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Scenarium



Seja bem-vindo a mais um palco do Cenário de Sentimentos (www.mariseribeiro.com). Este espaço é um abraço à sensibilidade, independente da forma como é apresentada: um poema, uma canção, um pensamento, uma pintura, uma charge... O que alimenta a



Updated: 2017-09-07T15:56:40.593-03:00

 



Caravaggio, Tiziano e Rembrandt: obras-primas ganham vida.

2014-05-04T19:21:34.605-03:00

 
Chama-se "Beleza" a animação de autoria de Stefano Rino em que o esplendor de um gesto de dezenas de obras-primas ganham vida. Uma carícia, uma careta, às vezes imperceptíveis movimentos dão uma nova dimensão à beleza que normalmente se usa na imobilidade de uma pintura.
Clique aqui e se encante com a criatividade de Stefano e, claro, com as pinturas dos grandes mestres.
 
 
 

 



El Empleo (O Emprego)

2014-04-06T16:56:53.676-03:00

 
Curta-metragem de animação argentino, produzido pela Opusbou, com a direção de Santiago Grasso e  vencedor de 102 prêmios internacionais. O curta  é uma crítica à exploração do ser humano em funções às quais costumamos desvalorizar.  As pessoas servem de objetos  a outras em hierarquia superior.  Uma belíssima reflexão sobre as relações humanas no trabalho.  Clique aqui para assisti-lo.
Eu achei sensacional e você o que acha?



Zélia Duncan, Hamilton de Holanda e Nilze de Carvalho

2014-03-25T16:09:45.255-03:00

(image)
 Naquela Mesa (assista, vale a pena)



Alphonsus de Guimaraens

2014-03-09T16:44:11.678-03:00

IsmáliaQuando Ismália enlouqueceu,Pôs-se na torre a sonhar...Viu uma lua no céu,Viu outra lua no mar.No sonho em que se perdeu,Banhou-se toda em luar...Queria subir ao céu,Queria descer ao mar...E, no desvario seu,Na torre pôs-se a cantar...Estava perto do céu,Estava longe do mar...E como um anjo pendeuAs asas para voar...Queria a lua do céu,Queria a lua do mar...As asas que Deus lhe deuRuflaram de par em par...Sua alma subiu ao céu,Seu corpo desceu ao mar...  Considero "Ismália" um dos mais belos poemas do Simbolismo brasileiro, por isso trago para os seguidores do Scenarium outras leituras artísticas deste texto, registradas em vídeos do You Tube: - Curta dirigido por Hendril Costa Silveira (clique aqui); o mesmo curta adaptado com versão musical de Alexandre Santana (aqui). - Poema musicado por Gê Lara, nas vozes de Luiza Lara e Gê Lara (aqui). - Poema musicado por Capiba, na voz de Inezita Barroso (aqui). - Desenho animado de Caren Nunes da Silva, com fundo musical de Yann Tiersen (aqui). - Poema falado na voz de Paulo Autran.  Demais créditos de imagem se encontram no vídeo (clique aqui).   Para quem se interessar pela análise literária do poema, indico a visita ao blogue Literatura e Linguagens (clique aqui).  A imagem que ilustra o poema também é uma outra forma de leitura: Ismália por Lulabel [...]



Feliz Natal!

2013-12-22T12:33:03.636-02:00

Balada de NeveBatem leve, levemente,como quem chama por mim.Será chuva? Será gente?Gente não é, certamentee a chuva não bate assim. É talvez a ventania:mas há pouco, há poucochinho,nem uma agulha buliana quieta melancoliados pinheiros do caminho… Quem bate, assim, levemente,com tão estranha leveza,que mal se ouve, mal se sente?Não é chuva, nem é gente,nem é vento com certeza. Fui ver. A neve caíado azul cinzento do céu,branca e leve, branca e fria…Há quanto tempo a não via!E que saudades, Deus meu! Olho-a através da vidraça.Pôs tudo da cor do linho.Passa gente e, quando passa,os passos imprime e traçana brancura do caminho… Fico olhando esses sinaisda pobre gente que avança,e noto, por entre os mais,os traços miniaturaisduns pezitos de criança… E descalcinhos, doridos…a neve deixa inda vê-los,primeiro, bem definidos,depois, em sulcos compridos,porque não podia erguê-los!… Que quem já é pecadorsofra tormentos, enfim!Mas as crianças, Senhor,porque lhes dais tanta dor?!…Porque padecem assim?!… E uma infinita tristeza,uma funda turbaçãoentra em mim, fica em mim presa.Cai neve na Naturezae cai no meu coração. Augusto Gil [...]



Andréia Maia

2013-10-14T09:26:17.314-03:00

  Eu fui... agora eu Sou!                        Fui perfeita, correta e fiel.Cumpri ordens, acatei desejos que não eram meus! Servi café, almoço e jantar.Fui café, almoço e jantar! Fui a dama que me cobraram e a "mulher-dama" que desejaram.Sorri "colgate", mas abri um sorriso amarelo quando cansei das convenções. Fui menina e brinquei.Fui madura e me rebelei. Fui eu, elas...fui todas...Hoje a meninice virou maturidade.O sorriso é espontâneo. Sou correta ou totalmente errada na medida do que quero.As ordens são minhas...apenas para mim. Não sirvo mais café, almoço muito menos jantar.Me delicio com cada refeição que me ofereço. Continuo uma dama e uma "mulher-dama" quando necessário.Mas por puro prazer. Chutei as convenções, o balde e a bola em gol!Um golaço!!!!!!!!!!!!!!!!Gol da maturidade. Do entendimento de que sou alguém que desconheci por um breve tempo.Da mulher que se assume sozinha,Que sabe o que quer,Que se aventura sem medos... Sem algemas, sem pressões...Uma mulher que deixou de ser para simplesmente... Ser! Andréia Maia - Rio de Janeiro (RJ) Este texto foi utilizado indevidamente por outra pessoa, por isso publico-o neste blog, para que fique bem registrada sua verdadeira autoria.  Visite a Poeta Andréia Maia no Recanto das Letras. [...]



Dirk Dzimirsky

2013-08-02T17:53:14.429-03:00

  Dirk Dzimirsky, nascido em 1969, é um apaixonado pela arte hiper-realista e desde criança apresentou como maior interesse em seus desenhos e pinturas a representação do ser humano.  Depois do ensino médio, o jovem artista alemão resolveu apresentar sua arte profissionalmente, trabalhando como ilustrador de livros gráficos.  Em 2005, Dirk se tornou um artista freelancer, com exposições em Nova York e outras cidades pelo mundo. Sua arte, tanto os desenhos a lápis, quanto as pinturas, parecem fotografias nítidas e perfeitas do ser humano, com destaque para os detalhes nas rugas e poros,  o que os humaniza ainda mais.Desenhos:  Pinturas:  http://www.dzimirsky.com/ [...]



Carlos Drummond de Andrade

2013-05-11T16:50:15.420-03:00

(object) (embed) O Scenarium deseja a todos os seus seguidores um Feliz Dia das Mães!



Feliz Páscoa!

2013-03-29T12:37:35.163-03:00

 
 
 
Com esta emocionante História da Páscoa, desejo a todos uma Páscoa abençoada.  Para assistir ao vídeo é só clicar aqui. 



Gilka Machado

2013-03-08T11:04:38.545-03:00

  Ser Mulher             Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada para os gozos da vida: a liberdade e o amor, tentar da glória a etérea e altívola escalada, na eterna aspiração de um sonho superior... Ser mulher, desejar outra alma pura e alada para poder, com ela, o infinito transpor; sentir a vida triste, insípida, isolada, buscar um companheiro e encontrar um senhor...  Ser mulher, calcular todo o infinito curto para a larga expansão do desejado surto, no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...  Ser mulher, e oh! atroz, tantálica tristeza! ficar na vida qual uma águia inerte, presa nos pesados grilhões dos preceitos sociais!Gilka Machado(In Poesias - 1915 a 1917 - Editado em 1918)  Hoje o Scenarium está completando 4 anos de existência e eu agradeço a todos os seguidores e admiradores deste espaço pelo carinho e, principalmente, pela compreensão com as minhas ausências.  Eu gostaria de me doar muito mais a este blog, mas há urgências maiores me cobrando atenção.  Meu abraço a todos e minha homenagem às mulheres pelo seu dia.  Marise Ribeiro[...]



Ana Maria Machado

2013-02-17T14:47:24.250-03:00

 Ana Maria Machado é carioca, foi pintora, jornalista e professora universitária, antes de se tornar uma das escritoras brasileiras mais importantes da atualidade.Tem mais de cem livros publicados, no Brasil e em mais 18 países. Ao longo de mais de quarenta anos de carreira, escreveu obras para leitores de todas as idades, incluindo nove romances.Recebeu inúmeras condecorações por sua produção literária, com destaque para o Prêmio Hans Christian Andersen (o mais importante da literatura infantil), em 2000, e o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto da obra, em 2001. Em 2003, foi eleita para a Academia Brasileira de Letras e, em 2011, tornou-se a segunda mulher na história da instituição a assumir sua presidência. Destaco, nesta postagem, alguns poemas de seu livro Sinais do Mar, onde as poesias podem ser classificadas em três vertentes: concretas, sensoriais e narrativas. As concretas são os poemas que citam os seres marinhos como a estrela-do-mar (Estrelas),  o siri (Siri), a gaivota (Revoada), o caramujo (Bernardo Eremita), a arraia (Arraia) e a água-viva (Dúvida). Estrelas Cinco pontas cinco destinos são areias tontas de desatinos Cinco sentidos cinco caminhos grãos tão moídos por mares e moinhos Estrela-guia em alto-mar outra Maria veio me chamar. SiriSiri não ri em serviço.Se troca a casca vira ouriço procura concha, busca uma toca e, sumiço.Não dá mole por aí. Pra não virar sopa faz boca de siri.DúvidaÁgua-vivaquando morrefica sendoágua-morta?Ou água só?A segunda vertente se estrutura na evocação sensorial de sons, visões e cheiros ligados ao mar: é o caso de Aquarela, Terral, Salsugem, Maresia, Gala Solar, Facho, Maré Baixa e Farol.Maré BaixaOnde anda a onda se a lua rotunda se acende redonda se brilha precisa na calma tão lisa da pele do mar? Em que fenda se finda? Em que rede se enrreda? Em que sonda se afunda? Onde trama sua renda de espuma tão fina de puro luar? MaresiaBrisa na restingatraz maresiaa onda respingaa gota suspirao ar que se inspira.Nariz abre a asanarina é casade aroma morar.É o lar que inspiraé o mar que respira.A terceira é composta de poemas narrativos, Naus e Nós e Primeiro Mar, os dois trabalhos que finalizam a antologia.Naus e NósNaussaem de Sagrese deixam infantes,partem de portose deixam mortos,sangram amorese rumam ao longe.Singramáguas salgadasalgas sargaçasa pouco nós.Lonas e telaspranchas e cascoscordas e cabosrangem e puxam,fazem e desfazemnós.Velas sem ventoalmas sem calmaencalham em sargaçosnas águas salgadas.Algumas naufragamsoçobram em escolhossó sobramsem escolha,sem escolta,poucas naus- e nós.Primeiro MarTantas páginas lidas muito antesTantos livros que enchiam as estantesTantos heróis a povoar os sonhosTantos perigos, monstros tão medonhos    Nos tempos sem tevê e sem imagem    Palavras fabricavam paisagemTesouros, mapas, ilhas tropicais,Argonautas, recifes de corais,Perigos na neblina entre rochedos,Vinte mil léguas cheias de segredos.Histórias de naufrágio e abordagens,Ulisses, Moby Dick, mil viagens,Robinson, calmarias, um motim,Descobertas, veleiros, mar sem fim.Destaco também um poema que gosto muito e que dá nome a um dos livros de Ana Maria Machado. "Um fio de voz conta pedaços de histórias, muitas delas antigas. Cada noite uma nova, sempre sobre o mesmo tema: são "montes de histórias de mulheres e fiapos, fios e linhas de todo tipo, ponto a ponto se tecendo e virando novas tramas". Ponto a PontoEra uma vez uma voz. Um fiozinho à-toa. Fiapo de voz. Voz de mulher. Doce e mansa. De rezar, ninar criança, muitas histórias contar. De palavras de carinho e frases de consolar. Por toda e qualquer andança, voz de sem[...]



A Dança das Horas

2013-01-27T20:01:43.593-02:00


Os bailarinos Maria Letizia Giuliani (Scuola dell'infanzia de Roma) e Ángel Corella (espanhol, Diretor Artístico e dançarino principal do Balé Barcelona) apresentam o balé A Dança das Horas (Danza delle Orel), da ópera La Gioconda, de Amilcare Ponchielli.
A peça original, em quatro atos, tem a ação desenvolvida na Veneza do século XVII e a sofrida Gioconda disputa o amor de Enzo com Laura, além de ser atormentada pelo pérfido Barnaba.  Um dos pontos altos de La Gioconda é o célebre balé “A Dança das Horas”, que acontece no 3º ato, denominado “A Casa de Ouro”.
A Dança das Horas representa as horas do amanhecer, da manhã, da tarde e da noite, e é executado com  mudança de vestes, de efeitos de luzes e coreografias distintas.  Simboliza também a eterna luta entre os poderes das trevas e da luz.
A apresentação, aqui editada, aconteceu no Grande Teatro do Liceu, em Barcelona.

É só clicar aqui para assistir.



Feliz 2013!

2012-12-29T10:23:07.753-02:00

 (arte e presente de Marilda Ternura)  Esperança Lá bem no alto do décimo segundo andar do AnoVive uma louca chamada EsperançaE ela pensa que quando todas as sirenasTodas as buzinasTodos os reco-recos tocaremAtira-seE— ó delicioso vôo!Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,Outra vez criança...E em torno dela indagará o povo:— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?E ela lhes dirá(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...  Canção do Dia de Sempre Tão bom viver dia a dia…A vida assim, jamais cansa… Viver tão só de momentos.Como estas nuvens no céu… E só ganhar, toda a vida,Inexperiência… esperança… E a rosa louca dos ventosPresa à copa do chapéu. Nunca dês um nome a um rio:Sempre é outro rio a passar. Nada jamais continua,Tudo vai recomeçar! E sem nenhuma lembrança Das outras vezes perdidas,Atiro a rosa do sonho Nas tuas mãos distraídas…  (Poemas de Mário Quintana)Chegamos ao décimo segundo andar do ano e a louca esperança renascerá em nós, sempre como um rio a passar sem nome, mudando dia a dia nossos sonhos e os depositando em nossas mãos distraídas.  Um Feliz Ano Novo a todos os amigos e seguidores do Scenarium.[...]



Manuel Maria Barbosa du Bocage

2012-12-22T09:43:54.942-02:00

 O NatalSe considero o triste abatimentoEm que me faz jazer minha desgraça,A desesperação me despedaça,No mesmo instante, o frágil sofrimento. Mas súbito me diz o pensamento,Para aplacar-me a dor que me traspassa,Que Este que trouxe ao mundo a Lei da Graça,Teve num vil presepe* o nascimento. Vejo na palha o Redentor chorando,Ao lado a Mãe, prostrados os pastores,A milagrosa estrela os reis guiando. Vejo-O morrer depois, ó pecadores,Por nós, e fecho os olhos, adorandoOs castigos do Céu como favores. *presepe - o mesmo que presépio  Amigos e seguidores do Scenarium, Desejo a todos um Natal pleno de Amor, Harmonia e Fraternidade!Que possamos colocar em prática as palavras e os atos, ensinados pelo aniversariante Jesus. Estou trocando de computador e, até arrumar todos os programas do anterior na nova máquina, as postagens neste espaço ficarão reduzidas.Conto com a compreensão de todos.  Até breve, se Deus quiser!  [...]



Odete Ronchi Baltazar

2012-11-11T09:19:05.337-02:00






















O Vestido

Não era de organza,
nem de seda pura,
tampouco de voile.
Não tinha trama elegante
nem bordado atraente.
Era azul clarinho do céu e,
mais que tudo, era meu!
Quando o vestia criava asas,
pisava em nuvens,
desfilava sonhos,
sonhava passarelas,
olhares, cochichos
e outros bichos.
Exibia o andar,
gostava de estar.
Mal sabia a menina,
que a fantasia,
quem vestia era eu.


© odeteronchibaltazar 
Florianópolis (SC) - Brasil

Visite mais textos da autora em Palavrasmil.



Sarah Brightman e Antonio Banderas

2012-11-07T10:56:58.239-02:00














Um tributo musical para o famoso compositor Andrew Lloyd Webber, em comemoração ao seu 50º aniversário. Foram apresentadas canções de todos os seus grandes musicais, incluindo Cats, Sunset Boulevard, Jesus Christ Superstar e o Fantasma da Ópera.  A celebração foi composta por estrelas de suas produções cinematográficas e teatrais, e aconteceu no Royal Albert Hall, em 1998. Apreciem um belo encontro musical de uma das canções de O Fantasma da Ópera.  É só clicar na imagem.



Manoel de Barros

2012-11-01T21:04:17.891-02:00

Para conhecer um pouco da vida do Poeta Manoel de Barros, basta ler sua obra.  Em seus textos, o Poeta deposita sua história, experiências vividas e uma sensibilidade ímpar, principalmente quando versa sobre a sua relação com a natureza.  O tema da infância, também tão caro ao poeta, tem a ver não só com os anos iniciais de sua vida, mas com o sentimento de infância que carrega até hoje e que quer transmitir ao leitor pela poesia.  Muito do que se sabe sobre a pessoa Manoel de Barros vem de entrevistas concedidas, geralmente, por escrito. Suas respostas, com muita frequência, são trechos de seus escritos.Manoel de Barros que, segundo o professor e poeta Gilberto Mendonça Teles, "entrou em 1937 e, através de vários livros, chega a uma das belas linguagens poéticas da atualidade", escreve sua obra a lápis em vários caderninhos, sempre no seu "lugar de ser inútil", como ele próprio diz. Retornando das férias, o Scenarium destaca uma pequena mostra da obra e de alguns trechos de entrevistas deste poeta que encanta pela profundidade dentro da simplicidade de suas letras. Auto-Retrato FaladoVenho de um Cuiabá garimpo e de ruelas entortadas.Meu pai teve uma venda de bananas no Beco da Marinha, onde nasci.Me criei no Pantanal de Corumbá, entre bichos dochão, pessoas humildes, aves, árvores e rios.Aprecio viver em lugares decadentes por gosto deestar entre pedras e lagartos.Fazer o desprezível ser prezado é coisa que me apraz.Já publiquei 10 livros de poesia; ao publicá-los mesinto como que desonrado e fujo para oPantanal onde sou abençoado a garças.Me procurei a vida inteira e não me achei – peloque fui salvo.Descobri que todos os caminhos levam à ignorância.Não fui para a sarjeta porque herdei uma fazenda degado. Os bois me recriam.Agora eu sou tão ocaso!Estou na categoria de sofrer do moral, porque sófaço coisas inúteis.No meu morrer tem uma dor de árvore.(De O Livro das Ignorãças)  "Eu sou dois seres.O primeiro é fruto do amor de João e Alice.O segundo é letral:É fruto de uma natureza que pensa por imagens,Como diria Paul Valéry.O primeiro está aqui de unha, roupa, chapéue vaidades.O segundo está aqui em letras, sílabas, vaidadesfrases.E aceitamos que você empregue o seu amor em nós." Uma didática da invenção(Parte VI) No descomeço era o verbo.Só depois é que veio o delírio do verbo.O delírio do verbo estava no começo, lá, onde a criança diz:eu escuto a cor dos passarinhos.A criança não sabe que o verbo escutar nãoFunciona para cor, mas para som.Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.E pois.Em poesia que é voz de poeta,que é a vozDe fazer nascimentos -O verbo tem que pegar delírio.(De "O Livro das Ignorãças" - 1993) A Arte de Infantilizar FormigasDepois de ter entrado para rã, para árvore, para pedra- meu avô começou a dar germíniosQueria ter filhos com uma árvore.Sonhava de pegar um casal de lobisomem para irvender na cidade.Meu avô ampliava a solidão.No fim da tarde, nossa mãe aparecia nos fundos doquintal : Meus filhos, o dia já envelheceu, entrem pradentro.Um lagarto atravessou meu olho e entrou para o mato.Se diz que o lagarto entrou nas folhas, que folhou.Aí a nossa mãe deu entidade pessoal ao dia.Ela deu ser ao dia,e Ele envelheceu como um homem envelhece.Talvez fosse a maneiraQue a mãe encontrou para aumentaras pessoas daquele lugarque era lacuna de gente.(De "Livro sobre nada" - 1996)Canção do Ver (Parte 1)Por viver muitos anosdentro do matoModa aveO menino pegouum olhar de pássaro -Contraiu visã[...]



Até a volta, amigos!

2012-09-17T08:46:22.975-03:00












Amigos, estou saindo de férias, com retorno previsto para a segunda quinzena de Outubro.  Agradeço a todos pela companhia, pelas leituras e pelos carinhos enviados.  Até a volta!



Fábio Reynol

2012-09-16T17:55:21.916-03:00

O vendedor de palavrasOuviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, "indigência lexical". Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma idéia fantástica. Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs.Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia: "Histriônico — apenas R$ 0,50!".Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinqüenta curiosos parasse e perguntasse.— O que o senhor está vendendo?— Palavras, meu senhor. A promoção do dia é histriônico a cinqüenta centavos como diz a placa. — O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.— O senhor sabe o significado de histriônico?— Não.— Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já têm ou coisas de que elas não precisem.— Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.— O senhor tem dicionário em casa?— Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.— O senhor estava indo à biblioteca?— Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.— Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinqüenta centavos de real! — Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?— Se o senhor não comer a alface ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.— O que pretende com isso? Vai ficar rico vendendo palavras?— O senhor conhece Nélida Piñon?— Não.— É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o País sofre com a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.— E por que o senhor não vende livros?— Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo. — E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem barriga. — A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento. Se temos poucas palavras, pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto. São como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado. Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina. Com aquela carinha de dona-de-casa ela nunca me enganou. Passou por aqui sorrateira. Olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade. Mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa. Assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar a carga. Suponho que para cada pessoa que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão. Então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.— O senhor não acha muita pretensão? Pegar um...— Jactância.— Pegar um livro velho...— Alfarrábio.— O senhor me interrompe!— Profaço.— Está me enrolando, não é?— Tergiversando.— Quanta lenga-lenga...— Ambages.— Ambages?— Pode ser também evasivas.— Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!— Pusilânime.— O senhor é engraçadinho, não?— Finalmente chegamos: histriônico!— Adeus.— Ei! Vai embora sem pa[...]



Rio de Janeiro

2012-08-26T10:18:39.584-03:00















Cliquem na imagem e desfrutem algumas belezas da cidade mais linda do mundo.  Não deixem de apreciar o vídeo em tela plena.  
Remeto-os também a uma das páginas do Cenário de Sentimentos, em que apresento um poema em homenagem à minha cidade, destacando seus lados antagônicos.



Céline Dion - The Power of Love

2012-08-26T09:47:31.461-03:00











Clique na imagem para apreciar a bela interpretação de Céline Dion.



Berthe Morisot

2012-07-24T18:11:40.316-03:00

Woman at Her Toilette, 1875/80Oil on canvasO outro olhar impressionista: Berthe MorisotJesus Yuste, crítico de arteEntre os grandes expoentes do Impressionismo, foi tido como em segundo plano, sem dúvida por falta de conhecimento de sua obra, a figura de Berthe Morisot (Bourges, 1841 – Paris, 1895), a principal figura feminina do movimento.É no mínimo surpreendente, pois sua arte arrojada, delicada e vigorosa é de uma modernidade evidente. Pode ter influenciado o fato de ser mulher em um mundo – da arte em geral, e da pintura em particular - reservado tradicionalmente para os homens. Neste sentido, deve-se reconhecer que o papel criativo das mulheres foi durante muito tempo limitado ao serem excluídas das Academias de Belas Artes por homens que preferiam vê-las dedicadas apenas aos afazeres domésticos ou, de qualquer forma, longe da prática profissional das artes.Mas o certo é que Monet, Pisarro, Renoir e demais foram conscientes do valor de Morisot, a quem, como recorda Pisarro em 1895, foi uma “grande mulher de extraordinário talento, que honrou o nosso grupo impressionista”. Renoir, que a conhecia bem, também louvou suas qualidades, e Manet, seu melhor amigo e colaborador, sentiu verdadeira admiração por sua liberdade de experimentação.A história nos diz que desde meados do século XIX, com a ascensão de uma certa classe média, fruto da industrialização nos países mais ricos, uma atitude mais aberta em relação à participação da mulher no mundo artístico começou a ser percebida. Ainda assim, já que, por exemplo, a Escola de Belas artes permaneceu fechada para elas até 1897, as jovens aspirantes a pintoras se viram na necessidade de recorrer a tutores particulares, ou a academias criadas por artistas homens. Este era o caso da academia formada em 1868 pelo pintor Rodolphe Julian. Graças a esse tipo de iniciativa, as mulheres foram sendo incorporadas progressivamente ao mundo artístico dos homens.Não só isso. Paradoxalmente, de certa forma tiveram a sorte de não ter de suportar os estorvos acadêmicos dos seus companheiros, contra as quais se rebelaram os mais genuínos representantes do Impressionismo. Podiam, dessa forma, dotar suas pintura de uma fresca espontaneidade, distantes dos entraves impostos pelo academicismo oficial.Entre as pintoras impressionistas, algumas de muito valor, a mais importante talvez tenha sido Berthe Morisot, pintora de paisagens transbordantes de frescor, de traços ágeis e quase sempre com a figura humana como ponto de referência. Além disso, foi uma extraordinária pintora de cenas da vida doméstica, onde podia divertir-se e dar vazão aos seus dotes de observação, e o mesmo acontecia quando tratava com naturalidade da intimidade familiar. De personalidade forte, lutou contra os convencionalismos sociais da época, que tendiam a isolar a mulher no âmbito privado. Prova disso é a sua dedicação profissional à pintura, apesar da advertência do professor Guichard, que faz saber à mãe da pintora e de sua irmã Edma dos perigos que cercavam a ambas, pois via nelas grande potencial: “meus ensinamentos não criarão pequenos talentos de salão, mas pintoras. A senhora sabe o que isso significa? Seria revolucionário, quase, diria, catastrófico, em um meio social da alta burguesia”. A esse respeito, é significativo que já em 1860 Berthe Morisot mostrasse interesse por pintar ao ar livre, apesar de que seu mestre Guichard não fosse a favor.Desde que, em 1861, conheceu Cor[...]



Guerra Junqueiro

2012-07-08T12:21:27.394-03:00


















Regresso ao Lar
                 
Ai, há quantos anos que eu parti chorando 
Deste meu saudoso, carinhoso lar!... 
Foi há vinte?... Há trinta? Nem eu sei já quando!... 
Minha velha ama, que me estás fitando, 
Canta-me cantigas para me lembrar!... 
  
Dei a Volta ao mundo, dei a volta à Vida... 
Só achei enganos, decepções, pesar... 
Oh! A ingénua alma tão desiludida!... 
Minha velha ama, com a voz dorida, 
Canta-me cantigas de me adormentar!... 
  
Trago d'amargura o coração desfeito... 
Vê que fundas mágoas no embaciado olhar! 
Nunca eu saira do meu ninho estreito!... 
Minha velha ama que me deste o peito, 
Canta-me cantigas para me embalar!... 
  
Pôs-me Deus outrora no frouxel do ninho 
Pedrarias d'astros, gemas de luar... 
Tudo me roubaram, vê, pelo caminho!... 
Minha velha ama, sou um pobrezinho... 
Canta-me cantigas de fazer chorar! 
  
Como antigamente, no regaço amado, 
(Venho morto, morto!...) deixa-me deitar! 
Ai, o teu menino como está mudado! 
Minha velha ama, como está mudado! 
Canta-lhe cantigas de dormir, sonhar!... 
  
Canta-me cantigas, manso, muito manso... 
Tristes, muito tristes, como à noite o mar... 
Canta-me cantigas para ver se alcanço 
Que a minh'alma tenha paz, descanso, 
Quando a Morte, em breve, me vier buscar!... 
  
In Os simples (1892)
Guerra Junqueiro 



Eliane F. C. Lima

2012-07-03T16:21:18.926-03:00














Encanador

Entrava na casa das pessoas. E ia para as partes mais íntimas de suas casas: cozinha, banheiro.

Podia ser uma visita rápida, mas era raro. Normalmente, passava o dia todo, às vezes dias. E ia para as partes mais íntimas de suas vidas: ouvia tudo o que se passava ali, sem querer, sem pedir.

Depois de uma visita dessas, raramente olhava para as pessoas e as via do mesmo modo que antes.

Filósofo, descobriu logo que aquilo que entupia e vazava não eram os canos de muitos anos, apodrecidos e embutidos nas paredes. Mais antiga, pré-histórica era a alma humana, corroída por suas velhas e eternas questões. Para essa, ele não tinha solução.

Eliane F.C.Lima - Rio de Janeiro (RJ)
(Registrado no Escritório de Direitos Autorais - RJ)

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Alberto Cohen

2012-06-14T16:51:27.229-03:00














Andorinhas

Doidivanas no céu,
as andorinhas
seguem o vento,
sem metas, sem destino,
sem lógica, sem rimas,
no êxtase, apenas,
dos múltiplos desenhos
que traçam no ar,
sem qualquer geometria,
só a absurda poesia
do saber voar.

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