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Viandante



"De uma cidade não desfrutas as sete ou setenta e sete maravilhas, mas sim a resposta que dá a uma tua pergunta." Italo Calvino, As Cidades Invisíveis



Updated: 2016-01-23T23:46:49.269+00:00

 



Adega do Caneco, Santarém

2014-09-08T23:27:50.705+00:00

Aqui bem se come  Há coisas assim: estava tudo planeado para jantarmos num dos dois restaurantes da moda de Santarém, por indicação do pessoal simpático do N1 Hostel Apartments and Suites, e acabámos numa outra casa de bem servir, mais modesta, a 50 metros dos primeiros, com casa já cheia ou mesas todas reservadas, numa sexta-feira à noite. A Adega do Caneco é uma casa simples e com uma decoração cheia de bom gosto: fotografias e cartazes do mundo da tauromaquia (não gostamos das lides, que fique claro, mas temos o distanciamento suficiente para perceber a paixão patente naquelas paredes).   O proprietário da Adega do Caneco, o Sr. José Leiria, assim conhecido na capital ribatejana, recebeu-nos com umas azeitonas deliciosas e pão de centeio do dia. E não perdeu tempo com ementas e ambições de lucros desmedidos: "os pratos do dia são bacalhau espiritual e medalhão de lombo de porco com batatas à murro". Hesitámos, depois de perguntar como era o bacalhau espiritual (que já comêramos algures, mas sem memórias precisas). "Por que não mandam vir os dois; trago um primeiro, partilham, e depois trago o outro." Bem dito, bem feito: gostamos de gente que vai direta ao assunto com uma solução capaz.E a nossa Inesinha, de quase 14 meses, que entrou no restaurante a meio de um soninho tardio, acordou a tempo de devorar o dito espiritual. Comeu mais do que a mãe! Não admira, pois estava profundamente delicioso - equilibradíssimo de sabores e suave (sem lascas de bacalhau mais seco).O medalhão de lombo de porco (preto) foi assado na hora e as batatas pareciam ter sido feitas há pouco, também, o que não era de esperar de um prato do dia. Tudo muito bom e tudo muito bem, que é que se diz do produto e do processo. O lombo poderia ter levado um pouco mais de pimenta preta para satisfazer plenamente o meu gosto, mas só de referir esse pequeno pormenor já estou a ser ingrato.Foi tudo regadinho com um fino de entrada (que o Sr. José Leiria quis confirmar, depois de decidirmos tudo o que queríamos: "para começar uma imperial, então, não é?") e uma canequinha de 250ml de vinho da casa (de Alpiarça), de suavidade e singeleza equiparáveis ao manjar.Acabei com um descafeinado e pedi a conta (não tínhamos perguntado por preços): tudo, mas tudo mesmo: simpatia, simplicidade, ambiente confortável, comes e bebes a gosto, por uns enormes dezasseis euros!Deixámos 20 euros e agradecemos a honestidade do serviço. É possível ganhar a vida assim![...]



Vidigueira, Antão Vaz

2014-08-28T21:59:11.671+00:00

Enólogo dos Tesos


Há uns anos atrás, aproveitávamos o período da Páscoa ou Carnaval para um passeio pelo Alentejo, sempre verdejante por aquelas alturas. No regresso, trazíamos a bagageira do Toyota Yaris atestada de vinhos da região. Redondo, Borba e Vidigueira foram as adegas cooperativas que mais visitámos, mas foi sempre da última que vínhamos mais satisfeitos, tanto pela qualidade dos vinhos (brancos) como pelo preço simpático. Mas havia algo que não estava bem com aquelas garrafas: a cara não batia com a careta, como sói dizer-se. Os rótulos não mostravam o bom gosto, elegância e despretenciosismo daqueles vinhos.
 
Há dias, numa promoção do Pingo Doce, comprei uma caixa do Vidigueira, Antão Vaz (Ato IV, A Inspiração) apenas e só porque gostei do seu rótulo: uma imagem sóbria e elegante. Limpa. Porque, quanto ao vinho, tinha quase a certeza de não vir a ser defraudado.
 
Dito e feito: casou, hoje, maravilhosamente com umas cavalas grelhadas (temperadas à moda da minha mãe: com alho, pimenta, sal, limão e um pingo de azeite), batata cozida, feijão verde e pimento assado (estes dois últimos da horta da abençoada avó Inês).
 
No rótulo da garrafa lê-se que é um vinho com aroma a frutos tropicais. Não lhes senti o rasto. Mas será por defeito do meu nariz, que - humilde confissão deste enólogo amador -, não é flor que se cheire. Foi só maçã e flores à sombra. E, na boca, um final muuuuuito longo, mineral. E sal.
 
E a cavala quis sal, como bem se percebe.
 
Nota final: para não parecer que falta algo a este curto ensaio, resta dizer que não temos regressado ao Alentejo porque já o palmilhámos e saboreámos quase todo. E porque há tanto mundo belo para conhecer... Quase todo, disse: não conhecemos Barrancos. Hmm...



Croácia (Périplo 2012), dia 14: Arles e o fim da viagem

2014-08-11T01:33:05.179+00:00

Já tínhamos passado em Arles em duas ou três ocasiões, mas sem parar. Sabíamos que justificava uma visita, pois alguns dos seus monumentos são património da humanidade da UNESCO. Ora, tendo aqui pernoitado um pouco por acaso, por que não aproveitar a ocasião? Por isso levantámo-nos cedo. Tentaríamos visitar o essencial durante a manhã. Ainda tínhamos dois dias para chegar a casa, por isso podíamos gerir o tempo com alguma folga. Comprámos um bilhete conjunto para o anfiteatro e o teatro romanos. Começámos pelo anfiteatro, que estava muito bem preservado (na verdade, é um dos mais bem preservados do mundo). Tem capacidade para 21000 pessoas e ainda hoje é usado, em especial para a realização de touradas, de que vimos alguns cartazes. Das bancadas do topo vê-se toda a cidade. Dali, aproveitei para fotografar algumas portadas das casas em redor. O teatro está mais degradado, mas não descuidado. As duas colunas que ainda sobrevivem de pé chamam-se "As duas viúvas". É aqui que se realiza o festival de Arles todos os anos.Terminámos a visita à cidade com um passeio pelas ruas centrais de Arles até à Praça da República, onde pudemos apreciar a fantástica fachada românica da Église St-Trophime.Levantámos a hipótese de acamparmos em Segóvia - outra das cidades que temos adiado visitar. Mas o cansaço acumulado fez-nos decidir por um "tiro" até casa. E assim fizemos, deixando Segóvia para outra aventura. Chegámos a casa às 3 da madrugada do dia seguinte. Durante as últimas centenas de quilómetros deste nosso périplo à Croácia fizemos o balanço habitual, que em baixo sintetizamos. Conta-quilómetros: 7064 (1398 no dia) Despesa total: 2800 euros (inclui alimentação, alojamento, gasolina, portagens, visitas e lembranças adquiridas durante os 14 dias da viagem e antes da partida) Aspetos negativos da viagem:RUI1º lugar: ter de deitar fora alguma comida2º lugar: impaciência/ indiferença dos croatas3º lugar: dificuldade em encontrar geloLILIANA1º lugar: impaciência/ indiferença dos croatas2º lugar: pouco tempo para desfrutar das coisas3º lugar: quilómetros percorridosOs melhores lugares:RUI1º Parque Nacional de Plitvice2º Lago Garda3º Peníncula de Peljesac4º Dubrovnik5º ZadarLILIANA1º Parque Nacional de Plitvice2º Lago Garda3º Dubrovnik4º Ilha de Krk5º Passagem pela EslovéniaOs melhores momentos:RUI1º Adormecer ao relento sob o céu estrelado no Lago Garda2º Nadar em Primošten ao pôr do sol 3º Jantar no molhe de San Sebastian ao pôr do sol4º Oferecer melão português à vendedora de estrada perto de Ploče e receber em troca aquele sorriso5º Tomar um copo de vinho branco Žlahtina em VrbnikLILIANA1º Adormecer ao relento sob o céu estrelado no Lago Garda2º Dar de comer aos peixes e patos em Plitvice3º Tomar um copo de vinho branco Žlahtina em Vrbnik4º Tomar banho em Orebić5º Comprar fruta no mercado de ZadarLer: Dia 0[...]



Croácia (Périplo 2012), dia 13:

2014-08-11T01:33:53.438+00:00


O 13º dia da nossa viagem ficou marcado por uma descida de temperatura acentuada e pela primeira chuva do périplo, quando descíamos em direção a Génova. Antes de percorrermos o norte de Itália, atravessámos a Eslovénia em duas horas e meia (com mais uma pequena paragem num supermercado - teríamos de inventar algum espaço para uma dúzia de garrafas de Union e Laško, as duas loiras eslovenas que já conhecíamos e apreciamos), saindo da Croácia a leste de Zagreb, numa zona rural. Tão rural que no primeiro posto fronteiriço que encontrámos não nos deixaram passar! Explicaram-nos que era apenas para croatas e eslovenos e que teríamos de andar alguns quilómetros para passarmos num posto mais internacional... Gostámos de rever a paisagem eslovena, mais organizada que a croata. Pena não podermos ficar um dia por ali...
 
Ao entrarmos em França decidimos que não acamparíamos nessa noite (também já era um pouco tarde) e que faríamos mais duas ou três centenas de quilómetros. Bastou um telefonema para o Ibis de Arles, onde chegámos perto da uma da madrugada. Cansados, após mil duzentos e quatro quilómetros.
 
Conta-quilómetros: 5666 (1204 no dia)
 
Ler: Dia 0     Dia 14



Croácia (Périplo 2012), dia 12: Zagreb, cidade jovem

2014-08-11T00:06:00.462+00:00

Para uma melhor visualização, clicar sobre qualquer uma das fotografias Levantámo-nos muito cedo depois de uma noite muito bem dormida. O pequeno-almoço no hotel foi excelente, com exceção do sumo de laranja: pão, café, queijo, ovos com bacon e salsicha para sustentar o esforço do dia muito longo que aí vinha. A Lili não alinhou na parte britânica do repasto, já se esperava. Saímos para Zagreb ainda a manhã despontava, quase sem trânsito nas estradas regionais em torno de Terme Tuhelj. A autoestrada para Zagreb parecia entrar pela cidade adentro, numa espécie de avenida ampla. E a primeira impressão foi muito agradável: organizada, dinâmica e com um ar limpo. Demorámos algum tempo a encontrar um parque de estacionamento o mais central possível, mas lá conseguimos. Ficámos quase nas traseiras da Catedral da Assunção da Virgem Maria. Caminhámos pelas ruas em volta e constatámos uma arquitetura urbanística diferente da que tínhamos visto até agora, mais centro-europeia. Daqui passámos ao Mercado de Dolac, logo ao lado, e foi ver a Lili nas suas sete quintas...   Continuámos pela rua Tkalčićeva, construída ao longo do curso do ribeiro Medvešćak, que no passado dividia a zona de Kaptol, controlada pela igreja, da secular Gradec. Uma rua cheia de charme e cor, onde aproveitámos para fazer a primeira paragem do dia e tomar um ansiado café. De seguida dirigimo-nos para a fantástica Praça Markov, em Gradec, rodeada de vários edifícios governamentais e em que sobressai o telhado em mosaico da igreja de S. Marcos.Um pouco abaixo da Praça Markov encontra-se a Torre Lotršćak, do século XIII, afamada pelo seu canhão, que é disparado todos os dias ao meio-dia em ponto. Chegámos lá 10 minutos antes, pelo  que esperámos pelo disparo antes de a visitar. Mais ou menos dois minutos antes do disparo (pelo meu relógio), entre um amontoado de turistas e viajantes, ergui os braços com a câmara preparada para uma fotografia fulgurante. O meu relógio não devia estar bem certo, pois ao fim de alguns minutos estava tão cansado que acabei por baixá-los para renovar a circulação sanguínea. Grande pontaria! Nesse preciso momento o canhão ecoou! Mas ainda fui a tempo de registar parte da fumaça provocada! A subida à torre valeu pela vista geral sobre Zagreb. E por ver a Lili com vertigens, colada à parede da torre na plataforma de observação. Após a descida, logo ali, no Passeio Strossmayer, tirámos uma fotografia com o poeta Antun Gustav Matoš, um croata rebelde e sonhador e que celebrava a vida boémia de Zagreb nos seus escritos. Descemos à Praça Ban Jelačić, o centro comercial de Zagreb, através do Portão de Pedra, onde se encontra uma capela em honra de Maria, mãe de Jesus. Fizemos uma oração nuns bancos em madeira, encostados a um canto sombrio do túnel, ao lado de uma senhora que, acabada a oração da Lili e a dela, nos pediu uma moeda! Devia passar ali o dia todo a ganhar a vida com os crentes! Caminhámos pelos quarteirões em redor da Praça Ban Jelačić antes de almoçarmos num McDonald's apinhado, onde consegui dois pacotinhos de açúcar diferentes para a minha coleção e repetidos para trocas. É nesta zona comercial que se torna mais evidente o dinamismo da cidade, com uma população jovem, onde qualquer pessoa de mais idade se destaca. Acabámos a tomar um café em copo de plástico no parque Zrinjevac, rodeado de plátanos centenários e onde muitos jovens croatas e visitantes da cidade esticavam as pernas ou trocavam impressões. Passámos ali uma meia-hora sublime.   Tínhamos lido um apontamento sobre o cemitério de Mirogoj que nos deixou curiosos. Como ficava nos arredores da cidade na direção do santuário de Marija Bistrica, que planeáramos visitar no regresso a Terme Tuhelj, apontámos o Honda para nordeste, percorrendo [...]



Croácia (Périplo 2012), dia 11: Parque Nacional dos Lagos de Plitvice

2014-08-10T23:40:21.100+00:00

Para uma melhor visualização, clicar em qualquer uma das fotografias  Depois de um pequeno-almoço simples e antes de rumarmos a norte, visitámos a fortaleza de Knin. Justificaram-se os 3 euros pelos dois bilhetes com a vista sobre toda a cidade e o vale circundante. Mantivemos a impressão nocturna do dia anterior: de que Knin, pese o seu papel na história da Croácia, era uma cidade algo desinteressante, pouco moderna. Planeávamos visitar o Parque Nacional dos Lagos de Plitvice e, se possível, acampar perto de Zagreb. O trajeto de Knin aos lagos de Plitvice foi muito agradável, marcada por vales abertos e montanha pouco agreste. As poucas aldeias por que passámos tinham um aspeto diferente do havíamos visto até ali, mais próximas do tipo de construção e gosto das casas da Eslovénia, em madeira e com floreiras nas varandas. A entrada no Parque Nacional dos Lagos de Plitvice custou-nos 15 euros a cabeça (105 Kuna). Mas sabíamos ao que vínhamos, por isso não hesitámos. Para mais, incluía transporte em autocarros articulados e uma viagem de barco entre vários pontos do trajeto. Havia vários percursos para escolha: optámos pelo H, de cerca de 8 quilómetros (a pé, sem contar com os trajetos de autocarro e de barco). Calculávamos necessitar de 3 a 4 horas para o fazer, mas sem certezas. Queríamos desfrutar deste parque mundialmente conhecido, mas também ainda queríamos pernoitar perto da capital, a cerca de 100 quilómetros de distância dos lagos.  A viagem de autocarro até ao ponto de partida do nosso percurso foi uma aventura agradável, estonteante. Eram centenas, milhares de viajantes e turistas a quererem percorrer as belezas naturais da região. Estava tudo muito bem organizado e preservado, de modo a tornar inesquecível esta experiência. Há poucas palavras para descrever o que víamos, por isso deixamos a fotografias falarem por nós:   A área de restauração construída em pleno parque, que encontrámos depois de uma curta viagem de barco sobre um lago azul turqueza, é um encanto e uma manifestação de saber e bom gosto. Trazíamos umas sandocas connosco, mas esquecêmo-las rapidamente (ficavam para o lanche!). O churrasco soube-nos pela vida, ali, no meio de uma das paisagens mais belas deste planeta extraordinário. E nada melhor do que uma Velebitsko para celebrar a ocasião! Sem dúvida a melhor cerveja croata que provara até ao momento. Estranhamente, ainda não a tinha visto à venda em lado nenhum!De estômago composto e alma lavada, retomámos o nosso percurso, que já ia longo, nas pernas e no tempo.6 horas depois, chegámos ao final do percurso. Uma estafa inesquecível! É, sem dúvida, uma paragem obrigatória para quem venha à Croácia.No parque de estacionamento vimos o primeiro veículo com matrícula portuguesa - uma autocaravana que, comentei com a Lili, quase jurava já ter visto na Eslovénia, no ano anterior. Ilusão do cansaço, certamente.Partimos em direção ao parque de campismo Terme Tuhelj, nos arredores de Zagreb, onde chegaríamos já noite e com muita ajuda do GPS (telefonámos antes a reservar um alvéolo). O parque fazia parte de um complexo termal e a receção fazia-se ao balcão do hotel. Enquanto preenchia a documentação perguntei pelo preço do quarto duplo. Pelas duas noites que pensávamos ali ficar seriam 194 euros, com pequeno-almoço, jantar e acesso ilimitado ao complexo termal. Fiz um cálculo mental rápido e olhei para a Lili, mais forreta do que eu nestas coisas. Fui mais forte do que o seu olhar-de-não e pedi ao rececionista para rasgar o impresso que acabara de preencher. Dormiríamos entre lençóis fresquinhos. E ainda pudemos jantar, mesmo passando da hora.Conta-quilómetros: 4320 (310 no dia)Ler: Dia 0     Dia 12  [...]



Croácia (Périplo 2012), dia 10: De Trpanj a Ploče e o parque nacional de Krka

2014-12-28T23:02:32.834+00:00

Para uma melhor visualização, clicar sobre qualquer uma das fotografias Este viria a ser o dia mais longo por terras croatas. Ou melhor, por águas croatas. Decidimos não percorrer a península de Pelješac e voltar a atravessar a faixa de Neum, na Bósnia e Herzegovina. Na noite anterior tinha equacionado regressarmos ao norte da Croácia atravessando a Bósnia, com paragem em Mostar e Sarajevo, mas poderia tornar o calendário de regresso um pouco apertado. Com pena minha, sobretudo, deixaremos a Bósnia para um périplo futuro. Decidimos, então, pela travessia de ferry entre Trpanj e Ploče. Como não sabíamos bem ao que íamos (tínhamos os horários das travessias, mas não fazíamos ideia se seria difícil conseguir bilhete), saímos de Orebič muito cedo, após um pequeno-almoço a quatro (os gatos do parque já sabiam onde se comia a melhor comida do mundo!). Chegámos cedo a Trpanj, mas já havia uma fila de 25 carros para o ferry (tinha lotação de 50). Tivemos tempo para comprar alguns legumes para os dias seguintes (e descobrir que verdura nos tinham afinal servido com o fish platter dois dias antes: não eram nabiças, mas sim folhas de beterraba) e de tomar um café descontraído com vista para o mar, acompanhado de um croissant com chocolate que ficará na nossa memória por muitos anos!Ploče não justificou uma paragem e seguimos em direção à auto-estrada que nos conduziria para norte. Antes de a apanharmos, passámos pelo vale fértil já referido anteriormente, onde parámos para almoçar, junto a uma vendedora de estrada: umas sandes preparadas de manhã, uma Kaltenberg partilhada (alemã apenas razoável - talvez por estar pouco fresca) e o resto do melão que havíamos trazido de Portugal cortado em pedaços num tupperware. Antes de começarmos a matar o bicho, comprámos à vendedora uma meloa e um litro de azeite local , após uma curta conversa, limitada pelo domínio sofrível do inglês da senhora. Por simpatia, e porque estávamos a ocupar parte do pequeno estacionamento onde acostavam os carros que ali paravam, oferecemos-lhe um pedaço do nosso melão, que achou delicioso. Despediu-se de nós com um sorriso genuíno e reconhecido. Um sorriso inesquecível.Já na auto-estrada, tivemos de tomar uma decisão sobre o que fazer no resto do dia. Não planeáramos nada em concreto, apenas seguir para norte e, se chegássemos a horas ao Parque Nacional dos Lagos de Plitvice, visitá-lo antes de arranjarmos um parque de campismo para pernoitar. Mas já era tarde, por isso decidimos visitar outro parque nacional muito conhecido - o de Krka.Em Skradin, onde fica o centro de acolhimento do parque, somos (bem) surpreendidos pela necessidade de efetuar um cruzeiro pelo rio Krka para chegarmos ao ponto de maior interesse - o Skradinski Buk: um conjunto de cascatas em escada que culminam numa ampla piscina natural.Realizámos o percurso pedestre em torno do Stradinski Buk a partir da área de restauração. Estava tudo muito bem sinalizado e naturalmente preservado, com painéis informativos sobre a fauna e a flora ao longo do percurso circular. Na parte final, depois de visitarmos um museu rural, comprámos amêndoas caramelizadas a um vendedor de produtos regionais, que me ofereceu um pouco de licor para provar (e tentar vender). Aquelas amêndoas caíram do céu de deliciosas e porque ajudaram a ganhar alguma energia para a parte final do percurso.    Chegámos a Skradin já ao final da tarde, com pouco tempo para procurarmos um parque de campismo junto à costa. E pelas indicações que tínhamos, ali perto, só exitia um. Procurámo-lo sem sucesso. Encontramos outro, mas não nos agradou. Pelo que nos fizemos à estrada em direção a norte. A noite aproximava-se e a opção por um hotel tornou-se inevitável. No entanto, encontrávamo-nos na zona menos [...]



Croácia (Périplo 2012), dia 9: um dia de descanso e Korčula

2014-08-04T10:50:39.530+00:00

Para uma melhor visualização, clicar sobre qualquer uma das fotografias Decidimos fazer um dia de intervalo na estrada, aproveitando as magníficas águas de Orebič para um banho matinal e desfrutando das paisagens deslumbrantes que tínhamos do parque de campismo. Aproveitámos ainda para dar uma arrumadela à nossa "tralha". Preparámos o almoço sem pressas, ao sabor de uma Pan e de uma Ožusko, que terminaram de acompanhar uma salada fria de grão, batata, chouriço, salsicha, cenoura e queijo fresco.  De tarde, sugeri darmos um saltinho à ilha de Korčula, do outro lado do estreito. Apanhámos um barco pequeno que nos deixou na ilha em cerca de 10 minutos, depois de estacionarmos o Honda no parque de estacionamento do pequeno porto, onde um croata de meia-idade, que vendia os bilhetes do estacionamento, ao ver a matrícula portuguesa, nos falou do Benfica de Eusébio!A travessia foi curta, mas lindíssima. Desembarcámos na cidade fortificada de Korčula, de origem medieval (e cidade natal de Marco Polo, segundo alguns - ali podemos visitar a casa onde alegadamente nasceu). Deambulámos pelo burgo a passo de caracol, que era o que nos apetecia, apreciando os recantos das ruas interiores e os pormenores arquitetónicos e outras curiosidades, até abancarmos numa esplanada junto ao mar, com Orebič no horizonte, para redigirmos alguns postais para amigos e familiares.  Em férias, perdemos a noção completa do calendário. Ao dirigirmo-nos ao posto de correios para despacharmos os postais (corríamos o risco de chegarem depois de nós), estavam encerrados. Era domingo! Esperámos pela hora do barco de regresso novamente numa esplanada. Enquanto eu me entretinha com mais uma Ožusko, a Lili saboreou um delicioso gelado de figo e cheese cake (lá lhe dei a habitual lambidela, pois não sou apreciador de gelados ao ponto de comer um inteiro).Entretanto, o tempo começou a alterar-se repentinamente; não a temperatura, que essa só convidava a banhos, mas sim o vento e o céu, que encobrira sem aviso. Quando enbarcámos, já o mar estava alterado, tornando a viagem de regresso mais empolgante! Chegámos a ver uma vela de windsurf à deriva e à Lili pareceu-lhe ver alguém a nadar entre o sobe desce das ondas.À chegada ao parque de campismo, o vento tornara-se suficientemente forte (tempestuoso, mesmo!) para nos obrigar a reforçar a tenda com estacas e pedras pesadas nas áreas onde o vento poderia entrar mais facilmente e fazer fole. Quando tínhamos acabado de o fazer, desapareceu quase por completo! Coisas do Adriático, certamente!Entretanto, tinha-se feito demasiado tarde para cozinharmos e decidimo-nos a repetir a experiência do dia anterior no fantástico restaurante do parque. A Lili ficou-se por um peito de frango panado. Eu preferi algo mais marítimo: umas lulas grelhadas deliciosas!Nota do dia: os habitantes de Korčula pereceram-nos mais simpáticos do que croatas continentais; e, em retrospetiva, também os de Krk. Aspeto positivo da insularidade, talvez.Conta-quilómetros: 3724 (8 no dia)Ler: Dia 0     Dia 10[...]



Croácia (Périplo 2012), Dia 8: Dubrovnik ao sol

2014-08-04T10:52:26.280+00:00

Madrugámos para podermos chegar a Dubrovnik  o mais cedo possível. Saímos  de  Orebić ainda antes das 8 da manhã, após um pequeno almoço a três. Seriam ainda cerca de 120 quilómetros até àquela cidade medieval. Sabíamos que seria muito difícil estacionar perto das suas muralhas se não o fizéssemos: tínhamos lido relatos de viajantes a estacionarem a 5 quilómetros de distância! Mesmo assim, ainda tivemos tempo de parar duas ou três vezes no trajeto para desfrutar de paisagens sublimes... Levámos a arca connosco, pois estávamos necessitados de gelo (não havia no parque nem o tínhamos encontrado no dia anterior). A conservação dos alimentos básicos (manteiga, queijo, fiambre... cerveja!) dependia dele, uma vez que as temperaturas eram demasiado altas - 31º às 9.30, à chegada a Dubrovnik!Estacionámos no primeiro parque subterrâneo que encontrámos, já à vista da grande muralha. Poderíamos ter arriscado um parque mais adiante, mas não sabíamos se seríamos bem sucedidos. Acabámos por fazer uma boa opção, pois cerca de 400 metros à frente deparámos com a estação de teleférico. Tencionávamos subir à montanha sobranceira a Dubrovnik e nem era tarde nem cedo. O Lonely Planet dizia-me que a vista do topo era imperdível, o que se confirmou. A Lili confessa: "A paisagem mais espetacular que vi na minha vida." Os 12.50 do bilhete justificaram-se, pois, plenamente, como o comprovam estas imagens.Antes de regressarmos, ainda procurámos uma mesa na esplanada que dominava o Adriático do topo do monte Srd, mas as mesas com sombra estavam todas ocupadas e os preços já eram demasiado abrasivos para nos sentarmos ao sol. Na estação, de regresso, apreciámos as fotografias expostas, a relembrar a destruição ali causada pelas batalhas travadas entre croatas e "jugoslavos" em 1991 e 1992.Acedemos à cidade muralhada pela entrada norte e não demorou muito a ficarmos de queixo caído: as ruas muito bem preservadas; os monumentos lindíssimos; o tráfego humano intenso mas suportável. O excesso de turistas desagrada-nos, mas não somos nós também parte deles - embora nos consideremos mais "viajantes"?A hipótese de almoçarmos num qualquer restaurante foi colocada de parte mal vimos os preçários (preços 2 a 3 vezes superiores ao resto da Croácia!). Procurámos um sítio onde comprar uma cerveja para acompanhar as sandocas de frango que trazíamos, mas não encontrámos. Chegámos à conclusão de que era proibida a venda de bebidas alcoólicas (ou outras) para fora, pois não se viam garrafas ou latas em nenhum lugar. Fazia sentido, de modo a manter a cidade com uma aparência ainda mais limpa. Lá empurrámos o pão à força de água, mas com a promessa de abancarmos no primeiro sítio decente que encontrássemos para uma bebida refrescante. E não tardou: na nossa deambulação cidadela acima vislumbrámos esta tabuleta, repetida duas ou três vezes, a conduzir os nossos olhos ávidos (ou seriam as gargantas?): "Cold drinks with the best view". E era mesmo! No lado sul da cidadela, fora das muralhas e a cair sobre o mar, uma esplanada esplendorosa, a abarrotar...O calor era intenso e parecia um crime efetuar a volta à cidade muralhada com o sol no seu pico, para mais por 10 euros a cabeça! Mas tinha de ser: água, chapéu e protetor solar e houvesse sorte.  Percorremos os cerca de 2 kms das muralhas em uma hora e pouco, mas parando aqui e acolá para um resguardo à sombra de qualquer parede. É um passeio lindíssimo, ora virando o olhar para a cidadela, ora para o mar aberto ou para as montanhas. A minha T-shirt ficou completamente molhada! Bebemos toda a água que levávamos - e não era pouca! - e, no fim, tivemos de retemperar forças na esplanada de uma quelha, à sombra, mas onde a temperat[...]



Croácia (périplo 2012), Dia 7: Nota altíssima

2013-09-11T16:18:02.170+00:00

PrimoštenPara uma melhor visualização das fotografias, façam um clique sobre qualquer uma delasDeixámos o Camping Adriatic, nos arredores de Primošten, sem saudades. Não porque o parque não fosse bom, mas por nos terem "arrestado" os cartões de cidadão durante a noite, chegando mesmo a dizer-nos que, se quiséssemos ficar no parque, os cartões teriam que ficar na receção (não tivemos alternativa, como expliquei na postagem anterior). Mas não foi por este episódio que começámos a achar os croatas pouco simpáticos; não nos estavam a parecer propriamente antipáticos: mais de um espécie de "indiferença impaciente". Mas adiante, porque não viemos pelos croatas... Nem pelos generais ou javalis! Vimos vários cartazes e bandeiras com rostos de generais croatas, especialmente em vilas e aldeias, provavelmente heróis nacionais da guerra dos anos 90 com a Sérvia. Outras guerras devem travar os javalis com os automobilistas, pois são inúmeras as placas de trânsito sinalizando a existência destes mamíferos. O calor vinha-nos a perseguir, mas não como neste dia: às 10.30 da manhã, já em Split, o termómetro marcava 40ºC! Como nos levantámos cedo, era hora de fintar a fome... e a sede... E não tivemos preconceitos: trazíamos uma Ožusko fresca na arca e, antes que aquecesse,... Despachámos as sandocas num parque situado junto à estátua de Gregório de Nin - um bispo do séc. X que lutou pelo uso do croata antigo na liturgia. É um ponto de paragem obrigatório, junto à porta norte do Palácio de Diocleciano, pois diz-se que esfregar o seu dedo grande do pé traz sorte. Fizémo-lo, claro (azar não dará, certamente), assim como a falange de jovens que víamos em grupos de 15-20, aparentemente em excursões de cariz religioso.  O Palácio de Diocleciano, Património da Unesco, é um dos monumentos romanos mais imponentes e bem conservados da Antiguidade, cuja construção terá começado no ano 300 d.C. Vale a pena ler a página da Wikipédia dedicada a esta "residência imperial fortificada". As dimensões exteriores do palácio são espantosas: 175 (N) x 215 (E) x 157 (S) x 215 (S) metros, sendo a área edificada superior a 3,8 hectares. O que este palácio tem de mais interessante é a de ser um monumento vivo; isto é: não é nem um edifíco fechado nem uma espécie de museu, mas sim um labirinto de monumentos e de ruas cheias de lojas, restaurantes e bares. Começámos por subir à torre da Catedral de São Domnus para uma vista geral sobre cidade; a meio da subida, a Lili congelou e encostou-se a uma parede; não continuaria. A vista era soberba, dando-nos a perceção da real dimensão do palácio.  Após a descida, apreciámos o ar relaxado ou introspetivo de muitos turistas no Peristilo e visitámos o Templo de Júpiter, antes de percorrermos calmamente as ruelas do complexo para oeste à procura de um local para almoçar. Acabámos por comer algumas fatias de pizza junto à marginal e sob um calor indescritível, insuportável. Tal, que acabado o frugal repasto, decidimos partir. Com alguma pena, pois a cidade convidava a mais alguns passeios displicentes, a umas conversas de esplanada... enfim...   Apontámos o bólide para sudeste; tentaríamos acampar perto de Dubrovnik. A caminho, teríamos de ultrapassar um possível obstáculo: a passagem pela faixa costeira de Neum. A Croácia não é um continuum territorial; a região de Dubrovnik é uma espécie de enclave, separado do resto da Croácia por 24 quilómetros de território costeiro da Bósnia e Herzegovina. Tínhamos lido que necessitaríamos de passaporte (que não levávamos) e da extensão do seguro automóvel, que geralmente não inclui a Bósnia (que levávamos). Caso não fosse p[...]



Croácia (Périplo 2012), Dia 6: a luz de Zadar

2013-09-08T23:03:27.158+00:00

Partimos de Krk (a maior e mais povoada das 1246 ilhas e ilhéus da Croácia - exatamente com a mesma área da ilha de Cres) bastante cedo e animados. Planeávamos descer a costa norte da Croácia e acampar já na Dalmácia, entre Zadar e Split. Krk não nos impressionou: gostámos, mas não "marcou a diferença", que é o que dizemos de um lugar a que não nos importaríamos de voltar. Quando chegámos perto de Senj, decidimos que não continuaríamos pela estrada nacional que acompanha a costa da Croácia continental, pois estava a levar-nos muito tempo percorrê-la. Infletimos para o interior de modo a apanharmos a autoestrada que atravessa o sul do país na diagonal. Neste trajeto inicial, ficámos encantados com a paisagem: a simbiose entre o mar, as ilhas e a montanha é difícil de descrever; fazia-nos estar bem com a vida e querer continuar a explorá-la. Para além disso, parecia-nos bruta: com pouca intervenção humana e sem turismo de massas. Para uma melhor visualização das fotografias, cliquem sobre qualquer uma delas  Chegámos a Zadar pela hora do almoço. Estacionámos junto às muralhas e matámos o bicho (sandes preparadas ao pequeno almoço e uma Tomislav - uma ruiva fantástica com vestígios de caramelo e muito torrada) à sombra das árvores de um pequeno parque no exterior da fortaleza e virado para o porto interior da cidade, muito calmo.O que prevalece no olhar de um observador atento é a luz intensa que cai sobre toda a cidade, como um manto branco. Até as ruelas mais estreitas e sobrias não lhe escapam. Foi um prazer caminhar por Zadar, apesar de algum bulício. A impressão com que ficámos foi a de ser uma cidade que pedia mais importância do que aquela que terá no panorama croata ou mesmo nos radares da indústria turística. Achámos que estava bem assim: movimentada, mas ao mesmo tempo relaxada; os monumentos bem conservados e "vivos", no sentido em que não pareciam peças de museu: abertos ao público, na rua. Impressionou-nos a simplicidade da Igreja de São Donato, pré-romântica e com uma estrutura circular, que visitámos, e onde me diverti com uma foto de uma freira colecionadora, ali exposta. Encontrámos um grupo de portugueses em excursão: ficaram admirados com a nossa aventura e uma das senhoras do grupo despediu-se da Lili com um ruborizador "Boa viagem, minha linda."   Partimos a meio da tarde em direção a Primošten, onde pretendíamos pernoitar, no Camping Adriatic. Já tivemos dificuldades em arranjar lugar, mas acabámos por ficar com um espaço agradável, devido a um registo errado do rececionista (o casal que iria ficar com aquele alvéolo chegou logo a seguir e tinha feito reserva). Por muito que reclamássemos, ficaram com os nossos cartões de cidadão. Como já não tínhamos tempo de chegar a outro parque de qualidade, acabámos por ficar, mas decidido a arrancar no dia seguinte, ao contrário dos nossos planos. O parque está situado num pinhal frondoso e possui uma praia privativa com uma paisagem extraordinária, que nos possibilitou ver o pôr do sol num horizonte salpicado de ilhas. E, claro, refrescar a pele de outro dia tórrido. Estávamos cansados e fizemos apenas uma salada de feijão frade com ovo e atum, que nos satisfez. Durante a montagem da tenda e o jantar provei mais duas cervejas diferentes: a croata Ožusko (parecida com a eslovena Laško, que é muito do meu agrado) e a italiana Castello (bastante discreta). Terminei a noite sentado sobre os godos da praia: a ouvir o espraiar das ondas e o movimento das embarcações no horizonte escuro, enquanto a Lili mergulhava no primeiro sono. Um dia magnífico! Conta-quilómetros: 3172 (362 neste dia) Ler: Dia 0     Dia 7[...]



Croácia (Périplo 2012), Dia 5: Žlahtina a meio da manhã

2013-09-02T14:59:50.806+00:00

A expectativa de um dia sem muitos quilómetros de estrada, de um banho no Adriático, de algumas cervejas croatas, de paisagens novas e modos de vida diversos, animou-nos o pequeno-almoço. A ilha de Krk não era grande, no entanto, selecionamos apenas três ou quatro localidades para visitar durante o dia. Logo à saída de Klimno, em Meline/ Soline, deparámos com um espetáculo inusitado: banhistas a enlamearem-se e a caminharem para a água, que lhes dava pelos joelhos bem mar adentro. Aparentemente, tratam-se de lamas medicinais e, por certo também, uma fonte de divertimento. Para uma melhor visualização das fotografias, façam um clique sobre qualquer uma delas. Fizemos a primeira paragem em Dobrinj, uma aldeia sossegadíssima e despretenciosa, como muitas que encontramos no Portugal transmontano ou beirão; caminhámos por entre as suas ruas estreitas a observar os pequenos pormenores: as videiras ao alto, como no Alto Minho; os gatos preguiçosos; alguns telhados a ruirem... Enviámos os primeiros postais a familiares e amigos do posto de correios local, onde aproveitámos para trocar mais kunas. Gostamos de enviar postais, porque também gostamos de os receber - expomo-los na nossa cozinha, em dois placares de cortiça. Inspiram-nos a sair!Seguimos para Vrbnik, renomada pelo vinho branco Žlahtina, que não demorámos a saborear (às 10.30!) num balcão sobre o Adriático. Inspirador! O vinho era delicioso: muito mineral e seco. E fresquinho como estava, com aquele calor - já tórrido àquela hora! -, e após uma caminhada longa por entre as ruas do burgo, soube-nos pela vida! Na verdade, sentados ali, com aquele panorama e sentindo uma leve brisa na pele, bem pudemos dizer: "Isto é que é vida!" Decidimos voltar a Vrbnik ao final da tarde, para mergulhar nas águas translúcidas das enseadas que avistávamos dos morros de calcário da cidade. Nas barracas de lembranças e bugigangas de um adro local, comprámos as sandálias de água de que necessitaríamos para estar à vontade naquelas praias sem areia.Preocupáva-nos o facto de não estarmos a encontrar gelo em lado nenhum - e já tinham sido vários os locais em que procuráramos, mesmo no dia anterior -, pois a nossa arca só conservava os alimentos até 20ºC abaixo da temperatura ambiente, o que era insuficiente para as temperaturas que se faziam sentir. Por isso, antes de nos dirigirmos a Krk, cidade, parámos em dois supermercados e duas ou três bombas de gasolina - mas sem sucesso. Num dos supermercados encontrámos cerveja fresca, por isso comprámos também o frango que faria o nosso jantar; tudo junto, na arca, conservaria o frango até lá.Estacionámos no centro de Krk com alguma sorte - dupla. A alguns metros, vimos outra bomba de gasolina; sem esperança, procurei o gelo de que necessitávamos. Para meu espanto, tinham uma arca cheia dele. Comprei dois sacos, pois não tinha garantias de voltar a encontrá-lo no dia seguinte e assim teria reservas para mais algum tempo, mesmo que coubessem menos coisas na arca. Acampar é bom, mas tem destas coisas.A cidade muralhada de Krk é bastante aprazível. O bulício turístico é suportável e os monumentos estão muito bem conservados. As ruas interiores, em calçada de mármore, estão muito bem cuidadas. Almoçámos numa esplanada da Vela Placa, a praça central, com uma torre camarária do século XV. Pedimos um churrasco  misto e uma salada, que acompanhámos com muita PAN, a primeira cerveja croata que provámos. Muito saborosa, mas de travo algo padronizado. Não tardei a descobrir por quê: pertence ao grupo Carlsberg. Depois do almoço farto, fizemos a digestão caminhando pela cidade e subindo a uma das torres da fortaleza.Quanto ao ban[...]



Croácia (Périplo 2012), Dia 4: Na ilha impronunciável

2014-12-28T22:54:25.588+00:00

Acordei cedo; a Lili continuava ferrada. Como não tinha sono, levantei-me para caminhar um pouco à beira-lago. Alguns veraneantes e locais já aproveitavam a serenidade do lugar, enquanto a horda de banhistas não invadia a praia. A máquina fotográfica e eu fizemos o mesmo.  Saímos de Maderno antes das 9.00 e com menos 41 euros na carteira! A noite de campismo mais cara de sempre! Seria de esperar, tal a qualidade das instalações e, sobretudo, o enquadramento paisagístico do parque. Foram justificados, mesmo que para alguns pareça muito por dormir numa tenda. Alguns diriam que isso paga-se por dormir num hotel limpo e asseado, o que é verdade em Portugal e noutras paragens; não cremos que o seja aqui. Mais: quem acampa procura o contacto imediato com a natureza, o poder acordar e sair da tenda de calções, em tronco nú; relaxar sem preconceitos. Isto:Decidimos contornar o Lago Garda, o que ainda nos levaria duas horas e um eventual atraso na chegada à Croácia. Mas, como já disse várias vezes nestes textos, o mundo é muito grande e as nossas vidas não são elásticas, por isso, já que aqui estamos, façamo-lo, pois não sabemos se poderemos voltar. E mereceu o tempo despendido: um clima e uma paisagem surpreendentemente mediterrânicos; aparentemente, o lago é também uma meca do windsurf: eram dezenas e dezenas os carros de amantes da modalidade encostados à berma da estrada, especialmente entre Gargnano e Riva del Garda; as velas deslizavam sobre as águas a uma velocidade impressionante, grandes e pequeninas (em grupo - aprendizes, aparentemente)...Riva del GardaAlmoçámos na Eslovénia, já tarde; optámos por fazê-lo aqui, em Izola, onde já estivéramos o ano passado, para repetir as petingas fritas e o bakala (ver estas duas postagens: aqui e aqui). Desta vez, não eram petingas, mas sim anchovas, bem mais pequenas do que as do ano passado, que então pareceram petingas. Não tinham o delicioso bakala! Estávamos cansados, talvez pelo calor abrasador que se fazia sentir (novamente 40ºC), mas nem por isso deixámos de saborear o almoço rápido, antes de nos dirigirmos para a fronteira com a Croácia. Estávamos algo apreensivos, pois iríamos sair da "segurança" da União Europeia, do livre movimento de cidadãos, do euro. Nada o justificava, mas era como nos sentíamos.Ao passarmos a fronteira, em Kozina, o agente que conferiu as nossas identidades confirmou-me que a taxa de alcoolemia na Croácia era de 0,05, o que foi um alívio (tinha lido que era menos), pois permitia-me beber uma ou duas cervejas durante o dia. Sou um verdadeiro apreciador da bebida (mais do que bebedor), e seriam com certeza muitas as marcas diferentes a saborear (faço uma lista com todas as marcas que já provei até hoje, de inúmeros países). E então, com a canícula que se fazia sentir, nada melhor do que a bebida que Deus bebia (segundo Afonso Cruz)!Optámos por não trocar euros por kunas à entrada da fronteira, pois as agências de câmbio assemelhavam-se mais a barracões do que a outra coisa. Tinha a indicação de que seria fácil fazê-lo nos parques de campismo. Foi só quando nos aproximámos da portagem da autoestrada que tínhamos tomado antes de Rijeka que caímos em nós: não tínhamos moeda para a pagar (sem recorrer ao cartão); mas não houve problema: o portageiro disse-nos o preço em kunas e em euros e aceitou o pagamento na moeda europeia.Trazia uma listagem dos melhores parques de campismo da Croácia, alguns deles situados na Ístria, a zona mais turística do país - ou, pelo menos, a que possui melhores infraestruturas; e era neles que pretendíamos ficar. Como estávamos a entrar na Croácia algo tarde e perdêramos um dia em [...]



Croácia (Périplo 2012), Dia 3: Sob as estrelas em Maderno, Lago Garda

2013-08-29T21:45:02.983+00:00

O terceiro dia da nossa aventura terminaria, como planeáramos, junto ao Lago Garda, o maior de Itália, no sopé dos Alpes. Inicialmente, pretendíamos chegar aqui ao fim do segundo dia. Mas sem stress... que é precisamente o que esta paisagem não nos transmite. Acercámo-nos ao lago após o almoço, que despachámos numa área de serviço perto de Cremona, ao lado de um camião português, cujo camionista se fazia acompanhar pela esposa, ou companheira, ou amiga... Grelhavam bifes num braseiro portátil; nós ficámo-nos por umas sandocas, batata-frita, azeitonas e cerveja sem álcool. Abordámos o lago pela margem ocidental, junto a Salò, de onde, num cotovelo de estrada, tirámos as fotos em baixo. Também ali estava um gipe desportivo com um casal de jovens, atrapalhados: estavam sem bateria. O homem acercou-se de nós e pediu-me que o levasse à garagem mais próxima, explicando o que se tinha passado; hesitei, mas acabei por assentir ao pedido, pois pareceram-me filhos de papás em passeio, o que se confirmou - eram estudantes universitários milaneses numa saída de férias num gipe descapotável emprestado (de um irmão, pareceu-me). De qualquer modo, depois de ajudá-lo a encontrar uma bateria, a três quilómetros de distância, e de arrancarmos, achámos que tomámos um risco desnecessário. Mas tudo correu bem e fizemos uma boa ação. Chegámos a Maderno pouco depois, sob um sol tórrido. Caminhámos pelo paredão a observar, invejosos, as villas rodeadas por ciprestes nas encostas adjacentes; comemos um gelado, tirámos algumas fotografias e abalámos em busca de um parque de campismo mais adiante. Mas não andámos muito: ainda em Maderno, vimos várias indicações para parques de campismo junto ao lago e, como a localidade era muito agradável, fomos espreitar. Acabámos por ficar no Camping Promontorio, num alvéolo a 20 ou 30 passos da praia. Não podíamos ter feito melhor opção: com a tarde ainda a meio, não escapávamos de nova banhoca e de provarmos mais umas loiras italianas. A paisagem era deslumbrante, a água quentinha (estranho, para um lago tão a norte!), as condições do parque muito boas... Que mais se podia pedir? Fomos à água como quem não come há horas se faz a uma refeição quente: a temperatura raiava os 40º e a roupa colava-se ao corpo. As rochas e godos do leito do lago dificultavam-nos a permanência prolongada na água, pois não tínhamos as sandálias próprias para este tipo de praias. Depois do banho, caminhámos no paredão contíguo aos parques de campismo que se alinhavam e bebemos uma cerveja gelada (Poretti) numa esplanada. Perfeito!Depois do jantar - um arroz de sardinhas e pimento verde de pedir por mais! -, voltámos a caminhar pelo paredão, observando as pessoas a gozarem a vida. Preparámos tudo para nos deitarmos e arrancarmos cedo no dia seguinte, mas, antes de nos fazermos ao colchão, sugeri à Lili que estendêssemos uma toalha na praia. A temperatura estava fantástica e o sentimento de segurança era total. Assim  fizemos. Adormecemos a olhar as estrelas e a ouvir o marulhar das ondas do lago, cheio de segredos. Acordámos pouco antes da uma da manhã e rumámos à casota. Felizes.Conta-quilómetros: 2155 (476 nesta jornada)Ir para: Dia 0     Dia 4[...]



Croácia (Périplo 2012), Dia 2: Banho provençal

2013-08-28T22:57:18.513+00:00



O segundo dia de viagem não teve muito para contar, como geralmente acontece nestas tiradas mais longas. Almoçámos por alturas de Montpellier - petiscos ainda trazidos de Portugal, seguidos de um café francês que nos continua a insatisfazer (a nossa hierarquia dos cafés: 5 estrelas para Itália, 4 para Portugal e Eslovénia, 3 para Espanha e 2 para França).
 
Procurámos acampar perto de St. Tropez, ainda a horas decentes, mas foi impossível. Nem precisávamos de entrar nos parques, pois éramos informados por avisos afixados à entrada de que estavam esgotados. No fundo, já o imaginávamos: nestas paragens da Côte d'Azur, junto ao mar, ou com marcação antecipada (de que não gostamos, por querermos ser "livres"), ou muito perto do meio-dia - a hora de check-out -, o que também não encaixa na nossa rotina de férias.
 
Avançámos então para um nosso conhecido do ano anterior - o Domaine de La Bergerie, às portas de St. Paul de Vence, que voltámos a fotografar, ao longe. Não estava a abarrotar, como no ano anterior, em que arranjámos lugar por uma unha negra; estaria a metade da ocupação, talvez - resultado de quinze dias de diferença no calendário. E também havia menos melgas, como observou de imediato a Lili.
 
Antes da primeira refeição quente em 36 horas, tivemos tempo para uma banhoca divinal na piscina do parque, quase toda para nós àquela hora (quase oito da noite). Valeu por todo o dia de viagem! Ao jantar, tínhamos já planeada uma caldeirada de bacalhau de uma posta volumosa que trouxemos congelada desde Portugal, que fomos mantendo em condições na nossa arca. Soube muito bem, não obstante um esquecimento imperdoável: esqueci-me de adicionar azeite! Fizémo-lo no final, o que disfarçou a coisa
 
Conta-quilómetros: 1679 (744 nesta tirada)
 
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Croácia (Périplo 2012), Dia 1: Jantar em San Sebastián

2013-08-28T14:25:22.497+00:00

Como tem vindo a suceder nos últimos anos, partimos de Arcos de Valdevez mais tarde do que o previsto. Desagrada-me, mas acabo por digerir a insatisfação pensando que estamos em período de descanso e que os horários somos nós que os fazemos. 10.10 da manhã e conta-quilómetros a 0. Neste primeiro dia pretendíamos pernoitar perto de Avignon, o que já não seria possível. Redefinimos o objetivo para Tarbes, no Ibis local. Decidimos que nestas tiradas de largas centenas de quilómetros - de saída e chegada -, não acamparíamos. O que nos permite fazer sempre mais 300-400 quilómetros por dia e descansar um pouco melhor. Quando iniciámos a travessia do País Basco, constatámos que ainda íamos com tempo para um desvio há muito adiado: jantaríamos os rissóis, bolinhos de bacalhau e afins, que preparáramos no dia anterior, num qualquer espaço agradável de San Sebastián.Fomos surpreendidos por um mar de gente no centro da cidade e com a quase impossibilidade de estacionar nos parques subterrâneos do centro, no início da Alameda del Boulevard - tarefa que nos levou mais de meia hora. Já sabíamos que San Sebastián é uma cidade sempre em festa, mas aquela alegria contagiante que todos emanavam foi surpreendente. Assistimos a uma parada tradicional e jantámos na Bahía de la Concha ao som de um concerto rock que zurzia junto à marina. De bucho cheio, caminhámos pelo paredão e desfrutámos de um anoitecer fantástico, enquanto os locais e  veraneantes estendiam as suas toalhas para cenar a hora mais espanhola. Carpe diem!   Chegámos a Tarbes pouco antes da uma da manhã - ainda a tempo de descansar o suficiente para enfrentarmos outra jornada extensa. Durante este percurso final conversámos sobre as diferenças entre espanhóis e portugueses; sobre como aqueles passam - e bem - o seu tempo livre fora de casa; sobre o custo de vida; as paisagens; o urbanismo... Viajar é isto: colocar o que já conhecemos no prato de uma balança e o que vamos conhecendo no outro. E saber escolher. Conta-quilómetros: 935 Ler: Dia 0     Dia 2[...]



Croácia (Périplo 2012)

2013-09-02T23:11:29.353+00:00

 
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Agendámos as férias de verão deste ano para a última quinzena de Agosto, o que veio a condicionar os nossos planos. Hesitantes quanto ao destino, uma semana antes da partida decidimo-nos por um super périplo pelo norte da Europa: norte da Alemanha, Dinamarca e Suécia. Comprámos um bom guia da Alemanha (tencionamos fazer um périplo exclusivamente alemão no futuro) e um Lonely Planet da Europa, uma vez que o da Escandinávia estava esgotado. Dois ou três dias antes da partida tivemos de refazer os planos, pois a previsão meteorológica para a quizena seguinte, agora mais precisa, era muito molhada e fresquinha (final de Agosto no norte da Europa equivale a um início de outono).
 
No regresso do périplo à Eslovénia, em 2011, enquanto fazíamos o balanço da nossa aventura, manifestei o meu desejo de ir à Croácia. A Lili não ficou muito entusiasmada: "são muitos quilómetros", disse ela, mais por estar cansada daquela viagem do que por outra razão (ou talvez a possibilidade de novo recontro com um exército de melgas...).
 
A previsão do tempo para a Croácia era fantástica. O calor aflige-me mais do que à Lili, pelo que tinha ali um trunfo; mais a promessa de umas boas banhocas e umas quantas fotografias das águas verde-esmeralda do Adriático e a decisão ficou tomada. Foram dois dias intensos de preparação (leituras, sobretudo), que também nos fizeram gastar umas dezenas de euros na extensão do seguro do carro para a Bósnia e Herzegovina (geralmente não coberta pela Carta Verde), pois podia ser necessária para chegarmos a Dubrovnik (vejam um bom mapa para saber por quê).
 
Publicarei aqui um diário desta aventura de 14 dias, que espero vos possa inspirar a partir por essa estrada fora.
 
Ler: Dia 1



Périplo 2011, Eslovénia - Dia 15: Balanço

2013-08-26T10:42:11.106+00:00

A última tirada desta nossa aventura à Eslovénia começou com uma visita rápida a Tarbes. O tempo estava pouco apelativo, mas nem que estivesse encontraríamos grandes motivos de interesse. O melhor que nos ocorre dizer é que Tarbes é uma cidade discreta.  Durante o dia, fizemos o balanço da viagem (ler em baixo): costumamos elencar as três ou cinco coisas/ destinos de que gostámos mais e as 3 de que gostámos menos; fazemos contas às despesas; sonhamos com o périplo do ano seguinte. Este ano, fizemos a distinção entre lugares e ações/ acontecimentos. No intervalo destas conversações, parámos numa área de descanso perto de Burgos e despachámos uma punheta de bacalhau muito lusitana, acompanhada de uma cerveja italiana de bom gosto, mas pouco fresca (não comprámos gelo para esta tirada final, pois não se justificava), de nome Poretti.  Quilometragem final: 6002 (942 nesta tirada)Ir para: Dia 0 O NOSSO BALANÇO: Os meus lugares preferidos: 1º Veneza; 2º Bled; 3º Mónaco; 4º Piran; 5º Tourettes-sur-Loup.Os lugares preferidos da Lili: 1º Bled; 2º Veneza; 3º Mónaco; 4º St. Paul de Vence; 5º Lago de Sanabria. As coisas que preferi fazer: 1º Beber uma Moretti em Giudecca, com a praça de S. Marcos do outro lado do canal; 2º Comer sardinhas em Izola; 3º Andar de vaporetto; 4º Remar no lago Bled; 5º Subir ao VogelAs coisas que a Lili preferiu fazer: 1º Tomar banho/ mergular nas águas do Adriático, em Izola; 2º Andar de vaporetto; 3º Comer sardinhas em Izola; 4º Andar de bicicleta em Bled; 5º Caminhar até à cascata Slap Savica. Os meus pontos negativos: 1º Mosquitos; 2º A portagem do túnel de Fréjus; 3º A humidade no ar.Os pontos negativos da Lili: 1º Mosquitos; 2º A humidade no ar; 3º As retretes em França. Despesa total (apurada em maior detalhe em casa): 2.250 euros em 15 dias, incluindo 100 euros para despesas de desgaste do automóvel. As despesas por rúbricas: gasolina: 26%; alojamento (camping e hotel): 18%; portagens: 16%; supermercado/ alimentação (inclui compras feitas à partida): 15%; refeições fora: 7%; lembranças (comes e bebes, sobretudo): 7%; transportes/ estacionamento: 4%; desgaste do automóvel: 4%; entradas: 2%; outros: 1%. FIM[...]



Périplo 2011, Eslovénia - Dia 14: De Asti a Tarbes

2013-08-25T23:48:03.260+00:00

Embora não fizesse parte dos nossos planos, estando tão perto, não podíamos deixar de visitar Asti. Madrugámos, pois tínhamos uma grande tirada pela frente. Na verdade, acordámos com o cantar intenso de pegas, o que nos encantou. O guia da American Express não nos dizia nada de relevante para justificar a visita, mas estávamos curiosos por calcorrear outra cidade italiana. As poucas impressões que tínhamos não eram muito boas: algo degradadas, de cores pouco alegres. E Asti não surpreendeu. Estivemos ali umas duas horas, num passeio relaxado, a apreciar pequenos pormenores, como o do preço do calçado! Acabámos por comprar duas garrafas de Asti como recordação. E pouco mais. Mas pareceu uma cidade calma, minimamente agradável para se viver.  Entre Asti e a fronteira, ultrapassámos um explorador extraordinário. Sonhámos com as aventuras que teria tido e invejámo-lo. Passámos de Itália para França através do túnel de Fréjus. Escandalizados! 36.80 euros para percorrer cerca de 12 quilómetros, pagos à entrada! Rogámos cobras e lagartos e perguntámo-nos se muitos já não teriam chegado ali e voltado para trás por não disporem da quantia exigida! Ou não a querem pagar!  A paisagem em redor de Grenoble deixou-nos entusiasmados e com vontade de ali voltar com tempo. Mas conscientes de que o mundo é demasiado grande para podermos satisfazer todas as nossas vontades e sonhos. Mas também: querer é poder; ou é, pelo menos, o seu primeiro passo. Entre Nîmes e Narbonne apanhámos muito mau tempo: chuvas intensas e um céu escuríssimo! Nem pensar em acampar naquelas circunstâncias, a não ser que estivesse diferente mais adiante, perto de Carcassonne (não era a primeira vez que apanhávamos mau tempo perto de Narbonne, que parece ter um microclima especial, talvez pela confluência dos Pirineus e o Mediterrâneo). E não é que estava mesmo! Tentámos acampar no camping de Carcassonne, nosso conhecido, mas em vão. Às oito da noite é quase impossível arranjar-se um lugar num parque tão bem situado como aquele. Não conseguimos estabelecer contacto telefónico com o camping mais próximo (e que ainda era distante), pelo que decidimos avançar na viagem e arriscar uma tirada direta até Portugal, com algum descanso numa estação de serviço durante a madrugada. Como é nosso hábito, informei o meu irmão do nosso ponto de situação e das nossas intenções. Demoveu-nos e acabámos por dormir novamente no Ibis de Tarbes, onde chegámos por volta da meia-noite. No trajeto final, mantive-me desperto a ouvir um R. Madrid - Barcelona na Rádio Nacional de Espanha, enquanto a Lili picava o ponto do primeiro sono. Quilometragem: 5060 (1011 no dia) Ir para: Dia 0    Dia 15[...]



Périplo 2011, Eslovénia - Dia 13: um desejo na ilha de Bled e início do regresso

2013-08-25T23:49:15.194+00:00

O primeiro dia do fim: iniciamos hoje o regresso a Portugal, que planeámos realizar em três dias. Mas antes de deixarmos Bled, embarcamos numa última aventura. Literalmente. Por 10 euros, e após o check-out do camping de manhã muito cedo, alugámos um barco giraço para remarmos até à ilha de Bled - a única ilha da Eslovénia -, onde se encontra a Igreja da Assunção e onde é tradição tocar-se o sino da torre e pedir um desejo. E não queríamos deixar de o fazer. A viagem em grupo, conduzida por um barqueiro, ficar-nos-ia por 12 euros/ pessoa. Achámos que os 14 euros que pouparíamos seriam melhor investidos em cervejas e chouriços, ainda que não soubessemos onde enfiar mais alguma coisa no carro. Como poderão constatar pelas fotos que se seguem, foi um esforço hercúleo. O barco devia pesar uma tonelada! A meio do trajeto de regresso, pensei que me faltariam as forças. Fiquei com as mãos completamente dormentes e perdi um ou dois quilos em suor... Para além disso, no trajeto de ida, ainda tivemos um arrufozito por causa dos enquadramentos fotográficos da Lili, quase eternos. Mas... mas se não valeu a pena! E o desejo que formulámos fica só para nós, claro!     Se repararam, o relógio da torre da Igreja da Assunção estava avariado. Conseguimos sair de Bled por volta das 11 da manhã. E ao contrário do que me é costume, ainda não tinha decidido a rota a seguir; ia com umas vontades de continuar a explorar... E como não se devem contrariar as vontades, virámos a norte: atravessaríamos a fronteira mais a norte entre a Eslovénia e a Itália, perto de Tarvisio, e desceríamos então até Udine. Deste modo, não repetíamos trajetos e víamos novas paisagens, como estas, ainda na Eslovénia, a anunciarem o outono.  Não fazíamos ideia de onde acampar; procuraríamos um parque o mais tarde possível para somar o maior número de quilómetros que pudéssemos. A meio da travessia do norte de Itália, perto de Alessandria, decido não prosseguir para sul e percorrermos a costa da Ligúria, como fizemos na vinda, mas sim continuar a explorar... No dia seguinte, atravessaríamos a fronteira de Itália e França perto de Turim. Tivemos dificuldade em encontrar um parque de campismo nesta zona de Itália, no percurso da A21-E70, menos voltada para o turismo. Mas depois de muitas voltas (com a ajuda preciosa do GPS - que mesmo assim não foi total), conseguimos encontrar um nos arredores de Asti - a terra do vinho spumante feito de moscato bianco. Ao jantar, tivemos bife e batata frita acompanhados de feijão preto. E de uma magnífica cerveja italiana de nome Menabrea.  Nota do dia: em alguns parques de campismo continuam a pedir que deixemos o BI/CC na receção, o que contraria a lei. Em alguns casos, é por teimosia e por razões de segurança financeira ("com o cartão na nossa posse, não podes fugir sem pagar"); noutros, porque necessitam de efetuar o registo de vários dos dados constantes do documento de identificação, o que leva o seu tempo, sobretudo se for um camping grande e com muito movimento. Insistimos sempre em não os deixar, mesmo que tenhamos de voltar à receção mais tarde para os recolher. Quilometragem: 4045 (719 nesta jornada) Ir para: Dia 0     Dia 14[...]



Périplo 2011, Eslovénia - Dia 12: Ljubljana

2013-08-24T22:53:56.430+00:00

 Decidimos que não se justificava mudar de parque de campismo para visitar a capital da Eslovénia, Ljubljana, a cerca de 60 quilómetros. Saindo cedo de Bled, poderia ser que conseguíssemos regressar a tempo para uma banhoca no lago, na praia excelente que tínhamos a um passo do parque. E assim fizemos!Ljubljana é uma capital de pequena dimensão quando comparada com a maioria das capitais europeias. Por isso mesmo, mantém uma atmosfera "familiar", recatada, sem deixar de ser cosmopolita. É uma cidade romântica. Não no estilo arquitetónico, claro, mas antes nas vivências que parece oferecer aos que a habitam e aos que a visitam mais demoradamente. É uma cidade extremamente fotogénica, fazendo jus à sua toponímia; a cidade que  "se ama" ou "de atmosfera agradável", segundo dois estudiosos da matéria. O centro histórico, em redor do castelo e ao longo do rio Ljubljanica, visita-se rapidamente, se não perdermos os olhos pelos edifícios cuidados, os jovens alegres e bonitos, as pontes floridas, os mercados coloridos e cheirosos, as bicicletas cuidadosamente estacionadas. Um regalo para os olhos! Olhos estes que pusemos em bico quando vimos uma eslovena a encher um frasco com leite do dia num terminal exclusivamente dedicado ao efeito... Nunca visto! Fizemos a subida a pé até ao castelo já um pouco tarde na manhã, o que tornou a tarefa mais sequiosa e lenta. À entrada da fortaleza do século XII, recebe-nos o símbolo da cidade, um dragão, aqui estilizado magnificamente na forma de candeeiro. Subimos à torre para uma visão privilegiada sobre a cidade. Aqui, ficamos a saber que a capital europeia mais distante de Ljubljana é... adivinhem... a nossa Lisboa, o que, para além de alguma surpresa, nos deixou algo orgulhosos da nossa aventura: sim, Moscovo fica a 1930 kms e Lisboa a 2095! Visitámos várias exposições patentes no castelo e brincámos com uma aplicação multimédia que me transformou numa espécie de guerreiro eslavo. Assim, ganhámos coragem para enganar o apetite já escancarado e descemos à cidade, onde ainda nos surpreendeu a Mesarski Most, uma ponte pedestre repleta de cadeados, ali colocados por casais apaixonados prometendo amor eterno... Satisfizemos o apetite cego no Café Romeo: uma salada Caesar e uma tortilla, que partilhámos na esplanada. Ainda procurámos um dos restaurantes sugeridos pelo meu amigo Tom Priestly - o Zlata Ribica (Peixe Dourado) -, mas os preços eram algo proibitivos, ficando-nos a refeição por 60-70 euros, mal regados. Assim, no Café Romeo, matei a secura com duas Union divinais! E ainda chegámos a Bled com tempo para a tal banhoca deliciosa, na companhia de cisnes felizes e a paisagem que os deixa assim.Ao jantar, recuperámos algumas forças com ovos mexidos com presunto. E ainda tivemos tempo para acelerar a digestão com uma partida de ténis de mesa, antes de cair, quase inanimados, no nosso colchão fofinho... Nota do dia: estas viagens exigem permanecer connosco durante o resto do ano, antes que outra se possa realizar; por isso, vamos preenchendo a memória com as cervejas e vinhos, queijos e enchidos dos países que visitamos, que vamos despachando (estes últimos não duram mais do que umas dezenas de dias, necessariamente) com a contagem dos meses. Foi o que ainda tivemos tempo de fazer no regresso de Ljubljana: deixámos uma centena e tal de euros em líquidos potentes e muito colesterol num sup[...]



Périplo 2011, Eslovénia - Dia 11: Os lagos Bled e Bohinj

2013-08-26T12:38:43.214+00:00

Amanhece muito cedo em Bled, por isso despertámos com a luz do alvorecer e o desejo de um pequeno-almoço relaxado e bem nutrido, pois o dia prometia ser "durinho". O que se confirmou: foi um dia chupadinho até ao tutano! De manhã circundámos o lago Bled (Blejsko jezero) de bicicleta e à tarde passeámos até ao lago Bohinj (Bohinjsko jezero), a algumas dezenas de quilómetros de distância. Aqui, subimos de teleférico ao Vogel e, após a descida, ainda tivemos tempo de caminhar - e muito - até Slap Savica, uma cascata de água encantadora. Nesta postagem, as imagens valem mais do que as palavras. Exceção feita às de cariz mais pessoal. Os 20 euros de aluguer das duas bicicletas só não valeram todos os cêntimos porque o traseiro da Lili já não acariciava um selim há muitos, muitos anos... E 6,7 quilómetros deixam alguma mossa! Mas aquela paisagem soberba é um forte analgésico...    Decidimos almoçar no trajeto até ao lago Bohijn, parando aqui e ali para apreciarmos a vivência da natureza por parte dos eslovenos. Abancámos num restaurante de estrada com uma esplanada agradável. Provei uma truta do rio Sava e a Lili ficou-se por um Wienerschnitzel (o nosso panado de porco). Não ficámos plenamente satisfeitos, pois os acompanhamentos deixaram algo a desejar (demasiado "turísticos"). Valeu a cerveja para apagar o fogo da caloraça. E o surpreendente e quase virgem lago Bohinj! A subida ao Vogel não estava planeada, mas, como gosto das grandes paisagens, lá convenci a Lili a desembolsarmos os 26 euros da viagem de ida e volta e a esquecer-se das suas vertigens... E se não valeu a pena! Ao topo subiam dezenas de caminhantes com bilhete apenas de ida. Dali, partiam em variadíssimas direções. Depois de confraternizarmos com umas cabras simpáticas, fizemos o mesmo por umas centenas de metros - para lancharmos em completo silêncio: a montanha e nós.      Após a descida, hesitámos em visitar a cascata de Savica, que avistámos do monte Vogel perdida a meio da encosta de uma montanha oposta. Corríamos o risco de lá chegarmos já com pouca luz, pois não sabíamos se a estrada chegava lá perto. E não chegava mesmo! Arriscámos. Foi uma estafa, mas as fotografias provam o mérito da decisão.  Notas do dia: O arrozinho de frango do jantar foi precedido de uma paragem no supermercado anexo ao parque de campismo - de onde resgatámos o dito galináceo e onde, vejam só, vimos Sardinhas Ramirez à venda! Foi exemplo único em toda a viagem, sinal de que as nossas empresas têm ainda muitos mercados para explorar. Se por cá passarem algum dia - e esforcem-se por fazê-lo! -, não deixem de provar o queijo de Bohinj. Quilometragem: 3203 (78 no dia) Ir para: Dia 0     Dia 12[...]



Périplo 2011, Eslovénia - Dia 10: sem rota até ao destino almejado

2013-08-20T22:17:27.056+00:00

Deixámos a pequeníssima faixa costeira Eslovena em direção aos Alpes Julianos, ao objetivo central da nossa viagem: o lago Bled. Decidimos não seguir um percurso óbvio ou pré-definido, antes virar aqui e ali por estradas que nem o mapa assinalava - ver a Eslovénia "real". Exceção feita à nossa primeira paragem: o castelo de Predjana, após um cafezinho matinal num estabelecimento anexo a um celeiro de construção tradicional. Acabámos por não visitar o castelo (9 euros por pessoa), pois queríamos, sobretudo, desfrutar da paisagem.No trajeto por entre montes e vales, deparávamos com  tabuletas mimosas indicando as direções (localidades que quase nunca apareciam no mapa). Mas não nos perdemos e à hora do almoço já nos encontrávamos numa estrada mapeada. Parámos em Ziri, no primeiro restaurante que vimos. Pedimos uma pizza de marisco e Svinjska ribica na žaru - medalhões de porco grelhados acompanhados de pão acabado de sair do forno, que barrámos avidamente com manteiga artesanal. Tudo delicioso! Tanto que fizeram a Lili esquecer-se da comichão provocada pelas mordidelas de mosquito... Nova paragem, desta vez mais longa, para visitarmos Škofja Loka, uma cidade de tradição episcopal de pequena dimensão. Deambulámos por entre as muralhas do castelo e passeámos pelas ruas pitorescas situadas imediatamente abaixo, caracterizadas por portões de ferro e batentes magníficos. Um local agradável, mas que não justifica mais do que duas ou três horas do nosso tempo.  De volta à estrada, fizemos por nos apressarmos, pois queríamos acampar no Camping Bled, junto ao lago de que fez nome - um parque de campismo de 5 estrelas em que não é fácil arranjar lugar após as 3 ou 4 da tarde. Conseguimos um espaço jeitoso, com uma vista geral do parque muito boa. Preparámos o nosso "cantinho" antes de rumar à cidade, na outra ponta do lago, para preparar terreno: planear o que fazer nos dois ou três dias que pretendíamos ali ficar. Não sem antes ser brindado com umas chalaças pela Lili, pois num espaço de minutos fui mordido por duas abelhas! Poucos mosquitos mas mais abelhas em Bled!Em Bled, fizemos o percurso sinuoso a pé até ao castelo para uma vista geral sobre o lago e retemperámos forças numa esplanada com uma vista soberba. Não podíamos deixar de ficar com o sentimento de termos escolhido o melhor local possível para uns dias deleitosos.Ao jantar, tivemos salada russa com grão (e sem maionese). E menos 10 graus de temperatura! Tivemos de vestir um casaco leve. Mas estávamos bem!Nota do dia: em conversa com a jovem funcionária do restaurante em Ziri, a Petra, soubemos que o salário médio na Eslovénia é mais baixo do que em Portugal, mas o custo de vida é algo superior. Penso que a agricultura de subsistência e o turismo têm um papel central no equilíbrio dos orçamentos. Mesmo assim, segundo ela, muitos eslovenos têm de recorrer à Cruz Vermelha para sobreviverem.Quilometragem: 3125 (+220)Ir para: Dia 0     Dia 11[...]



Paragem quase forçada

2013-08-10T18:45:52.277+00:00

Caros amigos/ leitores:
 
Durante mais de um ano não consegui descobrir tempo suficiente entre a rotina dos meus deveres familiares e profissionais para dar seguimento à crónica da nossa viagem à Eslovénia (nem para qualquer outro tipo de postagem). Proponho-me retomá-la e terminá-la durante este mês. Bem como iniciar (e talvez completar) a crónica do nosso périplo de 2012 pela inolvidável Croácia.
 
Partamos, então!



Périplo 2011, Eslovénia - Dia 9: os Stones em Piran

2013-08-20T22:17:45.976+00:00

.Deitámo-nos sem saber se ficaríamos na Ístria Eslovena mais um dia. Não por falta de vontade, mas porque a noite não estava a correr bem: a malta jovem que nos rodeava não se calava em conversas animadas por cerveja a rodos e outros líquidos potentes. As melgas também tinham feito das suas durante o jantar, pelo que o ânimo não era grande. Mas tudo correu bem: a noite acabou por ser bem dormida e as melgas, apropriadamente, foram chatear outros (no nosso quartinho também não entravam, não!)..Acordámos bem dispostos e com pica para visitar Piran durante a manhã e mergulhar na praia de Izola durante a tarde. Em Piran tivemos que aparcar fora da cidade e caminhar cerca de um quilómetro, empurrados por um ventinho que prometia refrescar o dia. O porto de Piran mostrava-se tão acolhedor como o de Izola - o oposto absoluto da opulência avassaladora e inquietante dos portos de Cannes e do Mónaco...Continuámos o passeio relaxado por entre as ruas de Piran, subindo lentamente até às muralhas da cidade, que se avistavam à distância. Como em Izola, a maioria dos turistas pareciam eslovenos e italianos, desfrutando da paisagem belíssima sem pressas. A vista das muralhas era extraordinária: do outro lado do Golfo de Trieste, no prolongamento da península, o que julgámos pudesse ser Veneza (mas não deveria ser); à direita, para norte, no prolongamento de Trieste, os Alpes, encimados por neve; e, aos nossos pés, o rendilhado em tijolo dos telhados de Piran...Descemos novamente até à Praça Tartini (Tarinijev tgr em esloveno; Piazza Tartini em italiano - as duas línguas oficiais do município), do compositor italiano Giuseppe Tartini. Parecia que os habitantes locais só agora estavam a acordar: as esplanadas ganhavam movimento e os pequenos negócios montavam escaparates ou abriam portas. Ao chegarmos à praça fomos atraídos pela música que saía do bar Zizola (nome de um fruto do tamanho de uma azeitona pequena, que infelizmente não vimos à venda para provar) e pela respectiva esplanada de sofás, tão convidativa com vista sobre toda a praça: nem tarde nem cedo para um café merecido. Perguntei ao funcionário de serviço qual a música que estavam a passar e fui parcialmente surpreendido: um tema dos Rolling Stones de que não me lembrava, com um ritmo mais lento, algo mais sonhador, no género de Waiting on a friend ou de Time waits for no one. Foi o café perfeito no local mais acolhedor do mundo, àquela hora, naquele dia, a fazer-nos lembrar que o tempo não espera mesmo por ninguém - e que ou deixamos que ele passe por nós ou somos nós a fazermos por passar por ele. Nisto não temos dúvidas, por isso fizemos por desfrutar daquele momento sublime..Retomámos o passeio em direcção à Catedral de S. Jorge, com origem no séc. XII. Optámos por visitar apenas a sua torre, de onde pudemos registar mais alguns instantâneos excelentes. A fotografia do menino a conversar com o seu cão, no prolongamneto em diagonal do sino da igreja, é uma das minhas favoritas de toda a viagem...Contornada toda a península ao ritmo de quem está bem com a vida e já de regresso, encontrámos algumas metralhadoras enferrujadas em várias ruas, talvez a lembrar a passagem de Piran para soberania italiana após a 1ª Grande Guerra e para soberania jugoslava após a 2ª: a história não se deve esquecer para que o[...]