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Novos Voos - Take Two





Updated: 2015-08-20T06:16:18.828+01:00

 



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2010-06-05T15:08:09.817+01:00

Agora, se me quiserem visitar, é aqui:

http://aruainclinada.blogspot.com/

Espero-vos por lá

Vic



Prioridades

2009-04-27T20:13:24.137+01:00

Desde já uma declaração de interesses: sou um solitário inveterado e tão aficionado ao transporte em viatura própria como se pode ser, pelo que o que a seguir escrevo terá que ser lido com alguma dose de ceticismo (cá está um dos benefícios do acordo ortográfico: poupamos uma caratér ao mesmo tempo que gastamos 155 a explicar que se trata da aplicação do acordo e não de um erro ortográfico).A minha maior irritação com os automóveis é a tendência que têm para avariarem inusitadamente, e exactamente pouco tempo após a vinda de uma revisão completa. E irrita-me mais porque sou daqueles que até respeitam os prazos de revisão, de mudança de óleo e tudo o mais, e acima de tudo, nunca deixo que envelheçam nas minhas mãos, tentando evitar ter que tratar os “alzheimeres” e “parkinsons” que os acometem quando começam a envelhecer. Pior ainda é que geralmente, estes percalços acontecem em sítios movimentados, deixando-nos na embaraçosa situação de ter que vestir aqueles ridículos coletes a que nos obriga o Código de Estrada, e que nos faz parecer cantoneiros atarantados.Foi isso que recentemente me aconteceu: em pleno centro de Lisboa, a viatura decidiu deixar o seu pedal de mudanças inerte e a mim incapaz de o fazer mover-se por muito que tentasse.Portanto, e após deixar o caprichoso veículo na oficina e reclamar da revisão, que remédio senão recorrer aos transportes públicos. E se a primeira viagem até foi agradável - fiz uma volta quase completa a Lisboa no eléctrico 28, que é um perfeito circuito turístico - já o mesmo não se pode dizer da segundo. Meti-me no Metro no Saldanha tendo em vista deslocar-me ao Colombo, o que me obrigava a mudar de linha no Marquês de Pombal. Nada de assinalável na 1ª parte do percurso, até porque a carruagem ia quase vazia. Mudança de linha efectuada, e para grande satisfação, novamente a carruagem com muitos lugares vagos, o que, pensei, me proporcionaria um resto de viagem tranquilo o suficiente para poder usufruir de uns momentos de agradável leitura, pelo que me sentei junto à coxia sem ninguém por perto e abri o meu livro.A tranquilidade foi de pouca dura: na paragem seguinte entraram uns poucos adolescentes - eles e elas - que além da algazarra, mudavam de lugares a cada 5 segundos. Nada de muito incomodativo, mas o suficiente para me desconcentrar da leitura. Estava a tentar adivinhar em que estação sairiam, quando ouço um tilintar de chaves. À altura dos meus olhos surge então um molho das ditas - tão grande como o de um guarda-nocturno dos antigos - pendurado numas calças de ganga pertencentes a um tipo que pretendia sentar-se a meu lado, no lugar da janela. Desviei-me um pouco para lhe dar passagem e, logo que se acomodou, começou a manipular furiosamente um pequeno Rádio com mp3, que assim à vista desarmada, me pareceu de gama média/baixa, coisa para custar entre 20/30 €. Só que, o que me fez olhar para o homem - baixo, de meia-idade, com um aspecto absolutamente vulgar - não foram as chaves nem a sua obstinação com o pequeno aparelho. Foi o cheiro que o envolvia e que o precedia a vários metros. Era um odor de suor de vários dias, entranhado, e absolutamente intolerável. Lembro-me que quando andava no Liceu foi-nos marcada uma visita de estudo ao Jardim Zoológico - o que muito nos satisfez - e a acompanhante idónea foi a nossa simpática professora de Geografia. A coisa correu bem até chegarmos às jaulas dos saguins. Um deles estava num visível estado de excitação sexual, pelo que o gozo da malta foi, naturalmente, imediato. E é evidente que as provocações ao excitado animal começaram, no que se evidenciou um colega meu que, por mera coincidência tinha a alcunha de “Macaco”. O saguim aparentava uma irritação crescente e começou a guinchar e aos pulos, e a agarrar desesperadamente nas barras da jaula, na tentativa (vã) de as arrancar de modo a poder punir o provocador. Impotente, agarrou numa mão cheia de palha, restos de comida e dejectos e arremes[...]



Do Moleskine (1) - Qué Pasa?

2008-10-14T17:15:47.336+01:00

(image) Nada pior que não entendermos para onde caminhamos, ou, pior ainda, verificarmos que transitamos precisamente no sentido oposto ao que desejaríamos. Vem isto a propósito do modo como hoje se vive, em certa medida, a cidade de Lisboa.
Há não muito tempo, para mim, o Porto era robustez, Lisboa leveza. O Porto era rigor, Lisboa a despreocupação. Sei que, nessa altura, tais asserções significavam que o Porto era trabalho, e Lisboa a preguiça. E eu, como lisboeta, não me preocupava nada com o que de depreciativo tal conclusão encerrava. Importante era a claridade transbordante da cidade, o esparramar do sol pelas cadeiras da esplanadas, o cheiro do Tejo que chegava aos Restauradores, o calcorrear desprendido pelas vielas, com paradas numa ou outra tasca para aquecer com uma ginjinha ou um eduardino.
Mas hoje tudo mudou. A cidade parece ter-se fechado sobre si própria, ficou cinzenta. Esventraram o Terreiro do Paço, e da baixa, vão longe os tempos áureos. Mas o mais preocupante, é que parece que o que tornou a cidade mais sombria, foi o próprio povo, que se move acabrunhado como se carregasse aos ombros todo o peso do mundo, rarefazendo o ar da cidade, tornando-a pesada.
Sempre houve, entre os estilos de vida espanhol e português, uma diferença assinalável. Mas hoje parece que se acentuou. Basta-nos atravessar a fronteira e andarmos meia dúzia de quilómetros até duas cidades espanholas próximas - Salamanca e Sevilha - e teremos que reflectir sobre o que se passa. Num domingo, pelas 5 da tarde, meia Salamanca veste-se com o melhor que tem e converge para a Plaza Mayor, inundando esplanadas de conversas e risos. E por lá fica até horas tardias. Em Sevilha, pela mesma hora, os transportes públicos enchem-se de mulheres de meia idade ou mesmo idosas - viúvas, talvez? -vestidas com sedas álacres e sorrisos perfumados, que embarcam para mais uma promissora soirée, num qualquer clube de baile.
Por cá, há uns dias, dei comigo com receio de atravessar o Martim Moniz às 8 horas da tarde.



Got My Mojo Working (1) - "Hound Dog" Taylor, ou a Música Caseira

2008-10-13T13:31:54.145+01:00

(image) Theodore Roosevelt “Hound Dog” Taylor (1915/1975) é talvez dos menos conhecidos “bluesmen/rockers” fora dos EUA. Imerecidamente, como se verifica ao ouvir-se algumas das coisas que se lhe conhecem.
Ao que parece, Taylor aproveitava-se - bem - do facto de ter seis dedos na mão esquerda, e apesar da sua slide guitar electrificada não ser extraordinária, a verdade é que o seu som era único e espectacular. Segundo o próprio, “When I die, they'll say, 'He couldn't play shit, but he sure made it sound good!'", o que de certo modo demonstra alguma modéstia, uma vez que, não sendo um virtuoso, a sua música leva-nos às origens dos blues e do rock, com um estilo quase naif, uma combinação de blues, rock e boogie contagiante.
E talvez por isso, que ao ouvi-lo, me lembro da comida caseira, simples. Muito apropriadamente, o seu grupo de apoio chamava-se The HouseRockers, e o disco aqui representado, intitula-se Genuine Houserocking Music.
Apesar da sua qualidade, "Hound Dog" só foi "descoberto" aos 55 anos, o que, vindo a falecer 5 anos mais tarde, lhe concedeu muito pouco tempo de reconhecimento.
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Retomar o Caminho

2008-10-13T11:09:11.910+01:00

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Retomo hoje um caminho interrompido tempos atrás. A folga foi voluntária, motivada por nada de especial, tal como nada de extraordinário determina o regresso.
Estive para o fazer criando outro lugar - cheguei a fazê-lo - mas pensei depois que não haveria motivos para tal, pelo que remonto ao poiso habitual.
É curioso - porque não foi premeditado - que esta decisão tenha sido tomada, precisamente numa altura em que nas telas da Grã-Bretanha, corre a versão filmada do livro de Evelyn Waugh, “Brideshead Revisited”, obra que já tinha dado origem a uma das minhas séries de televisão favoritas - e à qual me ligam laços afectivos muito especiais - protagonizada pelo então emergente e promissor Jeremy Irons, e que por cá foi titulada de “Reviver o passado em Brideshead”.
Aqui, porém, não se trata de fazer reviver o passado, antes retomar o passo de modo diferente, por caminhos diferentes, por vezes com pontas coincidentes com algumas das de outrora, mas sem fazer de tal facto, um desígnio.
E já agora, porque falo de “Brideshead Revisited”, acrescentar que o filme que ora estreia é protagonizado por Mathew Goode, a face da Hackett, uma das mais populares e conceituadas marcas de roupa masculina do Reino Unido.
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Espelho, espelho meu...

2007-10-24T17:12:37.978+01:00

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Flying Machine - Mirror, mirror



Da Música (2) - The Freewheelin' Robert Zimmerman

2007-10-16T15:42:28.414+01:00

(image) Quando Robert Zimmerman lançou o seu primeiro LP, nada fazia prever que, em breve, o homem que foi buscar para seu apelido artístico, o primeiro nome do celebrado poeta Dylan Thomas, se tornaria num dos grandes nomes da música do século XX.
Com efeito, tratava-se de uma colectânea que reunia umas poucas “covers” de canções folk, às quais juntou uma ou duas de sua autoria, com muito pouca relevância.
Mas o que viria a seguir, seria memorável. “The Freewheelin’ Bob Dylan”, juntava uma colecção de canções inspiradoras, algumas das quais se tornariam verdadeiras “bandeiras” de uma geração engajada e politicamente evoluída, que entendia que tinha o direito a ser ouvida. Uma geração que abandonaria os salões onde dançava o rock and roll ao som de Bill Haley e Elvis Presley, e viria para as ruas protestar contra as guerras, as desigualdades e a discriminação racial.
O disco, editado em Novembro de 63, reunia, entre outras, canções como “Blowin’ in the Wind”, “Don’t think Twice, it’s alright”, que na década seguinte, e até terminar a guerra do Vietnam, foram entoadas vezes sem conta, em manifestações com lugar em Washington ou S. Francisco, em Londres ou Paris, e alvo preferencial de “covers” dos mais diversos artistas.
Numa época em que os Beatles conquistavam a América, e toda a gente ligada ao show-business queria encontrar quem fizesse sombra aos Fab Four, Dylan sabia que seria ele a “next big thing”. E disse-o em voz alta.
De um momento para o outro, o rapaz que dedilhava sofrivelmente viola acústica e tocava uma harmónica que trazia pendurada nos ombros, o jovem de cabelo rebelde e voz roufenha, tornava-se num ícone mundial, e os seus poemas, entravam para a galeria dos poetas obrigatórios nas universidades americanas.
Curioso, no meio da riquíssima história de Dylan, é o facto de, tendo sido algumas das suas canções, hinos daquela geração contestatária, nunca ele ter tomado parte em qualquer manifestação daquele tipo, ao contrário de outros nomes, como Joan Baez ou Donovan Leitch.



Da Música (1) - Tributo aos Pink Floyd

2007-10-04T13:53:59.139+01:00

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Pink Floyd - Comfortably Numb



Let The Good Times Roll

2007-09-25T14:18:53.063+01:00

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É Hoje!



Que saudades que eu tinha...

2007-07-26T17:17:05.045+01:00

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...e eles estão de volta numa bela reedição!!!



Será desta?

2007-06-22T16:53:54.209+01:00

(image) Desta, não há que enganar: o Verão vem aí. E ando nisto há três semanas, daí esta minha pronunciada ausência. Mas é que quando começo a soletrar meses começados por Ju não resisto a levantar-me logo pela manhã, espreitar pela janela e olhar o Tejo, e exclamar, mesmo que o dia esteja turvo ou a chover: “É hoje que eu vou para a praia!”. Visto-me a condizer com o desejo expresso e saio a rua.
Claro que até hoje o que tem acontecido é regressar a penates, por vezes de pés molhados e com o riso do Pestana a estalar-me aos ouvidos. Nunca conhecerei alguém tão insensível, disso tenho a certeza. Para terem uma leve noção da mais vincada característica da sua personalidade, só vos digo que há uns tempos o Arnaldo, que era empregado numa serralharia mecânica aqui do bairro ficou desempregado depois do patrão, o sr. Simões, ter declarado a falência da firma e se ter pirado para uma vivenda que entretanto comprara em Benidorm com a nova secretária, a Vanessa, uma rapariga de vinte e tal anos, loura e bem constituída, se compreendem o que quero dizer. Se não, eu faço o desenho: usa uns saltos agulha de 15 cms, meteu uns implantes no peito e passou de soutien 32B para 40C, e é tão competente como secretária, que no Inverno fazia a correspondência da firma de luvas. Bem, agora a competência dela tem que ser aplicada noutras áreas, uma vez que é a nova sra. Simões, e como o Simões já tem setenta e tal anos, a Vanessa “vai ter muito que se aplicar “, como diz o Pestana.
Ora o Arnaldo, aqui há dias estava a queixar-se da sua sorte no café:
- O que é que eu agora vou fazer? Já tenho quase 60 anos e ninguém me dá emprego.
Foi aí que o Pestana se meteu:
- Eh, pá! Porque é que não te metes por conta própria?
- Eu? - respondeu o Arnaldo. Nem dinheiro tenho para mandar cantar um cego!
Chegado aqui, devo esclarecer que o Arnaldo tem um pequeno problema físico: nasceu com a coluna torta, ou por palavras mais simples, é corcunda.
- Eh pá, para o que eu estou a pensar nem precisas de dinheiro, só tens que fazer umas duas semanas de preparação física na nova pista do Jardim da Estrela e depois só precisas de um cartaz, mas isso tu, como és marceneiro, sabes fazer. O texto, estou cá eu que sou pintor e escrevo-to de borla, com letra gótica e tudo.
- Mas para que é o cartaz?
- Para anunciares a tua actividade. Vais ali para ao pé dos Jerónimos que é onde aparecem mais turistas, e levas o cartaz a dizer: “Ida e volta de camelo até á Torre de Belém: 25Euros”. Como és marreco e simpático, vais ver que não te faltam clientes!
Agora o Arnaldo não fala com o Pestana, que diz que não percebe porquê. Enfim…

Mas agora, e por uns tempos, não lhe vou ouvir as chacotas. A trouxa está feita, e a Costa Vicentina aguarda-me!



Música de rua (4) - Madrid

2007-06-22T15:31:28.528+01:00

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Obsessões

2007-05-23T17:37:06.158+01:00

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Confesso: tenho algumas, poucas, obsessões, mas não teimo no que me perturba. Não conto os degraus ao subir ou descer escadas, não faço o caminho pelo mesmo lado do passeio, e não possuo espírito de avarento, pelo que não insisto em ver o filme ou ler o livro até ao fim. Se me maça, adormeço.
Mesmo as obsessões mais persistentes, foram sempre notavelmente contidas - e isto não é auto-elogio. Creio que a mais acintosamente presente durante a adolescência, terá sido uma que irrompia nos meus sonhos empinada num par de saltos altos, exibindo em corpo deslumbrante um busto cup D, e uma lasciva cabeleira ruiva emoldurando um rosto de pecadora. Essa extraordinária visão, obsessão partilhada por tantos e que ficou gravada em fita de cinema:
Gilda: Odeias-me, não é Johnny?
Johnny Farrell: Penso que nem imaginas quanto.
Gilda: O ódio é uma emoção muito excitante.Nunca deste por isso? Muito excitante. também te odeio, Johnny. Odeio-te tanto que acho que isso me vai matar, querido...
(beijam-se apaixonadamente)
Gilda: Penso que isso me vai matar.

…sempre se revelou inconsequente, porque sempre avaliei justamente a distância entre a terra e o Olimpo. Mas a verdade é que sempre me atraíram as inconsequências.
Uma outra houve, essa menos inócua. Há muito tempo que constatei da irrelevância de manter um diário. Tal não impediu que, em determinada altura da minha vida, me iniciasse num. Aproveitei uma oferta de aniversário, um caderno amarelado com uma fechadura para a qual nunca encontrei explicação uma vez que não a acompanhava nenhuma chave. Mas foi nele que comecei a apontar tudo o que me acontecia durante o dia, e na manhã seguinte subia para a figueira do fundo do quintal, e empoleirado num dos galhos mais altos, lia em voz baixa as banalidades descritas. O ritual tornou-se uma obsessão, e comecei a dormir mal na ânsia de subir á velha árvore para ler o caderninho, como se aquilo não fosse escrito por mim. Chego a pensar que, inconscientemente, esperava que, durante o sono, alguém pudesse ter acrescentado algum episódio que tornasse tudo aquilo minimamente interessante. Até que comecei a ter vertigens, sem nunca ter detectado com certeza, a origem do mal estar: se seria da altura do ramo onde me sentava, se do amarelo da capa, se das banalidades que lia. Inclino-me nitidamente para esta última hipótese.
Penso que a obsessão com que me debato há mais tempo, é a luta que imaginosamente travo com o Zé Cid há umas décadas: ele a querer convencer-me que aquilo que faz sair em disco é música séria, e eu teimosamente do meu lado da trincheira, a afirmar que se trata de qualquer coisa para a qual ainda não se conseguiu definição. Para dar força à sua crença, atira ele com os milhões de fãs.

(image) (image) (image)

E eu sem conseguir descobrir-lhe essas multidões. Aliás, nunca conheci um cantor de capachinho com uma legião de fãs, a não ser o Tony Carreira.



Dança

2012-06-16T21:25:48.905+01:00

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Por estes dias indecisos, nada me inspira nem comove. Nem sequer os juvenis canudos do cabelo em Angelica, o que me transmite uma sensação estranha de pairar acima das emoções humanas. Paradoxalmente, uma tal condição não me confere qualquer tipo de superioridade, o que também não me parece preocupante.
Assim, volto ao jardim onde me aguardam aquele aroma a citrinos e a estátua da mulher redonda com o filho ao colo, que me recorda sempre a talha da água fresca ao canto da cozinha, e sento-me debaixo de um castanheiro com os jacarandás ao fundo.
Bela cor, aquela. Ainda é a cor da cidade na Primavera em alguns locais, os que sobraram, uma cor de rosa afogueada, um roxo suave de alfazema, que me afirma que nada é perfeito, nem o criador, que se o fosse, ter-me-ia posto aquela cor nos olhos, não ma emprestaria só de tempos em tempos.
E é assim que perco tempo, a olhar em redor, por vezes nada vendo. Gosto de perder tempo. Só assim tenho a noção exacta de que o que tenho em mãos é a minha vida, um tempo que posso usar sem contar segundos e sem ter que prestar contas de tal. È uma imbecilidade ter sempre um propósito. Cada vez os tenho menos, o que confere maior relevância aos que tenho.
Perco-me, portanto, em inutilidades. Só me falta aprender a dançar.

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Não há maior inutilidade que aprender a dançar. Que finalidade haverá em aprender a empurrar o outro em movimentos geométricos durante três minutos, acto que, em agravo, não nos deixa concentrar na música em fundo, da qual a cadência, se torna então, a única e fulcral vertente? Ah! mas é quase uma arte, afirmam-me.
Chegado aqui, vislumbra-se a luz, um novo e nobre propósito: aprenderei a dançar com o intuito único de perder tempo de uma forma onde aflora algo de artístico, e que definitivamente emprestará outra importância e colorido à minha enfática entrega às trivialidades.
Conforme com Giuseppe Tomaso di Lampedusa:Mudemos alguma coisa par que tudo permaneça na mesma



Nas quatro estações

2007-05-18T21:28:08.029+01:00

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Em toda e qualquer estação do ano
a frase mais usada será sempre
Que “Te amo”
No Verão, porque é azul e quente,
e o sangue corre ardente
mas também no Outono, que é despido
no Inverno para que se derreta o frio
quase dolorido
e na Primavera, que é sempre tão surpreendente
Pode-se dizer num sussurro,
a voz quase inaudível, como um fio,
um carinho inesperado,
ou entre sedas e arroubos de paixão
no meio de afagos húmidos e beijos
como se para nós não houvesse mais tempo
senão aquele que se esgota como febre
numa noite quase impura
de ímpetos incontrolados e desejos.
Mas diz-se sempre!
Evitar ou proibir é proibido,
que no dia em que a voz calar essa expressão
o universo explodirá por inacção
e nada mais fará qualquer sentido



Foto de Anne Bertino

Houve uma altura em que me atrevi nos poemas, terrível blasfémia. Este, escrevi-o há precisamente dois anos. Não me recordo se o cheguei a editar aqui. Mas isso também não tem importância.




Ausência

2007-05-17T12:49:42.360+01:00

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Hoje, queria estar noutro lado,
na outra margem do sonho
sentado no muro da esperança
respirando só paixão
voltar à nascente da vida
fundir-me, de corpo e alma
fugir de mim e voar
hoje, precisamente num dia
que é mais estreito que o ar
E o estio a vir devagar
como se fosse um ladrão
deixando-me assim sem alento
Como se fosse um escombro
dobrando-me vontade a razão


Foto de Denis Olivier



Um "Meme"

2007-05-14T12:20:20.023+01:00

A minha querida e sempre lembrada amiga Teresa C. do Sem Pénis Nem Inveja, destacou-me para um “MEME”.
O que é então um “Meme”? Segundo o seu criador, Richard Dawkins:
- Um "meme" é um "gen ou gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela Web, usualmente por meio de blogues. O neologismo "memes" foi criado dada a sua semelhança fonética com o termo "genes".

Aqui se corresponde então ao generoso convite:

Não confundas o amor com o delírio da posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer.

St. Exupery

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Mas para que se cumpra completamente este enlace que diz respeito aos "Memes", terei que endereçar um convite a outros seis blogues. Aí vai o nome dos que gostaria que expressassem o seu "meme":
- A Jacky, da Amorizade
- A Caracolinha
- A SeiLa, do Repensando
- A Wind, do Webclub
- Plum e Plim, da Terra da Magia
- A Letras de Babel

Entretanto, aproveito para agradecer enternecido, as nomeações dos meus caros amigos Gi, dos Pequenos Nadas, e Rui e Paula, do Paixões e Desejos, a designação deste blog como "Thinking Blogger Award"




Da imortalidade

2007-05-10T14:50:22.670+01:00

Anos cinquenta do século XX…
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…e cinquenta anos depois
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Shirley Bassey - Diamonds are Forever



Interrogação diária

2007-05-10T11:35:55.676+01:00

Qualquer textículo, seja de quem for, consegue ser mais redondo que um discurso do ex-Jorge Sampaio?



Uma folha do passado

2011-03-20T19:55:05.469+00:00

Há dias, perdido em tarde tépida e ociosa, subia a Avenida da Liberdade pelo passeio direito, e passadas as sugestões descontraídas e primaveris da Timberland, estaquei frente à montra sempre notável de bom gosto do Rosa & Teixeira.Não tenho qualquer espécie de pruridos em admitir que admiro o requinte em todos os seus aspectos, mesmo naqueles que alguns consideram superficial. No extremo, acredito que nesses casos se trata mais de um preconceito formulado por uma falta de gosto apreciável do próprio, mascarada de superioridade intelectual. Afinal, a beleza é sempre admirável e nunca desprezível, qualquer que seja a vertente em que se apresente.Fiquei uns minutos a contemplar as combinações estivais de tonalidades marinhas e arenosas e lembrei-me do meu padrinho.Quando nasci já ele era velho, mas não o suficiente para que não tivesse tido peso na minha educação, quer cívica, quer intelectual. E no entanto, a sua formação tinha tido as bases mais rudimentares que se possam imaginar. Nascido em fins do século XIX, terceiro de quase duas mãos cheias de irmãos, filho de agricultores paupérrimos da Beira profunda, nunca pôs os pés numa escola. Mas creio que tal nunca o incomodou. Um dia, na minha inocência, perguntei-lhe porque é que nunca tinha ido à escola. Respondeu-me: - Como escreveu o Eça nas Farpas “As escolas são currais de ensino”. Havia nele portanto, um fundo anarquista.Da sua infância, contava que, ainda menino, adormecera muita vez ao relento no meio da meia dúzia de ovelhas que guardava, embrulhado num cão sem nome e orelha alerta por causa dos lobos. Mais tarde, aproveitando o impulso da tropa obrigatória, viera para Lisboa, onde, aproveitando os ensinamentos rurais, se tornou jardineiro. Paralelamente, a sua admiração pelas artes, concorreu para que se fosse formando culturalmente. Assistia a concertos, visitava museus. Nenhum dos seus domingos, único dia da semana que tinha livre, era passado em vão. Aqueles com quem falava e que lhe conheciam as origens, admiravam-se com a sua capacidade de dar opiniões sobre música, pintura, poesia, mesmo sendo ele uma pessoa muito sóbria, mais inclinada a ouvir do que a fazer-se ouvir. E começou a levar-me muito cedo com ele.Mas do que eu queria falar era da sua postura. Não era rico, mas na sua profissão era bom, o que lhe concedia uma vida razoável e lhe alimentava algumas pequenas vaidades. As saídas ao domingo eram antecedidas de um cerimonial a que eu assistia sempre muito curioso: depois do banho, ele em frente ao espelho a frisar o grande bigode imaculadamente branco com um pequeno alicate de pontas finas aquecidas (nunca me esqueci do seu olhar triste, quando, já nos últimos dias de vida o visitei no hospital. Perguntei porque lhe tinham rapado o bigode, mas nem ouvi a resposta. Ficou-me a convicção, que muita daquela tristeza era, não só pela premonição do fim que se aproximava, mas também do que lhe tinham feito, como se alguma da sua dignidade lhe tivesse sido roubada com o desaparecimento do bigode).Depois, era o escancarar do guarda-fato e a escolha meticulosa do fato: de Verão, um fato de linho cinza claro ou azul escuro, uma camisa branca e uma gravata garrida, que com o lenço no bolso superior do casaco, eram as únicas notas que se destacavam na quase severidade do conjunto, que se completava com os suspensórios brancos de riscas negras e os sapatos cor de mel. De Inverno, um fato de flanela cinza escuro, com colete, a camisa de colarinho e punhos substituíveis e a gravata escura. [...]



Os meus desportos favoritos

2007-05-08T19:11:21.744+01:00

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Do Dia da Mãe

2007-05-03T21:38:36.276+01:00

É reconhecida a minha falha de memória no que diz respeito a datas. Esqueço-me do dia de anos da sogra, levanto-me ao domingo para ir trabalhar e volto para a cama de barba feita e banho já tomado, e só não me esqueço do dia da renda de casa porque o senhorio a partir do dia 1 faz questão de mo lembrar todas as manhãs.
No entanto, há datas das quais supunha ter certezas muito firmes.
Foi portanto com a máxima surpresa que, chegado ao El Corte Inglês, vi os avisos em grandes cartazes: “Surpreenda a sua Mãe …blá, blá, blá, …no próximo dia 6 de Maio”. Dia da Mãe no dia 6 de Maio? Nas brumas da minha memória soa-me o dia 8 de Dezembro! Não era sempre a 8 de Dezembro? Era!
Ora aqui está uma das explicações plausíveis para o meu recorrente esquecimento em relação a datas eventualmente importantes. Andam constantemente a mudá-las! Mas desta vez estou avisado. E por isso não tenho desculpa para a deixar passar. É por isso, e para evitar que me esqueça novamente, que em antecipação aqui deixo duas ternas e antigas estóriazinhas alusivas à data:
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Encantado com o churrasco com que um seu amigo o presenteara, o canibal pergunta-lhe:
- Estava uma maravilha. Creio que nunca comi nada tão bom na minha vida.
- É natural - responde-lhe o outro. Já devias saber que mãe há só uma.


******

O Pedro, vendo duas lustrosas maçãs no cesto da fruta da cozinha, pergunta para a mãe:
- Mãe, posso comer maçã?
A mãe, sentada no sofá da sala, responde-lhe:
- Sim, filho. E já agora, traz-me uma a mim.
O Pedro, guloso das duas, mete uma ao bolso, trinca a outra, e responde à mãe:
- Mãe! Há só uma!

Gravura do Nemzeti Vasúti Múzeum




Montras e reflexos do Marais

2007-04-26T16:57:11.515+01:00

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Marais, Paris 2007

Ando a precisar de um génio que me {e}leve

I ain't gonna work on Maggie's farm no more
No, I aint gonna work on Maggie's farm no more
Well, I wake up in the morning
Fold my hands and pray for rain
I got a head full of ideas
That are drivin' me insane
It's a shame the way she makes me scrub the floor
I ain't gonna work on Maggie's farm no more.
Bob Dylan



Strawberry Fields Forever

2007-04-24T15:21:40.606+01:00

Nunca foi uma paixão minha. É verdade que aquele ar angelical atraía, e o ligeiríssimo intervalo entre os dois dentes da frente lhe emprestava um toque de sensualidade muito própria. Era bonita e agradava, mas ficava-se por aí o seu nível de sedução em relação a mim.Paixão assolapada era-o para o Paulo, que ficava num estado de êxtase de cada vez que ouvia a Sylvie. A princípio, aquela fixação dele deixara-me perplexo. Afinal, éramos ambos intransigentes, musicalmente falando, ouvíamos Yardbirds e Georgie Fame, Beatles ou Van Morrison, mas nunca alguém que cantasse versões (a não ser algum dos grandes clássicos dos blues), muito menos noutra língua, como era o caso. Tínhamos uma espécie de acordo tácito (é verdade, era sinal de algum preconceito, mas um preconceito que assumíamos com orgulho) sobre isso e só algum tempo depois, descobri que aquilo não tinha nada a ver com a questão musical, era amor adolescente puro e duro, esse sentimento tão forte em obstinação e cegueira.O Paulo, adolescente como eu, era muito louro e tinha uma cara de queixo quadrado, de pele branca, baça e com borbulhas, onde brilhavam uns olhos azuis, muito raros no meio da imensidão de olhos castanhos mediterrânicos que inundavam o liceu, facto que de algum modo, o poderia destacar na multidão. Porém, a limpidez daqueles olhos cor de oceano não lhe traziam qualquer vantagem funcional, uma vez que tinha que usar uns óculos grandes, de aros de tartaruga, que lhe corrigiam a miopia. Queixava-se muita vez do facto, e para o alentar, dizia-lhe sempre que um dia iam arranjar modo de lhe corrigir o problema.Aquela fixação, durou o bastante e tão fortemente, que me conseguiu arrastar para um concerto dela no Monumental, que ficou para a história, como um dos mais acidentados da minha vida. Refiro só um dos episódios, que teve como protagonista o artista que fazia a 1ª parte do espectáculo. Era o António Calvário e tal facto demonstrava alguma falta de tacto por parte do empresário, no caso, o Vasco Morgado, que teve a insensibilidade de reunir dois artistas com públicos muito distintos e, de certa maneira, antagónicos. Enquanto a Vartan era aplaudida maioritariamente pela juventude estudante de então, o Calvário tinha nas donas de casa, nas costureirinhas e sopeiras, frequentadoras dos serões para trabalhadores e audiência maioritária dos romances Tide, o seu público preferencial (e aqui não estou a fazer qualquer juízo de valor, mas tão somente a apontar um facto). Ora o problema surgiu porque quem estava ali, estava para ouvir a francesinha e não ao Rei da Rádio, que do alto do seu trono, não conseguiu entender isso, facto que lhe foi fatal. Sabe-se como o adolescente pode ser quase tão cruel como a criancinha, e quando o Toninho surgiu no palco para dizer, que “entendia que a juventude ali estava para ouvir a Sylvie, mas ele tinha que cumprir o contracto, patati, patatá ”, ao coro de assobios e pateada de balcão e plateia, juntou-se uma batata enorme que atirada por mão certeira, lhe acertou em cheio num olho e o prostrou no palco. O episódio tragico-cómico foi ovacionado mais ruidosa e longamente que a Sylvie, quando surgiu no palco com um vestido muito escuro e justo, que lhe realçava as curvas do corpo e o louro platinado do cabelo. Depois, veio aquele fiozinho de voz que deixou o Paulo em estado de choque.A militância amorosa do meu amigo, só sofreu um a[...]



Thinking Blogger Award

2007-04-20T18:21:52.152+01:00

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A Rosa Brava, minha amiga de longa data neste microcosmos que é a blogoesfera, lembrou-se de mim para me atribuir esta “nomeação”. Tendo em conta a sua estrutura, esta iniciativa sugere-me um pouco aquelas “correntes” de emails, que eu nem abro e deito imediatamente para o caixote do lixo.
Mas no caso, tenho a noção exacta de que se tratou de uma dádiva sincera de amizade, que eu aceito com a gratidão que lhe é devida. Obrigado Rosa Brava, pelo teu carinho.
A parte difícil vem a seguir, pois sei que muitos dos meus amigos a quem poderia “passar” o testemunho, comungam da minha opinião sobre estes “awards”. No entanto, e para lhe retirar em parte, aquele seu lado menos positivo, “passo-o” sem o ónus de o terem que passar a outros.
Assim, aí vai a listinha, que escolhi tendo em conta duas vertentes, a qualidade dos blogs por um lado, e a minha relação de amizade pessoal com alguns do bloggers nomeados:
Sem Pénis, Nem Inveja - A Teresa C. é a minha mais antiga amiga virtual, e desde há muito, bem real. Sempre atenta, mesmo nas alturas em que este local esteve mais parado mercê do desinteresse do autor, nunca faltou com a sua presença, e com os seus incentivos. Mas para além do mais, a sua autora fez do seu blog, com o seu talento e a desenvoltura da sua escrita sui-generis, um dos sítios de referência da blogoesfera.
Espelhos e Labirintos - Um espaço que sempre me fascinou, e no qual a sua autora sempre espelhou labirintos que nos convidam a perdermo-nos.
Luz&Sombra - Um dos meus blogs preferidos de primeira hora, pelo humor, pela excelência do grafismo e pela simpatia inexcedível demonstrada por quem o faz, para com este humilde escriba
La Marée Haute - Outra das minhas visitas diárias obrigatórias. Uma companhia, tanta vez distante, mas sempre presente.
Paixões e Desejos - Este é um blog sobre cinema - uma das minhas paixões maiores - muito bem idealizado e extremamente cuidado. Um blog que eu gostaria de ter construído.

E pronto.
Ufff…