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PRETEXTO - CLÁSSICO



POR VEZES, HÁ UMA NECESSIDADE DE ESCREVER... José Luís Outono (ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)



Updated: 2017-11-29T12:33:44.300+00:00

 



2 Comentários

2017-09-18T19:36:40.892+01:00

PARTILHO COM MUITO GOSTOEm destaque na Página Cultural - Quem lê Sophia de Mello Breyner Andresen.Grato amiga Lília Tavares.©LÍLIA TAVARES e JOSÉ LUÍS OUTONO (a publicar)VESTI O SILÊNCIO DA LUA MINGUANTENão sei porque me escondo, ou apagoesqueci-me do verbo e clameidespi as roupas da saudade de tie vesti o silêncio da lua minguantetenho as algas como cabelos longose as ondas vêm à praia cantar a canção que esquecinos socalcos das maresias sem mimnos novelos das nuvens sem o saborque as nossas mãos coladas deixaram no ventorevolto-me dentro de mim e canto-tecomo se o sussurro te trouxessee me embalasse no teu colo macioque foi falésia e esqueci de olharnuma cegueira branca e nua.Caem agora gotas de chuva cremosaentre olhares como espelhos de certezasaqui......onde apenas reside o incerto...mas... grita-me o teu ficar...nada receio, neste tremor de corposa noite cai nesta praia de silênciosapenas a areia para falar deste tempoque se recusou partir e renascer.[...]



MERAS COORDENADAS

2017-04-02T14:27:11.423+01:00




MERAS COORDENADAS

-José Luís Outono-
(excerto)


não sei onde começam as amarras do tempo
nas margens ansiosas de pautas esgrimidas
sei apenas dos caminhos gravados
em redacções sem pontuação
meras coordenadas ordinárias de rimas obsoletas
onde o relógio é o único comandante
dos rios quase secos
o amor regozija-se agora
apenas com o sorriso das raras memórias cíclicas
espelhadas nas pedras orladas de limos secos

JLO
in «MOMENTOS» - 2017
( todos os direitos autorais reservados - SPA 106402 )



NOVO LIVRO «AS VOZES DE ISAQUE»

2016-11-26T22:54:24.778+00:00


Com a chancela POÉTICA EDIÇÕES, este livro é uma co-autoria com os poetas ANA PAULA MATEUS, GRAÇA PIRES, JOSÉ LUÍS OUTONO, LÍDIA BORGES, LUÍS FILIPE SARMENTO, MARIA ISABEL FIDALGO, ROSÁRIO FERREIRA ALVES, RUI MIGUEL FRAGAS e VIRGÍNIA DO CARMO.
O projecto nasceu de um desafio do escritor PAULO M. MORAIS, aquando do lançamento do seu Romance «O ÚLTIMO POETA»
Dez poetas fizeram uma reflexão sobre o livro, e nasceu este conjunto desafiador.




APRESENTAÇÃO DO NOVO LIVRO «TRÊS MARES»

2016-10-30T09:15:56.984+00:00


No passado dia 29 de Outubro de 2016, decorreu na CASA ALLEN - PORTO a primeira apresentação pública do meu novo livro «TRÊS MARES», com a chancela INSUBMISSO RUMOR , prefaciado pelo escritor João Carlos Esteves.
O amigo, escritor e ex-camarada de tantas lutas e desafios António Bondoso, honrou-me com o seu olhar crítico, que partilho :


- "TRÊS MARES

Há mares em que é preciso navegar durante a vida. E sem amarras. 
Em liberdade plena e em perfeita sintonia com o balanço das águas. 
Como acontece com José Luís Outono, neste seu recente livro Três Mares, editado pela “Insubmisso RUMOR”. 
Um dia, enquanto esperava que pudessem arranjar o sistema, foi à pesca. Não sei o que pescou e nem tenho mesmo a certeza de que tenham conseguido arranjar o sistema. 
Mas voltou. Preocupado…mas voltou. Para nos brindar com uma obra de excelência. Em Três Mares, o autor acrescentou mais um patamar de beleza à sua escrita poética. Firme, desafiante e corajosa. Por isso, diz, “Reservo o direito/ de sonhar horizontes impensáveis”.
Um abraço camarada José Luís Outono.
António Bondoso
Out de 2016."



TEMPOS

2016-06-28T20:19:55.788+01:00



TEMPOS



- José Luís Outono -
(excerto)

...nos claustros dos tempos fugidios, leio sóis indefinidos de palavras referendadas.
Os boatos correm a maratona da confusão, enquanto os mapas de "excel" sucumbem às agitações demolidoras das cotações.
As vozes do pró e do contra confundem-se na margem ténue de uma percentagem, quase ilegível.
Curioso ouvir uma pergunta inteligente de uma jornalista inglesa, a um dos promotores da saída (dita) airosa:
- Perante o voto decisório, qual é o Plano?
- Não há ... não temos.
O estúdio silencia-se e a emissão afoga-se num intervalo imprevisto.
"God save the memory"... li há dias num cartaz promocional de uma farmácia à beira do Tamisa.


JLO
in MOMENTOS - José Luís Outono - 2016

(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)



ESCRITO NA TARDE DO DIA 25 de ABRIL de 1974

2016-04-23T22:38:02.803+01:00

ESFORÇO COMPENSADOQuase que voltei o escritório do avesso, para encontrar este escrito saudoso. Valeu, a busca, a ansiedade e a lágrima no canto do olho, como a velha canção. Poderia editar, apenas no 25 de Abril. Mas a homenagem, que quero fazer à data e a um grande senhor da minha vida é maior.ESCRITO NA TARDE DO DIA 25 DE ABRIL DE 1974Bem longe, desse Continente de confusões,entendo agora meu pai, as tuas palavras.Quando me avisavas dos gritos de dor da António Maria Cardosoperguntava-me – Uma simples rua traz dores? Quando às escondidas ouvias a rádioe acenavas com a cabeça as verdades ditas, perante o meu olhar duvidoso – Sorrias.Quando esboçavas um pestanejar, ao ver-me com uma farda obrigatória,e dizias em gozo certeiro – Mocidade?Quando ralhavas comigo, nas minhas manifestações do contra,e finalizavas – Entende antes que os sarilhos te marquem.Quando discutiste comigo, face à minha revoltapor este uniforme que envergo, ser obrigado a parar os estudos,e disseste – Não te esqueças de marcar a folha do livro interrompido.Quando te falei num namoro louco,e gritaste - Nunca me dês esse desgosto político.Quando me viste partir para este inferno colonial,e com um abraço disseste – Não te esqueças de regressar.Quando escrevias em código as cartas da saudade,e eu inocente questionava – Que chatice!Quando um dia redigiste – Gostava tanto de escrever-tesem parágrafos programados, e eu respondi – Liberta-te!Quando um dia sorriste na praia,e apontaste o mar - Há forças livres! É bonito … não é filho?Hoje, depois de ler o Comunicado das Forças Armadas,neste microfone colonialista dou-te razão.Hoje, os discos censurados foram tocados, e percebi o porquê do Carlos Paredes ter o lápis amarelo.Quando voltar, quero agradecer a tua paciência.Quando te abraçar, vou dizer – Se for pai, serás a minha certeza.Hoje entendi as tuas palavras, e cuidados.JLO – 25 de Abril de 1974(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)[...]



TECELAGENS INCOMPLETAS

2016-03-19T19:02:55.292+00:00



TECELAGENS INCOMPLETAS

há cores simples na tela de um olhar

encontros casuais entre a metáfora e o desejo

sinopses de páginas vividas

tecelagens incompletas

enquanto os sóis assinarem o ponto de cada manhã

in MOMENTOS - José Luís Outono - 2016
(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)




INQUIETAÇÕES

2016-02-23T23:33:49.589+00:00


INQUIETAÇÕES

- José Luís Outono -
(excerto)

vivem-se desfiladeiros incoerentes
onde sopram discursos inquietantes
definições assimétricas de rascunhos
ditos documentos

procuro no dicionário pela palavra esperança
e leio no rodapé de um elo definidor
fechado temporariamente para balanço

na reserva de cidadania
de uma passadeira pedonal
hesito em passar para o outro lado
apesar do gesticular das sereias
do condomínio da conveniência
in MOMENTOS - José Luís Outono - 2016
(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)



MOMENTOS DE FILMAGENS INTERMÉDIAS

2016-01-20T19:36:28.909+00:00




MOMENTOS DE FILMAGENS INTERMÉDIAS
- José Luís Outono -
(excerto)

o argumento escreveu-se
na tangente de um globo ainda respirável
a abertura focal delimitava enquadramentos
como meros traços na arquitectura do sonho quimérico
o interior reclamava alvíssaras
no encontro de cada equação a duas incógnitas
os lábios esboçavam meros símbolos pactuais
em planos orlados com olhares ainda idilistas
enquanto o mar trajava cores assimétricas
na sedução à gaivota ousada
in MOMENTOS - José Luís Outono - 2016
(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)



MIRADOUROS INCONFORMADOS

2016-01-04T15:48:41.718+00:00

MIRADOUROS INCONFORMADOS- José Luís Outono -A exaustão de momentos em rasgos da vida, causa sempre uma estranheza nas restantes atitudes, que ponderamos.Novos anos, novos votos. O costume de um caminho grisalho ainda resistente. Mas, a realidade dos anseios, ou das esperanças, ou até das leituras envolventes, permanece num marasmo de interrogações, ou factos sem volta a dar, como dizia um treinador de futebol, quando explicou que "tar" à frente é melhor que "tar" atrás.Lentidões, que suplantam a velocidade do parado. Culpados, sem culpa, maus tratos, que são apenas quedas naturais de esquecimentos temporários, arrastamentos incólumes de governações sem visão, o eterno fluir de dispositivos musculados (expressão policial) das autoridades, em defesa do santo futebol, o grito do miserável, que esbanja a crédito sem regras, a comunicação social imparável no pior, para vender o melhor, as perdas como atenuantes de esquecer outras notícias, locuções arrastadas em soluços de enviados, pouco especiais, os "chicos espertos" de um povo, que não respeita a segurança rodoviária, os actores acidentais de barriga abastecida de bom marisco, que em locais públicos, gritam e comentam as posições sexuais da acompanhante, entre histórias de casas para matraquear virgens, em voz de garrafão, como se fossem os extra-terrestres do poder das estrelas. Um turismo, onde somos milionários, a apodrecer nas regras do deixa andar, um poder local que governa dentro de gabinetes, sem olhar aos estragos ...denunciados pelos zelosos munícipes. Mas multipliquem-se os buracos das quedas, os entupimentos viários, os "grafiteiros" candidatos a realizadores do YouTube, e os meliantes que matam, por meia dúzia de euros, polícias aposentados, que ainda são exemplo de intervenção.Valha-nos a vitória do clube de Alvalade ( com quem simpatizo), e dos vermelhos, que foram alcançar a vitória ao Vitória, com um grito do Vitória. Sim, isso é que é importante, nas horas das notícias, para justificar, porque pago tão caro a televisão, a Net, e o telemóvel. Os milhões são necessários para vestir os meninos da bola, enquanto os meninos da rua, enfrentam o frio com a pele nua. Enquanto morrem pessoas, com a poupança nos horários de atendimento, com a falta de médicos e enfermeiros, caminhantes na ida para outros recantos onde sejam dignamente pagos ... mas para esses nem milhares, nem milhões, apenas reuniões aferidoras de tempos, em que o tempo tem de esperar.Viva o futebol dos contratos milionários, com enchentes sem crise. Viva as telenovelas com argumentos e representações da treta.Viva os segredos da quinta, com burros como comentadores (inédito). Viva o "chico espertismo" no geral de ser notícia, sem enredo.Cheguei à conclusão, que tenho de voltar para a escola e tirar umas cadeiras destes estranhos mundos do desenrasca.Claro, que há muitas honrosas excepções, do que referi .JLOin MOMENTOS - José Luís Outono - 2016(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)[...]



1º. Salão de Natal de Artes

2015-12-11T22:18:01.001+00:00


Sintam-se convidados. Será uma honra!



POR VEZES

2015-11-28T14:16:21.924+00:00



POR VEZES


- José Luís Outono - 
( excerto)


por vezes apetece inverter as cores

num esperançar de ver receios abraçar coragens


e os medos sorrirem como separadores dialogantes

nas muralhas bélicas da loucura sem definição


in MOMENTOS - José Luís Outono - 2015
(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)



MARÉS

2015-09-28T22:36:43.010+01:00

MARÉS - José Luís Outono -(excerto)gosto tanto de respirar-tesentir o teu iodo amenoe segredar-te marés d'ontemnavegações d'hojee aguardar-te ansioso amanhãnãoeste devaneio ninguém me roubaou encena em cláusulas impostorasredigidas com olhares cegos de obediênciavulgo teimosias de um domar encobertogosto tanto de respirar-tee sentir-te livrecomo a minha vontadede acordar sem sobressaltosin MOMENTOS - José Luís Outono - 2015(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)[...]



DESCULPA

2015-08-25T14:48:15.459+01:00


Desculpa...
Queria escrever-te uma carta neste final de dia, onde rompesse os receios e escrevesse amor, com um sorriso reconfortante.
Mas não sou capaz.
Nesta mudança de parágrafo, olho para o Mediterrâneo e vejo sepulturas aquíferas, nas águas de fugas sem destino.

Vejo crianças com choros questionadores, sem brinquedos para partilhar e quantos colos sem serem pertença directa.
Vejo mulheres e homens, que buscam o lado natural de um viver, e lutam numa guerra indefinida, sem coordenadas, ou sóis rubricadores de possíveis jardins.
Vejo esforços, mãos, discursos, apelos...mas muitas indefinições que me boicotam um final de dia tranquilo.
Vejo tanto amor esbanjado, países e lavagens nas encostas de torres luxuosas, pontapés que erguem ouros, diamantes, estruturas, páginas e comunicados acesos, quando simples colheres de pau, alguns tachos, alguma fruta, algumas pescas perdidas, algumas hortas floridas e simples nascentes, eram suficientes para regar a fragilidade de quem foge, para tentar morrer um pouco mais tarde. Porque no deserto do nascer deles, o verbo viver é um inútil esforço.
Desculpa meu amor. Hoje não consigo colorir o final do dia, quando vejo mundos feridos de irregularidades, entre guerras obscuras e contos de almejos vendidos nas praças dos interesses ao desbarato da conveniência.
Custa-me ver estas contabilidades de milhares salvos, não sei de quê, contra milhares de mortos, não sei porquê.
Sei que amanhã o cenário vai ser o mesmo...oxalá como realizador me enganasse no enredo e abrisse um novo plano sedutor.
Desculpa, hoje as minhas palavras são preocupantes. Há matemáticas, que não entendo. Teorias que não vislumbro. Filosofias muito duvidosas. Magias denunciadoras. Marketing maldito... do venha a mim, porque os outros terão de esperar.
É este o mundo, que vamos deixar aos nossos filhos e aos nossos netos?
Será que fazer amor, ainda é um acto lógico de crescimento, desenvolvimento e sustentabilidade...ou será apenas um mero exercício dos tempos da maçã de Adão e Eva, para não esquecer...e depois logo se vê.
Desculpa meu amor, mas hoje mergulhei em águas sofredoras e estou muito pensativo. Lembras-te? As mesmas águas onde já mergulhámos felizes, são hoje cemitérios ou corredores de sofrimento. Impossível !
Desculpa.


José Luís Outono
( ao abrigo dos direitos de autor)



DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA

2015-08-19T18:24:37.158+01:00




DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA 

AGOSTO - 2015
Cúpula da Basílica da Estrela
LISBOA



PÉTALAS PRATA

2015-07-27T09:54:06.972+01:00





Pétalas prata


Cumpliciei o teu anoitecer, lânguido tormento da saudade, que exarou o regresso à
nascente.
Nas pétalas prata do teu dormir, cuidei do envolver suave até ao sopro do beijo voo.
Os deuses das tuas metáforas bebem agora a espuma do sigilo, em ânsias regimentais
únicas.
Gostei da comoção táctil do teu segredo e confidenciar o meu ousar numa loucura
mergulho, que elegeste.
Bem-hajas sibilo natureza, por abrires as portadas da minha leitura salina.


in MARGINÁLIA - col. poesia
José Luís Outono - MAIO / 2015

edita-me.pt



RECENSÃO LITERÁRIA da ILUSTRE ESCRITORA - Dra. GRAÇA PIRES, SOBRE O LIVRO «MARGINÁLIA».

2015-06-21T17:24:34.123+01:00

«MARGINÁLIA»ANTOLOGIA DE POEMAS, COM OS AUTORESCECÍLIA VILAS BOAS, EDGARDO XAVIER, FRANCISCO VALVERDE ARSÉNIO,JOÃO MORGADO, JOÃO CARLOS ESTEVES, JOSÉ BRITES INÁCIO, JOSÉ GABRIEL DUARTE, JOSÉ LUÍS OUTONORITA PAIS e TEREZA BRINCO OLIVEIRAA escritora já premiada Dra. Graça Pires, comentou:MARGINÁLIA(Antologia)Poetas são vozes que não desistem de anunciar os tesouros que se escondem no barro da nossa condição.Miguel Torga, Diário V, 1951Venho apresentar uma antologia. Dez poetas. Vozes partilhadas a pretexto da poesia. Apoiadas na força e emoção das palavras e, talvez, na construção de uma memória.Vou falar de poesia. Manuel Gusmão dir-me-á:“Incerta chamae desde logo esse fragmento da língua estremece e se desdobra”[…] Dez poetas. Dez vozes singulares. Uma antologia.MargináliaPoemas que se querem margem. Poemas à margem das regras, da moda, dos preconceitos. Poemas na margem dos livros que escreveram. Na margem. Como se cada poema fosse um rio de água doce e cada verso desejasse saciar a sede dos leitores. Como se cada poeta fosse um trovador itinerante a ocupar as margens com um aceno no olhar. Como se, ao poema, nada mais fosse possível do que a misteriosa realidade da sua concepção como linguagem poética, com tudo o que a define e a reinventa.Permiti-me tomar a antologia como a transparência de um dizer que produz imagens com diferentes formas.Vagueei por ela com a promessa de me encontrar nos temas onde se demoraram os meus olhos.Procurei entender a particularidade de cada poeta, de cada poema, e percebi que o equilíbrio da apresentação de uma antologia deste género, em que o título que a engloba faculta uma clara liberdade aos autores, me permitia agregar alguma convergência temática onde concentrei a minha atenção. É no contexto dos temas Amor e Silêncio que comento cada poeta.Dos ecos da tradição lírica portuguesa surge-nos sempre o Amor como um ritual a que a poesia não é alheia e também o Silêncio, porque o poeta é um persistente desafiador de silêncios. Não para calar o que sente, mas para encontrar a voz com que potencia a sua expressividade. Ao ler estes poetas, lado a lado, destaco de forma aleatória e sucinta o seguinte:Rita Pais fala-nos da sedução do amor. O corpo inteiro numa entrega. […] Quero no meu corpo/ os movimentos, ondulantes/ que contorcem o teu/ na voracidade desta música/ felina/ entranhante/ estonteante/ ardente […] (p. 142). É o rumor dos sentidos a fervilhar no sangue. Em contraponto, a autora quer que o silêncio se quebre. […] Diz: Preciso da palavra de precioso veludo/ pronunciada num passado ainda presente. […] (p.135). A autora quer um silêncio habitado por outras lembranças. […] E continua: Expulso todas as palavras gastas/ que me esgotam./ Invento um léxico paralelo/ que me pacifica. […], (p.136). Ela, a autora, quer um silêncio que a deixe ouvir a vida.Com Francisco Valverde Arsénio nos questionamos […] Será o amor uma emoção perpétua ou um estado inabitado onde se mendigam as paixões? […] (p. 49). O poeta sabe, como todos nós sabemos que o amor não se define. Sente-se. Conquista-se. Ganha-se e perde-se.Sabe também que o silêncio é um vínculo entre a imaginação e a memória. E diz: Tenho pressa em libertar este poema clandestino, sinto-o agitado neste silêncio profundo, neste hiato vazio, neste espaço sem som. […] (p. 52). É um poeta que anseia uma rua larga para os seus poemas. Talvez isso justifique a sua prosa poética.Nesta mesma linha de reflexão podemos ler José Gabriel Duarte. Não sei justificar/ mas existe amor. […] Talvez o amor/ nã[...]



NOVO LIVRO - MARGINÁLIA

2015-06-02T17:27:15.480+01:00


Foi apresentado no passado dia 30 de Maio 2015
Fundação José Saramago - LISBOA

Excerto do "Não-prefácio" de MARGINÁLIA:

"Unimos dez nomes, dez sensibilidades, dez identidades, dez formas de sentir, dez vontades. Nem todos nos conhecíamos. Nem todos nos havíamos sequer encontrado nas palavras. Mas ousámos conjugar-nos. E aventurar-nos numa navegação sem bússola por oceano desconhecido, com a única certeza de que uma enseada onde habita a poesia nos acolheria as diferenças. Nela fundeámos dez marginálias distintas. As nossas, que sublimámos de «coisas que estão à margem» em «coisas que marginam»: o discurso, o vocábulo, a rima, o verso, o deslizar poético. 
Somos dez interpretações de um mesmo livro. Dez leituras de um mesmo objectivo. Dez definições de um mesmo desejo."

Cecília Vilas Boas, Edgardo Xavier, Francisco valverde Arsénio, João carlos Esteves, João Morgado, José Brites Inácio, José Gabriel Duarte, José Luís Outono, Rita Pais e Tereza Brinco Oliveira




NOVO LIVRO - MARGINÁLIA

2015-05-18T11:45:15.216+01:00



Dia 30 de Maio /2015 , será apresentado este projecto da união de dez nomes, aos quais, orgulho-me de pertencer.
Fundação José Saramago  
Lisboa

Pequena nota do "NÃO-PREFÁCIO"
"Unimos dez nomes, dez sensibilidades, dez identidades, dez formas de sentir, dez vontades. Nem todos nos conhecíamos. Nem todos nos havíamos sequer encontrado nas palavras. Mas ousámos conjugar-nos. E aventurar-nos numa navegação sem bússola por oceano desconhecido, com a única certeza de que uma enseada onde habita a poesia nos acolheria as diferenças. Nela fundeámos dez marginálias distintas. As nossas, que sublimámos de «coisas que estão à margem» em «coisas que marginam»: o discurso, o vocábulo, a rima, o verso, o deslizar poético.
Somos dez interpretações de um mesmo livro. Dez leituras de um mesmo objectivo. Dez definições de um mesmo desejo."




NOVO LIVRO - MARGINÁLIA

2015-05-02T23:22:07.419+01:00



MARGINÁLIA



Um livro, dez autores, dez sensibilidades de escrita.
Brevemente, numa livraria perto de si.





INSÓNIAS TEMPORAIS

2015-04-02T21:06:00.307+01:00

INSÓNIAS TEMPORAIS- José Luís Outono -no fogo da insónialeio páginas de um livro reclusode pausas crepitantes de saudadee cego-me num sonho apenas volátil no sopro das brisas orvalhadasdo outro lado da vidraçavejo uma andorinha que brincanum voo desassossegador no mando dos temposin MOMENTOS - José Luís Outono - 1999(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)[...]



3 Comentários

2015-02-19T21:40:28.255+00:00

ARGUMENTOS ÂNCORA- José Luís Outono -âncoras pálidas e insegurasnos contornos da ferrugem danopraga de olhares descuidadosdesonra de lutas e argumentosem discursos vitóriaâncoras e memóriasde corpos provocantesde sereias incertasem oceanos teatraise afectos fingidosâncoras perdidasnos areais esculpidospelos ventos inconformadosnas lutas oscilantescontra falésias arrogantesâncoras esquecidasnos passos ocultosda procura intemporalna ânsia de trazer memóriasao som de ecos presentesâncoras austerasespelhos prata longínquosnos escuros de ontemque amanhecem semprein MOMENTOS - José Luís Outono - 2015(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)[...]



VOOS EXAUSTOS

2015-01-05T12:25:18.314+00:00



VOOS EXAUSTOS
- José Luís Outono -

segredos intangíveis de voos exaustos
entre a claridade dos trovões amigos
e as auroras nubladas de um diálogo almejado

ciclos de estados feéricos
e ondulações transitórias
nos espelhos prata de cada turno mareante

reservas empedradas de calmos pensamentos
férteis em jardins selvagens
onde brotam convites para um esboçar testemunho

in MOMENTOS - José Luís Outono - 2015

(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)



7 Comentários

2014-12-15T22:14:59.581+00:00



PERDIDO ALGURES

- José Luís Outono -

Perdido algures nos encontros de olhares pensadores, os espelhos das águas calmas, são uma projecção diametralmente oposta aos contornos da possível quietude de um estar.
Leituras sem palavras, ditas nos frios de uma encenação gerida em sopros de ventos e caminhadas migratórias.
Esboços ou pequenos traços de contos escritos em páginas sem limite ou espessura, talvez repetidos, ou até moldados em índices de perfeição possíveis. Genuínos mestrados da continuada aprendizagem, na escola do acto de rasgar ditadores calendários, até ao limite.


BOAS FESTAS

in MOMENTOS - José Luís Outono - 2014
(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402



UMA SIMPLES FOLHA VIDA

2014-11-21T10:40:03.986+00:00



UMA SIMPLES FOLHA VIDA

Nasceste no paraíso verde de um sonho, e oxigenaste pulmões carentes.
Sorriste aos sóis dos corredores sazonais, e foste inspiração de viagens sem destino, nos encontros da erecção dos sentidos acaso.
Teimaste num cair tardio, e fundeaste no mar chuva dos meus passos apressados.
Grato, por teres construído mais um olhar da minha vida.
Um abraço fotográfico.


in MOMENTOS - José Luís Outono - 2014

(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)