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Qualquer dia antes de morrer...



Qualquer dia antes de morrer... - SAPO Blogs



Last Build Date: Sat, 25 Mar 2006 15:37:23 GMT

 



Nova Casa…

Sat, 25 Mar 2006 15:34:57 GMT

Bem o “sapinho” depois de tantas reclamações lá se recompôs, lavou a cara e conseguiu mais uma vez baralhar os bloguistas!

Demorei um tempo a perceber como é que se faz a migração, o problema é que os links e os amigos não vêm com ela, o que vai dar um trabalhão! Também vou ter que apreender todo o sistema para tornar a colocar isto tudo no lugar, para além disso estava a pensar mudar a apresentação e esbarrei com dificuldades técnicas…

Se vale a pena?

Sinceramente não sei! Vamos deixar isto solidificar e depois respondo!  

  




Nos bastidores da Guerra Fria...

Wed, 15 Feb 2006 23:57:00 GMT

Majeure cinquième (do Bridge)   O convite foi deixado na entrada, devidamente fechado e com a expressa ordem para me ser entregue em mão. A letra era inconfundível, não tinha qualquer razão plausível para o recusar, para além disso quem o assinava, dificilmente mandava convites: dava ordens. Lá se tinham gorado os planos para um sábado mais ou menos morno, entremeado por umas idas ao café, um almoço em frente ao mar e uma sesta tardia. Telefonei a combinar o local de encontro. A recepção seria ao meio-dia pelo que combinei com a minha "boleia" que o melhor era chegarmos um pouco mais cedo, pelo menos teríamos o direito de inaugurar o bar. Do lado de lá um grunhido de satisfação e aquiescência. Depois um risinho surdo e uma pergunta cínica: - Estavas a pensar dar uma desculpa para não ir? - Sabes muito bem que assinou o convite! Se fosses tu tinha uma dúzia delas para te dar! - Olha, não precisas de ir de fato. Só lá vai estar a família. Bem pelo menos salvava-se isso, detestava os sábados em que me obrigavam a andar dentro de uma camisa com colarinho apertado, gravata, a suar às estopinhas, sem falar das conversas enfadonhas entre aperitivos e bebidas. Acordei cedo, fiz a barba, escolhi descuidado a roupa: uma camisa azul, desportiva, um blazer azul, umas calças de sarja, sapatos pretos. Tomei um duche rápido, fiz a barba entre uma ária de fim-de-semana e uma voz de falsete estremunhada. Meti o roupão que tinha pedido emprestado ao Sheraton e resolutamente se tinha recusado a deixar a minha bagagem. Depois do Paco Rabbane e do after shave, entre uns impropérios trocados entredentes,  fui para cozinha. O aroma do café e das torradas deixaram-me por fim, mais bem-humorado e sem os últimos resquícios de sono. Vesti-me calmamente pela casa, verifiquei se tinha tudo arrumado, descobri uma garrafa de um ano de Dão excepcional, que embrulhei resolutamente. Cheirava-me que ia beber cerveja e acabar em vodka. Ficava-me sempre bem alegrar o espírito do Yuri nem que fosse para ele guardar religiosamente aquele invólucro cheio de vinho para festejar um dia na sua terra, o de definitivamente ter-se livre da minha sombra. Apanhou-me no local combinado, depois de eu ter passado por um pequeno centro comercial para comprar uma pequena lembrança para a personalidade que me tinha convidado. O vermelho vivo, a alta cilindrada do carro, contrastavam com o mau gosto do Yuri pelas gravatas. - Eu pensava que era informal! Vou ter ir comprar uma gravata? - Se for preciso empresto-te uma das minhas. A minha cara não lhe deixou muitas alternativas, não voltou a falar em gravatas e aceitou com um sorriso enorme o embrulho que lhe entregava. Levantou apenas uma pontinha para ver o que lhe tinha oferecido. - Descansa, eu só vim assim porque tive que ir de urgência à Embaixada. Más notícias, certamente as mesmas que me tinham evitado o despertador. Mantivemo-nos em silêncio o resto do trajecto. Entrou com o carro pela garagem, arrumou-o e dirigimo-nos para elevador. Meteu as chaves, carregou para a subida. Os dois gorilas como sempre no hall de entrada, a filtrar supostos penetras. - Um dia destes devias substituir estes dois por duas hospedeiras de mini-saia! Eles sorriram muito, como se lhes acabasse de mandar uns bons piropos. - Isso queria eu, mas sabes o que é que me acontecia nesse dia, não sabes? - Pois! As mesmas razões que me levaram a aceitar o convite. Entramos. Mal acabávamos de ultrapassar as portas envidraçadas fui apertado num abraço e presenteado com um sonoro par de beijos. - Sempre vieste! O Yuri disse-me que ainda não sabia se vinhas!?! - Sabes que ele é um brincalhão Maminska - aproveitou para receber o embrulho que lhe dava. - Ainda bem, tenho uma surpresa para ti! Mas vão tomar umas bebidas, o almoço é só à uma. - Da! Nós vamos até ao bar. Reparei que as jarras repletas de cravos brancos raiados de encarnado vivo, traziam na lembrança o cheiro de revoluções à muito concluídas. - Não o deixes maçar-te com trabalho! Só pensa nisso[...]



"Nada de novo na frente ocidental"

Sun, 12 Feb 2006 18:20:00 GMT

Finais de oitenta, o Muro acabaria por ruir, o monstruoso estrondo da sua queda, desafiaria a imaginação de qualquer um. O "Glanost" já estava em marcha à muito, a oriente. Um telefonema rápido da embaixada, transmitido por uma secretária zelosa, marcava um almoço num local público, em que dois "inimigos" de longa data teriam direito a uma última refeição, juntos. Pedi ao meu condutor que me deixasse na cidade, propositadamente longe, o ponto onde me apeei dar-me-ia espaço e tempo para perscrutar o ambiente. Tinha havido armadilhas montadas bem menos evidentes e velhos hábitos nunca se perdiam.   O dia estava soalheiro, os pombos na baixa esvoaçavam, alimentando-se pelas mãos de uma velha sentada num banco, alguns deles, já empanturrados e cheios de calor, entravam sem temor na fonte que decorava a estátua ou nas poças de água que bebedouros mal fechados deixavam entornar. Aquela maldita gravata estava a tornar-se um incómodo, mas tirá-la daria um aspecto mais desmazelado do que eu pretendia. Olhei o relógio, distraidamente, ainda faltavam uns bons dez minutos para a hora do encontro. Entraríamos os dois ao mesmo tempo, fazia parte da boa educação, demonstraria que ninguém estava à espera de ninguém. Que não tinha havido tempo de armadilhar o local. Alinhei na calçada propositadamente do lado esquerdo, teoricamente ele apareceria por uma das ruelas transversais. Na primeira nada, um garoto apenas a correr. Um homem com umas malas mais ao fundo. A próxima seria a evidente, larga com esplanadas laterais, dar-me-ia tempo para tudo. Ele apareceu, sorridente, cabelos brancos, mais alquebrado do que o habitual, o levantar do braço, serviu para nos reunirmos e simultaneamente dispensar os dois gorilas que o seguiam. Pensei com os meus botões o Yuri estava a perder faculdades, há muito que lhe conseguia adivinhar os passos. Enquanto dávamos um aperto de mão caloroso e demorado, ele sabia que eu detestava beijos, os dois brutamontes acabaram por se sumir à direita, pelo passeio que torneava a praça. Entramos no restaurante, como dois amigos que fossem comemorar um velho acontecimento. Menos frugal que o habitual, mais eufórico encomendou lagosta e champanhe. Eu aceitei a sugestão. A meio da refeição, ocupávamos uma mesa discreta mas onde poderíamos vigiar as entradas, ambos demos conta de um estranho personagem. Ao princípio nem se dava por ele, depois com uma rapidez enorme, saca de uma máquina fotográfica e começou por tirar fotografias pelas mesas. Sempre o mesmo ritual, uma foto, a entrega de um cartão e muitos salamaleques! Quando se aproximou da nossa, o Yuri nem pestanejou, aceitou prontamente que lhe pedissem para sorrir e fez-me sinal para eu fazer o mesmo. Depois quando o fotógrafo se aproximou para lhe dar o cartão, pegou numa nota de mil escudos, sacou de um cartão da embaixada e pediu que o homem lhe enviasse duas cópias. Confesso que o incidente me deixou sem apetite e declinei com ar de poucos amigos a sobremesa. Enquanto não vinham os cafés, o Yuri desconcertou-me com uma enorme gargalhada. - Estás preocupado com o quê? Fica descansado eu sei que não foste tu que o mandaste vir cá! Mas garanto-te também que não fui eu! - Meu caro Coronel - eu gostava de o tratar assim quando o queria irritar - eu não fui, disso tenho a certeza. Mas qual foi a ideia de lhe dar um cartão com a sua identificação e mil escudos? Aí o sorriso do meu velho "inimigo" rasgou-se quase num engasgo e rematou: - Está descansado, a mensagem foi passada: a nota de mil era falsa... Confesso que não recusei o digestivo bem aviado, que me puseram à frente quando o meu parceiro de almoço o encomendou ao ver a minha cara.   In memória de um velho espião que veio do leste e se perdeu nas brumas da "Guerra Fria".[...]



"Ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão..."

Sun, 12 Feb 2006 01:09:00 GMT

Normalmente gosto de utilizar o que vou dedilhando para matar pequenos momentos de amargura. De vez enquando encontramos palavras que queriamos que fossem nossas. Deparei com um texto na minha amiga LADRA DO BEM que nos faz reflectir.   "Explicitamente roubado de DIÁRIO EVOLUTIVO   METADES DA LARANJA?   Não há almas gêmeas. O que há é um esforço imenso para manter-se em par, de mãos dadas e olhando, muitas vezes, em direções opostas. O que há é um que sorri dali e outro que chora de cá ou vice-versa. O que há é suor e amor abnegado, predisposição para negar-se até um certo ponto, de fingir-se até um certo ponto, de criar um personagem e esperar que um dia ele se torne real. Almas gêmeas são para as novelas, onde há um escritor todo poderoso e absoluto que escala um elenco e lhe dá as falas. As nossas fala, aqui no mundo de fora, nunca podem ser escritas nem sequer ensaiadas. Não deixo de acreditar no amor e na felicidade por não acreditar nas almas gêmeas. Muito pelo contrário. Nunca acreditei no que é fácil demais, e encontrar uma alma gêmea seria muito fácil. Dá a impressão de um todo pronto, acabado e arrematado. A única diferença entre uma mercadoria qualquer e uma alma gêmea seria o valor monetário que a última não possui, pois encontra-la-iamos, se existisse, de graça e ao acaso. Pois veja: existem almas afins, como essas nossas almas que se uniram e estão assim há séculos, mas só afins, que ninguém é pedaço de ninguém, e nem tão pouco somos seres que vagam na incompletude em busca da peça que, encaixando-se em nós, nos trará a felicidade eterna. Deixemos essas fábulas para os filmes e novelas. Vamos, sim, fazer valer esse amor que se tem nas mãos ou, para os que não têm, em breve chegará. Esse "fazer valer" de que eu falo é trabalhar o aperto de uma mão na outra, os olhares que tantas vezes divergem, mas cujas diferenças são sempre o sal a mais para o crescimento mútuo. Nada, nada mesmo se consegue sem esforços. Romance de graça - ou quase -, só mesmo na novela das seis."   Bem o meu roubo não seria perfeito sem uma frase da minha parceira do crime:   "Se você não encontrar a sua metade da laranja, não desanime...encontre a metade do limão, adicione açúcar, pinga e gelo e seja feliz!!!!!"   Afinal até ela tem algo de útil para ser roubado![...]



Crónicas de um Rei sem trono. (continuação XII)

Sun, 12 Feb 2006 00:27:00 GMT

Capítulo II Ninguém é perfeito. Nem Deus, quando criou o homem! - Olhai - gritou Clarence – vedes aqueles muros dizem que foram neles que acabaram aqueles dois loucos. Quase tão loucos como aqueles que agora nos governam. Maldita raça de nobres sem qualquer sentido do dever, demasiado orgulhosos e cegos para verem o sofrimento do povo que lhes obedece.- Vamos que passar no meio deles? Um bom local para uma emboscada…- É verdade Senhor, mas dificilmente os poderemos evitar! Mas depois de os passarmos estaremos a meio de sair deste deserto.Adiantaram-se e começaram a passar entre duas grandes paredes que submergiam daquela árida terra. Ainda se notavam algumas torres desfeitas, aparadas pelos ventos, de tempos a tempos desenhavam estranhas figuras como se algum escultor mais paciente, durante uma vida inteira, se entretivesse a lapidar cada centímetro de pedra sobreposta. Nem sinal de vivalma, das ameias e das seteiras sobressaíam os lampejares dos raios de sol que os atravessavam e desenhavam entre si pequenos desenhos fulgentes por entre a poeira do caminho. Em vez de se tornar mais ameno, aqueles muros aumentavam e armazenavam o calor, tornando quase insuportável cada metro.Nem o burro, nem os dois homens estugaram os seus passos, nem mesmo quando passaram em frente às duas grandes aberturas onde ainda se mantinham pregadas algumas correntes, velhos e grandes gonzos, bem gastos e ferrugentos que deveriam segurar enormes portas de madeira à muito apodrecidas.Não houve comentários, a grandeza e o lúgubre aspecto daquele local, davam uma sensação pesada e insuportável.De repente o cavaleiro juntou-se o mais perto que pode do bufarinheiro e entredentes sussurrou:- Estamos a ser seguidos, alguém está dentro daqueles muros! Acho que vi um vulto a mexer-se…Não olhes, nem mostres que o percebeste.- Deveis ter visto mal! Algum fantasma talvez? Rematou Clarence com um nó na garganta.- Existe mais alguma abertura nestes muros, Clarence?- Vários, existem várias aberturas, o tempo foi corroendo os alicerces e de vez enquando abrem-se algumas brechas.- Julgo que nenhum fantasma arrasta pó nem se esconde. Sabes se a próxima brecha à nossa esquerda fica longe?- Mais uma boa centena de metros à nossa frente, porque?- Vais adiantar o burro quando estivermos perto e nós ficaremos bem atrás à espera do nosso “fantasma”.- E se ele estiver armado, Senhor?- Teremos que lutar pelas nossas vidas com as nossas mãos Clarence!O dono do burro visivelmente preocupado, começou a tentar perscrutar mais longe algum indício do vulto que o cavaleiro dizia ter visto. Ninguém se atrevia a pisar durante muito tempo aqueles terrenos, não sem uma razão muito forte. Ou era um fugitivo ou então um assaltante errático, que decerteza absoluta não sabia das desgraças que acarretava andar por sítios amaldiçoados como aquele.- Estamos a aproximar-nos devem faltar umas dezenas de metros!- Faz o que eu te disse Clarence! Faz com o Pedro se adiante mais um bom bocado, ficaremos à espera que alguém apareça… O burro estranhou o toque num dos quartos dado pelo seu dono, mas como animal obediente, alargou o passo e começou um trote mais rápido. Se tivesse olhado para trás ainda mais preocupado tinha ficado, os seus dois seguidores tinham abrandado e tinham propositadamente deixado que ele alargasse a distância entre eles. [...]



Mãe, há só uma...

Wed, 08 Feb 2006 15:24:00 GMT

- O menino mais uma vez anda a roubar o leite à “chiba”…- Mãe não fui eu foi o Zé António.- Deixe-se de conversas, o meu filho não fazia uma coisa dessas, eu vou fazer queixa à sua Mãezinha. Peça à Laida que lhe tire o leite da cabra…- Ela não sabe tirar… Sabe melhor assim.- Olhe que a cabra um dia destes manda-lhe uma marrada…- Não manda ela, já mandaram os cabritos.Num gesto repentino afasto a melena e mostro o galo já amarelecido.- Zé vai buscar azeite. O João tem um grande galo.- Não é preciso, Mãe, olha vou ao Sr. Moura! Ainda me falta a broa e o presunto para ficar com o pequeno almoço completo.- Ó menino, isso é mesmo abusar! Todos os dias a mesma coisa o que é que a sua Mãezinha vai dizer, que eu não lhe dou comida?Nem lhe dei tempo, subi as escadas, passei a ponte para o lado de lá da eira, virei costas e pelo caneiro fui-me alojar na casa do Sr. Moura.- D. Maria Adelaide, Ó Tia Adelaide…- Diz Porfírio?- O fedelho tornou-me a roubar o burro. Esse miúdo é entronchado no Diabo! Se o apanho deixo-lhe o rabo negro.Enquanto apressadamente se baralhava no sinal da cruz.-Rais’parta a peste do miúdo. Ó Joaozinho, venha cá…- Diz Mãe? Surgi sem me fazer notar nas dobras do vestido.- Ouça lá o menino tornou a roubar o burro do Porfírio?- Eu mãe? Eu era lá capaz de fazer uma dessas? Se calhar foram os ciganos! Eu nunca roubei o burro ao Porfírio.- Atão não? Da última vez até o trouxe todo molhado! O pobre estava a tiritar de frio. Mais, doutra que eu saiba, o Zé Cigano é que se veio queixar que você lhe tinha roubado o cavalo…- Achado não é roubado! Andavas tu a roubar cerejas no lameiro do Domingos e deixaste o animal sozinho! Eu pensei que se tinha perdido. Para além disso o animal até estava a precisar de um banho! Já agora quando é que tu tomas um? E o Zé Cigano estava na venda do Manel e que eu me lembre foi para casa com uma bebedeira e só deu falta dele no dia seguinte…O Porfírio estrebuchava de raiva. Estava a ver que lhe dava uma coisinha por ali.- Mas o menino roubou o burro ou não?- Mãe já te disse, que não, esse mentiroso já foi ver à loja se lá tem o animal?Começou a correr caneiro abaixo, dobrou a esquina e passado minutos voltou com um sorriso nos lábios.- Desculpe a chatice Tia Adelaide, mas eu tinha a certeza que o burro tava no lameiro. Para além disso os burros não trancam portas.Sacana que não ias ficar sem resposta.- Tás a ver ó Porfírio tens um burro mais inteligente do que tu!- O menino esteja calado!- Ouça lá ó Tia Adelaide, mas que idade tem o mafarrico?- Tem cinco Senhor – e numa prece com os olhos virados para o Céu – tem cinco! Vê lá se ele aos cinco já nos põe os cabelos em pé daqui a um ou dois como será?- Eu cá não sei Mãe, mas pelo andar da carruagem, o Porfírio daqui a dois anos já não tem cabelos, a puxá-los dessa maneira… [...]



Crónicas de um Rei sem trono. (continuação XI)

Tue, 07 Feb 2006 19:42:00 GMT

Capítulo II Se algum dia me perguntarem onde estou: Aqui, por aqui, ali, mais além, umas vezes em Marte, outras vezes na Lua… Outras vezes à procura do que nunca vou encontrar! O caminho por entre os arbustos e árvores esparsas, levaram-nos até aos cedros, durante todo o percurso, os viajantes olhavam de vez enquando por cima dos ombros, no entanto não trocaram qualquer palavra.Quando se aproximaram, rapidamente se aperceberam que estavam no caminho certo:- Cavaleiro, se ainda me quiserdes seguir, dentro de três horas e um pouco de sorte, estaremos a entrar na minha aldeia.- Clarence, eu sei que não fui muito cortês com a tua fé. Mas continuo a aceitar a tua generosa oferta. Desculpa a minhas palavras sobre a tua gente. Mas acredita que do mundo de onde venho, alguns insensatos colocaram a sua fé ao serviço dos seus interesses e não deu bom resultado! - Compreendo, mas eu fui educado nestes moldes! Os meus antepassados também e digo-vos que se não acreditarmos em alguma coisa nos tempos que correm…O caminho, tornou-se claro, tinha sido calcorreado por uma quantidade de gente com muita pressa. Os sinais da passagem da turba eram evidentes, aqui e ali o repisar das ervas e as pegadas que o pejavam, davam a entender a velocidade de quem o tinha tomado.- Iam com pressa, provavelmente nem nos tinham visto!- Oxalá a minha aldeia tenha escapado à investida destes filhos dos demónios. Não estou a gostar nada disto, se não vos importardes, apressaremos o nosso passo.Enquanto dizia isto o bufarinheiro, incitou o burro a andar um pouco mais depressa, o cavaleiro acompanhou-os, sem comentários.Os temores do dono do burro eram por demais evidentes, o seu sobrolho franzido demonstrava bem o seu pavor.- Bom homem – tentou de um modo apaziguador – Está descansado, eles provavelmente eram um pequeno grupo que não se atreveria a enfrentar uma aldeia inteira, para além disso, deve ser com tu dizes, nós nem estávamos nos seus planos!- Provavelmente tendes razão, mas não estou minimamente descansado!A aridez do local foi-se tornando evidente, a quantidade de árvores e pequenos arbustos foi rareando.-Vamos entrar num pequeno deserto, vedes ali aqueles pequenos morros, a partir daquele local teremos uma hora ou mais um pouco onde só veremos cardos secos e pó. Nada demais, mas estaremos durante esse tempo todo a descoberto. Depois entraremos outra vez em terreno fértil…- E como se chama este pequeno deserto? Perguntou o cavaleiro.- Bem nós chamamos-lhe o deserto das “Duas Muralhas”. Dizem que aqui se deram duras batalhas. De tempos a tempos o vento deixa a descoberto algumas construções. Segundo a lenda, havia dois reis que quiseram dominar este lugar. Mas para o guarnecerem tiveram que trazer pedras e homens de muito longe. Foram tantas as dificuldades que no final só restaram as muralhas e os dois reis que as mandaram construir. Um de cada lado e assim acabaram os seus dias a vaguear e a comandar ataques de fantasmas. Não é caminho que eu aconselhe à noite, muito menos a desconhecidos. No entanto é a única maneira de não perdermos um bom par de horas a torneá-lo e a chegar mais depressa à minha aldeia.- Bem pelo menos temos a certeza que não passaram por aqui! Vê Clarence, as pegadas dos nossos inimigos não vêm do deserto!- Tendes razão, mas não me diz de onde eles vieram! Podem ter vindo de lá, este caminho é o mais rápido mas nem todos o conhecem.Entraram definitivamente naquele ermo, a terra transformada em pó, não dificultava a passada. O ocre levantado por pequenos redemoinhos foi-se entranhando nas roupas e nas peles. Aos poucos as cores das vestes deixaram de se notar, os dois homens e o burro tingidos pela mesma cor pareciam figuras erráticas no meio do nada.O esforço dos homens era apenas vincado pelo suor que empastava as frontes e lhes dava um ar estranho. O burro também incomodado, apressava-se a tenta[...]



Crónicas de um Rei sem trono. (continuação X)

Wed, 04 Jan 2006 15:24:00 GMT

Capítulo II Quem nunca se guiou pelas estrelas é porque nunca andou perdido. A estranha sensação da viagem ainda se fazia sentir. Desembocaram todos por ordem de entrada, numa espaçosa clareira. A saída daquele passeio forçado não foi das melhores, excepto para Domart e Galomit, que pareciam habituados a utilizar estes métodos para as suas deslocações. O burro, o dono e o cavaleiro apresentavam ar de incredulidade, lentamente foram-se recompondo. A passagem por aquele vórtice deixou a sensação de terem viajado no meio de uma tempestade, onde nem sequer controlavam os sentidos.A aterragem foi atenuada pelas ervas que cresciam descuidadas. Para além da cruz, algumas ruínas de construções antigas, ladeavam o local.Dormat quase nem deu tempo para se aperceberem onde tinham desembocado:- Meus amigos, vou guiá-los rapidamente por um trilho para que retomem o vosso caminho. Lamento ter que ser assim, mas já vou ter que justificar a intrusão de estranhos nas nossas terras e ainda explicar a vossa viagem. As leis dos antigos são para se cumprir.- Teus superiores? - perguntou o cavaleiro – Julgava que eram só vocês que habitavam estes bosques!- Senhor – continuou Dormat – não me obrigues a falar sobre o que não posso. Eles estão a observar os nossos passos neste momento e é melhor que a vossa viagem prossiga…O cavaleiro e o bufarinheiro olharam em volta a tentar vislumbrar mais alguma presença que ainda não se tivesse manifestado.- Não vale a pena! Eles não se deixam ver no entanto vêem-nos – explicou Galomit com um pouco de temor na voz.- Estranhos hábitos, não quero interferir nos vossos assuntos, mas vocês limitaram-se a salvar-nos a vida! Isso é digno de louvor e ficaremos agradecidos por isso para o resto das nossas vidas. Podemos atestar isso junto deles se quiserdes.- Agradecemos, eu e Galomit, agradecemos a vossa defesa, mas por agora pedimos apenas que nos sigam. É mais seguro tanto para nós como para vós. E é tão estranho como o hábito que tendes de acariciar essa adaga que escondeis debaixo da capa…Sem dar tempo para réplicas, indicou um trilho que acabava bem junto das árvores e começou apressadamente a segui-lo.Tomaram esse caminho e entraram do bosque quase cerrado. Apenas uma pessoa que conhecesse bem aquelas paragens se poderia orientar no meio daquele labirinto onde mal chegava claridade.Foram rodopiando como se estivessem perdidos, sempre em fila e quando deram conta estavam mesmo junto à orla daquele imenso matagal.- Eu sei que não é a melhor maneira de os deixarmos, mas as circunstâncias assim o exigem. Os meus respeitos a vós cavaleiro e a ti bom homem. Obrigado pela refeição que nos proporcionaste. Quanto à tua adaga não leves a mal ter reparado nela, os símbolos que cobrem a sua bainha são nossos conhecidos. Decerteza que nos encontraremos no futuro. Ide, o caminho é junto aqueles cedros que estão além bem juntos – apontando bem para o limite do horizonte.Quando se aperceberam do local onde teriam que se dirigir e se voltaram para trás, o cavaleiro e o bufarinheiro deram conta que os dois homens que os haviam guiado até aí se haviam esfumado.Ouviram apenas um riso bem baixo, longínquo e o som das árvores a entrelaçar os ramos.O cavaleiro e Clarence, olharam-se nos olhos numa pergunta sem resposta.- Bem cavaleiro, estamos a ficar atrasados. O melhor é mesmo por outra vez as nossas pernas no caminho certo! O bufarinheiro pegou na corda que prendia o burro e começou a tomar a direcção que lhes haviam indicado.- Estranha gente esta, Clarence.- Porque Senhor? Só temos que agradecer os seus bons préstimos. Neste momento estávamos a dar de comer aos corvos e aos abutres. Dizem que aqueles bárbaros não tem pejo nenhum em tirar vidas humanas. Eu sei que os vossos costumes são outros, mas por aqui não costumávamos questionar as vontades destes[...]



Crónicas de um Rei sem trono. (continuação IX)

Sun, 13 Nov 2005 00:05:00 GMT

Capítulo I  A verdade é apenas aquilo que os nossos olhos querem ver…Alguém consegue explicá-lo a um cego? Os dois druidas, entreolharam-se e começaram por intentar desculpas que não saíram, o cavaleiro não lhes deu tempo para pensarem:- Então? É a nossa vida que também está em causa, decidam-se depressa se nos querem ajudar, aqueles que aí vêm não vão esperar pelas vossas indecisões, Dormat!- Que os deuses me perdoem por utilizar os seus conhecimentos a favor dos humanos, bem isto é um caso excepcional, vamos… Virando-se os dois andrajosos clérigos, começaram a aumentar a passada, o bufarinheiro a puxar o seu burro renitente e o cavaleiro, seguiram-nos.Percorreram um caminho quase invisível que torneava o bosque, olhando uma outra vez para ver se os vultos ao longe faziam tenções de os perseguirem.A forma arredondada do bosque por uns tempos deixava antever que a turba longínqua os iria a qualquer momento deixar de ver.Os guias estugaram os passos e dirigiram-se para um velho castanheiro que se destacava por entre a vegetação mais rasteira e espinhosa que protegia as bordas do bosque.Aproximaram-se e ostensivamente, Dormat fez sinal aos seus seguidores que parassem, continuou depois passando para lá da grande árvore. Ouviram-se uns estranhos dizeres, cantarolados de uma forma rude mas ritmada.Clarence sussurrou ao cavaleiro:- É a linguagem dos antigos! Deve estar a fazer alguma feitiçaria para nos proteger dos nossos inimigos!Passados uns segundos, Dormat assomou ao lado do castanheiro e fez então sinal para o seguirem.Galomit, McClaymore, Clarence e Pedro passaram pelos arbustos, rodearam o castanheiro e desembocaram numa clareira.No meio dela, uma cruz, igual às que tinham visto no seu caminho e dentro dos muros monumentais.Da cruz uma luz, filtrada, de um tom azulado que se transformava num espelho, suspenso em estranha forma, ou como se fosse um bocado de água ondulante a cair ininterruptamente na vertical. Criava formas, embalava e reflectia imagens do bosque à sua volta. Hipnotizados os dois caminhantes aproximaram-se, Dormat fez-lhes sinal para entrarem naquela espécie de lagoa que se mantinha no ar como por magia.O cavaleiro, embora sem temor, perguntou:- Bom homem, desconfio que nos quer pregar alguma partida? Ou talvez nos queiras afogar?- Rápido não tenho tempo para vos dar explicações sobre isto! Entrai rapidamente, Galomit, faz as honras, os nossos amigos assim deverão confiar nos nossos poderes, eu serei o último para fechar o portal. Entrem, estão perto…O clérigo entrou, sem temor e desapareceu naquela parede que parecia engoli-lo lentamente. Desvaneceu-se como um fantasma no limbo.Ainda com dúvidas quanto ao seu destino, o bufarinheiro, o asno e o cavaleiro seguiram-no, um a um.Restou apenas Dormat que enquanto entrava entoava novamente um ladainha célere.A parede como por magia, desapareceu, no seu lugar apenas a cruz, que deixava cair agora, na clareira a sua sombra, esvaziada de qualquer rasto. [...]



Crónicas de um Rei sem trono. (continuação VIII)

Fri, 11 Nov 2005 00:11:00 GMT

Capítulo I Um Rei perdido, cheio de fome, entrou na casa de um pobre moleiro, este ofereceu ao Rei pão com mel para se alimentar. Depositou em frente ao Rei um pequeno cesto de pão acabado de cozer. O Rei faminto comeu todo o pão que estava à sua frente. Depois de ter mitigado a sua fome perguntou ao moleiro: “Onde está o mel?”. O homem sabiamente respondeu: “Saiba Vossa Senhoria que o mel era a vossa fome que acompanhava o pão.” De um conto lido em qualquer lado.  Ao entrarem no edifício, o cavaleiro e Clarence sobressaltaram-se com as palavras desconhecidas que os seus dois esfomeados seguidores, pronunciaram numa língua estranha. Lentamente o bufarinheiro, voltou-se e para espanto de McClaymore, respeitosamente, baixou ligeiramente a cabeça e disse em direcção a Galomit e Dormat:-Desculpai a minha falta, mas sereis sempre bem vindos à minha casa e a minha modesta refeição, reconforte os vossos estômagos!O dobrar das sobrancelhas do cavaleiro, seguiu-se um silêncio embaraçoso, cortado prontamente pela voz de Dormat:- Pensei que nos tivessem convidado para uma refeição?- Perdoai a minha falta de cortesia – disse numa voz de reverência o dono do “Pedro” – Aproximai-vos por favor enquanto eu corto este pão e uns bocados de presunto…Enquanto preparava as vitualhas, o bufarinheiro foi-se aproximado do cavaleiro e numa voz baixa quase sussurrante disse:- São antigos ocupantes destas paredes! Compreendi-o quando eles à entrada fizeram uma pequena prece na língua dos antigos!- Mas será possível? - perguntou o cavaleiro – Não disseste que isto está abandonado?- Já sei, já sei! - disse Dormat, enquanto ensaiava um trejeito mal conseguido – Quem somos nós? O que fazemos aqui?Debaixo ainda do olhar inquisidor dos outros dois, enquanto sem cerimónias começava por tirar um grande naco de pão e de presunto, secundado por Galomit, o homem continuou:- Somos apenas dois pobres seguidores dos deuses que através das nossas rezas e oferendas habitavam estes lugares! Depois fomos sucumbindo à velhice, os homens deixaram de acreditar, de ter fé e aos poucos os nossos companheiros desapareceram. Fomos os últimos a envergar as vestes brancas, mas também nós – enquanto enjeitava um suspiro amargo – até nós estamos condenados a desaparecer e connosco os últimos que poderão dar continuidade à nossa crença.- E onde vos escondeis? Perguntou Clarence.- Por aí, por ali! Respondeu Dormat.- De vez em quando no bosque em frente – Galomit entremeou com um engasgo do pão que abocanhava enquanto falava.- Mas, mas…-gaguejou o bufarinheiro – não é proibido?- Pois é! Afirmou o desbocado, logo de imediato corrigido pelo seu companheiro:- Na verdade bom homem, era proibido para os leigos, mas a nós sempre foi permitido. Para além disso onde nos esconderíamos nós dos perigos que atormentam estas terras? Sim porque infelizmente até já aqui chegaram os ataques das hordas. Há bem poucos dias passaram por aqui e invadiram momentaneamente estas ruínas.- E ainda param por aqui? Perguntou McClaymore.- Não sabemos, no entanto nada é seguro, aconselho-vos a deixar estes sítios o mais depressa possível. Eu e o meu companheiro faremos o mesmo mal acabemos de festejar com a vossa comida o nosso encontro.Galomit empanturrava-se com um bocado de presunto enquanto abanava auiescente com a cabeça.O silêncio que se abateu, era desconfortante, rapidamente, cada um ensombrado pelos seus temores pensava unicamente em deixar aquele lugar propício a emboscadas.Sem cerimónias, o bufarinheiro foi buscar o atarantado burro que ainda trazia umas ervas presas aos beiços e asperamente começou a emparelhar o burro e a carregá-lo, debaixo dos olhares dos outros que nem tiveram tempo para o ajudarem. Em uníssono, como se estivessem todos a pensar o mesmo, os q[...]



Crónicas de um Rei sem trono. (continuação VII)

Fri, 04 Nov 2005 12:30:00 GMT

You never try to take the happiness, always to find it in the hell! The Black List of The Great Wizard. Capítulo I  De repente sem aviso, começaram a ecoar vozes no vasto pátio, sem tempo de se esconderem ou o burro que pacatamente pastava entre as enormes paredes do amplo átrio.- Eu bem te dizia - ressoava a voz - temos aqui comida para mais de um mês!- Mas o burro deve ter dono! – dizia a outra voz.- Como tem dono? Quem é que se atrevia a deixar aqui esta comida toda?O cavaleiro e o bufarinheiro levantaram-se rapidamente, mas nem tiveram tempo de se aproximarem da saída, quando ouviram por entre interjeições de raiva e alguns impropérios, o burro a zurrar afincadamente.Como um raio, transpuseram a ogiva que dava para o pátio e a cena com que se depararam era no mínimo caricata: dois vultos com as roupas rasgadas, que antigamente deveriam ter sido brancas, ou perto disso, jogavam às escondidas com o pobre “Pedro”, que os perseguia à volta da fonte que se encontrava no centro.As vozes perdidas no fôlego da perseguição, apenas se interpunham com alguns esgares e caretas de puro medo, descompassadas pelo resfolgar do burro.Este, mostrava os dentes como se fosse um leão, enquanto ensaiava alguns coices no ar. As duas figuras acabaram por ser literalmente empurradas para o meio tanque que rodeava a fonte, ferozmente guardadas pelo quadrúpede.O cavaleiro não pode deixar de soltar um sonoro riso ao apreciar o quadro, o dono do burro, preocupadíssimo com a saúde do asno, correu precipitadamente para o animal que não deixava sair as duas tristes e molhadas figuras da água.Ao sentir que Clarence se aproximava, o burro, baixou as orelhas em sinal de submissão e gratidão, mas sem tirar os olhos dos intrusos e ao mesmo tempo que soprava um zurrar triunfal.- Bons homens, tirai essa besta da nossa presença! Esse animal tentou comer-nos…A voz de raiva do dono do burro deixava transparecer toda a sua vontade de dar uma lição, aqueles dois que lhe tentaram roubar o companheiro.Afagou carinhosamente o animal que de imediato se acalmou, o cavaleiro ainda a esboçar um sorriso nos lábios, aproximou-se também, lentamente da fonte.Os dois tratantes, transidos de medo e ensopados até aos ossos mantinham-se firmemente lá dentro, sem quaisquer vontade de enfrentar a fúria do burro ou a do dono.O seu medo ainda aumentou mais, ao repararem a figura tétrica do cavaleiro. No entanto não intentaram qualquer fuga, preferiram, trémulos, continuar com a água acima dos joelhos.- Vão ter que explicar muita coisa! A revolta do bufarinheiro era bem patente, escolheu bem o ritmo das palavras e o semblante para as acompanhar, o tom era verdadeiramente ameaçador.- Tendes razão – retorquiu um dos esfarrapados – Nos apenas queríamos comer o vosso burro…- Bem na verdade – retorquiu o outro – o que o estúpido do meu companheiro queria dizer, era que nós não o queríamos comer.- Não? Mas eu pensava que…O resto foi literalmente abafado pelo segundo, que de imediato, temendo a confissão apressada do seu sequaz, se apressou a tapar-lhe a boca com uma das mãos, para que não aumentasse a animosidade do bufarinheiro ou a do cavaleiro.- Para ser franco – continuou -  nós apenas queríamos apanhar o burro para fugirmos o mais rapidamente deste lugar…- Decidam-se! Retorquiu o bufarinheiro. Afinal queriam ou não comer o meu “Pedro”? Enquanto brandia nas mãos uma vara grossa apanhada ao acaso no chão, demonstrando uma vontade inabalável de castigar os dois intrusos.O olhar de súplica que levaram ao cavaleiro, fez com que este interviesse. Agarrou fortemente o ombro do bufarinheiro e cochichou leves palavras no seu ouvido.Clarence, mostrando um ar inconformado, baixou a guarda e num súbito lampejo de boa vontade convidou:- Afinal têm[...]



O Provedor já não mora aqui…

Mon, 05 Sep 2005 15:43:00 GMT

“Meus caros amigos, por razões de força maior (melhor salário, direito a férias e outras benesses sociais), fui obrigado a mudar de poiso, a partir deste momento, vou abrilhantar o espaço Teoria da Conspiração, gratos por toda a atenção que me dispensaram, podem continuar a enviar as vossas cartas para esse local, serão respondidas certamente com o profissionalismo a que sempre vos habituei”

Ass: “o Provedor dos Leitores”

 

“Lamento a saída extemporânea deste efémero colaborador, este blog estava a transformar-se num pasquim político e entrava em conflito com as directrizes do presidente e do editor (neste caso de “moi même”, tipo dois em um), o dito provedor também já não aguentava a pressão constante e já nem conseguia abrir as cartas que lhe eram enviadas. Por esses motivos alegou razões do foro mental e ainda justa causa para se por na alheta. Consultados os departamentos jurídicos e de gestão de pessoal, não se vislumbraram motivos suficientes para o manter no posto de trabalho. Para além disso o autor do blog (três em um), já o havia ameaçado fisicamente, pelo que o ambiente nesta casa se estava nitidamente a detiorar.”

Ass: McClaymore  




Crónicas de um Rei sem trono. (continuação VI)

Fri, 02 Sep 2005 13:47:00 GMT

Capítulo I As sombras do passado perseguem-nos até ao fim dos nossos dias. O cavaleiro dirigiu-se lentamente para a fonte, a pedra era diferente da dos restantes edifícios. A sua alvura resplandecia e quase cegava em contraste com o tom ocre dos muros e das paredes. Encostado à ombreira da cornija da entrada do edifício onde iam tomar as refeições, Sir McClaymore, perscrutou o largo pátio para lá da fonte, deteve os olhos de vez em quando nos muretes, nas cimalhas e nos adobes carcomidos que se viam pelas frestas das janelas desgarradas. Aquele lugar não lhe agradava, era demasiado dentro dos muros, bem fundo e sem qualquer lugar de fuga. No entanto, conjecturou que dificilmente alguém se atreveria a entrar afoitamente dentro daquele labirinto, só se o conhece bem.Dirigiu-se à fonte, desapertou um lenço negro que lhe envolvia o pescoço, molhou-o no tanque com movimentos rápidos, depois de o ter comprimido para lhe tirar a água em excesso, limpou cuidadosamente a fronte e o pescoço, desbotou o gibão em pele, primeiro os botões depois as fivelas laterais. Mirou-se nas águas que reflectiam a sua imagem, de vez em quando desfocada pelo caudal intermitente da fonte, a barba e os cabelos hirsutos, foram depois repassados também descuidadamente apenas para retirar algum pó do caminho que precisava urgentemente de ser limpo. Imaginou como seria bom tomar um bom banho para retirar a restante sujidade, mas isso teria que ficar para depois.Preso nestes pensamentos foi acordado pelo seu companheiro que trazia uma braçada de madeiras velhas de portadas, soalhos ou janelas e alguns ramos e ervas secas.- Como é que faziam os druidas desta casa para cozinharem e se aquecerem? Uma das coisas em que reparei, Clarence, é que não existem quaisquer árvores ou arbustos que sejam dignos de ser queimados dentro desta paredes.- Pois não. Existiam algumas, mas foram destruídas pela seca e pelos homens que precisavam de queimar algumas coisas, mas eram pequenas e serviam apenas para dar alguma beleza ao lugar. Os monges iam buscar a lenha que queriam à mata em frente.- Mas tu não disseste que era proibido entrar nela?- Para nós mortais, senhor, os druidas entravam nela sempre que precisavam, inclusive diz-se que algumas das cerimónias e sacrifícios aos deuses eram lá feitos. Apenas eles se atreviam a entrar lá, segundo as leis deles se alguém fosse por eles apanhado a violar essa proibição, era banido e esconjurado, e podia mesmo receber um castigo exemplar. Nunca me lembro de tal, mas contava-se a história de um rei que um dia lá tentou entrar e que nunca mais voltou, o meu pai sabia o nome desse rei, mas eu já não sei essa parte da história. Talvez na minha aldeia haja ainda algum velho que se lembre.Enquanto falava, Clarence foi-se aproximando de uma parede, deitou sem parcimónias o que levava nos braços e metodicamente de umas acendalhas que trazia numa bolsa a tiracolo, começou a fazer pequenas faíscas sobre a erva seca que tinha arrumado. Aos poucos e com um pouco de fumo começaram a surgir pequenas labaredas que ele com um sopro tratava de animar, quando elas se expandiram, pegou com ambas as mãos nesse montinho de erva e colocou-o debaixo das madeiras que tinha empilhado. Ateou-se lentamente uma pequena fogueira, quase sem fumo, a madeira estava bem seca por sinal. Depois, rebuscou nas tralhas que tinha retirado do burro e pegou num farnel embrulhado num trapo branco e numa caixa de madeira gordurosa. Do pano sacou um bom naco de pão, de côdea bem tostada e da caixa um naco de presunto avermelhado. Limpou o presunto do sal, pousou-o juntamente com o pão sobre o trapo, numa laje, que fazia de mesa. Depois desembaraçou-se do atilho do odre sobre o ombro e colocou[...]



Crónicas de um Rei sem trono. (continuação V)

Fri, 02 Sep 2005 13:36:00 GMT

Capítulo I Os Deuses habitam no coração dos homens enquanto estes se lembrarem que precisam Deles… Entraram num edifício enorme que certamente era o centro daquele enorme templo. As paredes conservavam as cornijas e aqui e ali pequenas inscrições. A abobada, aqui em pedra, recortava sombras nos pilares por aberturas altas e arredondadas, acentuava as gárgulas e imprimiam uma atmosfera de reflexão. Bem no centro uma ara de pedra tosca e fria, mostravam que ali se reuniam pessoas para cerimónias e ritos, se o local não estivesse tão frio e sem vivalma, poderíamos facilmente imaginar uma centena de vultos compenetrados a tentar salvar almas e a pedir as benesses dos deuses. Mais atrás, encostado às grossas paredes umas quantas cruzes em pedra iguais à que tinham encontrado junto à encruzilhada da ponte. Aqui o tempo parecia que não tinha passado por elas as inscrições e os símbolos estavam decalcados pelo cinzel, como se tivessem sido acabadas de esculpir e não deixavam quaisquer dúvidas, se é que restassem, na santidade do lugar.Num canto, sem cerimónia viam-se algumas cinzas de fogueiras mal apagadas e algum lixo, que demonstrava que aquele lugar já havia servido mais do que uma vez para refeições e paragens de viajantes que ainda se a aventuravam por aquelas terras.- Chega cá “Pedro” – chamou o bufarinheiro – deixa que e alivie da carga, depois podes ir até lá fora, petiscar umas quantas ervas, à falta de melhor jardineiro…O burro sentindo que o iam aliviar do fardo, manteve-se firma enquanto as mãos rápidas e experientes do homem, desfaziam os nós das cordas, tiravam as mercadorias e desembaraçavam destramente a cilha. Depois de tirá-la, retirou ainda a corda do cabresto e com uma palmada sólida empurrou o asno pela portada, para o largo pátio.O asno cheio de alívio desatou às cangochas e aos coices, rodopiou de alegria e espojou-se, repisando a erva e coçando-se com alegria. Mais calmo e pacificado por esta liberdade precária, começou a pastar calmamente, depois de passar junto à fonte e beber fugazmente no tanque onde a água ia desaguar.O dono não deixou de esboçar um sorriso ténue e imaginar que o pequeno quadrúpede lhe fazia lembrar os cavalos selvagens que de vez em quando apareciam a galopar no horizonte das suas viagens.A pergunta do cavaleiro trouxe rapidamente Clarence para a realidade:- A água é boa?A resposta do mercador demonstrou alguma preocupação, depois, de pensar uns segundos respondeu:- Dificilmente alguém a consegue envenenar a fonte, a sua água provem de uma mina, bem profunda e ninguém conhece onde ela fica, e se alguém o sabia, seriam os druidas que aqui habitavam e esse segredo, morreu com eles. Podiam outro sim, envenenar o tanque. Mas julgo que não o fizeram, a estas horas, o meu pobre burro já cá não estava para o contar.- Espero bem que não bom homem. Lamento ter-te dado essa preocupação, mas nestes tempos os incautos infelizmente vivem muito pouco tempo.- Compreendo, mas pelos vistos ainda ninguém se lembrou de tal barbaridade, ter que começar a ter mais cuidado para as próximas vezes que vier por este lados. Agora se não vos importardes de partilhar comigo a minha modesta comida e a minha bebida, convido-vos para uma refeição…- Pensava que não perguntavas, morro de fome meu amigo, qualquer comida e bebida serão bem vindas…- Vou começar à procura de ervas secas e alguma madeira velha que vai caindo por aí dos antigos sobrados e das empenas que ainda restam, demoro pouco, enquanto isso aproveitai para vos refrescardes um pouco Sir McClaymore. [...]



Crónicas de um Rei sem trono. (continuação IV)

Fri, 02 Sep 2005 13:01:00 GMT

Capítulo I Outros são como fantasmas a vaguear na imensidão do limbo, a percorrer espaço e tempo à procura de um infinito que nunca alcançarão… Os dois homens e os animais apressaram o passo, o sol agora mais quente, fazia correr gotas pelas faces dos viajantes e a pele do burro brilhava com o esforço. As ruínas, magestáticas, enormes pedras decalcadas e amontoadas pelos homens, imprimiam um tom de solenidade no meio do descampado que se estendia ao longe, entrecortado aqui e ali por pequenas arvores não maiores que um homem. À direita, a contrastar com esse semi deserto, um aglomerado cerrado de árvores velhas estendia o seu perímetro bem demarcado, como se de um forte se tratasse.- Clarence, aquele mato ali não será mais conveniente para o nosso descanso, pelo menos será mais difícil de sermos surpreendidos ou encurralados do que dentro de quatro paredes.O bufarinheiro empalideceu, murmurou uma prece surda e um pouco incomodado tartamudeou sussurrante:- Senhor, não me é permitido frequentar esse bosque. Já no tempo dos que visitavam este lugar lhe era vedado entrar nos segredos desse denso matagal…Antes que o cavaleiro tivesse tempo sequer de esboçar qualquer pergunta, o homem ainda trémulo informou:- Os druidas proibiram qualquer homem de atravessar para além do perímetro de terra onde ele começa. Dizem que está protegido por magia muito forte e por estranhas criaturas que não temem ninguém. O meu velho pai contou-me que alguns mais afoitos o quiseram fazer e que nunca mais foram vistos. Eu não quero sofrer da mesma sorte e aconselho que façais o mesmo…- Caro companheiro de viagem, forçado, mas mesmo assim meu companheiro. Não duvido das tuas palavras e não leves a mal a minha pergunta, apenas a curiosidade me levou a fazê-la. Mas deixemos o bosque em paz e os teus temores e alcancemos as ruínas, a minha fome é neste momento, bem pior do que os monstros que habitam aquelas árvores…Dirigiram-se apressados para as sombras dos edifícios, o caminho aqui tinha sido tratado, e se bem que não estivesse habitado, por entre as perseverantes ervas que já enxameavam o local, estas dificilmente se desenvolviam no empedrado bem polido e bem assente que agora começavam a percorrer.O musgo e algumas daninhas parasitas já começavam a tomar conta do lugar. As estruturas em madeira que sustentavam os telhados, que já não estavam lá, estavam carcomidas pelo sol e pela água da chuva. Passaram uma estrutura enorme e sólida que se abria para um pátio interior. Os edifícios eram grandes e notava-se o cuidado na sua construção, fora feitas para enganar o tempo e lembrar aos homens a sua curta vida por entre estas vestutas paredes.Aqui e ali ouviam-se os trinados das aves e os seus voos rápidos para apanhar algum insecto mais incauto.O tapete de ervas não abafava o som ritmado do burro que rapidamente começou a percorrer aquelas lajes como se conhecesse o caminho de cor. Os dois homens acompanharam-no, ladeando paredes e passando por entre arcadas e pilares que separavam edifícios e algumas praças menores. De tempos a tempos uma aberura ainda com as portas de madeira, velhas, entreabertas e descaídas, davam um ar fantasmagórico e surreal aos espaços que percorriam, era como se ainda se sentisse o respirar dos monges que habitaram aquelas casas. O chiar das dos gonzos enferrujados das portadas, acentuava o tom lúgubre e imaginário daquelas pedras.- O meu “Pedro”, já conhece estes lugares como ninguém. Quando ele parar, vou aliviá-lo da carga. Depois poderemos descansar uns minutos, beber e comer um pouco para retemperarmos as nossas forças. Ele sabe que mais no interior há uma fonte de água [...]



Crónicas de um Rei sem trono. (continuação III)

Tue, 19 Jul 2005 12:56:00 GMT

Capítulo I Do conhecimento, todo o humano descobrirá que não é eterno. Mais uma cruz, os mesmos símbolos rúnicos, bem antigos e ilegíveis, mas desta vez em pedra, muito velha, aqui e ali, o musgo verde cobria algumas fendas intemporais. Marcava uma encruzilhada que se bifurcava para este, por um caminho forrado por ervas altas e pelo matagal denso que o cobria, bem pouco concorrido, o trilho mal se vislumbrava. Em frente a continuação do que calcorreavam neste momento, a oeste, bem perto, a ponte.A entrada, os dois pilares em pedra, com engastes em ferro, enferrujados pelas intempéries e pelo tempo. Um passadiço cujas lajes estavam polidas pelos cascos e pelo passajar das gentes. As ripas pareciam seguras, gastas, mas seguras.- Mestre Clarence, acho que tinhas razão. Ao longe engana bem. Mas as amuradas precisam de uns bons reparos.- Tendes razão, há muito tempo que ninguém se digna a pregar uma tábua nesta pobre ponte. Quando ela acabar o meu caminho vai ficar mais longo e bem mais perigoso. Se tivéssemos que ir em frente, teríamos que percorrer mais caminho, chegaríamos bem à noite à minha aldeia, as gentes e os senhores desta terra esqueceram-se ou não têm tempo para a reparar pontes. Para além disso esta é pouco usada. A insegurança, obriga a que cada vez menos as aldeias façam trocas entre si. Eu vou arriscando, é o meu sustento, mas muitas das vezes penso em abandonar a profissão, os perigos não compensam o lucro e ainda dou algum valor à minha vida.O bater dos cascos do burro nas madeiras desgastadas, ecoava no rio, de tempos a tempos, nas velhas travessas que serviam de protecção, entrecortadas pelos apoios dos pilares, pousavam pequenas aves, ou guarda rios, que de um mergulho só, apanhavam pequenos peixes e levantavam voo a rasar as águas. O rio, de um azul averdiscado, deixava ver o fundo, e de quando em quando um peixe mais lustroso a reflectir o sol nas escamas, que de um pulo, apanhava um pequeno insecto descuidado, e em seguida num ápice, escondia-se temeroso no meio das pedras, quando as sombras dos homens e do burro se esbatiam no lodo.- Se tivesse trazido uma cana e um anzol, aproveitávamos para fazer uma valente pescaria, vamos ter que nos contentar com carne seca, algum pão, algumas maças – Clarence bateu no odre que trazia a tiracolo – e se não tiverdes nojo de mim, bebereis um pouco deste vinho, dar-nos-á um pouco de alegria. De qualquer das maneiras, seria difícil cozinhar estes peixes, não é conveniente atear uma fogueira por estes lados. Se bem que o cheiro a queimado se entranhe por todo o lado, qualquer chama, ou pequeno fumo, serão vistos bem longe. Não precisamos de atrair mais convidados para a nossa refeição, para além disso, devemos sempre desconfiar das intenções de alguns…Claro que não estou a referir-me a vós Senhor.- Tendes razão, e descansa que não me ofendi. Mas por falares nisso, o meu pobre estômago já fala comigo há um bom par de minutos. Com o meu encontro tive que adiar o meu pequeno almoço, é como tu dizes, alguns convidados, estragam qualquer refeição.- Mais um pouco, no final da ponte, veremos umas ruínas em pedra, tentaremos fazer lá uma paragem, aproveito para aliviar o meu “Pedro” da carga por uns instantes e para ele se refastelar com a erva que cresce por aqueles lados, também tem direito à sua refeição.- Ruínas? E que ruínas são essas, Clarence?- São de um velho templo e de alguns casebres abandonados, eram dos druidas que habitavam estas terras. Há muitas eras atrás foram abandonadas, eram eles também que mantinham a ponte reparada. Um dia pura e simplesmente desaparecem, ninguém sabe[...]



Crónicas de um Rei sem trono. (continuação II)

Mon, 18 Jul 2005 19:18:00 GMT

Capítulo I Da incompreensão, quem descobriu que o mundo era redondo, devia-o ter guardado para si. Alguns na sua infinita ignorância julgam que o percorreram, quando se limitaram a ficar no mesmo lugar. A única coisa que se moveu foi a sua sombra e nem por isso eles deram conta, enquanto estavam a olhar para o próprio umbigo. Forma aproximando-se do rio, o burro, ignorando as ordens do dono precipitou-se para a água. Os homens não se fizeram rogados e aproveitaram a sede do burro para também usufruírem um pouco da frescura das margens. Beberam também, rápidamente, sempre de soslaio. Nos tempos que corriam, voltar as costas ao perigo era uma atitude insensata, mesmo em campo aberto.Depois de refreada a secura, retomaram rapidamente o caminho. O burro agora mais satisfeito nem precisa de ser admoestado. O caminho tortuoso e duro, aproximava-se lentamente da ponte. Podiam agora ver-se mais nitidamente os bocados das anteparas, soltas e mal mantidas, a madeira podre deixava trespassar a luz por alguns buracos, oxalá as ripas que iam suportar o peso dos dois homens e o do burro, estivessem em melhores condições.O bufarinheiro aproveitou para continuar a sua narrativa:- Como eu ia dizendo Senhor, depois dos antigos desaparecerem, as suas terras foram divididas por cavaleiros e senhores que tomaram o poder à força ou por astúcia. Alguns dizem que se aproveitaram mesmo das hordas para levarem em frente os seus desígnios. Estas terras foram divididas e retalhadas, nem sempre com as melhores das intenções. Laertum, o reino onde pertence a minha pobre aldeia, outrora já dominou mais de um terço do mundo do lado de cá da montanha, mas o último Senhor, Lord Monteld, não tem a vontade suficiente para se impor. O seu espírito guerreiro também não é famoso, aos poucos foi trocando as armas pela harpa. Infelizmente isso não enche a barriga a ninguém e os conflitos nas nossas fronteiras são cada vez mais frequentes. Para agravar a nossa situação, não tem herdeiros directos, os dois filhos varões morreram em escaramuças sem sentido ao irem em socorro de interesses de primos distantes. Na corte perfilam-se vários candidatos, mas nenhum deles com muitos direitos. A única filha casou com um filho de Lord Jovick, senhor dos Ostram. Se o futuro rei não for nomeado rapidamente, antes da morte do velho Lord, teremos mais uma guerra entre nações. Os Ostram tentarão fazer valer os direitos de Milady Guern e se tal vier a acontecer, os nobres de Laertum, dividirão as suas forças dos que apoiam a nossa integração no reino de Lord Jovick e aqueles que não aceitarão que sejamos governados por outro povo. O futuro deste pobre reino está entregue à sorte, e a nossa não se apresenta risonha. Para ajudar à confusão corre a lenda de que um homem, estrangeiro, virá para reclamar o trono vazio, mas que trará com ele também guerra para unificar as Nações para lutar contra os Saurcans. Nós só pedimos que nos deixem levar a nossa simples vida, trabalhar as nossas terras e que os nossos filhos possam brincar em paz. Desculpai Senhor o meu desabafo, mas as nossas vidas não são fáceis…- Hummm, o teu sentimento de revolta é natural. O teu Senhor poderia ter em conta os vossos anseios. Deveria ser melhor aconselhado, ou talvez nomear um bom sucessor. Compreendo a tua preocupação. Mas deverá ser a nossa de chegar inteiros à tua aldeia, não achas? A ponte que vamos atravessar é segura?- A ponte é velha, mas suas madeiras são duras, a solidez das suas fundações também, não olhes para o aspecto geral. Ela vai decerteza puder connosco. Quanto à tua preocupação [...]



Amizade & Solidariedade.

Fri, 15 Jul 2005 12:23:00 GMT

Amizade. Sinceramente, começa a preocupar-me o discurso do Jorge Coelho nos comícios do Carrilho:“…é para dizer à minha amiga Bárbara que eu gosto dela…”Estes sentimentos ficam-lhe bem, mas se fosse ao seu amigo Carrilho, começava a ficar profundamente preocupado. Amiga!?!Com amigos destes quem precisa de inimigos.E continuou alegremente o Jorge Coelho:“…e o PS gosta dela…”Convenhamos, quem é que não gosta? Sr. Doutor Jorge Coelho, alguém, mas alguém no seu perfeito juízo não gosta da Bárbara?Já agora a candidatura é da Bárbara ou do Carrilho? Por favor decida-se, os lisboetas estão a ficar baralhados com tanta confusão. Solidariedade. Aproveito para deixar a minha solidariedade para com os Bailarinos (é em letra grande de propósito) da gulbenkian (em letra pequena, também é de propósito), e linkar o blog deles ao meu. O Senhor 3% deve estar pouco descansado na sua tumba, e cada vez mais preocupado com aqueles que se arrogam a administrar o seu legado. A cultura deste País, está de luto. Os tecnocratas que administram os bens da Fundação, também não: as suas reformas principescas estão a salvo, bastou deixar no desemprego uma centena de bons bailarinos.Já sei, já sei o link do blog: Ballet Gulbenkian.Pessoal do limbo, vamos até lá dar uma palavra de apreço e solidariedade. Evitem, como alguns, deixar apenas o fel exteriorizado pela falta de humanidade que grassa nos tempos que correm. Toca a blogar… [...]



Terrorismo?

Thu, 14 Jul 2005 13:00:00 GMT

Eu tinha prometido a mim mesmo que a minha veia cínica ficava parada durante uns tempos. É difícil aguentar calado, quando a coberto de situações consideradas fundamentais, se consigam tomar medidas extravagantes e com objectivos obscuros.Quem leu os livrinhos como eu li nas épocas de 80 sobre os perigos infindáveis que já se adivinhavam sobre o fundamentalismo que nessa altura se estava a formar, teria que começar a perguntar aos senhores que nos governam, quais as medidas que foram tomadas para minimizar os efeitos que já se previam e faziam sentir.Os manuais da OTAN, já nessas décadas, falavam do perigo da tomada por grupos islâmicos radicais de governos até então considerados, do ponto de vista ocidental, de moderados.Se leram ainda os manuais do Pacto de Varsóvia, verão neste momento no terreno que os bons alunos, tomaram o lugar dos mestres: “Mais vale um homem atrás da linha do inimigo, do mil à frente dele”.Estas palavras são o culminar do que se está a passar na Europa. Os islamistas radicais mais não fazem do que por em prática as lições que receberam durante a “guerra fria”, tanto dadas pelos senhores da CIA, como do KGB.Descuramos as nossas defesas ao não darmos a devida importância ao vazio de poder que se instalou depois da caída da URSS.O terrorismo é a via fácil daqueles que a coberto de princípios, que só advogam para os outros, se escondem nas sombras.O pior é o aproveitamento fácil dos governos ocidentais, que sob a capa de um pretenso poder que lhes foi confiado, quererem impor pela via legal, mecanismos de controlo até aqui considerados ilegais.O controlo da Internet, das chamadas telefónicas e todo o tipo de comunicações, já era feito. O Dr. António Costa, durante a sua passagem por Bruxelas, fazia parte da Comissão instaladora. Ficou apenas como ele disse e muito bem apenas adormecida, os ataques terroristas servem apenas, mais uma vez para que os sistemas passem da obscuridade latente para a legalidade.Aqui resta apenas uma pergunta, afinal quem são os terroristas?São aqueles que deflagram as bombas ou aqueles que a coberto da morte de inocentes nos querem impor outras formas de terror?Sim, porque o obvio está para acontecer, quem garante que a correspondência entre pessoas não vai ser violada posteriormente?Quem me garante que aquilo que eu digo não vai ser revelado, mesmo com uma desculpa, de uma pretensa violação de segurança sem sentido?Um caso mais estranho passou-se nos EUA, a coberto dessas mesmas normas de segurança, uma Agência Federal queria ter acesso ao código fonte de um programa que encriptava mensagens. O caso foi a tribunal e sobre as alegações da modesta Agência, fica apenas o registo: de que iam demorar muito tempo a descodificar as mensagens que fossem codificadas por aquele método, mas que não era para as lerem. A resposta do Juiz, neste caso foi justa e imparcial, nem ele se acreditou na inocência da petição: não havia motivos para que a Agência tivesse acesso ao código fonte do programa, visto que se as mensagens não eram para ler, não havia nenhum motivo razoável para que ele lhes fosse facultado. Resumindo, o caricato da situação era apenas o tempo que eles iriam perder a tentar arranjar um método para ler as mensagens, até um estúpido compreenderia isso.Já agora vão guardar todas as mensagens e conversações que os cidadãos têm?Porquê? Para quê? Quem as guarda? Quem tem acesso a elas?E por fim, quando as apagam? E seu pedir o acesso a elas?Já experimentaram como eu fiz, de pedir o registo das vossas chamada[...]



Crónicas de um Rei sem trono (continuação)

Thu, 14 Jul 2005 11:08:00 GMT

Capítulo I Da procura, nem sempre encontramos aquilo que queremos, é tudo uma questão de paciência, até que a solução nos venha para às mãos. - Ninguém sabe como começou, mas ainda nos tempos dos antigos, quando eles mandavam por estas terras, começaram a chegar notícias sobre o que se passava para além das montanhas de Idich. Ao princípio eram notícias sobre um grupo de guerreiros nómadas que eram comandados por um chefe feroz. Por onde passavam, queimavam, pilhavam e violavam. As terras que iam conquistando eram logo tomadas pelos que os seguiam. Para cá das montanhas, nenhum senhor lhes deu a devida importância. Para conseguirem passar para o lado de cá ainda deveriam levar muitas eras, pensavam eles. O tamanho das montanhas e os seus abismos, também deveria ser um obstáculo e só quem soubesse o segredo da passagem é que se poderia atrever a percorrer os seus segredos. Não sabemos como, nem quem. Uns dizem que foi traição, outros que foi arrancada debaixo de tortura. Mas em suma, coisa é certa, à cerca de um ano, foram aparecendo grupos de guerreiros que se embrenham nas florestas, assaltam os viajantes e só uma boa escolta garante a segurança. Alguém ensinou o caminho aos Saurcans e aos poucos foram invadido estas terras. Dizem que são a guarda avançada dos que os esperam do lado de lá das montanhas e que só estão à espreita de uma boa oportunidade para se instalarem definitivamente. Por cá os grandes senhores não se entendem, continuam firmemente a guerrear-se entre eles, sem se importarem com o que se passa do lado de lá. A guarda avançada dos guerreiros tem feito muitos estragos, mas acho que os maiores são feitos pelos senhores que se guerreiam entre eles. A minha aldeia está nas terras do Senhor de Laertum, pagamos os nossos impostos, mas ele não nos garante as nossas vidas. Já não sei se é melhor viver sobre o jugo de estrangeiros do que viver a pagar com os nossos melhores homens, os nossos cereais, as nossas espadas e lanças. Muitos já se perguntam, se não seria preferível que os que aguardam do lado de lá para nos invadir, que o fizessem já. É terrível viver nesta situação. Os nossos recursos são cada vez mais escassos, o sal que levo no meu burro, seria bem mais barato e de melhor qualidade. Agora pagamos dez vezes mais do que pagaríamos à meses atrás.O caminho foi-se alargando, a alameda frondosa foi substituída aos poucos por arvores mais baixas e mais esparsas, entravam agora num vale amplo cortado apenas ao longe por uma ponta de um rio que aparecia de vez em quando batido pelos raios de sol, que abrasavam cada vez mais. O caminho agora mais largo, era mais irregular e bem mais duro. Aos poucos, quando se aproximavam do rio, iam-se ouvido o grasnar dos patos. A paisagem expandia-se pelo horizonte, os sons dos sinos aos poucos foi ficando cada vez mais para trás, cada vez mais distantes.- Clarence, sabes dizer-me porque repicavam os sinos com tanta intensidade?- Não sei dizer Senhor, as gentes da ultima aldeia por onde passei, estavam agitadas e com ar de poucos amigos. Mesmo sendo uma visita regular, agora os senhores que a governam, os de Cahir, são inimigos de Laertum, pelo que mesmo eu, um inofensivo bufarinheiro sou considerado inimigo. Mas não é difícil de adivinhar a causa de tanta agitação, deveriam estar à espera de algum mensageiro e de recrutadores para os exércitos. Aqueles soldados que nos iam surpreendendo, deveriam pertencer à escolta. Estavam decerteza a vasculhar as redondezas para se certificarem que n[...]



Crónicas de um Rei sem trono.

Wed, 13 Jul 2005 11:39:00 GMT

Capítulo I Das provações, o caminho mais longo é sempre aquele que leva mais tempo a percorrer, muitas vezes é o mais curto. Começava o dia a clarear, bem no alto junto ao cume, um raio de sol trespassava a neve que teimosamente ainda se mantinha debaixo do calor estival.As árvores frondosas da alameda, sussurrantes e plácidas, argumentavam com o barulho da cascata que se ouvia intermitente. O caminho, de terra batida, ainda húmida dos últimos invernos, enxameava-se de verde rasteiro, pontilhado aqui ou ali por pequenas flores que teimosamente desabrochavam.O trote do burro, ressoava oco e pesado, abafado pelos sons dos poucos pássaros que já começavam a constituir a sua prole.O homem que seguia o burro, acicatava-o de vez em quando pelo espanejar de uma pequena vara apanhada sem escolha à beira do caminho. O suor que lhe escorria das têmporas indicava que se encontrava à muito a percorrer aquele trilho. De vez em quando por cima do ombro, mandava uma remirada rápida, para trás, aproveitava para azougar o burro novamente, como se fosse seguido por almas de outro mundo.Lá ao longe retiniam sinos de alarme, trazidos no meio de um turbilhão que adivinhavam desgraças. O nosso homem, tez retesada pelo medo, alargava o passo e obrigava o animal que o procedia a fazer o mesmo.Desembocaram numa clareira larga, onde o caminho se entrecortava com outros três, no meio, uma velha cruz celta de madeira, entalhada a ferro, cheia de símbolos rúnicos de protecção aos viajantes, encimava um montículo, mesmo no meio do cruzamento. Junto à cruz um vulto baixo e atarracado, vestes escuras e esfarrapadas, um capuz mal posto que descobria uns cabelos negros e brilhantes.Um cinto largo de pele curtida e dura, enxameado de pequenos anéis brilhantes, serviam de aconchego a uma adaga larga e de lâmina dupla. Quando o homem do burro se aproximou, o vulto levantou-se sem pressas, mais alto, agora que o nosso homem do burro, que refreou o passo e aumentou o semblante ríspido.O acenar do estrangeiro, e o sorriso que lhe elevou no rosto, acalmou a tensão, os bons dias dados em gaélico pelo estrangeiro e gesto universal de paz, descansaram finalmente o dono do burro que respondeu mais cordial.- Bom dia estrangeiro…- Bom dia bom homem, desculpa se te assustei…- Nestes tempos de escuridão, somos desconfiados. Nestas estradas acontecem coisas terríveis. Eu apenas transporto mantimentos para a minha pobre aldeia…- Bem sei, mais uma vez as minhas sinceras desculpas, mas fiquei sem montada -apontou em direcção a poente – o meu cavalo foi abatido por covardes…Sem pressas, mostrou a sela arrancada ao animal, e bem cravada no couro ainda uma flecha, escura e rematadas com penas de corvo. O calar dos pássaros e o esgar de horror que se entranhava no seu rosto foi apenas cortado pelo som abafado de cascos que se ouviam, nem tiveram tempo para apresentações.Rapidamente, sem lhe dar tempo para se recompor, o cavaleiro, agarrou na sela, empurrou o bufarinheiro sem cerimónias, puxou o burro pela arreata para fora do caminho.Aproveitou uns arbustos que ladeavam a clareira para se esconder juntamente com os seus actuais companheiros. Apenas se preocupou com o burro, tapo-lhe os olhos com um bocado da sua capa e com a outra mão as narinas do quadrúpede, não queria que ele começasse a emitir sons ao sentir o cheiro de alguns primos. O dono do burro, inerte, quase imóvel, dificilmente se manifestaria.Esperaram pouco tempo e por entre uma fresta dos arbustos, viu seis cavaleiros, de [...]



O Provedor dos Leitores (3ª intervenção)

Tue, 05 Jul 2005 13:49:00 GMT

Esta missiva foi recebida em mão, continuamos a não divulgar as identidades dos nossos leitores por motivos de força maior, esta vem apenas com as iniciais OMO: “Exmos. Srs.,Lamentamos que se refiram à nossa concorrência, sem querer entrar pela via do contraditório, informamos apenas que vamos intervir mais activamente na vida política portuguesa, especialmente na promoção dos glutões.” Resposta do Provedor: “Agradecemos que mantenham a vossa campanha no espírito do «lava mais branco», glutões já nos temos em quantidade suficiente no país.” Carta de um leitor identificado como Skip: “Caríssimo,Aceitamos desde já as vossas sugestões, vamos ampliar a nossa campanha e tentar que a Barbara se submeta aos diversos testes que os nossos directores de campanha estão a idealizar. Se por acaso não ganharmos a eleições será com bastante pena, mas nunca assumiremos que a falta de ideias foi nossa.” Resposta do Provedor: “Falem menos e dispam a Barbara, vão ver que a campanha desce mais um bocadinho de nível mas sobe para níveis de interesse nunca vistos. Obrigado pelas amostras.” Outra carta do MMC: “Sr. Provedor,Fui abandonado, de uma maneira cruel e humilhante, para além disso o meu maior apoiante, veio com um fato sem marca e amarrotado ao meu evento.” Resposta do Provedor: “Pois, pois, nós já o tínhamos avisado. E você continua a querer fazer disto um consultório sentimental. Quanto ao seu amigo, diga-lhe para mudar de alfaiate e de assessor, ou então do local onde faz a limpeza a seco. Em último caso submeta tudo isso ao «choque tecnológico» que ele andou a prometer noutras campanhas. Outro conselho, e este é de graça: mude rapidamente de marca de detergente, acho que o que está a dar são os glutões.” Uma carta do Largo do Rato: “Exmo. Sr.,Já que não conseguimos nada do Presidente agradecemos que despeça o Provocador. Os seus bons serviços são um empecilho nefasto para o partido e quando o nomeamos não esperávamos a sua total independência.” Resposta do Provedor: “Isto não é o local ideal para discutirmos estes assuntos.  Você queria dizer era Procurador, não é? Sinceramente essa competência extravasa as minhas modestas funções. Para além disso já tenho problemas que cheguem com as chefias da casa que me passam a vida a apontar a porta da rua. Aconselho-o para a próxima, ver se arranja um que seja mais manobrável. Mas depois de ter um Presidente, uma maioria, não acha que dava nas vistas, ter também um Procurador?”  Notas do Provedor: Não me pagam para isto. Definitivamente ainda me despeço por justa causa, esta coluna está a perder o fim a que se propunha. Para além disso, soube agora que os nossos amigos do “Gato Fedorento”, cortaram as relações com a SIC, fico triste. Notas do McClaymore: Eu nunca disse que o cargo que V. Exa. se comprometeu a assumir era fácil. Isto não é como as campanhas políticas, promessas que não se cumprem aqui não têm qualquer cabimento. Agradeço o pedido de vermos todos a Barbara em lingerie. Quanto ao “Gato Fedorento”, vou apenas dedicar-lhes uma prosa do tio Olavo do Edson Athayde: “Existem mil maneiras de se esfolar um gato. Mas só uma dá prazer ao gato.”Acho que vou convidar o tio do Edson para Provedor, pelo menos tem mais piada que o gajo actual. [...]



“Carrilho corta Marketing para distribuir aos idosos…”

Tue, 05 Jul 2005 11:24:00 GMT

Ia eu a pensar que já tinha visto de tudo e eis senão quando, numa esquina duma montra envidraçada, qual miragem no deserto, reparo que o Skip anda de maus dadas com a política.

Aquele símbolo não enganava ninguém, e pela quantidade de pessoas, julgava eu, estavam a distribuir amostras grátis do detergente.

Mas não, afinal, era apenas o Manuel Maria Carrilho que estava em campanha, eu ainda pensei que ele ia despejar um bocado de azeite e tinta no vestido da Barbara, para depois fazer o teste de limpeza, tal qual como no anúncio, mas a rapariga envergonhada nem lhe deu tempo para isso.

Perdeu-se um momento histórico, apenas conseguido quando o nosso Primeiro Ministro com o fatinho amarrotado, botou discurso.

Depois de despedirem o Edson Athayde, os momentos de publicidade do Skip nunca mais foram o mesmo (desculpem os anúncios do Carrilho), se fosse com ele, decerteza absoluta teríamos visto a Barbara em lingerie e o fato do Primeiro bem engomado.

Se eu fosse detergente, começava a ficar preocupado com a minha má imagem. O truque de dizer que vai gastar menos em marketing, para distribuir pelos idosos e crianças, é bonito, mas depois deste pequeno incidente, eu como detergente, deixava era de financiar a campanha.

A não ser que aproveitem e como diz o título do post, roubado hoje do DN da página 12, para acrescentar:

“Carrilho corta Marketing para distribuir aos idosos umas amostras de detergente…durante os próximas quatro anos.”

 

P.S.: Tenho mesmo que vender esta ao detergente, o que não se consegue com publicidade indirecta. O problema é que se a moda pega, o actual governo, ainda começa a pensar em campanhas similares e passa a pagar as grandes amostras dos ordenados dos deputados em amostras verdadeiras…ou verdadeiras amostras, como preferirem.




Linux VS Open Source.

Fri, 01 Jul 2005 12:29:00 GMT

Um comentário ao meu post: LINUX VS MICROSOFT, obriga-me a fazer publicidade ao Olha o Elefante, o título do post é um bocado violento, pelo que deixo apenas o texto:   “Theo de Raadt, um dos pioneiros em defesa do software livre e fundador de projectos como OpenBSD e OpenSSH, fez umas declarações polémicas á revista Forbes nas quais assegura que «toda a gente está a usar o Linux e ninguém se apercebe do mau que é», acrescentando que os seus partidários o defendem em vez de dizerem: «Isto é lixo e deveríamos arranjá-lo». Nestas declarações, citadas pelo DiárioTI, De Raadt refere-se de maneira muito dura ao Linux, sistema rival do OpenBDS, do qual ele é um dos principais mentores. Segundo Theo de Raadt, ao contrário do Linux, «que é um clone do Unix», o Open BSD baseia-se numa variante do Linux chamada Berkeley Software Distribution, relacionado com um dos melhores sistemas operativos do mundo, Solaris de Sun e OS X da Apple. Raadt assegura que o Linux não aspira a ser um sistema de qualidade, e que o seu desenvolvimento se baseia no ódio à Microsoft.” A pesquisa, no Google levou-me a um artigo do Daniel Lyons da Forbes, o link está aí. Para quem não se quer chatear a segui-lo, deixo depois o artigo completo. Is Linux For Losers? Daniel Lyons, 06.16.05, 6:00 PM ET NEW YORK - Theo de Raadt is a pioneer of the open source software movement and a huge proponent of free software. But he is no fan of the open source Linux operating system. "It's terrible," De Raadt says. "Everyone is using it, and they don't realize how bad it is. And the Linux people will just stick with it and add to it rather than stepping back and saying, this is garbage and we should fix it.'"De Raadt makes a rival open source operating system called OpenBSD. Unlike Linux, which is a clone of Unix, OpenBSD is based on an actual Unix variant called Berkeley Software Distribution. BSD powers two of the best operating systems in the world--Solaris from Sun Microsystems (nasdaq: SUNW -news - people ) and OS X from Apple Computer (nasdaq:AAPL -news - people ). There are three open source flavors of BSD--FreeBSD, NetBSD and OpenBSD, the one De Raadt develops, which is best-known for its security features. In a sort of hacker equivalent of the Ford-versus-Chevy rivalry, BSD guys make fun of Linux on message boards and Web sites, the gist being that BSD guys are a lot like Linux guys, except they have kissed girls.Sour grapes? Maybe. Linux is immensely more popular than all of the open source BSD versions.De Raadt says that's partly because Linux gets support from big hardware makers like Hewlett-Packard (nasdaq: HPQ -news - people ) and IBM (nyse: IBM -news - people ), which he says have turned Linux hackers into an unpaid workforce."These companies used to have to pay to develop Unix. They had in-house engineers who wrote new features when customers wanted them. Now they just allow the user community to do their own little hacks and features, trying to get to the same functionality level, and they're just putting pennies into it," De Raadt says. De Raadt says his crack 60-person team of programmers, working in a tightly focused fashion and starting with a core of tried-and-true Unix, puts out better code than the slapdash Linux movement."I think our code quality is higher, just because that's really a big focus for us," De Raadt says. "Linux has never been about quality. There are so many parts of the s[...]



O Provedor dos Leitores (2ª intervenção)

Tue, 28 Jun 2005 15:43:00 GMT

Recebemos uma carta bastante interessante assinada por um nosso leitor que se intitula de MMC: “Exmo. Sr.,…lamento indubitavelmente o facto de V. Exa. nunca fazer referência aos meus dotes neste blog.” Resposta do Provedor: “Desde que o vi a atravessar a Av. da República, em direcção à Versalles com uma mochila Louis Vuitton à tiracolo, fiquei em dúvidas de todas as suas capacidades. O seu gosto por camisas cor de rosa também não ajuda convenhamos, nem o seu ar de pura afectação.Para além disso após aquele casamento barbaramente pago, pelas revistas cor de rosa, levam-me a concluir que você está como aquela actriz que quer confundir esta redacção com a da revista Maria.Eu já lhe disse que não publicamos fotos de quem não gostamos, muito menos contribuímos para campanhas de marketing de gosto duvidoso.Aconselhamos a prolongar o seu período de reflexão para além das eleições autárquicas. E para além disso com o mulherão que tem em casa o melhor é começar mesmo a dar-lhe mais atenção.Por favor deixe de insistir no facto de ter andado no mesmo colégio do McClaymore, ele fica um bocadinho incomodado pelo facto e gostaria de ver essa parte da sua vida riscada da sua biografia (da dele).”    Notas do Provedor: Aceito notas de Euro de qualquer valor, tenho um carinho especial por molhos cintados, bem chorudos e compactos. Aqui a corrupção não tem cabimento. Não prometo nada, mas esses “molhinhos” podem ajudar, podem ser dos mesmos que enviou à Bárbara para pagar uns programazitos que você lhe encomendou quando era Ministro da Cultura. Notas do McClaymore: Eu despedia este tipo, mas fui ameaçado de que se o fizesse, me obrigavam a ver durante dois dias seguidos o filme da campanha do MMC, para além disso depois de terem destituído o Edson Athayde das funções que lhe tinham sido confiadas, não ponho quaisquer objecções às indirectas do gajo lá de cima. Quanto às fotografias só publico as da Bárbara. [...]