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Tradutores, Traidores & Simpatizantes



USE MACHINE TRANSLATION HERE AT YOUR OWN RISK. The texts in Portuguese you find here were written in Portuguese, and any unassisted machine translation can, and will, convey the opposite meanings in numerous cases. So, and I repeat, USE UNASSISTED MACHIN



Updated: 2017-07-06T03:48:26.698-03:00

 



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2012-10-05T14:01:03.604-03:00

Voltei!

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Havia ou Haviam?

2012-09-23T19:09:03.276-03:00



Tenho uma dica, ou melhor, um macete, para a turma que não educou o ouvido: o verbo haver, quando tem o sentido de existir, não tem plural. Por quê? Porque não tem sujeito, uai! (Alguém podia fazer o favor de contar isso ao Paulo Coelho?)

Ih, tá difícil saber quem é quem? Vai ficar fácil! Sempre que sentir vontade de escrever "haviam", transporte esse passado para o presente que a dúvida vai embora. Vou dar uns exemplos:

Haviam muitos alunos no congresso.
no presente, seria:
Hão muitos alunos no congresso?

É claro que não! O certo é "há muitos alunos no congresso", portanto, pode voltar ao passado tranquilamente e escrever
HAVIA muitos alunos no congresso.

Vamos ver se deu pra entender?
O certo é
Quantos cachorros haviam no canil?
ou
Quantos cachorros havia no canil?

É só transportar para o presente que percebemos a obviedade do verbo haver no singular:
Quantos cachorros há no canil?
A frase "quantos cachorros HÃO no canil?" chega a dar dor de ouvido, né?

Outra maneira de separar o trigo do joio é perceber que o verbo haver só tem número quando é auxiliar de tempo composto, ou seja, não tem o sentido de existir, é só lacaio do verbo principal. Exemplo:

Por que tomou esse remédio? As enfermeiras haviam pedido que você não tomasse.
Quando fui ao Canadá, os dias gelados do inverno já haviam acabado.

Como devem ter percebido acima, nesses casos o verbo é mero auxiliar do principal e tem de acompanhar o número do sujeito.

Dúvidas? Quem pergunta aprende e não erra mais.






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2012-10-10T17:43:45.575-03:00

Curso de tradução em gotas VTerminada a minha licença-prêmio (todo funcionário público tem direito a 6 meses de licença depois de sei lá quanto tempo de trabalho). É claro que não sou funcionária pública, portanto não tive férias nem licença, mas excesso de trabalho. Peço desculpas aos leitores  pela demora, mas até que não foi tão grande num país onde hoje em dia se espera a vida inteira pela educação, que não chega nunca, né mesmo? Bom, agora vamos deixar a política de lado e voltar ao nosso assunto principal.Recebi inúmeros emails perguntando pelas gotas enquanto estive afastada, mas, como sou uma só, às vezes fica difícil administrar o trabalho, a saúde e o blogue. Quase semore preciso abrir mão de um dos três.Tenho, porém, uma ótima noticia: o Curso de Tradução em Gotas agora tem um associado, o grupo Traduções de Merda, hospedado no Facebook (https://www.facebook.com/groups/417894821565947/). E, por falar nisso, tudo o que for publicado aqui neste blogue, será publicado também no grupo de mesmo nome que acabo de criar no Facebook (https://www.facebook.com/groups/434684573220830/). Em outras palavras, as Gotas agora têm dois endereços e um grupo associado! A gota vai crescendo e a nossa intenção é transformá-la num maremoto, que atinja todos os tradutores da língua portuguesa para que parem de reinventar a roda, parem de repetir os mesmos erros desde tempos imemoriais e se valorizem cada vez mais! Não são os tradutores unidos que jamais serão vencidos, mas os tradutores cultos, aqueles que conseguem desmontar os argumentos sem sentido de quem quer se impor sem entender do riscado, não é mesmo?Todos os interessados no Curso de Tradução em Gotas estão convidados a se inscrever no nosso grupo no Facebook e no nosso associado, o Traduções de Merda, que também contém lições inestimáveis.O Troféu TdM (que é a sigla de Traduções de Merda) de hoje vai para "pensar fora da caixa", que é uma tradução literal ridícula do inglês, que vem sendo repetida ad nauseam por gente que aprendeu inglês até o buquitu, nem da cartilha do português saiu, mas já "se acha". Troféu TdM nessa turma!E, já que o texto está ficando longo e até agora a aula foi mais administrativa que didática, aqui vai uma dica para a turma que passa batida pelas expressões idiomáticas originárias do beisebol e traduz de qualquer maneira, tradução muitas vezes literal, que nada significa em português. Entender essas expressões já é um bom começo! Este glossário, http://www.answers.com/topic/english-language-idioms-derived-from-baseball, é leitura obrigatória para os futuros tradutores do inglês para qualquer língua, de qualquer área de especialização, pois essas expressões estão entranhadas no linguajar cotidiano dos americanos.E, para aprender a traduzir expressões esportivas, não só do beisebol, mas de muitos outros esportes, a dica é:O Inglês na Marca do PênaltiA terminologia esportiva em inglês aplicada no dia-a-dia das pessoas e empresasUlisses Wehby de CarvalhoDisal Editora, 2003Fui aluna do Ulisses no curso que acabou se transformando nesse livro e recomendo sem ressalvas!Vou ficando por aqui. O vídeo de hoje é o scherzo de A Midsummer Night's Dream de Felix Mendelssohn, op. 61, em homenagem às origens da comemoração de hoje, o dia de S. João. Espero que gostem. allowFullScreen='true' webkitallowfullscreen='true' mozallowfullscreen='true' width='320' height='266' src='https://www.youtube.com/embed/3dLhSZLIpvA?feature=player_embedded' FRAMEBORDER='0' />[...]



Curso de Tradução em Gotas III

2012-01-08T01:21:15.752-02:00

Nota: Depois de publicada esta gota, encontrei um texto deste blogue, que escrevi em 2005, a respeito de erro grave do corretor gramatical do Microsoft Word e, só então, me toquei do motivo do erro: os tradutores do MS Word não sabem (ou não sabiam até 2005) o que explico no texto abaixo! Aqui está o link do texto: http://translationpoint.blogspot.com/2005/11/gracinhas-da-micromole-troca-de-h-por.html (atentem para a segunda ilustração e reparem no erro de tradução do verbo "to substitute"!) Acho que isso deve explicar a epidemia de "a" no lugar de "há" de que sofre a língua portuguesa nas mãos da imprensa e dos tradutores que não têm lá muitas noções de gramática da língua portuguesa. Em primeiro lugar peço desculpas pelo longo intervalo, mas esse negócio de festas de fim de ano acaba interrompendo a rotina e sei que vocês hão de me perdoar.Preciso eslcarecer também que este curso não tem método nem programação. Vou simplesmente distribuindo em gotas o que aprendi e julgo importante para a formação dos tradutores e que geralmente não se aprende na escola, mas ao longo da estrada profissional. Sou caótica e o curso que estou criando em gotas é tão caótico quanto a criadora. Pra começo  de conversa, desejo a vocês todos um 2012 sem crise, porque essa crise já encheu o saco, né mesmo? Muito dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender, como dizia a velha canção.A nossa gotinha de hoje será rápida e rasteira: vou falar de um verbinho cabuloso, que deixa muita gente de cabelo em pé. A vítima de hoje foi a revista Super Interessante, da editora Abril.Vejam isto:"Substituir chuchu por cereja pode dar até um ano de detenção e multa de R$ 3 milhões." O trecho acima pertence a uma matéria da revista SuperInteressante em que o autor reclama que estão vendendo chuchu no lugar da cereja, e a preço de cereja. (link: http://bit.ly/ysPajE) A certa altura, me aparece a pérola que citei acima, denunciando a tradução feita por quem nem terminou o buquiuân, pois qualquer pessoa que tenha estudado um tiquinho além do buquiuân sabe que o verbo "to substitute" tem regência invertida com relação ao português, ou seja, "substitute chayotte for cherry" em português é "substituir cereja por chuchu", e não "substituir chuchu por cereja". Além do mais, o nosso querido foquinha nem entende o que escreveu, pois se entendesse teria visto que aquela frase não tem sentido no contexto. Espero que tenham gostado da gota de hoje, que vai evitar muita confusão. O vídeo de hoje? Um ótimo exercício para meus diletos pupilos praticarem o verbo "to substitute": Subtitute, The Who, 1966. Antes do vídeo, aqui vai a letra: You think we look pretty good togetherYou think my shoes are made of leather But I'm a substitute for another guyI look pretty tall but my heels are highThe simple things you see are all complicatedI look pretty young, but I'm just back-dated, yeahSubstitute your lies for factI can see right through your plastic macI look all white, but my dad was blackMy fine looking suit is really made out of sackI was born with a plastic spoon in my mouthThe north side of my town faced east, and the east was facing southAnd now you dare to look me in the eyeThose crocodile tears are what you cryIt's a genuine problem, you won't tryTo work it out at all you just pass it by, pass it bySubstitute me for himSubstitute my coke for ginSubstitute you for my mumAt least I'll get my washing done(Copied from MetroLyrics.com) allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/cJ8Ra1JdtI0" width="420">[...]



Curso de Tradução em Gotas II

2011-12-05T20:43:37.705-02:00

A gota de hoje tenta ressuscitar um tempo simples: o futuro do presente. Depois que o analfabetismo funcional tomou conta do mercado de trabalho, começaram (e não as pessoas começaram, como vimos na gota passada) a inventar cursos de extensão, de especialização, pós-graduações lato sensu, mestrados, doutorados, pós-doutorados, pós-pós-pós doutorados, mas ninguém se propôs atacar a raiz do problema. O analfabetismo funcional é uma erva daninha que precisamos extirpar pela raiz. Enquanto as crianças não saírem do ensino fundamental como saíam há mais de 40 anos – A-L-F-A-B-E-T-I-Z-A-D-A-S – não vai adiantar criar todos esses cursos de pós-qualquer-coisa, pois nada vai mudar: o povo sai da faculdade com trocentos canudos, mas não sabe ler nem escrever. E, pior: acha que sabe, pois as escolas se esmeram no estímulo da autoestima, sem ensinar nada de consistente.Para não reinventar a roda, reproduzo aqui um trecho do texto brilhante do nosso colega Carlos Ramalhete:Ao cabo dos 12 ou 13 anos que passam nos bancos escolares, a regra é os alunos saírem analfabetos funcionais, mas com uma auto-estima grande o suficiente para acharem que merecem prêmios por simplesmente existir e um compromisso pessoal com uma "mudança de paradigma" – não que saibam qual era o anterior, ou sequer o que venha a ser um paradigma, mas aí já seria querer demais, não é mesmo? Aprender palavras difíceis já pareceria demais com o temido ensino tradicional... (http://www.neae.com.br/default.asp?id=44)É por isso que este nosso curso em gotas, no fim das contas, será melhor que qualquer pós-pós do ensino mercantilista, pois nossas aulas são práticas e quem quiser pode fazer uma doação de qualquer quantia, de preferência inferior à cobrada por essas pós-pós-pós que nada de útil ensinam. É só fazer uma transferência via Paypal para o meu email (jussara@simoes.com) Este cursinho é shareware, só faz doação quem achar que é útil.Hoje o nosso assunto é uma pequena, minúscula microintrodução a um assunto vastíssimo, que vale a pena pesquisar. Voltaremos a ele sempre que houver pedidos em profusão (tipo assim, dois ou três).Uma coisa que a grande maioria dos tradutores da atualidade não aprende na escola é que um dia, muitos séculos atrás, o futuro do presente não existia na língua portuguesa. Tudo era tão primitivo quanto na língua inglesa: o que hoje é “viajarei” já foi, em priscas eras, “irei viajar”; “enviará” já foi “irá enviar”. Mas toda língua evolui, conforme berram com voz estridente os pobres linguistas da atualidade, que foram mal-alfabetizados e não sabem que trocar “enviará” por “irá enviar” não é “evolução”, é retrocesso! É uma língua evoluída (o português) regredir ao nível de uma língua primitiva (o inglês).Tá, sei, não precisa gritar! Não sou surda! Sim, em certos aspectos o inglês evoluiu mais que o português, mas no terreno dos tempos verbais, oh my gosh!, não poderia haver língua mais pobre. Tudo bem, é questão de gosto, eu só dei a minha opinião, que é só minha e de quem mais quiser, mas você há de convir que nasceu e cresceu com uma pressão incrível do inglês na cabeça, né?Quem leu bons autores nos anos de formação não consegue ouvir esse “irá enviar” sem sentir o sangue ferver nas veias. Mas não comecem a me xingar, por favor, pelo menos por ora. Vamos pensar juntos? Se o dileto escrevente decompõe o verbo em duas partes – ir no futuro do presente + verbo no infinitivo – para evitar o uso do futuro do presente, por que, pra começo de conversa, usou o futuro do presente no verbo ir? Se o escriba considera bonitinho partir o futuro em dois verbos por achar linda a formação do futuro inglês, tudo bem, pode partir o que quiser, pode até ir para o raio que o parta, mas que ao menos seja coerente! Não quer usar o verbo principal no futuro do presente porque o acha[...]



Curso de Tradução em Gotas I

2011-11-20T13:51:07.239-02:00

Inicio hoje uma seção especial do blogue:Curso de tradução em gotasNa primeira gota vou falar de "as pessoas". O negócio é o seguinte: "as pessoas" enchem a paciência. Enchem os textos de "as pessoas" por pura falta de conhecimentos da gramática da língua portuguesa e, por conseguinte, da inglesa também.Prestem atenção, diletos pupilos: em inglês não existe sujeito indeterminado. Vocês sabem o que é isso? Não sabem? Então pesquisem, ora bolas! Pesquisar e aprender não faz mal à saúde. E, como diz o meu amigo Paulo Cintura, "saúde é o que interessa, o resto não tem pressa!" Issaaaa!Vou dar uma dica: quando alguém diz "tocaram a campainha" está usando o sujeito indeterminado. Quem tocou? Sei lá! A língua inglesa é obrigada a recorrer a gambiarras: "The bell was rung", "Somebody rang the bell" etc. etc. Como deu para perceber, sempre tem um sujeito, mesmo que o sujeito seja "somebody". Aí a gente diz pro angloparlante, perdeu, playboy! Em português a gente não precisa inventar um sujeito, é só usar o sujeito indeterminado, muito mais bonito, cheiroso e elegante: Tocaram a campainha! Uh-hu!Em inglês, todas as orações precisam desesperada e imprescindivelmente de um sujeito. É um tal de "people think I'm stupid", "people didn't understand what you said" etc. Já ouviram falar da Navalha de Ockham? É o princípio da parcimônia: se puder fazer com menos, não faça com mais. Na língua portuguesa, a navalha funciona assim:Em inglês se diz: People think I am stupid.O tradutor despreparado sente vontade de traduzir assim:As pessoas pensam que sou burro. Bem, pois é, né? Se ficar enchendo os textos de "as pessoas" pra cá, "as pessoas" pra lá, vão pensar que é burro mesmo.Vamos dar uma navalhada de Ockham? Pensam que sou burro.  Ou, se quiser, Estão pensando que sou burro.Agora me responda aqui no pé do ouvido: "As pessoas" estão fazendo falta? Nenhuma! O sujeito indeterminado é uma maravilha! Não existe no inglês, mas, e daí? O inglês também tem tanta coisa que não existe no português! Criançada, use com abundância a Navalha de Ockham! O seu texto ficará muito mais agradável, elegante, bonito, gostoso de ler! Esse papo de "as pessoas" é coisa de quem sofre de tin ear syndrome, mas isso tem cura! E o melhor é que nem precisa de medicamentos, basta ler e estudar bastante. E a música de hoje tem mais um toque: em um número muito grande de casos, quando é preciso manter o sujeito "people" na tradução, rogo, imploro, peço encarecidamente que usem "gente". Ouçamos esta música consagrada da Barbra Streisande: People. Diz a letra "people who need people". Se fôssemos traduzir, "pessoas que precisam de pessoas" ficaria um horror, concorda? Então vamos de "gente precisa de gente". Ô coisa linda, vocês não acham? Agora vamos ouvir a deusa cantar? allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/1189N7mcS1Q" width="420">People,People who need people,Are the luckiest people in the worldWe're children, needing other childrenAnd yet letting a grown-up prideHide all the need insideActing more like children than childrenLovers are very special peopleThey're the luckiest people in the worldWith one person one very special personA feeling deep in your soul[- From :http://www.elyrics.net/read/b/barbra-streisand-lyrics/people-lyrics.html -]Says you were half now you're wholeNo more hunger and thirstBut first be a person who needs peoplePeople who need peopleAre the luckiest people in the worldWith one person one very special personNo more hunger and thirstBut first be a person who needs peoplePeople who need peopleAre the luckiest people in the world... Até a próxima, gente! (Ou será que vocês preferem "Até a próxima, pessoas!"? Eca![...]



De como estragar o prazer de uma exposição de Laurie Anderson

2011-06-26T12:51:41.790-03:00

[Observação prévia necessária: as traduções ridículas citadas abaixo são 100% humanas, não foram produzidas pelo Google nem por nenhuma outra máquina de tradução. Desta vez eu venho em defesa do Google, que jamais produziria imbecilidades tão grandes quanto essas que exponho neste texto.] Sou admiradora do trabalho de Laurie Anderson desde 1982, quando eu trabalhava na Fluminense FM e "Born, Never Asked" (juntamente com algumas outras faixas do LP Big Science) entrou na programação. Foi amor à primeira ouvida. Termina domingo, no CCBB, a exposição I in You (Eu em Tu), de Laurie Anderson. Deixei para ir no apagar das luzes porque me conheço e sei que, se fosse logo no início, acabaria indo muitas vezes, mas andava muito ocupada na época da abertura.Se não tivesse tido a infeliz idéia de ler as descrições das peças expostas, talvez eu tivesse saído de lá satisfeita por ter visto um apanhado de tudo o que essa grande artista fez em mais de 40 anos. Infelizmente caí das nuvens quando li as descrições impressas nas paredes. Eis o primeiro exemplo, extraído do catálogo, que está na rede em formato PDF (os grifos são meus):BOWL AND BLADE 2010 Arco de metal, lâmina de serra, acrílico e eletrônicos.Sons e músicas são conduzidos através de umbastão de vidro da base até a lâmina de serra e atigela, que atua como um alto-falante enfatizandoharmônicos.Metal bowl, saw blade, plexiglas rod and electronics.Sounds and music are driven up a glass rod from thebase to the saw blade and bowl which act as speakersemphasizing harmonics. As nossas instituições estão nas mãos de gente sem a menor noção de decência, que só quer encher os bolsos e entrega a confecção e a tradução dos catálogos de exposições de arte nas mãos de gente que não entende absolutamente nada do assunto. No caso da tradução do catálogo, ficou bem claro que a pessoa que se atreveu a traduzir não passou do búqui uân. Como todos sabemos - e até quem ainda não concluiu o búqui uân - bowl é tigela; arco é bow!  Não havia arco nenhum em cima do disco de serra! Aquilo era uma tigela e a descrição em inglês dizia o mesmo: bowl! O nosso grande tradutor, porém, tascou um arco e ficou por isso mesmo, pois aquele catálogo deve ter passado por dezenas de mãos antes de ir para a gráfica, mas não houve sequer uma alma nessa maracutaia toda que se interessasse por fazer uma revisão. Afinal de contas, o rico dinheirinho dos nossos impostos já estava nas mãos deles, não é mesmo? Eis duas fotografias da obra Bowl and Blade (extraídas do catálogo):A incompetência de quem se encarregou dos textos é tamanha, que não souberam nem fazer um simples "copiar/colar" de um texto, pois no catálogo impresso a palavra alto-falante está grafada corretamente, mas na exposição o asno que copiou do catálogo escreveu auto-falante! É! Assim mesmo! Com U! E esse auto-falante apareceu num texto que foi traduzido por alguém que nunca ouviu falar em toca-discos. Deve ser algum copanhêro adolescente, que já nasceu na era do DVD e acredita que o mundo foi criado no ano em que ele nasceu, pois disse que "turntable" (prato de toca-disco) é "arco giratório" e "stylus" (agulha de toca-disco) é "estilete"! Francamente! Vou copiar do próprio catálogo:VIOPHONOGRAP H 2010Violino com arco giratório,estilete e alto-falantesViolin with turntable andbow with stylus and speaker(para quem não entende inglês, a tradução correta seria "Violino com prato de toca-disco e arco com agulha e alto-falante) Também há uma performance chamada Delusion (ilusão, engano, delírio), que o tradutor jegue, ou jegue tradutor, acha que é Desilusão.Agora me respondam, queridos leitores, dá para levar a sério uma instituição que usa o nome do Banco do Brasil? Esse bando que tomou conta de todas as instituições públicas brasileiras mais parece [...]



O portinglês

2011-05-24T16:13:07.276-03:00

Do Carlos Brickman, na edição de hoje do Observatório da Imprensa:O portinglêsWinston Churchill, primeiro-ministro britânico na Segunda Guerra Mundial, conta no magnífico Minha Mocidade que, ao entrar na escola de elite em que o haviam matriculado, o professor quis ensinar-lhe a declinação da palavra latina "mensa" - mesa. O vocativo, explicou-lhe o mestre, seria usado se conversasse com uma mesa. O menino Churchill disse-lhe que não pretendia jamais conversar com uma mesa. Na discussão que se seguiu, Churchill acabou deixando a escola. E tomou uma decisão: não se dedicaria aos estudos de latim, nem de grego. Mas iria aperfeiçoar-se em sua língua, o inglês. E como se aperfeiçoou!Bom, hoje vemos anúncios pedindo jornalistas com pós-graduação, domínio de duas ou três línguas, vivência internacional, e tudo por um salário que não paga nem os cursos. Funciona? Às vezes, funciona. Às vezes, dá coisas desse tipo:1. "Oficiais da Federação Paulista de Futebol mostram total confiança (...)"Official, em inglês, é alto funcionário. Em português, tem um monte de significados. E nenhum deles é o utilizado no texto.2. (O jogador) "foi introduzido à torcida (...)"Introduced, em inglês, significa "apresentado". "Introduzido" é outra coisa, mas deixa pra lá.(a ilustração foi idéia minha)E a música de hoje é o hino do Framengo em ingrêis! Deve ser da autoria de quem fez as traduções citadas acima.  allowFullScreen='true' webkitallowfullscreen='true' mozallowfullscreen='true' width='320' height='266' src='https://www.youtube.com/embed/op-jouwUwVM?feature=player_embedded' FRAMEBORDER='0' />[...]



Escravidão Voluntária

2012-01-10T09:43:41.175-02:00

Trabalho escravo voluntárioHá alguns dias o Luiz Antonio Mello criticou quem está trabalhando de graça, e eu concordo com ele. Por falar em trabalhar de graça, que tal digitalizar 2 milhões de livros por ano de graça? Está tudo explicadinho neste vídeo: http://youtu.be/cQl6jUjFjp4E se eu acrescentar que o Go*g*e e os outros envolvidos vão ganhar uma fortuna incalculável com esse trabalho gratuito? E se eu acrescentar que essa porra do Captcha nos obriga a fazer esse serviço de graça? Se não fizermos, não nos deixam fazer o tal de "login" em inúmeros locais, publicar alguma coisa em um blogue, publicar alguma coisa no Facebook, etc. Sabiam que isso não é apenas trabalhar de graça? Quando alguém nos obriga a trabalhar de graça, é trabalho escravo! Todas as palavras que os programas de OCR (reconhecimento óptico de caracteres) não conseguem entender são destrinchadas pelos escravos voluntários. Como diriam os meus amigos anglos, THE WORLD IS GETTING WORSE BY THE MINUTE! Como diriam Kraunus e Pletskaya, "pensan que essa história se estanca por aqui?" Não! O cara criou um tal dehttp://www.duolingo.com, que está prestes a ser inaugurado! Eles pretendem que 100 milhões de pessoas traduzam a web em todas as línguas principais do mundo DE GRAÇA! Com a desculpa de que os escravos vão aprender línguas estrangeiras, de que vai acabar o preconceito contra os pobres, que não podem pagar para aprender línguas estrangeiras, vão traduzir toda a web de graça acreditando que estão aprendendo essas línguas gratuitamente! Ou isso é duplipensar ou eu já não entendo mais nada!Acontece que essas pessoas que gostam de dar palpite nas traduções, não imaginam, nem de longe, que traduzir não é uma simples consulta ao dicionário. Se fosse, o Google seria perfeito, os tradutores humanos já teriam sido expulsos do mercado, e o mundo inteiro estaria se entendendo às mil maravilhas! Mas não é assim que a banda toca! Essa mania dos leigos de traduzir tudo ao pé da letra, só gera monstrinhos. Por exemplo, pergunte aos anglos se eles entendem "at the foot of the letter" (eles vão lhe perguntar se letra tem pé!). Pergunte se entendem "the cow went to the swamp". Se você disser "the cow went to the swamp" a um gringo, ele vai entender exatamente isto: que uma vaca (de verdade) resolveu dar uma voltinha num brejo e para lá se dirigiu - e vai achar que você deve ser meio doido. Ele não vai nunca imaginar que "a vaca foi pro brejo" quer dizer "danô-se!", ou "ferrou!" ou "tô frito!" (na verdade, traduzir "danô-se" e "tô frito" ao pé da letra não vai dar em nada, pois os dicionários só entendem grafias corretas!) Já está provado que, pelo menos por enquanto, nada substitui o cérebro humano, mas esses nerds não têm a menor noção de teoria da tradução, tadinhos! Eles acham que o mundo inteiro pode ser um território dominado pelas traduções ao pé da letra. Na verdade, sabemos que essa é uma característica dos autistas: para eles tudo tem de ser ao pé da letra! Eles não têm a capacidade de entender metáforas! E também sabemos que um grande número de nerds têm o tal do autismo funcional, também conhecido como síndrome de Asperger. São verdadeiros gênios, mas não fale metáforas perto deles! Certa ocasião, por ingenuidade, sem saber que o rapaz era Asperger, eu disse a uma amiga dele: "Não diga isso perto do fulano que ele me mata!" O cara ficou com ódio de mim, saiu por aí dizendo que eu o estava acusando de assassino! Juro! O que não falta é bobo alegre para louvar esse projeto do Von Ahn! Assim como o número de jornalistas é pequeno se comparado à população mundial, o número de tradutores é menor ainda. Então, por que deixar essas minorias ganhar dinheiro pelo suado trabalho? Vamos extermi[...]



Tu Vuò Fa L'Americano

2011-06-10T21:59:15.611-03:00

Dedico esta música aos redatores e locutores da TV Record: width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/BqlJwMFtMCs" frameborder="0" allowfullscreen>Eis a letra em dialeto napolitano:Puorte ‘e cazune cu nu stemma arreto…na cuppulella cu ‘a visiera aizata…passa scampanianno pe’ Tuletocomm’a nuguappo, pe’ se fa’ guarda’…Tu vuo’ fa’ l’americanomericano, mericano…sient’a mme chi t’ ‘o ffa fa’?tu vuoi vivere alla moda,ma se bevi “whisky and soda”po’ te siente ‘e disturba’…Tu abball’ o’ rocchenrolltu giochi a baisiboll…ma e solde p’ e’ Ccamelchi te li dala borsetta di mammaTu vuo’ fa’ l’americanomericano, mericano…ma si’ nato in Italy!sient’ a mme: nun ce sta niente ‘a fa’ok, napulitan!tu vuo’ fa’ l’americantu vuo’ fa’ l’american!Come te po’ capi’ chi te vo’ bbenesi tu lle parle miezo americano?quanno se fa ll’ammore sott’ ‘a lunacomme te vene ‘ncapa ‘e di’ “I love you”?Tu vuo’ fa’ l’americanomericano, mericano…sient’a mme chi t’ ‘o ffa fa’?tu vuoi vivere alla moda,ma se bevi “whisky and soda”po’ te siente ‘e disturba’…Tu abball’ o’ rocchenrolltu giochi a baisiboll…ma e solde p’ e’ Ccamelchi te li dala borsetta di mammaTu vuo’ fa’ l’americanomericano, mericano…ma si’ nato in Italy!sient’ a mme: nun ce sta niente ‘a fa’ok, napulitan!tu vuo’ fa’ l’americatu vuo’ fa’ l’americatu vuo’ fa’ l’america!E uma tradução inglesa improvisada que encontrei na rede com esta observação:This is a tricky translation; the original is more or less in Neapolitan dialect, which I don’t know much of. I hope some qualified readers will jump in to help out!You wear trousers with a logo on the backand a cap with the visor raisedyou walk jingling down the Tuletolike a Mafioso to get yourself looked atYou want to act American,American, Americanlisten to me, who forces you to do it?You want to be fashionablebut if you drink“whisky and soda”you will feel “a disturbance” [gastric]You dance rock ‘n’ rollyou play baseballbut the money for the Camelswho gives it to you?Mamma’s purse.You want to act American,American, American,but you were born in Italy!Listen to me, there’s nothing to doOK, Neapolitan!You want to act American,You want to act American!How can you understand that I care about youif you speak [?] American?When we make love beneath the moonHow are you capable of saying “I love you”?etc.[...]



TV Record, é GÊISER! Não é gáiser!

2011-04-08T15:52:42.274-03:00

Os locutores da TV Record estão precisando aprender a consultar dicionários! Já ouvi trocentas vezes a palavra gêiser com a pronúncia gáiser. Ou seja, as gracinhas ouviram a palavra em inglês, acharam bonitinha, não têm o saudável hábito de consultar dicionários e, por ignorância, presumiram que não existia em português. Sabe o velho achismo? Pois é. Importaram a pronúncia inglesa com casca e tudo! Que nome se dá a isso? Ignorância galopante? A pronúncia em português é assim mesmo como se escreve: gêiser. Reparou no acento circunflexo no primeiro E? Pois é. E também tem a pronúncia do G: antes de E e I, o G tem som de J, queridinhos! O Houaiss indica a datação de 1838! A palavra é suficientemente antiga na língua portuguesa para passar despercebida pelos nossos queridos locutores, não é mesmo? Haja paciência pra agüentar o Febeapá da TV! Enquanto escrevo aqui, deixei a TV ligada lá na sala e acabo de ouvir a foquinha da TV Record, numa reportagem sobre problemas cardíacos, falar em Esquemia, com um E inicial bem nítido. Queria locutorinha, a palavra é Isquemia, começa com I, viu, bela? Será que você está com inveja da nossa presidAntA, que pronuncia cOmprimentar a palavra cUmprimentar? Para os jornalistas e locutores que não sabem falar, recomendoDicionário de Pronúncia Correta, do Luiz Antonio Sacconi. Esse dicionário é uma preciosidade para os nossos queridos locutores de TV que não sabem pronunciar as palavras na nossa língua, acham que o idioma oficial do Brasil é o inglês. A música de hoje é o Samba do Approach: allowfullscreen="" frameborder="0" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/85JcEODT-vY" title="YouTube video player" width="480">[...]



Mais pérolas do mesmo texto

2011-01-29T15:02:36.153-02:00

Em primeiro lugar, mais uma vez desejo um excelente 2011 a todos os meus queridos leitores, que já devem estar assustados com tantos textos seguidos, né? De vez em quando acontece. Ainda não consegui sair do mesmo parágrafo do artigo online do meu amigo! Naquele parágrafo do "CAPS LOCK", um pouco adiante me deparei com isto: "Por mais que você ache bonito, mas os teus seguidores (ou o que restaram deles) não irão curtir a tua vibe."Pra começar, aquele "mas" está sobrando ali depois da vírgula. "Por mais que XXXX," não permite um "mas" e ficou, assim, tchipuuuu... sem pé nem cabeça. Teria lógica se ele escrevesse assim: "Por mais que você ache bonito, os teus seguidores..." etc. Pode ser que alguém queira comentar a mistura de 3a. pessoa com 2a. pessoa, mas isso nem configura erro no português atual do Brasil. Na verdade, eu gosto dessa mistura, acho-a idiomática, até mesmo sensual. Num texto coloquial como o que estou comentando, a mixórdia de pessoas está perfeita! Em seguida, ele abre um parêntese e joga no lixo a concordância verbal: "(ou o que restaram deles)".  Hein? "o que restou", mon cher, "o que RESTOU"! Para usar o verbo no plural, deveria ser "oS que restaram", né, benhê? Vamos continuar. Pode ser que eu consiga sair desse parágrafo hoje! Ele prossegue com a seguinte pérola (é uma joalheria inteira em um só parágrafo!): Eventualmente, caso você queira dar um destaque (entenderam a etimologia da palavra né? Destaque. Enfim...), até que vale a exceção à regra.Eu queria muito saber o que ele quis dizer com "entenderam a etimologia da palavra né? Destaque. "  Fui procurar a etimologia da palavra "destaque" e encontrei "derivação regressiva de destacar". Tá legal, então vamos à etimologia de "destacar": "orig. contrv". Pronto, a etimologia de "destacar" é controvertida. Respondo, então, a pergunta do meu amigo: Não entendi lhufas! Podia explicar, por favor? O que você quis dizer com esse "entenderam a etimologia da palavra né? Destaque." Acho que não vou conseguir dormir enquanto você não me explicar! O texto do meu amigo tem dez itens. Se cada um deles tiver uma caixa de jóias tão bem-fornida, talvez eu tenha material para passar um bom tempo escrevendo aqui sobre esse texto. O pior disso tudo é que o meu amigo é inteligentíssimo! Acho que isso é conseqüência das más companhias, só pode ser. O cara anda lendo textos ruins em excesso! A internet está em plena campanha de desalfabetização dos que tiveram a ventura de ser alfabetizados! Nove entre dez blogueiros e neojornalistas digitais são analfabetos funcionais. De tanto ler lixo, não há quem consiga resistir bravamente ao contágio. Estou, porém, investindo no meu amigo. Pode ser que ele resolva passar a prestar atenção no que escreve. Pode ser que ele perceba a responsabilidade que tem perante toda a juventude analfabeta funcional, perante todos os leitores, que vão registrando na memória tudo o que lêem e que, se ele melhorar a qualidade da escrita, vai melhorar a qualidade de todos os leitores. Os jornalistas que plantarem textos bem-escritos, colherão mais textos bem-escritos, ou seja, colherão os textos escritos por aqueles que leram e aprenderam com os bons textos que escreveram. Escrever bem e com consciência social é uma maneira de educar os leitores, principalmente neste país, onde a educação foi para a lata do lixo há tantas décadas. Por mais que me critiquem, é isso que tento fazer no meu blogue há muitos anos e até antes, na década de 90 do século passado, quando eu tinha o domínio translationpoint.com e usava o cabeçalho giratório, lembram?Sim, sou um grão de areia no oceano da mediocrid[...]



Alguém sabe o que é CAPS LOCK?

2010-12-31T16:56:51.826-02:00

Hoje não vou falar de tradutores propriamente ditos, mas de um monstro criado pelas "mídias mudernas": o jornalista que tinha um bom português, mas é tão "mudernoso" que não procura mais distinguir o certo do errado, acredita que estamos na era do vale-tudo em termos de comunicação. Já eu digo que estamos caminhando a passos largos para a era da "descomunicação", quando cada um inventa o significado que bem entende para o que bem quer. E o leitor, como fica nessa? Ah, segundo os nossos queridos descomunicadores, o leitor que se dane, que se vire, que se informe ou que escreva uma crítica igual a esta.

Não darei o nome do santo porque vou expor aqui as chagas do rapaz, então, para que ele não se sinta perseguido, ficará anônimo, combinado?

Pra começar, ele aprendeu errado o que é "CAPS LOCK". "CAPS LOCK" é o nome da tecla que prende o teclado na CAIXA ALTA. E CAIXA ALTA em inglês NÃO É CAPS LOCK.

Ele escreveu:

"NÃO UTILIZE O MALDITO CAPS LOCK (OU CAIXA ALTA PARA ALGUNS). 

1 - Qual será o preconceito do moço contra o verbo "usar"? Essa mania de usar palavras com muitas sílabas para parecer educado, inteligente, culto, já era - é coisa do século passado! Eu queria saber o que há de errado em "Não use ...".

2 - Por que ele diz "O MALDITO CAPS LOCK", no masculino, se CAPS LOCK, como eu já disse, é o nome de uma TECLA? Caso ele tenha se enganado e entendido que "CAPS LOCK" significa "CAIXA ALTA" (já expliquei que não), mais um motivo teria para manter o adjetivo no feminino. De qualquer ângulo que se analise, o uso de "o maldito" configura erro de concordância e eu sei que o nosso amigo não desconhece as regras da concordância nominal.

3 - Mais adiante ele explica: "OU CAIXA ALTA PARA ALGUNS". Não, meu querido, também já expliquei que CAPS LOCK é o nome de uma tecla e que CAIXA ALTA denomina o fato de se usar uma ou mais letras maiúsculas.

Quantos vícios em uma única frase, não é mesmo? Para que o meu querido amigo não fique complexado, por hoje é só. Porém uma só matéria escrita por ele tem assunto pra mais de metro de prosa. Voltarei ao texto ou aos textos do meu amigo em breve, trazendo mais equívocos ou erros crassos para ilustrar os queridos colegas tradutores, jornalistas e filósofos. E, por favor, meu querido amigo, não me venha com a desculpa de que "no twitter não é assim" porque nem o seu nem o meu texto estão no twitter, viu?

Para quem ficou curioso, CAIXA ALTA em inglês é "UPPER CASE" e caixa baixa é "lower case".

Mais uma vez, desejo um feliz 2011 pra vocês!



FELIZ ANO NOVO

2010-12-27T03:52:01.510-02:00

Este é o meu cartão de Ano Novo:


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Google Scavenger - pra não dizer que não falei das flores

2010-11-23T14:56:51.023-02:00

Para quem acha que o mundo não existia antes de 2003: Fui a primeira tradutora do Brasil a dar um curso de pesquisa na Internet, em 1998, quando o Google ainda era um "search engine" de verdade, com critérios para acrescentar dados aos resultados. Em outras palavras: "nunca antes neste país" fora administrado um curso de técnicas de pesquisa na Internet. Só quem não conheceu o Google do século passado pode achar que ele é um bom "search engine" hoje. O Google deixou de ser "search engine" (mecanismo de pesquisa) e virou "scavenger" (gari). Atualmente é preciso criar um novo search engine para pesquisar os resultados do Google e separar o trigo do joio. Quem avisa amigo é: abalizar traduções com resultados do Google só pode ser piada!Mas nem tudo está perdido. Tenho procurado sempre renovar as esperanças e recentemente encontrei o Blekko.com. Ele tenta filtrar o spam* e só mostrar resultados aproveitáveis. É claro que, com o tempo, como já dizia a filósofa Rita Lee, "tudo vira bosta", mas, enquanto o Blekko estiver conseguindo descartar o lixo, é uma excelente opção para as pesquisas sérias, pois tudo aquilo em que o Google mete a mão vira bosta. De meados da década para cá o Google adotou o "Toque de Merdas" (for Machine Translation users: The PT word "Merdas" (shit) is very similar to "Midas" [remember Midas Touch?], which inspires the pun "Toque de Merdas"). But I digress. Como eu estava dizendo, é claro que tudo começa com excelentes intenções, como foi o caso da Wikipedia, que depois de algum tempo foi presenteada com o Toque de Merdas. Esperemos que a maldição do rei grego demore bastante para atingir o Blekko.com. Vamos acompanhar o desenvolvimento desse mecanismo de pesquisa e desejar-lhe vida longa e próspera! Recomendo a leitura de uma matéria muito interessante da revista Wired sobre o Blekko.com: http://www.wired.com/epicenter/2010/11/blekko-launches/E, para encerrar, aqui vai a musiquinha de hoje: * O conceito de "spam" já se ampliou e, hoje em dia, se considera spam tudo o que virou bosta![...]



Carta do Nelson Machado

2010-09-25T03:47:40.378-03:00

Hoje recebi um email do ator, dublador e tradutor Nelson Machado, um dos melhores dubladores do Brasil, famoso por tantas vezes ter emprestado a voz ao Robin Williams, ao Wesley Snypes, ao Roberto Bolaños (o Quico) e a tantos outros astros. Ele expõe a situação atual dos dubladores no Brasil, mas, se trocarmos no texto dele a palavra "dublagem" por "tradução" veremos ali também o nosso retrato. E se trocarmos por diversas outras profissões também veremos ali o retrato de todas essas profissões.É difícil mesmo compreender por que tanta gente vai se apequenando cada vez mais e mais e mais e mais. O Nelson diz "A Dublagem é o único ramo de atividade que conheço que briga pra valer cada vez menos!" Não é só a dublagem! Basta visitar qualquer site como o Proz.com, por exemplo, para ver que o que ele diz da dublagem se aplica à tradução. É cada vez maior a pressão para que o nosso preço caia para um centavo por palavra e, também, cada vez maior o número de pessoas que, ao se sentirem intimidadas, cedem às pressões. Os tradutores literários e de entretenimento também são artistas, iguaizinhos ao Nelson!Convido os leitores a ler o texto do Nelson e refletir, nem que seja só um pouquinho. Seria interessante conhecer a sua opinião. Aqui está o texto do Nelson (o texto a que ele se refere é uma carta anônima que recebeu e que, por ser anônima, não merece divulgação):Tudo muito bonito e boa parte do texto carregada de razões.Mas perde por dois aspectos...O primeiro é que um texto anônimo conclamando a atitudes valentes, corajosas, é um paradoxo! Ora, o autor nem tem coragem de assinar seu texto, como pode sequer sugerir que eu deva ter coragem para lutar pelas idéias dele?O segundo é pessoal. Concordo que tudo devia ser mudado. Que devíamos jogar fora tudo o que temos e tudo o que nos regulamenta para começarmos do zero. Mas para que tenhamos confiança nisso, seria preciso, PRIMEIRO, que essas coisas antigas fossem cumpridas. Ora, não se cumpre nada do que se combina (EM NENHUMA CASA!) e querem que eu concorde e ajude a criar um novo sistema? Isso me cheira a uma proposta de institucionalizar o não cumprimento! E se o que está acordado já me parece aquém do que mereço ou do que valho, por que eu iria me mobilizar pra oficializar que valho menos ainda?A Dublagem é o único ramo de atividade que conheço que briga pra valer cada vez menos! Tanto profissionais quanto estúdios!O que querem? Novas regras que tornem decente o fato do SBT utilizar minha voz numa série de sucesso há 26 anos sem nem me convidar pra almoçar? Um novo regulamento que torne decente o sujeito que aceita me substituir no meio de uma negociação?Todas os setores da economia negociam. Até mesmo o nosso, em outras áreas. O garoto que faz Malhação não tem o mesmo valor do Fagundes ou do Stênio Garcia dentro da Globo. Quem fez ponta como presidiário no Carandirú não teve o mesmo valor do Rodrigo Santoro. O menino que dividiu palco com o Paulo Autran não teve um salário nem da metade do valor do dele. Por que só a dublagem deve ser medida com igualdade socialista? Por que todos os dubladores devem valer a mesma coisa? Por que todos os estúdios devem cobrar o mesmo?Uma blusa no Torra-Torra não pode ter o mesmo valor de uma blusa da Daslu. Um comercial no boteco da esquina não tem o mesmo preço de uma refeição no Terraço Itália. O ingresso de uma pecinha infantil num teatrinho alternativo de bairro não pode custar a mesma coisa que o ingresso do Fantasma da Ópera. Por que só a Dublagem tem que ser nivelada? E sempre por baixo?Vamos nos juntar, sim. Vamos nos unir. Mas como se uniram, há[...]



Google Translation Toolkit II - A Missão

2010-04-30T21:09:03.228-03:00

A d. Irina fez a seguinte pergunta: Jussara, poderia explicar melhor, pois quando corrige o que GTT escreveu, mas na sua tradução, digo no seu arquivo, não no próprio GTT. Então como ele pode "roubar" o seu trabalho? Quando o seu trabalho é postado em algum site, ou blog, é isso? Mas a partir do momento que você publica algo na internet, ele se torna público, do contrário não haveria pesquisa pelo Google..... You cannot have a cake and eat it at the same time.Há mais de uma maneira de fazer isso, d. Irina. Uma delas é a entrega de bandeja do texto original. Duvido muito que todos os textos destinados à tradução sejam publicados na Internet. Se o texto a ser traduzido tiver como destino a publicação na Internet, nada se perdeu, mas garanto que o proprietário de textos que não gostaria de vê-los na internet não ficaria feliz por saber que o tradutor usou o GTT ou qualquer outra máquina de tradução automática pretensamente gratuita da Internet. A senhora pode até não editar a tradução no GTT, mas ao usar a máquina de tradução para copiar a tradução no seu arquivo já entregou o original, não é mesmo? Afinal de contas, a máquina de tradução não tem como adivinhar o original. Quem consulta o GT ou o GTT precisa ali digitar, colar ou enviar o arquivo do texto original. É aí que o tradutor entrega o que não é dele: o texto original do cliente! Para ilustrar o que digo: quando corrijo testes de tradução, costumo consultar o GT para ver se o candidato colou. Já vi traduções muito boas de diversos textos de testes aplicados por agências aos candidatos a tradutores. E já vi testes idênticos entre si e idênticos a traduções presentes no GT; e outras agências também devem estar recebendo traduções idênticas. Se isso acontece com testes, o que não farão esses mesmos tradutores quando receberem os textos dos clientes? Estou apressada e vou deixar em aberto, entregue à criatividade dos leitores, os outros usos que podem ser desvantajosos para os clientes pagantes e para o bolso dos tradutores. É ingenuidade acreditar que o GTT e o GT são inócuos. Repito aqui o que já disse em outra ocasião: "There's no free lunch". Ou, em português castiço, "Tudo tem seu preço". Essa história de "gratuidade" é conversa para boi dormir, é preciso agir como o pobre e desconfiar das grandes esmolas!********************************O espaço destinado às músicas que tenham algo a ver com o que digo, a música de hoje, de autoria do Getúlio Cortes, mostra um mal-entendido lingüístico: Que foi que ele roubou? Que foi que ele fez?Os brotos responderam todos de uma vez:Roubou um coração e tem que devolverSenão o sol quadrado ele vai ver nascerNão vou nessa história acreditarNão pode um coração alguém roubarEnquanto eu falava, o homem sumiuDescendo pela rua ele escapuliuDe repente, então, tudo mudouE a turma toda contra mim virouCorrendo descobri que o tal coraçãoEra uma jóia pendurada num cordão[...]



CENSURA!

2010-04-26T13:24:53.637-03:00

Tem gente por aí que adora uma falácia. Você sabe o que é censura e o que é censura prévia? Sabe mesmo? Quem não viveu os anos de chumbo do Brasil vem demonstrando, cada vez mais, uma vontade louca de voltar a eles. E quem os viveu, dependendo de que lado estava, ou os quer ver bem longe do século XXI, ou está doidinho para tê-los de volta.É o que vem acontecendo na Internet, onde a maioria não conheceu a ditadura e uma minoria de lobos em pele de cordeiro fazem discursos longuíssimos para justificar o injustificável.Para quem não sabe: censura prévia é o fulano que escreveu algo para publicação ser barrado no meio do caminho para exame. Se o fiscal da censura achar que pode, libera; se achar que não pode, proíbe. Repito: o nome disso é CENSURA PRÉVIA. Tem um grupelho de ditarorezinhos de meia tigela arrogando a si mesmos o direito de exercer esse poder de mando. Falo de um grupo que se autodenomina "moderadores". Esses são os novos Dona Solange. São a Dona Solange do século XXI.A Dona Solange era a triste criatura que liberava ou vetava as letras de músicas no tempo da ditadura.Só quem morre de saudade dos anos negros da ditadura ou quem nunca a viveu pode tentar convencer que a tal "moderação" não é censura prévia.Mirem-se na filosofia do Twitter, senhores ditadores. No Twitter cada um decide quem vai querer ler. Se não gosta de ler um indivíduo qualquer, clica no "block" e pronto. Não o lê mais. Com a diferença de que todos os outros continuam com o direito de ler a criatura. O Twitter não deixa espaço nenhum para os ditadores de fundo de quintal. É por isso que certas pessoas detestam o Twitter. Claro, não conseguem exercer o poder de síndico que perdeu a eleição. Não conseguem manipular. Os censores são, tipicamente, pessoas que não têm autoridade nem na própria casa.Não se enganem amigos: o que chamam de "moderação", chamava-se censura prévia na ditadura. Cruzem os braços, não reajam, sejam cordeirinhos. Quando menos esperarem as vítimas serão vocês! Essa velha história de "lista morrendo" existe desde o princípio, desde que eram meia dúzia de gatos pingados. E os que impõem a censura também são sempre os mesmos e mais os jovens ignorantes, que não fazem idéia do que seja viver sob o regime da ditadura.Ninguém deixa de ter suas dúvidas respondidas na Trad-Prt, por mais que chorem os reacionários. Sou contra a censura e seria contra os meus princípios submeter, de livre e espontânea vontade, os meus escritos a censores. Principalmente pessoas falsas, que bajulam e pedem que eu lhes dê serviço, mas, por trás, exercem o poderzinho de ditadores de fundo de quintal. Ainda bem que eu tenho um bom faro e não caí na armadilha de repartir o meu trabalho com gente indigna de confiança. Gente que vem pedir trabalho com a intenção de saber quem são os clientes e, usando de subterfúgios e calúnias, tentar roubá-los. Cuidado com essa gente! Cuidado com a Trad-Prt! Quem acredita ter o direito de regular o que 3 mil pessoas podem ou não podem ler são pessoas muito perigosas! Tomem muito cuidado!E não digam que não avisei! "Moderação", teu nome é CENSURA!Para completar, eis uma explicação técnica em que TENTAREI fazer com que os leigos que estão falando um monte de bobagens aprendam a ver os cabeçalhos (headers) antes de dar continuidade ao besteirol (o texto foi extraído de uma msg. que pedi a um amigo que enviasse à lista porque ele não está sob censura - é óbvio que não seria liberada pelos censores):Tenho quase 30 anos de PC e quase 20 de Internet. Sou do tempo do c[...]



CENSURADA NA TRAD-PRT!

2010-04-25T14:23:38.318-03:00

Cópia de msg. que acabo de enviar a duas listas de tradutores:Não sei desde quando, porque os censores traíras não me deram o direito de saber que pretendiam me censurar. Se eles tivessem a dignidade de avisar ANTES, eu tiraria o time de campo imediatamente, pois tenho HORROR à censura, verdadeiro NOJO da censura. Descobri hoje, por acaso, pois enviei uma msg. e achei que estava demorando para chegar (e ainda não chegou - são 14:00). Geralmente não procuro saber se minhas msgs. já chegaram porque estou sempre muito ocupada, mas, por ser uma mensagem que falava de futebol, a minha paixão, estranhei não ter chegado. Fui à página do Yahoogroups e eis que encontrei, no cabeçalho de uma msg. anterior, o fatídico "X-eGroups-Approved-By: hfsantos2006 via email; 25 Apr 2010 10:10:23 -0000"Era uma msg. inocente, sobre um artigo no Guardian a respeito dos tradutores de escritores famosos. (Quer saber se você também está sob censura, é só clicar em "opções da msg" e "ver código fonte". Se aparecer um "X-eGroups-Approved-By: fulano" é batata! Você está sob censura prévia!)Por que estou contando isto aqui, e não lá na Trad-Prt? Porque sei que há muitos colegas nas duas listas e é preciso que fiquem sabendo o que acontece lá: a censura da TRAD-PRT é muito mais sórdida do que a censura do tempo da ditadura. Pelo menos no tempo da ditadura todos sabiam que havia censura prévia. Na TRAD-PRT a censura é feita na surdina, debaixo dos panos! Há alguns anos, quando descobri que me estavam censurando, alguém me liberou e pediu desculpas, dizendo que não sabia o que tinha acontecido. Pensei que não fossem mais fazer isso, como prometeram, mas era mentira. É uma pena, eu tinha uma espécie de denguinho porque, quando a USP não podia mais hospedar a Trad-Prt, foi a mim que o fundador da lista, o Renato Beninatto, pediu que criasse uma lista nova no Onelist, que fizesse a transferência do pessoal da USP p/lá da maneira mais indolor possível. O importante é o seguinte: quem não estiver sob censura, podia fazer o favor de divulgar isto na Trad-Prt? Infelizmente não dá mais pra engolir. Se os censores não se retratarem publicamente e cancelarem a censura sobre mim, desta vez, mesmo com o coração partido, tô fora! Trad-PRT nunca mais! Vou publicar esta mensagem também no meu blogue. É preciso que todos saibam o que está acontecendo nos bastidores da TRAD-PRT: censura à traição! E censores puxando conversa comigo, me fazendo elogios! É bom saber quem são esses censores. O mundo dá muitas voltas. Não vou precisar me vingar porque o próprio mundo se encarrega disso.A msg. que ainda não foi liberada, talvez porque é domingo e não há censor de plantão, é uma msg. inocente, sobre como se diz "paradinha" (futebol) em inglês. É Stutter Kick ou Little Stop.Aqui está ela: Jussara Simoes ✆ para trad-prtmostrar detalhes 13:14 (44 minutos atrás)Não é serviço, só curiosidade. Assisti ao vídeo do discurso do presidente no dia do Diplomata (dia em que ele entregou a "Ordem do Rio Branco" à dona Marisa Letícia) e fiquei curiosa p/saber como os colegas que traduzem pt>in traduziriam a frase abaixo. Aos 21:21, o presidente diz o seguinte: "Todo mundo queria ver qual era a "paradinha" que o Brasil ia dar... e pra que lado que o goleiro ia cair" Vou explicar a paradinha porque é imenso o número de tradutores estrangeiros que não acompanham o futebol (e eu sou assim meio que doidinha por futebol, vascaína desde criancinha). A "paradinh[...]



Tamancos nas engrenagens do Google Translate

2010-04-29T14:15:35.659-03:00

Já vi diversos casos de sabotagem das traduções do Google. Há pessoas, como o colega João Lucas, que reagiram com ceticismo ao que eu disse, então resolvi explicar melhor. E, como sei que ele não é o único cético, resolvi trazer para o blogue a resposta que acabo de enviar a ele numa lista de tradutores do Yahoo.Eis a resposta (aproveitei para fazer uma revisãozinha básica, mas nada que alterasse o sentido):Não, João, você entendeu mal, as traduções vêm sendo sabotadas por pessoas que usam, por exemplo, o Google Translate, e têm tempo e maldade suficientes para insistir muito na "sugestão" de tradução "melhor". A "máquina" do Google é estatística, portanto, se houver um número X de sugestões de tradução "melhor", o Google adota. Quem consegue adulterar o sentido das traduções são, portanto, pessoas muito mal-intencionadas, que querem arranjar confusão entre os ingênuos que acreditam na eficácia dessas traduções de máquina. Existem grupos políticos interessados nesses mal-entendidos, grupos grandes, que conseguem "convencer" a máquina do Google por serem numerosos. Já vi denúncias de textos políticos traduzidos do árabe p/o hebraico e vice-versa sabotados, que ganharam sentido contrário ao original. Já vi isso em traduções do inglês p/o português também. E o número só aumenta, não diminui.Nunca usei máquina de tradução p/conversar com gente de língua que eu não entenda. Na verdade, nunca usei máquina de tradução p/conversar com ninguém, mas quantas pessoas você conhece não acham "mó legal" poder conversar com um russo que não sabe inglês nem português, por exemplo? Com essas sabotagens, de repente o seu "amigo" russo fica com raiva de você, mas você não sabe por quê, não é? O motivo pode muito bem ser o fato de você ter ofendido o seu amigo sem querer.Como se não bastassem as traduções que já são erradíssimas, mesmo sem sabotagem, não é mesmo? Semana passada fui obrigada a acrescentar um "disclaimer" ao título do meu blogue, pois o inocente "nego" da pergunta "Google Translator Kit, qual é a tua, nego?" virou "nigga" na tradução automática. Se eu fosse traduzir aquele "qual é a tua, nego?", a palavra "nego" seria "dude", mas o Google não está interessado na paz, eles quer mais é guerra. Um tradutor americano, cheio de boas intenções, ficou com o ** na mão e cortou o "nego" do meu texto quando fez a "syndication". Fiquei furiosa. Se ele tivesse qualquer outra profissão, tudo bem, mas o sujeito se diz tradutor e faz uma burrice dessas sem nem me consultar? Não lhe passou pela cabeça que "nego" pudesse ser outra coisa? Aí caiu a ficha, imaginei que, se um falou, quantos estariam calados, imaginando que eu sou racista e estou chamando o Google de nigga? (Até agora não consegui ver sentido nesse tipo de raciocínio, mas tem raciocínio idiota pra tudo neste mundo, né?) Para atribuir raça a uma máquina de tradução é preciso estar com a cabeça muito voltada para o mal, não é mesmo?As máquinas de tradução ainda vão demorar alguns anos transformando a nossa linguagem coloquial. Daqui a alguns anos pode ser que não existam mais metáforas em língua nenhuma, pois a falta de ensino nas escolas faz com que os jovens só tenham a internet para se educar e aprender o vernáculo. Leia 1984 para entender isso melhor. O princípio da tradução automática está ali definido (não só ali, mas 1984 é a mais famosa obra de divulgação da deturpação artificial da linguagem).Quanto a "virar" revisores de tradu[...]



Google Translation Toolkit - Qual é a tua, nego?

2010-04-29T14:14:09.284-03:00

My dear readers, your ATTENTION, please! Do not even think of trying to translate this post into English using unassisted MT (MACHINE TRANSLATION)! The word "nego" in the title ('Qual é a tua, nego?') CANNOT, SHOULD NOT, MUST NOT be translated into English as "nigga" or anything similar. If you do that, be advised: I'll not be responsible for your stupid translation machine gross errors because it does not take Brazilian culture into account. Vamos raciocinar juntos? Pra quem não conhece o Google Translation Toolkit (GTT) é assim:A gente pega um texto em qualquer língua, leva pro GTT, que traduz tudinho "daquele jeito" (no meu caso, do inglês para o português).Vamos relendo, segmento por segmento, e corrigindo tudo o que está esquisito (no meu caso, mais de 80% do texto). Com isso, consertamos o nosso texto, que será entregue ao cliente, mas - ao mesmo tempo - deixamos de graça para o Google todo o aprimoramento que fizemos na tradução dele. O Google pega o nosso aprimoramento e usa, sem pagar nada.Eu e o cliente, por conseguinte, fomos lesados! Eu fui lesada porque trabalhei de graça para o Google aprimorar a maquininha dele e o meu cliente foi lesado porque a tradução que ele pagou para que eu fizesse foi entregue de graça ao Google. Como dizia o saudoso Lilico, "É bonito isso?" E tem gente querendo me convencer de que o GTT é a oitava maravilha do mundo! Só pra quem gosta de trabalhar de graça! Pra esse bando de gente que traduziu a interface do Facebook, que está traduzindo a interface do Linked-in e do Twitter, por exemplo. São empresas milionárias, mas mendigam na hora de traduzir o site. Acordem aí, colegas!Será que dá para descer ainda mais? Será que o rebaixamento do ofício do tradutor consegue cair abaixo de zero? Acho que consegue, sim, pois já me disseram que determinada empresa de tradução está exigindo que os tradutores PAGUEM para trabalhar para ela.Repito: É bonito isso? Tenho mais a dizer sobre isso, mas, por ora vou esperar comentários, para ver se vale a pena continuar a escrever sobre este empolgante assunto.Colegas: não se deixem enganar! Trabalhar de graça para uma empresa bilionária como o Google é tiro no pé![...]



Tiro de misericórdia no maldito POR antes do nome do autor

2010-03-29T11:10:52.316-03:00

O argumento (furado) mais usado pelos defensores do simiesco POR antes do nome do autor é o da elipse. Quando aparece o maldito POR, os primatas inferiores costumam dizer que ocorre a elipse de "escrito". Então "por Fulano de Tal" seria o mesmo que "escrito por Fulano de Tal". Vou no popular: "Que mentira, que lorota boa!"Vamos acabar de uma vez por todas com esse argumento xexelento!Recapitulando, no texto do Karol ele explicava assim a impossibilidade da elipse: Dizem os defensores do "por" que existiria um verbo elíptico: "Iracema (escrita) por José de Alencar". Essa argumentação, entretanto não encontra amparo no estilo da língua, tendo em vista que o verbo elíptico, por excelência, em nossa língua (e nas demais línguas neolatinas), se não houver outro verbo anteriormente explícito, é o "ser".O tiro de misericórdia no argumento da elipse é o seguinte: a elipse sempre deixa claro qual foi o verbo omitido. E não sou a única pessoa a definir assim a elipse. Vejamos o que diz o "Por trás das letras":     Elipse      Omissão de um termo facilmente      subentendido. Dito ou não anteriormente. (o grifo é meu) Exemplo: As mãos eram pequenas e os dedos delicados. [elipse do verbo eram](extraído de http://www.vestibular1.com.br/revisao/r35.htm)Há centenas de páginas na rede que explicam e dão exemplos de elipses, não preciso me deter aqui.No nosso caso, esse argumento da elípse de "escrito" cai por terra exatamente porque não está claro, não há como saber se é "escrito", pois o verbo omitido poderia ser qualquer outro! O "por Fulano" pode significar "escrito por", "copiado por", "roubado por", "plagiado por", "macaqueado por", "modificado por", "estragado por", "destruído por". "reescrito por" e uma infinidade de verbos, na verdade poderia ser qualquer verbo da língua portuguesa!E agora? Como se defendem os advogados do maldito por? ***********************************************************************Alguns dias depois, resolvi começar a tirar exemplos do Twitter, para provar que quem pensa em português (e não em inglês simiesco), usa "de", não usa "por" (e os grifos são meus). Por que será que essas pessoas não usam "por" antes do nome do autor? A resposta é óbvia: porque o "de" é a tendência natural da nossa língua e quem não está interessado em macaquear o inglês não imita o "by", porque inglês é inglês, português é português, ora bolas! Conforme for recolhendo pretendo trazê-los aqui.@tiradoleite: Ontem terminei de ler "O andar do bêbado" de L Mlodinow. Gostei pra caramba, eu indico!@UtopiaeBarbárie: Twitter oficial do documentário Utopia e Barbárie de Silvio Tendler, estréia 23 de abril nos cinemas.@livcultura #CulturaVillaLobos recebe hj, às 19h30, o debate de lançamento do livro "O cativeiro na terra" de Jose Martins. Confira:http://migre.me/s7GS@livcultura Acaba de chegar na #LivrariaCultura o aguardado livro "Bordados" da escritora iraniana Marjane Satrapi - http://migre.me/qWzH[...]



Abaixo o "por" antes do nome do autor! (repeteco)

2010-03-10T10:55:40.188-03:00

Ainda faltava migrar este artigo, de 11 de janeiro de 2006, que estava no Multiply:

Os outros textos que falam do maldito por, estão aqui:
http://translationpoint.blogspot.com/search/label/maldito%20por

O Luiz Karol foi tão claro e conciso, que é preciso divulgar a explicação dele: 

Os argumentos são simples

Do ponto de vista diacrônico:

Em latim, escrevia-se o nome do autor, no genitivo, anteposto ao nome da obra. "Virgilii, Aeneis". Esse caso (genitivo), na evolução do latim para as línguas românicas, foi substituído pelo ablativo regido pela preposição "de", e trocou-se a posição dos termos. ficamos com "A eneida, de Vergílio", ou simplesmente "Eneida/Vergílio", que é mais usado.

Do ponto de vista sincrônico:

Dizem os defensores do "por" que existiria um verbo elíptico: "Iracema (escrita) por José de Alencar". Essa argumentação, entretanto não encontra amparo no estilo da língua, tendo em vista que o verbo elíptico, por excelência, em nossa língua (e nas demais línguas neolatinas), se não houver outro verbo anteriormente explícito, é o "ser".

Do ponto de vista lógico-filosófico:

O preceito da navalha de Ockahm nos diz que havendo dois conceitos de mesma eficácia e eficiência, devemos escolher o mais simples. Portanto, entre Eneida escrita por Vergílio e Eneida de Vergílio, é mais econômico ficar com o segundo.

Para arrematar, "A, por B", estamos carecas de saber, é tradução literal de "Ei bai Bi", e não tradição literária em nossa língua

Faltou somente o argumento semântico (que de certa forma se liga ao diacrônico):

A preposição "de", entre dois termos sem verbo, estabelece uma relação semântica, em que o termo regido pela preposição é colocado em situação de superioridade ao termo principal, denotando origem, posse, circunscrição, causa eficiente, etc.: "Luiz de Niterói", "A casa de Paulo", "A nona de Beethoven". Tratamos aqui de frases nominais.

A preposição "por", nas mesmas condições, estabelece relações de substituição "Seis por meia dúzia", "um pelo outro", etc. Só estabelece outras relações, em casos em que o verbo se torna indispensável: "Teve Machado por modelo", "Passou por dissabores", etc., e indica a causa eficiente somente na voz passiva: "A nona foi composta por Beethoven", que compõe tipos de frases em que não se pode elidir o verbo principal.

Portanto, nas frases nominais que indicam autoria (causa eficiente) a preposição por excelência, na Língua Portuguesa, é "DE"!



Freelance no OED (Oxford English Dictionary) - Reprise

2010-02-27T23:33:16.511-03:00

Freelance no OEDJan 1, '07 11:07 PMfor everyoneVejam que interessante: hoje em dia, os tradutores"freelance" se vendem pelo menor preço. Na Idade Média, "Those rude German free-lances, ever ready tosell themselves to the highest bidder" (v. abaixo).De vez em quando os tradutores ressuscitampalavras mortas ou acepções obsoletas. Talvez valesse a pena ressuscitar aacepção mais antiga da palavra e começar a vender nossos serviços ao "highestbidder". Que tal?free lance. Also free-lance, freelance.1. A term used by writers denoting one of those military adventurers, often of knightly rank, who in the Middle Ages offered their services as mercenaries, or with a view to plunder, to belligerent states; a ‘condottiere’, a ‘free companion’.1820 Scott Ivanhoe xxxiv, I offered Richard the service of my Free Lances.1855 C. M. Yonge Lances of Lynwood vi. (1864) 95 He..knew a d’Aubricour would be no discredit to his free lances.1877 Mrs. Oliphant Makers Flor. iii. 77 Those rude German free-lances, ever ready to sell themselves to the highest bidder.2. fig. Applied esp. to a politician or controversialist who owns no fixed party allegiance, but from time to time assails one party or the other in a capricious or arbitrary manner; also, to one who in any department of speculation or practice follows the methods of no particular school. In recent usage, a person working for himself and not for an employer; freq. attrib.; also of occupations or work performed by free lances.1864 Standard 16 Apr., They may be Free Lances in Parliament so long as the guerilla career suits them.1882 J. Hatton Journalistic London v. 106 The name of Grenville-Murray..might be associated with clever work on many other English as well as French journals. The free lance par excellence of journalism was laid to rest..during..1881.1883 S. C. Hall Retrospect II. 135 The band of literary free~lances that..made Fraser’s Magazine a name of terror.1889 Jessopp Coming of Friars v. 216 The Friars..were free lances with whom the bishops had little to do.1901 Westm. Gaz. 7 Mar. 9/1 Someone who calls himself a free-lance journalist.1912 W. Owen Let. 3 June (1967) 139 There entertained my guest, the Preacher–a funny old man who is a free-lance (as he vaunts) and answered the Vicar’s advertisement.1927 Carr-Saunders & Jones Soc. Struct. Eng. & Wales 62 Free-lance professional men, doctors and barristers for instance.Ibid. 75 When members of a free-lance profession take salaried positions.1950 Science News XV. 7 If they had to rely on the free-lance articles which come in they could close down tomorrow.1962 McLuhan Gutenberg Galaxy 74 Leopold Bloom..is a free-lance ad salesman.Hencefree-lance v. intr., to act as a free lance;free-lancer, a free lance;free-lancing vbl. n. and ppl. a.1903 A. Bennett Truth abt. Author v. 60 What in Fleet Street is called ‘free-lancing’.1904 Westm. Gaz. 6 May 2/3 Lord Londonderry..has done a bit of free-lancing himself in his non-Ministerial days.1907 Ibid. 27 Mar. 4/2 Some free-lancing Parliamentary iconoclast.1909 Daily Chron. 7 Apr. 4/7 If the clergy were allowed to free-lance in each other’s parishes.1915 W. J. Locke Jaffery i, He had a terrible time for a dozen years or so, taking pupils, acting, free-lancing in journalism.1937 Times 30 Dec. 6/3 My conviction that one could do more for the general cause of good architecture from within that body [sc. the R.I.B.A.] than as a rebel, free-[...]



Brazinglish and Misunderstandings Galore

2010-02-24T09:27:46.502-03:00

Tive a honra de ser publicada pela segunda vez no Macmillan Dictionary Blog e convido os meus queridos leitores a dar uma chegadinha lá:


E aproveitem para convidar os seus amigos, pois desta vez escrevi um texto que esclarece um antigo mal-entendido.