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Blog GASTagus



Grupo de Acção Social do Taguspark



Updated: 2017-10-26T10:23:23.588+01:00

 



Kandumbo, Angola 2016

2017-07-06T03:57:57.340+01:00

Luís, Sónia, Catarina, Rita, Marta e JoanaHá amores que nascem sem nos apercebermos, marcam-nos como nunca nos marcaram antes e são complicados de explicar. Assim é o meu amor por Angola, pelo meu Kandumbo. É complicado falar sobre o mês mais feliz da minha vida. É complicado porque mesmo já estando em casa há um mês, sinto que apenas estou há uns dias pois cá nunca irei viver dias com tanta intensidade como os que vivi em missão. Vou tentar explicar a mais bela história de amor que vivi: Colocam-se 6 conhecidos num avião com turbulência durante 8 horas. Conversam, dormem, escrevem, comem, sonham e sobretudo imaginam como será quando chegarem. Aterram em Luanda e são postos num autocarro enorme durante 10 horas! No caminho pode ver-se de tudo. Hotéis e vivendas enormes rodeadas de casas de chapa e cimento, macacos nas árvores, pessoas sozinhas no meio do nada. Dois acidentes, inúmeras operações stop e apesar de longa, a viagem serviu para esses conhecidos começarem a ser um bocadinho mais que isso. Até que chegámos. “Brancos, brancos, voltaram!” Imensas crianças corriam atrás do autocarro, diziam adeus e mandavam beijinhos. Ao pensar bem, posso dizer que foi amor à primeira vista. Em apenas minutos, aquelas crianças curiosas para saberem quem eram os brancos que vinham este ano fizeram com que me apaixonasse. Nunca nos sentimos tão bem-recebidos. Sentimo-nos completamente em família, formámos a nossa família. Todos os dias começavam à mesma hora. Às 06:40 lá tínhamos a mãe Marta a dizer “Bom dia meninos!” e aí começava o nosso trabalho! Aulas da primária, formação aos professores, formações no centro de saúde, aulas e formações na secundária e depois hora do filme foi o que preencheu o nosso calendário e sempre com disposição para encaixar numa frecha pequenina umas explicações e a análise de uns questionários. Pusemos a regra que às 23h tínhamos sempre que ir dormir, claramente que, tal como todas as regras, por vezes era quebrada. Fins de semana que eram repletos de trabalho entre escuteiros, PROMAICA, catequeses, aulas da primária, movimentos juvenis e infantis. Cansados? Claro que estávamos! Mas estão a ver aquele cansaço feliz? Se nunca o sentiram é porque nunca trabalharam de coração. Durante um mês trabalhámos de coração, todo o nosso trabalho foi feito com um sorriso na cara. Todos os minutos contavam. Uma comunidade que nos tratava tão bem, só podíamos retribuir com todo este trabalho. Todos os minutinhos livres que tínhamos, desde já digo que eram poucos, tentávamos ao máximo aproveitar. Ver o pôr do sol, brincar com as crianças, ir dizer adeus por baixo do portão às crianças curiosas que nos chamavam ou simplesmente ficar sentados à porta de casa com umas crianças no colo e ver os restantes a jogas à bola. Aprendi a aproveitar todos os minutinhos da minha vida porque todos eles são importantes. Aprendi tanta coisa naquele mês. Aprendi a dar valor à água quente, quer dizer, a qualquer tipo de água! Ao autoclismo, à minha cama sem caganitas de ratos, aos meus sapatos, à comida que me põem à frente mesmo que não goste, à escola, à educação, aos caixotes do lixo… Aprendi a dar valor a tantas mais coisas que aqui são tão banais e lá são tão raras. Aprendi que a nossa presença faz a diferença e aprendi que somos mais fortes do que imaginamos e conseguimos fazer mais do que pensamos. Aprendi que os heróis não usam capas nem voam, são pessoas normais que apenas querem fazer o bem. Aprendi que o amor faz muita coisa e senti bem esse amor. A despedida realmente é o que mais custa. Porque escrevi no presente? Porque ainda me custa. Como é que é suposto lidar de ânimo leve com a despedida do sítio que mais me fez feliz? Por sorte tenho como companhia os outros 5 conhecidos que agora são amigos do meu lado. 6 pessoas que o Kandumbo juntou, serão 6 pessoas cujo seu mundo o Kandumbo mudou. Com toda a certeza que falo por todos quando digo que deixámos grande parte do nosso cora[...]



Maio, Cabo Verde 2016

2017-07-01T11:32:44.878+01:00

Raquel, Rita, Pipa, Fi e MarcosEra já meia-noite… e eu não conseguia adormecer… era um misto de ansiedade com medo e felicidade! Bem… era algo que nunca tinha sentido antes.Lá consegui adormecer 20 minutos e fui para o aeroporto, primeira pessoa que vejo: A minha Codé Ritinha. Abraçámo-nos como nunca, e demonstrámos um riso nervoso e um orgulho mútuo no rosto. De seguida apareceu a Fi, mais um abraço, mais um sorriso assustado… mais um olhar brilhante!Subimos para o piso onde se encontrava a Pipa e o Marcos — a zona do “Check-in”. Estávamos todos tão excitados que até pesar as malas e dividir o peso era divertido…Finalmente: Sentados no avião, com montes de equipas GASTagus à nossa volta. Pôr o cinto. Fechar os olhos na subida. E pronto, já estamos no ar. Ok… é mesmo real! Estamos mesmo a caminho do mês de Agosto, a caminho de um resultado fruto de muito trabalho e a caminho de um mundo por descobrir chamado: Missão Internacional — Ilha do Maio, 2016.Marcos Após fazermos escala durante um dia na Ilha de Santiago, chegou o dia de ir para Maio. Eram 9:30h (11:30h em Portugal)… lá vamos nós novamente para o aeroporto, desta vez com o destino que desejávamos há muitos meses.Aterrámos. Chegámos. Corações em chamas. Rostos encarnados. Pele arrepiada. Barriga com borboletas. “Estamos mesmo em Maio?”. “Sim! É real…” (mais borboletas saíram do casulo, no momento em que pomos os pés no aeródromo da Ilha do Maio) — UAU! A aventura vai começar!Primeira pessoa que conhecemos na Ilha: O presidente do nosso parceiro, Agostinho Silva, com um grande sorriso no rosto. Seguido do Alex, o vice-presidente da Associação Pró-Morro, que nos ajudou com as malas e nos deu um olhar rasgado de luz. Começámos a sentir a poesia de Maio quando logo desde a primeira semana observámos as pessoas com sorrisos maiores que o rosto, com o olhar brilhante cheio de amor, com um toque suave e com o olhar curioso das crianças. Sentimos que estávamos fora do mundo, fora da sociedade acelerada e consumista: Nós estávamos oficialmente, no paraíso!A primeira vez que interagimos com a comunidade foi numa das praias mais movimentadas da Ilha do Maio: “A Bitche Rotcha”. Nesta Terra era tão fácil estar perto e sentir o povo connosco. Bastou-nos o olhar curioso do Danilson. Fintei-o com um sorriso. Chamei-o e disse: “Olha, queres fazer um jogo?” Ele com um rosto surpreso e com o olhar brilhante respondeu “Sim!”. De repente estávamos rodeados de mais de quarenta crianças a fazer dinâmicas na areia e a divertir uma praia inteira. Fizeram-nos prometer que voltaríamos no dia seguinte, ao qual garantimos que sim.Nos dias seguintes começou a nossa intervenção intensa em diversas áreas: Saúde, Educação, Cultura e Informática. Eram dias e dias preenchidos com objectivos, necessidades a cumprir, horas de trabalho com o intuito te atingir determinadas metas. E cada dia, era uma conquista! Um novo obstáculo! Um novo desafio!Filipa MendesTodo este trabalho focou-se mais numa área em específica: O MORRO! O Morro tornou-se a nossa casa. O nosso mundo. O nosso conforto. A nossa família. Esta pequena (mas grande) localidade é apenas uma zona numa Ilha, mas para nós significou muito mais do que um sítio perdido no mapa. Nesta localidade intervimos com idosos (na área da saúde), que todos os dias esperavam mais um visita do Marcos e da Pipa. Aquele tempo de visita não eram apenas minutos com medições e observações, era tempo de conforto, segurança e conversa. Para eles significava: tempo de qualidade! Todas as manhãs abriam a porta das suas casas com um sorriso contagiante e sempre com a mesma frase: “Bom dia! Entre, entre…”. O verdadeiro sentimento de partilhar o seu espaço com o desconhecido, que passado pouco tempo já era como se fizesse parte da família desde sempre. Na hora da despedida, mais uma frase se repetia: “Deus sta co nhos” (Bem-vindos ao país da Morabeza).Sabem… aquela parte… aquela parte que [...]



Cabra Nossa de Cada Dia, Brasil 2016

2017-06-28T13:49:30.976+01:00

Equipa: Jorge, Ana, Adriana e MariaDesde pequena que sei que grande parte do meu papel neste mundo é ajudar a melhorar a vida de alguém. Nem que seja com um sorriso na rua. Este post é a história resumida de alguém que em um ano viu a sua vida a mudar a uma velocidade astronómica e a perceber que somos nós e só nós quem escreve a nossa história.Em 2015 vi umas ‘bananas’ entrar no GASTagus e, como não podia deixar de ser, passaram-me este bichinho de que se eu quero algo, tenho de fazer por isso. E em 2016 lá fui eu. Decidida a que aquela felicidade que vi nelas também fosse a minha. Decidida que seria o ano em que ia ter todas as respostas que precisava.Nem eu sonhava…Num universo de experiências que poderia contar sobre o que é o GASTagus, é sobre missão que vou falar.Saudade: sentimento de mágoa e nostalgia, causado pela ausência, desaparecimento, distância ou privação de pessoas, épocas, lugares ou coisas a que se esteve afetiva e ditosamente ligado e que se desejaria voltar a ter presentes.Meu Brasil. Não estava preparada para isto. Meses depois, aqui estou eu, a escrever este texto com um ataque crónico de saudades. Digo crónico porque quem vai em missão passa a conhecer a sensação de ter saudades de alguém todos os dias, de se perguntar “será que está tudo bem?”, “será que eles foram à escola?”, “será que estão a ter boas notas?”. E sofremos, muito. Mas é um sofrimento bom de quem sente que fez diferença na vida de alguém. De alguém que sabe que não mudou o mundo em um mês mas que mudou a vida de alguém nesse mês.No Brasil descobri uma família, família essa que três dias depois de chegar a Pé de Serra me fez uma festa de aniversário surpresa e eu caí que nem uma patinha e que me disse “deve ser muito difícil estar longe da sua família nesse dia e no Brasil nós somos a sua família por isso tínhamos de celebrar”. Imaginam o misto de sentimentos que é entrarem na vossa pequena casinha brasileira com toda a comunidade dentro a cantar-vos os parabéns com vários bolos e sumos? Como reagir? Eu não soube reagir. Fiquei em choque a olhar para o meu responsável de equipa na esperança de que ele me dissesse o que fazer. Ganhei uma família que ainda hoje me manda fotos das crianças para eu saber que estão bem. E ouvir “quando for grande quero ser bioquímico como você!” e saber que a criança começou a ter melhores notas? Querer esborrachá-lo com um abraço porque nunca na vida estaria à espera que isto acontecesse e não poder?Quero voltar. Quero voltar para os 40ºC, quero voltar para o forró às 6 da manhã e para o meu quintal cheio de animais que não fazia ideia a quem pertenciam. Até nem me importava que a casa de banho continuasse cheia de rãs por todo o lado! Só queria mais um abraço daquelas pessoas, mais um “bom djia”, mais daquele cantinho de terra que sei que vai ter sempre uma grande parte de mim. Quero voltar onde tudo é fácil mesmo quando é difícil.Em missão descobrimos que nesta sociedade o nosso pouco é muito e que o muito da maioria das pessoas para nós passa a ser pouco. Começamos a tomar atenção aos pormenores que fazem a nossa vida e começamos a dar valor a todo o luxo que nos rodeia. Quanto a mim? Percebi que uma casinha feita em taipa e um colchão insuflável chega para sermos felizes.E vocês não sabem o que eu dava para ter essa realidade de volta.Ana Ferreira[...]



Ponta D'Pom, São Vicente - Cabo Verde 2016

2017-07-01T11:34:56.667+01:00

Equipa: João, Sandra, Alice e LúciaA vida é uma viagem imprevisível que pode ser resumida em dois momentos: a chegada e a despedida.Esta missão foi para mim o ponto de viragem para uma nova etapa, há momentos na nossa vida em que encontramos uma bifurcação, onde não sabemos que decisão tomar nem que caminhos devemos seguir.A cada chegada, milhões de expectativas, horas de receios sem razão, medos que nem nós sabemos explicar. Nunca é fácil sair da nossa zona de conforto e simplesmente ir.João com o RicardoEm cada despedida o sentimento amargo de uma presença que lentamente se esvai, mas, mais do que tudo, um orgulho e força dos momentos que vivi, dos lugares de passei e das pessoas que conheci.Cabo Verde é, ainda assim, todo um patamar superior, “é um estado de espírito que toma conta de nós”, uma porta que se abre e nos acolhe como família.É acordar de manhã e saber que não vai haver nenhum momento em que não estás a aprender, em que não estás a viver o presente, em que não estás a provar “bodgis” novos, e que está “tud dret” independentemente de tudo.Desde a morabeza à alegria, ui que alegria! Que nos testa em cada situação e que põe à prova todos os nossos receios e melancolias. Mas que, no final do dia está pronta para te dar um grande abraço com cheirinho a moreninhas que nos faz sentir tão sabi, porque tens a certeza que deste tudo de ti, mesmo que não te tenhas apercebido.Sodad di nós terra.João VieiraVivi o melhor mês da minha vida, desde que tenho memória, na Ilha de São Vicente - Cabo Verde. Aprendi mais do que ensinei, recebi muito mais do que dei, conheci mais do que dei a conhecer, fui mais feliz do que alguma vez fui. Esta é uma aventura que sei que nunca me irei esquecer: foram os sorrisos das crianças, as suas perguntas e brincadeiras, os voluntários de lá e os nossos voluntários, a campanha das tartarugas. Mas, principalmente, foi aquela terra e aquela gente. Em Janeiro inscrevi-me no GASTagus com o objectivo de ir em missão, tinha a certeza que não iria desistir. Foi uma decisão bastante dificil, a minha família não me apoiava muito, nem no dia em que me fui embora, mas quando realmente queres algo de coração, consegues tudo, e eles acabaram por perceber isso.  Sandra com o KenyO mês em Cabo Verde...em primeiro lugar, o tempo foi horrível na primeira semana e meia (eu sofro muito com o calor), e parecia que estava quase a morrer a cada dia que passava, mas depois habituei-me. Os banhos, esses quase nem vê-los. Normalmente tomávamos banho às quartas e domingos, os outros dias, era a festa da toalhita húmida. A comida era à base de enlatados, arroz, massa, soja, e um quadradinho de chocolate 100% cacau puro após o almoço (se fores em missão, vais entender o porquê que tens que comer chocolate). Já o lavar a roupa era uma vez por semana, tudo na mesma água, fora a roupa interior, cada um lava a sua, não há cá misturas. A roupa pendurada, cada duas peças com uma mola, a roupa interior de cada pessoa tem que dar para uma mola. Em missão aprendes que o que tinhas como garantido, lá não tens, aprendes a dar valor a coisas simples da vida, como a água. Reparas que afinal és mais forte do que pensavas, que aguentas coisas que nunca pensaste aguentar.Vais crescer, vens uma pessoa diferente, seja em que aspecto for. E, talvez vais reparar, que tens saudades de ser tão feliz como foste em missão, e de ver os “teus” pequenos – porque, afinal, estás lá para eles, e vão ser eles que vão fazer com que tudo valha a pena.Vou contar-te uma pequena curiosidade, eu prometi a mim mesma que não me ia afeiçoar àquela gente, que estaria lá para eles, mas só isso. A realidade é que me afeiçoei, o meu pensamento auto-protector não me ajudou em nada, liguei-me muito a eles e sofri bastante. Quando voltámos, sofri ao deixar aquelas crianças e voluntários que tinha conhecido à um mês antes, chorei muito, porque foi o melh[...]



Missão Kandumbo, Angola 2015

2016-07-31T21:33:57.386+01:00

       1. Joca, Joana, Catarina, Marta, Gabriela e Diogo Momento-chave da conquista. Marta, é a tua vez, diz a Sal.Regressei para o meu lugar, mais tarde “Missão Kandumbo”, podíamos ler “Onde os pés descalços são felizes” e descobrir uma joaninha. Não tive tempo de respirar, de repente fez-se luz na minha cabeça e oh meu Deus esta é a minha equipa, oh meu Deus vamos com a Joana, oh meu Deus vou para Angola! Chorava e soluçava sem parar, não fossem os meus instintos interiores apontarem para Angola desde que soubemos que as equipas tinham sido criadas. O sonho tornou-se real e os esforços deram frutos!           No dia 29 de Agosto apanhámos um avião em direcção a Luanda e dia 30 aterrámos em solo africano. Quatro destinos, quatro equipas. Todas dentro de um autocarro desconfortável e pequeno para a longa viagem de 10 horas. O impacto foi imediato quando começámos a viagem. O cenário vai alternando ao longo da enorme estrada direita. Prédios, construções e hotéis. Pessoas que carregam trouxas na cabeça, às costas e nos braços que vão e vêm não se sabe bem de onde. Palhotas que são casas, macacos à beira da estrada e mercados de rua repletos de frutas e peixe seco.          Chegados ao kandumbo percebemos imediatamente porque lhe chamam bairro da lixeira e não contive o choque inicial, que logo foi interrompido quando saímos do autocarro e tivemos direito ao abraço das imensas crianças que ali vivem.          Todas as noites para mim foram de reflexão e quando não escrevia no diário era sinal de que o cansaço me tinha vencido. Isto, porque felizmente (ou infelizmente) trabalho foi coisa que não nos faltou. As senhoras da PROMAICA visitavam a “nossa casa” às 06:30 da manhã, de seguida o mata-bicho em casa das irmãs, depois as formações aos professores, ao 12:30 tínhamos o almoço, a tarde dividia-se entre aulas e formações às crianças e jovens, às 18:00 não faltava a “hora do filme” e às 19:30 jantar com a família. As primeiras e segundas classes visitavam-nos aos sábados e os grupos de jovens aos domingos. Este era também dia de ir à missa e talvez o dia em que podíamos sentir na pele a magia africana no seu sentido mais puro. Nas palavras do padre Raimundo, que se dirige à comunidade em umbundo (o dialecto da província de Benguela), nas senhoras com os panos envoltos na cabeças e na cintura, nas danças, na música e nas palmas estrategicamente ritmadas.2. Marta na hora do conto.         Jamais irei esquecer tudo o que vivi neste mês. Todo o cansaço com que nos deitávamos no final de um dia de trabalho foi justificado! Da nossa missão, saímos com a certeza de que pelo menos um dos sessenta professores a quem demos formações perdeu cinco minutos a reflectir sobre a técnica do “dedo no ar”. A Verónica não aprendeu a ler, mas pelo menos as irmãs foram informadas de que a nossa intuição aponta para a dislexia e que talvez não seja culpa dela mas precise apenas de um acompanhamento especial. Só apareceram três senhoras para as formações da PROMAICA num universo de quarenta, mas pelo menos essas três foram fiéis até ao fim e a Clara todos os dias imprimia os nossos power points com dicas que a irão ajudar com a chegada do seu primeiro bebé. A Jani, a Cacinda, o Betilson, a Isa e a Dalciene vão continuar “pequenos selvagens”, sujos e bruscos, mas pelo menos aquelas duas horas de cinema roubaram-lhes tempo de brincadeira na lixeira.         Foi muitíssimo difícil “abandonar” o nosso novo cantinho no mundo e mal deu tempo para nos despedirmos das paredes decoradas, dos beliches e redes mosquiteiras, do pátio...de tudo! E no regresso da missão trago em mim grandes exemplos que me fizeram crescer, mas de todos, o que mais me marcou foi sem dúvida o esfor[...]



Missão Bombom, São Tomé e Príncipe 2015

2016-07-24T21:32:44.551+01:00

1. Teresa, Salomé, Inês, Carolina, Juliana e Telmo. O princípioVento. Apitos Frenéticos. Sorrisos marotos. Pés descalços. Caras Envergonhadas.  Vento. Somos seis. Seis pares de pernas à chinês numa carrinha de caixa aberta a sacudir os cabelos, com olhares perdidos entre uma folhagem verde e um mar azul. Trocam-se olhinhos com a gente na estrada de cesto seguro na cabeça, com os miúdos que passam ao canto com os irmãos nas cavalitas, a tentar esconder a alegria que já não serve aos corações.                                                                                   “Bem-vindos a São Tomé”         Às vezes, escrever sobre a coisa mais simples do mundo não é fácil. Pôr em palavras é… chato. Palavrear é passar o filtro do raciocínio e, às vezes, dá errado. Hoje, não consigo prometer que o que escrevo aqui é um relato fiel da minha missão. É o meu relato, a minha história. E prometo que está comprometida. A minha história não é fácil de escrever e está feita de invisíveis que não posso sequer guardar no rolo da câmara.          Acredito nos sonhos. Acredito no lado bom da vida. Acredito que uma chávena de café me tira o sono e acredito que um abraço consegue curar. Acredito no amor sem limites, acredito que só se vê bem com o coração e acredito no “para sempre”.         O meio 2. Juliana a chegar a casa.Num ponto do mapa-mundo onde só se aponta com o quinto dedo, comecei a acreditar no impossível:                                                                                                                - Dias com mais de 24 horas;                                                                                                                               - O meu cabelo em trancinhas;                                                                                          - Um amor cheio à primeira vista.                    Onde o Equador risca a terra, quase por coincidência, onde o cacau e a banana são ganha-pão, numa [...]



Missão Ganda, Angola 2015

2016-04-23T22:25:43.956+01:00

1. Mafalda, Tânia, Rita, Vitor e CláudiaJá passa da meia noite. A luz já foi embora, o Vitor vai as escuras buscar a lanterna ao quarto. Enquanto a Rita põe repelente nas redes mosquiteiras a Cláudia escreve no diário à luz do computador. A Tânia e a Mafalda vão à cozinha pousar os pratos da cerelac. Hora de ponta dos bichinhos e baratinhas a passear pela bancada. Entra-se na cozinha com um pé e sai-se com o outro. Não importa. Amanhã as tias Isa e Rosalina chegam bem cedo com o seu Walale? (dormiram bem?) na ponta da língua e os bichos escondem-se até ser escuro de novo. Assim se criam rotinas que agora recordamos com carinho.O que nos levou a querer ter uma rotina assim? Entre todos, com certeza, um pedacinho de generosidade, coragem para arriscar em sair da zona de conforto e uma pitada de curiosidade em conhecer uma terra com costumes tão diferentes dos nossos. Uma terra onde a missa dura 2h30 e é repleta de músicas em Umbundu acompanhada de palmas e danças; uma terra onde a mulher, apesar das adversidades, tem força para querer aprender mais e mais; onde as crianças brincam com bonecos feitos de terra ao mesmo tempo que, apesar dos seus 7 anos, tomam conta dos 5 irmãos que têm. Entre palestras no hospital, na policlínica e aos professores, explicações e dinâmicas com todos os grupos que nos queriam receber, fizemos do nosso mês de Agosto a nossa nova praia. Viemos brancos, gordos e cansados mas saber que pudemos acrescentar um ponto à história da Ganda faz-nos acreditar que naquele mês fomos úteis.2. Mafalda e Vitor durante uma aulaNão sabíamos que íamos receber tanto. Que íamos aprender a ser tão felizes com tão pouco. Fomos felizes a cantar e dançar a flor azul com a Ami e a Vanessa. Recebemos os sorrisos de diversão da Edna e do Pitbull e dos jovens a quem demos explicações. O agradecimento sincero da Dona Joana em termos trabalhado com as senhoras da PROMAICA. E a despedida? Custou para nós, custou para o padre Tiago que nos recebeu de braços abertos e chapéu na cabeça, custou para as tias Rosa, Isa e Rosalina que queriam a todo o custo tornar-nos filhas delas.Sobra agora uma saudade enorme daquela vida de simplicidade. Onde mesmo com luz apenas das 18h às 00h conseguimos (sobre)viver. Experimentem só... Saiam para a rua, aproveitem todos os momentos para aprender coisas novas. Temos tanto e não damos valor a quase nada. Sejam simples. Sejam como nós fomos durante um mês em Angola: onde os pés descalços são felizes!3. Voluntários com alguns jovens da comunidadeMafalda Costa[...]



Missão Mocumbi, Moçambique 2015

2016-03-28T21:16:44.768+01:00

1. Pedro, Sofia, Catarina, Ana e Marta“Dia 31, último dia, 27/8/2015Último dia, último dia deste mês tão surreal. Faltam 7 horas para chegar a Portugal, 7 horas para tentar assentar ideias, talvez. Só queria que estas 7h se prolongassem infinitamente, ou então não, mas o suficiente para viver tudo o que ainda tinha para viver aqui. Moçambique foi uma casa para mim neste último mês. Parto com a certeza que volto, talvez não tão cedo, porque como a Raquel uma vez disse “Para quê voltar aos sítios onde fomos tao felizes?” (….) Moçambique mostrou-se um país de gente incrivelmente boa, onde as pessoas se limitam a viver a vida com uma tranquilidade que lhes é tao característica. “Estou bem, nada mal”, dizem eles; retirar sempre tudo o que é positivo, aprender a viver com as dificuldades próprias da vida, mas mesmo assim superá-las e tentar encontrar forma de as contornar. Foi esta uma das maiores lições que trouxe de Mocumbi. Não são as dezenas de formações, não são as aulas, as palestras e as idas ao centro de saúde que fizeram e fazem uma missão; são as pessoas, os cheiros que conhecemos, as histórias de vida e os sorrisos que vemos. Estar em missão é estar totalmente disponível para absorver tudo isto, para dar tudo o que temos. Ainda questiono grande parte do trabalho que fiz, se realmente contribuiu para algum fim, se, ao fim ao cabo, fiz alguma coisa em que o produto final fosse realmente palpável. Depressa tenho chegado à conclusão que essa não é a mudança que realmente importa. Um mês não muda o mundo e agora, finalmente depois de ter vivido tudo isto, percebo isso. A mudança está em nós, a mudança somos nós: na maneira como vemos o mundo, agimos e pensamos (…) A mudança fui eu. Preparada para o próximo desafio que aí vem? “ In Diário de Missão da Catarina, a horas de aterrar em Lisboa2. Catarina com crianças da comunidadeHoje, quase um mês e meio depois de ter voltado de Mocumbi, foi a primeira vez que abri o meu diário de missão. Não o li todo, apenas a última vez que escrevi nele. Falar da minha missão é sempre muito difícil, não é que não tenha nada a dizer, mas é (ainda) impossível pôr por palavras aquilo que Mocumbi ou Moçambique foram para mim. É impossível explicar o que é ter o Mindo na nossa mesa de trabalho, o que são as discotecas do Frei Matipanha, o que são as viagens de horas na caixa aberta, os almoços e jantares de couves e folhas de abóbora, os dias de folga, as caminhadas até à escola primária, as baratas na casa-de-banho, as maçarocas, as boleias da irmã Lídia, as barras de choco cacahuete, as lições do Frei Maguta sobre frutas e as piadas do Frei Richa, a Ana a querer conversa quando estávamos todos a querer dormir, as surpresas da sofia, o “tens a certeza que precisas disso?” da Marta e a habilidade do Pedro para lavar roupa. Nós, que lá estivemos, nós sabemos o que isto significa para nós e o sorriso parvo que fazemos quando nos lembramos destas memórias no dia-a-dia. Que passe um mês e meio, dois meses, um ano, três anos, todos os anos possíveis, mas que as experiencias tanto deste mês, como de toda a caminhada permaneçam sempre comigo. Porque viver a essência GASTagus, além de viver e absorver tudo o que a caminhada e a missão nos dão, é também transpor essa mesma maneira de ver a vida no nosso dia-a-dia, no nosso poder de discernimento, nas nossas acções. O maior desafio para mim, agora, é fazer com que isto nunca se perca, porque afinal de tudo, fui eu que mudei e me moldei para ver o mundo com outros olhos. A partir de agora, o desafio está em mim, cabe a mim agarrá-lo. 3. Voluntários e crianças durante uma brincadeiraPor Catarina Capella [...]



Missão São Vicente, Cabo Verde 2015

2016-03-14T23:42:43.593+00:00

1. Voluntários no miradouro de São João, com alguns membros da comunidadeA ChegadaHouve um mês em que Cabo Verde se entranhou em nós. Chegou Agosto e eu dei por mimcom uma equipa que não tinha escolhido rumo a uma ilha que nem sabia que existia. Estamoshabituados a controlar todos os aspetos possíveis da nossa rotina e depois aprendemos aconfiar de olhos de olhos fechados e a aceitar. É quando a vida te mostra que nada acontecepor acaso.Estou dentro do avião e metade dos passageiros estão de pé. Em pequenos grupos asconversas desenrolam-se, há um entusiasmo palpável de quem foi em busca do mundo sópara depois poder voltar a casa. O primeiro passo fora do avião deu-nos uma vistamontanhosa e árida a perder de vista. No aeroporto esperava-nos o Frei Silvino, um italianoapaixonado por África. Conhecemos a casa que ia ser nossa durante um mês, fizemos as camase rimos até adormecer.Íamos a medo. Medo de nos apegarmos a uma felicidade com data de validade. A primeirasemana serviu para nos darmos a conhecer e para nos ambientarmos à misteriosa morabeza.Conhecemos o grupo de jovens da Ribeira da Craquinha e o da Pedra Rolada, podermoscomeçar a trabalhar com eles foi ótimo para nos adaptarmos mais facilmente.No segundo dia fomos convidados a assistir a uma atuação da orquestra Sabe Sabim, era anossa primeira vez na cidade. O Mindelo é mais mexido, é um porto aberto para o mundo.Voltámos com a orquestra e enquanto a viagem durou fomos a cantar com as crianças otempo todo. Esta foi a primeira vez que nos emocionámos. Quando trocamos olhares uns comos outros sabíamos que estávamos todos a sentir o mesmo. A música marca de formairremediável quem pisa São Vicente.Para que as pessoas soubessem que lá estávamos, andámos pelas zonas mais pobres aconvidar miúdos e graúdos a juntarem-se às atividades que íamos desenvolver no espaçojovem. Tentámos ainda perceber quais eram as maiores carências de cada família. No meio dascasas de chapa a pobreza ganha forma. Uma realidade tão distante dos nossos mundos que éinevitável não a recebermos com um peso no peito. Frequentemente convidavam-nos paraentrar, passavam-nos os bebés para os braços e sorriam-nos com gratidão, as crianças davam-nos a mão e espantavam-se com o nosso cabelo. É uma simplicidade desarmante, umasimpatia de quem não sabe ser diferente. Dás por ti sentado no chão com as crianças adescascar tamarindo e a pensar como é bom estar vivo.2. Catarina e Filipa, numa das visitas a uma famíliaA Estadia Quando lá estamos, acabamos por esquecer que não somos dali, a integração é tão fácil quenos sentimos como um verdadeiro Soncente! Ao longo das semanas que passámos deparámo-nos com o mais variado leque de situações, como por exemplo a ida ao Festival Baía das Gatas.Para quem não está habituado aquele género festivo consegue realmente surpreender-nos,porém não tanto pela positiva, isto em termos de organização do espaço pois o tempo que alipassámos foi um detalhe importante na nossa estadia pois foi aí que tivemos a criação de laçoscom vários dos voluntários da Ribeira de Craquinha. Foi nesses três dias, entre jogos de UNOsem parar, histórias e passeios criámos um elo importante e bonitas amizades surgiram.O tempo ocupado com as nossas aulas foi como a conquista do último troféu porque tantotinha lutado ao longo desse ano. Cada um de nós encontrava-se numa faixa etária. Eram dadasaulas desde dos 3 anos até acima dos 14. Dávamos aulas de português, matemática, pintura eainda inglês e francês pois a dificuldade em aprender uma nova língua torna-se complicadapara aquelas crianças, especialmente por não terem um hábito de estudo.Poder estar com aquelas crianças foi uma das melhores experiências da minha vida, foi o amorcom que se entregaram, as gargalhadas bem altas que [...]



Ser Orientador...

2015-11-12T22:45:42.063+00:00

1. Catarina em missão no CaimbamboJá passaram quatro anos desde que entrei como voluntária neste pequeno grande mundo que é o GASTagus e, ainda assim, cada ano que passa encontro velhas perguntas sendo que há uma crucial e repetitiva: “porquê ficar?”. Quem já passou por este “mundo” sabe do que falo: é admirável mas também pode ser esgotante, frustrante e obrigar-te a renunciar a tanto do teu dia-a-dia e de quem te é mais próximo. Mas depois olhas à tua volta, sentes esta força e energia “gastagusiana”.. o GT é feito de pessoas e é verdadeiramente impossível não ficar. Aqui somos recebidos por completo, a conexão humana é apurada, ganha-se um novo olhar, genuíno e despido de preconceitos, agita-se consciências, (re)descobre-se uma nova fé na humanidade... Aqui vive-se uma experiência ímpar e incomparável, que te permite enfraquecer diferenças, onde te tornas mais disponível, onde a noção do próximo ganha ainda mais sentido, onde a partilha e a entrega tendem a ser máximas. E não precisamos de ir em missão para sentir ou viver tudo isto. A missão é apenas o culminar de um ano estrondoso e encantador. Este caminho, as aprendizagens, ficam para sempre. O maior desafio é não esquecer, é não fazer disto “apenas mais um ano”. É transportar toda a nossa aprendizagem, com a mesma intensidade, ternura e honestidade, para o nosso dia-a-dia. É fazer deste desafio um pouco daquilo que te irá definir para o resto da vida. Esse é o verdadeiro desafio, esse é o exercício que o GT te propõe.2. Momento de formaçãoAo longo destes quatro anos, decidi ficar e parte dessa decisão teve muito a ver com a afinação humana que se deu em mim e com a vontade de devolver ao GT, e a outros, tudo o que o GT me ofereceu. Ser orientadora é um lado muito diferente mas as sensações não se afastam muito das do voluntário. Até hoje, embora o caminho percorrido tenha sido semelhante, tive quatro caminhadas com personagens muito diferentes. Mas, ainda que com histórias distintas, que têm o potencial de serem eternizáveis, existe um carinho e um “entender” transversal tão raro e suave que nos une de uma forma muito espiritual e singular e que me faz sorrir em cada lembrança. Esta é a força do GASTagus! Esta é a força que um abraço GT envolve! Acredito que esta ligação aconteça porque ao longo de cada caminhada acabamos por nos expor e envolver de uma forma inexplicável e inalcançável para muitos. As nossas fragilidades, as nossas partilhas, as nossas vidas, naturalmente encontram um lugar muito próprio no meio daquelas pessoas, expomos o melhor e o mais difícil de nós a pessoas que passam de nada a quase tudo da nossa vida.Esta caminhada iniciou-se em 2012 com uma equipa de orientadores muito especial e, ao longo destes anos não foram só voluntários fantásticos que me acompanharam e inspiraram. Comigo, tive também três equipas excepcionais que nunca me deixaram percorrer este longo e extenuante caminho sozinha. Miguel, Mariana, Pipa, Su, Diogo, Joana, Sandrinha, Pati, Joana, Eduardo e Linas, por nunca me terem deixado cair em momento algum, por me terem agarrado e acompanhado sempre, quero-vos agradecer do fundo do coração. E este ano, mais do que qualquer um, quero agradecer à Joana, ao Eduardo, à Mariana e à Linas que aceitaram o desafio de me acompanhar, enquanto responsável:  obrigada por terem aceite este desafio num ano que foi especialmente difícil para mim (re)começar, obrigada por nunca e em momento algum terem vacilado ou duvidado, pela confiança, por terem cuidado de mim e por partilharem isto de forma plena e com uma força e dedicação inesgotável. Voluntários e orientadores que partilharam esta aventura de quatro anos: um OBRIGADA a todos vós por tornarem este caminho muito mais fácil [...]



Momento-Chave do Reencontro, 2015

2015-10-01T22:28:11.902+01:00

1. Voluntários e orientadores da caminhada C de 2015"O teu nome e um objeto com a letra do nome". Mafalda manta. (Nem acredito que ainda hoje me apresentei assim quando um professora lançou a mesma forma de apresentação... )Caminhada, para muitos, significa andar numa determinada direção... Para mim, significa muito mais. Esta foi uma caminhada longa. 9 meses a caminhar para um lugar que ainda nem sequer descobrimos. Na minha opinião, vamos descobrindo. Vamos descobrindo o que é isto de voluntariado, como é que isso nos muda e o que é que mudamos e/ou mudámos. Eu descobri o que é ver o sorriso do Pedro Almeida todas as terças-feiras sempre que ia à Fundação Liga ajudar no atelier das artes. Descobri como é fazer terços e vendê-los em missas no Alentejo. Descobri o que é passar um mês fora da zona de conforto e ver a gratidão de tantas pessoas...De facto, foi uma longa caminhada GASTagus. Tudo começou em Dezembro com uma decisão efusiva: "vem fazer voluntariado", li. Enviar mail. Já está! Isto de "fazer voluntariado" já era um sonho de há algum tempo mas nunca me tinha debruçado muito sobre o assunto. Tenho 20 anos e uma vida académica atribulada, de modo que quando vi esta oportunidade, tomei a decisão mais rápida da minha vida (sim, porque indecisões é o meu forte. Sou balança!). Apesar de estar num curso um tanto trabalhoso, fui-me deixando ficar. Entre formações às quartas à noite e angariação de fundos aos fins de semana, tenho orgulho em dizer que me "safei a tudo". Se foi fácil? Decerto que não. 2015 foi um ano de mudança, de muita mudança... Com o GASTagus aprendi a ser simples. Nem que fosse só nos fins de semana de retiro, sem telemóveis, sem preocupações. Os outros fins de semana eram preenchidos com angariação de fundos para partirmos em missão! Muitos de nós deixavam os estudos para depois porque alguém tinha de ir fazer missas para o Alentejo, outros ficavam em Lisboa e ahh, os churrascos, os shots, os workshops! E antes disso pedir patrocínios e ajudas e fazer as compras.... Ufa! A verdade é que no meio de tanta coisa conseguimos! Passados 7 meses já tínhamos o dinheiro para 15 voluntários partirem para destinos desconhecidos, em equipas desconhecidas. É certo que muitos não conseguiram caminhar até ao fim. Temos de conseguir gerir muito bem o nosso tempo, as nossas prioridades. Mas vale tanto a pena! Valeu a pena todas as terças-feiras que dizia aos meus amigos que não podia ir beber café porque tinha voluntariado. Valeu pelo sorriso do Pedro Almeida sempre que me via entrar no atelier. Valeu pela força de vontade de todas as pessoas especiais da Fundação Liga. Pelo ar curioso do grupo sénior quando lhes falei sobre mitologia e arte urbana. E tenho a certeza que valeu a pena para eles também. Não fosse o Pedro gastar uma tela, com a pintura mais bonita que vi em toda a minha vida, para mim, dada como despedida e com um olhar (sim, porque ele comunicava apenas com o olhar) de "boa sorte".2. Mafalda com os escuteiros em atividades de artes plásticas, na Ganda - AngolaChega Agosto e chega, também, a hora de partir em missão numa equipa tão mas tão variada! Calma que sou a mais nova! Sou a pessoa "das artes" no meio de pessoas tão inteligentes, especiais e interessantes: a mana Cláudia, a mana Tânia, o mano Vitor(i) e a santa Rita. Angola não era de todo o meu sonho de missão. Sempre que pensava nas 10h de carro depois de 8h de avião ficava louca. Decidi não criar expectativas. Se calhar porque nem sequer tive tempo para as criar. Sobre o sítio o que posso concluir é "ainda bem que fui para a Ganda, Angola!". Nunca na vida iria ter a oportunidade de ir para um lugar assim. E se ficava louca em pensar nas viagens, louca fiquei em partilhar aqueles m[...]



Missão Namaacha, Moçambique 2014

2015-10-01T21:50:56.527+01:00

1. Os voluntários GASTagus, em momento de convívio, com alguns dos jovens da comunidadeDescobrir a minha equipa de missão e o país de destino apanhou-me completamente de surpresa. Iria com pessoas com personalidades muito diferentes da minha, para além do país de missão também me dizer muito pouco. Pus em questão muitas vezes se, de facto, todo o esforço e dedicação durante aqueles 9 meses teriam valido a pena.Será que conseguiria mesmo ir e dar o melhor de mim? Será que iria corresponder às expectativas que tinham para mim e conseguir ajudar a minha equipa da melhor forma?Dia 2 de Agosto era o dia D, estávamos todos preparados mas sempre com aquele nervoso miudinho na barriga para saber o que nos esperava em Moçambique. Nada nos preparou para o que íamos encontrar no terreno. O impacto cultural era enorme, o calor não era aquilo que diziam ser e a renúncia, que eu gostava de ter tido como desafio, era praticamente inexistente. Como seria de esperar, as expectativas em relação à Namaacha sairam completamente ao lado.Durante 28 dias vivemos no Colégio Maria Auxiliadora e onde usufruímos de excelentes condições tanto de alojamento como de alimentação. O Colégio tem cerca de 100 meninas internas e ainda uma escola para as crianças da vila, com terrenos agricolas que proporcionam uma maior autonomia e trabalho à população. Todos os dias, durante a primeira e última semana de missão, demos apoio escolar às meninas do internato. Durante o apoio eram feitos os trabalhos de casa, esclarecidas dúvidas e foram desenvolvidas actividades lúdicas como pinturas, plasticinas e origamis. Foram também nestes momentos que aproveitámos para conhecer melhor as nossas meninas, com brincadeiras e danças no pátio, sempre acompanhadas pelos seus sorrisos.Na segunda e terceira semanas de missão as meninas do colégio foram de férias o que nos deixou um bocadinho reticentes sobre o que fazer a seguir, uma vez que era algo para o qual não estávamos preparados.2. Inês em preparação de nova atividade para os mais pequenosApesar disto, saímos da nossa zona de conforto e fomos a procura de algo mais para além do colégio, algo que nos fizesse sentir mais próximos da população da Namaacha. Conhecemos um grupo de jovens que moravam perto do colégio, que nos deu a conhecer a vivência e a cultura desta terra.Conhecemos também o Centro Juvenil Dom Bosco, um local ideal para encontrar mais jovens, que vinham à procura de jogos. Com estes dois grupos conseguimos organizar várias formações e aulas de inglês, mas mais que isso, conseguimos conhecer a Namaacha.A partida foi um momento bastante emocional, tivemos direito a músicas e danças feitas pelas nossas crianças e uma capulana oferecida pelas Irmãs. Não foi fácil deixar aquele sítio para trás e todas as memórias daquele mês, mas voltámos com o coração cheio.Se valeu a pena? Sem dúvida, e se pudesse voltaria a repetir esta experiência. A minha equipa surpreendeu-me bastante pela positiva embora a missão não tenha começado da melhor maneira. As aventuras e as emoções foram mais do que aquilo que consigo exprimir, mas acima de tudo fui feliz. O meu mundo foi completamente abalado pelos sorrisos daquelas crianças, pela simplicidade e bondade das pessoas e Irmãs, que nos acolheram como se fôssemos família. Se mudei o mundo? Claro que não, mas mudei o meu mundo e sei que fiz a diferença da melhor maneira que consegui.O tempo passa e as saudades apertam cada vez mais, mas sempre na esperança de um dia poder voltar àquele país onde a terra é vermelha como fogo.Inês Oliveira3. Marcelo, Inês, Vanessa e Tatiana - a equipa da Namaacha[...]



Missão Bombom, São Tomé e Príncipe 2014

2015-06-25T12:02:59.457+01:00

1. Voluntários GASTagus no Ilhéu das RolasPARTIDA!13horas 32minutos - 6.Setembro.2014Aqui estou eu a sobrevoar o Oceano Atlântico com esperança de alguma vez voltar a fazer esta rota. Estou acordada desde as 8 horas de dia 5 de Setembro e sinceramente gostava muito de contar estas últimas horas, mas não consigo, não é por cansaço e não é por não querer é mesmo por não conseguir exprimir sentimentos tão fortes.Eu não estou apenas a deixar um alojamento para trás. Estou a deixar uma família, um lar!Deixo S. Tomé mas parte de mim ficou lá, parte de mim ficou com as pessoas que deixaram a sua marca neste diário e com as que não conseguiram deixar.Com todos aqueles que fizeram com que derramasse lágrimas de saudade. A família que tornou a nossa última noite na melhor noite!A minha bagagem vem cheia, assim como o meu coração. Levo comigo coisas que jamais esperava encontrar, vivências que ficaram marcadas como uma tatuagem.Levo os "ááinda", os "não preocupá" e os "náááda". Levo os sorrisos e os olhares das crianças. Pensava que não, mas vou sentir falta dos miúdos a olharem para mim logo de manhã porque estou a lavar os dentes, dos abraços diários (muito mais do que um por dia) e dos "prófééssorra". Dos taxi-mota e das carrinhas táxi amarelas. Dos cabelos trançados e dos pés descalços. Do caos do mercado e das discussões no meio da rua e dos puxões e de nos chamarem "brrrrancos". Das senhoras a transportarem os filhos nas costas. Das capulanas e das praias lindas! Vai ser estranho não fazer contas à vida em dobras e não dizer "bom dia" como se conhecesse toda a gente. Dos corpos quentes a kizombarem como se não houvesse nada a volta, mas com o respeito de como se estivessem rodeados de tudo. De olhar à volta e só ver verde... NÃO SEI!Dei tudo o que tinha para dar e tentei absorver ao máximo cada momento e cada segundo. Não sei quando volto, mas certamente irei voltar.Levantar voo e ver a ilha linda que deixei para trás é algo inexplicável mas impossível de esquecer. Deixar as pessoas lá foi o mais doloroso deste mês... Por agora não consigo explicar mais nem tenho vontade de escrever mais. Mas certamente ainda há muito mais para escrever.2. Mariana em momento de convívio com as criançasALTITUDE - 107 000 mDISTÂNCIA DE S.TOMÉ - 592 kmDISTÂNCIA DE LISBOA - 5172 kmin DIÁRIO DE MISSÃO - Mariana FigueiraSaudades deste mês que ficará marcado para sempre nas nossas vidas.As aulas de dança típica de S. Tomé (Tafua, Deixa, Hussua e Puita), o nosso pátio que desde cedo se enchia de crianças carregadas de flores e mimos, do carinho das enfermeiras do posto de saúde, dos jovens das formações, do nosso querido balde multifunções, dos nossos vizinhos adorados (ratos, ogas, aranhas, lagartos, centopeias…), de todos os sorrisos ternurentos que nos recebiam com o melhor bom dia de sempre, do banho de caneco, dos coros da paróquia que cantavam com tanta alma que nos enchia o coração, os rostos, as conversas, a música, a simplicidade… o Leve-Leve.Obrigado Bombom. Obrigado São Tomé. – Equipa Bombom 2014Joana Costa, David Pina, Catarina Brito, Sofia Pinto, Mariana Figueira, Susan Valério3. Equipa de Bombom - Catarina, Mariana, Sofia, David, Susan e Joana[...]



Missão Tarrafal, Cabo Verde 2014

2015-06-18T14:04:08.846+01:00

1. Os voluntários GASTagus com algumas das crianças da comunidadeTentar colocar em palavras o que foi o mês mais marcante das nossas vidas é uma tarefa impossível. Voltamos com a certeza que aquilo que se passou, aquilo que juntos vivemos enquanto grupo e aquilo que vivemos com as pessoas que nos receberam foi diferente do que tínhamos imaginado no dia 31 de Julho quando estávamos no aeroporto entusiasmados e a cheirar a lavado. É impossível imaginar os contratempos pelos quais em missão podemos passar; e as dificuldades que podem surgir, certamente foram diferentes daquelas em que tínhamos pensado, mas foi isto que fez sentido, não saber nada e viver tudo. Mais improvável é conseguirmos à partida, ainda cá, termos uma ideia do que vão ser as coisas boas que nos esperam, do que vão ser feitas. Mas logo nos apercebemos que estas teriam muito mais valor do que as pedras que iam aparecendo no caminho. É inexplicável ter crianças a irem buscar-nos a casa quando mal tínhamos acabado de acordar... Ter pessoas que sempre estiveram presentes sem nada pedir em troca. Ter uma senhora que apesar de nunca querer que ficássemos com uma recordação em foto dela, nos surpreende com uma música no momento da despedida.Aprendemos que partir em missão com um plano de atividades não significa que este seja o que vai acontecer, as mudanças são muitas e nós sentimo-las. Pensávamos que íamos trabalhar no Tarrafal e acabamos por nos dividir entre esta vila e Chão Bom. Mas estes contratempos serviram para tornar este mês ainda mais marcante e para nos dar a oportunidade de conseguir trabalhar com o dobro das pessoas e de receber o dobro de tudo aquilo que em missão se vive e sente.Já se passou quase um mês e mesmo assim acho que nenhum de nós consegue descrever sucintamente e objetivamente o que vivemos. Porque ir em missão é sorrisos, é lágrimas, é amor, é amizade, é “goiabada”, é olhos a brilhar, é coração cheio, é crescer duma maneira inexplicável, é inevitavelmente algo que se sente e que não nos permite explicar por mais que queiramos.2. Daniela e Joana em atividades com os mais novosIsto não é de todo estranho até porque não há como explicar o quanto aquela pequena mas grande vila agradável se tornou a nossa casa. A vista para o mar mais azul que alguma vez tínhamos visto, o chão empedrado, os pés descalços mas cheios de vida, os sons cabo-verdianos que tocavam na praça todas as noites... são coisas que permanecem em nós. Mas mais do que isto, aquilo que nos permanece no coração são as pessoas, o sorriso que nos ofereciam diariamente, os simples "bo sta dreto?" quando nos encontravam, as brincadeiras e os abraços diários das crianças. Pode parecer um cliché mas aquilo que toda a gente diz após voltar de missão de que “dás tão pouco comparado com aquilo que recebes”, é realmente verdade.Hoje temos um cantinho especial no coração para imensas crianças, jovens e adultos que não podemos nomear se não o nosso texto seria só uma enorme lista. E o melhor de tudo é saber que o sentimento é recíproco, que marcámos realmente a vida daquelas pessoas… com uma formação sobre primeiros socorros ou sobre planeamento de eventos, por apenas estarmos presentes diariamente com as crianças e por brincarmos ao pónei ou à macaca. O Tarrafal é a nossa casa e marcou cada um de nós de maneira única mas igualmente intensa!Sabemos que valeu a pena quando passado um mês tudo isto nos continua a fazer falta, tudo isto e tanto mais que vivemos.Como nos disseram algumas vezes:“CABO VERDE É SABI” e só quem lá esteve sente isto desta forma.Os frescos do Tarrafal Catarina Gomes, Daniela Colaço,Filipe Pantoj[...]



Momento-Chave da Conquista, 2015

2015-06-12T00:27:06.214+01:00

1. Voluntários e orientadores durante a caminhada pela serraE quase sem darmos por isso, chegámos ao Momento Chave da Conquista. O ambiente era de festa, de total descontração, principalmente por sabermos que todos os presentes vão em Missão. Todos nos sentíamos em família ali, com aquelas pessoas, naquele momento, conquistado com o nosso suor e lágrimas.Já não havia aquela coisa de “Para onde é que vamooooos?”. Sabíamos que iriamos estar bem, mesmo que fossemos para o fim do mundo. Houve até alguém que disse, no auge da nossa caminhada pela Serra da Arrábida que “com vocês até ia para a guerra”.Como já deu para perceber, fomos para a Arrábida, mais especificamente para o CEADA – Centro de Educação Ambiental da Arrábida. Ao chegarmos, havia um ambiente mágico no ar: o tempo estava perfeito, o céu limpo, e uma Lua que parecia o Sol a pratear as encostas da Arrábida. Até os pirilampos nos vieram receber! (É de referir que alguns de nós pensavam que os pirilampos eram um mito).Para além das dinâmicas e dos jogos, que antes serviam para quebrar o gelo e agora são momentos de macacada e parvoíce saudável, passámos grande parte da tarde de Sábado a caminhar. Mas não foi uma caminhada qualquer. Foi uma caminhada de reflexão sobre a nossa própria caminhada GASTagus, onde nos apercebemos o quanto vivemos, o quanto mudamos e o quanto crescemos desde o início. É surreal pensar que há apenas 6 meses eramos perfeitos estranhos, que o destino nos tinha unido num projeto de voluntariado, e agora somos pessoas indispensáveis na vida uns dos outros. Isto porque já ligamos simplesmente só para dizer “olá” e para perguntar se está tudo bem, ao mesmo tempo que ansiamos pelas reuniões só para estarmos 3 horas na companhia uns dos outros. Muitas das vezes até achamos que estas 3 horas não são o suficiente, queremos sempre mais e mais.Chegar ao topo da Serra (depois de uma tarde cansativa, toda a subir), com aquelas pessoas, as nossas pessoas, não pode ter outra descrição: É épico. É dos melhores momentos das nossas vidas, e é porque foi partilhado com algumas das melhores pessoas que estão nas nossas vidas. Mas o melhor ainda estava para vir...A tarde já ia longa, e ainda nos metemos no carro para dar uma grande volta à serra. Nós já pensávamos: “Bom, já nos enganamos outra vez, né?” (costuma acontecer bastante em MC’s). Mas quando percebemos para onde íamos, sabiamos o que ia acontecer. Descemos até ao Portinho da Arrábida, que é apenas e só uma das mais belas praias portuguesas, e fizemo-lo abraçados, passo sincronizado, sem uma palavra. Apenas olhares. Aquele tipo de olhares que se sobrepõem a todas as palavras que possam ser referidas. Partilhamos cumplicidade no silêncio, e sentimos que eramos uma verdadeira família onde existem verdadeiras amizades.E ali, à beira-mar, podíamos observar pequenas garrafas, cada uma com um nome, e no seu interior, com uma peça de um puzzle. Tudo se encaixava. O céu brindava-nos com o sunset mais lindo de sempre. Um a um, fomos em busca do nosso destino. A cada partida, ansiedade. A cada regresso, sorrisos partilhados entre todos. E quando todos abrimos as garrafas, uma enorme alegria! Alguns a pular, alguns a chorar, mas um grande sentido de união e felicidade e sobretudo de conquista! Tínhamos conseguido!2. No final do percurso, os voluntários e colaboradores da caminhada B no topo da Serra da ArrábidaAproveitamos também para agradecer aos nossos maravilhosos orientadores pois mostraram-se sempre  incansáveis conosco. A eles, devemos muita coisa mas principalmente o nosso profundo agradecimento. Tanto por serem quem são[...]



Missão São Domingos, Brasil 2014

2015-05-29T11:41:40.684+01:00

1. Voluntários na escola primária de São DomingosO que foi para mim a Missão?É sempre difícil para mim responder a esta pergunta... Quando me disseram que ia fazer Missão no Brasil, longe de mim pensar, que ia ser um dos melhores meses da minha vida. Senti o nervosismo quando soube da notícia e a pouco e pouco fui-me preparando para o que se adivinhava, no mês de Agosto de 2014.Para mim a Missão é feita de momentos, é feita de sorrisos, de abraços, de lágrimas, de pessoas. É por elas que partimos durante um mês. Partimos com o sonho de levarmos um bocadinho de todos nós e podermos fazer a diferença, partimos porque temos o desejo de darmos o nosso melhor e fazermos as pessoas mais felizes .Guardo tanta coisa de missão... Lembro-me como se fosse ontem chegarmos à comunidade de São Domingos e como as pessoas nos receberam tão bem. Guardo vivamente na memória a maneira como éramos carinhosamente tratados por “Os portugueses”.Não me canso de dizer, mas a amizade que criei com a minha equipa de missão foi algo incrível e é algo que levo para a vida. Juntos percorremos o Ceará. Cada um com a sua personalidade, com a sua maneira de ser, mas todos com o mesmo sonho de querer mudar o nosso Mundo, neste caso, o “nosso Brasil” durante aquele mês... O Brasil que por ventura é tão grande, e que apesar de termos passado lá um mês o tempo passou a correr.Sinto que fiz pouco e que podia ter dado sempre mais... Mas creio que esta é a sensação de quase todos os voluntários. A sensação de querer sempre fazer mais em prol daqueles que mais necessitam.Do Brasil guardo cheiros, guardo pessoas no meu coração, guardo sorrisos, guardo o pôr do sol em frente à nossa casa sobre o açude durante todo aquele mês, os mosquitos, os animais, o calor, o amanhecer... O acordar às 6h e pouco da manhã. De apanharmos o “ônibus” com os miúdos e de chegarmos à escola e “Todo Mundo” querer falar com “Os Portugueses”. “Todo Mundo” à nossa volta a querer saber como era a nossa cultura, como era falar o português de Portugal, como era ser Português. E nós éramos apenas uns simples jovens, tal como muitos deles que queríamos contar a nossa história e o que nos motivava a estar ali. O porquê de deixarmos um mês a nossa família e renunciarmos a certas coisas para podermos conviver com eles. Um mês em que preferimos ir para uma comunidade em vez de passarmos umas férias com os amigos. Isso para mim é Missão. E a Missão é deixar tudo para trás, desafiarmo-nos a nós próprios e partilharmos aquilo que estamos a sentir naquele momento, são os sorrisos que vemos diariamente e os sorrisos que se colocam nas nossas caras durante os dias, são as conversas que se estendem pela noite fora. A Missão é feita pelos voluntários e todo o espírito de equipa é fundamental.Aprendi a crescer em Missão, aprendi que muitas vezes com pouco, as pessoas são tão felizes, aprendi que se deve sempre valorizar e agradecer tudo aquilo que temos. Pois uns encontram-se em situações piores e mesmo assim dão a volta por cima com aquilo que têm.Um grande beijinho para todos e o desejo forte de que um dia vou voltar!Filipa VenâncioFui pelo segundo ano em missão, como orientadora... Pensava que tinha um grande desafio entre mãos, o qual não sabia ser capaz... Tinha muitas expectativas, queria proporcionar a melhor experiência à minha equipa e sabia que o Brasil não era o local de missão favorito, pelo menos no GASTagus. Acabou por ser uma enorme supresa, todas as minhas dúvidas e medos rapidamente se dissiparam, e muito se deve ao facto de termos criado desde logo uma grande equipa, coe[...]



Missão Inharrime, Moçambique 2014

2015-05-22T13:49:16.042+01:00

1. Voluntários e meninas do centro Laura Vicuña em dia de passeio, junto à Lagoa PoelelaÉ sempre difícil quando me pedem para falar ou escrever sobre missão. Não porque não tenha nada para dizer mas, muito pelo contrário, porque há tanto para partilhar, para contar que se torna difícil expôr tudo num papel, sem que nada fique esquecido. E também é sempre difícil conseguir passar aos outros, que não estiveram lá, aquilo que vivemos. A equipa, as pessoas, as paisagens, os cheiros, o calor húmido dos climas tropicais ou as comidas é algo que fica, para sempre, na nossa memória; imagens que sentimos e guardamos com carinho e que, quem não as experienciou, nunca conseguirá compreender o seu valor. Pode imaginar, criar algo na sua cabeça, mas nunca o irá entender na sua plenitude. E aqui reside a difícil tarefa de contar aquilo que foi a nossa missão porque, por mais que tentemos explicar, parece que nunca conseguimos transpor o que verdadeiramente sentimos ou o quão isto ou aquilo foi (e é) importante para nós. Quem passou por esta experiência, quem sentiu aquele cheiro africano, quem comeu aquele arroz tão típico ou quem pisou aquela terra vermelha, sabe do que falo. Ainda assim, vou tentar partilhar o que foi a nossa missão. E digo nossa porque não foi apenas minha, mas também de mais quatro pessoas fantásticas que comigo a partilharam. Faz hoje um mês que, por esta hora, já tínhamos regressado a Maputo (depois de um mês onde tudo foi vivido intensamente) para voarmos, novamente, para Lisboa. Ninguém queria voltar, mas as circunstâncias assim o ditavam. O nosso trabalho tinha sido concluído e chegava a hora de partir, não obstante com uma enorme vontade de um dia poder voltar, continuar aquilo que iniciámos e ver o quão aquelas crianças cresceram e aprenderam.Findo um mês, pensei que seria a altura ideal para me sentar e escrever sobre Moçambique. E escrever sobre este país, é falar sobre as Irmãs que tão bem e tão calorosamente nos sabem receber. É, também, agradecer-lhes pela preocupação e pelo carinho; agradecer pelas lindas palavras de boas vindas que, num bonito postal nos escreveram, e felicitá-las pelo nobre trabalho que fazem junto do povo moçambicano. Falar sobre esta terra é, também, escrever sobre as meninas que, com uma alegria e energia imensa, dão vida àquele centro, correndo de um lado para o outro e gritando pelo mano Rui, pelo mano Eduardo, por mim (mana Sandra), pela mana Margarida ou pela mana Mafalda cujo nome, ao início, tinham dificuldade em pronunciar. É falar sobre as noites de Sexta-feira ou as tardes de Domingo (que pareciam nunca mais chegar) que passávamos juntas a trançar os cabelos (nem os meninos escaparam!) e onde se faziam algumas confissões de meninas. É recordar os jogos e as cantigas de roda, tão típicas da Infância, e voltar a ser criança sem nos importarmos de rebolar na areia, de sentar no chão ou de sujar as mãos. É ter na memória o nosso ar de desaprovação quando, por vezes, nos pediam para lhes fazermos os trabalhos de casa (as crianças arranjam com cada artimanha…!), ou recordar os progressos que faziam nas matérias escolares. 2. Sandra e uma das meninas do centro, numa tarde a trançar o cabeloNão esqueço os professores que, um dia, connosco partilharam as suas dificuldades, as suas dúvidas, os seus medos e o quão difícil é ser professor naquela realidade. E por isso louvo o trabalho e aquilo que fazem por aqueles que, diariamente, lhes chegam com todas as suas vivências e particularidades tão distintas umas das outras!Lembrarei, para sempre, os seminarista[...]



Missão São Nicolau, Cabo Verde 2014

2015-04-23T17:41:15.989+01:00

1. Crianças da colónia de férias na vila de Ribeira BravaSabes que estás em Saniclau quando um minuto equivale a uma horae uma amizade é igual a um para sempre…Todos os dias saíamos à rua a pensar no que tínhamos de fazer… Pensávamos em como devíamos agir, como nos devíamos comportar, no que realmente devíamos fazer para marcar a diferença e deixar um pouco de cada uma de nós. Inocentemente, pensávamos que isto era relevante - que ignorância a nossa!Quando sais daquilo que é a tua zona de conforto e cais de pára-quedas num outro mundo tão diferente daquilo que idealizaste, as descobertas são imensas e tudo vem de uma forma muito natural. A partir do momento em que deixas de pensar e te deixas surpreender começa esta aventura que é a TUA missão. Tudo aqui é intenso… Sabemos que estamos tão longe, mas não nos podíamos sentir mais em casa. Aqui tudo é mágico... tudo é feito de contrastes, de festas, de música e de dança, de braços abertos por sorrisos genuínos estampados no rosto de cada um que por nós passa. Aqui tudo é tranquilo, pois a pressa não faz parte da vida deste povo. Tudo tem um tempo e esse tempo pode ser o amanhã. Todos os dias a paisagem é única… As montanhas sobrepõem-se lá no alto por detrás das casas com vista para o céu enublado, as mangas e bananas dão cor ao cenário acastanhado, os vendedores cumprimentam-te na rua, os miúdos pedem-te uma mãozinha de água e o kriol dá vida às ruas da vila.Tudo é sab em Cabo Verde,os dias são tcheu sab e as noites undi da ki panha2. Dia de caminhada com os jovens da paróquia pelos trilhos das montanhasNo terreno demos o melhor de nós: queríamos não só formar, consciencializar, deixar ferramentas e brincar, mas queríamos acima de tudo receber o que aquelas pessoas tinham para nos dar, porque acreditamos que não poderia ser de outra forma, não se queríamos viver este mês em pleno… E assim foi! Saímos à rua e não voltámos as mesmas: não voltámos indiferentes à alegria e simpatia com que fomos recebidas, aos sorrisos e gritos das crianças que nos chamam, à simplicidade e calma que se faz sentir… no fundo, à verdadeira genuinidade que nos rodeia. Aqui foi onde aprendemos o verdadeiro significado de morabeza.Há dias em que só pensamos no futuro,E dias em que temos saudades de quase tudoJá passou um mês? Um mês é tão pouco e como tal sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar, mas que sem ela o mar seria menor.Agora, já em Portugal, sente-se um enorme vazio embora tenhamos aterrado com a bagagem repleta de vivências e memórias inesquecíveis, contagiadas pela alegria, coragem e fúria de viver dos cabo-verdianos. Trazemos riquezas que ninguém pode comprar… Trazemos um povo bem quente nos nossos corações que nos fez apaixonar por aquele pedaço de paraíso no meio do oceano. Trazemos também a beleza da morna, o calor do zouk e a energia do funaná através dos nossos moss’. Trazemos connosco os pés descalços, encardidos e queimados pelo alcatrão. Trazemos a vontade de dançar quando nos apetece e porque nos apetece e não porque “é a ocasião para tal”. Trazemos acima de tudo Sodade dess nha terra de Saniclau, e por isso mesmo sabemos que valeu realmente a pena.O difícil não é partir... difícil é voltarMas hoje vemos uma vida num mês e não apenas um mês nas nossas vidas.3. A equipa no aeroporto de Lisboa à chegada: Bárbara, Iolanda, Madalena, Margarida e CatarinaBá, Cate, Gogas, Iola, MadaKriolas de São Nicolau[...]



Missão Conceição, São Tomé e Príncipe 2014

2015-04-10T19:11:41.482+01:00

1. Voluntários GASTagus em convívio com os jovensDia 2 de Agosto. Finalmente tinha chegado a altura de embarcarmos na aventura pela qual tínhamos trabalhado tanto nos últimos 6 meses. Foram meses onde se fizeram novas amizades, se descobriram novos talentos, se viveram novas experiências, se descobriram novas qualidades, enfim, onde tudo foi novo. Não foi uma caminhada fácil mas agora, vendo bem, ainda bem que assim foi, pois foi com as dificuldades ultrapassadas que todos evoluímos e nos unimos. Chegado o nosso dia de partir para a fantástica cidade da Conceição, estávamos com um misto de emoções pois íamos partir para o desconhecido e não sabíamos bem o que esperar. Cinco pessoas com gostos, idades, experiências e hábitos diferentes juntas durante um mês num país diferente longe de tudo e de todos. Podia ter corrido mal, mas não. Acabou por ser das melhores experiências de sempre, aproveitámos o que cada um tinha de melhor, juntámos isso tudo e conseguimos fazer uma excelente missão. Tivemos momentos de aflição, de desespero, de estupidez, de parvoíce, de saudade. Não importava que alguma coisa corresse mal, pois estávamos juntos e quanto a isso, não havia nada a fazer.Na Conceição tínhamos os dias todos preenchidos, desde treinos de futsal, a cursos de inglês, gestão, saúde, português e informática, a atividades com as crianças no curso de férias e a atividades com as crianças na Água Porca. Podíamos chegar ao final do dia exaustos, mas não nos importávamos pois acabava por ser um bom cansaço, um cansaço que sabíamos que era causado por estarmos a fazer algo útil e que era retribuído por aqueles olhares inexplicáveis dos são-tomenses, que transmitiam uma felicidade e paz enormes e aqueles abraços cheios de uma força que eu, sinceramente, não sei de onde vinha. É difícil explicar o que senti em missão, pois as emoções foram tantas e tão intensas, mas posso arriscar dizer que talvez nunca me tenha sentido tão bem comigo própria como me senti em São Tomé. Era incrível a maneira como nos tratavam. Parecia que nós éramos uns heróis mas, vendo bem, os heróis acabaram por ser eles, pois com tão pouco conseguem fazer tanto.2. Mónica em atividades com algumas das crianças do bairro de Água PorcaAinda só passaram 2 semanas e já tenho saudades da rotina feita durante o mês de Agosto: acordar de madrugada, lavar a roupa à mão no tanque do Abi, vestir a t-shirt do GASTagus, andar 15 minutos para comprar pão, voltar para casa, comer o pão com manteiga, encher os cantis com água para o dia todo, sair de casa a caminho da paróquia da Conceição com o almoço e bolas de futebol e basket atrás, ser abordada pelas pessoas por quem passávamos, ouvir as músicas em som bem alto das barracas, ser chamada de "blanca", chegar ao curso de férias e ser recebida pelos miúdos com abraços e beijinhos como se não nos víssemos há anos, de ver os facilitadores, de brincar ao jogo do meio e de jogar basket com as crianças, de separar brigas, dos passeios, dos almoços de pão e salsichas, das longas caminhadas para a Água Porca às 14h, de mais uma vez sermos recebidos pelas crianças como se fossemos anjos, de jogarmos ao jogo Lata, do Lencinho, da Pedrinha, de cantarmos as músicas deles e nossas, de jogarmos futebol naquele campo grande cheio de pó, de ficarmos com os olhos a lacrimejar, de termos de gritar milhares de vezes para ser feita uma roda, de fazermos o "patinho, patinho, patinho quá-quá", de nos despedirmos e sermos levados até metade do caminho para a Con[...]



Missão Ganda, Angola 2014

2015-04-03T17:56:05.049+01:00

“Há dias que já lá vão,Há dias que nunca mais chegam,Há dias em que contamos os dias para as férias a missão.”1. Ana, Inês, Cátia, Joana, Vitor e David - a equipa da Ganda Finalmente tinha chegado: 12 de Agosto. Começava aqui a missão Ganda 2014. Um misto de emoções preenchia-me: de um lado a vontade e o desejo de conhecer o local e as gentes, de finalmente alcançar aquilo de que tanto ouvi falar durante nove meses, e do outro, o receio de não estar à altura das responsabilidades e expectativas.“Primeiro estranha-se, depois entranha-se”. Penso que este slogan de Fernando Pessoa cai que nem uma luva na missão. Ora atentem: primeiro estranha-se toda a burocracia e ginástica necessária para podermos embarcar num avião rumo a Angola. Estranha-se a incerteza em relação ao nosso dia de partida. Estranha-se igualmente conhecer, já no aeroporto, os dois voluntários que vão também connosco em missão. Estranha-se tanta, tanta coisa, mas agora, ao escrever este texto, olho em retrospetiva e vejo que nos “entranhámos” na comunidade da Ganda de uma maneira mesmo muito especial.Perdida na província de Benguela, já a caminho do Huambo, a Ganda é uma cidade que hoje se debate para recuperar um pouco da glória de outrora, perdida violentamente com a guerra. É uma cidade com muitas cicatrizes, mas quem lá vive faz a sua vida de forma descomplicada, enfrentando cada dia como se fosse o primeiro.Não é fácil chegar a um local que nos é completamente desconhecido e durante um mês, mais coisa menos coisa, alterar a rotina diária daqueles que nos recebem para que possam fazer connosco as atividades planeadas. A maioria vive em casas de adobe, com telhados de zinco, sem luz nem água e em condições que para nós seriam de miséria, e que ainda assim nos recebem com um carinho extremo e nos oferecem tudo aquilo que possuem.2. Vitor em visita a Chicuma, uma aldeia típica da regiãoSe senti que os meus dias lá passados fizeram uma diferença extraordinária e mudaram o mundo? Não, pois um mês sabe realmente a pouco. Mas como alguém uma vez me disse, pelo menos durante aquele mês as crianças da escola do P.I.S.I. puderam ser verdadeiramente crianças, as senhoras da PROMAICA receberam conselhos para melhorar o seu dia-a-dia, os rapazes e raparigas da Missão Católica do Ndunde quebraram a rotina diária com caças ao tesouro e formações dinâmicas, os escuteiros brincaram e descobriram mais sobre o mundo que os rodeia… Aquilo que demos foi tão, mas tão pouco comparando com aquilo que recebemos.Agora a derradeira questão: Ao lerem este texto ficaram verdadeiramente com vontade de poder fazer parte de uma equipa de missão? Sinceramente, acho que é impossível conseguir transmitir através destas simples palavras tudo aquilo que senti e vivi em missão (talvez se tivesse a capacidade de um Fernando Pessoa ou Saramago a coisa fosse possível). Como alguém um dia afirmou “Uma imagem vale mais que mil palavras”. Pois então eu digo “Uma missão vale por um milhão de testemunhos“. Vale pelo sorriso da Edna, pelas macacadas da Alice, pela simpatia da Bianca, pelo afeto do João, pela curiosidade do Nelson, pelo carinho das Tias Isa e Rosalina, pela humildade da Professora, pelas histórias da irmã Luísa, pelo amor maternal da irmã Laurinda, pelas palavras do Pe. Tiago…Vale por tanto que quem tiver a oportunidade de viver uma experiência semelhante, de preferência trilhando o caminho com o GASTagus, é certo que a recordará para o resto da vida. Eu irei, c[...]



Momento-Chave do Desafio, 2015

2015-04-09T14:10:32.676+01:00

Voluntários e colaboradores da caminhada EEste fim-de-semana tivemos o nosso terceiro momento-chave. Só por ser um fim de semana destes já estaria super entusiasmada, já que é sempre algo extraordinário e que fica na memória. Nunca eu sonharia que seria tão fantástico como realmente foi! Tivemos o privilégio (foi mesmo um privilégio) de passar o fim de semana no centro de apoio social do Bairro 6 de Maio.Este bairro sempre me foi “vendido”, e sendo eu de Coimbra apenas conhecia o que era comentado nos meios de comunicação social, como um local pouco aconselhado a ser frequentado e uma zona muito problemática. Após a minha experiência não posso dizer que não seja uma zona problemática, mas é também um bairro com uma magia maravilhosa. Primeiro que tudo fomos recebidos pela Irmã Deolinda que nos deu um apoio fantástico. Explicou-nos todas as atividades que são desenvolvidas pelo Centro Social (como é o exemplo de ser um centro de estudos tanto para crianças como para adultos) e também um pouco da história do Bairro e da comunidade que dele faz parte e que lhe dá vida, e da função que a congregação da Irmã Deolinda tem tido no apoio a esta comunidade. Aguçou-nos a curiosidade quando nos disse que sentiríamos uma magia quando estivéssemos na presença das pessoas do Bairro, magia essa que é difícil de colocar em palavras. E não nos enganou…A alegria e hospitalidade demonstrada por todos os membros do bairro que nos acolheram foi da mais genuína que eu alguma vez experienciei. É uma alegria que se sente na alma e que não fica apenas à superfície! Fizemos várias atividades todas elas com a sua “dose” de magia e certamente as atividades que me marcaram a mim serão diferentes daquelas que marcaram os meus restantes colegas de caminhada. Fizemos atividades com as crianças do bairro durante a tarde de sábado, visitámos algumas das casas da pessoas do Bairro, animámos a missa de domingo (uma experiência deveras desafiante mas ao mesmo tempo super divertida) e por fim tivemos a sorte de almoçar com a comunidade uma cachupa divinal!!Mas para mim, o momento que levarei comigo e que realmente não vou esquecer foi a forma como fomos recebidos em casa de uma das moradoras do bairro! Foi a sua alegria, o querer dar-nos a conhecer a sua cultura e a sua simplicidade que mais mexeram comigo e que me levaram a querer ficar naquela casa e a querer conhecer um pouco mais da história daquela família fantástica.Para finalizar gostaria de agradecer aos meus orientadores pela ideia brilhante de nos levarem a este local e a toda a comunidade do bairro 6 de Maio por nos terem recebido com a sua tão característica forma de ser. Espero sinceramente que nunca percam esta magia que têm em si!Mariana Pinho[...]



Missão São Vicente, Cabo Verde 2014

2015-03-19T21:59:18.945+00:00

1. Os voluntários em convívio com os jovens depois da subida ao Monte VerdeEscrevo este post ainda em modo Cabo Verde. Sim, porque demora a sair do modo Cabo Verde. É uma tranquilidade tão grande e acima de tudo tão natural, que cativa e encanta. E nos faz querer voltar.Mas vamos começar pelo princípio. Tudo isto começou em Novembro. Isto, o GASTagus. Reuniões, formações, momentos-chave. Pessoas novas. Experiências novas. Desafios novos. Um sonho antigo. O de Ir.E fui. Partimos de Lisboa dia 31 de Julho e aterrámos em S. Vicente dia 1 de Agosto. Às costas, pouco (ainda menos depois de nos terem perdido as malas); em mente, muito. Muitas expectativas, muitos objectivos, muita entrega, muita vontade. Vontade. De mudar o mundo.Estar em missão é isso mesmo. É estar. De corpo e alma. Com os sentidos mais apurados do que nunca e a mente aberta. E por mais que queira descrever esta sensação, não consigo. Porque é tão diferente de tudo o que já vivi, que ainda não sei como falar deste mês. Mas posso tentar. Quando me perguntam o que fizemos lá, que actividades e formações demos, conto dos campos de férias na Craquinha e na Pedra Rolada, duas comunidades tão próximas (de carro!!!) mas com necessidades tão diferentes; das formações de novos negócios; da campanha de sensibilização contra o alcoolismo em que participámos no festival da Baía das Gatas; das nossas 1001 aulas de Inglês, na Craquinha e na Pedra Rolada, e ainda do famoso inglês para Marinheiros, que tantas dores de cabeça nos deu no início, pela incerteza nas nossas capacidades em assegurar tal formação. E esta falta de diversidade de actividades fez-me, por vezes, questionar se seríamos realmente precisos ali. Se não havia outro sítio onde fossemos mais necessários, onde mudássemos mais o mundo.2. Filipa e Lu, uma das meninas da comunidadeOs cabo verdianos encarregaram-se de me responder. Com subtileza e com verdade. Não de uma só vez, mas aos poucos, como quem semeia uma flor e a vê crescer todos os dias. Com verbos to Be´s bem conjugados, com contas de matemática bem respondidas, com palavras bem soletradas. O objectivo da missão é dar. Dar tudo quanto temos e quanto podemos. E, se por vezes senti que podíamos ter dado mais; outras, sei que demos o que eles precisavam. Porque nem sempre o que podemos e queremos dar é o que o outro precisa de nós. E há que perceber isso.E este mês foi de tal maneira intenso que pareceu um ano, e uma semana, ao mesmo tempo. Um ano, por tantas coisas novas que vimos, tanto que aprendemos e absorvemos a uma velocidade estonteante, tanto que descobrimos da humanidade e de nós. E uma semana, porque o tempo voou e se num dia nos olhavam com curiosidade; noutro já toda a gente nos perguntava “Tud dret?”, já os miúdos da Pedra Rolada nos gritavam pelo “Senhor Doutor”, já o Sungli nos pedia para ter aula de inglês até às 18h e a Lu corria para nós com um sorriso que faz o dia de qualquer um.E agora, chegados a Portugal, temos tempo para parar e olhar para trás. Tempo para reviver aquele mês, e passá-lo em repeat na nossa memória. Tempo para lembrar as vidas que connosco se cruzaram. Os sorrisos que arrancámos. Os mundos que tocámos. Tempo para pensar em tudo o que ensinámos e tomar consciência de tudo o que aprendemos. Tempo para perceber o quanto crescemos. E o quanto fomos felizes.Obrigada “Soncent”. Obrigada Cabo Verde.3. Luís, Tiago, Filipa e Catarina com Salete e sua mãe, duas amigas l[...]



Missão Mocumbi, Moçambique 2014

2015-03-12T13:59:48.920+00:00

1. Apoio de voluntária GASTagus aos bebés no centro de saúde localO que nos move é a força de mudar algo que pudesse estar ao nosso alcance, também um sonho de infância ou talvez uma vontade de ver o mundo de uma outra perspectiva.Depois de uma caminhada emocionante recheada de experiências e amizades, as equipas foram seleccionadas.Rumo a Mocumbi partiram a Mónica, a Natacha, a Carina, a Marta, e o Paco, 5 jovens com visões diferentes, idades diferentes, mas um sonho em comum. Não sabíamos o que esperar daquela comunidade isolada que por imagem de satélite avistávamos, porém carregávamos connosco uma mochila cheia de sonhos e com vontade de ajudar, condimentada com receios e medos, mas com a alegria de ter uma equipa unida e forte.Quando me lembro de Mocumbi, o que me salta à vista é o caminho de terra rodeado de coqueiros, onde no centro, ali está ela, a belíssima igreja de Mocumbi! 2. Marta nos tempos livres com algumas das crianças da comunidadeEm simultâneo oiço os risos das crianças, tão estrondosos que reflectem música para os meus ouvidos, oiço ainda o hino de Moçambique cantado pelos alunos, com um enorme respeito, ouvindo-se as vozes doces e tímidas que deixam qualquer um emocionado. Ainda sinto a hospitalidade da comunidade, as longas conversas com o frei Ricardo, as atribuladas viagens no carro com a irmã Lídia e as apaixonantes aventuras na caixa aberta. O arroz com feijão que nunca comi e os banhos de caneco que me faziam cantar mais alto que nunca. As redes mosquiteiras que nos protejam e o mephaquin que nos prevenia da malária, as invasões dos visitadores, e a preocupação com os ladrões da bomba... São mil e um sentimentos que ainda estão à flor da pele e que nos fazem voltar aquele lugar mágico onde o céu é um porto seguro e onde um Obrigado é a chave da felicidade. Terra da Boa Gente e agora já sei o porquê, somos todos família e onde a expressão ‘’Tamos Junto’’ faz todo o sentido.Foi preciso percorrer 8.000 km de distância para perceber que tudo o que tenho pouco ou nada me faz falta. Sabiam que a água fria enriquece os ossos e que as torneiras só dão é trabalho a rodar? Que ao lavar a roupa à mão queimas mais calorias ao invés de serem lavadas na máquina? E que ao bombeares a água estás a exercitar os teus músculos e poupas dinheiro no ginásio? E ainda que caminhar descalça e com a roupa rota te dá um certo estilo?Não sabias? Há 3 meses atrás nem desconfiava.Por agora anseio voltar e recordar todas as pessoas que lá deixei com muita saudade, vivi o melhor mês da minha vida, onde a paz e o amor preencheram o meu coração.3. Equipa de Mocumbi: Francisco, Carina, Natacha, Marta e Mónica Marta Durán[...]



Momento-Chave da Partilha, 2015

2015-03-05T15:13:44.833+00:00

1. Voluntários e colaboradores da Caminhada D, 2015O Segundo momento chave foi o primeiro da caminhada de 2015 a ocupar um fim-de-semana inteiro. Realizou-se a partir da noite do dia 21, até ao entardecer do dia 23. Não fugindo à luz do seu nome, todo o momento foi repleto de partilha do início ao fim, em vários aspetos. O encontro tinha hora marcada para as 20:00h na cidade Universitária, perto da estação de metro. E assim, lá partiu a caminhada D guiada pelo segredo dos orientadores em relação ao sítio onde iríamos passar os seguintes 3 dias e ao que nos esperava. No 1º dia fomos para o parque do Alambre, onde aí pernoitámos. Em roda, partilhámosjantar e o pequeno-almoço, realizámos de algumas dinâmicas (jogos/quebra gelos) e tivemos ainda um momento mais sério de grande interesse, em que os orientadores partilharam as suas experiências passadas de quando estiveram em missão internacional. Ouvimos histórias muito curiosas, reveladoras de carinho e saudade, que mostraram a importância da missão para quem delas fez parte e nos fizeram ter uma ideia mais clara do que é estar em missão.O dia 22 iniciou-se com o despertar dos voluntários ao som da música “Dar Mais”. Nesse dia, visitámos um lar de idosos, e como tal, foi-nos proposto que realizássemos atividades para esse mesmo fim, através dos meios que tínhamos à nossa disposição: canetas de feltro, lápis de cor, papéis, guitarra e a nossa própria voz! Não esquecendo que, nesse contexto, fizemos renúncia ao telemóvel, e por isso não poderíamos utilizar o mesmo como transmissor de música, vídeo, etc. Essas atividades tinham como objetivo entreter o público-alvo e partilhar tudo o que fosse de bom agrado e apropriado. Então, a caminhada foi subdividida em 2 grupos, que foram para 2 lares distintos. E assim foi: cantámos, dançamos, tocamos guitarra, ouvimos e contámos histórias e fizemos algumas dinâmicas. Para nós voluntários, este foi todo um momento que nos aqueceu o coração e que nos proporcionou algo que até então não tínhamos sentido. Muitos de nós, se não mesmo a grande maioria, nunca tinha realizado voluntariado, neste caso pontual, com idosos!2. Voluntários GASTagus em atividades com idososNão fomos ter com eles só para lhes dar algo, como um ombro amigo ou um dia mais alegre por cantar e dançar, mas sim também receber… Receber a sabedoria e as histórias daqueles que têm mais experiência de vida e coisas para contar, quer sejam estas boas ou menos boas, pois também ouvimos histórias tristes, que nos puseram a refletir imenso. Uma das residentes do lar onde estive e com quem conversei durante algum tempo, revelou-me: “Eu tenho é saudade daqueles tempos em que era novinha como tu, em que a gente ia cantar e dançar até às tantas lá no campo! Mas também trabalhávamos muito, a cultivar.” Sem exceção, e cada um à sua maneira, todos os voluntários gostaram da experiência e tiraram, sem dúvida, algo enriquecedor da mesma.Para terminar o dia, a caminhada juntou-se à volta da fogueira, e mais uma vez partilhámos o jantar nela cozinhado. Depois, a orientação avisou-nos que íamos ter um momento de reflexão. Foi como que a altura do dia em que pudemos “respirar” um pouco, dado que foi um dia um pouco exaustivo. Fomos desafiados a ler a frase que estava no papelinho que nos tinha calhado e tecer um comentário sobre esta, que fosse ou não sobre nós, s[...]



Momento-Chave do Encontro, 2015

2015-02-06T13:16:18.707+00:00

1. Caminhada A 2015Foi  no último dia do mês de Janeiro que o tão aguardado primeiro momento-chave aconteceu. Dia esse, ventoso, com alguma chuva mas com muitos corações quentes unidos por uma causa única. O encontro estava marcado para as 8:30 da matina, no Jardim da Estrela, onde começaria a jornada de um dia em que não fazíamos a mais pequena ideia do que fosse acontecer. O factor surpresa, com toda a certeza,  deu um significado especial a este primeiríssimo encontro em equipa, fora das instalações do Tagus Park.Infelizmente alguns dos nossos companheiros não se puderam fazer presentes, por um ou outro motivo; contudo, quando cheguei ao ponto de encontro já estavam todos a fazer um jogo, para fazer um compasso de espera pelos atrasados como eu. A coordenadora responsável pela caminhada A, a Gogas, ficou encarregue de nos dar as boas vindas e de apresentar o que iria acontecer a seguir, uma vez que os orientadores da nossa caminhada, por algum motivo por nós desconhecido, não estavam ali naquele momento. Cada um de nós  teve que escolher um rolinho de papel, que continha uma frase sobre algum aspecto da vida de um dos nossos orientadores. E, foi quando nos apercebemos que eles estavam algures escondidos pelo jardim, e de acordo com as frases, cada um de nós tinha que descobrir o orientador correspondente. Assim, descobrimos que orientador passaria a ser o nosso padrinho ou madrinha.Já deviam ser 10 horas quando os pequenos grupos que se formaram se deslocaram até diferentes pontos para fazer o “Jogo da Lagarta”. Jogo esse que funciona à base de muita sincronização e confiança! Formámos uma fila, todos nós tínhamos os olhos fechados, à excepção do último elemento que tinha que guiar a “lagarta” através de um código por nós criado, que utilizasse apenas o sentido do tacto, o que se revelou ser uma tarefa por vezes complicada mas muito divertida.Fomos caminhando até ao miradouro do Príncipe Real, onde a caminhada toda se reuniu para uma nova dinâmica, a “Teia das Expectativas”. Havia um novelo de lã que se ia desenrolando cada vez que era passado de pessoa em pessoa que partilhasse as suas expectativas para o seu percurso no GASTagus, até se formar uma grande teia, que metaforicamente, estava relacionada à própria estrutura base de todo o projecto, fazemos todos parte dele e caso algum de nós saia, danos haverão. Muito foi dito mas feitas bem as contas, partilhámos todos das mesmas expectativas, ânsias e desejos.2. Voluntários e colaboradores em atividades no miradouro de São Pedro de AlcântaraO estômago já dava voltas e roncava, era a bendita hora de almoçar, era momento de tirar os ternos e marmitas das malas, partilhar e “toca a morfar”. Foram empadas de galinha, palmiers, pernas de frango no churrasco, bolachas, batatas fritas, sandes, bolos e bolinhos! Um momento em que recarregámos as baterias e demos corda à conversa que já ia solta, parecíamos todos amigos de longa data a fazer um piquenique.De seguida, o momento mais importante do dia, mais uma actividade, a “Cidade da Vida”, desta vez já no Jardim do Torel. A tarefa foi distribuída, cada um de nós tinha uma folha A4 branca, onde tinha que representar a sua vida ou um pedaço dela, tivemos qualquer coisa como uma hora para reflectir, ponderar, desenhar, escrever. Chegou o momento da partilha, estava um vento gelado que mal nos[...]