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letras são papéis



que a chuva molha, que o fogo consome, que o vento leva, que o tempo apaga...



Updated: 2018-02-23T12:22:52.092+00:00

 



Quantas pessoas te amaram?

2018-02-21T02:09:36.497+00:00

«Quantas pessoas te amaram? Quantas amaste? O afecto é a melhor forma de saberes o tamanho da tua vida. Ou seja, do até onde exististe. Haverá outro balanço para saberes se ela valeu a pena?»

Vergílio Ferreira, Pensar, texto 470



Do baú...

2018-02-19T19:36:28.144+00:00


Soizick Meister
Magros de sentimentos
Arrastamo-nos por dias
De modorra e de silêncio.

Buscamos, na luz opaca,
Agasalho para um coração
exilado de abraços e de ternura.

Procuramos, na monótona cor,
a flor rubra, o sopro
que nos falha, a voz
que em nós finda.

Deslizamos, sonâmbulos,
pela berma do que fomos,
onde não restam seiva ou sangue,
onde já não pousam cantos
nem voos de aves.

Ali, onde as sementes
se esqueceram
de amadurecer flores.
Ali, onde nos sobram horas
e braços
para tão pouca vida.

deep, Abril de 2013



The Carnival is over

2018-02-16T00:18:10.489+00:00

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Chá, leite ou café?

2018-02-07T19:42:06.241+00:00







Um café "solo"

2018-02-05T22:50:00.318+00:00


Um café. Quente, escuro e aromático,
por favor.
Um café "solo", como convém à minha 
solidão crónica.
Um café que possa degustar em sorvos lentos.
A acompanhar?
Nada. Um café "solo". Penso tê-lo dito
num tom audível.
Mas, desculpe, se tiver um raio de sol, agradeço.
Um desses raios de sol de Primavera arrependida,
para deglutir, com o corpo todo, de um só trago.
Um desses raios de sol que nos esvazia a alma e,
bendito seja!, nos impede de mastigar pensamentos.
É isso: um café quente, escuro e aromático, servido
com um raio de sol... ah, e se não for pedir muito,
uma cadeira, até pode ser de plástico.

deep, Maio de 2017



Das minhas leituras

2018-02-05T20:11:43.470+00:00

Veio, há dias, parar-me às mãos um romance histórico da Alice Vieira que desconhecia: Os Profetas.Trouxe-o para casa e, entre um fim de tarde de sexta e algumas horas de sábado, degluti-o.
A narrativa, baseada em factos reais, tem como protagonistas tio e sobrinha, moradores em Porto Santo, no reinado de D. João III, que, por serem acusados de heresia, são trazidos para o continente. A narração faz-se em primeira pessoa, pela voz da sobrinha que, muitos anos depois, à beira da morte, relata, em retrospectiva como tudo se passou.

Para os curiosos, fica um link para algumas páginas.




Tanta gente

2018-01-29T13:06:23.436+00:00


Caspar David Friedrich, Caminhante sobre o mar de névoa (1818)

«Todos estamos sozinhos, Mariana. Sozinhos e muita gente à nossa volta. Tanta gente, Mariana! E ninguém vai fazer nada por nós. Ninguém pode. Ninguém queria, se pudesse. Nem uma esperança.»

Maria Judite de Carvalho, Tanta gente, Mariana



Crepúsculo

2018-01-20T22:32:03.941+00:00





Igual-desigual

2018-01-20T19:32:07.531+00:00


Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são
iguais.
Todos os partidos políticos
são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda
são iguais.
Todas as experiências de sexo
são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
e todos, todos
os poemas em versos livres são enfadonhamente iguais.
Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais iguais iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou
coisa.
Não é igual a nada.
Todo ser humano é um estranho
ímpar.

Carlos Drummond de Andrade



A origem do mundo

2018-01-14T12:49:55.508+00:00


De manhã, apanho as ervas do quintal. A terra,
ainda fresca, sai com as raízes; e mistura-se com
a névoa da madrugada. O mundo, então, 
fica ao contrário: o céu, que não vejo, está
por baixo da terra; e as raízes sobem
numa direcção invisível. De dentro
de casa, porém, um cheiro a café chama
por mim: como se alguém me dissesse
que é preciso acordar, uma segunda vez,
para que as raízes cresçam por dentro da
terra e a névoa, dissipando-se, deixe ver o azul.
Nuno Júdice, Meditação sobre ruínas



Instantes

2018-01-10T00:14:11.699+00:00

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Belas palavras do amigo Zé Marto



Como no?

2018-01-09T19:11:49.935+00:00


Num restaurante em Barcelona




Perderam-se nos saldos

2018-01-06T10:29:04.315+00:00


Um "boneco" surripiado à mana




Leituras - Balanço do ano

2018-01-05T01:45:55.580+00:00

A ideia não é nova e não é minha... deixo algumas sugestões de livros que li ou reli em 2017:

Histórias de Ver e Andar - Teolinda Gersão
A Gorda - Isabela Figueiredo
Perguntem a Sarah Gross - João Pinto Coelho
Coração Mais que Perfeito - Sérgio Godinho
A Gaveta do Fundo - A. M. Pires Cabral (releitura)
Crónica do Rei Pasmado - Gonzalo Torrente Ballester (releitura)
O Fantasma de Canterville - Oscar Wilde (releitura)
Os da Minha Rua - Ondjaki
Morder-te o Coração - Patrícia Reis
O Coração é um Caçador Solitário - Carson McCullers
A Herança de Eztér - Sandór Marai
Desnorte - Inês Pedrosa
Carta a uma Amiga - Inês Pedrosa
O Gerânio e Outros Contos - Flannery O'Connor
Um Sorriso Inesperado - José Riço Direitinho
O Livreiro de Paris - Nina George
É Assim que a Perdes - Junot Díaz
Marranos em Trás-os-Montes - Judeus Novos da Diáspora - António Júlio Andrade e Maria Fernanda Guimarães
Marcas Arquitectónicas Judaicas e Vítimas da Inquisição no Concelho de Mogadouro - Antero Neto
Caderno de Memórias Coloniais - Isabela Figueiredo
A Mulher que Prendeu a Chuva - Teolinda Gersão
La Memoria Secreta de las Hojas - Hope Jahren (por terminar)
O Meu Nome é Vermelho - Orhan Pamuk (por terminar)

Pelo meio, excertos de diários, alguns contos, alguma poesia,...





Receita de Ano Novo

2017-12-27T15:53:36.648+00:00

Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (...)Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumadas nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver. Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre. Carlos Drummond de Andrade Com votos de um novo ano bom, em que imperem os dias felizes, saúde e boa disposição![...]



A meu favor

2017-12-19T00:25:49.388+00:00

A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer
A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.

Do poeta Alexandre O'Neill, que nasceu num dia 19 de Dezembro (1924)



O crítico literário vai de férias à província

2017-12-17T13:28:39.350+00:00


Da varanda do quarto
viam-se
em vez das aliterações
o vale

e os pinheiros bravos
a subir
o monte. Acordava-se assim
a ver as coisas

concretas. Como se
afinal
além da literatura houvesse

mundo: casas;
pessoas; pássaros que
voavam mesmo

José Carlos Barros



Ofertas

2017-12-16T10:56:01.950+00:00


Um presépio em origami, que é, ao mesmo tempo, cartão de Boas Festas e íman. Feito e oferecido pela mana.



Tricotar afectos

2017-12-16T01:37:29.809+00:00





A versão sádica

2017-12-15T01:00:34.302+00:00





Como se fossem líquidos

2017-12-13T01:30:16.941+00:00


Robert Doisneau, "La première maitresse"

«Os dias deslizam como se fossem líquidos. Não tenho mais cadernos onde escrever. Também não tenho mais canetas. Escrevo nas paredes, com pedaços de carvão, versos sucintos. Poupo na comida, na água, no fogo e nos adjetivos.»

in Teoria Geral do Esquecimento

Do José Eduardo Agualusa, que hoje está de parabéns.





llueve mucho, mucho

2017-12-10T22:21:14.801+00:00


«hoy llueve mucho, mucho,
y pareciera que están lavando el mundo»

Juan Gelmán, "Lluvia"



Amor à terra

2017-12-10T10:50:53.974+00:00

Ainda a Lispector:

Laranja na mesa.
Bendita a árvore
que te pariu.


É mais laranja na mão... Esta foi colhida minutos antes de ser fotografada, numa laranjeira que o meu pai plantou na horta.



Não mata

2017-12-10T00:05:39.217+00:00

Da Clarice Lispector, que nasceu num dia 10 de Dezembro (1920):
Mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata.