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Blogue do JL





Updated: 2015-09-16T20:58:20.463+01:00

 



barthes

2012-05-18T18:36:15.587+01:00

A MENSAGEM FOTOGRÁFICA*   Roland Barthes       A fotografia de imprensa é uma mensagem. O conjunto desta mensagem é constituído por uma fonte emissora, um canal de transmissão e um meio receptor. A fonte emissora é constituída pela redacção do jornal, o grupo dos técnicos dos quais alguns tiram a fotografia, outros escolhem-na, compõem-na, tratam-na, e finalmente outros lhe dão um título, a legendam e comentam. O meio receptor é o público que lê o jornal. E o canal de transmissão é o próprio jornal, ou, mais exactamente, um complexo de mensagens concorrentes, das quais a fotografia é o centro, mas cujos contornos são constituídos pelo texto, pelo título, pela legenda, pela paginação e, de uma forma mais abstracta mas não menos «informante», pelo nome do jornal (porque este nome constitui um saber que pode inflectir fortemente a leitura da mensagem propriamente dita: uma fotografia pode mudar o seu sentido passando do Aurore para o L’Humanité). Estas constatações não são indiferentes, dado que vemos bem que aqui as três partes tradicionais da mensagem não convocam o mesmo método de exploração; a emissão e a recepção da mensagem relevam totalmente de uma sociologia: trata-se de estudar os grupos humanos, de definir os motivos, as atitudes, e ensaiar uma forma de ligar comportamentos destes grupos à sociedade no seu todo do qual eles fazem parte. Mas para a mensagem em si mesma, o método tem de ser diferente: quaisquer que sejam a origem e o destino da mensagem, a fotografia não é apenas um produto ou uma via; é também um objecto, e como tal dotado de uma autonomia estrutural; sem pretender de forma alguma apartar este objecto do seu uso, é necessário prever aqui um método particular, anterior à análise sociológica em si mesma, e que não pode ser senão a análise imanente desta estrutura original que é uma fotografia. Naturalmente, mesmo tendo em vista uma análise puramente imanente, a estrutura da fotografia não é uma estrutura isolada; ela comunica pelo menos com uma outra, que é o texto (título, legenda ou artigo) de que qualquer fotografia de imprensa vem acompanhada. A totalidade da informação é portanto suportada por duas estruturas diferentes (das quais uma é linguística); estas duas estruturas são concorrentes, mas como as suas unidades são heterogéneas, não podem misturar-se; aqui (no texto), a substância da mensagem é constituída por palavras; lá (na fotografia), por linhas, superfícies, tons. Além disso, as duas estruturas da mensagem ocupam espaços reservados, contíguos, mas não «homogeneizados», como por exemplo num jogo em que se fundem numa única linha palavras e imagens. Também, apesar de não haverem fotografias de imprensa sem comentário escrito, a análise deve incidir, em primeiro lugar, sobre cada uma das estruturas separadamente; não é senão quando tivermos esgotado o estudo de cada estrutura que poderemos compreender o modo como elas se completam. Nestas estruturas, uma é já conhecida, a da língua (mas não é, na verdade, a da «literatura» aquela que constitui a palavra do jornal: fica ainda sobre este ponto muito trabalho para fazer); o outro, o da fotografia propriamente dita, é mais ou menos desconhecido. Limitar-nos-emos aqui a definir as primeiras dificuldades de uma análise estrutural da mensagem fotográfica.     O paradoxo fotográfico.   Qual o conteúdo da mensagem fotográfica? O que é que a fotografia transmite? Por definição, a própria cena, o real literal. Do objecto à sua imagem há, certamente, uma redução: de proporção, de perspectiva e de cor. Mas esta redução não é em momento algum uma transformação (no sentido matemático do termo); para passar do real à sua fotografia, não é absolutamente necessário decompor esse real em unidades e tornar essas unidades em signos substancialmente diferentes do objecto que é mostrado; entre esse objecto e a sua imagem,[...]



VISITE O SITE DO JL

2010-01-12T16:04:32.654+00:00

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Amanhã nas bancas!

2009-12-15T19:38:26.436+00:00

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JL 1023


De 16 a 29 de Dezembro



A 'biografia' do Pai Natal

Textos de Alice Vieira, Carlos Ademar, Isabel d’Ávila Winter, João Tordo, Lídia Jorge, Miguel Castro Caldas, Paulo Castilho, Ricardo Adolfo, Rui Vieira e valter hugo mãe • A crónica de Helder Macedo

João Abel Manta
Pintura, pintura, pintura

D. Manuel Clemente, Prémio Pessoa
Entrevista: David Trueba, cineasta escritor

Sugestões de (novos) livros, discos e DVD para presentes

A autobiografia do astrónomo Nuno Santos

JL/Educação: Literacia em Portugal: um problema urgente

Arquitectura escolar: entrevista a Manuel Graça Dias e inquérito a cinco arquitectos

Propostas para as férias de Natal

Camões

Agenda Cultural



Lançamento Antologia da Poesia Portuguesa

2009-12-15T10:18:00.159+00:00


Poemas Portugueses – Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI (ed. Porto Editora) é lançado hoje, terça-feira, 15, pelas 19, na Fundação Medeiros e Almeida, em Lisboa. Vasco Graça Moura irá apresentar a obra, que reúne oitocentos anos de poesia, 267 autores e mais de dois mil textos. Estarão presentes os seus coordenadores, Jorge Reis-Sá e Rui Lage e, no final da sessão, os actores Luís Lucas, Pedro Lamares e Carmen Dolores declamarão alguns dos poemas da antologia.




ÚLTIMOS DIAS - A Bicicleta de Faulkner, n' A Barraca

2009-12-11T13:49:12.384+00:00

(image) É só até ao próximo Domingo, dia 13, que se pode ver A Bicicleta de Faulkner, de Heather McDonald, n'A Barraca, em Lisboa. Duas irmãs a braços com a doença da mãe. Claire escolhe ficar, ajudar, no Mississpi natal; Jett parte para Nova Iorque. É escritora. Mas atormentada pela 'página em branco' regressa a casa e o conflito instala-se. «O conflito entre as duas irmãs nasce da diferença de formas de lidar com o mal de Alzheimer: Jett não desiste de tentar chamar a mãe à realidade enquanto Claire, leitora voraz de O Som e a Fúria - uma rapariga desengonçada que corre até ao lago de cada vez que ouve a bicicleta de Faulkner dirigir-se para lá na esperança de poder falar com o escritor que alimenta o seu imaginário - desenvolveu a capacidade de acreditar que a realidade se pode apresentar sob vários planos e permite e embarca nos delírios da mãe na esperança de que o sítio onde ela está seja melhor do que aqui». Palavras da encenadora, Rita Lello. Com Maria do Céu Guerra, Rita Fernandes, Sérgio Moura Afonso e Susana Costa. Para ver hoje e amanhã, às 22. Domingo, às 17 horas.



Foto de Luís Rocha



Jello Biafra em Portugal

2009-12-10T09:00:07.147+00:00

O lendário vocalista dos Dead Kennedys vem a Portugal, pela primeira vez, apresentar o seu novo projecto Jello Biafra and The Guantanamo School of Medicine. Sem deixar de lado as guitarras punk, os temas reflectem o seu ponto de vista político sobre a questão bélica EUA – Iraque. Acompanhado em palco por Andrew Weiss (Rollins Band, Ween, Butthole Surfers), Kimo Ball (Freak Accident), Ralph Spight (Victims Family), e Jon Weiss. Cine-Teatro Ginásio Clube, em Corroios, a 11, às 21 e 30



Vulcão

2009-12-07T15:01:00.299+00:00

VULCÃO. Valdete vive presa a Samuel. Mulher submissa que antes de casar sonhou um amor feliz, depois de ter um filho cego, revelou-se a verdadeira natureza do seu marido. Samuel vive obcecado com a ideia do extermínio dos ‘mais fracos’. Prisioneira na sua própria casa, algemada, resiste ao martírio na esperança de descobrir o paradeiro do seu filho. Peça de Abel Neves ligada ao Dia Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra as Mulheres, com encenação de João Grosso e interpretação de Custódia Gallego. Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II, até 20 de Dezembro; de quarta a sábado, às 21 e 45; domingos, às 16 e 15



O quê?!

2009-12-05T15:00:03.555+00:00

TEATRO DA TRINDADE. O quê?!, uma viagem pelo século XX às costas de Samuel Beckett é a proposta do encenador e actor João Lagarto, que com um grupo de jovens estudantes finalistas do Conservatório – Afonso Lagarto, Rita Brito e Tiago Nogueira – constrói um espectáculo a partir do universo de Beckett (Na Sala Estúdio até 6 de Dezembro; terça a sábado, às 21 e 45; domingos, às 17 e 30); De Fernando Pessoa e Alessandro Hellmann, em cena na Sala Principal, O Banqueiro Anarquista Esterco do Demónio, com encenação de Annalisa Bianchi e Virgínio Liberti (de 10 a 13 de Dezembro; terça a sábado, às 21 e 30; domingo, às 16). Teatro da Trindade, Lisboa



As luzes de Natal

2009-12-04T14:59:48.130+00:00

TRUPILARIANTE. As Luzes de Natal, um espectáculo de teatro e fantoches destinado aos mais novos, envolto num mistério principal: quem roubou a música natalícia? O público é convidado a ajudar o Duende Pompom nesta aventura. A produção está a cargo da Trupilariante Companhia de Teatro-Circo. Auditório do Espaço Monsanto, Lisboa. Amanhã, sábado, dia 5, e também dia 6, às 15 horas.



O falso Sócrates

2009-12-03T18:06:44.644+00:00

Antes que me ponham um processo, o que não costuma acontecer a jornalistas culturais, deixem-me esclarecer o título. Longe de mim afirmar aqui que sua excelência, o primeiro-ministro de Portugal, é uma pessoa falsa. Nem quero dizer que este Sócrates que nos governa é relativamente falso comparando com o original grego. Quero apenas chamar a atenção para o facto de que existe um falso Sócrates no Facebook.

Este Sócrates postiço, chamemos-lhe antes assim para evitar a ambiguidade da palavra falso, farta-se de jogar ao Farmville e é amigo do Alberto João Jardim (não sei se do falso se do verdadeiro). À parte disso, até à data, ainda não proferiu quaisquer declarações que o prejudiquem. Pelo contrário, mostra-se dialogante com os regimes mais improváveis, lúdico e preocupado com questões agrícolas.

No mural uma mensagem moral: «Caros Portugueses, Deixem por aqui as vossas ideias para o país. Certificar-me-ei que todas as mensagens serão lidas em tempo útil por um membro do estado. Com os melhores cumprimentos, José Sócrates». Uma ideia inócua e oportuna. Aliás, a Câmara de Lisboa. Liderada pelo (seu) amigo António Costa, lançara já um Orçamento Participativo, tendo em vista uma comunicação mais próxima com as pessoas.

O Facebook do falso Sócrates encheu-se de mensagens verdadeiras, de verdadeiros amigos do primeiro-ministro ou eleitores socialmente atentos, empenhados em construir um Portugal melhor. Ana Barbosa revela-se disponível e alertada: «Primeiro-ministro de Portugal: tenho a honra em tê-lo como amigo!... Sempre que possível, vou dando-lhe umas dicas para o país... até naquilo que concordo ou não...». A Iolanda mais intimista: «Sr. Primeiro-ministro! Convido-o a visitar o meu álbum do Quénia! Estive lá no mesmo ano 2005!» O Cunha Manuel mais céptico: «Este país, assemelha-se muito ao Vaticano que apesar de perder fiéis todos os dias, não muda a sua forma rígida de proceder e pensar’.»

Quanto a mim, fui honrado com um convite de José Sócrates para aderir à página de fãs do Farmville. Achei-me por isso no direito de meter conversa com o dito. Só que sempre que eu o cumprimentava no chat, ele saía do Facebook. Imagine-se, um primeiro-ministro com medo de mim. Até que uma fonte próxima de Sócrates me garantiu que aquele Sócrates não é o Sócrates, nem o actual nem o antigo. O que me levou à questão socrática ou pós-socrática: até que ponto é que o Sócrates é o Sócrates? O que é ser Sócrates?




Nas bancas!

2009-12-02T17:39:45.632+00:00

(image) Cimeira de Copenhaga
Salvar a Terra
Entrevista com Filipe Duarte Santos e Viriato Soromenho Marques sobre Ambiente e alterações climáticas *As preocupações ecológicas na arte e na literatura
Rui Ramos
Uma nova 'síntese' da História de Portugal

Especial: O mito dos vampiros no cinema e na literatura

Entrevista: Alexandre Desplat, o cinema que se ouve
Artes: A pintura de Isabel Sabino e Uma Aventura no cinema
Letras: Um livro sobre António Sérgio, lido por Eugénio Lisboa
Crónicas: José Luís Peixoto, o regresso de 'Verdades quase Verdadeiras', e João Medina escreve sobre George Steiner

A autobiografia de Jorge Costa Pinto
Agenda Cultural



Kurt Vile e B Fachada no Frágil

2009-11-26T14:17:45.968+00:00

Em noite de concerto duplo, Kurt Vile, músico indie/folk norte-americano, interpreta temas do seu primeiro disco a solo Childish Prodigy e, em jeito de pré apresentação do vindouro segundo disco, B Fachada apresenta algumas das novas canções em concerto. Frágil, em Lisboa, a 9, às 23



Animações de bolso

2009-11-20T17:10:26.200+00:00

No cinema, o movimento é uma ilusão de óptica criada pela maquinaria. Na verdade, o que existe é uma sequência de fotografias, de imagens estáticas. A sua rápida sucessão cria essa ideia de realidade. O processo é de tal forma mecanizado que, muitas vezes, nem os realizadores se apercebem da sua complexidade. Nem têm que se preocupar com isso. Apesar do o cinema, mais do que outras, ser uma arte fortemente tecnológica, ao contrário do que acontecia no tempo dos Irmãos Lumiére, os realizadores já não são engenheiros.

Na animação esta ideia de frames, de imagens estáticas, de ilusão de óptica é mais explícita. Porque é sabido que aquelas imagens não têm uma existência real, só existem no ecrã porque alguém as desenhou. E é fácil exemplificar a ilusão de movimentos mesmo a uma criança. Através de um flipbook, livrinho que, passando rapidamente as páginas, nos dá a ideia de acção. Ou num flipbook de trazer por casa, que qualquer um pode fazer, por exemplo, nos cantos das folhas de um caderno. O processo é tão simples quanto isto. Num canto desenha-se um rapaz, uma bola e um cesto. Na folha seguinte, a bola sai-lhe das mãos, e, página por página, vai avançando até entrar no cesto. Uau! Para uma criança, é como entregar a fórmula da poção mágica do Astérix. Não se perde a magia, apenas se aprende a cozinhá-la.

A Nintendo desenvolveu na sua consola, a DSI, um programa que alimenta electronicamente este jogo óptico. Através de uma pentouch vão-se desenhando os frames, um por um. Mais tarde pode acrescentar-se o som e alguns efeitos. E o filme está feito. O software é simples, básico, e aproxima-nos de um conceito artesanal. Algumas obras assim feitas participam num concurso que decorre na Videoteca, no dia 2 de Dezembro. Será entusiasmante perceber o que pode ser feito com tão pouco. Eu próprio já me deixei deslumbrar com o software (de download gratuito). Mas quanto a mim, fica por resolver um problema básico: há que saber desenhar.




Amanhã nas bancas!

2009-11-17T16:35:13.995+00:00


JL 1021

de 18 de Novembro a 1 de Dezembro

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Luísa Costa Gomes: As Ilusões do Real
A escritora fala do seu novo romance, do 'espírito do tempo',
das linguagens contemporâneas e das relações com a Cultura

Isabel Alçada: A ministra que veio dos livros
Que desafios imediatos?
Textos de Roberto Carneiro, Júlio Pedrosa, G. d'Oliveira Martins e José M. Canavarro

Entrevista com Peter Handke e balanço do Estoril Film Festival

António Olaio, um artista no universo pop

Cristina Robalo Cordeiro, o último Lobo Antunes

Eunice Muñoz, a magia da grande actriz

Claude Lévi-Strauss, a paixão do outro

Helder Macedo, retrato do artista como cão

Ricardo Adolfo, Perdido na Tradução

Autobiografia de Nuno Crato



Bungee Jumping social

2009-11-05T18:47:04.941+00:00

Agora viver debaixo da ponte está ao alcance de todos. Há uma empresa sedeada na Holanda que propicia umas férias muito especiais. Por um preço nada simbólico, é oferecida a sensação de ser um sem-abrigo, nas ruas de Paris ou Londres. A organização distribui um cartão e assegura a segurança aos seus clientes. Como se não ter casa fosse divertido, e se colocasse a dúvida: vou para as Seicheles ou para debaixo de uma das pontes do Sena? Da mesma forma, no Brasil, fazem-se visitas guiadas às favelas. É a pornografia da pobreza, que, por algum motivo, seduz aqueles que não são pobres. Não para deixarem tudo e tornarem-se um deles, à imagem de um santo ou coisa assim, mas para ter uma experiência radical, como quem faz bungee jumping.

Um salto para o abismo, com a segurança do elástico que nos prende e nos puxa novamente para cima. Mas as sociedades são suficientemente acidentadas para podermos cair num precipício sem rede, nem corda, nem tempo para nos agarramos às paredes. O desemprego está a crescer, mais vale não brincar aos pobres. E nos Estados Unidos, terra de oportunidades onde se ‘cai na rua’ com uma facilidade incrível, vários blogues mostram que qualquer um pode ser um sem-abrigo.

O bungee jumping social tem como factor positivo, pelo menos, o interesse pelo Outro. Mesmo que seja uma curiosidade mórbida, para os dias que correm, não está mal. Há quem resolva o seu mal-estar com esse mundo de forma menos obscena. No documentário de Rui Simões, Ruas da Amargura, que agora se estreia em sala, encontramos algumas dessas personagens que habitam o submundo de Lisboa. E, lado a lado, uma série de voluntários que dedicam o seu tempo a ajudá-las. Sem fazer turismo.

Se a ideia é apenas conhecer melhor os jardins da cidade, mais vale fazê-lo de forma abrigada, como o eco-resort alternativo, de um só quarto, montado no Jardim da Estrela (ver www.dass.pt). Quanto ao resto, já se sabe: a rua não é sítio onde se more e é uma vergonha social não conseguirmos dar a volta a isso.




Amanhã nas bancas!

2009-11-03T19:32:39.274+00:00

JL 1020

de 4 a 17 de Novembro


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A BÍBLIA
As respostas de A. M. Pires Cabral, Alice Vieira, Gastão Cruz, José Agostinho Baptista, José Augusto Mourão, José Mattoso, Teresa Toldy e Vasco Graça Moura. Inquérito a propósito de Caim, de José Saramago.

A literatura como heterodoxia, por Carlos Reis


LUÍS SEPÚLVEDA
Sem sombra de esquecimento. Entrevista sobre o novo romance e sobre o Chile de Allende e Pinochet


Gabriela Canavilhas: quem é a ministra da Cultura


João Aguardela, tradição e vanguarda


Albatroz Azul, de João Ubaldo Ribeiro: texto de Juva Batella e entrevista


Francisco José Viegas lido por Miguel Real


Os novos filmes de Fernando Lopes e Pedro Costa


A autobiografia de João Paulo Borges Coelho



Jorge Pelicano: Fora da linha

2009-10-26T13:01:57.592+00:00

Com Pare, Escute, Olhe, Jorge Pelicano foi um dos grandes vencedores da 7.ª edição do DocLisboa, ao receber três prémios na competição nacional: melhor longa-metragem, melhor montagem e melhor filme para o júri IPJ Escolas. É o culminar de uma intensa semana para o realizador de Ainda há Pastores?, já que o seu novo documentário foi ainda distinguido na XV edição do Festival Internacional de Cinema Ambiente de Seia, também em três categorias: Ambiente, Lusofonia e Juventude. O JL falou com Jorge Pelicano na sua última edição, num breve encontro que aqui republicamos.Depois do sucesso de Ainda há Pastores?, Jorge Pelicano regressa ao documentário com novo retrato do Portugal profundo. Em Pare, Escute, Olhe, o realizador viaja até Trás-os-Montes para descobrir uma região abandonada pelo poder central, em que o despovoamento é quem mais ordena. Aí encontrou uma população resignada, sobretudo com a notícia do fecho da linha ferroviária do Tua e a decisão política de se construir uma barragem. Neste cenário, Jorge Pelicano, 32 anos, jornalista da SIC, não hesitou: assumiu como sua a causa da salvaguarda da identidade da região. O documentário, que passa amanhã, quinta-feira, 22, às 22 horas, no Festival Cine Eco, de Seia, depois de ter estado na competição nacional do DocLisboa, é uma arma ao serviço dessa luta. Que terá desenvolvimentos em exposições fotográficas, concertos com a banda sonora original ou em outras intervenções públicas, numa cidadania que se faz de câmara de filmar na mão. É que a indiferença não faz parte do guião de Jorge Pelicano. Jornal de Letras: Este documentário surge na sequência dos acidentes ferroviários que têm vindo a ser noticiados, ou havia um interesse anterior?Jorge Pelicano: Quando comecei o projecto ainda não havia notícias dos acidentes (quatro, nos últimos dois anos), nem da barragem. Eu queria tratar o tema do despovoamento e a melhor forma de o fazer era falar das linhas ferroviárias encerradas, nomeadamente em Trás-os-Montes. Essa é a razão principal porque decidi trabalhar na linha do Tua.O despovoamento e um certo Portugal que está a desaparecer estão sempre presentes nos seus documentários. O que lhe interessa nesses temas? A perda de identidade. O objectivo deste filme é levar as pessoas a reflectir sobre o que é realmente importante para o nosso país. Se o progresso, se a possibilidade de termos regiões com a sua própria identidade, com transmontanos, alentejanos, ribatejanos. Porque nem tudo tem de ser igual. É por isso que o filme se chama Pare, Escute, Olhe. Numa sociedade em constante mutação como a nossa, é importante de vez em quando pararmos, escutarmos as pessoas e olharmos para o que temos. E, a partir daí, estabelecer prioridades.Nesse sentido, é uma reflexão sobre os últimos 35 anos de Democracia a partir deste caso concreto?Sim. E por isso um filme mais político. Porque devíamos mesmo estabelecer essas prioridades e pensar para onde vamos, para onde queremos ir. Um exemplo: daqui a 20 ou 30 anos, as aldeias de Trás-os-Montes vão estar completamente despovoadas. O que ainda vamos a tempo de evitar. Mas os políticos, que estão sempre a falar em desertificação, contribuem para que isso aconteça, como se mostra no filme. Mais uma vez, a barragem do rio Tua vai trazer electricidade para o litoral à custa do interior.Este é um documentário que não receia tomar partido?Exactamente, isso é muito claro. Para mim, o documentário deve ser uma arma. Chamar à atenção e pôr o espectador a pensar. Pare, Escute, Olhe é totalmente parcial. É uma defesa da [...]



Gabriela Canavilhas, Pianista de causas

2009-10-23T16:30:08.205+01:00

A pianista e gestora cultural Gabriela Canavilhas será a partir de segunda feira, dia 26, a nova ministra da Cultura. Quando estava à frente da Associação Música - Educação e Cultura, entidade que gere a Orquestra Metropolitana de Lisboa o JL traçou-lhe o perfil que agora aqui republicamos.É uma das mais talentosas pianistas portuguesas. Apaixonou-se pela obra de Schubert, mas foi a tocar música de câmara de compositores portugueses que fez escola. Depois de ter editado sete álbuns e passado por muitos palcos nacionais e internacionais, aceitou, em 2003, ficar à frente dos destinos da Associação Música – Educação e Cultura, que gere a Orquestra Metropolitana de Lisboa (OML). Gabriela Canavilhas, 46 anos, é uma pianista de causas. Acredita que os artistas têm um papel social importante e sempre o tomou nas mãos ao defender as obras de compositores portugueses. Na OML quer subir a fasquia e conta ao JL os planos para o futuroFoi o cheiro do primeiro piano em que tocou que lhe guiou os passos. O perfume ficou-lhe colado à pele, à memória e ao coração. Hoje, sempre que pensa nas notas de uma partitura, inspira, e recorda o aroma desse instrumento «antigo, preto, nobre». Gabriela Canavilhas tinha então 12 anos e acabava de receber a sua primeira aula no Conservatório de Ponta Delgada, com a professora Natália Silva. Não começava cedo. «Nos Açores, ter uma formação musical não era tão vulgar quanto isso. Mas tive pais atentos que resolveram pôr-me a estudar.» Podia ter sido apenas um complemento da sua educação, mas acabou por revelar-lhe o verdadeiro talento. Nessa primeira aula, desconhecendo ainda o nome das notas, tocou com a professora uma peça a quatro mãos. E a pouco e pouco a linguagem musical foi sendo cada vez mais fácil de falar – embora reconheça que se tivesse começado mais cedo poderia ter chegado mais longe como instrumentista. «É determinante começar cedo até para moldar o físico ao instrumento. Além disso, as obras que se aprendem nessa altura, ficam consolidadas no corpo de uma forma muito mais intensa do que as que se estudam depois dos 25 anos.»A adolescência foi um tempo cheio de actividades musicais, mas não só. Com as duas irmãs teve aulas no atelier de uma pintora, onde aprendeu a misturar pigmentos, a preparar telas, a segurar nos pincéis e todas as muitas técnicas da arte. A sua irmã mais velha, hoje poetiza e pintora, «estava ligada a tudo quanto era movimento radical e, sempre que havia algo que fosse um corte na tradição, lá estava ela. E levava as irmãs.» Os pais – pai militar, e mãe professora – a tudo assistiam sem grandes interferências. «Em plenos anos 70, estávamos entregues a nós próprias, com o apoio da família, mas com a liberdade para crescer e conhecer o mundo.» O universo da música começara a tornar-se cada vez mais sério para Gabriela e a irmã mais nova – hoje também pianista, a viver na Noruega – mas, como diz entre risos, «os pais só se aperceberam disso quando começaram a ver o nosso nome nos programas dos concertos.»Acabado o liceu, sempre com boas notas, partiu da ilha rumo ao Curso Superior de Piano do Conservatório de Lisboa. Tinha 17 anos e a viagem não a assustava. Nascida em Angola – por acaso, durante uma comissão do pai – sempre se sentiu 100% açoriana e por isso herdeira de uma tradição de «cidadãos do mundo». «O facto de vivermos no meio do mar, com laços estreitos com os Estados Unidos e o continente, faz com que estejamos em permanente viagem, o que facilita muito a circulação. Vir estudar para Lisboa [...]



Uma escola que seja sua

2009-10-22T12:35:49.743+01:00

Gostava de escrever isto de forma a não vos sobressaltar, mas não há maneira: em 2006, no Afeganistão, um director de escola foi decapitado diante da família por um grupo de homens armados. Cometera o «crime» de afrontar uma das leis fundamentais dos talibãs, dando aulas a meninas. No dia seguinte foi preciso explicar o sucedido a estas crianças: não “apenas” o horror da execução, como também o facto, irremediável, de que mais ninguém ousaria levá-las à escola.
Infelizmente, o Afeganistão está longe de ser o único país a favorecer deliberadamente o analfabetismo feminino. Segundo o relatório da ONG Internacional Save the Children, em 70 países do planeta boa parte das meninas são obrigadas a entrar no mercado de trabalho em plena infância. Na Etiópia ou na Nigéria, três quartos das alunas têm de deixar a escola para dar lugar aos rapazes. Mesmo na China, gigante industrial, o índice de sub-escolarização das raparigas é muito elevado. Estima-se que, ao todo, haja no mundo cerca de 200 milhões de meninas impedidas de frequentar a escola.
O que estes governos parecem não entender, para além do respeito pelos direitos humanos mais elementares, é que, como demonstram todos os estudos, o livre acesso do sexo feminino à escola está directamente associado à baixa dos índices de subnutrição, mortalidade infantil, propagação da SIDA e a uma melhor situação económica. Em contrapartida, uma jovem sem escolaridade está muito mais susceptível à pobreza, aos casamentos forçados, à violência sexual e aos maus tratos e tem muito mais possibilidade de criar filhos analfabetos, subalimentados, vítimas de doenças crónicas.
Como travar este flagelo? Em 2000, 189 países assinaram a Declaração Milénio, lançada pelas Nações Unidas, com vista à obtenção da paridade escolar em 2015. Oito anos decorridos, será esta uma meta realista? Três regiões do mundo assinalam ainda atrasos importantes: o Médio Oriente e o Norte de África, a África Ocidental e Central e no Sudeste asiático. Como se escreve no estudo encomendado pela UNICEF, The Gap Report – Gender achievements and prospects in Education, «já falhámos o objectivo da paridade em 2005, não podemos fazê-lo também em 2015.» No primeiro mundo, em que as mulheres ainda enfrentam tantos «obstáculos de cristal» (na política e no quotidiano laboral, por exemplo), não se pode continuar a olhar esta causa como uma acção de caridade ou beneficiência. No mundo globalizado deixou de haver lugar para exotismos. As ondas de choque provocadas pela borboleta, que bate as asas na China, são cada vez mais fortes.



Nas bancas!

2009-10-21T12:57:21.431+01:00

JL 1019
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José Saramago, o Peso de Deus

Caim, lido por Miguel Real

Entrevista com o romancista

Reportagem do 'Escritaria' dedicado ao Nobel português

João Tordo, Prémio Saramago: «Uma responsabilidade para o futuro»


Herta Müller, Nobel da Literatura: Escrever a Ditadura

Texto de Mª Teresa Dias Furtado

Depoimentos de Teresa Salema e João Barrento

Crónica de Alexandre Pastor


Sérgio Godinho, Fausto e José Mário Branco juntos e ao Vivo


J. P. Borges Coelho, Prémio Leya


A reabertura do Teatro da Trindade


Jonas Mekas no Doc: «O cinema será sempre novo»


Carlos Reis: A língua portuguesa e Lídia Jorge


Entrevista com Jean Daniel


A autobiografia de Zuenir Ventura


JL/Educação:

Ensinar o Ambiente

Que mudanças no Estatuto da Carreira Docente?


Camões • Agenda Cultural





Prémio Leya

2009-10-13T21:10:41.118+01:00

João Paulo Borges Coelho, com o romance O Olho de Hertzog, é o vencedor da 2.a edição do Prémio Leya.



Seu Jorge ao vivo num planeta qualquer

2009-10-10T19:43:09.174+01:00

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«Me dá uma cerveja para molhar as palavras», disse esta noite Seu Jorge, no Campo Pequeno, num concerto onde tudo aconteceu. O brasileiro entrou em palco acompanhado por 14 músicos (que exagero!), disposto a fazer dançar a assistência bem composta, com os seus ritmos quentes que oscilam entre o samba, o funk e o hip-hop. Pelo caminho, uma desgarrada de pandeiretas, versões de Bowie em português, o público a cantar em coro os hits, e uma rapsódia de Carnaval (com direito a Mamãe eu Quero....). Ah e houve ainda espaço para que o João Vargas pedisse em casamento a Ana. E tudo o resto são cantigas. Amanhã, dia 10, repete no Porto.




Herta Müller, segundo Gonçalo M. Tavares

2009-10-08T12:45:53.718+01:00

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A propósito da atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Herta Müller aqui republicamos a coluna Biblioteca, de Gonçalo M. Tavares, do JL n.º 1009, precisamente dedicada à escritora e poetisa alemã.



Amália nunca cantou Guerra Junqueiro

2009-10-07T14:04:09.104+01:00

Penas é de Fernando CaldeiraComo a propósito do 10.º aniversário da morte de Amália se tem repetido erroneamente que Guerra Junqueiro foi o primeiro poeta erudito que Amália cantou, republicamos o nosso artigo de 2005, onde se demonstra por A + B que a grande fadista nunca cantou tal poeta O erro repetiu-se ao longo de décadas. Amália nunca cantou Guerra Junqueiro. O famoso poema Penas, que a fadista cantou no início da carreira, sobre o Fado Bacalhau, é da autoria de Fernando Caldeira, um outro poeta seu contemporâneo. Quem, em carta ao nosso jornal, revelou o facto foi Maria Cristiano Moniz Ribeiro, uma atenta leitora , apaixonada por Amália, que tem quase 1400 gravações da fadista. O JL confirmou que o poema não é de Junqueiro, com a especialista da obra do poeta, Manuela Rêgo, e com a Casa-Museu Guerra Junqueiro, no Porto. Dentro do espólio não foi encontrado qualquer escrito que se assemelhasse. Fica assim desfeito um erro que se tem repetido ao longo dos anos. Em sucessivas edições de discos (incluindo a que o nosso jornal recentemente publicou) e em textos teóricos de ilustres especialistas em fado, o poema aparece sempre atribuído ao poeta portuense. O que é perfeitamente compreensível, pois, passando uma vez a informação errada, é natural que os teóricos do fado não se dediquem a verificar a autenticidade da autorias da diversas letras. Fernando Caldeira foi assim o primeiro poeta erudito que Amália cantou, logo em 1947. Terá descoberto o poema numa página de jornal, quando viajava para o Brasil. O fado, de resto, acabou por ser gravado apenas em terras de Vera Cruz e só posteriormente chegou a Portugal (diz-se que o dono do Café Luso não queria que Amália editasse em Portugal, porque tinha medo que os admiradores assim deixassem de ir vê-la ao vivo). Maria Cristiano desconfiou do equívoco logo de início, mas não quis expor a situação com medo de prejudicar Amália: «Quando, em Angola, em 1958, comprei discos da Amália vi, num 78 rpm, que o fado Penas vinha atribuído a Guerra Junqueiro disse ao JL. Estranhei, mas não me competia desfazer o erro; e, no meu pouco contacto com ela, não me atrevi a chamar-lhe a atenção. Mas quando em 2001 se começou a falar no Panteão e na 'coincidência' de o túmulo dela ser ao lado de Guerra Junqueiro 'o primeiro poeta erudito que ela cantou', achei demais que ele ficasse com os louros que são Fernando Caldeira (...)». E chamou a atenção de várias personalidades, entre as quais Vítor Pavão dos Santos: «Como tenho visto recorrer-se a ele para quase tudo o que se queira fazer sobre Amália, escrevi a esse senhor e mandei-lhe fotocópias do livro; ele telefonou-me dizendo que 'não valia a pena falar no erro'». Contudo, posteriormente, como explica a Maria Cristiano, o biógrafo reincidiu, no booklet de um vídeo dedicado a Amália: «Na página nove do livrinho que acompanha os vídeos, diz o Vítor Pavão do Santos que «julga que Amália deveria voltar a cantar Guerra Junqueiro». Mas de quem é o erro? Nem Maria Cristiano nem o JL conseguiram descobrir o original da publicação consultada pela fadista, mas, das duas uma, ou Amália enganou-se a ler ou o jornal enganou-se a escrever. Maria Cristiano avança com uma tese: «A minha teoria é que os brasileiros arredados da nossa literatura erroneamente achavam que não existia o tal Fernando Caldeira e substituír[...]



Nas bancas!

2009-10-07T12:33:02.898+01:00


JL 1018
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AMAR AMÁLIA

No 10º aniversário da sua morte, dez ‘olhares’ sobre a diva, com textos e testemunhos de, entre outros, Bruno de Almeida, David Ferreira, Fernando Dacosta, Jorge Fernando, Nuno Vieira de Almeida, Tiago Torres da Silva e Vasco Graça Moura


ANTÓNIO LOBO ANTUNES: A VIDA TODA

Entrevista (sobre o novo romance) de Luís Ricardo Duarte


A ARTE NOS ANOS 70

O que vai ser a grande exposição na Gulbenkian • Histórias de uma década experimental


Figura: Anália Torres • Os bastidores da ópera Crepúsculo dos Deuses • Pré-publicações de João Ubaldo Ribeiro, F. J. Viegas, João Miguel Fernandes Jorge e Mário Zambujal • O que ver no DocLisboa • A autobiografia de Emília Nadal