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Um lugar ao sol perto do vento





Updated: 2017-07-29T02:34:55.359-07:00

 



O amor pede silêncio

2014-05-13T06:36:50.324-07:00


Acho lindos esses amores escancarados, que são cuspidos na cara de quem quiser ver. 
Acho lindas todas as manifestações públicas de afeto, mas acho ainda mais lindo o sentir. 
Do que adianta sorriso no rosto, sentimento exposto e coração frouxo? 
O amor é um sentimento que não se explica, se aplica apenas, todos os dias. 
Você o faz crescer, independente de anunciá-lo aos quatro cantos e aos sete ventos. 
Amor é quase um sussurro, um burburinho bom, causado pelo pensamento e pelo coração, na mais repleta conexão. 
Então, prefira amar, ao invés de proclamar. Ninguém ama com tanto barulho. O amor pede silêncio absoluto. 
É neste ambiente calmo e acolhedor que ele cresce, repentinamente, engolindo qualquer som que seja mais forte que o danado tum-tum-tum, que só um bom coração sabe repetir com clamor. 
Portanto, faça silêncio e escute o seu coração.



Do que já foi...

2013-10-30T04:01:05.878-07:00


Você não sabe, mas essa não é a primeira vez que te escrevo. Teve uma vez que te vi sem querer, você usava aquela camisa branca que te dei num natal passado e falava ao telefone. Parecia até um tanto nervoso, preocupado, sei lá. Naquela hora eu senti vontade de ninar você. Queria te por no colo, te encher de beijos e cafunés e te irritar com meus cabelos finos, passando com leveza em seu rosto e te fazendo cócegas, mas sequer me mexi. Sei lá, acho que não queria – de fato – que você me visse. Eu lhe escrevi por tantas vezes e jamais consegui entender de fato o que eu queria com essas linhas tortas e pesarosas. A gente sempre foi um casal meio estranho, virado no avesso e, por tantas vezes, eu quis segurar o teu queixo e berrar a minha insatisfação, mas nada fiz. Preferi guardar, preferi remoer cada espaço em branco que hoje me condena nestas frases que já morreram. É uma verdade um pouco estranha, mas eu ainda amo você. Eu sei que fui eu quem pontuei nossa história, eu sei que fui eu quem pôs um único ponto entre a gente e você não sabe quantas vezes eu tentei transformar em reticências essa nossa certeza. Todas as vezes que te vejo, sem querer, todas as vezes que te escrevo, por querer, desejo que o nosso final seja outro. Parece um bocado errado ver a gente longe. Eu escrevo, me martirizo, me mantenho estática nesta cadeira nada confortável, aquela velha cadeira que você adorava. E me lembro da tua barba por fazer, roçando minhas bochechas, lembro do teu cheiro, das tuas mãos apertando levemente minha clavícula e suspiro. É que o amor, meu bem, não se desfaz como a tinta que aos poucos perde a cor.
- daquela parceria linda com a metadinha Maria Fernanda .



Lançamento do Meu livro 18/04/2013

2013-03-12T07:05:44.662-07:00






Cor

2013-03-12T06:44:44.521-07:00

Se eu vestir uma blusa verde, tu não me verás com novas esperanças, se me vestir de carmim, vermelho sem fim, ainda assim, não me amarás por todo esse meu sofrer, se algum azul do mar também me colorir, sei bem, que jamais mergulharás no meu íntimo sem fim. Visto-me, então, com aquela joia rara, peça lapidada, ouro 18 kilates, presente que me deste pra alegrar, e sei que no meu pescoço brilhará ainda mais o teu orgulho, a tua mesquinhez diante do simples. E me dispo, jogo a teus pés o que não me eleva, o que me cabe não precisa brilhar. Pegue teu troféu, tuas medalhas de vaidade, porque hoje a tua falta de amor me vestiu de cinza.



Não preciso

2013-03-12T06:45:23.960-07:00

Nem sempre levanto de bom humor, com uma pele linda e reluzente. Nem sempre consigo fornecer sorrisos e bons fluídos ao meu próximo na proporção que deveria.

A vida ás vezes é meio malandra, incerta e nem um pouco cômoda. Cansei de querer acertar o passo a todo custo. Caminhar em linha reta nunca foi meu ponto forte, até na escrita cambaleio, me dou ao luxo de escorregar, de desafiar as letras com toda a minha angústia de errante e aprendiz de boa moça.

Todos os dias me esforço, faço votos que eu consiga absorver apenas as lindezas que me rodeiam, peço a fada madrinha que não me iluda com falsas poções de otimismo, pinto as divergências com ironia e danço pra não me sentir uma múmia.

Claro que também acerto, sei me fingir de estátua quando o mundo parece rodopiar. Minha maior qualidade é carregar a verdade nos ombros e algum brilho no olhar. Choro com facilidade, mas garanto que tristeza não me cabe.

Sou perita em assassinar maus pensamentos e corto volta de gente que usa da maldade pra subir na vida. Minhas costas não possuem largueza, nem grades contra o mal, muito menos holofotes que indiquem alguma fortaleza, mas meu riso miúdo se alastra conforme avanço diante de qualquer mal que me açoite, ou qualquer sujeira terrena.

Nunca fui um anjo de bondade, mas sei o endereço que minha alma realmente procura. Simplicidade, minha gente, quero encontrar nela minha arma e meu selo de maturidade diante da fé desacreditada. E acredito piamente em cada passo que se distancia da nebulosidade que aflige os olhos.

Não preciso ser boa o bastante pra ganhar o mundo, mas preciso ser humana além dos limites pra alcançar outras esperanças.



Conversa entorpecente

2013-03-12T06:45:36.547-07:00


— Vem e me diz se tem algum motivo para isso tudo. Vem e me diz se tem um propósito por trás dessa bagunça. Eu senti saudades tuas. Na verdade, senti saudade de muita gente, mas guardei todo mundo apertadinho aqui dentro e deixei que me sufocassem.


— Bem sei que sufoca, moço. Entendo a entonação das palavras que vêm soltas, mas dolo
ridas. Entendo a fragilidade que abrange a bagunça toda, tua birra em querer ser outro e depois partir para qualquer lugar, num canto que te alimente com prosa, poesia e vodka.



— A vida é uma mentira viciada em clichês e estereótipos baratos que me enjoam. Tem como fugir de tudo isso num universo paralelo totalmente alheio dessa vida mundana? Tem, mas até isso é proibido, até isso é insano e considerado crime. E me escondem no meio de umas paredes limpas e brancas e eu tenho vontade de fugir e rever as pessoas. E de todas elas, eu queria mesmo era me reencontrar.



— É possível, só depende de você. Não adianta blindar o riso se a alma anda baleada de insatisfação, não adianta. As paredes brancas bordam uma paz que não acomoda, nada preenche o vazio que castiga teu corpo. A fuga persegue tua mente, teu corpo vacila, cai, se atola numa saudade de tempos bonitos, de coisas que se perderam para sempre. A ausência mastiga os ossos, o corpo pede reencontros e o futuro se apressa querendo mostrar o novo.



— Só me diz que vai passar, hora ou outra. E vou terminar dizendo que o futuro não se apressa em nada. O tempo se arrasta feito lesma entediada e eu estou cansado de seguir nesse ritmo tedioso. Mas segue. Tudo segue. Lá e cá. Um dia, quem sabe?

Parceria com Du Monteiro



Que assim seja.

2013-03-12T06:46:01.703-07:00

Que setembro consiga colorir ainda mais os sonhos, que exista festa escancarada de bem querer no jardim de cada alma, que todos possam colher a flor do amor, da paz e da verdade.
Que exista harmonia exagerada e que o fermento da vida cresça aguardando a linda primavera. Que venha setembro, o querido mês juvenil.
Que venha. Que traga chuva de prosperidade, que as sementes plantadas no coração brotem com a chegada da menina primavera, "a pupila" do mestre setembro.
E que venham as flores, os frutos com gosto de esperança, que a colheita de luz cubra cada alma que a vida sem querer pintou de cinza.
Que neste novo mês de olhar primaveril, nós possamos ver o outro com as lentes da mansidão e caridade. Que as flores venham acompanhadas do sucesso espiritual, que haja entrosamento e luminosidade.
Que os elos de compreensão não se soltem, que as mudas de otimismo se espalhem por entre os ramos de compaixão. E que assim seja não apenas neste amontoado de frases, mas que se prolongue nos dias de luz e nos dias de escuridão.
Espero que por dentro de nós exista sempre alguma flor para encantar o próximo, que a caixa do peito seja a porta de saída dos medos e que os olhos possam ser o orvalho surpreendente de cada manhã.
Que assim seja.



Ele nem sabe.

2013-03-12T06:46:08.793-07:00

O moço tem sede de sonhar de novo. Guarda um bocado de ilusões, brinca de ser bandido e nem assim perde a doçura. Ele não perde, de jeito nenhum, por mais que ele queira. Nos olhos dele vejo um monte de esperança e uma porção de expectativas coloridas. Por mais que ele faça zigue-zague dentro do vilão que teima em não adormecer, por mais que ele se assuste, se prive, se resguarde, ele ainda sonha com um punhado de coisas boas. E ele encara o próprio rosto na fria cortina do seu não querer. E prossegue, dói, sangra. O moço se encolhe na própria sombra, no desespero de não entender e ainda assim sabe se agarrar na única luz que o alimenta. É nas palavras que ele se encontra, no meio termo, na rara frequência de estar nos lugares e, mesmo assim, se fazer tão presente. É por isso que ele volta. Demora. E, aos poucos, ele vai se aconchegando, rega meia dúzia de silêncios pra depois gritar com o coração pesado de tanta boniteza. Ele é desses tipos que a gente acha que é meio anjo, meio menino, mas na verdade ele só quer ser de verdade. Ele daria o mundo pra ser ele, escreveria capítulos infinitos só pra não voltar a encenar a própria vida. Ele nem sabe, mas da história que ele conta, metade eu acho que vira livro.



Radar

2013-03-12T06:46:17.081-07:00

Passa do meio-dia, segunda-feira modorrenta de inverno frouxo. Dirijo a milhão, os radares captam os ponteiros do carro, enquanto o coração parece engolir um pouco de poeira. Não me importo. Resolvi viver a vida no meio fio. Dói. Não é uma dor mansa. É uma dor que consegue arrancar pedaços. Sinto frio, calor. Os pés procuram a embreagem. Sinto o freio num toque. Um segundo e já era. Na cabeça memórias daquilo que se foi num sopro. E tudo gira, circula sem dar espaço pra alguma razão. Nos olhos uma fuga, no peito vontade de ficar mais perto. De repente, a vida começa a não ter graça, nem som, nem nada. E tudo que foi meu se perde numa esquina escura. E, num instante, a pele se estica, querendo sair do corpo, querendo se alojar num beco qualquer. Reluto. E penso, que cada dia será, a partir de agora, o último, finito. E, de marcha ré, reaprendo que o amanhã jamais será o ontem que a gente planejou.



Um estranho no espelho

2013-03-12T06:46:30.018-07:00


Rabisquei teu nome no espelho embaçado e fiquei observando-o sumir debaixo do meu nevoeiro particular. E tornava a rabiscar e ver sumir e escrever novamente. Letras garrafais, letras cursivas, garranchos. Te via, te lia e te perdia. Seis, oito, doze vezes. E me perdia suavemente no teu nome descrito ali e na minha alma. Alinhava cada letra na quentura que invadia o espelho, desalinhando a saudade sem cor, subscrita na curva do peito. Como podia tanto passar de anos e você continuar firme, forte e pulsando aqui, do lado de dentro? Eu quis te odiar cada vez que te lia e cada vez que tu sumia, mas não conseguia. Sequer consegui. Tem algo de mágico nas letras do teu nome que rabisco, todo dia, no espelho que – outrora – também te via. E te via carinhosamente. E te desenhava assim, por dentro, aninhava teu nome, como se você estivesse ali - tão presente - tão meu. E cada gota que molhava meu corpo se desfazia na vontade, inteira de te molhar por dentro, com amor, com a saudade que pulsava ali comigo. Naquele espelho, eu te via e te alimentava na verdade que eu sabia, que nunca sairia dali desembaçada. Teve um tempo que tu vinhas e me abraçava e juntos desenhávamos uns dizeres de Quintana, rabiscávamos uns corações tortos e riamos entre beijos. Hoje tem só teu nome que, letra por letra, ponho ali, naquela superfície fria e embaçada. E você vem. E você some. E não há mais nada.



Parceria com a Linda Maria Fernanda Probst do http://bonequinhadeseda.blogspot.com.br/



A tal da expressão

2013-03-12T06:46:42.470-07:00

Ando cansada desta gente purpurina, é muito glamour pra tão pouco sentimento.
Ando enjoada de rosa choque e risos sem gosto. Quero sentir a pulsação acelerada desta gente temperada de blush. Preciso entender a neura toda, são bocas delineadas por batom e lacradas pela insignificância de não saber o que dizer.
Quero enxergar aquela ruguinha no canto dos olhos e decifrar todas as vontades que se desalinham numa gargalhada de verdade. É tanto botox estragando a originalidade, que não sobra espaço para verdadeiras expressões.
E tem o tal do ácido hialurônico, virou febre Nacional. É claro que uso, não dispenso nenhum creminho, mas certamente não me foco na ilusão de ser perfeita. Tenho olheira de panda quando acordo e me qualifico no time das mal-humoradas. Rezo, canto e xingo feito louca no trânsito. Dou mais piti que criança mimada, mas acredito na força de vontade, melhoro sim a cada dia.
Tenho mania de jeans surrado com camiseta branca, sou normal e acho graça das minhas semi-sardas. Benditos sejam os tais “ácidos retinóicos e afins”, agora as danadas podem bordar brandamente meu rosto.
Peco normalmente quando fico rindo sozinha dos meus defeitos. Não tomo sol, aceitei ser lagartixa, tirem tudo de mim, mas não tirem meu filtro solar, não é luxo, é necessidade. Olha o câncer de pele aí gente.
É claro que sou vaidosa, toda mulher é, mas me permito ser livre de modas e crio intimidade com meus defeitos, ninguém é perfeito e, acredite, há muita beleza no que não pode ser visto.
Eu sou um porre de chata, mas muita gente me acha legal. Não uso máscara e tão pouco aprendi a ser sugada pelas minhas próprias frustrações.
Nasci mulher, por favor, não queira que me comporte feito a Barbie.



Querido Bem.

2013-03-12T06:47:42.893-07:00

Espero que após sua recaída infernal, você tenha tomado algum juízo, além de vinho e veneno. E tomara que toda essa extravagância não tenha atacado a tua gastrite. Confesso que fiquei surpresa ao abrir a caixa do correio e ver uma carta com teu nome no remetente. Aqui é verão, o calor aquece tudo a sua volta, inclusive meu coração. Estou voando feito borboleta, as cores do arco-íris embelezam minhas tardes. O céu tem um azul celeste divino, a noite faz coro com meus pensamentos e sob a luz da lua, brindo à vida. Ah, quanto ao teu pedido, ficarei olhando para o céu de cetim, onde muitas vezes mergulhei entre as nuvens de gelo. Pode ter certeza, faço isso sempre. Foi dessa forma que redescobri o segredo de ser feliz independente de qualquer dor ou desamor. Meus lábios costumam abrir um sorriso todas as manhãs e ao anoitecer eu danço com as estrelas. Não pense que foi fácil resistir a tudo. Hoje resisto e existo sem você. Não, eu não estou sendo fria, irônica ou insensível. É que hoje em dia meu coração escuta a voz da razão. É Bem, você ficou muito tempo do outro lado do mundo, enquanto eu criava histórias e melodias, você partia. Aos trancos eu me acostumei. A saudade eu já matei. O que resta são lembranças de um tempo que não volta. E quanto ao pedido de perdão, acalme tua alma. Eu não tenho o poder de absolver ninguém. Mas, sinta-se perdoado, se é este teu desejo. E voe feito pássaro, para longe…



Duas ilhas.

2013-03-12T06:48:06.841-07:00

Ele sempre me intimidou, talvez pela largura do riso, que já vinha desprovido de armadura. Embora eu ainda, eu ainda esteja em rodopios... Afinal, mapeei andar de mãos dadas com aquele menino. Colorir todos seus papéis em branco. É dele todos os meus pensamentos, minhas certezas estão montadas num abraço de espera, todos os dias antecipo as horas só pra poder imaginar cada linha desse Amor pintado de arco-íris. Redescubro meus vazios preenchidos no além dele. Na estrada que perpassa por entre nossos próprios pés, ainda que inundados de silêncios e querer. Ainda que o contigo seja comunhão, poesia e templo seu. Ainda que a rima seja o único caminhar de duas almas, tocando o mesmo refrão na mesma sintonia descrita como elo, ainda assim menino, deixe que essa brincadeira de querer bem se fixe centenas de vezes em cada detalhe de nós dois. E traz o seu olhar para perto e de volta. E sane essa minha saudade buscadora do azul da lua, do frescor da sua Ilha. É você sendo o céu e a terra deitado em meu colo. Transborde em mim? Pele a pele. Gruda a tua fragrância no colo dos meus pensamentos, risca a tua pele na minha feito caneta, deixe que este teu riso saia dos meus sonhos pra brincar de fazer caricatura do vento. Moço principie. Venha impactar a poesia e seus beijos para dentro e suspire para fora de mim.
Daquele jeito, de quando fomos tecidos a margem das últimas águas de março. Onde os afluentes de sua Ilha navegaram para algum encontro. Eu para chegar nos primeiros raios de uma manhã de abril e você a nascer um dia depois do sol banhado a lua azul: suas digitais nas palavras minhas. Acende a noite meu bem, com a tua estrela cadente, deixa que o mundo gire pra gente num sopro. Na nossa Ilha, chamada laço, no estreito do meu ombro, onde teus olhos vigiam a delicadeza do amor. E pincele seus nuances em mim, moço. Por entre meus olhos e seu queixo quadrado, a trazer nosso riso no cirandar da noite, só pra ficar contigo. É nesta dança de corações colados que meu pensamento se esmaga na quietude da tua voz. Teu silêncio é o verso que a minha alma precisa. É no carinho embriagado que confesso a saudade de estar ladeada novamente de ilusão. E a noite traz o brinde da lua, duas Ilhas e um Oceano de amor.

Parceria com a Linda Fernanda Fraga do blog:

http://mefaltaumpedacoteu.blogspot.com/2012/03/duas-ilhas.html



Contrabando

2013-03-12T06:48:16.071-07:00

Não me enquadro nos padrões normais do sentir. Me espalho fácil, desde que encontre canais que me levem para os tubos de ensaios da alma. Sou a fórmula que não deu certo, por ser inalterável. Não possuo veias, por dentro só possuo uma caneta bic, ela me altera, me rasura, estoura e me mancha feito aquarela de uma cor só. Desde então transbordo nas linhas que minha máquina desumana tanto despreza.
Tenho gosto de lágrima, por estar próxima demais do amor. Tenho pesadelos, mas sou devota dos sonhos. Gosto do que não convém e não possuo nenhuma etiqueta demarcando meu prazo de validade. Sou um produto manufaturado que não possui nota fiscal, meu alento é contrabando, não preciso de prisão, tenho mania de espetar coração.



Tua

2013-03-12T06:48:25.276-07:00

Não acho graça quando tenho que disfarçar, corro tímida, desprovida de ilusão, enquanto meus pés se fixam no chão. No teu chão exatamente. Me deixa ficar do teu lado, me deixa segurar a tua mão e fingir que posso cair. Me segura. Brinca de me esconder do mundo, enquanto minhas angústias também se perdem na exaustão do meu coração. Hei moço, não esquece que a gente construiu um jardim tão lindo juntos. Não inventa, nem pense em podar as roseiras. Elas são nossas. Nossos olhos moldaram todas as flores, enquanto o amor se espetava tranquilamente na linda rosa de lágrima vermelha. E doía aqui, nesse meu querer sempre dolorido, nesta minha insistência em fazer melhor, em ser melhor. Não me esquece moço, promete? Mesmo que o sol esquente a tua memória e mais tarde te faça ser chuva, ainda assim, deixa molhar moço. Que teu rosto caiba na preguiça minha de fazer acontecer, enquanto aqui olhando pra lua eu brinco de ser tua.



Para Noel, com amor

2013-03-12T06:48:32.718-07:00

Há uma janela em meus olhos e uma porta de saída localizada no peito. Posso entrar novamente no passado e me deixar perder, ou posso fazer melhor, pular a janela dos olhos e deixar que minha alma negocie um caminho direcionado para novas conquistas.
É isso, Noel. Espero que dentro do seu saco de presentes tu encontres um recomeço bem bonito pra mim. Não precisa enfeitar muito, com fitas coloridas e papel de seda, embrulha num suspiro de vida, sopra em minha direção e eu agarro forte.
Se preferir coloca meu futuro/presente na caixinha do correio. Deixe lá a minha passagem para um futuro bom, meu passaporte de riso e a tolerância que as lágrimas me desencorajaram de sentir.
Que amanhã ou depois eu ainda possa acreditar, que eu possa retomar o que me foi tirado, com a mesma proporção de amor que eu guardo neste meu coração coberto de imaginação.
Não se renda, bom velhinho, à todas as chantagens voltadas pro desânimo que ronda os corações. É Natal, tempo de redenção e compaixão. Prepare as tuas renas e venha cantar Noite Feliz.
Sem mais, Noel! Beijo na barba branca.



Não se engane.

2013-03-12T06:48:43.479-07:00

Não se engane com meu olhar doce, nem com a minha mania de espremer os olhos, quase fotografando o vento. Sou simples, mas o coração é sofisticado. Guardo certas belezas invisíveis e a feiura de gente sem emoção não apetece a embriaguez de minhas mãos atrapalhadas. Sou o inverso que não acomoda a rotina, não tranquilizo, sou uma espécie de metamorfose, uma rosa quase espinho. Sou a faca que corta a mentira, sou o beco da neurose perdida na exatidão. Exagero no sentir, meu alicerce aguenta. Fui moldada no aço, mas flutuo feito pluma. Sou o blefe, nasci sem etiqueta pro comodismo. Não enceno, escrevo. O papel é minha jogada, histórias são meus pretextos contra os males do mundo.
Jogo o roteiro pra cima e corro pra pegar. Tenho pernas, mas ajo como se tivesse asas. Tenho pressa, mas prefiro chegar atrasada. Meu script é uma piada, minha vida é bem real.



Literatura fria.

2013-03-12T06:48:51.223-07:00

Doeu quando passei os olhos na palavra “despedida” ali desfocada, descabida e murcha. Ela não estava no centro, mas sim no início. Se é que ele existiu pra você. De onde veio? eu não sei, não entendo. Mas sei que dói em cada linha das tuas letras miúdas aqui despretensiosas, soltas circulando na minha falta de pretensão de querer agradar o mundo. No meio dessa gente hipócrita com cara de borracha fosca, eu te achei e te fiz meu amigo. (meu melhor). Consertei minhas verdades pra te mostrá-las mais bonitas, tu soubeste da minha dor quando lhe contei das minhas piores lembranças. É com lágrimas agora, que guardo de ti a risada invisível que nos preenchia nas tardes modorrentas de calor e tédio. E toda essa vontade de gritar explode aqui dentro feito bomba relógio _ Poxa eu sou de verdade. Eu não sei forçar sentimento algum. Eu sinto, sinto muito babe, sinto o encantamento quase transparente se tornando cinza, até que se torne preto e branco, bem no meio da nossa cumplicidade silenciosa, no nosso jeito rotineiro de dizer Oi. Não era hábito de minha parte, nunca foi. Era feeling, acredito. O silêncio não veio só, ele trouxe a companhia do medo (do teu medo). A tua “despedida” eu vou beber até engasgar, pra sufocar esse tal carma que você descreve como perda. E se quer mesmo saber, essa droga de literatura é fria demais pra esse coração meu tão quente.



Quem era ela?

2013-03-12T06:49:01.411-07:00

O que estaria por trás daquele sorriso? Tristeza camuflada? Vingança? Frieza? Talvez fosse apenas felicidade, simples e óbvia. Mas quem disse que ela era óbvia? Se nem Freud conseguiu dizer com exatidão, apenas revelou que era um continente obscuro. Como ela, que nada entendia de comportamento humano saberia indicar a saída do labirinto? Era c...omo desvendar o sorriso de Monalisa.
Quantas habitavam sua mente, seus quereres e qual predominava?
Descobriu que as pessoas não mudam, ela não mudou. Continuava ciumenta, teimosa, encrenqueira e sabia ser doce, contar histórias, inventar personagens, mudar as lentes da realidade em busca do cenário do sonho.
Sabia quem era, mulher, mãe, amiga, amante, cigana e outras tantas. Sentia saudade do cheiro da verdade, daqueles que dizem o que pensam, mas principalmente daqueles que não fazem a menor idéia para onde estão indo, por não possuírem a arrogância dos que sabem tudo. Preferiu deixar suas gavetas internas bagunçadas, era assim que se achava.
Sentia as pinceladas do vento no rosto e gostava do arco-íris feito de riso. Ela era a pressa encolhida no meio da timidez ou a garra que a segurava na loucura. Era o passaporte rápido pro inferno, com direito a serenata de anjos de vez em quando. Todos os medos não cabiam na proporção exata, eram eles que a cobriam de luz e as vezes de escuridão.
Além de mulher, ela era o presente de um verão perfeito, o preto e branco ocasional do inverno e a presença inoportuna da primaveira no meio de um outono esvoaçante.
Sim, ela preferia a incerteza dos amores amassados na gaveta, do que a perfeição traiçoeira de um amor alinhado e démodé. Ela almejava as nuvens sem se importar com a indisposição da chuva, porque além de secar-se sob o sol ela pendurava todas as perguntas na cara do vento.

Texto feito com a parceira e amiga Renata Fagundes do blog http://ctricocintilante.blogspot.com/



Hardcore

2013-03-12T06:49:07.357-07:00

Me contaram que o amor é uma brisa fresquinha que bate no rosto. Falaram também das poesias que o amor é capaz de cifrar. E todas as vozes que diziam eram ruborizadas pelo meu riso desacreditado. Comigo nenhuma brisa, nenhuma cifra melosa e nenhum passarinho verde tocando flauta. Comigo é só ventania e rock pesado. É desse jeito que o danado aparece, ele toca bateria as 2:00 da manhã pra me despertar com a saudade, faz soneto de ciúme pra eu guardar nos olhos e gruda a tal da impaciência bem no meu nariz. Eu pedi orquestra e o danado veio de super star. Eu pedi new age e ele, maldoso, veio tocando hardcore.



Escuro

2013-03-12T06:49:14.379-07:00

Entre, feche a porta, apague a luz. Não interrompa a conexão entre o dissabor e a doçura desse silêncio que já veio pronto. Me dá a tua mão, feche os olhos e as cortinas do medo. Quero a paz que o teu abraço consegue temperar no meu corpo, quero essa paciência que teu olhar por descuido coloca dentro de mim. Quero colo. Me empresta a tua fortaleza, porque aqui dentro tá tudo oco, quebrado, em cacos. Espinhos na nuca, dureza no coração. Me quebra essa falta de palavras, esse convívio diário com as lembranças que despejam algumas certezas que eu não quero acreditar. Não, não vá. Fique. Me devolve a vontade de respirar levemente outra vez e a quentura que minhas mãos tanto buscam no gelo da minha inquietação.
Acredite eu não sou quente. Meus pensamentos fervem enquanto a frieza permanece intacta aqui no peito. Não, eu não sou boa. Passei anos calculando a bondade na minha falha calculadora de sentimentos. Não passei no teste pra santa. Sou o erro que pede desculpa por ser somente escuro. Opaco. Sou aquela que não discute a mesmice por achar que a rotina não merece estar em transformação. Me aquece. Eu preciso me achar no laço que a gente nunca fez, por ser apenas nó mal feito. Devolve a delicadeza que me foi roubada e todas as promessas que deixei debaixo dos lençóis desarrumados pela culpa de não ser quem eu deveria ter sido.
Não me olhe no breu na ventilação que oscila neste ventilador imprestável, me olhe na preocupação e no desespero, nesta minha jornada quase inacabada por estar somente vazia. Incrédula. E venha no meu pensamento pra ser companhia e somente meu. Eu sou tão egoísta, darling, tão eu comigo que esqueço de buscar o que te importa, mas te quero. Ainda que somente nos sonhos pra dar boa noite pro descaso que cisma em atropelar a agonia de te querer tão mais perto.



Não importa

2013-03-12T06:49:23.703-07:00

Não me importo se você está de pantufa, tênis ou havaianas, o importante é que sua alma venha descalça, saltitante e sorrindo. Não, eu não exijo nada, nem quero parecer relutante ou atrevida. Eu quero que você venha sem esperanças frouxas, sem esperar o inédito ou o inacabado. Venha agora. O coração está limpo e a alma está lambuzada de gratidão. Eu quero entregar as tuas amarras nas mãos da paixão. Quero agarrar o que foi feito pra mim. Não importa se vai doer, se é bonito ou feio. É meu. Traga o que te destrói e junta aqui comigo, a gente aguenta qualquer coisa, porque juntos somos um só. Desafios? Quero todos, desde que você me carregue no colo quando meus pés cansarem de afundar.



Sorte Minha

2013-03-12T06:50:06.967-07:00

Gosto de ser menina, a fantasia é minha revolta. Me visto de mulher pra enfrentar a rotina, o disse-me-disse, os toques e os timbres.
Gosto de gente que sabe decifrar, que inala o personagem, que reluta, que quer saber mais...
Não entendo de gente azeda. Gosto de açúcar. Gosto de me esbaldar no sonho e não tenho hora pra acordar. Ando vestida de realidade, mas pego carona no clichê “Imaginação”. Sou solta, leve, camaleoa.
Visto-me de céu. Faço-me de lua. E se quiser me pintar de “vida”, claro, possuo uma, a minha.
Então por favor, não faça morada nas minhas adversidades, nem nos meus defeitos, pareço clara, mas sou feita de noite.
Costumo vestir o tempo, não tenho contrato com o atraso, quer correr? Corra. Eu tô lucrando. Nasci com a sorte de ser apenas partida



Humana.

2013-03-12T06:50:18.435-07:00

Não sou da espécie robótica, embora tenha sensores de reconhecimento facial e mecanismos que reconhecem vozes. Sou daquele tipo sensível demais, que gosta de olhar nos olhos. Sou dessas que não se contentam com o sentimento automático, ou com a frieza da modernidade. Gosto de me encaixar na anatomia de abraços sinceros, daqueles que posso medir a temperatura dos corações com esse tal termômetro que as pessoas chamam de afinidade.



Nota.

2013-03-12T06:50:27.028-07:00

"Nunca a toquei. Sequer, pessoalmente, a vi. Mas deve ser doce. Docíssima. Pele de pêssego, sorriso marcante, amor transbordando pelos poros. Cheiro de jasmim. Se não, qualquer outro perfume que venha cravejado de amor. Tem a arte de semear palavras e despertar suspiros, carregando as linhas com verdades inventadas. Ela é moça tão menina e tão mulher, tão inocente. Embora, nas entrelinhas, não tanto. Tem pele de neve, dedos suaves e imaginação fértil, gritando em silencio tudo o que a cabeça não para de pensar. Ela cala com as palavras. Ditadas, digitadas, divididas, compartilhadas. É apaixonante e apaixonada. Cativo. É isso. Admiração eterna minha e, em segredo, confesso: inveja literária também."

"Pra doce Ju Fuzetto, que cobrou e recebeu. Prometo fazer jus n’outro texto. Esse, só rabisco."


Texto feito por Eduardo Monteiro, um amigo querido do blog:
http://dumonteiro.blogspot.com/

Obrigada Dú, de coração.