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BLOGJOB - SAPO Blogs



Last Build Date: Sun, 18 Dec 2011 02:39:42 GMT

 



música menstrual

Sat, 17 Dec 2011 00:00:25 GMT

  Existem músicas para todos os gostos, de todos os géneros, bem como para todos os estados de espírito. Há música rock, pop, folk, hip-hop, etc. Dentro dos diferentes géneros de música há ainda os subgéneros: heavy-metal, trash-metal, techno, dance, indie, reggae, etc. Depois há também música clássica, gospel, celta, alternativa, etc. Música tribal, instrumental e também menstrual. Sim, pode haver música menstrual. Não é propriamente um género de música mas sim música para um só género. O género feminino – quando está num determinado estado de espírito. Ou estado físico. A música menstrual pode ser tão libertadora como confortante, principalmente naqueles dias difíceis que as mulheres – e somente elas – conseguem compreender. Esta compilação foi deveras complicada de fazer pois havia muito por onde escolher. Todavia, mais que um devaneio, isto pode ser um meio para apaziguar esse período (!)   Para quando começa o ciclo menstrual:   1 – I Bleed (Pixies) 2 – Red Alert (Basement Jaxx) 3 – Sunday Bloody Sunday (U2) 4 – Blood On The Ground (Incubus) 5 – Red Light Indicates Doors Are Secured (Arctic Monkeys)   Para aquela fúria das dores menstruais:   6 – Red Raw (Motörhead) 7 – Hot Blooded (Foreigner) 8 – Redder Than Red (Bob Marley) 9 – One More Red Nightmare (King Crimson) 10 – If You Want Blood, You've Got It (AC/DC)   Para quando o fluxo parece não parar:   11 – Heavy Flow (Moby) 12 – Red Red Wine (UB40) 13 – Spill The Blood (Slayer) 14 – Red Rain (Peter Gabriel) 15 – Blood Red Wine (The Rolling Stones)   Para os habituais cuidados higiénicos:   16 – Red Sails (David Bowie) 17 – My Red Joystick (Lou Reed) 18 – Red Carpet Massacre (Duran Duran) 19 – Shopping For Blood (Franz Ferdinand) 20 – I`ve Got The World On A String (Frank Sinatra)    Para os ciclos menstruais prolongados:   21 – Lady in Red (Chris de Burgh) 22 – Let It Bleed (The Rolling Stones) 23 – Only Women Bleed (Alice Cooper) 24 – Red Blooded Woman (Kylie Minogue) 25 – First Week/Last Week... Carefree (Talking Heads)   Um abraço... shakermaker   Se alguém tiver mais alguma sugestão, faça-me o favor de a deixar aqui pelos comentários. Obrigado. Podem gravar estas faixas num CD e oferecer no Natal!  [...]



o amor faliu

Mon, 12 Dec 2011 00:00:53 GMT

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Não são tempos de amor nem há tempo para o amor. Porque tempo é dinheiro e não há dinheiro. E é preciso dinheiro para amar. Para enviar flores cheirosas e mensagens sms pirosas. Ou enviar postais melosos e oferecer ursos amorosos. Para telefonar e conversar horas a fio, ou  juntar pantufas quando temos frio. Não há dinheiro para navegar pela internet e falar pelo facebook nem para oferecer um tablet ou um netbook. Não há dinheiro para jantares românticos ou motéis tântricos. Não há dinheiro para escapadelas de fim-de-semana ou feriados na planície alentejana. Não há dinheiro que chegue para surpreender a pessoa amada, não há dinheiro para nada. O amor só por si não chega, não se financia a si próprio. O amor não passa duma brincadeira se não houver dinheiro na carteira. É preciso capital para amar, para juntar e casar, e até para se separar e divorciar. É preciso dinheiro para se investir numa relação – pois o amor é tão-somente um conjunto de boas acções que apenas têm valor quando também têm cotação no mercado. 

 

Oferecer um anel de brilhantes ou um anel de diamantes não é a mesma coisa. Mas a família e os amigos – ou seja, o mercado – avaliam essas acções que valorizam o amor nas cotações. E sem dinheiro não há amor que resista quando não existe liquidez que patrocine a permanente conquista. O amor só por si não chega, não se valoriza a si mesmo. O amor e uma cabana só dura uma semana mas com dinheiro na algibeira pode durar uma vida inteira. Um coração cheio de amor não nos vale de muito quando temos pouco – não se pode andar de mão dada com as mãos cheias de nada. É preciso ter dinheiro no bolso e amor no coração para manter viva uma relação. Aos românticos inveterados e eternos apaixonados: sem dinheiro vão acabar separados. Aos casados de longa data e ainda aos solteiros com namorada: sem dinheiro, o amor não vos serve de nada. Não são tempos de amor nem há tempo para o amor. Porque tempo é dinheiro e não há dinheiro. O amor está em crise mas a culpa é da chanceler. Puta que a pariu... Por causa da Merkel, o amor faliu!

 

Um abraço...

shakermaker

 




dead man walking

Fri, 18 Nov 2011 00:00:39 GMT

 

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    shakermaker 1975-2011 

 




alive and kicking

Thu, 18 Nov 2010 00:00:23 GMT

 

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      shakermaker 1975-2010

 




saudade amolece

Tue, 03 Aug 2010 23:00:50 GMT

  Não somos feitos com memórias perfeitas. À medida que o tempo passa, essa espécie de rendilhado vai-se desfiando, deixando para trás uns quantos fios. Um novelo que, se posteriormente tecido, reúne novamente todas as malhas. A nossa tapeçaria de memórias pode-se desvanecer ao longo dos anos – as cores podem desbotar, os pontos desfiar e até as fibras borbotarem. Pintar as cores para recuperar uma imagem do passado é o que temos que fazer. Mas como ter a certeza de que estamos a usar as tintas certas? Da mesma forma, à medida que vamos recuperando a nossa tapeçaria mental, será que estamos a bordar os pontos todos pelo sítio certo? E quanto ao borboto? Será que, mesmo assim, e apanhando-os um por um, recuperamos o mesmo padrão conjuntural doutros tempos? Por exemplo: quando vamos cumprimentar um antigo colega de escola que já não víamos desde que partilhávamos a mesma carteira na primária, a nossa memória saudosista é determinante na escolha das linhas que usamos. Por isso, o cumprimento que lhe fazemos é o reflexo da nossa nostalgia e, ao mesmo tempo, da nossa memória quente e feliz. Vai daí, damos-lhe um firme aperto de mão seguido dum abraço apertado e uma palmadinha nas costas. Porém, uns dias mais tarde, lembramo-nos o quanto ele nos lixava nas aulas e nos batia no recreio ou que por causa dele ficámos tantas vezes de castigo. Mas pior que isso: ficamos irritados e consternados só de pensar no que o outro ficou a pensar de nós. Continuamos a ser uns tansos.   Alguns dizem que as saudades degradam os pequenos ódios e fortalecem os grandes amores. Por exemplo: quando nos cruzamos com uma ex-namorada que nos fez a vida negra e com a qual perdemos os nossos melhores anos de vida, não resistimos em cumprimentá-la. É mais forte que nós, e lá ficamos de sorrisos de orelha a orelha como se nada tivesse acontecido. O mais curioso é que para cada pergunta que façamos – um ao outro – a resposta é sempre a mesma: está tudo bem. Mas não está nem nunca esteve! Contudo, a solução de ignorarmos o passado, não os cumprimentando ou até fingindo que não os conhecemos, não detém as saudades. A saudade só amolece o coração. E o principal responsável é o nosso cérebro que distorce essas nossas memórias, tornando-as mais apaziguadoras do tipo “não foi assim tão mau”. É mentira! Aliás, é pior do que aquilo que nos lembramos de mau se disso tivéssemos boas lembranças. Mais depressa a nossa mente nos faz lembrar de coisas que não aconteceram, inventando-as mesmo, do que nos faz recordar de coisas que realmente aconteceram. Então, e se está visto que não podemos confiar nos nossos cérebros, só nos resta os nossos esqueletos. Tiremo-los do armário! E da próxima vez que nos cruzarmos com um ex-colega, uma ex-namorada, um ex-patrão, um ex-amigo, ou um ex-qualquer coisa, dizemos-lhe das boas para que eles percebam que nós mudámos, que continuamos em mudança, mas que há uma coisa que nunca vai mudar:  não temos mais saudades deles!   Um abraço... shakermaker  [...]



música para gente grisalha

Thu, 22 Jul 2010 23:00:03 GMT

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Ontem à noite, num cenário romântico sob um ambiente nostálgico contra um vento ciclónico, houve música para gente grisalha. Não era difícil perceber que foi uma noite especial para muita gente que, tal como eu, aprecia ou idolatra os Roxy. Ali estavam eles, os míticos: Bryan Ferry, Phil Manzanera e Andy MacKay, membros fundadores duma banda que é bem mais do que isso. É um estilo de música – Roxy Music. Nunca os tinha visto ao vivo, somente o Ferry a solo, e bem arrependido fiquei quando não os fui ver em 2003 a Aveiro e em 2005 a Albufeira. Mas pronto, já está e valeu bem a pena esperar por mais esta oportunidade. Os jardins do Palácio Marquês de Pombal encheram-se de gente ávida por recordar os tempos em que ouvia aquelas músicas em vinil. Gente bem mais velha do que eu mas que trocou o habitual “serão em frente à televisão” por um concerto bem tocado por excelentes músicos tocando excelentes músicas. Nostálgicas, sim, mas intemporais, até porque o som dos Roxy sempre foi assim muito à frente – ou avant-garde. Aqui fica uma amostra com “Love Is The Drug” num cenário romântico sob um ambiente nostálgico contra um vento ciclónico. Para gente grisalha ou não, Roxy Music!

 

 

Um abraço...

shakermaker

 




penálti de cabeça #01

Tue, 20 Jul 2010 23:00:31 GMT

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Depois do campeonato mundial de futebol dos grandes, estamos de volta ao campeonato nacional de futebol dos pequeninos. E por falar em pequenada, André Villas-Boas já é (mesmo) treinador do Porto. Sim, só agora é que está oficialmente autorizado pela Liga pois faltava ainda a assinatura de um dos encarregados de educação. Por ser "menor", era necessário o consentimento do seu pai. Ao que consta, este ainda não tinha superado o desgosto por o seu filhote André estar de saída de casa dos seus pais tão novinho para ir morar no Porto. Mas parece o senhor se mentalizou e agora, finalmente, autorizou (!)

 

No Benfica, Jorge Jesus finalmente acertou na cor da tinta do cabelo. Afinal é mesmo Garnier Nutrisse nº81 / Louro Claro Cendré, que lhe acentua mais as nuances, ao invés do Lóreal Excell`10 Tom 5.3 / Castanho Claro Dourado que lhe deixava as pontas espigadas. Jorge Jesus está muito mais confiante (se é que isso é possível) e até já declarou: “ – Agora eu ter uma nova táctica que é lavar o cabelo de 15 em 15 dias com Fructis Color Resist antes de pintar-lo." (!)

 

No Sporting, aposta-se forte na agricultura transgénica em vez da agricultura biológica depois de terem descoberto que os pomares de Alcochete afinal davam maçãs podres. O que não foi impeditivo de fazer um bom negócio ao leiloar João Moutinho pela melhor oferta. Convenhamos que 10 milhões de euros por uma (apenas uma) maçã podre foi mais rentável que qualquer leilão da Christies. Além disso, em troca ainda recebeu um jogador de merda que muita falta vai fazer para adubar e estrumar as terras férteis do centro de estágio. Ou seja, mais um grande negócio de José Eduardo "Leslie Nielsen" Bettencourt que não pára de nos surpreender com o seu mais recente êxito: “Aonde É Que Pára O Sporting?”. Bem, no ano passado parou pelo 4º lugar (!)

 

Para finalizar, os dirigentes das ligas e dos clubes de futebol da Europa estão preocupados com a séria possibilidade das vuvuzelas serem adoptadas pelos adeptos europeus. Não acho que seja caso para tanto, assim como penso que se exagerou nas críticas às vuvuzelas. Eu não gosto, e acho insuportável, mas há que respeitar a cultura e tradição dos povos. Afinal, é o povo que paga a bola. Para mim, a vuvuzela é como a masturbação: só dá prazer a quem toca!

 

Um abraço...

shakermaker

 




café puro

Sun, 18 Jul 2010 23:00:03 GMT

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De manhã,  ao acordar,  com a cabeça ainda a tilintar,

o sol teima em entrar pela janela para me incomodar.

Ainda não percebi bem em que estado é que eu estou,

nem onde tudo ontem começou e depois hoje acabou.

 

Penso que com a idade deixei de suportar a claridade,

e por mais que queira levantar-me não tenho vontade.

Seria bom que o dia esperasse e que estivesse escuro,

mas do que eu preciso urgentemente é dum café puro.

 

Um abraço...

shakermaker

 




mais (es)perto da estupidez

Thu, 15 Jul 2010 23:00:36 GMT

  Tal como os balões, flutuamos pelo ar – cheios de esperanças e sonhos. Com o passar do tempo, e quando nada acontece como esperávamos, tornamo-nos cépticos e apreensivos. Aprendemos a esperar, assustados: com o que pode acontecer ou com aquilo que não acontece. Ficamos pendentes, por isso: não sejamos estúpidos! Como? Não tendo medo de ser estúpidos. A intermitência das possibilidades é o nosso maior flagelo porque o mundo está cheio de gente esperta à descoberta de não sei bem o quê para acertar em nada que se veja. A gente esperta faz todo o tipo de coisas espertas, o que – só por si – é uma grande esperteza. Os espertos são tipos certos que fazem coisas certas, do tipo espertas. Os outros? Os outros são estúpidos. A estupidez marca a diferença entre aqueles que fazem de forma diferente aquilo que toda a gente faz igual. É como uma filosofia de vida mas sem a parte de pensar muito no assunto. Simplificando, digamos que é ser diferente. Estupidamente diferente. Diz-se que os espertos têm mais “miolos” mas os estúpidos têm muito mais “tomates”. Os espertos reconhecem as coisas como elas são, enquanto os estúpidos vêm as coisas como elas deviam ser. Os espertos criticam o que os estúpidos desafiam, mas os estúpidos criam o que os espertos copiam. A verdade é que se não tivéssemos pensamentos estúpidos não teríamos ideias parvas. Mas seriam essas ideias assim tão parvas que não valesse a pena tentá-las? Não, porque seria pouco esperto não ter sequer ideias nenhumas, ainda que estúpidas. Os espertos engendram planos ao pormenor: têm o plano A e até o plano B. Os estúpidos não planeiam nada mas assumem o risco A, o risco B e todos os riscos que sejam necessários para executar o plano que não têm. Os espertos jogam pelo seguro pois têm medo de falhar (!)   Os estúpidos sabem perfeitamente que os seus falhanços são fruto da sua estupidez e não da sua esperteza pois mais estúpido seria falhar sem sequer tentar acertar. É impossível determinar que uma pessoa é estúpida só porque comete actos estúpidos pois só alguém muito estúpido é que cometeria tal estupidez. Ou seja, os espertos são todos aqueles que não se acham estúpidos e que têm pelos estúpidos a mesma compaixão que se tem por alguém que não é suficientemente esperto para perceber que afinal é mesmo estúpido. As pessoas espertas falam de tudo, enquanto os estúpidos nunca sabem de nada quando se quer falar de tudo. Mas para os espertos, falar dum assunto de cada vez é uma grande estupidez. Há quem diga que a esperteza é mais operacional e que a inteligência é mais estratégica. Mas afinal onde fica a estupidez? Precisamente no meio: naquela linha muito ténue que separa a razão de tudo o resto. Será razoável pensarmos que é melhor ser esperto do que estúpido porque aparentemente é uma escolha inteligente? Talvez. Mas será a escolha mais acertada? Não. O avolumar da estupidez acumulada num só indivíduo é conditio sine qua non para que se torne naturalmente estúpido. Mas esta afirmação é tão verdadeira como poderá encerrar em si outra grande estupidez. Vejamos: temos o estúpido natural (nasceu assim, coitado); o estúpido circunstancial (passou-se da cabeça, coitado); e ainda o estúpido conjuntural (foi sem querer, coitado). Todos nós, mais ou menos inteligentes, não somos suficientemente espertos para conseguir evitar sermos estúpidos (!)   Um abraço... shakermaker   [...]



do caixão ao berço

Sun, 11 Jul 2010 23:00:43 GMT

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Do ponto de vista dum conceito de vida parece-me até fugaz. Afinal, é como viver ao contrário. Porém, não deixa de ser uma impossibilidade plausível de ser desejada ou, se tal fosse possível, ser experimentada. Na verdade, todos gostamos de quebrar algumas regras: não porque realmente acreditamos no "fazer à minha maneira" mas porque gostamos de ver o que acontece quando algo é feito duma maneira diferente. Quando vi pela primeira vez "O Estranho Caso de Benjamin Button", gostei do conceito do filme, da sua ideia base, e da perspectiva que nos dá sobre alguém que – tal como é dito na primeira frase – nasceu em circunstâncias pouco usuais. Acompanhar uma vida de trás para a frente, sobre um ser humano que regride na idade, provoca-nos – no mínimo – alguma curiosidade. Talvez por isso, e por mais mórbido que isto possa parecer, eu gostava de nascer morto. Sim, morto e enterrado. Calma, morto mas pronto a acordar. Soa algo estranho: um tipo morto acordar, mas há que quebrar regras. E esta ainda é só a primeira! A seguir, em vez de nascer dum ventre, gostava antes de nascer dentro dum caixão. Que estivesse sob uma campa no fundo duma cova. Gostava que alguém me exumasse, mas com cuidado pois eu já sou velho! Depois daquela lamechice toda em tirar fotografias com o velhinho, gostava de ser internado nos cuidados intensivos. Todo entubado, com fraldas, com algália, etc. Contudo, gostava de melhorar gradualmente: primeiro, na sala de recobro, e depois nos cuidados paliativos.

  

Gostava de ficar mais saudável a cada dia que passasse para depois receber "alta" e então internarem-me num lar. De preferência com bons aparelhos de fisioterapia para poder ficar rapidamente em forma. Depois levantava todas as minhas economias e comprava uma casa na "Santa Terrinha" e um Mercedes. A seguir, gostava de abdicar da minha reforma e começar logo a trabalhar. Enquanto despachava uns meros quarenta anos de trabalho, cada vez mais saudável e com mais genica, aproveitava para vender todos os meus bens. Todos, menos o Mercedes, pois vai-me fazer falta o banco de trás. Assim, teria mais dinheiro disponível para me embebedar com os amigos da faculdade e divertir-me com as amigas do liceu. Passava a ser cada vez mais promíscuo pois o tempo urge e estou quase a entrar para a preparatória. Então, e com muito menos responsabilidades, farei a primária para depois passar os dias que me restam a brincar – até entrar para o berçário. Aí, vou andar sempre ao colo o dia inteiro, e bastar-me-á chorar para alguém me alimentar, limpar ou reconfortar. Por fim, vou flutuar numa placenta só para mim, feita à minha medida e que aumentará a cada dia que passa enquanto eu vou encolhendo. E encolhendo. Passo de feto a óvulo fecundado, de espermatozóide a coisa nenhuma. Acabou! Assim se foi a minha vida ao contrário, e tudo o que resta de mim. Foi bom enquanto durou, mas agora irei desaparecer. Num orgasmo.

 

Um abraço...

shakermaker

 




você bate no seu pc?!

Mon, 07 Dec 2009 00:00:12 GMT

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O animismo faz-nos atribuir propriedades sobrenaturais aos animais – até mesmo propriedades humanas – mas também o fazemos com objectos materiais tais como os computadores. Sim, esses malvados que sabem exactamente quando é que vamos carregar no botão “guardar” e agilmente, um micro segundo antes, decidem crachar. Porém, não é de estranhar, pois os computadores foram criados por génios e depois lançados a idiotas como nós para nos fazer entrar em parafuso. O homem pós-paleolítico, com a sua ciência animista, limita-se a fazer uma dança tipo ritual à volta da criação do génio que acabou de entrar em colapso sem razão aparente. Uma dança com cânticos guerreiros tentando invocar alguma espécie de intervenção divina: “ – O quê!? Como é que foste capaz de me fazer isto?! Puta que te pariu! " Praguejar nem sempre funciona, sobretudo em questões de fé, mas no que toca a objectos, como os computadores, estes portam-se melhor quando lhes praguejamos. Sobretudo quando acrescentamos às nossas pragas uns tantos tabefes ou simples pancadas secas na estrutura do nosso PC. É desconhecida a psicologia do praguejar, embora diga-se ser uma forma de aliviar a tensão entre nós e os objectos que não nos respondem. Há que mostrar quem manda!
 
Não deixa de ser estranho que quanto mais alto praguejamos, mais depressa os objectos cedem. Assim como um espirro alivia o canal nasal, um insulto varre o córtex e deixa a mente mais capaz de lidar com os problemas entre nós e as tais máquinas. No entanto, se tivermos um ataque de fúria e pontapearmos o nosso computador como se não houvesse amanhã, não adianta praguejar pois as peças soltas ou danificadas não voltam ao sítio: pois isso seria cairmos no animismo fácil. O que nos poderia levar a acreditar em crenças pouco fidedignas sobre todo o tipo de coisas que nos rodeia. Ou seja, praguejar tem regras e não serve qualquer impropério, assim como dar pancada não pode ser levado à bruta mas sim com jeitinho. Todavia, antes de praguejar, bater e fazer trinta por uma linha aos seus objectos eléctricos ou mecânicos, nunca deixe que os mesmos se apercebam até que ponto tem pressa. Não é que os objectos se virem contra si ou que o firam, nem tão-pouco têm sentimentos. Porém, são caprichosos e demonstram-nos o quanto somos cobardes. Mais depressa descarregamos a fúria dando porrada aos nossos cônjuges, filhos e animais, do que o fazemos com os nossos objectos predilectos. Somos mais condescendentes quando nos sentimos impotentes (!)
 
Um abraço...
shakermaker

 




parebenizar & desvalorizar

Wed, 18 Nov 2009 00:00:57 GMT

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Eu não preciso de vender a minha alma. É algo que já está em mim: eu sou adorado. Obrigado. Embora tudo tenha o seu preço, claro está. Porém, não vendo o corpo. Até porque agora vale um pouco menos: sim, faz hoje 34 anos.

 

Um abraço...

shakermaker




bamboleo bambolea

Mon, 21 Sep 2009 23:00:23 GMT

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Por razões relacionadas com o facto de darem à luz, as mulheres possuem ancas bem mais largas que as dos homens, sendo também maior a zona entre as pernas. Isto significa que, sempre que uma mulher caminha, o faz com um acentuado movimento de bambolear que sublinha a zona pélvica. Os homens não conseguem caminhar desta maneira, pelo que este se torna igualmente um poderoso sinal de diferenciação sexual. Fica igualmente explicado por que razão poucas mulheres obtêm bons resultados nas corridas de atletismo, pois as suas ancas mais largas fazem as pernas deslocarem-se mais para os lados quando correm. Excepto se for alguém como a Caster Semenya que nem é carne nem é peixe mas antes “híbrida”. Bambolear as ancas é um dos mais subtis gestos de cortejo feminino, utilizado há séculos para publicitar bens e serviços. Lembram-se dos anúncios do gás butano? Ui... Grande bilha! As mulheres que vêem estes anúncios sentem o desejo de ser semelhantes à modelo representada – o que resulta numa maior notoriedade do produto anunciado. Ou seja: quanto maior é o pacote, então melhor é a embalagem. Ora, até a medicina nos mostra que uma mulher com um excelente estado de saúde, e uma probabilidade máxima de dar à luz com sucesso, possui um rácio “cintura-ancas” de 70%. Isto é, a sua cintura mede 70% da sua largura de ancas. E isso dá-lhe uma silhueta conhecida como “ampulheta”. Tem graça, rima e tudo! Na verdade, este é o rácio corporal que se revelou mais eficaz em termos de captar a atenção masculina. Em geral, os homens começam a perder o interesse quando esse rácio excede os 80% – mas só o perdem por completo quando o rácio atinge os 100%. Porém, logo que o rácio seja inferior a 80%, os homens interessam-se novamente. E para isso contribui esse velho truque feminino que consiste numa certa inclinação pélvica, aquando de pé. Todavia, este rácio “cintura-ancas” nada tem a ver com o peso. Ou seja: uma mulher mais avantajada, tendo o tal rácio de 70%, também consegue fazer os homens virar as cabeças quando passa. O mesmo acontece com uma mulher mais escanzelada. Sim, porque mesmo que as mulheres não tenham o rácio exacto, a maneira como mexem o rabo faz toda a diferença. Sem exageros, subtilmente. Assim sendo, o que importa é andarem por aí bamboleando-se (!)
 
Um abraço...
shakermaker

 




subindo paredes

Fri, 18 Sep 2009 23:00:37 GMT

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O planeamento (e a alteração dos planos); a decisão (e a sua preocupação); os custos já orçamentados (e os pagamentos  já atrasados); os telefonemas constantes (os enguiços repetidos); a gestão do tempo (o cansaço do trabalho).
 
Um abraço...
shakermaker

 




videoclip #05

Wed, 16 Sep 2009 23:00:17 GMT

    Mais uma vez, os Oasis acabaram. Desta vez é que é! Ou melhor: da outra vez é que foi. Ou será que desta vez é que vai ser? Não sei, e na verdade pouco importa. Afinal, já são sobejamente conhecidos estes atritos entre os manos Gallagher e a razão é sempre a mesma: os manos discutem. Há irmãos que se chateiam só porque o mano mais novo mexe nas coisas do mano mais velho. Outros irmãos aborrecem-se porque não querem partilhar o mesmo quarto. Há ainda irmãos que até se confrontam por causa das namoradas e ainda outros manos que lutam para ter atenção das suas mamãs. Ou seja, o que não faltam são motivos para verdadeiros irmãos de sangue se gladiarem até ficarem em carne viva. Logo, não é de estranhar que os manos Gallagher – que até já têm idade para ter juízo – discutam sobre aquilo que têm em comum:  uma banda. Meus caros, e que banda! Por isso, que se lixe! Se querem acabar, acabem! Fica a música, que é sempre o mais importante, mas também um legado que porventura no futuro será mais apreciado e até aproveitado. Quero lá saber! Eu tenho os discos, muito material gravado e a recordação de dois concertos: ambos tão extremados, tal e qual a sua irmandade. Se em 2000, a primeira impressão foi má; em 2008, a última impressão foi muito boa. Mas acima de tudo, eu gosto da música. Os Oasis foram sempre uma banda que oscilaram entre bestas e bestiais, porém muitos reconhecem-lhes um enorme talento: umas vezes desperdiçado assim como um copo entornado, e noutras tantas consagrado tal como um cálice brindado. Assim sendo, quer o mano Noel faça as pazes com o mano Liam, ou o irmão do Liam faça tréguas com o irmão do Noel, o que importa é a música! Por isso, aqui fica uma recordação em jeito de celebração para quem gosta – ou detesta. Ou até não se importa, como eu.   Um abraço... shakermaker   videoclip #01 videoclip #02 videoclip #03 videoclip #04  [...]



recycle bin

Tue, 15 Sep 2009 23:00:12 GMT

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Se por acaso este fulano necessitasse dum esconderijo, eu dava-lhe guarida. Eu respeito os que andam a monte sem sentença para cumprir, mas que pela força das circunstâncias estão obrigados a fugir. As causas têm as suas razões.
 
Um abraço...
shakermaker
 



saturday night sweat

Sun, 13 Sep 2009 23:00:48 GMT

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Neste sábado à noite, finalmente fui a uma festa da M80. Foi assim uma coisa não planeada mas já que me encontrava perto a jantar e até me ofereceram um convite, então lá fui. Primeira impressão: mesmo muita gente. Não só a caminho da festa mas um pouco por todo o lado ao longo da Baía de Cascais. Segunda impressão: havia gente acabada de sair do armário e outros tantos acabados de sair do baú. Havia gente de todas as idades – alguns vestidos a rigor – mas acima de tudo havia malta bem-disposta e com disposição para dançar. Terceira e última impressão: uma festa mal organizada num espaço mal escolhido. Imaginem uma espécie de “caixa” com duas míseras entradas de ar  (as portas) e centenas de pessoas a dançar. Sem ar condicionado nem ventilação adequada. Num extremo do recinto havia um bar – onde os mais destilados se serviam – e no outro extremo um local para pagar, onde muitos se amontoavam. O ambiente era abafado e o suor escorria pela face dos mais resistentes, enquanto outros procuravam desesperadamente ar puro fora da “caixa”. Não aguentei sequer uma hora pois aquilo estava mesmo impossível: o que foi pena pois a música estava excelente. Eu gosto de dançar mas não a destilar. E eu até tinha um novo passo de dança – o sempre em pé – tão giro...
 
Um abraço...
shakermaker

 




deixem-me em paz!

Fri, 11 Sep 2009 23:00:27 GMT

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Não compreendo porque raio algumas mulheres implicam tanto com a minha habitual barba por fazer. Afinal, tenho uma barba muito bem semeada, que se pode considerar em certas zonas suave, e com muitos pêlos loiros. Reconheço que gosto de fazer a barba apenas de dois em dois dias. Não gosto de fazer diariamente ou até em dias alternados. Qual é o problema? Aposto que se eu fosse um George Clooney assim já não vos fazia diferença. Ou um modelo da Armani. Tudo bem, não sou. Mas vocês também não são nenhumas Paz Vega!
 
Um abraço...
shakermaker
 



working class hero

Wed, 09 Sep 2009 23:00:01 GMT

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Como é que alguém assim tão dotado que influenciou meio mundo se deixou influenciar por meia gente sem dotes? John Lennon disse-nos que tudo o que precisamos é de amor. Eu acrescento: sim, mas não desse pois o teu matou-te!
 
Um abraço...
shakermaker
 



a frase feita: o lugar-comum

Sun, 06 Sep 2009 23:00:47 GMT

    No outro dia, li que o Sarkozy pretende alargar o G8 – um denominado grupo de nações economicamente desenvolvidas – para 14 países, passando assim a um G14. Umas das razões que ele evoca é o facto dessas novas economias emergentes preencherem os requisitos necessários para agora serem aliados estratégicos. Ou seja, já deixaram de ser países em vias de desenvolvimento – ou, vá lá, terceiro mundistas. É assim que, infelizmente, se designam os países com economias menos desenvolvidas, em grande parte por causa de algum “imperialismo” por parte dos mais desenvolvidos. Convenhamos que alguns ainda estão a dar os primeiros passos rumo ao capitalismo. No final da década de setenta, o conhecido produtor de cinema Dino De Laurentiis, adquiriu os direitos das crónicas de Ernesto Guevara para assim produzir um filme biográfico sobre “El Comandante” tendo como protagonistas Marlon Brando e Gene Hackman nos papéis de Che e Fidel, respectivamente. Apesar de toda a sua influência e de ter apresentado o seu projecto aos principais estúdios de cinema, para os quais produziu inúmeros êxitos, nunca conseguiu levar esse seu filme avante. Todos eles lhe disseram que apesar dos seus créditos e dos actores propostos, o filme não era comercial pois relatava as viagens dum jovem médico por alguns países da América Latina pouco desenvolvidos – ou, vá lá, terceiros mundistas – até se tornar um comunista revolucionário – ou, vá lá, terceiro mundista. Foram precisas duas décadas, e o fim da "Guerra Fria", para o filme ver a luz do dia com outros protagonistas.   Quando um terrorista palestiniano – ou, vá lá, terceiro mundista – comete um atentado lastimável e censurável, assassinando vários civis inocentes em Israel, país do designado “primeiro mundo”, a sua acção vem seguida do horrível lugar-comum da “condenação absoluta”. Mas se um estado terrorista como Israel assassina preventiva e selectivamente uma dúzia de crianças ou anciãos palestinianos – ou, vá lá, terceiro mundistas – ouve-se o perverso lugar-comum da “profunda preocupação”. Só que o próprio “terceiro mundo” tão-pouco está a salvo do lugar-comum quando qualquer acto de violência e retaliação é justificável como sendo parte duma suposta “Guerra Santa”. Agora vejamos, por exemplo, o nosso caso: Portugal é considerado um país do “primeiro mundo” quando todos nós sabemos perfeitamente que – quanto muito – faremos parte do “segundo mundo”. Mas desenganem-se os que pensam que os países segundo mundistas estão em vias de se tornar primeiro mundistas ou até descambar para terceiro mundistas. Não, na verdade, quem está no patamar dos segundos mundistas não vai a lado nenhum. Ou seja, desembaraçou-se de ser terceiro mundista para despistou-se no caminho para o “primeiro mundo”. Porém, nunca se ouve alguém designar um país como segundo mundista pois, como se pode entender, tal não existe. Um país ou é desenvolvido, do “primeiro mundo”, ou está em vias de desenvolvimento – ou, vá lá, terceiro mundista. A economia é o principal pêndulo da balança que determina a que “mundo” pertence um país. Tem graça que esta forma de escrutínio seja por si só pouco desenvolvida – ou, vá lá, terceiro mundista.   Em alguns países menos desenvolvidos – ou, vá l[...]



foram espinhos contra rosas

Thu, 03 Sep 2009 23:00:32 GMT

  Ontem, a notícia – ou melhor, a "notícia" – do dia foi a suspensão do Jornal Nacional da TVI, edição de sexta-feira, por parte do grupo Prisa que agora detém a Média Capital e, consequentemente, os destinos do canal. Porém, a notícia que querem fazer correr é o envolvimento do primeiro-ministro José Sócrates, ou do Governo, ou do PS, nessa mesma decisão. Ora, não tendo eu por hábito escrever muito sobre política, estou estupefacto perante o estado em que chegou a nossa politiquice tão portuguesa. Mais boquiaberto fiquei com as proporções que este caso está a ter e, pelos vistos, ainda vai continuar a ter. Principalmente depois de ouvir as reacções dos partidos de oposição que além do natural aproveitamento politico inerente, ainda tiveram a grande lata de baterem com a mão no peito que nem beatas de sacristia como se não devessem ou nunca tivessem prevaricado. O que me causa mais estranheza em tudo isto é esta tão remota possibilidade de que isso possa realmente ter acontecido. Caso Sócrates tivesse realmente influenciado essa decisão, seria contraproducente fazê-lo perante a iminência de tudo isto há muito estar para acontecer. Convenhamos que após o afastamento do Sr. Moniz da TVI, o lugar da Sra. Guedes esvaziou-se por completo. E só mesmo uma mente muito retorcida não consegue ver isso. Mas a oposição e certa imprensa preferem continuar a tapar o sol com a peneira. O problema nunca foi a competência da apresentadora mas sim a complacência do director que – vejam só! – é seu marido. Será isto o tal tráfego de influências? Tem graça, é mesmo. Sem dúvida que existem coisas por explicar no dossier Freeport mas também não deixa de ser verdade que o que está por apurar não deve implicar o primeiro-ministro só porque a Sra. Guedes junta com a sua partner Ana Leal assim o desejam. Com culpa ou sem culpa, existe um caso fabricado: tanto partidário como sectário. Só que o timing de tudo isto também daria pano para mangas.   Curiosamente, os casos mais mediáticos sobre interferência de interesses nos conteúdos editoriais dum jornal passaram-se precisamente no tal Jornal Nacional das sextas-feiras. Primeiro foram os patins ao Marcelo Rebelo de Sousa e depois foram as mordaças ao Miguel Sousa Tavares. Um foi pregar para outro canal, o outro vendeu os direitos do seu romance em troca desse silêncio amordaçado. Todavia, como quem anda à chuva molha-se, a Sra. Guedes não evitou um balde de água fria despejado pelo Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, em pleno directo. No jornal da Sra. Guedes não se falava apenas de supostos processos de justiça. Bem pelo contrário, aplicava-se logo ali a justiça – ou melhor, a “justiça” – condenando quem se queria condenar. Não estou a dizer que Sócrates foi uma vitima mas nunca pode ser culpado antes de ser julgado quando ainda por cima nem sequer é arguido. Sim, existe tráfego de influências na política, obviamente – mas estou em crer que em nada se compara com a intoxicação da opinião pública. Nem as novelas da TVI conseguem ter enredos tão bem ficcionados. A Sra. Guedes só se mantinha no leme da informação da TVI porque o marido era o comandante do barco e não por méritos próprios porque no decorrer do seu percurso acabou por se desnortear do seu código deontológico. A quem é que tudo isto interessa? Faço uma pequena ideia mas ao mesmo tempo penso que não foi uma grande[...]



há coisas que eu sei

Mon, 31 Aug 2009 23:00:28 GMT

  Uma das vantagens por estar de férias é poder ter tempo para fazer aquilo que gosto mais de fazer. E das coisas que gosto mais de fazer quando tenho assim tanto tempo para isso é ver documentários seja do que for. Para isso, tenho por hábito deambular pelas programações dos canais temáticos do Discovery Channel, do National Geographic, do Canal História e afins. Além disso, também costumo fazer downloads de documentários que acumulo no disco rígido há espera de melhores dias. Tal e qual estes, em que reservo uma ou duas horas diárias para me cultivar. Na verdade, é sempre isso que acontece, pois seja o documentário interessante ou porventura aborrecido, acabo sempre por ficar a saber mais do que sabia antes de o ver. Depois é tudo uma questão de como fica arrumada a informação na minha mente. Até porque quando há algum assunto que me despertou a atenção, não só me vou lembrando do mesmo nos dias posteriores, como também sou capaz de trazer o assunto à tona numa conversa com alguém. Ora, entre um documentário sobre o sumo de melancia poder vir a ser utilizado para produzir etanol ou outro documentário sobre como se produzem lâminas de serras circulares para uso industrial ou caseiro, há sempre uma réstia de informação útil que retenho. Eu posso nunca vir a precisar desta informação mas se alguém puxar por algum desses assuntos não sou apanhado desprevenido. Por outro lado, não conheço assim tantas pessoas com quem possa esgrimir argumentos ou conversar afincadamente sobre os feitos de “Pedro, O Grande” ou sobre as missões do “USS: Nautilus”. Afinal, é só uma conversa como outra qualquer (!)   Como se costuma dizer por aí: o saber não ocupa lugar, logo não me faz mal nenhum adquirir todos estes conhecimentos mesmo que nunca me venham a ter qualquer utilidade. Afinal, a maior parte de nós, assim que aprende a ler e a fazer contas, acumula um sem número de conhecimentos que acabam por se estagnar nos nossos cérebros. Porém, faço questão de saber mais hoje do que sabia ontem e conto aprender mais amanhã. Não obstante de agora em diante deixar de ter tempo para adquirir conhecimentos desta forma tão simples e confortável – de me recostar e olhar para a televisão – enquanto as informações vão sendo captadas e arrumadas na minha memória. Seria tão fácil se tudo fosse assim tão simples, como por exemplo: um documentário a ensinar como fugir ao fisco e, ao mesmo tempo, para o Brasil, sem deixar rasto e assim evitar ser apanhado, narrado pela Fátima Felgueiras. Ou um documentário a ensinar como se jogar futebol na táctica do losango com uma equipa de putos mimados narrado pelo Paulo Bento. Isto seria como adaptar o documentário ao nosso quotidiano. Há tanta coisa por saber, por explicar, por conhecer, por aplicar. Que vou eu fazer ao que aprendi sobre a erupção dos raios gama? Ou àquilo que descobri sobre a marcha sazonal dos caranguejos vermelhos? Se me fizerem as perguntas certas, eu não darei respostas erradas. Têm é que me perguntar o que eu sei! Neste momento, tenho tanta informação na cabeça que mais pareço um fósforo. Basta que me lancem uma só fagulha para que eu possa fazer uma chama e desse modo brilhar. Afinal,  há coisas que eu sei,  mesmo que não me sirvam para nada (!)   Um abraço... shakermaker  [...]



(quase) tudo sobre justiça

Mon, 10 Aug 2009 23:00:10 GMT

  Cumprir a lei, ao contrário do que se possa pensar, não significa só ser justo mas antes ser tão-somente cumpridor. A justiça, mais do que um conjunto de leis que nos devem ser aplicadas e consequentemente cumpridas, deve partir duma tomada de consciência: primeiro, dos legisladores; segundo, dos que fazem cumprir as leis. Ora, se fulano cometeu um determinado crime tem todo o direito à sua defesa – porém não deve ser apenas punido com base no enquadramento jurídico a que corresponde esse crime. Se beltrano achar que deve aliviar a pena de fulano, então que o faça explicando o porquê e que ressalve a sua posição conscientemente. Isto porque, quem aplica a lei, não se deve apenas cingir ao rigor do que está escrito mas, também, ao que a sua consciência demarca. Mais do que bons interpretadores de justiça, precisamos antes de melhores promotores de justiça. Vivemos num país onde se legisla demais: só que fazemo-lo porque é fácil mas também porque assim sempre se demonstra que se faz alguma coisa. A burocracia nasceu com a democracia pois ficámos com tanto medo de perder a nossa liberdade que tratámos logo de nos prender demasiado aos seus princípios. Agora que sou livre vou tratar de fazer tudo o que está ao meu alcance para que nada me falte nem que para isso perca a liberdade de poder tentar fazer melhor. Chegámos ao ponto de fazer apenas leis para homens vestidos de fato, com ou sem gravatas e meias a condizer; leis para mulheres casadas na casa dos cinquenta, com ou sem menopausa; leis para pessoas que vivem junto ao litoral ou para gente que vive mais perto das fronteiras. Leis para tudo e mais alguma coisa, e leis que se aplicam por tudo e por nada. Mais papéis e mais requerimentos e mais recursos e mais alíneas e mais acórdãos e mais tudo aquilo que possamos fazer para dar uma ideia de que afinal cumprimos mais a lei. Por exemplo: se queremos pedir uma licença para fechar uma varanda e abrir uma marquise, só isso não chega. São dois processos: um para fechar e outro para abrir. Bem vistas as coisas, só temos dois caminhos: cumprir a lei vigente ou cumprir a lei ausente. Pela lei vigente estamos sujeitos à demora e à espera. Doutra forma, aquilo só anda para a frente metendo "cunhas" ou pagando "luvas". Por outro lado, se cumprirmos a lei ausente, contornamos a sua inutilidade sem contudo cometermos nenhuma ilegalidade. É até muito simples: fechamos a varanda e abrimos uma marquise mas depois requeremos uma licença para fechar a marquise. Então, vai ver que é muito mais difícil de se fazer cumprir uma falta de vontade do que cumprir uma simples vontade de fazer. Na verdade, somos todos muito pouco práticos quando todos só queremos práticas muito claras (!)   Um abraço... shakermaker  [...]



videoclip #04

Thu, 06 Aug 2009 23:00:32 GMT

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Estávamos no ano de 2001 quando os Manic Street Preachers realizaram um memorável concerto no Karl Marx Theatre em Havana, Cuba. Na audiência, para além de vários cubanos sedentos de Rock`n`Roll puro e duro, esteve também presente Fidel Castro, um admirador confesso destes galeses. Foi a primeira vez que qualquer artista ocidental tocou em Cuba. Essa efeméride ficou registada para a posteridade num documentário para a BBC e no DVD: "Louder Than War". Titulo esse que surgiu em conversa num dos encontros entre Fidel e a banda que, a dada altura, o avisaram que o concerto poderia ser barulhento. A que Fidel inquiriu: " – It cannot be louder than war, can it? " 
E assim assentou. Durante a estadia, os Manics fizeram várias campanhas de promoção ao espectáculo (que foi mesmo de borla), assim como aparições e entrevistas na televisão e rádio cubanas. Numa dessas entrevistas, pediram a James Dean Bradfield para tocar uma versão acústica da música preferida dos cubanos. E assim aconteceu. Se houvesse uma música em que a combinação instrumental e vocal ou letra e mensagem estivessem em simbiose perfeita, esta seria decerto uma delas: "If You Tolerate This Your Children Will Be Next"
 
Um abraço...
shakermaker

 

videoclip #01

videoclip #02

videoclip #03

 




surrealizar por aí

Tue, 04 Aug 2009 23:00:47 GMT

  Este post contém menções a pessoas, marcas e muita estupidez – pois convém deixar já isto bem claro antes de me atirar ao assunto. De facto, penso ter descoberto o programa mais estúpido da televisão portuguesa. E tudo isto começou na semana passada enquanto fazia zapping em busca de algo interessante para ver ao serão. E foi então que passei os olhos pelo Porto Canal: um canal a que assisto ocasionalmente para ver um ou dois programas muito interessantes. Pelo menos para mim, claro está. Ora, nessa noite fatídica em que entrei no canal número 13 da Zon Box, dei de caras com um programa de seu nome “Chat”. Como o próprio nome indica, trata-se dum chat em directo, onde os inusitados participantes enviam mensagens em tempo real através da internet ou SMS via telemóvel através do 4884. Vejam só, até sei as regras disto! Este programa – se é que se pode chamar assim – tem um apresentador/moderador (ou coisa que o valha) que vai relatando as várias mensagens que vão surgindo em simultâneo no ecrã do televisor. Até aqui, nada de mais, só que o mais bizarro de tudo isto é que o suposto apresentador tem uma forma, no mínimo, peculiar de moderar o programa. O fulano chama-se Santiago e usa o nickname de Santi enquanto vai trocando graçolas e bitaites com os demais participantes – os chamados “chatólogos”. Aquilo, a certa altura, torna-se mesmo surreal, chegando a atingir altos índices de parvoeira. De tal forma que nos chegamos a questionar se está de facto a acontecer o que estamos a ver. Ao que parece, o chat tem bastante adesão e as mensagens vão surgindo em catadupa, assim como a estupidez. Todavia, e à medida que o programa se aproxima do fim, a estupidez acaba por ganhar com uma larga vantagem. O que não é de estranhar, pois naquela amálgama entre apresentador e participante não era de esperar outra coisa (!)   Além disso, é habitual assistirmos no painel do chat a um desfilar de palavras burlescas e termos caricatos num português arcaico, abreviado e errado, qual brutamontes online. Aquilo só visto! Mas, mais uma vez, o apresentador também não lhes fica nada atrás, fazendo do “Chat”, decerto, o programa de televisão mais absurdo que existe. Porém, não pude deixar de reparar numa coisa: sabe-se lá como ou porquê, mas parece haver um fio condutor que deambula de programa para programa. Ou seja, todos aqueles intervenientes aparentam estar sintonizados em diversos assuntos: o que dá a entender que aquela parvoice é uma coisa que já vem detrás. Talvez do útero, digo eu. Anteontem, assisti a algo que define, em muito, tudo aquilo que estou aqui a relatar: para finalizar o programa, eis que o insolente apresentador se lembra de simular sexo oral com uma boneca insuflável entalada entre os seus joelhos, enquanto os outros energúmenos enviavam mensagens de apoio ao idiota mor. No entanto, qual cúmplice d’Os Idiotas, acompanhei este insólito programa para tentar perceber se aquilo era mesmo assim ou teria sido apenas um caso isolado. Pois bem, é mesmo assim. Convenhamos, o Porto Canal até tem algumas propostas bastante interessantes, tais como: Bulhão Rouge; La Vie En Rose; Aquário; Discos Perdidos; ou Clube de Cozinheiros. E tudo isto com aquele sotaque e aquela pronúncia do Norte que tanto me agrada – é cá um fetiche que eu tenho.[...]