Subscribe: Café Arte & Ofício
http://cafetradutorescristaos.blogspot.com/feeds/posts/default
Added By: Feedage Forager Feedage Grade B rated
Language:
Tags:
Rate this Feed
Rate this feedRate this feedRate this feedRate this feedRate this feed
Rate this feed 1 starRate this feed 2 starRate this feed 3 starRate this feed 4 starRate this feed 5 star

Comments (0)

Feed Details and Statistics Feed Statistics
Preview: Café Arte & Ofício

Café Arte & Ofício



Um ponto de encontro para tradutores cristãos.



Updated: 2017-11-14T04:03:15.296-02:00

 



Por que oramos uns pelos outros?

2010-04-22T11:55:17.977-03:00

Como tradutor cristão, você tem o costume de orar por seus colegas de profissão? Tem contato frequente com outros tradutores que estão em busca de um relacionamento diário mais profundo com Deus? Em caso negativo, sente falta desse contato? Em caso afirmativo, que diferença ele faz em sua rotina? Troco e-mails semanalmente com colegas cristãos da área editoral. Muitas vezes, falamos de trabalho. Em outras ocasiões, porém, falamos de coisas do coração e pedimos socorro de oração uns aos outros. Os prazos podem não encolher, o trabalho pode não render tanto quanto gostariamos, a disposição pode não se multiplicar, mas aprendemos coisas novas a respeito uns dos outros e, principalmente, a respeito do Deus a quem servimos e do qual dependemos em todas as coisas. No texto abaixo, que preparei para os participantes do círculo de oração da nossa igreja, trato do papel da oração conjunta na comunidade dos cristãos. Por que oramos uns pelos outros? Por que compartilhamos pedidos com várias pessoas e até institucionalizamos essa prática na forma de correntes ou círculos de oração? Deus é convencido por números? Quanto mais intercessores, maior a probabilidade de ele ouvir nossas petições? Quem sabe, dentre tantas pessoas, algumas são mais santas e terão mais facilidade em obter o favor de Deus... Correntes de oração constituem, então, uma forma de superstição cristã? Consideremos dois pontos: 1. A Bíblia nos instrui a apresentar nossas petições ao Senhor e a orar uns pelos outros (cf. Gl 6.2; Fp 4.6; Tg 5.16). 2. A dinâmica do Corpo de Cristo envolve três dimensões relacionais: A vertical individual, na qual cada indivíduo se relaciona com Deus e ele se revela a cada um. A horizontal, na qual nos relacionamos uns com os outros e revelamos nosso ser interior uns aos outros. A vertical comunitária, na qual nos relacionamos com Deus em conjunto e ele se revela a todo o Corpo. Diante da instrução bíblica e dessas dimensões relacionais, pode-se dizer que a corrente de oração cumpre dois papéis: desenvolve a dimensão horizontal e estimula a dimensão vertical comunitária. Quando pedimos que irmãos orem por nós, colocamos de lado nosso individualismo e orgulho e reconhecemos que fazemos parte de algo maior. Somos membros uns dos outros (Rm 12.5). Somos peregrinos que caminham juntos aqui na terra. A caminhada conjunta não é meramente conceitual e facultativa. É uma realidade a ser vivida. Daí, a instrução bíblica para orarmos uns pelos outros e levarmos as cargas uns dos outros. Quando oramos por nossos irmãos, reconhecemos que Deus é nosso único Provedor. O alívio, conforto, satisfação e realização que a comunidade humana pode nos oferecer são reais, abençoados e abençoadores. Em função de sua própria natureza, porém, também são incompletos, imperfeitos e passageiros. Ao mesmo tempo em que aceitamos nossa dependência dos outros membros do Corpo, aprendemos a buscar a Deus juntos, pois não temos dentro de nós mesmos a substância necessária para suprir, de forma independente, as carências uns dos outros. Podemos ser canal de bênção, mas a fonte é sempre Deus. O valor da corrente de oração não reside, portanto, no número de participantes nem no “grau de santidade” dos mesmos, mas sim, na vivência bíblica e nas dimensões relacionais que ela promove. É um instrumento de adoração e crescimento conjunto, e não um mecanismo mais eficaz do que a oração individual para obter as respostas que desejamos. Oremos, portanto, uns pelos outros e, juntos, adoremos ao Senhor, buscando-o como nosso mais precioso bem. “Digo ao SENHOR: Tu és o meu Senhor; outro bem não possuo, senão a ti somente” (Sl 16.2). [...]



Caixa de ferramentas para tradutores

2010-04-09T07:33:12.821-03:00

A lista de recursos on-line apresentada a seguir foi compilada por Fabiano Medeiros, do editorial da Ed. Mundo Cristão, com base em sugestões de vários tradutores. Many thanks ao Fabiano por autorizar a publicação dessas dicas tão úteis.Você tem sugestões para acrescentar à lista? Deixe um comentário. DICAS DE DICIONÁRIOS E FONTES DE CONSULTA 1. A primeira dica é a seguinte. Descobri por acaso... No Google, você digita a palavra ou expressão seguida de DIC. Ex: overwhelming DIC. O resultado são as definições fornecidas pelos dicionários mais importantes... 2. Para quem prefere algo mais profissional, basta acessar o www.onelook.com e digitar ali a palavra ou expressão. O Onelook é uma espécie de portal dos melhores dicionários online, técnicos ou não. 3. Alguns endereços específicos (eu mantenho o ícone dos melhores na minha barra do IE, para fácil acesso): Monolíngues inglês Cambridge http://dictionary.cambridge.org/ (há uma versão americana também) Chamo a atenção de vocês para este dicionário por ser altamente prático. Como veem no exemplo abaixo, a Cambrige criou esse negócio de “apor” uma ETIQUETA em versal logo no início do verbete, já indicando o(s vários) campo(s) semântico(s). Isso facilita muito a consulta, porque remete você para o contexto imediato em que está trabalhando e reduz a perda de tempo na consulta por significados. Claro que isso não é possível em todos os verbetes... E não é algo que resolve todos os problemas. Mas ajuda muito em muitos casos! Ex: get was found in the Cambridge Advanced Learner's Dictionary at the entries listed below. · get verb OBTAIN · get verb REACH · get verb BECOME ILL WITH · get verb START TO BE · get verb CAUSE · get verb BE · get verb MOVE · get verb TRAVEL · get verb DEAL WITH · get verb HAVE CHANCE · get verb UNDERSTAND/HEAR · get verb PREPARE · get verb PAY · get verb CONFUSE · get verb ANNOY · get verb EMOTION · get verb HIT Longman http://www.ldoceonline.com/ Excelente. Oxford http://www.askoxford.com/?view=uk Excelente. American Heritage Dictionary http://education.yahoo.com/reference/dictionary/ Excelente. Merriam-Webster http://www.merriam-webster.com/ Outro grande nome, claro, ao lado de Cambridge, Oxford, Longman, Random House, American Heritage. The Free Dictionary http://www.thefreedictionary.com/ Eu gosto bastante deste, particularmente. Dictionary.com http://dictionary.reference.com/ Já conhecia, mas usava pouco. Foi o Robinson que chamou a minha atenção para o seu valor e utilidade, e de fato estou comprovando. Vale a pena! Outra coisa legal é que ele conta com um bom tesauro. É possível assim encontrar as palavras alistadas também por associação semântica o que facilita às vezes a compreensão do termo ou a percepção de seu uso e abrangência. YourDictionary.com (inclui outros idiomas e áreas técnicas) http://www.yourdictionary.com/ Answers.com www.answers.com Indicado por Renato Fleischner. Urban Dictionary http://www.urbandictionary.com/ Este, eu queria que vocês me ajudassem a avaliar. Parece se tratar de um dicionário open source (com participação do público internauta). Isso torna a fonte vulnerável a erros! Outro problema que quero ressaltar, antes de mais nada: o dicionário traz verbetes que refletem um uso atualíssimo da língua inglesa. Traz até mesmo coisas que não se encontram em dicionário algum online. Só que, junto também, vem todo tipo de palavra e expressão de baixo calão. É um dicionário que expressa a língua inglesa como ela é usada hoje nas ruas, nas cidades, nas famílias, nos relacionamentos. Mas já encontrei aí termos e expressões para traduções do Manning, p. ex., que não achei em nenhum outro lugar. A Susana Klassen também o utiliz[...]



Páscoa

2010-04-01T07:24:10.816-03:00

(image) (image)
Deus, porém, é tão rico em misericórdia! Ele nos amou tanto, que embora estivéssemos espiritualmente mortos e condenados pelos nossos pecados, Ele nos deu de volta a nossa vida quando levantou Cristo dentre os mortos - somente por sua misericórdia imerecida é que fomos salvos - e nos levantou da sepultura para a glória juntamente com Cristo [...] tudo por causa daquilo que Cristo Jesus fez [...]

A salvação não é uma recompensa pelo bem que fizemos, portanto nenhum de nós pode obter qualquer mérito por isto. Foi o próprio Deus quem fez de nós o que somos e nos deu uma vida nova da parte de Cristo Jesus [...]

Agora, porém, vocês pertencem a Cristo Jesus e, ainda que antigamente estivessem muito longe de Deus, agora foram trazidos para muito perto dele por causa daquilo que Jesus Cristo fez por vocês com o seu sangue.
Efésios 2.4-13 (Bíblia Viva)

Que os próximos dias sejam um tempo de reflexão séria acerca da morte que merecíamos e de comemoração alegre pela vida que recebemos por meio do sacrifício e ressurreição de Cristo.

Feliz Páscoa!



Imagens: Cemitério da Recoleta - Buenos Aires / Isla Bridges - Ushuaia



A medida do Natal

2009-12-21T09:29:22.028-02:00

(image)

Como você mede seu sucesso, qualidade de vida e felicidade?

( ) Pela quantidade de coisas boas que fiz por outros e por minha contribuição à sociedade.

( ) Pelo saldo na conta corrente.

( ) Pela quantidade de diplomas na parede, livros na estante ou carimbos no passaporte.

( ) Pelo número no mostrador da balança.

( ) Pela quantidade de árvores que salvei, água que economizei e lixo que reciclei.

( ) Pelo número de horas de lazer e entretenimento que desfrutei com família e amigos.

Por mais importantes que sejam alguns desses indicadores, o Natal nos convida a pensar em outras medidas: a largura, comprimento, altura e profundidade do amor de Cristo que excede todo conhecimento (Efésios 3.18).
Jesus veio ao mundo para nos dar uma vida nova, a ser dimensionada de acordo com novos parâmetros. Veio nos oferecer um amor que preenche generosamente os vazios, nos liberta da tirania dos resultados e abre nossos olhos para as implicações eternas de tudo que fazemos.


Que seu Natal seja verdadeiramente feliz e que cada dia de 2010 lhe proporcione um pouco mais de compreensão do amor imensurável de Cristo!



Valores pessoais ou preço por lauda: a escolha do texto

2009-10-10T08:18:03.971-03:00

Quando se fala em tradução, valores e crenças, é comum ouvir perguntas como: “O profissional cristão pode traduzir um texto ... (budista, espírita, erótico, violento, etc.)?”. Se “pode” tem o sentido de “é capaz”, a resposta depende da competência do profissional. Um bom tradutor de textos literários, por exemplo, deve ser capaz de traduzir com precisão e fluência cenas de violência extrema descritas em uma obra de ficção. Se, contudo, “pode” tem o sentido de “é legítimo”, a resposta se torna mais complexa, pois depende da consciência do profissional. Um profissional que coloca seus valores pessoais acima do preço por lauda, com certeza vai pensar duas vezes antes de traduzir um texto contrário às suas crenças, sejam elas de ordem religiosa, política, moral ou de qualquer outro tipo. Um tradutor pacifista, por exemplo, irá, no mínimo, hesitar em traduzir um texto que promova o uso de armas, não obstante quanto lhe ofereçam pelo serviço. Trago o assunto à baila não apenas por exercício teórico. Tenho refletido sobre isso com respeito ao meu trabalho nos últimos dias. Não fui contatada por uma editora de contos eróticos, nem tampouco por um periódico da Cientologia. Creio que teria sido mais fácil lidar com propostas desse tipo. No caso em questão, a editora cristã X para a qual trabalho há vários anos enviou obra Y de autor Z. Pontos a considerar: a) Autor Z é o best-seller da casa, de modo que, como tradutora, sinto-me honrada por receber o trabalho. b) Não tenho problemas com a linha geral da editora X, respeito e admiro muitos de seus profissionais e aprecio a cultura de trabalho do departamento editorial. c) Em termos de ideologia/teologia, obra Y não é diferente de obras anteriores do autor Z. d) Obra Y trata de questões importantes e apresenta alguns pontos positivos. Incentiva, porém, práticas que, a meu ver, se baseiam em distorções teológicas que podem exercer influência negativa sobre os leitores. e) Já traduzi diversas obras de autor Z e deparei com o mesmo dilema, mas decidi varrê-lo para debaixo do mouse pad e não pensar no assunto. f) Minha consciência tem me incomodado mais do que em ocasiões passadas. Até quando desejo continuar participando da propagação de uma mensagem que me parece não apenas inócua, mas, em alguns pontos, nociva? g) Em contrapartida (e aí reside o dilema), se começar a recusar trabalhos por não concordar com a linha do autor em certos pontos da obra, creio que em breve estarei sem serviço, pois é praticamente impossível concordar com 100% daquilo que se lê em qualquer área. Ademais, não quero me transformar em uma daquelas tradutoras com ares de prima donna que exigem trezentas rosas brancas e vinte caixas de chocolate Godiva no camarim para trabalhar. h) É importante ressaltar que não se trata apenas do medo de “perder serviços”, pois creio que editora X não deixaria de mandar trabalho se eu recusasse autor Z. Os medos são mais profundos e envolvem minha suposta reputação (como os outros me verão se eu fizer isto ou aquilo) e senso de compromisso e responsabilidade em relação aos profissionais da editora em questão. Não escrevo para dizer que encontrei a solução para o dilema, mas para ventilar as possibilidades que consigo vislumbrar no momento: a) Posso colocar a questão dentro da gaveta outra vez e aguardar seu reaparecimento quando a editora X solicitar outra tradução de autor Z. b) Posso conversar com editora X e dizer que, no futuro, prefiro não traduzir textos de autor Z. c) Posso continuar a orar e pedir sabedoria e discernimento. Em minha opinião, esta alternativa não é igual à alternativa (a), pois implica possibilidades que talvez eu não esteja enxergando no momento. Na verdade, o dilema envolvendo a sopa de letrinhas acima é apenas um reflexo de outros questionamentos em relação ao modo como devo me posicionar[...]



Um modo diferente de ler

2009-06-30T07:38:26.381-03:00

Para quem trabalha em contato direto com textos o dia todo, a leitura tem funções claras: apreender a ideia mais ampla; entender o significado da unidade conceitual básica, quer seja o parágrafo, a frase ou a palavra; pensar a ideia da língua original na língua alvo; reestruturá-la na língua alvo; reler e verificar a compreensibilidade; buscar e corrigir erros de vários tipos e por aí afora. Como parte fundamental de nosso ofício, a leitura é pragmática e, muitas vezes, feita sob a pressão do tempo, do desempenho e das cobranças pessoais e alheias, quer por necessidade ou contingência. Distanciamo-nos do texto e o observamos com olhar crítico para encontrar e eliminar suas fraquezas. É desse processo que nascem as obras claras, precisas, prazerosas de ler. Quando lemos nos momentos de lazer, nos posicionamos diante do texto com menos pressões e, talvez, mais expectativas. Queremos que ele nos informe, entretenha, descanse, emocione, transporte para outros universos, conduza à reflexão e formação de novos conceitos. Ainda assim, muitas vezes, é inevitável detectar erros, pensar em como teríamos feito diferente, sentir uma medida de frustração pelo modo como o autor se expressou ou pelas escolhas do tradutor. Tamanho é o poder da palavra escrita que Deus escolheu se revelar por meio dela. Qual deve ser, então, nossa abordagem diante da revelação divina em forma de texto? Deve assemelhar-se à postura que assumimos como profissionais ou como leitores e interessados? As respostas dependem do objetivo. Podemos ler a Bíblia por vários motivos, inclusive para encontrar erros, incoerências e pontos fracos, como fazem muitos. Podemos vê-la como livro de estudos, manual de instruções, relato histórico, literatura antiga, etc. Quem trabalha nos meios editoriais cristãos, muitas vezes tem contato diário com as Escrituras como texto-base para comentários bíblicos, livros de teologia e afins. Para captar sua essência revelacional, porém, não podemos ser apenas pragmáticos ou curiosos, analíticos ou interessados. Por ser a revelação do Ser divino, o texto bíblico exige aquilo que nenhum outro texto tem o direito de exigir: reverência, humildade, sujeição, obediência (termos que nem sempre agradam muito nossa mente pós-moderna). Em contrapartida, proporciona aquilo que nem as maiores obras-primas da literatura podem proporcionar, a saber, conhecimento verdadeiro e relacionamento com o Deus que criou e controla todas as coisas, com o Deus que oferece a eternidade ao lado dele para ampliar esse conhecimento e desenvolver esse relacionamento. Diante disso tudo, há momentos em que precisamos colocar de lado todas as formas de leitura às quais estamos habituados e adotar um modo diferente de ler: a lectio divina. Apesar de ser associada hoje em dia à vida monástica ou aos que adotam um estilo mais contemplativo a arte de “orar as Escrituras” era prática comum de quase todos os cristãos da antiguidade. É o que diz Luke Dysinger em sua descrição dos passos dessa forma de leitura: Accepting the Embrace of God: The Ancient Art of Lectio Divina. O texto (em inglês) é relativamente curto e apresenta com clareza quatro movimentos da leitura espiritual, que é como Eugene Peterson chama o exercício em seu livro Maravilhosa Bíblia (trad. Neyd Siqueira; Mundo Cristão, 2008). Os movimentos são: Lectio – Ouvir / ler o texto bíblico profundamente com todo nosso ser. Assumir uma postura de reverência e atenção em busca da palavra que Deus quer destacar para nós naquele momento. Meditatio – Ao encontrar a palavra ou expressão que mais nos chama a atenção, devemos fazer uma pausa para “ruminar” a seu respeito, guardá-la e meditar no coração (Lucas 2.19). Por meio da meditação, permitimos que a palavra de Deus nos toque nos níveis mais profundos. Oratio – O terceiro passo é o diálogo com Deus no qual [...]



Mãos

2009-05-15T17:07:48.207-03:00

(image)
Mãos que digitam com rapidez, que clicam centenas de vezes por dia, que seguram a caneta vermelha.
Mãos que trabalham para consturir pontes de papel e tinta e unir culturas.
Mãos doloridas e cansadas no final da semana.

Mãos que precisam aprender a descansar.
Mãos cujas forças são renovadas a cada manhã.
Mãos que procuram outras mãos para traduzir em gestos o amor, a amizade, o apoio, o perdão.
Mãos formadas por Mãos Divinas muito maiores e mais fortes.

Mãos que podem esperar serenas o dia em que serão aperfeiçoadas para sempre.


Imagem: Borboleta descansa sobre minha mão (por Vanderlei Ortigoza Jr.; março/2009)



Para quem trabalhamos?

2009-05-15T16:41:01.140-03:00

Sugiro para reflexão e, com a ajuda de Deus, aplicação, alguns trechos de mais um excelente livro de Dallas Willard: A conspiração divina (trad. Eduardo Pereira e Ferreira; Ed. Mundo Cristão, 2001). Capítulo 8 – De como ser discípulo, ou aluno, de Jesus A glória do meu trabalho [...] Pense no seu trabalho, aquilo que você faz para viver. Essa é uma das maneiras mais claras de se concentrar na sua condição de discípulo de Jesus. Ser discípulo de Jesus é, essencialmente, aprender com Jesus a fazer o seu trabalho como o próprio Jesus o faria. O Novo Testamento exprime essa ideia propondo que tudo façamos “em nome de” Jesus. Quando você pára para pensar nisso, percebe que não encarar o trabalho como local primordial de exercício do discipulado é excluir automaticamente a parte principal, se não a maior, das horas ativas da vida com Jesus. É aceitar controlar sozinho um dos seus interesses mais fortes na vida [...] Mas como é exatamente que se faz do trabalho um aspecto essencial da condição de discípulo de Jesus? Obviamente não se tornando um cristão “chato”, o rigoroso defensor de toda decência e crítico acerbo da conduta de outros. [...] A mansa mas firme não-cooperação com coisas que todos sabem ser erradas, aliada a um serviço sensível, não impertinente, não intrometido, não subserviente aos outros, deve ser o nosso modo habitual e declarado de agir. Isso se deve combinar com uma constante vida íntima de oração por todo tipo de atividade que o nosso trabalho exige, além de um amor genuíno por todas as pessoas envolvidas. Assim, pontos específicos dos ensinamentos e do exemplo de Jesus – como a não-retaliação, a recusa de pressionar por vantagens financeiras [...] entrarão em ação de acordo com as circunstâncias. [...] [...] o interesse central de Deus é o trabalho específico das pessoas [...] Ele quer o trabalho bem feito. É trabalho que precisa ser feito, e deve ser feito como o próprio Jesus o faria. Nada substitui isso. Na minha opinião, pelo menos, enquanto a pessoa está trabalhando, todas as atividades exclusivamente religiosas devem assumir um posto secundário em relação à obrigação de fazer “o serviço” com suor, inteligência e o poder de Deus. Essa é a nossa devoção a Deus. (Estou supondo, claro, que esse trabalho promove os bons propósitos humanos.) [...] Como aprendizes de Jesus, relacionamo-nos pessoalmente com ele ao fazer o nosso trabalho, e ele está conosco, como prometeu, para nos ensinar a fazer o melhor. [...] se você não gosta do seu trabalho, ou até o odeia, condição epidêmica na nossa sociedade, a maneira mais rápida de se livrar dele, ou de nele encontrar alegria, é fazê-lo como Jesus o faria. Isso é o próprio âmago do discipulado, e não podemos ser aprendizes competentes de Jesus sem integrar o nosso trabalho ao Reino no Meio de nós. [...]



Erros de tradução

2009-05-05T16:41:57.407-03:00

Tempos atrás, uma leitora (Rossana, autora do blog de ótimo conteúdo Professora de Escola Dominical) comentou sobre um erro de tradução (cf. na postagem Feliz Páscoa!): “O tradutor não entendeu um paralelo que o autor quis fazer com a linguagem das escrituras e traduziu assim: ‘O medo do autor está no começo do conhecimento literário’, quando o autor disse: ‘O temor do autor é o princípio do conhecimento literário’. O caso que ela apontou pode, de fato, indicar uma deficiência de conhecimento da temática do texto traduzido. Há, também, a famosa “falta de cultura geral” que, tendo em vista o amplo acesso a informações nos dias de hoje, pode ser chamada de “falta de incitativa de pesquisar”. Outras vezes, a carência é de familiaridade com o tipo de texto e a linguagem usada. Um tradutor acostumado a trabalhar com textos voltados para leitores adultos, por exemplo, terá de redobrar a atenção e os esforços ao se propor a traduzir textos para um público leitor mais jovem (minha situação no momento). Além das questões mencionadas acima e da causa mais óbvia de erros, a saber, a falta de conhecimento da língua de origem e/ou língua-alvo da tradução, outros elementos podem levar o tradutor a cometer equívocos de vários tipos. Alguns exemplos: pressa (trabalhar com prazos curtos demais);fazer várias coisas ao mesmo tempo (traduzir e navegar, traduzir e cuidar de um cônjuge, dois filhos, três bolos assando no forno e quatro gatos correndo pela casa);distrações do ambiente (ruídos externos, televisão/música, os mesmos quatro gatos correndo pela casa);cansaço físico, mental, emocional (tensão muscular, ausência de atividades diversas, preocupação com outros assuntos);saturação devido a excesso de contato com o texto (especialmente no caso de projetos longos – o famoso familiarity breeds contempt). E, por fim, convém lembrar que, apesar de ser saudável ter um olhar crítico e procurar aprender com os deslizes de outros (em outras palavras, ser criativo na hora de cometer os próprios erros e não repetir os alheios), é preciso muito cuidado para não desenvolver uma atitude excessivamente crítica. Claro que numa reunião de tradutores, revisores e outros “ores”, é impossível não trocar exemplos de “pérolas editoriais”, mas se nosso assunto é só esse, talvez seja hora de aplicarmos à vida profissional um pouco daquilo que Jesus ensinou em Mateus 7.1-5: “Não critiquem, e assim vocês não serão criticados! Porque como vocês tratam os outros, eles também vão tratar vocês. E por que se preocupar com um cisco no olho de um irmão, quando você tem uma tábua no seu próprio olho? [...] Fingido! Livre-se da tábua primeiro, assim você poderá enxergar para ajudar seu irmão”. E em Mateus 5.7: “Felizes os que são amáveis e têm misericórdia dos outros, porque a eles se mostrará misericórdia”. Eis uma lição que preciso continuar a aprender... Se você quiser saber mais sobre a dinâmica dos erros de tradução, confira abaixo alguns trechos de um artigo do site Erudit.org. Vale a pena ler o texto completo e usá-lo como referência para ver "a tábua em nosso olho". Understanding Why Translators Make Mistakes Candace Séguinot [...] Errors and the Individual Limitations on Processing Capacity The primary explanation why even competent translators make mistakes is because human cognitive processing capacity is limited. Because we can only attend to so much with our conscious processes, we automatize as much as possible to leave our minds free for more difficult tasks. That means that our attention is directed to only some of the things we are doing at the same time. A related constraint is the fact that there are limitations on short-[...]



Feliz Páscoa!

2009-04-09T06:33:07.424-03:00

(image)
Por meio de sua morte, Cristo oferece perdão.
Por meio de sua ressurreição, Cristo concede vida eterna.

Que essas duas verdades façam toda a diferença em nosso dia a dia.


"[Cristo] morreu uma vez pelos pecados de todos nós, pecadores culpados, embora Ele mesmo estivesse inocente de qualquer pecado em qualquer tempo, para que pudesse levar-nos em segurança de volta a Deus. [...] fomos salvos da morte e da condenação pela ressurreição de Cristo". Primeira Epístola de Pedro 3.18,21 (Bíblia Viva)

Imagem: The Glory of the Cross, Sawai Chinnawong
Publicada no blog
Imago Fidei.



Vocabulário atual

2009-03-27T06:27:31.963-03:00

(image) Para quem deseja ou precisa permanecer atualizado quanto às expressões mais recentes em inglês e, ocacionalmente, em outras línguas, que estão circulando na mídia, recomendo o divertido e informativo blog Schott's Vocabulary, associado ao The New York Times. Abaixo, a apresentação.

About Schott's Vocab

(image)

Schott’s Vocab is a repository of unconsidered lexicographical trifles — some serious, others frivolous, some neologized, others newly newsworthy. Each day, Schott's Vocab explores news sites around the world to find words and phrases that encapsulate the times in which we live or shed light on a story of note. If language is the archives of history, as Emerson believed, then Schott’s Vocab is an attempt to index those archives on the fly.

Ben Schott is the author of “Schott’s Original Miscellany,” its two sequels, and the yearbook “Schott’s Almanac.” He is a contributing columnist to The Times’s Op-Ed page. He lives in London.




VOLP - Novo Acordo Ortográfico

2009-03-25T06:53:28.056-03:00

(image)
No dia 19 de março a Academia Brasileira de Letras lançou a quinta edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa que incorpora as novas normas do acordo ortográfico. Segundo o informe da ABL (veja o texto completo aqui), o volume, de 887 páginas, contém 349.737 vocábulos, apresentados sob forma de lista, por ordem alfabética, incluindo-se a classificação gramatical de cada um, além dos estrangeirismos (cerca de 1500), que aparecem na parte final da obra. A impressão foi confiada pela ABL à editora Global. Para quem, como eu, ainda está confuso com hífens e afins, pode ser uma boa aquisição.
Abaixo, dois artigos que tratam de algumas repercussões das novas normas.

Novo Acordo Ortográfico gera polêmica no Acre

(texto na íntegra para assinantes da Folha de São Paulo e UOL)

Com a mudança ortográfica, "acreanos" são agora "acrianos".
"'Acriano' soa esquisito. Somos 'acreanos' há mais de cem anos, quando decidimos que não éramos bolivianos, e sim brasileiros, e conseguimos a independência. A mudança mexe nas nossas raízes históricas e cultuais", diz a deputada federal Perpétua Almeida (PC do B-AC), que lidera o movimento." [...] A ABL diz considerar positivas as manifestações como esta do Acre porque, assim, a sociedade pode discutir questões relacionadas à língua. Segundo a assessoria da academia, "nunca houve no país uma discussão tão rica e profícua".

Um artigo da BBC Brasil fala das perdas e ganhos do mercado editorial com
o novo arcordo:

Mercado editorial conta lucros e prejuízos com acordo ortográfico

O site da BBC Brasil traz, ainda, uma excelente sessão especial com vários textos sobre o acordo, reunindo opiniões dos dois lados do Atlântico.




Ócio quaresmal

2009-03-13T08:56:47.726-03:00

Passou-se um mês desde que escrevi o último post aqui. Trinta dias lutando para encontrar equilíbrio entre trabalho dentro e fora do escritório (afinal, cultivar relacionamentos, cuidar da família, da casa e de nós mesmos também é trabalho) e ócio (palavra que ainda causa certa aversão por estas bandas, mesmo que seja o tal do “ócio criativo”). Convém lembrar que ócio não significa apenas “preguiça, indolência, moleza”, mas também “folga, repouso” e, mais interessante ainda, “trabalho mental agradável”. Trabalho mental agradável pode representar coisas diferentes para pessoas diferentes quando levamos em consideração o que é agradável para nós. Podem ser leituras, sonhos, lembranças felizes e por aí afora. Que tipo de trabalho mental, porém, é agradável a Deus? Renovação interior Nos últimos meses, tenho lido, relido e conversado com algumas pessoas sobre o livro “A renovação do coração” (Dallas Willard, Ed. Mundo Cristão, tradução de Sueli Saraiva), excelente texto sobre formação espiritual. O capítulo 6 trata da transformação da mente, isto é, a formação espiritual e a vida reflexiva, e começa com a seguinte observação: Da mesma forma como pela primeira vez desviamos os pensamentos de Deus, assim ocorrem os primeiros movimentos dos pensamentos em direção à renovação do coração. Os pensamentos são o lugar onde podemos e devemos começar a mudar. [...] A máxima liberdade que possuímos como seres humanos é o poder de selecionar aquilo que permitiremos ou exigiremos que habite em nossa mente. Nós não somos totalmente livres a esse respeito. Mas desfrutamos de grande liberdade aqui, e, embora “mortos em [...] transgressões e pecados”, ainda temos a capacidade e a responsabilidade de tentar reter Deus em nosso conhecimento — mesmo que apenas de maneira inadequada e vacilante. E as pessoas que agirem assim com certeza progredirão em direção a Deus, pois se buscarmos o Senhor de fato, com o máximo empenho, ele, que sempre sabe o que na realidade está em nosso coração, fará que o conheçamos de verdade. O versículo na epígrafe do capítulo é: “Sempre tenho o Senhor diante de mim. Com ele à minha direita, não serei abalado” (Sl 16.8). Será que sempre temos o Senhor diante de nós na forma de pensamentos a seu respeito? Confesso que grande parte do tempo, minha mente se encontra ocupada com coisas como prazos a cumprir, produtividade (laudas por dia), otimização de tempo, recursos e energia, tarefas domésticas a realizar, marido + amigos + gatos, atividades (e, infelizmente, ativismo) na igreja, yadda, yadda, yadda. Muitos desses pensamentos são legítimos, importantes e, ocasionalmente, até agradáveis. O problema é o lugar central que ocupam na mente e o fato de virem, na maior parte das vezes, desassociados da realidade de Deus. Quaresma Para quem não segue o calendário litúrgico, quaresma pode ser o tempo necessário para se recuperar do Carnaval e pensar em formas de se acabar na Páscoa, o próximo feriado prolongado. Para os mais ortodoxos, porém, o intuito a quaresma (os quarenta dias entre a quarta-feira de cinzas e o domingo da Ressurreição) é proporcionar um tempo de reflexão sobre a morte e ressurreição de Cristo e as implicações práticas dessas duas realidades para o nosso quotidiano. Suspeito que, em parte, nossa dificuldade em ligar as duas coisas se deve a à falta de hábito (preguiça mental?) de pensar sobre essas questões. Permitimos que os pássaros da inquietação, desesperança, orgulho, impureza, ressentimento, ansiedade e egocentrismo não apenas voem sobre nossa cabeça, mas façam ninho dentro dela e cuidamos para que todos estejam s[...]



Sobre a tradução da Bíblia

2009-02-13T07:15:11.164-02:00

(image)
Recebi nas últimas semanas três artigos muito interessantes da revista Christian History sobre a tradução da Bíblia. Vários dos princípios envolvidos se aplicam à nossa atividade de um modo geral. Ademais, a dedicação desses tradutores de outrora serve de inspiração nos momentos em que o trabalho é cansativo ou pode parecer irrelevante. Quando devolvemos a Deus as competências que ele nos concede, ele se encarrega de fazer nosso esforço dar frutos no tempo e à maneira dele.


O primeiro artigo fala de Cirilo e Metódio e da criação do alfabeto cirílico que possibilitou a tradução do texto bíblico para povos eslavos.

O segundo trata da tradução de Lutero, modelo para futuras traduções vernaculares.

O terceiro descreve os trabalhos de Cameron Townsend e Eugene Nida no preparo de profissionais para traduzir a Bíblia para línguas sem alfabeto escrito, uma tarefa não muito diferente da de Cirilo e Metódio.


Para quem deseja saber mais sobre a tradução da Bíblia nos dias de hoje e se envolver por meio da oração ou participação em programas curtos de estudo, vale a pena conferir o site da Wycliffe Bible Translators.

Imagem: Luther Preaches Using His Bible Translation While Imprisoned at Wartburg (Hugo Vogel, 1882).



Should we laugh or cry?

2009-01-22T06:35:47.348-02:00

(image) Uma amiga e colega tradutora me passou o Q&A abaixo, postado originalmente por Mara Inês Nascimento.

Respostas cretinas para perguntas imbecis...


Vocês não têm raiva dessas perguntas? (As respostas são minhas; algumas dei; outras, só pensei, mas deviam estar escritas na minha cara. Não reparem. Meu humor anda péssimo ultimamente.)

- Você é tradutora (com olhar de "coitada dela...")?
- Sou.
- Nossa! E estudou pra isso?
- Não. Na verdade, como nunca gostei de matemática, não passei da 4ª série...
- Nossa! E você gosta DISSO?
- Não, detesto. Faço porque me odeio.
- Trabalha em casa, hein? Que vidão!
- É, assim posso encher o saco dos meus filhos o dia inteiro. O objetivo é exatamente este.
- Puxa, mas você consegue viver disso?
- Não. É que meu marido é rico.
- Tradutora de medicina? UAU! Que irado! Então me diz aí, tô com uma dor aqui na barriga que sobe e desce, umas pontadas. Você deve entender disso, né?
- Na verdade, não entendo, não. Eu só traduzo, não leio.
- Mas você não tem um emprego de verdade?
- Não... isso é coisa pra otário. Gosto de trabalhar de camisetão e havaianas e em empresa não dá, né?
- Puxa, mas então você tem muito tempo livre, faz seus horários, né?
- Ah, é. É ótimo. Dá pra trabalhar, levar um filho ao médico, outro pra vacinar, ir à reunião de pais na escola, cozinhar, lavar e arrumar a casa e depois ir ao curso de francês tudo num dia só. Não é o máximo?
- O chato disso deve ser a perda do contato humano, né?
- Não, acho ótimo. Odeio gente.
- Ah, então dá pra você traduzir o manual do Playstation do meu filho?
- Claro, com prazer. São R$ 0,50 por palavra.
- Credo! Tão caro assim?
- Não! Te passei o preço com desconto porque você é da família, né?



Homenagem

2009-01-07T11:48:51.661-02:00

O patchwork de reminiscências abaixo é uma homenagem ao meu pai, Peter Klassen, a quem devo em considerável medida minha paixão pela leitura, escrita e música. Não era raro encontrá-lo no escritório, cercado de livros e papéis, estudando e preparando aulas e sermões enquanto ouvia música clássica num velho Akai. Sua biblioteca com milhares de volumes em várias línguas não era um santuário intocável, mas um espaço sempre acessível a todos nós. Quantas vezes não empacotamos e desempacotamos aqueles livros todos em nossas muitas mudanças! Conhecia algumas capas de cor mesmo antes de conseguir lê-las. Aliás, uma de minhas primeiras lembranças claras da infância é de antes dos cinco anos de idade, das tardes que meu pai e eu passávamos brincando com letrinhas multicoloridas de plástico e ele me mostrava como formar palavras. Pouco mais de um ano depois, era ele quem me acordava todas as manhãs, preparava meu café da manhã e me acompanhava até a Elementary School em Portland, onde aprendi a ler, escrever, falar e pensar em inglês. Recordo-me, ainda, das histórias que ele inventava todas as noites para o meu irmãozinho. Eram relatos emocionantes nos quais amigos fiéis com nomes engraçados corriam o mundo em busca de aventuras. Também estimulava nossa imaginação ouvindo conosco grandes compositores e nos convidando a criar cenas que combinassem com os movimentos das músicas. Como a neve caía suave no Inverno das Quatro Estações de Vivaldi! Como os exércitos marchavam determinados ao som de Wagner! E como era fácil pensar num Deus grandioso ao ouvir os Concertos de Brandenburgh de Bach! Talvez estejam aí as sementinhas do gosto que meu irmão e eu temos por ocupações criativas... Igualmente gravados na memória estão alguns dos esboços de sermões que ele me dava para ler antes do domingo, escritos com letras de forma em folhas de papel A4 dobradas ao meio. Eram sermões que falavam de uma teologia muito prática, repletos de metáforas e histórias vívidas que apontavam para um Deus de graça, misericórdia e amor. Houve ocasiões em que meu pai não viveu tudo que pregou. O Deus dos sermões, porém, continuou sendo o mesmo, um Pai perfeito e imutável que cuidou de mim e do meu pai humano em meio às nossas imperfeições. Aos doze anos, quando desejei dar testemunho público de minha fé, foi papai quem me batizou. Aos poucos, o mestre da infância tornou-se o companheiro de viagens e passeios da adolescência. Juntos, visitamos aldeias indígenas no interior do Mato Grosso do Sul, tomamos o “trem da morte”, vimos o sol se por no Pantanal e percorremos a pé caminhos poeirentos na Bolívia. Juntos, viajamos pelo norte e oeste do Paraná, parando para comer “queijo quente” em postos à beira da estrada. Juntos, visitamos museus em Chicago, vimos a Pedra de Roseta e caminhamos com dificuldade em parques cobertos de neve em Minneapolis. Juntos, fomos a incontáveis partidas de futebol e jogamos basquete nas quadras do parque do Ibirapuera. Ciumento, ele espantava qualquer namorado em potencial, mas, quando encontrei minha “alma gêmea”, fez questão de conduzir meu noivo e eu ao fazermos nossos votos de casamento e trocarmos alianças. E, em novembro passado, quando meu irmão e sua noiva trocaram votos semelhantes, papai estava lá, alegre e orgulhoso. Passou quase todo o tempo conversando conosco e falando de seus planos para os próximos meses. No fim da festa, nos despedimos dele com carinho, sem saber que seria a última vez que o veríamos. Papai faleceu na noite de 22 de dezembro de 2008. De lá para cá, o Espírito Santo, o[...]



Bulletin Board

2009-01-06T06:46:46.623-02:00

Repasso, abaixo, as informações que recebi sobre a conferência internacional de interpretação INTERPRETA 2009: Com grande satisfação, anunciamos a abertura das inscrições para a 2ª Conferência Internacional de Interpretação INTERPRETA2009 que estará sendo realizada na cidade de Mendoza, de 26 a 28 de junho de 2009 no Sheraton Mendoza Hotel. No link que incluímos, www.interpreta-conference.org, entre outras informações, poderão ver o programa preliminar da conferência, a lista de oradores e seus CVs e fotos, o formulário de inscrição (nesta oportunidade a inscrição será feita exclusivamente on-line), e a tabela de preços da inscrição, de acordo com as datas. O prazo para pagamento do primeiro segmento é 15 de janeiro de 2009. A Web site estará sendo atualizada constantemente. Posteriormente aparecerá a versão em inglês, os níveis de patrocínio, logotipos de patrocinadores e da clientela, os assuntos definidos dos oradores, os novos oradores confirmados, etc. Para aqueles que desejarem ler sobre como foi a Interpreta2007, recomendamos clicar encima do ícone da Interpreta 2007 em www.interpreta-conference.org Atenciosamente, José Luis Villanueva Senchuk, presidente Lucille Barnes, co-presidenta[...]



Minha casa é sua casa

2008-12-20T06:10:42.535-02:00

Cristo tornou-se um ser humano, e morou aqui na terra entre nós - João 1.14. No Natal, recordamos que Cristo veio comer e beber, conversar e rir, cantar e dançar conosco. Veio sentir nossas dores e cansaço, tratar das enfermidades do corpo e da alma. Acima de tudo, veio nos dar vida sem fim. Antes de voltar ao seu lar, ele prometeu: Existem muitas moradas lá onde meu Pai mora, e Eu vou preparar algumas para vocês [...] para que possam estar sempre comigo onde Eu estiver – João 14.3. Cristo veio morar conosco por algum tempo para que, um dia, possamos morar com ele para sempre. Em tempos de grande incerteza, temos a oferta de uma habitação permanente. Que possamos aceitá-la de todo coração e nos preparar para o dia em que mudaremos de endereço de uma vez por todas. Um Feliz Natal para você e sua família! [...]



Tradução: O preço por lauda é...

2009-10-10T06:22:55.363-03:00

(image) Várias pessoas entram no blog à procura de informações sobre o preço por lauda de tradução.
Os dados que forneço se referem à minha área específica de atuação (textos sobre teologia, história e espiritualidade para editoras cristãs).
Os valores abaixo foram atualizados em 10 de outubro de 2009.

A forma de contagem de laudas varia de uma editora para outra.
Em algumas editoras, a lauda corresponde a 1200 toques com espaços.
O preço por lauda, nesse caso, fica entre R$ 10,00 e 15,00, dependendo do grau de dificuldade e tamanho do projeto. Trabalhos urgentes e/ou que exigem mais pesquisa podem chegar a R$20,00 a lauda.

Em outras editoras, a lauda corresponde a 250 palavras.
O preço por lauda, nesse caso, pode ficar entre $16,00 e 22,00 de acordo com as condições mencionadas acima.

Dependendo do valor por lauda, o método de cálculo não resulta em grandes diferenças.
Por exemplo um texto com 11.381 palavras e 68.236 toques com espaços:
11.381 /250 = 45,5 laudas X R$ 19 = R$ 864,50.

68.236 / 1200 = 56,8 laudas X R$ 15 = R$ 852,95.


Os valores acima são, obviamente, apenas uma referência e não uma tabela de preços. É necessário avaliar cada projeto separadamente e negociar dentro das possibilidades da editora e das expectativas do profissional.
A maioria das editoras paga à vista mediante a entrega do trabalho e apresentação da nota fiscal.





Ação de graças

2008-11-22T07:06:33.730-02:00

O texto abaixo, escrito pelo amigo e pastor Rev. Hugo Aníbal Moura, convida a uma reflexão muito apropriada ao nos prepararmos para o dia de Ação de Graças. Em tudo daí graças (1ª Tessalonicenses 5.18) Terminada a 2ª Guerra Mundial (1939-1945) e revelados os horrores dos campos de concentração nazistas, tragicamente simbolizados em Auschwitz-Birkenau, os céticos perguntaram: “Ainda faz sentido falar de Deus depois disso?”. E os cristãos responderam: “Por acaso, pode se deixar de falar de Deus depois disso?” Com efeito, os horrores da guerra e da violência jamais representam ausência, impotência e/ou inutilidade de Deus. Pelo contrário, os males terríveis que assolam a humanidade desde a Queda são produzidos por uma humanidade apartada de Deus, contra Deus. De fato, nem Hitler, nem Stalin, nem Idi Amim Dada nunca se apresentaram como vindos da parte de Deus; nem o ódio que eles promoveram representavam a vontade de Deus para a humanidade. Nem sequer mesmo aqueles “protestantes”, membros da Ku Klux Klan e defensores do Apartheid, são de Deus. Afinal, Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor, pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. (Jr 29.11) Dessa forma, o que vem do Alto são boas dádivas (Tg 1.17). Portanto, na próxima quinta-feira, 27.11.08, Dia de Ação de Graças, lembre-se de levantar uma prece de agradecimento ao Senhor por tudo o que Ele tem feito de bom na sua vida, e por ter sempre impedido o triunfo do mal. Não fosse o Senhor que esteve ao nosso lado! (Sl 124.1) Hugo Aníbal Moura [...]



O outro lado da moeda

2008-12-04T07:11:51.195-02:00

Ao mesmo tempo em que representantes de editoras seculares e cristãs brasileiras percorriam os corredores da feira de Frankfurt, ofereciam seus lances nos leilões ou se engalfinhavam nos estandes para adquirir os direitos de tradução de livros estrangeiros, especialmente norte-americanos, a maioria dos representantes das editoras dos EUA nem passava perto de estandes estrangeiros. A diferença de roteiros dentro do pavilhão da feira se deveu a motivos culturais que, obviamente, tem implicações financeiras. Enquanto no Brasil o público leitor muitas vezes prefere autores estrangeiros, a maioria dos leitores norte-americanos nem os conhece. E, enquanto para muitas editoras daqui é (ou pelo menos costumava ser) financeiramente mais vantajoso produzir um livro traduzido do que garimpar e polir autores nacionais, parte considerável do mercado editorial norte-americano olha para autores estrangeiros com sua habitual desconfiança xenofóbica. Abaixo, alguns trechos de um artigo do New York Times que trata desse assunto. Fazendo um parêntese, seria bom nos recordarmos que, infelizmente, na hora das negociações, editoras seculares e cristãs com frequência não apresentam padrões éticos e comportamento muito diferentes. Como diz a velha canção de Steve Taylor, "It's a jungle out there / Used to be a garden / But the times got rough / And now all those innocent hearts have hardened". Não custa nada nos lembrarmos em nossas orações de todos os colegas cristãos que enfrentam diariamente inúmeros desafios de ordem ética e moral na hora de escolher os livros a serem publicados, negociar a aquisição de direitos de títulos estrangeiros e selecionar autores nacionais. Que Deus os ajude a operar de acordo com um conjunto diferente de valores, segundo padrões que são determinados por Alguém muito mais importante que editoras e agentes literários e muito mais poderoso que as forças do mercado nacional e internacional. Que esse Deus soberano que prometeu suprir todas as nossas necessidades fortaleça, abençoe e recompense quem escolhe viver como verdadeiro discípulo de Cristo não apenas dentro da igreja, mas também entre as quatro paredes do escritório e nos corredores e estandes de uma feira. Translation Is Foreign to U.S. Publishers By MOTOKO RICH Published: October 17, 2008 It is a commonly held assumption that Americans don’t like to read authors who write in languages they don’t understand. That belief persists here in Frankfurt, where publishers from 100 countries show off a smorgasbord of their best — or at least best-selling — books. [...] Although there are exceptions among the big publishing houses, the editors from the United States are generally more likely to bid on other hyped American or British titles than to look for new literature in the international halls. [...] That apparent dearth of literature in translation in the United States was the subject of controversial remarks by Horace Engdahl, the permanent secretary of the Swedish Academy, the organization that awards the Nobel Prize, a week before the prize did not go to an American. “The U.S. is too isolated, too insular,” Mr. Engdahl said in an interview with The Associated Press. “They don’t translate enough and don’t really participate in the big dialogue of literature.” [...] Mr. Godine, who has been running his publishing house for 38 years, said he published foreign authors because it gave his tiny press literary credibility. But he said there was also a basi[...]



Tradução e meditação

2008-10-24T06:21:27.271-02:00

Ao contrário do que muita gente pensa, a prática da meditação não tem vínculos apenas com as religiões orientais. A tradição judaico-cristã é extremamente rica nesse sentido, como se pode ver em passagens bíblicas que nos instruem a nos aquietarmos (Êx 14.3; Sl 46.10), nos convidam a meditarmos sobre a Palavra (Js 1.8; Sl 19.14; 27.4; 104.34; 119.97) e dizem o que deve ocupar nossos pensamentos (Fp 4.8). A meditação é uma das disciplinas espirituais que, junto com a oração, a leitura e memorização da Palavra, o jejum, o silêncio e outras práticas, nos ajuda a focalizar o que é importante de fato. O que meditar tem a ver com traduzir? A ligação entre as duas coisas não é e nem deve ser direta. Meditar no sentido bíblico não vai ajudar ninguém, automaticamente, a traduzir melhor, “mentalizar” novos projetos ou encontrar um happy place quando os prazos estão estourando e as páginas do original parecem procriar enquanto você não está olhando. Meditar envolve tirar da mente todas as distrações, que hoje em dia não são poucas, e discipliná-la de modo a nos tornarmos atentos e receptivos para aquilo que Deus está dizendo e fazendo em nós e ao nosso redor. É, primeiro, fechar as cinco janelas, com vinte abas cada uma, do nosso browser interior e, depois, deixar que Deus guie nossos pensamentos para uma coisa só. Fácil? De jeito nenhum! Aquietar-se requer prática, repetição, perseverança e, sobretudo, a intervenção direta do Espírito de Deus agindo em nosso coração. Nós simplesmente nos apresentamos a Deus a cada dia e cumprimos a parte que nos cabe de “limpar a área” para que Deus comece a transformar nossos pensamentos, sentimentos, ações e atitudes. Ao longo desse processo, descobrimos consequências que, por mais maravilhosas que sejam, nunca devem constituir nosso objetivo central e final. Maior capacidade de concentração, serenidade, disciplina, capacidade de fazer escolhas mais sensatas, uma mente descansada e alerta, boa disposição – o sonho de todo bom tradutor – podem ser alguns dos frutos secundários da meditação. Na verdade, contudo, decorrem de um coração que, por meio da intervenção de Deus e das disciplinas espirituais, aprendeu a centrar-se nas coisas certas. A meditação é um instrumento que pode, em última análise, nos tornar mais eficientes, competentes e saudáveis. Mas, deixar que Deus transforme nossa vida por meio desse instrumento também pode nos levar a perceber que devemos traduzir menos páginas por dia, assinar menos contratos, negociar o preço das laudas de forma diferente, mudar o modo de nos relacionarmos com editores e clientes. O desafio é grande e um tanto assustador. O caminho é longo e requer perseverança. Mas é Deus quem controla o processo e nos guia na jornada. Ele também provê pessoas que podem nos ajudar a entender os detalhes dessa caminhada. No momento, estou tentando entender melhor alguns desses detalhes através de livros como Maravilhosa Bíblia (Eugene Peterson), A renovação do coração e A grande omissão (ambos do Dallas Willard). E, alguns dias atrás, recebi um convite que gostaria de repassar aqui. Trata-se de uma vivência de iniciação à meditação. Participei dessa vivência uns três anos atrás e trago comigo até hoje os recursos preciosos que aprendi naquele dia. Valeu a pena e serviu para "abrir o apetite" para novas disciplinas e descobertas. Iniciação à meditaçãoViv[...]



Bulletin Board

2008-10-14T16:36:08.368-03:00

(image)
Prezados colegas tradutores e/ou intérpretes,

Segue abaixo convite do Ministério da Cultura para o Fórum Nacional de Direito Autoral que será realizado nos dias 27 e 28 de outubro de 2008, no Hotel Othon Palace, no Rio de Janeiro.
A inscrição para o seminário é gratuita e pode ser efetuada pela internet na página www.cultura.gov.br/direito_autoral, ou pelos telefones (61) 3037-6563 e 3037-6564.
A Abrates (Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes) fará uma apresentação no Fórum, em 27/out/08 (2af), na Mesa 03 (16h45min às 19h) cujo tema é: autores de obras literárias e contratos de edição.
Desejamos nos certificar de que a participação da Abrates no Fórum seja representativa dos anseios de tradutores e intérpretes; portanto, para concluir a preparação sobre o assunto, iniciada pelo blog "assinado:tradutores", convidamos os interessados para um encontro virtual em sala gentilmente cedida pelo Aulavox, no dia 14/out/08 (3af), no horário de 15h30min às 16h30min. Encaminhe seu nome e email para abrates@abrates.com.br e enviaremos o link de acesso à sala.
Participe e contribua para o fortalecimento de nossa categoria profissional.
Cordialmente,
Sheyla Barretto de Carvalho - Presidente Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes
www.abrates.com.br




Rosh Hashanah e Dia do Tradutor

2008-09-30T16:59:54.062-03:00

Além de ser Dia do Tradutor, hoje também é Rosh Hashanah, o Ano Novo dos judeus. De acordo com as crenças judaicas, a cada Rosh Hashanah Deus reavalia sua criação é decide se ela merece outro ano neste mundo. Todos são julgados pelo Criador com base naquilo que fizeram no ano anterior. Deus registra o julgamento e determina se o próximo ano será de bênção ou disciplina. Apesar de ser escrito no livro de Deus em Rosh Hashanah, esse julgamento só é selado dez dias depois, em Yom Kippur, o Dia da Expiação, daí o costume de usar, nessa época, uma saudação especial: “Que você seja escrito e selado para um bom ano”. Durante esses dez dias, todos podem refletir sobre como melhorar seu julgamento através de três atos: Arrependimento, Oração e Caridade. O arrependimento implica verdadeiro pesar, remorso pelo passado e um compromisso de mudança para o futuro. A oração fervorosa e os atos de bondade contam pontos positivos e, se realizados com sinceridade, podem levar Deus a fazer um “upgrade” da situação espiritual do indivíduo. O apóstolo Paulo chama isso de “obras da lei” e diz: “O homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado” (Gálatas 2.16). Se você imagina que a idéia de salvação por obras é exclusividade dos judeus, talvez convenha analisar se, de vez em quando, não faz uma coisa aqui e outra ali só para marcar uns pontos no placar celestial... Além da retrospectiva do ano, um dos elementos característicos da comemoração de Rosh Hashanah é o chofar, um chifre de carneiro que, ao ser soprado, emite vários tipos de som. O toque do chofar nas cerimônias de Rosh Hashanah serve para: Proclamar que Deus é o Rei do Universo.Despertar o espírito que anda meio “cochilando”.Expressar uma súplica profunda da alma humana a Deus. Diante dos propósitos acima, podemos perguntar: Estamos vivendo de acordo com a realidade do controle soberano de Deus sobre tudo que acontece em nossa vida e no mundo? Que diferença isso faz para nós?Será que nosso espírito está acordado para se relacionar com Deus, ou anda meio distraído com uma porção de outras coisas?Nossa alma suplica (pede com humildade e anseio) para permanecer na presença de Deus? Ele é tudo o que mais queremos? Outro costume de Ano Novo judeu consiste em mergulhar um pedaço de maçã no mel e dizer antes de comer: “Que o novo ano seja bom e doce”. Se a pessoa deseja que o ano novo seja bom, por que pedir também que seja doce? O pedido por um bom ano novo é mais um reconhecimento do que um desejo, pois Deus é bom, tudo o que vem das mãos dele é bom e tudo o que ele faz ou permite que aconteça em nossa vida é bom. “O Senhor é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras” (Salmo 145.9). Infelizmente, nem sempre nossos olhos são capazes de enxergar essa bondade e, muitas vezes, nosso coração também não quer aceitá-la. Por isso, é costume pedir um ano doce. Quando nos lembramos que Deus está sempre operando para o nosso bem, até as situações mais adversas adquirem certa doçura, pois percebemos o carinho do Pai em meio às dificuldades. Ao aceitarmos o cuidado que Deus manifesta em suas bênçãos e discipli[...]



O definitivo e o temporário

2008-09-24T13:48:12.692-03:00

Enquanto relia alguns trechos do livro A Teologia do Século 20 (Ed. Cultura Cristã, 2003) e encontrava uma porção de defeitos no meu próprio trabalho de tradução, me deparei com uma passagem sobre Dietrich Bonhoeffer. Nascido em Breslau em 4 de fevereiro de 1906, o pastor e teólogo alemão foi morto no campo de extermínio de Flossenburg na madrugada de 9 de abril de 1945, poucos dias antes de os Aliados libertarem os prisioneiros daquele campo. Sua vida curta foi marcada não apenas pelos trabalhos acadêmicos, mas pelo anseio por ser um verdadeiro discípulo de Cristo em tempos conturbados e pelo envolvimento com a realidade ao seu redor. Desde muito jovem, Bonhoeffer havia se interessado pela teologia. No final, porém, descobriu que havia sido chamado para outra vocação, aquela de sacrificar sua vida pela fé. Vários aspectos de seus estudos teológicos continuam sendo relevantes nos dias de hoje. A passagem que me chamou a atenção trata especificamente do definitivo e do temporário: Bonhoeffer combinou esses dois aspectos do discipulado cristão através do uso inspirado dos conceitos de “disciplina secreta” e seu par, a relação integral entre “definitivo” e “temporário”, sendo a segunda idéia a de mais fácil compreensão. Para Bonhoeffer, há uma ligação íntima entre a realidade eterna e o mundo presente. Esse relacionamento significa que o cristão deve evitar os erros da completa rejeição ou completa aprovacação do mundo presente (isto é, temporário). Os cristãos devem viver como aqueles que pertencem completamente a este mundo temporário. Ao fazê-lo, entretanto, devem sempre ter em vista que Cristo é o Senhor do mundo e que o agir de Deus se manifesta na vida diária. O definitivo é que dá sentido ao temporário. Portanto, Bonhoeffer chamava os cristãos a se envolverem na vida dentro do mundo com uma visão da realidade definitiva, que é Deus e a intenção de Deus de oferecer justificação ao crente. Desse modo, a vida cristã no mundo torna-se “participação no encontro de Cristo com o mundo”, no sentido de que “em Cristo, a realidade de Deus encontra a realidade do mundo” (pg. 184). O definitivo é que dá sentido ao temporário. Que possamos ter essas palavras em mente ao negociar prazos de jobs, assinar contratos, tomar decisões profissionais e pessoais, sair às compras e cuidar dos nossos afazeres diários. [...]