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The talk of the continent



 



Após as eleições no Reino Unido: Uma “Brexit” colocaria a Europa em perigo

Sat, 16 May 2015 20:07:30 +0100

Após as crises no Mediterrâneo e na Ucrânia, surgiu agora “outro problema existencial notório” na frente ocidental da Europa, escreve Natalie Nougayrède no The Guardian. O sucesso do Partido conservador nas eleições legislativas do Reino Unido na semana passada suscita sérias questões para a União Europeia.

O primeiro-ministro David Cameron, recentemente reeleito com uma escassa maioria, é em grande parte responsável por determinar se o Reino Unido se mantém unido e integrado na UE, defende Nougayrède. Cameron prometeu a renegociação da adesão do Reino Unido à UE, mas arrisca-se a desapontar os eurocéticos na preparação de um referendo nacional sobre a questão.

Ninguém – em Berlim, Paris ou outro lado qualquer – quer embarcar num penoso processo de alteração dos tratados da UE. É com razão considerado um jogo de alto risco para toda a construção europeia.

O êxito eleitoral de Cameron é a prova de que este resistiu à tempestade da crise económica melhor do que qualquer outro líder europeu. Este junta-se agora a Angela Merkel como um dos “poucos sobreviventes políticos” na UE, uma posição que lhe deverá dar um capital político considerável. Apesar disso, Cameron cedeu às demandas populistas para restringir o direito à livre circulação de pessoas, “um dos pilares da UE”, o que prejudica a sua credibilidade na cena europeia.

Os responsáveis políticos europeus não sabem como tudo isto se vai desenvolver. Não se sabe até que ponto o UKIP, um partido extremamente eurocético, influenciará a posição de Cameron. É também uma incógnita o número de eurocéticos do seu próprio partido. Além disso,

os aliados [da Grã-Bretanha] estão confusos quanto à forma como o país poderá redescobrir as vantagens de fazer parte de uma maior iniciativa europeia e reivindicar um papel para si mesmo nesse clube.

Nougayrède adverte contra a atitude ofensiva para com a União Europeia, muitas vezes demonstrada durante a campanha eleitoral, porque “há muito em jogo e muito a perder” se a Grã-Bretanha sair da União. Existe um risco muito real de uma secessão escocesa. Além disso, sem a Grã-Bretanha a UE perderia um parceiro político e económico chave.

Se a Europa perder a Grã-Bretanha, corre o risco de se autodestruir. Por sua vez, se a Grã-Bretanha sair da UE, terá de navegar por águas desconhecidas e arrisca-se a tornar-se um pequeno e insignificante ator num mundo globalizado.

A classe política da Grã-Bretanha, e especialmente Cameron, deve assegurar que o debate nacional sobre a adesão à UE ocorre de forma construtiva e informada, sem o alarmismo e o jingoísmo que tem dominado a política britânica. Nunca o risco foi tão elevado, conclui Nougayrède.




Investigação: Uma difícil conversão financiada pela UE para o aeroporto utilizado pela CIA

Thu, 14 May 2015 10:56:11 +0100

euobserver.com, Bruxelas – Um pequeno aeroporto utilizado pela CIA para enviar prisioneiros raptados para "locais secretos" da agência recebeu mais de 30 milhões de euros em fundos da UE para ser convertido num aeroporto internacional. No entanto, pode nunca vir a ser viável, uma vez que se espera tráfego suficiente em breve. Ver mais.



Eleições presidenciais na Polónia: “Duda bate o presidente”

Mon, 11 May 2015 16:47:13 +0100

Andrzej Duda, o candidato do partido conservador da oposição Direito e Justiça (PiS), venceu a primeira volta das eleições presidenciais, no dia 10 de maio. Algo “surpreendente”, escreve o Gazeta Wyborcza, que acrescenta que Duda obteve 39,69% dos votos. O presidente cessante, Bronisław Komorowski, apoiado pela Plataforma Cívica, o partido de centro-direita no poder e que era apontado como favorito, obteve 29,14% dos votos. O candidato independente e antiga estrela do rock, Paweł Kukiz, obteve 21,28%.

“É um grande aviso para toda a equipa no poder”, declarou Komorowski, que enfrentará Duda na segunda volta das eleições no próximo 24 de maio. Para a maioria dos comentadores, o resultado da primeira volta constitui “um balde de água fria” para Komorowski e os seus aliados e poderá provocar um “sismo político” na Polónia, antes das eleições legislativas deste outono.

Adam Michnik, diretor do diário de centro-esquerda Gazeta Wyborcza afirma, por sua vez, que

a primeira volta indica que a Polónia poderá voltar a acabar nas mãos de pessoas irresponsáveis e incompetentes.




Hungria: A extrema-direita entra no Parlamento

Tue, 14 Apr 2015 13:56:24 +0100

O partido de extrema-direita Jobbik venceu as eleições legislativas parciais da cidade de Tapolca, no dia 12 de abril, obtendo assim o seu primeiro lugar no Parlamento durante um escrutínio uninominal. O seu candidato, Rig Lajos, obteve 35,3% dos votos, perante os 34,4 do candidato do partido do Governo de Viktor Orbán, o Fidesz. “A estratégia do partido no poder acaba de ser destruída e não pela esquerda, mas pela direita”, analisa o diário de Budapeste Magyar Nemzet. O jornal, cuja manchete diz: “A mudança que vem da direita”, acredita que “há um vento de mudança no poder”. Na corrida às eleições legislativas de 2018, o Fidesz já se vê ameaçado por um Jobbik que até agora ainda não tinha passado dos 20%. Para este jornal, muito próximo do Fidesz,

mesmo que a massa crítica do eleitorado esteja descontente com com as recentes medidas do Governo – taxas sobre a Internet, corrupção, aproximação à Rússia –, esta ainda não confia totalmente no Jobbik. Mas é necessário reconhecer que, enquanto o discurso de extrema-direita tenha tido uma certa repercussão, a direita que se encontra no poder não conseguiu mobilizar-se.




Manifestações contra Orbán em Budapeste: Governo acusado de corrupção em matéria nuclear

Tue, 10 Mar 2015 10:25:53 +0100

Há mais de um ano que as manifestações contra o primeiro-ministro Viktor Orbán e a sua política nacionalista se multiplicam em Bucareste. No passado dia 8 de março, informa o Magyar Narancs, os húngaros saíram novamente às ruas da capital para denunciar a corrupção do poder e exprimir o seu descontentamento face a uma nova medida controversa: a 3 de março, o Parlamento votou uma lei que estende de 15 para 30 anos o período durante o qual os detalhes do acordo assinado com a Rússia no dia 17 de fevereiro no domínio nuclear civil serão cobertos pelo segredo de Estado.

“Mocskos Fidesz!” (“Este Fidesz é sujo!”, o partido de Orbán), gritaram os milhares de pessoas que se manifestaram no domingo apelando à oposição, enquanto, prossegue o semanário, se lia “Este Governo é corrupto” em cartazes.

O acordo incide sobre um empréstimo de 10 mil milhões de euros concedido pela Rússia à Hungria para cobrir 80% dos custos da construção de dois novos reatores para a central de Paks. Realizada pela sociedade russa Rosatom, é a única no país e fornece eletricidade a cerca de 40% da Hungria.

Embora o Governo invoque “razões de defesa”, observa o site Hu-lala.org, a oposição estima que

se trata de ocultar um verdadeiro caso de corrupção. Enquanto a oposição exige ao presidente da República, János Áder, que submeta a questão ao Tribunal Constitucional, os manifestantes preparam-se para sair novamente à rua no dia 28 de março.




Hungria: “Putin está em cima de nós”

Wed, 18 Feb 2015 13:28:16 +0100

Ao escolher este título para apresentar as implicações da visita do dirigente russo a Budapeste, a publicação mensal de esquerda Magyar Narancs explica que “o Governo húngaro não podia rejeitar esta visita”, mas que “Moscovo também precisa da Hungria”. Para a revista de Budapeste, que não deixa de relembrar as manifestações que ocorreram na capital húngara na véspera da sua visita, no dia 17 de fevereiro, Putin “precisava de provar ao mundo inteiro que ainda existe um país europeu que o apoia”, já que se trata da primeira visita do presidente russo a um Estado-membro da UE após a aplicação de sanções contra Moscovo.

Quanto ao primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, este sublinhou que “mesmo que a Hungria não apoie as sanções, a paz na Ucrânia é um pré-requisito para restabelecer as boas relações entre a UE e a Rússia”. Putin, que está isolado do plano internacional e que enfrenta dificuldades para encontrar novos mercados para os seus bens e serviços, assinou vários acordos económicos com Budapeste, no domínio energético, nuclear, universitário e da medicina.

Para compreender melhor a Hungria de Viktor Orbán, leia o nosso dossiê.




Resgate da Grécia: “Ultimato do Eurogrupo”

Tue, 17 Feb 2015 10:58:29 +0100

“Eurogrupo dá a Grécia apenas alguns dias para assinar uma extensão” do resgate atual, escreve o I Kathimerini na sua edição em inglês. O Governo grego têm agora até sexta-feira, dia 20 de fevereiro, para decidir se chega a acordo com o Eurogrupo relativamente a uma extensão do plano de resgate “ou se enfrenta a possibilidade de perder os fundos pendentes”, após a reunião dos ministros das Finanças da zona euro, na passada segunda-feira, ter terminado sem um acordo entre a Grécia e os seus parceiros. No entanto, o diário grego mostra-se otimista quanto a um possível resultado positivo nos próximos dias, uma vez que o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis,

acredita que se poderá chegar brevemente a um acordo que permitirá à Grécia preservar o seu empréstimo durante os próximos quatro meses sob determinadas condições. A coligação dirigida pelo Syriza espera que isto confira à Grécia e aos seus credores tempo suficiente para negociar um acordo mais amplo que inclua a redução da dívida.




Grécia e a austeridade: Os frágeis revolucionários de Atenas

Tue, 10 Feb 2015 12:56:15 +0100

Embora tenha chamado Ernesto ao seu filho mais novo e, recentemente, tenha pendurado um cartaz de Che Guevara na parede do seu escritório, Alexis Tsipras não está disposto a alimentar a chama da revolução, revela o Newsweek Polska. Não é um “ideólogo cego, mas um excelente estratega que adora jogos políticos”, acrescenta o semanário, realçando que o novo líder grego preencheu de forma habilidosa o vazio criado pelo colapso do sistema bipartidário de longa duração na Grécia. Tal como explica o histórico e sociólogo grego Iannis Carras,

o seu principal trunfo é o facto de muitos gregos o verem como um político que se ergueu e defendeu o país. É por isso que Tsipras vai continuar a usar a retórica patriota e nacionalista partilhada pelos partidos gregos de direita e de esquerda.

Contudo, Tsipras não conseguirá cumprir as “promessas irrealistas que fez durante a campanha eleitoral”, mesmo que tenha começado a desmantelar algumas das reformas do seu predecessor, ao suspender o processo de privatização do porto de Pireu e do fornecedor de energia DEI, bem como ao aumentar o salário mínimo e planear a reintegração de alguns funcionários do setor público que tinham sido despedidos. Os especialistas estimam que o custo das promessas de Tsipras ascenda aos 10 mil milhões de dólares, dinheiro que a Grécia não tem.

É por esse motivo que, defende o Gazeta Wyborcza, o novo ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, apresentou um plano de recuperação crucial para a sobrevivência do Governo baseado em quatro pontos. Este implica uma ligação dos juros da dívida pública ao crescimento do PIB, a continuação de reformas mas “a laser e não à faca”, o estímulo do investimento por parte do Banco Europeu de Investimento, não apenas na Grécia mas em toda a Europa e, finalmente, a criação de um novo programa de assistência social na zona euro.

Os fatores chave do plano dependem do consentimento dos seus parceiros europeus e de Bruxelas, motivo pelo qual Tsipras e Varoufakis têm percorrido de forma incansável o continente em busca de apoio e de aliados. Quando questionado sobre o que aconteceria se os líderes europeus e a Comissão rejeitassem as suas propostas, Varoufakis admitiu que, nesse caso, “a morte seria melhor”.

Não admira, portanto, que Tsipras tenha suavizado a sua retórica revolucionária antes do confronto final com a chanceler alemã. No entanto, o Newsweek Polska realça que Angela Merkel parece atualmente menos disposta a ceder do que em 2012, quando temia que o colapso da Grécia pudesse resultar no desmoronamento da zona euro.

Atualmente, a chanceler alemã está mais inclinada para aceitar a teoria do elo mais fraco, isto é, livrar-se do fardo do membro mais fraco pode ajudar a zona euro. As negociações entre Atenas e Berlim serão extremamente difíceis. Um dos jornalistas alemães disse-o sem rodeios: “Merkel livrou-se de todos os seus inimigos internos e externos, a começar por Helmut Kohl. Facilmente se livrará de Tsipras”.




Grécia: “Tsipras critica o presidente europeu Tusk”

Wed, 28 Jan 2015 16:04:25 +0100

“A Grécia, liderada pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras, pode tornar-se uma pedra no sapato da União Europeia, tanto a nível político como económico”, uma vez que o líder grego se opõe a mais sanções da UE contra a Rússia, escreve De Standaard.

O presidente do Conselho da UE, Donald Tusk, viu-se numa “posição incómoda” quando o novo Governo de Atenas anunciou ontem ao fim da tarde que não apoia a sua declaração sobre o conflito na Ucrânia e o ataque a Mariupol por alegados rebeldes pró-russos, onde morreram, pelo menos, 100 civis no último fim de semana. Nessa mesma terça-feira, o presidente Tusk pediu aos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE que proponham novas sanções contra a Rússia na reunião de quinta-feira. O Governo grego declarou que Tusk devia ter contactado Atenas antes de enviar a declaração. Segundo o diário de Bruxelas, Tsipras é “um possível aliado de Putin”: a primeira pessoa com a qual se reuniu após ter sido designado primeiro-ministro na segunda-feira foi o embaixador russo.




As eleições vistas da Grécia: “Um novo capítulo na história grega”

Tue, 27 Jan 2015 08:26:03 +0100

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“Syriza 36,3%: a Grécia vira a página”, titula o diário Ta Nea. 1732 dias após o memorando sobre o resgate financeiro do país, a esquerda chega ao poder. Num editorial, consagrado à vitória, o jornal afirma que este é o primeiro escrutínio do “não” às políticas dos resgates e o primeiro “sim” às políticas das alternativas que não levarão o povo à miséria:

O Syriza, que pouco antes do memorando travou uma batalha para entrar no Parlamento, atravessou a vaga de antiausteridade, transformou-se, amadureceu e conseguiu tornar-se numa corrente maioritária de mudança.

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Para o I Kathimerini, é agora apresentada uma “nova cena política com a vitória do Syriza”. O jornal recapitula os três pilares do programa de Alexis Tsipras: “a anulação do memorando, a restruturação da dívida e reformas”. O novo Governo demorará algum tempo a discutir com as instituições nacionais antes de iniciar qualquer negociação com a zona euro e o FMI.

Alexis Tsipras deixou uma mensagem de união ao referir-se à vitória dos gregos. Para começar a combater as feridas deixadas pela crise, anunciou que as suas prioridades para os próximos dias são a restauração do domínio popular, a restituição da Justiça, a rejeição das patologias adquiridas e a promoção de reformas radicais.




Eleições na Grécia – visto da Europa: “Atenas não tem interesse em perder o apoio da UE”

Mon, 26 Jan 2015 20:09:16 +0100

Liderado por Alexis Tsipras, de 40 anos, o Syriza obteve 36,3 por cento dos votos e 149 dos 300 lugares do Parlamento. O partido anunciou que irá formar uma coligação com o partido de direita populista Gregos independentes.“Grécia move-se para a esquerda, titula o diário alemão de esquerda Die Tageszeitung, ilustrando em primeira-página um mapa do Mediterrâneo com a Grécia a mover-se para o oeste da Itália. A “Grécia votou democraticamente. O resultado deve ser respeitado”, escreve Klaus Hillenbrand, acrescentando que a votação traz tanto “oportunidades como riscos”.[A vitória] poderá permitir à Grécia libertar-se do nepotismo e da corrupção. […] O Syriza não pode evitar negociar com os credores europeus. A Grécia entraria em falência em poucos meses. […] Mas a Europa deve encarar estas negociações com seriedade.Ao abordar em primeira página a “Mudança histórica da Grécia para a esquerda”, o diário conservador alemão Die Welt escreve que a “Grécia precisa urgentemente de um Governo que funcione”. Está agendada uma reunião dos ministros das Finanças da zona euro para hoje em Bruxelas:os especialistas estimam que o Syriza não continuará numa rota de colisão com os credores. […] Os analistas do Commerzbank acreditam que Atenas não tem interesse em perder o apoio da UE, o que faz com a saída da Grécia do euro seja pouco provável.Em Espanha, o El Periódico titula “A Grécia está farta” realçando o facto de os “gregos terem dito, alto e bom som, ‘não’ à austeridade”. Em Bruxelas, “depois de terem lançado todo o tipo de alertas, prepararam-se para a vitória do Syriza, sem querer regressar à mesa de negociações, tal como desejado pelo partido de Tsipras”, escreve o diário de Barcelona, segundo o qual,ninguém quer que Atenas abandone o euro. O nível da dívida é indubitavelmente elevado, mas existem meios de prolongar os prazos e negociar reduções, desde que não sejam confundidos com cancelamentos. A UE sabe como ser pragmática e Tsipras também provou que é capaz de o ser ao moderar o seu discurso. […] Apenas o tempo dirá se esta é a mudança que tanto a Grécia como a Europa precisam. Para já, a indignação deu lugar à esperança.No Reino Unido, o The Independent afirma em manchete que a “Grécia e a Europa estão em rota de colisão após a vitória da esquerda”. O diário acrescenta que o conflito parece inevitável após a chegada ao poder de um partido antiausteridade e que o Syriza e a União Europeia podem conseguir chegar a acordo.Na teoria, um partido radical como o Syriza está numa posição bem mais vantajosa para introduzir reformas estruturais do que o Nova Democracia, o partido do agora antigo primeiro-ministro Antonis Samaras. Um dos problemas da Troika é que o facto de a mudança ser imposta pelo estrangeiro, nomeadamente pela Alemanha, fez com que as reformas necessárias perdessem legitimidade. Citando Tsipras, o diário de Bucareste Adevărul declara que a vitória do Syriza “é a de todos os povos da Europa”. No entanto, o jornal questiona “quando surgirá o populismo?”.Tsipras, uma estrela da cena política socialista, anarquista e populista na Grécia, tem agora a oportunidade de fazer tremer a Europa. Existem muitos “Tsiprases” na Europa, na esquerda e na direita. […] Mas o que significa a ascensão de Tsipras? Acima de tudo, significa que a partir do momento em que as pessoas sentem que as coisas não estão a melhorar, qualquer país pode acordar com um jovem político populista e antissistema na liderança do Governo.[...]



Eleições antecipadas na Grécia: Esquerda radical inquieta Bruxelas

Fri, 16 Jan 2015 10:52:45 +0100

As elites europeias sentem-se ameaçadas pela ascensão da extrema-esquerda, informa o Le Monde, segundo o qual, o partido radical Syruza pode vir a ganhar as eleições antecipadas do dia 25 de janeiro na Grécia. No entanto, a República Helénica está longe de ser o único país da Europa onde “a esquerda da esquerda” está em ascensão. Na verdade, indica o diário,

a poucos milhares de quilómetros de Atenas, em Espanha, a formação de extrema-esquerda eurocética Podemos prepara-se para as eleições legislativas de 2015 e tem hipóteses de ganhar. […] Em Portugal, no Chipre e na Irlanda, os movimentos de extrema-esquerda também seduzem os eleitores esgotados por uma austeridade vinda “de cima”, desde Bruxelas, e nostálgicos de um Estado-providência generoso.

O diário explica que estes movimentos da esquerda radical estão a modernizar-se, “deixando os temas mais obsoletos para se focar na opressão exercida pela Europa e o FMI”. O diário salienta que na Grécia e em Portugal foram “os primeiros-ministros socialistas que assinaram acordos com a troika, o que explica por que muitos eleitores, que se sentem atraiçoados pela esquerda moderada, se estão a inclinar agora para a extrema esquerda. No entanto, mesmo que os seus líderes tenham “um discurso agressivo contra Bruxelas”, não se opõem à UE enquanto tal, uma vez que “a sua ideia é transformá-la”. Este caracter pró-europeu poderá muito bem levar a uma perda de influência, favorecendo “a direita populista”, conclui o Le Monde.




Itália: “Novo presidente no final do mês”

Thu, 15 Jan 2015 13:45:06 +0100

O presidente italiano Giorgio Napolitano apresentou a sua demissão no dia 14 de janeiro, informa o La Repubblica. Com quase 90 anos, Napolitano declarou na sua última mensagem de Ano Novo que estava consciente das “limitações e dificuldades crescentes” provocadas pela sua idade e que se iria resignar no final da presidência rotativa da UE da Itália, que terminou no dia 13 de janeiro.

O agora senador vitalício foi eleito em 2006 e reeleito em 2013, um caso único em Itália.

O Parlamento, juntamente com os representantes das 20 regiões do país, deverá reunir-se para eleger o seu sucessor no dia 29 de janeiro. Entretanto, o presidente do Senado, Pietro Grasso, assegura a presidência interina, acrescenta o diário de Roma.




Eleições presidenciais na Croácia: “Kolinda no gabinete presidencial”

Mon, 12 Jan 2015 11:28:21 +0100

A candidata da União democrata croata (HDZ, nacionalista), Kolinda Grabar Kitarović, venceu com uma margem estreita as eleições presidenciais, com 50,74% dos votos, isto é, pouco mais de 20 mil votos de diferença do seu opositor, o presidente cessante, Ivo Josipović, informa o 24 Sata, em Zagreb. É a primeira vez que uma mulher é eleita como chefe de Estado na Croácia. Antiga ministra dos Negócios Estrangeiros e embaixadora em Washington, Kolinda Grabar Kitarović também foi assistente do secretário-geral da OTAN.

Os eleitores croatas que residem no estrangeiro tiveram muita influência no resultado, observa o diário: mais de 91% votaram a favor de Kolinda. A taxa de participação foi de 59,06%.




Ataque contra o Charlie Hebdo: “O 11 de setembro francês”

Fri, 09 Jan 2015 10:48:14 +0100

O Le Monde dedica a sua primeira página ao atentado de quarta-feira, dia 7 de janeiro, contra o semanário satírico que provocou 12 mortos e comenta o acontecimento com muita emoção no seu editorial:

Não há palavras que expressem a amplitude da onda de choque que atravessa a França, no dia seguinte ao ataque terrorista perpetrado contra o Charlie Hebdo. Um choque que, apesar de ter proporções completamente diferentes, nos relembra o sentimento vivido em todo o planeta a 11 de setembro de 2001.

O jornal aplaude o trabalho dos seus colegas assassinados, sublinhando que

durante vários anos e décadas, estes utilizaram a caricatura, o humor e a insolência para combater os fanatismos, atacar o fundamentalismo, denunciar a estupidez e ridicularizar as instituições.

Embora a redação do Charlie Hebdo se sentisse ameaçada, “nunca recuou, desistiu ou pestanejou”. Condenando o ataque, o Le Monde adverte contra a “armadilha” que “pretende exacerbar a divisão, a suspeita e a desconfiança que a sociedade francesa atravessa” e faz um apelo para que se “acabe com todas a associações entre os autores do atentado e a comunidade muçulmana”. O jornal saúda as reuniões espontâneas que ocorreram no dia do atentado num espírito republicano e conclui fazendo referência ao lema das manifestações de solidariedade na França e em todo o mundo: “Somos todos Charlie”.




Eleições antecipadas na Grécia: “Às terças o euro, às sextas o dracma”

Tue, 06 Jan 2015 20:46:12 +0100

A menos de três semanas das eleições legislativas na Grécia, o Der Spiegel questiona as intenções de Alexis Tsipras, o líder do partido esquerdista Syriza, principal candidato na campanha para formar o próximo Governo. A revista alemã observa mensagens contraditórias que deixam os observadores de toda a Europa “por vezes ansiosos e por outras perplexos”.

“O partido inteiro quer ver o país no euro”, declarou Tsipras, por exemplo. Mas formulou a sua declaração, acrescentando: “sob a condição de que a coesão social não seja ameaçada”. Noutra ocasião, disse que o euro não era “um fetiche” e que a Grécia não era “refém de ninguém”, seja qual for o seu significado. […] Os membros do atual Governo conservador afirmaram num tom irónico que as posições de Tsipras são muito claras. “Às terças, quintas e sábados quer ficar na zona euro, às segundas, quartas e sextas voltamos ao dracma, e aos domingos quer um referendo”, dizem.

Seja como for, a revista prevê que um Governo liderado por Tsipras seria comprometedor, uma vez que é pouco provável que o Syriza obtenha uma maioria parlamentar.

Os programas de ajuda à Grécia da UE e do Fundo Monetário Internacional expiram no fim de fevereiro. As negociações para formar um Governo de coligação irão provavelmente demorar mais tempo do que isso. Além disso, em Bruxelas, os diplomatas de alto nível têm a esperança de que a realidade económica e política acabe por impor-se aos ideólogos esquerdistas de Atenas.




Eleições antecipadas na Grécia: Uma grande coligação no horizonte

Mon, 05 Jan 2015 20:53:44 +0100

I Kathimerini, Atenas – Seja qual for o resultado das eleições do dia 25 de janeiro, a Grécia acabará por ser dirigida por um Governo de amplo consenso, uma vez que é a única forma possível de chegar a acordo com os seus credores, afirma o diretor executivo do I Kathimerini. Ver mais.



Estónia: E-residência para todos

Fri, 05 Dec 2014 14:51:21 +0100

Graças ao seu cartão de identidade inteligente, informa o The New York Times, os estónios têm acesso a cerca de 4 mil serviços, desde bancos e o registo de empresas a autorizações de pesca. Podem consultar registos de saúde e encomendar medicamentos sujeitos a receita médica a partir do smartphone. Quase todas as pessoas preenchem a sua declaração de impostos online em poucos minutos e cerca de um terço dos eleitores vota atualmente através da Internet. Desde dezembro, qualquer cidadão europeu e não europeu pode solicitar um cartão de e-residente na Estónia, explica Eesti Päevaleht, sob a condição de “que desloque, pelo menos, uma vez à Estónia para comprovar a sua identidade perante uma instituição nacional”. Em seguida, poderá aceder aos serviços através do portal e-estonia.com. O jornal também salienta que o cartão de e-residente é um documento semelhante ao bilhete de identidade. Mas, ao contrário deste último, que os cidadãos estónios e os residentes permanentes dos países transportam nas suas carteiras, não tem fotografia. Este cartão não lhes permite, portanto, comprovar a sua identidade no mundo real. Em contrapartida, pode ser utilizado no mundo virtual, para aceder aos e-serviços estónios e utilizar a assinatura digital. A e-residência não concede aos estrangeiros o direito de voto nas e-eleições, uma vez que este direito, observa o diário, é “reservado aos cidadãos estónios e residentes permanentes”. O jornal acrescenta que a e-residência será benéfica sobretudo para os empresários, trabalhadores ou estudantes que estão ligados à Estónia. Hoje em dia, as pessoas que não vivem na Estónia de forma permanente, mas visitam frequentemente o país, não têm acesso aos e-serviços. Mas, acrescenta, o facto de existir um cartão de identidade digital “cuja segurança é garantida pelo Estado estónio” também pode ser interessante para as pessoas que não têm nenhuma ligação direta com a Estónia, “daí a afluência à e-residência”. A transformação da Estónia em líder do e-governo foi alcançada “com um orçamento reduzido”, escreve o The New York Times: o país gasta cerca de 50 milhões de euros todos os anos nas tecnologias de informação. […] A maior parte do dinheiro é investido em empresas locais, as mesmas que nasceram em centros de investigação criados durante o período comunista. A decisão da Estónia de explorar a tecnologia digital deve-se, em grande parte, ao facto de não ter outra escolha. A queda da Cortina de Ferro deixou a Estónia com poucos recursos financeiros e uma população reduzida para recuperar a sua economia. Os responsáveis estónios aperceberam-se de que não podiam competir com os serviços ocidentais sem as novas tecnologias, incluindo a Internet. O sistema baseia-se em dois pilares, realça ainda o diário norte-americano: aos 15 anos, o cidadão estónio recebe um cartão de identidade, cujo microprocessador contém informações pessoais e permite o acesso aos serviços públicos e comerciais. Para proteger os dados, cada utilizador tem um código pessoal que deve introduzir em cada operação. O segundo pilar são as infraestruturas, as chamadas X-Road, que servem de ponte de ligação entre as bases de dados públicas e privadas e os serviços digitais. Todos os dados pessoais são armazenados em servidores separados protegidos por barreiras de segurança controladas por agências governamentais. Mas o sistema permite ao Estado e às instituições comerciais, como os bancos, trocar informações com a devi[...]



Eleições legislativas na Moldávia: Os pró-europeus mantêm-se e os pró-russos avançam

Mon, 01 Dec 2014 17:35:17 +0100

Segundo os resultados oficiais, a maioria cessante, pró-europeia e de centro-direita, venceu por pouco (44% dos votos contra 40% para os partidos pró-russos) as eleições legislativas do dia 30 de novembro.

Em termos de votos, o Partido Socialista é, no entanto, o grande vencedor deste escrutínio, com 21,6% dos votos, seguido pelo Partido Democrata-Liberal moldavo (19,3%) e o Partido Comunista com 17,83%. Mas, segundo o Ziarul National,

o mais importante, é que os liberais pró-europeus – o Partido Democrata-Liberal moldavo, o Partido Democrata e o Partido Liberal – conseguem juntos a maioria.

Por sua vez, o site moldavo russófono Panorama observa que nenhum partido independente conseguiu atingir o limite de elegibilidade de 6%. Quanto aos partidos pró-europeus

está claro que têm de pensar numa nova coligação, já que nenhum deles conseguiu os 51 lugares (num total de 101) necessários para a maioria absoluta. Juntos podem conseguir entre 57-58 lugares.

No site europalibera.org, o analista Iulian Ciocan estima por sua vez que esta foi uma votação in extremis que sanciona uma coligação no poder que se viu várias vezes envolvida em escândalos de corrupção:

temo que atrasaremos a nossa chegada ao mundo civilizado por mais um século, se os governantes não mudarem de atitude. Espero que 2015 seja o ano em que a justiça moldava saia do seu modo de hibernação.




Polónia: Manifestantes invadem gabinete eleitoral por atrasos nas eleições

Fri, 21 Nov 2014 14:54:13 +0100

Uma manifestação da direita radical levou à ocupação da Comissão Eleitoral Nacional (PKW) na Varsóvia, na quinta-feira à noite, interrompendo o processo de contagem de votos das eleições autárquicas escreve o Gazeta Wyborcza.

Além de apontarem para uma fraude eleitoral, os manifestantes pedem não só aos membros da PKW para renunciarem aos seus cargos, mas também a realização de novas eleições e a reforma da lei eleitoral, como resultado das informações caóticas que vieram na sequência da falha do sistema informático que atrasou a divulgação dos resultados da votação do dia 16 de novembro.

Segundo o colunista do diário, Jarosław Kurski, a ocupação do gabinete da PKW foi “o maior ato de terror contra a democracia nos últimos 25 anos”. Kurski culpa os líderes dos partidos da oposição, Direito e Justiça (PiS) e a Aliança da Esquerda Democrática (SLD), pelos “atos de vandalismo e pela anarquia cega” ao insinuarem que as eleições foram manipuladas e pedirem uma nova votação por motivos políticos. Os manifestantes foram removidos do edifício pela polícia durante a noite.

O Rzeczpospolita alerta para o facto de a PKW não estar pronta para as eleições parlamentares e presidenciais previstas para 2015, citando um relatório emitido pelo Gabinete Supremo de Auditoria que afirma que a PKW ainda não anunciou nenhum concurso para o sistema informático que irá suportar as votações do próximo ano.




Eleições autárquicas no Reino Unido: “A UE tem que mudar ou abandoná-la-emos”

Thu, 20 Nov 2014 12:04:07 +0100

Após a deserção do deputado conservador de Rochester e Strood, Mark Reckless, que aderiu ao partido independentista UKIP, esta circunscrição deve eleger um novo parlamento neste 20 de Novembro. No entanto, Mark Reckless tem grandes hipóteses de manter o seu lugar, uma vez que, segundo o The Daily Telegraph, “uma sondagem atribui 44% dos votos ao UKIP, 32% aos Conservadores e 17% aos Trabalhistas”.

O euroceticismo está a aumentar de tal forma entre os deputados do Partido conservador do primeiro-ministro que, segundo o diário britânico,

os estrategas eleitorais estimam que David Cameron “poderá recomendar a saída da UE, caso não sejam negociadas melhores condições para o Reino Unido. […] Os mais altos membros conservadores estão a pressioná-lo para enfrentar a ameaça do UKIP, mostrando claramente que está pronto para sair da UE caso Bruxelas se oponha a reformas essenciais que permitem ao Governo controlar a imigração.




Manifestações em Budapeste: "Uma coisa está certa: eles voltarão"

Wed, 19 Nov 2014 11:36:53 +0100

Cerca de 10 mil pessoas manifestaram-se em Budapeste e em várias outras cidades húngaras no dia 17 de Novembro para protestar contra o Governo de Viktor Órban na ocasião do “dia de indignação pública”. Ocorreram manifestações semelhantes em Londres, Estocolmo e Berlim. Qualificado de “nova oposição” pelo diário húngaro, este movimento pede a demissão do primeiro-ministro e de seis altos funcionários, entre os quais a chefe da agência de impostos, Ildiko Vida. A 5 de Novembro, esta confessou que figuravam numa lista de cidadãos húngaros proibidos de entrar nos Estados Unidos por suspeita de corrupção. Washington recorreu a esta medida depois de Orbán ter recusado sancioná-los.

É a segunda vez em menos de um mês que os opositores de Orbán saem à rua e, segundo o Népszabadság, “prevêem-se novas ações e iniciativas”.




República Checa: “O novembro de Zeman”

Tue, 18 Nov 2014 11:06:55 +0100

O presidente Miloš Zeman foi vaiado e atingido com ovos e tomates por várias centenas de opositores enquanto participava nas comemorações dos 25 anos da sublevação contra o regime comunista, no dia 17 de novembro, em Praga. Zeman fazia-se acompanhar dos chefes de Estado eslovaco, húngaro, polaco e alemão que, por sua vez, foram aplaudidos, indica o Lidové noviny.

Os críticos acusam Zeman de ter traído o compromisso em prol dos direitos humanos do “pai” da “Revolução de Veludo”, Václav Havel, ao mostrar o seu apoio à política do presidente russo Vladimir Putin na Ucrânia e contra o grupo punk russo Pussy Riot, bem como a favor dos dirigentes chineses, recorda o diário de Praga.




Vistos dourados em Portugal: “Saída de Miguel Macedo força Passos a remodelar o Governo”

Mon, 17 Nov 2014 11:43:11 +0100

A demissão do ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, no dia 16 de novembro, força o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho a remodelar o seu executivo, estima o Público.

Destabilizado pelo caso dos “vistos dourados” que rebentou quinta-feira, Macedo afirma querer “defender o Governo” e nega estar envolvido na atribuição de vistos de conveniência a grandes investidores, acrescenta o diário lisboeta, segundo o qual este

declarou que a sua autoridade enquanto governante ficou diminuída com o envolvimento de pessoas que lhe são próximas nas investigações que estão em curso e que visam alegados casos de corrupção na atribuição dos vistos gold.




Lux Leaks: “Os paraísos fiscais comprometem a solidariedade”

Wed, 12 Nov 2014 18:10:32 +0100

“Não se podem tolerar os paraísos fiscais na Europa. Desta forma, alguns países roubam as receitas de outros Estados”, sublinha o Rzeczposopolita após o escândalo Luxembourg Leaks. As perdas dos Estados-membros associadas à evasão fiscal estão na ordem dos 150 mil milhões de euros por ano.

Segundo o diário de Varsóvia, o interesse fiscal de toda a União deveria prevalecer sobre o interesse de um só país: “a Polónia devia exigir particularmente a intensificação da luta contra a evasão fiscal, que se apresenta como uma otimização fiscal agressiva”.

Além disso, acrescenta que

na Europa ocidental, a Polónia é frequentemente considerada um paraíso fiscal devido às reduções fiscais de que as empresas podem beneficiar ao investir em zonas especiais. No entanto, esquecem-se de que para pagar menos impostos no nosso país (que estão longe de ser os mais baixos da Europa), é preciso criar uma empresa, investir capital e arriscar. No Luxemburgo, basta contratar um advogado.




Catalunha: “Após o 9 de novembro, nada voltará a ser como dantes”

Mon, 10 Nov 2014 11:08:15 +0100

Segundo os resultados oficiais, 2 236 000 eleitores expressaram a sua opinião, ou seja, 35,7% dos recenseados. Entre eles, 80,76% respondeu “sim” às questões “Pretende que a Catalunha se torne um Estado? Se sim, pretende que esta se torne independente?”.

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Em Barcelona, o El Periódico, que faz em manchete sobre o “Pleno soberanista”, afirma que

o 9 de novembro não decidiu nada, no entanto, nada voltará a ser como dantes. […] A Catalunha, que quer ser consultada, com todas as garantias, sobre o seu futuro, mantém-se firme, avança e exige uma resposta. A estratégia de silêncio do Governo revelou-se estéril, tal como a da proibição e do desprezo.

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“O 9 de novembro massivo exige uma saída política” titula, ainda em Barcelona, o La Vanguardia, segundo o qual, esta “mobilização sem precedentes marca um ponto sem retorno político entre as relações do Governo regional catalão e o Governo central”. O presidente da região, Artur Mas,

apelou, uma vez mais, ao primeiro-ministro espanhol “que encare de forma definitiva a questão catalã”. [Este último afirmou] que a jornada é “inútil” e que não terá “qualquer repercussão”. Repercussão jurídica, não, mas a quinta mobilização multitudinária em cinco anos leva irremediavelmente ao fim da imobilidade política.

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O “El País” também coloca a tónica nesta questão, titulando “Mas: agora, o referendo ‘definitivo’” e estima que chegou o momento de Mas e o primeiro-ministro Mariano Rajoy “voltarem à mesa” das negociações:

Os dois executivos deverão traçar um plano, um método e um calendário flexível para identificar as grandes questões suscetíveis de reformas decisivas (competências, financiamento, idioma…) que possam formar a base de uma solução credível, partilhável e duradoura.

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Em Madrid, o conservador ABC, que titula em manchete “Farsa e desobediência”, critica a inação do Governo de Mariano Rajoy para impedir o referendo, declarado ilegal pelo Tribunal Constitucional:

As bases e as condições de qualquer nova etapa de diálogo entre as duas administrações deveriam ter sido definidas pelo Governo central mediante o exercício firme dos mecanismos constitucionais de proteção do interesse geral. Não foi este o caso. […] Em Espanha, o desrespeito da Constituição, não tem consequências.




Catalunha: “Mas persiste apesar do segundo ‘não’ do Tribunal Constitucional”

Wed, 05 Nov 2014 16:48:30 +0100

O Tribunal Constitucional recebeu no dia 4 de novembro o recurso do Governo espanhol contra a “consulta popular informal” sobre a independência da Catalunha agendada para o dia 9 de novembro. A consulta não vinculativa foi organizada pelo Governo catalão após o Tribunal ter descartado a realização de um referendo.

O presidente da Catalunha, Artur Mas, anunciou que irá recorrer contra a decisão, que avançará com o “processo participativo” informal marcado para o dia 9 de novembro e que exigirá ao Governo de Madrid “liberdade de expressão” para os catalães, informa o La Vanguardia.




Espanha: “Novo partido espanhol ameaça acabar com o bipartidarismo e até ganhar eleições”

Mon, 03 Nov 2014 12:12:39 +0100

A um ano das legislativas espanholas, o novo partido Podemos, criado há oito meses, é dado como favorito numa recente sondagem publicada pelo El País, com 27,7% das intenções de voto, isto é, 1,5% mais do que os socialistas do PSOE e 7% mais do que o Partido Popular do Governo do primeiro-ministro Mariano Rajoy, informa o *Público. Segundo o Público, a formação liderada por Pablo Iglesias

já provocou um sismo sem precedentes na política espanhola e está em condições de rebentar com o tabuleiro eleitoral.

O diário lisboeta realça ainda que o sucesso do Podemos se deve maioritariamente ao facto de saber tirar partido dos erros dos outros. Uma vez que

42% [dos inquiridos] considera que o êxito do partido de Iglesias se deve à deceção e ao desencanto que os espanhóis têm com os outros partidos.

Segundo os sociólogos José Juan Toharia e José Pablo Ferrándiz, os partidos maioritários ainda podem dar a volta à situação. Acrescentam ainda que não devemos de forma alguma desvalorizar o que este movimento está em vias de alcançar: “uma restruturação do tabuleiro político nacional, com consequências imprevisíveis”.




Roménia: “Ponta e Iohannis disputam a ronda final das eleições presidenciais”

Mon, 03 Nov 2014 11:52:22 +0100

Os resultados da primeira ronda do escrutínio presidencial do dia 2 de novembro eram “previsíveis”, observa o Adevărul: dados como favoritos, o primeiro-ministro Victor Ponta (centro-direita), e o seu adversário liberal, Klaus Iohannis, deverão disputar a segunda ronda, que ocorrerá a 16 de novembro. Segundo os resultados oficiais parciais, estes obtiveram 40,33% e 30,44% dos votos respetivamente. A taxa de participação foi de 53%.

A votação ficou marcada pela ira dos romenos da diáspora, uma vez que, de 3 milhões com direito de voto, apenas 161 mil puderam votar, observa o diário de Bucareste. Alguns dos eleitores “estiveram na fila cerca de 4 horas para poder votar”, escreve ainda Adevărul. Nem todos o puderam fazer: em Paris, por exemplo, a polícia teve de intervir de forma a impedir a entrada de manifestantes na embaixada, após o encerramento do recinto do sufrágio.

Em Bucareste, acrescenta o jornal, várias centenas de eleitores saíram à rua em manifestação para apoiar “a diáspora humilhada”. Ainda que não reconhecido, estima um analista no diário,

o voto da diáspora pesa muito mais do que o carimbo que não conseguiram colocar [no seu boletim eleitoral]. Os romenos invisíveis tornaram-se uma massa crítica visível.




França: "Total em estado de choque"

Wed, 22 Oct 2014 17:05:18 +0100

Christophe de Margerie, diretor executivo da Total, morreu num acidente de avião na noite do 20 para o 21 de outubro em Moscovo escreve o Les Echos. No momento da descolagem no aeroporto de Vnoukovo, o jato privado do gestor embateu num limpa-neves causando a morte de Margerie, 63 anos, e de três membros da sua equipa. Os primeiros elementos da investigação apontam para uma série de negligências a nível da direção do aeroporto.

A notícia “abalou” a França, realça o jornal:

os funcionários, dirigentes e políticos de todos os partidos, tanto em França como no estrangeiro, exprimiram ao longo do dia a sua grande emoção. Muitos homenagearam a humanidade deste patrão atípico bem como a sua franqueza, muito apreciada pelos franceses.

A perda do diretor executivo não destabilizou, no entanto, o grupo, acrescenta o diário. Thierry Desmarest, antigo patrão do grupo, deverá propor no conselho de administração previsto para esta quarta-feira uma desassociação das funções:

Patrick Pouyanné, que dirige a divisão Refinação-Petroquímica, será nomeado para a função de diretor geral, enquanto o próprio se tornaria diretor não executivo.




Catalunha: “Adeus à consulta”

Tue, 14 Oct 2014 11:07:11 +0100

O presidente da Catalunha, Artur Mas, anunciou no dia 13 de outubro que renunciava à organização de uma consulta popular sobre a independência da região, prevista para o dia 9 de novembro. Após a suspensão do referendo por parte do Tribunal Constitucional, “Mas substitui o referendo sobre a soberania por um “processo participativo”, provocando a rutura do bloco soberanista”, explica o El Periódico.

A proposta de Mas não obteve o apoio dos restantes partidos soberanistas, nem os convenceu a juntar-se ao seu Governo. Alguns, como o Esquerra Republicana de Catalunya (ERC) propuseram ao “Parlamento catalão que proclame a independência” e que “se inicie um processo constitucional” neste sentido.




Bélgica: “Belfius treme de medo devido a teste de resistência”

Mon, 13 Oct 2014 14:11:20 +0100

O banco Belfius, anteriormente conhecido como Dexia antes da sua nacionalização pelo Estado Belga em 2012, provavelmente precisa de obter novos capitais e “há uma forte hipótese de o banco não passar o teste de resistência”, escreve o De Morgen.

No dia 26 de outubro, o Banco Central Europeu irá publicar os resultados do teste, mas “várias fontes já confirmaram que o resultado pode ser mau” para o Belfius. Caso o Belfius precise de uma recapitalização, isto irá interferir com os planos do ministro das Finanças, Johan Van Overtveldt, que quer vender o banco.




Reino Unido: “Manterei os conservadores no poder para obter uma consulta sobre a UE no próximo ano”

Mon, 13 Oct 2014 12:02:49 +0100

O líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), Nigel Farage, declarou que iria ajudar os conservadores a formar uma maioria após as eleições legislativas do próximo ano, se o partido do atual primeiro-ministro, David Cameron, concordar em acelerar o referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, escreve o Daily Mirror. O tablóide indica que

Cameron já prometeu a realização de um referendo na Europa em 2017 caso os conservadores ganhem as próximas eleições. Mas Farage declarou que este será antecipado, caso o UKIP obtenha lugares suficientes para manter o equilíbrio do poder num Parlamento de minoria.

O diário recorda que Farage declarou outrora que “nunca negociaria com os conservadores”, mas mudou de opinião após o seu partido eurocético entrar para o Parlamento após a sua vitória nas eleições suplementares, no dia 9 de outubro. O diário também cita uma sondagem que revela que “um em cada quatro eleitores afirma agora apoiar o partido anti-Europa”, o que “poderia ajudar a obter entre 12 e 128 lugares” dos 650 do Parlamento.




Bulgária: “GERB ganhou as eleições, não o poder”

Mon, 06 Oct 2014 15:35:14 +0100

O GERB, partido conservador do ex-primeiro-ministro Boiko Borisov, encontra-se em primeiro lugar nas eleições parlamentares búlgaras, mas, segundo uma sondagem, não obterá a maioria absoluta no Parlamento.

A votação deu origem a “um Parlamento muito fragmentado, com a presença de 7 ou 8 partidos”, escreve o Sega, prevendo “problemas severos na formação do novo executivo”.

O GERB deverá conseguir entre 85 a 100 lugares dos 240 disponíveis no Parlamento. O seu rival, o BSP (socialistas), “foi-se completamente abaixo”, registando “a maior perda desde a transição comunista. O partido deverá ficar com menos de 50 lugares.” O partido turco DPS deverá ter entre 20 e 35 lugares, enquanto quatro outros partidos mais pequenos deverão ultrapassar os 4% necessários para entrar no Parlamento. Segundo o diário,

na busca de uma alternativa, os eleitores castigaram os partidos mais predominantes ao votar nos mais pequenos.




Reino Unido: “A loucura dos direitos humanos chega ao fim”

Fri, 03 Oct 2014 13:13:36 +0100

O Governo britânico apresenta hoje, dia 3 de outubro, os seus planos para reduzir o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem a um “orgão consultivo”, uma ação que “acabaria com a sua intervenção nos nossos assuntos”, escreve o Daily Express.

Os juízes de Estrasburgo “deixarão de poder interferir no Reino Unido” depois de o Governo conservador introduzir uma nova lei sobre direitos e responsabilidades que mudará a aplicação da legislação dos direitos humanos. O tabloide conservador indica que, segundo a proposta,

se os juízes rejeitarem tal iniciativa, o Reino Unido abandonará a Convenção Europeia dos Direitos do Homem e, como consequência, o país deixaria de fazer parte da jurisdição do Tribunal. […] Não há dúvida de que este projeto vai desencadear a ira dos liberais-democratas, dos trabalhistas e dos ativistas dos direitos humanos, mas no geral a iniciativa foi muito bem recebida [...] pelos deputados conservadores, que dizem que os eleitores estão fartos de que os juízes estrangeiros se aliem aos imigrantes ilegais, a suspeitos de terrorismo e criminosos.




Polónia: “O Governo vai ajudar toda a gente”

Thu, 02 Oct 2014 17:17:33 +0100

“Agricultores, mineiros, doentes, veteranos, estudantes, pensionistas e famílias – todos eles poderão contar com o apoio do gabinete de Ewa Kopacz”, escreve o Rzeczpospolita no dia seguinte à nova primeira-ministra, que assumiu funções após a nomeação de Donald Tusk para a posição de presidente do Conselho Europeu, ter apresentado a sua estratégia de política geral no Sejm (Parlamento).

Na sua breve intervenção, Kopacz promete nomeadamente uma reforma do sistema fiscal e das leis sobre as empresas, a instauração de uma garantia de licença parental para os desempregados, uma nova lei para apoiar as empresas afetadas pelo embargo russo, a continuação do programa de ajuda concedido à Ucrânia e o aumento das despesas militares para 2% do PIB.

No entanto, o diário lamenta que

ao ouvir a primeira-ministra ontem, tenhamos ficado com a sensação de que os interesses particulares de diferentes grupos sociais se tornaram mais importantes que a criação de um objetivo comum para construir uma sociedade civil próspera.

Após o discurso, o Parlamento deu o seu voto de confiança ao novo Governo com 259 a favor e 183 contra.




Espanha: “Bloqueio expresso”

Tue, 30 Sep 2014 14:08:52 +0100

“O Tribunal Constitucional suspende num tempo recorde o 9-N”, escreve o El Periódico, no dia seguinte ao recurso apresentado pelo Governo de Madrid contra a lei catalã sobre os referendos e o decreto que convoca uma consulta sobre a independência da Catalunha, prevista para o dia 9 de Novembro, e assinado a 27 de Setembro pelo presidente da região, Artur Mas. O Tribunal comunicou a sua decisão num tempo recorde devido à “importância constitucional e política” do desafio catalão “para toda a sociedade espanhola e, sobretudo, para a Catalunha”, realça o diário.

Este último acrescenta que o Tribunal

consente em suspender as medidas tomadas e dá 15 dias ao Governo e ao Parlamento catalão, bem como ao Parlamento nacional para contestar a decisão. O Governo catalão já anunciou que iria recorrer.




Sérvia: “Um bom dia para a tolerância”

Tue, 30 Sep 2014 13:57:08 +0100

Pela primeira vez em anos, a parada do orgulho gay ocorreu “sem incidentes”, observa o Danas, relativamente a 1500 pessoas que desfilaram em paz pelas ruas de Belgrado. Foi a primeira parada realizada desde 2010, ano que que foi atacada por grupos ultra-conservadores e, posteriormente, proibida.

“Vários embaixadores, representantes do sector não-governamental, bem como meios de comunicação estrangeiros” participaram na parada, acrescenta o diário. Por sua vez, o EUobserver informa que o comissário responsável pelo alargamento da UE, Stefan Füle, declarou que foi um “um marco na história moderna da Sérvia democrática”, acrescentando que

a decisão de Belgrado de permitir a realização da parada no domingo foi vista por algumas pessoas como uma tática para ajudar as negociações de acesso à União Europeia.




Catalunha: “Começou a ofensiva do Estado para bloquear a consulta”

Mon, 29 Sep 2014 11:56:09 +0100

“O Governo pôs ontem em marcha e a toda a velocidade a sua resposta política e institucional à Lei de consultas do Parlamento catalão e à convocatória do 9 de novembro”, escreve o La Vanguardia, no dia seguinte à decisão do Conselho de Estado, a mais alta instância consultiva do Estado, que “aprovou por unanimidade” o quadro jurídico da estratégia do Governo para impedir o que considera um referendo de facto. O Conselho reuniu-se no dia seguinte à assinatura de um decreto, pelo presidente do Governo catalão, Artur Mas, que convoca a consulta para o dia 9 de novembro.

O diário explica que, segundo o Governo, a consulta seria um referendo disfarçado, algo proibido pela Constituição espanhola, uma vez que os referendos só podem ser convocados pelo Governo para que todos os espanhóis sejam consultados sobre uma determinada questão. O Governo deverá realizar um conselho de ministros extraordinário neste 29 de setembro, antes de recorrer ao Tribunal Constitucional para bloquear a votação. Se o Tribunal aceitar o recurso, a consulta poderá ser adiada durante vários meses até ser tomada uma decisão definitiva, acrescenta o La Vanguardia. Entretanto, Mas declarou numa entrevista televisiva que “as urnas estarão prontas no dia 9 de novembro”.




Referendo na Escócia: Escócia diz “não” à independência

Fri, 19 Sep 2014 17:11:36 +0100

Na sequência de um referendo histórico, realizado no dia 18 de setembro, a Escócia escolheu permanecer no Reino Unido. O “não” à independência venceu com 55,3% dos votos. Em resposta a este resultado, o diário de Glasgow The Herald insistiu em realçar a elevada taxa de participação neste referendo: 84,5%. Um recorde no Reino Unido. Para o jornalista Andrew McKie, “a taxa de participação por si só representa uma vitória para a Escócia”: O resultado é suficientemente decisivo para evitar que este assunto seja novamente debatido durante uma geração inteira, desde que seja conferido mais poder ao Holyrood [o Parlamento escocês]. […] A Escócia pode ter orgulho no debate que conduziu, uma vez que permitiu evitar, em grande parte, a política partidária […] e mobilizou pessoas que, até à data, nunca se tinham envolvido na vida política. O The Scotsman, que fez campanha a favor do não, considera, por sua vez, que o referendo prova que, “nas circunstâncias certas, a política consegue entusiasmar e motivar". Para o diário, o facto de ter permitido aos jovens de 16 e 17 anos votar é a lição mais importante que se deve retirar deste episódio político para melhorar o compromisso democrático. Notou-se claramente [...] a energia e o entusiasmo com o qual este grupo encarou esta ocasião de participar na conversa nacional. […] Nunca fez sentido estes jovens terem a possibilidade de trabalhar, pagar impostos, casar-se, divorciar-se, integrar o exército, mas não poderem participar no processo de decisão do país. Chegou a hora de alargar esta prática a outras eleições. O The New Statesman recorda a reação do chefe do partido dos independentistas escoceses, Alex Salmond, que admitiu a derrota e declarou que a Escócia decidira, “nesta fase”, não se tornar independente. Para o jornal, trata-se de uma referência mal disfarçada a um “neverendum” [um referendo sem fim], temido pelos unionistas. Tendo em conta que o resultado superou as previsões feitas há dois anos, Salmond estimou que havia potencial para uma segunda votação num futuro próximo. Por seu lado, o The Times realça o discurso do primeiro-ministro britânico David Cameron, que declarou que a votação permitiu muito provavelmente encerrar o debate “para toda uma vida”. Além disso, acrescenta o jornal, o primeiro-ministro indicou que iria certificar-se de que a promessa de transferir poderes a nível fiscal e em termos de proteção social seja plenamente cumprida, e que serão apresentadas propostas a respeito desta matéria em novembro. […] Para os unionistas ingleses, a vitória do “não” pressupõe o reconhecimento da necessidade de se fazer este tipo de concessões. “Graças a Deus, o meu país continua intacto”, comenta Daniel Hannan no diário conservador britânico The Daily Telegraph. O jornalista encara a concessão de mais poder à Escócia como algo inevitável, não apenas porque todos os partidos o prometer[...]



Referendo na Escócia: Catalunha-Escócia, a mesma luta?

Wed, 17 Sep 2014 19:07:09 +0100

No dia 18 de setembro será realizado o referendo onde os escoceses decidirão se se querem tornar independentes do Reino Unido ou não. Um feito histórico seguido com atenção em Espanha, nomeadamente na Catalunha. O governo regional catalão decretou a organização de um referendo sobre a independência da região para o dia 9 de novembro, ilegal segundo o governo central, que aguarda o parecer jurídico do Tribunal Constitucional, que também deverá ser negativo. É aqui que surge uma primeira diferença: o processo escocês foi negociado com o governo britânico, que aceitará o resultado, seja ele qual for. A incerteza sobre a realização de um referendo catalão acompanha o confronto das administrações. Mas, o que têm em comum os processos escocês e catalão? Para o escritor Javier Cercas, “as diferenças são muito mais evidentes do que as semelhanças”, escreve no El País, tanto quanto à forma como quanto ao fundo da questão. No Reino Unido existe um debate sereno e racional, onde são trocados argumentos. Em Espanha, a única coisa que trocamos são gritos, mentiras e ataques pessoais num clima de histeria que não exclui ameaças, mas sim qualquer esforço para compreender as divergências. Também não deixa de ser interessante que na Escócia, ao contrário da Catalunha, os meios de comunicação sejam dominados pelos partidários da União Europeia. Segundo Cercas, as diferenças entre ambos os casos também se constatam na cultura política: A Escócia tem vindo a construir uma cultura política própria, distinta da do resto do Reino Unido: enquanto no Reino Unido o neoliberalismo dominava, mesmo na época de Blair, na Escócia dominava a democracia social, ao ponto de neste momento, os conservadores existirem apenas como força parlamentar. Por outras palavras, a cultura política escocesa, absolutamente europeísta, quer aproximar a Escócia do modelo escandinavo, enquanto a cultura britânica, cada vez mais eurocética, quer aproximar o Reino Unido do modelo norte-americano. Desta forma, muitos escoceses acreditam que a independência constitui uma oportunidade credível para a construção de um país distinto e melhor. Há algo parecido na Catalunha? Enquanto catalães, desenvolvemos uma cultura política distinta e melhor do que a espanhola? Em Espanha houve 21 anos de governos sociais-democratas; na Catalunha houve apenas sete. Os cortes orçamentais de Mas, o presidente do governo regional, são tão drásticos como os de Rajoy, o primeiro-ministro espanhol conservador. […] Resumindo, a cultura política catalã é idêntica à espanhola, só que corrigida e aumentada. Existe alguma possibilidade de construir um país melhor e distinto com uma cultura política tão parecida? Logo me dirão. [...]



Referendo na Escócia: Os custos e os benefícios da independência

Wed, 17 Sep 2014 09:53:02 +0100

Segundo o vencedor do Prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, não há razões para temer a independência da Escócia, dado que apesar de implicar alguns custos, também traria benefícios significativos. Num editorial publicado no The Scotsman, Stiglitz afirma que “existe, na verdade, pouco fundamento para os receios expressos”.

Antes de mais, Stiglitz não tem qualquer dúvida de que uma Escócia independente “continuaria a fazer parte da Europa” e também acredita que a moeda “não é um problema”:

poderia chegar-se a vários acordos cambiais. A Escócia poderia continuar a usar a libra esterlina – com ou sem o consentimento da Inglaterra. […] Uma vez que as economias da Inglaterra e da Escócia são tão parecidas, uma moeda comum provavelmente funcionaria melhor do que o euro, mesmo sem uma política fiscal comum.

“A questão fundamental com que a Escócia se depara é diferente”, escreve Stiglitz:

está claro que, na Escócia, existe uma espécie de visão e valores partilhados: uma visão do país, da sociedade, da política, do papel do Estado; dos valores como a justiça, a equidade e a oportunidade. […] A visão e os valores escoceses são diferentes dos que dominam a sul da fronteira. A Escócia dispõem de uma educação universitária gratuita, enquanto a Inglaterra tem vindo a aumentar as propinas dos estudantes, obrigando os estudantes com pais sem condições financeiras a contrair empréstimos. A Escócia reafirmou várias vezes o seu compromisso para com o sistema nacional de saúde, enquanto a Inglaterra tem vindo a inclinar-se para a privatização.

Desta forma, conclui Stiglitz, “a independência terá os seus custos – ainda que estes tenham de ser demonstrados de forma convincente –, mas também tem os seus benefícios”: a Escócia poderia decidir onde investir e como “obter mais benefícios dos mesmos através da tributação”.

A questão mais complicada que a Escócia tem de enfrentar é

é se o futuro do país – a sua visão e os seus valores partilhados, cada vez mais distantes dos que dominam a sul da fronteira – será melhor através da independência.

O principal problema é, segundo Stiglitz, o que poderia acontecer “se a Escócia permanecesse no Reino Unido e este saísse da UE”. Na minha opinião, “os riscos de deterioração são, de qualquer forma, significativamente maiores”.




Referendo na Escócia: Um difícil regresso à Europa

Tue, 16 Sep 2014 10:24:34 +0100

O que aconteceria à adesão da Escócia à UE se o “sim” à independência vencesse no referendo do dia 18 de setembro? O presidente eleito da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, já esclareceu que “não há garantia de que uma Escócia independente possa aderir à UE”, escreve Christian Oliver no Financial Times, acrescentando que

os juristas da UE e os especialistas em direito constitucional não têm dúvida de que a adesão da Escócia à União seria possível, mas Edimburgo teria de enfrentar um longo percurso de eventuais vetos, nomeadamente por parte da Espanha, que acredita que o “sim” escocês poderia acelerar os planos de independência da Catalunha. Além disso, também teria de lidar com a questão da adesão ao euro, que é agora teoricamente obrigatória para todos os novos Estados-membros. A única certeza que os especialistas de Bruxelas têm é que a adesão da Escócia à UE não seria automática ou harmoniosa, ao contrário do que o Partido Nacional Escocês afirma.

A Escócia teria, em todos os casos, de se candidatar à adesão da UE, mas teria pela frente uma série de obstáculos, observa Christian Oliver. O primeiro seria a necessidade de ser reconhecida como um novo país:

Uma vez reconhecida por Londres, a Escócia teria também de ser reconhecida por todos os outros Estados-membros antes de se poder candidatar (ou recandidatar) à adesão da UE. O processo de aprovação poderia ser longo e requerer debates e votações parlamentares.

Depois disso, a Escócia teria de se comprometer a adotar o euro, tal como a maioria dos países da UE (“o Reino Unido e a Dinamarca obtiveram derrogações que já não se aplicam aos novos candidatos”, observa o Financial Times).

A Escócia também teria de gerir uma transição antes da sua adesão, possivelmente através de um “acordo transicional” com a UE – “um compromisso sem precedentes para uma situação sem precedentes”, escreve o Financial Times, em que o novo país teria de passar pela mesma situação que outros estados não-membros da UE, como a Noruega ou a Suíça, que “já tiveram, várias vezes, de adotar uma grande parte do acervo (o corpus da legislação comunitária).

Por fim, conclui o diário, se uma Escócia independente “continuasse a enviar seis deputados para o Parlamento Europeu”, esta “não poderia certamente continuar a beneficiar da redução da sua contribuição orçamental para a UE obtida pelo Reino Unido em 1984”.




Eleições na Suécia: “Mudança de poder”

Mon, 15 Sep 2014 09:37:50 +0100

O partido social democrata de Stefan Löfven venceu as eleições legislativas do dia 14 de setembro, com 31,2% dos votos e 113 lugares no Parlamento. Segundo o Svenska Dagbladet, Löfven deverá “dar brevemente início a um diálogo com os Verdes e os outros partidos de centro esquerda” para formar um novo Governo. Mas, com 43,7% dos votos e 158 dos 349 lugares, o bloco de centro esquerda está longe da maioria absoluta e Löfven poderá dirigir um Governo de minoria acrescenta o diário.

Por sua vez, o chefe da coligação de centro direita cessante, Fredrik Reinfeldt demitiu-se do cargo de primeiro-ministro após oito anos no poder e do cargo de líder dos Moderados, que obtiveram 23,2% dos votos (84 lugares), escreve o diário sueco. Os democratas da Suécia (populistas) obtiveram 12,9% dos votos. Com 49 lugares, “duplicaram a sua presença no Parlamento” e tornaram-se o terceiro partido do país, observa o Svenka Dagbladet.




Escócia: “Os ingleses afirmam que os escoceses vão pagar um preço elevado pelo referendo”

Wed, 20 Aug 2014 14:33:05 +0100

A maioria dos ingleses quer que a Escócia permaneça no seio do Reino Unido, mas também acha que o seu vizinho do norte deve receber menos fundos públicos e usufruir de menos influência, caso decida seguir a via da independência no dia 18 de setembro, escreveu o diário escocês The Herald.

Segundo um inquérito retomado pelo jornal, 59% dos inquiridos quer que a Escócia continue no seio do Reino Unido, enquanto 19% apoia a sua independência. O inquérito também revela que, mesmo que o “não” vença, 62% dos ingleses quer que os deputados nacionais escoceses deixem de poder participar na votação das leis que dizem respeito à Inglaterra, enquanto 56% considera que as despesas públicas britânicas deveriam baixar, o que resultaria, segundo o diário, “numa redução de mais de 10% das despesas públicas na Escócia”.

Se o “sim” prevalecer, a maioria dos ingleses opõem-se ao uso da libra esterlina pela Escócia, o que, realça o jornal,

contradiz a afirmação do SNP [Scottish National Party, pro-independência] segundo a qual a maioria dos britânicos deseja uma união monetária caso a Escócia vote a favor da sua independência.

O diário de Glasgow realça, por fim, que

26% dos inquiridos quer que o Reino Unido apoie a candidatura à adesão de uma Escócia independente à UE e à NATO, contra 36%.




Hungria: O iliberalismo assumido de Viktor Orbán

Thu, 31 Jul 2014 14:36:58 +0100

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, anunciou numa visita a Tusnad (Roménia), o seu sonho de um Estado “iliberal”. O neologismo suscita inquietação. Numa revista de imprensa publicada no seu site, o Courrier International, relata as inquietações do EUobserver: "o líder húngaro Viktor Orbán quer construir um Estado “iliberal” assente em alicerces nacionais, citando a Rússia e a China como exemplos a seguir”.

Convidado pela Universidade de verão de Tusnad, o primeiro-ministro húngaro expôs perante uma multidão “entusiasta”, segundo o site romeno de informações Gândul, o seu sonho político de criar um novo tipo de Estado. “Tendo em conta que o liberalismo nunca conseguiu servir o ideal nacional nem incentivar os húngaros a preservar a sua riqueza e os seus ideais, está na hora de dizer a verdade.”

A imprensa húngara, por sua vez, está dividida. Enquanto o filósofo conservador Péter Béndek se interroga no seu blogue "por que é que Orbán mente a este ponto sobre o liberalismo?", utilizando a Rússia como exemplo, o diário Magyar Hírlap, próximo do partido do primeiro-ministro, escreve que "não há nada de surpreendente nas declarações de Orbán e não constituem qualquer ameaça”. Ao evocar uma democracia não liberal, Orbán “fala com parcimónia, uma vez que a democracia liberal não passa de uma ditadura livre disfarçada. Uma construção global criada para impor uma ditadura local”.




Presidência da União: Matteo Renzi, o anti-Merkel?

Thu, 17 Jul 2014 20:23:47 +0100

Adevărul, Bucareste – Segundo o jovem primeiro-ministro italiano, a UE tem “um rosto que reflete cansaço e resignação”. Pede, por isso, uma mudança de direção rápida durante a sua presidência na UE. Mas será isso possível? Ver mais.



Reino Unido: “Cameron acelera a reforma da UE com uma forte restruturação”

Thu, 17 Jul 2014 15:32:24 +0100

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, levou a cabo uma profunda restruturação do seu Governo no dia 15 de Julho, após a demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros, William Hague. Hague foi substituído pelo ministro da Defesa, Philip Hammond, “um ministro que declarou que votaria na saída do Reino Unido da União Europeia caso não fossem implementadas reformas”, escreveu o Financial Times, e cuja missão será “preparar uma renegociação da adesão do Reino Unido à UE”. Entre outros, o secretário da Educação, Michael Gove, foi substituído pelo antigo ministro das Finanças, Nicky Morgan. Cameron também nomeou Jonathan Hill, o líder conservador da Câmara dos Lordes, como o próximo comissário europeu do Reino Unido.

Segundo o diário britânico, embora Cameron tenha dado ao seu Governo um “toque eurocético”,

os seus colaboradores insistem no facto de que Hammond vai abordar a renegociação com a UE com um espírito positivo e de que está determinado a realizar reformas que irão convencer o país a votar “sim” no referendo previsto para 2017.




Alemanha: A Europa à espera de Merkel

Wed, 18 Dec 2013 16:59:51 +0100

La Vanguardia, Barcelona – Reeleita à vontade para um terceiro mandato, a chanceler terá de contar com uma União bem diferente da que existia quando chegou ao poder. Fraturada, dividida e em crise de identidade, espera que Berlim retome a iniciativa. Ver mais.



Letónia: Um russo aos comandos de Riga

Wed, 18 Dec 2013 14:07:08 +0100

Lietuvos Rytas, Vilnius – Jovem, hiperativo e quase consensual: Nils Usakovs, o presidente da Câmara da capital representa a complexidade das relações entre a maioria letã e a forte minoria russa do país. Ver mais.