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jugular - SAPO Blogs



Last Build Date: Fri, 31 Dec 2010 10:40:13 GMT

 



Bem prega frei Tomás...

Fri, 31 Dec 2010 09:45:56 GMT

Na sua alocucação à cúria romana, Bento XVI referiu-se ao assunto católico do ano: o escândalo do abuso sexual de menores que não poupou nem cónegos considerados tão bons que para um deles até decorria uma campanha para o candidatar ao Nobel da Paz 2011. A estratégia da alocução foi distribuir a grosso da culpa da coisa a todos menos aos culpados, nomeadamente à sociedade que considera tão normal a pedofilia que os padres abusadores não conseguiram resistir aos ares dos tempos. Mais concretamente, Bento XVI usou as alucinações de Hildegard von Bingen para explicar que o pó que mancha a face da Igreja deve ser encarado no «contexto do nosso tempo que é testemunha destes acontecimentos», um tempo em que, segundo Bento XVI, «existe um mercado da pornografia que envolve as crianças, e que de algum modo parece ser considerado cada vez mais pela sociedade como algo normal».   Claro que sociedades em que isto acontece só existem na cabecinha «delusional» de Bento XVI, não há nenhuma sociedade que considere a pornografia infantil normal, aliás, consideram-na tão anormal que por acaso até já relatámos alguns excessos de zelo provocados pelo repúdio que merece. Cada vez mais recursos e leis cada vez mais restritivas são dedicadas a combater a pornografia infantil e no entanto Bento XVI, querendo limpar o pó da face da sua Igreja, acha por bem lançar lama sobre a sociedade em geral.   São 5% da cúria os padres abusadores de crianças, pelo menos de acordo com o Vaticano, uma percentagem muitas ordens de grandeza superior à da população em geral e no entanto Bento XVI prosseguiu o discurso dizendo que os «alicerces ideológicos» do abuso sexual de menores, por padres presume-se, são teorias enraizadas na sociedade que, efabula, sustentam que a pedofilia é «algo totalmente consentâneo ao homem e também à criança».   Também não tenho dúvidas que algum obscuro académico ou afins em alguma obscura revista ou afins fez alguma vez esta afirmação vil. Mas esta insinuação igualmente vil de que a pedofilia está ou esteve de tal forma integrada e normalizada na sociedade que esta a aceita ou aceitou como legítima é simplesmente uma mentira. Mas parece que o Papa precisa mentir para justificar por que razão e por tanto tempo a sua Igreja considerou o abuso sexual de menores uma coisa tão banal que não merecia castigo.   Na realidade, e contrariamente ao que Bento XVI diz no seu discurso, por todo o mundo a pedofilia e o abuso sexual de menores são considerados um crime tão grave que até existem leis que obrigam os profissionais que trabalham com crianças a denunciar suspeitas de que alguma das crianças a seu cargo seja vítima desse crime abominável. Apenas a Igreja resistiu e resiste a essas leis e inventa todas as desculpas e mais alguma para se recusar a colaborar com a Lei a esse respeito.   E foi Ratzinger, que agora carpe uma inventada «normalização» da pedofilia (fora da ICAR, claro), o cardeal que ordenou a todos os cardeais e bispos que, sob pena de excomunhão, não colaborassem com as autoridades no caso de um padre ser denunciado ou apanhado a abusar de crianças e que tratassem o crime como se de um mero assunto interno da Igreja se tratasse.  Ou seja, Bento XVI que, para variar, encheu o discurso de avisos sombrias sobre o perigo do relativismo moral, na sua boca e pena tudo o que não siga estritamente os ditames da ICAR, é o único relativista moral nesta história de abuso sexual de menores. [...]



Uma questão de prioridades

Mon, 17 May 2010 20:48:58 GMT

Dale Fushek, nos seus tempos de estrela no firmamento da delegação norte-americana da igreja católica, foi um dos responsáveis pelo planeamento e organização das visitas de João Paulo II e de Teresa de Calcutá a este país. Em 2000, Fushek, fundador do maior movimento católico de adolescentes nos Estados Unidos, Life Teens, foi promovido a vigário geral da diocese de Phoenix, Arizona, posição imediatamente abaixo da de bispo. Em 2002 foi promovido a Monsenhor, um título honorífico reservado a padres que se distingam pela sua obra. Desde 1984 que Fushek abusava sexualmente de adolescentes e pelo menos desde 1995 que a hierarquia da Igreja o sabia uma vez que nesse ano fez um acordo monetário extra-judicial com uma das vítimas, alegadamente para evitar os custos do processo.

 

Ou seja, Fushek foi promovido, duas vezes, depois de a hierarquia saber que Fushek era um abusador de menores. Em 2008, Fushek foi excomungado, não por ter abusado sistematicamente de crianças ao longo de décadas mas por ter fundado uma comunidade religiosa fora da ICAR - o Praise and Worship Center. Apenas no mês passado Bento XVI o exonerou de padre.

 

Menos complacência e mais celeridade na resposta por parte da hierarquia da diocese de Phoenix mereceu a irmã Margaret McBride. A freira  integrava a comissão de ética do St. Joseph's Hospital and Medical Center que aprovou um aborto para salvar a vida de uma mulher. Margaret foi imediatamente despedida das suas funções e excomungada pelo bispo local.  Thomas J. Olmsted explicou que as indicações da conferência episcopal norte-americana, que regem todos os hospitais católicos nos EUA, são explícitas: o aborto só é «moral» por recurso à falácia efeito duplo, fora disso não é permitido nem mesmo para salvar a vida da gestante. Semelhante «pecado», isto é, uma mulher autorizar um procedimento que permitiu salvar a vida de outra mulher em vez de ficar placidamente à espera que ela morresse, é tão mas tão mais grave que um padre abusar de menores que a diocese de Phoenix  não teve outro remédio que não expulsá-la imediatamente do rebanho católico!




Dia D indeed

Sun, 21 Mar 2010 14:02:00 GMT

Gosto da tua escolha de palavras, Rui, quando dizes que este será o Dia D para Obama. Mas faltou dizer quem importa derrotar para lá das praias da Normandia, quem são aqueles que fizeram a guerra para impedir que todos os americanos tenham acesso a cuidados de saúde ou que, mesmo aqueles com seguros de saúde, não sejam obrigados a interromper cuidados vitais quando atingem o tecto da respectiva apólice.   Claro que estes inimigos são muitos mas o João Galamba indicou-nos o Goebbels da história com aquela recomendação, palerma, da First Things, num dia em que a revista dava palco aos assanhamentos de mais um dignitário da ICAR contra esta proposta de lei. Aliás, basta dar uma espreitadela ao blog do cardeal Sean O'Malley - de Boston, for pit sake, esta gente não tem mesmo vergonha na cara - para ver o tom apocaliptico com que a conferência episcopal deste país,  em perfeita consonância  ecuménica com as restantes confissões cristãs,  pintou esta lei.   De facto, fundamentalistas dos vários flavours do cristianismo esqueceram as suas divergências doutrinárias para se unirem contra Obama. Assim, em Novembro do ano passado foi assinada com pompa e circunstância a «Declaração de Manhatan, um apelo à consciência cristã» que insta à desobediência civil contra o Governo dos Estados Unidos, a menos que o governo ceda aos  «valores» (??) cristãos dos signatários. A coisa, que exige um retorno às Idade Média  «verdades fundamentais» do cristianismo, foi obra de um integrista da extrema direita, o católico Robert P. George. George  é o proponente de um disparate anacrónico que dá pelo nome «New Natural Law Theory», que na prática pretende  abolir a democracia e substitui-la por teocracias bíblicas.   Mas o que irrita nesta e em tantas outras histórias que metam religião ao barulho, é a hipocrisia daqueles que,  como o arcebispo de Denver, ululam que  «First, the Catholic bishops of the United States have pressed for real national health care reform in this country for more than half a century. They began long before either political party or the public media found it convenient. That commitment hasn’t changed.» Isto é completamente falso, como nos recorda o bispo Walker Nickless.   O prelado explica que «a Igreja Católica não ensina que os cuidados de saúde são um direito natural» nem que «o governo deve providenciar directamente cuidados de saúde». O papel do governo, para a Igreja, «é regular o sector privado» pelo que «é suspeita toda e qualquer legislação que interfira com a viabilidade do sector privado».   O prelado preocupa-se em particular com interferências estatais nos «hospitais e casas de saúde religiosos» que, segundo ele, «devem ser protegidos, porque esses são os que mais vigorosamente oferecem cuidados de saúde para os mais pobres dos pobres».   É igualmente falso o vigor benemérito que as instituições de saúde religiosas supostamente têm em relação às demais.  Na realidade, como este relatório (em formato pdf) indica, «os hospitais religiosos como um grupo estão muito aquém dos hospitais seculares na prestação de cuidados de saúde por caridade e no serviço a beneficiários Medicaid de baixos rendimentos».   Por outras palavras, o único compromisso da delegação americana da Igreja Católica é com o seu bolso já que a ICAR é o maior privado a actuar no sistema de saúde americano:  detém cerca de 20% das camas e 18% dos hospitais. E claro, as suas preocupações resumem-se à manutenção do seu estatuto de excepção que lhe permite, para além de não pagar um cêntimo de impostos dos muitos biliões de dólares que aufere anualmente pelos serviços que vende, ficar à margem da lei e apenas sujeita às directivas episcopais, que, entre outras barbaridades, proibem o acesso a contracepção de emergência (ou sequer informação sobre a mesma)  às vítimas de violação  e proibem que os pacientes sejam informados de quaisquer [...]



Loving déjà vu

Tue, 08 Dec 2009 10:10:10 GMT

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Richard e Mildred Loving estão indelevelmente ligados à luta pela igualdade racial nos Estados Unidos.  O que lhes aconteceu em 1958 levou à decisão, em 1967, do Supremo Tribunal de Justiça que declarou a inconstitucionalidade das leis então vigentes em 20 Estados dos EUA, que não só proibiam como criminalizavam os casamentos entre pessoas de raças diferentes.

 

Richard Loving era branco e Mildred negra. Foram amigos de infância no Estado da Virgínia, onde viviam, apaixonaram-se e Mildred engravidou. Decidiram então casar-se na cidade de Washington, onde os casamentos inter-raciais não eram proibidos, e voltaram para a Virginia. 

 

Na noite de 11 de Julho de 1958, alertada por uma denúncia anónima, a polícia arrombou a porta da casa onde viviam, irrompeu pelo quarto onde dormiam e prendeu-os sob a acusação de violarem a lei de integridade racial do Estado da Virgínia.

 

Foram julgados e condenados a um ano de prisão mas a sentença foi suspensa por 25 anos na condição de o casal deixar a Virgínia. A sentença que os condenou pelo «crime contra a lei de anti-miscigenação do Estado e pelos crimes contra a paz e a dignidade da comunidade» explicava porquê numa declaração notória que viria a ser citada pelo Presidente do Supremo quando da anulação da sentença:

 

«Deus todo-poderoso criou as raças branca, negra, amarela, malaia e vermelha, e separou-as por continentes. Sem interferências nestes arranjos, não haveria causa para tais casamentos. O facto de Ele as ter separado, indica que Ele não pretendia que as raças se misturassem.»

 

Em Junho de 2007, quando se assinalavam 40 anos da decisão Loving versus Virginia,  Mildred preparou uma declaração (aqui em formato pdf) que vale a pena ler e de que transcrevo um excerto:

 

Surrounded as I am now by wonderful children and grandchildren, not a day goes by that I don't think of Richard and our love, our right to marry, and how much it meant to me to have that freedom to marry the person precious to me, even if others thought he was the "wrong kind of person" for me to marry. I believe all Americans, no matter their race, no matter their sex, no matter their sexual orientation, should have that same freedom to marry. Government has no business imposing some people's religious beliefs over others. Especially if it denies people's civil rights.

 

I am still not a political person, but I am proud that Richard's and my name is on a court case that can help reinforce the love, the commitment, the fairness, and the family that so many people, black or white, young or old, gay or straight seek in life. I support the freedom to marry for all. That's what Loving, and loving, are all about.

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Si non é vero è ben trovato

Sat, 12 Sep 2009 06:22:43 GMT

Em inúmeros sites norte-americanos, BoingBoing e Pharyngula inclusive, comenta-se a proposta submetida ao procurador geral da Califórnia por John Marcotte, que pretende levar às últimas consequências a Prop 8. Isto é, se teve um acolhimento tão favorável, por supostamente proteger o casamento «tradicional», a proposta que baniu o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia, Marcotte  considera que, por maioria de razões, o seu «2010 California Marriage Protection Act», que pretende proibir o divórcio, deverá ganhar num «landslide».

 

Embora alguns tenham levado a sério a proposta, parece-me claro que se trata de uma brincadeira destinada a mostrar a hipocrisia dos apoiantes da Prop 8, tão mais claro depois de ter lido um dos artigos constantes no site Rescue Marriage, «Prop 8 supporter blasted for promoting traditional values — like spanking». Também ajudou uma pesquisa rápida que me devolveu a página do autor da proposta, a Bad Mouth, e em particular o artigo que lê:

 

«It’s gone past ridiculous and straight to the absurd. At this point, it appears your average public restroom has more gay Republicans in it than clean handtowels. The “holier-than-thou” party has spent an awful lot of time on their knees this past year, but they haven’t been doing a lot of praying.

I have no theories why this is the case, other than I think that being gay is the way God made some people and being conservative is a choice, and almost every Republican I’ve met thinks the opposite

 

Como é afirmado alhures, « I heartily approve of using the ballot box to smack down the bigots», ou antes, aprovo totalmente a recuperação da sátira para desmascarar a hipocrisa. Força, Marcotte!




E já que um tema na moda tem sido a moral e bons costumes versus pornografia

Fri, 27 Feb 2009 20:05:32 GMT

vale a pena ler um artigo de hoje na New Scientist intitulado «Porn in the USA: Conservatives are biggest consumers», em particular o ponto que trata da correlação entre consumo privado de pornografia e defesa pública da tal «moral»  e  dos «bons costumes»:

 

Residents of 27 states that passed laws banning gay marriages boasted 11% more porn subscribers than states that don't explicitly restrict gay marriage.

To get a better handle on other associations between social attitudes and pornography consumption, Edelman melded his data with a previous study on public attitudes toward religion.

States where a majority of residents agreed with the statement "I have old-fashioned values about family and marriage," bought 3.6 more subscriptions per thousand people than states where a majority disagreed. A similar difference emerged for the statement "AIDS might be God's punishment for immoral sexual behaviour."

"One natural hypothesis is something like repression: if you're told you can't have this, then you want it more," Edelman says.