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Restaurante no fim da Blogosfera



Science is built up of facts, as a house is built of stones; but an accumulation of facts is no more a science than a heap of stones is a house - Henry Poincaré



Updated: 2016-09-08T05:33:37.043+01:00

 



E Vão Cinco Noves Fora Nada

2012-01-03T18:22:44.435+00:00

Meus amigos e ocasionais transeuntes, este blogue faz hoje 5 anos que viu a luz do dia. Ao fim de cinco anos teve altos e baixos, mas ultimamente mais baixos que altos. Este dia vai ser também aquele que vou concretizar o que já pairava na minha cabeça há um tempo: fechar o tasco permanentemente. Tudo tem um tempo e uma altura certa para existir. É melhor acabar de vez do que arrastar um cadáver. Se muitas bandas fizessem o mesmo teríamos menos ruido à nossa volta. Já agora, se querem mesmo saber porque fechamos, foi mesmo o aumento do IVA. Como não tenho ninguém para despedir, fecho a loja. E vou seguir o conselho do nosso PM e emigrar, como de resto a Jarónimo Martins já fez. E também vou para a Holanda, mas vou vender cannabis.Antes ficam aqui as minhas breves impressões do ano que findou. Em consonância com a crise, as escolhas são escassas e reflectem apenas o que tive pachorra de ouvir/ver/ler.Os melhores de 2011, categoria músicas para bailarico:1. Low – C'monseguidos de:Veronica Falls – "Veronica Falls"PJ Harvey – "Let England Shake"Dum Dum Girls – "Only in Dreams"Engracadito:Tennis – "Cape Dory"Um bom regresso:Wire – "Strays"Não Há Pachorra:Radiohead – "The King of Limbs"Com mais do mesmo, perdeu-se a graça:Fleet Foxes – "Helplessness Blues"Boa Canção que irrita muita gente:Lana del Rey – "Video Games"Os melhores de 2011, categoria concertos:1. Swans @ Aula Magna2. Bonnie “Prince” Billy @ Teatro Maria Matos3. Ben Frost @ Teatro Maria Matos4. Six Organs of Admittance @ Teatro Maria Matos5. James Blackshaw + Nancy Elizabeth @ Teatro Maria Matos6. Max Richter @ Teatro Maria MatosComo podem reparar o Teatro Maria Matos é um espaço a ter cada vez mais em conta, inclusivamente financeira.Os melhores de 2011, categoria filmes:1. Sangue do Meu Sangue de João Canijoseguido deA Árvore da Vida de Terrence MalickBeginners de Mike MillsMães e Filhas de Rodrigo GarcíaO Discurso do Rei de Tom HooperInception de Christopher NolanO Castor de Jodie FosterOs melhores de 2011, categoria leituras:"A Questão Finkler" de Howard Jacobson, por ser o único título editado em 2011 que li.Com uma atenção especial a:"O Retorno" de Dulce Maria Cardoso.por ainda não ter lido, mas estar na já calha finalmente depois de me o subtrairem por duas vezes seguidas.E por aqui me fico, com uma despedida em grande: src="http://www.youtube.com/embed/faJE92phKzI" allowfullscreen="" frameborder="0" height="244" width="400">The Dave Brubeck Quartet – Take FiveHasta Siempre. Vemo-nos na Revolução que tarda em chegar.[...]



It's The End of the World as We Know It (and I Feel Fine)

2011-11-22T15:37:31.173+00:00

Lembrando um texto recente da chafarica, notícias fresquinhas apontam cada vez com mais segurança que o Higgs possa ser uma simples miragem. De momento resta a gama de 114-141 GeV para o encontrar (a gama entre 141 e 476 GeV já foi esquadrinhada). Lá para Dezembro já haverá notícias da análise dos resultados entratanto acumulados.

Quanto aos neutrinos superluminais, o grupo responsável pela experiência não só rebateu as objecções colocadas até ao momento por vários físicos bem como outro grupo pertencente aos laboratórios envolvidos repetiram a experiência e obtiveram mais um conjunto de 20 eventos (o que não é muito), com a diferença que os pulsos de protões usados para gerar os neutrinos diminuiram para uns insignificantes 3 nanosegundos (em vez dos 10,5 microsegundos da experiência inicial) por forma a reduzir a incerteza no intervalos de tempo medidos, eliminando as dúvidas na correspondência do evento gerador associado ao neutrino detectado. Ainda assim, o grupo reproduziu a diferença de 60 nanosegundos relativa à velocidade das partículas de luz. Se bem que neste caso o cepticismo continue, não se prevê que o assunto fique resolvido, como no caso do Higgs, até Dezembro, mas antes somente daqui a uns dois ou três anos.

Finalmente, muitos físicos e filósofos da ciência vêm debatendo desde o princípio do século XX o significado a famosa função de onda (é uma realidade física? É uma probabilidade?). M. F. Pusey, J. Barrett, e T. Rudolph publicaram um artigo (The quantum state cannot be interpreted statistically) com um teorema que relança não só a questão, como parece indicar que o dita função de onda das partículas elementares tem mesmo um significado físico real. Pese embora o seu carácter abstracto e teórico, as implicações do resultado são muito profundas por voltarem a reequacionar a interpretação da realidade quântica, para todos os efeitos, uma realidade sem correspondência com absolutamente nada que vivenciamos no dia a dia.

Agradece-se aos R.E.M. o empréstimo do título.



Reflexões III

2011-11-21T13:58:49.195+00:00

As notícias dão-nos conta que no Egipto já há, pelo menos, mais de três dezenas de mortos em confrontos com a autoridade. No fundo, isto é como com as estações do ano. Primeiro veio a Primavera e com ela a esperança. Depois veio o Verão e a confiança. No entanto, a inevitabilidade do tempo diz-nos que a seguir vem sempre o Outono e que nenhuma esperança retorna sem passar pelo Inverno.



Reflexões II

2011-11-11T11:51:29.804+00:00

Alguém que explique ao Otelo Saraiva de Carvalho que os governos agora não se derrubam com armas mas sim com taxas de juro.



Reflexões I

2011-11-10T22:10:45.853+00:00

Um Primeiro Ministro com o nome de Papademos, só pode ser uma excelente escolha para enfrentar os males da Grécia.

(image)



Max Richter @ Teatro Maria Matos (5 de Novembro de 2011)

2011-11-06T16:40:00.929+00:00

De volta à escrita, e depois do concerto de Bonnie "Prince" Billy neste mesmo palco (crítica aqui), foi a vez de dar lugar à música melancólica de Max Richter. Com o objectivo de apresentar o seu último trabalho, Infra (2010), o concerto acabou por ser dividido em duas partes. Na primeira parte, a tela ao fundo do palco dá lugar a uma animação minimalista de personagens femininas e masculinas que se passeiam incessantemente de um lado para o outro, ao passo que Max Richter introduz as componentes electro-acústicas com um pequeno portátil e que sustentam as peças musicais que se desenvolvem ao piano e com uma pequena orquestra de câmara (dois violinos, uma viola e dois violoncelos). No seu elenco aparecem John Metcalfe (viola), nem mais nem menos que um ex-membro dos Durutti Column de Vini Reilly e recentemente responsável pelos arranjos dos últimos discos de Peter Gabriel, e que com Louisa Fuller (1º violino) forma o The Duke Quartet. Os temas de Infra vão-se desfiando ao sabor de uma peça orquestral dividida por movimentos, e que só terminam com o final da primeira parte do concerto. A música do disco, desconhecida para mim até aquele momento, vem na continuidade do seu trabalho anterior, em que os elementos electro-acústicos introdutórios dão o mote para um ambiente carregado de negrume e uma opressão claustrofóbica sublinhada pelas bátegas de água da chuva sendo depois melancolicamente sobrespostos pela música do piano (minimalista e afim dos tons melódicos dos compositores clássicos de princípio do século XX) mas acima de tudo comandados pelo quinteto de cordas, cujas referências se situam claramente na esfera de um Michael Nyman mas de raíz assumidamente mais classissista. Finda a apresentação, seguem-se 20 minutos de intervalo para dar lugar à segunda parte, onde Richter revisita parte da sua obra anterior. E que melhor maneira de começar senão por esse excelso disco que é The Blue Notebooks (2004), obra onde as palavras de Kafka são veiculadas pela voz da actriz Tilda Swindon, com o tema “On the Nature of Daylight”. Assim, a segunda parte torna-se mais descontraída e mais motivadora de empatia com o público que enchia a sala (para surpresa minha e dos meus companheiros destes concertos no Maria Matos), certo de que a música de Richter que acompanhou filmes como Shutter Island de Scorcese ou, em particular, Valsa com Bashir de Ari Folman onde assinou a banda sonora, tenha motivado esta adesão. Os temas vão-se seguindo e o concerto termina com o maravilhoso “The Trees”, infelizmente manchado por problemas de som onde o irritante feedback inicial nem sequer foi o pior momento. O crescendo final que estava reservado para o concerto por vezes foi penoso de ouvir. Quanto aos músicos estiveram em forma, passe o pormenor de em duas ou três ocasiões a harmonia de conjunto ter momentaneamente falhado, mas rapidamente corrigida que nem terá dado tempo para a esmagadora maioria dos presentes perceber. 3,5/5[...]



A Ciência da Arte

2011-10-07T14:29:38.775+01:00

«Notação é uma arte, não uma ciência», admite Standard&Poor's

Ou seja, nós não estamos cientificamente falidos, mas sim artisticamente fodidos.



Os Cristais Que Não o São

2011-10-06T14:20:41.968+01:00

Este ano os Prémios Nobel estão a chamar-me um pouco mais a atenção, neste caso porque o da Química premeia alguém que se move por uma ciência que me é particularmente cara: a Cristalografia. Assim, o israelita Dan Shechtman, que em 1984 trabalhava no NIST (National Institute of Standards and Technology, na altura conhecido como National Bureau of Standards), recebeu o Prémio Nobel da Química de 2011 por ter descoberto os quasi-cristais. O significado da descoberta advém do facto de se julgar que apenas as substâncias cristalinas (toda a substância sólida que apresenta periodicidade translacional nas três direcções do espaço) produziam padrões de difracção de raios-X e de abrir ao conhecimento uma multiplicidade de formas como os átomos de uma estrutura sólida podem ser arrumados. O facto de os cristais terem periodicidade (ou se quisermos, simetria) translacional, implica necessariamente (e é facilmente demonstrado matematicamente) que admite apenas um número limitado de simetrias de rotação, a bem dizer, 5. Estas simetrias designam-se por 1, 2, 3, 4 e 6 e representam o número de vezes em que podemos dividir a rotação completa de uma circunferência, ou seja, 360º. O estranho de tudo isto foi quando Dan Shechtman obteve um padrão de simetria rotacional 10 e por vezes 5, ou seja, em forte contradição com as restrições impostas pela simetria translacional. Como não se acreditava que outras substâncias, que não as cristalinas, podiam apresentar estes padrões, a reacção inicial foi de rejeitar o resultado. A persistência do laureado e de outros seus colaboradores, permitiu-lhes ir em frente e publicar os resutados na Physical Reiew Letters em 1984 abrindo assim caminho a um conjunto de outras estruturas cuja característica principal é sererem simétricas, mas aperiódicas, que o mesmo é dizer, sem simetria translacional. A estas novas estruturas deu-se o nome de quasi-cristais.Os padrões aperiódicos não eram contudo novos e haviam já sido gerados e descobertos por matemáticos. Os mais famosos dos quais são devidos ao matemático inglês Roger Penrose, e são conhecidos como Padrões de Penrose (Penrose tillings). Estabelecer a ponte entre estes padrões e as novas estruturas descobertas foi bastante rápido. De salientar finalmente que os quasi-cristais estudados são normalmente ligas metálicas e são todos sintéticos. Contudo, e por mero acaso, neste ano de 2011, foi publicada a descoberta do primeiro quasi-cristal natural, na revista American Mineralogist, com o sugestivo nome de icosaedrite (devido à simetria 5 do icosaedro) e com a composição Al63Cu24Fe13.Para terminar, uma nota para referir que ao contrário do título da notícia do Público, os manuais de cristalografia não estavam errados, nem nunca estiveram, como se depreende do que aqui escrevi.[...]



E o Nobel da Física vai para...

2011-10-06T14:17:53.482+01:00

…a expansão acelerada do Universo. Os premiados são os físicos Saul Perlmutter do Lawrence Berkley National Laboratory e University of California at Berkley, Brian P. Schmidt da Australian National University e Adam G. Riess da John Hopkins University. E o tema é também muito especial a este blogue, dado que no seu espírito inscreve-se a divulgação científica, e este tema agora laureado com o Nobel da Física, foi objecto de um dos primeiros textos sobre ciência [1 e 2] que aqui foram publicados. A história empolgante que envolveu esta descoberta extraordinária, e que levou a revista Science a elegê-la em 1999 como a descoberta científica do ano, vem muitíssimo bem descrita no livro The Extravagant Universe, também ele uma das primeiras “críticas literárias” aqui do tasco.

(image)
Saul Perlmutter, Brian P. Schmidt e Adam G. Riess



Música Para Embalar

2011-10-03T12:01:37.069+01:00

Sleepingdog é o nome sob o qual a neerlandesa Chantal Acda grava desde 2006 e conta já com 3 álbuns no currículo, sempre em parceria com Adam Wiltzie dos Stars of the Lid e Dead Texan, pugnando por uma melancolia ambiental poderosa e sofisticada onde a voz de Chantal percorre sons afins de uma folk pastoral. Já deste ano e com o título “With Our Heads in the Clouds and Our Hearts in the Fields”, fica a amostra da primeira faixa “Untitled Ballad of You and Me”.

src="http://www.youtube.com/embed/3upB-2b0pzo" allowfullscreen="" frameborder="0" height="244" width="400">

Untitled Ballad of You and Me – Sleepingdog ( With Our Heads in the Clouds and Our Hearts in the Fields, 2011)




Tragédia Grega: Epílogo

2011-09-29T11:06:13.464+01:00


(image)
Epifania da Tragédia.



Tragédia Grega: Acto IV

2011-09-28T13:28:16.697+01:00


(image)



Tragédia Grega: Acto III

2011-09-27T11:06:09.810+01:00

(image)
Símbolo a usar pelos nacionais dos Estados endividados da UE sempre que se desloquem à rua.



Tragédia Grega: Acto II

2011-09-26T11:15:13.115+01:00

(image)

© Tom Trouw



Tragédia Grega

2011-09-24T01:11:04.332+01:00

(image)
Do FMI ao FIM: Fodidos por Insolvência Monetária.



Sciencequake

2011-09-23T17:02:01.579+01:00

(image)
De tempos a tempos há descobertas científicas que têm um impacto extraordinário na sociedade. Desde ontem que uma notícia percorre os meios de comunicação dando conta que cientistas italianos, em conjunto com o CERN, estiveram 3 anos a medir neutrinos emitidos no CERN em Genebra (partículas de massa quase quase nula, e que podem atravessar o interior do planeta de um lado ao outro sem qualquer problema, já que interagem muito pouco com a matéria normal), e chegaram à conclusão que fizeram a distância que separa o emissor de neutrinos do detector (situado no laboratório de Gran Sasso em Abruzzo, na Itália), em menos 60 nanosegundos (com um erro de 10 ns) do que deveriam se se deslocassem à velocidade da luz. Isso significa que o postulado base da Teoria da Relatividade Restrita de Einstein, de que nada se desloca a uma velocidade superior à de uma partícula de luz, que se designa por fotão, está incompleto. Em primeiro lugar, este resultado não invalida a teoria de Einstein, eventualmente torna-la-á menos completa e generalizável do que se julga. Em segundo lugar, este resultado é por demais surpreendente, de tal maneira que mesmo os cientistas que efectuaram a experiência são, porventura, dos mais cépticos. Mas o impacto de uma descoberta deste calibre é de tal maneira grande, ou não fossem as teorias de Einstein um dos pilares base do edifício científico humano, que conforme é comum nestes meios dizer-se: “extraordinary claims require extraordinary evidence”. E assim o mais certo é ficarmos uns anos em banho-maria à espera de uma replicação da experiência para verificar, efectivamente, se os resultados se confirmam ou não. É assim que isto funciona. A outra descoberta do momento, ou melhor, a falta dela, é que no LHC (Large Hadron Collider) já foram esquadrinhados os níveis de energia entre 145 e 466 GeV (Giga electrão-volt) e nem sinal do bosão de Higgs. Ou seja, procurou-se basicamente onde o dito bosão poderia estar e... nem vê-lo! Mas neste caso, tal como no da notícia de ontem, é preciso tempo para reconfirmar os dados. No caso do Higgs, actualmente a banda de confiança de que o bosão não estará lá é de 95%, o que significa que ainda há uma probabilidade de 5% de ter escapado aos cientistas. Mas à medida que os dados acumulam, essa banda vai diminuindo até um ponto que só quase por crença é que ainda se acredita que possa existir. Qualquer destes casos trarão implicações extraordinárias para as duas principais teorias da actualidade: a Teoria da Relatividade e a Teoria Quântica. Se se confirmarem os resultados, um mundo excitante de novos modelos e ideias irá mais uma vez mudar um pouco mais a nossa concepção do Mundo.



Bons Princípios

2011-09-22T11:47:04.219+01:00

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Escapada cinéfila, com mais de duas semanas de atraso, serve a presente nota para falar de um singelo e simpático filme que dá pelo infeliz nome de “Assim é o Amor” mercê da criatividade dos distribuidores que assim se lembraram de baptizar este “Beginners” de Mike Mills. E é de principiantes que o filme trata, principiantes no desenrolar de uma nova vida, no sentido do recomeço. O filme deambula por um presente que vai buscar justificações a um passado distante e a um bem mais recente. Oliver (Ewan McGregor) vai desfiando os últimos 4 anos da sua vida a partir do dia em que o seu septuagenário pai (Christopher Plummer) se assume como gay depois do falecimento da sua mãe. A partir desse dia, o puzzle com muitas das memórias de infância passa a encaixar coerentemente. Mas é através da relação com o pai, à medida que também vai desfolhando a sua relação do presente com Anna (Málanie Laurent), que Oliver parece encaminhar-se para uma vida emocional mais estável e duradoura. Mas como em tudo o que implica trilhar novos caminhos, nada é simples nem fácil, e é através da lenta compreensão, ou mesmo apreciação, da atitude do pai perante a vida e que culmina com a sua luta com o cancro, que Oliver tem a coragem de dar o passo que, até aí, se vira incapacitado. Excelente trabalho de actores e uma montagem competentíssima, sem nunca deixar o espectador perdido, com pequenos blocos de marcos da cultura popular que enquadram momentos chave da vida dos personagens. É bom ver filmes assim.

(4/5)



País Irreal

2011-09-19T13:54:29.884+01:00

Nesta última semana, as notícias absurdas sucederam-se a um ritmo alucinante. A bem dizer, a culpa não está nas notícias, mas naquilo que configuram sobre um Governo que parece estar a cair num estado de desespero e desorientação inauditos. Se se mantivessem os prémios do Restaurante instaurados nos primórdios deste estabelecimento, creio que seria difícil apresentar um vencedor. Vamos então por partes.

Descobre-se na Madeira que existe um buraco orçamental de mais de 1.100 milhões de euros, ao que o palhaço de serviço do costume já veio contra-argumantar que o fez “em legítima defesa dos ataques do governo socialista”, que “não está minimamente preocupado com a situação”, que a “obra continuará a ser feita”, que “não haverão cortes salariais na região”, e tudo o mais que o mais criativo dos políticos possa imaginar. Se Passos Coelho já tinha levado um murro no estômago com as agências de rating, agora parece ter levado uma bordoada na face e um potapé nos colhões que até se torce de dores no chão. O Ministro das Finanças, o testa de ferro do Governo, subitamente calou-se. E o país continua a ver passar o cortejo carnavalesco com o folião Jardim à cabeça, a bater palmas e a rir-se. Entretanto já vieram notícias a público que, quer Cavaco Silva, quer a PGR, sabiam da situação. Vai-se a ver e os dividendos da venda de acções do BPN por parte do PR foram investidos na zona franca da Madeira.

O Governo cometeu a inacreditável proeza de incluir na lista de organismos a extinguir o Centro Internacional de Luta contra a Poluição no Atlântico Nordeste (CILPAN), coisa que não tem poderes nem competência para o fazer porque o dito organismo foi criado ao abrigo de um tratado internacional entre a Comissão Europeia, a Espanha, a França, Marrocos e Portugal. Não fosse tudo isto triste e de um embaraço monumental para a aventesma (para não dizer profundamente incompetente e estúpido) que teve a brilhante ideia, e até dava vontade de rir.

Afinal o projecto do TGV vai em frente... mas em via única. Aqui deixo apenas o comentário de um leitor do Público que afirmava que estava profundamente convencido que se tratava de um título do Inimigo Público. Acho que não é preciso dizer rigorosamente mais nada.

Para terminar, desejo apenas que em breve, quer madeirenses quer continentais, saibam onde fica a Praça Tahrir.



Six Organs of Admittance @ Teatro Maria Matos (10 Setembro de 2011)

2011-09-12T13:29:53.880+01:00

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De volta às impressões sobre concertos, e agora que se aproximam uma mão cheia de acepipes neste mesmo Teatro Maria Matos (excelente programação, nunca será demais reforçar), desta vez coube ao guitarrista Ben Chasny na versão Six Organs of Admittance a abertura das hostilidades para a rentrée. Guitarrista de créditos firmados deambulando pelas franjas folk do presente século, embora intervaladas por ambientes mais eléctricos, foi a primeira versão que trouxe ao palco do Maria Matos. Sozinho em palco, com uma guitarra que ia dedilhando com destreza assinalável, só lá para o quarto tema é que as notas saiam sem atropelos nas partes mais exigentes das composições. E as composições iam-se sucedendo entre pequenos instrumentais e simples canções numa voz de segundo plano que reforça os traços mais intimistas e sombrios das melodias. Estas por seu lado, tendem para a divagação e raramente se repetem, a não ser nos pequenos detalhes, o que a páginas tantas até dá espaço para mandar umas piadas à custa de estilos musicais. A tempos Ben Chasny vai referindo o nome de alguns temas, como “Elk River” ou “Drinking with Jack” e nós imaginamos o pôr do sol e a melancolia de uma paisagem florestada vista de um alpendre de madeira, garrafa na mão e dois dedos de conversa com risos pelo meio. Este bem podia ser um dos vários efeitos visuais que a sequência de notas que saem da guitarra de Chasny nos sugerem. Um agradável concerto, intimista, bem apreciado e recebido por uma sala cheia, a dar o prazer de uma hora bem passada. (4/5)



Face-te Fude

2011-09-06T21:39:30.238+01:00

Aquilo que poderia ter-se transformado numa forma inteligente de espetar uma farpa no governo, se dito de forma jocosa, vai ficar no anuário como mais uma atoarda da silly season, tal a seriedade com que o Bastonário da Ordem dos Médicos propôs taxar a dita “comida rápida”. Há certos pensamentos que, quando demasiadamente digeridos, dão na mesma substância que o cartoonista brasileiro Laerte ilustra tão bem nesta tira a propósito do mesmo assunto:

(image)
(C) Laerte




Paragem...

2011-08-07T20:39:56.404+01:00


(image)
Visitantes ocasionais e perdidos na blogosfera, a chafarica vai para férias... Boas férias também.



A Morte Improvisada

2011-07-10T12:11:19.605+01:00

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Morreu hoje Jorge Lima Barreto, contava 61 anos. Figura incontornável da música experimental e improvisada em Portugal, ajudou a moldar uma certa franja musical portuguesa que se movia na fronteira entre o pop/rock e a música erudita. O seu prmeiro projecto, a Anar Band, é partilhado com Rui Reininho e tem um único registo discográfico em 1976/77. Mas viria a ser mais tarde, em 1982 com a edição de “Ctu Telectu” (a reedição foi aqui mencionada na altura), primeiro registo dos Telectu agora com o ex-GNR Vítor Rua, que o nome de Jorge Lima Barreto viria a ter maior proeminência, pese embora o cariz ultra-minoritário dos que acompanharam o percurso da banda. A presença nos palcos do CAM da Gulbenkian marca o local onde vi os Telectu pela primeira vez, até uma sessão ao ar livre e um simples piano para improvisar, na Expo, para não mais o reencontrar. A obra é relativamente vasta se considerarmos o público a que se dirigia, e as colaborações diversas, em especial na esfera da improvisação, tais como Carlos Zíngaro e vários músicos estrangeiros. Para além da vertente de compositor e músico, Jorge Lima Barreto também se preocupou com questões de musicologia e de música moderna com vários livros publicados, de onde se destaca, pela maior visibilidade relativa, “Musica Minimal Repetitiva” e “Rock & Droga”. Sem dúvida que a cultura portuguesa perdeu uma pedra importante, mal-grado a polémica que gerava no seio do meio artístico, e em especial em Portugal, onde este é demasiadamente pequeno.



A Única Notícia Que Haverá Aqui Sobre os Festivais

2011-07-09T00:00:57.123+01:00

Lá para os lados de Algés descobriu-se que para ir até Marte são precisos bem mais do que 30 segundos.



Portulixo

2011-07-06T13:01:00.573+01:00

Ontem uma agência de rating colocou o país... ou melhor, a sua dívida, ao nível do lixo. Mas o mais curioso é verificar a prole de alguns economistas e gestores virem agora a terreiro a classificar esta decisão de, nada mais nada menos, terrorista. Sim, esses mesmos, que agora finalmente vêm consagrado no governo do país a possibilidade de uma política liberal, a tal que representa a salvação para os nossos problemas, a tal cuja negação por anteriores governos representava um forte condicionamento às classifcações dadas pelas mesmas agências, as quais foram sempre justificadas por razões superiores de mercado. Esta mesma gente, ontem como hoje, não percebe que no lixo já estamos nós todos, que para o poder do capitalismo mundial, os povos não são mais que lixo, os trabalhadores não são mais que uma simples peça numa engrenagem que visa o lucro e a ganância das especuladores. Estamos num patamar em que por mais roupa que tiremos do nosso corpo, teremos sempre roupa a mais em cima. E isso inclui a nossa pele.



A Revolução do Gil

2011-05-28T16:16:35.355+01:00

Raras vezes faço ecos de óbitos, mas Gil Scott-Heron foi um dos nomes fundamentais da música negra americana, nome influente no desenvolvimento dos estilos musicais hoje conhecidos como rap e hip-hop. Possuidor de uma voz de barítono vinda das profundezas da alma, Scott-Heron havia editado um disco o ano passsado, por sinal enaltecido aqui como um dos melhores que saíram durante o ano, após mais de uma dezena de anos de silêncio. Como gesto de homenagem ao homem que foi e ao legado que nos deixa, fica aquele que será, porventura, o seu tema mais celebrado, “The revolution will not be televised”.

src="http://www.youtube.com/embed/rGaRtqrlGy8" allowfullscreen="" width="400" frameborder="0" height="244">

The revolution will not be televised - Gil Scott-Heron (Small Talk at 125th and Lenox, 1970)