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Ambiente no Mundo





Updated: 2014-10-03T01:05:24.668-07:00

 



O estado do Mundo

2007-06-27T15:03:53.470-07:00

Durante milénios, os seres humanos eram apenas mais uma espécie no Planeta Terra. A partir da Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, a evolução tecnológica permitiu ao Homem auspiciar a se tornar independente dos caprichos e limitações da Natureza. As produções agrícolas puderam ser controladas e, mais tarde, manipuladas para benefício de uma população crescente. Pôde-se aumentar os níveis de conforto e qualidade com o aparecimento de uma míriade de máquinas e instrumentos que permitiram uma multiplicação de bens e produtos de consumo. Os avanços médicos conseguiram aumentar a longevidade e trazer maior qualidade e conforto à vida das pessoas. Enfim, o Homem chegava a um nível onde supostamente dominava e usava a seu bel-prazer a própria Terra. Mas este duro caminho foi traçado com um rol de vítimas. E o Planeta Terra, em tudo aquilo que respresenta, terá sido a maior. Nos últimos 30 anos, quando o alerta já tinha sido dado em várias situações, a degradação ambiental não parou de se agravar, apesar das convenções e acordos internacionais que foram sendo assinados e das subsequentes promessas. O último relatório do World Wildlife Fund (WWF) demonstra mesmo que foi a partir dos anos 70 que a pressão humana se intensificou para níveis perigosos. De acordo com o WWF, a “pegada ecológica” do Homem – medida pelo uso humano dos recursos renováveis – cresceu 80% entre 1961 e 1999, situando-se 20% acima da capacidade total de produtividade biológica da Terra. Para que houvesse um equilíbrio, para satisfazer as suas necessidades, cada ser humano não deveria usar mais do que os recursos naturais equivalentes à produtividade de 1,9 hectares de solo. Contudo, o valor médio actual de exploração dos recursos naturais é já de 2,3 hectares per capita, sendo que nos países mais industrializados ainda é muito mais elevado. Com efeito, segundo a WWF existem cerca de três dezenas de países que ultrapassam os 4 hectares per capita, destacando-se, por este ordem, os habitantes dos Emirados Arabes Unidos, Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Finlândia, Noruega, Kuwait, Austrália, Suécia, Bélgia, Luxemburgo e Dinamarca. O nosso país aparece na 24º posição, com cerca de 4,5 hectares per capita. Este aumento da pressão humana tem tido efeitos extremamente negativos ao nível da biodiversidade. A WWF aponta para decréscimos em índices biológicos nas florestas, água doce e mares da ordem dos 15%, 54% e 35%, respectivamente, entre 1970 e a actualidade. Contudo, a acrescentar a estes problemas, as actividades humanas têm provocado efeitos ambientais nefastos a nível mundial. Além dos problemas locais de poluição, a Terra viu-se contaminada pelo DDT e pelas emissões de enxofre causadoras das chuvas ácidas; a camada de ozono estratosférico começou a reduzir-se para níveis preocupantes sobretudo no Pólo Sul, os acidentes com petroleiros e em fábricas e centrais nucleares tornaram-se uma ameaça latente para as actividades humanas. E, mais importante ainda, a crescente queima de combustíveis fósseis tem estado a alterar o clima, provocando um aquecimento global com efeitos negativos em todo o Planeta, quer ao nível da biodiversidade, quer do próprio Homem. As Nações Unidas já não têm dúvida sobre um aspecto: a degradação ambiental é o factor mais importante para a deterioração da saúde humana e para a redução da qualidade de vida das populações. A falta de qualidade ambiental é, hoje, diractamente responsável por 25% das doenças evitáveis, destacando-se as diarreias e as doenças respiratórias. Globalmente, 7% de todas as mortes e doenças são devidas a problemas de qualidade da água, saneamento e higiene, enquanto que 5% são causadas por má qualidade do ar. Alertas - Um Mundo vulnerável África Existe um número crescente de países com carências crónicas de água e saneamento básico, além de se estar a verificar uma acentuada degradação dos solos. A expansão da agricultura para solos marginais, devido[...]



Desenvolvimento humano

2007-06-27T15:03:03.684-07:00

Nas últimas três décadas, numa perspectiva económica global, o Mundo melhorou. Basta ver as estatíticas de organismos, como a ONU, para confirmar que os seres humanos, como espécie, vivem em melhores condições, fruto dos avanços tecnológicos e da medicina. Em termos globais, o crescimento económico mesmo nas regiões mundiais mais pobres cresceu significativamente no período entre 1972 e 1999: 13% na África, 72% na Ásia e Pacífico e 35% na América Latina. Em relação ao primeiro quinquénio da década de 70, a esperança de vida aumentou oito anos, a mortalidade infantil passou de cerca de 100 óbitos por mil nascimentos para pouco mais de 50, a taxa de literacia subiu de 63% para quase 80% e o produto interno bruto per capita aumentou cerca de 75%.Contudo, apesar destes progressos, a pobreza ainda é uma atroz realidade em grande parte do Planeta e nem todos os países se desenvolveram para níveis aceitáveis. Pelo contrário, muitos seres humanos continuam a viver, e a morrer, em condições degradantes. Com efeito, cerca de 1,2 mil milhões de pessoas – cerca de 20% da população mundial – vive ainda num grau extremo de pobreza, com menos de um euro por dia, e outras 2,8 mil milhões não têm mais de dois euros. A esmagadora maioria, cerca de 75%, destas pessoas vive em zonas rurais, onde aliás as carências nos cuidados de saúde, de saneamento e educação são ainda maiores do que nos centros urbanos.O Mundo pode ter assim melhorado a nível macro, mas cresceu de forma desequilibrada. Registando actualmente um aumento demográfico anual da ordem dos 77 milhões de pessoas, a população mundial passou de 3,85 mil milhões de habitantes em 1972 para os 6,1 mil milhões de finais de 2001. Foram, no entanto, os países subdesenvolvidos que mais contribuiram para este aumento, agravando assim a capacidade de criar estruturas sólidas de apoio económico e social. Apenas seis países são responsáveis por metade do crescimento demográfico: India (21,1%), China (13,6%), Paquistão (4,8%), Nigéria (3,9%), Bangladesh (3,7%) e Indonésia (3,6%). Ao invés, os países desenvolvidos estão a sofrer uma contracção demográfica. As Nações Unidas estimam que no ano 2050, a população dos países industrializados se mantenham estável – nos actuais cerca de 1,2 mil milhões –, enquanto que os países mais pobres passarão dos 4,9 mil milhões para uns impressionantes 8,1 mil milhões. Esta previsão baseia-se no facto de nos países subdesenvolvidos a taxa de fertilidade atingir 3,1 crianças por cada mulher, enquanto que nos países desenvolvidos essa taxa não atinge os 1,6 – bem abaixo do nível de “rejuvenescimento” demográfico que é de 2,1. Aliás, esta é uma das razões pelas quais a emigração dos países pobres para os ricos está a acentuar-se, com os problemas sociais que são já evidentes, por exemplo, na Europa Ocidental. Aliás, as migrações aumentaram nos últimos 30 anos de uma forma impressionante: o número de pessoas que vive fora do seu país aumentou de 84 milhões em 1975 para 150 milhões no final dos anos 90. Não é, contudo, apenas a pobreza e a procura de melhores condições de vida que estão na causa das migrações mundiais. As guerras e a opressão política também fazem engrossar os números. Se em 1972 existiam 2,7 milhões de refugiados, actualmente rondarão os 22 milhões.Mesmo em muitos dos países em vias de desenvolvimento, a evolução económica, que seria mais necessária, não se fez de uma forma equitativa. O último relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) salienta que enquanto 66 países subdesenvolvidos reduziram a taxa de mortalidade infantil, outros 93 – onde vive 62% da população mundial – não o conseguiram, chegando alguns a apresentar evoluções desfavoráveis. Por outro lado, por exemplo em relação à disponibilidade de água potável, 83 países continuam a apresentar graves carências.Uma das causas para a crescente preocupação para com alguns países sub[...]



Água

2007-06-27T15:02:03.589-07:00

Cerca de um terço da população mundial vive em países que sofrem de moderada a elevada carência de água, estimando-se que, dentro de menos de 25 anos, 75% da população humana terá dificuldades em dispôr de recursos hídricos para as suas actividades. A ideia da água como recurso infinito perdeu-se, definitivamente, nos últimos anos. Embora se estime que a água do planeta atinja os 1,386 mil milhões de quilómetros quadrados – o que daria para encher uma piscina com a área de Portugal com uma profundidade de cerca de 16 mil quilómetros –, apenas 2,5% é água doce e desta pequena parte só cerca de um terço está potencialmente disponível para utilização humana. Com a triplicação da população mundial nos últimos 70 anos, o consumo de água sextuplicou. Apesar dos consumos per capita estarem agora estabilizados, certo é que ao ritmo de crescimento de habitantes, a água será um dos principais factores limitativos do desenvolvimento. Estima-se que actualmente está-se a utilizar 54% da água doce disponível. Caso o consumo por habitante se mantenha constante, em 2025 a população humana estará a usar 70% dos recursos hídricos apenas devido ao crescimento populacional. E se os consumos em todo o Mundo fossem idênticos aqueles que se registam nos países desenvolvidos, então consumir-se-ia 90%. Segundo as Nações Unidas, no ano 2000, em 31 países onde viviam quase 510 milhões de pessoas eram afectadas por intenso stress hídrico ou grave escassez de água. E em 2025 esse número elevar-se-á para os 3 mil milhões. Segundo um relatório do World Vision – uma organização mundial presidida por um vice-presidente do Banco Mundial –, apenas com um esforço redobrado na eficiência de uso da água, melhoria das condições de saneamento básico, sobretudo nos países subdesenvolvidos, e apoios internacionais, a situação global não piorará. Segundo estimativas desta organização entre o ano 2000 e 2025, devido ao aumento da população e à exaustão de recursos hídricos, a disponibilidade média anual de água per capita deverá descer de 6600 para apenas 4800 metros cúbicos, ou seja, uma redução de 28%. A situação será particularmente grave para os países subdesenvolvidos. Estima-se que cerca de 3 mil milhões de pessoas vivam, em 2025, com menos de 1700 metros cúbicos de água por ano, considerado o volume mínimo de sobrevivência. E para o quadro não ser mais negro será fundamental um reforço nos investimentos da ordem dos 180 mil milhões de dólares por ano, sendo que a “parte de leão” se deve destinar para o fornecimento de água e melhoria das condições sanitárias. A água é fonte de vida, mas também pode ser de morte. Actualmente, apenas cerca de 1,5 mil milhões de habitantes do planeta possui condições sanitárias mínimas – um número que não tem sofrido grandes alterações desde há uma década. Ao invés, a população mundial sem acesso a serviços básicos de água e esgotos aumentou de 2,6 mil milhões de pessoas, em 1990, para quase 3,3 mil milhões, no ano 2000. Por exemplo, em África apenas 60% da população tem acesso a água potável e 60% a algum tipo de saneamento básico, mas em muitos casos em péssimas condições. As zonas rurais são mais carenciadas – 29% da população não têm água salubre – do que as zonas urbanas, onde essas deficiências atingem 15% dos habitantes. Essa situação é agravada pela poluição dos rios, albufeiras e águas subterrâneas por esgotos urbanos, que sobretudo nos países subdesenvolvidos constitui um elevado perigo para a saúde pública e a biodiversidade. Devido a essas carências, por ano morrem cerca de 3,3 milhões de pessoas devido a diarreias, das quais 1,5 mil milhões são crianças com menos de 5 anos. A cólera e a febre tifóide infectam cerca de um milhão de pessoas por ano, provocando cerca de 45 mil mortes. Outras infecções de origem aquáticas afectam, todos os anos, quase mil milhões de pessoas, provoca[...]



Atmosfera

2007-06-27T14:39:16.850-07:00

A degradação da qualidade do ar ao longo das últimas décadas constituiu o reverso da medalha do crescimento económico mundial, não só pelos prejuízos ambientais, mas também pelos danos na saúde pública Ao longo das últimas três décadas, problemas que até então eram desconhecidos passaram a ser temas do quotidiano. As chuvas ácidas – provocadas pelas emissões de dióxido de enxofre –, o buraco do ozono – devido aos clorofluorcarbonetos (CFC) – e o aquecimento global – derivado das emissões crescentes de dióxido de carbono, metano e outros compostos – assumiram contornos preocupantes. Para além destes problemas globais, outros se acrescentaram a nível local. Sobretudo nos centros urbanos, as concentrações elevadas de chumbo, partículas e óxidos de azoto – com a consequente formação de ozono superficial – agravaram os problemas de saúde pública. Em outras zonas, as emissões de compostos perigosos, provenientes das indústrias ou da queima de produtos e resíduos, também se tornaram numa fonte adicional de preocupação mundial.Os problemas de poluição atmosférica são, em quase todos os casos, globais e radicam sobretudo na queima de combustíveis fosséis e de biomassa, quer para a produção de electricidade, quer para os processos industriais, quer ainda para os transportes. Com efeito, estas actividades são as principais fontes de emissão de dióxido de carbono, dióxido de enxofre, monóxido de carbono, óxidos de azoto, partículas suspensas, compostos voláteis e alguns metais pesados. Tendo em conta que, à escala mundial, a produção de energia aumentou 57% entre 1973 e 1998, significa que os problemas se agravaram significativamente.As emissões de dióxido de enxofre tornaram-se, durante as décadas de 70 e 80 um dos mais graves problemas ambientais da Europa e América do Norte, com as chuvas ácidas a destruirem uma parte significativa das florestas e dos ecossistemas aquáticos, com elevadas mortalidade de peixes, sobretudo nos lagos da Escandinâvia. Subsequentes medidas de despoluição conseguiram inverter esta tendência nos países mais desenvolvidos – actualmente na Europa a redução é de 70% e nos Estados Unidos de 40% em relação aos máximos atingidos na década de 80 –, mas a crescente utilização de carvão nos países asiáticos tem vindo a destruir vastas áreas florestais, em especial na China. Contudo, alguns países europeus aumentaram as emissões de dióxido de enxofre, como foi o caso de Portugal e Grécia, com aumentos de 3% e 7% entre 1990 e 1998.O aumento do parque automóvel e do consumo de gasolina e gasóleo também tiveram efeitos bastante negativos no ambiente e saúde pública. Ao longo das últimas três décadas, o chumbo contido na gasolina começou a ser um dos motivos de maior alarme, devido às implicações para a saúde das crianças. Desde a década de 70, nos Estados Unidos, e a partir da segunda metade da década de 90 na Europa, o chumbo foi banido dos combustíveis, embora actualmente 20% da gasolina vendida no Mundo ainda contenha este metal pesado. De qualquer modo, apesar de ainda estar em valores elevados – cerca de 120 mil toneladas por ano em meados da década de 90 –, as emissões de chumbo têm estado a diminuir à escala planetária. Quer ao nível dos transportes, quer da indústria, as reduções atinjem cerca de 65% em relação às emissões de 1983. Também no caso de outros metais pesados, a tendência é de decréscimo. Por exemplo, as emissões de mercúrio reduziram-se 37% no mesmo período.Se o chumbo deixou de constituir um grave problema nas cidades dos países mais desenvolvidos, o ozono e as partículas são agora merecedoras de particular atenção. No primeiro caso, as emissões de óxidos de azoto pelos transportes e algumas indústrias fazem com que, sob a radiação solar, se forme ozono superficial que é um gás irritante para as mucosas humanas e vias respiratórias, além de afectar a vegetaç[...]



Biodiversidade

2007-06-27T14:38:36.715-07:00

Nas últimas décadas, a acção humana nos ecossistemas naturais tem vindo a afectar cada vez mais espécies de fauna e flora do Planeta. Se a taxa de extinção de mamíferos e aves era, historicamente, de uma espécie perdida por cada 500 a 1000 anos, as profundas intervenções das diferentes actividades antrópicas têm acelerado esse ritmo. Com efeito, o último Livro Vermelho do IUCN indica que cerca de 24% (1130 espécies) dos mamíferos e 12% (1183 espécies) das aves estão consideradas como em perigo. Desde que essa lista começou a ser publicada em 1996, o número de espécies em elevado risco de extinção aumentou de 169 para 180 mamíferos e de 168 para 182 aves. As estimativas para os próximos 100 anos indicam que a extinção de vertebrados pode vir a aumentar entre 15% e 20%.Embora não existam muitos estudos sobre o número de espécies que desapareceram nos últimos 30 anos, a base de dados do Commitee on Recently Extinct Organisms – umam entidade ligada ao Museu de História Natural dos Estados Unidos – indica que 58 espécies de peixes e um mamífero se estinguiram desde os finais da década de 60, enquanto o Birdlife International aponta para o desaparecimento irreversível de nove espécies de aves durante este período.A principal causa para a extinção de espécies são as profundas alterações, ou mesmo a destruição, dos habitats. Sobretudo a destruição das florestas é um dos factores mais importantes, tendo uma recente pesquisa determinado que isso estava a afectar gravemente 83% dos mamíferos e 85% das aves consideradas em vias de extinção.No entanto, a degradação da qualidade das águas também tem sido determinante para colocar em perigo muitas espécies de peixes. Segundo vários estudos, actualmente cerca de 20% das espécies piscícolas estão em risco. Outros factores têm contribuído também para vulnerabilidade dos animais e plantas de todo o Mundo: o avanço dos desertos, o sobrepastoreio, a poluição da água, solo e atmosfera por substâncias químicas, os derrames de crude e outros poluentes nos mares e as catástrofes naturais. Por exemplo, os efeitos meteorológicos do El Niño de 1997 e 1998 afectaram significativamente uma dezena de extensos recifes. No Oceano Índico registou-se uma taxa de mortalidade dos corais superior a 90% ao longo de milhares de quilómetros quadrados.O consumo de animais e plantas também tem levado ao declíneo de algumas espécies. Por exemplo, nas últimas três décadas, o consumo de produtos florestais, como o papel, triplicou. No caso dos peixes marinhos, a captura intensiva – que aumentou 240% desde 1960 – levou não só à ruptura dos stocks pesqueiros, como colocou em risco algumas espécies. A FAO considera que mais de 70% dos stocks pesqueiros mundiais estão completamente pescados ou sobre-explorados.Outro factor de pressão, sobretudo para as espécies já raras, é o tráfico ilegal. A Interpol estima que o comércio mundial de espécies selvagens – grande parte das quais são raras – representa, por ano, cerca de 1200 milhões de contos (6000 milhões de euros). De acordo com o programa Traffic - coordenado pela associação ambientalista WWF e a convenção CITES -, anualmente serão comercializados, em grande parte de forma ilegal, cerca de 30 mil primatas, entre dois e cinco milhões de aves vivas, 10 milhões de peles de répteis, 15 milhões de peles de mamíferos e 500 milhões de peixes tropicais. O grosso do comércio ilegal são pequenos artefactos de marfim ou de peles, muitas vezes vendidos livremente nos países de origem, mesmo nas “free shops” dos aeroportos. Mas existem autênticos «cartéis» de traficantes, sobretudo na América do Sul, na China e na Rússia, especializados em comércio de animais vivos ou em vestuário de peles raras, cujos valores podem atingir dezenas de milhares de contos por espécime. Embora os esquemas de tráfico possam camuflar o país de origem, a Améric[...]



Floresta

2007-06-27T14:37:39.001-07:00

A floresta mundial ocupa, actualmente, uma área de 3,866 mil milhões de hectares, quase um terço da superfície terrestre, sendo que 95% é natural e apenas os restantes 5% é plantada pelo Homem. Quase metade (47%) da floresta mundial é tropical, cerca de 33% é boreal e a restante localiza-se nas regiões temperadas. Nas últimas décadas, a destruição da floresta tem assumido, em algumas regiões, contornos dramáticos. Nos anos 80, a FAO e a UNEP estimaram que a deflorestação tropical foi da ordem dos 11,3 milhões de hectares por ano, ou seja, durante essa década teria sido destruída uma área mais de 10 vezes superior ao território português. Nos anos 90, a situação ainda piorou: foram destruídas florestas a um ritmo de 14,6 milhões de hectares por ano, um valor que é 2,8 vezes superior à área florestal que anualmente foi plantada em todo o Mundo.Em 1995, um estudo feito pela UNEP, com recurso a imagens de satélite, apurou que das área florestais mundiais apenas 21,4% eram constituídas por floresta virgem com grande densidade de árvores. Cerca de 81% dessa florestas estão concentradas em apenas 15 países: Federação Russa, Canadá, Brasil, Estados Unidos, Congo, China, Indonésia, Perú, Colômbia, Bolívia, Venezuela, Índia, Austrália e Papua Nova Guiné, por esta ordem de importância. Quase metade dessas florestas virgens localizam-se nos primeiros três países.A floresta tropical é, sem dúvida, aquela que mais tem sofrido de delapidação, sendo que cerca de 70% dessa área destruída foi destinada para a agricultura e pastoreio. A taxa de regressão da floresta tropical atinge cerca de um por cento ao ano. No entanto, esta não é a única causa para a destruição florestal. Estima-se que a produção de madeira nas florestas se situe nos 3,335 mil milhões de metros cúbicos (m3), um terço dos quais na América do Sul e 27% apenas no Brasil. Mais de metade destas produções acabam por ser consumidas sob a forma de combustível, sobretudo nos países em vias de desenvolvimento. Uma outra parte considerável é destinada para fins industriais, quer para a produção de pasta de papel, quer para outros sectores, com destaque para a construção civil e mobiliário.O corte de florestas para a obtenção de madeira para a indústria é, muitas vezes, um factor adicional de destruição florestal. Com efeito, durante o abate das árvores de maior porte são destruídas muitas outras. Por exemplo, estima-se que em algumas regiões, por cada metro cúbico de madeira obtida é “desperdiçado” o dobro. Essa destruição agrava os problemas de erosão e de perda de biodiversidade, tornado em muitos casos irreversível a recuperação dessa áreas para fins florestais.A importância das florestas não se esgota apenas nas próprias árvores. Estima-se que as florestas mundiais contenham metade da biodiversidade do planeta, sendo os habitats com maior riqueza de espécies e de endemismos, sobretudo no caso das tropicais. Apesar de 12% das florestas a nível mundial estarem classificadas como áreas protegidas, isso não tem evitado o risco de extinção de muitas espécies de mamíferos e aves que as utilizam como habitat. Outro factor de destruição são os fogos. Nos 10 últimos anos, de acordo com dados da FAO, em 46 países – incluindo Portugal – terão sido destruídos por incêndios cerca de 21 milhões de hectares de floresta. Na bacia do Mediterrâneo atingiu os 5 milhões de hectares. A Federação Russa viu desaparecer, em média, quase 800 mil hectares de floresta pura por ano, seguindo-se-lhe o Canadá (502 mil), Argentina (465 mil), Espanha (68 mil), México (67 mil) e Portugal (46 mil). Note-se que a situação portuguesa é particularmente grave, porque sendo o sexto país a nível mundial com maior área destruída, é o pior em termos relativos. Com efeito, se os fogos da década de 90 destruiram, por exemplo, na Federação Rus[...]



Solo

2007-06-27T14:36:43.506-07:00

Apesar do solo terrestre ser finito, a população humana não tem parado de crescer e exercido uma maior pressão nos terrenos potencialmente aráveis para aumentar as produções agrícolas, aumentando assim a sua degradação. Com a maior parte do aumento demográfico da ordem dos 2,2 mil milhões de habitantes nas últimas três décadas a concentrar-se na Ásia e Pacífico, tem sido este o continente que se tem salientado à escala mundial em relação à degradação dos solos. A área arável nesta região aumentou de uns impressionantes 500 milhões de hectares em 1972 para cerca de 570 milhões em 1998. Isto quando a generalidade das outras regiões mundiais registaram ligeiros acréscimos ou mesmo reduções, como aconteceu com a Europa. Além do aumento da área agrícola, a crescente procura de bens alimentares tem vindo a resultar, nos últimos anos, num incremento da utilização de adubos, pesticidas e no alargamento do cultivo para zonas marginais. Em consequência, vastas áreas florestais tem sido destruídas, aumentando a susceptibilidade à erosão hídrica ou eólica, bem como promovendo a contaminação dos solos com substâncias indesejáveis. No caso dos fertilizantes – cujo excesso provoca degradação da qualidade da água e empobrecimento dos solos –, entre 1972 e 1988 registou-se um crescimento médio anual da quantidade utilizada em todo o Mundo da ordem dos 3,5%. A partir do início da década de 90 tem-se vindo a verificar uma relativa estabilização da quantidade de fertilizantes – que ronda anualmente mais de 4 milhões de toneladas – mas os problemas são, em muitos casos, cumulativos e irreversíveis. Para este aumento das contaminações muito têm contribuído incorrectas políticas agrícolas. Por exemplo, um estudo da FAO constatou que em 26 de um grupo de 38 países em vias de desenvolvimento atribuíam subsídios para o uso de fertilizantes, promovendo assim adubações excessivas sem reflexos no aumento da produtividade agrícola. Os pesticidas são também uma das causas para a degradação dos solos e águas, sobretudo do ponto de vista da redução da biodiversidade e da contaminação ambiental e dos alimentos. Em muitos casos, continuam a subsistir aplicações ou armazenamento de pesticidas indesejáveis ou mesmo já banidos, como se verificou numa pesquisa efectuada em 1995 pela FAO. Nessa altura, esta entidade encontrou em 49 países cerca de um milhar de sítios onde se armazenavam mais de 16.500 toneladas de pesticidas perigosos A proliferação de zonas de regadio, com a consequente destruição de zonas húmidas naturais, é também um problema grave, sobretudo pela perda de biodiversidade e, em certa medida, pelo esbanjamento e contaminação da água. A área mundial de regadio aumentou mais de 50% nos últimos 30 anos, sobretudo na Ásia, que tem actualmente cerca de 180 milhões de hectares. A Europa – o segundo continente com mais área de regadio – possui “apenas” cerca de 30 milhões de hectares. Por outro lado, problemas de gestão hidráulica e dos regadios fazem com que muitos perímetros de rega fiquem salinizados ou alcalinizados, diminuindo a produtividade ao fim de alguns anos. De acordo com estimativas da FAO, mais de 10% dos solos de regadio a nível mundial – que no total representam 255 milhões de hectares – estão severamente degradados devido à salinização. Outros 80 milhões de hectares estarão em vias de sofrer idêntico problema a médio prazo. Aliás, na década de 80 estima-se que cerca de 10 milhões de hectares de solos irrigados foram abandonados por se terem tornado improdutivos. Apesar disto, a agricultura não é a principal causa de degradação dos solos à escala mundial. Com efeito, na génese da desertificação, a agricultura é ultrapassada pelo sobrepastoreio e deflorestação, estando à frente da sobre-exploração florestal e das activ[...]



Zonas costeiras

2007-06-27T14:35:47.271-07:00

As zonas costeiras têm vindo, nas últimas décadas, a sofrer um incremento na pressão humana, pese embora algumas convenções internacionais assinadas a partir da segunda metade do século XX. Uma das principais causas tem sido, essencialmente, o aumento populacional na faixa litoral. Actualmente, estima-se que cerca de 40% da população mundial viva numa faixa de 100 quilómetros adjacente aos mares, o que representa mais habitantes que aqueles que viviam em todo o Mundo em 1950. A poluição dos mares e zonas litorais foram, aliás, motivos para os primeiros alertas sobre a degradação ambiental do Mundo. Antes de 1972, a elevada mortalidade de aves marinhas causada pelo DDT, as mortes humanas em Minamata provocadas pelo consumo de peixe contaminado por mercúrio e vários desastres com petroleiros – dos quais se destaca o do Torrey Canyon – levou mesmo à promoção da Conferência de Estocolmo, a partir da qual se criaram as bases das convenções para a regulação e proibição de determinadas actividades que colocavam em causa a estabilidade do mundo marinho. Contudo, embora os países desenvolvidos tenham reduzido, em parte, os impactes sobre o mar, nos restantes países os problemas de contaminação subsistem de forma dramática. De qualquer modo, a concentração das populações nas regiões litorais e a construção de grandes empreendimentos turísticos nessas sensíveis faixas costeiras constituem factores de agravamento do equilíbrio ecológico. Outro problema que tem registado um acréscimo negativo tem sido a contaminação de águas balneares e o enriquecimento excessivo das águas marinhas com nitratos e fosfatos, particularmente graves em mares fechados. De acordo com diversos estudos existem 35 zonas marinhas que sofrem episódicas carências de oxigénio – sobretudo localizadas em partes do Golfo do México e Mares do Norte, Mediterrâneo, Morto e Negro – resultantes dos crescimentos anómalos de algas em águas com excesso de nutrientes. O Worldwatch Institute estima que as perdas económicas das 17 maiores “marés vermelhas” tenham causado, entre 1972 e 1998, prejuízos superiores a 420 mil milhões de euros em bancos pesqueiros e aquaculturas. Aquelas que provocaram maiores prejuízos deveram-se à mortalidade de ostreiras na República da Coreia (em 1981) e Estados Unidos (Washington, em 1991) com perdas económicas de, pelo menos, 60 mil milhões e 15 mil milhões de euros, respectivamente. Por outro lado, estima-se que, por ano, devido à contaminação dos mares, 400 mil pessoas sejam afectadas com doenças diversas por tomar banho nas praias, 1,8 milhões contraem hepatites e um milhão ficam intoxicadas por consumirem alimentos (peixes, mariscos ou bivalves) contaminados por algas tóxicas. Estes casos representam um custo económico da ordem dos 12,8 mil milhões de euros por ano. A exploração dos mares para obtenção de pescado é também um problema dramático em muitas regiões. A captura anual de peixes, moluscos e crustáceos aumentou de perto de 60 milhões de toneladas em 1972 para cerca de 90 milhões de toneladas na actualidade. Contudo, este crescimento de 50% nas capturas globais de pescado (na Ásia e Pacífico chegou a duplicar) está a tornar-se insustentável, sendo já bem evidente na Europa e América do Norte. Com efeito, nestes dois continentes, as capturas per capita têm vindo a diminuir desde finais dos anos 80. Na América Latina, por sua vez, registou-se uma quebra abrupta para metade das capturas per capita entre 1994 e 1998. As causas para estas reduções deve-se às rupturas dos stocks pesqueiros. A FAO considera que quase 50% dos bancos pesqueiros estão completamente explorados – um valor que sofreu de um ligeiro abaixamento em relação a 1974, o que revela dificuldades de recuperação biológica – e que quase 30% estão sobre-explorados o[...]



Zonas urbanas

2007-06-27T14:34:03.896-07:00

Há um século atrás, apenas 10% da população mundial vivia em cidades. Após a II Guerra Mundial, em 1950, aumentava para os 29%, estabilizando-se ao longo das duas décadas seguintes. Actualmente, já quase metade (45%) da população humana vive em cidades.A concentração populacional nas urbes ocorre na generalidade dos países, mas na América do Norte, Europa e América Latina mais de 75% dos seus habitantes residem agora em cidades, tendo também aumentado a importância das mega-urbes que não têm parado de crescer. Em 1975 existiam apenas cinco cidades com mais de 10 milhões de pessoas: Tóquio (19,8 milhões), Nova Iorque (15,9), Cidade do México (11,2) e São Paulo (10). Hoje já são 19: Tóquio (26,4 milhões), Cidade do México (18,1), Bombaim (18,1), São Paulo (17,8), Xangai (17), Nova Iorque (16,6), Lagos (13,4), Los Angeles (13,1), Calcutá (12,9), Buenos Aires (12,6), Daca (12,3), Carachi (11,8), Deli (11,7), Jacarta (11), Manila (10,9), Pequim (10,8), Rio de Janeiro (10,6) e Cairo (10,6). Prevê-se que em 2015 sejam já 23, sendo que Tóquio, Bombaim, Lagos, Daca e São Paulo terão mais de 20 milhões de habitantes. Conforme se constata têm sido sobretudo as cidades dos países em desenvolvimento que mais se engrossam com novos habitantes urbanos. Com efeito, sobretudo a África, Ásia e América Latina têm tido taxas de crescimento muito elevadas ao longo das últimas décadas. Em muitos países, esse acréscimo é o dobro daquele que se regista para a população global. No continente africano, a população urbana representava 20% em 1960, mas hoje já atinge cerca de 40%. Na Ásia e Pacífico, representa 35% do total, tendo tido uma taxa de crescimento da ordem dos 2,6% ao ano entre 1995 e 2000. De qualquer modo, Europa e América do Norte são as regiões mundiais com maior percentagem de população urbana – cerca de 75% – mas tendo praticamente estabilizado nos últimos 30 anos. Segundo as Nações Unidas, todos os dias cerca de 160 mil pessoas mudam-se das zonas rurais para as cidades. Regra geral, estes fortes e rápidos crescimentos urbanos implicam a desertificação humana dos meios rurais e, no caso das cidades, a ruptura das infraestruturas, o aumento do desemprego e a pressão por vezes insustentável dos recursos naturais e energéticos. Essa situação é particularmente visível nos países em vias de desenvolvimento, onde os investimentos são escassos para dar resposta a tão elevadas migrações. Embora as cidades produzam a nível mundial cerca de 60% dos produto interno bruto, aí residem as maiores franjas de pobreza. Por exemplo, em África, cerca de 37% dos residentes em zonas urbanas vivem em barracas ou edifícios sem condições mínimas de salubridade. Na Ásia essa percentagem é de 18 e na América Latina é de 9%. No Rio de Janeiro, no Brasil, quase 40% da população vivem em favelas. Nestas situações, além da insalubridade, a sensibilidade às catástrofes naturais (terramotos, tempestades e deslizamentos de terras) é extremamente elevada. Apesar das características urbanas das cidades não serem muito favoráveis à agricultura – aliás, em muitos casos o seu crescimento foi feito sacrificando áreas aráveis –, em algumas cidades ainda tem uma importância crucial para a alimentação, o que em certa medida minimiza as carências dessas populações, dado que os produtos alimentares são aí muito mais caros do que nas zonas rurais. Por exemplo, na Tanzânia e no Quénia, duas em cada três famílias urbanas têm quintais usados para cultivo, enquanto 60% do fornecimento alimentar dos cidadãos do Cairo, no Egipto, provém das próprias áreas de cultivo dentro da cidade. Mesmo na Europa, a existência de pequenos quintais para agricultura de subsistência e sobretudo de recreio é prática comum em várias grandes cidades,[...]