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Brumas Negras



...O pior está por vir...



Updated: 2017-09-04T18:41:30.939-03:00

 



Imortal

2012-08-31T11:38:50.499-03:00

“Às vezes você tem que TIRAR uma vida.../pra SALVAR uma vida.”(Mulher-Gato. P. 95, nº8. Março, 2008. Bimestral.)ResumoImortal, de Anderson Santos U ma família de antiquários há gerações, que esconde sob móveis manchas de ódio, de vingança e desespero. Hector, o único herdeiro vivo do sangue Szadkoski, procura o vampiro que matou sua mãe, último de um clã que o próprio Hector destruiu.E surpresas estarão no caminho que ele trilhará nas ruas de Porto Alegre e da pequena São Sebastião do Caí, ao lado de Dayanna, sua bela e corajosa esposa, uma Szadkoski por opção. Surpresas que mostrarão o quanto o sentimento de vingança pode nos transformar em uma versão distorcida daquilo que odiamos e tememos (segunda capa do livro. Disponível em: guiadoleitor.blogspot.com.br/2010/08/lancamentos-imortal-anderson santos.html). * * *O Romance Imortal, primeira publicação literária do matemático Anderson Santos, narra ao longo de cento e noventa páginas uma história repleta de elementos encontrados na literatura da primeira metade do século XIX, o Gótico. Esta tendência se caracteriza pelo seu aspecto sistêmico de convenções, isto é, a trama é apoiada por elementos que requerem os demais. A tais elementos, denomina-se parafernália Gótica (VARMA, 1966, apud SCHWANTES, 1999, p. 27). Encontramos em imortal uma trama sobrenatural que envolve vampiros, seres que ameaçam a integridade física dos seres humanos; um jovem valoroso, porém, de caráter dúbio, o herói byroniano Hector Szadkoski; Instalações tétricas, sombrias, ameaçadoras e ermas; idosas fofoqueiras; dentre outras características. Ser caça vampiros implica no extermínio de determinada espécie. Hector Szadkoski enxerga sua missão como uma única chance de manter a integridade dos seres humanos, uma vez que vampiros se alimentam destes. O protagonista não concebe outra opção senão matar as criaturas e não vê problema em se apropriar dos bens delas. Essa intolerância é comparável à argumentação fascista para destruição do outro, um grande medo de ser destruído por esse outro, que é diferente. Hector jamais mataria ou roubaria um ser humano, porém, por serem os vampiros diferentes, ele suspende sua ética.A relação entre o herói e sua mulher não é horizontal, embora o poder seja sutilmente apresentado. A sutileza está no fato de Dayanna agir segundo uma lógica integrada à sociedade patriarcal; essa naturalidade da divisão de tarefas torna o casamento dos protagonistas uma relação vertical, sem que ele expresse ordens diretas.Finalmente, a cruzada contra os vampiros representa uma luta entre essências opostas. Enquanto o casal Szadkoski representa a bondade (por mais que essa vá se relativizando), os vampiros são todos caracterizados como monstros assassinos. Em nenhum momento da obra o protagonista pensa que por se alimentar de carne animal é, ao seu modo, predador, assim como os vampiros. Pra não tornar visivelmente banal esse maniqueísmo, a voz narrativa nos informa da megalomania e da forma manipuladora que os vampiros pensam e agem. Essa descrição dos vampiros os aproxima muito da visão ocidental do demônio, enquanto aproxima o homem que luta contra a ameaça do ideal cristão.A obra de Santos trata essencialmente da liquidez que caracteriza a ética contemporânea, ou seja, a saga de suas pessoas comuns em busca da sua própria humanidade num mundo hostil e desumano (PALLARES-BURKE p.1). Hector e Dayanna lutam contra a degradação do mundo que aparece, metonimicamente, na imagem do vampiro. Este é sacrificado num holocausto pelo bem comum, assim como judeus na Segunda Grande Guerra (1940-1944) e pode também representar o mundo globalizado em que os Estados Unidos da América invadem países árabes com a proposta oficial de exterminar o Mal, o terrorismo.Porém, assim como o filósofo Noam Chomsky, afirma que o terrorista maior é o Estado “americano” porque é ele quem tem o real poder e o usa contra quem não tem tantos recursos, podemos enxergar em Hector o reflexo do q[...]



Almanaque Gótico #3

2012-04-28T20:02:43.135-03:00

Já está a venda a revista ALMANAQUE GÓTICO #3 com o tema "Contos da cidade maldita". São 49 paginas em formato americano, em preto e branco, e capa colorida com muito, muito terror urbano.Quanto: R$ 4,90Peça já seu exemplar pelo email: almanaquegotico@gmail.com Por:FELIPE "BRAGI" CAZELLIFÁBIO TURBAYRAFAEL "ABEL" LEITE - www.abeloverdrive.comLEONARDO SANTANA - wwwbodegadoleo.comANNE CAROLINE QUIANGALA - www. brumasnegras.blogspot.comFABRÍCIO SAADE PAGANI - combustoespontaneas.blogspot.comEMANNUEL THOMAZ - CARLOS BRANDINOCLÁUDIA GOMES - poesiaaosgritos.blogspot.comALEX MIR - fotolog.terra.com;br/defensoresdapatriaCASSIANO PINHEIRO - massivedrawattack.blogspot.comRAMON "ROST" - www.relurastudio.com.brPERICLES JUNIOR "PJ" - pjarts.wordpress.com[...]



Entrevista #2: Vivianne Fair

2010-10-28T14:32:22.608-02:00

Por Tyr Quentalë Muitos dizem que Brasília deveria ser a capital da cultura e da música, mas podemos ver que vários artistas de outros estados parecem ter mais destaque no meio cultural do que os brasilienses. Portanto, tendo em mente tal idéia, aceitei a proposta de entrevistar a autora e quadrinista Vivianne Fair que deu o ar da graça no debate ocorrido na Livraria Cultura da Casa Park sobre Mulheres nos Quadrinhos.B.N.: Pude observar em seu debate que desde nova você sempre se dedicou às artes e à busca de melhorar as áreas que já domina, mas também percebo muitos jovens habilidosos deixando seus sonhos de lado por falta de incentivo. Qual conselho você poderia dar a esses jovens?Vivianne Fair: Não desistam desses sonhos; tenham sempre em mente seus objetivos e planos. Incentivo raramente vem ou não vem; estude e melhore suas técnicas, mas não fique parado esperando a grama crescer. Busque contatos, divulgação, e não se fixe só nisso, afinal, você tem que ter vários recursos. Pode ter que investir também. Se é o que quer, lute por isso, ninguém vai realizar seu sonho por você.B.N.: Em se tratando da área de quadrinhos é comum observarmos que se trata de um mundo dominado pelos homens e que ainda é visto como leitura para crianças. Quais são as maiores dificuldades que as mulheres encontram ao apresentarem seus projetos às Editoras?Viviane Fair: Muitas editoras acham que a mulher não dará conta do que elas têm em mente. Graças a deus nunca encontrei ou não percebi a discriminação; procuro apenas editoras que tem a ver com meu trabalho, mas tem algumas que nunca me responderam. Não sei se isso se deve ao fato de eu ser mulher, mas acredito que não. Infelizmente a HQ é sim, vista como uma leitura para crianças e na maioria das vezes não é o caso.B.N.: Ainda se tratando de quadrinhos, como o público tem reagido ao perceber que as mulheres também estão ganhando destaque como roteiristas de HQs?Viviane Fair: Normalmente a reação é arregalarem os olhos e dizer: “VOCÊ? Quadrinhos? Que legal!” E acabam se interessando pela curiosidade, mas normalmente a reação é bem incentivadora.B.N.: Já na área literária, muitos escritores têm encontrado editoras que estão se abrindo para novos talentos. Em alguns casos o batismo se dá por contos em antologias, e em outros já podemos vislumbrar os livros solos de alguns escritores. Com dois livros no mercado, você diria que esta área está realmente mais aberta ou ainda possui muitas dificuldades a serem superadas?Viviane Fair: Dificuldades não deixarão de existir, mas sinto que o mercado tem estado mais aberto. Apesar da constante luta de espaço dos autores nacionais em relação aos estrangeiros, se não fossem estes últimos, os nossos jovens talvez não estivessem tão abertos à leitura como estão agora. As editoras agora estão notando o potencial brasileiro, graças aos pedidos desses mesmos jovens. É muito gratificante!B.N.: A grande problemática de Brasília deve-se ao fato de que a cultura não é tão divulgada quanto os problemas políticos. É necessário ir a locais específicos ou fazer parte de grupos para saber o que anda acontecendo na cidade. Eventos como o debate na Livraria Cultura, noites culturais no T-Bone, mostras de filmes no Cine Brasília e até mesmo espetáculos teatrais e musicais, acabam tendo seu publico reduzido pelo fato da pouca divulgação. Desabafe uma forma de revertermos esse quadro e tornarmos a cultura mais conhecida a todos os tipos de público.Vivianne Fair: É realmente revoltante. Um povo sem uma cultura ou uma educação de qualidade é um povo dominado. Nosso sistema de educação tem permanecido imutável ao longo dos anos, minha mãe leu os livros que li; assim como meu filho tem sido obrigado a ler os mesmos livros. Não há a menor dúvida que os clássicos são interessantes, mas é realmente necessário ficar só nisso? Fantasia, aventura, atualidades, tudo isso é deixado de fora; os autores que estudamos sã[...]



A DANÇA RUBRA DE LUNNA — CAP. II

2010-09-27T01:41:00.614-03:00

A DANÇA RUBRA DE LUNNA— NOTAS PARA O ESQUECIMENTO —By Ju Blasina— CAPÍTULO II —AmarAté sentirA carne vivaMinha vida nas ruas não foi muito longa — como se alguma vida assim fosse... A maior ironia está na semelhança que marca todas as passagens relevantes em minhas mais remotas memórias: a lua cheia. Sai das ruas da mesma forma com que fui entregue a elas – numa noite de lua cheia...Antes de prosseguir, um aviso: Não espere deste registro um grande comprometimento com a verdade. Como dito antes, trata-se de um mero exercício mental, uma tentativa de capturar antigas lembranças e atar o tempo a um pedaço de papel, que algum de meus criados converterá para interfaces contemporâneas e linguagem rebuscada, na esperança de torná-lo imortal. Quanta ironia! Pois bem, aviso dado, a história continua......Na noite de lua cheia em questão, um cara passou na esquina onde eu dançava. Jogou sobre mim seus olhos cobiçosos, junto a alguma grana e um papel contendo um endereço. Embora eu não soubesse ler, conhecia pessoas que sabiam e, seguindo o bilhete, na mesma noite eu estava empregada. Era um emprego razoável, com menos roupa que eu usava na esquina, porém com mais grana e alguma segurança. Sendo assim, tornei-me dançarina no que seria um estabelecimento intermediário entre os antigos bordeis e as modernas boates de stripe tease. A coisa funcionava de forma similar ao que é hoje em dia: os caras podiam olhar e pagar por alguma “atenção especial”, mas nunca tocar, a menos que fosse para enfiar uma nota, raramente generosa, dentro de nossas roupas íntimas — enfiar outras coisas em lugares ainda mais íntimos era possível, mas requeria um depósito enorme no bolso do estabelecimento. Em outras palavras: eu fazia lá o mesmo que nas ruas, porém com um pouco mais de dignidade, ou “seja lá qual for” o nome que você queira dar. Pra mim era digno: não trapaceava ninguém, não era mais estuprada por vagabundos, nem me vendia por uma refeição indecente. Ainda me vendia, sim, mas por um preço consideravelmente melhor. E cumprir a cota que a casa exigia não era uma tarefa difícil; não para mim. Na maior parte das vezes eu só dançava, exibia meus dotes e masturbava uns idiotas — sei que parece ruim, mas não era de todo mal — para alguém que cresceu nas ruas, aquilo era barbada! Muito pior que aturar os idiotas era lidar com as colegas de serviço — cobras exalando veneno por todos os poros. Eu fazia bem o meu trabalho, tentava ficar longe de encrencas e dançava como se cada dança fosse a última, como se dançasse para a lua... O que, em pouco tempo, me rendeu certo destaque acompanhado pelo ódio daquelas vadias. Era até divertido: elas me odiavam, os caras me amavam ou pelo menos pagavam por amor, e isso era ótimo: ganhava muita grana! Embora sempre acabasse a noite zerada, pois metade era da casa, acrescida de taxas pelo quarto, roupas, comida e ar respirado.E ainda tem quem chame isso de vida fácil: ser enrabada por meia dúzia de trocados de um sujeito fedido, tendo que fingir que isso é ótimo... É, muito fácil! Babacas!Conforme eu ia pegando o jeito, meu preço subia. O que era péssimo, pois poucos caras podiam pagar e os que podiam eram os que eu menos gostava: gente com grana não presta! Mas pelo menos eu recebia melhor, tinha meu próprio número no palco e já não precisava “dar/vender” tanto, a menos que eu quisesse e, por prazer, raramente eu queria. Raramente, até aquela noite... Enquanto eu dançava, vi um cara— tá, tinha um monte deles, mas eu nunca os via. Aquele eu vi: sentado no bar, me olhando de longe, o desejo brilhava em seus olhos e eu os vi... Ele tinha uma cara de canalha, cabelo caído no rosto, barba por fazer, usava um jeans gasto e uma camisa branca um tanto justa no braço. Tinha uma jaqueta de couro sobre o ombro e calçava botas. Assim que acabei o show, fui até o bar — não lembro o que eu vestia, mas provavelmente era uma roupa de sho[...]



Noturna

2010-09-11T17:40:31.585-03:00

por Black da Silva BIOGRAFIA Noturna é uma banda brasileira de Gothic Metal da cidade de Belo Horizonte. Formada em Agosto de 2002 por Vivian Bueno (Vocal), Fábio Bastos (Vocal e Guitarra), Victor Munhoz (Piano e Sintetizadores) e Guilherme Carvalho (baixo) visando mesclar as diversas influências de cada integrante. Durante algum tempo a banda não tinha um baterista fixo e precisava ensaiar com bateria seqüenciada; enquanto isso, Fabio Bastos se dedicava às composições da banda. Em janeiro de 2003 o baterista Rafael Costa se juntou a banda e começaram então os preparativos para a gravação do Cd demo Symphony of Decadence , e os shows de divulgação. O álbum foi lançado em agosto de 2003 e obteve uma ótima aceitação de crítica e público, fazendo com que a banda conseguisse excelentes oportunidades com a gravadora Hellion Records, a abertura do Show do Moonspell, em Belo Horizonte, e a aparição no Jornal Hoje da Rede Globo. O contrato com a Hellion Records foi firmado no final de 2004, e o debut Diablerie lançado pela mesma em Dezembro de 2005. Em Dezembro de 2006, Fábio Bastos anuncia sua saída da banda. Em entrevista à Metalclube Fábio confessa estar desanimado com o estilo Gothic metal e com bandas com vocais femininos e que esse foi um dos motivos que o levaram a sair da banda. A banda começa a procurar por um novo guitarrista. Em março de 2007 é anunciado que a banda havia encontrado um novo guitarrista, mas não havia divulgado seu nome. Depois de um mês de mistério, Sérgio Barbieri assume as guitarras e os guturais da banda. Pouco depois da estréia de Sérgio no Gates of Darkness, Guilherme Carvalho anuncia seu desligamento da banda por motivos pessoais. Nesse período o Noturna estava em fase de composição e começou então a procura por um novo baixista. No início de 2008 começa a ensaiar com o Noturna, assumindo o baixo e vocais limpos Alan Curátola, mas o nome só é divulgado no show de Eliminatória do Wacken Metal Battle, em BH, em Abril do mesmo ano. Em Novembro, ainda de 2008, a banda participa da sessão de autógrafos do Nightwish, que aconteceu no Hard Rock Café em Belo Horizonte e surpreende com a ausência de Victor Munhoz nos teclados, sendo apresentada assim a mais nova integrante da banda: Laura Pataro. Após o show, a banda explicou na internet que problemas internos culminaram com a saída de Victor Munhoz. Atualmente a banda está gravando o seu segundo álbum, no Estúdio WZ, em Belo Horizonte. O disco está sendo produzido por Alan Wallace e André Márcio da banda Eminence, ainda sem data de lançamento. ANÁLISE DAS MÚSICAS O cd Diablere é todo muito bom. Dentre as músicas que se destacam mais estão “Tears of Blood” e “Evil Heart”; a segunda se destaca mais porque é a mais bem trabalhada juntando vários tipos de vocais como lírico, gutural, coros e vocal masculino “limpo” como o de André Mattos. T ambém se destaca a faixa que dá nome ao cd “Diablere” e a segunda música intitulada “Remembrance of Dying”. Na maioria das melodias eles adotam um tom muito agressivo com guitarras bastante distorcidas e vocais guturais “nervosos”, tudo isso com o contraste da voz angelical de Vivian Bueno que consegue acalmar os ânimos. As letras seguem o mesmo clichê das bandas de gothic metal, sendo as temáticas predominantes a solidão e as trevas. No entanto, isso não importa, afinal é um clichê ótimo! UM POUCO DA HISTÓRIA DOS GÓTICOS Bom, o termo gótico originariamente GODO, era o nome de uma das tribos germânicas. Com o decorrer dos anos o termo “gótico” foi usado em várias artes e, até mesmo, na moda; dentre essas artes estão a pintura cujo inicio ocorreu na Itália por volta do séc. XII. Um renomado pintor desse estilo é GIOTTO; uma das características predominantes da pintura gótica era a perspectiva já que os pintores queriam criar espaços que pareci[...]



EXPLORANDO O TERROR

2010-07-20T22:36:43.997-03:00

(image)
Quando o assunto se trata de Terror, todos logo imaginam os monstros tradicionais. Dentre eles, temos os lobisomens, vampiros e claro, os degenerados zumbis.
Mas por que os tratos como degenerados?
Pelo simples motivo de que todos morrem de medo de que o mundo seja tomado por uma infestação de zumbis e que não haverá escapatória desse mal.
Pior do que cachorro louco, os zumbis são aqueles que quando infectados, ganham uma fome insaciável, desejosa de sangue, carne e miolos.
Os vampiros que são vistos como mortos-vivos, poderiam sofrer desse mal, mas eles possuem lá sua finesse, são charmosos, inteligentes e extremamente sedutores, ao contrário dos nossos amigos citados, que logo entram em decomposição, são movidos por um instinto estomacal, deixam de pensar e são ótimos para espantar todos que aparecem no caminho.
Podem falar o que quiser, mas tais monstros não me aprazem e toda vez que dou uma chance mínima para ver se algum zumbi mostra que eles não são seres patéticos, os roteiristas fazem questão de provar o quão bom é manter a rotina deles.
Muitas vezes, se nos atentarmos, a infestação de zumbis, não é bem explicada. De repente a cidade é tomada e isolada pelo exército. É um deus nos acuda, para quem ficar na área infectada e claro, como é de praxe, pessoas que nunca mexeram com armas ou sequer lutaram na vida, transformam-se em heróis e heroínas que conseguem escapar do ataque de vários zumbis. Afinal, como tais seres perdem a massa cinzenta, o ataque grupal não é organizado tal qual um enxame de abelhas, ou animais predadores que desejam realmente suas presas.
São desajeitados na maioria das vezes, tornam-se lentos, bobos, incapazes de manter as habilidades que antes possuíam.
Então na maior parte das vezes, basta pegar um carro e brincar de bate-bate. Pegar um cabo de madeira e brincar de bete. O único cuidado que se deve ter é não deixar que eles te cerquem e que te mordam. Apenas isso.
Agora se por ventura pensarem em múmias, elas possuem meu respeito, porque elas ao menos ainda mantém a inteligência e são capazes de maldições horrorosas, que por sinal são mais bonitas de se ver, do que apenas um quase passar de raiva e ignorância com uma simples mordida.
Bom... Você deve estar se perguntando por que falei tanto dos zumbis e o motivo é que li uma revista chamada XXXombies. A HQ é uma mescla de pornografia leve com zumbis. Resultado? Por que eu ainda dou chance para esses monstros degenerados? Eles não fogem da regra, é sempre a mesma coisa, não adianta! Afinal? Onde é que as pessoas acham graça nos tais dos zumbis?



Insipidez sagrada Insipidez

2010-07-01T16:29:45.825-03:00

"Morre e transmuta-te": enquanto Não cumpres esse destino, És sobre a terra sombria Qual sombrio peregrino. (Goethe) Lembro perfeitamente daquele odor acre que perseguia o meu pensamento enquanto subia as escadas do prédio de Helena. Todos os recursos imagináveis para impedir que o cheiro penetrasse minhas narinas eram inúteis: havia dezessete gatos vivendo no apartamento de Helena, e todos os excrementos resultantes se avolumavam pelos cantos do meu penoso trajeto. Sim, penoso, mas havia um por que, uma razão aguda para estar inserida naquela árdua batalha... Primeiro cabe explicar quem é Helena. Garota sem sal ou açúcar, que passa pela sua vida sem ser percebida. A não ser que você a conheça por acaso e descubra a ninhada que tem em casa - Isso interessa, muito. Depois que descobri isso, me aproximei dela até conseguir sua confiança. Quanto ao dia que recordo, foi a primeira vez que ela me convidou para tomar chá em sua casa. Aceitei, é claro. E subindo as escadas, hesitei pensando se valia mesmo a pena. Logo cheguei fronte à placa metálica 402. No tapete puído “Welcome” havia pequenas montanhas de fezes. Suspirei, olhei para o alto e toquei a campainha. Helena abriu logo a porta, com seu sorriso onipresente cujo aroma era um misto de felicidade e menta. Incrível como nunca a tinha visto triste em seis anos convivendo na mesma sala de aula. Bem, ela podia ser jovem, mas não era tola, por isso, ainda me pergunto se oferecer-me um chá não fora uma maneira de descobrir o que se passava comigo. Helena me convidou para entrar, desviei do tapete e entrei na sala. Os móveis eram muito velhos e deteriorados e gatos pareciam saltar de todos os cantos cercando o ambiente com aqueles olhares amarelos, ameaçadores. De alguma forma eles queriam me informar de que “sabiam”. Tentando disfarçar a minha perturbação, segui a garota sem olhar para os animais. Chegamos à cozinha, pequena e sem ventilação. Ela pegou os biscoitos e colocou sobre a mesinha, encheu o bule de água e pôs sobre o fogão. “Sente-se” ela sugeriu, sendo que eu – tamanho o nervosismo - fiquei de pé, os olhos arregalados e a garganta seca. Sorri pra ela, sentei e fiquei olhando o modo como ela fazia chá. Depois disso, sucederam-se momentos de conversa em que ela fazia perguntas frívolas e eu simplesmente respondia, tentando lidar com aquele mal estar. Daí os gatos entraram sorrateiramente pela porta atrás de mim. Eram exatamente três. Cada um roçava nas minhas pernas, de modo que senti meus músculos se contraírem num só impulso. Não, eu não podia gritar; no máximo, podia fazer careta enquanto Helena estava de costas. Quando ela percebeu o que se passava, levou os gatos para a sala. Pra mim foi até pior ter que ficar só naquele cubículo assustador, sabendo previamente que algum naqueles monstrengos apareceria para atormentar-me cedo ou tarde. “Vamos, pense na sua força, abra a sua mochila e pegue o instrumento.” Ordenei-me. O gato sabia de tudo e reagiu com tranqüilidade até o instante em que apontei o martelo pra ele. Daí a reação foi assombrosa! Com os pêlos arrepiados o bicho se elevou: o rabo grosso os olhos de pura fenda. Gelei, meus ossos eram estruturas de gelo, meu sangue era sólido, meu rosto era, apenas, meus olhos. O felino odioso saltou em minha direção prestes a ferir-me com suas unhas iradas. Não pensei duas vezes e fiz um longo movimento de arquear o corpo para o lado direito, impulsionando a ferramenta e levando a ponta de encontro à cabeça do gatuno. “Bastet [1]não me veja!”. Aquela maça de carne voou na parede de azulejos coloniais e fez um traço vermelho até cair no chão. Houve um miado final, grotesco e ronronante como o som de um balão esvaziado. Alívio. Fiquei ali sentindo minha respiração ofegante, admirando a minha vitória, o merecido prêmio... Quando caí em mim, per[...]



Prazer

2010-04-26T19:32:22.913-03:00

(image)
Autor: Pollok


Capaz de sorrir visualizando atitudes vis... como queria ter vivido naquela abundante época das torturas. E desejava isso em sua essência: dor e morte, em suas mãos, alimentando seus olhos, saciando seu corpo, liberando toda aquela libido reprimida; tudo de uma só vez e bem rápido.

Sussurros vindos do porão. Interrompeu-se e foi até lá. Deteve-se por alguns segundos tocando a fechadura. Entrou e logo foi surpreendido por uma vala recém aberta, vazia. Logo aquela que –tinha certeza- havia tapado. Pois bem, o que quer que seja não hesitou em crava-lhe a pá nas costas e jogá-lo pesadamente na vala cavada para abrigar outrem.









Pacto de Monstros II - Anthology

2010-02-19T16:14:01.213-02:00

Em 2008, fiz parte de uma antologia de terror lançada pela Andross Editora, onde foi focada o contar de uma versão sobre o mito natalino sombrio.
Em 2009, eu e a escritora Monica Sicuro, conseguimos lançar o livro Pacto de Monstros - Onde mitos são mais que meros contos, pelo selo Anthology da Editora Multifoco.
Pretendo lançar o segundo volume ainda esse ano. E relembrando a grande ousadia dos contos natalinos, decidi convidá-los para escreverem um conto onde há um leque amplo de monstros.
Há tantos pelo mundo e até mesmo no Brasil, que seria injusto deixá-los de lado.
Pensando em inovar, busco contos em que Lobisomens, Múmias, Fantasmas, Monstros do Pântano, Aberrações criadas por Cientistas Loucos, Sereias, Zumbis, Saci-Pererê, Curupiras, Mulheres de Branco, Seriais Killers, Anjos (da morte, vingadores, etc), Demônios, Fadas, ou seja, todos possuam uma chance de aparecerem nessa mais nova antologia.

Para maiores dúvidas, entre em contato comigo no mail: pacto.anthology@editoramultifoco.com.br



Brumas Negras

2010-02-17T15:23:05.728-02:00

Minha mãe sempre nos disse para ficarmos sempre juntos, meu irmão e eu. Alertava-nos, com o coração pesado de preocupação, a respeito dos males que rondavam nossa vila, fossem eles visíveis ou não. O principal deles era, talvez, as brumas negras. Os mais velhos conheciam inúmeras histórias sobre elas, o que incluía até mesmo relatos de experiências pessoais, desde amigos até famílias inteiras perdidas. “Os terrores das brumas estão além da força de qualquer espírito, até mesmo dos mais bravios”, dizia um provérbio de nosso povo. Mesmo aqueles que conseguiam retornar, voltavam profundamente alterados, a ponto de se crer que estavam possuídos por espíritos malignos, embora alguns poucos conseguissem recobrar parte de sua normalidade novamente. Porém, havia algo que afligia a todos esses desafortunados pelo resto de suas existências: nenhum deles era capaz de reproduzir o que haviam presenciado enquanto estavam perdidos em meio às névoas sem fim. Meu irmão, que era cerca de quatro anos mais velho que eu, sofria de um intenso pavor das brumas. Ao menor sinal de uma formação neblinosa, fosse ela natural ou enegrecida, ele logo corria para casa e oferecia preces a todos os deuses e espíritos que lembrasse, normalmente me arrastando consigo. Mesmo que a maioria dos desaparecimentos ocorresse após o crepúsculo, seu medo letárgico também se estendia às neblinas da aurora. Por muitas vezes foi incapaz de ajudar nossos pais no serviço matutino, sobretudo porque as terras que cultivávamos ficavam próximas ao rio que cortava nossa vila. Dizia ele que todo esse temor era fruto de uma série de pesadelos, nos quais era exposto a toda sorte de horrores em meio às brumas negras. Entretanto, ele nunca se aprofundava respeito dessas visões oníricas, alegando ser tomado por grande aflição quando tocavam em tal assunto. Eu sempre desconfiei que tais pesadelos não passavam de invenção, mas nunca fui corajoso o suficiente para dar voz à essa suposição, temendo uma reprimenda violenta de meu irmão. Contavam também as lendas de nosso povo que apenas as bruxas eram capazes de trilhar o caminho que desejassem em meio às brumas. Tais vias, se dizia, eram extremamente sinuosas e aparentemente não conduziam a lugar algum, mas no fim se revelavam um precioso atalho. Entretanto, apenas os loucos e os desesperadamente necessitados se arriscavam a divisar as brumas tendo uma feiticeira como guia. Os grandes senhores, que habitavam as colinas e se vestiam com armaduras de metal e soberba, davam caça a elas de quando em quando, pois temiam sua ardilosa magia. Justificavam seus atos com palavras de suposta pureza e justiça, mas atraíam para si ainda mais maldições e imprecações de mau agouro. Mal sabiam eles o mal que causariam a dois pobres garotos. Nos primeiros dias do inverno mais rigoroso de nossas vidas, meu irmão e eu assistimos ao selar do destino de mais uma vítima dos senhores guerreiros. Atada a um tronco e prestes a ser engolfada por chamas impiedosas, uma mulher de aparência rústica e cansada fulminava a todos presentes no coração de nossa pequena vila com seu olhar de desespero e ira. Sua dor era tão grande que até mesmo embotava-lhe a razão. Suas palavras de fúria eram descarregadas até mesmo sobre nós, humildes pessoas do campo, tão ou mais impotentes que ela diante dos lordes das fortalezas de pedra. E foi então que meu maior temor tornou-se real. Os olhos da condenada feiticeira fitaram os de meu irmão, paralisando-o de terror enquanto suas maldições invocavam vingança através das brumas negras. Abalado pelo mais profundo e íntimo dos horrores, meu irmão, assim que pôde, pôs-se a correr de forma desvairada, como que possuído por uma loucura instantânea. Rapidamente disparei em seu encalço, abrindo esp[...]



O anjinho

2009-12-22T17:02:41.778-02:00

por Ju Blasina
* Ilustração em breve.




Na véspera do sétimo Natal de sua vida, ela carregava em silêncio o peso das asas falsas. Noites antes, ouvira da mãe que deixaria de ser um anjinho. E as verdadeiras asas sequer haviam crescido. Desde então, só pensava em evitar o triste fim, mas como? Ao soar o sino, aproveitou-se da confusão do presépio e fugiu. Dias depois, achou-se a auréola num terreno baldio. Descobriu-se a duras penas que não é raro e nem difícil tornar-se anjo para sempre.



BRUMAS NEGRAS I

2009-12-09T14:49:06.766-02:00

(image)
Curte ler terror?
Contos, poemas, entrevistas, quadrinhos e muito mais!Tudo com o bom e velho terror.

Confira então nosso primeiro número:




Lançamento Almanaque Gótico 2

2009-12-07T20:43:52.922-02:00

(image)



Cicatriz

2009-12-11T14:28:17.391-02:00

Por toda a minha vida, fui um profundo cético. Desde alguns eventos desagradáveis ainda na tenra infância, tenho me apegado a um pragmatismo quase fanático, talvez como uma forma de defesa contra coisas que me abalariam a sanidade se realmente fossem reais. Talvez isso me torne o ser humano mais vazio ou hipócrita que a grande maioria das pessoas poderia conhecer, mas elas jamais entenderiam minhas motivações mais fundamentais. Quando se tem uma ferida enterrada em sua alma, é natural que se tente isolá-la de todas as formas, jamais se aproximando dela o mínimo que seja, tanto em intenções quanto em pensamentos. Entretanto, para alguns, essa ferida torna-se uma eterna chaga, sempre a verter agonia escarlate, criando o jardim perfeito para que floresça a loucura. Para estes, nos quais me incluo, restam apenas os caminhos da decadência ou o eterno combate a fim de suturar tal ulceração. Nesta batalha interior, tomei como armas o raciocínio lógico e meu mencionado ceticismo fanático, os salvadores de minha tênue sanidade.Desde a juventude, dediquei todos os meus esforços a fim de obter um sólido conhecimento acadêmico, através do qual provaria irreais todo tipo tal de fantasia paranormal, comprovando, sobretudo a mim mesmo, o quão tolo era meu sofrimento pessoal. E assim, por anos, tentei enganar-me. Fui insensível para com minha própria pessoa, tentando enterrar-me sob camadas de retórica aplicada e estudo avançado. Quanto mais longe eu ia, mais difícil me era conseguir olhar para o início de toda aquela trajetória. Aos poucos, acabei por quase convencer-me de que minha macabra experiência não passara de um fruto de minha febril imaginação infantil, tal era meu grau de rejeição e racionalização. Mal suspeitava que esta era apenas a semente de um mal muito maior, regada pelo meu auto-infligido martírio interior até seu desabrochar.Meus antigos terrores se utilizaram dos insondáveis portões do mundo onírico para retornarem, vestidos em noite escura. Abateram-se sobre minha doce amada, maculando seus frágeis sonhos, tal era seu grau de sordidez. Quando ela acordou, aos gritos mais estridentes, um antigo medo cravou-se em meu peito, talvez fruto de minhas memórias quase inconscientes. Tão paralisante era seu choque que ela nenhuma palavra de explicação pôde me dirigir, limitando-se a fitar com olhos sem foco algum canto escuro qualquer, trêmula. Apenas quando já se findava a hora mais fria da madrugada que esboçou alguma reação, embora eu tivesse por preferência que ela se mantivesse da mesma forma até o fim de seus dias a tê-lo feito. Com o sangue a congelar nas veias, ouvi de seus lábios os mesmos dizeres que os meus já haviam, há tanto anos, proferido: “Não desejo conhecer verdade alguma. Deixem-me em paz.” Dito isso, jogou-se a um intenso pranto desesperado.Oh, quantos dias febris se seguiram depois. Minha amada era visitada sempre que as trevas se abatiam sobre o céu, não havendo nem mesmo a necessidade que conciliasse o sono. Segundo seus relatos, eles sempre lhe revelavam coisas terríveis, instruindo-a com sua catequese profana. Procurei, através de todos os meios que me eram acessíveis, uma resposta para aqueles acontecimentos tão repentinos, que insistia em chamar de surtos psicóticos, mesmo não havendo razão nenhuma aparente para que eles surgissem. Despendi toda minha pequena fortuna em médicos e especialistas, obtendo sempre a mesma falta de resultados.A capacidade de repousar tranquilamente tornou-se inatingível, pois meus pensamentos convergiam sempre para minha nobre amada e sua situação deplorável, atormentada por criaturas além da compreensão. Minha antiga cicatriz voltava a aflig[...]



Óbolos a Alice

2009-09-21T18:47:07.200-03:00

O início de toda essa espiral decadente de insanidade e horror deu-se pelos últimos idos de novembro, em meio a tardes frias e com neve no horizonte. Seria talvez o segundo ou terceiro caso apenas naquela quinzena, o que começava a perturbar-me, mesmo sendo eu um investigador de vasta vivência. Uma espécie de onda suicida tomara conta de meu distrito, culminando em mortes cada vez mais anormais. O último pobre-diabo fora um rapaz ainda jovem, embora de compleição algo funesta e digna de pena, encontrado após uma brusca queda com um sorriso tétrico no rosto, cuja sordidez fora acentuada pelos efeitos do impacto contra o solo. Aparentava ter partido abraçado em desespero, esculpindo para todo o sempre um grito em sua expressão cadavérica.Acreditando haver mais que infortuna coincidência entre todos esses casos de falecimento, lancei-me em investigações a fim de satisfazer minha desconfiança. Minha intuição parecia sussurrar-me que havia algo de macabro por trás das tecituras da Dama do Destino, e mal delirava eu o quão amarga me seria a certeza dessa suspeita.Valendo-me de uma sorte quase sobrenatural, por fim descobri onde residia o último dos suicidas. Fora há alguns séculos, sem dúvida, um requintado solar de grandes senhores do campo, ligados pela ancestralidade até o rapaz que me motivava a investigação, agora engolfado pelo irrefreável crescimento urbano. Entretanto, a construção possuía um aspecto que indicava abandono, além de um quê soturno, dado sua semelhança com o medievo estilo arquitetônico gótico combinada com sua imperturbável imensidão. Uma vez lá dentro, parecia sentir o peso do silêncio sobre mim, como se eras passadas e vidas pregressas ainda resguardassem aquele local. Olhos feitos do mais absoluto nada me vigiavam e um calafrio corria-me pela pele constantemente. Meus passos entrecortavam minha respiração e ecoavam dentro da minha paranóia, que de tão acentuada feria o meu orgulho de homem cético. Entretanto, não há homem sobre essa Terra capaz de suportar totalmente a diabólica pressão que aquele casarão exerce sobre a sanidade.Após esquadrinhar por um longo período de tempo, encontrei uma biblioteca de grandes proporções, mesmo para nosso período vitoriano, que parecia ser o cômodo do solar mais freqüentado nos últimos tempos. Ali quedei-me por dilatadas horas, examinando volumes intrigantes que pareciam ter sido grafados a mão e se espalhavam por todas as prateleiras. Oh, e que lúgubres histórias contavam! Relatos que culminavam todos em uma morte solitária, vidas que terminavam sem nenhuma menção honrosa além de livros empoeirados e esquecidos. E que terror senti ao notar-me, quando minha consciência finalmente deu-se conta plenamente da situação em que encontrava, cercado por um obscuro museu de epitáfios, tão isolado do mundo e de tudo que era vivo.O documento de data mais recente consistia num diário encapado em couro, também grafado a mão com nanquim cor de obsidiana, que de certo narrava os últimos suspiros do jovem senhor suicida. Através daquelas páginas cheias de peso e melancolia, constatei que seu autor parecia sofrer de algum distúrbio de ordem mental, talvez algum caso de esquizofrenia ou algo semelhante, além de estar caído em encantos por uma donzela de nome Alice. Sentindo que não mais deveria violar aquele depósito de memórias, abandonei-o da mesma forma que o encontrei, deixando que o destino cuidasse do mesmo.Entretanto, os dias que se seguiram me viram tomado por uma espécie de curiosidade mórbida, um certo fascínio pela morte que parecia haver desperto em mim as obras contidas naquele casarão esquecido pelo mundo. Vo[...]



O Dom do Corvo

2009-09-19T13:52:55.587-03:00

Desde um terrível acidente, há alguns anos, desenvolvi uma espécie de capacidade extraordinária e sobre-humana, da qual pouquíssimo posso discorrer sobre suas causas ou origens. Consiste na habilidade de enxergar no olhar de cada pessoa quanto tempo lhe resta nesse mundo desprezível, numa espécie de contagem regressiva altamente subjetiva e irrevogável. Adquiri-a após um acontecimento que me pôs de frente ao abismo da morte, fazendo-me olhar por tanto tempo para seu fosso negro que agora não posso mais livrar minha visão de sua mácula. Ainda sinto seu hálito em minha face, que vem sempre carregado com uma amarga risada que expressa a talvez mais pura ironia que é nossa existência terrena. Se todos pudessem contemplar as provações do além, certamente mudariam em muito seu modo de agir e existir. O que posso dizer de mais concreto a respeito de meu dom macabro é que ele certamente é capaz de abalar a sanidade de qualquer pessoa. Muitos talvez abandonar-se-iam ao mais puro desespero, tecendo prantos de prata intermináveis enquanto degustam amargamente seu niilismo particular na mais suja das sarjetas, enquanto outros se dedicariam a aliviar o sofrimento daqueles prestes a partir da melhor forma que lhes fosse possível, mesmo sem revelar a cruel verdade contida em seu olhar. Considero tais extremos uma inteira tolice, e certamente não faço as vezes nem de miserável nem de trágico herói. Mesmo um homem com o mais precioso dos poderes continua sendo um homem, e não seria diferente em meu caso. Não acredito na caridade pura de intenção nem na total falta de esperança, sobretudo por já ter presenciado pessoas que deram cabo dos atos mais nobres de suas vidas pouco antes de seu ocaso. Minha sina é contemplar todas as facetas da morte, das mais benevolentes às mais trágicas. Muitos enfermos a esperam de braços abertos, enquanto outras pessoas deixam cicatrizes no mundo com sua ausência. Depois desses anos todos, sinto o soprar da destruição sussurrar-me no ouvido e guiar-me até onde tocará mais uma alma com seus dedos gélidos e esquálidos, sendo o olhar apenas uma lúgubre confirmação do que meu instinto já previa. Pobres humanos, que não podem sentir as brumas da morte se aproximando! Quanto sonhos não já vi serem ceifados subitamente, sem a menor premeditação por parte de seus idealizadores, enquanto alguns poucos livram-se do pesadelo de suas vidas. Certamente, uma rotina assim tornou-me um homem melancólico e taciturno, um corvo negro em pele de gente. O contato social tornou-se extremamente angustiante para mim, como qualquer um com um mínimo de sensibilidade poderia concluir. Não se pode ver doçura no sorriso de um amigo quando se vê a morte em sua face. É triste e solitária minha sina, digna das mais homéricas tragédias gregas. Nesse solitário caminho, cujo meio é cheio de fins, carrego o fado que acredito que caiba a mim. Sei que não há nada pior para os falecidos do que o total esquecimento, pois é da lembrança de suas vidas terrenas que eles são feitos, portanto cuido para que nenhuma alma parta no total esquecimento. Aquelas cuja memória não dispõe dos corações de seus entes queridos para descansar tornam-se meus mais exaustivos trabalhos. Uma simples cerimônia fúnebre não seria o suficiente, portanto, empenho-me em criar uma crônica a respeito da pobre vida do recém-falecido. Minha casa tornou uma biblioteca dos condenados, volumes e volumes de histórias com o mesmo fim. Não era esse o destino que eu sonhava em dar para minha veia artística, mas certamente a aquisição de meu peculiar dom mudou todo o prognósti[...]



Navalha

2009-09-11T18:59:36.871-03:00

por Ju Blasina
Vou te cortar lentamente
Com a lâmina das minhas angustias
Pouco afiada – mal mirada – dor alargada
Vou te cortar diariamente
Lenta e eternamente
Deixo a ti, a porta aberta
Deixo a ti, a chave incerta
Fecho os olhos, pouco alerta
Prendo a inspiração e a respiração
Ainda sinto o cheiro da tua transpiração
Tu não partes
Junta as partes e permanece ali
Preso a mim, presa a ti
Cordeiro do sacrifício
E novamente te toco
Como ferro em brasa
Penetro – faço de ti minha casa
Te mordo, te marco, te sofro, te rasgo
Pouco a pouco apago a vida em ti
O brilho dos teus olhos – opaco
O grito dos teus lábios – já fraco
E tudo o que resta – um naco
Daquilo que um dia sorriu em ti
Vou de cortar lentamente
Em muitas partes, em muitos ramos
E se te corto é porque te amo
E só me alimento de ti
Vou de cortar lentamente...



A DANÇA RUBRA DE LUNNA — PRÓLOGO

2009-09-09T18:14:35.604-03:00

— NOTAS PARA O ESQUECIMENTO —By Ju Blasina“Esta é a história da minha vida e pós-vida.Por que a estou escrevendo? Não sei ao certo...Talvez, ao final, um de nós descubra”LUNNAImagem: Jairo TxEU ERA APENAS UMA CRIANÇA quando descobri que a vida seria difícil. Éramos uma pequena tribo errante: meus pais, avós e eu. Cresci ouvindo meu avô contar o episódio do meu nascimento:Dizia ele que o mal e o bem, existentes em toda criatura, vieram divididos em duas partes, duas meninas e que, conforme mandava a tradição, a face do mal foi identificada e dada em sacrifício ao Sol, garantindo a mim uma vida feliz e próspera... Se essa é ou não a verdade, eu nunca soube, mas passadas tantas décadas, desisti de esperar por tal recompensa. Lembro de espiar minha mãe chorando escondida enquanto segurava uma pequena mecha de cabelo. Talvez minha irmã tenha morrido em outras circunstâncias e meu avô, como grande contador de estórias que era, transformou o incidente nesta parábola, apenas uma das tantas parábolas que eu nunca entendi. Lamento que seus ensinamentos tenham se dispersado no fragmentar de minhas memórias. Guardo apenas uma frase clara, algo que ele me dizia com frequencia:”Wenona, não ouça apenas o que as palavras dizem, ouça o silêncio,procure o sussurro perdido no vento”.Wenona não era exatamente um nome — eu era muito pequena para os grandes sonhos de onde vem os nomes — me chamavam assim, de acordo com a ordem do meu nascimento; em sioux, Wenona significa “a primeira filha”.A montanha nunca me batizou, por isso, durante a vida, passei por muitos nomes. Nomes que nada significavam para mim, exceto que eu não sabia o que ser. Muitos acham que isso é besteira — muitos são idiotas — o nome pode determinar o destino do indivíduo. Um nome errado é mil vezes pior que nome algum. Foi só na morte que encontrei meu verdadeiro nome: Lunna.Nossa tribo era composta de duas ou quatro famílias, não estou bem certa disso — o tempo confunde os números e borra os rostos — vagávamos em busca de novas terras, porque o homem branco nunca tinha terras o suficiente! Era como se não restasse chão algum em que pudéssemos parar. Andávamos sempre, seguindo adiante sem saber sequer para onde.Hoje, quando ouço alguém dizendo “bons tempos aqueles”, preciso me segurar para não voar no pescoço do infeliz. Nunca houve essa besteira de “bons tempos”, não que eu tenha visto e acredite, eu vi muitos deles. Os “tempos” são sempre difíceis, todos eles!Por onde quer que passássemos, nossa presença era incômoda. Lembro de ir a uma feira com meu pai e de lá sairmos enxotados; arremessavam coisas em nós; perguntei a ele o porquê de tanto ódio e ele disse: “Esta é uma resposta que nem mesmo elas tem, Wenona, está no sangue...”Pouco tempo depois, pude constatar que ele estava certo... Numa dada noite o sangue delas ferveu e o ódio tomou grandes proporções:Acordamos em meio às chamas. Os homens tentavam inutilmente conter o fogo, enquanto as mulheres protegiam as crianças. Os jovens salvavam o que dava. Lembro de minha mãe dizendo:”Wenona, tá vendo aquela lua? Ela vai te proteger enquanto o sol não vem. Agora corra! E só pare quando teus pés sangrarem. Não precisa chorar, sangrar é bom...” E secando as próprias lágrimas, me entregou uma pequena trouxa de pano com tudo que havia conseguido salvar; um “tudo” que era quase nada... “Agora vai: que Magena te proteja”.Eu corri, enquanto o fogo foi ficando para trás, pequenas labaredas dançando na noite escura. Era até bonito de se ver:As[...]



Carta aos Breves

2009-09-08T09:30:00.398-03:00

Sabe, pensei em milhares de formas para começar a escrever essa carta, mas todas elas me desagradaram gradativamente mais. Fui desde o clássico “Querida Alice” até algo mais rebuscado, talvez alguma frase profunda ou com um quê poético. Entretanto, esse tipo de reflexão serve-me apenas como desgaste. Sempre que afundo em idéias por mais que alguns segundos, invariavelmente elas apontam para você, contando as milhas e centímetros incontáveis que nos separam. Consegue imaginar que tormento me é não poder ter como companheiros nem mesmo os meus pensamentos? Houvesse tortura terrena similar, tê-lo-ia como carícia frente ao que sofro. Pudesse ter meu corpo dilacerado, o preferiria em troca de paz à minha mente. Tão aflitivo quanto as lembranças que me corroem a sanidade é o esforço necessário para fazer correr a tinta sobre o papel. Um gesto simples, delicado, por tantas vezes repetido, custa-me uma concentração quase impossível de reunir. Escrever sempre foi parte de mim, e agora me é extremamente angustiante. Tente imaginar algo que lhe é querido e familiar, que subitamente lhe é extirpado à força, qual faca a cortar a carne – talvez consiga imaginar um mínimo a respeito da falta que me faz dedicar-me à minha arte. Enquanto partes do que reconhecia como eu, se destorcem e deixam de existir, luto uma guerra particular a fim de manter o que resta de minha identidade. Mortos não têm personalidades, são apenas um conjunto de pecados e angústias que ainda os prendem junto aos breves. Não temos rosto, não temos corpo. Somos emoções emolduradas em um suspiro final, um alento da morte. Vejo, por este local, pobres almas que simplesmente se esqueceram o motivo de seus torpes estados de existência, restando-lhes apenas vagar e gemer sofregamente, aguardando o momento em que serão libertados deste eterno tormento. Que castigo sem igual! Nem mesmo caminhar cego em vales desconhecidos e perigosos se compara a encarar a virtual eternidade sem mesmo lembrar-se de quem é. Mesmo aqueles que, há incontáveis, anos ainda retêm o pouco que lhes resta de seus traços pessoais, resguardando-se em sua fortaleza interior, ainda têm de lutar constantemente contra a cáustica loucura, que apodera a cada um de nós e nos enreda em suas malhas inexpugnáveis. Muitos daqueles que pouco entendem sobre seu novo estado decaem totalmente na espiral da insanidade, e em pouco tempo já estão combatendo o esquecimento com a loucura, pois ela é tudo que lhes restou. Tal passagem me lembrou os ditos de alguns dos mais desesperados – ou talvez ousados, ingênuos ou até mesmo iluminados – entre nós, que proferem que tal psicose post mortem, caso tomada firmemente como parte integrante e fundamental do âmago do ser, pode ajudar a combater a total obliteração da identidade, por também fazer parte dela. Particularmente, prefiro manter-me, enquanto é possível, longe dos caminhos da loucura, pois sei que enquanto uma de suas frias mãos nos abraça, a outra nos apunhala pelas costas. Tal tipo de auxílio ainda me dou ao luxo de dispensar, mas fico a ponderar por mais quanto tempo o serei capaz de fazer. Oh, minha querida, subsisto em meu inferno particular, pagando em dor até mesmo por simples pensamentos, e me vejo à margem dos horrores da loucura, do oblívio ou até mesmo da destruição – pois ainda somos capazes de nos ferir através de um exercício da vontade (muito menos dificultoso do que tentar escrever-lhe esta carta ou tocar sua lívida face em noites sem lua), que muitos acabam praticando como vál[...]



Entrevista #1: Scatha

2009-08-07T08:23:37.911-03:00

Foto: divulgação ( da esquerda pra direita: Paula Leão; Cíntia Ventania; Angélica Burns; Cynthia Tsai Yuen e Júlia Pombo)Por Anne Caroline QuiangalaRevisão: Tyr QuentalëScatha é uma banda feminina de Thrash Metal, formada no Rio de Janeiro. A banda surgiu em meados de 2005, quando as integrantes tinham por volta de quinze anos. Da formação original constam Júlia Pombo nas guitarras, Cíntia Ventania no baixo e Cynthia Tsai Yuen na bateria. Com a saída da vocalista original, Rebecca, a banda passa a ter Angélica Burns nos vocais e, imediatamente, lançam no fim de 2007 a primeira demo “Keep Thrashing” que já abriu caminho ao receber destaque na revista Roadie Crew, além da indicação para representar o Brasil no festival europeu ‘Wacken open Air’ (participando do Wacken Battle) .[Brumas Negras] Olá, vocês poderiam dar uma breve apresentação da banda, história, experiência e estilo?[Cíntia Ventania] O projeto se concretizou a partir do momento que eu conheci Julia Pombo por intermédio da internet. Ela tinha apenas 14 anos quando a conheci e eu aos meus 20, fiquei impressionada com o potencial de uma garotinha que mandava riffs e tinha uma pegada que nunca tinha visto antes... A partir daí o “sonho” de banda feminina de thrash metal deslanchou... Eu e Julia caímos de cabeça na banda, e depois de muitos testes com bateristas, vocalistas e algumas guitarristas, Paula Leão entrou na banda na segunda guitarra e Rebecca Schwab veio para os vocais. Começamos então tocar mais covers e cair dentro de composições. Eu já tinha uma pancada de letras e idéias, Julia estava sempre criando riffs e bases e, em agosto de 2005, já com a formação completa, fizemos nosso primeiro show no Garage. Apartir daí foram só ensaios, gravação, criação, shows por vários lugares do RJ e interior de SP.E cada vez mais queríamos mais... Em janeiro de 2007 a vocalista Rebecca Schwab saiu da banda e Angélica Burns entrou dando mais fúria ao nosso som com seu vocal gutural agressivo. Em agosto desse mesmo ano gravamos nossa demo com cinco músicas autorais. Nossas maiores influências são as clássicas bandas de Thrash Metal, Megadeth, Pantera, Slayer, Testament, Exodus, Metallica, dentre muitas outras. Em julho de 2008 a guitarrista Paula Leão se desligou da banda por motivos pessoais.Hoje em dia Scatha consta com Julia Pombo na guitarra, Cíntia Ventania no baixo, Cynthia Tsai Yuen na batera e Angélica Burns no vocal.[Brumas Negras] A demo Keep Thrashing tem uma qualidade de gravação incrível, o que é interessante, já que muitas bandas do estilo, em seu primeiro trabalho, optam por uma gravação rude, como que utilizando dos recursos dos anos 80 com o intuito de preservar a cultura da época, assim como a vestimenta e toda a parafernália old school. Como vocês veem esse movimento oitentista hoje em dia?[C.V] Bem, creio que isso seja uma opinião pessoal... Eu simplesmente gosto de gravações boas e audíveis... Queríamos fazer o melhor possível para mostrar nosso trabalho. Quanto ao movimento oitentista, eu apoio totalmente quem curte o Thrash e todo movimento metal que rolou na época... Mas os tempos são outros, inovar também é preciso, e qualidade sonora tem que rolar em primeiro lugar no trabalho de qualquer banda ou artista. – Temos que aproveitar que hoje em dia é muito mais fácil sem ter que gastar muito... Antigamente as demos tinham qualidade mais baixa pelo custo da gravação em estúdios profissionais. Quanto à vestimenta... bem, isso cada um sabe o que u[...]



Espreitador Onírico

2009-06-20T04:48:31.458-03:00

Willey não sabia onde a coisa – ou melhor, criatura – estava, mas sentia-a sufocantemente próxima. Pensou, quem sabe, pela vigésima vez, que alguém talvez pudesse socorrê-lo, mas sua idéia logo caiu por terra ao ver a madrugada nebulosa que abraçava sua choupana rústica, que há poucos meses chamava de lar. Agora, era como se fosse chamá-la de jazigo a qualquer instante.É claro, uma pessoa com problemas afetivos e sociais não poderia desejar outra coisa que não a calmaria bucólica do campo, mas Willey sentia uma necessidade gritante de ter ao menos um mínimo contato humano que fosse. Na verdade, sabe-se lá, alguém que o fizesse sentir-se protegido, que pudesse lhe mostrar que as pessoas – incluindo ele – tivessem algum valor. Podia parecer exagero ou loucura, mas ele sentia como se um simples abraço pudesse lhe salvar de sua situação degradante.Tábuas velhas rangeram sob as solas de suas botas, ainda sujas de terra. Ele respirava no ritmo acelerado de suas batidas cardíacas, aproximando-se cada vez mais de um colapso. Tateou sobre o armário velho, empoeirado e repleto de armadilhas aracnídeas para insetos, até que seus dedos tocaram no metal gélido da arma. Ela era obviamente muito mais apropriada a uma caça do que para qualquer tipo de defesa pessoal, mas era o melhor que ele podia dispor naquele momento. Preparou-a para disparar, e cada estalido metálico lhe fazia palpitar ainda mais o coração, pois pareciam ruidosos como tratores apesar de suaves como uma agulha.A velha espingarda parecia pesada como a cruz, e com certeza para Willey carregava a mesma ressonância de cruel inevitabilidade da dor e da morte. A coisa estava por lá, espreitando nas sombras, como um grande felino prestes a dar o bote. Os galhos nus de uma macieira arranhavam a janela da sala, no mesmo local onde a coisa estivera observando-o momentos atrás. O rancheiro estava com os sentidos todos embotados, e sua cabeça parecia pressionada pelo exterior, como num mergulho profundo. Um barulho – folhas secas trituradas ao pisar – se pronunciou de uma janela lateral, e o cano da arma logo voltou-se para tal localidade. O coração agora batendo na ponta do indicador direito, o único homem num raio de vários e vários quilômetros aproximou-se a passos lentos de onde viera o ruído, equilibrando-se forçosamente a cada passo.Claro, não havia nada por lá. Mas houvera, Willey poderia jurar por sua vida. Passou até os ombros pela janela agora aberta e inclinou-se para examinar a grama logo abaixo, mas o negrume da noite enevoada impedia um exame mais minucioso. Entretanto, mesmo não sabendo se a escuridão enganava sua visão, Willey deu por quase certo que alguém por ali passara, e há pouco tempo. Voltou novamente o corpo para dentro e cerrou firmemente a janela, seguindo agora a possível trajetória da criatura, mas pelo lado interno da casa.A busca do solitário rancheiro lhe levou a fazer um exame superficial pelas janelas do corredor, da sala de jantar e da cozinha, mas obtendo sempre o mesmo vago resultado. Cada vez que se aproximava mais de uma confrontação direta com o ser, Willey se sentia ainda mais apavorado. Suas pernas tremiam, sua respiração estava pesada, ofegante e irregular, e uma vontade de chorar crescia em seu interior. Pior do que um combate físico contra algo desconhecido – que Willey notara como tendo uma vaga forma humanóide, mas de um aspecto totalmente diferente de tudo que era natural e com certeza saído de algum pesadelo febril – era[...]



Derradeiro Fim

2009-03-30T20:20:04.630-03:00

Uma guerra havia se iniciado. À medida que as tropas avançavam, corpos se espalhavam e novas vítimas eram acrescidas à lista de extermínio. A matança alcançava os senhores da guerra, enfraquecendo as alianças perante ameaças fundadas em chantagens familiares.– Covardes!!! – Vociferam ao redor deles – Estamos em meio a uma guerra e vocês ousam nos abandonar?– Seu mísero clã não conseguirá sobreviver sem a nossa ajuda. Iremos caçá-los e pendurá-los como nacos de carnes humanas para saciarem a fome dos nossos.Punhos se fechavam com aqueles dizeres, mas o cansaço das intrigas e disputas pelo poder sobrepujava os ânimos exaltados de seus corações.– Não negamos nossa essência, muito menos nosso Pai. Não deixamos de lado a fome que nos consome, nem mesmo a besta existente dentro de nós. Apenas não concordamos com a guerra que atinge nossos iguais. – A palavra era tomada em defesa dos que estavam para desertar.– Suas mentes se perderam, quando os humanos ficaram escassos. Dizimam seus irmãos temendo que sejam os próximos. Deixaram de serem senhores para se tornarem escravos da guerra que disseminaram. Há muito não pertencemos a este lar. – A palavra final era dada junto à retirada do defensor e seus aliados.A saída deles não era aceita e seus iguais cuspiam sangue aos pés do grupo exilado em completo desprezo. Tratavam-nos como, “Seguidores de cães”, “Traidores”, “Amantes de homens”, e suas palavras ganhavam força ao pronunciar de uma única maldição.– Eles nos caçarão como um dia caçamos aqueles que tínhamos como inimigos. Tanto unidos quanto separados, sucumbiremos às mãos de nossos antigos irmãos se não invertermos o processo.– Trevor... – preocupou-se um deles com aquela profecia.– Separem-se e permaneçam vivos. – Trevor finalizou o assunto, evitando que os temores vencessem seus aliados ao que se separavam.Não havia mais tempo para falas onde cada um seguiu para lados diferentes, a caçada finalmente tinha seu início com as ordens soberanas.– Cacem-nos e não os deixem fugir da guerra.O som da corrida e dos comandos era certeiro, a cada encontro o cheiro do sangue aumentava. Corpos dilacerados ganhavam espaço ao ritmar dos corações e os olhares mostravam aqueles que venciam em cada ocasião.– Não fugirão da guerra! – Alguém pronunciava às vezes débil, às vezes fervoroso demais. Mas os atos agiam mais que as falas e o avanço não diminuíam a determinação de ambos os lados.Olhares que ganhavam o asco, olhares que ganhavam a fúria. Garras que se manchavam de sangue e clamores silenciados às gargantas. Os corpos ficavam cansados demais.Arfares, pesares e a noite avançava rápida demais. Os dias se prolongavam, os meses passavam, os séculos chegavam.O terror daquela guerra cravava aos corpos deixando suas marcas. Não havia mais risos, sequer comemorações, quando em passos pesados retornavam a casa.Chamas se espalhavam pelos cantos, consumindo os corpos carbonizados e em frangalhos, revirando o estômago daqueles que avançavam.– O que aconteceu aqui? – Murmurou aquela que um dia se preocupou com uma profecia e aos poucos fora reconhecendo seus irmãos.Não apenas os irmãos que renegara, mas pouco a pouco encontrava os irmãos exilados. Aliados em tentar reverter o processo de uma guerra insana que se arrastou por séculos à sua carcaça e as de outrem, enquanto seus sentidos foram despertados por rosnares.Coração fervilhando e cega à razão, seus[...]



A Fábula dos Pesadelos

2009-08-05T19:45:51.258-03:00

(image) Johann Heinrich Füssli
" Pesadelo
"

"Once I had a dream
And this is it"

(Nightwish - Dark chest of wonders in "Once")



Er' uma vez queda final em tristes relvas
Gente comendo carne e vomitando trevas
Expectros tão doentes de temáticas falhas
Com' uma modona triste, das vis batalhas

Er' uma vez medo preso e proibido ruir
Bestas são portais de o Quimérico fluir
Medo escabroso palpitando fundo o peito
Fio de prata que avista o mortal em seu leito

Er' uma vez Quiméras tão horrendas, tão alegóricas
Sonhar de dias ruins, de obras categóricas
Er' uma vez um Amor tão próximo, tão esgotado

Ao que se soltam os dedos, quão arrebatado
Er' uma vez o amanhecer mau que não reluz
Tempestuoso Mar das Sombras - nenhuma Luz!



Batalhas – Segundo Ato

2011-12-27T20:37:49.923-02:00

Outra cena.
Outro lugar.
As palavras se propagavam de forma baixa em sinais de preocupação.
Ponderações feitas.
Prós e contras discutidos.
Então eles entram.
Quatro pontos cardeais.
Quatro elementos representados.
Mas a terra não tinha seu representante legítimo e a discórdia fora disseminada.
Conversas tornam-se brados.
Brados tornam-se ergueres de armas.
Dedos acusatórios erigidos.
Explosões que se sucediam.
E o que antes observava, se expandiu em violência descontrolada.
Descontrole que tomou controle de rédeas puxadas.
Asfixiou sem dó nem compaixão.
Pouco antes de extinção completa e sádica, o afrouxar das rédeas fora constatado.
Quatro ventos em um corpo só.
Quatro que fazem parte de um que já fizera parte de quatro.
Quatro anjos.
Quatro elementos.
Quatro irmãos que se encontram separados.



Batalhas - Primeiro Ato.

2011-12-27T20:34:20.143-02:00

Estavam eles, frente a frente.
Os olhares flamejantes de ódio, decepção.
As mentes pensando nos locais que deviam ser atingidos.
Não havia lanças ou espadas.
Sequer cavalarias e batalhões.
Ali a maior arma eram as palavras e uma a uma foram vociferadas.
Acusações que mostravam o ponto de vista.
Ângulos distorcidos de um prisma.
Golpes dados, feridas abertas e as peças se moviam.
Rangeres de dentes, corpo tremendo naquela que iniciara a guerra.
Lágrimas amargas, silêncio aos lábios, pois sabia que aquela batalha estava vencida de forma estranha.
Do outro lado, coração amargurado, um tanto quanto decepcionado, mas em uma pose mais austera.
Quem havia vencido?
Ninguém sabe.
Mas aqueles brados reverberam, tomam formas, ganham garras.
O veneno foi espalhado.
Muitos, atingidos.
E mesmo exausta no campo de batalha, ela suspira e murmura:
- Ainda chegará o dia, mas não hoje, não agora.
O veneno se espalha e apenas no futuro, certos vociferares de cautela, serão relembrados.
Não por ela, mas por quem foi atingido.