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Pequeno Inventário de Impropriedades



... Substantivo feminino ... 1. Qualidade de impróprio ... 2. Inconveniência, oportunidade ... 3. Incoerência, absurdo ... 4. Deslize, lapso; incorreção: Sua linguagem se ressente de muitas impropriedades



Updated: 2017-09-07T20:44:10.933-03:00

 



Fragmentos

2016-11-14T09:06:09.121-02:00

Por que você diz isso? Me pergunta com uma cara de quem realmente queria uma resposta Como se não fosse apenas retórica do que se tratava aquilo Já não existia esperança ali Nesse ponto da discussão, éramos apenas duas criaturas querendo colocar um ponto final Ou Talvez Encontrar uma maneira de livrar-se de alguma possível culpa Não sei dizer exatamente porque falei aquilo Não saberia fazer um percurso razoavelmente coerente para entender Ou explicar Como havia chego até ali Não te entendo E eu não duvido que aquilo seja realmente verdade Não me entendo Não nos entendemos Pelo menos Nisso Poderíamos concordar  Talvez

Quando dei por mim Minhas mãos doíam Os ossos sofriam pelo impacto Os músculos doíam pela tensão Sua cabeça esmagada contra o piso Como um figo partido ao meio Diria Caio Uma imagem que só é bonita na literatura Ou num filme em que uma música triste e melancólica embala imagens em câmera lenta ou em preto e branco  Um delírio poético Criado por alguém que tenta traduzir em imagens algo que nem imagina o que seja



Tenho um trabalho para fazer Um trabalho que nunca acaba E que nunca começa Um trabalho para a vida toda Que termina em umas três ou quatro horas Mas que nunca começa Talvez seja o final do ano me pressionando o cérebro Tentando sugar minhas últimas ideias Mantidas Ainda com esforço No resto do sótão que habito Nunca fez tanto sentido a metamorfose do Kafka Não sei dizer em qual animal tenho me transformado todos os dias Repugnante Cansado do convívio deste mundo Destes mundos em que vivemos Não há poesia nenhuma nisso Somos apenas um bando de humanos Ou algo parecido Vivendo em bolhas Mundos separados por uma membrana tão fina que não nos impede de vilanizar os outros Gostaria que meu trabalho fosse tão simples quanto empunhar uma espingarda calibre doze e matar uma meia dúzia de seres Humanos Ou algo parecido A violência Nesse momento Parece menos significante Menos violadora Menos impactante Menos Do que qualquer outra ação que eu possa tentar realizar Meu trabalho exige movimento Mas eu congelo como aquelas múmias encontradas soterradas sob o gelo O sofá é minha última morada Nele permaneço Imóvel Distribuindo cliques Curtidas Avaliações sobre tudo aquilo que não quero ter contato Parabéns por mais um ano de vida Aí Do outro lado da tela Permaneça aí Do outro lado da bolha Mantenha-se Distante Um beijo Um like Um tiro de doze Uma dormência nas pernas E esse trabalho Que nunca termina Que nunca começa Rezando para que os dias parem Apenas parem Logo logo é reveillon Brindemos



Borrowed Time

2016-10-18T17:38:36.487-02:00

allowfullscreen="" frameborder="0" height="360" mozallowfullscreen="" src="https://player.vimeo.com/video/187257744" webkitallowfullscreen="" width="640"> Borrowed Time from Borrowed Time on Vimeo.



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2016-05-29T20:01:55.214-03:00

Uma foto publicada por Bebel Franco (@bebelfranco) em



Savana líquida

2016-04-10T11:43:58.974-03:00


Daqui
da varanda do septuagésimo oitavo andar
vejo a cidade como quem olha uma savana da àfrika

Volta e meia
jogo (ou deixo cair) pequenos recados
algumas vezes escritos em papel
algumas vezes pedaços do próprio corpo
como quem lança mensagens ao mar

Venta muito aqui em cima

Um vento úmido e frio
que atravessa os ossos
e congela a visão

Daqui
da janela na varanda do septuagésimo oitavo andar
procuro por um sinal de fumaça

Algo (alguém)
que grite (sussure)
um poema (uma confissão)

Volta e meia
vislumbro um sinal
hesitante como um primeiro passo
como uma palavra pronunciada trôpegamente
como quem está bêbado ou é, ainda, um bebê

Venta muito em mim

Daqui
deste lugar
desta sensação
pressinto a tempestade

Aguardo o momento
o oportuno momento
em que serei gotas de chuva jogada sobre a terra
como quem lava (inunda) anos e anos de seca
como quem hidrata (irriga) todos os desertos do mundo

Eu
logo eu
que nunca pensei (nem em meus mais obscuros sonhos) ser possível
Eu
sim, eu
que nunca senti (nem em meus mais obscuros desejos) ser possível
Eu
daqui
da varanda do septuagésimo oitavo andar
sinto vibrar em mim algo que não sei o nome
estranho desejo que não sei traduzir em palavras
um movimento inesperado
algo que se nega ser atirado
algo que não se permite ser estirpado
que luta e retorna
resiste
persiste

Daqui
da janela na varanda do septuagésimo oitavo andar
vejo as luzes da cidade
estranho mapa
inimaginável território
e imagino
em algum canto
numa esquina ou
num quarto
você

Garrafa na mão
Cigarro no canto da boca
decidindo
se volta pro mar
ou se aventura

Você
logo você 
que não gosta muito de decidir coisas
que foge de aventuras
que lida melhor com aquários do que com o mar aberto
logo você
agarrou esse sinal
essa mensagem
esse pedido de socorro

Daqui
da varanda do septuagésimo oitavo andar
vejo a cidade
e espero
que
daí de baixo
Você
me veja também
Enfim.



Nirvana

2016-01-08T12:56:25.486-02:00

As luzes piscavam alucinadamente e eu, parado no meio da pista, tentava entender como havia chego até ali. As pessoas a minha volta pareciam envolvidas em um transe. Esse mesmo transe que, talvez, eu tenha estado até esse momento. A musica vibrava junto com a luz. Uma perfeita conexão entre cores, sombras, volumes, lasers, fumaça e suor. Uma complexa combinação de desejos e tecnologia. O mundo havia entrado em um permanente estado de slow motion. Todos se moviam em câmera lenta enquanto o universo expandia-se como uma luz estroboscópica. Veloz e pontual A pior parte de recobrar a consciência é entrar, mesmo que por poucos minutos, em um estado de ignorância quase absoluta. Você reconhece as coisas por si só, mas não tem condições de construir o contexto. É mais ou menos quando você está lendo em outra língua, que não seja a sua. Você reconhece facilmente as letras, forma palavras e une frases simples. Mas chegar ao entendimento do texto parece uma tarefa, algumas vezes, impossível. Então, você se percebe gastando uma quantidade imensa de energia para fazer algo que, normalmente, você faz quase sem pensar Não pensar. Essa era a intenção. Não era? Esse desejo de não pensar foi o que te trouxe até esse lugar. Até esse momento de consciência fora de contexto. Até essa  sensação de estar descolado da realidade in slow motion way. Não pensar. Liberar o corpo e o cérebro dessa obrigação insuportável de ter uma opinião sobre tudo. Não pensar. Não se prender à busca de significado em ações de outras pessoas. Não se meter em discussões ridículas sobre assuntos ridículos. Não pensar. A ignorância absoluta sobre tudo e todos. Esse nirvana inconsequente e libertador. Não pensar. Esquecer. Perder-se. Soltar-se dentro do tempo. Sem limites e sem parâmetros. Não pensar. Não saber. Não ser. Não existir. Um desejo totalmente niilista de não existência. Sem nenhum desejo de que isso se transforme em outra coisa. Não. Simplesmente a possibilidade de não-ser. Maior do que a morte em si. Como se fosse possível retirar-se completamente da existência sem deixar nenhum rastro. Mínimo que sejaNão pensar. Não pensar. Não pensar. Repita, como um mantraEu continuo parado no meio da pista. Não. Ninguém está me olhando. Ninguém percebe minha total falta de adaptação àquele momento. Ninguém se dá conta de nada. Estão todos absorvidos pelos seus movimentos coreográficos. Por suas percepções sobre as luzes. Sobre o tempo. Sobre a música e a fumaça. São todos velozes. Tão velozes e tão intensos que não conseguem perceber alguém que pára e olha. Tão velozes e tão ocupados. Tão velozes e tão absortos de si mesmo. Outro tipo de nirvanaA melhor coisa de recobrar a consciência é ver. Claramente. Mesmo que por poucos segundos. A realidade tornar-se aparente. Enxergar o mundo feito de várias camadas. Perceber a sobreposição de sentidos. Os desejos sendo esmagados pelas ações. As pulsões. O inconsciente emergindo como um fantasma sobre esses corpos que dançam. Avatares de um game feito de carne e osso. Bonecos voodoo movendo-se sem perceberem as agulhas empurrando suas dores para lugares profundos e inesquecíveisNão pensar. Não pensar. Não pensar. Repita, como um mantraNão pensar. Não era essa a intenção? Que tipo de droga será necessário para conseguir atingir esse tal nirvana de que tanto falam? Qe tipo de dor é essa que te faz imune a felicidade? Como foi que você chegou até esse momento? Quem são essas pessoas que dançam contigo? Por que essa mulher toca no teu ombro? Por que só agora você se deu conta de que alguém te toca no ombro? Por que estão todos dançando? Por que teus olhos estão costurados? Por que você não consegue se mover? Fazer algo. Por que você não consegue fazer algo, mesmo sabendo que é necessário fazer algo? Por que você não se move? Sair desse lugar. Encontrar outras pessoas. Encontrar o[...]



continue

2015-11-22T13:00:26.787-02:00

habito aquele espaço imenso que existe entre o pensamento e ação. aquele momento em que a cabeça te manda fazer coisas, mas o corpo não responde. às vezes, é possível sentir os impulsos sob a pele. enchendo tuas mãos de eletricidade. mas, a falta de resposta persiste. então, essa eletricidade se acumula na boca do estômago. então, essa eletricidade se transforma em alguma coisa que eu não consigo definir e me esmaga no colchão

não há nada de interessante no mundo

não diga nada - diz a música que invade meus ouvidos. apenas sente perto de mim - continua. mas é só a música que pede isso. eu, nem isso. eu habito aquele espaço estranho que deseja, mas que não tem vontade de realizar. aquele espaço que esmaga. que deseja e deforma. que grita por algo que nem consegue imaginar

não diga nada - diz a música sabiamente. respire e aceite esse momento. vai passar. vai passar - continuo repetindo pra mim mesmo. continue. continue. continue

habito aquele espaço imenso que existe entre o pensamento e ação. levanto e me vejo ainda ali. deitado e cheio de eletricidade. habito dois, três lugares ao mesmo tempo. e, ao mesmo tempo, não estou em nenhum lugar. estou preso, dentro da minha própria cabeça. dentro dos meus próprios demônios. dentro desse inferno de motivação. gritando, aos quatro ventos, continue. continue. continue. e sem forças pra continuar. e dizendo pra mim mesmo: vai passar. vai passar

não há nada de interessante no mundo - justifico. minto. invento, ao mesmo tempo em que vomito essa eletricidade estranha que não consigo digerir. tomo um omeprazol. e algum outro composto que me ajude a levantar novamente da cama. foram eles que me trouxeram até aqui. até esse espaço estranho e imenso entre o pensamento e ação. até essa estranha dimensão que me permite seguir existindo. vivendo. algo entre uma coisa e outra. uma extensão. braços mecânicos que seguram copos de plástico com sucos naturais feitos de componentes químicos e sódio. muito sódio

continue. continue. continue

deve haver algo. em algum lugar. que explique tudo isso.

por enquanto, não diga nada. apenas sente perto de mim.




continue.





Ninguém Quer Ouvir

2015-06-14T23:48:29.131-03:00

Estou parado ali, ao seu lado. Velando seu sono. Pela última vez
A estrada de terra batida evoca imagens da infância
Pacatas cidadezinhas para onde sempre desejamos voltar
Desejávamos... não mais

O braço está dobrado de maneira incomum?
Lembra aquela maneira descuidada que o corpo assume quando sofre uma grande queda?
Ou parece que dorme?
O sono eterno selado por uma pedaço de concreto
Não é natural estar aí
No chão de terra
Com o corpo assim, desprotegido
Os hematomas assim

Eu poderia contar sua história
Falar dos seus sonhos de guri da cidade do interior
Poderia tentar defendê-lo
Defender seus sonhos
Sonhos não tão diferentes de qualquer um de nós
Dizer que ninguém merece morrer por querer ser o que se é
Dizer que ninguém merece morrer com um pedaço de concreto sobre a cabeça
Dizer que ninguém merece morrer com o corpo assim, desprotegido
Os hematomas assim

Estou parado ali, ao seu lado. Velando seu sono. Pela última vez
Agora, as pessoas começam a chegar
Agora, as pessoas vão saber seu nome
Por alguns dias ele deixa de ser um corpo e vira notícia
Depois, transforma-se em estatística
Sofrimento transformado em números
Sonhos transformados em hematomas

Eu poderia contar sua história
Mas ninguém quer ouvir
Poderia dizer que ninguém merece morrer por querer ser o que se é
Poderia dizer que ninguém merece morrer com um pedaço de concreto sobre a cabeça
Poderia dizer que ninguém merece morrer com o corpo assim, desprotegido
Eu deveria contar sua história

Mas ninguém quer ouvir

Desculpe, Rafael
Desculpe





Outro bilhete

2015-02-18T23:30:37.489-02:00


Não vamos chorar o amor que não aconteceu. Vamos seguir adiante e olhar para o mundo com ainda mais compaixão. Se estavas disposto a amar, ama o mundo. Deve haver alguém lá que se interesse por nossa boa vontade. Afinal, não é isso o amor? Essa boa vontade com que olhamos para uma outra pessoa? Ou era, tudo, apenas egoísmo? Não vamos chorar o amor que não aconteceu. Vamos esperar com dignidade. Entender que nem sempre o mundo se move como nós queremos que seja. Mas isso não nos faz errados. Não nos coloca em um lugar acima ou abaixo do outro. Não nos classifica ou diminui. Não é, nada mais, nada menos, que um amor que não aconteceu

Não vamos chorar o amor. Vamos percebê-lo nos espreitando por aí. Escondido em algum momento que não somos capazes de captar. Talvez porque estamos, em alguns desses momentos, chorando pelo amor que não aconteceu. Não vamos chorar o amor. Não vamos, também, esnobá-lo. Não vamos procurar o amor. Não vamos, também, nos escondermos. Vamos olhar sempre em frente. Talvez, em alguns poucos momentos, para os lados, mas prioritariamente para frente. Vamos olhar com olhos bem abertos, sem preconceitos para o que pudermos ver. Não vamos chorar o amor. Não é isto que ele nos pede

E, mesmo que em algum momento, caíamos em tentação. Mesmo que nos sintamos tentados a sofrer pelo amor que não aconteceu ou mesmo pela falta de amor. Mesmo que tomemos essa terrível decisão. Sejamos secos. Sim. Vamos sofrer. Vamos penar. Vamos exorcizar todos os amores que não aconteceram. Todos os amores. E as dores. Vamos agonizar. Corar. Correr. Tremer. Esmurrar uma porta, até. Mas, acima, de tudo, não vamos chorar

Silêncio

Façamos como pede o poeta:
Se amamos, amemos baixinho
Não gritemos de cima dos telhados
Deixemos em paz os passarinhos

...que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...



Pérola

2015-01-18T12:32:21.289-02:00

Fecho os olhos e ainda consigo verUm clichê mais do que verdadeiroVocê sorrindo para mimVocê baixando os olhos. Pensando em algo que eu nunca vou descobrir. Assim, foi nosso tempo. Momentos indescobríveis. Incabíveis. Olhares cheios de docilidade. E segredosNão sinto que você tenha me traído. Mas nunca ficarei sabendo de todas as coisas que passavam pela sua cabeça. Essa maldita sensação de falta. De desconhecimento. Desunião. Nunca o tempo será o bastante. Não foi o bastante. E agora não existe maisO tempoSempre em frenteSempre à frenteSempreo tempoUma música dolorida. Agridoce. Que embala e tortura. Desvanece. Sobe pelo estômago e aperta a garganta. Toma o corpo. Enrijece os braços. Amortece as mãos. Saliva como um animal prestes a atacar. MartelaQueria estar seguro. Invejo as pessoas que conseguem se divertirFecho os olhos e ainda consigo sentirUm clichê verdadeiroVocê cantando para mimAlgo que parece uma língua desconhecida. Uma música ancestral e, ao mesmo tempo, tão próxima. Um música infantil e, ao mesmo tempo, tão cruel. Uma música. Algo que se parece com música. Uma evocação. Dos deuses. E demônios. Um acalanto. Aos deuses e demôniosAo tempoSempre em frenteSempre à frenteSempreo tempoFecho os olhosVerdadeiroEspero por alguns minutos para que você reapareça. Como uma fotografia que bóia em líquido revelador. Em ácidos e cheiros desagradáveis. Necessários para o milagre da vivificação. Reviver. Respirar. ReencontrarToca-meReliga-meAma-mePronuncia-meFaz-me retornarDoze anos nesse estado profundo. Ouvindo. Tudo. Sem poder dizer o que eu sinto. O que eu penso. Sem poder responder. Sinalizar. Demonstrar. Estranha catalepsia que me faz conviver com esses anjos e demônios. Fecho os olhos e ainda consigo verTua partidaVocê parada na porta. Seu último olharA mão apoiada sobre o umbralApóia ou impulsiona?Divido o tempo em milhares de fragmentos. Estico tua permanência. Estudo cada frame como se fossem pinturas renascentistas. Tua expressão. Como se tivesse brincos de pérola. Como se estivesses eternamente nesse momento. Presa ali. Viva, aliCanta-meimploroE retornoFecho os olhosAbro os olhosUma agulha presa no HD de memóriaPerverto todas as lógicas. Confuso. Não consigo ler mais as intenções. Você. Sorrindo? Pra mim? Só rindo? Apóia ou impulsiona? Tua expressão. Condena? Ou lamenta? Abandona? Essa língua desconhecida. Criptografada? Quero ignorar tuas últimas palavras. ADEUS SADEU USADE EUSAD DEUSA ADEUS SADEU USADE EUSAD DEUSA ADEUS SADEU USADE EUSAD DEUSA ADEUS SADEU USADE EUSAD DEUSA ADEUS SADEU USADE EUSAD DEUSA ADEUS SADEU USADE EUSAD DEUSA ADEUS SADEU USADE EUSAD DEUSA ADEUS SADEU USADE EUSAD DEUSA ADEUS SADEU USADE EUSAD DEUSA ADEUS SADEU USADE EUSAD DEUSA ADEUS SADEU USADE EUSAD DEUSA ADEUS RetornaPor favorImploroMaldita catalepsiaFecho os olhosPrefiro a memóriaUm clichê. Reconfortante[...]



Ela

2015-01-05T22:57:52.183-02:00

Ela caminhava pelas ruas de Tóquio. Mas podia ser o Camboja. Ou talvez Nova Orleans. Santa Catarina ou Irlanda. Málaga. Caucutá. Ou Malásia. Sua cabeça apontando sempre pra frente. Olhos perdidos no horizonte. Vômito pronto para explodir. Pressão sanguínea. Elementos correndo pelas veias. Saltando pelos neurônios. Revesando entre as veias e as artérias. Negando todo e qualquer tipo de anatomia humana. Componentes químicos. Reações adversas. Esperadas. Ou não. Desejadas, talvezCada passo era um terremoto. Tóquio tremia sob seus pés. Ela tremia sobre Tóquio. Ou talvez Nova Orleans. Ou Malásia. Big in Japan, ela pensava. E talvez estivesse caminhando ali por causa disso. Pensando em seu homem e flutuando sobre Málaga. O vermelho era então espanhol. Ou sangue. Escorrendo pelo asfalto. No reflexo do sol espalhado pelo céu no fim da tarde. Ou madrugadaNunca vou conseguir escrever um romance, ela pensou. Meus pensamentos não preenchem frases inteiras. Minha pontuação. Minha. A urgência das ruas. Do sangue. Não passam de contos. Nunca passarão de crônicas sobre dias mais ou menos interessantes. Talvez eu deva me colocar em um lugar exótico, ela pensou. Me vestir de princesa e sair caçando uma ameaça feminista. Criar uma polêmica racista. Serei negra ou islâmica. Judia. Maria Madalena. Terei filhos com Jesus. Morrerei ao seu lado, deixando a cruz para outras. Estudar os elementos químicos e criar uma aventura intra muscular. Colocar todas as ideias do mundo no papel e finalmente criar uma obra prima. Me tornar imortal. Orlando furiosoEla caminhava pelas ruas. Mas podia ser dentro do apartamento. Ou talvez uma casa. Quarto ou sala. Cozinha. Ou banheiro. Suas ideias apontando para fora. Olhos desfocados. Pupilas dilatadas. Pressão. Força. Pulsação. Saltando pela epiderme. Ampliando sua humanidade. Abrindo suas costas e vomitando asas. Enquanto a música soava em looping. Ou na sua cabeça, talvezCada passo. A pele. Sobre o piso. Milhares de divisórias. Tacos. Desenhos que se formam aleatóriamente. Padrões. Tonight, big in Japan. E talves estivesse caminhando ali por causa disso. A cera vermelha antiga acumulada sobre a madeira. Sob o reflexo do sol. Espalha-se pela parede branca. Um grande reflexo vermelho sobre a parede branca. Ou tecidoImagem sobre imagem sobre imagem sobre imagem. Nunca vou conseguir escrever um romance, ela pensou. Minha sintaxe equivocada sobre a vida. Minhas percepções distorcidas sobre tempo e espaço. Não passam de imagens. Nunca formarão uma gestalt mais ou menos compreensível sobre a vida ou sobre o mundo. Talvez eu deva me colocar em um lugar exótico, ela pensou. E tentou novamente recorrer ao Japão. Transformar o sol em um círculo vermelho e compreensível. Uma bandeira. Um signo. Um ícone. Algo para se apoiar e dizer. Eu posso. Eu entendo. Eu consigo. Eu sei. Eu. Finalmente criar uma obra prima. Imortal. TalvezEla caminhava. Sentada na mesa. Deitada na cama. Nadava sobre o colchão. Fabricava anjos. Mesmo sem neve. Ela. Suas ideias. Seus olhos. Sua epiderme. Suas asas. Ou sua cabeça, talvez. Cada passo. Cada pele. Cada imagem. Ela. Cada palavra. Cada tentativa. Fracassada. Things are easy when you're big in Japan. TalvezNunca vou escrever um romance. Ela disse. ElaEu[...]



Terceira Pessoa

2014-12-29T13:01:32.224-02:00


foi o gosto agridoce que sobrou. só o gosto agridoce. ficou grudado na garganta
como uma memória dificil de engolir

e ele ficou ali. ao lado da cama. parado. como um cachorro que espera que algo aconteça
encostado em sua perna
na esperança de que você o convide pra sair. passear na rua. mesmo com chuva

imóvel
com falsa esperança
e um gosto agridoce

depois. lentamente ele levanta. começa a pensar no futuro. na necessidade de construir um futuro. na urgência de construir. na necessidade da urgencia. pensar no futuro. sair deste lugar. encontrar uma estrada. construir uma estrada. um caminho que indique uma razão. uma razão que indique sentido. um sentido que preencha o tempo, um tempo que

um tempo




de pé ele olha. movimenta-se lento porque não consegue conciliar pensamentos e ações. não consegue retornar ao ritmo normal. não consegue raciocinar adequadamente. talvez nunca mais consiga - embora, disso, ele ainda não saiba

um tempo

de pé. ele olha. lentamente. frestas de ficção. a vida movimentando-se. horários e compromissos. intui. os fluxos. flutua neste espaço. involuntariamente. para cada olhar. uma perspectiva. uma lembrança que se concretiza. um acontecimento. que se recusa a

um tempo

um começo difícil. o gosto agridoce deve se concretizar para além das palavras. não é necessário a compreensão exata sobre o caminho. deixar que as sensações sejam a força por trás das imagens. uma falsa esperança de que estamos evoluindo para algum lugar. um. uma. um. uma. coisas devem ser quantificadas. qualificadas. separar aquilo que pode ser dito. dizer aquilo que pode ser. pode ser. deve ser. supor aqui. aquilo que não se sabe. construir as ligações entre. reinventar o fluxo. reconstruir. se


um tempo para reconstituir os pensament

um tempo




num salto ele olha para algo no chão. um mosquito. desses que evoluíram de uma larva de cupim. ou é somente a larva que cria asas. ele hesita entre atacar e observar. persegue o pobre mosquito. vigia. diverte-se com a sensação de pânico que causa. diverte-se. com o pânico. de repente começa a observar as coisas como se não soubesse o significado delas. não existe mais pânico. nenhuma sensação de repulsa pelo bicho ligeiramente asqueroso. só movimento. asas que se movem sem padrão. nenhum desespero aparente. nenhuma necessidade de mudança. nenhuma ordem. nem caos. só movimento organizado aleatóriamente. simplificação. não. complexidade sem mistificação

não há mistério

só o gosto agridoce. as asas que se debatem

e ele ali. a observar. falando de si na terceira pessoa



She's bad!

2014-06-11T13:58:28.755-03:00

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Horas

2014-05-26T23:05:57.377-03:00



Era 13h15 quando o alarme começou a soar
São 17h45 agora
Minha cabeça lateja de dor
As letras embaralham-se dentro dela e entre os dedos
A sirene mistura-se com o estômago e fica presa em algum lugar desagradável do peito

Abrir a boca e vomitar
Colocar pra fora essa sensação estranha que te esmaga
Imobiliza
Fazer parar esse filme que te oprime quando fechas os olhos
Dormir

As 17h49 o alarme para
Tenho um fio de esperança de que a cabeça também
Pare
Dores, letras e sirenes despareçam para sempre
Nada

Abrir os braços e deixar que a gravidade faça seu trabalho
Colocar pra fora essa sensação estranha que te esmaga
Imobiliza
Fazer parar esse filme que te oprime quando fechas os olhos
Voar

São 18h20
19h05
20h33
A areia escorre entre os dedos
Tudo escapa
As horas e as dores
Sobra uma insensibilidade assustadora
Antiga conhecida e pouco desejada 
Looping infinito de imagens pouco criativas
Ponteiros girando desordenadamente sobre nossas cabeças
07h45
03h58
09h79
27h12

Respirar
Esvaziar

Tudo pára
Congela

Menos o tempo


Lágrimas escorrem
lentamente


Segundos se arrastam
como facas


A pele se abre
em fatias



Existir
não
é 
mais
possível





Pobre Super Homem

2014-03-03T11:20:54.209-03:00


Fazia um tempo que aquela sensação de desemparo não o encontrava. Ou talvez ela estivesse sempre ali. À espreita, enquanto ele fazia força para se manter de pé. Setecentos e cinquenta quilos de aço, cimento e mármore sobre os ombros. Setecentos e cinquenta anos de expectativas sobre o cérebro. Tudo arranjado de tal maneira que ele, durante um tempo razoável, pôde fingir confortavelmente ser feliz.

Mas o mais doloroso de tudo é ter consciência de ser apenas paisagem, enquanto os olhos miram o horizonte. E, se por acaso, em algum momento você se distrai? Você olha para o outro e encontra seus olhos acima daquela linha que os une. E, por mais que você queira evitar, você não consegue afogar seu cérebro e negar o óbvio. Setecentos e cinquenta quilos de aço, cimento e mármore sobre sua cabeça. Setecentos e cinquenta repetições daquela sensação de desemparo. Setecentos e cinquenta furos no estômago. Setecentos e cinquenta disparos contra a têmpora. 

Numa tentativa patética de descobrir onde errou, revira as memórias. Tenta encontrar uma maneira, menos óbvia, de colocar a culpa no outro. Como se outro não estivesse somente tentando manter-se de pé. Tentando desesperadamente encontrar, sobre setecentos e cinquenta quilos de motivos, uma razão para continuar ali, ao seu lado.

E enquanto você se debate em tentar esconder o desemparo, o aço, o cimento, o cérebro, os furos e os disparos, o outro te olha nos olhos e te vê procurar na linha do horizonte uma saída ou um esconderijo. E se percebe paisagem. Setecentos e cinquenta paisagens dissonantes.





Só para você!

2014-01-19T23:46:24.847-02:00



....eu queria saber escrever essas coisas lindas
dessas cheias de palavras bonitas e metáforas inexplicáveis

colocar no papel
todos os sentimentos que tenho
todos os amores do mundo
todas as dores e as belezas

....eu queria saber escrever essas coisas lindas
dessas que fazem as pessoas emocionarem-se quando leem
dessas que as pessoas usam para fazer juras de amor
dessas pessoas que amam

ter a capacidade de descrever o amor
e de senti-lo sem nenhum tipo de reserva

colocar no papel
todos os desejos que tenho
todas as dores do mundo
todos os amores e as belezas

....eu queria saber escrever essas coisas lindas
só pra você!



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espero

2014-01-03T13:26:20.386-02:00


Ela me abraça com seus braços longos e finos
- Estou morrendo - eu penso
Suas mãos envolvem minha cabeça
e as pernas tropeçam em mim como galhos que se quebram

Ela não pergunta e nem espera
simplesmente agarra o que quer e pode

Eu não a entendo
não a espero e nem a desejo
Mesmo assim, ela me abraça com seus braços longos e finos

- Estou morrendo - eu penso
e respiro fundo pela última vez
enquanto suas mãos envolvem meu cérebro

As luzes penetram a retina
O suor escorre pelo corpo
A música agride os tímpanos
como se lutasse para me trazer de volta

Eu não entendo
e nem busco compreender
Eu me agarro a ela como quem busca uma salvação

Seus braços longos e finos
e frios
são minha única esperança

Ela está aqui
e por algum motivo eu a esperava
- Estou morrendo - eu penso
e essa sensação me alegra

Eu respiro fundo e me atiro em seus braços
como quem se joga de um precipício sem nenhum temor
- Estou morrendo - eu penso
e sorrio pela última vez

Abro os olhos e todos continuam dançando
As luzes penetram a retina
O suor escorre pelo corpo
A música agride os tímpanos

Ela me abraça com seus braços longos e finos
Me beija com força
e me abandona

- Ainda não - ela diz
E eu choro
porque não tenho mais nada para fazer aqui

Então eu danço
e engulo mais dois comprimidos
E espero

espero





Te ver....

2014-01-03T13:26:50.693-02:00

Eu fecho os olhos e ainda consigo sentir

Os dedos perdidos entre os teus cabelos. A respiração ofegante. Você no sofá assistindo TV. Os cachos enrolados. O chuveiro. A água escorrendo pelas tuas costas. O nervosismo. A espera. Sentir tua boca pela primeira vez. Minha mão encostar suavemente na sua durante a viagem de carro. Seu cheiro. Seu suor. Nossa despedida apressada

Eu fecho os olhos e ainda consigo sentir

O sabor é doce. O olhar desconfiado. O sorriso é raro e sincero
Por baixo da aparente mansidão, um ímpeto insuspeitado

E, se...agora... eu pudesse reviver esse momento?

Abrir os olhos e te ver...





Are u there?

2013-09-25T22:39:54.718-03:00

Ele.
Deitado na cama.
Sentindo algo lhe corroendo as entranhas.
A visão turva.
Os músculos pesados.
As mãos quase não conseguindo mais mover-se.

Ele.
Abrindo a boca.
Vomitando pedaços de outros.
A voz rouca.
O estômago embrulhado.
As pernas encolhidas próximas ao peito.

Fechando os olhos.
Caindo lentamente no sono.

Flash.



Um homem caminha lentamente por uma rua vazia. Seus passos ecoam pela paisagem. Fuma. Atrás de si uma nuvem de fumaça se impõe sobre as imagens. Um homem em chamas. Um homem condenado a andar e produzir fumaça eternamente. Até se transformar em cinza. Cinzas espalhadas sobre uma catedral de pedra. 

De manhã cedo um homem entra na igreja em busca de um pouco de consolo. O silêncio da catedral é assustador. Ao mesmo tempo reconfortante. Sentado no grosso banco de madeira um homem recita uma série de palavras que já fizeram sentido em algum momento. A pedra não discrimina quem entra por suas portas. Nem o banco. Enquanto entoa aquele cântico antigo o homem em chamas enche a catedral de cinzas. Sua breve passagem vai deixar a poeira de trinta anos sobre o piso do lugar. O homem não encontrará nenhuma resposta naquele banco. Sairá reconfortado por suas próprias mãos. Ou pela boca. 

Palavras são só palavras e não tem em si nenhum valor maior que elas mesmas. Colocadas lado a lado em uma sequência exata produzem algum tipo de sentido mas nunca transformam. Elas pedem regras ou somos nós que pedimos signos possíveis de interpretação. Por mais que você entoe chuva da forma certa e da maneira correta você não conseguirá fazer com que o fogo termine somente pelo desejo do fim. Experimente mudar as regras do jogo no meio do tempo da partida e verá que não teremos mais como saber quem ganha ou quem perde no final do tempo cronometrado pelos passantes. Nunca é só uma questão de tempo. Mesmo que retiremos a fumaça o fogo há de queimar tudo em volta do homem cinza espalhado pela cidade buscando entender as palavras e a vontade desse deus que em algum momento há de mostrar sua força e sua grandeza na alma dos aflitos




Flash.

Não há sentido.



Não sei

2013-09-20T17:26:38.049-03:00

O que você está sentindo, ele me pergunta
O que você está sentindo?

Não sei, eu disse
É uma coisa que  não tem nome, alguém já disse

Sentado na frente do computador
o cursor piscando me pergunta coisas
O que você está sentindo
Eu não sei, é só o que consigo dizer.





Fiction

2013-08-19T14:44:54.412-03:00

FictionTenho as mãos sobre o rostoTento abrir os olhos, mas a luz insiste em entrar por baixo das persianasEra para estar tudo escuro aqui. Era para estarmos dormindo aindaDa porta do banheiro eu te olho na cama. Tenho as mãos sobre o rosto. Te vejo de olhos fechados. Era para estarmos dormindo ainda. O chão gelado adormece minhas pernas. A água que escorre da banheira molha meus calcanhares. Era para estar tudo escuro aquiHoje completa sete anos. Sete anos desde que eu pude ver a escuridão pela última vez. Sete anos em que essa luz não me deixa abrir os olhos. Sete anos. Embora pareça mais, são apenas sete longos anos. Sete anos em que eu te olho sobre a cama. Sete anos em que a banheira está transbordando. Sete anos em que essa música segue tocando. Were we torn apart by the break of day. Sete anosTenho as mãos sobre o rostoA ponta dos dedos da mão esquerda aperta o globo ocularA palma da mão direita encaixa-se no espaço entre o nariz e as sobrancelhasJuntas, fazem força para separar a cabeça em duasAbrir o crânio e deixar a escuridão sairEra para estar tudo escuro aquiMistaken for a visionSomething of my own creationDa porta do banheiro eu te olho na cama. Te vejo de olhos fechados. Esqueço a porta batendo e as malas arrumadas. O chão gelado adormece minhas pernas. Esqueço a luz do corredor ofuscando a minha visão. Esqueço de você chorando no canto do quarto. A água escorre na banheira. Leva com ela, pelo ralo, a realidade. Esqueço a última noite juntos. Esqueço as últimas palavras. Presto atenção nos meus calcanhares. Escrevo uma história em que eles são os protagonistas. Escrevo uma história que possa me salvar de acordar. Escolho que se passe sete anos de uma hora para outra. Escolho não tirar as mãos dos olhos. Te vejo de olhos fechados. Era para estar tudo escuro aqui. Era para estarmos dormindo ainda. FicçãoNão anoiteceAn uncertain hazeQual é lógica que existe por trás de uma canção?Minha cabeça começa a doer. As frestas abertas vazam alguma substância muito diferente do sangue. A luz do corredor está gravada no meu cérebro. Projeta-se pelos olhos e pela boca. Não é a escuridão que me habita. Sou eu que me prendo a escuridão como se ela pudesse me salvar. Mas, sempre amanheceFictionWhen we're not together[...]



Máquinas Orgânicas

2013-08-19T15:02:54.071-03:00

...


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 ...



cinco minutos.

2013-06-03T14:47:03.579-03:00

Você tem cinco minutos para me convencer a não te matar, ele disse
Cinco minutos. Cinco minutos
Quantas vezes eu falei que era impossível fazer qualquer coisa com cinco minutos
Quantas vezes eu me atrasei, por apenas cinco minutos
Quantas vezes eu desejei ter apenas mais cinco minutos para dormir

Cinco minutos
Apenas cinco minutos

Quando não se tem o que dizer, cinco minutos, é muito

Eu pensei que podia implorar. Elaborar uma lista incomensurável de motivos para continuar vivendo. Encontrar milhares de motivos razões desculpas expectativas ilusões vontades para seguir adiante. Seguir vivendo. Como se a possibilidade de ter a possibilidade fosse a única razão. Como se 

Convença-me, ele disse
Cinco minutos. Cinco minutos

Branco. Nada a dizer

Um desvario de imagens que teimavam em ficar passando pela cabeça
Cinco minutos é muito tempo quando seu cérebro está descontrolado

Imagens que aparecem do nada. Uma série de pensamentos que não conseguem se desenvolver. Tentativas frustradas de estabelecer algum parâmetro de razões para a vida. Sua vida. O desejo inconsciente de ter feito algum tipo de diferença. Diferença. A dúvida entre escrever um livro ou ter um filho. Escrever um filho. Narrar a vida de alguém que seja a mais perfeita projeção de algo que realmente tenha valido a pena. A sensação de completude. A sensação de

cinco minutos.





Mais cinco minutos...

2013-05-18T21:40:48.272-03:00



Se eu pudesse te dizer tudo o que eu penso - disse
Você com certeza não falaria mais comigo - pensou
As coisas não são assim tão simples - calou-se

22:59
Mais cinco minutos, pensou. Apenas mais cinco minutos. É tudo o que eu vou esperar, mentia para si. Estava acostumado com essas mentiras. As inventava quase que diariamente. Era fraco. Sabia que, por mais que quisesse, não enfrentava a realidade. Talvez algum dia faria as malas e partiria. Definitivamente. Deixaria essa coleção de esperas para trás. Deixaria todos esses cinco minutos acumulados. Recuperaria sua vida. Encontraria paz. 

23:59
É tudo uma questão de tempo, pensou. Alguns dias apenas. É tudo o que eu preciso, mentia para si. Mais uma vez. Criava lógicas cambaleantes. Acreditava naquilo que queria acreditar. Naquilo que precisava acreditar. Na verdade, nem acreditava...mas seguia da mesma forma. Parado. Ali. No meio do caminho. Mais cinco minutos, pensou. Apenas mais cinco minutos.

01:59

Se eu pudesse te dizer tudo o que eu penso - disse
Você com certeza não falaria mais comigo - pensou
As coisas não são assim tão simples - calou-se
Desligou o telefone

05:59
Cinco minutos.







Storm

2013-04-30T19:59:32.318-03:00



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Depois
depois do estrondo ensurdecedor
depois do tempo em que a explosão ainda ressoava pelo ares
depois de tudo
eu ainda continuava aqui

se eu olhasse para as minhas mãos
eu perceberia que elas ainda estavam em chamas
eu veria que elas ainda se moviam sem que eu ordenasse

se, pelo menos, a tempestade que se anunciava dentro da minha cabeça fosse forte o suficiente
se ela caísse sobre a cidade e molhasse todos nós ao mesmo tempo

talvez, assim, nós poderíamos seguir e encontrar alguma paz


Lá fora a cidade segue
nós também fingimos que seguimos
mas assim como a cidade
estamos presos ao chão
e ao ruído que ainda ecoa nos ouvidos

somos cruzes
emparelhadas
dez lá fora
e nós três aqui

aguardamos por um som que nos tire desse estrondoso torpor

se, pelo menos, uma música pudesse ser alta o suficiente
estrondosa o suficiente
forte o suficiente

se, pelo menos, houvesse uma música
houvesse uma voz

alguém...



Depois
depois da música
depois do tempo em que a música ainda ecoasse pelo espaço
depois de tudo
eu ainda continuaria aqui

se eu ainda olhasse para as minhas mãos
o que eu perceberia?

somos cruzes
emparelhadas
lá fora
e aqui
aguardamos a música
ou a tempestade

talvez, assim, nós poderemos seguir e encontrar alguma paz


...



Porta Aberta

2013-04-22T12:40:01.656-03:00


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provavelmente, quando você chegar, eu já estarei dormindo
você pode simplesmente entrar, a porta estará aberta
as luzes estarão apagadas, cuidado com a mesa de centro
ela é de vidro e já perdi a conta de quantas marcas tenho nas pernas

você sabe onde é o quarto, não se preocupe em limpar os pés
apenas entre, siga pelo corredor, chegue aonde estou

provavelmente, antes de adormecer, deixarei as cortinas abertas
você poderá enxergar, pelo menos um pouco, tudo
sobre o criado mudo, o que você vai precisar nesta noite
tentei lhe oferecer as mais variadas opções, não quis dificultar seu trabalho

você sabe o que fazer, não se preocupe em ser criativo
apenas faça, escolha a arma, mate-me depressa