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Ancorando o navio no espaço





Updated: 2014-10-02T21:30:07.655-07:00

 



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2011-07-07T08:03:36.559-07:00

Nossa conversa ontem mexeu muito comigo!
1. Oi, M. rs. Mas como estava te dizendo, foi difícil sair da web e ter te visto apenas naquela imagem congelada, quando você avisa ao rapaz da lan que seu tempo já tinha terminado. Na imagem você vira o rosto e tira o fone de ouvido! P. mim foi quase como um adeus, um aceno, um réquiem, uma maneira de dizer que não poderia existir mais nada entre nós. Meu coração partiu e se transformou em um pedacinho de ervilha naquele momento. Eu comecei a me lembrar da república, das suas visitas ao apartamento, de quando eu dormia com minha cabeça recostada em teu ombro! Eu esquecia todos os meus problemas quando estava envolta em teu corpo, naquele roupão preto, rs, que você me pedia sempre p. tirar e eu ficava com vergonha! O fato é que eu pensei muito em nós depois daquela conversa, chorei um pouco, uma lágrima apenas, escorreu dos meu olho esquerdo em direção a minha boca, depois um pequeno tremor nos lábios, até que meus dois olhos se encheram d água e eu desabei em um choro contido. Uma parte do meu coração está aí! A outra eu não sei o que fazer com ela! Sabe quando o mundo te apresenta todas as possibilidades de ser feliz e a única coisa que vem a sua mente é a cena de um filme com um belo ator francês se atirando do alto de uma janela depois de passar a ver o espírito da mulher que ele desprezou refletido no espelho? É assim que eu me sinto! Close na janela, aberta, indicando que o personagem se atira do alto de um prédio, próxima seqüência, personagem morto na calçada. Fim do filme!




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2011-03-23T18:24:06.651-07:00

Eles esperam nos levar para o jardim remoto, mas a morte chega pálida e arrojada, em uma hora estranha, sem avisos e planos, como um hóspede temido que você levou para a cama. A morte nos transforma em anjos, e nos dá asas onde tínhamos ombros macios como garras de corvos. Eu não partirei, prefiro um banquete de amigos
à uma família gigante. Agora a noite chegou com sua legião púrpura. Regressem para suas tendas e sonhos, amanhã visitaremos minha terra natal.
Certa vez tomei ácido e vi Jesus e Judas, eram uma só pessoa. Acho que deve ser mais ou menos isso. John está no terraço misturando remédios, eu estou na calçada criticando o governo.
Quando as portas se abrirem tudo parecerá infinito. Gosto de pessoas que tem a alma na cara. Deveríamos planejar um assassinato ou criar uma legião. Somos soldados de plástico numa guerra suja. Monstros de energia, devoramos consciências, digerimos o poder.
Não vá embora, venha dançar comigo. A serpente é longa, mede 3 metros, nas suas escamas se escondem homens. Se tivermos medo ela nos devora, mas se a beijarmos, um longo caminho pode se abrir, iluminado, até o desconhecido.
Digamos que eu testei os limites da realidade, eu estava curioso. As luzes se apagaram e os garçons recolheram as mesas, fomos embora recolhidos pela mórbida sensação de que a vida se encerra quando o álcool não mais escorre na corrente sanguínea. A cabeça girando, não mais obedecendo os limites do corpo, esvaíndo um psicodelismo controlado, digerindo as faixas luminosas estampadas nas paredes das lojas, as vitrines com bonecos de plástico, o gâs carbônico dos carros, o mendigo que pede um trocado. Tudo me causa repulsa, tem um rosto coberto por uma máscara , imagens que ficam retidas em minha cabeça, e logo ganham proporções monstruosas, me invadem. Nestes momentos paro de sentir a vida, deixo de viver, e fico congelada em uma redoma de plástico, respiração trôpega, olhar angustiante, caminhando em direção a minha casa como o mártir que penetra o anfiteatro, pronto para ser crucificado.
O ônibus azul se choca contra um carregamento de índios mortos no asfalto. A imagem de um grande xamã petrifica meu olhar, me fazendo olhá – lo por longos minutos, até que sua imagem se perde em um infinito maior que o meu, e me desmancho em lágrimas que cortam meu rosto como espinhos, fazendo da proximidade com a morte um momento de iluminação. Os espíritos dos índios mortos se juntam ao meu, de repente vejo Dionísio chegando na Grécia e enlouquecendo as mulheres, casais envoltos por uma grande cópula dourada, Baco servindo um banquete, luz e fúria que surgem do céu, deuses irropendo por todos os lugares, dançando nas calçadas, rosas que nascem no meio do asfalto.




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2010-08-14T00:02:52.033-07:00

Eu achava que a coisa mais bonita do mundo era a sombra, os milhares de desenhos em movimento e manchas paradas que a sombra faz. Tinha sombras em todos os lugares, , por baixo das casas, árvores e pedras, sombras por trás dos olhos e sorriso das pessoas e sombras, quilômetros e quilômetros delas, no lado escuro da terra. Abaixei os olhos e vi os dois esparadrapos cor da pele, grudados em forma de cruz na barriga da minha perna direita. Tranquei a porta do banheiro, deixei a pia encher de água morna e peguei uma gilete. Quando perguntaram a um velho filósofo romano como gostaria de morrer, ele disse que cortaria as veias durante um banho morno. Pensei que deveria ser fácil, deitada na banheira e vendo a vermelhidão da flor dos meus pulsos correr pela água clara, até que eu mergulhasse numa espécie colorida de papoula. Mas quando chegou a hora a pele do meu pulso parecia tão branca e indefesa que não conseguia fazer. Era como se eu não conseguisse matar uma coisa que não estivesse sob aquela pele , nem no pulso fino e azulado que latejava sob meu polegar – estava em outro lugar, mais fundo, mais secreto e muito mais difícil de chegar. Era necessário proceder em duas etapas. Um pulso, depois o outro. Três etapas, se considerasse trocar a lâmina de uma mão para outra. A seguir eu entrava na banheira e deitava. Fiquei de frente para o armário de remédios. Se olhasse para o espelho na hora em que estivesse fazendo, seria como outra pessoa , num livro ou numa peça de teatro. Mas a pessoa no espelho estava paralisada e idiota demais [...]



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2010-08-13T21:53:32.536-07:00

Deveria ficar tão animada como a maioria das garotas, mas não conseguia. Eu me sentia imóvel e oca como o olho de um furacão, se agitando estupidamente no meio daquele enorme tumulto. A poeira seca, cheia de fuligem, entrava nos meus olhos e descia por minha garganta. As ruas abafadas pareciam vibrar ao sol, e as capotas dos carros tostavam, brilhando de tão quentes. Eu me sentia um ônibus insensível e embrutecido. Me sentia feia como a necessidade. Fico com tanta inveja que perco a fala quando vejo a Betsy. Nunca tinha visto uma garota como a Betsy. Tinha olhos azuis como bolas de gude transparentes, praticamente indestrutíveis, e uma boca que parecia mostrar um eterno sorriso de desprezo. Não quero dizer um desprezo grosseiro, mas um divertido e misterioso desprezo, como se todas as pessoas ao redor fossem muito bobas e ela pudesse rir delas se quisesse. Finalmente chegamos a festa da Mary. Eu estava com um vestido preto que custara quarenta dólares. O vestido tinha um corte estranho que não dava para usar nenhum tipo de sutiã, mas isso não era muito importante, já que eu era magra como um menino, quase não tinha curvas e gostava de me sentir meio nua nas noites quentes de verão. Fiquei nervosa por causa do vestido e da minha cor estranha, mas, como a Betsy estava por perto, esqueci tudo. Achei que estava esperta e cínica como nunca. O bar estava tão escuro que eu quase só enxergava a Betsy. Com seu cabelo e vestidos brancos ela estava tão alva que parecia de prata. Achei que refletia os néons do bar. Eu me sentia misturada com as sombras, como o negativo de uma pessoa que eu nunca tinha visto. Acho que vou tomar um uísque – disse Betsy. Sempre me confundo na hora de pedir um drinque. Não sabia a diferença entre uísque e gim e jamais conseguia pedir uma coisa que gostasse. Quero uma vodca – disse eu. Betsy me olhou mais de perto. Vodca com o que? Pura. Sempre tomo pura – garanti. ( Seria ótimo se um dia eu pedisse um drinque e gostasse do sabor) Eu gostava de olhar pessoas em situações difíceis. Se havia um acidente na estrada ou uma briga na rua, ou um feto num vidro de laboratório para ver, eu parava e olhava tanto que nunca mais esquecia. Claro que aquele homem de azul sozinho no balcão me chamou a atenção. Se há alguma coisa que não agüento é homem de azul. Pode está de preto, cinza, ou até marrom. Mas azul me faz rir. Comecei a achar que, afinal, vodca era o meu drinque. Não tinha gosto de nada, mas ia direto ao estômago como a espada de um engolidor de espadas e fazia com que me sentisse forte e poderosa. Betsy e um carinha se aproximaram e começaram a dançar. É meio deprimente olhar duas pessoas que estão cada vez mais interessadas uma na outra, principalmente se só você está sobrando na sala. Pensei em pegar um táxi. Estava farta daquele lugar cheio de guimbas de cigarro e guardanapos amassados. Fui de mansinho até o elevador e apertei o botão do meu andar. As portas fecharam como um acordeão silencioso. Depois minhas orelhas ficaram estranhas e notei uma enorme cara com olhos manchados e apertados como os de uma chinesa me olhando, idiota. Era eu mesma, claro. Fiquei pasma de ver no espelho como minha cara estava amassada e gasta. [...]



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2010-08-18T18:25:07.596-07:00

allowFullScreen='true' webkitallowfullscreen='true' mozallowfullscreen='true' width='320' height='266' src='https://www.blogger.com/video.g?token=AD6v5dwRPFm3uhQlhFrdU674pBEJa483zHUu0oRBijzrvmDoYQz5haeg20Y2EGLkehjDLKK9oFyYAQ-JC_s' class='b-hbp-video b-uploaded' FRAMEBORDER='0' /> Hoje como em muitas noites sozinha em meu quarto fico pensando em você. É quase um monólogo mental. Eu me imagino conversando contigo, e tantas coisas surgem dentro de mim, tantas palavras, pensamentos que parecem emanar de um lugar que eu desconheço. Como se nos conhecêssemos de outras vidas. É impressionante como a cada vez que eu me lembro de você eu tenho esta certeza tão arraigada. E eu percebo que o amor que eu sinto por você não cabe dentro de mim, ele me faz pensar-pensar-pensar , e de uma maneira tão intensa, tão pura, que eu chego a ficar cansada, e de repente adormeço com este mesmo pensamento a rondar minha mente. Talvez tenha sido isso que eu queria te dizer hoje mais cedo. Como em tantas outras noites, aqui, sozinha, com sua lembrança a me envolver, me dominar. Dan, eu te amo incondicionalmente, and so so deeply, que eu posso chegar a afirmar que você é o único homem da minha vida, aquele em quem eu sempre confiarei, aquele que eu sei que sempre me olhará com um sorriso meigo e um olhar de preocupação e de amor. Putz, eu queria poder transcrever agora tudo o que eu estava pensando sobre você. Mas você sabe, não é fácil, o pensamento é mais rápido que a escrita, e muita coisa se perde. Bem, o que eu posso te dizer é que eu saí da cama a poucos minutos, fumei um cigarro, fui até a janela, e voltei tendo a certeza de que meu coração só iria conseguir sossegar depois que eu te escrevesse algo, depois que eu expressasse o que eu estou sentindo, por que meu coração fica apertado, e chega a doer, uma dor que eu não sei explicar, que as vezes eu acho que nem é apenas pela ausência, mas uma dor que é indescritível, que eu não consigo entender. Como eu gostaria de entender este amor incondicional que eu sinto por você! Sabe, uma das coisas que eu mais quero na vida é manter nossa amizade exatamente da maneira como ela transcorreu ao longo da nossa convivência. Eu quero poder voltar a sonhar contigo. Como são deliciosos nossos sonhos! Eles parecem às vezes não caber dentro de nós mesmos. E pensar que pequenos detalhes reafirmaram o amor que sentimos um pelo outro. Como sua insistência em querer me fazer pensar em minha vida, pensar em ter uma carreira, sua vontade de mostrar p. as pessoas o meu valor. Você, que me faz querer ter um lugar no mundo, que me faz querer reconhecer a minha importância, quase como se falássemos através de um espelho, onde o que você me fala chega a ser também um reflexo do que você fala p. você mesmo. Mas é desta forma que as verdadeiras amizades se solidificam, não é mesmo? Dia destes estava me lembrando de quando nos arrumávamos p. sair e da sua precisão e desejo de que eu me vestisse da melhor maneira possível. A sua mão doce, lenta, quando resolvia escovar meu cabelo. Eu me lembro até do seu olhar fixo sobre meu rosto, tentando me maquiar, me deixar bonita. E de quando depois de arrumada você dizia que eu estava linda. Como isso me fazia bem! Olha, eu te amo. Amo-te de uma maneira que eu não consigo entender, e talvez não seja tão importante assim entender este amor, mas apenas senti-lo, e senti-lo eternamente, até por que eu acredito que tenha sido mesmo através da eternidade, da linha contínua da vida, ou das vidas, que nosso amor foi se tornando cada vez forte. Estava pensando também em um certo imã mental que nos une. Como quando assistimos ao mesmo filme, nos emocionamos, mesmo não estando juntos! Por que será que isso acontece entre a gente? Agora escrevendo eu perdi um pouco da intensidade do que eu estava sentindo a alguns minutos quando estava deitada em minha cama e o monólogo mental pairava sobre minha ment[...]



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2010-04-14T21:45:17.424-07:00

The addict Sleepmonger,deathmonger,with capsules in my palms each night,eight at a time from sweet pharmaceutical bottlesI make arrangements for a pint-sized journey.I'm the queen of this condition.I'm an expert on making the tripand now they say I'm an addict.Now they ask why.WHY! Don't they know that I promised to die!I'm keping in practice.I'm merely staying in shape.The pills are a mother, but better,every color and as good as sour balls.I'm on a diet from death. Yes, I admitit has gotten to be a bit of a habit-blows eight at a time, socked in the eye,hauled away by the pink, the orange,the green and the white goodnights.I'm becoming something of a chemicalmixture.that's it! My supplyof tabletshas got to last for years and years.I like them more than I like me.It's a kind of marriage.It's a kind of war where I plant bombs insideof myself. YesI tryto kill myself in small amounts,an innocuous occupatin.Actually I'm hung up on it.But remember I don't make too much noise.And frankly no one has to lug me outand I don't stand there in my winding sheet.I'm a little buttercup in my yellow nightieeating my eight loaves in a rowand in a certain order as inthe laying on of handsor the black sacrament. It's a ceremonybut like any other sportit's full of rules.It's like a musical tennis match wheremy mouth keeps catching the ball.Then I lie on; my altarelevated by the eight chemical kisses. What a lay me down this iswith two pink, two orange,two green, two white goodnights.Fee-fi-fo-fum-Now I'm borrowed.Now I'm numb.Anne Sexton[...]



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2010-01-06T20:40:29.956-08:00

Sarah – Do you know what you need? Some good editor. Do you know Joe Nichols? Jenny – Yeah, he is gay. Beautiful, but gay. Sarah – A little tongue in his ass, he is yours. Sarah – In your first work you created me as someone who was in the middle of a war. Someone with a history of mood, blackouts and hearing voices. I used to be isolated with this huge number of doctors and nurses, men, everyone scared with the imminence of death. Jenny – That scenario was an artificial paradise, Sarah. It was not reality; that was a place full of illusion. Sarah –Mutilated pieces of meat spread everywhere, women hanging out the trees. I felt smaller. Jenny – But there is light when we die, and we feel small when the great light is coming. Have you ever seen the beauty of a little girl looking at a dead bird? Sarah - No, Jenny. This is too much. Wake up! Jenny - But we are so fragile, there is weakness in all of us. We should be strong, but we are not. Sarah – And you are the Queen of the illusions, living in the highest point of a sophisticated building, with your notebook, your papers, your wine. Selfish! With your synapses’ sending orders all the time; move your legs, move your body, die, when you are paralyzed, in your castle made of pain. Jenny - I hate machines in real life. I have no patience with them. I hate my notebook and what it represents to me. Sarah - Advanced technology works, baby. Jenny - A guy shoots a gun of the future and it blows up. I go into a futuristic kitchen and it mal-functions. I just don´t get along with machines. Sarah - When you will be able to get rid of this room? Jenny – I want to die in my own bell jar, buddy. And it has nothing to do with you. Sarah – Have you made any plans? Take an overdose, slash your wrists then hang yourself. All those things together. Jenny – It wouldn´t work. Sarah – Of course it would. Jenny - It wouldn´t work. I´d start to feel sleepy from the overdose and wouldn´t have the energy to cut my wrists then hanging up myself.[...]



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2010-08-13T22:11:55.264-07:00

Jenny- Sometimes I have these dreams that I get a machine that projects me into a work of fiction because I am in love with someone.
Sarah - And inside this Chinese box you live a beautiful story full of sex and romance. Right? Good!
Sarah – Okay! Have you ever imagined you in a grammar book, with no humans but only verbs? If this machine you telling me projects you into a beautiful story, by mistake you could be reduced to a frustrated character, with verbs and articles as company.
Sarah - Do you know Joy Division, the British band from Manchester? Now, tell me, what do you think about love?
Jenny – Part of Joy Division was beautiful, the other one was meant not to be beautiful. Ian was an image that burned for itself into my mind.
Maybe, love equals death.
Sarah – Have you ever had sex with a man?
Jenny - Yeah, once.
Sarah - And?
Jenny - And I could have done that with a plastic toy.
Sarah – Oh, baby! I am not in the mood for this tonight.
How can you see “love” when everything in front of you is sex? Even with love in front of you, you believe that you can´t find it.
Jenny – Why? Could you be more specific?

(Some music)
Sarah – I told you. I am not in the mood for this tonight.
Jenny – Tell me!
Sarah – Tame the cunt! Tame it!
It will not control you! It will not take your soul!
Or the cunt will win the game?
You have to be the one who is in charge, Jenny.
You have to be the one who says yes, first.
Sarah - . I will teach you the techiniches to seduce any hard-body blonde.
First: Language, the magical key to unlocking the female analytical universe.
Tap directly into her hopes, her wants, her fears, her desires, and her sweetie little panties.
Learn how to make that lady “friend” your sex-slaver
Jenny – What comes out of your mouth is totally irrelevant, understood?
Sarah - Are you nervous? Am I making you nervous?
Sarah – Well, good, ´cause that´s the idea.



How can I describe you What I see?

2010-08-13T22:07:15.082-07:00

How can I describe to you what I see? There it is: My vision of the world.
I think there are two ways you can see the world. First, you see the sadness that is behind everything. Second, you choose to keep it all out of you.
Each face is different, but the same. The electricity into the eyes of a walker it just can be captured for one single moment. Then everything is gone.
Sometimes I feel myself possessed by some demons, and I absolve all the sadness I see. My chest gets tight and it seems like I will blow out if I don´t move around.
I wish I could move around like a dancer, like poetry, every moment I feel myself sad. But there I am, with the electricity of my eyes reflecting only sadness. Petrified, paralyzed, as a stone made of pain.



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2010-08-14T00:17:23.406-07:00

Preciso, Preciso tanto



Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus. Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço.





2. Andei pensando nesses extremos da paixão, quando te amo tanto e tão além do meu ego que - se você não me ama: eu enlouqueço, eu me suicido com heroína ou eu mato o presidente. Me veio um fundo desprezo pela minha/nossa dor mediana, pela minha/nossa rejeição amorosa desempenhando papéis tipo sou-forte-seguro-essa-sou-mais-eu. Que imensa miséria o grande amor - depois do não, depois do fim - reduzir-se a duas ou três frases frias ou sarcásticas. Num bar qualquer, numa esquina da vida. Ai que dor: que dor sentida e portuguesa de Fernando Pessoa - muito mais sábio -, que nunca caiu nessas ciladas. Pois como já dizia Drummond, "o amor car(o,a,) colega esse não consola nunca de núncaras". E apesar de tudo eu penso sim, eu digo sim, eu quero Sins.
3. Deus, põe teu olho amoroso sobre todos os que já tiveram um amor sem nojo nem medo, e de alguma forma insana esperam a volta dele: que os telefones toquem, que as cartas finalmente cheguem … Sobre todos aqueles que ainda continuam tentando, Deus, derrama teu Sol mais luminoso.”
4. " Alto de noite, certa loucura, algum álcool e muita solidão.Quero mais um uísque, outra carreira"
5. Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica, psicanálise, drogas, acumpultura, suicídio, ioga, dança, natação, cooper, astrologia, patins, marxismo, candombé, boate gay, ecologia, sobrou só esse nó no peito e agora faço o que?
5. Será que, à medida que você vai vivendo, andando, viajando, vai ficando cada vez mais estrangeiro? Deve haver um porto.
Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis.
Meu coração tá ferido de amar errado.
Acho espantoso viver, acumular memórias, afetos.
É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado.
CAIO F. ABREU



Parte IV – Toda beleza deve morrer.

2010-05-17T11:28:05.282-07:00

(image)
O vento frio provavelmente me trazia algum desconforto, por mais que minha expressão fosse de absoluta serenidade.Eu não conseguia entender ao certo o que tinha acontecido. Só me recordo do som de um tiro, disparado em minha direção, o som das sirenes, um som uníssono, vibrante, mas que não me incomodava, pois não conseguia sentir meu corpo.Estava em um ambiente vago, incompleto, dominado por árvores que exalavam um odor cinza, leve, de certa forma, um tanto quanto sombrio; até que ela aparece em minha direção, me beija os lábios. A sua presença viva, isso dava àquele ambiente qualquer ritmo de feitiçaria; Ela, seus lábios vermelhos, carnudos. Ela era o todo, o todo traduzido na natureza e seus mistérios. Com ela, as músicas altas das folhas, que cantam sem cessar, tinham escondido toda a lamúria da terra. Ela era bela, a plena encarnação de todos os meus desejos, era minha amante, o amor da minha vida.Agora eu finalmente tinha me deixado tomar por suas “estranhas liturgias”, agora estava a compactuar com seus medos, que antes não decifrava, mas que agora aceito, como um cão faminto aceita um osso descarnado, estas migalhas que ela joga entre beijos, e palavras que ouço, por mais distantes que elas pareçam estar. Agora não estou mais desesperada, tentando encontrar um sentido, um código, uma senha qualquer que me permita encontrar um atalho onde ela não desvie tão súbito os olhos, onde seu dedo não roce tão passageiro no meu braço, onde se detenha mais demorada sobre isso que sou, e pense, que se a aceito, é por que a amo.



Parte III – A outra

2010-08-13T22:25:37.563-07:00

Às vezes nós reconhecemos em nós mesmos uma grande árvore. Clarice reconhecia nesta grande árvore uma série de ramificações. Por um lado, alguns galhos eram seus delírios, sua vontade inquebrantável de libertação da redoma de vidro na qual se lançara. Mais galhos, sua relação com Susana, irrecuperavelmente desgastada e egoísta. Talvez em um destes galhos eu estivesse presente.Até que ponto seria eu, apenas eu, uma dissonância latente do ambiente que a aprisionava? Até que ponto seria eu uma árvore-mãe, pronta para sustentá-la em meus enormes "galhos - braços", dando-lhe amor e alento?Resolvo ir até sua casa- uma casa mal cuidada tem uma aparência infeliz. Era como se tudo naquela casa sofresse de uma paralisia progressiva - eu precisava de uma resposta, de um não definitivo, precisava olhar em seus olhos e ter a certeza de que ela não me amava mais.A empregada atende o interfone. Clarice não está em casa, saiu. Foi a um bar com algumas amigas, e com a Susana. Como um cão faminto e abandonado, saio a sua procura, rastreando seus passos, ainda sentindo seu cheiro, aquele, bem na curva onde o pescoço se transforma em ombro, o lugar onde o cheiro de uma pessoa nunca é igual ao outro.Ando alguns metros e observo distante, Clarice e as amigas.Um caos negativo atravessa as relações humanas. Esses eram os momentos mais difíceis para mim, como se sentisse as vísceras se revolvendo inescrupulosamente dentro de um corpo vazio. São nesses momentos que a minha angústia atingia um ponto máximo.É uma experiência estranha essa de amar alguém com quem não se possa viver.Será que essas pessoas não vêem que o jogo da vida se apresenta sobre múltiplas e variadas formas?Elas falam em dinheiro, sonhos, poder. Eu vejo o vazio, a pobreza, a ausência de perdão.Estar nesse ambiente é como estar numa prisão. Não só visceral como espiritual. Estar nesse ambiente é estar em um barco de luxo afundando durante um baile de máscaras.Eu estou em um arquipélago, no meio do oceano.Ela estava rodeada de palhaços brancos. Todos eles insensíveis, perigosos, oscilando entre a morte e uma sexualidade destruída.Ela, apenas ela, uma forte luminosidade, uma nitidez ininterrupta.Em mim, os demônios, vivendo uma vida de amaldiçoados, num sofrimento insuportável, eternamente interligados. Mordem-se uns aos outros, cada qual se alimentando da alma dos restantes. No jantar, esses mesmos demônios têm um aspecto formal. Eles conversam, o riso amargo ganhando uma variedade de formas. São estranhos dentro da sua própria condição de miseráveis.Espero até que as duas saiam do bar. Ladrando seus passos, as sigo até sua casa. Recordo-me de uma frase que li quando ainda era criança em um livro empoeirado que ficava na estante do meu avô: A dor e a incerteza da mulher são como um imã que a atrai para a confusão.Viver com ela seria deslocar-me a uma velocidade incrível. Em segundos atingiria sua boca, seus lençóis, seu peito. Logo percebo que no fundo vivo permanentemente em meu sonho e faço visitas à realidade.Com quem lamentar que sua vida a levasse a uma estrada cada vez mais estreita?Susana? Suzana a aprisionava no tempo, a confinava dentro da sua teia de egoísmo, sempre com exigências, cobranças.Eu estava lá, presente, esperando apenas por um sinal, um aceno, uma migalha da sua atenção. Estava lá, esperando por ajudá-la, eu, apenas eu, a amaria até que a eternidade nos separasse.Ela era livre, e poderia adejar, quando bem entendesse, para dentro e para fora da prisão dela, por mais que acreditasse que seu único porto seguro era a sua própria doença. O medo.Susana, sempre ela, a epígrafe do seu sofrimento. Não bastava ter perdido os pais, estava atrelado a um relacionamento que sugava s[...]



Parte II – A separação

2009-11-18T18:07:14.476-08:00

(image)
Clarice não atendia mais minhas ligações. Eu estava amargurada, preocupada, queria ter notícias dela a qualquer custo. Até que um dia o telefone toca.
Alô?
Oi, sou eu, a Clarice.
Oi, eu liguei p. você todos estes dias, mas você não retornou minhas ligações.
Eu preciso conversar contigo, podemos nos ver no final da tarde?
Sim, claro. Podemos marcar no parque?
Pode ser, estarei lá às 18h00min, te esperando.
Encontramos-nos no parque no horário combinado. Quando eu cheguei, ela já estava lá, me esperando. Olhos lacrimejando, parecia que tinha algo sério p. falar comigo. Disse que tinha resolvido marcar nosso encontro no parque por que lá ela se recordava dos pais, mortos em um acidente de carro quando ela ainda era criança.
Quando ela resolve falar sobre seus pais, percebo que com eles mantinha uma guerra aberta. Com eles não podia falar, estavam mortos. Os cadáveres habitavam no seu guarda-roupa.
Percebo que seu pai era ela, inteiramente ela. Ela, com 25 anos, privada de relações humanas, introvertida, e não apenas relativamente, mas bastante fracassada. Sinto seu pai tomando-a pela mão, levando-a para a água. Na água bate sol. Do outro lado sua mãe acenava, mas não podia confortá-la.
Aquela também era uma morte lenta para Clarice. Era uma despedida.
A nossa despedida.
Eu sou casada, Ana. Eu te amo, mas não podemos ficar juntas. Estou presa a este relacionamento. Não saberia como te explicar isso, mas é o fim. Infelizmente tenho que te dizer , e acho melhor mesmo te falar de uma vez por todas, assim o sofrimento é menor.
Todo o mistério havia se perdido. Todos têm seus ângulos secretos. Toda relação, mesmo harmoniosa, contém sementes de farsa e tragédia. Tudo são armadilhas.
Havíamos chegado ao auge do relacionamento, agora, ele fatalmente começaria a desmoronar.
Dizer que sangrei por dentro soa a muito sangue, mas não encontro melhor termo para definir o que senti. Minhas lembranças estão em contato íntimo com minhas entranhas, meu coração, meu cérebro, meus nervos, no órgão genital, em meus intestinos.
Não havia nada mais na minha cabeça nem na minha vida além do espaço em branco deixado pela sua ausência.
Deixei-me sem fazer absolutamente nada além de respirar.
De todas as minhas lembranças, só guardei três gostos na boca - de vodca, de lágrima, e de café.
Ela era minha predadora das trevas, sabia que um dia ele causaria a minha morte









Parte I – O encontro

2009-11-18T18:10:41.329-08:00

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São mais ou menos onze da noite. As sirenes são o único som audível na madrugada.
Houve um assassinato em uma velha mansão. Provavelmente lerão a respeito nos jornais, ou ouvirão na televisão, pois envolve um membro de fina malha aristocrática. Mas antes de ouvirem um relato distorcido e exagerado, talvez queiram ouvir os fatos. Se esse é o caso, vieram falar com a pessoa certa. O corpo de uma jovem foi encontrado no interior de uma mansão, com dois tiros nas costas e um no estômago. Ninguém especial. Só uma florista com ambições frustradas de ser fotógrafa.

A eternidade para mim começou em um dia de primavera.
Clarice, uma obra de arte, pintada por algum artista esquecido, que tentou usar linhas precisas para ter a exata definição de sua face e do seu corpo.
Sua pele me faz chorar, doce e capaz de exalar um perfume natural, como se fosse feita de rosas.
Santa e demônio. Uma mistura quase desconcertante de maturidade sexual e uma alegria infantil, ingênua.

A primeira vez que nos vimos foi em uma floricultura. Na ocasião ela foi comprar um buquê de rosas. Perguntei para quem eram as rosas, ela disse que era segredo, e que talvez um dia me contasse.
No outro dia, quando estava abrindo a floricultura, ela reaparece, e continuamos a conversa que tínhamos iniciado um dia antes. Peço que ela retorne no final do expediente. Convido-a pra andar na praia.

Eu nunca tinha visto uma garota tão linda como a Clarice.

Tinha olhos que fitavam o universo. Mas olhava para dentro como se estivesse a ocultar um tesouro oculto.
Por mais que tivesse um sólido físico, existia nela algo de não substancial, como se pudéssemos passar as mãos por entre seu corpo, quebrando-a em uma infinidade de corpúsculos menores.

Na praia observo o vento batendo em seu rosto. Ela me olha de uma maneira desconcertante, tímida, desviando o olhar. Quase sempre, seu olho bate em mim e logo se desvia, e vejo seu rosto mais nu que sempre, à beira mar, com este vento a bater e a esvoaçar cabelos e pensamentos. Mas mesmo quando seu olho se afasta do meu, continuo olhando, detalhadamente. Talvez ela não saiba, mas já conheço cada milímetro da sua pele.

Perambulamos pelas ruas. Tomamos um vinho.

Altas de corpos e copos.
Perdidas, perdemo-nos, perdi-me. Bebemos um pouco, não muito, só o suficiente para acender a emoção cansada, pensamentos altos de noite, algum álcool, e muita solidão.

Caminhamos em direção ao gozo.

Eu estou irrecuperavelmente unido a ela;
Sinto sua pele aderida a minha. Seu cheiro selvagem, tudo isso me faz ter explosões internas, tudo isso me faz ter tremores, suores; uma grande dor perfura o meu corpo abandonado, almejando por seu corpo. Nosso corpo, uma sinfonia de cores, uma vida que pulsa.
Eu amo seu corpo, amo mais seu corpo do que sua alma. A alma é imortal, o corpo é perecível. Preciso refugiar-me nos esconderijos do seu corpo, preciso mergulhar no abismo transcendente das "linhas quentes" deste corpo.



Crack-Anne

2009-11-18T18:14:06.758-08:00

Ela morava em um quarto onde não cabia um homem adulto deitado no chão. Tinha TV a cabo, forno de microondas, geladeira, fogão, e uma filha, a Anne. Se você quisesse encontrá-la bastava ir até a Av. Atlântica, que com certeza ela estaria lá. Bem, ela não era capaz de ficar com uma pessoa só, por isso freqüentava assiduamente a Av. Atlântica. O horário em que você poderia encontrá-la, por volta das 00h00min horas. Provavelmente ela estaria rodeada de amigas, e de homens interessados em algum tipo de diversão.1,2,3, dezenas de ligações. Os clientes pagavam o táxi até algum hotel de luxo, e lá tinham uma noite de prazer inesquecível.A Júlia era realmente linda. A Júlia é destas garotas que sempre tiveram consciência de que era pobre. E a vida tinha lhe oferecido apenas duas opções: Ou sofreria como um cão abandonado, ou sairia por aí se divertindo dentro do possível e comendo pessoas. Nada de canibalismo aqui: estou falando de sexo. Sentir algo que não seja dor. É como se a sua frente ela conseguisse ver uma cidade inteira com as pernas abertas. E o fato de às vezes não ter um puto no bolso não fazia diferença, ela sempre dava um jeito de arrumar dinheiro.Give me a Love that won´t give me troubles.Certo dia ela resolveu fazer uma lista das coisas que ela jamais deveria fazer: 1. Jamais voltar para Curitiba. Voltar para aquela cidade poderia lhe trazer um sofrimento interminável. Iria se lembrar que poderia andar de mãos dadas com a Anne, iria querer acordar abraçada à sua filha, sentir o cheiro dela. Iria se lembrar que amor dói que amor sempre vai doer. Que amor mata!Acordou e foi tomar café. Não, café é jeito de falar. Na verdade era leite em pó com Nescau. Ela não tomava leite, tinha nojo. E então se lembrou da Anne, se lembrou que a Anne reclamava quando ela sacudia a pipoca, e o queijo ia para o fundo, e que Anne sempre ria quando ela usava tomara que caia, dizia ser a peça mais engraçada do seu guarda roupa.A Júlia chorou. Chorou muito.It kills her. Just because it can´t be erased.Quando ela andava pelo Rio, uma maravilhosa poluição visual. Pedras e favelas, e pessoas brotando de todos os lados. Pessoas feias, e lindas. Parte da paisagem.A Júlia era como o Rio de Janeiro. Uma mulata gostosa que fode tão bem a ponto de deixar os homens todos loucos, e eles largarem suas mulheres e filhos, e empregos, e passarem a vida tomando caipirinha e indo a praia todas as manhãs.“A land Love you give me I can´t take you.Anne, you fill me up so much when you touch me.But I can´t stay here, I have to go to my space.People talk to me.Try to play me a tune.Sell me cocaine.But I can´t take you, I have to go to my space.”Era uma festa estranha, com pessoas que ela desconhecia. Então lhe ofereceram cocaína. Depois de duas semanas Júlia estava apaixonada por crack, irremediável e irresistivelmente. Flertaram loucamente. Seu sensor de auto-sabotagem apitou, e ela não se importou, estragou tudo. Que bela trepada, o mundo girando, as ondas batendo na beira da praia.Dezessete anos, seu primeiro amor, aquele que sempre dói muito, e que a fez chorar e emagrecer dez quilos, e perder a dignidade, e ficar magrinha e doente, e sofrendo debaixo da mesa do seu quarto.Enquanto tocava Cazuza no rádio de um bar decadente, Júlia trepava loucamente, ela e seu mais novo amante, o crack; viciante, demoníaca, a flor da montanha, que tinha gosto de metanol, com borracha queimada, e asfalto e óleo. O aviso NÃO USE TUDO, veio mais tarde, gritado em uníssono por Anne, que suplicava a mãe que não saísse até ao central park a procura do seu amante. E ela no banco da praça, chorando, e escondendo a cara no c[...]



“Dear diary, this is another day in my life. Once upon a time there was a pretty girl who lived in a box, and everybody loved her”

2009-11-14T06:08:29.657-08:00

Conheci uma garota, ou melhor, uma mulherzinha, destas que usam maquiagem, salto agulha, piercing no umbigo e esmalte com glitter, mas uma mulherzinha com “bolas”, destas que usam anfetamina para emagrecer. Cloridrato de Anfepramona, vulgo inibex, uma dádiva na vida de pessoas que não gostam de dormir ou neurótico depressivas sem dinheiro para comer. Todas as alternativas estão corretas.Suspiro, Love is Suicide.Há um mês eu tinha amigos fofos e que gostam do Franz Ferdinand, agora estou no cú do mundo, uma cidade suja, com pessoas desinteressantes e que servem “vódega”, e uma cerveja barata, mas gelada. Aqui nos embriagamos fácil. Jogamos bilhar, falamos sobre futebol, nos reunimos nos finais de semana para se jogar da “garganta do diabo”, o lugar mais alto que já vi, no topo do mundo.Sou uma mulher de extremos, não sei ficar no meio termo, só sei andar em linha reta se for em cima de um muro de três metros. Tentar explicar? Não adiantaria, ninguém entenderia, nem eu.Constantemente tenho ataques de “quero ir pra casa”, mas não adiantaria, são inúteis, e o que dá pra fazer é encher a cara e voltar pra casa como um cão cambaleando, ouvir meu Radiohead, e abraçar meu gato, meu Christian, o amor da minha vida, meu companheiro inseparável. Em momentos de depressão intensa, quando penso em me jogar do quadragésimo andar e virar uma panqueca gosmenta no meio do asfalto, coloco Cohen no volume mais alto (posso estar fodida e sem dinheiro, mas rock é de graça. Então, para os fodidos, rock e miojo. Mas miojo light, porque não quero virar uma pêra. Já basta ser pobre, se também inventar de ser gorda vai ser foda.) e abraço meu Christian desesperadamente. Sinto os arranhões de carinho que ele faz pelo meu corpo, dormimos abraçadinhos como dois namorados apaixonados, e sinto que aquele velho bordão; “nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres” é a coisa mais valiosa que já ouvi.J.G, 21 anos, largou a faculdade, gosta de rock, gatos, “vódega”, e está apaixonada pela mulherzinha mais linda do planeta, por enquanto é tudo o que vocês precisam saber.Eu estava nesta festa, e esta festa estava cheia de gente estrategicamente descabelada e suando a “cheetos”. Argh! E eu estava lá no cantinho, com minha “vódega”, acho que já era o terceiro copo. Já tinha me esquecido o quanto o amor dói, amor vai sempre doer. Às vezes tenho ciúmes do Ian Curtis, ele sofria melhor do que eu.Vocês já viram Spirit? O personagem da morte é uma mulher lindíssima, que aparece em câmera lenta, numa imagem embaçada. Sinceramente, com uma mulher daquelas eu chamaria o capeta pra tomar “sexo na areia”, ou jurubeba com coca, e ainda lhe daria beijinhos na boca.Meus olhos já estavam meio tortos por conta da “vódega”, mas de repente vejo aquela dádiva surgindo em minha frente. Ela vestia um vestido preto tomara que caia, e claro, estava com seu salto agulha e seu esmalte glitter, além de lindamente descabelada e bebendo cerveja.Ah, vá lá J.G, ela está bêbada, não vai ser tão difícil assim.A mulherzinha mais linda do planeta parecia ter saído de um filme dos anos 50, uma diva, a garota mais charmosa que eu já vi. Linda, linda, linda!Vamos lá, bole uma estratégia. Suspirava a Sarah. Já falei pra vocês sobre a Sarah? A Sarah é a vadia mais sarcástica que eu já vi, ela e a Maricléia moram dentro de mim. A Sarah sempre me incentiva a bolar estratégias nestes momentos em que o coração parece ganhar vida própria e você só consegue balbuciar grunhidos estranhos, “oi, e aí? “Tudo bem”? “Como você se chama?”Affff, diz a Sarah, voc[...]



Esta noite estou feia. Perdi toda a fé na minha capacidade de atração. E no animal fêmea esta é uma moléstia bem patética.

2009-11-14T06:28:49.665-08:00

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1. Se eu não pensasse seria muito mais feliz; se não tivesse órgãos sexuais não vacilaria à beira de um ataque de nervos e lágrimas o tempo todo.


2. Há tanta dor neste jogo de procurar um parceiro, de testar, tentar. E a gente se dá conta subitamente de ter esquecido que era só um jogo, e vai embora chorando.


3. Sim, fiquei enlevada com você, ainda estou. Ninguém jamais despertou tamanha intensidade de sensação física em mim. Afastei-a, pois não suportaria ser um capricho passageiro. Antes de entregar meu corpo, preciso entregar meus pensamentos, minha mente, meus sonhos. E você não queria saber de nada disso.



4. Quero tomar consciência de tudo que considerava favas contadas. Quando a gente sente que “aquilo” pode ser um adeus, a pancada é mais intensa. Preciso ter algo. Quero parar tudo, a monumental farsa grotesca inteira, antes que seja tarde demais. Mas escrever não parece facilitar muito as coisas. Os grandes homens são todos surdos. Quando se pega a mãe, símbolo infantil de segurança e correção, chorando desolada na cozinha, quando se olha para o irmão mais novo, alto, de olhos sonhadores, e pensa que todo seu potencial será podado quando ele chegar aos 20 anos, antes mesmo que ele tenha uma chance, isso bate fundo na gente.



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2009-11-14T06:35:43.715-08:00

Agora sei o que é solidão, acho. Momentânea solidão, pelo menos. Vem do fundo vago do ser, como uma doença no sangue espalhada pelo corpo, de modo que não se pode localizar a origem, o ponto de contágio.Estou de volta ao meu quarto. Saudade é o nome dado ao sentimento aflitivo que me domina agora. Sozinha no quarto, entre dois mundos. Lá embaixo se encontra alguns transeuntes, ninguém que eu realmente conheça. Poderia descer com meia dúzia de um texto previamente decorado, tentar fazer alguns amigos. Mas não, ainda não. Nada de escapar de mim mergulhando em conversas artificiais. Melhor ficar aqui e penetrar mais fundo nesta solidão.Eis-me aqui, portanto, em meu quarto. Não dá para me enganar e escapar a constatação brutal de que não importa quanto você se considera entusiasmada, não importa a certeza de que caráter é destino, nada é real, passado ou futuro, quando a gente fica sozinha no quarto com o relógio tiquetaqueando alto no falso brilho ilusório da luz elétrica. E se você não tem passado ou futuro, que no final das contas são os elementos que formam o presente todo, então é bem capaz de descartar a casca vazia do presente e cometer suicídio. Mas a massa fria entranhada no meu crânio raciocina e papagaia; “Penso, logo existo”, sussurrando que sempre chega o momento da virada, da ascensão, do galgar de um novo degrau. Por isso, aguardo. Para que serve a boa aparência? Garantir segurança temporária? De que adianta o cérebro? Para dizer apenas eu vi e compreendi? Ah, claro, eu me odeio pela incapacidade de descer até a rua e buscar consolo na companhia de estranhos. Eu me odeio por ter que ficar aqui sentada e ser castigada por não sei o que dentro de mim. Aqui estou um monte de recordações do passado e sonhos futuros reunidos num monte de carne razoavelmente atraente. Lembro-me do que esta carne já passou; sonho com o que passará. Registro aqui a ação dos nervos ópticos, da percepção sensorial. E penso: Sou apenas uma gota a mais no imenso mar de matéria definida, com a capacidade de perceber minha existência. Entre os milhões, ao nascer eu também era tudo, potencialmente. Eu também fui cerceada, bloqueada, deformada por meu ambiente, pela manifestação da hereditariedade. Eu também arranjarei um conjunto de crenças, de padrões pelos quais viverei, e, no entanto a própria satisfação de encontrá-los será manchada pelo fato de que terei atingido o ápice em matéria de vida superficial. Esta solidão diminuirá e desvanecerá, sem dúvida, quando amanhã eu mergulhar novamente nos cursos, na necessidade de estudar. Mas agora este falso objetivo foi suspenso e giro num vácuo temporário. Não há outro ser vivo na terra neste momento além de mim.Meu deus, a vida é solidão, apesar de todos os opiáceos, apesar do falso brilho das festas alegres sem propósito algum, apesar dos falsos semblantes sorridentes que todos ostentamos. E quando você finalmente encontra uma pessoa com quem sente poder abrir a alma, para chocada com as palavras pronunciadas – são tão ásperas, tão feias, tão desprovidas de significado e tão débeis, por terem ficado presas no pequeno quarto escuro dentro da gente por tanto tempo. Sim, há alegria, realização e companheirismo, mas a solidão da alma, em sua autoconsciência medonha, é horrível e predominante. [...]



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2009-09-05T19:41:51.835-07:00

I want to burn, even if I break myself. I live only for ecstasy. Nothing else effects me. Small doses, moderate loves- all these leave me cold. I like extravagance, heat... sexuality which bursts the thermometer! I am neurotic, perverted, destructive, fiery, dangerous- lava, inflammable, unrestrained. I feel like a jungle animal who is escaping captivity." - Anais Nin



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2009-07-12T04:30:06.449-07:00

Dykes are the new fags.



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2009-12-12T23:22:21.815-08:00

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C. Do you remember “the shit” that happened to you as a child that makes you not want to trust people as an adult?
G.As long as I am concerned memories evanesce when we grow up. I have this blurry memory of my childhood

G. I think that both of us we sort of developed a different way to deal with our social-fucking life.
C. Yeah, I live by the code “I don´t do relationships”, but you….
G. I live by the code, “I idealize relationships”.
C. Why are you still looking for these stripper clubs?
G. Because when I am in there it’s my fucking choice. When I take off my top and I want to show my breasts, it’s my fucking choice. when I take off my pants and I show my pussy and then I stop when I want to stop and it makes me feel good because I am in charge. And it helps me remember all this childhood shit that happened to me. You know? And I have to.
C. You´re facing your demons head on and it´s something I have never done.
G. No, you just make it some other way.
C. You´re not alone, You have a family.
G. You are my family.
C. I admire you so much…, look at you…., look at your life. When you first came here you were just a “middle west girl” who knew nothing and now you are the great scriptwriter…, you changed your life through your writing…, your stories…, I just…. I just... I never found someone like you…, you´re my best friend…., I was always the one to give you support…and now…, that I feel that I ...., I just don´t know what to do. I feel lost.
G. I just have to face my demons by my own.



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2009-11-14T13:08:43.403-08:00

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J- You have seen the worst of me.
S- Yes.
J- And I nothing of you.
S- No.
S- But I like you.
S- I like you.
J- You´re my lost hope.
S- You don´t need a friend. You need a doctor.
S- You are so wrong.
S- But you have friends. You have a lot of friends. What do you offer your friends to make them so supportive? We have a professional relationship. I think we have a good relationship. But it’s professional. I feel your pain. But I can´t hold your life in my hands. You´ll be alright, You´re strong, I know you will be okay because I like you and you can´t like someone who doesn´t like themselves. The people I fear for are the ones I don´t like. Because they hate themselves so much they won´t let anyone else like them either. But I do like you. I will miss you. And I know you will be okay.





A verdade nem sempre dói, não é mesmo?

2009-11-14T13:00:40.037-08:00

Clara. Pronto, eis o nome dela. E o que posso dizer? Posso dizer que ela me procurou às nove da noite no sábado, que eu ainda sentia fraqueza após a extração dos dentes do siso naquela manhã. Posso dizer que saímos em dois casais para dançar no “Shebar”, que tomei cinco copos até o final da noite, de vodka pura, enquanto as outras bebiam cerveja. Mas não foi isso, nada disso. Foi assim que aconteceu. Vesti-me lentamente, alisando a roupa, passando perfume, cosméticos. Sei que me aprontei para uma noite de prazer sexual, tudo pensado nos mínimos detalhes. Eu não sairia com Clara de qualquer jeito, desejava aquela garota há dois anos. Existia todo um ritual, toda uma cerimônia composta de roupas, perfumes, massagens. Preparei-me um dia antes. Cabelo, unhas, esmalte preto, sei que ela gostava. Eu queria seduzi-la a qualquer custo.Entramos no bar e nos sentamos. Sabia que seria eu a ter que superar o constrangimento inicial. Começamos a conversar.... sobre o enterro ao qual ela foi pela manhã, sobre o primo de vinte anos que quebrou a espinha e está paralítico pelo resto da vida, sobre a irmã que morreu de aids. “Meu deus, estamos mórbidos esta noite”, ela disse. Aí falamos de amenidades, como as palavras perdiam o sentido quando as repetíamos sem parar, como todos os garotos da faculdade pareciam iguais até a gente conhecê-los pessoalmente, e que detestávamos a idade que tínhamos.Sempre me apavorei com aniversários, falei secamente. Não entendo, falei, como as pessoas conseguem ficar velhas. Secam por dentro. Quando somos jovens temos autoconfiança. Nem precisamos da religião.“Por acaso você é católica”? Clara perguntou, como se isso fosse muito improvável.“Não, e você?”“Eu sou ela disse baixinho”Conversamos mais, rimos mais, trocamos olhares oblíquos, seguimos com o roçar físico silencioso que torna tão deliciosa cada nova conquista. Pairava no ar o cheiro forte de feminilidade que criava o ambiente ideal para a minha existência. Havia algo em Clara naquela noite, um toque de seriedade, um magnetismo químico, que se encaixava em meu estado de espírito do jeito que duas peças se encaixam num quebra-cabeça infantil.Na pista de dança ela me puxou para mais perto, meus seios firmes apertados contra os seus. Foi como se um vinho quente fluísse através de mim, uma embriaguez elétrica. Ela encostou o rosto em meu cabelo, beijou minha face. “Não olhe para mim”, disse. Seu corpo quente firme contra o meu, conforme a música suave, erótica.A dança é o prelúdio normal para uma noite de sexo, pensei. Tantas aulas de dança, quando somos pequenas demais para entender, e agora isso.Clara olhou para mim, “acho melhor a gente sentar”. Fiz que não com a cabeça. “Não quer”? Ela disse. “E uma água, que tal”? Sentei-me e bebi a água que ela trouxe para mim, enquanto ela, de pé, olhava para baixo, era estranha sua fisionomia à meia-luz. Pus o copo de lado. “Foi rápido”, disse. “Deveria ter demorado mais”? Levantei-me e seu rosto se aproximou, os braços me envolveram. Passado um tempo, empurrei-a. “A chuva é tão gostosa. Faz a gente se sentir bem por dentro, básica, basta ouvir”. Eu estava encostada no balcão do bar. Clara, próxima, quente, olhos a brilhar, boca sensual e adorável. “Você”, falei deliberadamente, “não liga a mínima para mim, exceto fisicamente”. Qualquer uma negaria tal coisa, qualquer moça mentirosa. Mas Clara [...]



Preciso falar uma coisa bem baixinho: gosto de você, mas não muito. Não quero gostar muito de ninguém.

2009-06-03T12:58:42.934-07:00

Bem, jamais voltarei a vê-la, o que talvez seja melhor. Ela saiu da minha vida na noite passada, de uma vez por todas. Sei, com certeza repulsiva, que é o fim. Saímos juntas apenas duas vezes. Mesmo assim, gostei muito dela, gostei até demais. Tive que arrancá-la do meu coração para evitar que me magoasse ainda mais. Ah, ela é sedutora, atraente, a gente se perde naqueles olhos. Sua capacidade de atração sexual é irresistivelmente intensa. Eu queria conhecê-la, pensamentos, idéias por trás da máscara de confiança, beleza deboche. “Eu mudei”, ela me disse, “ você teria gostado de mim há três anos”. Ficamos sentadas na varanda durante horas, conversando, olhando para o vazio. Aí a atração cresceu, concentrou-se. Sua proximidade era elétrica em si. “Não vê que eu quero beijá-la?”, disse. E beijou-me avidamente, de olhos fechados, a mão quente a me queimar a barriga. “Eu queria odiar você”, falei. “Por que veio”? Eu desejava sua companhia. W. e C. queriam beber, eu também não estava afim disso.
Passava das onze; fui até a porta com ela e saí na noite fria de julho. “Venha cá”, ela me disse, “ preciso falar uma coisa bem baixinho: gosto de você, mas não muito. Não quero gostar muito de ninguém”. Aí levei um choque e revidei: “Eu gosto muito das pessoas, ou as detesto. Tenho de ir até o fundo, mergulhar nas pessoas, conhecê-las de verdade”. Ela foi clara: “Ninguém me conhece”. Aí acabou, ponto final. “Até nunca mais, então”, falei. Ela olhou para mim com dureza, com um sorriso no canto de boca. “Você tem sorte garota. Nem sabe a sorte que tem”. Eu chorava baixinho, sentia o rosto contraído. “Chega”! As palavras saíram como golpes de faca, depois suaves. “Viva a vida pra valer”, falei. E ela foi embora andando pelo caminho com seu jeito despreocupado, elegante. E eu fiquei ali onde me deixara, trêmula de amor e desejo, soluçando no escuro. Naquela noite foi duro dormir.



As coisas negras não ditas ocupam o coração deste texto.

2009-06-02T19:52:59.419-07:00

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Amo as pessoas. Todas elas. Amo-as. Creio como um colecionador de selos ama sua coleção. Cada história. Cada incidente. Cada fragmento de conversa. Meu amor é impessoal. É inteiramente subjetivo. Gostaria de ser qualquer um. Moribundo. Aleijado. Puta. E depois retornar para escrever sobre meus pensamentos, minhas emoções enquanto fui àquela pessoa. Mas não sou onisciente. Tenho de viver a minha própria vida. Ela é a única que terei. O presente é para sempre. O eterno está sempre mudando, fluindo, se dissolvendo. Este segundo é vida, e quando passa, morre. Mas você não pode recomeçar a cada novo segundo. Tem de julgar a partir do que já está morto. Como areia movediça, invencível desde o início. Uma história, uma imagem, pode reviver algo da sensação, mas não o bastante, não o bastante. Nada é real, exceto o presente, e mesmo assim já sinto o peso dos séculos a me esmagar. Uma moça, há cem anos, viveu como vivo. E ela está morta. Sou o presente, mas sei que também passarei. O momento culminante, o relâmpago fulgurante, chega e some. E eu não quero morrer.