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Sub Rosa em Imagens e Palavras



Aqui eu tento colocar, por enquanto tudo o que estava no site Imagens e Palavras . Se você não encontrar nada lá, pergunte ao Movable Type:-(



Updated: 2015-09-16T12:21:32.547-07:00

 



CYNTHIA FEITOSA

2006-09-26T06:28:54.485-07:00

TE CUIDA, HOMAIADA. OSMAIR NA ÁREA.Eu adoro supermercado. Assim como a Carol, sou capaz de ficar horas olhando as novidades, apreciando as embalagens, escolhendo entre duas marcas, lendo todos os ingredientes, nutrition facts e prazos de validade, enchendo meu carrinho de coisas essenciais, ligeiramente úteis e muito supérfluas várias vezes por semana, na maior alegria. Em compensação, odeio passar nos caixas. Odeio muito. É que, assim como nove entre cada dez donas-de-casa conscientes - e o Artur (hohoho) -, eu também tenho minhas manias quanto a compras de supermercado : tudo deve estar separado em grupos, porque eu não misturo produtos de limpeza com alimentos no mesmo saquinho, nem coisas quebradiças e/ou amassáveis com latas e outros pesos-pesados (duh). Por isso, tenho também toda uma ordem para entrada no carrinho, no porta-malas, no carrinho do prédio e... ai meu Zeus, fico cansada só de descrever. Como aparentemente os supermercados aqui (com exceção do Pão de Açúcar, de uma rede local e de um pequeno empório que tem uns importados legais e os melhores hortifruti da cidade) só contratam gente que odeia trabalhar, detesta os clientes e faz questão de tratar mal a quem quer que passe pelo seu caixa, este é sempre um momento de stress pra mim. Tenho que escolher entre tentar bancar a "polva" em fast-motion - pra não deixar que eles joguem engradados de latinhas de refri em cima das torradas nem caixas de leite sobre frutas e verduras que eu levei um tempão pra escolher, não deitem os frascos de alvejante (que sempre vazam, os malditos) - ou já engrossar logo de cara, com um "Pára essa esteira aí um minuto, que cê tá quebrando e amassando minhas compras". Funciona, mas é chato. Tentar falar isso com educação e jeitinho não adianta nada, podem acreditar. Além de tudo, a lei de Murphy, infalível, garante que eu sempre entrarei na fila do caixa que está em treinamento, ou cuja bobina acaba de acabar e ele não sabe trocar, ou o cliente imediatamente à minha frente é um chato de botas de alpinista, que quer dividir as compras entre cartão de crédito, cartão do super, dinheiro e cheque, ou exige que tirem dois centavos de um produto que o concorrente estava vendendo por um centavo a menos, enfim, sempre tem alguma coisa pegando. Por isso, ontem, ao sair do trabalho já com preguiça, na hora de passar no caixa eu tava quase chorando só de tentar adivinhar qual seria o imbróglio da vez. Entrei na primeira fila, bem vazia, e vi uma perua-bruxa que é minha vizinha de prédio, com tudo já empacotado mas ainda criando caso com o caixa, que ficava com aquela cara de ônibus enquanto os minutos iam passando. Resolvi me arriscar e saí olhando as filas nos outros. Aí vi um vazio, que a operadora acabava de abrir. Perguntei pra ter certeza, e quando ela miraculosamente disse que tava funcionando sim, comecei a colocar as compras na esteira. Quando levanto a cabeça, a menina tinha sumido e sido substituída por um rapazinho, com o fone, cotoveleiras e uniforme de patinador. “Tapa-buraco”, pensei, “isso vai ser uma merda”. Mas aí o garoto foi passando minhas compras na ordem certa, sem jogar nada, dando pausas aqui e ali pra esperar que eu ensacasse e tirasse produtos do caminho antes de passar mais, pousando os hortifruti com carinho de mãe viúva botando o filho único no berço, e ainda achou tempo pra dar atenção a uma colega que queria ajuda pra passar um cartão de crédito manualmente – e não, ele não disse “sei lá”, disse “olha, eu nunca fiz isso, mas será que não é assim ? Vê com fulaninha que ela sabe”, e também não parou meia hora de me atender pra fazer isso. Quando acabei de empacotar tudo e passei o cartão de débito, ele ainda brincou “Olha só, você ganhou um desconto de 97 centavos !”, sorrindo, mas logo corrigiu, cuidando da imagem da empresa, com um “deve ser por causa dessa promoção de + um centavo”. E deu boa-noite como se realmente quisesse que eu tivesse uma noite boa, olha só. Saí de lá totalmente encantada. Ele n[...]






SILVIA CHUEIRE - Poeta (entrevista)

2006-09-17T15:45:17.173-07:00

PEQUENA SOCIEDADE DAS POETAS VIVAS- IV -SILVIA CHUEIREO Sub Rosa tem o orgulho e a pretensão de apresentar, 'duas ou três coisas que sei', que tenho sentido, descoberto, e intuído a respeito da conhecida poetisa carioca Silvia Nogueira da Gama Chueire.Não podemos nos deter em mais nada. Tudo o que você queria e precisava de saber sobre ela está aqui, em primeira mão, para os meus queridos leitores:-)*Mulher bonitíssima. *Inteligente. *Estimulante. *Sensível. *Culta. *Médica. *Psiquiatra com formação psicanalítica. *Cronista. *Blogger. *Poetisa.*Um livro: Por favor, um blues, que a Editora Cosmorama, em 2005, publicou em Coimbra,, na cidade do Porto, Portugal.(*)(e que o Sub Rosa noticiou em primeríssima mão, no Brasil;-) pisc* )Não queiram ver gradações nesta sucinta apresentação. Importa saber que há vários meses começamos a conversar acerca de eu publicar um texto de Sílvia, o que ela pronta e delicadamente aceitou. As conversas, trocas de email, evoluíram e eis o resultado: esta entrevista (informalíssima) que fiz e que, creio, imodestamente ( 'o que é isso, a modéstia', anyway?) expõe e dá uma pequena mostra do sólido conhecimento de Sílvia em questões como a Filosofia, Poesia, Psicologia, Psicanálise, Medicina, é claro, e mais a observação da vida, além da imensa sensibilidade e imaginação, o que deve lhe dar e aumentar a força criativa; que cabe agora a vocês conhecer e julgar. Comentar e discutir.;-)Pequena antologia:oferenda ofereço-te meu corpofaz dele o que quiseresé o teu desejoque desejo.----------------------------------------------preferir à lâmina das palavraspreferir a chama,a boca irisada,a língua.palavras que soletramlentamente o ato.-----------------------------------------------mar cola a tua bocano mar que souo sal e as ondasderramadas.ouves o marulharna respiração ritmadaque crescee desliza na praia?às vezes é tudo tão azulque ofusca------------------------------------------------quereis muitoquereis a palavra certana hora certa.não apenas o metro correto,a frase bem feita.quereis o sangue,a alma do poeta,a vida curta a galopargargantas– como se não custasse esforçofingir que fingimos –quereis a vida,a árvore da vida.não apenas o trajeto reto,geometria exata.quereis elipses, parábolas,o sabor mais íntimoa perpassar vocábulos.– como se cada letranão fosse gota derramada –quereis o que não seise posso dar.o segredo do olhar,o frio que me corta a peleantes que a palavrase esfacele e ardana fina folhade cada momento.– como se cada volta da canetanão fosse hesitação –quereis muito, senhores,muito.mais do que podea mão que escreve o poema.mais do que podeum simples coração.Do seu livro: Por favor, um blues.***Da série ÁRABESÁrabes VSob as estrelasAntes que tivéssemos bandeira e hinotínhamos a pátria sob as estrelas.O cedro erguidona imponência da noite.----------------------------------------------Árabes – XXDás-meDás-me um coração vazio,o deserto do Saaraa dançar nas minhas mãos.A secura do olhar misturadaà areia áspera trazida pelo vento-----------------Árabes - XXIIIDançarDancei para ti.A percussão , as guitarrasa arrancarem-me do ventre,das ancas, em ondas,o que queria dar-te.Dancei para ti sob a lua do deserto- todos os homens sabiam.A fogueira acendida nos olhos,a noite a arder entre almofadas.Hoje é esta angústia,a areia a lavar-me os olhos,a tua ausência a ferir-me a pele.Silvia ChueireENTREVISTA COM SILVIA CHUEIRE*- Silvia, sei, porque me interessei pela sua escrita e porque sou mesmo atrevida (risos) que você começou a escrever um pouco mais tarde - ou seja, graças aos deuses, você não escreve *desde que se entende por gente* - como é comum as pessoas as pessoas responderem.Como se deu o aparecimento da escrita literária e em especial da Poesia em sua vida?Somos duas atrevidas, então. Sorrio aqui.Nunca escrevi. Isto é, ao longo da vida eu escrevia coisas, mas elas nada tinham a ver com poesia ou literatura. Eram por assim dizer, d[...]



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2006-09-17T15:42:07.943-07:00

AS CARTAS DO SÉCULO XXI"Só o silêncio pode pedir uma palavra inaugural. A pergunta, meu amor, é o pecado, a expulsão do paraíso..."Onde se pode ler isto e chorar? Extasiar-se. Ficar *mundiado* isto é aceder a um mundo novo, novo mundo. Do qual não se sabe nem o antes e nem o depois?Aqui neste blog. Corra para pegar o primeiro lugar! Porque "O coração gasta-se".De um admirável escritor que ama, que é apaixonado pela escrita e sua escritura.E que (também) escreve Cartas. Cartas são, em geral, fragmentos. Não se pode dizer tudo numa carta, então o que resta ao leitor/destinatário é ficar *perdido* . É perder-se entre essas recortadas sendas, presos a essa sedutora composição fragmentária de um possível conjunto que pode ser e é quase tudo:É o escândalo dos sentidos, a descrição e a exaltação dos males da ausência, o caminho percorrido entre a urgência e a errância. O escândalo e o desconcerto. Desejo e paixão. Eito e cilício.Mas não nos cabe falar diante dessa escrita. Calar-se importa.É imperioso ler. Todas as segundas-feiras. Encontro marcado.!Não esqueçam.Mas enquanto esperam, leiam todas, todas são uma manifestção do acaso conjurando recusa e exclusão, são Beleza e Graça.O site da Banda Rammstein: um outro mundo novo a que só foi possível aceder após a leitura de algumas das Cartas - notadamente a última, a que está no ar. De onde foram tirados os excertos acima. Du / Du hast / Du hast mich / Du hast mich gefragt / Du hast mich gefragt, und ich hab nichts gesagt /MEA CULPA: Confesso envergonhada que deveria, que queria ter sido a primeira a mostrar esse blog e sua tirana captura, aos meus leitores. Que, sim, são os melhores do mundo.Mas não, não fui e penitencio-me por isso. E entre feliz e consternada, confesso ainda que sou a devedora de uma das pouquíssimas Amigas que mais conhecem a minha alma. Uma deusa: a Poderosa Afrodite. Quem mais? Obrigada, Little Letti.Ah! Sim, sim ! Claro,o Autor! o Autor!: É Paulo José Miranda, e se você achar que o nome dele está muito freqüentemente em vários posts do Sub Rosa então leia uma razão aqui no Imagens e Palavras .SérgioSérgio Rodrigues, está aí? Já viu 'isto'.? Querido, muito querido Alê Inagaki . Agora é com você;-)))Eu só tenho um niquinho de prestígio, com meus 13, 14. . Prestígio e poder é com vocês.;-)Eis a música. Eu *pessoalmente*, ou seja , a minha pessoa, como diria Madame Satã;-), aguarda que me digam o que acham da música.Não vai alterar o que penso dela. Só quero saber se para você é péssima, horrível, se inspiraria uma carta do século XXI, etc etcetceterrá.Ou se, por acaso, gostaram. A letra e sua tradução estão aqui: L E T R A ---- T R A D U Ç Ã O src="http://www.castpost.com/Lib/playm1.php?filename=Du%20Hast.mp3&url=http://subrosa.castpost.com/" frameborder="0" width="250" scrolling="no" height="40">Powered by CastpostHellowWWW Markus!ADENDA: Informação oferecida pelo querido D.G.R (Dante) ( que link eu coloco, dio mio?) :"Ajudou a divulgar Rammstein no Brasil o filme Lost Highway, do saldözo David Lynch. De hora para outro, bandos foram atrás das outras músicas.Ah, no wiki há lincos da banda: "http://pt.wikipedia.org/wiki/Rammstein[...]



ENTREVISTA A ALEXEI BUENO por PAULO JOSÉ MIRANDA

2006-09-14T03:39:00.846-07:00

PAULO JOSÉ MIRANDA, escritor , poeta e dramaturgo, português de nascimento, mas de destinação indefinida:-) entrevistou ALEXEI BUENO, Poeta, brasileiro, carioca, o Píndaro da Lapa.Eis o resultado dessa conversa entre dois agentes escandalosamente indiscretos adoradores de Dionisos, também conhecido por Baco.Em que sentido a tradição assume para ti o centro da poesia, e não apenas da tua?ALEXEI BUENO – Há muito tempo me afastei da ilusão do progresso, da evolução em coisas humanas. Sou um tanto schopenhauriano nisso, pessimista portanto. Ora, na medida em que me distancio desse belo sonho da perfectibilidade humana, o peso da continuidade torna-se muito sensível. Sob esse aspecto tudo é tradição, nossos três mil anos de poesia ocidental, o infinito prazer estético que encontro em Homero, coisa que já impressionava Marx, obviamente um partidário da perfectibilidade, etc. Com todas as infinitas alterações externas, o fundo para mim persevera, logo trbalhamos com a mesma matéria da tradição, tudo é tradição.PMJ:Julgas que a poesia brasileira vive um momento pujante? E esse momento tem territórios mais ou menos bem definidos, ou é extensivo a todo este imenso território?A B – Há grandes nomes, muitas vezes pouco conhecidos ou injustiçados, mas não diria uma pujança. Pujança a poesia brasileira viveu em dois momentos, sem entrar no mérito de grandíssimos poetas isolados, no Romantismo e na maturidade do Modernismo, ou seja, em 1850-1870, e 1930-1960.PMJ: -Em 1999 foste o responsável por uma antologia da poesia portuguesa, que conheces, não só a antiga, mas também a actual, como vês a poesia portuguesa neste momento? Julgas que há pontos de contacto entre as poéticas brasileiras e portuguesas, na última década?A B – Não, perecem-me muito diferentes, o que até me espanta, talvez por Portugal ter vivido uma importante experiência surrealista, o que nunca aconteceu entre nós, país até hoje mentalmente dominado pelo positivismo mais tacanho, até na arte, e pela grande hegemonia do Concretismo no Brasil, uma espécie de máfia, de fascismo, durante a ditadura militar, mas com reflexos até hoje. Eu, pessoalmente, me sinto muito ligado à poesia portuguesa, mas sou um tipo sui generis.PMJ -Qual a tua relação com as poéticas dos países vizinhos, de língua castelhana? Neste momento, como as avalias? E, em geral, o Brasil tem boas relações poéticas com esses países?A. B. – A literatura hispano-americana é riquíssima, na prosa e na poesia, que aprecio muito, mas o desconhecimento é total entre o Brasil e os países hispânicos e vice-versa. No seu livro de memórias, Mon dernier soupir, Buñuel fala de Portugal como aquele país que parecia aos espanhóis mais distante que a China. Posso dizer que isso se reproduziu na América do Sul, com um país único que fala português virado para o Atlântico, e uma grande variedade de países (como no fundo é a Espanha) falando castelhano e fazendo fronteira com ele, mas como se estivessem do outro lado do mundo.PMJ: Neste momento, o Brasil vive um momento político bastante conturbado. Como vês essa situação? De que modo este momento político pode ajudar ou prejudicar a poesia, em particular, e as artes, em geral?A. B. – A esquerda brasileira é, ao que tudo indica, a pior do mundo, a mais incompetente, a mais despreparada. O Brasil caiu no obreirismo, essa coisa que Lenine já condenava, e elegeu como presidente um ex-operário semianalfabeto – no qual, como bom imbecil, eu também votei – o qual, além de criar o maior esquema de corrupção da história da república, faz o governo mais sordidamente de direita que aqui já se viu, incluindo os generais. Para a poesia isso não afeta nada, o espírito sopra quando quer, mas a situação de patrimônio histórico, por exemplo, com esse governo ultra-neo-liberal, está dramática.PMJ: Poesia e Brasil têm o mesmo destino?A. B. – Para o bem da poes[...]



HAMLET por Kathrin Rosenfield

2006-09-13T18:39:33.117-07:00

Hamlet
Hamlet é uma das peças de teatro mais famosas de Shakespeare (1564 - 1616). Foi escrita entre 1600 e 1602 e impressa em 1603


Sete caminhos para entender um clássico
1) Por que Hamlet tornou-se um clássico?

Tornam-se "clássicas" (no sentido de lembradas, lidas sempre de novo) as obras que criam um modo novo de expressar alguma dimensão da existência. Hamlet traz à superfície algo que, até então, permanecera oculto, vago e, nesse sentido, não existia verdadeiramente. Com Hamlet, sentimos quantas coisas na vida real são encenação. Ele é uma figura que torna plausível as incongruências e verossímeis as loucuras. (Kathrin Rosenfield, prof. da UFRGS)

2) Qual a importância de Hamlet dentro da obra de Shakespeare?

Hamlet está entre as obras que marcaram uma reviravolta na arte de Shakespeare - provavelmente há uma relação com a experiência da morte (Shakespeare perdeu um filho pequeno chamado Hamnet). O que observamos nessa peça é uma forma de narrar que aprofunda prodigiosamente o lado enigmático da natureza humana. Pela primeira vez, temos aí uma técnica da escritura que capta as inúmeras facetas da ambivalência, os sentimentos e gestos contraditórios, tudo aquilo que não sabemos e não dominamos na existência. (Kathrin Rosenfield)

3) Qual o sentido do dilema "ser ou não ser"?

A fórmula de Hamlet refere-se, num primeiro momento, à idéia do suicídio e a um sentimento de fracasso e impotência diante de um mundo fora dos eixos. No entanto, na peça ela remete também à ambigüidade da (auto)encenação e da vida concebida como encenação. O Renascimento criou a consciência do homem dando-se sua própria forma. Nisso, há um lado de liberação. A mesma liberdade tem um avesso: a autonomia moderna suscita o medo de perder-se nas inúmeras formas ficcionais. A consciência da encenação termina por ser inquietante, ela nos dá, às vezes, a sensação de desamparo e abandono. (Kathrin Rosenfield)

4) Por que Hamlet não perde a atualidade?

Porque trata de assuntos que permanecem atuais, como a questão da morte. Nenhum outro texto até hoje expressou tão profundamente a angústia do ser humano em relação à morte, que é uma angústia eterna. Além da trama metafísica, Hamlet traz as tramas política e familiar, que também permanecem atuais. (Jorge Furtado, cineasta)

5) Qual a melhor adaptação de Hamlet para o cinema?

A do inglês Laurence Olivier, de 1948. Além de dirigir, Olivier teve uma ótima atuação no papel-título do filme. Conseguiu melhor que ninguém colocar o fluxo de consciência de Hamlet no cinema, dividindo as falas e pensamentos em partes faladas diretamente pelo personagem e partes narradas em off. (Jorge Furtado)

6) O que se espera de um ator que vai interpretar Hamlet?

A compreensão da totalidade e da complexidade da obra, que até hoje permanece atual e que criou novas perspectivas para a dramaturgia. É um desafio enorme porque o ator deve entender as sutilezas que Shakespeare usou no texto. (Sérgio Silva, cineasta e professor da UFRGS)

7) Por que devo ler Hamlet?

É o texto fundamental da história do teatro. Por ser longo e rico em detalhes, Hamlet ultrapassa os limites teatrais e se transforma em uma obra que aborda também a filosofia, a política e a história. (Sérgio Silva)



Hamlet
"Com Hamlet, sentimos quantas coisas na vida real são encenação. Ele é uma figura que torna plausível as incongruências e verossímeis as loucuras" Kathrin Rosenfield



PAULO JOSÉ MIRANDA: Escrever muito ou pouco

2007-09-08T20:13:59.588-07:00

Certa vez ao intentar uma apresentação de Paulo José Miranda , escritor, poeta e dramaturgo português - para o público brasileiro, demonstrei minha admiração pelo fato de o autor ser tão jovem e já ter escrito tanto.Não fiz juízo de valor, não demonstrei absolutamente nada além do interesse, digamos, informativo que é natural.A matéria nunca foi realizada, mas Paulo José Miranda enviou para o Imagens e Palavraseste texto de que gostei muito e que resolvo publicar aqui, sempre lamentando que aoesar das tentativas que fiz, não se chegou a bom termo.Eis o texto, leiam e façam, se assim o desejarem, suas considerações:Desde o meu começo como escritor, em 1998 (no ano anterior tinha publicado apenas um livro de poesia), que fui acusado de escrever muito. Isso lembra-me uma estória contada pelo meu amigo e filósofo António C. Caeiro, que ele presenciou num aldeia de Trás-os- Montes: um homem era acusado de beber muito, bebia três garrafões de vinho por dia, 15 litros, e um dia respondeu a quem o acusava “vocês só vêem o que eu bebo, não vêem a sede que eu tenho”. Ora, precisamente! De onde vem a sede, isso já é uma outra estória."Em três semanas, trabalhando de sete a dez horas por dia, principalmente à noite, ele [Sade] redige em minúsculas letras, num rolo de papel de doze metros de comprimento, o manuscrito ao qual dará o nome de Les 120 Journées de Sodome ou Lécole de Libertinage.. Quatro anos depois, às vésperas da Revolução, quando é transferido pela primeira vez para o sanatório de Charenton, o Marquês de Sade tem uma obra de quinze volumes.” (in Sade – A Felicidade Libertina, de Eliane Robert Moraes, Imago, Rio de Janeiro, 1994)Podem encontrar justificativa de tanta produção literária pelo facto de Sade se encontrar na prisão, pois caso estivesse livre isso não aconteceria. Sem dúvida, correcto. Não tenho dificuldades em anuir com esse argumento. Também eu quando não me sinto preso deixo de escrever. O problema é que a maior parte do tempo me encontro preso. Não entre as grades de uma prisão, mas entre as grades de todas as convenções sociais da beleza, do estatuto e do dinheiro. A beleza já se foi; estatuto não tenho nenhum, nem emprego; e quanto ao dinheiro, bom, vou tendo em doses de sobrevivência, por caridade de amigos e familiares. Se Sade, ao seu tempo, vivesse assim também consideraria isso uma prisão. Não teria era seguramente chegado a aprender a escrever ou, se chegasse, muito improvavelmente teria tido interesse pela literatura. Há poucos dias um amigo, Milton Ribeiro, mostrou-me um livro, Estilhaços (Editorial Record) de um escritor e tradutor amigo seu, Marcelo Backes. Nesse livro, de fragmentos e aforismos, ele escreve: “Viver é escrever para não matar...” Subscrevo por inteiro essa frase. E, se me permitem o abuso, o mesmo se aplicaria a Sade. Na prisão, ele escrevia para não matar. Na minha prisão dos meus dias, que é não ter nada deste mundo, ou muito pouca coisa que lhe interesse, escrevo. Escrevo e penso horas e horas por dia: para não matar e para não me matar. Quem julgue que isto é exagero é porque tem seguramente uma casa e não sabe o que é não tê-la. Tem seguramente algum dinheiro e não sabe o que é não tê-lo. Tem seguramente alguma beleza e não sabe o que é já não tê-la. Quando, burguesmente, alguém diz de outrem que ele escreve muito, deveria averiguar se ele escreve muito porque precisa pra comer, pra não matar ou nãos e matar ou, pelo contrário se escreve muito por vaidade, pra enriquecer mais ou pra ocupar o tédio dos seus dias. Por mim, sei qual é a resposta. E a maior das dificuldades, para comigo mesmo, é estar continuamente dividido entre o desejo de não escrever e não ter outra alternativa a não ser escrever. A minha mágoa é compreender que talvez não se possa escrever fora da prisão. Se conseguir compr[...]



MAPA - MURILO MENDES

2006-09-13T17:32:15.111-07:00

MAPAMurilo MendesMe colaram no tempo, me puseramuma alma viva e um corpo desconjuntado. Estoulimitado ao norte pelos sentidos, ao sul pelo medo,a leste pelo Apóstolo São Paulo, a oeste pela minha educação.Me vejo numa nebulosa, rodando sou um fluído,depois chego à consciência da terra, ando como os outros,me pregaram numa cruz, numa única vida.Colégio. Indignado, me chamam pelo número, detesto a hierarquia.Me puseram o rótulo de homem, vou rindo, vou andando, aos solavancos.Danço. Rio e choro, estou aqui, estou ali, desarticulado,gosto de todos, não gosto de ninguém, batalho com os espíritos do ar,alguém da terra me faz sinais, não sei mais o que é o bemnem o mal.Minha cabeça voou acima da baía, estou suspenso, angustiado, no éter,tonto de vidas, de cheiros, de movimentos, de pensamento,não acredito em nenhuma técnica.Estou com os meus antepassados, me balanço em arenas espanholas,é por isso que saio às vezes pra rua combatendo personagens imaginários,depois estou com os meus tios doidos, às gargalhadas,na fazenda do interior, olhando os girassóis do jardimEstou no outro lado do mundo, daqui a cem anos, levantando populações...Me desespero porque não posso estar presente a todos os atos da vida.Onde esconder minha cara? O mundo samba na minha cabeça.Triângulos, estrelas, noite, mulheres andando,presságios brotando no ar, diversos pesos e movimentos me chamam a atençãoo mundo vai mudar a cara,a morte revelará o sentido verdadeiro das coisas.Andarei no ar.Estarei em todos os nascimentos e em todas as agonias,me aninharei nos recantos do corpo da noiva,na cabeça dos artistas doentes, dos revolucionários.Tudo transparecerá:vulcões de ódio, explosões de amor, outras caras aparecerão na terra,o vento que vem da eternidade suspenderá os passosdançarei na luz dos relâmpagos, beijarei sete mulheresvibrarei nos cangerês do mar, abraçarei as almas no arme insinuarei nos quatro cantos do mundo.Almas desesperadas eu vos amo. Almas insatisfeitas, ardentes.Detesto os que se tapeiam,os que brincam de cabra-cega com a vida, os homens "práticos". ..Viva São Francisco e vários suicidas e amantes suicidas,os soldados que perderam a batalha, as mães bem mães,as fêmeas bem fêmeas, os doidos bem doidos.Vivam os transfigurados, ou porque eram perfeitos ou porque jejuavam muito.viva eu, que inauguro no mundo o estado de bagunça transcendente.Sou a presa do homem que fui há vinte anos passados,dos amores raros que tive,vida de planos ardentes, desertos vibrando sob os dedos do amor,tudo é ritmo do cérebro do poeta. Não me inscrevo em nenhuma teoria,estou no ar,na alma dos criminosos, dos amantes desesperados,no meu quarto modesto da praia de Botafogo,no pensamento dos homens que movem o mundo,nem triste nem alegre, chama com dois olhos andando,sempre em transformação.VINHETA.gifMurilo Mendes (*Juiz de Fora, 1901-+Lisboa, 1975), com Jorge de Lima e Mario Faustino são os meus Poetas do coração e da alma.Murilo jamais escreveu um verso ou poema banal. Foi barroco e surrealista. Moderno e tradicional; sempre mantendo uma independência e um certo desprezo, pelo enquadramento dos manifestos. Veio à luz, como poeta, no mesmo ano (1930) que Drummond, e foi logo saudado por Mario de Andrade. Em tudo, Murilo foi revolucionário. Até sua conversão para o cristianismo, tão incompreendida, na polaridade angelismo/demonismo, foi ao contrário um ato de resistência, (que estava ao mesmo tempo acontecendo na Europa, principalmente na França) e não se tratava de aceitação e sim, uma nova proposição: a saber, a proposta de um catolicismo mais voltado para os problemas humanos, terrenos.Satírico, irônico, é dele o que já se viu atribuído a Oswald de Andrade:"O homemé o único animal que joga no bicho"que depois renegaria:-) (É terrível o trabalho do crítico, mas não parece coisa de Millôr[...]