Subscribe: Constante Não Cria Contrastes
http://constantenaocriacontrastes.blogspot.com/feeds/posts/default
Added By: Feedage Forager Feedage Grade B rated
Language:
Tags:
cada  corpo  das  dona idalina  dos  lhe  mais  meu  meus  minha  nos  nunca  não  olhos  ser  seu  sol  tempo  teu 
Rate this Feed
Rate this feedRate this feedRate this feedRate this feedRate this feed
Rate this feed 1 starRate this feed 2 starRate this feed 3 starRate this feed 4 starRate this feed 5 star

Comments (0)

Feed Details and Statistics Feed Statistics
Preview: Constante Não Cria Contrastes

Constante Não Cria Contrastes



Se a constância das coisas criasse contrastes eu seria tinta monocromática querendo pintar em ti o pôr-de-sol.



Updated: 2017-10-30T03:46:10.480-07:00

 



Azul é o mar

2017-10-30T03:46:10.491-07:00

Há alguns como eu
Animais que vivem
O deleite de poder ser só
Nascidos para amar a magia
E ninguém mais.
Há outros como eu
Que velejam tempestades
De uma paixão nunca amada
Que se deitam em alvorada
Sobre um sorriso da solidão
🌙

Ouvir: Chet Baker - I was Born to Be Blue




Eu quero esquecer

2017-10-22T17:30:06.345-07:00

Eu quero esquecer
Velejar a memória das tuas mãos para longe
O abraço dos teu olhar monge
Onde eu não possa mais lembrar
E reviver

Eu quero ferver
A poesia da tua voz numa fonte
Bebê-la em chá num monte
Suar a água que do pranto vim conter

Eu quero esquecer
Não ter mais comparação
Desta imensa paixão
Com a calma de viver

Saber perder
Esperar sem saber
Eu quero esquecer
Para poder voltar a ver





Venus

2010-05-31T10:12:56.421-07:00

Existe um sonho debaixo do teu coxim
Te embala num polverizante aroma de anjo
Te fala das pureza das coisas
Apaga-te toda a memória do Mundo Azul
Te lembra de que é possível só e simplesmente existir
pisar o solo e sentir
cantar todo o teu corpo num grito
Diz te que chorar é libertar
e tuas lágrimas são fagulhas da tua alma
que as expulsa exasperadamente
como se o negro se repelisse da luz imensa que somos

Não ligues nenhum televisor
não deixes que te sugue a liberdade
tu és mais do que ele te mostra
porque um espelho embacio das mesmas aguas turvas
nunca te leverá num caminho

O sonho conta-te que podes olhar para cima
e que deves sentir que ninguem te controla
Pois não podes comprar as nuvens
Não ha dinheiro para pagar ao sol
ele deixa-te habitar-te
podias então viver em ti.



Ais

2010-02-25T09:55:29.452-08:00

Se as bagadas de ar fresco não soassem a mel
infinito doce dos teus lábios glaciais
por mais que finja ser maior do que pétalas de lis
que o teu corpo, pirâmide impermeável, não recebe nunca mais

Se ais não chegam para te desencantar do abismo
amarei sempre cada teu vinco emotivo
de fonte até à morte
de corpo até alma.

Diz-me em murcho o que te vai no coração
Se é pedra ou calo que te prende uma abolição
porque há salteadores de marés
que me levaram a respiração

Senti que se te levo no vento
te trago em elemento



Catarina Miranda



5 Comentários

2009-09-13T18:17:20.686-07:00

Uma conversa banal enevoa ardente
numa esplanada um pouco diferente
sui generis o seu nome, e a ironia na paisagem

Carlos Diamante, dono de seu triunfante
destino aperta os dois pulsos numa contemplação,
se me permitem descrever, orgásmica corrente
em plenos olhos dormentes
de tanto ougar aquele objecto rolante

Nunca entendi a fervura do homem pelo futebol
talvez pela bola ser curva
e o nosso corpo estar relacionado a formas redondas
ao contrario do quadrado relacionado ao molde masculino
adverso ao nosso corpo violino

Mas nem tudo os centra para nós
as mulheres são tolas em acreditarem ser o imo
Se somos o portal para o divino
onde a chave se encontra em suas gadanhas

Falo então sobre a telenovela de segunda
do actor primacial que é tão bom
da actriz que não é bonita como deve de ser
e do pai, o núcleo de todo o emaranharão
que vai alimentar 150 serões de mexerilhão!

Carla Fólícia, funcionária publica há 5 anos
queixa-se-me de falta de simpatia da parte do patrão
de como ele a deixa louca, pela simples lei do desprezo
dos jogos de cintura
da incerteza que lhe paira, "- Uma névoa incandescente! Maria Lua!"
oh sim...como se não soubesse que são fantasias
apenas ficções de um capricho, a necessidade tamanha de sentir amor
nem que seja ilusão do fervor.
Inconscientemente as pessoas procuram-na
preferindo viver no limbo,
na constante preseguição
da terráquea consciência.

Catarina Miranda



Centro do labirinto

2009-08-12T11:40:04.906-07:00

"Possivelmente, o amor continua a chamar-nos do centro do labirinto e nós andamos às voltas sem sermos capazes de o encontrar. Porque o labirinto não é um jogo: é a defesa mágica dum centro, duma significação, e talvez seja necessário despojarmo-nos de muitas coisas e tornar a vestir as vestes da inocência para que o amor nos possa ser revelado (...)"
" Diz a sabedoria tântrica que toda a mulher nua incarna a Natureza - a Prakriti - Natureza-Mãe que é necessário solarizar para que a junção do Sol e da Lua regresse ao estado primordial de indiferenciação. Não se trata da dualidade, mas de, com a ajuda da mulher, despertarmos a mulher adormecida que temos dentro de nós.
Porque nós não nos pomos no lugar do outro: temos é que descobrir o que o outro acorda em nós."

in Riso de Deus, de António Alçada Baptista (1994)



Ventura

2009-06-21T10:47:24.162-07:00

Andei pelas quebradas abismais
Em busca dessa argila que era eu,
Mas nada consegui do que foi meu
Nem vi, sequer, o rasto dos meus ais!

Voltei às convivências espectrais
Da sombra em que o meu ser se converteu
E o sonho que vivi perto do céu
Perdeu-se como as folhas outonais!

Talvez exista ainda na lonjura
A catedral imensa da ventura
Firmando o pedestal do meu desejo…

Talvez exista, sim, quem sabe lá?
Mas onde procurá-la? – Onde está?
Se eu vivo dentro dela e não a vejo?!

Alberto Miranda, Musa incerta (1957)



Trapos da Viagem

2009-06-08T06:10:43.960-07:00

Como suas mãos são leves de vento
de tão pesadamente seu coração bater
o meu cabelo emana da minha ternura
e é, então, a combustão que vê dele suster
Somos compassos, senhor, somos a morte vivendo de amor
em cada fagulha planto-lhe cores das ilustres viventes de nosso jardim
as minhas saias emaranham-se no rosal
e voltam às mãos de majestoso meu rei as pétalas apresadas,
porque me prende em seus braços a cada poiso de suas asas
e tudo o que lhe posso oferecer
além de mi alma
trazem os meus trapos da viagem



Nascer

2009-06-07T13:39:50.660-07:00

Adormento no meu regaço,
encerro os portões das estrelas.
Que ninguém venha! Pois prontos estão os areais!
A orbita transporta o teu sopro na direcção
minha respiração.
Os veludos encaixam-se em concha
numa atroada propagadora de sonância.
Lá dentro a fecundação,
alvéolo sedento de luz,
ser infinito baqueando contra o tempo.
Ruge, ruge, a vida dentro do silêncio,
mia...
O oceano grita de prazer...

Emerjo.



Sol

2009-05-26T16:33:51.060-07:00

Já quase me fazia esquecer quanto o sol é cálido
quanta atmosfera circunda o corpo enquanto ele caminha
quanto quente é a pele que abate o gelo dos dias desprovidos de espaço
e amanheço num anoitecer
adormeço rodeada de querença
fonte infinita
o amor não morre
como o nevar derrete.



O cavaleiro

2017-09-05T09:54:33.811-07:00

Um cavalo e um homem
por entre as noites siderais
"em frente, em frente, corcel!
em manhã se não fosse minha vontade de chegar!"
"que a lua parte a meu lado".
"Já não há tempo para sentir medo, fossem parvas as hostes que me esperam" "galopa, galopa, antes fosses outro cavalo sem a mesma sorte de me ter sido enviado nesta missão de amanhecer." "Somos nós, cavalo de fauna, que abrimos as portas ao céu, estão todos à nossa espera" "mas a espera não é se não sendo agora" "agora é dia, onde estamos, o dia para nós é aqui, corremos, gentil Corcel, mas não somos mais que uma imagem asfixiada pelo tempo. "Multi somos, daqui a li em horizontal parados".
De longe a terra gira e o cavaleiro está montado numa passadeira rolante. Trazem o dia e o tempo que nunca existiu.




Desnudo

2009-05-06T16:12:44.832-07:00

Su cuerpo resonaba en el espejo
vertebrado en imágenes distantes:
uno y múltiple, espeso, de reflejo
reverso ahora de inmediato antes.

Entraba de anterior huida al dejo
de sí mismo, en retornos palpitantes,
retenido, disperso, al entrecejo
de dos voces, dos ojos, dos instantes.

Toda su ausencia estaba -en su presencia-
dilatada hasta el próximo asidero
del comienzo inminente de otra ausencia:

rumbo intacto de espacio sin sendero
al inmóvil azar de su querencia
¡estatua de su cuerpo venidero!

MARIANO BRULL ( Cuba, 1891 - 1956 )



Plim!

2009-05-01T11:02:28.515-07:00

(Não está Sol
nem tão pouco chuva
Jaz a poeira
vive de verde)
eu perco-me nos horários das estações
eu chego sempre a tempo e horas a lugar nenhum
não sou o vento
não sou a chuva
sou.
E ao mesmo tempo nunca serei
aquilo que não desejo ser.
(Ponho a hipótese de lado
de uma antanáclase)

"Boa tarde, pode-me dizer a que horas passa o Antacláudio por ai?"

"Passa, já, agora, que já passou"

"Ora muito obrigada, diga-lhe que o vi passar"



Chinesas

2017-09-05T09:58:36.989-07:00

Encazinei-me deliberadamente, peguei na chinesa e arremeaçeia-a ao lixo
onde já se viu tamanha consumissão!
Proíbo toda a gente da casa! Que se desenrolem e desandem.
Meto os netos lá para trás, a mãe fica em casa e eu vou ao lado do meu cunhado.
Jamais levaria o carro.
Porque nunca me dei bem com chinesas.
Na verdade elas é que nunca se deram bem comigo.
Tenho 57 anos e nunca precisei delas para nada!
Inevitávelmente elas nunca precisaram de mim também.
As seguintes gerações olham-me como uma infértil tecnologica, ou se melhor, uma frustrada oriental. Na verdade admito-o, com franqueza, mas se estes canalhas olhassem para o que se perde aqui fora...





Trapezista

2009-04-22T05:54:35.248-07:00

(image)

"Depois de cabriolas, cambalhotas e piruetas, eu, Amadeu o trapezista, volto finalmente a Arganda del Rey. Julgavam-me morto e eu também. Conheço pessoas que escrevem sobre mim, contam imensas histórias à volta dos trapos encravados no fecho das malas de viagem que invadem a vila de solstício a equinócio, dos sapatos que pendulam pelo cordão e abanam na minha andança, dos saltos de trapézio em trapézio que afligiram a doença cardíaca da Dona Filomena dos Anjos, a ex ministra da cultura de Valência pois acabou por falecer nesse mesmo instante. Desde aí e desde sempre, o amor/ódio à volta do público participante e não participante tomou conta de mim. Nos balanços olhava nos olhos o pânico daqueles seres de sombra e o brilho nas crianças da frente chocando com os focos de cores. Era na minha performance que ele mais silencioso ficava, os tambores eram os corações, e as palmas os meus pés de volta à barra. O ranger dos meus músculos ao agarrar as suspensões, a espinha distendendo o corpo até à ponta do meus ossos, adrenalina se olho para baixo e para os seus rostos, deixo-me cair, só para sentir a multidão estremecer, renascendo de novo ao topo dos céus!
A cada espectáculo a esquizofrenia foi domesticando-me, sentia-me um leão a dançar ao riso demoníaco do domador, procurava na plateia cada cabelo em pé, cada grão de pele arrepiada, cada susto, as palmas, os olhos esbugalhados, a córnea por lubrificar...mas o riso não vinha do meu número de circo, nunca. Pois nunca esteve destinado. Vingava-me nos duplos saltos mortais, frenéticos, eles queriam parar-me com o olhar, com os punhos, com os dentes serrados de medo, eram eles que estavam ali. Era o público que balançava comigo. Identificavam-se com a minha doença e histeria. Até que a minha arte começava a incomodá-los, as pessoas já não me fitavam, não queriam ouvir-me, aquele espelho pendente mostrava-lhes o mais sombrio de cada um. E obviamente abandonaram a tenda no meu último salto.
Vicente, mais do que o meu patrão, um pai e amigo, olhou-me de cabisbaixo, e ambos concordámos que era altura de voltar, nem que por férias, ao meu habitat longe do nómada.
Agora de pés em terra de minha mãe, vejo finalmente risos da minha chegada, o pôr-de-sol chega sempre para nos ver...Isabel, santa Deusa lhe abençoe que me espera a cada estação do ano, volto hoje na sua predilecta, onde a cada volta terrestre ao sol vejo-a mais uma vez de novo regando as flores, desta vez há tulipas vermelhas, amarelas e aquele cabelo espirando em seu redor move-lhe o pequeno rosto em direcção ao meu. Se vós a vísseis de flores na mão, imóvel, quieta à espera do meu corpo...eu sou o trapezista do mar despedaçando-me contra a rocha."




Arquitectura de Luz

2009-04-12T04:31:50.949-07:00

Torneio-te nesse mesmo espaço onde te encontras
e ah olha-me pois fito os teus olhos nos meus e respiro
debilmente respiro em influídos
enquadrados em compassos pesados
que o tempo baixará a frequência
E se te peço que arquitectes à tua volta,
sem desconectares a coligação pupilar,
o cheiro a carmesim, o chão engolindo as paredes
o tecto a desabar slowmotion
em sentido contrário da gravidade
a manhã entra-te pelos cabelos abaixo
irradia-te por fora
e eu por dentro
E mais!
Se eu te pedir que urdas
que prevejas o teu naufrágio em mim
traçarás a épica utopia.

Nós cantamos bem alto nos céus
tão que bem alto que não chega aos terráqueos
muito menos aos submundos do inferno
a nossa voz dispersa-se no Paraíso.

Eu, parceiro de luz, sou o que o teu beijo me fez ser
Criatura infinita vivente inquieta por te ver.

Catherine de Miranda



magnanimidade

2009-04-07T06:33:22.329-07:00

(image) Emudeço, sentilando açucenas ao piano. Cantando "sim, o vento embala-me assim", shimuando, onomatopiando, e só o meu gato lhes respinga tirinando. Embora relance para trás, o olhar e o som. Que voa. Numa Luz rainha.
Se posso ver-te se me fecho nos olhos, se posso. Porque sinto que devo.
Levo-me com som, dentro do campo etéreo debaixo das pálpebras, a secreta passagem intemporal, a única extensão espacial onde adejamos.



No Moon

2009-03-25T16:40:20.093-07:00

Ao círculo de vácuo
pendulo ondulando
procurando-te em terra
saindo do mar.
Desembrulho os fios dos meus cabelos
com as pontas dos meus dedos
libertando-os da poeira das estrelas
pois que em breve o teu ar domará este fogo
que desliza a fervilhar pela espádua abaixo
Sem luar ele não descansa
a luz não o apazigua como brasas
e o meu espírito não resfolega.
Então, meu amor, vim por este meio
pedir-te permissão para me diluir em ti
nos meus sonhos de olhos encetados
em que por breves momentos me alimentarei do teu gracioso ar
mesmo que ilusório, os estímulos chegarão ao corpo
e às pontas das minhas chamas.



Dona Idalina

2009-03-24T18:03:38.609-07:00

(image)

A típica idosa transmontana usa o cabelo branco num polpo e as vestes de luto em memória do seu falecido esposo. Não é de certo uma bênção perdurar em terra mais anos que o seu homem, é uma dor quase pré-histórica e ancestral.
Vem das cavernas, do mar, das guerras, da morte. A dor de quem espera. E consegue-se ver nos olhos da Dona Idalina, azuis profundo céu, com mais memórias do que as águas podem transportar, pois transbordam, que observei-a olhando para atrás de rosto no tecto da casa, contando-me as saudades, lamentando-se de como é atroz a solidão. Se pelo menos a dona Idalina soube-se voar...ali tão perto da senhora paisagem duriense, aqueles vales marítimos, as camas do rio. Ah...mas não.
Ao Sol pude contemplar as suas loiras pestanas, não me contendo perguntei se outrora tinha sido russa, "oh sim! eu e os meus 6 irmãos éramos todos russinhos, de cabelos crespos e riços" as suas bochechas saltitaram, tão vivas de sorriso, que presenciei, não uma idosa de 84 anos, mas sim uma criança aprisionada dentro de um corpo miúdo, corcovado, mais pequeno do que o seu espírito e maior do que a sua infância. Ah se a Dona Idalina soubesse voar...
O seu tom de voz era a todo o tempo depreciativo, terminava na nota abaixo da do começo, como um lamurio, ou talvez um choro, enternecendo qualquer ser sensível na vontade de a fazer ver o mundo mais de perto, reconfortar as suas mágoas naquele horizonte, despir-lhe as vestes negras, soltar-lhe o cabelo, o sorriso, e ver aqueles olhos cheios de amor para dar explodindo no céu.

Ah...se a dona Idalina souber voar.



4 Comentários

2009-03-21T18:55:11.269-07:00

De tanto amar
as nuvens encarceraram-me da luz
do vento
                 do som
e ao som
                  te vejo de novo ao longe
e ao longe
                  ao longe
traz-me de volta, ancestral
em que de nada o coração morria
sorria
caminhante de serranias,
presta tento à semente luz
vira-te, na primeira esquina à escuridão
cega-te, que a vida prioresa cura,
três à frente, a paixão
nega-lhe o cigarro
funde-te a meu lado se chegaste
                  e se chegaste
descansa
que o mundo te encarcerá da luz
já que,            ela,          respira dentro de ti.



Radio Spring

2009-03-19T13:11:27.416-07:00

(image)
Sim, que é de Primavera em mim
os átomos polinizados
soam a rádio de campo
e o encanto
se nos teus olhos há quem chame as flores
as mais íntimas boninas colorescentes.



Quote

2009-03-16T13:54:21.052-07:00

'Cause i love the peace of this man:

"A maior covardia de um homem é despertar o amor de uma mulher sem ter a intenção de amá-la."

Bob Marley



Contígua margem

2009-03-15T18:40:57.174-07:00

Contígua margem,
voam-se os meus olhos ao ponto fuga da perspectiva.
Quentes, os meus pés em terra
frios os meus cabelos no mar.
Ao meu ventre se desfaz o adeus
às minhas expressões o teu advento
e ao vento,
meu alento,
venho chamar-te, embora invertida,
que me deito para o céu esta noite.
A meio da nostalgia e nas águas
espalho o meu coração
Ora imenso,
vermelho sanguinolento flutuando com a sua duçura
te encontrará.
Ah...
E haverá o dia em que da Lua ele se faça
inteiro teu, crescendo e morrendo
ao sabor do Sol.



Oiseau Rouge

2009-03-10T07:53:05.833-07:00

(image)
Chante, chante mon oiseau
que tu as les yeaux immense d'amour.
Rouge, rouge et votre bic est d'or.
J'évanouie dans votre jardin
et j'ai trouvé ma enchanté cerisier!

Catarina Miranda



Cerejeira

2009-03-09T08:44:34.959-07:00

Há cerejas no meu quintal,
aquelas esféricas recheadas do sulco ardente refulgente
que no bico se consome, alquebrando-me os restantes sentidos.
E ali fico, edificada ao lado do mastro,
mãe das obesas de 10 centímetros,
que petrificada, olhando-me lá do alto,
pergunta-se se me deu prazer.
Ora ainda de vista cerrada, gozo o gosto,
e fico calada que nem me mexo,
além dos movimentos giratórios das papilas gustativas em êxtase.
Talvez se engolisse, agora mesmo, a cerejeira arreliava-se
e consequentemente não daria fruto
tão igualmente magnífico, como este mesmo, durante muitas décadas!
Não! Talvez séculos! E mesmo depois, morta,
assombraria as outras cerejeiras em seu redor, oh!
E há alma aqui? Há pois!
Nunca conheci ser nenhum que sem alma me desse tamanho alvoroço,
e mesmo que fosse uma efémera sensação de algo,
pois se algo me faz sentir, esse algo também portaria vida!
E a vida tem alma.