Aguiar e Rodolfo «é assim« Reis também enervam qb à sua maneira. Mas devo dar o benefício da dúvida ao Serrão. Desde que Pedro Guerra entrou em cena, Serrão passou a ser uma jóia de moco. Pedro Guerra é uma personagem que, apesar de ser do meu clube, me envergonha e irrita de cada vez que abre aquela bocarra. É um sabujo da pior espécie que faz limpezas de imagem ao estilo norte-coreano. Há gravacões no youtube deste artista a ligar para um programa qualquer, fazendo-se passar por um adepto de nome diferente, a despejar a propaganda vierista. Concorde eu ou não com tudo o que o Vieira faz no Benfica, goste mais de umas coisas e menos de outras, tenho no entanto de algo a absoluta certeza : nunca, em galáxia alguma, uma avantesma destas pode falar numa televisão de canal aberto em nome do Benfica. É uma vergonha e um enxovalho semanal.Pior do que este Pedro Guerra, ou vá, a par e passo, está o Inácio. Nunca tinha reparado, porque também não tinha perdido mais do que 5 minutos a ouvi-lo, que este rapaz faz o Manuel Fernandes parecer um poeta. Em cada frase dá 7 calinadas entre um clássico «tás a ceber ?«. ProntS Inácio ? FizestS e depois não pagáTeS ? Não Inácio, não ‘tou a ‘ceber como é que falas 2 horas por semana em horário nobre.Temos que criar nos estúdios de [...]



Como é que a Margarida enche tantas folhas com oxigénio? Como é que o Marinho ainda saca votos? Mistérios.

2015-09-24T21:17:19.046+02:00

Não tenho passado por este bairro. Às vezes até me apetece mandar aqui umas pastilhas mais elaboradas, afinal, há tanto e bom material nos dias que correm. O Passos que não acerta uma, o Costa que já promete o paraíso enquanto faz um "tudo a saltaaaaar", o miúdo à beira mar que fez parar o mundo e o Charlie que o satirizou, provando que a linha entre a comédia e a estupidez é ténue. A Síria que não é problema nosso e os refugiados que vão voltar a conquistar o Alhambra.Mas não me apetece. Pelo menos hoje. Apetece-me escrever umas linhas à la Margarida Rebelo Pinto. Estava um dia quente. Já tinha bebido um gin e sentia o pensamento a vaguear nas ondas que suavemente acariciavam o pontão. Entre a palha do chapéu ofuscavam-me dois raios de sol. Baixei a cabeca incomodada até que uma nuvem me libertasse o olhar. Espreitei, bebi novo trago para disfarcar, era ele, não restavam dúvidas! O Salvador derretia o gelo, ali, a poucos passos de mim na praia do Tamariz. Mudei o estado no facebook para esperancada. Ele não fez like. Estou a ficar mal disposto, é melhor parar.O meu sonho era ser escritor. Ou algo do género.Como diz um primo meu, os bloggers são apenas pessoas com tempo livre e acesso à internet. Está bem visto. Ainda assim alimentava a esperanca de transformar um blog, este ou o de viagens, numa publicacão. Assim qualquer coisa gira, à grande e à francesa, com traducões e tudo.Recentemente um texto que escrevi aqui foi traduzido e utilizado contra mim em tribunal. Não era bem o tipo de traducão que tinha em mente, mas já é um primeiro passo.Espera...será que posso dizer isto? Ainda me entalo de novo...NOTE: this is just a note of humour! Voltando à poda...Decidi comprar um carro novo. Aliás, trocar o meu por um mais velho.Passo sempre momentos de harmonia e paz budista quando entro num stand. Se pudesse organizava uma corrida de bidões movidos a tangas. De um lado a selecão da europa de taxistas, do outro a equipa do resto do mundo de vendedores de carros.Pergunto-lhe se está interessado em comprar o meu e, em troca, com o dinheiro que recebesse, compraria outro carro no mesmo stand. O vendedor diz que sim e pede-me a matricula do carro. Vai ao computador e a primeira coisa que faz é tentar convencer-me que o motor do meu carro tem menos 400 cc do que aquilo que eu digo. Ele sim, eu não e por ai fora mais umas 10 vezes. Viro o monitor do computador para mim e mostro a linha onde está o que ele diz + 400. Tomo noto da tanga, gosto sempre de aprender material novo, e sigo para o próximo stand.Dou mais umas voltas e de tanga em tanga, vou petiscando em todos. Gosto daqueles cestos de fruta espalhados entre os carros. Meto o meu à venda no "custo justo" cá do sítio e passado alguns minutos escreve-me um camarada a perguntar se quero trocar com ele. Tem um Dodge Charger com 400 cavalos. Não faco ideia o que é isso e vou ver ao google. É uma espécie de avião sem asas que se vê muito no Pinhal Novo nas corridas noturnas da Vasco da Gama. Não é bem o target do pai de família a caminho dos 50 anos.Desisto do assunto e vou para casa. No correio está uma supresa agradável em forma de livro. Passo os olhos por umas linhas familiares e descubro outras sobre gente que também fez a mala. Comeco a ficar mais emotivo e com saudades. A emocão é a pior conselheira numa casa vazia a 3000 km de vocês.Enfim, ele há dias. Amanhã já quero almôndegas com "lingön sylt" outra vez. Hoje nem tanto.[...]



Venda de condomínios em Homs, baixa de precos!

2015-09-11T09:36:14.070+02:00

Ando aqui às voltas com um texto. Não me apetece contribuir para entupir as redes sociais.Aliás…esse seria um tema interessante para discutirmos um dia destes, entre um gin ou uma ginja, na praia ou numa da colinas. Quando é que ficámos tão indiferentes à miséria humana? É impressão minha ou vivemos a regra do drama diário de há uns anos a esta parte ? Num dia somos todos Charlie, no outro o miudo da praia turca. Choramos e insultamos meio mundo sem sair do sofá. Depois mudamos para a BTV e vemos o golo do Jonas,  entretemos os filhos com os iQualquerCoisa e está feito. No dia seguinte insultamos o Relvas que já comenta debates na TVI e vociferamos uma xenofobia básica contra os refugiados. Olha, está a comecar o Sporting do Jesus. Venha de lá essa cerveja. Sim, parece que está mau ali para os Mohameds e não sei quê.Chega a pensão ou o salário. Ainda com os cortes que prometeram que nunca exisitiriam. "Filhos da puta", dizes tu junto à máquina de café ao teu colega da contabilidade. Juntos clamam por justica e desejam a maior das diarreias ao Passos, ao Sócrates e ao Costa. "Em quem vais votar ?”, pergunta o Fernando da logística. « Acho que no CDS, o Portas pelo menos defende os reformados«, respondes tu enquanto pensas na tua mãe.E partilhas connosco no facebook. Até metes um pedaco do debate entre o Portas e a Catarina. A tua parte preferida foi aquela em que ele passou 20 minutos a falar da Grécia e se escapou a tudo o que era tema nacional. Tens uns quantos likes. Mas menos do que tiveste  naquele post espectacular a falar dos terroristas que atravessaram a fronteira da Macedónia. Em termos de activismo já fizeste a tua parte por hoje.Apetecia-me falar da estratégia de debate do PSD e CDS. De como se escudam no Syriza ou no Sócrates, fugindo à avaliacão dos últimos 4 anos. Acho que isso beneficia a esquerda, o que te parece ? Ou da catástrofe que se vai abater na Europa por causa da última década de líderes mundiais fracos ou corruptos como Sarkozy, Bush, Blair, Hollande, Putin e Merkel que sugaram os países em seu redor ou comecaram guerras sem fim à vista. Afeganistão, Líbia, Iraque, Síria, Ucrânia. Acho estranho esta coisa dos fluxos migratórios. Quem é que não quer ficar em Homs e seu novo conceito arquitectónico ? Mais arejado, com mais estacionamento, menos trânsito. "Esta malta só quer é vir para a europa sacar subsídios", ouvi o doutor da administracão a dizer. Ele tinha gravata e tudo, deve perceber dessas coisas.Também gostava de perguntar como é que, depois de um pai perder uma família num barco de borracha a fugir da guerra, tu te indignas com a prioridade que não é dada ao mendigo do Martim Moniz ? Ou como garantir, aqui entre nós, que a jornalista que agride miudos refugiados em fuga não é apenas o "sound byte" do dia ? Como é que podemos ficar mais humanos e menos interessados na merda do lancamento do iPhone 247 ?Apetecia-me discutir isso tudo mas não faz muito sentido. Tu, o Fernando e todos os outros já o fizeram. Demos todos a volta ao mundo sem sair do sofá. E partilhámos tudo No Facebook, no Twitter, no Instagram e naquela que só funciona para os chineses. Mudámos o mundo deixando-o igual. Entupimos a rede com imagens do Buda a dizer que somos uma nódoa.Cansas-me. Tu, o Fernando e o activismo de sofá.  Vou antes ver o Benfica. E daqui a bocado vou levar roupa minha e do meu filho para esses mamões dos sírios que só querem é boa vida.[...]



Boa sorte, apesar de tudo, é para quem fica...

2015-08-25T13:30:46.871+02:00

A imagem não é escolhida ao acaso. Nunca é.Reflete aquilo que nunca consigo meter na mala em cada regresso e que mais falta me faz. O céu azul e o mar que aconchega a areia com o barulho das ondas. Não vivo propriamente na Suica, convenhamos. Também deste lado há mar a perder de vista. Mas não faz barulho, não tem ondas ou areia macia, daquela que se espalha pelo carro até ao natal seguinte. Adoro.Sobre o céu azul nem um comentário. A patente foi registada pelo Afonso Henriques.Tendo em conta os saltos da minha infância, que pelos vistos continuarão até à 3a idade, dificilmente crio raízes onde quer que seja. Não existe o meu bairro, a minha rua, a malta lá da zona. Por outro lado, tenho relativa facilidade de integracão e de travar novos conhecimentos a cada passagem. Um pouco como dizem os russos: "casa é onde pouso a mala". Ao fim de 3 dias e com algumas pecas do IKEA, estou ambientado.Apesar da minha cidade de referência ser Lisboa, este ano resolvi passar grande parte das férias em Santa Maria (Acores), um dos sítios por onde dividi a minha juventude.É engracado constatar, ao fim de 30 anos de lá ter passado pela primeira vez e depois de tantas voltas pelo globo, como me senti em casa naqueles 17 km de extensão. As pessoas, as paisagens, o mar quente, os trilhos, as baías. Voltei diferente. As pessoas fazem a diferenca e a natureza também.Gostei muito.Mas, ainda assim, não foi dificil voltar para a Suécia. É importante para mim sentir que existe um cantinho no mundo a que posso chamar "porto seguro". Reconheco-o entre Lisboa e Vila do Porto, mas percebo também que isso só fará sentido se continuar deste lado.Pelo meu filho, por mim e pelo nosso futuro. E percebo a simpatia da "boa sorte" na despedida mas, honestamente e tendo em conta o que vou lendo desde 2008 sobre o nosso país, a sorte desejada é toda para quem fica. Verão após verão vou ouvindo as histórias mais alucinantes sobre falta de emprego, condicões laborais ou exigências patronais que já não entram na minha cabeca. Não consigo perceber esta escravatura dos tempos modernos e muitos menos a miséria a que insistem chamar salário. Não percebo que se trabalhe um mês inteiro para pagar uma creche, um carro e uma casa. Não percebo que se viva no subúrbio porque é mais barato para estar 4h por dia no trânsito. Não percebo como é que se vive com 1 ou 2 semanas de férias. Não percebo porque estudar numa universidade comeca a ser cada vez mais um luxo. Não percebo como é que se pagam 30, 40 ou 45% de impostos para um Estado que nos suga até ao osso para safar banqueiros e distribuir tachos pelos amigos. Portanto, o meu céu azul está a 4 horas de distância e tudo bem, vivemos bem assim. Eu e ele.Não nos fartamos um do outro, o que é sempre bom. Dizem as más linguas que sou relativamente chato. Detalhes.Mesmo sem o sol que me aqueceu em Julho e Agosto, a Escandinávia está há alguns anos com um crescimento económico assinalável. Na minha área continuam a gerar mais empregos do que formandos das universidades. E assim vai continuar durante mais algum tempo.Para quem me contacta de forma privada e aqui e ali pede dicas sobre vagas, resolvi juntar umas quantas neste post, para não estar a repetir sempre tudo.Se és de engenharia electrónica, informática, mecânica, telecomunicacões e outras desse género, tens aqui uma lista de pedidos de emprego em várias empresas. É uma amostra muito pequena (o mercado é muito maior) mas usei apenas empresas onde trabalhei ou fiz entrevistas, para poder responder a qualquer pergunta.Fica a informacão para quem a quiser utilizar e/ou partilhar. E claro....boa sorte.http://www.semcon.com/sv/Karriar/Lediga-jobb/http://infotiv.se/karriarhttp://www.afconsult.com/sv/Karriar/Lediga-jobb/http://www.alten.se/jobba-pa-alten/lediga-jobb/http://www.altran.se/karriaer/lediga-tjaenster/goeteborg/ansvariga-te[...]



OXI...e agora?

2015-07-06T18:52:05.710+02:00

Tenho lido um pouco por toda a parte as posicões, normalmente extremadas, de esquerda e direita sobre o referendo na Grécia. Confesso que me irritam posicões de sim porque sim, ou não porque não.Existem dois tipos de comentadores. Os Camilos desta vida que, perante a miséria que os rodeia, preferem despejar gráficos e passar a cartilha do governo ad nauseum. E depois há os outros que tentam perceber o que se passa.Para os que defendem que os gregos são uns caloteiros e por aí fora, vamos esclarecer uma coisa. É verdade que sucessivos governos andaram a martelar relatórios e a criar dívida disparatadamente? Sim, é verdade. São os gregos culpados pela sua própria dívida? Sim, em parte sim. E devem ser abandonados à sua sorte? Não, claro que não. Mas "porque não", perguntas tu jovem centrista cujo sonho é distribuir sacos de plástico. Porque, se mais argumento nenhum colher, digamos apenas que é mais barato salvar a Grécia do que correr com ela do euro e da UE.Mas vamos por partes...A dívida da Grécia apareceu hoje? Não, não apareceu. Tal como a portuguesa, espanhola, francesa ou italiana. Ahh..falta aqui a narrativa dos povos do sul. Somos todos uns bandalhos que queremos sol e deixamos o trabalho para os alemães. Mas espera! Então e os Irlandeses e Islandeses? Também fazem a siesta?Já é altura de perceberemos como funciona a UE e de deixarmos o papel ridículo a que o nosso governo nos sujeita.Não acho que faca sentido entrar na conversa da diferenca entre as dividas de cada país e como foram criadas, acho que já escrevi 200 vezes sobre isso. Mas convém lembrar duas coisas:- na UE os países não são tratados de igual forma- o jogo de interesses é controlado por uma minoriaUm dos exemplos mais citado é a história do material de guerra. Já com a Grécia em plena crise, uma das condicões do resgate era que parte do dinheiro fosse usado para comprar material bélico à Alemanha. Será talvez uma gota no oceano mas explica em parte a solidariedade que não existe. O FMI não é uma instituicão fantasma que imprime dinheiro. É uma espécie de um saco azul onde cada membro (país) mete dinheiro (a quota depende do tamanho do país) e recolhe depois os dividendos gerados. Podem ver aqui.Como perceberão, o FMI não é controlado por todos os seus membros. Tal como na UE, os pesos são diferentes. Quando o FMI entra num país isso é um negócio da China...os lucros são monstruosos e ainda se está para ver um país "ajudado" que não tenha ficado de joelhos.Não podemos pedir a um povo inteiro que voluntariamente empobreca para contribuir para os lucros dos países mais ricos e tapar as asneiras feitas pelos seus políticos. Banqueiros e políticos que criaram o buraco, que o paguem, como aconteceu na Islândia. Eu nem percebo os portugueses que apoiam a austeridade. Não aprenderam nada nos últimos 4 anos? A dívida externa aumentou, o desemprego também, mais pessoas foram para a pobreza e tudo o que fazemos é pagar juros. Não conseguem perceber que este é um ciclo vicioso que não tem saída possível porque não permite qualquer crescimento económico?Os gregos perceberam isso e arriscaram enfrentar os poderosos. Pior do que estão não ficarão e eu acho que fizeram bem. Quem me dera que Passos Coelho tivesse metade do sentido de estado que Tsipras mostrou.Se um dia alguém escrever um livro a explicar por A+B porque falhou a austeridade na zona euro, usará Portugal como estrela da companhia.No meio desta confusão, pessoal que consegue ver mais longe (Camilo, agora podes voltar para dentro que já não é para ti), lá se lembrou que a Grécia está a sul dos balcãs, ao lado da turquia e a fazer de tampão aos emigrantes que usam a rota do mediterrâneo para fugirem do médio oriente (lembram-se da Síria? Parece que está mau por lá...). O Putin, aproveitando a chantagem da UE com[...]



O fim de uma etapa

2015-07-03T14:09:25.575+02:00


A minha memória não é grande coisa. Lembro-me de factos históricos ou acontecimentos épicos, mas o que fiz ou disse naquela noite de trovoada, vai com a espuma dos dias. Sou o melhor amigo de uma mulher numa discussão. "Lembras-te que disseste não sei quê?". Epá...não. Perco sempre a bicicleta.
Há contudo momentos de que não me esqueco pela sua importância na minha vida. O facto de gostar de escrever também ajuda a arquivar as memórias.
Corria Agosto de 2010, o Diogo tinha 17 meses e eu escrevi isto.
Sentia-me emocionado. Era o primeiro passo fora das "asas" dos pais. Nestas coisas do crescimento, videos e fotografias são muito giros mas, o que conta mesmo é estar lá. E eu estava. Como estive sempre em cada momento, estivessem as portas fechadas ou abertas.
Lembro-me de tudo. Do sítio, da sala, das professoras, das conversas.
Hoje, quase 5 anos depois e muitas histórias passadas, chega o último dia na creche.
O Diogo comeca dentro de pouco mais de um mês o ensino primário na Suécia, o ano zero (que não existe em Portugal). Os putos serão os mesmos e, imagino eu, as brincadeiras também. A escola "desloca-se" 400 metros e inicia-se a próxima etapa.
Nem sei o que me comove mais nisto tudo. O ritmo a que este miudo está a crescer, o ritmo a que estou a envelhecer ou o ápice que é uma vida. Não sei bem porquê mas nestes momentos lembro-me sempre de uma desconhecida que, há uns anos, meteu conversa comigo enquanto passeava com o Diogo na rua. Disse-me: "o seu filho é muito bonito. Esteja sempre perto dele...está numa idade óptima, depois dos 12 já não nos ligam nenhuma". E seguiu o seu caminho entre palavras que partilhava com o vento. Recordo isto vezes sem conta.
É tempo de meter os pés na areia, ver amigos e familiares, comer bacalhau cheio de azeite e ouvir sons conhecidos. Depois, bom, depois logo voltaremos às futeboladas no bairro com os outros miudos, à piscina, às regras da mesa, aos horários e aprendizagem de novas matérias,
Regressaremos ao sítio que eu escolhi para vivermos, esperando que dentro de uns anos ele esteja contente com a decisão tomada. A intencão foi boa, diga-se.
Venha de lá a próxima etapa. Cá estarei para servir de rede. Para amparar ou deixar voar.
É tempo de calor.




Porque não basta criticar...fica a minha tentativa de contributo.

2015-06-20T21:08:47.179+02:00

Hoje é dia de votar nas eleições primárias do Tempo de Avançar. Este processo interno, aberto a todos, decidirá que candidatos farão parte das listas deste novo movimento à Assembleia da República.Fico feliz por fazer parte da discussão e de poder espalhar a palavra por amigos e conhecidos. Se não servir para mais nada, que sirva pelo menos para que tomemos consciência que todos podemos (devemos) participar na vida do nosso país. Podem ver a minha candidatura aqui.Eu estarei a concorrer pelos círculos de Lisboa, Setúbal e Açores, por serem essas as zonas com que mais me identifico e cujas realidades conheço melhor. Nasci em Lisboa e cresci na margem sul. Vivi nos Açores, na bonita ilha de Santa Maria, onde mantenho residência ainda hoje. Voltei para Lisboa para concluir o ensino secundário e tirar engenharia no ISEL - Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. Trabalhei na VW Autoeuropa , em Palmela, até que aos 28 anos decidi emigrar para a Suécia.Mantenho contacto diário com Portugal desde então e, políticamente, continuo a ver uma espécie de círculo fechado onde amigos, conhecidos e boys dividem os cargos mas nunca as responsabilidades. E é por isso que há décadas vemos as mesmas caras, alternando entre o governo e a oposição, em nefastos pactos de regime que procuram, a todo o custo, manter a rede de interesses que vagueia em redor do Estado.Movimentos como o Tempo de Avançar, abrem a discussão/participação a todos nós. É a forma mais democrática de dar voz a quem tem algo para dizer. Só por isso, só pela iniciativa, eu acho que já está ganho. Quando percebemos que o maior partido da oposição (PS), em 8 meses consegue perder a vantagem percentual para uma coligação que representa o governo mais incompetente que me lembro de ver, fico mesmo com a certeza que é uma questão de tempo até a vida política em Portugal mudar radicalmente.Os candidatos que estão em solo nacional tiveram a oportunidade de participar em debates e de se apresentarem. Eu estou a 3000 km de casa, faço parte da nova geração de "famílias skype" que Passos Coelho tanto aprecia, e não tive por isso a oportunidade de conhecer e debater com os meus camaradas.Cada candidato deveria escolher um tema da Agenda Inadiável proposta pelo Tempo de Avançar (podem consultar aqui) e apresentar as suas soluções. Eu teria escolhido a renegociação da dívida. É de longe o ponto mais urgente no panorama nacional. E porquê? Porque não podemos atirar 20% da população para a pobreza para pagar os juros do crédito ao FMI (antes do tempo, como orgulhosamente fez Maria Luis). Nem podemos continuar reféns de uma Europa que segue 2 ou 3 vozes. A Alemanha exige cortes nas pensões gregas e o governo eleito sugere que se corte na defesa (onde o material é comprado à Alemanha ). A Europa que segue a senhora Merkel não aceita e faz o que pode para salvar os seus próprios investimentos. Não há solidariedade entre povos. Há apenas grupos financeiros e interesses instalados que devem ser salvos. À custa da Grécia, depois de Portugal. Seguir-se-ão Espanha e Itália.Mas não chega renegociar a dívida. É preciso saber onde aplicar o dinheiro. É nessa parte que acho que posso dar uma pequena contribuição, com a aprendizagem de coisas simples que observo no meu quotidiano, no país onde vivo há 9 anos.A educação é, a meu ver, o investimento base de qualquer país que quer ser civilizado e entrar na elite dos desenvolvidos. Escola verdadeiramente universal até ao ensino superior (que não existe em Portugal), rede de creches públicas, empréstimos para estudantes (30% a fundo perdido e 70% pago pelo próprio em prestações, quando entra no mercado de trabalho). A redução de custos para os progenitores com a educação resolve dois problema[...]



Depois do Gustavo Santos, chega o Gustavo Sande...

2015-05-29T00:45:30.336+02:00

Corria o meu dia entre um problema e outro, quando me chegou este "artigo" às mãos.Eu ainda sou do tempo em que a pena nos jornais era manejada por quem tinha algo para dizer, experiência de vida para partilhar, alguma sabedoria, visão global e um cérebro.Público, DN e Expresso são para mim, ainda, jornais de referência. Depois de ler um artigo como aquele que está ali em cima, pergunto-me, como é que deixam publicar uma barbaridade destas, cheia de generalizacões e banalidades de café, num insulto ignorante a milhões de portugueses.Gustavo Sande qualquer coisa é o autor das asneiras. Como ele se sentiu confortável para generalizar e banalizar uma realidade que desconhece, acho que posso fazer semelhante exercício.Gustavo dos 3 nomes é um betinho. Tirou um curso no ano passado daqueles para especialistas de power point. O cv do menino é o que está na foto, disponível no linkedin.Por onde comecar?Gustavo fala, com algum desprezo, de quem sai do país. Porque falam mal de Portugal, porque culpam o governo, porque dizem que não há oportunidades, porque "lá fora é que é" e sujeitam-se a trabalhos que não fariam em Portugal. Desculpas e mais desculpas de quem não teve forca de vontade, arte e engenho, para vingar em terras lusas.Gustavo alerta que também foi um de nós. Também ele emigrou para experimentar viver fora de Portugal. Não por necessidade, por aventura.Não Gustavo, tu não és um de nós. És um merdas a quem foi dado um espaco para espalhar ofensas gratuitas, como provam os comentários, quase todos melhores do que a merda que alinhavaste no Público.Diz Gustavo:"Antes de mais, começo por revelar que também passei pela experiência de viver no estrangeiro. Trabalhei cerca de um ano na minha área de formação e tive que construir sozinho uma base sócio-profissional suficiente para ocupar o meu dia-a-dia. Não fui por falta de oportunidades em Portugal, mas sim pelo desafio de viver num país que não o meu. É, e sempre será, difícil começar tudo do zero (seja em que país for). O nosso não é exceção."Não Gustavo....estar 10 meses a fazer power points e tirar cafés para o chefe não é a mesma coisa que emigrar. É uma espécie de Erasmus para betos que depois voltam e contam nas férias de Vilamoura como foi. É só isso.O teu cv, a miséria que apresentas como cv -  uma mão cheia de experiências de meses polvilhadas com lugares comuns do "doing nothing with a cool name" -  obrigar-te-ia, só por si, a estares calado.Mas não. Querias espalhar um pouco mais de sapiência."A ilusão que a vida no estrangeiro é mais fácil leva muitos a arriscar esta mudança. Uns arrependem-se e outros teimam em afirmar que fizeram a melhor escolha possível. Não digo que não tenham feito, mas não me venham dizer que em Portugal era mais difícil. Se calhar a força de vontade em fazer qualquer coisa num país diferente do nosso foi maior. Depois de saírem de Portugal, seria triste se também não conseguissem vingar noutro local"Não Gustavo, também não é isso. Não é a ilusão meu idiota, é mesmo a falta de emprego, contas para pagar, filhos para sustentar e vidas que se vão desfazendo nas filas do desemprego. É chegar ao fim do mês e não ter como meter comida na mesa. É entrar na pobreza envergonhada, é fazer parte dos 20%  que entraram na classe social POBRE depois da austeridade.E sim...em Portugal é mesmo mais difícil. Não há um gajo qualquer aí no Público que te explique o que é o INE? Que te explique o que é uma simples estatística? Vamos lá os dois então...com calma. Se Portugal tem das mais altas taxas de desemprego, então Portugal é um dos países onde é mais difícil. Topas? Assim...na base da matemática. Muito simples. Mas não se ensina em cursos d[...]



As saudades que eu já tinha...

2015-05-08T17:25:59.943+02:00

Comecei esta semana um projecto novo e acho que, desta vez, será uma contribuicão decente para o planeta. O novo carro eléctrico da Volvo e, se percebi bem, 2 modelos que servirão para os táxis de Londres do futuro.Estive nos últimos dois anos a trabalhar à distância, vindo ao escritório apenas para testar a minha aplicacão. Foram bons tempos...  Quando eu estiver debaixo do chaparro, a deixar passar os dias entre os jogos do Benfica, as organizacões das empresas serão diferentes e o trabalho remoto, já possivel hoje com toda a tecnologia disponivel, será uma realidade.Se assim não for...sejam bem-vindos a horas e horas, e mais horas, de reuniões sem fim. E porquê? Porque as reuniões enchem o calendário e dão a sensacão, a quem as frequenta, que algo de útil aconteceu. Não, nada disso. Por cada hora arranjam-se, com jeito, 10 minutos com sentido.É claro que em organizacões com milhares de pessoas torna-se imperioso, aqui e ali, sentar numa sala e falar. Temos que saber onde estamos e para onde vamos. Temos que garantir que remamos todos para o mesmo lado. Tudo certo.Outra coisa bem diferente é fazer da reunião a actividade laboral principal. Semana após semana, a repetir as mesmas coisas, a avancar a passo de caracol, a encher agendas com a sensacão de dinamismo quando, na verdade, pouco ou nada acontece.Percebam isto de uma vez. A mal ou a bem, nós somos engenheiros...não nos pagam para passar 8h enfiados numa sala a falar sobre métodos de trabalho, teorias de gestão ou procedimentos de como fazer. Pagam-nos para desenvolver, criar, fazer acontecer. Já é mau um gajo ter esta vida, quanto mais ter que seguir este caminho num espartilho de regras, papelada, procedimentos e intermináveis power points de desejos.Quando deixam o carro no mecânico não querem filosofia pois não? Querem o carro pronto, a mexer e fora da oficina o quanto antes. Ora...aqui é igual.Querem a última app para o iPhone, uma ficha toda porreira para o carro eléctrico ou a possibilidade de usarem o skype em todo o lado? Muito bem. Reduzam o número de gestores (especialmente em empresas de engenharia) e deixem o pessoal "sujar as mãos". A coisa fica feita na mesma e em metade do tempo.E uma vez por semana sentamo-nos todos, respondemos a perguntas e dizemos ao gajo do power point como está a andar o trabalho no mundo real. Ele faz uma tabela excel e olha para ela até à semana seguinte. O mundo avanca mais depressa e ficamos todos contentes. Nós, ele e vocês.O momento "palito" (que é o que mais me irrita na mesa do almoco) tem o seu paralelo nas reuniões quando alguém diz: "para isso temos que criar uma nova reunião". Epá...não, não. Não facas isso camarada. Estas duas horas em que estamos aqui sentados, tu falas e ninguém quer saber, e todos olhamos para os nossos portáteis, já são em si um erro. Não facas a ramificacão do erro...pAAAAAlease!Aqui ao lado vejo um que se chega para trás para ler o Dagens Industri (o Diário Económico cá da terra), os que estão em frente vão escrevendo umas coisas e eu, meto esta prosa em dia. Estamos todos a passar o tempo enquanto o zé do excel olha para o projector. De cada vez que ele pergunta: “podes fazer…” ouve um ”ainda não tive tempo para… ”. Mas claro que não! Como é que podes ter tempo para tarefas de 5 minutos quando passas 8h entre o refeitório, o wc e as reuniões ?Dizia-me um camarada, há uns anos, uma máxima que teima em permanecer actual : ”o espantoso é que no fim disto tudo sai um carro a funcionar”.Adoro vida de escritório! A-D-O-R-O![...]



Os suspeitos do costume

2015-04-30T11:39:46.978+02:00

Eu sou daqueles que acha que as greves são uma arma de protesto válida. Nem poderia pensar de outra forma, tendo em conta o ambiente em que cresci.Acompanho com alguma atencão o caso da TAP porque, com alguma pena, assisto ao desaparecimento da maior empresa portuguesa. Não tenhamos dúvidas...não é a Autoeuropa, a Portugal Telecom ou qualquer outra que transportam a nossa bandeira. A TAP é, ou foi, o orgulho nacional fora de portas durante mais de 60 anos.Tendo perceber esta greve dos pilotos. Feita contra tudo e contra todos, inclusivamente contra colegas da TAP e outros pilotos que a tentaram parar. Não faz sentido, não faz mesmo.A TAP, cuja privatizacão não faz sentido (e sim um saneamento) não tem qualquer valor comercial. A sua dívida é muito maior do que os activos, ou seja, será oferecida a qualquer investidor desconhecido que apareca na Portela.É um facto e um dado adquirido que a administracão e o governo (enquanto accionista) são os principais responsáveis na dívida da TAP, resultante da compra daquele elefante branco das oficinais de manutencão e seus 2000 funcionários no Brasil. Isto é publico. Tal como o fechar de olhos do governo.Nada há a apontar aos pilotos neste erro de gestão.Contudo, já se pode dizer qualquer coisa sobre as suas constantes exigências e chantagens sobre uma empresa que, ano após ano, vive com prejuízo.Os pilotos são extremamente bem pagos e, como qualquer funcionário da TAP, têm daquelas regalias que são dificeis de engolir ao comum do mortais.Já trabalhei na Volvo, Jaguar, Ford, Aston Martin, Saab, Land Rover, Ericsson e VW. Nunca me deram borlas nos produtos que ajudei a desenvolver. Nem a mim, nem fosse a quem fosse da minha família. Porque razão viaja metade da família de borla? Porque razão os benefícios se prolongam ad aternum para lá do salário?No caso da TAP, os pilotos não são apenas bem pagos no panorama nacional, são bem pagos quando comparados com os gigantes da aviacão em países com um custo de vida muito superior ao português.Contudo, desta vez, a exigência ultrapassa todos os limites do aceitável. Uma minoria de funcionários da empresa quer 10 ou 20% da própria empresa. Os pilotos, para além da sua funcão e regalias, querem também ser os novos patrões. 150 ou 300 que exigem mandar nos restantes milhares. Uma espécie de Ruanda na Portela.E porque arriscam tudo? Porque se a TAP fechar eles não demorarão 1 semana a encontrar vaga na Emirates ou numa dessas companhias que cresce diariamente. Os outros que se orientem...é a ganância em vez da defesa de uma classe. É o sindicalismo e a greve a serem usados de pernas para o ar.Pior do que o prejuízo acumulado nestes 10 dias, é a falta de confianca que se instala. Nos dias de hoje só se compra um bilhete na TAP em último caso...todos percebem que compram uma rifa. Se for "mês greve" ficam no chão, se for mês "com os bracos bem abertos" voam.Se estivesse no lugar de Pedro Passos Coelho ou de Pires de Lima, não permitiria a privatizacão da TAP, ordenava a venda das oficinas no Brasil e exigia o saneamento da empresa, comecando nos pornográficos salários da administracão e acabando nas inaceitáveis regalias do pessoal de bordo.Depois comprava um A340 novo, daqueles com 4 motores (para o caso de 2 falharem) e fazia 2 vôos semanais, às sextas e segundas, entre Gotemburgo e Vila do Porto.Mas ninguém me ouve...raisparta.[...]



Regresso a Portugal. Não, estava só a brincar avó...

2015-04-29T18:23:44.260+02:00

Não tenho por hábito debrucar-me muito sobre as encruzilhadas do quotidiano e debater as filosofias que Buda, Ghandi e as frases do Jorge Amado trazem à vida. Falta-me tempo, paciência e jeito.A excepcão à regra acontece no fim de cada entrevista de trabalho. Como mudo de projecto (nem sempre de empregador) todos os anos ou no máximo de dois em dois, é certo e sabido que há um dia do ano em que me dedico aos "ses" da vida.Ao contrário de saudosos camaradas, eu não vivo para trabalhar. Trabalho para viver. Se pudesse, não passaria um dia da minha vida num escritório a olhar para um computador, um simulador de um carro, uma estacão base de telecomunicacões ou um esquema eléctrico. Mas, sendo essa a ferramenta que alimenta os sonhos, sigo a danca das cadeiras.Assim que acabo um projecto, comeca o corre-corre para novas "obras". Ninguém quer ficar parado e não há certezas de nada. Acho que já expliquei isto aqui...tem a vantagem de não me aborrecer, mas tem a desvantagem da competicão constante. Há 9 anos que faco isto. Quando acabo as entrevistas comeco a pensar em Portugal, onde comecei, por onde passei e onde estou. Penso nas várias escolhas que fui fazendo ao longo do caminho. Medos que já tive, insegurancas que fui ultrapassando. Invariavelmente chego sempre à mesma questão...porque raio não faco isto no meu próprio país? Porque me sentia tão pouco válido em casa e me sinto reconhecido aqui?Recordo com saudade os meus colegas de trabalho. Gente boa e divertida. Não penso de igual forma quando me lembro da gestão de pessoas, dos incentivos, das progressões, da aprendizagem ou de uma simples palavra de reconhecimento. Lembro-me de critica fácil e de bota abaixo. Lembro-me de regressar para casa em cada dia pensando: "mas foi para esta merda que andei a estudar?". Lembro-me de me sentir uma perfeita nulidade que nem aquele salário, já de si miserável, merecia.Se há coisa que devo à Suécia é a auto-estima de conseguir acreditar nas minhas capacidades. Desde o primeiro dia que aqui cheguei. Crítica quando teve que ser, elogio quando acertei. Responsabilidade sempre, para o bem e para o mal. Nove anos depois consegui um CV que demoraria 5 vidas para conseguir em Portugal. E, ao contrário do que aconteceria no meu país, com o passar dos anos eu não fico mais velho para o mercado. Fico mais experiente, com mais conhecimento. Em vez de ser colocado numa prateleira. sou antes chamado para projectos mais complicados, com maiores orcamentos e maior exigência técnica. Mais atrativos portanto para quem me emprega (por causa das margens).Esta semana consegui uma nova vaga entre 260 candidatos. Provavelmente a vez em que tive que competir com mais gente por um lugar. Detesto falsas modéstias e por isso digo, claro que fiquei feliz...muito. E orgulhoso.  Se por um lado me alegra seguir o trajecto profissional por caminhos que me parecem interessantes, por outro fico revoltado com o facto de precisar de andar 3000km para o conseguir.Era eu mais estúpido quando trabalhava em Portugal? Tinha menos interesse em aprender? Ganhei neurónios quando passei a fronteira? Não, não me parece. Eu, tal como uns quantos milhares, devia ficar feliz por manter o emprego, afinal os tempos eram dificeis, fazer a mesma merda anos a fio, evoluir entre zero e nada e, no fim, ter aumentos de 20 euros ao ano. E hoje, quando vejo as notícias, há miudos na minha área que se sujeitam a isso por 600 euros...Nunca fui um aluno exemplar. Nem na escola e muito menos na universidade. Tive colegas absolutamente brilhantes que continuam desse lado, a batalhar para chegar ao fim do mês. Admiro-os. Se tivesse metade da capacidade destes, que me lembro a[...]



Garissa, onde fica isso? Ah...é no Quénia, então passa à frente.

2015-04-07T12:21:53.109+02:00


Aqui há uns anos, naquela que ainda é a minha publicacão preferida ("Courrier Internacional"), li um artigo sobre os senhores de guerra no Mali, o controlo do bem mais precioso (água), as lutas de morte para se chegar a um poco e encher uma garrafa e o desabafo de uma mãe, para quem o sonho recorrente, era que os filhos acordassem um dia sem sede. 
Mas o que interessa isso? O que importa que um continente inteiro viva sem lei, regras ou justica? Quem é que quer saber dos campos de refugiados, da divisão do Sudão, da anarquia da Somália, dos resquícios de guerra civil em Mocambique, do tráfico na Guiné Bissau, das ditaduras que vão da Guiné Equatorial até Angola, do ébola na parte oeste e das primaveras falhadas a norte, do Sahara ocupado há décadas e do constante estado de alerta nas fronteiras da Eritreia?
Quem é que quer saber de um continente onde se morre por um copo de água, por um emprego nas montanhas ou porque se arrisca num barco para Itália? Quem é que quer saber dessa merda? Ninguém. Então...porque raio Garissa seria diferente?
12 jornalistas são mortos em Franca e a Europa acende velas. Há a liberdade de expressão, há o somos diferentes e há Merkel e Hollande numa marcha em Paris. Os facebooks são todos "Je suis" e a malta emociona-se. Depois do massacre na redacão, segue-se o massacre nos media.
Meses mais tarde aparece um alemão com distúrbios mentais (mais um) e resolve matar-se, arrastando 149 pessoas com ele. Acontece a tragédia dos Alpes. A Europa fica em choque e a informacão atinge os limites do nojo. Sei, sem perguntar, que pesquisas este gajo fazia no google, o que a ex dele pensa, todos os passos da investigacão e todos os aviões que, nos dias seguintes, tiveram 2 minutos de turbulência.
Entre o "Je suis" e o Andreas, continuaram a morrer mineiros na China, seguem as matanca na Síria e os massacres na Nigéria. E agora...cerca de 150 miudos, numa universidade do Quénia, são mortos a tiro como retaliacão. Retaliacão?? Como é que um assassinato cobarde de miudos, que não fizeram mal a ninguém, pode ser retaliacão seja do que for?? Mas que mundo é este em que vivemos??
E porque razão os polícias do mundo só se mexem quando há interesses financeiros em jogo? Porque razão a vida de um cartoonista (nem vou entrar em discussões sobre o tipo de publicacões, é irrelevante para o que se discute) é mais importante do que a vida de 10 miúdos de Garissa?
Falhámos. Falhamos todos os dias. Entre iPhones, Facebooks e Casas dos Segredos, perdemos algures a nocão do que conta, do que importa e do que faz sentido.




O alemão e a minha lógica sem sentido

2015-03-31T16:54:43.008+02:00

Desde que o avião da GermanWings ficou pelos Alpes que não tenho conseguido pensar noutra coisa.Para mim, que não concebo uma vida sem viajar e que tenho pavor de entrar num avião, são os alicerces da lógica que me permitem marcar um bilhete atrás do outro.Este foi um ano particularmente difícil para a aviacão civil. Bem sei que nenhuma vida tem mais valor do que outra mas, não sendo hipócrita, confesso que não me espanto por aí além se um tupolev cai na Sibéria, um airbus no sudoeste asiático ou um boeing se desmancha a aterrar no Estados Unidos. Não preciso de ver estudos ou de fazer uma simples estatística, basta falar com quem sabe, neste caso, técnicos de seguranca, que me explicaram que as regras são mais apertadas na UE. E mesmo dentro desse espaco temos as ovelhas negras, companhias a evitar. Air France, Iberia e maior parte das companhias do leste europeu. Não quero ofender ninguém, mas os números não enganam.E dentro desta lógica, ou vá, cinto de seguranca virtual, vou escolhendo os meus destinos, as companhias e não deixando que o medo se sobreponha à vontade de conhecer o mundo.Calamidades como esta que aconteceu nos Alpes, desafiam toda a lógica. O avião estava em bom estado, apesar da idade, as condicões climatéricas em rota também mas, aparentemente, o co-piloto estava farto de viver. Um alemão, numa empresa subsidiária da maior companhia de aviacão do mundo, a Lufthansa. Para mim isto é o fim da lógica, é o assumir que não há forma de garantir o mínimo dos mínimos. E não consigo parar de pensar no terror de quem conscientemente se apercebe de tudo, mesmo que nos momentos finais.Depois vem a segunda parte deste drama, que é o massacre de notícias, pelo menos nos jornais portugueses que vou acompanhando. Instala-se um clima de terror insuportável.Toda a notícia que não o era, passa a ser. Um airbus que pede para aterrar de emergência em São Petersburgo, um Vuelling que não sei quê, um Turkish Airlines que é desviado para Marrocos, um Air Canada que aterra feito num 8 numa pista cheia de neve. Um piloto da British Airways que há 5 anos estava tão triste que pensou estatelar o boeing na ligacão Londres - Lagos. O alemão da German Wings que escondeu a baixa, que via mal e que assustava muito a ex-namorada. E sim, como são importantes os testemunhos das ex-namoradas para o mundo, gente que normalmente fala sempre de forma tão equilibrada.Não há descanso. De repente todos os aviões, pilotos ou companhias estão com problemas. E diariamente lá continuam cerca de 1 milhão de pessoas no ar. Notem bem: 1 milhão. É como se a populacão inteira da Estónia entrasse num avião.Não poderíamos assistir em silêncio à tragédia, respeitar os familiares das vítimas e esperar pelo resultado da investigacão? Não há uma lei qualquer que proíba este sensacionalismo com a morte?Há 4 mistérios graves para resolver nos últimos acidentes aéreos. Este da GermanWings e da LAM (Mocambique), alegadamente causados por pilotos deprimidos, e os dois da Malaysia Airlines. Um boeing enorme não pode desaparecer no oceano e, exige-se a verdade, sobre se foram ou não os ucranianos que abateram propositadamente o avião, tentando chamar mais gente para o conflito com a Rússia.Tudo o resto são pequenas gotas no oceano. Air Canada, Air France e Tupolevs, não me levem a mal, mas não são notícia. São como atentados à bomba em Bagdad ou Damasco. Acontecem todas as semanas mas já ninguém (infelizmente) liga.Depois do acidente da Spanair, aqui há uns anos em Madrid, lembro-me de ter entrado num avião e, perante uma falha técnica, perguntei ao piloto se os [...]



O dia do Pai

2015-03-19T03:15:29.179+01:00


Este dia, 19 de Marco, vai ganhando uma importância crescente para mim. Desde logo porque sou pai e há uns anos não era. Depois porque, sendo pai, não consigo ver as coisas com os mesmos olhos. As minhas prioridades não são as mesmas e a definicão de amar também não. Ser pai do Diogo é a melhor coisa que já me aconteceu, não tenho qualquer dúvida disso.
Procuro fazer algo simples que, no meu mundo, tem alguma lógica. Olho para cima e vejo o exemplo. Retiro as partes que não se aplicam ao século XXI (como por exemplo o peixe cozido e os desenhos checos do Vasco Granja) e imito quando olho para baixo. Modéstia à parte acho que não tem corrido muito mal. Para nenhum dos 3.
Nem sempre é fácil porque nenhum deles compreende onde está a razão. O mais novo pensa que já me enrola, o mais velho pensa que ainda me enrola. Mas com tempo chegam lá.
Entre eles os dois estão as razões de ser, estar e fazer. E eu acho isso bom. Não somos nada nesta vida sem referências ou objectivos. Estar aqui tem que ter um sentido.
"Liberdade com responsabilidade" foi a frase que mais ouvi do meu pai. Na altura aquilo parecia-me uma espécie de carta branca a troco de boas notas na escola. Mas não, era muito mais do que isso. Foi o primeiro passo para descobrir o mundo sabendo que tinha um porto seguro. E isso faz toda a diferenca na "criacão da pessoa", como diria a minha estimada avó! Ora...quando vejo o Diogo entoar as mesmas perguntas e vontades, comeco a ensaiar a frase. Não tarda estarei eu a botar discurso.
Estes últimos anos, não tenho muita vergonha de o dizer, têm sido uma espécie de teste constante à minha condicão de pai. Estar com o meu filho não é um dado adquirido para mim. É algo porque luto, praticamente, desde que ele nasceu. Nada porque milhares de pais, um pouco por todo o mundo, não passem todos os dias. Faz parte e abordar o tema, na minha opinião, retira-lhe o tabu. Por outro lado, denunciar leva a que outros percebam que não estão sós. Não há chuva neste planeta que caia apenas na cabeca de uma pessoa...é a analogia que uso quando penso nisto.
Hoje, curiosamente hoje, uma pessoa que trabalha com criancas disse-me: "nunca atire a toalha ao chão, nunca desista". Eu aprecio e agradeco sempre um conselho sincero mas, quem diz uma coisa destas, nunca perceberá quem eu sou. Por mais desesperadas que sejam as tentativas, não há nada, absolutamente nada, que me separe do meu filho ou que me faca desistir desta coisa fantástica que é ser pai.
E porquê? Já expliquei camaradas. Porque olho para cima e faco a cópia. Se ele não desistiu, não serei eu a iniciar esse péssimo hábito.
Feliz dia Pai.



O jogo do título é hoje

2015-03-14T10:16:31.891+01:00



Depois da oportunidade perdida em Pacos de Ferreira, onde o título deveria ter ficado decidido, joga-se hoje, na Catedral, o segundo Match Point deste campeonato. Vencendo o Braga, o Benfica será campeão. Se não vencer, o título irá para o Porto. As contas são simples.
Bem sei que Jesus perdeu um campeonato contra o Estoril e outro contra o Pedro Proenca, contudo, não vejo outra equipa com capacidade de tirar pontos ao Benfica até ao jogo contra o fóculporto. Nota-se a tremideira em Jesus. Cheira a Vitor Pereira por todo o lado e a campanha feita nos meios de comunicacão comeca a dar frutos. Gente respeitavel como Sousa Tavares ou Miguel Guedes, alteram a realidade semanalmente tentando pressionar árbitros. Jesus falha mais do que acerta, todos sabemos isto mas não o dizemos em voz alta. Lopetegui com um plantel muito melhor andou metade da época a fazer experiências e isso, parece-me, valeu a um Benfica mais pragmático a lideranca isolada desde a 5a jornada. Desde que o basco acertou nos 11 que qualquer miudo de 12 anos adivinhava desde Agosto, a coisa mudou de figura. O fóculporto joga bem e convence. E não tenho dúvidas de que vencerá na Luz, se tiver hipótese de passar para a frente nesse jogo. E é por isso, depois de Pacos de Ferreira, que hoje frente ao Braga, Jesus não pode falhar. Esta é a esperanca de todos os portistas para chegarem à Catedral com algumas hipóteses.
Pode Sérgio Conceicão fazer o número de virgem ofendida e dar murros na mesa, sempre que quiser. A realidade é a mesma há anos. O porto oferece jogadores e prémios. O braga facilita contra eles e espuma contra nós. Num jogo em que decidia o terceiro lugar e o acesso à liga dos campeões, pareciam uns meninos de coro. No de hoje, que nada decide para eles (já perderam o terceiro lugar), triplicam os prémios dos jogadores.
Mas tudo bem. Não há aqui nada de novo. O porto não joga um campeonato com mais de 4 ou 5 adversários há 30 anos. E tudo isto tem que passar ao lado dos nossos jogadores.
Hoje, quando entrarem num estádio completamente esgotado, Jonas, Lima e os outros, terão que comer a relva e cilindrar o braga. Não são apenas 3 pontos. É uma mensagem que se envia, para que todos percebam que ali ninguém treme. E depois acabou, as esperancas do plantel mais caro da história ficarão por terra e Pinto da Costa, com uma dívida colossal, perderá metade da equipa no verão.
Eles apostaram as fichas todas na roleta e a nossa missão, com o bi-campeonato, não é apenas encher o museu, mas também garantir que o nosso adversário comeca o seu percurso descendente.
Não, decididamente hoje não se jogam apenas os 3 pontos. Eu, como benfiquista que não recebe 4 milhões para estimular a paixão, o que peco ao Rod Stewart da Reboleira é que não invente, não se encolha e que saiba motivar os jogadores. Eles tratarão do resto.



A Grécia cansa-me

2015-02-23T13:18:30.212+01:00

Comeco a ficar farto dos jogos de bastidores da politica internacional. Já olhei com mais paixão para o tema, confesso.Comecando por nós, os insignificantes lusos no tabuleiro político europeu...porque vibram tanto com a Grécia? Porque os gregos tiveram a coragem de arriscar num partido que não vinha do centrão? Se acham isso tão bom porque é que não fizeram o mesmo? 40 anos de eleicões não foram ensaios suficientes? Este tique muito nosso de nos remetermos à participacão de café, apontando o dedo a quem de facto se mexe, devia dar uma tese de doutoramento. Aliás, aposto que já deu uma tese num daqueles cursos de onde saiem os gurus da vida, dos livros de auto-ajuda e coiso. Em madrugada de estatuetas douradas, o prémio "já chega!" vai claramente para o Bloco de Esquerda. Mas que excitacão e glorificacão do careca sensual da Grécia é essa rapaziada? O BE da Grécia chegou ao poder por desejo do povo grego. Tudo bem, democracia a funcionar. O BE português fugiu da responsabilidade do poder recusando coligacões que o colocariam no governo, numa altura em que chegou aos 10%. Portanto, o BE português é o contrário do BE grego. Quiseram ficar apenas pela crítica fácil sem assumirem responsabilidades na solucão, naquele que foi, porventura, o maior erro político de Xico Loucã. E por isso, hoje, enquanto vão preparando o próprio enterro, vibram com a Grécia. And the winner is...Sobre Passos Coelho e o seu apoio a Merkel na tentativa de ficar bem na fotografia com os mais fortes, enfim, é mais um capítulo numa triste novela de vergonha alheia a que o nosso país se sujeitou nos últimos anos.Os alemães conseguem com os acordos económicos o que divisões inteiras de Panzers não conseguiram. A Europa está quase de joelhos.Por fim os gregos, que prometem impossibilidades em casa e que usam o "bluff" da saída do euro nas reuniões do eurogrupo. Louvo a coragem do governo do Syriza mas, a realidade é mais ou menos o que se viu na semana que passou. Charme e discussões sobre o cachecol de Varoufakis e, na hora do aperto, um pedido de crédito que fez as primeiras divisões internas. É certo que a troika nunca ajudou ninguém (tal como a Alemanha e acho óptimo que insistam nas dívidas de guerra), mas convém que os gregos não se esquecam como é que chegaram aqui. Não foi o resto do mundo que criou o endividamento deles. Foram eles. Tal como nós com os nossos governos corruptos. É claro que a solucão não é, não pode ser, a austeridade. Já todos percebemos isso há anos e os gregos são os primeiros a fazer algo no campo político contra isso. Mas tenhamos calma com o pedestal. Nem os gregos são anjos, nem o resto da europa um conjunto de ditadores. No fundo, cada governo defende os seus interesses numa europa que nunca foi de "União". Nos dias que correm, o fim do euro e o "reset" ao sistema, até me parecem uma solucão.Sim, Portugal perderia 30 a 40% do poder de compra mas...o que acontece hoje? 2 milhões na pobreza, salário médio de 700 euros, classe média a desaparecer, milhares que emigram, companhias de referência todas privatizadas...digam-me sff, o que pode piorar? A republica dominicana da europa (sol e precos baixos) já nós somos. O objectivo é evitar que cheguemos a Haiti. Mais do que isso é pedir o Olimpo e esse, pelo menos para já, está reservado para o Varoufakis.[...]



Diogo, o miúdo que já foi um bebé

2015-02-16T19:04:46.578+01:00



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Eu já tinha esta teoria antes de ser pai e confirmo-a, empiricamente, todos os meses. Um filho não nos limita a vida ou prende os passos. Não temos que ficar em casa, deixar de viajar, fazer desporto ou ir ao cinema. Troca-se o James Bond pelos pinguins de Madagascar, as pistas vermelhas pelas verdes, o deserto por uma vila simpática junto ao mar, a mochila grande por duas mais pequenas. É só isso.
Um filho é um companheiro, uma companhia. A melhor, se não nos enganarmos em nada ao longo do percurso.
São as pequenas conquistas e os medos ultrapassados que reforcam esse elo. Um e um só, unidos na confianca que a rede de seguranca está ali e que, aconteca o que acontecer, nunca estaremos sós ou desamparados. Ele sente-se seguro, eu sei que sim. Ainda bem que sim.
Com a certeza que há um mundo para descobrir e tanto, tanto para compreender. Para os dois, que ninguém nasce com a receita para ser filho ou pai. Faz-se o caminho e criam-se cumplicidades. Aprende-se. Aprendemos.
O dia comecou com medo. Não conseguia mais do que uns segundos em pé. Queria desisitir.
As horas seguintes foram passadas a descer nos meus bracos. Ganhou confianca e, no fim do dia já nem esperava por mim e deu uso ao capacete, caindo e levantando-se como gente grande.
Na neve a deslizar, na água a nadar, na relva atrás de uma bola ou numa folha com as 28 letras dos dois abecedários que formam a vida dele. Juntos, no nosso passo, a quebrar barreiras e a dar uma forma ao que nos rodeia. A desvendar os eternos porquês que o perseguirão para sempre.
A construir memórias e a dar, pelo menos a mim, uma razão para nunca desistir.
Não se explica. Sente-se. Amo-te.



Magellan Route, portugueses por aí

2015-02-12T17:08:32.421+01:00


A grande questão que se coloca é...já passaram por lá? Não? Então porque esperam camaradas?
Ando a escrever menos sobre o Sócrates e mais sobre o mapa, por estes lados:

www.facebook.com/magellanroute

www.magellanroute.com


"Mas porquê Magellan??", perguntam vocês. Porque se fosse Magalhães nenhum estrangeiro perceberia :)
Venham viajar connosco e discutimos a temática da Grécia no caminho para lá.



Dia de derby

2015-02-07T14:14:02.726+01:00

allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/SuCK2JLn2Lw" width="560"> allowfullscreen="" frameborder="0" height="405" mozallowfullscreen="" src="//rutube.ru/play/embed/7491728" webkitallowfullscreen="" width="560"> Eu sei que não é dia de derby. Mas é como se fosse. Pelo menos para mim que gosto das camisolas vermelhas.Sempre foi o meu jogo preferido e, presumo, continuará a ser.O Sporting é um rival que respeito. Em certos momentos até tenho simpatia. Gosto da forma como os dois clubes se degladiam e os excessos que aqui e ali acontecem, pelo menos para mim, fazem parte da paixão pela bola (tirando "very-lights" e coisas dessas que não fazem parte de nada!). Já com o outro rival, mais a norte, não consigo sentir nada que não seja um profundo desprezo. E como não tenho que ser simpático ou politicamente correcto, assumo sem qualquer problema as minhas palavras. Num país menos corrupto, o FCP teria metade dos títulos, jogaria em divisões inferiores, teria N jogadores apanhados nas malhas do doping e jamais poderia forjar a sua data de fundacão, como está provado que fez. É um clube que construiu 3 décadas de glória assente em esquemas com árbitros, violência e corrupcão. Está provado e sentenciado, embora tenham sido outros a pagar.A rivalidade com o Sporting, acho eu, ainda se fica pelas quatro linhas.A história dos últimos anos favorece as minhas cores. Diz a estatística que o Sporting precisa de 10 jogos para vencer um. Dizem também os entendidos que isso não interessa para nada antes de novo derby. Pois eu acho que conta...o peso da história sente-se na camisola e dá, ou retira entenda-se também, confianca a quem corre para novo desafio.O vizinho de Alvalade tem sido nos últimos anos um óptimo adversário. Daqueles que fazem barulho e metem alguma emocão na coisa mas, na altura de jogar, acabam por perder. Ora...isto é tudo o que espero de um rival.Contudo, amanhã não será assim. Por portas travessas, e entre o rol de asneiras que Bruno de Carvalho fez, um mérito tem que se reconhecer. Soube recuar no despedimento de Marco Silva quando viu que os sócios estavam com o treinador. E isto é uma má noticia para nós, benfiquistas.Não concordo quando dizem que o Sporting está mais forte do que no ano passado. O 11 é quase o mesmo e não acho que Nani seja um extra-terrestre. É a minha opinião, vale o que vale. A grande mais valia é o treinador que, ao contrário de outros, insistiu com Carillo, o melhor do Sporting há vários anos e sentou Capel, que chegou a ser um ídolo em Alvalade. Não é preciso ser um Einstein mas é preciso ver o óbvio. Marco Silva vê o óbvio e não complica.A real diferenca está na aproximacão do Benfica ao Sporting no défice de qualidade. O Sporting não subiu mas o Benfica desceu, muito. No ano passado, Sálvio não tinha lugar no 11 do Benfica que atacava as redes de Patricio com Enzo, Matic, Rodrigo, Lima, Cardozo, Markovic e Gaitán. Hoje discute-se se joga Talisca ou Pizzi...com todo o respeito para quem lá está, eu sinto que claramente não percebo nada disto quando Pizzi passa a ser uma opcão elogiada para o 11 do Benfica. Mas enfim...eu já vi Pringle, o sueco carteiro que um dia jogou na Luz.O campeonato deveria ter ficado fechado em Pacos de Ferreira. Juntamente com a eliminacão da Taca, são os pecados capitais de Jesus este ano. Quanto à Liga dos Campeões, não há nada a dizer. O plantel não tem qualidade para um grupo [...]



O homem do meio

2015-01-24T16:08:24.284+01:00

Um dia destes acordei com um telefonema estranho. Voz feminina, lingua inglesa, sotaque da Índia.Entre esfregar os olhos e comecar a perceber o que me estava a ser transmitido passou uma eternidade. Bem sei que são fluentes, mas aquela pronúncia não facilita. Pelo menos para mim.A rapariga estava sentada em Pune, se percebi bem, e trabalhava para uma consultora americana com sede em Nova Iorque. Ora, se há alguma coisa que fui aprendendo ao longos dos anos é que, se uma empresa tem sede em NI em princípio não produz nada. Ou vende oxigénio na bolsa ou vende CVs e nomes de pessoas.Ainda mais intrigado fiquei e resolvi passar água na cara para ver se acordava.Uma empresa indiana queria entrar no sector automovel. A história comecava aí. Resolveu contratar uma empresa de consultadoria local para fazer um estudo sobre a matéria. Essa consultora indiana contactou a empresa americana, através do escritório local, para saber nomes de pessoas com experiência na área  e que pudessem responder a questões técnicas. Os americanos (através do escritório indiano) foram então ao linkedin e encontraram CVs apropriados, entre os quais o meu.Depois de ouvir esta história toda, pensei: "porque raio não foram os indianos que querem abrir um negócio directamente ao linkedin? Ou vá...porque não foi a primeira consultora ao linkedin? Porque é que meteram os americanos também ao barulho?"A rapariga pergunta-me se aceitaria 1h ao telefone a troco de 200 dólares para responder a questões técnicas. Comecei a desconfiar do esquema...não estou habituado a que chova assim para o meu lado.Mas aceitei.Passados uns minutos telefona-me o rapaz de Nova Iorque para me meter em contacto com o camarada na Indía. Uma hora depois, quando desligo o telefone, vejo que os meus dados estão na base de dados da tal empresa de NI, para ser utilizado em futuras consultas.Uma espécie de repositório de ucranianas para casamentos ilegais, mas em versão sofisticada e com venda de conhecimento em vez de carne.Confesso que não me agradou. A globalizacão terá muitas vantagens e, uma pessoa que está no meio da Índia conseguir, em poucas horas, encontrar um contacto desejado até pode ser uma delas, mas a quantidade de sanguessugas que se alimentam no processo é algo que me enerva.Criam-se empregos e profissões com nomes pomposos com a única tarefa de andarem no google ou no linkedin à procura do CV certo, para o direcionar e sacar uma comissão.Não há qualquer mais valia nisto. Qualquer pessoa pode procurar no linkedin e estabelecer contacto pelo seu próprio "dedo".Talvez esteja a ficar velho ou o mundo avance depressa demais, mas decididamente não me habituo a estas profissões que nascem como cogumelos, sem qualquer tipo de formacão académica ou requisito especial, e que se limitam a usar o conhecimento dos outros a troco de comissões. "We provide the best experts" é normalmente a frase que me leva ao vómito. Não...vocês não providenciam nada. Vocês transferem uma chamada de A para B e, na melhor das hipóteses, copiam um CV do linkedin para o vosso site. É apenas isso. São uma simples central telefónica, uma espécie de PBX dos tempos modernos. Mais ou menos aquele conceito de quando a striper vos tenta convencer que é uma bailarina.Cada vez tenho menos paciência para isto.[...]



TAP, a jóia da coroa

2014-12-28T18:48:06.610+01:00

Durante muitos anos não percebi o milagre da multiplicacão dos pães na TAP. Anos e anos com prejuízo, intercalados com uma injeccão de dinheiro no governo de António Guterres e uma empresa que, aparentemente, funcionava sempre no vermelho e sem apoio do orcamento de estado, por ser contra as normas europeias. Confesso que sempre me fez confusão compreender esse milagre económico. Em determinada altura, muito antes de Passos Coelho chegar ao governo, até achei que a privatizacão (dos servicos de ar, não da manutencão) pudesse ser uma solucão para inverter essa perda e, se possível, acabar com regalias inaceitáveis que existem na TAP, já para não falar do autêntico cerco montado pelos pilotos.Hoje em dia já não penso assim. Garante-me quem está mais perto da turbina que a TAP não recebe apoio estatal. E é publico que hoje em dia que a empresa apresenta lucro. Por outro lado, os buracos da TAP, tal como as suas mais-valias, estão identificados. Assim sendo, não há como defender a privatizacão. Burros velhos afinal conseguem aprender linguas.Há coisas para mudar...comecando nas borlas aos empregados e familiares, passando na ganância dos pilotos e terminando naquele buraco sem fundo que é a antiga empresa de manutencão da Varig que a TAP comprou. Isto não justifica a privatizacão, a meu ver, justifica apenas uma gestão diferente. Os pilotos da TAP são bons, muito bons até. Mas se não querem trabalhar na companhia, há quem queira. A credibilidade da TAP é afectada de cada vez que convocam uma greve, a este ritmo mensal, deixando à beira de um ataque de nervos todos os passageiros que confiam na nossa companhia de bandeira.Se o governo faz uma requisicão civil para impedir a greve, percebe o interesse estratégico da TAP e, como de costume, dá um tiro nos pés. Se tem interesse estratégico para o país, não pode ser alienada. É tão simples quanto isto.E depois há a parte boa...uma companhia que com pouco mais de 50 aviões e um hub num país pequeno, liga 3 continentes e é lider de mercado em algumas rotas. Uma companhia que voa diariamente para aeroportos perigosos e que aterra sempre em seguranca. Uma companhia cuja excelência da manutencão é premiada anualmente. Sim, se há alguma coisa de que nós Portugueses nos podemos orgulhar, é da TAP. E não há hospedeira mal encarada ou atraso de 5 horas que vá mudar isso.E quando vemos a empresa que está na ordem do dia para comprar a TAP, temos mesmo que dar um salto. A Azul é a terceira empresa de aviacão de um país onde a primeira (TAM) já é má. Que me desculpem os amigos brasileiros, mas o povo irmão tem bandeiras muito melhores do que a TAM, Gol e Azul.Não, não e não.A TAP tem que continuar pública. Pensem na privatizacão da ANA e nas taxas que subiram 3 vezes num ano, na EDP e por aí fora. Já alguma privatizacão beneficiou os portugueses, seja no preco de consumo ou na reducão de impostos?A TAP é nossa e assim deve ficar.Há que fazer uns ajustes que a tornem menos refém de um grupo de funcionários, vender aquele sorvedouro de dinheiro no Brasil e renovar a frota.De resto, é só não mexer para não estragar.Os emigrantes agradecem e eu também.Costa, vê lá se lês o guião.[...]



Sócrates ao vivo no pelourinho

2014-11-25T13:48:05.163+01:00

Já tudo foi dito e escrito sobre Sócrates. O bombardeamento é tal que a moda passou em 3 dias. Enjoou. Falta apenas um anúncio, de preferência junto ao pelourinho da praca do Municipio e lido em papiro, do desmembramento de Sócrates por tração de quatro cavalos.Embora tenha um pouco a tendência de misturar tudo, gostava aqui de separar o político do cidadão. E gosto de manter a coerência...Já o escrevi várias vezes que achei Sócrates o melhor PM que tivémos em democracia. Lembro-me de Cavaco, Guterres, Durão, Santana e Passos. E pronto...não preciso de argumentar mais.E sim, não concordei com tudo mas concordei com muitas das opcões políticas de Sócrates. Não muito com as auto-estradas, mais com o TGV (apenas Lisboa - Madrid) e o aeroporto. Gostei do investimento nas energias e na educacão. E não tinha vergonha quando via Portugal representado por ele nos conselhos europeus. É um político hábil e que não se dobra como Passos ou Durão. Nunca gostei das companhias, como Vara e gente dessa, mas adiante...Nunca percebi, a não ser por simples ignorância, quem acusa Sócrates de ser o responsável da dívida do país quando a destruicão do tecido industrial portugues e dos subsídios europeus comecou com Cavaco. Antes da troika entrar nos países do sul, a directiva da UE era usar o investimento público, aumentar a dívida e meter a economia a mexer ("à la USA"). Foi o que Sócrates e outros PMs em crise fizeram. Quem se queixa desta estratégia, estará certamente maravilhado hoje com a espiral recessiva e afundamento da populacão em pobreza. Sim, há sempre o "fora da zona de conforto" para onde Passos vos mandou...Outra história, bem diferente, é o crime (ou crimes) de que Sócrates é acusado. Ninguém está acima da lei. E claro, com todo este espectáculo já a sentenca está feita e mastigada por todos.Sócrates foi detido no aeroporto, quando chegava a Lisboa (e não quando se estava a ir embora) e com uma TV a postos. No dia seguinte a biógrafa de Passos Coelho já tinha uma peca de investigacão a sair na capa de um jornal. Três dias depois o linchamento está feito. Ora isto, seja Sócrates culpado ou não, é o pior que pode existir no chamado estado de direito.O julgamento público sem direito a contraditório é normal em sociedades pouco evoluídas, para não dizer terceiro-mundistas. Só quem nunca foi a um tribunal defender-se do que não fez e esteve debaixo de difamacão por terceiros, é que pode sentir algum prazer interno com este caso.Sócrates está indiciado por crimes de colarinho branco. Acusacões graves que se colam ao seu periodo de governacão e cuja investigacão, espero eu, vá até às últimas consequências.Aplaudo as tentativas de combate contra a corrupcão mas abomino linchamentos públicos.Tenho enormes dúvidas quando, antes de um processo comecar, o indiciado já está a ser chicoteado em directo no horário nobre.Em Portugal as redes de interesses protegem os seus, na política, na banca, na justica, nos negócios. É isso a que se chama corrupcão. Ninguém é atacado até perder o poder, o que também mostra de que é feita a nossa justica. Veja-se o BPN do PSD, o Salgado que caiu em desgraca numa guerra familiar, o Vale Azevedo quando saiu da presidência do Benfica e agora Sócrates.Por mim, enquanto as teias de corrupcão se forem abatendo e, entre aflitos, as denúncias aumentarem, tudo bem.[...]