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epicentro - SAPO Blogs



Last Build Date: Thu, 23 Mar 2006 14:55:04 GMT

 



(Que silêncio; está-se tão bem aqui)

Mon, 02 Jan 2006 22:16:00 GMT

Como saber se um vulcão está extinto?
Um vulcão extinto é uma coisa muito triste, apenas comparável a uma área de orquestra que nunca é usada. No entanto, nem sempre um vulcão aparentemente extinto o está, de facto. É um pouco como aquelas borbulhas que não esprememos até ao fim. Grande porcaria.


Descobri no outro dia que foi este o primeiro post deste blog (quando ainda não era bem um blog, quando eu andava a brincar a ver como funcionava isto).

Este blog, há semanas, pôs-se a dormir uma sesta, depois entrou em hibernação, depois talvez em coma. Não faço ideia. Este post é apenas para dizer alguma coisa a quem ainda aqui vem (se é que não desistiram já todos, que é o que eu teria feito). Deixou de me apetecer postar, e pronto. A verdade é que não sinto que tenha a dizer seja o que for que valha a pena, que eu ache que mereça interromper o silêncio. Também deixei praticamente de ler blogs, mesmo aqueles de que ainda gosto. Talvez seja o meu organismo a rejeitar uma vida de excessos, talvez sem saber esteja metida num casulo, talvez tenha sido, finalmente, abduzida por extraterrestres, ou talvez isto seja um amor que acabou e não haja nada a fazer. Não sei, como no primeiro post, se isto está extinto ou apenas em repouso. E já nem penso muito nisso (eu, que até sou uma rapariga ajuizada!).

E depois, venho aqui pela calada cobardemente, só por descargo de consciência ou sucedâneo de cortesia, quando acho que já toda a gente foi embora. Se não fosse mariquinhas, nem dizia nada. Refiro o primeiro post mesmo sabendo que este falso passe de magia de fingir que fechei o círculo é desajeitado. Nem tenho vontade ou coragem de me sentir emocionada (e não estou, de facto) nem agradecida (isso, estou), vejam só que miséria. Mas fica aqui uma palavra que, se for realmente a última (e eu sei lá), sempre é bonita: sal.



Fuma

Mon, 14 Nov 2005 23:16:00 GMT

Sentada a comer uma sopa em silêncio e a pensar que por entre os livros, revistas e discos espalhados já só sobra espaço para o prato, a colher, o copo - uma pequena praia sobre a mesa que me serve de ancoradouro para a refeição nocturna. Gostaria de ver a mesa vazia, disponível, a mesa onde poderia pousar apenas uma maçã ou uma pedra redonda e lisa, um segundo prato para alguém que viesse. Um dia destes, é claro, hei-de arrumar isto.
Olho para a varanda através do vidro. Lá fora, ao frio, Pavese fuma, de gabardine beige com a gola levantada; de vez em quando, dá um passo para a esquerda, ou para a direita, olha talvez as casas do outro lado da rua. Fuma ainda, enquanto eu como a sopa e me deixo prender de vez em quando pelo brilho do fundo da colher. Já é tão de noite; é a hora a que Pavese fuma, a hora a que como a sopa.
E então penso: Pavese fuma, fumou alguma vez na vida? Espero que sim. Que pelo menos seja ele, enquanto termino a sopa.



O demo, ainda à solta e agora com câmara de vídeo

Mon, 14 Nov 2005 10:15:00 GMT

Já está disponível no portal Fátima Virtual o vídeo das exéquias da irmã Lúcia (entre outros).



O demo anda outra vez à solta

Mon, 14 Nov 2005 10:13:00 GMT

Depois de uma ou duas idas ao cabeleireiro das quais saí incólume, tentaram desta vez vender-me um champô para disciplinar o cabelo.
Vingança óbvia e mesquinha por eu ter dito que não queria fazer brushing.



Os cravos

Fri, 11 Nov 2005 17:31:00 GMT

Lia o bilhete que está na parede, baloiçava a esfera e ajeitava os cravos. Depois, ia-me embora.


(image)



Hans Holbein, Georg Gisze, mercador alemão em Londres (1532)



Dizem-me todos o mesmo

Thu, 10 Nov 2005 14:38:00 GMT

O vendedor da revista Cais já não tem revista Cais - diz que está à espera do número 8 da revista Águasfurtadas. Isso, sim, vai render dinheirinho, vai dar para mudar de vida!, comenta.

O cauteleiro diz que não tem cautelas - está à espera do número 8 da revista Águasfurtadas.

O velhinho do Borda d´Água diz o mesmo. Aliás, até os romenos que tentam vender o Borda 'Água pelo dobro do preço dizem que esperam agora o número 8 da revista Águasfurtadas - e até lá, não há nada para ninguém.

E o homem das castanhas também. Parece que já está na gráfica, diz-me ele. E desta vez tem textos de Affonso Romano de Sant’anna (um dos melhores poetas
brasileiros vivos), Margarida Ferra, João Luís Barreto Guimarães,
William Blake (com tradução de Manuel Portela), Forugh Farrokhzad (uma
extraordinária poeta iraniana ainda por revelar em português), Moshe
Ha-Elion (com tradução de M.V. Andrade), Lourenço Bray, Paulinho
Assunção, Valério Romão, António Tavares Lopes, Regina Guimarães,
Saguenail e Jorge Mantas. Para além de inúmeros trabalhos de artes
visuais e o habitual CD Audio com obras de autores contemporâneos,
que, neste número, inclui ainda uma verdadeira preciosidade: duas
"Ostras", de Pedro Coelho.
.

Sempre atento, o homem das castanhas. Diz que que foi o Rui quem lhe contou.



Os que ficam com o que abandonámos

Wed, 09 Nov 2005 23:49:00 GMT

À noite chegam os gatos. Sentam-se nas bancadas da piscina vazia, recolhem as patas e ficam a olhar o fundo azul, fosforescente e frio do luar.



Agora, não

Thu, 03 Nov 2005 22:15:00 GMT

Agora, não chove. Mas deve estar para chover outra vez.



Numa mão a espada, na outra

Thu, 03 Nov 2005 22:08:00 GMT

Escolheria o silêncio se fosse um silêncio puro. Uma coisa a sério, e não apenas o tempo passado a medir o silêncio, a espera inquieta por aquilo que virá quebrar o silêncio. Mas que digo eu: chove.



The Thought Project

Thu, 03 Nov 2005 15:00:00 GMT

Em que é que esta gente anda a pensar? Uma colecção de 55 instantâneos mentais, por Simon Hoegsberg.



A efémera

Wed, 02 Nov 2005 18:21:00 GMT

E de repente, graças a um anúncio da Vodafone com uma espécie de libelinha, toda a gente descobre a sensação da fragilidade e efemeridade da vida, e a importância de aproveitar o momento e mai-não-sei-quê. Valha-nos a publicidade para as coisas realmente profundas.



Se um dia não me encontrarem, estou aqui

Fri, 28 Oct 2005 23:30:00 GMT

A deslizar pelo fundo azul da piscina, com reflexos de luz demasiado rápidos para o olhar e sons espessos que nunca chegarão ao mundo de onde vim. Um dia vou ficar a viver na piscina, aconchegada de água por todos os lados, a sentir que estou dentro da minha pele como estou dentro da minha casa.



Media Vaca: uma editora catita

Fri, 28 Oct 2005 14:11:00 GMT

Espreitem o site, que é do melhorio em termos de design e simplicidade. Há livros deles à venda na Almedina do Atrium Saldanha, em Lisboa.






Modo citação: É o teu mal: leste poemas a mais.

Thu, 27 Oct 2005 09:27:00 GMT

ELA DANÇA SOBRE PREGOS

Versos magoam, a folha angustia.
Dão guinadas no corpo, infernais.
É o teu mal: leste poemas a mais.

Melhor perderes-te em música obscena,
Melhor deitares-te a ouvir a cantilena
Do fogo consumindo uma pirotecnia,

Melhor rebolares-te em sei lá quê
Do que a dor e o decoro de quem vê
Ir-se a vida na Paixão da Poesia.




Gerrit Komrij, Contrabando, antologia publicada pela Assírio e Alvim, tradução de Fernando Venâncio






Resistência à chuva

Fri, 21 Oct 2005 11:19:00 GMT

Quem anda pela cidade a deixar sacos com laranjas às portas das casas?



Colecção Outono-Inverno

Wed, 19 Oct 2005 22:46:00 GMT

A gaja que há em mim andou à procura de tecidos japoneses e ficou de repente cheia de vontade de mudar todo o guarda-roupa. Isto passa, mas coisas destas que se podem comprar por aqui.


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A maçã de Miyazaki

Mon, 17 Oct 2005 10:33:00 GMT

Há uma imagem de O Castelo Andante, de Miyazaki, que mostra toda a diferença destes filmes de animação em relação aos Disneys e amigos: Sophie espreita a rua pela janela. E a um canto do parapeito está pousada uma maçã vermelha, que não é usada para nada, não tem qualquer papel no filme. Apenas uma maçã muito vermelha, de várias tonalidades de vermelho, intensamente comestível, pousada a um canto do parapeito amarelo-terra. Uma dádiva.



Modo citação: mais Giannis Ritsos

Fri, 14 Oct 2005 18:21:00 GMT

MEIO DIA

O sol aqui não brinca - furioso sol, omnipotente,
com suas sobrancelhas unidas, seu queixo quadrado,
com seu tronco peludo nu até ao mar.

Um mês, dois meses, muitos meses -
contámo-los carregando ao ombro a pedra e o medo,
dando estalos com o nó dos dedos no bojo do cântaro
para escutar o som da água
como escutamos por detrás da porta a voz da mulher
como escuta a mulher a voz até da mais pequenina estrela
como escuta a estrela o balido do entardecer.

O meio dia é sempre muito grande
como um Domingo no campo sem crianças
- de manhã à noite dura o meio dia.

Se tivéssemos menos sede não pensaríamos nisso,
se houvesse uma árvore numa encosta ou no cume da ilha,
se houvesse um punhado de sombra, menos amargor, menos injustiça.

Não recordamos a forma da árvore - será acaso
como uma grande bandeira de água?
será como um obrigado que alguma vez te disseram?
será como uma mão querida que encontra a tua mão?

Depois de amanhã plantaremos milhares de árvores.


(Antologia, ed. Fora do Texto, tradução de Custódio Magueijo)



Modo citação: Giannis Ritsos

Thu, 13 Oct 2005 12:40:00 GMT

Tinha de ser num poeta grego que eu viria ler sobre este mar: o mar brilhando ao longe, como azeite

De Giannis Ritsos (1909-1990) - também aparece nas pesquisas como Yannis - aqui ficam alguns poemas tirados da antologia editada pela Fora do Texto, com selecção e tradução de Custódio Magueijo. Livro comprado na última noite da Ler Devagar.

Creio que é este o autor dos poemas das crianças mortas que o venerável Changuito colocou no blog há tempos, mas pela pesquisa não encontro. Secalhar estou baralhada. Secalhar é isso.


O CORPO DO VENTO

Eu vi-o, em corpo inteiro – diz –
deu-me bofetadas na cara, deu-me socos
no peito e nas pernas; os seus joelhos
bateram nos meus joelhos; pisou-me
os dedos dos pés; - vi-o, digo-vos eu,
aqui, corpo a corpo, ambos de pé. Agora,
tenho na boca uma enorme solidão
e nove folhas carnudas à volta do pescoço.


TARDINHA

Regou as flores. Ouviu a água a pingar da varanda.
As tábuas ficam húmidas, envelhecem. Depois de amanhã,
quando a varanda cair, ela ficará suspensa no ar,
serena, formosa, segurando em suas mãos
os dois grandes vasos de gerânios e o seu sorriso.


RESTOS

Não tenho nada, nem sequer recordo nada - disse.
Uma época sobreposta a outra - cores desmaiadas,
um cheiro a fruta podre, o meio-dia
e a cal deslumbrante. Uma noite,
ao acenderes um fósforo, consegui ver
aquela mancha pequenina, escondida
sob a tua orelha. Apenas isso. O resto,
o vento o arrasta para debaixo das árvores,
juntamente com os guardanapos de papel e as folhas de videira.


CORRIDA DE CAVALOS

Cortaram lenha do bosque. Acenderam a pira. Sobre ela colocaram o morto.
Depois começaram as corridas de cavalos, para prestarem honras
ao digno lutador e à sua beleza. Depois da meia-noite,
os homens, extenuados das lutas, não puderam chorar.
Apenas o cavalo de Antíloco, todo negro,
todo reluzente à luz das chamas, apoiando-se
nas patas traseiras, saltou por sobre a fogueira e perdeu-se na noite.
Pelo acampamento ficou aquele cansaço maravilhoso, supremo,
como um esquecimento, como uma serenidade, - o último orgulho de um homem.
Quanto ao cavalo de Antíloco, ninguém mais o procurou.


NOITE ANTIGA

Cá em cima anoitecera cedo. Noite diáfana,
imensa como o dia; - o olival impreciso,
as ervas, por entre o mármore, queimadas pelo sol,
o teatro nu, pendurado na encosta. Por terra,
um enorme escudo, virado ao contrário. Se chover,
vai encher-se de água; virão aí beber os pardais,
o veado, o leão, o touro, Crisótemis,
os três cães do guarda-florestal e a lua.



Fastio

Fri, 07 Oct 2005 16:14:00 GMT

A propósito
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A propósito deste post da Ana sobre as paisagens de carne, aqui ficam duas ideias de portfolios fotográficos que gostaria de ver:

- montras de restaurantes e talhos portugueses (instalações com carapaus dentro da boca de tamboris, kits de coelhos esfolados e encavalitados uns nos outros trespassados por um espeto, quartos de vitela pendurados, arranjos de orelhas de porco, etc.. – tudo coisas que já vi, já todos vimos)

- mesas de banquete no final da refeição (fotografar os restos e a desordem depois da abundância – todos os natais e demais festas de família penso nisto).



Tinta

Thu, 06 Oct 2005 09:39:00 GMT

Escolho um pincel curto e duro para ouvir o barulho das cerdas a arranhar o papel. Linhas e curvas. Estou solidária com a vontade das coisas de não serem nada.



Mikado

Tue, 04 Oct 2005 13:27:00 GMT

Primeiro entorna-se um tinteiro de tinta da china sobre o papel. Depois procura-se a linha.



Pitões das Júnias

Mon, 03 Oct 2005 10:24:00 GMT

(image)



À atenção dos cidadãos do Porto: José Pedro Serra em Serralves

Fri, 30 Sep 2005 10:24:00 GMT

A comunidade de leitores de Serralves, que começa a 11 de Outubro e tem como tema 'A tragédia grega e o sentido do trágico', vai ser orientada por Maria João Seixas e José Pedro Serra. Deixando a Maria João de lado um bocadinho, queria alertar os potenciais interessados (ou desinteressados) para o facto de que José Pedro Serra, de quem quase não se ouve falar, é um orador extraordinário. Dos meus professores da faculdade, foi O Professor. Não quero fixar-me no folclore, mas não posso esquecer o senhor de fato e gravata que na primeira aula fez uma imitação das danças das bacantes para nós vermos como eram. Isto tudo da forma mais séria e compenetrada possível, sem qualquer tentativa de cativar o público pelo circo. Não me recordo de uma aula banal (eu que tantas vezes adormecia nas outras aulas). Foi o professor mais profundo e entusiástico que tive, mais perturbador da apatia generalizada da mente dos alunos, e com o seu quê de gozo implícito nas perguntas que noz fazia e nos comentários às nossas respostas. Tudo na medida adequada a um cavalheiro.

Nunca mais tive oportunidade de ouvi-lo. Sei que há dois anos deu uma conferência sobre os clássicos na Gulbenkian, e li uma nota sobre o entusiasmo da plateia. Deduzo que continue na boa forma de sempre. Eu não posso ir, e está mal. Até porque estou há 13 anos sem saber de quem era o poema sobre Ítaca que ele recitou um dia na aula (não era do Manuel Alegre, não era o do Al Berto, já me fartei de procurar – se alguém tiver a bondade de perguntar-lhe, terá a minha eterna gratidão).