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VOU À TUA MESA





Updated: 2017-09-10T19:57:48.935+01:00

 



RØCIPES

2016-08-06T18:03:11.858+01:00

RISOTTOGAMBASCOCOLIMAFoi tudo comprado no LIDL, o melhor dos supermercados que vende organismos geneticamente modificados, ou seja, o melhor dos supermercados que vende Comida™. Acho que dá para ver pela figura acima que os produtos eram todos de excelente qualidade! Dá, não dá? Daria ainda mais se a máquina fotográfica tivesse um iOS superior a 7.1.2, mas isso agora não interessa nada...É importante ter dois tipos de gambas (inteiras, com casca, grandes e gordas, vendem-se congeladas a peso) e miolo de gamba (embalado e congelado, mais baratucho, para isto não vos custar os olhos da cara e do cu). Um bom arbóreo de origem italiana de Itália (há muita merda de origem italiana de Porto de Mós à venda nos supermercados). Leite de coco que seja mesmo leite de coco, ou seja, cremoso e denso. Limas, muitas limas, praí umas 20 limas, bem verdes e rijas, e guardadas algumas horas no frigorífico. Manteiga, inteira, sem sal. Vou repetir, porque há quem confunda estas palavras todas e traz para casa coisas que se chamam "margarina, vegetal, light, bio"... Ou seja: manteiga, inteira, sem sal. OK? Chalotas (podem ser cebolas, mas chalotas é melhor), um talo de aipo com rama, 1 dente de alho com casca, azeite do bom, sal, pimenta, água. E, claro, parmesão. Do inteiro, do por ralar, do bom. São os básicos. Os pinhões comprei porque estavam baratíssimos (embalados num saquinho com umas 50 gramas). O cebolinho é essencial para este prato — o LIDL tem quase sempre em vaso; é mais caro, mas pode voltar a crescer se tiverem muita sorte e algum jeito para a poda. Ah! E um vinho branco, do mau, do carrascão, do de pacote.Em casa. Pico chalotas e aipo e refogo suavemente em partes iguais de manteiga e azeite. Junto tantas mãos de arbóreo quantas pessoas há para jantar. Envolvo o arroz no refogado e espero que comece a crepitar levemente. Quando estiver translúcido, deito o copo de vinho branco e mexo sem parar, até evaporar todo o líquido e o arbóreo começar a largar gosma. É aqui que posso parar a cozedura do arroz, tapando a panela e reservando. Em mais altura nenhuma poderei voltar a parar.Descongelo todas as gambas e tempero-as com sal e pimenta preta. Dou um murro no dente de alho e deixo-o fritar um pouco em azeite. Adiciono primeiro as gambas inteiras, com casca, e alouro dos dois lados. Acrescento depois o miolo de gamba, que salteio, fazendo acrobacias com a frigideira. Dois minutos em lume forte serão suficientes. Quando o fundo da frigideira começar a acumular aquele delicioso "lixo" do mar, espremer 3 ou 4 limas para cima, para refrescar as gambas e soltar os resíduos. Dar mais 30 segundos e desligar. Retirar imediatamente as gambas e reservar, tapadas. Tirar a casca às gambas inteiras e devolver as cascas à frigideira (reservar uma gamba inteira por pessoa para o empratamento, sem descascar). Acrescentar um pouco de azeite à frigideira e continuar a fritar as cascas, pressionando as cabeças para largar os sucos. Atirar com esta mistela gore para dentro de uma panela funda e acrescentar água quente, deixando ferver bem. Retificar o sal. Acrescentar uma rama de aipo, para harmonizar o sabor. Quando a água estiver turva, alaranjada e a cheirar a praia badalhoca, coar para outro recipiente e colocar em fogo quase imperceptível de brando, só para manter o caldo quente. Acrescentar sal, se necessário.Voltar ao arroz. Acrescentar duas generosas conchas de caldo e re-iniciar a cozedura. Deixar absorver e colocar outra concha de caldo. Mexer, absorver. E assim sucessivamente. Nunca parar de mexer, para libertar a goma do arroz. Quando já só faltarem duas conchas de caldo, colocar o leite de coco e envolver. Nesta altura, o bago do arroz já deverá estar no ponto certo, por isso convém reduzir o fogo, para não re-cozer. Ralar cerca de 50 gramas de parmesão lá para dentro. Envolver. Gambas, picadas grosseiramente, lá para dentro. Últimas duas conchas de caldo a seguir. Dar uma envolvidela com a colher de pau e desligar automaticamente o fogo, tapando a panela, deixando o risotto d[...]



A DIETA DA COMIDA™

2016-07-23T01:25:47.395+01:00

PARTE II:SOBRE-A-MESAEnquanto as pessoas comiam e falavam sobre o que comiam (e, concomitantemente, sobre o facto de estarem a comer), o reflexo dessa ruminância tautológica era projetado em espelho, paralelo aos olhos, perpendicular à fome, de frente para a comida e de costas para os comensais, uma diagonal à cidade de Lisboa. Dramaturgia caleidoscópica:AVANT-PROP'SO cosplay, ouコスプレ (Japonês: kosupure), é a “palavra-valise” que aglutina costume com play (ou com roleplay), e refere-se a uma atividade lúdica praticada por seres humanos que gostam de fazer de conta que são personagens (quase sempre fictícias). Essas personagens podem vir dos universos anime e manga, mas também dos videojogos, do cinema, da música, da banda desenhada, do teatro de época (ou da época), ou até da gastronomia — movimento recente que dá pelo nome de Cozeplay™. Mas ao contrário do que se lê nos artigos Wikipedia, o objetivo do jogo não é interpretar/representar da melhor maneira possível os “bonecos” que se escolhem; o objetivo é dar forma (sem conteúdo) a essa ideia genérica e trans-epocal a que damos o nome de “festa temática” (conceito operativo que está na base de toda a produção cultural/artística desde que o homem é Homem até à atual idade). Ou seja, todas as performances são “festas temáticas”, presas a um dress code que se aceita cumprir: do cocktail de honra ao aplauso final, do ensaio de leitura à leitura da crítica no jornal. Este jantar propõe-se a re-instaurar um outro Parque, onde cozeplayers™ escolhidos a dedo se juntam em torno de uma refeição paleolítica, investem num retorno do Homem ao homem, e participam da festa temática primordial, aquela cujo tema é: Festa Temática.WATER DISNEYEste jantar é um retro-playground desenhado por Chef Rø & Nuno Carrusca, dois dos mais obscuros water-designers do universo an-artístico, e abre (com)portas no dia 1 de Julho de 2016 para receber a primeira amostra de 80 exemplares da Raça Humana que será submetida ao placebo culinário PISS’TORY REPEATING™. Para a destruição dialéctica das bipolaridades históricas, e para a instauração de uma nova ordem ética, estética, política, sociológica e filosófica global. O placebo erradica a ética do gosto, a ambiguidade, a narrativa (des)instituída, a criatividade, a originalidade, a ironia, todos os coming backs e respectivos novos pretos, a gaseificação da arte, a solidificação industrial da mesma, o conceito genérico (logo, comercial) de "performatividade", a hipsterização das práticas artísticas (ou seja, a redução da arte, e do resto, à disciplina do Design), a responsabilização do espectador, o sistema de "castas", a relação do eu com o outro, a confusão secular entre Arte e Desporto (também conhecida por "medalhização" mediática do art-leta), a arte que se parece com arte e a que se parece com coisas que não são arte e, de um modo geral, todas as práticas para-artísticas (da recepção à crítica, da produção à promoção) que se inscrevem em regimes de primeira ou de segunda via, ou seja, bipolares. Por outras palavras, o placebo erradica o Século XX, e todos os séculos para trás, e todos os séculos para a frente. Também erradica o Presente. O que significa que este jantar é quanticamente a-temporal, a-espacial, a-histórico e a-moral. Ou seja, é a-estético, porque est(ético): o copo (d’água) não está nem meio cheio nem meio vazio — é só um copo.DIETA TROGLODITACALIBANISMO™ — Vem de Caliban (vide “A Tempestade”, de William Shakespeare) e significa qualquer coisa como “comer a carne sem lhe ver o sangue”. Ou então: “Autofagia, isso até eu fazia!”. Nesta feira popular neo-darwinista, a carne é servida crua, não sem antes ser aspergida com intensificadores antibióticos de sentido, para depois ser cortada em blocos ergonómicos geometricamente iguais: serve todos os palatos retro-futuristas e segue todas os hips[...]



A DIETA DA COMIDA™

2016-07-22T21:21:24.882+01:00

A DIETA DA COMIDA™Um jantar de sensibilização performativa inventado por Chef Rø em colaboração com Nuno Carrusca | Água no Bico para o evento Jantar Nómadas no Baldio, organizado pelo Seminário Nómada (estudos de performance), no Polo Cultural Gaivotas | Boavista, em Lisboa.Tal como a Arte, também a Gastronomia se transformou em Design. Num mundo onde proliferam (e imperam) categorizações alimentares cada vez mais restritivas e normativas, e sabendo que a maioria são acessórios de moda mais que posicionamentos filosóficos (ou então posicionamentos filosóficos que são acessórios de moda), interessa propor um #regresso_à_comida. Isto é, um regresso à sensualidade absoluta e à potenciação dos sentidos intrinsecamente gustativos, sem ilusões de semiótica, sem est(ética), só sensação. Este Jantar, ao afirmar-se mais pela relação que pela função, irá servir comida; é esse o seu “conceito”. Consequentemente, aos comensais é pedido que comam, apenas. Sem aditivos teóricos nem filtros do Instagram. No limite, e a falar-se sobre alguma coisa (mesmo que à boca cheia), será sempre sobre comida, ou então sobre o ato de comer. Tautologia transformada em autofagia filtrada em efemeridade... Regressar à comida implica, onto-tecnologicamente, regressar ao regime do itinerante, ao movimento recoletor, ao prazer do encontro com o exótico, à relação com o outro na partilha do sensível, ao reconhecimento da impossibilidade de cisão entre natural e artificial (é tudo natural, porque existe!), à superioridade do gosto (o sentido, não o critério!), ao desejo... Porque cada vez mais comemos aquilo que somos (e não a falácia do seu contrário), proponho então uma nova dieta — paradigma performativo e corporal — para o século XXI: comer comida e falar sobre ela.[Menu em breve...]...Numa atmosfera de encontro, o jantar inclui o lançamento do Tomar Posição | O Político e o Lugar: Curso Experimental em Estudos de Performance com o baldio | estudos de performance; o início da Escola de Verão And 2016 #1: Entre modos de fazer com o And Lab; e o fecho e benefit da primeira edição do Seminário Nómada em Estudos de Performance"PROGRAMA- A partir das 17h — Secretaria aberta para informações sobre o Tomar Posição | O Político e o Lugar, Curso Experimental em Estudos de Performance (Baldio)- Das 19h às 21h — Abertura da Escola de Verão AND #1, Entre-Modos de Fazer (And Lab)- A partir das 21h — Jantar de sensibilidade performativa "Dieta da Comida", com os chefes Rø (Rogério Nuno Costa) e Nuno Carrusca; evento benefit e de fecho da primeira edição (temporada 2015/16) do Seminário Nómada Estudos da Performance (SNEP) + Apresentação/Lançamento do Tomar Posição | O Político e o Lugar.MAIS INFO[...]



CHEF RØ DE VOLTA AO MINHO

2016-06-20T13:18:18.301+01:00

De Amares...Não tem denominação de origem protegida, e se calhar não precisa. É pequena, feia, difícil de descascar, acumula sujidade na casca quando cai da árvore (complicadíssima de retirar mesmo com várias lavagens), murcha muito depressa... Em suma: um filme de terror para as diretivas da UE. Em contrapartida, é muito doce (sim, mais doce que a congénere algarvia), excessivamente sumarenta (desfaz-se nos dedos ao descascar), mais-que-perfeita para se deixar transformar em doces e sobremesas e refrescos e marinadas. É uma laranja naturalmente "gourmet", como já lhe chamaram, e um dos ex-líbris, pouco divulgado, do concelho de Amares. Cresce numas laranjeiras muito feias, meio raquíticas, nos recantos mais improváveis dos quintais, e vai-se deixando cair nas bermas das estradas. Não se encontra à venda em supermercado nenhum, só nas feiras semanais de uma série de terriolas minhotas e, claro, na estrada nacional que liga Braga ao Gerês e que atravessa o concelho de Amares de uma ponta à outra. É sobretudo nas freguesias de Dornelas, Goães, Bouro Santa Marta e Bouro Santa Maria que se vêem mais senhoras sentadas à beira da estrada, a acenar com laranjas na mão aos carros que passam. Não se sabe muito bem como é que cá veio parar, por que mutação mais ou menos genética se desenvolveu, e como conseguiu sobreviver ao clima muito pouco solarento e excessivamente chuvoso das terras de entre Homem e Cávado. É também esta qualidade meio alienígena que lhe dá um encanto especial... Em Julho de 2011, acabado de regressar ao Minho, o Chef Rø juntou-se ao Pedalares, grupo de aficionados das BTT que percorre os lugares mais inauditos do concelho, desenhando rotas que ainda ninguém traçou e dando a conhecer relíquias, como por exemplo a laranja. A de Amares. Há mesmo uma rota com o seu nome. Foi essa que fizemos, filmámos e fotografámos: allowFullScreen='true' webkitallowfullscreen='true' mozallowfullscreen='true' width='620' height='430' src='https://www.blogger.com/video.g?token=AD6v5dyJW8ZE0dvOdvtSM3VkevqvF-HFNa9y71jNL-6Ym83_D3AT-Knxhwp7PMiCj9KRP5ykb_04gT4wX5RhNS4EcQ' class='b-hbp-video b-uploaded' FRAMEBORDER='0' />Captação & Edição: Chef Rø [aka Rogério Nuno Costa] | Performers: João Brandão, João Silva, Carlos Silva, Moisés Veloso, José Oliveira, Filipe Moisés Vieira | Documentação: Daniel Fernandes | Agradecimentos: Pedalares, Festival Encontrarte 2011.Bolo Cheio de Laranja de Amares4 laranjas de Amares colhidas algures entre Maio e Agosto, durante um passeio de BTT pelos declives mais verdes do concelho | 3 ovos inteiros (grandes) | 400 gramas de açúcar amarelo | 200 ml de azeite puro virgem extra | 240 gramas de farinha com fermento + 1 colher de chá de fermento | casca de laranja de Amares desidratada no forno (q.b.) | 100 gramas de icing sugar.Lavar muito bem as laranjas de Amares com a ajuda de uma escova, para retirar toda a sujidade da casca. Abrir 3 laranjas em 4 metades, retirar as sementes e colocar num liquidificador (casca incluída!) sem perder nenhuma gota de sumo. Juntar depois os ovos, o açúcar amarelo e o azeite, batendo tudo na velocidade máxima até se conseguir uma mistura homogénea e sem grumos. Colocar a mistura num recipiente e ir juntando a farinha e o fermento previamente peneirados, envolvendo suavemente. Picar casca de laranja de Amares desidratada (3 a 4 colheres de sopa) e incorporar na mistura. Untar uma forma de buraco com manteiga e farinha, colocar a mistura do bolo e levar ao forno a 200º durante 30 minutos, ou até o palito sair seco. Retirar o bolo do forno e deixar esfriar. Desenformar e cobrir com um glaceado feito com o sumo da quarta laranja e 100 gramas de icing sugar. Quando o glaceado secar, decorar com tiras muito finas de casca de laranja desidratada. Come-se como bem se entender, mas é perfeito com um chá gelado de limonete [aka verbena].[...]



VARIAÇÕES

2016-04-08T23:36:11.785+01:00

No Verão de 2011, no contexto do Festival Encontrarte, juntei-me a um dos projetos musicais do meu irmão (Behave!) e recriei uma das músicas mais ingenuamente belas do António Variações. Não sou cantor, tal como não sou cozinheiro, mas fiz o papel merecer-me a voz. Ingenuamente. Depois peguei nas memórias visuais todas que tinha do tempo em que não crescia, em Amares, e fiz um videoclip-memória, meio para promover a temporada Chef Rø de volta ao Minho, meio para provar a mim próprio que era capaz de cometer mais um sacrilégio artístico, mesmo que com Lisboa definitivamente atrás das costas. Uma memória-VHS arranhada pelas variações de uma "modernidade" que eu queria tanto abraçar. Assim como o António, esse entrelaçamento quântico entre o rio Cávado e os canais de Amesterdão. Vi-o atuar, em Amares, poucos meses antes do seu desaparecimento. Eu tinha 6 anos, o meu irmão tinha acabado de nascer. É mais presente na minha memória o ruído extemporâneo das pessoas, dos carros a passar na estrada nacional, do palco minúsculo, e do coreto apinhado de gente para o ver melhor, que o António ele próprio; dele guardo apenas uma imagem enevoada, longínqua, um homem pequeno, num palco pequeno, numa terra pequena. E videiras verdejantes a esconder as uvas e a fazer o resto da moldura pitoresca. Anos mais tarde, comemoravam-se os 10 anos da sua morte ao som do so-called "rock alternativo" (que terá visto nele inspiração para um disco de versões), ouvi "Olhei Pra Trás" (o original) pela primeira vez, e acreditei que a letra havia sido escrita para mim. Um daqueles delirantes clichés adolescentes, mas em post mortem, fora do tempo, sem poster colado na parede do quarto, (e eu a pôr-me a andar para Lisboa à primeira oportunidade), sem carta de recomendação, sem roupa contada, mas sobretudo sem medo nenhum, sem olhar pra trás, porque em frente não havia mais nada, não. E não havia, de facto. Só percebi isso quando regressei, em 2011. E este vídeo é, também, e por isso, uma celebração. Um aniversário de várias pessoas e de várias décadas, em modo Intercidades descarrilado: allowfullscreen="" frameborder="0" height="385" src="https://www.youtube.com/embed/Y_fw5KA7DWY" width="630">Tentar fazer isto em casa:Lembro-me de haver vários tipos de uvas diferentes, e de se comerem cachos inteiros daquelas mais pequenas sem necessidade de retirar os bagos aos caules, como se de flores se tratassem, lembro-me de se darem pontapés nos castanheiros para os ouriços caírem mais depressa, lembro-me da árvore que dava laranjas e limões ao mesmo tempo, lembro-me das ameixas que tinham sangue dentro, e do primeiro arbusto que deu kiwis, e lembro-me dos ovos de pato, e das saladas com cebolo (versão grosseira do cebolinho), e do vinagre de vinho tinto, e do chá de limonete fresco, e da sopa de couves e feijões feita no pote de ferro, ao lume, e lembro-me do lume, claro, e dos chocolates Milka trazidos pelos Franceses, e do cous-cous luso-franco-tunisino da tia Rucas, e das extravagâncias do Natal e da passagem d'ano regadas a champagne, ostras e bolos cheios de manteiga, e lembro-me do arroz de cabidela, e dos coelhos à caçador, e das bordalesas, e dos sarrabulhos, e do vinho que tingia, e dos morangos azedos, do arroz de grelos, e do arroz de netos, e da sopa de nabiças, e da galinha velha, e das abelhas, lembro-me dos pepinos com sal, e da cidreira, e das batatas com terra, e dos porcos, e da massa-à-lavrador, e das batatas fritas em espiral que acompanhavam a costelinha da dona Lurdes, e dos crepes só com açúcar e limão, e das laranjas que não se deixavam descascar, e das azeitonas roxas, rosas, verdes, brancas, vermelhas e pretas, e lembro-me da crista de galo cozida em vinagre, e da orelha do porco com salsa e cebola, e das omeletes de tortulhos, e das saladas de arroz de levar para a praia, e dos ovos cozidos da Páscoa que são inegavelmente diferentes dos ovos cozidos do[...]



RØCIPES

2016-02-26T18:00:57.369+00:00


| RØSPBERRY swiss RØLL |

Não tem nada que saber. Faz-se em menos de uma hora! True shit:

Põe-se o forno a arder a 190º. Besunta-se uma base plana de ir ao forno, do tipo jelly roll pan, com margarina, depois põe-se papel vegetal por cima, depois mais margarina derretida (usar pincel) e no fim fazer um ganda dust de farinha. Vira-se a base ao contrário para deixar cair o excesso de farinha, e também para cagar a cozinha toda, e depois guarda-se. Num recipiente fundo e largo, batem-se 4 ovos inteiros e grandes com 130 gramas de açúcar ultra-refinado até a mistura ficar fluffy e esbranquiçada (usar a vara de arames e o músculo do braço). Juntar duas colheres de sopa de água (temperatura ambiente) e uma colher de chá de extracto de baunilha (há um em pó que se compra no Pingo Doce que é maravilhoso, vem dentro de umas mini-garrafinhas de plástico, e tem a dose certa de trashy, mas sem dar cabo da sobremesa...). Mexer. Peneirar 130 gramas de farinha sem fermento e envolver na mistura d'ovos lentamente, um terço de cada vez, com a ajuda de uma espátula. Não bater. Vou repetir isto porque é um dos erros mais comuns no baking caseiro: NÃO BATER a farinha, mas sim ENVOLVER. Se acham que não faz diferença nenhuma, leiam este livro e depois conversamos. Espalhar bem a mistura na base e levá-la ao forno até que comece a soltar-se nas margens, cena que demora cerca de 15 minutos. Enquanto se espera, espalha-se um retângulo de papel vegetal em cima de uma superfície seca (convém que o retângulo seja ligeiramente maior que a base de bolo que temos no forno). Polvilha-se o papel vegetal com açúcar fino, para impedir que o bolo se cole ao papel. Assim que esteja cozido, retira-se o bolo do forno, deixa-se arrefecer (não totalmente) e vira-se para cima do papel polvilhado de açúcar. Cuidadosamente, retira-se a outra camada de papel vegetal que foi ao forno, e cobre-se o bolo com uma toalha de cozinha limpa, até que arrefeça totalmente (a toalha vai impedir que o bolo seque e que se parta ao enrolar). Enquanto se espera, faz-se um doce rápido de framboesa: framboesas congeladas (ou não), açúcar a polvilhar ligeiramente e sumo de meio limão, tudo em olhómetros; deixar fervilhar em lume brando e ir mexendo suavemente; reservar no frio assim que fique espesso ou que nós fiquemos com ganas de tomar banho nele. Quando bolo e doce estiverem frios, espalha-se o segundo no primeiro, deixando meio centímetro livre nas margens. Com a linha maior do retângulo à nossa frente, vai-se enrolando o bolo para longe de nós (não tentem fazer isto ao contrário numa de rebeldia "fora da caixa"; vai dar merda...). Transferir o rolo para um prato grande. Pode-se polvilhar de açúcar refinado ou então pode-se comer logo a seguir. A primeira fatia vai sair muito feia; guardem a segunda para a foto!

;)

Chef Rø | 2016




RØCOCÓ CONTEMPORÂNEO™

2016-01-03T16:50:49.486+00:00

Ideia: Chef Rø [aka Rogério Nuno Costa]Receita: Nuno MiguelFotografias: Lola and the PhotographyAgradecimentos: mala voadora, PortoIngredientes500 gr de economicismo puro1 dl de Viagra extra virgem1 'object (petit) a'2 copos de estetização da política250 gr de aura profana do quotidiano (em pó)2 pacotes de propaganda crítica subliminar7 gr de Aufklärung da servidão voluntária6 dl de fé na Pitonisa20 gr de analfabetismo da alteridade350 gr de farinha de Arte (só da sacra e apofática)3 colheres de pluri-indisciplinar (com aroma de baunilha)Mentes formatadas q.b.PreparaçãoNa tigela da batedeira coloque o economicismo puro e o Viagra a temperatura ambiente. Bata até levantar em castelo e atingir o ponto Ponzi collapse. Abra o ‘object (petit) a’ e corte até extirpar o mal pela maiêutica. Noutra tigela adicione a fé na Pitonisa ao 'object (petit) a' e reserve. Numa terceira tigela, coloque a Aufklärung da servidão voluntária mais o analfabetismo da alteridade e misture até não haver sapiência que os aprisione. Nesse momento, despeje em cima da mistura, e de um só golpe, os dois copos de estetização da política. Adicione à massa resultante um pouco da farinha de Arte apofática e envolva levemente, até a massa estar pronta a tromper, ensorceler e illusioner. Cuidado para não formar grumos de mística do inefável, da analidade ou do parricídio! Quando a massa ficar homogénea, é hora de preencher as mentes formatadas. Coloque as forminhas posicionadas sobre um tabuleiro e preencha até metade com a massa. Leve ao forno pré-aquecido durante cerca de 25 minutos, mas verifique de vez em quando, pois o tempo pode depender da bricolage de conceitos e atitudes desconstrutivistas. Sirva o Røcocó™ ainda quente e polvilhado com aura profana do quotidiano e espuma de propaganda crítica subliminar.Para mais crónicas sobre Moda, Tendências & outros Pantones™ da iArte e restantes mercadorias criativas, aderir ao seguinte grupo: OBJECTO AUSENTE.[...]



RØCIPES

2015-12-20T22:12:17.286+00:00



Em mês de festins gastronómicos intensos, com os blogs do costume a abarrotar de receitas especiais para pimp'ar o bacalhau ou o molho do peru ou a calda das rabanadas, o Chef Rø não tem rigorosamente nada para vos dizer a não ser: comam! A sério, comam muito. Até rebolar. Até não poderem mais. Até entrarem em coma gástrico. Até "lhe chegarem c'o dedo" (expressão, que adoro, da minha minhota mãe). E comam seja o que for, onde for, como for. É completamente irrelevante se vão seguir a tradição à risca ou se vão pôr ovas de esturjão em cima do bacalhau confitado em azeite de trufa. NOBODY CARES! Por isso, comam tudo a que tenham direito e não deixem que ninguém coma a vossa parte. Comam para esquecer, por exemplo. Mas não se esqueçam nunca de uma coisa importante: NÃO FAÇAM biscoitinhos temáticos como os que aparecem na figura acima... Pela vossa saúde, não façam. Mataram alguém em 2015? Não? Então não façam biscoitinhos temáticos.


Sempre vosso, Chef Røh-øh-øh!




RØCIPES

2015-11-18T13:47:08.489+00:00


É o segundo post seguido que faço sobre círculos. O anterior era salgado, este é doce. Mas isso não tem importância nenhuma; o Ferran Adrià deu cabo das bipolaridades culinárias ainda antes de eu ter dado cabo das artísticas. Seguindo: acabou o reinado do triângulo! Hipster food, agora, é circular. A sério! Ou então hexagonal (mas isso deixo para outro post). A esta receita vou chamar RØDELAS DE MAÇÃ, mas a verdade é que não passam de umas básicas "tartelettes aux pommes"; só muda o nome, porque é assim que se faz hoje em dia. Por exemplo: quando for rico, vou abrir uma tarteletteria™. No Poorto, claro! Porque é assim que se faz hoje em dia: 100% parra, 0% uva. Continuando: cortam-se círculos de massa folhada como na receita anterior, picam-se com um garfo, pincelam-se com doce de alperce (aconselho a marca Bonne Maman; já experimentei isto com outras marcas menos "nobres" e foi uma desgraça...), sobrepõem-se gomos finíssimos de maçã Golden Smith (bem verde!, com casca!) que depois se pincelam com sumo de limão. Vai ao forno em cima de papel vegetal a 200º, que aos 10 minutos passa a 180º, e depois é deixar atingir o ponto que vêem na foto (entre 25 a 30 minutos de tempo total de cozedura). Podem ser comidas quentes, mas eu odeio. Frias, dão um ótimo snack em substituição desse monstro transgénico chamado "barrinhas de cereais". A sério, não façam mais isso às vossas vidas; comam RØDELAS DE MAÇÃ!




RØCIPES

2015-11-13T01:17:41.496+00:00


BACALHAU LIMIANO

Lascas de bacalhau que podem ser restos de bacalhau cozido de uma refeição qualquer subtilmente refogados em azeite, alho, sal, pimenta preta, louro e cominhos. Um fio de natas batidas no fim para encorpar. Eliminar a folha de louro. Rectificação estratégica de temperos e depois reservar. Dois círculos iguais de massa folhada e picada com um garfo e besuntada com azeite. Recheio de bacalhau no centro com uma fatia generosamente redonda de queijo Limiano por cima. Fechar círculo, lacrar o rebordo, reticularizar a superfície com a ajuda de uma faca japonesa. Besuntar de ovo batido e levar a 190 graus de forno durante pouco mais de 20 minutos. Escrever "acompanha com uma salada verde", rir muito com o disparate e parar imediatamente.




CHEF RØ NA GRALHEIRA

2015-09-16T20:19:27.279+01:00

DIÁRIO #2Retiro da Fraguinha/Manhouce/Candal19 de Setembro 2011Notas avulso:Nunca tive dúvidas que era possível "acordar com as cabras". Nunca imaginei é que pudesse ser tão literal. Acordar com as cabras. Sem aspas.E também sem Internet. E sem telefone. E sem morrer de pânico. Nunca imaginei.Para ocupar os tempos de espera, que se alargam infinitamente em redor dos riachos e por entre os rochedos lunares da serra, lentos, quase estáticos, vai-se falando de assuntos que dobram velhas dicotomias. Por exemplo: no campo, tal como na cidade que o efabula (constrói), também já existem restaurantes a imitar o rústico, o tradicional e o autêntico. O campo agora também é campo: ou a espiga de milho de plástico é agora mais real que a espiga de milho que cresce no quintal. O campo a corresponder à imagem do campo. O simulacro de uma simulação.Dois nomes: Manhouce. Candal. Primeira visita ao território de acção:Manhouce é uma freguesia portuguesa do concelho de São Pedro do Sul, com 40,53 km² de área e 647 habitantes (2011). Densidade: 16 hab./km². Fica no maciço da Gralheira, entre Porto e Viseu. Centro de um polígono de santos populares célebres: São Macário, Santa Mafalda, Senhora da Saúde, Senhor da Pedra. Manhouce era atravessado por uma via romana que, saindo do Porto, passava por ali, rumo a Viseu. Sensivelmente a meio caminho entre as duas cidades, esta aldeia era local obrigatório de pernoita de recoveiros e almocreves que por lá estabeleciam o intercâmbio sócio-cultural entre as gentes do litoral e do interior. É por isso que a sua etnografia tem muitas influências do Douro e da Beira Litoral. Candal foi uma freguesia portuguesa do concelho de São Pedro do Sul, com 15,51 km² de área e 118 habitantes (2011). Densidade: 7,6 hab/km². Foi extinta (agregada) pela reorganização administrativa de 2012/2013, sendo o seu território integrado na União das Freguesias de Carvalhais e Candal. Mas isto só é possível aparecer aqui porque estamos em 2015. Quando por lá passei, qual recoveiro ou almocreve, Candal era Candal. E de repente descobrimos o sítio onde vamos estar mais vezes. Mesmo nos cenários mais distópicos, existe sempre um sítio assim. Existe = aparece. Chama-se Ouressa e sobre ele falarei em diários subsequentes. Tem gatos, artistas, aguardentes e figos. E uma montanha com o mesmo nome. Ou será ao contrário? Nunca se sabe bem quem nasceu primeiro, não é?De regresso ao Retiro da Fraguinha, vejo mais um episódio da Food Revolution do Jamie Oliver, o único celebrity chef conceptual. E vou a correr ter com a Joana, a cozinheira, que me serve o paraíso dentro de uma tigela: allowFullScreen='true' webkitallowfullscreen='true' mozallowfullscreen='true' width='320' height='266' src='https://www.blogger.com/video.g?token=AD6v5dxxe-D_JMBKWcOmNgAohdXjb2gAOJ3y8n-W3HFY6Q6zC3LS1proL298G6I8oCjCm3bU5-gxJKMmPQVwiUcXtA' class='b-hbp-video b-uploaded' FRAMEBORDER='0' />CHEF RØ NA GRALHEIRA é a 3.ª e última temporada do TV show "Vou À Tua Mesa" e foi produzida pela Binaural, na Serra da Gralheira, em 2011.[...]



FINGER FOOD™

2015-07-03T21:13:08.001+01:00

[...]PEIXECortina. Sobre um fundo minimal, ouve-se um sample de meio segundo da música “Toca Me” (Fragma), repetido ad nauseum. Uma luz intensa ofusca o público, mas ninguém ousa abandonar a sala. O cenário é agora uma boîte dançante, com bolas de espelhos, manequins sem cabeça, televisões avariadas, e outros fetiches mal resolvidos com os anos 90 por todo o lado. Os empregados de balcão são os Army of Lovers e os actores estão agora vestidos de palhaços McDonald’s. Entra CU’MIDAS, o rei-vai-nu, despido de ouro falso da cabeça aos pés, glitter dourado do Chinês na ponta dos dedos, lentes de contacto verde-Pisang Ambon, o cabelo pintado de uma cor irónica (tipo caju) e uma referência ornamental qualquer ao Terceiro Mundo (por exemplo: uma bindi no meio da testa). Pára no centro do palco, lambe o dedo indicador e levanta-o no ar, como que a descobrir o Norte pelo andar do vento. A seguir entra RODRIGO GARCIA com uma cabeça de porco verdadeira enfiada na sua própria cabeça. Mira o corpo coberto de ouro de CU’MIDAS e atira-lhe com um maço de dólares falsos. Ruído ensurdecedor, mudança drástica de luz. Começa o diálogo:CU’MIDAS — Conjugas tudo no mais-que-perfeito (simples, composto ou mistura de ambos), transformas o infinitivo dos verbos em substantivos (sobretudo nos títulos) e substituis "cheio" por "pleno" para dar assim um ar latinizante à coisa. Comprova-se: escreves poo’esia!RODRIGO GARCIA — Esse teu amor passional precisa de fundamentação conceptual…CU’MIDAS (apontando para a porta do Bar 49) — A diferença entre dar o cv e dar o cu é quase nula!RODRIGO GARCIA (cínico, comendo sushi) — Que nigiri que tu és!...CU’MIDAS — Justamente! Eu cá nunca vi nenhuma árvore a morrer de pé. Proponho uma reforma estrutural de todas as metáforas de uso corrente.RODRIGO GARCIA — Verosimilhança é o conceito que aplicas quando o que vês parece mesmo mentira!CU’MIDAS — Ó meu grandessíssimo paneleirão! Mas tu já viste alguém a cozinhar com o “coração”? Ou com “amor”? (diz isto enquanto abana os dedos freneticamente, como que a tocar air piano)RODRIGO GARCIA (atirando pó dourado ao ar) — Todos precisamos de um milagre… Em bolo bukake!CU’MIDAS — Do caco, estúpido!RODRIGO GARCIA (cantando) — Quando eu queria que dissesses sim, deste-me um não que até meteu medo! (repete uma vez)CU’MIDAS (cantando mais alto, mão na anca) — Agora queres mas eu digo assim: chupa chupa chupa, chupa no dedo!(A receita tradicional da Sopa Dourada do Convento de Santa Clara começa a passar em rodapé. Os dois actores, agora vestidos de Batman e Robin, desatam à chapada pós-dramática enquanto berram “Cala-te!” e “¡Cállate!” alternadamente. Cortina.)[...]CARNEO cenário é essa catedral do empreendedorismo artes-anal óleossiponense chamado A Padaria Portuguesa. Várias pessoas de calça arregaçada e sapato-sem-meia comem cenas com rúcula, mozzarella e tomate seco em pão que parece que foi polido, envernizado e retocado em Photoshop. As paredes estão cobertas de monos de plástico a imitar o rústico. Os empregados são todos licenciados em Design Gráfico: têm todos cara de Helvetica. Os clientes falam uma língua que não dominamos; deve ser €uropeu. Das colunas sai uma música dos Deolinda que desafia o ouvinte a não ir ao CCB. Entra a SANTA PADROEIRA DOS CLICHÊS, vestida com um vestido branco e dourado para os pobres, azul e preto para os que fingem a pobreza que deveras sentem. Traz um microfone-à-Madonna, parece que vai dar uma TED talk, mas fala como se fosse programadora cool’tural. Chama pelo ART’LETA, que entra a correr, mascarado de emergente:SANTA PADROEIRA DOS CLICHÊS — Ó cagão, anda cá! Estou a pensar abrir um re[...]



CHEF RØ NA GRALHEIRA

2015-05-22T01:45:02.511+01:00

DIÁRIO #118 de Setembro de 2011Porto/Viseu/S. Pedro do Sul/NodarNotas avulso:Às vezes, é mesmo bom voltar do macro para o micro. No ano em que decido abandonar Lisboa, o primeiro projecto que faço é sobre vacas.Processo criativo: esperar para ver.O exótico é justamente o que está tão perto, mas tão perto de nós, que nem vemos. Miopia selectiva.Ainda nem saí do autocarro e já vi uma placa a anunciar uma aldeia chamada PARAÍSO. Sem querer ser spoiler, posso já adiantar que no final da temporada, e durante uma outra viagem errante pelo complexo montanhoso mais aridamente belo de Portugal, vou avistar uma placa a anunciar uma aldeia chamada ALDEIA.Gostava muito que este blog fosse manuscrito. Fazia todo o sentido, mais ético que estético.Felizmente, a tradição é o que era. Abandonei Lisboa este ano e com ela as "produções fictícias".Aterro em Candal e a primeira coisa que faço é ir à missa. Parece-me lógico. Na igreja, o padre diz que uma videira que não é sulfatada, não dá fruto.Ainda não comecei a cozinhar (ou a ver cozinhar; são sinónimos), e no entanto já tenho uma receita escrita nas alíneas anteriores. allowFullScreen='true' webkitallowfullscreen='true' mozallowfullscreen='true' width='420' height='366' src='https://www.blogger.com/video.g?token=AD6v5dy-nnBAqUNJPGTvoME8BF0EdWQCL4k3z56JDar6ZT5p_ieX1PAC_xdNYIWSI6qtPSs3eAPhYSYoUgA27UonXQ' class='b-hbp-video b-uploaded' FRAMEBORDER='0' />All about CHEF RØ NA GRALHEIRA[...]



À LA CARTE

2015-04-10T22:38:37.135+01:00

MUSSELINE DE MANDIOCA
C/ PICADINHO DE BIFE DA VAZIA

por Chef Strapazzolli





Um oceano e mais de 8 mil quilômetros me separam do meu país, e uma das coisas que mais sinto falta é a comida. O Brasil tem uma riqueza e variedade imensa de alimentos e um dos meus favoritos é a mandioca, também conhecida por aipim, macaxeira e outros nomes de origem indígena. Gosto de dizer que mandioca (assim como açaí, tapioca, etc.) é comida de índio. É uma raiz, fonte de dois carboidratos diferentes, e não contém glúten. Uma maravilha culinária. Pode-se fazer chips de mandioca, fritar ou simplesmente cozer. Encontrei no Continente e resolvi preparar em forma de musseline, uma espécie de puré. Cozi a mandioca em água e sal. Quando um pouco da água evaporou (logo após a primeira fervura), ‘dei um susto’ na mandioca. Dar um susto consiste em acrescentar um copo de água fria — é o susto que a água fria dá na mandioca quente! Isso provavelmente é coisa que gente velha acredita: deixa a mandioca mais, digamos, macia. Isso aprendi com a minha mãe, que nem é tão velha assim. Melhor prevenir do que remediar. Deixei ferver novamente e já estava no ponto. O correto seria processar, mas na falta de um processador, bati a mandioca com creme de leite e uma colher de manteiga derretida no liquidificador até ficar com a textura de um purê cremoso. Adicionei um pouco de sal e a musseline estava pronta. Há quem opte por bater o creme de leite em chantilly, mas acho demasiado trabalhoso e no fim o resultado é quase o mesmo (com chantilly a musseline torna-se mais aerada). Eu servi com picadinho de bife da vazia, que é super tenro e saboroso. Picadinho todo mundo sabe fazer, não é? Alho, cebola, tomate, azeite, sal, pimenta, cheiro verde. Esqueci de dizer que a mandioca, além de ser deliciosa, também é de fácil digestão e fornece muita energia.

©Célio Strapazzolli
viva-radio.com/strapazzolli




CHEF RØ DE VOLTA AO MINHO

2015-04-05T18:45:34.699+01:00

Em jeito de conclusão à série da intervenções/aparições artístico-culinárias que "interromperam" por 4 vezes a temporada "Chef Rø goes Alentejo", o Ministro da Comida [aka Nuno Miguel] escreve um último testamento para acompanhar a segunda temporada "Chef Rø de volta ao Minho" e inaugurar a terceira e última temporada "Chef Rø na Gralheira". Os 4 nostradâmicos anúncios podem ser revistos nos seguintes links:1.º Aviso2.º Aviso3.º Aviso4.º AvisoQuase 4 anos depois, o quinto e último imperial testamento não esgota as possibilidades de inflexão pós-dramatúrgica do que é ou pode ser o Sensual Absoluto™, mas lança a derradeira pista para a erradicação final e total da Espécie. Pela primeira vez disponibilizado neste blog, o Aviso Final.Photo ©Dorijan KolundžijaÉ CANIBAL, NINGUÉM LEVA A MALDiscurso do Ministro da Comida – in Quartel General da Idolátrica, Outubro de 2011O canibalismo edifica as sociedades, e configura o fundamento filosófico e económico de todas as grandes uniões federais, arcana ordem do mundo, secreta conspiração apocalíptica, fisionomia mascarada do individualismo, do colectivismo, e de outras eucaristias dominicais e acordos de reconciliação.No canibal contemplamos o grande festival da cultura nas garras da profusão de recursos, em autofagia para seu próprio sustento, como consumismo em massa e venda de todos os bens possíveis fornecidos pela forma actual dos mercados auto-devoradores. Este espectáculo de canibalismo acrescenta a dimensão referida por Walter Benjamin, através da qual a humanidade de hoje consegue transformar a sua pior alienação em deleite estético e espectacular. O devir canibal da nossa cultura tem ainda razão mais prosaica, ligada a contingências meramente materiais e demográficas: num mundo em que o crescimento da espécie humana é constante, esta acabará inevitavelmente por se ter a si própria como único alimento.Os Católicos (futuristas e apocalípticos como sempre) consomem desde sempre dois tabus: não só comem o homem em Cristo, e por ele a humanidade inteira, como também conhecem as delícias niilistas da teofagia, no banquete eucarístico da matança e consumo da carne de Deus, já para não falar dos grandes churrascos da Inquisição. Há muito que entendem todos os mistérios antiquíssimos da transgressão do ser, a morte divina que nos ensina as alegrias do fim do humanismo, porque, se Deus morreu, então o Homem pouco mais é que alimento.A carne e o espírito de Deus, assim como as barrigas de freira e os papos de anjo, fazem parte da gastronomia tradicional. O espírito, como todos sabemos, é inefável, não tem sabor, surge como silêncio na partitura, e, à semelhança do wasabi nos pratos de sushi, serve para que consigamos distinguir os sabores. Quanto à carne humana, não tem muito que aprender, basta que esta substitua a carne de porco nos pratos mais populares, porque o sabor é exactamente o mesmo. Febras e entremeadas, mãozinhas guisadas, rojões e sarrabulho, sandes de coirato, chouriços, secretos na brasa, banha, e tudo aquilo que nos aprouver fazer com porco, resulta lindamente com carne humana. Podemos encontrar esta relação entre o humano e o porco nas expressões literárias mais antigas, como é o caso da Odisseia, na descrição dos banquetes de Circe, em que os pobres marinheiros davam à costa e eram embriagados com estranhos filtros mágicos de artemísia, coisa que os induzia a ter comportamentos porcinos, para melhor serem conduzidos pelos matadouros da indústria suinícola local.O inconsciente colectivo também incluiu a antropofagia nas lendas da doçaria. Não era em vão que a casinha de chocolate a[...]



RESTAURANT DAY

2015-02-11T17:54:15.298+00:00

Ou o carnaval dos food loversEu já andava a namorar o Restaurant Day desde o ano da sua fundação (Helsínquia, 2011), quando ainda se chamava Ravintolapäivää (no original Finlandês) e estava prestes a tornar-se no evento internacional que é hoje. Dois anos depois, numa das minhas viagens espirituais à Maamme Suomi, em Agosto de 2013, decidi participar: juntei-me a um outro ex-Masterchef (Klaus Ittonen) e juntos abrimos o nosso pop-up restaurant de comida luso-finna na Galleria Nunes, no número 17 da Pohjoinen Rautatiekatu de Helsínquia. Na edição seguinte (Novembro), repetimos a experiência, mas "ao contrário": veio o Klaus a Portugal e juntos servimos um menu de degustação de pratos finlandeses com um toque "minhoto" na Miss'Opo (Porto). No início do ano corrente, dei o passo óbvio: tornei-me embaixador do evento em Portugal. Quem me conhece, sabe que eu tenho uma afinidade meio doentia com a Finlândia e outra não menos fetichista com a comida, por isso não é de estranhar que me tenha apaixonado por um projecto que junta estas duas coisas através de um filtro que explica quase tudo aquilo que faço/digo: por um lado, a total (e radical) democratização da prática gastronómica; por outro, a "hipsterização" dessa prática (vivam as redes sociais!) colocada no único espaço onde ela é suportável — a relação que se estabelece entre as pessoas, com as pessoas e para as pessoas, através de um elemento-pretexto que é a comida. Tudo o resto é, como aliás o subtítulo do projecto em Inglês sugere, "carnaval": dos temas que se escolhem ao tipo de comida que se serve, do espaço que se ocupa ao tipo de clientes que se atrai, das estratégias de "marketing" caseiro que se inventam aos dispositivos documentais que se montam para capturar momentos especiais às garras do efémero. Tudo isto me excita por razões diversas, sendo a primeira (e mais importante) essa dimensão meramente enunciativa da "marca" Restaurant Day, que torna os participantes/aderentes (e respectivos "clientes") os verdadeiros protagonistas do evento. Como se de um simples hashtag se tratasse, Restaurant Day funciona como uma espécie de carimbo, ou seja, uma marca de identificação, um símbolo universal que comunica uma ideia de pertença, assinando uma identidade global quando activado pelos participantes. Trata-se de um projecto sustentado por uma qualquer ideologia comunitária, sim, sem no entanto cair nos lirismos utópicos ou ceder às perversões sócio-políticas habituais nesse tipo de empreendimentos... É que os protagonistas do evento são MESMO os participantes, não são os gurus finlandeses da ideia, não são os promotores/embaixadores regionais, não são os administradores das dezenas de websites (páginas Facebook, food Tumblr's, Flickr's e Pinterest's alusivos ao tema/evento), não são os food bloggers que se aproveitam do hype inegável do acontecimento, e também não são os inúmeros prémios (turísticos, gastronómicos e outros) que a organização já arrecadou na Finlândia durante os últimos 3 anos.Contrariamente a outros eventos de formalização similar (e existem às centenas...), o Restaurant Day aposta numa total "desresponsabilização" autoral dos impulsionadores iniciais (a quem cabe, apenas, a gestão do website, a definição das 4 datas anuais e a manutenção dos dispositivos documentais e de arquivo). Ou seja, não há, tradicionalmente falando, directores, CEOs, gestores de marca, ou RPs. Também não há sponsors, nem patrocinadores oficiais. O Restaurant Day é, na sua essência, um ORGANISMO, mais do que uma organização. E ninguém ganha dinheiro com is[...]



RECEITAS DE FAMÍLIA, #2

2015-01-30T14:39:09.793+00:00

À lavradorOu o prato do filho quando voltaPerguntam-me muitas vezes pelo meu prato favorito. Nunca sei responder. Ou então nunca me lembro de dar a resposta certa. Odeio perguntas jornalísticas de resposta rápida. Devolvo logo a pergunta com uma reformulação irónica, ou acabo por escudar-me atrás dos lugares-comuns que melhor preenchem o cinismo que sustenta a minha persona gastronómica. Assim: "Ah, eu gosto de tudo, como bom chef que sou...", ou "Só não gosto de comida mal feita!", ou "Não faço listas de favoritos, não gosto de listas, não gosto de favoritismos...", ou então o clássico "O melhor não é necessariamente bom.", ou ainda um inflamado "Gosto de comer, apenas; o acto/sujeito/desejo sobrepõe-se em importância ao objecto...", and so on, and so on, and so on. Hoje apeteceu-me rosnar para mim próprio um imenso e barulhento "BULLSHIT, Rogério Nuno Costa! O teu prato favorito é a massa à lavrador!" Ou seja, hoje apeteceu-me fazer justiça à promessa (nunca cumprida...) do Chef Rø jamais fazer coincidir a comida que gosta de preparar com a arte que o Rogério Nuno Costa gosta de humilhar. Deviam ser antípodas. Deviam dar-se mal até... Abraçando o paradoxo, afirmo então alto e bom som: "O meu prato favorito é a massa à lavrador!". Não uma massa à lavrador qualquer, claro, mas a massa à lavrador da minha mãe. Já que é para derrubar o bloco de gelo conceptual do Rogério Nuno Costa, que seja com todo o drama hiper-emocional, (auto)biográfico e relacional-sótão-d'avó a que o Chef Rø, por oposição, tem direito! E depois a massa à lavrador é aquele prato que tem tudo o que um prato de comfort food à grande e à Portuguesa (e "à mãe") deve ter, embora seja o acto de a comer que verdadeiramente interessa (bardajão alert!). Aliás, as duas coisas, ideia e acção, são inextrincáveis; só assim faz sentido falar em comida, em arte, em moda, em espiritismo, em jornalismo, em decoração de interiores, ou noutra coisa qualquer. Não vou fazer análises gastronómico-estruturalistas a este prato, portanto, e não vou dizer como se faz (ou se calhar vou, mas de uma maneira diferente da habitual), e nem sequer vou preocupar-me muito em defender a particularidade que subjaz a esta "escolha" (que não é uma "escolha", I was born this fucking way, não é?), nem tão pouco insuflar o ego da minha mãe dizendo que esta é "a melhor" massa à lavrador de todas as massas à lavrador. Este prato é importante porque é a minha mãe que o faz, sim, mas porque o faz sempre numa ocasião especial: quando eu estou imenso tempo sem vir a casa, a dona Custódia enche-me um pratalhão pornográfico de massa à lavrador em jeito de boas-vindas, como que a dizer "toma lá, e lembra-te que é nesta casa que comes coisas destas, que em mais lado nenhum te vão tratar assim, e que precisas de engordar que pareces um pau-de-virar-tripas; enquanto eu viver debaixo deste tecto hei-de sempre dizer que pareces um pau-de-virar-tripas, e que precisas de comer massa com carne, couves e feijões a ver se ganhas cor nessa cara". Eu aquiesço, logo, consinto. No Minho, comer bem ascende à categoria de Religião: comer e calar. Por isso mesmo, a maioria das coisas que aqui podia elencar para explicar o porquê deste prato ser o mais magnificente dos home cooking dishes (do chouriço de sangue caseiro que é vendido clandestinamente num talho que não posso dizer o nome à cremosidade da calda que une todos os ingredientes e que tem a ver com a qualidade geográfica do feijão) terão mesmo que ficar retidas no limbo do inaudito, do intangível e do misterioso. Posso, c[...]



GROSS'RY STORE

2014-11-01T02:33:35.639+00:00

(image)

"O Chef Rø, esse, é a primeira e única personagem que criei seguindo meticulosamente o método de Stanislawski, completamente inútil para os palcos, absolutamente necessário para a “vida real”: eu acredito mesmo que sou o Chef Rø quando estou a fazer de Chef Rø! E o Chef Rø é especializado em JUNK FOOD™, em parte por rebeldia meio reaccionária contra o sistema gourmet proliferado mass-mediaticamente nos últimos anos, em parte porque é no lixo que encontramos a chave para a descodificação do Mundo™ em que vivemos. Um palhaço McRønald, ao vosso dispor!"

É o parágrafo do meio do primeiro texto que escrevi para o melhor depósito de trash culture de todo o ever, o grandioso TRASHÉDIA da grandiosa Joana Barrios. Honrado e babado de fazer parte de um dos poucos empreendimentos bloguísticos que sigo desde sempre, com afinco e paixão. Prometo uma periodicidade digna de um colunista profissional; os conteúdos, esses... bom, já sabem o que a "casa" gasta: ou é LIDL, ou é delicatessen do El Corte Inglès. Não há cá in-betweens! ;)




La Mia Casa È La Tua Casa | Especial

2014-10-20T19:02:15.449+01:00




Um livro de receitas em forma de fanzine,
E um programa de culinária. Em directo e em diferido. Ao mesmo tempo!


La Mia Casa È La Tua Casa foi um projecto de formação culinária produzido pela Velha-a-Branca, no qual alguém emprestava a cozinha, ficando a cargo da Velha providenciar os ingredientes, os formandos e o chef! Todos participavam, portanto, na confecção e posterior degustação dos pratos. Participaram os chefs Paolo Valperga (1.ª e 2.ª edições) e Chef Rø (3.ª edição): aulas de cozinha, degustação, música, história e cultura dos povos do Mediterrâneo, no primeiro caso; aulas de cozinha, degustação, performance art, cultura pop, cinema de autor, música ambiente & outras perguntas retóricas, no segundo. Os dois chefs juntam-se agora num formato inovador: um show cooking interactivo, semi-real/semi-ficcionado, com transmissão em directo e com muitos píxeis a partir de Itália, e demonstração em diferido e com muitas cores em Portugal. No final, todos poderão provar o resultado, e até comprar um livro de receitas mediterrânicas muito especial!

Comemoração do 10.º aniversário do Estaleiro Cultural Velha-a-Branca
21 de Outubro, 20:30, Braga




THUG UNICORN B-DAY FEAST

2014-09-19T01:55:40.127+01:00

POP RØ goes Thug Unicorn. That means POP RØ goes pink glazed honey cream shot oily salted caramel and then puffy glittery smoothy crunchy spongy chimichurri served with a side of shredded thai hindi afro euro sugary raw sushi with lots of rainbow flambé sauté sucré velouté topped with balsamic acidic baconic chocolatic foamy cheesy chèvry mobile-recipy jelly candy cocoa-friendly lollipop popcorn popnorm and pop-unicorn fritters and fritattas fajitas and enchiladas filled with guacamole shriracha moamba pavlova goulasch vatapá and jacarandá and a gelatto de farinheira and a semifreddo de açorda de miso de vickyssoise de salada niçoise for dessert with loads of spicy hot hot hot and then ice ice baby spinach sprinkled with marshmallow mushroomy nutty meaty veggie mashed-up-potato covered with a unicorn-shaped petit gâteaux served in a shiny bruschetta pancetta punheta de bacalhau fast-cooked in a burger queen mickey mouse au chocolat avec du caffe latte latte latte que eu tô passando, vai! To cut this long story short, POP RØ goes americano. That is, POP RØ goes Thug. That is, POP RØ goes Unicorn. That is, PO RØ goes the World™.ALL OVER THE PLATEPink lemonade in a mason jarOlive oil & creamy carrot balsamic emulsion for bread dippingWarm bulgur salad in a glass, with roasted veg, honey cashews & cilantro creamTomato velouté shot w/ sour cream & chivesThai-style spring rolls w/ mango sauceSpoon of port-glazed figs w/ melted chèvre & prosciuttoPeas/feta/mint bruschettasShredded beet, peach and cucumber salad w/ cheated pestoCorn/bean/bacon salad w/ chimichurriChicken ramen w/ "alentejana" brothApple puff-tart w/ vanilla marshmallow ice-cream & salted caramelWatermelon/ginger/lime punchRainbow brigadeiro b-day cake[...]



POP RØ #0.

2014-09-01T16:41:31.738+01:00








Chef Rø & friends
Coimbra, 11 de Julho de 2012



Apre!-ritivo
Sangria de Vinho Verde & Maçã Verde c/ Menta & Mirtilos

Ace-ace-baby-pipes
Torricado Bulhão Pato
Lata de Mousseline de Mexilhão c/ Gressini de Tomilho
Roulade de Beringela, Chèvre & Framboesas

S'opá!
Vichysoisse de Bacalhau c/ Azeite de Persillade

Sal(g)ada
Morna de Barriga de Porco & Agrumes

Pasto
Dirty Rice

Sobre A Mesa
Panna Cotta Cítrica c/ Geleia de Lima
Tarte Frangipane-Nectarina c/ Smoothie de Manga







POP RØ @ RESTAURANT DAY

2014-08-23T15:21:40.870+01:00

#HOME_COOKINGNão é uma BRAND new thing. É só a confirmação (agora tornada oficial) de que Vou À Tua Mesa nunca foi, nem nunca há-de ser, uma metáfora! Ou seja. Pop Rø é um pop-up restaurant pululante, imprevisível, tecno-emocional, mas sobretudo muito tecnobrega — investirá directamente nesse território ético-estético e relacional-fin-de-siècle-passado que é A SUA CASA, ou seja: a sua cozinha, o seu chinois, a sua vara de arames, a sua loiça IKEA, a sua decoração japonesa, a sua dieta paleolítica, a sua garrafeira, a sua despensa, o seu cestinho biológico, os seus convidados especiais. Uma azeitice hipster sem limites!... Por outras palavras: o Chef Rø [aka Rogério Nuno Costa] vai mesmo a sua casa, cozinha para si e consigo, partilha dicas com os seus convidados, ensina-lhe a técnica do ovo escalfado (com ou sem merdas moleculares), reaproveita-lhe os restos, arruma-lhe os tupperwares, brinca às casinhas e deixa-se instagramar de sifão na mão, com muito charme e duck faces.Pop Rø promete, portanto, uma experiência personalizada (que é um conceito super-na-moda) e adaptada às suas necessidades é-cool-lógicas e também psiquiátricas: está provado cientificamente que olhar para uma sobremesa e ver a sua cara reflectida no brilho do ganache aumenta incrivelmente a produção de serotonina!Pela primeira vez na cidade de Braga, e inserido no maior evento gastronómico do Mundo — Restaurant Day —, Pop Rø vai ocupar uma casa privada no centro da cidade, para servir um "3-course menu" confortável e requintado. Uma experiência igual a tantas outras, por isso única! Ao som do melhor pop rø escolhido ao calhas pelo iTunes do Chef.EVENTO FACEBOOKMarcações & Informações [preço & localização]:rogerio.nuno.costa@gmail.com916409998Mais info:www.facebook.com/cheff.roowww.facebook.com/restaurantdayportugalwww.vouatuamesa.blogspot.comALINHAMENTO:Just Champagne — Welcoming ToastPop Rø Tunes On DemandBlack Sangria: rosé, black vodka, frozen blackberries, mintAlheira-Ilha Rolls mit Thai Dip Sauce [mango, graham masala, lime, chilli]French Tapenade mit Raisins Bread [olives, capers, anchovies]Shot Of Tomato/Basil Velouté mit Chèvre FoamPink Lemonade In A Mason Jar [as a sort of hipster interlude]Ramen mit Coconut/Lime/Chilli/Curry Broth, Crunchy Veg, Soy/Honey/Orange Glazed SalmonVideo Performance: Chef Rø eating a Bifana + Belo Cirúrgico [Bela TV feat. Chef Rø]White Chocolate/Vanilla Panna Cotta + Dark Chocolate/Orange Ganache + Dulce de Leche Ice-CreamSocial Media Massive Photo SharingJust Coffee[...]



RØCIPES

2014-07-23T00:44:05.127+01:00

CAPRI,C'ES PAS FINI!Não acho normal que nunca ninguém me tenha perguntado o que pediria para comer se eu estivesse à espera do Fim no corredor da morte. É uma daquelas perguntas-cliché que se faz a qualquer pessoa interessada em comida. Acho eu. Os clichés a mim inspiram-me. Enerva-me quando as pessoas evitam usá-los comigo. Fartinho de responder a perguntas cuja resposta, na verdade, ninguém quer saber: se a gastronomia é ou não é uma arte, por exemplo. Chega. A sério, perguntem-me à vontade coisas do tipo "Que bolo de pastelaria és tu?", "Para se cozinhar bem, é preciso mais técnica ou mais amor?", "Que prato confeccionar quando 'a' convidas para jantar em tua casa pela primeira vez?", ou "Gazpacho andaluz ou gaspacho alentejano?". Sei lá, qualquer merda que dê para aparecer na Dica da Semana ou no jornal Metro, ilustrada com fotografia pixelada e uns (risos) pelo meio. Sim, eu gostava muito que me perguntassem pela minha "last meal". Nunca perguntaram. Uso este meu espacinho para fazer de conta: "Rogério, diga-me, se tivesse que escolher a sua última refeição, qual seria?". "Ora aí está uma pergunta..." Simples: tomate, mozzarella e manjericão, essa excelsa combinação que imortalizou Capri e depressa se transformou no ex-libris da gastronomia italiana. Pizzas e massas são de todo o Mundo, a caprese é só de Itália! Podia elencar uma ou muitas razões que me fazem gostar tanto de uma caprese, mas o mais provável é que a estagiária do suplemento cultural da gazeta em questão tenha que cortar porque "não cabe", ou então esquarteja-me o pensamento até só restar: "...porque é leve e saudável, sobretudo quando é feita com ingredientes super-frescos". Ainda que a Vergonha Alheia™ seja o novo avant-garde, gosto de poupar-me a certos vexames. Vamos por isso ao que interessa. Para uma caprese não há receita; basta olhar para a imagem e está lá tudo dito: fatias de tomate, fatias de mozzarella, folhas de manjericão, azeite, balsâmico, pimenta, sal. Agora, para uma excelente caprese há alguns "truques" que posso partilhar:Tomates maduros, mas firmes, preferencialmente de cacho (os "chucha", lol, também são fixes); escusado será dizer que fazer isto fora da season dos tomates é pecaminoso.Mozzarella de excelente qualidade e com a gordura toda (vi recentemente uns low fat numa grande superfície badalhoca qualquer e dei um grito tão grande que se ouviu no bunker do Belmiro de Azevedo); e depois é um pouco irrelevante se é de burra, de búfala ou de pata choca. Tem é que ser produto italiano de Itália.Tomates e mozzarella devem ser cortados em fatias com um diâmetro o mais parecido possível e sobrepostas como mostra a figura. Só assim fica bom. Se forem agora ao Google Images vão encontrar 30 mil variações paneleiras diferentes de empratamento — tudo merda. Escolham um prato semi-fundo, e tentem arranjar maneira de completar o prato todo e entalar tomates e mozzarella em modo sardinha em lata.Antes disso, porém, cubram o fundo com azeite (este pode ser português de Portugal, que é o melhor), balsâmico (Modena, certo?, certo!), umas pedritas de sal e outras de pimenta preta do moinho. Por razões estritamente estéticas, não gosto de atirar com vinagre para cima da salada.Manjericão: fresquíssimo. Usar as folhas INTEIRAS! (cortar aquelas que parecem grandes em duas metades é moralmente tão grave quanto esfolar um coelhinho vivo).O ponto 4. é importa[...]



RØCIPES

2014-07-13T17:59:33.719+01:00

CHEATED
PLUM CHUTNEY


Parece que agora está na moda aldrabar receitas e/ou fazer versões simplificadas das mesmas, ou então adulteradas (para melhor ou para pior), ou então explicadas sem merdas para qualquer deficiente fazer, ou então aceleradas para agradar àquelas pessoas que acreditam no "não há tempo" como quem acredita no Pai Natal. Enfim, inventaram um nome para isto e até deram tempo de antena exclusivo à coisa nos masterchefs do costume. São as "cheated" qualquer coisa: desde gelados na trituradora prontos em 5 minutos a fake risottos prontos em 15, vale tudo. Eu gosto imenso disto, claro. E até inventei um chutney que não precisa de ser "cozinhado": é só misturar ameixas desidratadas sem caroço, sal, pimenta preta, tabasco, cebola vermelha, sumo de limão, vinagre de vinho tinto, gengibre fresco, açúcar, canela em pó e graham masala, e depois triturar tudo num processador potente. Já está. Foi rápido, não foi? Em breve falarei doutra trend extraordinária que são as "one-bowl" cenas...

[esta é uma receita Pop Rø™ e foi servida pela primeira vez AQUI.]




RØCIPES

2014-07-12T00:39:06.517+01:00

FILO-PIZZAGanache de ChocolateLaranja de AmaresNeve de BaunilhaEm Amares há laranjas de alto gabarito praticamente o ano inteiro, embora os especialistas digam que os melhores meses para a degustar sejam os que vão de Maio a Agosto. Escuso-me a descrever as particularidades de tal dádiva (misteriosa) da natureza; é mesmo do regime do alienígena... Só provando mesmo! Ora, cá em casa há sempre laranjas aos pontapés, e às vezes vejo-me obrigado a inventar uns disparates gulosos para evitar que as meninas acabem no caixote do lixo. O que aqui apresento é um mashup de três coisas que já havia empreendido antes, mas em separado, ou noutras combinações menos ortodoxas: (1) as pizzas doces em base de massa filo, (2) o ganache de chocolate com laranja e (3) a neve de baunilha. O resultado abaixo:Modus OperandiNuma tarteira pouco funda, vou sobrepondo folhas de massa filo muito bem besuntadas em manteiga derretida, de forma propositadamente disforme e organizadamente caótica. Para que a pizza não se desconchave toda no fim, aconselho a sobrepor pelo menos 6 a 7 folhas de massa filo. Coloco uma folha de papel vegetal por cima da massa filo, preencho o fundo com baking beans e levo ao forno (blind baking, 180º) durante cerca de 15 a 20 minutos, até reparar que as extremidades das folhas começam a ficar douradas. No entretanto, já desfiz duas laranjas de Amares bem grandes em gomos, sem pele e sem grainhas (no Youtube há tutoriais fixes que ensinam a fazer isto...), aproveitando a raspa da casca e o sumo residual para o ganache. Assim: 200 ml de natas frescas a aquecer em banho-maria; uma tablete de chocolate (75%) partido em quadrados lá para dentro (quando as natas estiverem quentes, mas não a ferver); uma vara de arames a mexer tudo muito delicadamente, até o chocolate derreter completamente e o ganache se apresentar aveludado e brilhante; uma colher de sopa de icing sugar na recta final. Retiro imediatamente do lume, junto o sumo de laranja (cerca de 2 colheres de sopa), a raspa da laranja, e um golpe de licor de laranja, ou então vinho do Porto (facultativo...). Mexo muito bem, para envolver todos os sabores. Neste instante, a massa já deverá estar cozida, por isso retiro-a do forno, removo os baking beans + papel vegetal, e recheio com o ganache de chocolate, distribuindo bem. Deixo esfriar (o ganache vai solidificar de forma deslumbrantemente motherfucker...) em room temperature. No entretanto, coloco uma vagem de baunilha numa trituradora juntamente com 3 colheres de sopa de açúcar granulado e 1 colher de chá de flor de sal. Trituro durante 10 a 12 segundos, até obter uma areia homogénea. Quando o ganache estiver completamente esfriado, faço uma cornucópia paneleira de gomos de laranja no centro, e polvilho com a neve de baunilha à volta e à Pollock. Não levar ao frigorífico (a massa filo perde o crocante todo e fica uma merda...). Pode servir-se com colheradas obesas de crème fraîche! ^^Chef Rø©2014[...]