Subscribe: Não me Culpem Pelo Aspecto Sinistro
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/rss.xml
Added By: Feedage Forager Feedage Grade B rated
Language:
Tags:
aqui  companhia das  das letras  das  dos    letras págs  livro  mais  não  págs  ser  são  também       
Rate this Feed
Rate this feedRate this feedRate this feedRate this feedRate this feed
Rate this feed 1 starRate this feed 2 starRate this feed 3 starRate this feed 4 starRate this feed 5 star

Comments (0)

Feed Details and Statistics Feed Statistics
Preview: Não me Culpem Pelo Aspecto Sinistro

Não me Culpem Pelo Aspecto Sinistro





 



Mephistofield

Tue, 29 Sep 2009 23:12:52 -0300

(image) Eu estava devendo outras combinações de clássicos de HQ com literatura feitas por o cartunista Robert Sikoryak, a exemplo do Batman/Dostoiévki e Peanuts/Kafka. Para compensar, seguem três de uma só vez: Garfield com Fausto, de Goethe; Superman com O Estrangeiro, de Marcel Camus; Tales from the Crypt com O Morro dos Ventos Uivantes, de Emile Brontë.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/9/29_Post_1_files/garfieldfaustus.jpg




O Japão em dois sorrisos

Mon, 28 Sep 2009 22:54:18 -0300

(image) Primeiro, o descrito no livro A Cultura Gestual Japonesa – Manifestações Modernas de uma Cultura Clássica, de Michitarô Tada (Martins Editora, 256 págs., R$ 40,50):

“Acredito que o sorriso japonês seja principalmente um gesto de autocontrole. E, quando as circunstâncias exigirem um autocontrole ainda maior, até mesmo esse sorriso será coberto pela manga de um kimono. (...) O sorriso como saudação pode ser compreendido pelos estrangeiros. Mas o sorriso de autocontrole, embora às vezes possa impressioná-los favoravelmente, também pode confundi-los. Ainda mais confusa para eles é a transformação que o nosso ‘sorriso de autocontrole’ sofre quando, voltado para dentro, se torna um sorriso (típico, embora mais complexo) torto e forçado.”

Depois, numa passagem do (altamente recomendado) A Vida Secreta do Senhor de Musashi, de Junichiro Tanizaki (Companhia das Letras, 224 págs., R$ 45). O título é emprestado de uma das duas novelas do livro (a outra é Kuzu), que conta a história da formação de um poderoso samurai do século 16. Estranhíssima formação, como se pode facilmente constatar no trecho abaixo, quando ele, ainda menino e refém num castelo sitiado, acompanhava o ritual de preparar as cabeças cortadas dos guerreiros inimigos.

“A garota corria o pente com cuidado pelos fios pretos e lustrosos da cabeça sem nariz e reatava o nó do topete. Depois, como sempre fazia, olhou para o centro da face, onde o nariz deveria estar, e sorriu. O garoto uma vez mais encantou-se com a expressão, e o surto de emoções que o acometeu naquela hora foi de longe o mais intenso que jamais sentiu. A justaposição da cabeça mutilada ao rosto luminoso da garota que ostentava o orgulho e a alegria do viver gerou o contraste do perfeito com o imperfeito, materializando o belo em sua total plenitude. E o sorriso dela, tão inocente e despretensioso, pareceu aos olhos dele, exatamente por causa da situação, ainda mais malicioso e cínico, provocando no garoto uma espiral de fantasias sem fim, e antes que ele se desse conta sua alma foi transportada para um mundo delicioso de sonhos onde ele se transformava na cabeça sem nariz, vivendo com a garota num mundo habitado apenas pelos dois.”


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/9/28_O_Japao_em_dois_sorrisos_files/3686655637_d8e0410cce.jpg







Um vídeo bacana

Fri, 25 Sep 2009 02:07:56 -0300

(image) Para compensar o caminhão de texto que despejei aqui ao longo da semana, segue hoje apenas este vídeo intitulado Combo, uma animação colaborativa de David Ellis e Blu, com trilha sonora de Roberto Lange. O trabalho é reproduzido duas vezes — daí que é possível, em caso de se achar o vídeo longo demais, assistir apenas à metade.

Embora nunca vá ser tão longo quantos os últimos posts. E garanto que vai valer a pena.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/9/25_Um_video_bacana_files/VIMEO.jpg




Outras redescobertas

Thu, 24 Sep 2009 22:39:29 -0300

(image) Como prometido ontem, listo outras coisas de que me lembrei lendo o livro do Ignácio de Loyla Brandão. Salvo engano, não estão lá, mas se estivessem, poderiam estar da maneira que se segue, também em forma de perguntas. Se não fizerem ideia dos objetos que menciono, assistam ao comerciam acima e sigam os links.
 
Você usava kichute, amarrando os cadarços no tornozelo ou na sola? Ele não dava um chulé horrível?

Você brincou de Vai-Vem, da empresa Mimo?

Quando a chuva era muito feia, sua mãe, tia ou avó cobria os espelhos da casa com lençóis, para não atrair os raios?
 
Você jogava Supertrunfo Campeões da Fórmula 1, da Grow?
 
Você virava madrugadas de sexta para sábado em frente à TV, vendo o Goulart de Andrade fazer matérias em sex-shops, no programa Comando na Madrugada? E amanhecia com Tarzan ou Mundo Animal?
 
Você lembra quando a indústria jurava que os CDs, recém-chegados para substituir os vinis, eram “indestrutíveis”?
 
Você comprou um livro na antiga Brasiliense, na Barão de Itapetininga, bebeu um chopp no Riviera, na Consolação, e comeu um prato chamado Isadora Duncan no Spazio Pirandello, na Augusta, no mesmo dia, em São Paulo?



Tempo redescoberto

Wed, 23 Sep 2009 22:10:22 -0300

(image) Nos últimos anos, os almanaques de época se transformaram num dos mais notáveis sucessos editoriais no país. Na esteira da série lançada pela Ediouro, seguiram-se outras várias edições, sempre com a receita de explorar uma combinação de memória afetiva, nostalgia sem compromisso, humor, um tanto de autocomplacência e uma pitadinha (indispensável) de sóbria melancolia. Entre as mais recentes está Você é Jovem, Velho ou Dinossauro?, de (ele mesmo) Ignácio de Loyola Brandão (Global, 176 págs., R$ 29).
 
Os suspeitos de sempre estão lá: Biotônico Fontoura, Genius, japona, bambolê, Conga. O melhor de tudo em publicações desse tipo, contudo, está no potencial de “surpresa”, digamos assim, que elas têm. Lendo o livro, redescobri coisas que fiz, vi ou testemunhei, mas que, por qualquer razão, tinham desaparecido de minha memória – algumas completamente. É uma sensação e tanto se surpreender com seu próprio passado.

Elenquei algumas que, antes inexistentes, ficaram claríssimas para mim agora, desembaraçada ínfima parte do novelo que constitui nossas memórias. Reproduzo-as como elas aparecem no livro, em forma de perguntas.

No armazém da esquina tinha um quadrinho pendurado? : EU VENDI FIADO (mostrando um homem na miséria) EU VENDI A DINHEIRO (mostrando um homem rico)

Lembra-se da placa que existia  em todas as porteiras dos cruzamentos-ferrovia? : PARE! OLHE! ESCUTE!
 
Brincou de passa anel? Só para passar a mão nas mãos das meninas?
 
Na sua casa tinha papel higiênico Tico-Tico?
 
Curtia as civilizações perdidas, a paranormalidade, o esoterismo, o poder da mente e outros assuntos até então tabus, expressos todos os meses na revista Planeta?
 
Na sua casa tinha um plástico colorido em frente ao aparelho de televisão para dar a ilusão de tevê em cores?
 
Passava pela avenida Rebouças, em São Paulo, para ver o gatinho branco (de louça) subindo no telhado?
 
Encontrava por toda a parte a inscrição, quase slogan: Cão Fila – Km 26? Chegou a descobrir o significado que era obscuro para a maioria?

Das acima citadas, as coisas mais incríveis são o aviso do fiado — visualizei não apenas o quadrinho, mas também o balcão da venda e a vitrine com doces de Cr$ 0,50. Sobre o passa anel, lembrava bem da brincadeira, mas tinha desaparecido a (clara) intenção, na época, de passar a mão nas mãos das meninas. Quanto ao gatinho de louça que se movia no telhado de uma casa na Rebouças, o que me espantou foi o seu desaparecimento sem que eu tivesse me dado conta, como se ele nunca tivesse existido.
 
No próximo post, listarei outras coisas, que não estão no livro. Coisas que acabei lembrando também por conta da leitura.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/9/23_Tempo_redescoberto_files/bxk29423_papel-prd-cdg29423-pare800.jpg




Sai-fai

Tue, 22 Sep 2009 23:53:47 -0300

Uma das coisas que me soam mais estranhas é a literatura de ficção científica feita por brasileiros. Não vai aqui (a princípio) nenhum juízo crítico, nem – longe de mim – a ideia de que temos de falar de boiadas, pobreza e carnaval nos nossos cordéis. Estou me referindo mais a uma questão de percepção subjetiva, gramática – coisa que muita gente vai chamar de preconceito. Na verdade, não é tão pré assim, porque boa parte da feita em inglês já me causa desconforto. Como se a fabulação, tomada como absoluta, permitisse não apenas o delírio, mas a abolição da verossimilhança. Nesse vale-tudo, deixa de ser literatura para se transformar em maratona imaginativa, o que é coisa bastante diferente.Mas tem uma questão de qualidade também. Se for parâmetro, a coletânea Futuro Presente, organizada por Nelson de Oliveira (Record, 416 págs., R$ 49,90), me leva do estranhamento subjetivo à certeza, objetiva, de que reina muito amadorismo na área. Como se a inadequação ao meio somada à sensação de liberdade narrativa permitissem vícios literários e proselitismos mais raros em outros temas. Além disso, a imaginação, maior ativo do gênero, frequentemente peca no quesito originalidade. Condenações à “espécie humana” pontuam narrativas em que a Terra foi extinta ou está em vias de, seja pelo já antigo Armagedon atômico, seja pela catástrofe ambiental, esta mais em moda.A seguir, alguns trechos dos contos do livro que dão uma ideia dessa combinação infernal. Ideia apenas, porque, confesso, não li o livro propriamente.COR LOCAL E UNS VERBOS RUINS“Eu e Jude, depois de quase um ano caminhando pelo que um dia se chamou Brasil, chegamos à grande depressão do Amazonas. Esse filete de água, que em alguns lugares logro vencer com um passo mais largo, foi um dia o grande rio Amazonas. (...) Ontem comentei com Jude que a população de replicantes vivendo em Manaus já ultrapassa trinta mil, segundo os cálculos de uma pretensa Sociedade de Administração e Recepção de Replicantes Imigrantes.” (Requiescat in Pace, Hilton James Kutscka)SEO OROZIMBO E UM CAPITÃO-DO MATO“O major Orozimbo Neves fazia parte de uma tal Força Espacial Panamericana.” (As Infalíveis H, Paulo Sandrini).“Jonas Peregrino, um capitão-do-espaço-profundo a soldo da Esquadra Latinoamericana da Esfera, comandara a única vitória humana em carne e osso infligida contra os alienígenas.” (Descida no Maelström, Roberto de Sousa Causo)PROSELITISMO TERCEIRO-MUNDISTA NO FUTURO“O neologismo OK, vigente no século em que a antiga nação bárbara do Norte tinha dominado o mundo, havia sido abolido.” (Depois da Grande Catástrofe, Deonísio da Silva)“‘Seu corpo nunca saiu de São Paulo. E aqui é a Fundação Reviver, que ficou com o acervo da Sobreviver’. César apontou para um logo da fundação bem à sua frente onde de lia Reliver. ‘Não é isso o que estou lendo ali.’ ‘Isso está escrito na língua falamos hoje, portuglês.’” (A Máquina do Saudosismo, Ataíde Tartari)DELÍRIOS NARRATIVOS E VEROSSIMILHANÇA“O homem terrestre, reduzido a nanoescala, foi injetado em meu corpo para que, hospedado em um organismo semelhante, se reproduzisse. Eu seria submetido a uma cirurgia para retirada do tecido terrestre, que daí por diante se alimentaria em laboratório até estar à altura de ser injetado em um polvo-berçário.” (Aníbal, Andréa Del Fuego)“Atrás dos policiais vêm os agentes com a bazuca gravitacional novinha em folha, projetada especialmente para essa ocasião. Efraim sabe que se dispararem a rede de partículas negativas sobre ele, adeus liberdade de movimentos, ele estará petrificado indefinidamente, pronto para ser levado, dissecado, analisado.” (Nostalgia, Luiz Brás)“Isso aconteceu depois de um drástico agravamento do problema, quando em decorrência da pressão social para o controle populaci[...]


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/9/22_Sai-fai_files/logo_tese2.jpg




Ahab, Lennon e Joyce de plástico

Mon, 21 Sep 2009 22:16:20 -0300

(image) Meses atrás, quando comecei a fazer a pesquisa de imagens no Flickr para montar este site, me deparei com uma tripulação do Pequod, de Moby Dick, toda feita de bonecos de Lego – estes que reproduzo, novamente, acima. Essas minifigs, hobby de muita gente pelo mundo, fazem parte da coleção de Andrew Becraft (aka Deunechaser), que inclui de tudo um pouco: super-heróis, entidades mitológicas, músicos, artistas plásticos, escritores, além, claro, dos personagens literários como Ahab, Ishmael e Queequeg.

A seguir, mais alguns bonecos de Becraft.










































Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/9/21_Ahab,_Lennon_e_Joyce_de_plastico_files/106178013_cd250cd8a2_o.jpg







Os 10 do Portugal Telecom

Thu, 17 Sep 2009 00:11:16 -0300

(image) Até anteontem, quando concorriam 50 escritores ao prêmio Portugal Telecom de Literatura, a relação contava com 40 brasileiros, 6 portugueses, 2 moçambicanos, 1 cabo-verdeano e 1 angolano. Ou seja, uma sonora goleada dos domínios ultramarinos americanos sobre corte e as feitorias africanas. Mas, como jogo só acaba quando termina (para lembrar do Pai dos Burros, de Humberto Werneck), os brasileiros foram massacrados ontem, na passagem pelo funil a caminho dos dez finalistas: caíram nada menos que 34 dos nossos patrícios, contra apenas 2 dos lusitanos. De modo que a peleja ficou em apertados 6 x 4 para o lado de cá. Entre os portugueses, o colega aqui blogueiro José Luís Peixoto.

O juiz só ergue os braços (mais Werneck...) no dia 10 de novembro. No lugar de um caneco, o vencedor leva R$ 100 mil. Segundo e terceiro levam, respectivamente, R$ 35 mil e R$ 15 mil. E como, afinal, somos todos irmãos fraternos, seguem abaixo os finalistas em ordem alfabética, por obra:

Acenos e Afagos, João Gilberto Noll, Record, 208 págs., R$ 32

Aprender a Rezar na Era da Técnica, de Gonçalo M. Tavares, Companhia das Letras, 356 págs., R$ 50

A Arte de Produzir Efeito sem Causa, Lourenço Mutarelli, Companhia das Letras, 216 págs., R$ 39,50

Cemitério de Pianos, de José Luís Peixoto, Record, 304 págs., R$ 42,90

Cinemateca, Eucanaã Ferraz, Companhia das Letras, 176 págs., R$ 36

A Eternidade e o Desejo, de Inês Pedrosa, Alfaguara, 184 págs., R$ 32,90

Heranças, Silviano Santiago, Rocco, 400 págs., R$ 46

O Livro dos Nomes, Maria Esther Maciel, Companhia das Letras, 176 págs., R$ 35

Ó, Nuno Ramos, Iluminuras, 289 págs., R$ 44

Ontem Não Te Vi em Babilônia, António Lobo Antunes, Alfaguara, 440 págs., R$ 54,90


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/9/17_Os_10_do_Portugal_Telecom_files/Brasil206x220Portugal5B15D.jpg




10 textos para 20 vozes

Tue, 15 Sep 2009 23:32:26 -0300

Mais uma dica da Laila (www.twitter.com/lailabou). Feito por Marcelo Noah e Isabel Ramil, este vídeo bacanérrimo intitulado Vozes traz textos / falas / qualquer coisa semelhante lidos pelos próprios autores. Não consegui identificar todas as obras – os ruídos do dadaísmo de Schwitters e do surrealismo de Artaud me deixaram tão desorientado quanto o russo de Maiakóvski. Em outros casos, arrisquei um palpite, embora tenha continuado em dúvida. Se alguém puder me ajudar a completar as lacunas, agradecerei.Para compensar minha ignorância, transcrevi e aumentei alguns dos trechos lidos, os que valiam mais a pena. Na ordem do vídeo:1) America, de Walt Whitman“Centre of equal daughters, equal sons,
All, all alike endear’d, grown, ungrown, young or old,Strong, ample, fair, enduring, capable, rich,
Perennial with the Earth, with Freedom, Law and Love,
A grand, sane, towering, seated Mother,
Chair’d in the adamant of Time.” 1) Kurt Schwitters - ? 1) Pneumotórax, Manuel Bandeira“Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
— Respire.
...............................................................................................................— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.”4) Hugh Selwyn Mauberley, Ezra Pound (sinistro, muito sinistro)“There died a myriad,And of the best, among them,,
For an old bitch gone in the teeth,
For a botched civilization,Charm, smiling at the good mouth,
Quick eyes gone under earth’s lid,For two gross of broken statues,
For a few thousand battered books.” 1) Epitáfio, Oswald de Andrade 1) Maiakóvski - ? 1) If a Told Him, Gertrude Stein“Who comes first. Napoleon the first.
Who comes too coming coming too, who goes there, as they go they share, who shares all, all is as all as as yet or as yet.
Now to date now to date. Now and now and date and the date.
Who came first Napoleon at first. Who came first Napoleon the first. Who came first, Napoleon first.” 1) Arte Poética, Jorge Luis Borges (belíssimo)“A veces en las tardes una cara
Nos mira desde el fondo de un espejo;
El arte debe ser como ese espejo
Que nos revela nuestra propia cara.Cuentam que Ulises, harto de prodigios,
Lloró de amor al divisar su Itaca
Verde y humilde. El arte es esa Itaca
De verde eternidad, no de prodigios.” 1) Xadrez de Estrelas, Haroldo de Campos - ? 1) Fala de Jeffrey Lebowski por Jeff Bridges (The Dude!)11) Retrato do Sertão, Patativa do Assaré12) Antonin Artaud - ?13) Lament, Dylan Thomas (God´s voice)“Now I am a man no more no moreAnd a black reward for a roaring life,(Sighed the old ram rod, dying of strangers),Tidy and cursed in my dove cooed roomI lie down thin and hear the good bells jaw--For, oh, my soul found a sunday wifeIn the coal black sky and she bore angels!Harpies around me out of her womb!Chastity prays for me, piety sings,Innocence sweetens my last black breath,Modesty hides my thighs in her wings,And all the deadly virtues plague my death!”14) Vida, Ferreira Gullar“Poderia escrever na pedrameu nome gullar mas eu não sou uma data nem uma trave no quadrante solar Eu escrevo facho nos lábios da poeira lepra vertigem cona qualquer palavra que disfarça e mostra o corpo esmerilado do tempo câncer vento laranjal.” 1) Último Discurso de Martin Luther King“Like anybody, I would like to live a long life. Longevity has its place. But I'm not concerned about that now. I just want to d[...]


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/9/15_10_textos_para_20_vozes_files/vozes_1.jpg




Livros no ar

Mon, 14 Sep 2009 21:13:03 -0300

(image) Embora não faltem livrarias nos aeroportos, há bem mais note e netbooks nas mãos dos passageiros nas salas de espera do que livros. Entre Congonhas – Santos Dumont – Congonhas vi na última semana apenas quatro leitores solitários. Um deles, homem de dia útil em paletó riscado de giz, folheava um portátil As Leis Universais do Sucesso, de um tal de Brian Tracy (Sextante, 112 págs., R$ 9,90), título que dispensaria comentários se eu não imaginasse na hora esse volume sendo localizado nos destroços de um avião.

Adiante, uma mulher, meio senhora, carregava fechado Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, de Stieg Larsson (Companhia das Letras, 688 págs., R$ 42,50). Outra, já numa sala diferente, estava pela metade do também ultra bem-sucedido A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafon (Suma de Letras, 464 págs., R$ 42,90). As coisas aí já melhoravam. Por último, outra mulher – desta vez, uma garota jovem, tatuada, de cara séria. Na mão, Música para Camaleões, de Truman Capote (Companhia das Letras, 312 págs., R$ 49,50).

E foi só. Se essa amostragem fosse suficiente para demonstrar alguma coisa, poderíamos concluir que 1) mulheres leem mais que os homens 2) mulheres gastam mais com livros que os homens 3) mulheres leem livros melhores que os homens. Ou, então 4) homens gastam mais tempo com irrelevâncias do que as mulheres – coisa para a qual esse post, aliás, poderia ser utilizado como prova adicional.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/9/14_Livros_no_ar_files/jfa1574l.jpg




Quadro de avisos

Fri, 4 Sep 2009 13:05:36 -0300

(image) Este blog, que já vinha periclitante, ficará mais alguns dias em débito com os internautas. Além do fato de os problemas técnicos persistirem sem solução, este blogueiro tirará uns poucos e raros dias de folga. Folga total. Espero, na volta, compensar todo o tempo perdido.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/9/4_Quadro_de_avisos_files/shapeimage_1.jpg




BRAVO! de setembro nas bancas

Fri, 4 Sep 2009 13:04:34 -0300

(image) Chegou às bancas a edição de setembro da revista BRAVO!. Na capa, o “pescador de flagras” Henri Cartier-Bresson, tema de uma exposição em São Paulo e de um livro a ser lançado, este mês, pela Cosac Naify. A reportagem é de Gisele Kato, editora de artes plásticas da revista, e a edição conta também com textos exclusivos dos fotógrafos Cristiano Mascaro, Carlos Moreira, Tuca Vieira e Juan Esteves.
 


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/9/4_BRAVO%21_de_setembro_nas_bancas_files/shapeimage_1.jpg




Anticristo

Mon, 31 Aug 2009 13:02:53 -0300

(image) Anticristo, de Lars von Trier, é um filme estranho em muitos sentidos. Como sou um preguiçoso incorrigível, vou apenas dizer que entendo quem o tenha achado genial, tanto quanto compreendo quem o tenha achado odioso: há elementos que podem ser usados tanto a seu favor quanto contra, dependendo das motivações ideológicas de cada um. De minha parte, posso dizer que gostei muito do filme justamente porque ele, entre outras razões, desafia essa oposição entre o bom e o ruim. Nele, cenas plasticamente extraordinárias ombreiam com as mais sujas, e cenas em preto-e-branco solene contrastam com o verde deliberadamente distorcido da floresta. Na narrativa, ora lenta ora acelerada, ideias simplórias escondem outras tantas sofisticadas, e todas elas nos remetem a uma loucura — a do próprio von Trier — assustadora. Bonito e blasfêmico, é um filme tão politicamente incorreto que a ideia do que é politicamente correto nem nos ocorre: são muitas as polarizações em Anticristo, mas elas nunca são banais.

Na sessão em que estive, sábado à noite, muita gente se levantou e foi embora — e sei que isso aconteceu em outros lugares também. Uma parte, saindo mais no começo, provavelmente se sentindo ludibriada — “cadê o filme de terror na floresta que estava aqui?” Outra, saindo mais para o meio da projeção, imagino tratar-se daquele contingente de gente exausta de não entender o que ocorre; e a terceira, mais para o final, francamente chocada com as cenas do filme – e isso era visível.

Não é, certamente, um filme fácil, mas essa indignação é algo que há muito tempo eu não via. Tanto na tela quanto na audência, Anticristo parece estar nos dizendo algo muito muito desagradável. Mas importante.



Quadro de avisos

Fri, 28 Aug 2009 12:54:21 -0300

(image) Um certo contratempo técnico me impediu de postar nestes últimos dias — a imagem acima ilustra tanto o que aconteceu quanto o que me deu vontade de fazer. Sei que me entendem. Ainda não resolvi o problema: este aviso só conseguiu ser postado num esquema improvisado, e a coisa continuará meio periclitante nos próximos dias. Peço desculpas e agradeço (de quem tiver) a paciência.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/8/28_Quadro_de_avisos_files/shapeimage_1.jpg




Batcrime e batcastigo

Mon, 24 Aug 2009 22:57:00 -0300

(image) Mais uma amostra do trabalho do Robert Sikoryak. Desta vez, trata-se de Raskol – uma mistura de Batman com Raskólnikov, o personagem de Dostoiévski em Crime e Castigo. Reparem no símbolo do traje e no jeito de Coringa da velha agiota.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/8/24_Batcrime_e_batcastigo_files/Raskov.jpg




Dia de visita

Sun, 23 Aug 2009 13:15:02 -0300

(image) Quarta-feira passada, no post Sexo e literatura, escrevi que não daria curso a teorizações sobre o filme O Livro de Cabeceira, de Peter Greenaway. Minha amiga Denise Lopes protestou contra essa minha infinita preguiça e me mandou um ótimo texto sobre o filme escrito por ela em 2000, publicado na revista Cinemais em 2001. Tão bom que decidi publicá-lo aqui.

Seguirá em capítulos, porque a Denise não teve dó no puxão de orelhas.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/8/23_Dia_de_visita_files/pil7.jpg




Gregor Charlie Brown

Sat, 22 Aug 2009 14:32:29 -0300

(image) Essa foi contrabandeada do The Book Bench, da New Yorker, o blog que este quer ser quando crescer. É um post sobre o cartunista Robert Sikoryak, que faz paródias de clássicos literários em tiras cujos traços são igualmente clássicos. O resultado, como esse cruzamento entre Peanuts e A Metamorfose, de Franz Kafka, é sensacional.

Como eu gosto de um série, vou continuar postando aqui uns achados de Sikoryak.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/8/22_Gregor_Charlie_Brown_files/gregorbrown.jpg




Sexo e literatura

Wed, 19 Aug 2009 23:46:56 -0300

(image) Depois do post de tatuagem literária de ontem (leia aqui), a Miriam Bemelmans (thanks!) me lembrou do filme O Livro de Cabeceira, sem dúvida a melhor coisa que Peter Greenaway fez em toda a sua vida. A obsessão de Nagiko pela caligrafia no corpo sempre me pareceu uma forma perfeita de simbolizar a aproximação entre sexo e literatura. A lembrança do filme é ainda mais oportuna quando sabemos da função erótica que as tatuagens procuram ter. No caso das literárias, a carga de significados entre os seus adeptos é ainda mais interessante.

Mas, ok, sem teorizações. No vídeo acima, um trechinho do filme.



Literatura na própria pele

Tue, 18 Aug 2009 22:51:30 -0300

(image) Os marinheiros e as borboletas dos posts recentes me fizeram lembrar da onda de tatuagens literárias, um par de anos atrás. Aquelas que se referiam a livros propriamente foram mais o caso de uma marolinha, como diria o presidente. Desta vez diria com acerto, porque as coisas que envolvem literatura não são assim um sucesso de massas.

Entre os vários sites e blogs que apresentaram algumas dessas tatoos mundo afora, o Listal trouxe uma das mais seleções mais caprichadas. Reproduzo aqui algumas das mais curiosas, citando os respectivos livros. A do alto, bem se vê, é de On the Road — Pé na Estrada, de Jack Kerouac (L&PM, 384 págs., R$ 19,50).


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/8/18_Literatura_na_propria_pele_files/droppedImage.jpg




Cultura é uma caixinha de surpresas

Mon, 17 Aug 2009 22:30:45 -0300

(image) Está chegando às livrarias O Pai dos Burros – Dicionário de Lugares-comuns e Frases Feitas, de Humberto Werneck (Arquipélago Editorial, 216 págs., R$ 29). O título já traz um exemplo do conteúdo, que reúne frases colecionadas pelo autor ao longo de quatro décadas de jornalismo. Como se fosse, diz Humberto na introdução, “antiborboletas”: coisas que um dia foram lindas, mas que, de tanto usadas e desgastadas, regrediram à condição de lagartas.

Em uma olhada rápida, pesquei dez dessas pragas que assolam o jornalismo cultural. Algumas, devo confessar, eu mesmo já usei. De outras nem passei perto:

1. Arquitetura arrojada
2. Crítica contundente
3. Não poupar críticas
4. Desfecho trágico
5. Efervescência cultural
6. Esbanjar talento
7. Era de ouro
8. Sonora vaia
9. A plateia vir abaixo
10. Levar a plateia ao delírio

Não é fácil, certo, mas pode-se achar algum consolo quando se vê o que acontece em outros lugares. No jornalismo esportivo, por exemplo. No ludopédio estão as melhores lagartas, e algumas coisas são tão idiotas que ficam engraçadas. Depois de alguma indecisão entre tantas opções, cheguei a essas dez:

1. Balançar a roseira
2. Imprimir velocidade ao ataque
3. Jogar no sacrifício
4. Soltar um canudo
5. Drible desconcertante
6. Arrancar um empate
7. Futebol é bola na rede
8. O jogo só acaba quando termina
9. O juiz ergue os braços
10. Tem dias em que nada dá certo


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/8/17_Cultura_e_uma_caixinha_de_surpresas_files/Butterfly-Exhibit,-Las-Vegas,-Nevada.jpg




Pela cidade

Thu, 13 Aug 2009 00:00:00 -0300

(image) Ok, a qualidade da foto não é das melhores — na verdade, diria mesmo que está entre as piores. Foi tirada usando o zoom digital da câmera xumbrega de 1.2 MP do iPhone. Mas essa é uma daquelas imagens que a gente acha apenas por puro acaso. Só fiquei de frente para esse buraco (na parede da saída do túnel da Rebouças) porque estava parado num congestionamento raro até mesmo para os padrões de São Paulo E, mais estranho ainda, não sei como se pode achar, por trás de um parafusos grossos, Marilyn Monroe e o Homem-Aranha juntos numa cidade que proíbe publicidade externa.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/8/13_Pela_cidade_files/foto.jpg




Agenda

Wed, 12 Aug 2009 10:26:37 -0300

(image) É amanhã, um 13 de agosto. Faltou pouco para ser sexta também.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/8/12_Agenda_files/shapeimage_1.jpg




Depois daquele beijo - parte final

Tue, 11 Aug 2009 23:02:57 -0300

No aguardado último capítulo da nossa novelinha baseada do Um Século em Nova York —Espetáculos em Times Square, chegamos a 2002. Marshall Berman já tem seus 60 anos, chegou, portanto, àquela idade em que pode ver a beleza da paisagem dos anos 40 de Um Dia em Nova York. Mas, se a cidade superou a degradação e a violência da década de 70 de Taxi Driver, há algo de triste no novo século. No seriado Sex and the City, Berman encontra um final perfeito para a sua história.

Em Anchors Away, primeiro episódio da quinta temporada, Carrie (Sarah Jessica Parker) já está longe das “enfermeiras” de meados do século passado: o sexo livre já é, para ela e para a sua geração, uma realidade. Louis, o marinheiro da vez, contudo, é como seus predecessores apenas na aparência. Nova York, para ele, é apenas sujeira e barulho: ela não integra mais, desse modo, todo aquele imaginário de liberdade, democracia e felicidade. Nem tampouco amor: este está em outro lugar. De certo modo, Carrie e Louis mostram exemplarmente, nesse episódio, como tudo, para o bem e para o mal, mudou.

E essa história, que começou com um beijo em Times Square, termina, no mesmo lugar, sem nenhum.

“No fim da noite, as multidões dos teatros e dos restaurantes emagreceram. Agora os anúncios eletrônicos, saturados de explosões de cores quentes, avultam maiores que nunca. Quando a camera foca o grande anúncio vermelho VIRGIN, ele assume a grandiosidade solitária de uma ideia platônica. Quando Carrie passa embaixo do anúncio, ela lança o seu casaco aberto para a noite. Como as heroínas de Jean-Luc Godard na década de 1960, ela abraça um anúncio de neon como um símbolo do que ela secretamente, sem esperança, deseja.”






Depois daquele beijo - parte 2

Sat, 8 Aug 2009 22:40:02 -0300

(image) (Continuação)

Diante desse depoimento, uma sequência possível da história de Berman pode ser encontrada décadas depois, quando ele, “com 30 anos”, em meio à guerra do Vietnã, achava que o amor livre era uma “grande mentira”. É justamente um veterano dessa guerra quem vai apresentar uma Nova York sombria e distorcida, sinal dos novos tempos, distante do idílio de 1945-1949. Em Taxi Driver (1976), de Martin Scorsese, Travis Bickle (Robert De Niro) não é marinheiro, mas serviu como fuzileiro naval —um mariner sem nenhum comitê de boas-vindas na sua volta nem chance de encontrar a graça da cidade. Insone, deslocado e desastrado, ele também fracassará em conquistar a sua “enfermeira” – no caso, Betsy (Cybil Shepperd, belíssima). Se questionado, Bickle certamente acharia também o amor livre uma “grande mentira”. Resta a violência.
 
“O filme começa dentro o táxi de Travis Bickle. (...) O público sente-se confortavelmente envolto na clássica paisagem de Times Square, o mundo projetado pela primeira vez por Vincent Minelli para Um Dia em Nova York, da MGM. Mas então ele chega ao dance, e é quase como um choque. De repente a rua salta contra ele: a cor básica torna-se amarelo berrante, os movimentos da câmera se aceleram e se tornam irregulares, a rua  parece destilar gente, todos parecem quase nus, andam sinuosamente e sacodem os corpos de um modo provocador uns para os outros e também para o mundo.”

(Continua)



Depois daquele beijo - parte 1

Wed, 5 Aug 2009 22:39:41 -0300

(image) Continuação de ontem)

Em 1949, a MGM, Stanley Donen e Gene Kelly fazem a primeira grande obra para o cinema explorando o imaginário da união casual e da liberdade daquele beijo em Times Square: Um Dia em Nova York (In the Town). No enredo básico, a semelhança é evidente: três marinheiros em busca de suas “enfermeiras” na cidade. Não sou muito fã de musicais, mas como negar o encanto do número acima, com a antropóloga vivida por Ann Miller fazendo seu número no museu ao lado dos marinheiros da vez? Para Berman, tanto a foto de Eisenstaedt como o filme podem ser compreendido como um sinal dos tempos de amor livre e liberação sexual que viriam. Para isso, usa seu própria experiência, antecipando um pouco do que virá — na história americana e no livro:

“Quando vi pela primeira vez esse filme, aos dez anos, eu o considerei uma antevisão da vida sexual adulta, e mal podia esperar para crescer. Quando o vi de novo aos trinta, em meio à Guerra do Vietnã, eu o senti mais como Liz Phair — ‘O amor livre é uma grande mentira’; e eu me perguntava que droga eles tinha tomado para que combinassem tão bem. Vendo-os aos sessenta anos sinto todas as diferente tonalidades que [o filme] mistura com tanta perfeição: os brancos dos marinheiros, as cores deliciosas das mulheres, a carne humana, a pedra, a grama e o céu da cidade; a ponte do Brooklyn como uma lingerie coletiva que torna o porto de Nova York e as pessoas mais radiantes do que nunca, ao serem vistos por entre as faixas de arame.”

(Depois continuo a história)



Uma foto que vale por 376 páginas

Tue, 4 Aug 2009 22:39:15 -0300

(image) Um livro interessante é Um Século em Nova York, de Marshall Berman (Companhia das Letras, 376 págs., R$ 55). Não que haja muita novidade ou originalidade no método do autor: ele elege um “centro de gravidade” — a Times Square — para contar uma história que mescla urbanismo, economia cultura, artes e imaginário, chegando, no fim, à política, fazendo um rerato da maior potência do planeta. Berman elenca, por exemplo, seriados e filmes cujos núcleos narrativos remetem, ora ou outra, para esse ponto de convergência entre a Broadway, a 42 e a Sétima Avenida, um lugar que se tornou uma meca tanto da cultura quanto da economia. Também nada novo até aqui.

A novidade está, sim, na maneira como ele lida com essas referências. Nesses filmes, peças de teatro, espetáculos musicais e seriados, o interessante não são tanto as cenas em que fulano ou sicrano aparecem sob os letreiros coloridos, naquele praça antes apinhada de carros e, agora, de gente e de cadeiras. É, antes, a maneira como Berman escapa, pelo texto, da armadilha descritiva, tão comuns em análises como essas. Em seus melhores momentos, faz com as palavras se sobrepor à obviedade das imagens, sem, entretanto, negá-la. O que é mais difícil do que parece.

O maior exemplo é, certamente, a célebre foto acima, tirada por Alfred Eisenstaedt no dia 15 de agosto de 1945, data da rendição do Japão e do fim da Segunda Guerra Mundial. O imaginário em torno dessa imagem — que reúne Times Square, um marinheiro e uma enfermeira num beijo ardente — se espalha por todo o livro. Paz, amor, sexo, felicidade, liberdade, vitória, democracia (e todas as suas antíteses, numa sociedade competitiva) são as linhas-mestras na análise de filmes como Um Dia em Nova York (1949) e Taxi Driver (1976), além do seriado Sex and City.

Num próximo post, darei exemplos mais concretos, mostrando tanto a maneira como Berman estará sempre referindo-se a essa espécie de “beijo inaugural” quanto a forma com que ele, repetidamente, usa imagens para achar novos sentidos, no que é um grande triunfo do texto.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/8/4_Uma_foto_que_vale_por_376_paginas_files/shapeimage_1.jpg




Mais prêmios

Mon, 3 Aug 2009 22:38:58 -0300

(image) Foi anunciado há poucas horas o vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2009, e deu Galiléia, de Ronaldo Correia de Brito (Alfaguara, 240 págs., R$ 36,90). Na BRAVO!, quem escreveu sobre o livro foi Joca Reiners Terron (para ler, clique aqui). Está em ótimas mãos o prêmio, Ronaldo é um autor de primeira, e já faz um tempo (clique aqui para ler um texto meu sobre Faca, de 2003, também publicado na BRAVO!).

Na categoria Melhor Livro de Autor Estreante, o vencedor foi A Parede no Escuro, de Altair Martins (Record, 256 págs., R$ 36).


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/8/3_Mais_premios_files/shapeimage_1.jpg




Edgar Alan Parsons

Sun, 2 Aug 2009 22:38:29 -0300

(image) Para não perder o embalo no Edgar Allan Poe musical, segue mais um desenho animado baseada num conto do americano. Agora, O Barril de Amontillado, pequena obra-prima da vingança auto-explicada pelas duas divisas latinas no texto: Nemo me impune lacessit ("Ninguém me fere impunemente") e o fúnebre arremate final In pace requiescat ("Descanse em paz"). Em preto-e-branco (com exceção do vinho aziago), essa animação do americano Ace Gallagher passa longe do humor. Mas o melhor é a sincronia com a música do Alan Parsons Project, cuja letra substitui — excepcionalmente bem — qualquer tipo de narração.



O último tango do sr. Valdemar

Fri, 31 Jul 2009 22:38:07 -0300

(image) Voltamos a Edgar Allan Poe no quarto da série de desenhos animados baseados em obras literárias. Desta vez é um dos seus contos mais agoniantes, O Estranho Caso do Sr. Valdemar. A animação é um trabalho de mestrado de Bahij Jaroudi na Universidade de Kingston, em Londres. Este Poe animado também tem humor (gosto especialmente do gato preto dando passes de mesmerismo), contando ainda com o bandoneón de Astor Piazzola na trilha sonora.



BRAVO! de agosto nas bancas

Thu, 30 Jul 2009 22:37:44 -0300

(image) Chegou às bancas a edição de agosto da revista BRAVO!. Na capa, os “revolucionários do olhar” Marc Chagall e Henri Matisse, temas de duas grandes exposições que chegam ao Brasil a partir deste mês. A imagem é Os Noivos no Céu de Paris, de Chagall. Nas páginas internas, extensa, detalhada e caprichada reportagem assinada por  Gisele Kato.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/7/30_BRAVO%21_de_agosto_nas_bancas_files/shapeimage_1.jpg




Coming soon 2

Tue, 28 Jul 2009 22:37:24 -0300

(image) Foi divulgada nesta terça-feira a primeira lista — a chamada longlist — ao Man Booker Prize de 2009. São 13 desta feita — em setembro sai a shortlist, reduzida à metade, com seis nomes. A relação traz alguns suspeitos de sempre: Colm Toíbín, J. M. Coetzee, e A. S. Byatt. Estes dois últimos já ganharam o prêmio antes — Coetzee com Vida e Época de Michael K. (1983) e Desonra (1999), Byatt com Possessão (1990). Toíbín chegou duas vezes à shortlist, mas perdeu (uma delas, com A Luz do Farol, para Desonra). Os livros desse três que concorrem não chegaram ao país ainda, mas não devem demorar — todos os citados foram publicados no Brasil (Companhia das Letras), são bem conhecidos e as editoras brasileiras costumam apostar no poder de venda do Booker.

Entre os demais concorrentes, um caso à parte — para nós — é o livro Heliopolis, do britânico James Scudamore, que se passa, justamente, na gigantesca favela homônima de São Paulo, cidade em que ele já viveu. É um livro que, naturalmente, deve chegar a qualquer momento.

Da lista, há outros escritores que já têm livros e casa aqui. Vários: Sarah Hall (Michelangelo, o Tatuador, Nova Fronteira), Hilary Mantel (A Sombra da Guilhotina, Record), Sarah Waters (Na Ponta dos Dedos e Ronda Noturna, Record) e Simon Mawer (O Evangelho de Lucas, Ediouro). Também é conhecido aqui o irlandês William Trevor, cujo Felicia’s Journey deu no filme O Fio da Inocência (1999), de Atom Egoyan. Trevor, aliás, é um veterano do Booker Prize: já chegou à shortlist outras quatro vezes, sem sucesso.

Do ponto de vista da representação nacional, a lista mostra que o Booker Prize deu um tempo (até aqui pelo menos) com sua “política de cotas”, que sempre tenta contemplar ao máximo os países da Commonwealth e da Irlanda. Dos 13, oito são ingleses, três são da Irlanda, um é da África do Sul, outro da Austrália. Mas tenho certeza do seguinte: impossível a shortlist trazer seis ingleses. Em nome das cotas, pelo menos um irlandês marcará presença, e o sul-africano Coetzee, bem, sempre é um Coetzee.

Eis a lista:

The Children's Book, AS Byatt (Inglaterra)
The Quickening Maze, Adam Foulds (Inglaterra)
How to Paint a Dead Man, Sarah Hall (Inglaterra)
The Wilderness, Samatha Harvey (Inglaterra)
Wolf Hall, Hilary Mantel (Inglaterra)
The Glass Room, Simon Mawer (Inglaterra)
Heliopolis, James Scudamore (Inglaterra)
The Little Stranger, Sarah Waters (Inglaterra)

Brooklyn, Colm Toíbín (Irlanda)
Love and Summer, William Trevor (Irlanda)
Me Cheeta, James Lever (Irlanda)

Summertime, JM Coetzee (África do Sul)

Not Untrue & Not Unkind, Ed O'Loughlin (Austrália)


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/7/28_Coming_soon_2_files/shapeimage_1.jpg




O rap de Otelo e Desdêmona

Mon, 27 Jul 2009 22:37:02 -0300

Quando eu comecei a fazer uma seleção das adaptações literárias para desenho animado, tinha decidido excluir os tecnicamente toscos. Abri uma exceção para este, terceiro da série, porque ele é uma daquelas ruindades que chegam perto da excelência. Adaptado de Otelo, de William Shakespeare, o vídeo se chama Othello em Three Minutes. Seu autor, que se identifica como BBsman22, fez vários outras animações semelhantes, com essa “estética” (digamos assim) wordpaint.



Página 56 do B

Sat, 25 Jul 2009 22:36:40 -0300

(image) Mais uma rodada da brincadeira da página 56 — a última, porque mais que isso perde a graça. Agora, com os livros de casa, que fui pegando em lugares distintos da estante. Algumas dessas edições estão esgotadas, mas não deve ser difícil, para quem eventualmente se interessar por elas, localizá-las em sebos. Imagino, ainda, que existam outras edições das mesmas obras. Sobre os significados, há ainda um quê de biscoito chinês: tudo parece fazer um sentido, embora não saibamos aonde esse tudo nos leva. 

“Não há espécies, família, gênero, nem, mesmo por acaso, indivíduos (pois o homem muda e seu desejo nega o de ontem).” (Um Mais Além Erótico: Sade, Octavio Paz. Mandarim, 122 págs., esgotado)

“Esvaziou dois, esfregando cuidadosamente com o dedo as cinzas no tapete” (É Difícil Encontrar um Homem Bom, Flannery O’Connor. ARX, 288 págs., esgotado)

“Alabama vestiu-se com linho rosa claro, e ela e David sentaram-se juntos sob as pás dos ventiladores do teto que fustigavam o verão dando-lhe consequência.” (Esta Valsa é Minha, Zelda Fitzgerald. Companhia das Letras, 272 págs., esgotado.

“E se você tinha que deixar um bichinho de Deus que fizesse todo dia alguma coisa para o alimento da gente, era melhor ter deixado um bicho que produz leite, como um coelho fêmea e uma cabra.” (Erica e Seus Irmãos, de Elio Vittorini. Berlendis & Vertecchia, 112 págs., R$ 34).

“Basta dizer que mesmo em A Interpretação dos sonhos essa noção do desejo vai ser ampliada e detalhada, porém sempre remetendo ao que é o seu núcleo, a ideia do desejo infantil.” (Tempo de Muda, Renato Mezan. Companhia das Letras, 368 págs., R$ 62,50)


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/7/25_Pagina_56_do_B_files/shapeimage_1.jpg




Edgar Allan Poe em Springfield

Fri, 24 Jul 2009 22:36:10 -0300

(image) Aqui vai, como prometido, uma segunda adaptação de obra literária para desenho animado. Desta vez, algo mais leve que a versão japonesa para Kafka, embora ainda estejamos no território do fantástico: O Corvo, de Edgar Allan Poe, num episódio especial de Halloween de Os Simpsons — para quem quiser conferir, foi o terceiro da segunda temporada. O episódio, aliás, ganhou um verbete próprio na Wikipedia (Treehouse of Horror). Nessa história, narrada pelo ator James Earl Jones, Bart encarna o corvo que, com seu never more, enlouquece Homer de ódio. Claro.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Media/O%20Corvo%20em%20Os%20Simpsons-1.divx




Mais uma licença

Wed, 22 Jul 2009 22:35:41 -0300

(image) Um parêntese, mas não – como da última vez – sobre futebol. Hoje, ao consultar as estatísticas de acesso a este blog pelo Sitemeter, descobri que alguém do Departamento de Estado americano (domínio state.gov) andou xeretando aqui. Uau. Aconteceu à 1:22:19 pm (hora de Brasília, uma a menos para a costa oeste). A pessoa gastou exatos 2:02 minutos e visitou três páginas – isso porque a maioria, devo confessar, não gasta nem um minuto. Que raios?

Alguém me diz que talvez seja por causa do meu nome: Al-mir — como, por exemplo, Al-Raschid, Al-Mahdil ou, pior, Al-Qaeda. Ou seja, só verificação automática de rotina. Ou então a culpa é do Sartre e da Simone, do Hitler ou, ainda, de Gore Vidal.  Ou, vai saber, da Mafalda. Ou será que Página 56 não tem nada de aleatório e é um código secreto?
 
Contudo, como tenho pouca inclinação às teorias conspiratórias, creio que mais provável é que seja alguém sem ter o que fazer na hora do almoço, os dois pés na mesa, enquanto Hillary Clinton não volta do giro pela Índia e Tailândia. Aliás, volta nesta quinta, melhor começar a trabalhar.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/7/22_Mais_uma_licenca_files/shapeimage_1.jpg




Kafka animado

Mon, 20 Jul 2009 22:35:21 -0300

(image) Um tempo atrás, o blog Melhores do Mundo fez uma lista de “5,5 desenhos animados” sobre música clássica — uma ótima ideia que me foi mostrada pela Laila (thanks!). Resolvi copiá-los, mas usando obras da literatura no lugar de música erudita. Também resolvi fazer a lista a prestação, postando um de cada vez — até porque alguns desenhos são relativamente longos. Além disso, não vou fazer nenhum ranking — as listas da série Bravo 100 já consomem o suficiente da porção do meu cérebro apta para essa hierarquização extrema. Ou seja, mudei tudo.

Para começar, um dos meus preferidos: Um Médico Rural (Companhia das Letras, 88 págs., R$ 23,50), conto de 1919 de Franz Kafka adaptado por Koji Yamamura em 2007. O traço, a animação e a trilha fazem jus ao ambiente sinistro do texto. O desenho animado, dividido em três partes, é falado em japonês, com legendas em inglês.

Depois volto com outras adaptações.



Página 56

Thu, 16 Jul 2009 22:35:09 -0300

(image) Circula entre os usuários da rede social Facebook uma brincadeira que consiste em postar a quinta oração da página 56 do livro que estiver mais à mão. Não o preferido nem o mais legal – apenas o que estiver mais perto. Na redação da BRAVO!, rodeado que sou de livros, tive de escolher o primeiro da pilha mais próxima, à esquerda. Deu: “Nada mais existe, só as três palavras”, de Melhores Contos de Salim Miguel, selecionados por Regina Dalcastagnè (Global, 220 págs., R$ 34).

Desconheço as razões (se é que existe alguma) dos números 5 e 56 exigidos, mas é curioso como essa coisa tão ordenadamente aleatória parece sugerir, por um instante que seja, um significado maior. Mais ou menos como os biscoitos chineses ou os horóscopos de 50 toques dos jornais. Resolvi então fazer uma nova experiência: pegar (juro) aleatoariamente 5 (número que me parece fazer certo sentido na brincadeira) livros da estante da redação, ver se aparece algum sentido (sei lá) ampliado. Troquei “oração” por “período”, para não ficar maluco além da conta. Se só for maluco mesmo, pelo menos ficam algumas indicações de livros — embora eu não garanta a qualidade de todos. O que posso dizer é que são livros que retive comigo por alguma razão.

Quem sabe o que vai neles não faça algum sentido para quem me lê agora? Eis:

“Ao amanhecer – supunha que já tinha chegado o amanhecer – , elas se esvaneceram como restos levados pela maré.” (Purgatório, Thomas Eloy Martinez. Companhia das Letras, 248 págs., R$ 42)

“No entanto, e talvez para poupar o filho (parece que as mães têm essas coragens), a sra. De Saint-Séverin recobrou a calma original.” (Léa, de Barbey D’Aurevilly em Contos de Amor do Século XIX Escolhidos por Alberto Manguel. Companhia das Letras, 568 págs., R$ 49,50)

“Permissão.” (À Espera do Sol – Memórias Paternas de Amor e Síndrome Bipolar, de Michael Greenberg. Record, 272 págs., R$ 38)

“Atenção nos lados e no lombo dela, carnudinhos como de todo tunídeo, pura massa muscular.” (O Sorriso do Lagarto, João Ubaldo Ribeiro. Alfaguara, 344 págs., R$ 59,90)

“A cidade estava incendiada de batalhas de confetes” (Memórias / A Menina sem Estrela, Nelson Rodrigues. Agir, 456 págs, R$ 69,90)

Adiante, farei o mesmo na estante de casa.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/7/16_Pagina_56_files/shapeimage_1.jpg







Fernando Pessoa por Caetano Veloso

Sun, 12 Jul 2009 22:33:43 -0300

(image) Quem é da época do vinil deve se lembrar desse LP da gravadora Eldorado com poesias musicadas de Mensagem, de Fernando Pessoa. Quem as cantava eram Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Ney Matogrosso, Cida Moreira (quem se lembra?), entre outros menos cotados. Era uma beleza, mas virou coisa rara. Houve um único lançamento em CD posteriormente, mas esgotou-se também e é coisa difícil de achar. No arquivo que aqui segue, o poema é Padrão, cantado por Caetano.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Media/Padr%C3%A3o.mp3




Quatro atrizes em 16 mm

Fri, 10 Jul 2009 22:33:20 -0300

(image) Hoje (quase) todo mundo tem (relativa) familiaridade com as câmeras de TV, e, se não tranquilidade, ao menos conhecimento da linguagem e da, digamos, “etiqueta” exigida pela ocasião. Mas, claro, nem sempre foi assim. Mesmo gente que se dá muito bem na frente das câmeras já teve suas dificuldades priscas eras atrás, quando a TV era uma novidade e toda a nossa cultura televisiva — hoje imensa — estava por ser formada.

No acervo da TV Tupi, digitalizado pela Cinemateca Brasil (ao qual já fiz referência, aqui), essas dificuldades de origem são muitos evidentes. Os vídeos que reproduzo nesta página, todos de 1968, mostram grandes atrizes brasileiras bastante atrapalhadas durante entrevistas. A exceção é Cacilda Becker que, acima, fala de providências após o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) invadir o teatro Galpão, em 18 de julho, e espancar atores e público da peça Roda Viva, peça de Chico Buarque encenada por Zé Celso.

Abaixo, Marília Pêra (que faria parte do elenco de Roda Viva naquele noite, aliás) toma o microfone do entrevistador, que o cede com uma sutil, mas clara, resistência. Antigamente, isso era algo que irritava muito o jornalista, hoje acho que nem acontece mais.























Abaixo, se repararmos bem, Fernanda Montenegro também segura o microfone, mas esse entrevistador está mais disposto a conservá-lo. Ela, muito segura hoje, também está evidentemente nervosa, incapaz de articular um discurso dos mais coerentes. Tanto neste quanto no último e quarto vídeo, o assunto é a greve que os atores fizeram em fevereiro de 1968 contra a censura. Os tempos começavam a ficar mais difíceis.























Aqui, Tônia Carrero mostra já possuir o estilo “gracinha” de falar. Seu discurso é articulado, mas parece ensaiado: ao “errar” (um erro que não entendi), ela se desconcerta um tanto, como se tivesse cometido uma falha em cena. Atrás dela está Odete Lara, que dá a impressão de estar se arrumando. Lá pelas tantas, a câmera busca Eva Todor que, ao lado de Dina Sfat, parece se divertir por estar sendo “filmada”.

No fim deste quarto video, temos, novamente, Cacilda Becker. E, mais uma vez, ela exibe uma segurança que parece inata. Devia mesmo ser uma força no palco. Quanto ao país,  bem. Sabemos que as coisas iam ficar mais feias.
























Fotorresenha

Wed, 8 Jul 2009 22:08:20 -0300

(image) Maldigo a reforma ortográfica quando escrevo este título — e digo “maldigo” para não ser obrigado a usar “amaldiçoo” e cair na esparrela duas vezes seguidas. Mas “fotorresenha” me parece ser a palavra certa para o texto sobre Os Emigrantes, de W. G. Sebald (Companhia das Letras, 240 págs., R$ 43), que publiquei na edição de julho da BRAVO! e que reproduzo neste site (clique aqui para ler) com um certo atraso. A brincadeira, naturalmente, é tentar emular a força “narrativa” que as fotos têm na prosa do alemão, sobre a qual, aliás, venho escrevendo com certa frequência.

Também com atraso atualizo a índice da revista, que pode ser visto aqui.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/7/8_Fotorresenha_files/shapeimage_1.jpg




Paraty é uma festa

Mon, 6 Jul 2009 22:07:48 -0300

(image) Cheguei ontem de mais uma Flip, mas vou me abster de fazer mais comentários além dos que já saíram em todos os jornais, sites e blogs — incluindo aí o do BRAVO!, com minha modesta e discreta participação. (clique aqui para ler) Também estive a postar coisinhas do Twitter da revista (aqui), minha estreia nessa coisa meio maluca, e gostei tanto que vou aderir a esse rede também — coming soon. De resto, aproveitei a cidade, que é uma festa nessa época do ano, e também para rever amigos, o que é, sob vários aspectos, o melhor de tudo. E, para ilustrar esse post de retorno, Lobo Antunes na conversa que teve com Humberto Werneck, num dos melhores momentos de todas as Flips já realizadas.



E tem mais

Tue, 30 Jun 2009 22:06:26 -0300

(image) Também estão prestes a chegar às bancas as reedições dos três primeiros números da série BRAVO 100: livros brasileiros, livros mundiais e filmes – este já em terceira edição. As três saem com algumas correções e, principalmente, com a adequação da grafia às novas regras ortográficas. As listas e rankings — mantidos — são de responsabilidade deste que vos fala, que, por causa delas, já foi devidamente malhado. Ossos do ofício.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/6/30_E_tem_mais_files/shapeimage_1.jpg







Pesos e medidas

Fri, 26 Jun 2009 22:05:47 -0300

(image) A edição online do jornal britânico The Guardian publicou nesta sexta uma seleção de capas de jornais com capas dedicadas à morte de Michael Jackson ao redor do mundo. Uma das melhores é, realmente, a do Extra, do Rio de Janeiro. De minha parte, numa rápida pesquisa no site Newseum, fui verificar como a notícia apareceu em diferentes países, e o resultado pode ser visto na seleção acima. Muitos jornais de países a partir da Europa em direção ao leste, com as edições já prontas, perderam a notícia por conta do fuso horário — uns poucos ou tinham edições vespertinas ou tiveram agilidade para fazer a troca.

Algumas são de mau gosto, outras pouca bola dão ao fato. Outras exageram. Na ordem, temos, na primeira fileira, tabloides da: Colômbia (de carne e osso, sei); África do Sul (a notícia está numa mera “bandeira”, acima da foto dos torcedores sul-africanos desconsolados com a derrota para a Seleção Brasileira); e Grécia (talvez o redator da primeira página, na troca urgente, tenha ficado com dó de desfazer o layout e optado por um registrinho no pé da página).

Na fileira de baixo, no formato standard, os jornais de: Taiwan (provavelmente em edição vespertina, com quatro fotos de Michael Jackson e uma de Farrah Fawcett); do estado americano do Alabama (que resolveu, salomonicamente, dar pesos iguais às duas mortes); e da Áutria (cujo editor, preguiçoso e burocrata a não poder mais, achou que duas espigas de milho eram mais importantes que a foto de Michael Jackson).


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/6/26_Pesos_e_medidas_files/shapeimage_1.jpg




Nós, as focas e os gibões

Wed, 24 Jun 2009 22:04:58 -0300

(image) A Grande História da Evolução, de Richard Dawkins (Companhia das Letras, 792 págs., R$ 59) é realmente um livro fascinante. A quantidade de páginas – sobretudo as que eu ainda tenho de vencer – me impedem, por ora, de fazer uma avaliação mais geral da obra desse autor, cuja mesa na Flip, que começa daqui uns dias, deverá lotar. Mas não resisto a compartilhar algumas das milhares de informações do livro. Entre as mais curiosas estão, naturalmente, as referentes à evolução sexual. No capítulo Laurasiatérios (bom, hein?), lê-se que:

1) Alguns dos exemplos mais extremos de poliginia (uma minoria de machos “tem acesso” a uma maioria de fêmeas) são encontrados entre as focas, que se reproduzem todas juntas, na praia. Segundo um estudo citado, “4% dos machos eram responsáveis por 88% das cópulas vistas”. A ver navios, os 96% dos machos restantes ficam um tanto agressivos

2) Há uma relação direta entre dimorfismo sexual (machos fisicamente bem maiores que fêmeas) e poliginia. A ideia é a seguinte: para disputar e ganhar várias fêmeas, é preciso ser grande. Um exemplo são os gorilas, políginos ,cujos machos podem ter o dobro do tamanho das fêmeas. No outro extremo estão os gibões, em que fêmeas e machos (fiéis e monógamos) têm o mesmo tamanho. O homem está no meio. Mais para gibão.

3) Entretanto, em um estudo de 1967 mapeando as práticas de “846” sociedades humanas, coligidas em um levantamento mundial, sugere-se algo interessante. Nesse universo, 16% era monógama, 1% poliândrica (uma mulher casada com vários homens) e 83% polígina. Dawkins questiona, com razão, os critérios para diferenciar uma sociedade de outras e chegar nesse número mágico, mas os resultados não podem ser desprezados.

4) Como existe na espécie humana um equilíbrio entre o número de homens e mulheres, e dado que a maioria das sociedades é polígina, uma minoria de homens no mundo fica com as mulheres. O resto vê navios. Como aqueles focas machos. Agressivos.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/6/24_Nos,_as_focas_e_os_giboes_files/shapeimage_1.jpg




Como era gostoso o nosso cinema

Tue, 23 Jun 2009 22:04:38 -0300

(image) Ainda navegando no site da Cinemateca Brasileira, fui para o acervo de cartazes de filmes — existem bem uns 500 digitalizados lá. Os famosos — como o círculo do sol emuldorando o Corisco de Othon Bastos em Deus e o Diabo na Terra do Sol — estão lá, naturalmente, mas os mais interessantes são de filmes bem menos conhecidos. Selecionei os quatro acima, a respeito dos quais (na ordem, no sentido habitual) comento:

1) O clima noir por todos os lados: dólares, ombro nu de mulher de meias pretas, revólver, ladrão abrindo cofre com maçarico e até uma garrafa quebrada com arma. Para chamar a atenção, os produtores quiseram apostar na quantidade de títulos bombásticos e, digamos, na comunicação direta com o  público: “Vocês esperavam...” e “vocês não podem perder”. O duro é que esse filme de 1956 nem o IMDB registra.

2) Tem algo lusitano no título dessa “super produção nacional” de 1960, com Paulo Goulart no elenco. Quando assistimos pela primeira vez, por exemplo, a Os Doze Condenados, não sabemos se todos sobreviveram. Isto é, se voltaram.

3) O ilustrador anônimo do cartaz desse filme de 1949, com Alselmo Duarte e Eliana, não quis correr nenhum risco de ser mal-compreendido pelo público: se a questão é a sombra da outra, é melhor desenhá-la para não restar nenhuma dúvida.

4) Achei esse bem sinistro.


Media Files:
http://www.almirdefreitas.com.br/almir/Blog/Entradas/2009/6/23_Como_era_gostoso_o_nosso_cinema_files/shapeimage_1.jpg