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Last Build Date: Mon, 05 Feb 2018 21:07:01 GMT

 



Passatempo: Vai uma T-Shirt?

Mon, 05 Feb 2018 21:06:00 GMT

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A Friking e o CINEBLOG têm para oferecer uma t-shirt à escolha da loja Friking Leiria. O passatempo termina às 23h59 de 19 de fevereiro de 2018. 

Para te habilitares só tens de:

1.º Seguir a página do Facebook do CINEBLOG e a página da Friking Leiria.

2.º Partilhar este post no Facebook.

3.º Preencher o formulário em baixo. O vencedor será contactado por email.

 

src="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSe-tCzU7Nqw3-3bk2rYKfkHM-95tGuUssfO9AHTaKogesyawg/viewform?embedded=true" width="624" height="800" marginwidth="0" marginheight="0" frameborder="0">A carregar...

 

Regulamento:

O passatempo decorre até às 23:59 do dia 19 de fevereiro. Todas as respostas que chegarem depois desse prazo vão ser excluídas
Só é permitida uma participação por nome.
O vencedor será escolhido através do sistema de seleção aleatória online random.org.




Filipe Melo regressa aos filmes. E que saudades que já tínhamos.

Tue, 30 Jan 2018 21:16:00 GMT

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Lembram-se daquele músico talentoso que foi responsável pelo primero filme de zombies português e que entretanto se tornou numa super estrela da BD nacional (e com quem tive oportunidade de colaborar na minha tão querida Garagem de Kubrick)?

Parece que nos últimos meses realizou um filme em segredo nos Estados Unidos, o sacana.

Por enquanto ainda só temos um nome (Sleepwalk) e um poster mas ele já prometeu mais novidades para breve.

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Porque é que em Portugal temos o hábito de legendar (e não dobrar) os filmes e as séries?

Wed, 24 Jan 2018 11:59:00 GMT

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Aqui há uns tempos, para quebrar a monotonia, fiz este pequeno vídeo sobre a legendagem do Rick and Morty da Netflix (uma legendagem épica, por sinal). Na altura, como era apenas uma experiência, nem cheguei a divulgar aqui no blogue (podem também acompanhar o canal do YouTube cá do estaminé. Estes pequenos projetos costumam ir todos para lá).

Como a experiência até nem correu mal, resolvi agora fazer um novo vídeo, curiosamente também sobre legendas, que nasceu de uma questão que me fizeram aqui há uns meses: porque é que em Portugal temos o hábito de legendar os filmes e as séries, enquanto que lá fora quase todos dobram?

 

src="https://www.youtube.com/embed/7RhlpSedcUM" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen">



Tudo o que importa saber sobre as nomeações para os Óscares 2018

Tue, 23 Jan 2018 13:51:00 GMT

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Já são conhecidos os nomeados para a próxima edição dos Óscares, que estão a poucas semanas de se tornarem nonagenários.

A lista completa pode ser consultada no site oficial, mas para vos poupar o trabalho, aqui ficam algumas considerações sobre os nomeados:

Aqueles pequenos vídeos antes da nomeações estavam do caraças.

A Meryl Streep prepara-se para perder mais um Óscar. Para ser sincero, a culpa não é dela: é de quem a nomeia por tudo e por nada.

É quase certo que o Óscar de Ator Secundário vá para o Three Billboards outside Ebbing, Missouri. Resta saber para quem.

Por falar no Three Billboards..., a ausência na categoria de Melhor Realizador pode afastá-lo da luta para o Melhor Filme, o que seria uma pena.

Com 13 nomeações, Shape of Water pode ser o grande derrotado da noite... ou... não (bora fazer figas para o senhor Del Toro).

Get Out está nomeado para Melhor Filme, o que faz dele um refrescante outsider de um género normalmente ignorado pela academia...

... e torna Jordan Peele no primeiro afro-americano nomeado para Melhor Argumento Original, Melhor Realizador e Melhor Filme.

The Disaster Artist com apenas uma nomeação significa que a polémica em torno de James Franco está mesmo a deixar marcas.

Temos uma mulher entre os nomeados para Melhor Realizador pela quinta vez (Greta Gerwig por Lady Bird)

... e uma mulher nomeada para Melhor Fotografia pela primeira vez (Rachel Morrison por Mudbound).

O mais recente pastelão do Spielbierg foi praticamente ignorado mas lá aparece na lista de nomeados para Melhor Filme. Há quotas que precisam de ser preenchidas.

Parece-me evidente que a nomeação de Christopher Plummer é mais uma forma de castigar Kevin Spacey do que outra coisa.

Christopher Nolan está nomeado para Melhor Realizador... pela primeira vez. Sim, é verdade.

Baby Driver foi nomeado exatamente por aquilo que é: uma excelente experiência de edição.

Logan é o primeiro filme de super heróis a ser nomeado para Melhor Argumento Adaptado.

O que raio faz o The Boss Baby nomeado para Melhor Animação?




Crítica: Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. A revolta também é um direito

Thu, 11 Jan 2018 13:52:00 GMT

 

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Desde o momento em que vemos o olhar de Mildred (Frances McDormand) a inspecionar aqueles três cartazes decrépitos à beira da estrada, que sabemos o que se está a passar. Mildred é raiva, injustiça e sobretudo impotência. Está tudo espelhado naqueles olhos. É como começar uma história pelo fim, só que ainda estamos apenas no início. O que se segue é apenas uma confirmação.

Na terceira longa-metragem como realizador, Martin McDonagh aventura-se no território dos irmãos Coen e leva-nos numa viagem até à America profunda. Estão lá as armas, a violência, a misoginia e o racismo, que servem de combustível a uma reflexão sobre o luto e o direito a não deixar o passado cair no esquecimento, por muito inconveniente que possa ser.

De macacão azul e bandana, Mildred é uma alusão óbvia a Rosie the Riveter, ícone cultural associado ao movimento feminista norte-americano. É um mulher que luta contra uma sociedade que, embora apoie e compreenda a sua causa (aparentemente), sente-se no direito de lhe dizer como deve ou não expressar a sua dor. Apesar de se poderem traçar analogias ao movimento #wetoo, não nos podemos esquecer que este filme começou a ser escrito há 8 anos.

É também interessante ver a forma desinteressada como o racismo é tratado, como se fosse uma espécie de regionalismo ou curiosidade cultural, aqui personificado na figura do agente Dixon (Sam Rockwell). Esta leviandade é um poderoso statement político, que diz muito sobre a forma como a justiça é servida na tal América profunda. O personagem de Rockwell é, aliás, a par com a Mildred de Frances McDormand um dos pontos altos deste filme e um dos mais fortes cinzentos numa terra habituada a separar tudo em pretos e brancos.

No final existem as inevitáveis conclusões que precisam de ser retiradas e lições que precisam de ser aprendidas, mas Martin McDonagh (dramaturgo nomeado quatro vezes para os Tonys) tem a clarividência de nunca nos dizer o que devemos pensar. E não é preciso. Nós chegamos lá.




The End of the F***ing World. O apocalipse é uma questão de perspetiva

Wed, 10 Jan 2018 09:00:00 GMT

 

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The End of the F***ing World não é uma paixão à primeira vista.

Durante a primeira hora, a nova série da Netflix (transmitida originalmente no Channel 4 britânico) é pouco mais do que um exercício de bizarria macabra que aparenta não querer chegar a lado nenhum: personagens incómodos em situações extremas que parecem ter sido escritas com o único propósito de chocar. Se os capítulos fossem maiores, provavelmente teria ficado pelo primeiro episódio.

Mas este é um produto do seu tempo e os seus oito episódios de 20 minutos - provavelmente o melhor binge da temporada - foram formatados para não nos deixar desistir.

Por volta do quarto episódio tudo se altera. Começamos finalmente a compreender os personagens e o que está por detrás daquela estranheza inicial. A narrativa ganha outro ritmo e outra profundidade e aquilo que nos parecia forçado é agora perfeitamente natural.

Os personagens descobrem-se ao mesmo que tempo que os vamos descobrindo. Percebemos que esta é uma série sobre segredos, decisões erradas e, sobretudo, segundas oportunidades e ficamos felizes de não ter desistido.

Afinal de contas, se fosse tudo perfeito à partida, qual era a piada da viagem?




Tudo o que importa saber sobre os Golden Globes 2018

Mon, 08 Jan 2018 08:47:00 GMT

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Esta madrugada foram entregues os Golden Globes 2018. Para vos facilitar a vida, e porque nem todos podemos ficar a fazer serão a um domingo à noite, aqui fica tudo aquilo que precisam de saber sobre o que se passou lá para os lados de Hollywood:

 

Mais do que tudo aquilo que vou dizer a seguir, esta edição dos Golden Globes ficou marcada pela poderosa ação de protesto contra o assédio sexual que vestiu de negro o Hotel Beverly Hilton e pelo não menos poderoso discurso da Oprah Winfrey.

O monólogo inicial foi o que se esperava: um desfile de piadas recauchutadas sobre o assunto do momento. Onde está o Ricky Gervais quando precisamos dele?

A vitória de Handmaid's Tale (Hulu) e The Marvelous Mrs. Maisel (Amazon) nas duas categorias principais de televisão demonstra que aquilo do streaming não foi uma moda passageira.

A Netflix também pode comemorar o globo de Aziz Ansari por Master of None.

Big Little Lies limpou quase tudo para o que estava nomeado (Melhor mini-série, atriz principal e secundárias em mini-série e ator secundário em mini-série) e foi uma pequena grande vitória para a HBO, que parece ser a única capaz de fazer frente ao poderio do streaming.

Coco é mais uma vitória para a Pixar (como se alguém tivesse dúvidas).

Guillermo Del Toro tem finalmente uma merecida hipótese de fazer um brilharete nos Óscares na categoria principal. Fingers crossed.

Espera aí, o Kirk Douglas ainda é vivo?

O filme dramático do ano é... hum... que filme é aquele mesmo?

Sem surpresas, Lady Bird levou o globo de melhor comédia/musical. Uma pena para o The Disaster Artist.

Por falar em desastres, Tommy Wiseau estava presente na sala e assistiu ao vivo (e no palco!) à entrega do globo a James Franco. Se isso tivesse acontecido há 15 anos alguém teria chamado a polícia.

Gary Oldman ganhou a fazer de alguém que não se parece minimamente a Gary Oldman. Nada a que não estejamos habituados.

Christopher Nolan ficou a zeros.

21 anos depois de Fargo, o globo de Frances McDormand dá-lhe novamente esperanças de poder vir a brilhar nas categorias principais dos Óscares.

In the Fade deixou The Square para trás na categoria de melhor filme estrangeiro. Em março, a conversa deverá ser outra.

I, Tonya ganhou um globo numa categoria feminina mas não, ainda não foi desta, Margot.

 

A lista completa de vencedores e nomeados pode ser consultada aqui.

 




Esta curta demorou 20 anos a ser filmada

Fri, 05 Jan 2018 11:09:00 GMT

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Se os 12 anos de filmagens de Boyhood foram impressionantes, esta curiosa curta-metragem experimental, que descobri graças a um tweet do Brendon Connely, leva a brincadeira a outro nível. 

Teenage Wasteland é uma curta de ficção científica filmada em dois momentos temporais separados por 20 anos.

A primeira parte, filmada em 1994, é o típico vídeo caseiro dos anos 90, em que vemos o protagonista e realizador Todd Berger a ser acidentalmente transportado até ao futuro. O segundo momento, filmado de modo mais profissional em 2014, acompanha Todd, naturalmente envelhecido, num cenário pós-apocalíptico que ele próprio ajudou a criar.

src="https://www.youtube.com/embed/flmDcdEfg7Y" width="700" height="351" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen">




Crítica: The Disaster Artist. O desastre perfeito

Thu, 04 Jan 2018 10:30:00 GMT

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Quando se escreve sobre filmes biográficos, é lugar-comum usar expressões como "a realidade é mais estranha do que a ficção" ou "se não existisse, teria de ser inventado". Perdoem-me desde já a falta de originalidade, mas não encontro melhor forma de descrever tanto The Disaster Artist como o próprio Tommy Wiseau, o excêntrico auteur, interpretado de forma brilhante por James Franco.

De um modo geral, podemos dizer que The Disaster Artist é um filme sobre os bastidores do The Room, obra de culto ultra-independente que nos últimos anos tem ocupado confortavelmente o trono do sub-género "tão mau que é bom".

Mas The Disaster Artist é muito mais do que isso. O filme realizado e protagonizado por James Franco é uma história real de uma amizade improvável e defeituosa entre um aspirante a ator, que como tantos outros tem o sonho de vingar em Hollywood, e um indivíduo socialmente "diferente", preso a um paixão por uma arte que não percebe. É uma reflexão sobre sonhos inalcançáveis, caminhos alternativos e o poder da amizade.

Uma das razões para o sucesso de The Disaster Artist é, indubitavelmente, o seu protagonista disfuncional: um personagem tão surreal que nos custa a acreditar que possa realmente existir (mas acreditem: ele existe!). Tommy Wiseau tem tanto de estranho como de hipnotizante. Sem idade ou nacionalidade comprovadas e com uma obsessão em proteger o mais ínfimo pormenor do seu passado, não nos deixa outra hipótese senão tentar adivinhar a suas origens e recursos. 

Ao olhar de frente para o seu protagonista (e nunca de cima), Franco fala-nos das frustrações e das fragilidades de alguém com uma imagem muito distorcida de si e do mundo que o rodeia e do inevitável choque de realidade que vai ser sempre a sua vida. O mundo não é meigo para personagens como Wiseau mas também não tem de o ser.

The Disaster Artist é um filme honesto sobre um personagem fascinante, que se equilibra com bastante habilidade na corda que separa a paródia gratuita da condescendência.

****




Os melhores filmes de 2017

Fri, 29 Dec 2017 08:39:00 GMT

 

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Porque o cinema será sempre o que faz bater o coração deste velho estaminé, aqui fica a lista dos meus filmes favoritos do ano, mais uma vez sem nenhuma ordem específica.

Da minha parte, despeço-me com amizade deste 2017 e aqui vos espero em 2018 para mais e melhor cinema. Bom ano e cuidado com as passas. Já sabem: na dúvida bebam sempre mais champanhe (mas só se não conduzirem, obviamente).

War for the Planet of the Apes

É o culminar da melhor trilogia a sair de Hollywood em muito tempo. Metade western, metade épico bélico, dificilmente se encontra um blockbuster mais completo e humano.

Paterson

Da primeira à última vírgula, o poema filmado de Jarmusch e Adam Driver mostra-nos que há beleza e arte no quotidiano mais rotineiro. Só temos de saber onde procurar.

Thelma

Enigmático, intenso, maravilhosamente filmado e com uma banda-sonora de fazer crescer pelos onde eles nunca existiram. É como se o filho perdido do De Palma e do Bergman tivesse decidido refilmar o Carrie.

A Ghost Story

Que o sentido da vida é questionável e que todos vamos morrer, já estamos fartos de saber. Mas é sempre um choque quando nos atiram com isso à cara desta maneira.

Mother!

Neste apocalipse familiar, Aronofsky não deixou nada ao acaso. O ritmo pode ser vertiginoso mas a parábola é clara e o desfecho parece inevitável. A não ser que comecemos a tratar melhor a nossa mãe, obviamente. Mãe há só uma.

Sweet Virginia

Começa com um bang, acaba com um bang mas é no meio que está a virtude: os olhares, os silêncios e aquela câmara rasteira, sempre com medo de se mexer, como se estivesse a contar-nos algo que não devia. 

Good Time

Uma história de amor é sempre bonita de se ver e Good Time é sobre amor, do fraterno, sem beijos na boca e choradeira de meia-noite. E no fim ainda há tempo para perceber que o gajo do Twilight até sabe da poda.

Alien: Covenant

Oi? Posso? Então cá vai: Há mais e melhor filosofia num frame do Alien: Covenant do que em todo o novo Blade Runner. Tão simples quanto isso. E quem não concorda cheira mal.

Ingrid Goes West

Ingrid Goes West é uma reflexão inquietante e oportuna sobre as redes sociais, o culto das aparências e aquilo que andamos a fazer às nossas vidas feias e inúteis. Que atire a primeira pedra quem nunca sentiu vontade de imitar os sacanas dos australianos do Instacoiso que se despediram do emprego e que passam a vida a viajar pelo mundo.

Super Dark Times

Apesar do final não me convencer totalmente, Super Dark Times encheu-me as medidas. Pelo ambiente, pela credibilidade, pela banda-sonora e pela recriação fiel da segunda melhor década que a humanidade teve oportunidade de presenciar. Ah, e aquele jogo era o Twisted Metal. Não percebes nada disso, Zack.

 




Crítica: It Comes at Night. A noite é escura e cheia de horrores

Thu, 28 Dec 2017 10:18:00 GMT

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Ao deambular pelo quadro de Brueghel nos minutos iniciais, It Comes at Night empurra a sua mensagem para outros limites. Nesse momento, o apocalipse deixa de ser a alegoria catapultada para a fama por Romero e torna-se numa viagem especulativa até aos medos e paranoias da europa do século XIV. Não é por acaso que a infeção retratada no filme é em tudo semelhante aos relatos da Peste Negra, a doença que dizimou um quarto da população europeia da altura. É muito fácil esquecermo-nos que tudo aquilo já aconteceu e que não há ninguém que nos possa garantir que não volte a acontecer.

Esta projeção emocional é o pilar central de um filme minimalista mas rico em atmosfera, em que a maior ameaça à humanidade é a própria humanidade: imperfeita, desconfiada e paranóica. 

A mensagem é clara e transmitida de forma irrepreensível, com uma belo trabalho de fotografia a tirar partido de cada metro quadrado de escuridão. O problema é que, tal como os congéneres The Witch ou It Follows (ou até mesmo Get Out) aquilo que tem para dizer não justifica o formato longa-metragem.  

Embora nunca se torne insuportavelmente cansativo (são apenas 90 minutos!), o segundo ato é exageradamente longo e redundante e a recompensa do terceiro ato acaba por nunca se mostrar suficientemente satisfatória.

It Comes at Night é um interessante exercício sobre o medo e os terrores noturnos, executado de forma bastante hábil, mas que em última análise tem pouco mais para dizer do que um episódio da Twilight Zone

***




As melhores séries de 2017

Tue, 26 Dec 2017 10:54:00 GMT

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Se há uns anos seria impensável fazer uma lista de séries do ano, em 2017 tornou-se não apenas inevitável como obrigatório.

Ainda com uma rabanada ressequida no regaço, aqui ficam as melhores do ano para este vosso amigo que vos escreve, sem nenhuma ordem específica, a não ser aquela que o vosso coração vos ditar.

Fargo (Temporada 3)

Há três anos que Fargo se tornou um cliente habitual cá no burgo. Entra-nos de rompante pela casa adentro e nas semanas seguintes mostra-nos que a vida dá muitas voltas e no fim ganha a casa. Ou é como quem diz, o senhor Hawley.

Legion (Temporada 1)

E por falar em Hawley, o sacana não consegue mesmo falhar. Até num género tão saturado como o dos super-heróis, ele mostra que ainda há coisas para fazer. Basta a dose certa de engenho e de Aubrey Plaza. Assim até parece fácil.

American Gods (Temporada 1)

A mais recente de Bryan Fuller é uma montanha russa encarrilada até ao coração da religião e da fé. Não sabemos se vamos gostar do que vamos descobrir, mas só a viagem já merece o bilhete.

The Expanse (Temporada 2)

É tão simples quanto isto: The Expanse é a melhor série de ficção científica da atualidade. Ritmo perfeito, universo no ponto, relevância política e social. É que nem me venham falar do novo Star Trek.

Dark (Temporada 1)

Desde o início que Baran bo Odar e Jantje Friese nos conquistam com o desconhecido. Enchem uma pequena localidade de mistérios, apresentam-nos os personagens e convidam-nos a dar uma voltinha (os sacanas sabem que não vamos querer sair a meio). É uma espécie de Lost, se o Lost fosse alemão... ou bom. (excerto deste texto)

Stranger Things (Temporada 2)

Os putos são os mesmos mas as emoções são diferentes: mais crescidas, menos inocentes. Nem a ficção nos protege das consequências da passagem do tempo. Faz parte.

The Good Place (Temporada 1 e 2)

Aqui fiz um pouco de batota: nem a temporada 1 começou em 2017 nem a 2 vai acabar em 2017. Mas The Good Place merece. Primeiro, por nos levar pelos caminhos imprevistos do conhecido e depois por mandar tudo às urtigas. Nunca perdendo a piada, obviamente. Nem o coração.

Rick and Morty (Temporada 3)

O terceiro ano de Rick and Morty foi particularmente impiedoso com os espetadores. Ainda hoje estou a tentar digerir aquele sétimo episódio enquanto tento encontrar na internet um Pickle Rick a bom preço. 

Big Little Lies (Temporada 1)

Ao contrário do que o título indica, esta é uma série sobre verdades. Aquelas verdades filhas-da-mãe que nos dão passam rasteiras e nos deixam estendidos no passeio, à mercê dos olhares dos desconhecidos.

 

E para esses lados? Quais foram as melhores séries do ano? 




Em 2017 vi mais séries do que filmes. O que se passa comigo?

Thu, 21 Dec 2017 14:03:00 GMT

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A coisa não é de agora. Nos últimos anos os sinais tinham-se tornado demasiado evidentes para serem ignorados e foi uma questão de tempo até acontecer. 2017 tornou-se oficialmente no primeiro ano em que vi mais séries do que filmes. 

Sou fraco, eu sei. Fui incapaz de resistir aos apelos incessantes daqueles pequenos suplementos de ficção. Fui seduzido pela comodidade dos 40 minutos diários e das mini-séries de 10 episódios. Não resisti à Netflix, ao streaming, ao binge e às seasons.

Mas a culpa não foi só minha, juro. O cinema também não tem feito nada para melhorar a nossa relação. São os super-heróis, os remakes, as sequelas e as prequelas. Sempre a mesma história, sempre a mesma rotina. Um homem tem outras necessidades. Já estou farto que estejam constantemente a remexer-me no passado, a manipular-me à custa da nostalgia (as séries também já começaram a fazê-lo, mas ainda são mais meiguinhas).

E depois vem a questão do tempo. Hoje em dia é difícil arranjar um filme que tenha menos de duas horas e tal. É que tenho vida para além dos ecrãs, caraças! Três quartos de hora metem-se em qualquer lado, agora duas, três horas? Precisam mesmo desse tempo todo para contar a mesma história vezes e vezes sem conta?

Mas cinema é cinema, dirão vocês. Tens a sala escura, o cheiro das alcatifas e o som por todo o lado. É uma viagem a outra dimensão da qual voltas ainda a tempo de ir para a cama. Depois dessas duas horas já tens a recompensa, seja ela boa ou má. Numa série tens de gramar com a temporada toda e corres sempre o risco de ficar com um valente melão e 10 horas da tua vida deitadas ao lixo.

É verdade. Há esse risco. Mas é como comprar um carro às prestações. O custo diário é menor e no final já nem nos lembramos dos juros.

A realidade é que, nos últimos anos, tenho encontrado nas séries coisas que não tenho encontrado no cinema com a frequência que seria de esperar. Estou a falar de experiências, linguagens e emoções. Se no cinema há os Aronofskis, os Scorseses e os Tarantinos, nas séries já começam a aparecer os Hawleys e os Fullers, capazes de nós brindar com verdadeiras experiências de autor.

Não digo que nos próximos anos a situação não se altere, mas a curto prazo, e a julgar pelo calendário de estreias, a coisa parece estar para durar. 

Agora se me dão licença tenho um separador aberto na Netflix a necessitar da minha atenção imediata.

 

P.S. Para efeitos de contabilização, considerei os filmes e as séries de 2017, na proporção de 1 filme por 1 temporada completa. Caso se estivessem a perguntar.




Assim se escrevia sobre Star Wars no Portugal de 1978

Tue, 19 Dec 2017 11:00:00 GMT

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No final de 1977, Star Wars chegou a Portugal já com o título de recordista de bilheteira. Como tal, os responsáveis pelos cinemas portugueses aproveitaram para trazer de novo às salas o 2001: A Space Odyssey e tentar assim amealhar uns trocos extra à custa de uma eventual sessão dupla.

Um mês depois, foi lançada em Portugal a revista de cinema Isto é Cinema (da qual já tive ocasião de falar aqui), e como seria de esperar, esta sessão dupla peculiar foi um dos temas de destaque.

Apesar de não ter nenhuma crítica publicada (dava uma unha do pé esquerdo para ler a opinião do crítico que lhe deu a bola negra), a revista publicou dois textos que achei que valia a pena trazer para o estaminé (estamos a falar de textos com praticamente 40 anos, escritos numa altura em que a máquina de fazer dinheiro criada por George Lucas começava a dar os primeiros passos).

Perdoem-me a captura rudimentar (mas podem sempre clicar para ampliar. A vista agradece).

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Como bónus aqui fica a tabela de estrelas, para terem uma ideia geral da receção que teve o filme em Portugal (aquela bola preta foi dada pelo então crítico de cinema José Camacho Costa. Sim, esse.)

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Dark: Aquilo que não sabemos é um oceano

Mon, 18 Dec 2017 11:54:00 GMT

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Comecei a ver Dark porque mo venderam como uma espécie de Stranger Things alemão. Continuei a ver porque aquilo que encontrei foi tudo menos um Stranger Things alemão.

A série começa com um suicídio e um desaparecimento (ou será o contrário?). Depois vêm os cadáveres, a gruta e o chocolate (ainda se lembram do tempo em que o Twix se chamava Raider?). Todos parecem suspeitos e os sintetizadores parecem saber o que se está a passar. Os mistérios vão-se acumulando, as dúvidas multiplicam-se e os personagens, esses, são mais do que as mães.

Desde o início que os criadores Baran bo Odar e Jantje Friese nos conquistam com o desconhecido. Enchem uma pequena localidade de mistérios, apresentam-nos os personagens e convidam-nos a dar uma voltinha (os sacanas sabem que não vamos querer sair a meio). É uma espécie de Lost, se o Lost fosse alemão... ou bom.

E depois há os paradoxos. Montes deles. Mas aqui não são defeito mas sim feitio. Eles explicam-nos tudo (na medida do possível) e nós acreditamos porque... enfim, ciência.

O mais difícil de Dark é lembrarmo-nos de todos os personagens, de quem são filhos e pais e de como é que isso pode estar relacionado com outros filhos e pais. Talvez um elenco mais pequeno resolvesse a questão mas o universo de Dark perderia parte do seu encanto (e nunca fez mal a ninguém puxar pela cabeça).

Não sei se vai haver uma segunda temporada. Ainda há perguntas sem resposta, nem que seja para enriquecer a mitologia. O mistério, de um modo geral foi resolvido. E eu fiquei satisfeito.




Ok, a Disney comprou a Fox. E agora?

Thu, 14 Dec 2017 15:28:00 GMT

Finalmente aconteceu. Depois de semanas de especulação, a Disney anunciou oficialmente a compra da 20th Century Fox pela módica quantia de 52 mil mihões de dólares (o comunicado completo aqui). E agora? O que é que isso significa para a indústria?  Vamos por partes. Para além da Marvel ficar praticamente toda reunida no mesmo sítio (os X-Men, o Deadpool e os Fantastic Four podem finalmente juntar-se ao MCU), o acordo tem alguns contornos que me parecem mais relevantes. Em primeiro lugar, este acordo é a prova de que a Disney pretende ir com tudo o que tem e não tem para cima da Netflix. A Disney já tinha anunciado os planos de expansão para o mercado do streaming, com o fim anunciado do acordo com a Netflix e a criação de uma plataforma própria. Com este negócio, quando a anunciada Disneyflix for lançada (não se vai chamar assim, obviamente, mas percebem a ideia), vai ter o apoio do catálogo da 20th Century Fox, Marvel Entertainment, Lucas Films, ABC, ESPN, Disney Channel, Disney Animation, Disney Motion Pictures, Pixar e Blue Sky. Coisa pouca portanto. Por outro lado, a Disneyflix não só pode chegar mais cedo do que se pensa, como pode já estar aqui. Este acordo dá à Disney mais 30% da Hulu. Ou seja, passa a ter 60% da plataforma de streaming, uma maioria jeitosa que lhe vai permitir evoluir uma marca que tem vindo a ganhar algum prestígio (The Handmaid's Tale é um original Hulu, por exemplo), em vez de criar do zero. Caso o Departamento de Justiça dos Estados Unidos venha a colocar entraves no negócio (recorde-se que, recentemente, os reguladores impediram a aquisição da Warner pela AT&T), a Disney pretende defender-se precisamente com o facto de precisar de aumentar os ativos para se defender da Google, Facebook, Amazon.com e Netflix (para além de que, se o negócio não acontecer, a Disney tem de indemenizar a Fox em 2500 milhões de dólares). Há ainda uma novidade que me parece trazer algumas implicações interessantes. A Disney vai ficar com a Blue Sky, o estúdio responsável pelos Ice Age, Rio, Ferdinando, The Peanuts Movie e uma das (poucas) alternativas à casa do Rato Mickey no mercado norte-americano. Não me parece que a animação da Disney possa ser assim tão fragmentada. A diferença entre a própria Disney Animation e a Pixar começa a esbater-se e tenho dúvidas que as três possam conviver durante muito tempo. Pelo menos nestes moldes. E passamos para aquilo que mais tem preocupado a Internet. O que vai acontecer com o filmes mais "adultos" da Fox? Sinceramente não acredito que venham a sofrer alguma espécie de censura. Não nos podemos esquecer que nos anos 90, a Miramax, a Dimension e a Hollywood Pictures pertenceram à Disney. Ou seja, o Scream, o The Crow e até um Halloween foram aprovados pela Disney.  O problema é que inconscientemente, só o facto de saber que os Simpsons, o catálogo MacFarlane e o Alien estão dependentes de uma companhia tão familiar e possessiva como a Disney, causa-me um pequeno arrepio na espinha. E afinal de contas a concorrência estimula a criatividade, não é? E quando acabar esta bolha dos super heróis, com o que é que vamos ficar?  [...]



Crítica: Star Wars - The Last Jedi. Este não é o Star Wars de que estavam à procura

Thu, 14 Dec 2017 11:00:00 GMT

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Talvez o maior elogio que podemos fazer a The Last Jedi é que, contra todas as expetativas, e apesar de levar às costas todo o peso do mundo, consegue surpreender e inovar.

Desde o início do filme que Rian Johnson assume uma postura de autoconsciência e de desconstrução daquilo que significa o Star Wars. Tornou-se óbvio que já não estamos nos anos 70 ou até mesmo nos 2000. A internet tornou-se uma ferramenta essencial da militância Star Wars e Johnson, com a plena consciência disso, usa-a a favor de uma narrativa que se adivinhava previsível. 

Rian Johnson brinca, ou melhor, trolla a malta da internet e deita por terra todas as teorias rebuscadas e as análises frame a frame dos trailers. É uma espécie de sucessão espiritual do I love you/I know, atualizando-o e ampliando-o a toda a narrativa. Todos os mistérios que foram sendo criados e alimentados pela fanbase durante os últimos anos são resolvidos de forma inesperada, aproximando mais este capítulo ao Return of the Jedi do que ao Empire Strikes Back.

Depois da epicidade insuflada das prequelas e da colagem do episódio VII à fórmula clássica, este corte com o passado é o que de melhor poderia acontecer a uma saga que, como disse George Lucas em 2005, já não tem tinha mais história para a contar.

É ainda digna de nota a refrescante camada de criatividade visual e conceptual que Johnson acrescentou à saga. Como seria de esperar, a ambiguidade moral continua a dominar o texto e o subtexto do filme, mas desta vez é-lhe dada uma série de twists refrescantes. Depois de 8 filmes, é bom ver que a força ainda tem alguns truques na manga. Alguns funcionam melhor do que outros, é certo, mas de um modo geral, e a esta altura do campeonato, acrescentar páginas ao cânone é um sinal de que ainda existe alguém interessado em contar coisas novas.

Dito isto, e apesar do balanço ser positivo, obviamente que não é um filme perfeito. O ritmo do primeiro ato deixa-nos um pouco apreensivos, há pontos narrativos perfeitamente dispensáveis e continuamos a ter uma série de personagens promissoras que não passam disso mesmo (nem tudo é justificável com a tal reviravolta nas expetativas). 

No entanto, numa saga que promete ainda nem ir a meio, isso pode ser facilmente corrigido nos capítulos seguintes. Depois daquele plano final, só podemos esperar que o senhor que se segue olhe para o Star Wars com a consciência de que o universo vai muito para além daquilo que conhecemos e que nem só de bonecos vive uma saga.

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Antes dos Wookiees e dos Sabres de Luz, era sobre isto que pensava George Lucas

Wed, 13 Dec 2017 14:27:00 GMT

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Para assinalar a estreia do Episode VIII, a Dust (uma plataforma online que se dedica a divulgar curtas de ficção científica e que é subscrição obrigatória para qualquer nerd que se preze) acabou de colocar no seu canal do YouTube a curta-metragem "Electronic Labyrinth: THX 1138 4EB".

Trata-se de uma curta realizada por George Lucas enquanto estudante de cinema e que acabou por servir de base para a longa "THX 1138".

Embora já andasse pelo YouTube há algum tempo, esta é a versão mais limpinha e oficial que encontrei até ao momento e só por isso já merece um destaque.

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Sobre a curta em si, é o que se poderia esperar de um estudante de cinema dos anos 60. Hoje em dia, qualquer adolescente com uma DSLR, tutoriais do YouTube e uma versão pirata do Adobe After Effects consegue fazer uma coisa mais vistosa. Mas é curioso pensar que sem ela, esta seria provavelmente uma simples semana de estreias de dezembro.




Danny Elfman vai usar o tema do "Batman" de Burton em "Justice League"

Thu, 02 Nov 2017 12:44:00 GMT

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Numa entrevista ao Reporte Indigo, Danny Elfman revelou que vai voltar a usar o tema que compôs para o Batman de 1989 em "Justice League" (ok, na realidade não foi assim tão direto, mas a ideia foi esta).

A notícia não é de todo supreendente. Se ouvirmos com alguma atenção o tema da banda-sonora do Justice League que foi divulgado há coisa de uma semana, não é difícil perceber as semelhanças entre a nova composição e o tema de 89.

Parece que a Warner/DC compreendeu finalmente que usa das suas mais-valias em relação à Marvel é o seu património musical do caraças que faz parte do imaginário coletivo. Ou então é só o tio Danny a ser preguiçoso.

Seja como for, quero ver/ouvir o que vai sair daqui.




Temos dois novos trailers de "Spider-Man: Homecoming". E sim, contam demasiado.

Wed, 24 May 2017 09:47:00 GMT

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Parece que hoje é dia de festa para os lados da Marvel. Acabadinhos de chegar à internet estão, não um, mas dois trailers novos de "Spider-Man: Homecoming".

O primeiro é destinado ao mercado doméstico norte-americano e é basicamente uma reedição das imagens já existentes, salpicada com um par de imagens novas.

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O segundo trailer destina-se ao mercado internacional e é altamente desconselhado a quem não quiser saber demasiado sobre o filme. Ou seja, basicamente contam o filme todo (mas os videologs iniciais são porreiros).

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"Spider-Man: Homecoming" chega às salas a 6 de julho.




Crítica: Alien Covenant. Sangue e filosofia

Tue, 23 May 2017 11:51:00 GMT

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O franchise Alien é tanto uma série de filmes sobre um bicho com duas bocas que mata gente, como Night of The Living Dead e respetivas sequelas são filmes sobre mortos devoradores de cérebros. O bicho interessa, claro: é inegavelmente uma criatura fascinante, que representa ao mesmo tempo o medo e a atração pelo desconhecido. Mas mais do que o fim em si mesmo, é o elemento ao redor do qual se exploram e desenvolvem outros géneros. 

Alien: Covenant é a sequela mais ou menos direta de Prometheus, provavelmente o capítulo mais ambicioso de toda a saga. O filme de 2012 levou a mitologia da série a todo um novo patamar, levantando questões, apontando caminhos e sussurando respostas. 

Aviso à navegação: embora tenha tentado fugir às revelações desnecessárias, torna-se difícil falar de alguns aspetos de Alien: Covenant e de Prometheus sem referir factos que podem ser considerados spoilers. Avancem à cautela.

Tal como em Prometheus, também em Covenant a ideia de criação e de criador é o pilar essencial de toda a narrativa. No filme de 2012, o foco estava nas criações e nas várias formas de lidar com a ausência de conhecimento - que podiam ir da aceitação à obsessão pela finitude. Aqui o foco está no criador, que se traduz desde logo na missão da Covenant (ela própria criadora de novos mundos - civilizacionais e pessoais), passando pelo seu novo capitão (um criacionista convicto que se sente vítima de discriminação), acabando no confronto físico e emocional entre David e Walter, uma criação promovida a criador, obcecada pela perfeição, e uma criação empenhada (forçada?) em cumprir o seu papel.

Mas como é que isto tudo se encaixa num filme que tem a obrigação de ter litradas de sangue? Durante a maior parte do tempo, surpreendentemente bem.

Ridley Scott demonstra mais uma vez que é um exímio criador de universos e de mitologias e que, apesar dos seus quase 80 anos, ainda sabe perfeitamente quais os botões certos a premir para transmitir ritmo e emoção (a primeira meia-hora é o sci-fi mais puro e clássico que vi no cinema em muito tempo).

Provavelmente, a necessidade de se afastar de Prometheus para satisfazer os fãs de Alien, acabou por limitar a caracterização da tripulação, nomeadamente de alguns personagens que acabam por ser pouco mais do que "carne para xenormorfo" (ao ponto de Scott se ver "obrigado" a lançar prólogos para ajudar o público a familiarizar-se com os personagens). Mas a vida é assim e temos de viver com o que nos chega às mãos.

No fim, o balanço parece-me positivo: os fãs de Prometheus acabaram por ter algumas das respostas que queriam (e ainda mais perguntas para alimentar os fóruns até à estreia do próximo filme) e os fãs do xenomorfo sanguinário têm aqui alguns dos momentos mais explícitos e criativos de todo o franchise.

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Primeiro trailer completo de "The Emoji Movie". Afinal isto vai mesmo para a frente.

Wed, 17 May 2017 10:15:00 GMT

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A ameaça concretizou-se. Apesar de alguns rumores que indicavam que, depois da pobre receção do primeiro teaser, a Sony tinha desistido disto, eis que nos chega o primeiro trailer completo de "The Emoji Movie".

Se alguma vez se perguntaram o que aconteceria se alguém juntasse na mesma liquidificadora o "Wreck-It Ralph", o "Inside Out", o "Lego Movie" e o emoji cocó, aqui fica a resposta.

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Crítica: "Get Out" (2017)

Tue, 16 May 2017 11:39:00 GMT

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Aquilo que mais me impressionou em "Get Out", obra primogénita do até agora comediante Jordan Peele (digo até agora porque a partir deste momento todos vamos olhar para ele com outros olhos), foi o facto de, apesar dos pequenos problemas estruturais e do ambiente marcadamente surreal, é um filme habitado por gente a sério. Não há decisões idiotas nem falsas dúvidas dramáticas. Os personagens agem, falam e raciocinam como qualquer um dos espetadores, e isso, num género em que é tão fácil cair em lugares comuns, é de louvar.

No entanto, essa é precisamente a razão que está por detrás do seu principal problema. "Get Out" é incapaz de aguentar o mistério muito tempo. Simplesmente não o poderia fazer sem sacrificar a sua metódica lógica interna e a credibilidade dos personagens. 

Ao tentar reproduzir uma estrutura talhada para um episódio clássico da "Twilight Zone" (30 minutos) num filme de quase duas horas, acaba por criar desequilibrios inevitáveis. Temos um primeiro ato e um payoff curtos e eficazes que contrastam com o recheio demasiado massudo do segundo ato, sobretudo se tivermos em conta que a solução do mistério torna-se óbvia logo no início do ato, tanto para nós como para os personagens. Isso leva a que grande parte do filme acabe por servir apenas para aprofundar a crítica social de uma forma demasiado óbvia e panfletária.

Obviamente que isso não retira os méritos ao seu realizador/argumentista, que consegue aqui um interessante thriller social (expressão usada pelo próprio) cuja mensagem, interpretações e mestria técnica são suficientemente fortes para aguentar a tensão, sem nunca precisar de recorrer a mecanismos de choque fácil como o gore ou o torture porn.

Que venha agora o próximo, senhor Peele.

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Judge Dredd também vai ter série de tv

Thu, 11 May 2017 08:21:00 GMT

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Depois de 5 anos à espera da sequela do excelente "Dredd", de 2012, eis que nos chega a notícia (inesperada?) de que o icónico personagem de B.D. está a caminho da televisão.

De acordo com a E.W., os responsáveis do estúdio independente IM Global e a Rebellion (dona dos direitos do personagem) estão a preparar uma série em imagem real para televisão chamada "Judge Dredd: Mega City One".

De momento não se sabe mais nada sobre o projeto, nem se esta produção está de algum modo relacionada com o filme de 2012, mas se tivesse de apostar, apostava num não.

Ah, e já há poster e tudo.

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Prepara-se um reboot de "Hellboy" sem Del Toro nem Perlman

Tue, 09 May 2017 08:50:00 GMT

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De acordo com o THR (e um post do Facebook do Mike Mignola), a Millenium Comics está a negociar com os produtores Larry Gordon e Lloyd Levi a aquisição dos direitos de Hellboy tendo em vista um reboot.

Ou seja, podem esquecer o Ron Perlman e tudo aquilo que Guillermo Del Toro foi cozinhando em Hellboy e Hellboy 2: The Golden Army. 

O novo filme, com o título até ver provisório Hellboy: Rise of the Blood Queen, vai começar tudo do zero. Neil Marshall (The Descent) vai sentar-se na cadeira do realizador (Rated R, obviamente), e David Harbour (Stranger Things) é o principal candidato a viver o demónio vermelho.

A minha questão é: então não há público para uma sequela de uma das séries de super-heróis mais respeitável dos últimos anos (e que os fãs nunca esqueceram) e há público para o tiro no escuro que representa um reboot?