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Geraldo Iglesias*



confissões do Sobretudo*



Updated: 2015-09-16T16:43:20.539-03:00

 



Crocodilos

2008-12-06T16:00:31.625-03:00

A impossibilidade de impor minha vontade mina minha confiança. Em mim. Não uma vontade prepotente ou uma vontade que dita, mas um desejo suave, leve... de que as coisas sejam mais leves... de que as pessoas não sejam essa eterna metralhadora inútil que ataca tudo e todos e, de verdade, não faz nada, não tem crédito... ou tem crédito para meia dúzia de bobões.... não sei como determinadas pessoas deitam a cabeça no travesseiro e dormem (dormem?) diante de tanta besteira, diante da própria incompetência, valendo-se apenas de oportunismos políticos.
Criticar alguma coisa pode ser válido, mas quando se critica o mundo.... há algo errado, muito errado. É verdade que o pavão não vê sua cauda (por isso confio mais em crocodilos, esses sim poderosos e apolíticos). O homem é uma calamidade, um aborto da natureza, uma inconseqüência divina. Quero sempre (mais e mais) sair de perto de tudo isso e renascer em outro lugar, numa outra dimensão, numa vida e história limpas, honestas...



falar a ti

2008-09-21T21:32:01.700-03:00

preciso muito de falar. preciso que me escutes com atenção e faças cafuné na minha cabeça já quase totalmente perdida. preciso de um pouco mais da tua atenção, da tua ajuda, da força que trazes em ti, essa coisa gigante, essa coisa que me acalma, me faz dormir um mínimo necessário. preciso dormir de alguma maneira ou começarei a raciocinar de maneira ainda mais rarefeita, ainda mais pueril. o mundo não me aceita mais desde que tudo aconteceu, desde que esse processo se iniciou há muito tempo atrás e devo ter errado nos tratamentos ou atitudes que deveria ter tomado. em algum momento tudo se perdeu, não existe dúvida e tenho uma idéia muito aproximada de quando deve ter sido, mas não tenho certeza (nem jamais terei). resta caminhar e pedir que esse caminhar seja lento, seja pouco aguardado, que não se guardem expectativas de mim. nada. que se perceba tão somente que estou aqui, que estou seguindo - ainda que amparado em meus desequilíbrios, ainda que claudicante, ridiculamente claudicante.



Soslaio

2008-09-18T10:58:29.250-03:00

o tempo melhora. pára de chover. isso é bom, detesto chuva (embora goste de frio). acho as pessoas um tanto frias, mas pode ser impressão minha, pode não ser nada disso. existe muita diferença entre o que nos parece, o que achamos e o que realmente é. são as surpresinhas da vida, algo assim como apostar no cavado errado rsrsrs. nada é impossível quando estamos no centro da mesa jogando e os olhares invariavelmente viram-se para nós - além dos de soslaio.



rever sempre

2008-09-17T13:25:42.245-03:00

vou escapulindo pelos contornos... ou melhor, pelos entornos daquilo que deveria ser. como na longa conversa com uma amiga agnóstica e que me explica pacientemente o que é ser agnóstico. essas impressões todas me soam distantes como a morte de alguém que não conheci. o distanciamento de possibilidades que são outras, não são as minhas porque minha vida é somente minha, porque é algo muito pessoal, muito particular. essa vida que você vive, desfruta e saboreia não é a mesma minha como não é a do outro. já escrevi que a vida não é um riacho único onde entramos e saímos: não! a vida são pequenas lagoas que se comunicam entre si ou não, lagoas que nascem e secam sem acontecer o mesmo com todas e daí essa idéia equivocada de que "a vida está aí igualmente para todos". não, não é uma explicação difícil ou metafísica. é justamente o contrário. o que faço - ou tento - é justamente coisificar o conceito para lidar melhor com ele, para entrar e sair sem dor, para ver a saída dos outros entendendo que simplesmente uma lagoa rasa (como todas) secou. e quando você insiste na discussão do tempo eu reafirmo: não é como inventamos. um exemplo mais correto seria dizer que umas lagoas são mais profundas - e demoram mais a secar - e outras mais rasas ou breves diante de um sol inclemente. porque o sol, ainda que esteja se apagando, é infinito em seu calor do nosso ponto de vista. não sei se você me percebe bem ou se te incomodo com um pensamento um tanto enviezado... talvez um pouco menos comum e, somente por isso, aparente ser mais estranho. te reafirmo que não é.



a longa jornada para o fim

2008-09-16T12:39:04.118-03:00

chove. chove de verdade, não há metáfora sobre o que chove em mim há algum tempo. chove a chuva (em mim) onde não existem guarda-chuvas e chove a chuva lá fora onde sim, estes existem. me molho de uma maneira ou de outra. o tempo passa, a hora das decisões se aproxima e novamente sinto-me incapaz de decidir uma coisa grande, uma coisa que vai além de mim, que é o mesmo que decidir sobre a vida ou a morte do outro. e que outro! espero o silêncio e o escuro como quem espera o filho que vai nascer. aguardo quieto, sem maiores demonstrações emocionais aquilo que me é somente emoção. procuro me esconder em todas as drogas que alucinem, mas é um engano, não existe nenhuma droga que afaste a realidade, que faça esquecer o que fui, o que sou e, principalmente, o que deverei ser. olho em torno buscando o caminho mais seguro, onde o granizo não alcance e não vejo nada. campinas apenas. só me resta aceitar tudo de bom gosto, de bem com o que deve ser, sabendo que a hora de ser indestrutível é minha, só muito depois estarei liberto. aliás, não creio nem quero estar liberto. não acredito nas benesses do passar do tempo, não acredito nesse esquecimento fácil que falam por aí. estou à frente e acima dos possíveis acalantos dos que pretendem enganar - ainda que com boa vontade. (continua)



nossa utopia

2008-09-15T11:13:50.252-03:00

chove. nuvens pesadas num céu completamente cinza, um cinza muito feio. deprimente. termino de reler "a insustentável leveza" porque repito essa leitura sempre. outros livros me aguardam, virgens. não tenho vontade nem cabeça para ler nada. busco solução, busco uma opção, uma forma de escapulir de tudo como se fosse possível, como se tivesse o direito. hoje é meu futuro. amanhã será unicamente queda. essa queda aguarda-se da mesma maneira com um dia pensamos em subir. não temos sempre a consciência que os movimentos são iguais: para cima ou para baixo, para um lado ou para o outro. tudo igual. minha nave louca se embrenha entre nuvens e o vento forte me faz chorar. choramos lágrimas que não temos, corremos atrás de possibilidades que não existem, que são brincadeira de criança, sonhos infantis. queremos, no fundo, continuar infantis por todo o tempo. precisamos nos afastar de toda a dureza da vida adulta, de todas a conseqüência. essas conseqüência não vêm à partir de algo que fizemos, ao contrário, somos tragados exatamente pelo que não fizemos. a não ação tem o mesmo peso do excesso de ação, preciso dizer isso, gritar isso o tempo todo porque quase não me escuto mais, porque o desejo é um lenda (e portanto, utopia) que não entendemos bem. num mundo de perdas, resta somente, perder-nos para nós mesmos.



retorno

2008-09-14T11:44:50.969-03:00

inacreditável ficar um ano sem uma linha escrita aqui simplesmente por esquecimento de uma senha. são senhas demais para uma cabeça carcomida como a minha lembrar. são números, letras, combinações de letras e números, expectativas do que pode ser isso, uma situação sufocante, fóbica, labiríntica. informação demais quando, na verdade, desejo apenas comentar coisinhas bobas, não quero fazer campanhas contra ninguém, não quero provocar nada nem ninguém, quero, antes, contar as coisas que estão acontecendo. ou me acontecendo.
Coisas que rolam simplesmente como o passar eterno de um riacho ainda não descoberto pelo homem. é nesse ponto que estou (ou quero estar) no crepúsculo, onde riachos secretos correm para um mar não tão salgado, não tão concorrido. porque nem o mar nem nada da vida deve ser tão concorrido, não há nada que não seja eterno dentro da nossa vida. e isso basta.



esqueci

2008-09-14T11:18:34.008-03:00

Estava sem escrever há muito tempo por aqui porque, como sempre, esqueci a senha e o loguin. esqueço sempre tudo, não estou começando agora, sou puta velha no ramo do esquecimento. Não esqueço a cabeça porque ela é pespegada em cima do pescoço.



Buscas objetivas em pessoas plenas e concretas

2007-10-31T13:20:50.645-03:00

O que acontece, me parece, é que existem versões de vida. Essas versões vêm impressas no DNA da alma e não podemos fugir impunemente nem mudar as coisas tais como elas são. Se eu pudesse mudaria tudo, a própria concepção de vida e suas intrincadas maneiras de experienciar necessidades e convenções do que é normal para o que não é. Não, não criaria um mundo à minha imagem e semelhança, mas um mundo onde as coisas fossem mais facilmente percebidas, onde não houvesse necessidade de tantas artimanhas existenciais para o convívio. Nem sei se pensaria no convívio como algo completamente necessário ao desenvolvimento das "humanidades". Realmente gosto de pensar nas coisas em profundidade, mas leitores não gostam, preferem histórias curtas onse se fale da sabedoria dos pássaros, por exemplo. Eu estou pouco me importanto com pássaros, não percebo utilidade para a existência de pássaros na terra, não vejo necessidade dessa natureza da forma que ela se coloca, não vejo vantagem em se salvar o planeta. Acho muito mais importante tentarmos nos salvar existencialmente do que, por exemplo, abraçar árvores. Deixo essa nobre tarefa aos doidões de Visconde de Mauá.
Preciso apenas encontrar um raciocínio e palavras que viabilizem a minha explicação de mim para o mundo porque acredito que a gente deve ser claro, deve mostrar sempre tudo para que as pessoas entendam e nossa conexão possa ser mais útil, mais proveitosa. Mas leitores não querem isso. Querem que eu publique poesias para não terem que comprar os livros e escolher os poemas. Sou diferente: não vejo o mundo sem análise ou sem racionalidade. Sem uma visão mais ou menos filosófica do que fazermos e o porquê. Não, é injustiça dizer que eu quero filosofar ou desejo complicar coisas simples. É exatamente o contrário! Dar conhecimento, qüestionar e qüestionar-se é muito mais um ato de aproximação, de exposição de forma a termos laços ainda mais estreitos. Se os blogues não são o fórum ideal, ok, procuremos outros então. Mas escrever banalidades para agradar uns poucos que apostam no simplismo em todas as coisas me parece algo muito tolinho, muito sem razão de ser, sem razão de existir (porque não diz verdades). Vou ver o que faço, por fim.



Minha Náusea ou O fim da psicologia

2007-10-11T05:55:19.421-03:00

Incomoda-me uma certa rigidez que há em todas as coisas (Clarice fala disso). Essa rigidez pode ser um bem ou um mal, depende de como a encaramos. Pra mim é um mal, mas não sei se o contrário seria um bem. As coisas me chegam de maneira nebulosa, leitosa, mostrando-me um mundo distinto e distante, de certa maneira impalpável e me vem à cabeça a idéia do verme branco que um personagem vê na ponta de uma manga de paletó, no lugar da mão (A Náusea - Sartre). Desde essa leitura na juventude vejo todas as mãos como vermes disfarçados e gigantes e hoje em dia outras partes e outras coisas como objetos me provocam náusea igualmente, chegando a um ponto que encosto-me a uma parede aterrorizado, vendo tantas coisas causadoras de náusea vindo em minha direção. Talvez por isso afasto-me dessas coisas (quase tudo), talvez por isso precise fazer anotações já que pessoas, na maioria das vezes, não são boas ouvintes. Acautelo-me. Relações sociais trazem com elas pessoas e objetos e não sei quais as reais intenções de tudo isso. Luto contra um exército invisível que expõe a minha parecências com um louco varrido embora não hajam provas disso, embora não seja impossível eu estar correto nessas minhas impressões e o mundo sim, ignorante dessas possibilidades. Como provar que luto corretamente e que meu medo não é sem fundamento e muito ao contrário? Não existem garantias nesse mundo leitoso a que eu me referia no início, esse mundo de certezas hipotéticas, de limites firmes e frágeis igualmente. A maneira de tomar as rédeas de tanta ambigüidade é apenas a precaução e caldo de galinha. Bom não esquecer que os psicólogos desse lado do hemisfério, não morenos, babalaôs com suas beberagens importadas de tribos africanas. Nada contra, mas Viena não é aqui, bom lembrar. Portanto, minha visita a esses “técnicos em mentes” é pouco freqüente e cercada de mistérios que vão do riso ao pavor, da crença ao deboche. Psicólogos caboclos e tupiniquins tornam o mundo e suas visões dele ainda mais escorregadias (e, de certa forma, assustadora). E afinal, pavor às baratas é coerente ou não? Uma conclusão a isso pode referendar minha sanidade espiritual ou não. Deveria mesmo lidar tranqüilamente com peçonhas?
Isso é para dizer de modo inquestionável que os males que nos afligem a alma devem ser percebidos à luz da filosofia e não da psicologia. A psicologia valeu-se da sociologia e da filosofia pretendendo criar alguma coisa nova, um método elucidativo e curativo das dores do espírito. Mas não deu certo, falhou, errou completamente. Não interessa nominar a náusea e a estranheza com gentes e coisas de neurose ou psicose. Aditanta tão somente encontrar as origens nessas filosofias ( a náusea é uma parte atuante do existencialismo, por exemplo) e, través dessa percepção, compreender o que se passa no espírito atormentado. Você pode dizer sem medo de errar que uma pessoa está “existencialista” ou invés de “psicótica”. Curá-lo? E, por acaso, na psicologia, há hipótese de cura?

(retirado de A Invenção do Mundo)



O homem de frente e meu Camel

2007-10-11T05:52:34.152-03:00

(image) Existem escritores e os que não o são. Eu não sou. Mas, errado ou não, mal ou não, eu vou escrevendo, vou digitando sentimentos, impressões, desejos e conclusões. E em grande quantidade! Já ouvi de várias pessoas a impressão que escrever é bom, que a gente meio que descarrega coisas, exorciza ou lá o que seja. Alguns, certamente exagerados e sem saber realmente o que dizem, falam que escrever é sua terapia (no sentido de psicanálise). Nem tanto! Mas, sem dúvida, escrever beneficia algumas pessoas e me incluo entre elas. Clarice Lispector dizia que escrevia sem saber escrever e que, portanto, o título de escritora lhe caía mal. Imagine em mim! Por outro lado, quem escreve não é um escritor? Sim, imagino que esse título caiba a romancistas, a pessoas cujo único ofício (profissional) seja o de escrever. Títulos à parte, a verdade é que tem um monte de gente escrevendo, milhões. Assim, como podem achar igualmente de mim, acho que se escreve muita porcaria, que era melhor não ter escrito nada, mas isso é retórica e gosto pessoal. É que a mim, algumas coisas parecem tão inverssímeis que cismo em descrevê-las.
Por exemplo, agora, quatro da madrugada, imagino que eu seja a única pessoa acordada sem necessidade, sem compromisso e espanto-me ao olhar e ver, na janela do prédio em frente ao meu, um homem à janela, olhando o nada, observando o negror que nos acoberta. Ele nem está lendo nem escrevendo: está ali, parado, olhando a noite! Talvez tenha o hábito de não dormir ou dormir pouco e fica ali, quieto, respeitoso ao descanso dos outros, observando estrelas e esperando o dia nascer. Pode ser também que ele estaja olhando para cá, para mim, talvez com pena de um homem ter que passar a noite trabalhando no computador. Mas eu não estou trabalhando, nada me obriga a estar aqui! Eis nossa igualdade, estamos, ambos, despertos à toa, sem necessidade, pelo hábito de não dormir. Talvez devêssemos telefonar um para o outro e trocarmos idéias sobre insônia, sobre madrugadas, sobre infindáveis observações sobre o amanhcer. Mas a ligação caractezaria alguma insanidade nossa, não o fato de não dormir, mas o telefonema. Não seria mais lógico o contrário? Não sei. Não estou disposto a perguntas difíceis. Mantemo-nos assim: eu aqui e ele lá, possivelmente um pensando na estranheza de hábitos do outro. Ele não sai da janela e eu não saio do computador. Às vezes me questiono se, nesse exato momento não está passando um cometa, se não estou perdendo um espetáculo. Espere, não aguento, vou à janela!
Pronto, fui! Não acontece nada. Pena, lembro que quando eu morei na cidade serrana de Secretário, via inúmeras estrelas cadentes todas as noites. As noites eram uma festa! Nas cidades grandes não temos essa visão (por causa da iluminação da cidade) .As vias, normalmente engarrafas de automóveis estão inteiramente vazias. Ouço, muito ao longe um “plim plim” da Globo a me anunciar que há mais alguém sem dormir, vendo televisão ou, como eu invariavelmente, dormindo com a TV ligada. Tomo canecas de café, fumo cigarros Camel (dificímos de achar) e aguardo mais um alvorecer. Gosto do alvorecer possivelmente mais do que do anoitecer. Não tenho certeza…



Ansiedade

2007-10-10T21:04:34.754-03:00

A ansiedade profunda é enloucederora. Aleijante. Não permite ver um filme da TV ou ler um livro. Te paralisa ao mesmo tempo que te agita. É incongruente. Fatal. Ficamos sem saber o que fazer, andamos em círculos pela casa, tomamos potes de remédios que não resultam. Ficamos mal e não é algo explicável, compreensível. É só dor e desespero...



Sem destino

2007-09-05T12:45:19.609-03:00

A história sobre a não existência de futuro, partiu de uma argumentação minha durante um almoço. O princípio do raciocínio é bastante simples: se deus não existe também não existe o destino e se o destino não existe, não existe futuro. Acreditar em destino é uma aberração maior do que acreditar em Deus, é achar que, para cada um dos bilhões ou trilhões de espermatozóides que fazem sua corrida diária existe já toda uma arquitetura formada do que acontecerá com ele nos próximos cem anos. Multipliquemos uma idade média de 80 anos de vida pela quantidade de espermatozóides em ação à cada dia. Aliás, a conta é maior, porque se existisse destino ele seria aplicado aos espermatozóides também, profetizando qual o eleito a fecundar. Então o destino quis que fecundasse o espermatozóide y em meio à corrida dis 150 milhões que partiram naquela maratona. E quer o destino que seja macho ou fêmea e quer que tenha uma boa fecundação, uma boa gravidez, um nascimento razoável e “caia” numa determinada classe social. Aí começa efetivamente a vida, começa a Operação Destino II. O sujeito cresce e vive oitenta anos (quantos dias?) e tudo o que lhe acontece é por “ser destino dele”. Ou seja, no momento da ejaculação do pai já havia um plano elaboradíssimo de sortes e vicissitudes não só escolhendo o espermatozóide que irá fecundar como tudo o que acontecerá com ele. Sim, se for assim, isso é futuro.Mas está claro que esse raciocínio não se sustenta, que a vida se dá primeiro pela lei do mais forte (espermatozóide vencedor) e segundo por uma série de coincidências e acasos que vão surgindo no decorrer do tempo. Estudamos, temos emprego, amigos, mulher e filhos por estarmos sempre fazendo determinada coisa em determinado lugar. Não é o destino que faz você se casar. É o fato (coincidente) de estar naquela hora e conhecer aquela pessoa naquele lugar e sentir-se atraído (mutuamente?) por ela. E se você está andando, leva uma bala perdida e fica tetraplégico, igualmente não foi o seu destino (que destino mais besta, né?) e sim a coincidência de alguém disparar uma arma e você estar justamente naquele instante naquele lugar de tragetória da bala.Se entendemos bem que o destino é uma tosca invenção humana (o homem precisa de uma justificativa metafísica tanto para as coisas boas quanto para as coisas ruins que acontecem e assim diz que isso ou aquilo era “seu destino”, vontade de Deus). Um pensamento no mínimo que ultraja Deus, colocando-o a fazer planos para três bilhões de habitantes só no planeta Terra porque deve existir vida em outros planetas e Deus é um só, correto? Assim, concluímos: Destino, como é pregado, não existe. Existem acasos e coincidências bem como a Lei do mais Forte. Esses elementos regem a vida e, como o nome já diz, acasos e coincidências não poderiam em nenhuma hipótese ser previsíveis o que nos leva a entender que o futuro não é previsível.Mas como pode o Futuro não ser previsível? Se eu estudo, vou me formar no futuro. Se sou noivo, vou casar e ter filhos no futuro. Se fumo, vou morrer de câncer. Se roubo, vou para a cadeia. As coisas acontecem assim? Não! Algumas coisas acontecem, outras não acontecem e outras ainda acontecem de maneira completamente susrpreendente. E por que? Porque o futuro, por não existir, não é. Para isso precisamos falar do tempo. Gaston Bachelard, em seu estudo sobre o Instante cita Roupnel com sua máxima perfeita: “O tempo é uma realidade encerrada no instante e suspensa entre dois nadas.” Ou seja, o tempo é um conjunto conseqüente de instantes, como a linha é o seguimento de pontos.O presente se esvai, escorre entre nossos dedos. Tudo o que vive[...]



Escravo

2007-09-04T11:56:36.640-03:00

Ultimamente a leitura tem me dado um sono terrível, desses que impedem a gente avançar num livro o bastante. Aliás, ando com sono sempre, como se tivesse passado muito tempo sem dormir, se houvesse um enorme atraso a ser colocado em dia. A verdade é que nunca dormi bem e agora fico estranhando essas mudanças metabólicas (rs) em mim. Tenho uma série de coisas para fazer e vou deixando para "daqui a pouco". Transações bancárias, por exemplo, são coisas insuportáveis. Eu gostia de ter um escravo. Não um empregado. Um escravo. Louro. Ele seria obrigado a trajar-se de terno (azul marinho) e gravata mesmo no auge do verão. Trataria para mim de todas as coisas chatas da vida e mesmo assim, nutriria enorme gratidão por mim, por eu permitir que as coisas fossem como, de fato, eram.
(Por que todos somos escravos sem saber, todos fazemos as coisas que um escravo (bom) deve fazer e ainda ficamos 'nos achando'. Se a gente observar bem nossas tarefas diárias e a inutilidade delas, conclui que pertencemos a uma casta de escravos desatentos)



Perseguindo coisas demais

2007-09-02T10:56:13.607-03:00

Tem essa coisa da gente ficar se virando para cá e para lá, buscando aqui e ali conforto para o espírito. Esse "espírito" é nosso maior cobrador, quem exige de nós o tempo inteiro uma atenção desmezurada, dessas que não dispensamos a ninguém nem vice e versa. O que resulta é a inquietude e um certo sofrimento ou impressão de não realizar o que era para ser. Mas o que era para ser? Pois se, à cada momento, eu digo a mim mesmo que era para ser assim ou assado e momentos depois eu desdenho dessa opinião e busco uma outra, inversa... Porque essa coisa de viver plenamente é exatamente a opção pela busca, pelo distante, pelo que deve ser alcançado. Digo a mim mesmo o que deveria ser dito a um e a outro, o que digo em reuniões porque, na verdade, sou instrutor de mim, oriento meus passos para adiante e percebo em mim um atraso, uma distância entre o que é e o que deve ser. Não me concretizo porque esse "estado concreto" engessaria minha alma, daria fim a todos os meus desejos, à minha curiosidade pela vida, pela Terra e pelas pessoas. Não tenho nada em mim a não ser essa curiosidade inquietante que me repete sempre a necessidade do passo adiante, do contato com essa ou aquela pessoa, o entendimentos dessa ou daquela filosofia (embora elas me desapontem quando percebo uma outra). Vou assim, ao pulos com sofreguidão, entregando minha vida ao tempo na certeza de que ele, impassível, ri de mim (como deve rir de todos) conhecedor da alma humana em sua certeza absoluta que nada vai se concretizar.


Não sei quantas vidas precisaríamos para que pudéssemos finalmente relaxar e considerar que conquistamos tudo o que era para ser conquistável. Quantas vidas? Três, Dez? Trezentas? Imagino que nem a eternidade é suficiente para o homem já que ele não percebe que, dentro da sua finitude, é eterno na medida em que ocupa todos os espaços da sua vida. A teoria então é que a vida é a eternidade, que é indiferente viver quarenta ou duzentos anos porque nesse espaço de tempo fazemos sempre as mesmas coisas, tratamos igualmente de todos os assuntos, trabalhamos, estudamos, constituímos família, etc. Um homem, aos oitenta anos, se lhe fossem dados mais cem anos de existência faria a mesma coisa: estudaria mais, iria ler mais livros e constituir mais famílias, tudo sempre rigorosamente igual, tudo caminhando para uma mesma direção que é o fim. O desejo do imortal é a morte. O imortal trabalha assiduamente, tenazmente para concluir toda a sua missão e morrer. Se não morre, começa novamente as mesmas atividades, esperando que dessa vez, ao final, deixe de existir.



Os livros da minha estante que se escondem de mim estão fazendo exatamente isso: colocando-me ansioso em sua busca para ler o que já foi lido, para refazer o que foi feito, talvez mudando algumas anotações de pé de página que, do ponto de vista do universo, são irrelevantes. Como irrelevante é o conhecimento demasiado porque se acaba não tendo onde aplicá-lo e faz com que nos tornemos pessoas insuportáveis. Como uma pessoa que é simplesmente insuportável e boa parte desse gênio infeliz vem de um certo número de títulos universitários que conquistou. Quando ela vai tomar banho e se vê nua no banheiro, sente o mesmo (ou talvez bem mais) sofrimento de quem não tem tanto, mas é bacana e blá. Ou o milionário que sabe ser totalmente sozinho, que suas companhias existem apenas por interesse, o famoso que se beneficia exclusivamente pela fama, o doente que recebe algum afago exclusivamente por ser doente, a prostituta condenada a não gozar...Continuo depois.



Marcando encontros nos céus

2007-08-22T15:49:51.211-03:00

o que acontece é um profundo desvão, uma notícia falaciosa ou um desencontro de horários e timings. não sei qual das coisas pesa mais, todas me pesam igualmente, todas me são caras como se fossem gêmeas e tivessem parido a si mesmas. mais ou menos como o desconforto de não encontrar uma posição aceitável na cama, daquelas que te permitem dormir, permitem que você atravesse o túnel de tempo entre um dia e outro e te faça acordar tranqüilo apenas o bastante para enfrentar tudo o que vem pela frente, todas as páginas em branco que terão de ser preenchidas, todas as páginas da novela que deverão ser lidas (é verdade, releio essa novela obcessivamente - mas não é a primeira que me causa essa angústia existencial. (Como? Não é angústia existencial? Mas é claro que é, é claro que todas as coisas estão ligadas umas as outras e, exatamente por elas, a vida, muitas vezes, perde um sentido mais exato em troca de alguma coisa que não sabemos definir, coisas que nos embaralham não apenas a visão, mas o sentimento de estar conexo - que nos é tão caro!).isso não explica tudo, mas explica algumas observações e trocas, trocas de espaços, tendências não exatamente novas, mas tendência a que alguma coisa fique diferente, algo como desejar criar uma obra de arte, mesmo que não seja, mesmo que seja nada, que seja comum, mas que a gente entenda como tentativa, como reciprocidade do outro, daqueles em quem estamos pensando enquanto fazemos.tudo isso porque a volta me angustia, porque existe algo de bom naquilo que está escrito e porque, ao mesmo tempo, sei que não devo frequentar, não devo me cativar, assim como uma tia não se permitia escutar os discursos do lacerda porque não gostava dele, ele não prestava para ela, mas ela tinha medo de se deixar cativar pelo discurso que, reconhecia, era extremamente vigoroso e sedutor. existe um canto da sereia no ar. um canto vigoroso que seduz, mesmo a gente já sabendo que aquilo vai dar em nada, mesmo com a experiências fracassadas do passado.Ou Nãoo tempo nublado não diminui nem aumenta o desconforto e a impressão de uma certa solidão que não deveria existir. o tempo é apenas o que vejo, apenas o que está a meu alcance, o que se mostra e permite que eu deduza coisas, mas deduzir é muito pouco para mim, deduzir não é falar, não é escutar a voz nem ler o que você escreveu. sim, você que deveria estar escrevendo e respondendo a tudo porque nada é falado nem perguntado à toa, tudo tem um motivo, um momento, uma situação está inserida e não perceber isso seria mais ou menos não me perceber ou, me perceber como alguma coisa "a mais" entre as coisas, o que, definitivamente, não sou e todos sabem disso - principalmente você. porque se é por trocas de cartas não se deve sentir menos, já repeti um milhão de vezes em teu ouvido que todas as grandes coisas, todos os grandes lances e as grandes aventuras de amor ao longo da história foram marcadas principalmente por uma intensa troca de correspondências que permitiam à cada um conhecer e desejar mais o outro, cada um viver em seu canto como deus quis sem perder contato, sem deixar de sentir que o outro estava lá, além mar, mas existia em toda a sua plenitude (para um e para outro).poderia me valer das cartas abertas, mas só se fosse uma situação imprevista, uma novidade, uma revelação ao você, uma maneira não imaginada ainda, não dita ainda. quando se diz, é assim e mais não sei o quê, não há mais necessidade de nominar, não há necessidade de nada porque só existe um e cada um sabe que o outro é o um ao contráruio, o outro é o um dele.[...]



Confissões num terreno baldio

2007-08-21T13:22:35.038-03:00

diazinho atípico, desses que eu gosto de ficar em casa lendo e bebericando uísque, nem sempre dá. hoje não dá, amanhã deve dar. corro atrás dos dias em que não tenho que falar coisas inúteis para pessoas que não sabem o que estou dizendo. verdade que não deixo saberem o que digo porque falo de uma maneira transversa, de uma forma que só mesmo eu estou percebendo. defeito meu. mas é pra me proteger também, pra eu ser menos 'telhado de vidro' (sou de qualquer maneira). dizem que estou me defendendo, que não dou a cara. não é verdade. dou sim... e muito. inclusive ainda deixo tudo escrito pra não restar a menor dúvida sobre nada. duvida de mim quem quer e não compreende... apenas um ser tão obtuso que, certamente, não anda sobre duas pernas (meu gato anda sobre quatro patas e me percebe direitinho). gatos, aliás, são bons amigos. sei exatamente o que meu gato quer de mim e dou na medida do possível. ele faz a mesma coisa comigo. as pessoas complicam um pouco essa história, brincam de deus e aí vai tudo por água abaixo.
também já gostei de brincar de deus, mas quebrei a cara e tomei pavor! não quero mais saber dessas coisas, prefiro continuar como humano cheio de imperfeições, fraquezas e carências.


o mais está aí, tudo exposto, debaixo de chuva e de sol.... mais ou menos como couro curtido, desses couros ideologicamente nordestinos como se o pessoal do norte fosse diferente do pessoal do sul maravilha ha ha ha... venham aqui ver o que é o sul maravilha... não dou uma semana para voltarem correndo! já fui muito ao norte e nordeste e sei as carências de lá também. são carências do brasil, meu amigo, não se iluda com propaganda enganosa. eu, por exemplo, sou propaganda enganosa de mim mesmo - pura. procuro enganar as pessoas de boa fé a que acreditem em algumas coisas que digo serem meus pensamentos, minhas metas... tudo mentira. minto o tempo todo para todo mundo e, principalmente, para mim mesmo. monto um circo em que sou apresentador, leão e, principalmente, palhaço. sempre tive vocação pra palhaço, só me falta a bola vermelha no nariz. acho que escrevo tudo isso aqui porque é um lugar meio secreto e os institutos de pesquisa dizem que ninguém vem aqui, só vai no pós sobretudo de lona. deve ser isso.... bom que eu sou menos patrulhado e posso contar umas coisinhas diferentes... não que tenha alguma coisa interessante, que valha à pena ler, claro que não é isso... mas é menos compromisso com uma certa arrogância na intituição virtual (que se quer fazer e não consegue). chega



Blogger X Wordpress

2007-08-19T21:50:43.896-03:00

Eu não sabia que aqui tem um sistema de busca (canto superior esquerdo) tão atuante quando o do wordpress. Cada dia mais vou descobrindo aqui coisas e vantagens em relação ao Wordpress



Mulheres são menos cognitivas?

2007-08-19T21:05:31.301-03:00

Verdade que eu sou invocado, mas tenho a impressão que a vida gosta de me provocar, as pessoas gostam de me provocar. Ou então pessoas são mesmo provocativas, é um estado natural de serem pessoas. Não sei, pode ser. Só sei que preciso de experiências novas, preciso atacar outros lados meus que estão meio abandonados (por mim mesmo). Me pergunto se eu deixo esses lados assim, sem serem provocados por algum tipo de defesa, mas aí entra naqueles psicologismos baratos que eu detesto. Sempre um imitador barato, eu. Estou escrevendo um capítulo a mais para um livro que estou lendo. Por que? Porque Borges fazia isso. E sou macaca de auditório. Zé mané. Sou neguinha. Usava guias azuis e brancas porque o Caetano usava, mesmo eu sendo ateu. Mas o Caetano também não tem essa religiosidade toda que parece não. Ele é muito blasfemo.E quando começo a escrever em muitos lugares e a ler muitas coisas acontece o previsto: faço muito pouco de cada coisa. No momento interesso-me apenas por relações interpessoais mesmo que sejam à distância. Têm que ser. No momento, sim. Já andei me explicando para uma meia dúzia de pessoas e o resultado foi catastrófico: ninguém entendeu bulhufas. Agora não perco mais tempo tentando explicar nada. Sacou, sacou, não sacou, sacasse. Verdade que, à médio prazo, quem perde sou eu. Mas essa história de que as perdas são todas minhas também não me convence inteiramente. Acho que quem não me saca perde muito. Verdade, acho mesmo, não sou nem um pouco modesto. Me acho muito interessante (e se ninguém achar, o que posso fazer? Nada).Não sei bem porquê mas as relações e os desentendimentos são muito maiores com mulheres do que com homens. Fico me perguntando se mulheres tem uma cognição menor que o homem. Será possível uma coisa dessas? Acho que não, deve ser coincidência. Seria lamentável se eu tivesse que separar assuntos para meninas de assuntos para meninos rs. Acredito mais que as mulheres fiquem meio de pé atrás com os homens, mais ou menos como se ambos não fossem confiáveis e blá. Uma tolice inenarrável porque não vivemos uns sem os outros. Mas que rola uma coisa meio assim, rola. Mulheres se previnem como se fossem mais frágeis, como se fossem vítimas em potencial e, com isso, tornam-se mais agressoras. Pena, mas é assim. Pelo menos com todas as mulheres que eu conheço. (Talvez eu devesse então tratar de conhecer mais mulheres….ou menos, dependendo do ponto de vista). Não farei nem uma coisa nem outra.São coisas ancestrais que nós apenas reproduzimos hoje em dia, nada de novo, nada de criativo, nada pra gente dizer: OH! Tem uma mulher que escreve um blog que eu gosto muito, freqüento assiduamente, mas fiquei desbundado quando ela apoiou o depoimento do Lula dizendo que brasileiro, que a elita brasileira, gosta de bolsa doutorado contra o Bolsa Família. Ela apoiou! Quase escrevi pra ela, fiquei indignado! Mas pra quê escrever? Faço isso aqui, porque aqui é minha tribuna e muitos comentários são inúteis e levam mais falta de percepção do que desejamos expressar do que outra coisa.Gostaria hoje de ir ao cinema, assistir qualquer coisa, mas não consigo. Domingos são dias-não. Está sol, mas corre um vento frio, desagradável. É como se São Paulo fosse aqui. Respondo os poucos e.mails (mesmo os que comentam bobagens), leio o jornal desinteressante que alerta para a violência urbana e como um miojo para não perder o hábito de homem sozinho e espartano. Sou espartano no comer e no vestir. Minha cabeça fervilha e corro pro meu caderninho aqui ao l[...]



Factóides de anoitecer

2007-08-19T20:52:17.563-03:00

Existe um possibilidade improvável em tudo o que pensamos. Pensamos no utópico fantasiando com realidade. Sempre assim e negamos até para nós mesmos. Não queremos assumir que vivemos num mundo irreal, um mundo de desejos plenamente satisfeitos sempre, onde o "não" entra apenas como tempero psicológico. Temperamos todas as coisas à partir de factóides, nada realizado, nada de mais importante. Essa criação de factóides é a demonstração da necessidade que temos de viver envoltos numa capa de mistérios, de possibilidades sem fim. Nada é verdade. Nada diz muito, nada é crível o bastante para nos abalarmos. Na contramão, eu me abalo por tudo, sou filhote de outra linhagem, sou expectativa de algo maior do que eu mesmo, possibilidade de grande show. No final das contas não dá em nada. Releio o texto e me dou conta de que está incompreensível e bem poderia reescrevê-lo, mas não o faço porque todas as coisas estão relatadas, todas as perfeições e imperfeições estão ditas com todas as letras, todo o sonho em que vivemos embalados. Sou parte desse sonho. Uma parte apenas. O todo se insere na vida com todas as situações anacrônicas que possam resultar dessa mixórdia.

Penso, eventualmente, em transferir todas as coisas, em realocar situações e pessoas como quem faz uma grande mudança na disposição dos móveis em sua própria casa. Mas não sei se esses elementos meus e da vida equivalem a móveis de uma casa. Não sei mesmo. Pode muito bem não ser. Posso estar caindo nesse lugar comum apenas como exercício intelectual para alçar um vôo mais alto, o meu vôo pretendido. Se o faço? Sim. Freqüentemente embora não divulgue e recolha caquinhos de fracasso e louros de vitória. As duas coisas me agradam, as duas coisas são fontes de prazer, não um prazer comum, mas um prazer de sublimação, de troca entre realidades e irrealidades, coisas de espírito, de psiquê (possivelmente) avariada. Esperam de mim que eu diga todo o tempo as coisas certas e quebram a cara porque nunca digo, nunca sei onde estão essas tão faladas "coisas certas". É assim que os anos passam e as pessoas se vão.

Talvez existam ainda outras alternativas de vida, outras opções na maneira de levar as coisas. Com certeza existem e muita gente deve encontrar modos que lhes são muito mais favoráveis de enfrentar tudo. Aliás, o próprio termo "enfrentar" é uma colocação equivoacada, dá a impressão de que as coisas são uma luta eterna quando não é nada disso. Há muito mais gozo do que carregar pedras. Muito mais sorriso do que lágrimas e muito mais acertos do que erros. Basta olhar com atenção e permitir-se experimentar sempre e mais. Não faço isso com freqüência e admiro quem faz. Sou mais quieto, mais o observador que escrevinha tudo o que vê e sente do que um "fazedor". Meus feitos devem ser poucos diante da quantidade de opções. Talvez eu mude numa hora. Talvez não. Eu nunca sei com erteza de mim.



Expectativa pré e pós-uterina

2007-08-15T14:07:16.649-03:00

Estive catalogando vários momentos meus, várias situações em que me senti em perigo (o que não é difícil). Sentir-se em perigo é não ter certeza das coisas, ter que fazer opções, ter que trocar alguma coisa. E tenho que mudar coisas na vida o tempo todo: maneiras, conceitos, expectativas. Não me importo exatamente com o que vai ser, como vai ser, a atitude. A questão é a reação. Como virá a reação àquilo que eu me dispuzer a fazer? Que conseqüências? Viver é tão arriscado quando pular de para-quedas ou asa delta. Talvez mais já que a própria vida nos dá essa alternativa. Digo para mim mesmo pensar bem nas coisas, mas não acontece, não é verdade, não penso. Sou puro instinto e tudo o que vem de mim é instintivo, é perceber o que rola na hora, naquele segundo. Faço uma peregrinação por outros sítios vendo o que as pessoas estão pensando, não para seguir-lhes o caminho, mas para estar inteirado. Não adianta. Psicologismos menos ainda e a metafísica não existe em mim. Busco então o que existe.

Aí começa meu dilema porque às vezes tenho a impressão de que existe tudo e nada em mim, parece que conheci todas as coisas e vivi todas as experiências, ou o contrário, que sou virgem na vida, que ela me é totalmente nova e irreconhecível à cada manhã, como se renascessemos diariamente (essa tese tem andado mais forte ultimamente). Como fazer? É verdade também que não me agüento mais me questionar esse tal "como fazer". Então, simplesmente, faço. Se está dando certo? Não sei. Tenho uma implicância ancestral com o futuro, como se ele fosse um bispo de pedra negra, impávido, sem sequer me dirigir o olhar. O futuro deveria olhar pra gente, deveria dar dicas, ajudar, o futuro deveria ser um "presente" com super poderes. Um presente super-herói, um pai. Taí, o futuro poderia ser nosso verdadeiro deus, nossa esperança, nossa certeza de que estamos trilhando o caminho certo. Mas não é assim. O futuro é besta, esnobe, ao contrário do passado que nos é tão prestimoso mesmo quando as recordações não são das melhores.

Optar por fazer seu caminho é uma tarefa árdua demais, carregada de responsabilidades insuportáveis. Claro que terminamos não nos furtando, mas é como andar na corda bamba. Por isso talvez possamos dizer que estamos todo o tempo na corda bamba (de sombrinha) e, como cantaram John Neschiling e Geraldo Carneiro, "nos afogando num oceano de cachaça". O vício de viver domina completamente a cena. Não vivevemos só por prazer, mas por víci0 na vida, não abrirmos mão, não percebermos o que rola, o que estamos fazendo em nome desse vício. Somos petulância de espermatozóide vencedor, petulância do mais forte e rápido. Acho que vivemos numa euforia pré-uterina na expectativa de chegar lá. Nós chegamos! Mas o mundo também é expectativa pós-uterina, expectativa de degenerescência, de embarque para o comboio final. Não sei.



Dúvidas existenciais

2007-08-13T13:20:57.965-03:00

É vem verdade em que eu fico meio dividido entre escrever aqui ou lá no Pós Sobretudo e os motivos são variados, mas tem algumas coisas práticas que eu posso argumentar (comigo mesmo he he): Lá todo o processo, a plataforma é muito mais moderna e te garante uma série de recursos e informações que não rolam aqui. Já aqui tem um template mais agradável para escrever (sabe quando você prefere um papel para escrever ao invés de outro? Pois é.), inserir fotos e tudo o mais aqui é mais simples, mais "caseiro" ou por outra: não dá medo escrever aqui, experimentar, mudar isso e aquilo, salvar em arquivos e etc. Em contrapartida lá tem um sistema de avaliação de visitações (que não me interessam), estatísticas, marcação de quem comentou, e quando, busca e por aí vai. Então, como sou fragilizado nessa questão de decisões assim, opto em me dividir aqui e lá (sendo que lá é muito mais acessado do que aqui.)



Nossos acordos

2007-08-13T12:42:39.221-03:00

Com quem fazemos acordos, afinal? Fazemos acordos? Sim, fazemos. Principalmente conosco, principalmente de uma forma não clara, objetiva, mas escorregadia, sem firmeza, sem mostrar o jogo. Todos os nossos acordos são assim porque a vida ideal, plena, vivenciada em cada um dos nossos dias não permite uma certa liberdade, não permite alternativas ao que é, ao que desejamos. O acordo é um passo atrás, uma jogada de sobrevivência, meio de escapulir ao embate entre nós e o mundo e nós e nós mesmos. Não existe acordo perfeito e por isso chamamos de acordo. Contrato onde ambas as partes cedem. Um pouco ou muito. Nos acordos que fazemos conosco, cedemos muito, muito mais do que desejamos e do que estamos preparados para ceder. Tem gente que acha o máximo essa história de ser cordatos e ter mil "contratos" em várias áreas, vários "compartimentos" da vida. Eu acho um lixo. Aliás, já acho um lixo ter a vida compartimentada (exigência social em prol do bem da humanidade). Ao compartimentar uma coisa, estamos quebrando a unidade, dividindo o todo, abrindo mão de uma plenitude que só alcançamos nesse mesmo todo. O que temos então são metas a serem cumpridas, mas cada uma delas vem com seus acordos a serem respeitados. Não somos inteiros e, de certa forma, a integridade de cada um também sai afetada porque a vida não levará isso em consideração e, principalmente, o tempo não será mais ameno, menos rigoroso. Não! Todos esses tratos, me parece, fazemos mais por medo, por falta de impulso em ir às últimas conseqüências do que pela tal linearidade social. Quando olhamos mais criticamente podemos perceber que vivemos uma grande mentira.



Trnsgredir sempre! E mais!

2007-08-10T13:23:34.132-03:00

Caminho num ritmo tão frenético às vezes que tenho medo de perder o controle. Todo mundo teme perder o controle. Não dizem, mas temem. Ou não temem, mas perdem. A questão de controle é um mito social, na verdade religioso, que pretende dominar os anseios do homem. Mas o homem não deve ser controlado porque, como uma represa, em determinado momento vai estourar. Pessoas estouram assim, do nada, quando menos se espera e todo mundo fica com cara de árvore como se a avalanche não fosse previsível. Mas ela é... e óbvia. As condições que se propõe a um homem são impossíveis, imprudentes inclusive. Homens necessitam explodir ao invés de implodir porque é dessa explosão que nasce a luz, o amor, a 'cotidianidade'. Reverter o processo em que nós afloramos equivale e matar a flor, inviabilizar a realidade, detonar o projeto de vida. Não deve ser uma necessidade minha e sim de toda a humanidade (embora parte dela esteja - por isso - encarcerada em hospícios). Não receio os hospícios, aceito-os como uma chocolateria ou uma tabacaria. Tenho bem firme em mente um projeto alucinatório que independe do lugar que habito. Trago em mim toda a revolta dos mares e meu movimento, como já disse, é o de placas tectônicas que se ajeitam e provocam maremotos. De que serviria o mar sem maremotos? De que serviria a terra sem terremotos?! No fundo estamos tratando da mesma coisa tanto em terra, mar ou gente: precisamos entrar em ebulição para justificar esse processo vertiginoso que é a nossa vida (se bem vivida). Se transgrido? Sim, com certeza e muito freqüentemente. Você não? Pois experimente! Uma transgressão dá mais prazer que um orgasmo e os dois juntos são a perfeição almejada pelos deuses do Olimpo. Então, vamos transgredir!



As idades

2007-08-10T09:24:54.141-03:00

Essa expectativa que essas meninas têm em resolver todas as coisas de uma vez só, de abraçar o mundo como se ele fosse correr, todo esse desespero faz com que elas deixem as coisas passarem, as falhas acontecerem. Não tenho a menor predisposição em ser líder de nada, mal coordeno minha própria vida e ainda querem me cooptar pra outras coisas... Tá louco! Sei um pouquinho de mim e mesmo assim acerto pouco (mas aí não tem jeito porque sou eu comigo mesmo, não dá pra pedir ajuda a ninguém nem pra reclamar comigo - (fica só um sentimento de culpa às vezes). Não me lembro bem, mas tenho certeza absoluta que, com essa idade, eu não dava mais bobeira (pelo menos não profissionalmente). Não entendo o que as pessoas pensam, o que imaginam da vida, como se planejam. Mas vejo todo mundo desesperado, correndo atrás de erraos pueris.