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Triunfo da Razão



Para a construção de uma sociedade justa e equitativa é necessário que a política e que os políticos se centrem na consolidação de três elementos: o bem-estar social, a eficácia económica e a salvaguarda do Estado democrático. Todavia, poucos



Updated: 2018-01-19T12:51:18.201+00:00

 



Publicidade enganosa

2018-01-19T00:01:04.201+00:00

O CDS acusou o Governo de publicidade enganosa. Trata-se de mais um caso em que os centristas acusam os outros de características que, afinal, lhes pertencem. E veio isto a propósito da discussão no Parlamento sobre Educação.
Assim, Cristas e seus apaniguados passaram o tempo a acusar o Governo de desinvestir na Educação, culminando aqueles discursos brilhantes com a frase "publicidade enganosa". À esquerda muitos mostraram-se incapazes de conter os risos.
Publicidade enganosa. Falou quem pertenceu a um Governo de irrevogáveis e medíocres que diziam estar a tapar o buraco aberto por José Sócrates, procurando sempre ir mais longe do que era imposto e, ainda assim, garantindo, com aquele ar sério, que estavam a salvaguardar os serviços públicos. Pelo caminho aproveitaram o contexto para proceder a privatizações e outras negociatas.
Mais uma vez Cristas e os seus apaniguados escorregam nas suas próprias contradições e fazem-no como se estivesse a dançar artisticamente. A publicidade enganosa de que o CDS fala mais não foi do que a estratégia do partido, cujo cariz populista é indisfarçável, durante toda a anterior legislatura. E quando tudo se complicou o irrevogável revogou-se daqui para fora.
Quanto ao verdadeiro estado da Educação não se pode, honestamente, recusar a existência de falhas graves, assim como se verificam falhas graves noutros serviços públicos, designadamente na Saúde. Essas falhas resultam de anos de mau investimento, anos de desinvestimento, com o cunho também de Cristas, e uma recuperação que tarda ou que não chega em virtude do peso do serviço da dívida. Agora publicidade enganosa, isso é com o CDS que sabe bem do que fala.



Vender a alma ao Diabo

2018-01-17T00:09:00.265+00:00

Manuela Ferreira Leite,  incapaz de esconder a excitação pela eleição de Rui Rio, sublinhou a possibilidade do seu partido poder "vender a alma ao Diabo" com o intuito de afastar o PS e a esquerda do poder. "Da mesma forma que o Bloco de Esquerda e o PCP têm vendido a alma ao Diabo, exclusivamente com o objectivo de pôr a direita na rua, acho que ao PSD lhe fica muito bem se vender a alma ao Diabo para pôr a esquerda na rua". Ora, depois de tanta sapiência aliada a uma loquacidade inaudita, coloca-se a seguinte questão: como é que Manuela Ferreira Leite vê o Diabo vender a alma (se é que a tem) a outro Diabo? Será esta uma nova versão da lenda de Fausto, uma versão desencantada lá para os lados da São Caetano?
Compreende-se o entusiasmo de todos aqueles que abominaram os anos de Pedro Passos Coelho, precisamente agora que ainda líder do PSD se prepara para fazer parte do passado e depois do seu séquito apoiar o candidato derrotado, Pedro Santana Lopes. Compreende-se o entusiasmo dos arautos do bloco central, seja pelo acesso ao poder, seja pelos singelos negócios. Mas ainda assim espera-se alguma calma e sobretudo racionalidade. É que pedir impossibilidades como esta apregoada por Ferreira Leite do Diabo vender a sua alma (?) ao Diabo, talvez a outro Diabo é simplesmente ridículo.
Por outro lado, resta saber se haverá vontade, por parte deste PS liderado por Costa, de se unir com o PSD, sobretudo tendo em conta que esse género de união tem sido uma verdadeira sentença de morte para quase todos os partidos socialistas e sociais democratas da Europa. Mas isso pouco interessa a Manuela Ferreira Leite e a outros entusiastas pela nova situação do PSD, de resto vale tudo, até pugnar para que o Diabo (PSD) venda a sua alma (?) a outro Diabo (PS), seja lá isso o que for. Vale tudo para regressar ao poder e aos negócios.



Alguém está a preparar a despedida?

2018-01-16T00:02:24.914+00:00

Pedro Passos Coelho que já tinha avançado que sairia da liderança do PSD, volta a partir corações, desta feita com o anúncio de que abandonará também o Parlamento. Resta saber se já haverá quem esteja a preparar a despedida.
Pesaroso com o facto de não ter chegado a um segundo mandato, isto porque a democracia funciona, o ainda líder do PSD mostrou-se invariavelmente incapaz de ultrapassar a sua condição: líder do PSD e deputado.
Depois de ter contribuído decisivamente para a vinda da troika - facto convenientemente esquecido -, Passos Coelho escolheu o pior dos caminhos: uma austeridade que postulou sacrifícios incomensuráveis para trabalhadores e pensionistas e o recrudescimento de potenciais negócios, numa espécie de eldorado para as empresas e suspeitos do costume.
Agora confrontado com a dura realidade (fora do Governo e na sombra dos sucessos do actual Executivo) Passos Coelho sai de cena, uma verdadeira inevitabilidade, sem no entanto fechar definitivamente a porta da política, infelizmente.
Dir-se-á que, à semelhança de outros que também passaram pela política, rapidamente esqueceremos Passos Coelho. Talvez não. Na verdade o país ainda hoje está a pagar a factura das suas políticas, seja com a destruição dos serviços públicos, seja com as privatizações. Passos Coelho partilha com José Sócrates uma característica: ambos são difíceis de esquecer porque as suas acções ainda habitam o presente.
Seja como for, a questão mais premente permanece: estará alguém a preparar a despedida de Passos Coelho? Existem razões que justificam a uma festa... de despedida, mas ainda assim uma festa.




Eleições no PSD

2018-01-15T00:05:45.580+00:00

As eleições no PSD, tendo em conta os candidatos, resultam em muito pouco, ou seja quase nada. Rui Rio venceu sem surpresa as eleições. De resto, as sondagens indicavam invariavelmente a vitória do ex-Presidente da Câmara do Porto. E o que é que Rui Rio trará de novo ao partido? A ideia de um bloco central volta a ganhar força, dando particular ânimo aos negócios, ficando no entanto por se saber se a outra parte alguma vez estará disponível para voltar a dançar o tango com o PSD. Esta é a grande diferença que Rui Rio acarreta, sobretudo quando Passos Coelho e Santana Lopes recusaram essa possibilidade.
Internamente, a vida dos órfãos de Passos Coelho complica-se. Contrariamente a Santana Lopes, Rio começou, ainda antes de se saber o resultado das eleições, a enviar recados para o partido, designadamente depois de Relvas ter falado. Recorde-se que Passos Coelho era pai e Relvas mãe – ultimamente ausente, mas ainda assim mãe.
No cômputo geral, estas são as novidades que Rio traz. Porém, a mediocridade, a ausência de ideias e um vazio incomensurável, o que também ajuda e promove a ideia de um bloco central, estão lá, a par da insídia, da imagem austera que ainda tanto agrada a um certo Portugal e de um novo potencial para os negócios que vivem do Estado, deixando as migalhas do costume para quem se aproxima.
Mas nem tudo é pouco ou má notícia. Agora inicia-se um novo ciclo sem Passos Coelho. E essa é indiscutivelmente a melhor notícia dos últimos tempos.








Trump - o rei que transforma tudo em merda

2018-01-12T10:13:53.508+00:00

Quem esperava o Rei Midas desengane-se, aparentemente o melhor que os americanos conseguiram arranjar foi alguém que orgulhosamente transforma tudo o que toca em merda - o Rei Trump, não num contexto mitológico, mas num pesadelo sem precedentes. 
Vem isto a propósito de mais um exemplo do que acima foi explanado e desta vez num episódio que inclui a palavra "merda", ou melhor "países de merda" (shitholes), mais concretamente: "Porque razão temos todos estas pessoas de países de merda a virem para aqui?". O Presidente americano referia-se a países como o Haiti, Salvador e países africanos, dando igualmente conta da sua preferência por noruegueses. A frase, acompanhada por outras pérolas como "para que é que queremos haitianos aqui?" ou "Para que é que queremos estas pessoas de África aqui?", foi proferida numa reunião na Casa Branca, na qual dois senadores apresentaram ao Presidente um projecto de lei migratório para a concessão de vistos a alguns cidadãos oriundos de países retirados do Estatuto de Protecção Temporária.
Curiosamente, discute-se por estes dias o estado da saúde mental do Presidente americano. Não sei se Trump está senil ou se se trata apenas de alguém com especial atracção pela idiotia, mas o facto é que, contrariamente a Midas que transformava em ouro tudo o que tocava, Trump transforma orgulhosamente em merda tudo o que toca e, se lhe for permitido, acabará o seu mandato deixando todo um país atolado em merda.



PSD: um debate decisivo

2018-01-12T00:01:41.556+00:00

Seria suposto tratar-se de um debate decisivo aquele que teve lugar nos estúdios da TVI, no dia 10. Não terá sido o caso, tratou-se, ao invés, de um debate que nada acrescentou porque nada existe a acrescentar, existe apenas vazio de conteúdo, de ideias, de projectos, de futuro com ambos candidatos presos ao passado por não terem qualquer espécie de futuro para oferecer.
Santana Lopes cola-se o mais que pode a Passos Coelho (está a contar com a orfandade do ainda Presidente do partido para ganhar as eleições) procurando escamotear um passado pejado de falhanços, não se livrando, por muito que tente, de uma certa aura de chico-espertismo. 
Rui Rio quer parecer sério, credível, em inexorável oposição ao seu adversário, posicionado menos à direita, mas resta também o vazio que partilha com Santana, a par de uma certa artificialidade. Rio tenta sobretudo parecer mais sério do que Santana, o que, sejamos realistas, não é particularmente difícil.
Ambos querem ter a orfandade de Passos Coelho do seu lado; ambos sabem que os órfãos daquela espécie de neoliberal pode ser decisiva; ambos chegaram ao ponto de tratar Passos Coelho, o tal neoliberal de pacotilha, como uma espécie de herói nacional - isto para se ter ideia do quão a orfandade do ainda líder do partido é apetecível.
Mas e um projecto alternativo? Falou-se de reorganização administrativa do território, saúde e segurança (sem quaisquer propostas), crescimento económico (discussão meramente semântica), políticas sociais (concretamente? nenhuma). Em resumo, uma manifesta pobreza de conteúdo.
De um modo geral não existem muitas diferenças entre os candidatos, embora exista uma que salta à vista: com Rui Rio vencedor manter-se-á a sigla PSD; com Santana Lopes teremos que nos habituar à exasperante sigla PPD/PSD. E quanto a diferenças dignas de registo, estamos verdadeiramente conversados.




Desinvestimento na Saúde

2018-01-10T00:02:21.479+00:00

Depois de anos de desinvestimento no Sistema Nacional de Saúde, por imposição externa e por se tratar de uma área particularmente apetecível para os negócios, o actual governo socialista, apoiado pelos partidos à sua esquerda, não tem vindo a repor o que foi retirado. O resultado não pode propriamente surpreender: listas de espera que continuam a ser um problema, quer para consultas, quer para intervenções cirúrgicas; serviços de urgência atolados, mais ainda no pico da gripe; displicência no que diz respeito a determinadas áreas da saúde, designadamente na saúde mental; incapacidade de resposta a doenças prolongadas e cuidados paliativos. É também neste contexto que surgem imagens de serviços de urgência repletos de gente em agonia ou até de recepções de hospitais onde são despejados doentes. 
No entanto, e apesar de importância das imagens sobretudo para um debate que já deveria ter acontecido, desenganem-se aqueles que consideram serem estes actos louváveis, sem quaisquer objectivo político, concretamente de quem promove as denúncias. Ainda assim, as imagens não deixam de tocar no essencial: quem entra num hospital corre o risco de deixar a sua dignidade à porta.
O Partido Socialista está por detrás da criação do Sistema Nacional de Saúde, ou seja tem responsabilidade acrescida e o dever moral de zelar pelo SNS e pela dignidade dos utentes. Os partidos à sua esquerda, desde logo por imperativos ideológicos, não podem baixar os braços neste particular.
Existe, porém, questões que são indissociáveis do investimento necessário no SNS: a dívida pública, os juros, as imposições externas, restando saber até que ponto será possível cumprir as imposições externas e repor o investimento no SNS, retirando, claro está, margem de lucro a quem ganha com a degradação dos serviços de saúde pública.




PSD e o fetiche Bloco Central

2018-01-09T00:07:51.743+00:00

A escassos dias das eleições para a liderança, o PSD é um partido à procura do seu lugar, num contexto onde o espaço já foi consideravelmente mais relevante. É também nesse sentido que se discute acordos com o PS, numa espécie de fetichismo difícil de disfarçar. Rui Rio mostra-se aberto a essa possibilidade; Santana Lopes não, afiançando não se tratar de uma "embirração pessoal", e avançando mesmo uma teoria para dar consistência à sua posição: trata-se afinal de um erro, "se os dois principais partidos vão para o governo quem é que fica de fora? Os extremos do sistema". São frases como esta que dão origem a anos de descodificação e eventualmente a novas teorias no âmbito da ciência política.
Agora um pouco mais a sério, os candidatos que concorrem pela liderança do PSD adoptam posições diferentes, pelo menos no que diz respeito a uma eventual reedição do Bloco Central. Na prática Santana Lopes procura apenas agradar à orfandade de Passos Coelho, situada à direita e com manifestas alergias a tudo o que cheire a esquerda.
É claro que fora desta equação ficam de fora os interessados sem os quais não haverá sequer uma ínfima possibilidade de reedição do tal Bloco Central, concretamente o PS que encontrou uma solução governativa que deixou de fora o PSD, com os bons resultados conhecidos. O que levaria o PS a entender-se com o PSD? O falhanço de entendimentos à esquerda? A pressão dos negócios? O Presidente da República? São todas possibilidades que só se concretizarão, alegadamente, se Rio vencer as eleições internas. Ou se Santana Lopes mudar de ideias e de teoria, coisa que não seria propriamente inédita.





PSD: o primeiro debate

2018-01-08T00:04:42.467+00:00

O primeiro debate entre os dois candidatos à presidência do PSD não entusiasmou nem o mais acérrimo adepto do partido. Na verdade, o debate morno, intercalado por alguns momentos quase dramáticos sem nunca o serem, contribui para a ideia de que o sucessor de Passos Coelho dificilmente será particularmente melhor do que o próprio Passos Coelho, facto que seria dramático se a mediocridade assustasse alguém no partido, coisa que não parece acontecer.
Depois de largos minutos marcados pela insipiência, Rio decidiu atacar o adversário recorrendo ao passado repleto de falhanços; o seu adversário, Santana Lopes, retorquiu recorrendo a frases melodramáticas começadas por "tu", não esquecendo porém de acusar Rio de trair o partido, vezes sem conta. E terá sido este o momento alto do debate.
Quanto ao conteúdo, alternativas, ideias, não há muito a dizer e menos a escrever pela simples e prática razão que conteúdo, alternativas e ideias andaram ausentes pelo debate, tal como andam ausentes do partido.
Em consequência, o PSD prepara o caminho da continuidade, independentemente de quem será o seu líder. A mediocridade, essa, marcará presença, resta apenas saber se acompanhada por umas frases vazias, mas aparentemente sérias de Rui Rio, ou pelo tom melodramático de Santana Lopes. 





Emendar a mão

2018-01-04T00:01:34.196+00:00

Tal como esperado, o Presidente da República vetou a famigerada lei do financiamento dos partidos políticos. Assim, Marcelo Rebelo de Sousa devolve ao Parlamento aquilo que havia sido cozinhado na penumbra. De resto, o Presidente justifica a sua decisão com o facto de estar em causa a "ausência de fundamentação publicamente escrutinável quanto à mudança introduzida".
O Parlamento, designadamente os partidos que estão por detrás destas mudanças têm agora a oportunidade de emendar a mão, melhorando substancialmente a lei - o que existe agora acabou por morrer. Na verdade, e mesmo que as hipotéticas alterações fossem genericamente positivas - para além do espectro político-partidário -, o secretismo e agora a ausência de explicações e a fuga para a frente de quem  à revelia dos cidadãos tomou decisões resultam numa ideia indelével: a de que os partidos políticos envolvidos procuraram legislar longe do escrutínio dos cidadãos e em benefício próprio.
Partidos como o PSD, à espera de um líder que seja qual for é contra estas alterações à lei, e Bloco de Esquerda, pouco claro neste particular, dificilmente se manterão próximos da lei que é agora devolvida.
O CDS aparece agora como o partido impoluto, longe de submarinos e figuras proeminentes como Jacinto Leito Capelo Rego - famoso por ser tão generoso com o partido - e que agora, se existisse, estaria a dar uma forte gargalhada.
A lei morreu. Seja como for, os custos de se cozinhar repastos (mesmo que não o fosse, é o que parece) para proveito próprio e às escondidas dos cidadãos tem custos: a imagem dos partidos, a sua credibilidade e, por inerência, a própria democracia,




Se 2017 tivesse terminado a 16 de Junho e se o desinvestimento no Estado não tivesse sido tão apregoado

2018-01-03T00:01:17.281+00:00

O Presidente da República, na sua mensagem de Ano Novo, voltou a referir, enfaticamente, a necessidade do Estado cumprir as suas funções essenciais, designadamente nas áreas da segurança e na defesa. Aliás, se o ano tivesse terminado a 16 de Junho, tudo teria sido perfeito: consolidação das contas públicas, saída do procedimento por défice excessivo; redução da taxa de desemprego, redução dos juros e da dívida, etc.
Certo. Mas impõe-se um acrescento: se o desinvestimento em áreas essenciais do Estado não tivesse sido a panaceia para todos os nossos problemas, talvez a dimensão das tragédias fosse outra. Desinvestimento e cedência de competências do Estado ao sector privado não podem ficar de fora da discussão, precisamente o que o Presidente tem feito.. A responsabilidade é do Governo por não ter desfeito o que tem vindo a ser feito ao longo de décadas, mas a responsabilidade não se pode ficar pelos lados do Executivo de António Costa. Há mais, muito mais, como é fácil depreender.
De igual modo, não deixa de ser curioso ver tanta gente que, noutros tempos apregoava a redução do Estado e naturalmente das suas funções, vir agora a terreiro fazer a defesa do contrário, sublinhando a necessidade de reforçar essas funções do Estado. E esta trágico-comédia mantém-se e está para durar, como se vê quer na direita, quer na sua criadagem presente na comunicação social.
Marcelo Rebelo de Sousa, um populista aparentemente afectuoso, continuará a bater na mesma tecla, com pequenas nuances apelidadas de reinvenções, e fará das tragédias o centro da sua presidência, sem nunca, contudo, abordar convenientemente o desinvestimento que tem vindo a ser feito no Estado e que não pode ser dissociado das tragédias.




Consensos alargados

2017-12-29T09:23:18.568+00:00

Depois da trapalhada em torno das alterações à Lei do Financiamento dos Partidos Políticos, os ditos partidos envolvidos na polémica decidiram fazer um comunicado conjunto onde nada é verdadeiramente esclarecido, optando por passar o problema para o Presidente da República. Porém, há uma espécie de argumento que é invocado: o consenso alargado em torno do assunto.

Ora, o consenso alargado vale de muito pouco quando tudo é decidido na penumbra, longe dos cidadãos, às escondidas. Paralelamente, um consenso alargado, por si só, valida exactamente o quê? Melhora a história em que aspecto? E se existisse um consenso no Parlamento, imaginemos por absurdo, sobre o regresso da pena de morte, isso justificaria esse incomensurável retrocesso civilizacional?

Existiam problemas com a anterior legislação sobre o financiamento dos partidos políticos, essa parece ser uma evidência. O que não quer dizer, contudo, que estas alterações contribuam para melhorar, sobretudo cozinhadas na penumbra, muito longe de qualquer debate público. E é isso que poucos deputados parece perceberem. Assim como aparentemente terão dificuldades em compreender que são medidas como estas, engendradas à revelia dos cidadãos, às escondidas - repito - que contribuem inexoravelmente para o afastamento dos cidadãos das instituições democráticas  - uma machadada na democracia - a antítese do que deveria ser a missão dos representantes políticos eleitos.
Por conseguinte, consensos alargados, sobretudo no actual contexto, de nada valem. Servem apenas para reforçar a perigosa ideia de que são todos iguais.



Qual a melhor forma de afastar ainda mais os cidadãos dos partidos políticos?

2017-12-29T09:25:01.456+00:00


A resposta à pergunta em epígrafe parece óbvia: aprovando, às escondidas, alterações à lei do financiamento dos partidos políticos, mudanças aprovadas a 3 dias do Natal, à porta fechada e sem divulgação de espécie alguma. 

E de que alterações estamos a falar? Ora, o projecto 708/XIII/3, aprovado com os votos favoráveis do PS, PSD, Bloco de Esquerda, PCP e PEV pressupões que deixe de existir um valor máximo para os fundos angariados para os partidos (sem alteração, porém, nos limites dos donativos privados) que estava estipulado nos 631,980 euros. Paralelamente, surge a isenção de IVA "na aquisição e transmissão de bens e serviços". Ou seja, a isenção de IVA junta-se às isenções conhecidas em matéria de IRC, IMI, Imposto de Selo, imposto sucessório, etc. 

Segundo a comunicação social, esta nova legislação resolve as dificuldades fiscais dos partidos políticos, pelo o que se compreende o raro consenso. Por outro lado, PCP, com a festa do Avante, e PSD, com o Pontal, conseguem assim mais espaço de manobra para explorar as respectivas festas e lucros.

É aqui que encontramos a forma mais fácil de afastar ainda mais os cidadãos dos partidos políticos, facto que seria provavelmente mitigado se existisse transparência na gestão destes delicados assuntos ao invés de fazer tudo às escondidas, o que fortalece a linha de argumentação de todos os que criticam a actuação dos partidos políticos, mesmo que essa linha ignore a importância dos partidos, a sobriedade que o debate implica, optando-se pelo populismo mais desregrado.
O facto é que na fotografia de grupo ficam quase todos mal, salvando-se o CDS, por imperativos que desconhecemos, mas sobre os quais desconfiamos, e o PAN. Pelo meio, perdeu-se a oportunidade de fomentar um debate político, deixando espaço a uma comunicação social que enceta debates em torno de manchetes sensacionalistas e factos amiúde inexactos.




E agora Rajoy?

2017-12-22T09:23:46.334+00:00

Apesar da vitória do Ciudadanos, Carles Puigdement acaba por ser o grande vencedor da noite eleitoral na Catalunha. A afluência às urnas nunca vista resultou na vitória dos independentistas que conseguem voltar a ter maioria absoluta no Parlamento, com o Juntos Pela Catalunha de Puigdemont a ter mais votos e a eleger mais deputados do que na eleição anterior. Os grandes derrotados da noite são Rajoy e o Rei de Espanha que tudo fizeram para liquidar as intenções independentistas dos catalães. De resto, o PP de Rajoy conseguiu um último e humilhante lugar.
E agora Rajoy? Depois de ter reprimido, colocado líderes políticos sob prisão e forçado eleições antecipadas na Catalunha, sempre com a sombra do artigo 155 da Constituição espanhola ainda assim a pairar sobre a região como uma espada de Dâmocles, o que sobra para além de um referendo legal sobre a independência da Catalunha? De resto, o Parlamento catalão está agora pejado de representantes eleitos pelo povo que defendem a realização de um referendo legal.
De qualquer modo, é muito provável que o Presidente do Governo espanhol se escude na legalidade para travar as tendências independentistas. O certo é que a intimidação e o medo apenas resultaram num reforço, carregado de legitimidade democrática conferida pelo voto soberano do povo, daqueles que pugnam por uma República da Catalunha independente.
E para aqueles que falavam numa maioria silenciosa de catalães pró-espanha resta muito pouco para argumentar - a clarificação que tanto almejavam está feita: o reforço de uma maioria pró-independência, num acto eleitoral que registou a maior afluência da história da Catalunha.
Estes resultados mostram sobretudo que a táctica da intimidação e da promoção do medo resulta, amiúde, no contrário do que era esperado. E agora Rajoy? O que resta?



CTT: A memória é curta

2017-12-22T10:10:36.883+00:00

Bloco de Esquerda e PCP pediram esclarecimentos ao Governo sobre os despedimentos e encerramento de lojas dos CTT. Paralelamente também são prometidos cortes nos salários da administração, embora ainda pague dividendos este ano. É evidente que toda a discussão sobre o futuro dos CTT e dos seus trabalhadores é indissociável de um processo de privatização de descaracterizou e enfraqueceu uma empresa histórica e relevante para o país. Uma empresa que, curiosamente, dava lucro.

A privatização feita pelo Governo de Passos Coelho resultou na degradação dos serviços e na falta de cumprimento do serviço público que os CTT têm que prestar e no despedimento de trabalhadores. A privatização preconizada por Passos Coelho, líder em fim de vida do PSD, não trouxe quaisquer benefícios aos país e deveria ser Passos Coelho a prestar esclarecimentos sobre como privatizou uma empresa lucrativa que serve de elo de proximidade e que presta um serviço muito relevante ao país. Deveria ser Passos Coelho, que não se coíbe de atribuir todos os males a este Governo e que se vangloria de ter tido feito um bom trabalho cujos resultados estão a ser colhidos pelo Executivo de António Costa, a dar explicações sobre o que o levou a privatizar os CTT e, já agora, se está satisfeito com os resultados.

A memória é curta, bem sabemos, muitos já terão esquecido as privatizações executadas por PSD/CDS que só não atingiu a Caixa Geral de Depósitos por falta de oportunidade.
Ora aí está o resultado; um resultado que se repete: todos ficam a perder, excepto uns poucos que engordaram com o negócio. Agradeça-se ao PSD/CDS e não se permita que a memória seja sempre tão curta.



Um sonho adiado. Talvez

2017-12-20T00:07:38.544+00:00

Quinta-feira, dia de eleições na Catalunha, depois das semanas conturbadas que culminaram com a saída do país de Puigdemont e com a aplicação do famigerado artigo 155 que permite ao Governo espanhol tomar conta da região.
As sondagens valem o que valem - frase gasta, mas que contém em si um fundo de verdade. Ainda assim, tudo parece indicar que o sonho independentista não passará disso mesmo de um sonho.
A razão que se prende com essa hipotética derrota dos independentistas não passa, como muitos gostariam, pela a súbita fama da líder dos Ciutadans (Cidadãos) - amada pela comunicação social e que surge nas sondagens bem posicionada, sobretudo numa das últimas sondagens em que fica em primeiro lugar, tecnicamente empatada com a Esquerda Republicana Catalã.
A razão, ou conjunto de razões, prende-se antes com o velho e conhecido medo, medo de sair de Espanha e medo de sair da União Europeia; medo de mergulhar no desconhecido; designadamente medo das consequências da independência. Perante o medo a paixão esmorece, por muita intensidade que essa paixão possa ter. Essa é a razão: o medo. Tudo o resto é fumaça. No entanto, o problema da estratégia do medo é o seu carácter pouco duradouro associado a explosões de revolta que se podem tornar incontroláveis.
É evidente que a pressão exercida pelo Governo espanhol, com laivos de fascismo, intensificou essa sensação de medo, produzindo resultados que, mesmo em caso de derrota do movimento independentista, pouco claros no que diz respeito ao futuro. Para já, a independência da Catalunha pode permanecer um sonho. Para já.




Alabama

2017-12-19T00:09:57.536+00:00

Foram necessários 25 anos para o Alabama eleger um democrata. Foi na semana passada que Doug James, candidato pelo partido democrata, conseguiu bater o republicano Roy Moore por 1,5 pontos percentuais. Moore, importa lembrar, tem vindo a ser acusado de assédio e abuso sexual de menores, mantendo apesar de tudo isso o apoio de Donald Trump. As acusações a Moore são graves e estão muito longe de serem inverosímeis, e ainda assim o candidato ultra-conservador quase conquistou o lugar. E para que tudo fique mais claro, lembrar também que no Alabama, Trump conseguiu ficar mais de 20 porcento à frente de Hillary Clinton.
Alguns democratas vêem a eleição de Doug James como promissora - uma espécie de pronúncio para o que aí vêm em 2018, com a consolidação da ideia de que talvez seja possível conquistar ambas as câmaras nas intercalares. Paralelamente, este resultado também está a ser visto como um sinal de que Trump e parte do partido republicano talvez tenham ainda menos força do que se pensava e que este voto serve também para os castigar.
Com efeito, a palavra "talvez" é utilizada demasiadas vezes. Certezas são muito poucas. Ainda assim, com este resultado, os republicanos vêem-se na iminência de perder o controlo da Câmara Alta do Congresso.
Todavia, e apesar de alguns sinais promissores, aconselha-se alguma cautela, desde logo porque Moore era demasiado mau para ser verdade, o que, é um facto, parece ser uma espécie de nova normalidade no contexto político americano. No entanto o candidato republicano terá ido longe de mais, não só no seu ultra-conservadorismo que degenera no protesto contra a igualdade sexual ou em manifestações públicas de apoio à escravatura, mas também nos casos de assédio e abuso sexual de menores.

Seja como for, as hostes democratas animam-se - importante, sobretudo depois de mais de um ano do mais gritante paroxismo.



PS: Confusões

2017-12-15T00:08:36.369+00:00

Carlos César, Presidente do PS, em entrevista ao Público, afirma não "querer ser confundido com uma pessoa do Bloco de Esquerda ou do PCP", amenizando a frase com a ideia de que é do PS (uma evidência) e que quer manter a sua identidade, salientando as diferenças. Em suma Carlos César não quer confusões. Muito provavelmente também ninguém no Bloco ou no PCP anseiam por ser confundidos com pessoas do PS. 
Todavia e pese embora a frase possa soar, em larga medida, inócua, fica um ligeiro rasto de uma outra ideia: a da existência de pessoas - já que estamos numa de pessoas - pobres e mal-agradecidas.
Por outro lado, não é de descartar a possibilidade de também existir quem sinta saudades de um bloco central, onde os interesses confluem. Convém, no entanto, não esquecer que esses ditos blocos centrais têm contribuído fortemente para a ruína dos partidos socialistas um pouco por toda a Europa, com a respectiva alienação da natureza ideológica de esquerda dos ditos partidos socialistas.
Carlos César seguramente saberá, até porque é por demais evidente, que o PS não teria qualquer possibilidade de regressar ao poder se não fossem as pessoas dos partidos de esquerda com os quais César não quer ser confundido. Sendo certo que paira no horizonte um Rui Rio e sendo isso factor para entusiasmo em alguns socialistas, com Francisco Assis na linha da frente, importa ainda assim refrear os preconceitos, mesmo perante uma verdade que incomoda e evocada por Catarina Martins - a que postula que o PS está nas mãos dos lóbis. 

Finalmente, desconfiamos que os negócios andam por aí pouco satisfeitos com esta solução governativa, mas será importante impedir que os preconceitos se tornem demasiado evidentes, mesmo que disfarçados de instinto de preservação de identidade. De resto, apenas faltam dois anos para o fim da legislatura, prazo que muitos esperam seja o do fim da agonia.



Quando o jornalista é o protagonista 

2017-12-14T00:04:28.760+00:00

A TVI apresentou uma reportagem sobre uma importante instituição de solidariedade social - a Raríssimas - o que resultou no afastamento da sua Presidente e na queda de um secretário de Estado. A reportagem em si revela um panorama desolador do ponto de vista moral e é importante no âmbito do próprio jornalismo de investigação, particularmente pobre em Portugal.
No entanto, a jornalista Ana Leal preferiu percorrer o caminho inquisitorial, designadamente na entrevista que fez ao secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, envolvido no caso. Ao invés de procurar esclarecimentos, a jornalista optou por se transformar em inquisidora, socorrendo-se exageradamente de pretensas provas que se traduzem no "diz que disse", fazendo insinuações maliciosas, tudo num tom inquisitorial. Ana Leal transformou-se na protagonista, cujo papel é o pior papel que um jornalista pode desempenhar: o de inquisidor.
Não se pretende com esta crítica ilibar o secretário de Estado de responsabilidades, isto porque desde logo, Manuel Delgado disse tudo o que havia a dizer sobre os seus princípios morais ou ausência deles. Ainda assim, nada disso justifica o tom inquisitorial, que redundou amiúde em humilhação, sobretudo quando se faz esta ou aquela insinuação sobre a vida privada do sujeito da entrevista.
De resto, essa postura, embora apreciada por alguns, enfraquece a própria credibilidade da reportagem, tornando-a pouco mais do que vulgar. Paralelamente, essa dita postura passa também a ideia de que existem alvos a abater e que os mesmos pertencem ao Governo - mesmo que não seja essa a ideia, é essa a imagem que fica, de modo mais ou menos indelével, consoante os gostos.

É uma evidência, mas aparentemente ainda é necessário reforçar a ideia de que o jornalista não deve ser, em caso algum, o protagonista da notícia ou até da reportagem, seja no papel de inquisidor, seja em que papel for.



Ainda Jerusalém

2017-12-13T10:14:01.965+00:00

Quando crítico o reconhecimento de Jerusalém, feito pelo inefável Trump, como sendo capital de Israel não o faço com a intenção de defender a tese que postula que essa cidade deve ser a capital da Palestina que, diga-se de passagem, nem tem reconhecimento como Estado por parte de Israel. A cidade de Jerusalém não pode ser considerada a capital do que quer que seja.
No âmbito das reivindicações, como escolhemos fundamentar a tese de que Jerusalém pertence a um ou a outro povo? Qual dos livros escolhemos para fundamentar a quem pertence Jerusalém? A Bíblia, designadamente o Antigo Testamento, mais concretamente o Pentateuco, mais concretamente a história da Terra Prometida - Canãa, prometida a Abraão e aos seus descendentes? Ou preferimos basear a nossa tese na história do Rei David, o mesmo que venceu o gigante Golias? Ou opta-se ainda pela versão do Corão, a história que indica que o Profeta ascendeu ao paraíso a partir de Jerusalém? Qual tem mais validade? E Cristo não tem voto na matéria? Jerusalém não lhe diz nada?
Pessoalmente fico-me pela fundamentação assente nas resoluções das Nações Unidas, designadamente a resolução 478 do Conselho de Segurança das Nações Unidas que se opõe a Jerusalém como capital de Israel, um texto em que se incentiva os membros da ONU a retirar as suas missões diplomáticas de Jerusalém. Como base de fundamentação tenho uma inclinação maior para o direito internacional do que propriamente para histórias de livros sagrados ou até para histórias de outra natureza que remetem para um passado demasiadamente longínquo.
Resumindo e com base no direito internacional, Jerusalém não pode ser considerada capital do Estado israelita ou de qualquer outro Estado. As pretensões israelitas ou até eventualmente palestinianas no que toca ao estatuto da Jerusalém não deverão ser atendidas. Será essa explicação e fundamentação suficiente? Ou ainda faltará alguma coisa para perceber?




O que é que falta perceber?

2017-12-12T00:01:46.286+00:00

Quando o mundo inteiro se insurge contra a manifestação de Donald Trump de passar a embaixada de Israel para Jerusalém não se está a colocar de um lado ou de outro, mas a deitar as mãos à cabeça tendo em conta a violência que pode recrudescer numa zona já por si periclitante. Ainda assim há quem não compreenda a razão que leva tantos a deitarem as ditas mãos à cabeça.
Jerusalém é um eterno palco de violência, embora paradoxalmente considerada terra sagrada para as três religiões monoteístas: Judaísmo, Cristianismo e Islão. Sendo certo que na verdade a cidade seja controlada por Israel ao arrepio das Nações Unidas, a resolução do problema nunca pode passar por declarar a cidade de Israel, como não poderia passar por declarar a cidade da Palestina ou do Vaticano. A solução tem que passar pelo crivo de ambas as partes e não por qualquer declaração unilateral. 
Assim, vemos o isolacionismo - novamente dos EUA - com a embaixadora americana nas Nações Unidas a proferir frases que devem fazê-la corar de vergonha, quer pelo perigo das mesmas, quer pelo ridículo. Frases que indicam que esta é a melhor forma de se chegar à paz no Médio Oriente ou frases que defendem a credibilidade dos EUA. Risível, se a situação não fosse tão grave. Por outro lado, Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, que representa uma intransigência que já custou demasiadas vidas, afirma que outros países acabarão por fazer o mesmo reconhecimento que os EUA fizeram. Mais uma vez risível, não fosse a situação potencialmente explosiva.

Quando o mundo inteiro manifesta as suas preocupações e rejeita esta declaração americana não se trata de algum exagero, ou a tomada de posição por um dos lados da disputa. O Papa não está errado, o secretário-geral da ONU não está errado, nem tão-pouco estão a tomar partido. O que é que falta perceber?



O que move Donald Trump?

2017-12-11T00:01:21.147+00:00

O que move Donald Trump? Para além do seu ego? A última peripécia pode lançar o Médio Oriente e não só para o caos – o reconhecimento de Jerusalém capital de Israel não é apenas uma afronta, mas um retrocesso sem precedentes, num contexto já por si particularmente difícil. E então? O que move Trump?
No caso concreto de Jerusalém, há várias possibilidades: agradar à facção mais extrema do Partido Republicano; agradar a grupos de pressão judaicos; agradar a uma indústria do armamento que vê novas possibilidades de negócio se abrirem com este disparate; tentativa de mostrar ao seu séquito que está empenhado em cumprir promessas – esta última hipótese é promissora na precisa medida em que qualquer idiota com um grande ego necessita do reconhecimento de outros idiotas.
No entanto e apesar destas hipóteses, o que leva Trump a procurar o isolamento dos EUA, nesta questão em particular, como no caso do Acordo de Paris e de praticamente todas as medidas anunciadas?
A resposta pode muito bem ser indissociável da tal necessidade de validação por parte da sua base de apoio – uma resposta que, pela sua simplicidade, até assusta. Ora, se aquilo que o move é a necessidade de validação por parte da sua base de apoio e se essa validação só é alcançada através do cumprimento do prometido, então importa que nos preparemos para mais desastres, isto pelo menos até não existir um processo de destituição que, diga-se de passagem, já esteve bem mais longe do que está.

Por cumprir está o muro na fronteira com o México, fechar fronteiras, revogar o acordo com o Irão, etc.



Trump anuncia novo desastre

2017-12-07T00:02:41.519+00:00

O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel é um desastre anunciado - um desastre que já teve lugar no passado. Também é verdade que seria difícil esperar diferente ou melhor de Donald Trump que anunciou que a embaixada americana sairá de Telavive e passará para Jerusalém, o que equivale ao reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel; o que equivale a uma declaração de guerra; o que equivale a deitar por terra a solução dos dois Estados; o que equivale a liquidar qualquer perspectiva de paz na região. E assim se consolida a base de apoio que vê em Trump não um traidor que se deita com a Rússia, mas alguém que cumpre as suas promessas, enquanto agrada à linha dura do partido Republicano, alinhados também eles com o sionismo.
Recorde-se que  Jerusalém é uma cidade dividida, representando um pomo de discórdia que, apesar de tudo, não tem passado disso mesmo - uma ferida não sarada, mas que não estava propriamente a sangrar e passará a estar, de forma abundante. Outros Presidentes republicanos chegaram a prometer o reconhecimento de Jerusalém como capital israelita, mas na verdade nenhum foi mais longe por perceber que isso representaria afrontar ainda mais o mundo árabe. É o unilateralismo americano a fazer o seu caminho.
De resto, Trump está-se nas tintas para o enfurecimento do mundo árabe ou para o aumento da instabilidade no Médio Oriente, preferindo seguir os seus instintos primários, agradando em simultâneo à linha dura do Partido Republicano.
A política externa americana para o Médio Oriente e para mundo árabe em geral tem sido desastrosa: Reagan, Bush pai e Bush filho deram contributos decisivos para o aumento exponencial da instabilidade sobretudo no Médio Oriente. Trump, no habitual misto de intransigência doentia e ignorância gritante, continua cometer erros crassos cuja reversibilidade é ínfima e que terão consequências ainda mais gravosas num contexto já por si particularmente difícil.





E agora Pedro? Ainda existe aquela vontade de rir

2017-12-05T00:02:19.576+00:00

Mário Centeno é o novo Presidente do Eurogrupo - órgão que reúne os ministros das Finanças dos Estados-membros da Zona Euro e cujo papel é cada vez mais relevante na governação da economia, uma espécie de filho do Conselho Europeu e primo do Ecofin. Como já se referiu a importância do Eurogrupo tem-se tornado cada vez mais relevante, sobretudo depois das humilhações que visaram a Grécia.
Dito por outras palavras, a presidência deste órgão é de particular importância e o facto do ministro das Finanças português ter sido escolhido para a sua presidência não é caso de somenos importância, como alguns em Portugal insistem em afirmar, Marques Mendes que o diga.
Recorde-se que na primeira intervenção de Centeno no Parlamento, Passos Coelho, cheio de azia por não ocupar o lugar de primeiro-ministro, fartou-se de rir jocosamente. O gozo pretendia minorar a importância de Centeno e esconder a tal azia. Seja como for, ficaram as imagens do ex-primeiro-ministro que nunca sorria, rir-se de Mário Centeno. Rir até as lágrimas lhe invadirem o rosto.
Agora que Centeno é Presidente do Eurogrupo, com apoios de países como a Alemanha e de França, impõe-se novamente as questões: E agora? Já não há vontade de rir? Como é que se sente agora, depois de anos a bajular a Alemanha? E como é que está a tal azia? Cresceu exponencialmente? E como é engolir tanto sapo? Não provocará também essa quantidade incomensurável de sapos uma azia difícil de suportar?

Outra questão e esta verdadeiramente importante prende-se com a posição de Portugal e até que ponto a eleição de Centeno não vincula o país ainda mais ao diktat alemão, perdão, europeu.



Mário Centeno

2017-12-04T00:07:08.644+00:00

Hoje ficaremos a saber se Mário Centeno será mesmo o Presidente do Eurogrupo ou não. Se for o escolhido, levantar-se-ão novas problemáticas, designadamente do ponto de vista do ministério das Finanças, isto apesar de Centeno e do próprio António Costa terem sossegado as almas mais inquietas, garantindo que se pode desempenhar ambas com rigor e eficácia.Mário Centeno tem sido um bom ministro das Finanças – frase que causa estranheza, raras terão sidoas vezes em que podemos efectivamente aplicar aquelas palavras a um ministro das Finanças. O ministro escolhido por Costa para estar à frente das Finanças tem sido tecnicamente irrepreensível – ao ponto de ser reconhecido pelos seus pares europeus – e tem apresentado resultados francamente positivos. Mas para além das suas competências técnicas, Mário Centeno mostra-se humano, o que também é raro entre ministros das Finanças, e para quem não tem memória lembrarapenasque antes de Centeno tivemos um autómato e a incompetência em pessoa disfarçada por um arrogância desmedida.Creio que Centeno será de facto o ministro escolhido para liderar o Eurogrupo, mas tenho dúvidas quanto à possibilidade do ministro acumular com eficácia as funções. Dir-me-ão que se os seus antecessores conseguiram por que razão Mário Centeno não conseguirá? A ver vamos. Por outro lado, num registo mais positivo,o Sul da Europa terá uma maior representação nos principais órgãos europeus, o que não quer dizer que isso só por si seja factor de maior equilíbrio como se vê pela actuação de Mário Draghi no BCE. Mas a probabilidade de se caminhar no sentido desse equilíbrio será maior.Quanto a louros, o PSD terá o seu, tal como não devemos descurar o seu papel no facto do Sol brilhar, a terra girar, e aquele passarinho, junto à nossa janela, cantar.[...]