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Odisseus - SAPO Blogs



Last Build Date: Sun, 10 Dec 2017 13:02:46 GMT

 



DESTINADOS À TERRA

Sun, 10 Dec 2017 12:54:00 GMT

Destinados à terra

Somos para sermos roídos pelas raízes das rosas.

HENRIQUE DÓRIA

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CHINESICE

Tue, 24 Oct 2017 20:20:00 GMT

Grão a grão enche a galinha o chão.

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FRAGMENTO

Thu, 19 Oct 2017 08:52:00 GMT

"A rua... o único campo válido de experiência", escreveu André Breton.

Há muitas ruas dentro do meu quarto.

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FRAGMENTO

Tue, 03 Oct 2017 08:32:00 GMT

 No DIÁRIO, Soren KIERKKGAARD afirma que a filosofia e a política são os grandes inimigos da religião.Mas que a política é maior inimiga ainda que a filosofia,

Concordo com ele: a política busca alcançar a felicidade do Homem durante a vida na terra, enquanto que para a religião, a felicidade na terra é sempre uma ilusão pois a verdadeira felicidade só existe depois da morte.

Dada a indiferença de Deus pelo Homem, prefiro a política à religião, ao contrário de Kierkgaard.

HENRIQUE DÓRIA

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POBRE AVÓ QUE ORA

Wed, 09 Aug 2017 21:44:00 GMT

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 Pobre avó que ora

 

Noite que caminha pela noite fora-

Ora ao Deus azul

ao rei escondido que naufragou ao sul

Ora à lua vaga

Deitada num barco que não mais acaba

Ora à fonte à fronte ao milho

Ao escondido brilho

À luz e ao pão

À água que corre surda em sua mão

Ao forno ao fogo

À rosa a começar de novo

 

Aos dedos dos espelhos

Dentro da morte que tecem os velhos.

 

HENRIQUE DÓRIA




SOMOS APENAS ÁGUA

Tue, 25 Jul 2017 11:19:00 GMT

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Somos apenas água dentro

Da ânfora.

É da ânfora a nossa forma

A nossa luz e a nossa sombra.

 

Estamos para ser bebidos

Ser o alimento das rosas

O bico da rola

Que abre a música dentro do cristal.

 

Somos para ser despejados na rua

Ou, tão só, nos perdermos dentro dos tubos escuros

Misturados com urina e fezes.

 

Somos a saliva do cão.

 

E, no entanto, a água que somos

Torna brancas as escadas de mármore

E tantas vezes arde

-Que alcança o incêndio.

 

HENRIQUE DÓRIA




FRAGMENTO

Wed, 28 Jun 2017 11:12:00 GMT

A alegria é uma saudade de que  vão escarnecendo os moinhos do mundo.

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FRAGMENTO

Wed, 28 Jun 2017 10:58:00 GMT

Segundo aniversário do meu primeiro e único neto.Sentimentalão que sou, não contive as lágrimas quando a minha filha revelou que estava grávida.O seu nascimento foi um feliz momento esperado. Mas com o tempo percebi esse intimo e alto sentido das palavras:« eu é um outro» Sei que nele me continuarei porque tudo nele é o meu corpo e a minha luz. Eu que caminho para a vindima da tempo sei que ele será as minhas uvas de que ambos tanto gostamos, e o meu vinho de que ele também há-de gostar.

Ele é o  meu vinho - com mel.

 

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CORREM EM MIM TRÊS RIOS

Sat, 17 Jun 2017 10:11:00 GMT

Correm em mim três rios

Três corpos sumptuosos transbordando

através da pele

Duma ternura animal.

 

Um ama o fogo e com ele

Sobe as escadas esperando

Perder-se no fogo-nas bocas

No mundo. É de vinho esse rio

Que nasce dos cachos da terra

No lugar onde o coração se afunda

Numa loucura abismal.

 

Outro é de água que mata

A sede das estrelas.

Esse nasce no útero

Onde embala três afluentes

Embala-os dia e noite para que nunca

Chorem nem se percam

Entre os turvos espelhos de sal.

 

O mais jovem é do mel

Com que se fabricam os sonhos.

Chama-se fénix

E voa entre os meandros das árvores,

Corro para ele pobre cão do amor

Querendo

Na minha boca a sua beleza ancestral.

 

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EM MEMÓRIA E LOUVOR DE ALÍPIO DE FREITAS

Tue, 13 Jun 2017 23:15:00 GMT

Como somos tão displicentes com tantas pessoas que amamos. A vida envolve-nos em sucessivas ondas que, no fundo, são hábitos, rotinas, acomodações. E o importante passa: passa o exercício do amor no prazer duma simples presença, na luz duma animada conversa, numa simples lembrança diária fazendo com que aquele que está longe esteja presente em nós.

Só quando perdemos aqueles que amamos nos lembramos de quanto nos perdemos em tão pequenos nadas. Porque esses que amamos, mesmo quando desconhecemos que amamos, mesmo quando desconhecemos que existem mas percebemos que ainda assim amamos, todos esses são, afinal, tudo.

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OLHO PARA MIM

Sun, 11 Jun 2017 17:23:00 GMT

Olho para mim e vejo-me, ateu convicto, mais próximo de Rumi, o amante de Deus, do que dos céticos Omar Khayyam e Ferdausi. Rumi, ao contrário do todo poderoso imperador Septimo Severo para quem nada valeu a pena, diria que tudo vale a pena porque para ele tudo é envolvido pelo círculo misterioso do Amor.

Tanto Omar Khayyam como Ferdausi tentaram compreender o mundo e, face ao total absurdo deste mundo, refugiaram-se numa suave angústia embebida em vinho e perfume de rosas.

O supersticioso Septimo Severo  quis tudo ser, e tudo foi. Por isso, na sua impotência perante a morte que o envolvia em nada como a qualquer escravo, só pode perceber que nada valia a pena.

Rumi, reconhecendo ser um quase nada no universo que era incapaz de compreender, e não querendo ser mais do que esse quase nada numa existência onde tudo parece absurdo e separado, aprendeu com Shmas que tudo é unido e compreensível pelo Amor.

Se o que conhecemos é uma esfera que, à medida que se alarga, mais pontos de contacto tem com o que ignoramos, a sabedoria e a verdade estão no centro da esfera pois, embora a sua superfície se vá afastando do centro, ela está sempre à mesma distância desse centro.

É este o mistério e a verdade do Amor.

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FRAGMENTO

Sat, 10 Jun 2017 12:52:00 GMT

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Há  na serenidade de Epicuro um egoísmo suave que me recuso a aceitar. A inquietação é a essência da condição humana, uma moeda que numa face tem o amor, noutra o sofrimento.

Sem ela o Homem perde a sua humanidade.

  




VIESTE AVE DE FOGO

Wed, 07 Jun 2017 07:49:00 GMT

Vieste ave de fogo, depois das últimas chuvas. Regressaste ao lugar onde nunca estiveste porque este sempre foi o teu lugar.Neste lugar não há tempo, nem sentidos, nem razão, porque ele estará sempre além dos montes para ser o teu lugar.Vieste sol inquieto saindo do fundo do poço, depois do medo e da perturbação, vieste para o sul feliz para que sobre o meu peito repousem os teus seios serenos.

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NADA É ETERNO

Tue, 30 May 2017 21:48:00 GMT

 

Nada é eterno, nem as estações, nem as pedras, nem as águas, nem as árvores, muito menos nós, humanos, sempre condenados a uma morte precoce. Por isso não nos termos encontrado ainda é apenas uma manifestação da brevidade de tudo, até do nosso encontro que parece ser uma necessidade do mundo desde os séculos dos séculos. Olho para ti e o teu rosto parece ter estado sempre à minha frente e à minha volta, enquanto eu girava em torno de ti porque sempre foste o meu sol poderoso para o qual até a minha luz se inclinava. No entanto nunca te tive até hoje, embora saiba que te pertenço e que pertencer-te é a minha oferenda ao mundo.

É assim que eu sou tu, e que a tua presença em mim é bela e antiga.

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VEM

Fri, 12 May 2017 13:45:00 GMT

Vem vem sem demora

Beber o vinho do meu corpo

Se o não beberes agora

Não mais poderás bebê-lo

A esse vinho mais breve do que a hora

Mais leve do que o selo

 

Com a efígie do rei morto.

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HENRIQUE DÓRIA




O AMOR

Sat, 29 Apr 2017 21:48:00 GMT

O amor é uma prisão fodida




CANTA CORAÇÃO CANTA

Fri, 14 Apr 2017 06:52:00 GMT

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Canta coração canta

Com sábio canto

De quem não sabe e canta

 

Canta a madrugada e a noite

O sol e a fúria

O som da morte

 

Canta e faz-te forte

Quando ela uiva em cada esquina

Onde a sombra mia

 

Vai para o monte e canta

À lua louca

E ama até mais não

 

A vida é pouca

E nada é mais sábio do que amar

Oh pobre e triste coração.

 

HENRIQUE DÓRIA




MULHER -LEITO PEQUENO

Tue, 28 Mar 2017 19:31:00 GMT

Mulher - leito pequeno

Ninho nas ondas

Que sempre sonham ser fundas

 

Há uma lua

Que canta entre as tuas coxas

Ó língua sanguínea

 

Ela segue com os pássaros

E dança sobre as pedras

Com seus lábios de lótus

 

Ela vacila com a sua voz

Ela voa com os vazos

Sobe as vertentes do mundo

 

Perguntando

 

Para onde vais arado álacre

Sobre o leito pequeno.

 

HENRIQUE DÓRIA

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VOLTA O MUNDO AO CONTRÁRIO

Thu, 16 Mar 2017 15:09:00 GMT

Volta o mundo ao contrário

Árvores com raízes no

Céu, cães que voam

Pinguins que abraçam os leões

Marinhos

Morcegos comandados pelo

Giro do sol

Mares que dão ouvidos às casas

Animais e plantas ignorando

A mesa do restaurante

As horas dando um passo em frente

E outro atrás

E entre os ponteiros a juventude

Que parecia perdida

Sobretudo volta esse homem pequeno

Com um condor no ombro

Esse homem que caminha com

Sapatos de chumbo

Pensando que a felicidade está nos seus pés

Esse homem que gagueja

Cantando

Esse homem pálido profeta adormecido

Que morde nas mãos o coração

Palpitante da terra

Muda o que está em cima

Para o lugar do que está em baixo

E o que está em baixo para o lugar do que está em cima

 

Para que esse homem cego guiando cegos

Dê, por fim, a mão a si mesmo.

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O AMOR

Thu, 16 Feb 2017 15:33:00 GMT

O amor é uma rosa rubra, num quarto escuro.

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FRAGMENTO

Thu, 02 Feb 2017 20:49:00 GMT

Com ULISSES, Joyce ensinou-nos que um simples dia das nossas vidas é uma odisseia. Desde que saiu do cavalo do engano, Ulisseus caminhou sempre, sonhando com o amor, entre a guerra e a paz, entre a paz e a guerra, até à paz suprema da morte.
A odisseia de Joyce é a odisseia do homem comum, ainda que o não saiba.

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OUVE O TAMBOR DO MAR

Thu, 26 Jan 2017 21:41:00 GMT

1

Ouve o tambor do mar

Para teres nos teus sonhos o som

Do amor.

2

Se a inquietação mora no teu peito

Coloca nele uma torre

E um farol de fogo.

3

Ela espera-te na areia a mulher

No lugar onde rebentam as ondas vai ao seu encontro

Em todas as margens da terra.

4

Lava as lágrimas do seu corpo  com sal

E com leite de espuma

- A sua nudez é pura.

5

Sabe que todo o homem ´é um rei

Se assenta o seu trono

No covil das ondas.

 

HENRIQUE DÓRIA

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FRAGMENTO

Sun, 22 Jan 2017 21:41:00 GMT

À luz do sal poente só me amo se sou ilvre - só me amam se me entrego.

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FRAGMENTO

Mon, 16 Jan 2017 23:43:00 GMT

Toda a obra de arte é um vago desejo de ser amado.

Vã Ilusão, porque ninguém é amado apenas pela sua obra.

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NO BRILHO TRIUNFANTE

Thu, 12 Jan 2017 14:41:00 GMT

No brilho triunfante do primeiro mês

Ó rainha das marés

Ignoras

 

Que todo o reino é de espuma.

 

HENRIQUE DÓRIA

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