Subscribe: Uaderrel Isdét?
http://uaderrel.blogspot.com/feeds/posts/default
Added By: Feedage Forager Feedage Grade B rated
Language:
Tags:
Rate this Feed
Rate this feedRate this feedRate this feedRate this feedRate this feed
Rate this feed 1 starRate this feed 2 starRate this feed 3 starRate this feed 4 starRate this feed 5 star

Comments (0)

Feed Details and Statistics Feed Statistics
Preview: Uaderrel Isdét?

Uaderrel Isdét?



By De Marchi



Updated: 2017-10-10T07:34:34.427-03:00

 



• Mony... (ao Amor da minha vida)

2017-10-10T04:24:20.434-03:00

Nega...

Eu te amo e amei muito. Desde o primeiro dia eu sabia que você seria a mulher da minha vida (só não sabia que seria por tão pouco tempo). Obrigado por fazer-me tão feliz, tão realizado e satisfeito... obrigado pelo carinho, paciência, dedicação... obrigado por olhar nos meus olhos, com esses zoiões brilhantes que eu tanto amei, e trazer pra mim cada realce de sua transparência, de seu desejo, da sua cumplicidade e dedicação.
Vivemos tanta coisa linda, né? Eu me lembro enquanto escrevo (e talvez, se ainda existo, num outro lugar, um paraíso qualquer onde possa reviver sem limite de tempo cada detalhe, cada cheiro e cada momento que vivemos juntos). São Thomé, Paraty, Curitiba, Socorro, Itu, Floripa, NY, Miami, Paris e nossa casa. A gente vendo Frida. Você cozinhando e eu te atazanando. 'Baça-périna', na cama, enroladinhos. Tantos, tantos e ainda assim eu queria mais. Sempre quis mais. Mesmo quando confuso, mesmo quando perdido, eu sempre soube onde estava meu coração, e lá no fundo sabia que essa minha curta história só existia e tinha graça porque você estava nela. E sempre estará.
Minha vida teve muito mais sentido desde que você apareceu e arriscou tudo pra estar comigo (enquanto escrevo sinto falta do seu cheiro, da sua pele morna, do seu sorriso macio... e choro miudinho, um choro bom). Esses anos foram os melhores da minha vida, tão curta quanto bem vivida e feliz, e nos meus diálogos comigo mesmo sempre pensei nela como AN/DN - antes e depois da Neguita.

Eu tinha tanto, mas tanto pra te dizer... como eu não teria pra mais ninguém. De tudo o que vivemos, de toda a sua presença na minha existência... dizer qualquer coisa a mais seria injusto com o que faltasse. Porque tudo teve sabor de vida, sabor de você.
Não chore muito por mim, tá? Eu sei que isso não se pede, mas... Se posso te pedir isso... passe por essa fase mas não guarde luto, guarde-me nas boas lembranças e vá viver, porque você é nova e merece tudo de melhor, de mais radiante e intenso dessa vida, porque essas são qualidades suas também. E cuida dos nossos bichinhos (ai que saudade dos meus quentinhos!)... vocês sete são os meus tesouros e viver por vocês era minha maior realização, meu maior motivo pra acordar.
Você me fez tão feliz que, se eu pudesse escolher, viveria 10 vezes mais disso tudo a que chamamos Amor, mas que às vezes parecia ir além. Saiba. Saiba.
Bola pra frente! Não há espaço pra dor, só um longo caminho de vida que você ainda tem a percorrer: tenha os filhos que não tivemos, veja os lugares onde não fomos e busque sempre sua plenitude, meu anjinho preto, porque é exatamente o que eu buscaria se estivesse aí, com você, te empurrando pra vida. Nossa história juntos termina aqui, apenas porque um dia teria de terminar - estou menos triste que termine assim, enquanto saio de cena com a certeza de ter vivido o melhor dessa vida nos teus braços, ao teu lado. Eternizado nesse momento, congelado neste retrato do tempo, onde sempre te amarei e você sempre será a minha Mony, A Mony, A Minha Mulher.

Seja feliz, minha pretinha! Tenha uma boa noite... Dorme bem, dorme com Deus e sonha comigo...
Beijos nos olhinhos (cotíca!).


EU TE AMO, Simone, mulher da minha vida.


P.S.: Se este post foi publicado, isso significa que (salvo algum problema técnico) eu não estou mais aqui para prorrogar o timer.



• Post Póstumo nº 3

2017-10-10T04:11:09.638-03:00

Oi... :DQuero falar com o meu irmão. Kit, você tá aí?Ô meu querido, meu queridão. Eu amo tanto você, sabia? Acho que sabe, mesmo comigo dizendo tão pouco. Tá cuidando da mãe e do pai? E a Kátia, como tá? Eu adorava essa menina, minha irmãzinha. Queria tanto ter dado mais carinho a ela! Mesmo depois do casamento eu tinha medo de apegar-me a ela e depois vocês se largarem, por isso mantinha-me um pouquinho distante. Que tolice...Escrevi a maior parte desse texto enquanto você estava lá no quarto na casa da mãe, dormindo. Numa daquelas madrugadas, entre a hora em que você levantava para una mijadita e pouco antes de você levantar com um olho aberto e outro fechado e me encher o saco para tirar o carro pra você. Você me olhou, sorriu, mandou um beijo e disse: "Ô. Bô?"Era tudo o que eu precisava ouvir.Eu nunca pensei que fosse sentir saudade até disso. Até do beijo de cabeça. Mas, se estou em algum lugar para sentir algo, com certeza sinto.Sinto falta também do teu olhar. Meu Kit kit Musculucutuca, meu Tule da Montanha, meu Seo Gegê. Desde antes de nascer você já provocava em mim sentimentos que nem imagina (aposto).Eu falava contigo na barriga da mãe. Combinava de jogar bola no quintal (como tantas vezes jogamos - e quebramos vidros, e derrubamos gaiolas), cantava pra você (nada como a péssima influência musical que você adquiriu depois, sabe-se lá de quem - hehehe) e pensava no quanto seríamos amigos. Tudo bem que, quando chegou da maternidade aquele pacote de 2 quilos de picanha careca, eu pensei "puts, que que eu vou fazer com isso aí?", mas eu sonhava contigo, com o seu futuro, nossa amizade e com muitas outras coisas.Coisas que depois brilharam nesse olhar desconfiado, úmido, esperto e curioso. Espero que seus filhos tenham olhos assim.Teus filhos. Ô porra... como eu queria conhecê-los! Meus meninos! Minhas crias! Filhos do meu caçulinha... meus olhos molham as teclas enquanto faço cara de durão. Tosco, né?Um tio babão, é o que eles perderam. Eu amaria esses meninos. Ia ensinar todas as merdas. Ia desenhar nas paredes de seus quartos, ensinar a nadar, a falar palavrão, contar as histórias da nossa família, do Universo, da fantasia... Pensando bem... ensine você. Eu já te estraguei antecipadamente pra isso mesmo... :DEles nunca saberão de mim senão por fragmentos das nossas histórias juntos, pequenas frases soltas de uma saudade alheia a eles, na mesa do jantar. Talvez não deem bola, não sei. Mas a mim, basta. Basta que vocês estejam lá, juntos numa mesma mesa, conversando. Como nós estivemos juntos tantas vezes na nossa, disputando o último chickenitos, criticando quem não comia cebola, quem pegava bife e não deixava pro outro, reclamando do copo de Coca que o outro roubou, nossas viagens, nossos jantares na casa da Mony... essas pequenas riquezas.Nós fomos ricos, Renan.Aprendi tanto contigo... 7 anos mais novo e já me ensinava coisas aos 14 anos. Não, minto: muito antes. Coisas sobre a vida, sobre mim e sobre o que é realmente o significado de família. Nós dois, os seres mais próximos em um planeta com bilhões de pessoas, os mesmos genes... ao mesmo tempo tão distintos, mas jamais distantes. Eu fui feliz contigo, tive a rara sorte de ter um irmão de verdade, daqueles de filmes onde tudo acaba bem no final.E nosso final poderia mesmo ter vindo a qualquer hora que estaria tudo bem. Saí daí sem aquela sensação de pendências, de coisas por resolver contigo. Apenas gostaria de ter dito mais. Gostaria que houvesse mais daqueles momentos tão simples e mágicos. Nossa primeira viagem juntos, seu primeiro Golzinho, os filmes vistos juntos, você repetindo todo o diálogo dos Goonies, Top Gun... cantando Guns n' Roses. Teu primeiro show de rock. Tua primeira frustração com o emprego. Tua primeira dor de amor. Paris. Teu casamento (ainda tem a retrospectiva? Lembra do meu discurso?).Eu estive sempre ali, contigo, e sou grato por isso.Desculpe-me. Eu não tive contigo a chácara que gostaríamos. Não disse o quanto eu esta[...]



• Post Póstumo

2017-10-10T04:12:59.033-03:00

Pois é, morri.É hora de me despedir.Preparei esta mensagem ao longo de muitos dias, bem ciente da estranha situação na qual me encontro. Se o post foi publicado, salvo algum erro de cálculo, isso significa que não estou aqui para prorrogar o timer da postagem programada mais uma vez, como fiz durante todo esse tempo.Não encare como morbidez: apenas usufruí da tecnologia para fazer o que, de outro modo, não seria possível. Talvez exista algum humor negro nisso, mas se assim não fosse não seria eu, certo? :D Eu jamais saberei a reação que este texto provocará; não lerei suas mensagens, não verei seus sorrisos, não enxugarei suas lágrimas (ah, presunçoso!) nem poderei amenizar a tristeza com mais uma daquelas minhas piadas idiotas. Então terei de caprichar. Não é todo dia que se morre!Eu amo vocês.Vocês sabem; todos. Amei tudo o que chamou-me a atenção nesses longos anos.Ah sim, em muitos sentidos foram longos: eu jamais poderia me contentar com uma vida que eu pudesse resumir como 'rápida'. Curti cada um de vocês o quanto pude, e quando não pude tratei de sonhar. E ainda sonho: fantasio que vocês estão aí, refazendo-se dessa surpresa um tanto bizarra, possivelmente triste, talvez reconfortante. Imagino que vocês seguem vivendo suas vidas e, nesse exato momento em que escrevo, penso o quanto isso é valioso pra mim - que vocês estejam vivendo suas vidas. Perdão pelo gerúndio, mas o tempo presente e contínuo que a mim não mais pertence é tudo o que mais quero que seja seu.Eu fui muito, muito feliz com vocês. Nos meus momentos sozinho (graças a vocês, jamais solitário), sempre lembrei de cada instante que compartilhamos. A cama, os risos, os abraços, as realizações, as tristezas, os desafios, os karmas que eu achei que jamais terminariam, as noites sempre curtas demais, lindas demais, necessárias demais. Na verdade, jamais entenderei plenamente que não foram 'demais'. Poderíamos ter muitas outras e eu ainda assim pediria por mais. Eu queria mais, não tenham dúvida.Desde criança sempre desejei que meus amores estivessem comigo: pais, irmão, amigos, mulher... vocês foram minha religião. Nas aventuras de ser homem na Era em que vivi, minha pequena arte (que recentemente descobrir ser do mundo) e minhas idéias foram todas não mais que o reflexo daquilo que estas pessoas causaram em mim. Vocês. Fui um menino tímido e introspectivo que repentinamente descobriu, na prática, o prazer previamente intuído de que me dedicar a vocês era Tudo - nisso encontrei o Sagrado. Inseguro, usei máscaras mil - a extroversão, a comédia, as palavras... com o único intuito de emocioná-los, cativá-los, amá-los. Também fui áspero, teimoso, soturno, e disso lamento um pouquinho - tempo gasto com mau proveito, onde caberia mais um beijo.As pessoas não lembram (embora entendam) o quanto o outro é importante. Pode-se culpar a rotina, a correria (De que? Pra onde?), o que for... mas é algo que simplesmente não deveríamos esquecer jamais. Porque basicamente... viver, pra mim, foi isso: estar com os outros. Estar.Hoje eu ainda existo, mas apenas sou. Pulverizado em átomos esparsos e nas suas memórias, nesses escritos, numas poucas obras, num corpo que está lá em algum lugar, a alimentar entes alheios a mim (e isso é ótimo!). Vivo até mesmo no sangue de alguns de vocês. Mas não mais estou.Existe uma grande Poesia nisso. De certa forma sempre ansiei por dissipar-me no Cosmos e, ao mesmo tempo, em voltar pra Terra. Deixar de ser apenas eu pra me tornar tudo isso, energia dispersa rodeando quem e o que amei.Agora falo contigo, no singular. Eu gostaria de enumerar pessoas, fatos, eventos, sentimentos. Gostaria ainda mais que esta conversa (sim, nada de monólogos) continuasse eternamente. Mas o fato é que os limites sempre existiram e existirão, e no momento o que tenho disponível é pouco tempo para aproveitar sua atenção e dizer, com o mais amplo e irradiado calor que já senti, que TE AMO e que foi isso, e só isso, qu[...]



• Post Póstumo nº 4 - Pai

2017-10-10T04:12:36.956-03:00

É, velhinho... eu não ia deixar passar não.Achou que eu ia esquecer de você? Que eu ia seguir caladão?Bom, de certa forma estou calado, mas se não posso mais falar eu ainda assim direi.Eu te Amo, pai. Sempre amei.Mesmo hoje, enquanto escrevo, ainda sinto o peso dos teus olhos, o peso que você carregou consigo, sobre seus ombros. Eu preferia que o único peso que te ocupasse a memória fosse o meu, menino, andando de cavalinho nas suas costas. Sabe... Eu sempre odiei seu perfeccionismo. Não você, seu perfeccionismo. Foi ele quem não deixou que você visse o puta pai que você foi, o quanto superou-se e à vida difícil que teve. Eu sempre admirei isso e sempre carreguei seus valores com orgulho. Pergunte a qualquer um que conviveu comigo quantas vezes não contei sua trajetória, seus caminhos, desde a sua infância até os dias em que pagou meus estudos. Aquele menino engraxate, que quase atirou em si por acidente numa banca de jornais, que pulava da ponte em dia de rio cheio; o Balé, que quase jogou profissional.Enquanto você perdia seu tempo cobrando-se por não ter dado mais bens materiais eu lembrava com carinho dos Bens magníficos e intangíveis que você me deu. Da caixa de papelão com olhos e boca cortados no fundo e uma vela dentro, lá na chácara da vó, às histórias mil da família, da sua vida, te terror. Lembra a gente com o gravador fazendo história de terror? Ouvindo disco de piada suja? "Vai logo, vai logo, senão entra água". Das 'glândulas seborófilas', do palito de fósforo aceso entre seus dentes. De fazer a barba ao seu lado, te imitando. De montar ferrorama no quarto, fazer cabaninha de cobertor e vassoura, desenhar.Desenhar, pai. Minha paixão, minha vida e meu sustento. Aquilo que me definiu mais do que qualquer outra coisa e pelo qual talvez eu seja lembrado fora de casa. Se eu desenhei, se inventei e criei, foi por sua causa.Era você quem trazia papel e caneta pra mim, folhas de papel-vegetal e lapiseiras. E tudo o que eu queria era ficar do seu lado, enquanto você trabalhava na mesa da cozinha. Eu via o que você fazia como algo tão importante, algo que eu não entendia mas sentia, que queria fazer também.Lembro de um rato que você desenhou uma vez, no sobrado, na sua poltrona. Eu pedi "pai, desenha um rato?" e você fez. Eu pensava no Mickey... você fez um rato de verdade. E eu me encantei por aqueles traços acalcados, rabiscados uns sobre os outros, sem linha contínua. Achei lindo. Eu sempre te via desenhando com régua, num traço frio e preciso, e então lá estava... isso, pai, definiu o estilo que eu criei pra mim e pelo qual fui conhecido.Eu espero que essas memórias, tão vivas em mim após décadas, estejam vivas aí em você. E que se mantenham, sem espaço para lamentos e arrependimentos. Nossas falhas, brigas e discussões eram apenas o sintoma de aprender a viver, e nós aprendemos juntos.Carregue então contigo aquilo que estou a levar comigo: nossa história magnífica e o orgulho que tive em ser filho de Hamilton Sinachi, a quem amei, honrei e nos últimos anos compreendi.Te amo muito, meu amoroso pai, e te peço que não esmoreça. Não macule minha memória com um pretexto pra destruir-se, pra abandonar tudo, porque não foi isso o que eu nasci pra inspirar. Lembra de mim com amor e segue o resto do caminho, cuida dos nossos tesouros e da vida que continua, seja na família, nos nossos bichos e em você. Por favor, se cuida e livra do meu espírito a angústia de imaginá-lo triste e deprimido. Lembra de mim, pai, falando bonito e inspirado, desenhando o que você tinha orgulho em mostrar pros outros, com aquela minha soberba marruda e altiva que te irritava. Lembra, pai, de mim no seu colo, das nossas conversas no sofá, da empolgação com que eu falava e ensinava o pouco que sabia. Lembra de mim e de nós, da gente na represa com bóia de câmara de pneu, fazendo balão carrapeta, nadando machadinho, tirando as rodinhas da bicicleta. Lembra do Nesinho, do Dê.Porqu[...]



• Post Póstumo nº 2

2017-10-10T04:10:44.183-03:00

É, eu sabia que você voltaria aqui pra reler...
Olhando bem, talvez eu devesse ter me exposto mais, né?
Falei tão pouco do que realmente me importava neste blog. Quase não há histórias nossas, daquelas pra gente relembrar com os detalhes que o outro guardou. Bem... não importa. Está tudo bem.

E então? Tá vivendo como eu te pedi? Tá tocando a vida, sonhando e amando?
Se eu pudesse esperar alguma coisa, eu esperaria que sim, que você tá sentindo mais vivo do que antes, pronto para o futuro.

Hoje eu quis falar com a minha família. Minha saborosa mãe, meu Nobre pai e meu querido irmão.
Dona Sula, meu amor, como você tá?
Eu não sei, mas imaginei quando escrevi. Tá chorando em silêncio? Pedindo pro Kit abrir as fotos, mostrar os videos? Visitando meus álbuns? Você não tem jeito, né véica?
Sinceramente, você não precisa disso. Não mesmo. Você sempre foi teimosa, fez sua vida e não perdia tempo com avaliações de placar; fazia e pronto, não é? Pois agora você tem o Kit pra cuidar (não relaxe, aquele cabeçudo teimoso puxou pra você hahahaha) e, se eu bem conhecia aquele cara, você tem agora netos pra cuidar também. Ou logo terá, isso é certo! Infelizmente não vou conhecê-los, seriam como filhos pra mim, mas você que pode curta-os muito! Você tem tudo pra ser uma vovó gostosíssima, tenho certeza.
Não se engane, todas essas pessoas e bichos à sua volta dependem muito de você. Faça-os felizes como você me fez, mãe. Porque eu fui muito, mas muuito feliz com você. Seu bifinho a milanesa, que você fazia sempre que eu aparecia em casa, era o resumo de como você demonstrava seu afeto, seu desejo de me ver feliz. Eu sempre fui caladão, mas eu notava. Reparei em cada atitude sua, no modo como relevava minha tosquice, meu jeitão meio rude, e me amava sempre. Eu tenho muito orgulho de você. Você é minha Casa.
Se eu fui tão feliz contigo em vida, pra que cacete eu ia querer que tu sofresse hoje?
Não quero, não quero mesmo. Você não merece passar por isso nessa etapa da sua vida, então não se derrube em vão. Eu só tenho o que agradecer a você e não posso pagar por tudo isso sendo um motivo pra você chorar, mãezinha.
Você lembra quando eu penteava seus cabelos, sentado no encosto do sofá? Quando ficava desenhando contigo na sala enquanto você lia Sabrina e Contigo hehehehe? E quando eu pegava um palito pra mexer nos teus dentes (tu achou que esse imprestável aqui ia ser dentista?)? Quando apertava 'os buchinho', fazia 'tuninho'? Quando a gente comia Skiny e Diamante Negro vendo Supercine?
Nós nos divertimos, né? Então lembra disso, mãe. O resto é bobagem. Você foi a melhor mãe que eu poderia desejar, nunca me passou pela cabeça nem mesmo nas fases revoltadas de "ter outra" que não você. Meu porto seguro. Tu me ensinou a ser tagarela, criativo, a gostar de mulher, ser um bom homem, gostar de ler. Tudo o que fiz e vivi na minha vida tinha no mínimo algo ligado a você. E se além de tudo isso eu continuo vivo no seu coração e memória, por que então sofrer? Não tá óbvio que eu sempre vou estar com você?
Lembra de mim nos bons momentos, nos Nossos momentos. E vive até o finalzinho, com o humor e a presença positiva que você sempre teve. Sorria como me fez sorrir, tá?
Hoje sou eu quem vai te benzer pra você dormir:
"Anjinho da gaida, poteja nezinho, tatinho, papai, mamãe, vovô, vovô, amém.
Pai, fio, pito, santo, mém".

:D

TE AMO
P.S.: Manda um dengo pros cachorros por mim, por favor.

OBS: Pai, Kit... deixei mensagens pra vocês também, viu?



Se trabalhar fosse gostoso, você é quem pagaria pra fazer.

2016-10-28T04:14:55.040-02:00

Título rude, né? Mas é isso, sem tirar nem por.Você já viu aqueles artigos de blog "criativo" (oi?) reclamando de cliente? Já, né. Será que tem alguém que já não tenha trombado com eles nas redes sociais? Difícil.Eu gosto, no geral. Acho legal quando um texto mostra que não é só você quem passa por algumas situações. E alguns textos são ótimos, divertidos (quem acompanhava o Di Vasca, por exemplo, sabia o que era se divertir muito com a desgraça compartilhada).Mas – e, pelo calhamaço de texto abaixo, deve haver um baita de um "mas" – a maioria me parece um mimimi meloso de garoto assoberbado.  Sério. Vem comigo.Eu sempre sinto uma certa arrogância nesses textos que reclamam dos clientes.Evidente que há péssimas figuras no mercado, mas repare bem no foco das reclamações. "O cliente é burro, o cliente paga mal, o cliente quer desconto, o cliente não sabe reconhecer minha genialidade".A demanda pode ser justa, mas o tom e os modos às vezes botam tudo a perder.De verdade: nem nós mesmos contrataríamos a maioria deles!Eu espero que você não caia nessa. Espero também que esse mercado se profissionalize, porque a impressão que me dá nessas horas é a de que não evoluiu um milímetro. Conselho bom se vende e ninguém pediu, mas eu adoraria ter ouvido isso quando tinha 17 anos e tô de coração alegre. Então senta que lá vem textão.Tá aí um pouquinho do que aprendi nessas décadas de estrada, onde gente foi melhor e foi pior que eu. Espero que seja útil.O cliente tem sempre razão?Tem sim. Lide com isso.Já o candidato a cliente... depende.Para lidar bem com qualquer cliente, você precisa entendê-lo.Coloque-se no lugar dele. O cliente quer algo que ele idealizou, que sonhou ou que precisa. Pode não saber bem o quê ou mesmo estar enganado, mas procurou um especialista com algo em mente.Se pudesse fazer por si, o faria.Se tivesse o tempo ou a habilidade necessária, já estaria pronto.Mesmo que tenha tudo isso, ele talvez esteja ocupado demais com os seus próprios clientes, fazendo suas contas, honrando seus compromissos e cuidando do próprio negócio.Então ele, como você, quer o melhor pelo menor preço possível. No jogo em que vivemos, esse desejo é compreensível e deve ser respeitado. Já o que é possível ou não no seu preço é você quem define. O que o justifica deve ser seu Valor, pra si mesmo e para o cliente, e também suas próprias necessidades. É natural que ele valorize o dele e você valorize o seu. O nome disso é negociação, não ofensa pessoal.Assim como o fornecedor, o cliente está em avaliação. Sempre estamos, em qualquer negociação (inclusive nas relações não-comerciais). Encontrar o termo onde a mágica acontece faz parte das competências essenciais de qualquer trabalho.Então... a menos que você me diga que prefere pagar 3 mil num celular que vale 2, e que vai recusar se te oferecerem por mil... melhor rever isso aí.Outra: pode ser que o que ele quer não seja o melhor, o ideal, o mais eficaz. Clientes muitas vezes decidem mal, com a melhor das intenções, simplesmente porque não têm obrigação alguma de entender do seu negócio, e sim do próprio.Mas é o que ele quer, e será feito por você ou por outro. O risco que vem com a escolha é do cliente, desde o momento em que decidiu fazer algo. Se ele vai se arriscar, nada mais justo que seja sob seus próprios termos.Sua parte, qual é? Não sei, decida-se. A minha tem sido a de oferecer as melhores opções, apresentá-las sob prós-e-contras honestos e respeitar o desejo alheio, que propus a mim mesmo realizar. Sob pagamento, claro. Do contrário, pra fazer exclusivamente a minha vontade eu trabalharia só pra mim, em casa. E é aqui que retomo o título: a satisfação primordial é a de quem pagou pra ser satisfeito. Ponto.A palavra final é do pagante e isso é ótimo pra todo mundo. É também por uma questão de garantia que um pr[...]



Assim

2016-10-28T04:15:31.100-02:00

(image)



Bye-bye, Humor

2013-11-05T04:54:06.827-02:00

Oi.Posso desabafar?Não quero iniciar um debate mas também não quero controlar se ele vai surgir ou não. Aqui é (ou era) um espaço de desbocamento e brincadeiras, então tô pedindo perdão por antecipação mas realmente não tenho outro lugar mais conveniente pra isso.Tô muito chateado com o que vem acontecendo em relação ao humor. Porque trabalho nisso faz tempo (em certo sentido antes mesmo de trabalhar) e porque tinha outras pretensões na área que foram frustradas em 2013, menos pelo esforço em criar uma boa semente do que pela esterilidade do terreno.Eu não sei o que tá acontecendo, mas em menos de 2 meses foram 6 casos próximos e distantes envolvendo processos por piadas ou algum tipo de cerceamento. Nenhum debate mais profundo, nenhuma avaliação dos motivos para limites e limitações. Apenas o não-pode, o calaboca. Vejo um jogo de marcação de posições empedernidas, de reações emocionais por palavra-chave, automatismos e muito, muito melindre de todos os lados. Só um lado pode dizer o que acha sem cair num ostracismo automático, compulsório e inflexível, apesar de travestido numa democracia rota. Independentemente da questão do certo e do errado, o que mais me deixa infeliz é essa crudeza, a dureza e a defensiva das reações. A cólera, a empáfia e o melindre socialmente validado que tornarão o meu pedaço de incômodo algo ainda menor que um mimimi. Parece que o diálogo retrocedeu, que bater o pezinho é via de regra e que o tempo que o outro fala nos serve apenas pra ser usado criando uma nova resposta. Não há um ouvir de fato, um parar pra escutar. Entendo que isso foi potencializado - fudidamente potencializado - pelas redes sociais e a natureza virtual. Mas isso não diminui o espanto com o grau.Há um projeto de lei tramitando que pretende proibir caricaturas não-autorizadas. E sua justificativa é perfeitamente coerente com o discurso vigente sobre ofensas que virou moda nos últimos tempos. O mote é evitar a todo custo uma ofensa, das que precisam ser feitas às que sequer sejam. Uma pretensa paz, como um lençol que encobre ranços profundos, sujeiras que víamos melhor antes da maquiagem de retidão e que, pela presença declarada, nos faziam refletir.by Tom Cheney(The New Yorker - 1985's Scripps-Howard Outstanding Cartoonist Award)Sinto como se tivéssemos pulado do direito a sertir-se ofendido ao privilégio de não ser ofendido. Uma casta irrestrita de intocáveis que pra mim mostra sua fragilidade, sua arrogância, seus complexos mal resolvidos e principalmente sua estupidez em confundir o direito de sentir-se ofendido com o privilégio de não ser ofendido. Cresci aprendendo que paus e pedras são mais perigosos que as palavras e, hoje, sinto que o mais perigoso é - pela suposição de um novo poder das Palavras - abrir a própria boca.Tudo ofende. Tudo. Política, religião e futebol não se discutem (e portanto não mudam). Também sexualidade, cor, tipo de humor. Nada se discute. E não sei mais para que serve a boca social senão para sorrisos frios. Lembra-me que os macacos não sorriem, apenas mostram os dentes em ameaça.Eu pretendia fazer vídeos para o Youtube. Em 2012 montei uma estruturinha aqui em casa, pensei nuns esquetes, coisa e tal. Uns poucos sabiam disso e me perguntam porque morreu. Ora...Também parei com o cartunismo. Parei também com o jornalismo, mas essa fica pra outro dia. Não crio novos cartuns porque não tenho costas quentes e os processos, com ou sem lei, já estão aí. Todos são agora Maomés intocáveis e não serei eu a ter minha cabeça cortada por tão pouco. Porque minha vontade, como a da maioria dos que pretendem fazer rir, era apenas essa. Fazer rir. Tentar, errar, sentir a emoção de fazer rir. Foi algo que me ajudou a lidar com os meus preconceitos, com as minhas limitações e com aquelas que a [...]



A Verdadeira História por Trás da Moderação do Facebook e suas Denúncias Mesquinhas

2013-04-21T16:18:59.606-03:00

Texto interessante sobre a moderação do Facebook e, mais do que isso, sobre o nosso papel no mimimi diário da rede. Traduzido por Bianca Silva, o texto pode ajudar a refletir sobre as circunstâncias que antecedem o 'compartilhar' nas redes sociais e a maturidade de nossas reações ao que nos 'ofende'.Lembrando que você tem o direito de sentir-se ofendido. O que não tem é o direito de não ser ofendido, por antecipação. Não há intocáveis no mundo e nossas noções narcisistas pouco importam pro Universo. Lidemos com isso. "Imagine ir trabalhar todos os dias e no começo de seu dia, com sua primeira xícara de café, sentar-se para ver decapitações, crianças prestes a serem estupradas, corpos humanos em vários estágios de decomposição, os resultados vivos e mortos da violência doméstica, corpos de meninos de 10 anos enforcados acusados de serem gays, filmagens de assassinatos reais e rinhas sangrentas de cachorros e seus resultados subsequentes. Você consegue imaginar o horror humano? Eu provavelmente já o vi, ou uma foto, ou um vídeo de algo muito parecido. Posso dizer que algumas das pessoas que trabalham ao meu redor não passam muito bem. Frequentemente elas acabam sofrendo com uma enxurrada infinita de horror que testemunham de 8 a 12 horas por dia. Eu disse que “a maioria” dessas pessoas ganha por volta de um dólar para realizar esse trabalho? É verdade. Mas eu não. Eu sou um americano que exige seus direitos e tal, então, ganho aproximadamente $29 por hora a mais que elas. Tecnicamente, eu não preciso fazer nada além de garantir que estejam clicando nos botões na ordem correta. Não preciso olhar as imagens, mas a maior parte do tempo meu foco em manter-me livre de vieses em face disso me leva a fazê-lo assim mesmo. Não é só Sangue e Entranhas, às Vezes é Pior Nem todas as informações a que os moderadores do Facebook são expostos são tão terríveis quanto os resultados acima mostram, algumas são piores. O terror nessas é que são os chamados daqueles de quem os horrores privados, abuso ou assassinato estão em andamento. Verdadeiros gritos de socorro chegam de usuários do Facebook todos os dias, o dia inteiro. Os moderadores da rede social passam boa parte de cada dia de trabalho encaminhando “atos em andamento” às autoridades dos locais onde se encontram essas contas. Quando essas contas são legítimas (não contas-fantasma ou proxies) as denúncias podem e de fato salvam as vidas das pessoas. Essa provavelmente é a razão número um por que muitos traumatizados com os horrores visuais ainda seguem em frente. Mas você ainda está chateado com quem possa tê-lo banido uma vez? Tente entender que a maioria dos banimentos é feita por um algoritmo automático, e apenas um pequeno percentual passa pelas mãos de uma pessoa. Por quê? Enquanto o Facebook declara ter 1,5 bilhões de usuários este ano, o dado impressionante é que ele possui 1,2 bilhões de usuários ativos que acessam sua conta quase que diariamente. Cada uma dessas pessoas tem um nível diferente do que as ofende. Considerando tudo isso, eu gostaria de dizer a você o que me ofende. Me ofende que quase 80% das denúncias manuais que tenho que ler são de pessoas que se sentem ofendidas com alguma coisa. Uma lista recente de ofensas inclui (traduzida a partir das pobres desculpas pela gramática e ortografia com as quais a maioria vem): - “Eu não acredito nessa moeda. Vai contra o que eu acredito.” - “Esse peixe não parece um peixe, parece as partes íntimas de um homem, e eu tenho crianças pequenas por perto durante o dia.” - “Eu vi isso no meu feed e não o aprovo, por favor, remova-o.” - Essa página compartilhou minha foto sem crédito ou permissão.” - “Você pode remover esta foto? Eu não gosto dela.[...]



• A coragem e bravura do esportista radical nº2

2013-01-06T16:34:22.840-02:00

Olá, minha multidão de leitores! Feliz 2013!Circuito Radical de Tirolesas: Exorcizando 2012 em pleno arComo da outra vez, minha super equipe de atletas e eu fomos conferir outra tirolesa nacional, dessa vez no Parque dos Sonhos, na divisa entre Socorro (SP) e Bueno Brandão (MG). Aliás, divisa mesmo! Em uma das tirolesas foi possível cruzar os Estados (e fazer aquelas piadinhas infames do tipo "de Minas até São Paulo em menos de um minuto").Foi tudo muito bem, obrigado. O dia estava ótimo, com sol, todo mundo numa boa e o principal: dessa vez não fiquei preso no cabo.O parque tem uma estrutura muito legal e os preços estão dentro do que se espera para um serviço de qualidade. Vamos aos destaques?Dá uma olhada no vídeo! allowfullscreen="allowfullscreen" frameborder="0" height="225" src="http://www.youtube.com/embed/-8Dnbmtf0Qw" width="400">É alto. MUITO alto.Tirolesa do Pânico: É a principal ali no vídeo e a vedete do parque. Tem aproximadamente 1.000 metros de comprimento contínuos (eu poderia dizer 1km, mas segundo o Eike um monte de zerinhos deixa tudo mais imponente!) e mais ou menos 140 metros de altura.Um show! Encanta mais do que provoca a adrenalina - apesar da grande altura - pois tanto no topo do morro de pedra quanto sob os cabos você tem um visual digno de cartão postal.Depois do friozinho na barriga durante a saída, o fluxo é suave e não é dos mais velozes (o que nesse caso é ótimo porque, uma vez lá em cima, você não quer que o passeio acabe rápido). Dois cabos de aço que suportam aproximadamente 3 toneladas e equipamentos em ordem, limpos e sem desgastes aparentes nem desfiados asseguram a paz pra diversão.Atenção: por medidas de segurança o peso máximo do usuário deve ser 120kg (ufa!). Confira sempre se a prestadora de serviços tem os certificados de turismo de aventura e esportes radicais.Tirolesa do Espanto: Com 400 metros de comprimento, está algo em torno de 35 metros acima da Cachoeira dos Sonhos e cruza os dois Estados. Seu diferencial além de passar entre as copas das árvores é a velocidade: entre 55 e 60Km/H, dependendo do seu peso (sim, fui rapidinho).Está entre as mais rápidas do parque e garante a excitação.Tirolesa do Calafrio: apesar do nome é bem tranquila. Não que seja água-com-açúcar: sua graça é ofuscada pelo impacto das duas anteriores. Tem aprox. 200 metros de comprimento e 25 de altura, sendo usada como retorno do circuito.O "off-road" - um tipo de towner com banco do PlaycenterO chamado circuito radical, aliás, é de longe o melhor custo/benefício do parque (perdendo talvez para o day-use, que nessa época saía em torno de R$150). Por R$50 você usa três das melhores tirolesas do local. Considere mais R$5 por cabeça para o "off-road" - um caminhãozinho que assusta mais do que as próprias atrações durante o transporte até o topo do morro, que encarado a pé não levaria menos que 40 minutos e muito, muito suor.Pelos mesmos 50 Reais você pode fazer a Tirolesa Voadora, a mesma de 1km, só que deitado de bruços a la superman. O parque tem ainda um bar/restaurante legal (alegrai-vos, gorduchinhos: as porções são bem servidas) e a entrada no complexo custou R$12 nessa data (sendo 10 da entrada mais 2 do seguro). Conta ainda com chalés e estrutura de hospedagem, que não avaliamos porque preferimos encarar, meio sem saber, a distância de mais ou menos 15 km entre o centro de Socorro e o lugar (boa parte estrada de terra, que em dia de chuva deve dar bem mais medo que todo o resto!).A estrada do parque margeia o Rio do Peixe, a mesma da Gruta dos Anjos. Certifique-se que haja sol, que a suspensão do carro esteja em dia, leve a cueca sobressalente e corra (ou voe) pro abraço.Sim. Aquele pontinho preto ali no meio é alguém descendo a tirolesa...Palavra final: Recomendado. Pretendem[...]



Admirável Mundo Novo - Parte II

2012-12-01T18:54:35.586-02:00

ou "Nem tão novo assim"Acabo de ler um texto - muito legal, por sinal - e além de recomendar sua leitura quis dar meu palpite sobre o assunto do momento: a Deep Web. Então lá vem mais um texto enorme, prolixo e redundante que você não vai ler nesse blog bombante.Vários sites do mainstream virtual já disseram o bastante sobre o tema - melhor dizendo, abriram o necessário. Acredito que algo além do já apontado seria mais do mesmo, mas há sempre dúvidas que atiçam nossa curiosidade, quase sempre estimuladas pelo sensacionalismo das páginas caça-cliques. Usuário mediano de internet, nem um pouco hacker e com parcos conhecimentos, ainda assim tive minha minúscula parcela de contato com o que se pode chamar de obscuridade da rede.Obviamente, o que digo aqui não pretende generalizar a realidade das Deep Webs (no plural). Mergulhar numa praia não é saber a fauna dos oceanos, claro, mas você pode ao menos entender que é feita de água, tem peixes, crustáceos, correntes, plantas, pedras e sal, e que isso provavelmente vale pra maior parte dos mares.Então, só pra irmos um pouco além dessa imagem de "inferno de Dante" pintada por alguns blogueiros e páginas, que ainda assim apontam uma parte inegável da realidade - e sem também ter qualquer pretensão de acrescentar dados concretos ao debate mas, antes, elocubrar sobre sua natureza - deixo alguns comentários pra quem não conhece absolutamente nada do tema e só ouviu dizer recentemente:O primeiro, o de que "80% do conteúdo da internet é Deep web".Bem... Sim e não. Isso não quer dizer que 80% da web é coisa de pedófi e canibal, nazzista e matador de aluguel. Quer dizer que a maior parte do conteúdo da web não é classificado, muito menos aberto ao público geral. Assim como as pastas compartilhadas no seu HD numa rede interna não representam a maior parte dele (a menos que você... bem... deixa pra lá, mas normalmente só se deixa aberto um punhado de pastas), muito do material da web não está colocado em sites de visitação direta e não está indexado. Você não encontra todo o conteúdo do mundo simplesmente jogando no Google, certo? Digitar "salário do fulano de tal" não vai aparecer ali, ao lado dos links do Mercado Livre. Ou seja, no meu servidor pode haver uma pasta de arquivos que ninguém encontra se não for por 'acidente', porque não há nada apontando pra lá. Pode ser uma pasta com material a ser trocado entre o cliente e o webmaster, pode ser material fechado apenas para uma intranet, etc. Esses conteúdos todos permanecem obscuros para a maioria de nós.O Google assume que, considerando o tráfego de informação na rede, não abarca muito mais que uns vinte e poucos porcento desse material circulante. Daí o tal número, que parece bem irreal à primeira vista se considerarmos o quanto de dados todos os usuários de redes sociais jogam por dia na www, por exemplo (redes P2P de torrents, compartilhamentos, gigas de fotos por hora, vídeos, stream, músicas, etc). É muita, muita coisa mesmo e parece difícil que conteúdo secreto/discreto ultrapasse isso. Mas ultrapassa, como você pode imaginar pelos exemplos acima. Só pra ilustrar novamente, aquele vídeo de 5 gigas que você baixou no Emule é mais do que postou no seu Facebook hoje, não?Toda página que pretende ser encontrada possui um index, nomes claros, palavras-chave para busca e afins. Elas pedem "clique em mim, eu sou isso e faço aquilo". O oposto acontece na Deep Web (e se você vir o primeiro exemplo acontecendo nela... corra que é cilada, Bino). Dizendo de forma bem básica e simploriamente, as que 'pretendem ser encontradas' apenas por aqueles que possuem os links (seja na intranet de um grupo, seja na rede mundial de computadores) dispensam o index na maioria das vezes[...]



Admirável Mundo Novo - parte I

2012-11-14T16:48:01.768-02:00

Falando de tecnologia com uma amiga lembrei do meu avô.
Era um aquariano curioso que sempre vinha perguntar o que eram aquelas geringonças nas nossas mãos. Adorava filmadora, ficava encantado com computadores e celulares. Eram coisas mágicas.
Mas mesmo assim sofria bastante com a tecnologia. Ele era de 1918, nasceu num tempo onde não havia nem carro nas ruas, onde a coisa mais avançada nos arredores era um moínho e luz elétrica (nas praças e olhe lá). Ao longo da sua vida tudo isso surgiu - e sem o simultâneo de ser lançado ontem e já chegar aqui; levava-se anos pra algo aportar no Brasil e ainda mais anos pra chegar em casa de pobre. Viveu uns 40, 50 anos sem geladeira nem TV.
(image)
Atilio de Marchi by Denis
Aí de repente tinha de 'agitar' a senha no banco pra sacar a aposentadoria. Alugava as moças do atendimento toda vez, não sabia se era pra tocar na tela ou no teclado etc.
Pra ele não fazia sentido o lance dos botões, ele que veio de um mundo analógico não conseguia captar o princípio disso. Se um telégrafo já exigia abstração demais... Um controle remoto sem fios era tão absurdo quanto o sol, aquela coisa que voa sem estar pendurada, sem cabos, sem asa. Como ele poderia entender que aquilo em sua mão era uma 'lanterna' com uma luz que ele não via e que transmitia a ordem pra TV? Como cabiam mil músicas num CD menor que um LP de vinil? Havia um anão contando as notas no caixa eletrônico? E aquele dinheiro com Durex que ele depositou? Onde estava?
Claro, perdoável.

Mas... somos tão diferentes assim?

Aceitar novas tecnologias exige algum envolvimento (e esforço). Maior pra uns, menor pra outros, mas sempre ligado à flexibilidade. E quando algo revoluciona o próprio princípio (como no exemplo analógico/digital), é ainda mais difícil. Independente de sua cultura, quem engole prontamente um novo paradigma?
Eu cresci com games 2D. Havia um caminho traçado, você ia pra frente no Enduro ou ia da esquerda pra direita com o SuperMario. De repente há jogos onde você pode ir pra qualquer lado, onde o local do tesouro não tem um X em cima, onde a alavanca que abre a porta está atrás de um tijolo.
Confesso, eu passo mal, fico tonto e perdido por horas numa sala fuçando em cada gaveta... :D

Chegará o dia em que estranharemos até mesmo as pessoas e seus novos modos de pensar (o que não é necessariamente ruim, senão e talvez para nós)? Onde, assim como o brinco no neto e a tatuagem na neta, nos surpreenderemos com aquele sobrinho que mandou tirar o braço pra implantar um membro ciborgue da moda?

Não sei. É provável, mas não sei. Só sei que o mundo gira, em 4D com efeitos especiais, desde sempre. E ficar pra trás não é opcional.



Serra Fighter II

2012-09-24T21:03:32.614-03:00



P.S.: Só não sei quem é o barbudo de vermelho com um dedo a menos.



A Fox in my home

2012-09-13T22:11:37.027-03:00

"Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras. Mas, se criarmos laços, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo"A. Saint Exupéry Sempre fui um bunda mole com bicho, desde criança. Daqueles que salvam mosquitinhos no box pra não se afogarem com o chuveiro ligado, sabe? Bem desses. E é assim, com corações moles, que boas histórias começam. Aquelas raras, tão boas de contar quanto de viver. Ainda me lembro do começo de tarde chuvosa que nos trouxe até aqui, um intervalo no aguaceiro daquele janeiro. Voltava da padaria com meu amigo Claudio (e amizade é sempre a tônica do que importa na vida) pela escura rua de sua casa quando vi aqueles passinhos tímidos, cabeça baixa e olhar perdido na minha direção.Era uma raposinha. Uma daquelas que você bate os olhos e sem conferir os documentos já sabe que é fêmea. Trocamos olhares e ela veio, com uma certeza que só criança e bicho podem ter. Agachei-me e troquei com ela o primeiro dos muitos carinhos no fim da coluna que tanto adorava. Tá com fome? Quer um pedaço de pão? Pão é mancada, né, mas não tenho um bife aqui. Tá, ok, agora... vai.Eu estava na idade onde começamos a endurecer. Não pela fibra adulta de quem faz o que precisa ser feito, mas pelo desejo de parecer sólido. Pensei naqueles olhinhos ali, tão imensamente meigos quanto eram grandes os motivos para não levar mais um cachorro pra casa. Pensei, pensei, pensei em tudo isso enquanto ela caminhava ao nosso lado. Entramos. Ficou para fora. Por trinta segundos. Enfiou-se pelo portão, atravessou a grade e pronto, novamente grudada em mim. Estava definido. Ponderei por longos e importantes vinte segundos que ela teria uma nova casa. Provisória, claro, afinal podia ter se perdido e alguém bem deveria estar bem triste com a ausência de um bichinho tão doce, tão lindo e tão fundamentalmente meu. Meu.Telefone. Oi, mãe. Vou levar uma menina pra você conhecer amanhã. Você vai adorar. Desconfiança, beijo, tchau.Tentamos dormir. Tentamos. A raposinha pulava, chorava e arranhava a porta do quintal tentando entrar. Maldita hora, coisa e tal. A gente sempre diz isso das malditas horas que deixam saudade.Dia seguinte, vou pra casa e minha mãe me recebe com a menina no colo. Não, não quero, desse jeito vamos ter de sair pra caber mais um bicho aqui, não dá pra trazer todo cachorrinho que a gente vê na rua e ela é tão linda, será que está com fome? Olha, bebeu todo o leite, nossa que fedida, está com pulga, vou dar um banhinho nela e preparar a caminha. E foram 16 anos de banhos. 16 anos de leite.Jamais responderam os cartazes no bairro. "Raposinha encontrada" não merecia mesmo resposta porque não era verdade. Correto seria "Raposinha reencontrada, finalmente está com a família, Fiquem tranquilos".Batizada como Siouxie, um nome difícil dado por um teen curtidor de gothmusic para complicar a vida dos parentes. Siouxie, vulga Xuxinha, Chípis e o que mais meus avós conseguissem chamar. Ela vinha, sempre vinha. Descobrimos no veterinário que tinha aproximadamente quatro meses. Conviveu com Apolo, meu primeiro viralata, cujo nome era irônico demais para um cão mais feio que bater na mãe por causa da janta. Chegaram a cruzar numa escada nada romântica, mas foi efêmero: ele morreu pouco depois e veio Scooby (um nome originalíssimo para coroar o fracasso de minha iniciativa roqueira versus o talento do meu pai para apelidar qualquer coisa). Scooby (ex-Bowie e então "Cube") foi deixado ainda filhote por alguém (que provavelmen[...]



Facebook

2012-02-15T03:59:04.948-02:00





"Minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas.
Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia…”


Friedrich Nietzsche


Nos mal entendidos, o Mau entendido.



Bom dia, Fevereiro

2012-02-02T02:08:07.969-02:00

Que bom que você chegou. Tenho umas boas pra contar sobre seu irmão mais velho.Ele me derrubou, sabia?É, derrubou. Assim, na covardia.Entrei como que convidado; havia pompa nos olhos do malandro. Apontou para o cabide, pediu meu paletó, meu chapéu e minha bolsa. Suspirei sorridente com as boas vindas e... pumba. Acordei no chão. É tudo o que lembro. Nem vi de onde veio a rasteira, tomei o primeiro piau na orelha e tudo apagou. Só vi relance, pancada, barulho de soco de filme B. Você há de entender, aí em pé sem estender-me a mão, essa minha cara desconfiada. Ressabiado - apenas um tantinho - com a sua família. Não quero julgar o caráter da Casa por apenas um filho, mas olha... tem algo no seu olhar que me lembra vagamente aquele cara. Seus rostos têm algo de familiar - se me perdoa o trocadilho. Não são vocês Aquele Ano?Ah, seu irmão. Tenho de me queixar com alguém!Vocês dois não dormem no mesmo beliche, dormem?Que seja. Você não tem nada com isso. Só não me ofereça chá com bolachas, que o último rega-bofe foi vinagre para a minha gastrite.Ei, eu não sou ingrato! Sei que ao menos deixaram-me entrar. Deixa que eu explique minha visita enquanto me levanto por mim. Não precisa estender a mão, deixe-as aí nos bolsos mesmo.O que? Não! Não me peça você, todo festeiro, pra te acompanhar na folia: o Pierrot esgarçou e as sapatilhas furaram no mês passado. Estou sem roupa e sem fantasia.Se não for pedir muito, não me anuncie - sem alarde! Mantenham a rotina como se eu não estivesse aqui (a casa é sua!). Só espero que você não me deixe aqui na soleira, contando com seus dias a menos (você tinha de ser bissexto, rapaz?). Deixa-me sentado até que chegue aquele domingo onde o menino encena sair da cova, como que por milagre. Um bom anfitrião permitiria-me cochilar na poltrona e sonhar, sem dizer-me que aquele domingo virá sete dias depois do primeiro, nem ressaltar que sete é conta de mentiroso, sabe? Deixa-me sentado. É cedo mas estou cansado.Quero poder dedicar-me ao ócio do seu sofá sem pensar no cansaço de todo esse trabalho. Quero saber se chego até maio, no dia que é 1 (um, unzinho só, como eu aqui no seu sofá). Estarei em férias - não de vocês, claro. Ao menos poderei concentrar-me nesses dias um todos. Nesse trabalho. Esse mesmo, de resistir até junho. Que João não acenda nenhuma fogueira e apenas me cubra se eu resonar. Janeiro levou meu isqueiro no paletó.Preocupa-me Julho e seus dias frios. Venta forte. A casa é toda cheia de frestas e você não há de incomodar-se caso, lá na frente, eu embrenhe por entre essas brechas. Estou acostumado com toda essa fartura de sobras entre os sofás, os carpetes e as trincas no chão. Não precisa fazer sala. Diga ao seu irmão do meio que estarei bem - ou sobrevivendo -, com as sobras dos aniversários. Não se preocupe! Não bato palmas, fico em silêncio! Passa longe com os brigadeiros, não posso com olho-de-sogra. Deixe-me sem o chapeuzinho, o que eu gostava seu irmão levou também e só uso os pontudos na escola.Eu sei que Agosto não me deixará em paz. Ele nunca deixou, não há de ser agora. Virá mordendo, com a boca espumando, derrubando aviões e lembranças. Mas ele é honesto, você sabe - não promete nada além do que é. Conforta-me sua verdade, sua vaidade e seus dentes brilhantes. A boca escancarada parece até que sorri pra mim!Se o próximo quiser que eu relaxe, deverá congelar-se no dia 7 e por ali permanecer. Assim, numa Parada. Não é à toa o nome: só me importa o seu 7 e, sendo o nono, ainda assim o chamo pelo apelido de infância.Esqueça a conversa enfadonha. Antes que você me expuls[...]



Reborn

2012-01-31T03:34:49.151-02:00

O tempo passando e eu me pergunto se não é hora de trazer sustança a esse canapé de bobagens.
Esse blog moribundo merece renascer?
Não sei. Mas vai.
Em breve, novas bobagens.



Incrível

2012-01-27T03:10:33.468-02:00

Rainha - Pq vc disse que eu sou incrível?

plebeu - Porque você é. Sempre foi. Simples assim. Grandiosa. Sei que não se vê assim, mas É.
Eu ainda tenho um longo caminho, maior do que eu esperava. vejo você, o modo como está crescendo, se recuperando... e, puxa! É admirável... Posso sentir como está energizada, mais confiante.
 

Rainha - Olha, a única coisa que precisa pra chegar nisso é disposição. Só consegui me reerguer quando resolvi que queria... Quando vi que precisava e que ninguém mais podia fazer isso por mim, por mais que tentasse ou me amasse. Essa manga eu tinha que chupar... É só isso que vc precisa. 

plebeu - Ah se fosse "só" isso...

Rainha - Qualquer pessoa pode conseguir, ainda mais uma pessoa especial como vc. Vc é muito consciente, do mundo e de si. Usa essa consciência, não se deixe enganar pela tua inteligência...

plebeu - Consciência? Me falta muito pra te alcançar. Fazer jus.

Rainha - Olhe bem pro que precisa de cuidado, com honestidade, encara tudo. Pode doer, mas é o melhor jeito. Seja honesto com vc, aceite que as tuas falhas são tuas, mas não te fazem menor. Todo mundo tem. E todo mundo pode acertá-las. Vc tbm. Olha pra tudo, não esconda nada de vc. Por pior que seja um sentimento seu, uma situação vivida, conta tudo.

plebeu - ...

Rainha - Eu descobri que coisas que eu achava horríveis em mim, ou que eu fiz, ou me aconteceram, são coisas comuns, Normais, aceitáveis... Quem via o feio era eu... Então seja honesto, não esconda a cabeça na areia sobre coisas que vc já sabe. E abra bem os olhos pra descobrir outras. Se tiver de se reformular inteiro, rever seus conceitos, jogar todos fora, faça. Não é vergonha nehuma! se mudar de crenças, mude. E se assuma com as novas... O importante é vc sair inteiro de tudo isso. Se sentir bem, se libertar. (image) Comigo tá funcionando... Eu estou sim, muito bem. Ainda tenho um pouco de medo do futuro, mas sei que é normal. Não sinto mais desespero... E isso me deixa muito feliz, estou mais tranquila.

plebeu - Viu como você é incrível?

Rainha - Bom... Dói menos que ficar catatônica... (image) Vc também dará conta super fácil. vai ver!
_____________________________________________________________

Porque existem pessoas que te colocam pra cima apenas porque sempre estiveram lá.
É por isso que o tombo é tão grande quando você sai de perto delas.



Sejamos francos

2012-01-24T05:47:25.445-02:00

Pra quê complicar?
Quem não quer e pode escolher, não faz.
Não faz porque não quer.
Pode ser confusão, fragilidade, momento. Que seja.
Não muda os fatos.
Muda?
Não há porque dourar a pílula. O que não queremos não é quisto.
Vai soar como piada uma frase dessas vir justamente dos meus dedos, mas...
Às vezes a delicadeza confunde. O melhor é ser direto e reto.

O embromation é pai de coisas do tipo "O problema não é você, sou eu".

Mesmo? Então concordo. Depois dessa... sou obrigado.




Desgraça pouca é bobage - parte II

2012-07-27T20:00:54.923-03:00

(object) (embed)

Taí a belezura... fantasia de 2011 pra superar o quoeficiente de desgraceira inerente dos Caça-Fantasmas de 2010 (coloquei aqui? Não lembro, mas depois deixo o link).
Olha a Gina (com direito a Meiquin Ófi!)




Thunder! Thunder! Thunder! - parte 3

2011-08-21T21:54:33.354-03:00

Olá! Aqui de volta com Thundercats.Não reclame, que ainda tem mais uns três!P.S.: Nerd, a @#$%! Paixão é paixão! Passei dos trinta e tô nostálgico. :DFalando sério apesar da diletância, a Análise de Discurso demonstra que somos influenciados pela Arte bem além do que imaginamos, e uma obra como essa, tendo claramente influenciado toda uma geração, sem dúvida merece tal status. Vejamos:D) A HistóriaChegamos no Melhor. O universo criado pelo trio é glorioso, repleto de referências pop como Starwars, Rei Arthur etc. Podemos encontrar também, seja de modo intencional ou inconsciente, referências históricas, míticas, semióticas e mesmo elementos das vidas dos criadores. Respeitando-se a escala, temos aí um trabalho que remete sutilmente à meticulosidade de Tolkien. Mapeável, seu mundo continha geografias, backgrounds, histórias antes da história; situações paralelas que bem poderiam protagonizar suas próprias. Regiões polares, desertos, florestas, mares, ravinas, grutas, montanhas... tinha pra todos os gostos, com habitantes próprios.Não se engane com essa salada: é difícil pra chuchu misturar elementos tão distintos. Mesmo hoje a magia ainda é culturalmente uma antítese da tecnologia, ao menos no senso comum. Embora estejamos falando de um produto dirigido à crianças, não só desconhecíamos esse senso de produto, em virtude da idade e da época, como já tínhamos referências suficientes para separar uma coisa da outra, sendo a geração do Atari - sabíamos muito bem que toda a magia no funcionamento dos aparelhos vinha do testículo resistente do papai em suportar o emprego e pagar a conta de luz.Portanto, conseguir uma união convincente entre o poder de apertar um botão e o de evocar um espírito era coisa rara, somente alcançada no Mainstream por George Lucas, no cinema.O  que há de tão sedutor, afinal?Os Thundercats renderiam uma tese de mestrado (não pior do que as mais frequentes, diga-se de passagem), pois interessam pelo são e pelo que não são:- São jovens imaturos, caráteres em formação e talentos isolados que jamais dariam certo sem combinação de esforços. Esse apelo é especialmente presente em idade escolar e mais evidente ainda num contexto gradativamente globalizado como o nosso. He-man, você há de lembrar-se, sofria do mesmo mal que Superman: era invencível. Como identificar-se?- Os nossos são exilados, imigrantes, gente fora de casa tentando sobreviver. Migram com eles seus piores inimigos, também falidos (um judeu novaiorquino sem dúvida criaria alguma identificação, como também o fizeram os filhos de imigrantes do Sudeste brasileiro, etc).- Sua terra natal é irremediavelmente destruída (não importam as tentativas frustradas da fase moribunda da série, que tentaram ressuscitar o planeta: sabemos que Thundera explodiu num colapso geológico e pronto).- Seus pais estão mortos e sua cultura depende da capacidade de reinventarem sua natureza. Apesar desse momento onde todo ufanismo absolutamente auto-centrado seria bem vindo, caem num mundo cheio de bizarrices e aceitam naturalmente a diversidade. Homens-sapos, unicórnios, robôs-ursos e amazonas gostosas (convenhamos, presenças fáceis de aceitar :D), uma grande salada cultural onde o maior estranhamento não vem da forma, mas das escolhas. A criança sabe que é bizarro mas aceita prontamente. Há algo mais nas entrelinhas do bestiário.- Nunca fizeram servos, apenas aliados. Amigos constroem sua toca; trocam ajuda por alimentos; envolvem[...]



Thunder! Thunder! Thunder! - parte 2

2011-08-21T18:21:27.768-03:00

Seguindo com o Especial Thundercats que ninguém vai ler!Aí está o segundo trunfo na minha listinha:B) O DesenhoPrecisa dizer mais? Basta ver.Mesmo hoje, onde num fundo de quintal dispomos de softwares de primeira linha (piratas ou não), raramente vemos algo parecido.  Os traços elegantes, os planos abertos, closes,  cortes rápidos de cena e ângulos inusitados, até então em cartoons. Os efeitos de luz e transparência vindos da publicidade davam um corpo e uma consistência ao desenho que acompanhava belamente seu roteiro. Os movimentos de fumaça e explosão, dinâmicas sempre difíceis de se reproduzir em 2D, tornaram-se referência. As cores e movimentos já citados, o design arrojadíssimo para a época (que influenciou até eletrodomésticos e que bebia da fonte inaugurada por Starwars sem resvalar para o plágio), a ousadia em forçar a mão para tornar o feio, horrível. Não é à toa que Mumm-ra está para o cartoon assim como Darth Vader está para o cinema (sua transformação fazia o Esqueleto de He-man parecer um smurf).O traço, ocidental e inovador (apesar do staff misto), jamais foi superado. Podemos encontrar ótimos trabalhos no Japão ou no 3D, mas nessa categoria... ainda aguardamos. Se você acha que exagero, pense apenas o seguinte: os caras inventaram o primeiro "tribal": o próprio logo dos TC, até hoje difícil de desenhar sem referência (ou cópia); unanimidade nas traseiras dos Chevettes e Pajeros dos trintões.Muitos devem-se lembrar de que, infelizmente, a qualidade não se manteve. Isso merecerá um tópico em breve.C) A Trilha SonoraO que havia de revolucionário na equipe de Rankin-Bass era o foco numa qualidade que foi importada de outras mídias. Recursos da publicidade (a vocação original da produtora) e dos longas-metragens migraram para o cartoon em definitivo com Thundercats. Um desses fatores foi a edição de som. Os caras tiveram a moral de chamar produtores de jingles e compositores de verdade, feras como Bernard Hoffer (ganhador de um Emmy e vários Clios). Imagine: uma banda foi montada para encorpar o desenho. Músicas incidentais com instrumentos reais, vocais femininos... o tipo de preocupação que só existia no espaço publicitário e raras vezes no mundo da animação. Tão raras, aliás, que podemos enumerá-las: Walt Disney trazendo composições clássicas eruditas e sincronizadas nos anos 50 (seguido pela L. Toones, da Warner) e o cult Heavy Metal, dos anos 70. Em desenho para a TV, com produção em série, Thundercats se destaca com músicas próprias que bem podem ser ouvidas no mp3 enquanto dirigimos. Panthro, por exemplo, tinha uma trilha que acompanhava seu visual Bronx perfeitamente. A da vinheta de entrada está entre as preferidas nos celulares da galera, com seu rockinho bem casado, e mesmo em samples eletrônicos, para além das festinhas retrô.Não é preciso ser músico para entender: a qualidade de áudio - que se estendia também aos efeitos sonoros - só é subestimada enquanto você não abaixa o volume para sentir a diferença. No Youtube é possível encontrar músicos e fãs que literalmente reconstruíram as músicas, diante da impossibilidade de recuperar o material perdido com o tempo.Ou seja: se você ouve hoje a sua cantora pop preferida cantando no seu desenho 3D da temporada, a raíz está aqui.Bom... música é um assunto que rende. Mas, mais que palavras... que tal ouvi-las?Tema do PanthroTema do TygraTema da CheetaraTema do JagaEntr[...]



Thunder! Thunder! Thunder! - parte 1

2011-08-21T05:34:51.532-03:00

Thundernerds, Ho!Poizintão! Se você foi moleque nos anos 80 como eu, talvez tenha sido um viciado também.Não dá nem pra dizer que é coisa de C.D.F. (Nerd, uma ova, somos latinos), o negócio pegou todo mundo e até hoje arrebanha fãs. Pra começar, porque o desenho era mesmo muito louco, insuperável. Tinha em si todos os elementos que um pivete bem nutrido do ocidente adorava: ficção, magia, tecnologia, valores heroicos e muito efeito especial (sem falar numa loira gostosa).Você lembra da vinheta de entrada?http://www.youtube.com/watch?v=72GFgmXhjKYLembro da primeira vez em que vi. Foi imediato: se mexessem no botãozão da TV, eu morderia.  A gente nunca percebe que está vivendo um momento mágico até ele passar. Aquela música, aquelas imagens pulando na cara, num almoço de domingão na casa da avó. Mas, ali, eu sabia.Na segunda-feira não se falava outra coisa, dominou todos os pátios na hora do lanche. Aquele desenho tinha movimentos e luzes nunca vistos por mim e que nunca mais encontrei em nenhum outro. Ao menos, não nos que trouxessem consigo um enredo tão envolvente como força principal. Marcou tanto que passamos essas décadas tremendo ante a possibilidade de remakes (que agora existem) e de que Hollywood avançasse sobre ele com sua moda de adaptar quadrinhos e desenhos, etc. Bom, aconteceu, não foi tão ruim assim (exceto aos puristas) e o que importa é que o clássico continua clássico. Num primeiro momento, o original é o que interessa aqui.TC fez escola, influenciou para além do óbvio e fisgou gerações. Na época, ou você era da patota politicamente correta do He-man e seus conselhos a la urso Smokey, ou já dava seus sinais de hardcore com a gataiada. Perdão antecipado pela generalização, mas, basicamente, quem vinha do Mickey ia pro Lorão e quem vinha do Shadow Boy e do Fantomas foi atraído pelos felinos. Por tudo isso e muito mais acredito que Thundercats merece um textão para os fãs, o qual arrisco. Como na maioria das coisas daquele tempo, não há muita memória para além do que trouxemos na cuca e de boatos mais ou menos fundamentados. Sem nem sonhar com o Google, o que sabíamos vinha daquele suspeito amiguinho que foi aos EUA (dando início ao hediondo efeito "Caverna do Dragão"), do que estava escrito no álbum, na revista ou em algum raríssimo especial de TV. Enfim, boataria. Hoje, é possível garimpar na web vários detalhes que passavam batidos naqueles dias, mas exige paciência. Porém, temos a sorte dos velhos coleguinhas do betamax e do VHS terem gravado muita coisa que, do contrário, estaria irremediavelmente perdida. Bendito Youtube, salve São Google e voltemos ao que interessa.Cada um tem seus motivos para adorar a série e relembrar seu clímax.Aqui enumero os quais considero seus principais trunfos:A) Os criadores 1) Ted "Tobin" Wolf.Esse era um Cara entre os Caras. Underground demais para entrar no circuitão de desenhos caça-níqueis sem pé nem cabeça dos anos 70, e, que se saiba, de menos para fazer uma graphic novell, O velho Ted precisava de um ganha-pão que pagasse o miojo do pós-guerra sem macular sua veia criativa. Ele não era exatamente do ramo, embora tivesse tudo para ser. American dream: rriscou-se e deu no que deu. Lembre-se, estávamos em plena época Starwars (1977), com todo aquele misto de tecnologia e mística, da Guerra Fria, da Tatcher, do Reagan e do Sarney. Foi desse cara e nesse contexto que saíram os [...]



Quem é vivo sempre perece

2011-08-21T04:37:01.544-03:00

ou "A volta dos que não foram"

E aí?
Lôngui táime no sí!
Estive muito tempo longe do blog (como você pode notar, pela data), num ligeiro bloqueio criativo, motivado pelo ingresso ao Facebook e seu sedutor apelo de falar muito sem dizer coisa alguma. O lado bom é que ao menos mantive as reclamações e críticas costumeiras fora do blog!
Cá estou, numa dúvida dos diabos sobre como continuar esse blog. Talvez ele valha a pena em ser mantido, para além do meu apego. Reli algumas coisas que não lembrava ter escrito e ri pacas.
Você gostava? Bom... se está lendo, presumo que sim.

Li a última postagem sobre a jornada ao mundo nerd e, pensando bem... nunca saí dele (devo ser daquela subcategoria de C.D.F. que não admite ser um, ou que só não assume a alcunha porque ia mal pra burro na escola mesmo, apesar dos gostos peculiares).
Então vamos nessa. Vou lascar aqui uma enxurrada de nerdices no capricho.
Na próxima postagem, escreverei sobre desenhos animados.
Vamos destrinchar um gatinho (sem necessariamente amarrá-lo no poste)?



Jornada ao mundo Nerd - parte 1

2010-12-26T16:12:30.579-02:00

Em novembro de 2010 surgiu a ideia entre os colegas de trabalho. Sempre rola uma festa de fim de ano e dessa vez pensamos numa à fantasia. Passaram-me duas apreensões pela cabeça:a primeira, que talvez fosse bem difícil ao povo aderir (festas à fantasia sempre equilibram-se entre a diversão e o ridículo);a segunda... com que puerra de fantasia eu, um gordinho mui atlético, poderia ir?Andava bem entediado e sentindo falta de botar a mão na massa (quiçá, arranjar sarna pra me coçar) quando li sobre uma possível sequência dos Caça-Fantasmas e... PUMBA! Lembrei que na infância sempre quis empunhar o famoso feixe de prótons. Claro que isso foi esquecido tão logo eu comecei a beijar na boca, mas não vem ao caso aqui. O ponto é que o personagem é divertido, tosco e suficientemente adaptável a um heroico barrigudinho como djô.Estava decidido. A festa seria dali a um mês e eu teria um tempinho pra ajeitar tudo.***A METASeu nível de exigência depende sempre (e para qualquer coisa) de dois ou três fatores: seus recur$os (tempo, dinheiro e habilidade) e seu objetivo(que, no meu caso, depende também da profundidade de contato com o assunto).Defini então os primeiros gols: tinha de ser prático, relativamente barato e leve o suficiente para brincar na balada sem problemas.Era hora de ver o que dava pra fazer.A PESQUISAResolvi estudar. Até então minhas referências não eram grandes: adoro os filmes, gostava dos desenhos e havia desenhado bastante o tema quando guri. O problema foi que eu estava prestes a mudar a tal profundidade de contato que altera a meta.O que encontrei na busca foi ao mesmo tempo encantador e broxante: existem foruns, comunidades e fans não só desse mas de outros filmes - universos inteiros - que levam a brincadeira a sério, num nível que jamais pensei possível.Cortando as divagações... achei os mais variados projetos, plantas, fotos de referência e tudo mais o que se pode imaginar. E frustrei-me um tantinho (surpresa) ao ver que as melhores fantasias de caça-fantasmas já haviam sido feitas, anos-luz mais elaboradas que as peças cenográficas dos próprios filmes. O fato é que os mega-fãs usam alumínio, fibra de vidro, resina, alta eletrônica.Não haveria de ser esse meu objetivo, portanto. Mas já não bastava uma caixa de papelão nas costas depois de tanto encher os olhos.PLANEJAMENTOE PRODUÇÃOÉ preciso dizer que dei muita sorte nessa empreitada. Usei muito a boa e não tão enferrujada intuição. Entrei no cômodo de tralhas em casa e saí caçando sucata. E elas vinham à mão como milagre, assim como vieram tantas outras partes nos depósitos, bazares e lojinhas. "Isso serve aqui, isso serve acolá" e logo eu já tinha uma visão geral de como seria. Dois ou três dias depois de caças bugigangas, empilhei tudo no chão e cheguei nisso aqui.Bom... tudo em mãos (ou quase tudo), chegou a hora de montar. O mais difícil foi equacionar na minha cuca o senso de "já tá bom" com o de "podia ser melhor". Não foi raro voltar às lojas e comprar um parafuso tal, um cotovelo X, um conduite Y. E tome cola de sapateiro, parafuso, dedo cortado, mão suja.Finalmente cheguei ao meu primeiro proton pack (um tanto incompleto - quero arrematar umas firulas - mas pronto para a festa).E olha aqui como fiquei tosco hehehe! E aqui, o vídeo.Umas 110 horas de trabalho, algum dinheiro e muito jogo de cintura depois, na[...]