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Pasquim do Nélio



Opiniões tendenciosas, criticas perniciosas e cenas esquisitas de todo o tipo, conforme me dá na telha...



Updated: 2016-09-20T11:22:37.224+01:00

 



The Illusionary Movements Of Geraldine And Nazu

2013-03-11T18:43:39.123+00:00

today was a completely ordinary day... then this happened. I'm breathless...

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Hum, será mesmo melhor agora?

2012-11-21T22:31:05.476+00:00

(image)
Diz que agora é melhor. Venha estudar matemática na UM,
as propinas não são caras e a vaselina é por nossa conta.
Quando a opção se coloca entre espetar um prego enferrujado de 10 polegadas no olho esquerdo com uma grande marreta enquanto se masca lâminas de barbear e bocados de limão amargo e pula-se num tapete de vidros partidos e carvão em brasa... e ir para a universidade do minho estudar matemática, uma pessoa tende a ficar indecisa.

É bom saber que quando se tem estes dilemas, os bons professores do departamento de matemática da universidade do minho tem um bom conselho a dar.



Acentos e outras parvoíces

2012-10-25T00:24:16.653+01:00

O Luís escrevia o seu nome com um VEscrevo os meus textos no momento em que me ocorrem algumas ideias que decido partilhar com o mundo. Ás vezes pairam sobre a minha cabeça ás duas e tal da manhã, outras vezes de manhãzinha quando estou a tomar duche, outras vezes quando estou sentado na casa de banho. Não é específico de uma hora, local ou altura. Passo meses sem escrever nada e depois de repente apetece-me partilhar os meus 2 cêntimos com o mundo.Tento escrever os meus textos com o máximo de correcção e respeito pela lingua indígena da pátria que me pariu, mas... o estimado leitor volta e meia há de fazer o favor de ignorar um ou outro lapso, erro ou asneira genérica. Tenho que escrever estes posts com rapidez suficiente para que formem uma espécie de raciocínio linear, cujo fim não destoe muito do princípio e que estejam prontos num pequeno espaço de tempo - porque como diria o grande artista Hérman José, "eu é mais bolos", ou no meu caso específico: "eu é mais computadores". Depois se paro e vou fazer qualquer outra coisa - chapéu! Lá se foi o timming.Na escola, sempre tive excelentes notas em inglês, mesmo sem nunca ter aprendido grande coisa acerca dos formalismos específicos da língua. Se me soava bem eu punha lá, se não soava é porque devia estar errado. Então, a resposta para qualquer exercício num teste de inglês era alcançada pelo mesmo método que tantas vezes aplico na minha vida e na minha profissão: tentativa e erro aliados a alguma dose de fé. Já no português nunca fui grande espingarda, parte porque do fundo do meu âmago eu abominava as obras chatas de gajos como o Almeida Garrett, parte porque nunca concordei muito com as interpretações que faziam á obra de Camões, parte porque acho que a escrita é uma fabulosa invenção humana que serviu mais que tudo para amplificar os limites da criatividade e da imaginação, não para metê-la num espartilho de regras inúteis, e sem qualquer nexo com a realidade.Diria o leitor que me conhece e até é meio nerd: "Mas Nélio, como é tu podes dizer isso quando o próprio objecto do teu trabalho reside na escrita de frases numa linguagem técnica, cujo sucesso depende tanto de executarem o processo de forma previsível tanto quanto terem que estar sintaticamente correctas?"Pois, linguagens de programação não servem propriamente para livros sobre amor, ódio, ciúme, filosofia ou futebol. Servem para resolver problemas práticos com processos exactos - línguas servem para partilhar pensamentos, sons, ideias, e tanto na minha imaginação como nos meus diálogos, o "a" que está dizer a alguém que "vá á fava" e o "a" que está em "há anos que digo isto" soa exactamente da mesma forma.O guardião da língua portuguesa ao ler isto reagirá da mesma forma que um adepto do porto ás escutas do Pinto da Costa: gritará "Heresia!", "Ultrage!",  desligará imediatamente o seu computador e correrá para o conforto do seu volume das Viagens na minha terra, onde encontrará serenidade espiritual e claro - nunca mais voltará cá ao pasquim. Outros dirão que é por causa do meu sotaque madeirense, da minha influência brasileira ou simplesmente na minha incapacidade em aprender a língua de Saramago de forma correcta. Esse senhor - ilustre comuna que foi viver para as Canárias e de quando em vez mandava as suas postas de pescada por forma a que o povo comprasse os seus livros e jornalistas tivessem sobre o que escrever - não usava pontos, escrevia parágrafos de folhas inteiras que eram a maneira que ele tinha de partilhar os seus pensamentos com o mundo. Nunca ninguém o elogiou pela fantástica correcção sintática dos seus textos, ou recebeu um Nobel por aplicar com mestria o acordo ortográfico nos seus textos.Não me querendo comparar a Saramago de qualquer forma ou feitio, longe disso, apenas digo que a língua é um veículo para as minhas ideias, e um veículo para humanos, não para computadores que necessitam que as coisas sejam[...]



O maior escândalo financeiro da história de Portugal!

2012-10-24T22:55:37.482+01:00

Já ando há uns anos a dizer isto, mas o João Marcelino, director do Diário de Notícias e jornalista de mérito indiscutível (espécime raro no panorama jornalístico Português) expõe os factos de forma directa, concisa e fundamentada:


"O BPN é o maior escândalo financeiro da história de Portugal. Nunca antes houve um roubo desta dimensão, "tapado" por uma nacionalização que já custou 2400 milhões de euros delapidados algures entre gestores de fortunas privadas em Gibraltar, empresas do Brasil, offshores de Porto Rico, um oportuno banco de Cabo Verde e a voracidade de uma parte da classe política portuguesa que se aproveitou desta vergonha criada por figuras importantes daquilo que foi o cavaquismo na sua fase executiva.
É confrangedor olhar para este "negócio" que agora, a mando do entendimento com os credores internacionais, o Governo fecha com o BIC angolano de Isabel dos Santos e Américo Amorim e dirigido no terreno por Mira Amaral, antigo ministro de Cavaco Silva.
Os números dizem tudo: o Estado português queria inicialmente 180 milhões de euros e o BIC acaba por pagar 40 milhões (menos que a cláusula de rescisão de qualquer futebolista razoável) por uma estrutura financeira que nos últimos dias teve de ser capitalizada em mais 550 milhões para que alguém ousasse fazer o favor de aliviar o Ministério das Finanças deste pesadelo. Para além disso, o Governo pagará as despesas do despedimento de um pouco mais de metade dos actuais 1580 trabalhadores, o que permitirá aos novos donos reduzirem em 30% os actuais 213 balcões do BPN."

Leia o artigo todo no site do Diário de Notícias



A mala de cartão, outra e outra vez

2012-10-24T23:10:45.972+01:00

Enfermeiro despede-se de Cavaco Silva antes de emigrar e implora para não criar “imposto” às lágrimas e saudadeEstranhamente familiar...Falar que Portugal exporta talentos é se calhar um bocado exagerado. Quem exporta talentos é o Benfica e o Sporting que despacham jogadores da bola para o estrangeiro por valores faraónicos... esses sim são valiosos para a nossa terra. Engenheiros, enfermeiros, profissionais talentosos, gente trabalhadora e qualificada não é exportada, é dada - não valem nada, ou pior, são insistentemente mandados embora pelos nossos governantes, e em discursos directos, porque não têm lugar para eles - "vão se embora, emigrem, Portugal precisa que não estejam cá" ou seja: Portugal não nos reconhece nenhum valor. Não é preciso grande capacidade intelectual para saber que isto é de uma tremenda miopia, está-se a drenar o talento, a ambição, a juventude, e a manter os que de outra forma não o podem fazer, ou porque já deixaram de acreditar numa vida melhor e aceitaram a condição em que lhes colocaram, ou que estão demasiado fracos ou velhos para embarcar numa aventura no estrangeiro. Também há aqueles que ainda acreditam que a tormenta vai passar em breve e que o emprego garantido que têm neste momento vai ser a sua tábua de salvação até que a tempestade passe - a todos eles desejo a maior sorte do mundo.Os políticos no governo vêm se livres de um tipo de pessoas que tipicamente é problemático, que pensa pela sua própria cabeça, informa-se e depois não vota neles: gente que que opina, que influencia a opinião dos seus familiares e amigos menos atentos. Ganham por outro lado uma opinião pública maioritariamente exausta e subserviente e fácil de mandar que claro - está revoltada com o estado das coisas mas que não pode ou não sabe fazer mais do que ler o correio da manhã e daqui a 2 ou 3 anos ir votar no senhor que se segue - ou seja, quem quer que esteja como dirigente do PS na altura. Depois basta á maltinha que andou agora no governo voltar para ser deputado e não fazer nenhum, empenhando-se de vez em quando em fazer longos e inflamados discursos na assembleia da república sobre o quanto os compadres do partido congénere estão a afundar a nação e a criar crises políticas (seja lá o que isso for), não fazendo perguntas concretas nem respondendo a elas. Assim ficam em banho-maria até que a grande massa de inertes votantes vai em romarias ás mesas de voto pôr no governo os senhores que á uns anos atrás atiraram-nos para a sarjeta exactamente da mesma forma que os senhores que estiveram agora e estão a ir de sabática para as bancadas de São Bento - mas já ninguém se lembra.Outros que tiveram mais sorte ou engenho, calhou-lhes na sopa um ministério dos bons e durante 4 anos prepararam o resto das suas ricas vidas e não precisam fazer mais nada do que colher os frutos.Só que... como políticos á portuguesa que são (se fossem verdadeiramente inteligentes - não espertos, tinham arranjado um trabalho a sério) falta-lhes um bocado de visão para que vá nem que seja um pouco além dos seus próprios umbigos. Portugal não vai acabar não senhor, ainda vão ter gente suficiente para sustentar os gordos lá do planalto, só que já não vai haver suor e sangue suficiente para manter o planalto tão vasto, porque alguém tem que sustentar os seus gostos requintados e hábitos principescos, porque agora já nem os senhores do estrangeiro aceitam o sangue dos filhos e netos da plebe como garantia de dívida porque pura e simplesmente a arraia-miúda já está magra, exausta, com as costas cicatrizadas do chicote do capataz, e pura e simplesmente não consegue mais puxar a carroça. Os seus filhos são sacrificados na fogueira como que a tentar apaziguar um qualquer deus cruel, que por sua vez faça com que chova novamente e que faça com que as colheitas brotem de novo do chão e façam o pa[...]



Paulo Portas

2012-10-17T17:19:02.182+01:00



Estava a dar uma olhadela pelas estatísticas de acesso ao pasquim - que muito me orgulham, diga-se, e aproveito para lançar já um saravá á malta que lê as verborreias mentais que para aqui ponho de vez em quando, e um ou outro texto de qualidade menos duvidosa que me lembro de escrever.

... continuando, não é que vou ver e nas entradas vindas da pesquisa do google e reparo que tenho uma catrefada de gente a vir aqui bater por pesquisar por "Paulo Portas"?

Nooossssaaaa senhora, meu Deus, minha gente! Querem saber coisas sobre o homem vão á nova gente, á tv sete dias, ao sapo mulher ou a um qualquer site desses. Sim senhor, escrevo acerca de muitos palermas, principalmente sobre o ditador gordinho lá da minha terra e sobre a sua quadrilha de malfeitores, mas posso garantir-vos que aqui não há nada sobre o Paulo Portas!

Podia ter posto uma imagem mais a propósito do título deste post, a enfeitar aqui o pasquim (sim, o pasquim fornece sempre imagens com os textos, para ficar mais bonito e para leitores com menos escolaridade possam cá vir visitar - não vá o Miguel Relvas ou o Alberto João Jardim aparecerem por aí), mas pôr uma imagem do homem seria de muito mau gosto.



Exercises in Free Love

2012-10-16T23:53:14.500+01:00

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Ainda perdi uns 5 minutos a pensar num texto para acompanhar esta música. Mas escrever seja lá o que for aqui e de todo supérfluo, tal como mostrar qualquer imagem no vídeo.

Das coisas mais bonitas que já se fizeram no mundo...



35

2012-10-04T00:39:20.554+01:00


Com alguns dias de atraso, é verdade, mas não deixo de vir cá assinalar esta efeméride. Á 5 anos atrás começava a escrita aqui no pasquim, a coincidir com a minha entrada na idade da sabedoria (pelo menos é o que consta). Muitas voltas a minha vida deu nestes últimos 5 anos, e a ideia original por trás deste blog era como que criar um livro de bordo a descrever os momentos mais importantes, ou pelo menos os momentos mais importantes passíveis de serem cá descritos. É difícil conseguir conjugar o que eu acho que devo escrever do que eu acho que devo ocultar, já que isto é um espaço público que toda a gente pode aceder. No entanto acho que para qualquer dos posts que cá coloquei, consigo voltar ao momento em que o escrevi e lembrar o que me passava pela cabeça nessa altura, e por isso a parte privada que não consta destes textos está marcada profundamente na minha mente, e este blog então age como um ponto de partida para a imaginação, um índice para as partes mais claras e mais obscuras do meu intelecto.

Quanto ao meu aniversário, foi mais um, essencialmente... acho que estou na altura de começar a deixar de os contar, já são muitos... continuo a não sentir que tenho a idade que tenho, apesar de que essa sensação é uma coisa um bocado absurda... vamos medir porque padrões? Eu normalmente prefiro comparar-me com as pessoas que eu conheço que com a minha idade ou menos estão gordos, feios, com os dentes estragados... mas bem lá no fundo sei que não é assim. Não estou fora de forma, acho eu, mas a idade sente-se quando se olha para trás e se chega á conclusão que não há assim tanta obra feita, que a maior parte da minha vida é feita de deita tudo abaixo e constrói tudo de novo, e isso começa a cansar, principalmente porque começas a perceber o quão efémero tudo é... como dizia um grande amigo á pouco tempo atrás: "daqui a uns anos isto deixa de ser nosso".

Coisas positivas: Recebi uma catrefada de mensagens pelo facebook a me desejar os parabéns - é bom saber que as pessoas lembram-se e deixam mensagens bonitas, mesmo que a maior parte das vezes seja o facebook que as lembre, mas que se lixe, eu sou terrível para me lembrar de datas e o facebook já me lembra da maior parte das coisas mesmo. Consegui juntar aqui em casa um grupinho porreiro para beber umas cervejolas e comer umas pizzas e dar umas gargalhadas - nada mal para o meu primeiro aniversário passado em Londres.

Coisas negativas: Não recebi chamadas de pessoas muito importantes na minha vida, o que é um bocadinho triste e faz perceber como a distância já faz mossa.

Coisas neutras: Frio e tempo cinzento, mas isso já não me faz confusão. O Glorioso ganhou este ano outravez, mas já não ligo muito a bola para ser honesto.



Um ano

2012-09-18T00:55:25.520+01:00



As efemérides têm destas coisas, deixam-nos melancólicos. As medidas temporais deviam ser banidas pois fazem-nos pensar demasiado no passado e tiram-nos o foco no presente e no futuro.
Fez hoje um ano desde que abandonei o meu país e embarquei noutra aventura na minha vida, como antes já o tinha feito outras vezes. Um ano voou, parece que ainda ontem estava a chegar sozinho ao aeroporto de Gatwick, trazendo na mala os poucos pertences dos quais não me desfiz, e a cabeça cheia de sonhos e ambições, ainda com os olhos meios molhados da despedida, mas querendo encontrar mais para a vida do que aquilo que Lisboa me tinha dado até então.

Foi um bom ano, aprendi muito sobre a vida e sobre mim próprio, e que venham mais assim, seja aqui na Inglaterra seja na China.



Miséria

2012-09-14T01:00:34.958+01:00



Apesar de estar longe, continuo sempre a acompanhar o que se passa no meu país, e não deixa de ser com tristeza que vejo que de dia para dia as coisas tornam-se cada vez piores, sem que se vislumbre qualquer tipo de luz ao fundo do túnel

Depois de ver quase uma hora e meia de uma entrevista ao nosso primeiro ministro em que se viu o pior da nossa classe política - totalmente autoritária e autista, como se não devesse qualquer tipo de explicações ao povo português, e de no mesmo dia ver a forma como o ditador lá da minha terra ri-se de gozo de uma manifestação á porta de uma das "suas" sedes de governo (sim Alberto, tu ris-te, ris-te mas vais acabar como o pulha do salazar - caquético, a viver num mundo de fantasia e esquecido por todos, como aquele familiar de quem todos têm vergonha e nunca é convidado para nada).

Cada dia que passa, mais fico com a ideia de que tomei a opção certa, e de que não apenas emigrei - fugi do meu país.



Submarine

2012-09-03T01:28:12.122+01:00


Faz muito tempo desde que um filme me obrigou a ficar acordado até horas improváveis num domingo á noite, mesmo sabendo que amanhã vou sofrer o dia todo porque não dormi o suficiente.
Este filme tem tanto de belo quanto de estranho, e tocou-me e fez me lembrar de coisas que á muito tinha fechadas e bem guardadas nos confins do meu subconsciente. Tenho que ir dormir agora, não sei se sorria ou se chore...



O meu pai

2012-07-18T00:38:01.557+01:00

Quando eu era criança o meu pai que era alcoólico inveterado (mas nunca assumido), guardava sempre uma nota de cinco contos dobrada dentro da carta de condução, que era daquelas antigas, côr-de-rosa, que se dobravam em três. Porquê? - Era costume nos domingos á noite a polícia estar a fazer operações stop na recta do miradouro das neves, que fica na zona este do Funchal e o carro do meu pai que já devia provavelmente ser reconhecido pelos senhores agentes, era sempre mandado parar. Lembro-me claramente de um agente que costumava estar nessas ditas "operações" um tipo alto, magro, com um ar cruel e de educação rude. A minha mãe sabia-lhe o nome, eu confesso que me esqueci. Ele olhava para dentro do carro, cruzava o olhar comigo e fazia-me sentir um arrepio na espinha, como se a qualquer altura fosse me tirar dali e levar para a cadeia.Outra coisa de que nunca hei de esquecer é hálito que o meu pai tinha, aquele cheiro fétido de vinho americano caseiro misturado com qualquer bebida espirituosa a que lhe chegasse a mão sentia-se ao longe. No entanto, o sr. agente apenas segurava a carta de condução do meu pai por breves instantes, devolvendo-a á mão do meu pai e ordenando-lhe que prosseguisse viagem. Com certeza deveria ter um problema qualquer olfactivo que o impedia de cheirar o álcool, e também um problema de vista que fazia com que não percebesse que aquele rubor na face era derivado a muitos copos de vinho pela goela abaixo. Coitadinho do Sr. Polícia…Os primeiros anos de que me lembro de mim foram sempre assim, fazer a viagem desde a casa dos meus avós nos domingos á noite, com o meu pai totalmente embriagado, sem saber se íamos ser parados pela polícia ou se íamos cair por uma ravina abaixo, pedindo por tudo o que era mais sagrado que fosse mais devagar - o que muito raramente sortia o efeito desejado, normalmente o contrário - quanto mais pedia-mos para ele ir mais devagar, mais ele acelerava. Nunca tentei perceber o porquê, tenho a certeza que ele não nos odiava, provavelmente apenas odiava-se a si próprio......e eventualmente deixei de acompanhar os meus pais nas viagens para a terra dos meus avós, porque na minha adolescência descobri coisas melhores para fazer e porque não tinha vontade nenhuma de reencontrar a patrulha da polícia no miradouro das neves e ver sempre o mesmo polícia a me fixar nos olhos com aquele ar de bandido.Enquanto tivemos algum dinheiro para fazer a nossa vida, o meu pai continuou a guardar aquela carta de condução côr-de-rosa no porta documentos que trazia no bolso das calças, junto com o cartão de sócio do Nacional, e as fotos de mim, do meu irmão e da minha mãe. Apenas quando o vício, a vida desregrada e a doença da minha mãe nos deixaram sem dinheiro, ele foi apanhado numa operação stop e tiraram-lhe a carta.Morreu três meses depois, sozinho numa cama de hospital, tanto vitima de si próprio quanto de uma sociedade que na verdade nunca quis saber, nem dele nem de nós.Fico feliz por saber que o seu vicio aliado á sua profissão nunca fizeram com que outras pessoas se magoassem na estrada, por um misto de sorte ou qualquer protecção divina, o camião de uma forma ou de outra chegou sempre intacto á beira de casa, mesmo que o motorista que o acabara de estacionar pouco discernimento tinha para ultrapassar o desafio que era introduzir a chave de casa na fechadura, e roda-la até se abrir.Por incrível que pareça passei anos sem perceber o quanto tudo isto havia afectado a minha personalidade, foi preciso alguma idade, perspectiva e ajuda profissional para chegar a essa conclusão.Gostava de saber que perdoei o meu pai por nos ter destruído a vida, mas lá no fundo sei que isso ainda não aconteceu - os fantasmas voltam sempre[...]



Para onde vou hoje?

2012-07-12T14:35:59.935+01:00

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Volta e meia sentes que a tua vida não faz muito sentido, que estás sempre a fazer as mesmas coisas, sempre a percorrer os mesmos caminhos, sempre a falar com as mesmas pessoas. O problema é que fazes toda essa rotina não porque gostas, mas porque por alguma razão acabaste por faze-lo, alguém te colocou naquela rotina e não sabes bem como, nem quem, nem porque. No entanto chegas á conclusão de que foste tu que te colocaste lá, e apesar de ser um jugo tremendo atravessar o dia todos os dias, ninguém na verdade te obriga a isso.

Um video com muita alma, que faz pensar no verdadeiro significado da vida e no que realmente nos faz feliz...



"Chefe, pode-me arranjar um galão e uma sandes"

2012-07-10T21:59:21.735+01:00

Já não passava na tasquinha do lado da câmara municipal pelo menos desde os meus tempos do secundário. Nessa altura eu ia para lá com os meus amigos para tomar café e fumar cigarros depois da escola. Os 300 escudos que os meus pais me proporcionavam diariamente davam para pagar a bica, para meio maço de marlboro e para o croissant misto no bar da escola da levada. De vez em quando, se o mês estivesse a correr muito bem para a minha mãe, lá vinha uma nota de 500 paus e aí já dava para comprar um maço de tabaco inteiro, ou comer uma sandes mista especial que lá se vendia, um verdadeiro manjar dos deuses, pois juntamente com o queijo e fiambre, incluía ovo, alface e tomate, coisa moderna na altura.Lá pelas seis ou sete da tarde saíamos da escola e iamos para lá e ficávamos até que a necessidade de ir para casa, para uns pelas oito da noite, para mim que tinha um ambiente em casa mais... flexível até ás nove da noite ou arriscando levar um raspanete, dez da noite. A verdade é que olhando para trás, o Funchal sempre foi uma cidade muito tranquila para se viver. Nada de grave alguma vez se passava, e para um rapaz de quatorze ou quinze anos, poucas coisas podiam correr mal. Saíamos da escola e andavamos em bandos de oito ou dez. Falávamos de raparigas, da matiné no reflex do próximo fim de semana e qual delas íamos tentar beijar. Falávamos também de jogos de computador, de desporto, da escola, da stôra de português que era boa todos os dias, da Manuela Ferreira Leite, que era ministra de educação do Cavaco e já na altura mostrava uma total descontexualizuacao para com o cargo que ocupava (diz que percebia mais de finanças, nunca se soube bem).Falávamos de ir para a universidade no continente, de tirar curso A, B, C ou D e ser bem sucedido, tirar carta, ter um carro desportivo.De toda essa malta com quem ia á tasquinha do lado da câmara municipal pouco sei hoje - uns ficaram na terra, casaram, tiveram filhos, ficaram gordos, carecas com dentes podres; outros foram para a marinha e hoje vestem camisas de rede com lantejoulas, e ainda houve quem optasse por montar empresas que foram indo á falência. Uns mataram-se em acidentes de estrada, outros atiraram-se da ponte dos socorridos ou do pináculo. Grande parte abandonou a terra, uns a fugir de uma rapariga que engravidaram, outros das consequências de comportamentos de legalidade duvidosa. Foram outros tantos que para a universidade no continente e por lá ficaram, constituíram família, mudaram o sotaque, vão de vez em quando á terra: visitam a família, mostram os filhos á mãe, revêem alguns amigos antigos, vão ás vespas beber uma imperial para se sentirem um bocadinho adolescentes.Para mim o objectivo é ir para os copos com o meu irmão, rever amigos de décadas no Jam, atirar-me para o sofá da minha tia no caniço e não fazer nenhum durante um dia todo e abraçar as minhas princesinhas quando chegam da escola e ir para casa da minha madrinha comer pão de casa e batata doce assada e ouvir as historias de como o seu neto já tem dentes, chama "avó" e com bravura atravessa a sala utilizando com mais ou menos dificuldade a sua recém-descoberta técnica de andar de pé.Fazer o caminho de volta á realidade é duro. Subir a escada, olhar para trás quando se entra no avião e respirar a ultima lufada de ar, sentir o cheiro da minha terra pela ultima vez em muitos muitos meses enquanto não se consegue voltar. E por fim cerrar os dentes e pôr os óculos de sol, tentado manter a postura e segurar a lágrima que teima em querer cair.Para a maior parte dos Madeirenses, o destino é sentir saudade, telefonar para casa todos os dias para saber se o primo esta melhor de saúde, se a[...]



Bazar do Povo

2012-07-10T20:38:56.814+01:00


Parece que este velho ícone do comércio tradicional na baixa do Funchal vai fechar para dar lugar a uma loja de chineses. Nada contra os chineses em si, mas acho que o Bazar do Povo merecia um destino melhor. É o que acontece a quem não sabe evoluir com o tempo. O Bazar do Povo em meados da década de 80 era o sítio onde (ao contrário do que o nome indica) o pessoal endinheirado da capital ia comprar coisas - aquela loja de brinquedos no primeiro andar era mítica, a papelaria na cave vendia coisas que apenas podia ver nas prateleiras e imaginar que podia comprar. Tinha uma loja de louças que francamente não posso opinar (louças nunca foi o meu ramo), e uma retrosaria onde as senhoras de meia idade da cidade iam comprar as agulhas e novelos de linha para fazer roupa para os netos.
Tinha um cafézinho onde eu ia volta e meia, e foi lá que tomei café com a minha mãe pela última vez.

Tudo muda... quem sabe daqui a uma década ou duas volte a ser algo icónico para a cidade.



Vela

2012-07-03T11:38:25.655+01:00



Foi preciso vir para uma cidade num país diferente, onde não há mar num raio de 50km para poder voltar a fazer vela. Cheguei ao sítio, paguei 10 libras, peguei no barco que quis e andei durante o tempo que quis. O total oposto do que acontece no meu país, onde quem tem a audácia de querer praticar um desporto que apenas está destinado ás elites tem que necessáriamente que enfrentar o olhar inquisidor de alguém que verifica se se se tem polo da ralf lauren, sapatinho de vela de marca, jeans griffe e pullover da pringle á volta do pescoço.

Simples, fácil e sem paneleiradas. Cada vez mais gosto desta terra.

Daqui a uns tempos vou experimentar o golfe.



Bernardo Sassetti

2012-05-11T18:21:59.082+01:00


À vontade, copiem os meus discos. Pirateiem a minha música à vontade, mas oiçam-na. Eu prefiro que o façam, mas que oiçam, que tentem compreender, gostar, partilhar. Se há coisa que me lixa é que as pessoas digam, como já disseram: "Eh pá, tenho estado a ouvir o teu disco no carro, aquele que começa com plim... plim... plim". Eu não faço discos para ouvir no carro. Não faço.

 Sim senhor... um abraço!



38 Anos de Cleptocracia

2012-04-26T00:13:23.201+01:00


Ah povo enganado...

Viva o 26 de Abril, porque na véspera já ninguém acredita muito.



50 Anos

2012-03-24T13:29:47.324+00:00

(image)
1962

(image)
2012

Ao fim de 50 anos parece que há mesmo coisas que nunca mudam...



O capitão Maltez

2012-03-24T02:35:58.326+00:00

"O Rossio era o local da concentração. O boca-a-boca funcionava, assim como a imprensa clandestina. Sempre critiquei a escolha do sítio. A polícia política e a outra fechava as saídas e era um vê se te avias a pancadaria que levávamos. Levávamos e dávamos: a partir de certa altura alguns de nós, contrariando as recomendações, levaram consigo tubos de borracha, e defendíamos conforme podíamos. Podíamos pouco, ante o aluvião de agentes à paisana e a brutalidade da repressão. Salientava-se, neste caso o capitão Maltez, cuja selvajaria era conhecida.

Num desses anos, estava com o Fernando Lopes-Graça e outros amigos, à entrada da Rua do Carmo. A multidão gritava: "Abaixo o fascismo!" ou "Morte à PIDE!", e o desagrado durou poucos minutos. Eis que surge o capitão Maltez de má memória e, de cassetête em punho agride quem à sua frente aparecesse. O homem parecia cego de ódio e de raiva. Agrediu Lopes-Graça uma vez; da segunda, coloquei-me à frente dele, tentei cobri-lo com o meu corpo (eu era um homem muito mais corpulento do que sou hoje, e mesmo agora…) e levei com as bastonadas destinadas ao meu velho amigo. Depois, sempre tapando o Graça, e quase o transportando, corri pela rua do Carmo, sempre com o Maltez a dar-me. As escadas estavam fechadas, o Graça tinha levado com uma bastonada na cabeça e partido os óculos, corria-lhe um fio de sangue pelo rosto, até que consegui que alguém me abrisse uma porta.

Quero dizer com isto que vale sempre a pena estar onde é preciso estar. E que a rua, por muito que os detentores do poder digam o contrário, causa amolgadelas e dá resultado, mais tarde ou mais cedo. A rua não é, somente, uma demonstração de indignação sindical, política e cívica - é, sobretudo, um argumento moral, contra a inexistência de moral dos governantes."

Texto de Baptista Bastos, descrevendo as manifestações em que o próprio participou em Lisboa no tempo da ditadura. Tristemente este texto podia bem ser aplicado ás manifestações desta semana. No nosso país há coisas que infelizmente nunca mudarão, temos sempre que dar um cassetête ao capitão Maltez...



Cães de Fila

2012-03-24T02:38:09.288+00:00

Não é novidade para ninguém que os elementos dos diferentes corpos de intervenção das diversas polícias existentes no nosso país são elementos de caracter duvidoso, que tanto deram para ir para polícias como podiam muito bem ter ido para ladrões. Escolheu o acaso que acabassem por integrar os corpos policiais porque afinal de contas é uma forma legal de distribuir pancadaria gratuitamente. No entanto a verdade é que o trabalho de polícia não é fácil, nunca ninguém disse que era.Provávelmente são um mal necessário. Um dos subprodutos das sociedades contemporâneas, profundamente centralizadas em grandes metrópoles é muita gente podre, elementos da sociedade com uma total ausência de empatia ou respeito por valores humanistas. Se é bem verdade que sempre houveram pessoas de mau carácter, também não é menos verdade que estas encontram em cidades superpovoadas um terreno fertil de associação com outros que tal, e se a sociedade consegue bem lidar com um ou outro delinquente, controlar uma horda deles é tarefa nada fácil. É aí que entram os corpos de intervenção, fazem o trabalho sujo que nós o resto da sociedade não queremos saber que existe, pagamos-lhes para manterem os maus da fita na cadeia para podermos estar bem tranquilos na nossa casa a ver o jornal das 8 e nos queixarmos do novo pacote de austeridade do governo.Sim, distribuem porrada a torto e a direito, mas normalmente o alvo desse grupo são criminosos e delinquentes que francamente não merecem mais do que isso. Desatam á chapada e partem um ou outro dente, mas não aleijam para além disso.No entanto são um pau de dois bicos, e aplicá-los noutros cenários que não a tradicional criminalidade de bairros problemáticos é extremamente complicado. Quando se tornam armas nas mãos de comissários de polícia de poucos escrúpulos que querem a todo o custo subir na carreira, podem muito bem saír como um tiro pela culatra.Foi o que aconteceu esta quinta feira no chiado: algum comissário de polícia chico-esperto mandou o corpo de intervenção "controlar" a multidão de manifestantes. Ora, utilizar as forças de intervenção, cujo objectivo como o próprio nome indica é o de intervir e não o de observar é o mesmo que mandar uma matilha de raposas para guardar um galinheiro - é tão imbecil que chega a ser criminoso. Eles estão lá para distribuir porrada, não para outra coisa, foi para isso que receberam treino. E se não houver molho, eles vão para casa frustrados, por isso o que fazem é garantir que há razões para carregar sobre os cidadãos, nem que essas razões apenas tenham sido fabricadas por eles próprios.Neste momento em que toda a gente fala dos jornalistas que foram selvaticamente agredidos pela PSP, urge saber como e porquê começaram os distúrbios em primeiro lugar, e bem no século XXI onde toda a gente tem uma câmara de alta definição no bolso, a verdade é que o escurtínio está á mão de todos, por isso mandar esquadrões de polícias raivosos carregar sobre uma multidão de cidadãos em protesto não seria tão fácil de escamotear, como se fez outrora no período do estado novo até ao tempo em que o Sr. Aníbal mandou o corpo de intervenção distribuir bastonadas e balas de borracha sobre os manifestantes da ponte 25 de Abril.Segundo testemunhas, os 3 homens na fotografia chegaramao rossio acompanhados pela polícia, e estiveram na origemdos confrontos, ao serem eles a atirarem os petardos para amultidão.Segundo testemunhos de quem esteve lá, tud[...]



As montanhas de Margalla

2012-03-24T11:21:17.477+00:00

Numa manhã de julho de 2010 perto de Islamabad no Paquistão, o comandante Pervez Iqbal Chaudhary voava um Airbus A-321. O avião, uma autêntica maravilha tecnológica que quase se voa sozinho estava em perfeitas condições de funcionamento e tinha sido inspecçionado á pouco tempo. O tempo estava difícil é verdade, a visibilidade baixa e chuva abundante devido á época das monções, mas nada que teoricamente pudesse trazer excepcionais dificuldades ao veterano comandante de 61 anos e com 25497 horas de experiência.Ao seu lado estava Muntajib Ahmed de 34 anos, antigo piloto de caças F-16 pela força aérea paquistanesa e com um total de 1837 horas de voo. Nos ultimos 25 minutos do voo, o computador de bordo soou o alarme por 21 vezes durante 70 segundos seguidos e o o co-piloto alertou constantemente o seu superior hierárquico para o perigo que constituia a sua trajectoria e altitude. Apesar da óbvia situação de perigo, e do facto de os alertas sonoros serem insistentes e estridentes, o co-piloto não tomou nenhuma acção para corrigir a trajectória do aparelho e este despenhou-se nas montanhas de Margalla, apenas a 10 milhas nauticas do aeroporto onde deveria aterrar.Morreu toda a tripulação juntamente com 146 passageiros.Como é que um piloto experiente, aparentemente com saúde e com todos os alertas visuais e sonoros consegue mandar um avião em perfeito estado de funcionamento contra uma montanha? Ninguém sabe.Como é que um co-piloto ao ver-se deparado com uma situação tão grave e perigosa para si próprio decide não tomar nenhuma acção e apenas vigorosamente avisar o seu superior de que assim iam todos morrer? Ninguém diz.-------------------------Entretanto em Março de 2012, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho de 47 anos conduz Portugal. Com apenas alguns meses de experiência tenta levar o país pela turbulência de um clima económico tenebroso, e está convencido que a coisa só vai lá com medidas de austeridade implacáveis. Á frente dele, á quase 2 anos estava a Grécia que entretanto já se estampou.Toda a gente avisou os dirigentes gregos do fim que se aproximava de seguissem naquele rumo no entanto na sua cegueira inexplicável conduziram o país para o precepício, destruiram o trabalho de milhões, deixaram caír na pobreza uma imensa parte dos seus cidadãos.Nós já tivemos o exemplo grego, já sabemos futuro o destino nos reserva ao seguirmos pelo mesmo caminho, ainda assim teimosamente insistem em nos levar por aí. Apesar das vozes que se levantam, dos alertas insistentes da comunidade internacional (pelo menos daquela que não está ao serviço dos banqueiros e dos grandes grupos económicos e não tem tanto a ganhar com a falência dos estados) não há rigorosamente ninguém que tome consciência da gravidade da situação, pegue nos comandos e nos leve para uma rota segura.A diferênça entre a situação de Portugal e a tragédia do voo Airblue 202 é para além do facto da ultima já se ter consumado e a primeira estar apenas em rota de colisão, é o facto de agora quem comanda tem para-quedas de ouro que lhes permite saltar do avião sempre que quiserem e ir para Paris fazer pós-graduações com o resultado do espólio saqueado. Ou isso ou seguir para administradores de empresas de obras públicas ou grupos bancários. Aconteça o que acontecer, a quem está ao leme agora nunca vai acontecer nada, por isso é mais ou menos como jogar poker com dinheiro de brincar, o risco é zero.Os portugueses[...]



Aham...

2012-03-21T21:13:58.615+00:00

PT: Mestres têm mais maturidade, atitude e conhecimento
"A nossa experiência tem demonstrado que a probabilidade de se encontrarem candidatos com o nível de maturidade, atitude e conhecimento exigidos pela PT é maior nos mestrados", afirma fonte oficial da operadora, que preeenche as suas cerca de 100 vagas, por ano, com jovens das mais diversas áreas de formação. Na escolha das universidades, a PT leva em consideração o corpo docente, o lugar nos ‘rankings' e a análise da tipologia de ex-alunos, que são actualmente ou já foram colaboradores da empresa. Procura instituições onde os conteúdos programáticos, como a tipologia de disciplinas ou a existência de trabalhos práticos, sejam adaptados aos temas específicos da PT. Na hora de recrutar, valoriza a atitude, ou seja a capacidade de análise e resolução de problemas, disciplina de trabalho, capacidade de trabalho em equipa, espírito de inovação, energia e motivação e o foco na excelência.
 
Em Diário Económico

É que é mesmo isso, sem tirar nem pôr!

Só se contrata gente originária de universidades perlimpimpim, com cursos vai-lá-vai e malta com coeficiente de inteligência de 3 elevado ao pastel de belém, garantidamente! Não tem nada a ver com o pedigree, não tem nada a ver com a linhagem genealógica e muito menos com a côr política.

São os maiores!



Menina dos Olhos de Água

2012-02-21T23:13:22.645+00:00

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Menina em teu peito sinto o Tejo
e vontades marinheiras de aproar
menina em teus lábios sinto fontes
de água doce que corre sem parar
menina em teus olhos vejo espelhos
e em teus cabelos nuvens de encantar
e em teu corpo inteiro sinto o feno
rijo e tenro que nem sei explicar
se houver alguém que não goste
não gaste – deixe ficar
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p’ra sobrar
aprendi nos “Esteiros” com Soeiro
aprendi na “Fanga” com Redol
tenho no rio grande o mundo inteiro
e sinto o mundo inteiro no teu colo
aprendi a amar a madrugada
que desponta em mim quando sorris
és um rio cheio de água levada
e dás rumo à fragata que escolhi
se houver alguém que não goste
não gaste – deixe ficar…
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p’ra sobrar

Esta música surgiu-me na cabeça do nada quando ia hoje a caminho do metro para casa. E ainda bem que surgiu, tinha saudades de ouvi-la...

Vale a pena ouvir, e perceber, que numa altura em que o orgulho nacional anda pelas ruas da amargura, que ao contrário do que nos querem sempre querer fazer sentir, o nosso povo é capaz de criar obras tão especiais.

Interpretação de Pedro Barroso, do poema original do grande António Gedeão.



La décadanse

2012-02-20T01:13:21.253+00:00

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Alain Chamfort e Mylène Jampanoi - La Décadanse by music-videos

Este é um remake do original de Serge Gainsbourg e Jane Birkin. A estética está irrepreensível e a musica em si parece-me que está bastante mais conseguida do que a original. Serge Gainsbourg (grande maluco) insistia em fazer com que Jane Birkin cantasse uma oitava acima do normal para que parecesse um rapazinho a cantar... o que é um bocado avariado se formos pensar bem. O problema é que ali pelo fim dos anos 60 ele teve um affair com Brigitte Bardot, para quem chegou a escrever algumas músicas, a mais famosa das quais a "Je t'aime moi non plus" que chegou a ser cantada em dueto com Brigitte. Ora consta que ela era alguém de quem não se esquecia facilmente, portanto quando este se apaixona perdidamente por Jane Birkin pouco tempo depois, e quis com ela cantar a música que compôs para Brigitte, fez questão que esta não cantasse da mesma forma. Uns dizem que foi para se vingar da francesa, outros para que não se lembrasse dela...
As suas orelhas de açucareiro, cigarro sempre na boca e olheiras de quem não dormia á meses não impediram que coleccionasse romances com uma quantidade enorme de mulheres lindas, por isso devia de ser dono de um paleio que sim senhor.
Morreu em 1991 de ataque cardíaco, aposto que com uma mão no peito e com outra a segurar no cigarro, e com a "coolness" com que sempre viveu a sua vida.

Apesar de não cantar por aí além, os duetos que foi fazendo em timbre rouco com mulheres bonitas semi vestidas claramente marcaram uma época e caracterizaram um período da história. Apanhei um bocadinho muito curto dos anos 70, mas ainda o suficiente para usar calças á boca de sino, mas não o suficiente para poder ver como era Paris nesta altura. Gosto de pensar que a cidade era como os vídeos do Gainsbourg, com mulheres de cabelo liso de risca ao meio, com vozes roucas sensuais a andar por todo o lado. Não há nada mais sexy que uma mulher bonita a te sussurar "mon amour" ao ouvido, isso é garantido :)