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Recordações da Casa Amarela



Um blog acima de qualquer suspeita



Updated: 2018-01-15T16:48:02.490+00:00

 



Reviver o passado na CEI / Novo Jornal /Ágora/ Luanda/ 5-1-2018

2018-01-05T15:47:55.946+00:00

Reviver o passado na CEINo fim do ano transato a RTP brindou-nos com dois excelentes programas sobre a Casa dos Estudantes do Império.                Um dos programas da autoria de Fernando Rosas, num belíssimo trabalho da” História da História de África” trata de uma forma documentada, e com loquacidade faz o enquadramento político do que foi a fundação, existência e extinção da Casa do Estudantes do Império, de Lisboa, Coimbra e Porto, e que foi fundada em 1944 e encerrada em 1965.                O professor Fernando Rosas fez uma recolha documental sobre a CEI, e insere-a num contexto de luta contra o colonialismo. Não contextualiza a CASA num espaço que tendo alguma atividade política, foi também o lugar de encontro entre muita gente que por inação ou omissão nunca quis saber nada de guerras de independência, aproveitando apenas os serviços de procuradoria, farras, desporto e eventualmente utilização pontual da cantina para depois tratar da sua vidinha no futuro.                Gostei da forma como Fernando Rosas coloca alguma da juventude da CASA num conjunto de utopias que se revelaram amargas depois da saída “a salto” de Portugal, para participar numa luta que de tanto sonhada, se revelou num acordar algo doloroso perante as circunstancias que então se viviam nos muitos locais da diáspora “anticolonial” que se espalhou por várias latitudes, e que em certa gente aumentou longitudes; É preciso sempre tentar, é melhor ter desilusões do que arrependimentos” Charles Bukowski. O historiador coloca o enfoque nas contradições do regime, em que abre a CEI para cultivar a “portugalidade imperial” entre os estudantes que iam estudar para Portugal, saindo das colónias, e que depois tem receio de a fechar porque iria dar o mote de que nem os “filhos da burguesia colonial” tinham qualquer interesse em perpetuar o regime e a situação de prevalência política das colónias. Teve que o fazer em 1965, com o argumento que já havia universidades em Angola e Moçambique, justificação que serviu para esconder as verdadeiras motivações do encerramento!                 Na mesma semana Margarida Mercês de Melo mostrou-nos um documentário sobre a CEI com outros contornos. Os programas são completamente diferentes, e o tom soliloquial de Fernando Rosas é substituído pelos relatos dos intervenientes na CEI, dando ao programa particular vivacidade e carregado de emotividade.                 Margarida Mercês de Melo surpreendeu todos com um excelente trabalho muito rigoroso em termos documentais, mas sobretudo pelo conjunto de pessoas que deram a voz para descrever o que foi a CEI, o seu contexto politico, o enquadramento sociológico e como se transformou num alfobre de militância da luta anticolonial, entre gente de várias proveniências, estratos sociais diferentes, mescla de raças e até visão política divergente.                Com depoimentos de Adriano Moreira, Alberto João Jardim, Fernando Mourão (entretanto desaparecido), Fernando França Van-Dúnem, Fernando Vaz, Hélder Martins, João Cravinho, Joaquim Chissano, Lilica Boal, Luís Cilia, Magui Leite Velho Mendo, Manuel Boal, Manuel Videira, Mário Machungo, Miguel Trovoada, Moacyr Rodrigues, Óscar Monteiro, Pedro Pires, Pepetela, Raúl Vaz Bernardo e Ruy Mingas, este documentário é provavelmente o documento mais importante do “espólio” da CEI, e é sobretudo encerrar um capítulo das comemorações do 50º aniversário do encerramento da Casa dos Estudantes do Império, efeméride em boa hora protagonizada por Victor Ramalho enquanto presidente da UCCLA. &nbs[...]



INTERIOR DESAVINDO / O Interior/ 14-12-2017

2017-12-16T00:55:01.033+00:00

INTERIOR DESAVINDORendi-me há muitos anos ao desaparecimento paulatino do interior do País enquanto espaço territorial único, território social e espaço multicultural!                Desde o resultado daquele arremedo de referendo sobre a regionalização de 1998, patrocinado por um sempre titubeante António Guterres, que as ultimas esperanças sobre alguma cedência da macrocéfala Lisboa se desvaneceram completamente. Esse referendo, se bem me lembro, apenas serviu para que os baronatos dos partidos do bloco central dos interesses pudessem gritar em plenos pulmões, por um brinquedo que todos sabiam de antemão que nunca iria mudar o que quer que fosse.                 Os exemplos para se combater a regionalização eram sobretudo a diabolização do modelo do Alberto João Jardim na Madeira (por sinal um adversário da regionalização no continente) e de Jorge Nuno Pinto da Costa, um defensor claro da descentralização, que foi usado como cartaz de um papão contra Lisboa. Toda a classe política de Lisboa, a que por lá se vai insinuando entre ministérios, parlamento, restaurantes, bares, night-clubs etc. quer perpetuar este estado de coisas, por isso não vale a pena estarmos aqui a exigir o que quer que seja para este interior desavindo.                Depois do governo anterior ter atirado para a Guarda a sede da EPAL, o atual governo resolve constituir uma empresa publica de gestão da floresta em Lisboa, empresa que pouco vai servir do que olhar para o Parque de Monsanto. Numa de Guterres, Costa decide dar ao Porto o INFARMED para dentro de dois anos de estudos e aluguer de instalações parir-se uma decisão dizendo que não há condições para a instalação do Instituto no Porto. Com um pouco de sorte a DOCAPESCA vem para a Guarda e a Sede da Autoridade Marítima Nacional para Castelo Branco ou Portalegre.                O interior cada vez tem menos voz, e se fizermos um exercício vemos que as entidades desconcentradas da administração central nas cidades do interior não decidem rigorosamente nada, nem tampouco são já ouvidas as pessoas para se elaborarem projetos de desenvolvimento e envolvimento económico e social deste país fora de Lisboa e de certa forma do Porto.                Do interior fala-se quando há incêndios, neve ou quando há uns assassinatos em série. No resto faz-se exatamente o mesmo que fazia o SNI (Secretariado Nacional de Informação) de má memória. Divulga o mel, o queijo, o azeite, uns enchidos e o vinho e tudo isto representa entre 1,35 a 1,8% do PIB português. Vem cá as TVS perguntar se está frio no Inverno ou se está calor no Verão e fazem uns programas do mais pindérico que pode haver, e que só não são matéria-prima para humoristas, porque a maioria é má e só estão a enfadonhar o publico porque se habituaram a encostar-se ao poder e aos poderzinhos adjacentes.                O drama de hoje começa a não ser apenas a fuga dos jovens para o litoral (Lisboa ou Porto), mas a falta de idosos para encher os equipamentos sociais disponíveis em demasia na região e que são um fator de fixação de gente nas mais recônditas aldeias do interior.                 Estamos no princípio do fim de mais uma etapa de fim do interior e dispensam-se discursos e loas aos seus projetos messiânicos de desenvolvimento. Eu pelo menos faço o meu papel, e já nem ouço para não me incomodar. Já nem o clero se quer por cá manter, porque as receitas são cada vez menores. A bem dizer foram os padres os que começ[...]



Bibliofalando! / Ágora/ Novo Jornal / Luanda 8-12-2017

2017-12-08T13:11:53.309+00:00

Bibliofalando! Resolvi dedicar os últimos meses a um exercício quase obsessivo de pôr em dia uma série de leituras de livros em que o tema era Angola.                Comecei pelo livro de José Reis, “Angola o 27 de Maio, memórias de um sobrevivente”, editado pela Vega, e quando cheguei ao fim não consegui esconder a deceção de ter lido um relato cheio de hiatos, pouco rigoroso e sem qualquer relevância para contribuir para que o 27 de Maio de 1977 possa começar a ser devidamente esclarecido pelos sobreviventes. O livro parece ter sido feito a medo e a irrelevância de certas descrições tornam um livro pobre vindo de uma pessoa de quem esperava francamente mais.                Comentando com um amigo comum o livro, e manifestando a minha deceção, foi-me adiantando que iria sair um segundo livro sobre o mesmo assunto. Confesso que despercebo porque é que não saiu com tudo no primeiro, que repito é paupérrimo nos fatos descritos.                Também editado pela Vega, de Hugo Azancot de Menezes, “Percursos da Luta de Libertação Nacional”. Um livro que são memórias pessoais numa viagem ao interior do MPLA. O livro é interessante, pouco elaborado na verve, mas sobretudo um documento importante sobre a luta de libertação nacional e as querelas internas no seio daquele MPLA que muitos de nós não conhecíamos, mas que acabámos por herdar nos tempos conturbados do dealbar da independência.                Hugo Azancot de Menezes acrescenta uma nova versão da data de nascimento do MPLA, situação recorrente entre todos os seus conhecidos fundadores e outros que acham que terão estado nessa génese. Cada depoimento de um “pai fundador” do MPLA só vem lançar uma nova confusão na data em que o Movimento foi criado, deixando-nos justificadamente incrédulos perante a historiografia oficial, que remete a fundação para o 10 de Dezembro de 1956.                Não fora os exageros das notas de Carlos Pacheco, e o livro lia-se bem! As notas exacerbam algumas situações que não sei se teriam sido do agrado do autor, o que torna o livro algo pesado, mas não lhe retira em nada a contextualização histórica. Um livro a ler.                De José Manuel da Silveira Lopes, também da Vega, saiu o livro “O Cónego Manuel das Neves, um nacionalista angolano”, um ensaio de biografia política. Uma obra interessante, feita com rigor e que provavelmente coloca o Cónego Manuel das Neves como uma das figuras cimeiras do nacionalismo angolano, transversal a todos os movimentos de libertação. Queria a independência do território para a dignificação do cidadão angolano, tão vilipendiado pelas autoridades coloniais e por todo o sistema vigente!                Durante anos ignorado pela historiografia oficial, o contributo do cónego Manuel das Neves e a postura coerente do Arcebispo Moisés Alves de Pinho deram um contributo muito importante para o início da luta armada, e fizeram sentir na comunidade católica os desmandos do sistema colonial português em África. Esta obra tenta ser rigorosa, sustentada pelos documentos possíveis, pois era útil utilizar os arquivos da PIDE em Angola, se é que existem, ou se estão conservados, para responder a inúmeras dúvidas com que os investigadores se deparam quando tem que fazer algum trabalho sobre gente de Angola. Um livro a merecer leitura atenta.                Neste espaço de tempo em que[...]



Uíge: cem anos que viva… / Novo Jornal/ Ágora / Luanda 10-11-2017

2017-11-17T00:02:50.050+00:00

Uíge: cem anos que viva…A 1 de Julho de 2017 a cidade do Uíge comemorou cem anos, data que marcou a chegada de um parente afastado, capitão da “circunscrição militar do Bembe”, de seu nome Manuel José Pereira que ocupou uma colina onde instalou o primeiro fortim português naqueles lugares.                Enquanto a Europa e no sul de Angola estava encarniçada a 1ª guerra mundial, quando Kerensky se preparava para perder o poder na Rússia para os sovietes, abrindo caminho à Revolução de Outubro, nas florestas do norte de Angola “pacificavam-se” as gentes que queriam manter seus hábitos, sua religião, sua cultura e a sua economia! Triste sorte!                Fica no comando deste fortim, erigido onde hoje é o centro cívico da capital da província, o Alferes Tomaz Berberan que de facto transforma o pequeno forte num entreposto comercial que ganha alguma dimensão rapidamente.                 Numa ação de “promoção” o alferes Berberan começou a sensibilizar empregados do comércio de Ambriz e Ambrizete para se fixarem na povoação do Uíge, e assim vai florescendo a cidade que passa da administração militar para a administração civil em 1922.                 A cidade tornou-se no centro da produção de café da região, e os melhores terrenos passaram a maior parte das vezes, por meios sórdidos para a pertença de fazendeiros brancos, relegando os locais para a miséria, para o trabalho coagido e para a fuga para o vizinho Congo-Belga.                Foi vivendo ao longo do tempo colonial os momentos de euforia e os de desanimo, fruto das cotações do preço do café a nível internacional. Essas circunstancias foram condicionando o ritmo da urbe, que em 1955 num arremedo patrioteiro muda o seu nome original para Carmona, procurando homenagear o recentemente falecido presidente de Portugal. Em 1956 foi elevada à categoria de cidade!                Em Março de 1961 os fazendeiros brancos sitiados na cidade repeliram os guerrilheiros que iniciaram a guerra de libertação no Norte de Angola, tendo sido “Carmona” um dos lugares simbólicos de resistência dos “portugueses”. Foi libertada pelas FAPLAS e tropas cubanas em Janeiro de 1976, colocando em fuga os elementos da FNLA que se encontravam na cidade e arrabaldes.                 Restabeleceu-se a administração central através da instalação do governo provincial, com todos os serviços desconcentrados da administração publica, mas a atividade económica da cidade e da província soçobrou por completo com a saída massiva dos colonos portugueses.                Ao longo destes quarenta e poucos anos de independência viveu períodos muito maus, fruto da guerra permanente até 2004.                 Teima em sair do marasmo, mas o que se assiste é ao abate indiscriminado de árvores de grande porte e à erosão rápida da camada produtiva dos solos. O Uíge assiste hoje a um verdadeiro crime ambiental, que vai deixar a curto prazo uma população sem qualquer meio de desenvolverem uma atividade produtiva sustentada, que promova a fixação de pessoas à região.                A malha urbana é um exemplo típico como uma determinada atividade agrícola (café), e o comércio a ele ligado foram det[...]



Outro regresso do Conde de Abranhos / O Interior 13-10-2017

2017-10-13T21:58:45.910+00:00

Outro regresso do Conde de Abranhos“A ideia também muda a pele, como a serpente”            Guerra Junqueiro            Finda a efervescência eleitoral, amansados os egos e guardados os pregos, repõem-se a modorra em que cai a politica local nos tempos seguintes ao pleito eleiçoeiro.            Eça de Queiroz, na sua verve imorredoira, deixou-nos figuras picarescas que se vão perpetuando no tempo e no quotidiano político do País.            Uma das facetas, sem dúvida das mais curiosas, da ironia de Eça, é a que se refere ao nosso país, quer ridicularizando a megalomania histórica de alguns portugueses, quer pondo em evidência a imbecilidade e incompetência dos homens públicos, quer ainda criticando a mesquinha vida portuguesa, como a politiquice, a falta de organização, a tacanhez de pensamento, etc., tudo isto consequência direta da malformação educacional cívica da população.            Do “Teodoro Raposo” da “Relíquia”, ao “Castanheiro” da “Casa de Ramires”, ao “Pacheco” de “Fradique Mendes” ou ao “Conde de Abranhos” da homónima obra  e outros, todos são ridicularizados e transformados em picarescas personagens pela verve corrosiva de Eça de Queiroz.            Vou-me reter no traçado caricatural do Conde de Abranhos, que singrou admiravelmente, mesmo nas marés mais encapeladas, mercê duma forte dose de manha e espantosa facilidade de adaptação. Com efeito desde a adolescência, Alipio Abranhos manifestara abertamente a tendência para aquilo que se define por “não olhar a meios para conseguir os fins”.            Trabalhava como advogado no escritório do Dr. Vaz Correia, amigo do “Desembargador Amado”, homem tão tacanho de inteligência quanto era desmedido em nutrição e fortuna, que vivia com permanente apreensão perante as ofensivas de Alipio a sua filha, e assim pudesse deitar mão à rica herdeira de seus milhões.            Ultrapassada essa fase através de um hilariante episódio descrito na obra, em que a manhosice de Abranhos vingou, levando a noiva e o seu dote ao altar, o Conde atirou-se a novos “empreendimentos” e ei-lo destravado numa Lisboa onde o País sempre foi o centro, o interior, o litoral e tudo o resto.            O seu comportamento na vida política foi uma sucessão de expedientes melífluos, traindo infamemente os partidos a que pertenciam adotando toda a sorte de sofismas, acobardando-se nos momentos precisos, procurando enfim, explorar os primores das suas falsas qualidades de grande génio.            O certo é, porém que chegou a ser deputado e, mais tarde, como remate de tão brilhante carreira política, ministro da Marinha.                 Sic transit gloria mundi            Uma homenagem singela aos Abranhos  portugueses!                        Fernando Pereira                        7/10/2017 create your own visited countries map or vertaling Duits Nederlands [...]



DO ANTIGAMENTE NA VIDA! /Novo Jornal/ Luanda 25-08-2017

2017-08-26T08:30:18.090+00:00

DO ANTIGAMENTE NA VIDA!Não consigo calar a minha perplexidade, quando sou confrontado com a alteração do nome de Namibe para Moçâmedes.                Segundo julgo saber, foi uma decisão ponderada, depois de ouvir a população (finalmente alguém ouve a população para alguma coisa!), autoridades tradicionais e locais, empreendedores e o tecido associativo da cidade.                Não sei o porquê, mas esta mudança fez-me lembrar o “engano ledo e cego” que foi a mudança súbita de Novo Redondo para N’Gunza, em homenagem ao soberano da região, N’ Gunza Kabolo, que ao invés de ter sido um defensor dos interesses dos seus súbditos tinha sido um “colaboracionista” com as autoridades coloniais. Para remediar a situação surgiu então Sumbe, a atual designação, que é uma corruptela do quimbundo “Kussumba”, que significa “comprar”. Era um lugar de compra e vende de produtos e assim permanece como capital da província do Kwanza-Sul, quase junto à foz do rio Ngunza.                Moçâmedes deve o seu nome a João de Almeida Vasconcelos Soveral e Carvalho, governador de Angola (1782-1790), décimo segundo senhor de Mossamedes, de que seria 1º barão. A terra de que era donatário fica na freguesia de S. Miguel do Mato, Vouzela, Beira Alta, Portugal, e enviou uma expedição militar ao sul do território chefiada por Luis Cândido Pinheiro Furtado em 1785 para debelar algumas rebeliões dos “mocubaes”,”modumbes” e os “bacuissas”no lugar de Bissongo Bittoto, conhecido por navegadores por Angra do Negro e em cartas inglesas por Little Fish Bay. A enseada recebeu o nome da Lapa em homenagem ao Conde da Lapa, Manuel, filho do Barão, nascido em Luanda em 1784.                Mossamedes era uma baia de corsários e local de tráfico de escravos, sendo a primeira feitoria do ano de 1840 de Guimarães Júnior e Jácome Filipe Torres, que tinha o exclusivo do comércio da cera e dos escravos.                O grande impulso é dado por 140 colonos portugueses que desembarcaram na baia em 4 de Agosto de 1849, depois de perseguidos no Brasil. Viveram agruras imensas só minoradas pelo desembarque de novo contingente de colonos a 26 de Novembro de 1850.                Nas margens do rio Bero, que o tenente-coronel Pinheiro Furtado chamou “rio das mortes” por terem sido chacinados pelos locais, dois oficiais da companhia para ali enviada pelo Barão de Mossamedes. Os que ali tinham a sua atividade, são substituídos pelos colonos que instalam os primeiros engenhos de açúcar no Vale dos Cavaleiros e assim Mossamedes chega a 1974 como uma das únicas cidades em África com mais brancos que negros (A outra é Sá da Bandeira, Lubango até ver)                Mossamedes foi elevada a vila a 7 de Maio de 1855, e recebeu a categoria de cidade em 1907, quando o Príncipe Luis Filipe visitou Angola.                Já agora despercebe-se porque é que o antigo Porto Alexandre, hoje Tombwa, não se chama “Porto de Pinda” como ainda era chamado em documentos de 1846, colonizado por pescadores de Olhão que já vinham em busca de porto seguro desde o Gabão e S. Tomé. Mais abaixo aparece a inóspita Baia dos Tigres, que nunca teve esses felinos. O nome deve-se basear no curioso espetáculo que ali oferecem as areias quando[...]



Preconceitos da Memória / Ágora/ Novo Jornal / Luanda 19-05-2017

2017-05-19T14:12:03.989+00:00

Preconceitos da MemóriaNum recente artigo escrito nesta rubrica regular sustentei que a criação do ensino superior nas colónias não se terá cingido apenas a critérios de desenvolvimento, mas também a uma “feira de vaidades” entre figuras gradas do regime colonial!                Quer Adriano Moreira, ministro do Ultramar entre 1961 e 1963, quer Venâncio Deslandes governador geral de Angola em 1961 e 1962 tentaram ser os “pais da criança”, e a verdade é que por causa destes Estudos Gerais Universitários de Angola é que ambos se queimaram politicamente, o suficiente para terem sido demitidos das suas funções pelo sibilino António Salazar, mestre em colocar uns contra outros para seu proveito.                Havia por parte dos colonos uma antiga reivindicação da criação de uma universidade em Angola, naquele sonho de secessionismo que a minoria branca acalentava, estabelecendo como paradigma a África do Sul                O governo concentracionário de Lisboa, aliado ao corporativismo elitista dos poderes instalados nas universidades da então “Metrópole,” não dava qualquer alternativa a uma abertura de ensino superior nas colónias.                As razões eram evidentes, tal a sobranceria com que os habitantes das colónias eram olhados pelo poder central, mesmo os membros da pequena comunidade branca. Havia também a necessidade de se dar instrução q.b., para evitar o questionar a tacanhez que dominava o quotidiano intelectual do Portugal salazarento.                Apesar das reticencias de Salazar, o decreto-lei nº 44530 de 21/8/1962, do Ministério do Ultramar, institui os Estudos Gerais Universitários de Angola e Moçambique que tem a sua complementaridade no decreto-lei nº 44530 de 21/8/1963 que promulga o seu regime de funcionamento                 Curiosamente a” criação dos Estudos Gerais em Angola e Moçambique, frequentados maioritariamente por brancos, não fez diminuir a saída deste território ultramarino para a “metrópole” (estudo de Ermelinda Liberato), e comprova-se que em 1960/61 havia 1867 alunos “ultramarinos”, em 1962/63, 2006,1965/1966, 2133 e 1967, 2311.                O princípio que norteou os EGU está bem plasmado na informação confidencial do João Pereira Neto, funcionário superior do MU que acompanhou a missão de instalação dos EGUs que recomendava que os cursos a ministrar se limitassem aos dois primeiros anos, para evitar que o “convívio fraternal com os colegas da Metrópole” se perdesse, e assim se corroessem os “fundamentos e significado da Unidade Nacional”.                Adriano Moreira, segundo Pereira Neto, teria manifestado sempre a ideia que os EGU em Angola nunca deveriam ser instalados em Luanda, já que era uma cidade como “ponto de atracão de correntes migratórias”, antro de divertimentos noturnos, “cabaré inclusive”, foco de subversão estudantil por excelência, entre outros argumentos que hoje se revelam pueris! A história poderia ter-se repetido como farsa, porque os argumentos de Adriano Moreira, foram exatamente  os mesmos que utilizou D. João III de Portugal em meados do seculo XVI, quando transferiu definitivamente a Universidade de Lisboa para Coimbra, para evitar que os estudantes se confrontassem com novas ideias trazidas por [...]



EVOCAÇÃO / O Interior / Guarda / 11-5-2017

2017-11-26T15:42:55.838+00:00

EVOCAÇÃO“A saudade é a tristeza que fica em nós quando as coisas de que gostamos se vão embora”Sophia de Mello Breyner Anderson                A morte recente do Vasco Queiroz, apesar de anunciada, deixou-me num estado de quase prostração emocional e a certeza que vai ser um luto difícil de abandonar.                Conheci o Vasco há quarenta e cinco anos, quando fomos contemporâneos no Liceu D. João III em Coimbra, no cinzentismo de uma primavera marcelista que mais não conseguia ser que um salazarismo a sorrir.                 Com o alvor da democracia nesse 25 de Abril de 1974 embriagámo-nos com a festa da liberdade, de um tempo novo, de uma primavera que nunca esquecemos. Durante décadas comemorámos este Abril com um jantar que invariavelmente acabava numa noite longa de cantoria, recordações e copos á mistura. Fizemo-lo pela ultima vez neste 25 de Abril de 2017, com o Vasco já muito doente, mas ainda com a força bastante para à meia noite fazermos o tradicional brinde com um espumante. Sabíamos os dois que era o nosso ultimo convívio de Abril, mas era-me obrigatório cumprir este ritual junto do homem que era só o melhor de todos nós.                Empenhamo-nos juntos em processos de luta pela edificação de uma sociedade mais justa e solidária. Divergíamos no acessório, estávamos de acordo no essencial. O combate nesses anos de esperança vivida deu-nos força, mas também sobreveio a revolta quando vimos que “houve por aí alguém que se enganou”!                Actor do CITAC (Circulo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra) nunca ao longo da vida deixou de fazer teatro, e foi um dos pioneiros da criação do “Calafrio”, estrutura cultural que tem desenvolvido algum trabalho cultural na Guarda nestes dois últimos anos da sua atividade continuada.                Depois de alguns anos em que cada um fez o seu percurso pessoal e profissional, o acaso juntou-nos num local improvável, a Guarda.                Aqui o Vasco revelou-se como uma das nossas referencias, mantendo a sua coerência política, uma postura cívica exemplar, um ser solidário permanente e acima de tudo uma preocupação continuada para com os outros, o que fez dele um dos mais respeitados e amados clínicos da sua geração na Guarda e cidadão impoluto e interveniente na sociedade.                Destransigia com a venalidade, com o oportunismo e era exigente consigo própria na hora de aceitar algo que pudesse ser suscetível de manchar a sua idoneidade profissional e a sua independência enquanto cidadão.                 O Vasco Queiroz era um indefetível benfiquista, exigente com o seu clube, mas isso não o impedia de partilhar algumas vitórias internacionais do meu Futebol Clube do Porto e festejar comigo esses eventos. Nunca aconteceu com o Benfica, mas julgo que eu era incapaz de fazer o mesmo. Nestas poucas coisas em que divergíamos ele mostrava ser diferentemente melhor que eu!                A Guarda devia estar agradecida por ter tido este ilustre filho adotivo, porque no campo profissional, na [...]



A VERRUGA / Novo Jornal / Luanda /28-4-2017

2017-04-28T14:14:27.288+00:00

A VERRUGAConfesso que fico perplexo quando vejo que no Município do Cazenga continua a existir um bairro com o nome de Adriano Moreira, e por exemplo que o nome do insigne botânico Luis Carriço tenha sido suprimido da toponímia luandense, entre outros casos. Este é apenas um dos exemplos da confusão instalada nas pessoas sobre o passado recente do território de Angola, e a sua transição para a independência naquele sempre lembrado 11 de Novembro de 1975. Luis Carriço fez parte da 1ª missão botânica enviada a Angola. Era professor na faculdade de ciências da Universidade de Coimbra e diretor do Jardim Botânico da cidade. Deixou uma vasta obra no seu ramo, fruto de uma recolha feita em todo o território de Angola, abruptamente interrompida pela sua morte ocorrida em 1937 no deserto do Namibe, onde foi sepultado. Se alguém quiser explicar quem foi Adriano Moreira a um morador do bairro teremos que dizer que foi Ministro do Ultramar de Salazar de 1961 a 1963, depois de ter sido subsecretário de estado da administração ultramarina em 1959. Neste percurso “ultramarino” de Adriano Moreira avulta ter sido o diretor do ISCPU (Instituto de Ciências Sociais e Politica Ultramarina) uma das duas escolas de formação de pessoal administrativo da administração colonial portuguesa (a outra era a escola colonial em Goa). Formava entre outros, administradores, chefes de posto, secretários, intendentes,etc.Foi um dos responsáveis diretos pela introdução institucional, nos anos 1950 da denominada “Lusotropicalogia” conhecida depois como “luso-tropicalismo”, que teve no brasileiro Gilberto Freyre o seu patrono. A “Casa grande e senzala”, "O Mundo que o Português Criou", "O Luso e o Trópico” são as cartilhas de um defesa de Portugal como “primeira civilização moderna nos trópicos". Toda a estrutura ideológica do jovem Adriano Moreira assentava na premissa de um Portugal portador da civilização e da ordem em todo o território, defendendo que os “indígenas” teriam que trabalhar segundo regras evolutivas de um “ato colonial” reformista. Foi este senhor que reabriu o Campo do Tarrafal em Abril de 1961, inicialmente como campo de detenção dos angolanos condenados no “processo 50” e depois alargado a nacionalista de todas as colónias, tendo fechado com a revolução do 25 de Abril de 1974 em Portugal. Apesar de refutar essa acusação, Adriano Moreira não se consegue livrar do labéu de ter promovido a organização da PIDE em Angola.Reconheço ao Dr. Adriano Moreira uma grande sagacidade politica e uma rara inteligência, mas não deixa de ser intrigante o seu tortuoso trajeto politico que lhe tem permitido guindar-se a uma figura “reverente” na democracia portuguesa, depois de ter sido um dos putativos delfins do ditador Salazar. Assume-se como o criador dos “Estudos Gerais Universitários” em Angola e Moçambique, embrião das universidades de Angola e Moçambique. Provavelmente a criação destas escolas superiores terão criado uma das situações mais rocambolescas dos anos do estertor do salazarismo em Portugal. Por ironia do destino, Salazar ordena a Adriano Moreira, no âmbito da sua competência enquanto ministro do Ultramar, que nomeie o general Venâncio Deslandes como 117º governador-geral de Angola (Junho de 1961), cargo que ocupa em simultâneo com o de Comandante Chefe das Forças Armadas na “provincia”. As relações entre os dois nunca foram muito amistosas, já que ambos tinham uma sede de protagonismo ilimitado. Deslandes dizia que “chefiava o maior contingente militar de sempre de Portugal” e que “iria acabar a guerra em Angola em seis meses e depois disso passaria ser um caso de altercação de ordem publica e apenas responsabilidade da polícia[...]



Joaquim Gil - Um homem de causas!

2017-04-20T08:40:24.522+00:00

Texto que publiquei no livro coordenado por mim de homenagem ao Dr. Joaquim Gil.Muitas vezes é preciso um mau motivo para fazer a coisa certa.                Um grupo de amigos do saudoso Joaquim Gil reuniu um conjunto de textos, fotos e alguns depoimentos, e concebeu este livro  que nos ajudará a perpetuar a estirpe intelectual de um amigo que nos deixou tão de repente. Ainda hoje achamos que “tudo não passou de um sonho mau que não acabou”.                Fiquei com a incumbência de juntar o que parecia ideal para  se conseguir fazer um trabalho que possibilitasse a todos aquilatar da excelência intelectual do Joaquim Gil e, simultaneamente,  permitisse vincar valores que sempre lhe foram caros ao longo da sua vida intensa: a liberdade, a justiça e a solidariedade.                Conheci o Joaquim Gil nos idos setenta do século passado, num tempo de tanta esperança e certeza. Os tempos seguintes vieram demonstrar quão enganados estávamos. O Joaquim Gil, ideologicamente, assumiu a máxima de Willy Brandt : "Quem aos vinte anos não é comunista não tem coração. E quem assim permanece aos quarenta anos não tem inteligência". Nunca renegou a sua passagem pela militância comunista donde se afastou no dealbar dos anos 80 do século passado.                Dos tempos do PREC recordo esta frase que encontrei, escrita pelo seu punho, num dos muitos papeis por onde andei a “vasculhar”:” Quem não viveu, esqueceu ou renunciou às delícias das ilusões desses grandes dias nunca vai conhecer o exato perfume das flores”. Não sei quem é o autor, mas achei que o que vivemos era mesmo isto.                Um profissional brilhante, respeitado pelos seus pares e por todos os agentes do universo da justiça, onde granjeou enorme prestígio, pelo brilhantismo das suas intervenções e pelo profissionalismo e empenho com que defendia as suas causas.                A ligação de Joaquim Gil ao universo desportivo, enquanto dirigente, manteve-se ao longo de muitos anos em Coimbra e na Figueira da Foz.  Continuei a vê-lo ligado ao associativismo e com ele me habituei a partilhar das preocupações de um tempo que cada vez vem sendo menos propiciador de voluntarismos.                Sophia de Mello Breyner Anderson sintetizou o que me “vai levando” neste tempo em que empobrecemos quando o perdemos naquela infausta noite de janeiro de 2015: “A saudade é a tristeza que fica em nós quando as coisas de que gostamos se vão embora”.                O Joaquim Gil era um homem de juntar pessoas de matizes políticas diferentes, de atividades profissionais diferenciadas, e tinha um prazer enorme em proporcionar uma discussão e nunca a deixar esmorecer. Conseguia, assim,  por vezes, colocar toda a sua capacidade de intervenção  e alguma sagacidade para que fossem aprofundados os temas, assumindo a dose certa de provocação.                Aglutinava na sua mesa de café, em Coimbra e na Figueira da Foz, muita gente que sente hoje muito a sua falta, e que o acompanhava pela capacidade de sedução que imprimia às relações com as pessoas, algo que lhe reconheço des[...]



Contos velhos, rumos ainda mais velhos! / Ágora/ Novo Jornal / Luanda 24-2-2017

2017-02-24T15:07:06.433+00:00

Contos velhos, rumos ainda mais velhos!Luanda transformou-se numa cidade sem identidade e isso é o pior que se pode legar aos vindouros.                Todas as urbes procuram preservar o conjunto edificado que foi unindo gerações e que são a “marca de água” de uma cidade! Luanda com as suas administrações e o dinheiro facilmente conseguido fazem exatamente o contrário.                Não é uma situação nova, aliás vem do estertor do período colonial, mas nos últimos tempos, antes da “míngua” que se adivinhava, o que aconteceu à cidade foi um verdadeiro flagelo.                Vamos dar uma volta ao passado numa viagem por textos de quem por cá andou no antanho!                Luanda pela pena do médico alemão George Tams, que a visitou em 1841: “ Luanda apresenta-se-nos com um aspeto maravilhoso:_ É edificada em forma de anfiteatro, erguendo-se desde a base até ao cume dos montanhosos socalcos da costa, a qual neste sítio desce até próximo à superfície do mar. A grande porção de casas edificadas ao estilo europeu, muitas das quais espaçosas, umas com telhados vermelhos, outras azuis, os muros caiados de branco ou de amarelo, as lindas torres das igrejas, o palácio do governador e o vizinho forte, excitam grandemente a surpresa do estrangeiro”                Mas não deixava o aludido médico alemão de escrever: “O ar é tam mao e comunica aos alimentos taes qualidades mortíferas que os que comerem deles logo que ali chegarem, devem ficar certos que serão vítimas da sua imprudência, ou pelo menos que adoecerão gravemente:”                O Dr. Tams deslumbrou-se com o lugar das Quipacas, lugar que ficava perto do lugar onde se construiu a estação de Caminho-de-ferro, e que se chamará assim já que era um lugar aprazível, onde construíram espaços de lazer gente endinheirada (Kipaka em quimbundo significa dinheiro): “ Neste sombrio retiro, os cantos de numerosas espécies de cigarras ressoavam à tarde, e os seus agudos sons tam penetrantes eram neste profundo silêncio, que se podiam ouvir claramente a mais de uma milha de distância. Aqui um italiano que havia enriquecido com o tráfico da escravatura, tinha formado, uma linda casa de campo, no meio de um intensíssimo pomar, para onde convidava diferentes habitantes de Luanda, os quais nunca deixavam de aproveitar-se daquele deleitoso passeio.” Tams referia-se a Antonio Paris, napolitano que morreu em Luanda com 86 anos em 23 de Dezembro de 1846. Veio para Angola em 1821 com mais 212 compatriotas, condenados a degredo por tribunais napolitanos e a pena era cumprida ao abrigo do acordo celebrado em 11/12/1819, entre o rei D. João VI de Portugal e o rei das Sicílias. (Este conjunto de referencias vem no livro, “Subsídios para a História de Luanda” de Manuel da Costa Lobo, Lisboa-1967). Refira-se que este Paris teria sido dono do famoso Hotel Paris, demolido para dar lugar ao Palácio da Palmeira, onde esteve a Lelo, e que hoje está sentenciada a ter em breve o mesmo destino.                O livro de George Tams, “Visita às possessões portuguesas na Costa Ocidental de África” descrevia as refeições: “ às oito horas, todos nos reunimos ao almoço, que geralmente se compunha de mãos de vitela cozidas, vagen[...]



Mínimas / Ágora/ Novo Jornal / Luanda 16-12-2016

2016-12-16T16:08:24.810+00:00

MínimasEstamos a viver um período pós-catártico, em que cada cêntimo de subida do preço do petróleo é recebido com uma euforia inimaginável em tempos não muito recuados.               Continuamos a assistir a um País que desde os tempos do antanho só consegue viver em dois estados: o da euforia e o da descrença. Foi assim na alta do mercado dos escravos e na sua proibição. Foi no tempo do comércio da borracha e o seu declínio por concorrência com os mercados asiáticos. Foi no tempo da cultura do sisal em alta de preços no tempo da 2ª Guerra Mundial, e passou a uma planta quase ornamental por causa do aparecimento dos sintéticos. O café, essa cultura que construiu avenidas em Lisboa e bairros em Luanda, caiu a pique no dealbar dos anos 70 do século passado quando a Organização Internacional do Café (um cartel de meia dúzia de produtores de café muito fechado) se vê confrontada com outros produtores, principalmente de países em que acabadas convulsões internas puderam colocar no mercado um produto melhor e a preços mais competitivos. A partir do fim dos anos 70 tem sido o sobe e desce do preço do crude a alimentar o quotidiano maniqueísta do angolano!               Da esperança à desesperança vão uns dólares menos no preço do petróleo, e os que governam ufanos da sua capacidade de gestão no tempo da largueza, entram imediatamente num estado de catatonismo gericence , com os resultados a evidenciarem-se todos os dias em largos sectores da atividade social e um pouco na incipiente atividade produtiva do País.Nestes dias assistimos ao Congresso do MPLA, que poderá ser decisivo para o futuro próximo de um País exaurido das suas riquezas, manietado por falta de recursos para o futuro e desconfiado de todos os que governam ou mandam, que nalguns casos não acumulam as mesmas competências. Claro que o quadro não será tão mau dirão alguns, é pior ainda dirão outros.Parece-me que mais uma vez vai prevalecer o bom senso possível no partido que nos governa desde a Independência, e na minha opinião pessoal ainda bem! A substituição requentada de José Eduardo dos Santos pode trazer “sangue novo” ao MPLA e trazer alguma modernidade de métodos e mudança de léxico.O significado maior das mudanças que se estão a operar, e eu corro o risco de estar a escrever isto sem ter dados concretos, assentam sobretudo num fim de ciclo. Não tanto pela saída de José Eduardo dos Santos, que merece um obrigado generalizado pela forma como dirigiu o País em situações de grande dificuldade, mas acima de tudo pelo fim do repisado “guerrilheiro”, do “maquis” e da “luta contra o colonialismo”. Acabou isso, hoje isso é para começar a ser trabalhado pelos historiadores, antropólogos e documentalistas, e temos que utilizando uma frase de Agostinho Neto “passar a puxar as noras com as nossas próprias bestas”, fazer melhor o trabalho e arranjar cada vez menos desculpas. Não podemos continuar a culpar o colonialismo de uma parte do que não conseguimos fazer, e atirar responsabilidades para as “minas e armadilhas” que foram os últimos discursos de responsáveis máximos que tiveram um eco risível nas caixas-de-ressonância dos “yes men” do regime. A oposição ao MPLA é frouxa porque não se consegue libertar dos escolhos de outros tempos, e está sempre com receio que os pardacentos esqueletos saiam do armário e que contaminem a sociedade angolana. São só uma franja do MPLA com outros fantasmas e uns e outros acham que o Halloween é permanente e os seus fantasminhas, justificam a inoperância e a falta de dinâmicas no[...]



“Conde de Abranhos” nos trópicos / Ágora/ Novo Jornal / Luanda 21-10-2016

2016-10-21T08:54:23.167+00:00

“Conde de Abranhos” nos trópicos“Infalível, também, era o Doutor, aquele cavalheiro estimável, mas de aspeto lúgubre, que todos apenas conheciam por este nome: o Doutor. Sempre vestido de preto, sempre de luvas, amarelo como uma cidra, persistia na sua mudez taciturna; porém, continuava a escutar com uma atenção intensa, a testa franzida, piscando vivamente os olhos, como num profundo trabalho cerebral. Respeitador fervente das instituições, das personalidades oficiais, ninguém sabia ainda onde ele vivia, nem de que vivia: mas precipitava-se com tanta veneração (porque era homem de sociedade) a tomar as xícaras vazias das mãos das senhoras, dizia com tanta convicção, na sua voz cavernosa, «tem V. Exª carradas de razão»; que era geralmente considerado como um excelente moço.” Este é só um delicioso detalhe, da farsa o “Conde de Abranhos” ,que o escritor português Eça de Queiroz (1845-1900) fez sobre a sociedade do seu tempo no período conturbado da 1ª experiencia constitucional portuguesa!O “Conde de Abranhos” era a personagem típica do carreirismo, “carneirismo” e bajulice no seu pior, e infelizmente acontecendo em várias latitudes e na vivência quotidiana de sociedades que não passam de ter este “status”.O Conde de Abranhos estudou na Universidade de Coimbra, onde começou por denunciar um colega, o que lhe permitiu passar a usufruir favores dos seus superiores. Simultaneamente envolve-se com a “criada”, que fica grávida e imediatamente abandonada, e o rapaz recém-nascido completamente esquecido. Vai para Lisboa, trabalho no escritório do causídico Vaz Correia, que o guinda a redator chefe do Jornal “Bandeira Nacional”.Percorrendo os corredores do poder, casa-se com a filha do Desembargador Amado, Virgínia de seu nome, o que lhe assegura de imediato 10 mil cruzados de renda, e fundamentalmente abre-lhe as portas de S. Bento (Assembleia Nacional de Portugal). É eleito deputado por Freixo de Espada à Cinta, onde faz discursos, vazios de conteúdo, sobre a reforma das instituições, a política colonial e o caminho-de-ferro do leste. Como os tempos não corriam a favor da sua linha política, não faz disso um problema, e passa-se com armas e bagagens para oposição que em troca o coloca como um “cinzento” Ministro da Marinha, lugar que ocupa como “estátua” durante dois anos sem que alguém dê por ele.Trouxe aqui o “Conde de Abranhos” porque ilustra o quotidiano do poder, dos títulos tantas vezes conseguidas à custa de coisa pouca ou coisa nenhuma, e da influência que certas criaturas tem nos corredores do mando sem que possuam qualquer tipo de competência, legitimidade académica e comprovada experiencia na gestão de qualquer coisa pública.Fazem-se as cadeiras em função dos rabos de quem usa argumentos para se lá sentar, nem sempre os mais ortodoxos, e frequentemente a cadeira é feita para à medida de gente que se encostou a quem tenha força suficiente para os lá colocar. Temos que recuar ao império romano, que com toda a sua corrupção e nepotismo nas hierarquias do poder havia um cuidado muito especial para se escolherem os rabos dos cavalos que equipavam as quadrigas, por forma a não destabilizarem toda a carruagem nas lutas que se iam fazendo nos jogos, nas batalhas e no transporte de pessoas de elevada importância.Acho que um exercício saudável seria o regresso aos clássicos, e já agora porque não voltarem-se a ler alguns vultos das letras que em português escreveram, e muito bem, e pegar num Eça de Queiroz, Olavo Bilac, Manuel Bandeira, Ramalho Ortigão, Guimarães Rosa, Camilo Castelo Branco, Fialho de Almeida, Mário de Andrade, Nelson Rodrigues (Recentemente o Elinga encenou “Mulh[...]



O lugar do morto - O Interior- Guarda 13/10/2016

2016-10-14T01:00:23.653+00:00

O lugar do mortoAs forças vivas da Guarda, e algumas que se julgam vivas e estão mais que moribundas vão-se entretendo com alguns jogos florais.               Entre o bate e o abate de árvores, de manter ou fazer desaparecer “bucho” vou olhando com interesse para o edifício de Vasco Palmeirim (Regaleira), o Hotel Turismo, obra de tomo do Estado Novo, no âmbito de um conjunto de hotéis entregues à supervisão do arquiteto Raul Lino. A verdade é que há anos que encerrou as portas, depois de um período de morbidez de vários anos e sucessivos executivos da Camara Municipal da Guarda.               Por estar no centro da cidade, a sua degradação vai-se evidenciando e fundamentalmente acentua-se a indefinição do que será o seu futuro! Aguardemos as cenas dos próximos episódios, e que promessas novas virão abrilhantar a pré-campanha eleitoral que já se começa a viver.               Eu não vivo na Guarda, embora tenha no meu quotidiano a maioria da atividade social na cidade.               Ocasionalmente tenho que ir a velórios, de pessoas que me merecem consideração, seus familiares próximos ou até meus familiares e confesso que é confrangedor como a cidade trata os seus mortos.               Sei que os autarcas não gostam de gastar dinheiro com “mortos”, ou melhor enterrar dinheiro em obras que tenham a ver com gente que tenha falecido. A síndroma “Odorico Paraguaçu” da novela brasileira “O Bem-amado” do dealbar dos anos 70 no Brasil, e que foi um êxito em meados dos anos 80 na TV portuguesa, ainda se vai mantendo no subconsciente dos autarcas, e recusam ao máximo alterar o que quer que seja que tenha a ver com mortos. Para os que não conhecem a história, ela decorre em Sucupira cidade do nordeste brasileiro onde Odorico, um perfeito venal, corrupto e demagogo decide como obra grande do seu mandato a construção de um cemitério na cidade, com o argumento que os mortos deixassem de ser sepultados numa cidade vizinha. A excelente telenovela tem o seu enfoque na ausência de mortos para o cemitério, que se terá revelado um “elefante branco”, naturalmente aproveitado pela oposição. Odorico tenta tudo mas ninguém morre, e não consegue inaugurar o cemitério, e contrata um “cangaceiro” para arranjar uma vítima. O homem, que se queria regenerar acaba por assassinar o perfeito, que vê o cemitério inaugurado pela oposição graças ao seu próprio cadáver.               A Guarda devia ter um local com alguma dignidade para que amigos, familiares e conhecidos de alguém que morra, lhe possa fazer um velório com a dignidade que qualquer pessoa merece no momento da despedida.               Os amortalhados vão para um anexo da Igreja da Misericórdia, onde ficam numa sala exígua, mal iluminada, fria, sem apoio de sanitários decentes num lugar com uma entrada quase clandestina, que dá para uma rua onde o vento no inverno nos “embala e abraça”!               A Guarda merecia um local condigno, ventilado no Verão, aquecido no Inverno, com algum apoio (águas, cafés, por exemplo) e onde as pessoas pudessem confortar os familiares do defunto no féretro. Outr[...]



Cantilena do povo

2016-10-08T23:40:54.041+00:00

Fui encontrar um dos artigos que escrevi com o pseudónimo de "Vila Cândida" no Correia da Semana nº3 de 30 de Janeiro de 1993. Já nem me lembrava dos meus tempos de "Pena de Ouro" do jornalismo angolano,eheheh!!!








Artigo no "Jornal de Angola" de 17 de Setembro de 1994

2016-10-08T01:30:41.940+00:00

Hoje andei a arrumar umas tralhas e fui descobrir um artigo que escrevi para o "Jornal de Angola", onde colaborei uns anos. Este artigo saiu precisamente no dia 17 de Setembro de 1994.
Engraçado como as coisas naquele tempo já aconteciam!!!







REQUIEM / Ágora/ Novo Jornal / Luanda 7-10-2016

2016-10-22T16:21:58.096+00:00

REQUIEMJá começo a estar num patamar da vida em que há cada vez menos coisas que me surpreendam!A semana passada “perplexei-me” com a leitura do livro de Rita Garcia, “Luanda como ela era 1960-1975”. Desde os tempos da Agencia Geral do Ultramar, ou da componente local CITA  (Centro de Informação e Turismo de Angola), que não conseguia ver um trabalho com tantos encómios a uma cidade pintada de branco. Foi o retorno ao “lava mais branco” onde a cidade branca era o paraíso e onde os não-brancos eram apenas criados, músicos ou meros figurantes.               O livro em termos gráficos é interessante, as fotografias estão bem enquadradas, tudo o resto é um cantar loas a um modelo de sociedade em fim de festa, e que curiosamente poucos se davam conta disso! Se tivesse que fazer um comentário ao livro nos meus tempos do Liceu Salvador Correia, diria que era um “livro da sanguitada”. Hoje estou mais brando na verve, e não teria feito este artigo se hoje não tivesse lido uma entrevista da Rita Garcia à “Notícias Magazine” cheias de lugares comuns, como no livro, mas referindo-se aos anos da guerra, em Luanda, como "os doces anos em que o espaço não tinha fim e os dias morriam devagar num paraíso tropical".                A convicção com que fiquei, e note-se que li outros dois trabalhos da autora, foi que a jornalista Rita Garcia não terá feito uma avaliação cuidada quando resolveu fazer este livro, e provavelmente limitou-se a ouvir quem viveu Luanda a olhar sempre só para o mar.               “ Luanda como ela era 1960-1975” é o livro que o saudosista puro e duro poderá oferecer aos seus filhos e netos no Natal, depois de pouco mais de quarenta anos a reduzir Luanda à cidade do asfalto, e a esquecer as prisões arbitrárias nos musseques, a segregação nos espaços públicos e o limitado acesso dos negros ao ensino, entre outras coisas que aviltavam a maioria dos naturais da Luanda pintada de cor-de-rosa esbranquiçado.               As excelentes fotos que vão correndo ao longo do livro não deixam dúvidas sobre a Luanda até 1975: Uma cidade construída para brancos viverem, divertirem-se, trabalharem e esquecerem o dramatismo do que foram tempos coloniais, onde o estatuto do indigenato e o cartão de residência iam segurando um grupo de gente que “merecia o seu bocado de pão”, como dizia o poema do angolano Agostinho Neto.               As comunidades brancas e negras viviam de costas voltadas. No Liceu Salvador Correia, o mais emblemático do território, a percentagem de negros e mestiços era ridícula comparada com os estudantes brancos. Posso dizer, eu que o frequentei durante cinco anos, que nunca fui a casa de nenhum colega negro, apesar de termos uma relação normalíssima nos bancos da escola. E esta era apenas um dos exemplos do distanciamento na sociedade luandense, que não se cingia ao Clube Naval, Nun’Álvares, Clube dos Caçadores, Barracuda, Mussulo, Dongo, S. Jorge, Restinga, Tamar, Contencioso e outros lugares onde nos esquecíamos de tudo o que se passava nos “bairros da terra vermelha”.               Carlos Matos Gomes, militar reformado, autor de um conjunto de obras obrigatórias p[...]



O Internacionalismo Olimpico / Ágora / Novo Jornal / Luanda 12-8-2016

2016-08-13T18:32:59.879+00:00

O Internacionalismo OlimpicoHá quase cinquenta anos que assisto a cerimónias de aberturas dos Jogos Olímpicos, e em cada quadriénio tento comparar umas e outras com a mais recente.               No fim-de-semana assisti à cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, corolário de uma vitória da persistência do Presidente Lula da Silva há sete anos, que não merecia tamanha vilania ao ver um fantoche golpista abrir os jogos, debaixo de uma monumental vaia, algo jamais visto desde 1896.               Temer merece isso e muito mais, porque as golpaças em democracia tem que ter consequências agravadas, para os que querem subverter a legitimidade constitucional, albardados em expedientes miseráveis e soezes. A assobiadela que “aplaudiu” a sua intervenção deixou-me muito contente, e como diria João Ubaldo Ribeiro ao titular a sua obra-prima de contos: “Viva o Povo Brasileiro”!               Gostei da sobriedade da abertura dos Jogos Olímpicos do Brasil, do seu extraordinário compromisso com o passado da sua história, da passagem da sua afirmação de ritmos musicais, a referência descomplexada da miscigenação de culturas de povos de origens tão díspares e sobretudo adorei as mensagens que foram sendo transmitidas com a simplicidade e a alegria que os brasileiros são capazes de dar. Gostei de ver um dos meus heróis da adolescência, o queniano Kipchoge 'Kip' Keino, que recebeu, e muito justificadamente o primeiro laurel olímpico, galardão criado pelo COI para homenagear alguém que encarne os valores do ideal olímpico.               É fácil entender que o interesse pela competição desportiva aumenta, dum modo particularmente agudo, por ocasião dos Jogos Olímpicos. A sua periocidade quadrienal e demais características tradicionais, bem com o a presença da totalidade dos países do mundo, faz deles a competição desportiva de excelência.               Resolvi folhear “As bases filosóficas do Olimpismo moderno”, o texto de Pierre de Coubertin (fundador do movimento Olímpico e o pioneiro dos Jogos Olímpicos da Era Moderna) que autentica os valores dos jogos Olímpicos, e que poderiam inserir-se na defesa dos direitos fundamentais do Homem. Não só porque o desporto-prática proporciona ao praticante inegáveis benefícios de ordem fisiológica, psicológica, de integração social e ainda de expressão e comunicação, mas porque as exigências do desporto-prática abraça mutações pronunciadas ao nível das estruturas sociais, económicas e políticas injustas.               Entre várias considerações sobre o olimpismo, e que seria fastidioso estar aqui a referir, apesar de se revestirem do maior interesse, recordo algo que ele vai formulando ao longo do texto: “Para que cem se dediquem á cultura física, é preciso que cinquenta façam desporto; para que vinte se especializem, é preciso que cinco sejam capazes de proezas espantosas”. E prossegue: “Mas ser uma elite não chega; é preciso que essa elite seja uma cavalaria. Os cavaleiros são, antes de tudo, irmãos de armas, homens corajosos, enérgicos, unidos por um vínculo mais forte que a simples camaradagem, já tão poderos[...]



DESPORTO EM TRANSE/ Ágora / Novo Jornal / Luanda /22-7-2016

2017-09-15T00:00:40.681+00:00

DESPORTO EM TRANSEO recente afastamento da seleção angolana de basquetebol dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em Agosto, evidencia o estado caótico que o desporto de alta competição chegou, e a quase letargia que se apoderou do desporto do País em geral.               Não há propriamente uma falência da política desportiva, o que há é a situação absurda de não haver politica desportiva visível por parte dos órgãos estatais competentes, e todo o quadro federativo e associativo  se depara com uma realidade pungente de falta de perspetivas num futuro próximo.               O futebol, modalidade de tomo, apesar do estapafúrdio investimento que se fez, está num lugar perfeitamente ridículo (137ºlugar), contudo melhor que o ranking da mortalidade infantil por mil habitantes onde ocupamos um “honroso” ultimo lugar!                 Malbaratado que foi o edifício pacientemente construído há mais de trinta e cinco anos, encontramos hoje na seleção feminina de andebol o único esteio de que nos podemos orgulhar, nos areópagos internacionais do desporto de alta competição!               Escusamos de buscar culpas externas, ou arranjar bodes expiatórios internos para conseguirmos expiar as nossas debilidades e fraquezas postas sistematicamente a nú.               A educação física e o desporto são reflexo de um contexto politica, e o seu quadro institucional e organizativo é suportado pela afirmação de uma linha ideológica que se desejaria coerente. Infelizmente não é isso que acontece no País onde se mistura um arremedo de socialismo com o capitalismo selvagem acrescido de laivos de justicialismo, onde o cidadão deixou de ser o destinatário das decisões políticas, passando a ser um mero instrumento em que a sua vida piora entre o muito ou o menos que muito em função do preço do barril de petróleo no mercado internacional.               Não podem os responsáveis continuar a fazer declarações cheias de lugares comuns, que eternizam situações de continuada falta de soluções, e que empurram o que resta da educação física e desporto de Angola para um lodaçal, de onde dificilmente se sairá nos próximos anos.               A educação física escolar e a formação desportiva das crianças, adolescentes e jovens são cada vez mais cerceadas pelas contingências da sociedade angolana atual, acrescida à falta de instalações adequadas. Neste quadro o futuro do desporto em Angola deixa de ter base de recrutamento e naturalmente é cada vez mais difícil encontrar a qualidade que se consegue encontrar na quantidade praticante.               Os clubes, outrora lugares de eleição do associativismo, tornaram-se em espaços de vaidades pessoais, que servem para a promoção de certas figuras num espaço político onde a ascensão é cada vez menos por mérito e cada vez mais por visibilidade determinada só por populismo!                Não vale a pena a con[...]



ADIVINHA QUEM VEM PARA JANTAR! / Ágora / Novo Jornal / Luanda 9-7-2016

2016-07-09T01:44:34.620+00:00

ADIVINHA QUEM VEM PARA JANTAR!Talvez a maioria das pessoas desconheça que o filme “Adivinha quem vem para jantar”(1967), premiado com dois  Óscares da Academia em 1968 acabou por ver autorizada a sua projeção no Restauração, depois de múltiplas tentativas das autoridades coloniais para que o publico luandense não o visse.  Em São Francisco, Matt Drayton (Spencer Tracy) e Christina Drayton (Katharine Hepburn), um casal da média burguesia americana, fica chocado ao saber que Joey Drayton (Katharine Houghton), sua filha, está noiva de John Prentice (Sidney Poitier), um negro. A partir de então dão início à uma tentativa de encontrar algo desabonador no pretendente, mas só descobrem qualidades morais e profissionais acima da média o que transforma o trama numa comédia de forte componente antirracista.Nos Estados Unidos que saiam de uma violenta luta pela igualdade dos direitos raciais, este filme acabou por marcar um ponto de viragem no elitista cinema de Hollywood, pois leva para o grande ecrã uma relação que ao tempo tinha tudo de promíscua e fora do status quo vigente.Em Angola a incomodidade do tenente-coronel Koch Fritz, o Torquemada da governação colonial era evidente, perante a celeuma que pudesse eventualmente surgir da apresentação do filme e foi adiando a decisão para que “de Lisboa houvesse alguma ordem”. A verdade é que o filme, apesar de truncado nalgumas passagens, passou no “Monumental” em Lisboa e foi um grande êxito de bilheteira, porque tinha ganho óscares e porque era uma revelação ver um romance e um beijo apaixonado entre um negro e uma branca no ecrã, numa sociedade fechada e organicamente racista.Num diálogo no próprio filme lembra que o casamento entre pessoas de raças diferentes era proibido em 17 estados dos Estados Unidos, e acresce a isso lembrar que só em 1964 (três anos antes da estreia mundial do filme) durante o governo de Lyndon B. Johnson, foi aprovado o Civil Rights Act que proibiu a discriminação contra minorias raciais, étnicas, nacionais e religiosas.O filme lá esteve discretamente a passar, com cortes que sacrificaram não só a sua qualidade, como também a própria história. Um beijo apaixonado e longo entre os atores provocou a ira do Ku Klux Klan, que motivou desacatos e invectivou espectadores em vários cinemas nos EUA. O público de Luanda não viu muitas das cenas que “chocariam a comunidade local”, e admito que foi um alívio do CITA quando o filme saiu do ecrã do cinema da Avenida do Hospital.Já que se fala em filmes e cinemas, resolvo trazer à liça uma situação e que tem a ver com o abandono das salas de cinema do tempo colonial ou a sua transformação para outras atividades que nada tem a ver com o que fim para que foram edificados.Nas redes sociais, e nalgumas conversas de gente que andará pelos sessenta, todos vão vivendo com saudade os tempos em que frequentaram esses cinemas, e olham com muita tristeza para o seu abandono, a sua adaptação a outras atividades ou a sua demolição.Percebo as pessoas que gostavam da esplendorosa esplanada do Miramar, do Avis (Karl Marx), Império (Atlântico), Kipaka, N’Gola, S.João, Kilumba, Tivoli, S. Paulo, Tropical, Restauradores, Nacional, Colonial, etc., isto em Luanda, para depois falar do Flamingo no Lobito, Ruacaná no Huambo, Arco-íris no Lubango, Moreno no Uíje, N’gola no Namibe, o Nimas no Lobito, e tantos outros. As pessoas não tinham TV, os hábitos eram outros, as pessoas ao tempo eram jovens, e o cinema mais que um local para ver[...]



Bom senso com o censo / Ágora/ Novo Jornal / Luanda 24-6-2016

2016-06-24T14:09:55.497+00:00

Bom senso com o censo. Estive hoje a analisar com algum detalhe o censo geral da população publicado em Março de 2016. Fico com a ideia que é um trabalho sério e responsável e reúne todas as condições para que seja um instrumento indispensável para nortear decisões políticas assertivas, estratégias de desenvolvimento económico com razoabilidade e um planeamento social mais rigoroso.               Este trabalho, que tem um carater científico, pode transformar “ideias feitas”, do discurso político prevalecente em “situações desfeitas”, baseada na evidência que são a teimosia dos números!               Todos sabemos que temos uma população jovem com 65% da população com idade até aos 24 anos, num universo de 25.789.24 pessoas, das quais perto de sete milhões vivem em Luanda.               Desvalerá pouco continuar a debitar números, porque eles estão acessíveis a todos os cidadãos, mas há leituras que urgem ser feitas rapidamente, e encontrarem-se algumas soluções na sociedade angolana num momento que o tempo urge, sob pena de perdermos o futuro!               Será que o discurso das assimetrias e segregação social, económica e cultural do colonialismo continuam a ter eco na generalidade dos angolanos, quando apenas 7% dos angolanos teriam entre 18 e 21 anos à data de 11 de Novembro de 1975? Quantos se lembram do enfático 4 de Fevereiro, ou do 15 de Março de 1961?                Com base neste trabalho pergunto quantas pessoas se lembram da transição de poderes do falecido presidente Agostinho Neto para José Eduardo dos Santos num cada vez mais longínquo 1979? Quantas pessoas têm presente a institucionalização da democracia pelo “decreto” que determinou o desaparecimento da sociedade socialista de partido único? A própria guerra contra a UNITA já começa a entrar no “esquecimento” das pessoas, e por isso hoje, eventuais sacrifícios pedidos são mal compreendidos, o que não deixa de ser de todo natural.               A própria UNITA, ou o seu sucedâneo CASA, também não conseguem que as pessoas se lembrem do que foi politicamente Jonas Savimbi, porque quando ele morreu metade da população do País ainda não tinha 12 anos! Isto é mau para a oposição, mas também não é bom para os dirigentes do MPLA, a quem daria sempre um certo jeito ter um inimigo externo, ou interno, para que assacasse com as culpas de muita situação mal gerida e inapropriadas decisões na gestão da coisa pública.               Pode-se dizer que a história transmite-se de umas gerações para outras, e que o facto da pessoa não ter vivido determinado momento, não quer dizer que não saiba o que aconteceu, nem que o valorize! Mas aqui também há muito pouco trabalho, de divulgação de tudo que aconteceu em Angola nos últimos cem anos, e a própria “história” recente de Angola é descrita um pouco de forma panfletária, e deixa pairar muitas dúvidas e desconfianças justificáveis nas gerações mais novas.       [...]



TRRIM-TRIM! / O Interior / Guarda / 9-6-2016

2016-06-18T01:03:54.149+00:00

TRRIM-TRIM!Ainda não vieram os dias quentes de um esperado Verão depois de um ano pluvioso quanto baste! Aguardemos.               Pode parecer paradoxal, mas um dos temas dominantes desta croniqueta serve para que se abra uma petição nacional para o retorno às campainhas estridentes dos telefones, em detrimento da pequenina luzinha intermitente que aparece junto às teclas de qualquer recetor colocado nas portarias da maior parte dos serviços públicos do País.               Vamos lá ver se me explico melhor, ou se consigo que a mensagem chegue sem interferências a quem pacientemente me lê.               Se alguém “ousar” telefonar para um serviço publico entre as 9 e as 10 horas da manhã, ou a partir das 16 horas é quase certo que ninguém lhe atenderá o telefone, e muitas vezes a pessoa responsável por esse trabalho está ali mesmo ao lado. Esta é a verdade, constatável ao longo de muitas tentativas goradas para telefonar para alguns serviços públicos. Infelizmente um cada vez maior número de gente destes serviços adere a esta “praga” que se vai instalando no quotidiano dos serviços do Estado, de norte a sul de Portugal e Regiões Autónomas.               Não me cabe a mim fazer juízos de valor sobre o comportamento destas pessoas, que substituiu a “rapariga da cavilha”, ou a “menina dos telefones” imortalizada na canção de 1961 de Maria José Valério, mas a realidade é que cada vez mais o estar num PBX (ou correlativo) é uma tarefa entediante e que ninguém faz por gosto, tudo para desgosto de quem precisar de entrar em contacto com alguém a partir de horas que pelos vistos passaram a ser consuetudinariamente incomodativas.               Hoje sou a favor do retorno à campainha estridente nos telefones, já que nem que fosse para calar o som incomodativo as pessoas obrigavam-se a atender e nem que seja  para evitar os olhares reprovadores das pessoas que circulam por perto. Aí voltaríamos ao tempo de ouvir frases como, “Ninguém atende a porcaria do telefone!” ou outras entrecortadas com palavras bem mais ordinárias!               Podem ter a certeza mais que absoluta que a maioria dos telefonemas eram atendidos, e dispensar-se-iam as músicas enfadonhas que certa gente escolhe para o demasiado tempo que se está à espera de uma ligação para alguém, que estando lá manda dizer que não está para não ter que se aborrecer com mais um utente, ou mais uma situação imponderável perto da hora de saída.               Aos telefones estridentes haveremos de voltar, neste SIMPLEX de proximidade, principalmente para apoio aos muitos utentes que não tem possibilidade alguma de se deslocar a certos lugares, e muitas vezes terem que ir a determinado serviço para assuntos comezinhos que se resolveriam numa chamada feita a tempo.               Outra questão bem mais grave que esta tem a ver com o tempo prolongado com que muitas vezes os telefones es[...]



Turismo passado sem presente para o futuro! /Ágora / Novo Jornal / Luanda 17-6-2016

2016-06-18T00:59:35.134+00:00

                   Turismo passado sem presente para  o futuro!Muito se tem falado no desenvolvimento sustentavelmente acelerado do turismo no nosso País, e seria bom que se fizesse uma análise retrospetiva do que foi a insipiente atividade turística no tempo colonial para se pensar no presente e no futuro. De acordo com a Organização Mundial do Turismo, a atividade turística contribui para o crescimento económico, para a criação do emprego e para a redução dos desequilíbrios da balança de pagamentos. Contabilizando efeitos diretos e indiretos, o turismo representa 10% do PIB mundial; Concorre para 30% das exportações de serviços, 6% das exportações totais, igualando ou excedendo até as do petróleo, produtos alimentares ou automóveis, e é responsável por um em cada onze empregos. Razões mais que suficientes para o considerarem um motor essencial do desenvolvimento.A Sociedade das Nações instituiu em 1937, a primeira definição de turista, como “toda a pessoa que viaja por um período de 24 horas ou mais, para um país diferente do da sua residência”. Relativamente ao entendimento inicial, alarga o conceito estendendo-o às pessoas que se deslocavam com um objetivo que não propriamente o do lazer. Mistura quem viaja para lazer com quem mistura  outra atividade.Em 1942 foi proposta à Association Internationale des Experts Scientifiques du Tourisme ultrapassar alguns hiatos da definição anterior e para  HunziKer e Krapf o turismo é “ o conjunto de relações e fenómenos produzidos pelo deslocamento e permanência de pessoas fora do seu local habitual de residência, desde que esses deslocamentos e permanência não sejam motivados por uma atividade lucrativa principal, permanente ou temporária.”Em 4 de Junho de 1954, a ONU, na convenção sobre facilidades aduaneiras a favor do turismo, reformula a noção de turista, que passa a ser “toda pessoa, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião, que entra no território de um Estado contratante, que não seja aquele onde reside habitualmente, e nele permanece durante 24 horas, pelo menos e não mais de 6 meses, no decurso de um período contínuo de doze meses, se a sua viagem  tiver um motivo legitimo que não seja a emigração, tal como: turismo, recreio, desporto, saúde, família, estudo, peregrinações religiosas ou negócios”.Pontualmente foram feitas novas adaptações a este conceito mas só em 1991, a Organização Mundial de Turismo, conseguiu ultrapassar inúmeras críticas e tentar encontrar uma definição consensual, até para efeitos de uniformização estatística, definindo o conceito como “um fenómeno social, cultural e económico relacionado com o movimento das pessoas a lugares que se encontram fora do seu lugar de residência habitual por motivos pessoais ou profissionais. Estas pessoas são denominadas visitantes (podem ser turistas ou excursionistas; residentes ou não residentes) e o turismo tem a ver com as suas atividades, das quais algumas implicam um gasto turístico”.O turismo tem conhecido assinalável desenvolvimento. Segundo dados da OMT, as chegadas internacionais turísticas totalizavam os 25 milhões em 1950, os 278 em 1980, os 527 em 1995 e mais de 1100 em 2014. A Europa é o principal destino recebendo mais de metade dos turistas internacionais.Angola, enquanto colónia de Portugal não tinha qualquer iniciativa no d[...]



Remendo! / Àgora/ Novo Jornal /Luanda 26-5-2016

2016-05-28T00:51:52.177+00:00

Remendo!Num tempo em que 29, 622 kwanzas valiam um dólar, e outras mordomias como por exemplo partilharmos muito mais o pouco que se tinha, havia que se ter engenho e arte para conseguirmos matar o “tédio revolucionário”; bem mais tolerável que o “fastídio dos mercados”!               Numa noite abafada de Fevereiro de há trinta e cinco anos fui com uns amigos ao Kussunguila, um dancing na Ilha de Luanda, construída no tempo colonial junto a um higienizado e apelativo mercado do artesanato. Formávamos dois casais e entrámos numa sala enorme que estava praticamente às moscas. Os decibéis roufenhos e alterados de uma música razoavelmente má, num espaço onde o ar condicionado emitia um estridente e pautado som metálico enviando golfadas de ar quente, para uma sala que já se tornara quase uma camara de tortura.               As mesas eram para duas pessoas e apesar de as termos aproximado uma da outra só nos conseguíamos entender aos berros. Veio solícito o empregado e perguntou: Que desejam os camaradas? Pedimos cerveja, ao que ele adiantou que não havia rigorosamente nada fresco, e que já teria informado a Emprotel UEE, ou a Angotel UEE da avaria há uns tempos e ainda não se tinha diligenciado nada até ao momento. Perguntámos que é que havia para beber, e ele muito lesto disse: “Aguardente búlgara, Macieira e Havana Club”. Animados com a oferta disponível resolvemos arriscar a Macieira, e sinceramente ainda hoje guardo o travo daquele cognac de pacotilha que nos foi servido. Passou a ser urgente debandar e foi isso que fizemos deixando o funcionário na sordidez pouco iluminada de um dancing vazio. Saímos do Kussunguila e sinceramente jamais esqueci o bafo de calor que tão bem me soube!               Mais ou menos na mesma altura fiz uma viagem ao Lubango e entrei na que outrora tinha sido uma pastelaria de eleição no tempo colonial, a Tirol, em pleno “Picadeiro” , rua central da única cidade em toda a África que tinha mais brancos que pretos. A pastelaria tinha três balcões envidraçados, num tinha alguns bolos de aspeto manhoso, noutra uma mistura esquisita de velas e bolachas e numa outra rebuçados, confeccionados numa fábrica local ainda em funcionamento ao tempo. Naturalmente que quis comprar uns pacotes para trazer para Luanda, e pedi às duas camaradas que estavam em cada um dos dois outros balcões envidraçadas para me darem os rebuçados, e uma delas prontamente disse que não mos podia vender porque o camarada responsável por aquele sector não estava. Perplexo, mas resignado pela organização deste espaço quase vazio, mas cheio de gente e regras.               No dia seguinte, porque o voo para Luanda resolveu atrasar três dias, voltei e mais uma vez não consegui ter acesso aos rebuçados, porque o camarada responsável pelos “dropes, caramelos e correlativos” tinha-se ausentado nesse fim da tarde em que lá estive. Não consegui levar rebuçados nenhuns, mas fiquei sempre com a história para repetidamente contar.               Num restaurante manhoso no Dondo sentei-me e pedi o prato do [...]



O FIM COMEÇA A TER PRINCÍPIOS! / O INTERIOR/ Guarda 11-5-2016

2016-05-22T14:06:02.685+00:00

O FIM COMEÇA A TER PRINCÍPIOS!O interior do país está-se a transformar há muitos anos num quotidiano de desesperança.               Não há área nenhuma que não deixe de patentear o perfeito estado de absoluto catatonismo, em que os estados de excitação são cada vez mais fugazes e os de passividade a eternizarem-se no tempo.               Portugal, ”o meu remorso de todos nós” como disse O’Neill, está a transformar-se num deserto, onde vai sobrevivendo a burocracia, que os serviços cada vez mais concentrados na malha urbana de grandes cidades vão impondo, sem tampouco se aperceberem que a realidade no terreno é bem diferente das iluminadas salas climatizadas dos gabinetes. Quando Portugal ficou pejado de autoestradas e vias estruturantes, o que se conseguiu foi acabar definitivamente com um resto de ruralidade que ia pejando nostalgicamente o imaginário de todos. A ruralidade dos sabores, dos odores e das paisagens eram fatores de unidade num país que se tornou higienizado em demasia, onde a madeira e o mármore é substituído pelo azulejo e o inox.Não era desejável prevalecer a mentalidade “ruralizante” que se impôs no País desde os tempos da monarquia decrépita, Do caciquismo antirrepublicano da 1ª Republica e Do corporativismo serôdio do Estado Novo. Era importante manter alguma identidade que diferenciasse o interior “rural”, e que conseguisse ser uma referência num território. Tudo se vai paulatinamente perdendo, e vamos sobrando por aqui uns quantos, que vão acendendo e apagando a lâmpada em função da movimentação do sol. Somos nós os que vamos teimosamente ficando a pagar as portagens de estradas quase desertas, a gastar mais eletricidade e gaz porque o clima é mais agreste, enfim a envelhecer sem vontade nenhuma de rir, porque os recursos são cada vez mais parcos.O associativismo, que nesta fase podia ser importante para manter alguma atividade económica e algum dinamismo social, está à beira do fim porque as pessoas estão cansadas, desmotivadas e não disponíveis para um trabalho pouco dignificado e com cada vez mais encolho por parte da burocracia instalada. O associativismo juvenil já vive dalguma “peste grisalha”!!! dos seus dirigentes e animadores, e cada vez menos se vê gente nova e propostas inovadoras nas associações juvenis, incubadora de eleição dos potenciais dinamizadores do futuro nas associações .Podem dizer que sou pessimista, mas sou-o com a legitimidade de há quase trinta anos manter as mesmas ideias e convicções em relação à “saharização” do interior, e a verdade é que os factos são infelizmente teimosos e tem-me dado a razão troda.Confesso que desvislumbro melhorias, e não vai ser nada fácil inverter o estado das coisas porque é um circulo vicioso e desvirtuado, em que a economia vai perdendo importância e inerentemente as pessoas deixam de ter opções para se empregar e buscam novas paragens e outras aragens.Exigia-se há muito uma descriminação positiva para o interior mas como não há força aqui, nem interesse nos órgãos centrais, mantém-se tudo como está e com tendência para piorar!               Para tudo há um começo e um fim, o interio[...]