Subscribe: Ilumine o espaço e o tempo... por Alice Salles
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Preview: Ilumine o espaço e o tempo... por Alice Salles

Alice Salles...





Updated: 2014-10-14T19:31:17.002-03:00

 



Em vez de tuitar, bebo água

2012-09-12T21:57:46.139-03:00

E por onde anda a necessidade se a vontade se confunde tão facilmente com carência? Não sei entender muitas das coisas que faço ou deixo de fazer e por razões talvez excêntricas, abandonar uma plataforma como o twitter não foi algo simples; e nem um pouco difícil.Pois é.Hoje, toda vez que senti qualquer vontade de voltar ao twitter, decidi beber água. É isso mesmo. Cada vez que tentava achar um substituto de 140 caracteres, eu parava tudo e bebia mais alguns goles d’água. Talvez, substituição não faça a diferença e tuitar em si não mude absolutamente nada mas, a sensação com que eu contava não apareceu. Sempre pensei que aprenderia que abandonar algo que faz parte da sua rotina por anos é no mínimo, brutal, mas o que eu descobri foi que abandonar aquele meio feed meio novela é, no máximo, como abandonar um par de botas baixas que funcionava bem com leggings mas que não dá conta do recado em dias de chuva ~[...]



Brando, Hardy e Warrior e o que todos eles tem em comum

2011-10-04T22:53:15.399-03:00

Tom Hardy. Why so foda?O ‘Brando Britânico’, é como chamam esse rapaz de torso bem desenvolvido, dentes esquecidos e olhar pouco convidativo. Homem desses que nos força a esquecer o que era mesmo que estávamos assistindo, mesmo que por poucos segundos. Vira e mexe odiamos sua presença pouco confortável. Entre uma lágrima e um suspiro bobo, uma vontade de se retirar do cinema. Moços como o Hardy possuem esse estranho charme seco que por pouco não cancela o que é prazeroso de se examinar. Homens sentem-se compelidos a acreditar no que ele esconde. Mulheres sentem-se atraídas pela forma como ele permanece longe de qualquer atenção especial.Aquilo tudo é ele mesmo.Um monumento de carne e osso todo rabiscado presente ali, inteiro na tela. Relutante e brilhante em uma só sentada, sem dó de quem nunca poderá chegar perto. Sem pena alguma por quem não pode sequer encontrar alguma saída para essa ilusão de homem criada durante uma hora e meia de... filme bonito.Ah... suspiros. O Brando fazia isso, do jeito todo grosseiro dele. Hardy faz o mesmo, com um cinismo tão calculado que beira a autonegligência. A impressão que fica é o que a realidade teima em esconder: ele é perfeito.Como Brando era perfeito.Por uma hora e pouco, esse homem de sonho inferniza nossas cismas. Bruto e sem arte, real e hábil como todo homem em sua essência deveria ser. Ah Tom Hardy, porque tão homem? Tão sem brilho e tão cruel.Minha vida e muitas outras por aquilo que tormenta suas ideias.  (Isso tudo pra dizer que o filme ‘Warrior’ vale muito a pena. Tenho dito.) [...]



nada se perde (nem se ganha)

2011-10-05T02:32:07.427-03:00

~Pensei que sentiria algo. Qualquer coisa. Um toque de arrependimento ou de raiva ou qualquer negócio semelhante a algum dilema moral, algum carinho pendente, um resto de ego ferido, um tal de desejo mal resolvido... mas não. Não sinto nem senti absolutamente nada.Nem um sopro de alguma coisa que jamais irei compreender. Um frio qualquer.Nada.Enquanto imaginava que conhecia a raiz dessa paixão de ocasião, pensava também ter certeza absoluta dos rumos que tais histórias tomariam. No fim percebi que nem a raiz nem o intuito da questão estavam sob o meu controle, mas nem por isso o mundo perdeu seu tom vermelho, nem minha terra perdeu o gosto de sonho, nem minhas palavras perderam seu volume imperceptível aos mortais com ouvidos destreinados.A dor poderia ter sido aguda, a brutalidade uma forma de colocar tudo de volta no seu lugar, mas a verdade é que nada do que aconteceu me fez sentir qualquer coisa além de...Um grande nada.Tempo perdido? Nunca.Tempo. Sim.Tempo mal investido? Não. Tempo. E por coisas dessas como o tempo, baseadas em teorias quase frustradas nós não perdemos o sono. Muito menos a piada. Muito menos o texto hermético, esse tal desse mundo de palavras cruzadas. Não perdemos nada não, nem ganhamos.Chegamos a alguma conclusão? Não. A algum método mais eficiente de se viver a vida? Definitivamente não. Chegamos ao fim de algo que nunca foi e a esse fato brindamos, porque a vida é cheia deles e nem por isso o vento lá fora para de protestar.~~[...]



doubt not, I love

2011-09-25T02:55:33.398-03:00

doubt thou, the starres are fire,doubt, that the sunne doth move:doubt truth to be a lier,but never doubt, I love.Suas mãos.Já serviram como ponto de referência, como memoria repleta de utilidade em momentos custosos. Como certeza de algum tipo de tranquilidade que antes da certeza de você, não poderia jamais existir.Enquanto um mundo preocupado com aquilo que não parece ser mais do que um mecanismo sem forma nem motivo, eu sou o que sou porque conheço o valor dessa certeza insolente. Tamanha perfeição irresistível: suas mãos. Sem origem nem final escrito em lugar algum além de uma memória fiel ao seu dever. Elas falam e que sigam falando só para mim, o mundo não liga. O mundo só ouve aquilo que quer ouvir, essa verdade é o que é e por isso repito...Suas mãos. As mãos que todos decidem não ver e que são minhas por direito. São tudo o que jamais tive e nunca mais precisarei esperar para tocar.~Sentido - Cadê? Perdido na mudança.[...]



Scorsese, John Lennon, Jung e eu

2011-09-22T13:05:59.986-03:00

Eu. Duas letras que não querem dizer absolutamente nada. A diferença entre o E e o U é responsável pelo conteúdo. É como se tudo começasse com inúmeras oportunidades e terminasse num retorno forçado.Pois bem, eu.Tenho mil manias mas não conto, aliás conto tudo. Pessoalmente. Lembro da minha mãe tocando Debussy e choro copiosamente, toda vez. Enquanto chove consigo ver como num filme a mão de pele morena escura cheia de veias, cheia de manchas enormes e dedos fortes, longos e precisos do meu pai segurando a minha mão de criança, olho para baixo e vejo os sapatos impecáveis pisando em poças intermináveis, sinto até o cheiro dele. Toda vez. Tomo café o dia inteiro. Não é por falar não, é verdade.Precisaria que o mundo entendesse minha necessidade de escrever tudo em forma de carta. Prefiro o John Lennon, mas isso todo mundo sabe. Prefiro também o Keith Richards, isso nem todos sabem. Entre Beatles, Rolling Stones e Pink Floyd, sou Beatles e de vez em quando Rolling Stones, nunca Pink Floyd. Eu curtia a Ginger Spice. Meu primeiro filme favorito foi ‘Garotos de Programa (My Own Private Idaho)’, tinha dez anos. Meu segundo filme favorito foi ‘Basketball Diaries’ (não lembro em português). Doze. Meu terceiro filme favorito foi ‘Clube da Luta’ e minha lista termina por enquanto.Minha primeira paixão louca foi por um professor – insira a palavra correspondida aqui. Calço trinta e nove. Sou um metro e setenta de pura e total insanidade, agora sei bem. Sou flexível e danço, o tempo inteiro, até quando parece que estou só aqui sentadinha. Não acredito em se ter alguém. Acredito em paixão e no meu caso ela não morre. Não acredito em deus. Não acredito em nada, só sei de coisas variadas. Sei porque sinto que é, não porque a lógica permite. Não sou da lógica mas sou a pessoa mais justa que você jamais irá conhecer.Sou fisicamente forte. Mesmo. Já me livrei de homens tentando me segurar a força, se é que você me entende, já peitei PM coxinha sendo racista/sexista e sempre ganhei. Já passei por incêndio e acidente de carro. Já servi de segurança pra amiga minha em show lotado. Nunca fico doente. Sou daquelas que causam revoluções por pura convicção romântica, no fim sempre me dão razão. Sou romântica, de verdade – romântico, adj. relativo a romance; poético; fantasioso. Ficou decidido no alto dos meus quinze anos que eu era a reencarnação do Rimbaud até segunda ordem. Me acho linda mas secretamente me acho um horror.Sou má, mas sou a melhor pessoa do mundo pra quem amo e às vezes amo a pessoa de cara, sem motivo aparente. Vivo em Hollywood num prédio dos anos vinte. Fantasio a respeito das inúmeras meninas platinadas que tentaram a sorte e que por algum tempo aqui viveram. Sei de histórias. Algumas foram embora, outras deram certo. Muitas morreram de forma trágica. Hollywood é filme noir, constantemente.Adoro dirigir, odeio que o mundo ainda usa petróleo. Amo o oceano de tal maneira que preciso ficar longe por medo de num momento de loucura querer ‘retornar’ pra dentro dele. Golfinhos aparecem pra mim o tempo todo quando estou na praia, mas ninguém nunca parece notar. Tiro foto pelo momento do ‘ah, isso sim vale a pena’. Geralmente odeio gente, principalmente gente muito barulhenta. Odeio quem usa perfume demais e/ou de menos. Gosto de homem com barba, tenho desejos insaciáveis por bocas que nunca irei beijar, rasgo cartas e sempre jogo metade numa lixeira, metade em outra. Mania. Uso muito preto e flanela. Parei nos anos noventa. Compro livros de uma maneira doentia, meus melhores amigos são mulheres mais velhas do que eu ou homens que já me amaram. Uso bota e converse. Só.Não gosto de esporte nenhum mas secretamente sei regra de tudo. Assistia corrida feliz com o meu pai todo domingo de manhã. Amo muito meu irmão. Se ele morresse não sei mesmo o que seria da minha sanidade mental. Muitos diriam que sou desequilibrada e [...]



do caderno.

2011-09-01T23:17:21.966-03:00





É isso e mais um pouco disso.

A competência dá lugar ao vazio. Esse tempo é aquele tempo que não volta mais, mas você não consegue fazer com que o outro sinta a mesma urgência.

A mesma exatidão da vontade que você sente.

Não é fácil, mas ninguém algum dia disse que fácil seria o meio.






diálogo - e daí?

2011-07-23T05:08:05.821-03:00

- Oi. - E aí?-Que foi?-Que foi o que? -Que foi?-Num foi nada.-Mas…-O que?-Tem cert…-Você perguntou o que foi -Isso-E eu falei que num foi nada.-Pois…  sim, claro, eu sei.-Então.-Mas eu não..-Não to entendendo.-Deixa.-Deixa o que, putaqueopariu-Deixa que eu não quero mais saber.-Mas saber o que?-O que foi.-Mas num foi nada, paputamerda!-Tem certeza?-Tenho.-E como eu sei?-Você me ouve, não consegue ouvir?-Para de ser assim, não precisa dessa grosseria!-Precisa do que? Você ta ficando um chato, velho-Eu?-É-Eu que to chato?-Isso.-Mas eu te conheço…-Sim, e?-E sei que você tem coisa aí…-Coisa aí? Tipo…-Tipo coisa que você quer falar.-Ah sim.-PORRA!-O que?-Mas porque falou que não tinha?-Mas não foi isso que você me perguntou, criatura!-Eu preciso ser óbvio?-É o mínimo, ou num é?-É?-Claro!-A deixa pra lá.-Não quer mais saber?-Não, cansei.-Beleza.-Tchau.-Até… …-Hei-O que foi?-Pergunta denovo?-…-Por favor.-…O que foi? -Sei lá, to triste.-Eu sei que você tá.-Ajuda eu?-Não sei como.-Mas… por quê?-Porque eu não to bem também ué-A gente tá tudo fodido, é isso?-Tamo-Foda.-Uma merda.-É.~~ [...]



ultimo dia de brasil, yet again

2011-07-20T02:40:32.465-03:00

‘then you feel small, as tiny as the car down the road; and all the things you so firmly believed yesterday turn into somebody else's words.’ errr... myself.O eco sempre me pareceu ainda mais insuportável do que o grito. O pânico causado pela repetição da impressão do sofrimento. A revolta que sinto quando tudo o que mais espero é que o fim chegue rápido; um fim que tenha gosto de fim na boca, porque o grande problema de tudo aquilo que tem começo é a falta de um ‘the end’ para que os créditos rolem.-mas os créditos nunca rolam.Esse é o mal de quem assiste filme porque gosta de chegar ao fim com algum gosto na boca, alguma conclusão emocional no peito, alguma lágrima no canto do olho; esse é o mal de quem se aborrece por não viver aquilo que foi prometido.-mas a promessa foi ilusão que você criou. alguém te prometeu algo de fato?A ilusão. A luz que dança diante da tela. O mundo é bonito visto daqui e é ainda mais bonito porque tudo acontece sem a nossa interferência. Bonito e triste.O tal do eco.A repetição e a insistência daquilo que te atormenta quando o grito era tudo o que você precisava. A tal da falta de coerência.Mas a gente segue assistindo o filme da poltrona. Mãos indecisas sobre pernas nervosas. Talvez assim, logo que os créditos começarem a rolar, irei notar que o assento do meu lado tem dono e que, assim como eu, tudo o que ele precisava desde o começo era de um pouco de tempo.É. Talvez.[...]



das cartas que não foram: dallas, tx.

2011-06-30T03:46:27.666-03:00

Will,Aqui os dias são eternos. A luz parece que corre sem medo por detrás da terra enrugada que, sem descanso, responde preguiçosa, fique mais, fique pelo tempo que for... Você tem tanto o que fazer por aqui.Sim, o sol tem tanto o que fazer por aqui, mas eu não tenho não e não terei até a hora de você chegar. Nesses dias em que os dias são eternos, as noites são curtas e respondem rápido. A reação é sempre a mesma: recolha-se. Ele já vem.Pois eu nunca ouvi isso dos teus lábios, meu amorVocê já vem, acredito. Com o vir trará qualquer coisa parecida com culpa, creio eu em minha infinita bondade quanto à sua pessoa. Trará também uma indecisão digna de alguém frágil escondido num corpo cheio de peso de homem do tamanho certo. Trará fome e carne, tudo no mesmo pacote. Trará o que sobrou de mim de volta para o berço. O começo de tudo. O seu começo.Eu aqui vivo por você e espero diante de uma janela generosa demais. O sol dessa terra ri de mim enquanto a lua espia com pouca vontade. Enquanto o tapete estiver torto e o quadro um pouco manchado, as velas mal arranjadas e as flores levemente murchas, essa terra continuará a esbanjar dias eternos.E, devo perguntar, como viver dias eternos sem a dedicação abandonada ao momento em que te sacar será como presenciar a grande diferença entre o dia e a noite? Será essa a única realidade que conhecerei? Viver à espera de uma promessa silenciosa.Eis o peso e o prazer de cuidar de viver mais dias desses dias eternos.Até que essa o encontre com saúde suficiente para que a resposta seja a sua presença pronta para a minha fome.E lembre-se, dias de sol são só dias de céus de um azul intenso.É.Laura A.,27 de setembro de 1992, Hospital Psiquiátrico de Timberlawn - Dallas, TX.foto daqui.[...]



amor fora de hora

2011-06-08T02:05:25.929-03:00

~ Aposto qualquer coisa que ele gosta de mim. Entre um pensamento e outro de absoluto terror causado por algum maldito prazo, aposto que ele pensa em mim.  Entre um diálogo e outro ele deve descrever alguma personagem como me vê e em pânico se esconde atrás do copão gigantesco de chá gelado. Aposto qualquer coisa que ele é quieto, doce, descabeçado. Que coloca meias de pares diferentes e que usa gravata com aquele moletom com capuz porque nunca percebeu que os dois não combinam. Aposto um mundo que ele morre de vergonha de mim e que para tudo pra prestar atenção no que eu faço até o momento que ele percebe que horas se passaram e nenhuma linha foi escrita. Aposto que nada parece certo. Nunca. Aposto que nada seja fácil. Aposto um milhão que ele gosta de mim.Aposto que vou perder a vontade de ficar nessa espera. Aposto que ele nunca vai me perguntar nada portanto aposto que nunca irei responder. Nunca vou me atrever a contar que quero, mas não posso. Não agora, não assim, não tão rápido mas que quero. Aposto que ele não sabe que eu quero. Aposto que querer, na cabeça dele, seria o suficiente e num mundo perfeito também. Aposto que ele também não sabe que o mundo é perfeito e imagina que, como no seu roteiro, o rapaz vai entender logo qual é a solução para todos os seus problemas: amor. Aposto que comédia ele não escreve, aposto que drama também não seja seu forte. Aposto meu carinho por ele que nada é o que parece ser e no entanto é... porque quero que seja. Aposto que ele me quer porque eu o quero, não sei como nem onde nem quando nem se isso tem cabimento, mas aposto que todas as respostas cairiam no esquecimento se em determinado momento ele simplesmente dissesse que sim, ‘apostas todas ganhas, Miss Awesome Alice’. O mundo é meu e um milhão de dinheiros também.Mas tempo com ele é o que quero.Aposto que logo todo o tempo dele seria também meu. ~[...]



pai.

2011-09-02T00:23:52.681-03:00

***Eu não entendia o porquê, depois da siesta uma meia hora sentado ao lado do equipamento de som antigo sintonizado na estação de música clássica. Jornal lido da manhã sobre a mesa de centro, sapatos impecáveis, restinho do cabelo que sobrava na cabeça bem escovado, ombros largos, tão largos que era difícil de alcançar com os meus braços ainda curtos.   Contestava. Eu contestava o porquê da música clássica, do sapato impecável, da roupa sempre bem passada. Contestava o porquê da posição politica tão bruscamente removida do que antes era o seu bem maior. ‘É diferente por causa daquilo que ainda é meu bem maior'. Centenas de pessoas que ajudou durante a vida, advogado de causas nobres, perdeu a vontade de cobrar, aceitou ser tomado conta calado, esperou por milagres infindáveis, se orgulhou inúmeras vezes da minha personalidade independente, mas quando a independência mostrou a tendência subversiva (pelo menos dentro de casa) de se jogar a favor de uma cultura que era sinônimo de inferno, o mundo caiu.  Não entendia o inglês, não conseguia falar o nome do rapaz de cabelo comprido no poster do quarto. Perguntava pela razão da minha depressão, pedia pela minha ajuda sem me explicar o que sentia, calava com um tipo de dignidade única que nunca mais encontrei em ninguém. Não mostrava dor, só mostrava carinho, o tempo todo, com todo o mundo. Com todo um mundo. Quem pode dizer isso? 'Meu pai só tinha carinho por tudo no mundo?' Eu posso. Eu posso. Feliz aniversário para alguém que fez da expectativa um estilo de vida. ~~ [...]



dúvida

2011-04-18T19:07:07.504-03:00


-- às vezes eu não tenho certeza se sou muito lúcida ou muito estúpida....


'repaginando o tempo, o espaço, reformulando as idéias, os pensamentos que na realidade fina e cruel em que vivemos, nunca de fato mudaram. a mutação, antes de mais nada deve ser aceita como uma forma alternativa do mesmo e sendo o mesmo algo semelhante ao que o sinônimo representa, a mudança deve ser no fim um sinônimo do idêntico.'  --





o fim do mundo chegou, diz a opinião geral

2011-04-11T02:15:22.075-03:00




É fácil prestar atenção na desgraça alheia, emprestar alguns curtos momentos do dia para que a sensação de compaixão supere o conforto claramente assumido como norma. É fácil conversar em volta da mesa do café sobre o que acontece do outro lado da terra, do outro lado do oceano. É simples e bonito tuitar alguma coisa sensível em relação à dor de outro alguém que você não conhece. É incrível ver revoluções tardias, ditadores arredios arremessados aos leões, humanos ou não ajudando uns aos outros em momentos de desastres naturais não tão naturais assim, é tudo muito... é.

De um lado assistimos a tudo como os telespectadores esfomeados que somos e apontamos os dedinhos na direção de quem - ouvimos dizer - ser o culpado. Adoramos emitir opinião, adoramos transmitir essas chamadas opiniões por todos os canais possíveis.

Mas para mim, bom mesmo seria descobrir como se faz pra encontrar aquele botão do 'não senhor, o senhor não tem a mínima razão, deixe sua opinião do lado de fora porque obviamente, ninguém pediu por nada do gênero no recinto', e partir calmo para a próxima desgraça mundial, a próxima praga, o próximo escândalo.

Opinião parece que todo mundo tem, a verdade é que não, não tem não. Opinião é um negócio raro, difícil de ser conquistado, dolorido. Opinião é algo que não se pode ser entregue nem presenteado, não se vem à tona com leveza nem à boca com ar de 'fica-a-dica', opinião se forma. Tudo o que se forma precisa de base, conceito, conhecimento.

Conhecimento, como já sabemos, é uma coisa. Informação superficial e em massa é outra. 

Conhecimento é experiência e informação combinados num esforço sem fim de se alcançar a raiz de qualquer assunto. Opinião é trabalho duro e o que me deixa louca é ouvir merda conhecida como preguiça e mediocridade pintada como consideração, ideia ou até mesmo... opinião.

Buscar por respostas nas cabeças falantes da TV é tão fraco, tão particularmente vazio quanto não buscar por resposta nenhuma e inventar todas como se o conhecimento fosse algo exclusivo dessa fonte infinita de palavras que nascem nesse viveiro de piolhos que todos nós possuímos. É isso.



***


foto daqui.



constância

2011-02-23T18:42:54.959-03:00




- enquanto os pássaros ainda sobrevoam minha estância, resisto a tudo aquilo que resiste aos meus segredos. o ar está denso, o céu escuro e triste... o mar permanece sereno. eu espero, atenciosamente.

o tempo pode ser brutal e venenoso mas não me espanta, o que me espanta é a visão da cor clara dos seus olhos me esperando de longe, pensando o mesmo que penso agora e agora e agora e... - 


***

foto daqui.



saudade paulistana

2011-01-25T21:49:24.056-02:00

Dá um beijo nas criança, tio Mi, um beijo na tia Eduarda, muitos beijos dessa terra etérea. Mande um abraço pra todo mundo por mim, muitos apertões nas bochechas, muitas cheiradas nos cangotes alheios, muitas noitadas nos cafés da vida, muitas manhãs de pão com manteiga na chapa, pingado e suco de laranja tirado na hora... tio, vê duzentos gramas de pão de queijo 'pra nóis?', não, só pra mim. Tá tocando O Barquinho, maysa ou elis? Elis. Mas essa eu gosto Maysa.Que ce quer? Pode me ver um baurú, óquei... proce porque num como carne. Manhê, eu pedi pro moço encher isso aqui de catupiry, me vê mais dois café faz favô, que carioca o quê! Café com leite.Eu sou a verdadeira café com leite, o leite do seu café. A azeitona do teu requeijão.Pois esse ônibus tá lotado, 'pega o próximo', não! Preciso estar lá agora! O bilhete tá pra vencer... pula a catraca!Alice, que bicho do mato você, vai aparecer hoje? Não. Amanhã? Não. Mas quando vamos nos ver? Quando você aprender a gostar de sentar na calçada e beber... café. Breja? Nunca. Cheira e fede à xixi de gato.Perdi Nietzsche no metrô ontem...Te encontro no Santa Cruz, a gente pega a sessão das quatro e para pra comer no Bertioga, logo que o cidadão ali resolver se vem ou não vem... por sinal encontrei com u Zé no Tortula, ele tá gordo e bobão como sempre, você viu a Isabel? Continua com aquele quilombo no queixo... para! Vamos parar rapidinho no Rei do Mate?Copão de pão de queijo!Cinema...Cafeera?Johnny, não tire o dia por nós, a Si não vai aparecer...E o Mafra? Sumiu, ninguém encontra!Nóis já vai, e antes vamos pagar de rico no Morumbi?Vamos, depois de parar no Rei do Mate...Tarde assim só o Fran's, Nathy 'mas eu ainda to esperando o Chico, Li!'ai ai, 'Alice vai, continua que eu te espero aqui', porque? Vem comigo! 'ce tá rapida demais pra mim...', eu preciso parar no Brachesquento, vê se tenho fundos...'vai que eu te espero aqui...' mas meu amor!Deixa rodar a maquininha, a barraquinha, minha bonitinha... pagou o estacionamento? 'não, não tenho dinheiro...' caráleo...amor à la Paulistana...***[...]



rambling

2011-01-17T16:49:34.916-02:00

que prazer, o da alegria extraordinária. o fruto de um grande choque entre o prazer físico de se banhar em um rio daquilo que se deseja e o gozo emocional de se encontrar seguro daquilo que você sempre soube durante tanto tempo: que esse dia viria ao seu encontro, mais cedo ou mais tarde.

alegria extrema. o culto ao sentir, que seja intenso em conexões nervosas, rico em excessos deliberados de gostos e faíscas, real em cor, cheiro, toque. real em vida.

porque o que nos faz feliz é feliz por nos fazer feliz.

porque o que nos enche de dor e prazer reutiliza nossa vontade e ação de sentir para que o sentir nunca morra, para que ele continue real em cor, cheiro, toque.

que prazer, o da alegria extraordinária. do compreender que o amor não vai além do que você é, o amor se reinventa em formas invisíveis mas evidentes. ele toma a forma dos seus lábios e das lágrimas dos seus olhos, ele permanece vibrante nos seus nervos, ele não é de aço nem de músculo, ele é de eletricidade.

você é condutor.

a alegria extrema do permitir.

permitir que o todo permaneça inutilizável, entender que a pequena revolução transforma universos, entender que o gosto do prazer é o mesmo gosto que sua boca carrega, que seus olhos corrompem, que suas mãos desatam.

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Tom Waits lendo poesia do Bukowski.

***



baby, think ya used enough dynamite there?

2010-12-20T03:25:48.476-02:00

'boy, I got vision, and the rest of the world wears bifocals....'Butch Cassidy, personagem vivido por Paul Newman (os olhos azuis mais amados da minha mamãe)Uma das minhas atividades favoritas é ficar quieta. Prestar atenção no que geralmente não recebe nada da mesma, regular em mim o desejo de se desejar: um tormento, para aqueles que me conhecem. Mas sim, gosto de fazer com que isso seja rotina mesmo que a rotina em si não permita; o truque é manter o truque vivo.Seguindo...Numa 'conversa' entre Martin Scorsese e um bando de louco (eu tava la) ao vivo num teatro das antigas aqui em Hollywood (eu moro na área, para aqueles que não sabem que eu não to mais em Gotham), alguém o perguntou sobre como ele se sentia em fazer 'filmes de época', e é claro que o Mr. Director respondeu qualquer coisa de estonteante sobre tais películas (você não ama o som de um Argentino falando essa palavra com gosto?). O que ele disse?Com aquele olhar de nerd debaixo de óculos maiores do que a própria cara, Marty sorriu nervoso e disse 'não existe isso, filme de época? o tempo é agora, o ontem é o que vivemos hoje, o que viveremos amanhã, nunca vi um filme sob esse ponto de vista, a época não vai necessariamente fazer da história algo mais ou menos importante pros tempos atuais' e seguiu com o seu discurso tímido mas no ponto: o tempo é agora.Hoje, enquanto ficava quieta como é de costume, pensei nisso. O rabisco de chuva lá fora que já dura três dias, coisa atípica em Los Angeles, manteve o ar do aqui de dentro ainda mais acolhedor e na TV (monitor grandão extra ligado no meu notebook, não tenho televisão) passava um filme 'velho' mostrando imagens de certos rapazes lindos e familiares, deixando algumas frases tão comuns reverberar na minha caixola enquanto o pouco do que fazia sentido se mantinha adormecido...Um daqueles rapazes já morreu: Paul Newman. O outro continua vivo e enrugado, cheio de projetos que geralmente são recebidos com alguma resistência e narizes tortos por meia indústria (Hollywood) ou são aplaudidos com louvor pela outra metade. Eu nunca fui muito com a cara do segundo mas ando mudando de opinião. Antes ele representava coisas chatas e sem criatividade, hoje já vejo tudo o que ele faz com outros olhos. Já com o Paul Newman as coisas sempre foram diferentes, sempre amei my cool Luke e seu sorriso gostosão e olhar que sempre derreteram o coração da minha santa mãe, a Lucinha... A questão é que, tudo o que se passava na história diante de mim, o conteúdo do olhar de um, a carga emocional na voz do outro, as palavras e cenas repetidas sem cansaço pelo projetor (gosto da palavra, não que eu tenha um 'projetor' sobrando) me lembraram que nada, absolutamente nada mudou e que o tio Scorsese tinha plena razão, o tempo é agora.O filme, feito em 1969 mostra uma época completamente diferente da minha - também diferente da época em que o filme foi feito, já que a história se passa no começo do século 19 - com valores e formalidades que hoje não existem, com uma tecnologia boçal e proto-histórica mas com qualidades humanas imutáveis. Com detalhes que talvez não se repitam na história com as mesmas personagens mas com outros... que vão sempre manter a qualidade bruta que tanto amo em nós, membros dessa raça imbecil: a resistência contra tudo aquilo que não é realmente simples que no fim sempre ganha.Ou será que eu claramente sou cheia de esperança estúpida demais? Quem sabe... 'it's a small price to pay for beauty' he says.***[...]



o agora.

2010-12-17T22:16:49.204-02:00


---porque a gente lava a louça ouvindo Chico e presta atenção na chuva lá fora com a Elis. as memórias tão vivas como filme fresco rodando num projetor na parede branca do prédio do outro lado da rua, a mãe que tinha mãos tão fortes e precisas como as minhas que por algum truque da vida aprenderam a se cortar constantemente. o cheiro... o cheiro de café, canela, sabão e forno aceso tudojunto, tudopronto. o pão, o verde e as ervas sobre o queijo... o azeite. o beijo molhado que não se espera, o aperto no peito...

e o meu amor que não vem.

***

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amor só é amor quando...

2010-11-20T20:08:58.753-02:00

'love ain't love until you give it up'eddie vedderAh... Eu conheço bem o cheiro, a mistura de cigarro queimando e um leve odor de algum tipo de bebida alcoólica (geralmente vinho tinto chileno), o peso da lã fina usada na confecção da flanela que deve ser a de estimação, afinal ele sempre é visto com ela... o pisar firme das botas sujas de lama, remendadas, reutilizadas, reabilitadas over and over and over again... sim, eu conheço bem. O cabelo emaranhado, tão parecido com o meu. Eu conheço bem.Quantas vezes repeti que o que me bastava na vida era um Eddie Vedder e uma janela pra chamar de minha? Milhões. Quantas vezes conquistei toda essa simplicidade que preciso? Nenhuma. Quantas vezes decorei alguma música que de cara se enfiava na minha intimidade de tal maneira que a dor não passava de lembrança esquecível? Quantas vezes a melodia, a letra e tudo aquilo que vive e respira nas entrelinhas, revirava com um mundo que ainda não conhecia, pronto para me engolir?Muitas. Milhares. Tantas que não sei se existe número que conte.Paro e penso se devo dizer o que vou dizer... mas digo mesmo assim, sempre estive pronta. Todas as vezes, por todo esse tempo, do começo ao fim e do fim até o próximo começo... Não que eu espere que de fato esse cara vá caminhar até minha porta, dar um hello e me chamar pra dançar na chuva, mas que o tempo que a música dura, os instantes logo após os primeiros acordes, os segundos entre uma palavra e outra - o tempo de uma inspiração ofegante ou não - são no fim tudo o que preciso. Os segundos necessários para que um sonho qualquer ou uma visão, revitalizem todo um corpo e mente de uma menina pouco sã, feliz demais por amar desse jeito único dela.Até a próxima canção.***[...]



vinte e seis, dezoito, dezesseis anos... é tudo a mesma coisa.

2010-11-16T02:34:56.078-02:00

Eu? Eu gosto de livros na estante, de cores infinitamente mais delicadas do que as minhas cores naturais por todos os cantos, da música alta chorando baixo entre quatro paredes e prefiro os perfumes úteis. Sim, é o que você ouviu. Pois no dia treze de novembro de dois mil e dez fiz vinte e seis anos, se isso ainda importa? Não sei. Desde quando completei dezoito anos parei de perceber... aliás, tudo mudou quando fiz dezesseis e por ali parou. Acabei sempre sendo uma continuação das mudanças que propus para mim mesma naquele ano e a partir dali, a vida surgiu de maneiras (quase) óbvias e ao mesmo tempo tomou rumos indistintos. O centro, o miolo, a raiz continuam as mesmas... por sinal: a mesma. Uma cumplicidade do mesmo inteira, cheia de ramos que unidos engrossam, encontram força e buscam pela superfície... do que? De mim mesma.O desejo, o intuito, a razão sempre foram um. O resultado, o fim do túnel, o pote de ouro no final do arco-íris sempre teve um nome e o nome sempre foi o mesmo, nunca mudou a cor, o jeito, o cheiro como o tempo insiste em querer que eu acredite... o tempo não mudou desde os meus dezesseis anos, os olhos observando num canto da minha janela, as mãos prontas para me apoiarem assim que a queda fosse iminente... ah, dez anos se passaram e por mais que tenham passado, os meus dezesseis anos vivem confortáveis dentro das minhas veias...Meus dias nunca mudaram apesar de terem mudado radicalmente. Meus prazeres, minhas vontades, minha beleza que toma formas diferentes, sempre, continuam as mesmas e a geografia por mais que grite 'alice doesn't live here anymore!' está brutalmente enganada. Sempre vivi onde vivo, desde os meus dezesseis anos...Pois, vinte e seis. Vinte e seis em um treze de novembro de dois mil e dez é algo para ser marcado, não porque qualquer coisa tenha mudado.... mas precisamente porque nada, nada realmente mudou - e isso é bom.***[...]



je te raconterai l'histoire de ce roi...

2010-10-23T23:15:38.459-02:00


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Jacques Romain Georges Brel era um garoto franzino com mãos grandes e orelhas maiores ainda. Sua capacidade de demonstrar qualquer tipo de dor enquanto homem diante de um microfone era tão grande, que a mera menção de seu nome causava desconforto entre os ianques reis do palco... 

Sua voz nunca se fez popular no mundo azul e vermelho da América deles, mas se fez popular o bastante na sala de estar de outra América, uma mais verde e amarela, uma mais simples que a deles. Ne me quitte pas, ne me quitte pas... implorava o rapaz das orelhas grandes num sistema de som adquirido no Texas, Estados Unidos da América no apartamento da mamãe sobre uma farmácia qualquer da grande capital do Estado de São Paulo... ne me quitte pas... moi je te t'offrirai des perles de pluie venues de pays où il ne pleut pas...

Mamãe cantava junto com olhos distantes e emocionados.

Ele tinha meu coraçao apertado entre os seus dedos grosseiros bem antes, enquanto pronunciava 'le coeur du bonheur'...

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'The Town', Ben Affleck, Rebecca Hall e o amor disso tudo

2010-10-06T00:32:19.811-03:00

'it's gonna be like one of my sunny days...'claire no filme 'the town'Fazia um bom tempo que eu não conversava com vocês a respeito de absolutamente nada tangível, muito menos a respeito de um filme (nada tangível também, por sinal). Pois hoje eu preciso. É praticamente uma questão de honra mas muito além da honra, é uma questão de respeito. Respeito por aqueles que eu tive a paciência e a sensibilidade de ver sob outra luz, uma luz um pouco mais aguda do que uso continuamente. Pelo menos hoje, pelo menos nos últimos tempos, eu tenho deixado certas portas (e janelas) absolutamente escancaradas. Pois, vamos nessa. Ben Affleck foi sempre carinhosamente (talvez nem tanto) chamado de Bunda Affleck por moi. Seu grande pecado? Ter namorado a bem grande bunda 'en route' e errada da Jennifer Lopez. O problema com isso? Todos. Quem pode em sã consciência pensar que fazer parte da febre popular norte-americana conhecida como 'Bennifer' vai fazer com que sua imagem ganhe qualquer coisa parecida com integridade? Só um louco pra pensar isso... Só um louco pra não se importar... Só um louco pra reconhecer o outro...Enfim. 'The Town' é um filme dirigido por Ben Affleck, estrelado por Ben Affleck, roteiro de Peter Craig, Aaron Stockard e... Ben Affleck (!) baseado no livro 'The Prince of Thieves' de Chuck Hogan. A história é conhecida para aqueles que sacam que a maior população Irlandesa fora da Irlanda está em Boston, Massachusetts nos Estados Unidos e errados da América. Como tudo de certo do mundo está caído moribundo e quase respirando em alguma parte da terra do Tio Sam, com essa história não poderia ser diferente...Um rapaz (Ben Affleck a.k.a. Bunda-Man-Que-Tem-A-Cara-Do-Meu-Pai) todo machucado por um passado no mínimo brutal, com um corpão tipo 'papai-esqueci-de-ler-mas-lembrei-de-carregar-esses-sacos-de-pedra-pra-pagar-as-contas-do-mês' cheios de olhares doloridos para cima dos seus amigos que infelizmente são mais cheios de testosterona do que de qualquer massa cinzenta entre as orelhas (Jeremy Renner, Owen Burke, Slaine) acaba se apaixonando por quem não deve: a moça gerente do banco que ele acabou de roubar (Rebecca Hall, a mulher da tela de prata que é como mulher de verdade é). Também pudera. Ela não é só linda (e não é mais 'linda' tipicamente falando do que a vaca loira que dá em cima do nosso herói o filme todo interpretada pela super-duper popular Blake Lively), ela é também... simplesmente simples. Porque não existe coisa mais linda do que notar que alguém é excessivamente real, tão real que deixa a ferida à mostra...Rebecca Hall e Ben AffleckEles se apaixonam o suficiente para que todo o resto pareça inútil mesmo sem nada disso ficar óbvio... sim, caros amigos, viver vale a pena quando amar é o seu único objetivo. O problema no entanto, fica mais embaixo... Ele precisa enfrentar muitos obstáculos: a máfia irlandesa de Boston (leia com sotaque), o FBI e o fato de que a linda da moça não sabe a verdade a respeito do seu grande amado...O que fazer?O que fazer é simples, veja o filme. Ou leia o livro. No Brasil-de-meu-Deus, eu não sei como o chamam, acho que ainda não tem em Português de qualquer forma... então esperem o filme e vejam porque, no fim das contas, um cara que era conhecido como a piada bunda de um PAÍS virou um cara grandalhão, com uma mente feita de mercúrio, preparada para se adaptar o suficiente, preparada para não ser mais nada do que a voz simples de um amor ma[...]



meu pai, paixão e jung - primeira parte

2010-10-01T19:49:29.855-03:00

Freud / JungComo vocês sabem - talvez não saibam de nada - meu pai era psiquiatra. Tinha um orgulho tamanho disso, mas orgulho maior era sua admiração pelas visões de Sigmund Freud, como se tudo aquilo pregado por ele fosse de fato tudo aquilo que ele precisava saber.Algumas das minhas primeiras memórias estão relacionadas ao grande quadro de Freud que papai tinha pregado na parede do seu escritório. Quando nos mudamos para o apartamento e após a morte do meu pai, o quadro foi parar no meu quarto... inexplicável mas não absurda a ideia de se ter aquilo que meu pai conhecia como sua explicação maior e mais completa de vida, observando tudo aquilo que fazia quando ali estava. Meu quarto, os olhos atentos de Freud. Meu pai.Até uma noite em que misteriosamente, o quadro... caiu.O espanto foi enorme, mas a rapidez com que levantei-me da cama foi quase esclarecedora. O quadro parecia gritar para que eu acordasse, acordasse e deixasse qualquer coisa de lado... ou não?Meu pai detestava Jung. Não. Vamos ser justos, ele não ia com a cara de ninguém que tivesse qualquer idéia conflitante. Como bom Affonso, apaixonado por qualquer coisa que seja, sua paixão pela clareza quase matemática e bruta a respeito dos tormentos humanos de Freud o mantinha distante de qualquer outra razão ou possibilidade. Afinal de contas, ele já era um senhor cheio de manias e pensamentos cristalizados quando eu, pré-adolescente e obstinada disse 'mas papai, ouvi falar de Jung e de seu conceito de memória coletiva... gostei'. Foi quase um insulto, um tapa na cara.Como sua filha, a filha mais preciosa, a mais única e a mais querida poderia de fato gostar de... Carl Jung?A reação foi categórica, ele agarrou qualquer coisa numa gaveta, buscou seus óculos de leitura e fez qualquer sinal para que eu o deixasse quieto. Bingo. Jung era o nome daquilo que o irritava e Jung era exatamente o eu buscava...TO BE CONTINUED....[...]



sobre o calor

2010-09-27T22:59:15.919-03:00



- Cansada. Seus lábios pesavam irreverentemente, a pele transpirava como se a dor de se carregar todo o desejo do mundo não fosse incrível o suficiente. Como se tudo o que se deseja não fosse nunca o suficiente.

Ele notava o coração palpitante no pescoço, a pele ainda eriçada. Percebia a respiração aparentemente calma que com angústia revertia o pequeno nariz dispendioso em templo temporário. Gostava do olhar pesado que ela sempre teve, um peso de tudo aquilo que encharca sem deixar derramar.

Ela não deixaria derramar, não para qualquer um.

Duas pernas de fora e um calor de se rasgar a roupa por alívio. Suas duas pernas que andariam o que fosse por ele. Ela de fato nunca admitiria... duas pernas prontas para largar tudo por ele e pelo suor do seu corpo. Ela, toda pronta para confundir-se com a química do suor dele...

As mãos nervosamente procuram pela página perdida no devaneio.

(Sonhar tão grande e grave deveria ser coisa para algum quarto escuro...) -







2010-09-23T01:41:14.175-03:00


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fotos novas... aqui.