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jugular - SAPO Blogs



Last Build Date: Mon, 29 Aug 2011 13:26:10 GMT

 



Cretinices

Mon, 29 Aug 2011 13:09:25 GMT

Um pastor norte-americano pretende criar um site nacional onde sejam divulgados os ateístas. Porquê? Porque, de acordo com o devoto pastor, se já existe o National Registrys para "convicted sex offenders , ex-convicts , terrorist cells , hate groups like the KKK , skinheads , radical Islamists , etc.." por todas as razões e mais algumas deve haver algo análogo para os ateus. E as mais algumas são, claro, a proselitização e, se isso não resultar, o boicote dos negócios dos aliados do mafarrico.

Enfim, nada inesperado num crétin.




E depois da Primavera, o Verão ou o Outono da revolução egipcia?

Sun, 28 Aug 2011 14:02:18 GMT

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A esfinge: o mesmo destino dos Budas de Bamiyan?

 

Nos últimos meses, extremistas salafi devotaram-se a "purificar" o Egipto da imagética religiosa não islâmica, atacando, para além de locais de culto cristãos e sufis, os vestígios da "cultura podre", como se referiu o porta-voz da Al-Dawa Al-Salafya (Salafist's Call) às pirâmides, esfinge e demais templos faraónicos.

 

Os salafi, juntamente com a Irmandade Muçulmana e o al-Gama'a al-Islamiyya, boicotaram as reuniões  convocadas pelo primeiro-ministro interino, Ali El-Selmi, para discutir os princípios em que deverá assentar a nova Constituição egipcía. Os partidos islâmicos, sem excepção, condenam a "laicidade" de El-Selmi que insiste em que o Egipto deverá ter uma transição de poder pacífica para um estado "civil", de direito, democrático e que respeite os direitos humanos, nomeadamente, a liberdade de crença.

 

A Irmandade Muçulmana avisou o governo de transição que, a insistir nestas "blasfémias" constitucionais,  tomaria as ruas como o tinha feito à emblemática Tahir Square no último dia de Julho, quando centenas de milhares de islamistas fizeram ouvir as suas reinvidicações: Al-Shaab Yureed Tatbiq Shari'a Allah!  O povo quer implementar a lei de Deus, isto é, uma teocracia.

 

Pouco depois do ultimato, o consenso possível foi conseguido com os princípios constitucionais propostos por Ahmed el Tayeb, o grande iman de Al-Azhar.  Os liberais, que receiam uma vitória nas urnas dos partidos islâmicos e a transformação do Egipto num novo Irão,  gostaram da parte que estipula que o Egipto deverá ser um Estado civil, regulado pela lei e pela Constituição, em que sejam garantidos todos os direitos humanos. Os partidos islâmicos, que se opôem a essas modernices laicas, gostaram que não sejam vinculativas. E certamente gostaram da parte que descreve o Egipto como um estado muçulmano, em que a Sharia é a fonte primária da legislação. 




Perryshittery

Wed, 24 Aug 2011 11:05:00 GMT

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O verão passado, o Texas de Rick Perry, o devoto dominionista que é candidato às primárias nos EUA, resolveu devotar 4.4 milhões de dólares a educação sexual para adolescentes. Fantástico dir-se-ia, finalmente o Texas, que tem a maior taxa de mães adolescentes nos EUA, o país ocidental com a maior taxa de gravidez adolescente, resolveu deitar mãos à obra. Mas não, como este vídeo confirma, o que passa por educação sexual no Texas é simplesmente educação na religião do governador, em que "shaming and fear-based instruction are standard means of teaching students about sexuality," e, em algumas das escolas públicas do estado, estudo da Bíblia.

 

Mas enfim, não se poderia esperar muito mais do governador tão bat shit crazy religious nuts que convoca 3 dias de rezas para acabar com a seca mas considera a ciência um culto secular, e, em termos de cultos, tão, mas tão inferior ao seu*, que gostaria de ver abolido nas escolas públicas o ensino de cálculo, economia, física, química e biologia e de substituir arte e literatura por estudos bíblicos. Para além disso, o seu «goal is to establish affordable fundamentalist Christian learning and cultural centers that would serve as an alternative to public schools.»

 

*Ops, a partir daqui é um Poe, muito plausível mas um Poe.

 




Falta de ética

Wed, 03 Aug 2011 07:58:00 GMT

O reverendo Fred Nile, lider do Partido Democrata Cristão da Nova Gales do Sul,  tentou chantagear o governo regional indicando que chumbaria a legislação que este pretende passar a menos que se acabasse de vez com as aulas de ética que tanto desagradam aos líderes religiosos deste estado australiano. E digo tentou porque os protestos foram tantos que Barry O´Farrell, o PM do estado, informou ontem que não tenciona ceder à chantagem do reverendo.

 

Há cerca de  cem mil crianças nas escolas primárias do Estado cujos pais recusam as aulas de  «educação religiosa especial» (SRE). As aulas de ética tiveram início o ano passado em 10 escolas e este ano abrangem 128 escolas e cerca de 2700 alunos. Mas para o reverendo Fred Nile, as opções e vontade dos pais são irrelevantes, o que interessa é que as aulas de ética são uma ameaça à doutrinação obrigatória na sua fé das crianças. 

 

No dia 1 de Agosto, uma criança de 11 anos explicou ao reverendo porque razão deve manter a sua política, e a sua religião, fora das salas de aulas. Em particular deu-lhe uma lição de ética que, suspeito, passará completamente ao lado do piedoso reverendo. Charlie Fine escreveu no seu op-ed: «By all means, Mr Nile, you go out and be as Christian as you want; I respect that entirely. But that does not give you and your supporters the right to attempt to shape a future generation of adults in your mould - that is a religious conservative.» 

 

E passará completamente ao lado porque, ao mesmo tempo que exigem estridentemente respeito pelas suas crenças, respeito pelas opções alheias é algo que nem sequer passa pela cabeça dos cristãos mais fanáticos, tanto na Austrália como por cá. E, tanto por lá como por cá, consideram que é perfeitamente ético fazer reféns políticos, 100 mil crianças ou quem for preciso,  para impingir a sua religião a todos.




E entretanto na Irlanda

Sat, 30 Jul 2011 10:30:07 GMT

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No dia 13 de Julho foi divulgado mais um relatório sobre abuso sexual de menores na Irlanda, leia-se por padres, o relatório Cloyne . Em mais uma investigação sem a prometida colaboração da Igreja, foi descoberto o óbvio: contrariamente ao que prometeu e ao que o Estado irlandês obriga pelo menos desde os relatórios Ryan e  Murphy,  este último a revelar o abuso endémico de menores em instituições católicas, o Vaticano continuou a encorajar os seus bispos a encobrir os casos de abuso sexual de menores, tão recentemente como há 3 anos.

 

A única coisa que mudou nesta história foi a reacção dos responsáveis políticos: neste vídeo vemos algo absolutamente inédito que retrata  bem o que pensa a maioria da população. Enda Kenny, o PM irlandês, quebrou o ciclo de submissão total da classe política irlandesa à ICAR num discurso memorável* no parlamento e exigiu que o Vaticano se pronunciasse em relação ao relatório.

 

Enquanto se aguarda  resposta oficial do Vaticano, que já transferiu para Praga o núncio papal, um porta-voz da Santa Sé, o padre Ciro Benedettini, manifestou «surpresa e desapontamento» pelas reacções que classificou «excessivas»  enquanto outros dignitários afirmaram que os «ataques» ao Vaticano não passavam de cortinas de fumo para desviar as atenções da crise. 

 

Um padre irlandês foi mais longe e, num artigo intitulado  “Heil Herr Kenny”, desdobrou-se em falácias ad nazium  para explicar que criticar o Vaticano é o primeiro passo para o descalabro total e para a destruição da Irlanda como a conhecemos. Enfim, o argumentário habitual de todos os totalitários fundamentalistas. Felizmente que a esmagadora maioria dos paroquianos reagiu com repulsa aos desvarios do senhor mas, eventualmente, em algum pode ter ficado a ideia de que de facto o PM, o seu partido, e os «atheist ayatollahs of the Labour Party», estão empenhados em impingir as suas «nihilistic formulas» nas novas gerações, o que arrastará a Irlanda para o abismo. E, se se mantiver este tipo de reacções verbais à expectável perda de influência política da ICAR, o fim do regime teocrático na Irlanda pode muito bem ser acompanhado de outro tipo de reacções. É mais que tempo de todos os dignitários religiosos perceberem que nada de bom resulta do apelo ao ódio e que este tipo de acusações pode ter consequências...

* src="http://www.youtube.com/embed/mo5MXrqbDeA" width="560" height="349" frameborder="0">




O estado de negação da direita religiosa strikes again

Fri, 29 Jul 2011 07:04:41 GMT

Depois de Stephen Colbert, é a vez de Jon Stewart se divertir com as reacções da direita religiosa* aos bárbaros ataques terroristas na Noruega.

 

*Mais uma vez, e porque por muito que o repita as reacções pavlovianas parece que são inevitáveis, reitero que não considero a barbárie que aconteceu um atentado do terrorismo cristão. Tal como Susan Jacoby, considero que «What is fair to say about Breivik is not that he is a “Christian terrorist” but that he is a terrorist for whom Christianity, coupled with worship of the white European ubermensch, plays a vital symbolic and ideological role.»




A ameaça bem real do fundamentalismo cristão

Fri, 29 Jul 2011 06:19:06 GMT

src="http://www.youtube.com/embed/It3bOySjTjM" width="560" height="349" frameborder="0">

 

Numa entrevista na MSNBC na segunda-feira, uma das estrelas do Tea Party, o fundamentalista cristão eleito para o Senado pelo Utah, Mike Lee, admitiu que estão a usar a ameaça de um default catastrófico, numa altura em que estruturas vitais do país começam a falhar por falta de dinheiro, para obrigar a escrita de uma Constituição divinamente inspirada que force para todo o sempre uma teocracia nos EUA.




Virgens ofendidas ou o verdadeiro escocês

Wed, 27 Jul 2011 07:20:42 GMT

Não deixa de ser divertido ver um dos maiores pregadores de ódio (cristão) da Faux News reagir, como reagem tantos em tantos lados, ao massacre na Noruega.




O manifesto da supremacia cristã

Sun, 24 Jul 2011 10:20:26 GMT

Perante a estupefacção geral, o advogado do terrorista que tentou intimidar a Noruega informa-nos que o seu cliente classificou os seus actos, a que chama execuções de marxistas culturais e traidores multiculturalistas,  como horríveis mas necessários. Talvez por considerar as barbaridades que cometeu uma lição tão necessária que só tardava, os relatos das testemunhas das atrocidades na ilha indiquem que estava  «jubilante e a gritar vitoriosamente» enquanto assassinava crianças e adolescentes.    O manifesto de 1516 páginas, que preparou durante anos e terminou pouco antes dos atentados, assim como o manifesto em vídeo, explica com muito detalhe por que razão considerou necessário matar crianças e adolescentes indiscriminadamente. Ambos são manifestos da supremacia cristã e da islamofobia, algo que é claro ao longo do (repugnante) texto mas também neste wordle de Jarret Brachman e na própria capa do manifesto da suposta declaração de independência. Antes que comecem as reacções pavlovianas do costume, quero deixar bem claro que não considero este um atentado religioso, até porque a leitura do texto deixa perceber sem dúvidas que Anders Behring Breivik é um cristão, muito conservador e fundamentalista, cultural/político e não religioso. Assim como quero deixar claras as motivações para a escrita do post, a História recente que nos deveria despertar da atitude complacente em relação às religiões e acordar para a ameaça latente que os fundamentalismos de todas, sem excepção, constituem para o nosso modelo de sociedade, as mesmas motivações do costume e as mesmas que são treslidas há tanto tempo quanto participo na blogosfera nacional, pouco depois do atentado que mudou a forma como vemos o mundo.   Tal como foi treslido o post anterior que pretendia simplesmente mostrar o bias mediático e o respeitinho à religião dominante que é o fermento onde medram fanáticos (não necessariamente religiosos) como ABB. Ou seja, e como escrevi nos comentários, «Mas é óbvio que é um alucinado de extrema direita nacionalista. E que a motivação foi política. O meu ponto não é esse, o meu ponto é que se fosse de facto um atentado com motivações políticas mas perpetrado por um muçulmano era imediatamente rotulado de terrorismo islâmico. No entanto, nem mesmo atentados com motivações religiosas, como o assassínio de médicos ou ataques a clínicas que façam abortos, nos EUA, são designados por terrorismo cristão».   Este bias mediático, que transforma alucinados como o Bin Laden e quejandos em estereotipos dos muçulmanos mas representa até os actos terroristas com motivação claramente religiosa dos fanáticos cristãos como actos tresloucados sem nada a ver com religião, tem como consequência, como quem se tenha dado ao trabalho de estudar um bocadinho do Old South nos USA poderá dizer, que os mais mediaticamente impressionáveis e mais psicologicamente assim inclinados, depois de tanta lavagem cerebral de que os «niggers» são maus e os brancos bons, embora com umas ovelhas ronhosas, considerem que é necessário punir os traidores «nigger lovers».  E este atentado foi exactamente isso: uma punição, considerada necessária, dos «nigger lovers» noruegueses.   Não me parece que ABB seja particularmente devoto, mas sim muito enamorado de uma concepção romântica do cristianismo, muito impregnada de efabulações de cavalheirismo, em todas as acepções da palavra como nos explica no texto, e absolutamente convicto da supremacia cristã, em particular da católica, que considera menos politicamente correcta e devidamente conservadora. Aliás,  diria que essa convicção supremacista é quasi universal entre os cristãos como ilustram as reacções dos que se ofenderam com o termo «terrorismo cristão», algo que ululam inexi[...]



O terror do fundamentalismo indeed

Sat, 23 Jul 2011 11:41:40 GMT

(image)

(imagem roubada ao CC)

Na BBC, ouço que Anders Behring Breivik, um norueguês, louro e de olhos azuis, com ligações de facto a grupos fundamentalistas mas cristãos (e à extrema direita nacionalista), foi acusado de ambos os atentados terroristas que ontem abalaram o país nórdico. Vou esperar para ver as manchetes dos media, de que estes dois são apenas exemplo, que imediatamente e sem qualquer confirmação ulularam terrorismo islâmico. Mas estou certa que nunca irei ler nada parecido com terrorismo cristão**. E, já agora, quero ver se o PM norueguês tem a coragem do seu congénere irlandês* e mantém o recado.

 

* Enda Kenny, sem medo de afrontar a religião dominante do seu país, a propósito de mais um escândalo, muito recente, de abuso sexual de menores, chamou os bois pelos nomes e proferiu no Parlamento «The Cloyne report excavates the dysfunction, the disconnection, the elitism that dominate the culture of the Vatican today. The rape and torture of children were downplayed, and managed to uphold instead the primacy of the institution, its power, its standing and its reputation.»

 

** depois de escrever o post, descobri o Suspeito detido é um “fundamentalista cristão”  no Público. Os comentários são um must :)

 

Adenda: Melhor que eu, o "The omnipotence of Al Qaeda and meaninglessness of "Terrorism""no Salon explica este post, em particular, mas não só, este pequeno excerto"In other words, now that we know the alleged perpetrator is not Muslim, we know -- by definition -- that Terrorists are not responsible; conversely, when we thought Muslims were responsible, that meant -- also by definition -- that it was an act of Terrorism. "




Coisas realmente importantes no combate à corrupção

Wed, 15 Jun 2011 18:24:26 GMT

src="http://www.youtube.com/embed/OaBoI2oKGwk" width="560" height="349" frameborder="0">

Com o calor a apertar e a tentar em particular as mais jovens a transgredir a «segurança moral» iraniana,  o líder supremo, ayatollah Ali Khamenei, decidiu reforçar as hostes da polícia moral. Assim, serão mais de 70 mil os polícias morais que patrulharão as ruas das grandes cidades iranianas para conter a «invasão vulgar do Ocidente» manifesta no colar masculino, na unha pintada ou no hijab mais arrojado. Tudo em nome do combate à corrupção porque, como explicou Khamenei,  «Se um país parece avançado, mas sofre de uma cultura imoral e aspectos espirituais (imorais) é uma nação corrupta».




Andar nas nuvens

Sat, 14 May 2011 00:07:03 GMT

Os halos, solares e lunares, são um fenómeno óptico bastante vulgar que ocorre em determinadas condições atmosféricas, mais concretamente, a formação de halos deve-se à difracção (e reflexão) de luz nos minúsculos cristais de gelo existentes nas nuvens que dão pelo nome cirros-estratos.

 

Os cirros-estratos, nuvens que lembram um véu transparente, formam-se entre 5 e 11 km e portanto o fenómeno pode ocorrer em qualquer ponto do globo, dos pólos ao equador, como confirmaram há uns anos os gaúchos de Rio Grande do Sul.

 

Por vezes, em latitudes que permitem temperaturas suficientemente baixas, ocorre um fenómeno conhecido como «Pó de diamante», em que os halos são formados por difracção da luz em cristais de gelo formados próximo do solo, tão próximo que o fotógrafo pode «tocar» os raios de luz com as mãos.

 

(image)

(crédito: Alberto Frias/Expresso)

Ontem, em Fátima, foi vísivel um destes fenómenos habituais e facilmente explicáveis. Como o dia de ontem em Fátima era dedicado ao mais recente beato católico, o papa João Paulo II, houve imediatamente, como não podia deixar de ser,  inúmeras vozes a clamar milagre. Como deveria ser óbvio para todos, media em particular, não houve qualquer suspensão das leis da natureza, por acaso ontem estavam reunidas as condições atmosféricas para o fenómeno, fascinante mas banal, tão banal como outros fenómenos ópticos da atmosfera, o arco-íris ou as auroras, por exemplo.

 

Tenho uma certa dificuldade em perceber como, no século XXI,  se atribui a milagres fenómenos tão corriqueiros como os halos solares - que na maior parte das vezes em que ocorrem passam completamente despercebidos e não dão origem a manchetes como a granizada que se abateu, selectivamente, sobre a região de Lisboa. Aí ninguém gritou milagre ou maldição porque a data não tinha qualquer conotação religiosa. Assim como não percebo porque razão se aceita como milagre fenómenos luminosos e não se espera algo que corresponda de facto a uma suspensão das leis da natureza e, já agora, não fútil. Sei lá, a transmutação da cera das velas do santuário no ouro que nos salvaria da crise ou quejandos.

 

Como escreve o Carlos Oliveira, «O mundo seria excelente se as pessoas em vez de gritarem “milagre”, tentassem compreender as causas dos fenómenos».  A que acrescento que o conhecimento deveria ser a beleza oculta em fenómenos que a todos nos maravilham como sejam as auroras, os halos solares ou o arco-íris. Infelizmente, neste país com uma longa tradição de iliteracia científica, as crendices substituem-se demasiadas vezes ao conhecimento. Talvez por isso, ou melhor, também por isso, estamos como estamos.




Ainda as leis da blasfémia

Wed, 02 Mar 2011 11:02:18 GMT

Dois meses depois do bárbaro assassínio de Salman Taseer, governador do Punjab, foi hoje assassinado o ministro paquistanês para as Minorias, o único cristão do executivo. "Os relatos iniciais são de que ele foi morto por três homens, provavelmente com uma Kalashnikov, mas ainda estamos a tentar estabelecer o que aconteceu exactamente", explicou o chefe de polícia da cidade, Wajid Durrani. Shahbaz Bhatti, que foi morto em plena luz do dia na capital Islamabad, era um firme opositor à lei da blasfémia que vigora no país e que, como todas as leis da blasfémia, serve apenas como arma de perseguição de todos os que não comunguem da religião maioritária.

 

Pelo menos desde Janeiro que o ministro, como reconheceu numa entrevista à BBC, recebia ameaças de morte pela "blasfémia": "Disseram-me que se eu continuasse a campanha contra a lei da blasfémia seria assassinado, seria decapitado, mas as forças da violência, as forças do extremismo não me conseguem atingir, não me conseguem ameaçar”, declarou na entrevista.

 

Hoje, os extremistas conseguiram atingi-lo, fatalmente. No local do assassínio a polícia encontrou panfletos do Tehrik-i-Taliban Punjab, um grupo taliban com ligação à Al-Qaeda,que ameaçam de morte todos os que se atreverem a criticar a lei da blasfémia. O terrorismo e violência religiosos continuam a ditar as leis no Paquistão.




De relativismos morais

Sun, 27 Feb 2011 12:23:30 GMT

Na sua mui contestada visita ao reino Unido, Bento XVI debitou umas ainda mais contestadas palavras para explicar as causas do Holocausto:«Enquanto reflectimos sobre as advertências do extremismo ateu do século XX, não podemos nunca esquecer como a exclusão de Deus, da religião e da virtude da vida pública, conduz em última análise a uma visão truncada do homem e da sociedade.»

 

Uns meses depois destas afirmações e escassos dias depois de se saber que o Vaticano enviou (mais) um padre abusador de menores para um retiro de oração e penitência, certamente para confirmar que sem fé em deuses não há moralidade possível, o Vaticano confirmou o que há muito se sabia mas era veeementemente negado:

 

«Confidential Vatican reports obtained by the National Catholic Reporter, a weekly magazine in the US, have revealed that members of the Catholic clergy have been exploiting their financial and spiritual authority to gain sexual favours from nuns, particularly those from the Third World who are more likely to be culturally conditioned to be subservient to men.

 

The reports, some of which are recent and some of which have been in circulation for at least seven years, said that such priests had demanded sex in exchange for favours, such as certification to work in a given diocese.

 

In extreme instances, the priests had made nuns pregnant and then encouraged them to have abortions.»

 

Claro que todos sabemos que para o Vaticano os únicos maus da História são os ateus, os relativistas morais que conduzem a uma visão truncada do homem e da sociedade, responsáveis por todos os males do mundo, em particular, responsáveis por denunciar a muita roupa suja moral escondida pelo Vaticano.




Leis da blasfémia: Shock & Awe no Punjab

Tue, 04 Jan 2011 23:18:13 GMT

Salman Taseer, governador do Punjab, foi assassinado hoje por, de acordo com as alegações do assassino transmitidas pelo ministro do Interior paquistanês, ser contra a lei da blasfémia vigente no país. Tasser era uma figura destacada no Partido do Povo do Paquistão, o  partido de Benazir Bhutto, igualmente assassinada por motivos religiosos,  e muito próximo do Presidente Asif Ali Zardari, viúvo de Bhutto. O governador criticou muito veementemente nos últimos dias a lei da blasfémia  e pediu perdão para Asia Bibi, na foto, tirada na prisão uns dias após a sua condenação à morte, com a mulher e filha de Taseer. Os líderes de vários grupos religiosos, que convocaram uma greve a semana passada em apoio da lei da blasfémia,  denunciaram-no estridentemente como apóstata e acirraram multidões ululantes a queimarem efígies de Taseer durante a greve.

 

No dia 30 de Dezembro, Taseer postou no Twitter: «I was under huge pressure sure 2 cow down b4 rightest pressure on blasphemy. Refused. Even if I'm the last man standing.» Taseer não se vergou às barbaridades da religião mas o apelo ao ódio daqueles que não querem perder o poder que detêm nesta parte do globo surtiu o efeito desejado: não só silenciaram para sempre a voz mais corajosa em defesa de um estado de direito no Paquistão como encurralaram o governo numa chantagem ignóbil, com a ameaça de secessão do Punjab.




Da positividade da laicidade

Sun, 02 Jan 2011 08:04:35 GMT

Nas homilias de ano novo dos dignitários da delegação nacional da ICAR a laicidade figurou proeminente. José Policarpo, pela enésima vez,  explicou-nos o que deveria ser a laicidade segundo a ICAR, aquela que é adjectivada, a sã, a positiva, que passa por favorecer a religião, a católica, claro, e transpor para a política «as dimensões éticas da religião», mais uma vez a católica.   No Porto, Manuel Clemente foi ainda mais longe e explicou que não favorecer a religião católica nem a transpor para o «âmbito político» é a laicidade má, igualzinha ao fundamentalismo religioso que se atira contra torres, gémeas ou não, e se faz explodir em carruagens sortidas. De facto, de acordo com o bispo do Porto, «Não se pode esquecer que o fundamentalismo religioso e o laicismo são formas reverberadas e extremas da rejeição do legítimo pluralismo e do princípio da laicidade. Ambas absolutizam a visão redutiva e parcial da pessoa humana, por isso mesmo as leis e as instituições de uma sociedade não podem ser configuradas ignorando a dimensão religiosa dos cidadãos».   Ou seja, mais uma vez confundindo uma sociedade laica, no sentido grego da palavra, uma sociedade de todos e para todos, com a sua involução latina, uma sociedade católica imposta a todos, os bispos das duas maiores cidades nacionais defendem para o país aquilo que condenam em outros. Mais concretamente, a homilia de Policarpo, intitulada «Liberdade Religiosa, caminho para a paz», é uma contradição do princípio ao fim já que condena o que o Rui Herbon se referiu no post «O problema das minorias cristãs no Islão» mas propõe para Portugal exactamente o que provoca esses problemas, o favorecimento da religião maioritária nesses países e a transposição para a política e para a lei das dimensões éticas dessa religião.   De facto, não são as minorias cristãs que são perseguidas em países teocráticos, de jure ou de facto, são todos os que não seguem estritamente a religião maioritária, como o caso do blogger palestino, ateu e não cristão como alguns afirmam, que continua preso simplesmente por ser ateu. Aliás, por exemplo no Irão, com excelentes relações com o Vaticano, são perseguidos quasi em exclusividade e com muito vigor os Baha'i.   Para acabar com estas abominações urge que deixem de ser transcritas na letra da lei as tais «dimensões éticas da religião» que ontem encheram a boca dos dignitários católicos nacionais porque são elas que ditam a perseguição de quem não as segue. E, contrariamente ao que pretendem os que carpem inexistentes perseguição e intolerância contra cristãos (relatório em formato pdf) na Europa e que listam, para 5 anos de atenta e esforçada recolha de motivos de vitimização, a meia dúzia de casos de, essencialmente, repreensão ou suspensão de funções de funcionários públicos que transportaram para as suas funções a homofobia cristã, é necessário não confundir liberdade religiosa com um salvo conduto de discriminação ou apelo ao ódio daqueles que não seguem os ditames da religião, qualquer que esta seja. Porque a única forma de combater as aberrações que o Rui relata é exactamente o contrário do que advogam os bispos da ICAR: a laicidade, a única, sem adjectivações. [...]



Santa Ignorância - I

Sun, 26 Dec 2010 11:17:13 GMT

Este ano, ironica e serendipidicamente, uma das minhas prendas de Natal foi o livro «Holy Ignorance. When Religion and Culture Diverge», que já folheei e do qual li já alguns bocadinhos, um dos quais trata, mais alargadamente, do que escrevi no Eclipse do Solstício.   Olivier Roy apresenta no livro uma teoria muito original para a origem do fundamentalismo que é exemplificada na perfeição com a necessidade que os mais fundamentalistas sentem de inventar a ridícula guerra ao Natal. De facto, quando apresentam quasi como o expoente máximo do cristianismo o que Roy chama uma construção social que a globalização tornou universal, esses fundamentalistas carpideiros manifestam um caso agudo de «santa ignorância».   Ou seja, o Natal que hoje quase todos celebramos da mesma forma, com uma lauta refeição que reune a família e onde se trocam presentes, eu, ateia, os meus vizinhos hindus e muçulmanos, que decoram as umbreiras da porta com grinaldas,  e até os judeus que incluiram a «tradição» no Hanukkah, assenta numa herança cultural mais velha que as religiões actuais e tem muito pouco ou mesmo nada a ver com a «pureza» da fé que supostamente defendem os que carpem perseguição por se venderem perus halal ou por um ateu se juntar a um desfile de Natal com a faixa «Reason Greetings».   Isto é, Roy afirma que o fundamentalismo, em qualquer das suas formas, não é uma reacção à crescente secularização das sociedades, é um sintoma do que chama «santa ignorância», exibido por aqueles que, perdidos na hibridação de Homi Bhabha, tentam reinventar a sua religião aderindo a ideias que são completamente cretinas, completamente incoerentes ou um misto de ambas. E são incoerentes aquelas que, como o Natal, são um produto daquilo que supostamente combatem: a divergência cada vez maior entre religião e cultura. Por outras palavras, tentam apropriar-se a posteriori (e um bocadinho out of time) de ideias e conceitos que permearam a sociedade em tempos idos mas que foram combatidos pela mesma fé cuja autenticidade clamam querer restaurar.   Segundo o cientista social, o fundamentalismo preenche uma brecha entre duas realidades que considera inegáveis. A primeira diz respeito àquele que foi um tema de grandes debates no século passado, o declínio da fé com os avanços da modernidade. Roy considera que, não obstante o avanço dos fundamentalismos, todos os que pretendem a ocorrência de um renascimento religioso são vítimas de «uma ilusão óptica.» A religião, escreve, «é simultaneamente mais visível e, frequentemente, em declínio», exactamente por tentar incorporar e reinvidicar como suas as reinvidicações passadas dos secularistas. Para além disso, os nossos são tempos de ruptura entre as religiões e as culturas que no passado eram delas indiscerníveis. Religião e cultura há muito tempo que coexistiam desconfortavelmente em muitos locais do planeta mas a globalização cortou os laços que sustentavam culturalmente essas religiões. Um tema fascinante que a caixa de comentários ao post do solstício deixa bem claro e que desenvolverei no próximo post. [...]



Total Eclipse do solstício

Sun, 19 Dec 2010 12:20:18 GMT

Ao longo de toda a história, no hemisfério Norte, berço da civilização, se celebrou o solstício de Inverno em festividades e festivais sortidos.  As antigas culturas agrícolas concederam significado sagrado ao retorno da luz, ao nascimento de novas plantas e animais, a um novo ciclo de abundância. As suas festas tinham nomes, como Saturnália, Yule ou Lúcia, algumas delas celebradas até hoje.   Foi o significado especial que o solstício de Inverno desde sempre assumiu que levou a igreja cristã a designá-lo como o aniversário do seu deus incarnado. Com esta medida não só aculturou festividades profundamente enraizadas como aculturou ciclos divinos já muito bem estabelecidos nas religiões que a antecederam na sua esfera de influência: o nascimento do deus no solstício de Inverno, a sua morte, na cruz em muitos casos*, e ressurreição no equinócio da Primavera.   Os aniversários do Attis frísio, do Dionísio grego, do persa Mitra ou do Osíris egípcio, por exemplo, eram todos celebrados no solstício de Inverno, na sua maioria a 25 de Dezembro. Também apenas como exemplo, na mitologia frísia depois adoptada em Roma, a morte e ressureição ao 3º dia do deus Attis, nascido da virgem Nana, impregnada pelo fruto de uma amendoeira (na cosmogonia frísia, este fruto, a amêndoa, era o criador de todas coisas, visíveis e invísiveis), era celebrada num festival de alegria, Hilaria, cujo ponto alto, a 25 de Março data que se assumia ser o equinócio da Primavera, festejava a ressurreição de Attis.   Resumindo, o solstício é realmente a razão para a temporada.  A celebração do solstício de Inverno é uma herança cultural europeia, que foi aculturada pelo ramo cristão da nossa família global é um facto mas essa apropriação e consequente eclipse do solstício não os transforma em donos do Natal ou o que quer que queiram chamar às festas do midwinter. E é hora de nós não-teístas repormos a verdade: os festivais de Inverno foram uma característica dos calendários europeus muito antes do cristianismo, que, neste como em outros feriados/festivais sazonais, não pode reclamar a sua propriedade exclusiva. Muitas das tradições que associamos ao Natal datam de muitos anos antes do suposto Cristo, centenas ou mesmo milhares de anos. Tudo o que associamos ao Natal, prendas, festa, decorações, etc. remonta a esses antigos ritos pagãos e são património cultural de todos, não apenas dos que se irritam e carpem perseguição porque alguém resolve dizer Boas Festas ou Reason Greetings em Dezembro.   E este ano o solstício vai ser muito especial porque vamos ter um Eclipse Lunar Total na noite mais longa do ano, 20 de Dezembro, a primeira vez que tal acontece desde 1554. Bem, na noite mais longa do ano em alguns pontos do globo porque em Portugal o eclipse começará dia 21 às 6H33mn, 68 minutos depois será total e manter-se-à assim durante 73 minutos. E uns dias depois deste momento único, eu, ateia, e a minha família, com ateus e católicos, cumpriremos um momento que se repete todos os anos: uma reunião familiar em que cozinhamos, celebramos mais um midwinter ou Natal com uma lauta refeição, com tudo o que é habitual para esta época do ano, no verdadeiro espírito da época que não tem nada a ver com deuses ou deusas mas apenas com um ritual de celebração da vida na passagem das estações.   *Desde o Neolítico que a simbologia da cruz está presente em inúmeras mitologias. As cruzes solares, muito frequentes, representam o círculo do zodíaco (do grego zoidion que significa círculo animal) com uma cruz q[...]



O Drama, o Horror, a Tragédia -III

Sat, 18 Dec 2010 09:50:30 GMT

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Fort Worth Transportation Authority Board Meeting from Zachary Moore on Vimeo.

O singelo anúncio de que se pode ser bom sem deuses continua a causar estragos em Fort Worth no Texas. Tantos estragos que, como verberou um dos membros do conselho de administração da autoridade de transportes locais, a possibilidade dos autocarros poderem publicitar mensagens tão obviamente anti-cristãs e tão ofensivas a Deus, levou ao banimento de todos os anúncios relacionados com religião ou falta dela.

 

É de facto extraordinário o que os crentes estão dispostos a fazer por causa da constatação de um facto banal. Assim como são extraordinárias as coisas que os crentes consideram ofensivas, anti-cristãs ou mesmo incitadoras de ódio, nomeadamente morrer de cancro e na mensagem de despedida não mencionar nem deuses nem seres mitológicos, apenas as graças salvadoras da família, dos amigos e do poder da esperança e da resiliência, essas coisas neo-comunistas e nihilistas. E depois há quem considere que pedir a esses crentes justificações das suas afirmações extraordinárias é, para além de um incitamento ao ódio,  intolerância, falácia, contar espingardas, querer acabar com a religião por referendo...




O Drama, o Horror, a Tragédia -II

Mon, 13 Dec 2010 21:38:27 GMT

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Em Fort Worth no Texas, continua a causar alarido o singelo anúncio de que se pode ser bom sem deuses, uma afirmação tão chocante que levou os bons cristãos (porque cristãos bons para esta gente é um pleonasmo) a alugar uns camiões para seguirem os insultuosos autocarros com grandes cartazes dizendo «I still love you - God» e «2.1 billion people are good with God».

 

«Faz uma pergunta impertinente, e estarás no caminho de uma resposta pertinente», por muito que considerem que essa pergunta seja falaciosa, insultuosa, intolerante, contar espingardas ou afins, acrescento eu, é o conselho que nos legou Jacob Bronowski, matemático, pintor, poeta, escritor, historiador, filósofo e divulgador de ciência. O mesmo Bronowski que nos explicou que questionar impertinentemente verdades consideradas inquestionáveis, procurar continuamente o erro e rejeitar dogmas, é o único antídoto para a desumanização que advém da arrogância nascida de verdades absolutas. Como a desumanização subjacente à afirmação da senhora do vídeo que afirma muito indignada que sugerir que um ateu pode ser boa pessoa é um insulto inaceitável ao cristianismo.




Quatro reparos sobre a nota final

Sun, 05 Dec 2010 17:43:47 GMT

O que mais me desconcertou no post do Paulo foi o facto de a nota final assentar no que foi descrito como a «segunda falácia, e a mais importante, do debate em questão: a religião é uma dimensão intrínseca e inextricavelmente humana, indissociável do passado, do presente e do futuro da Humanidade, para o melhor e para o pior» e como tal não deve ser discutida. Ou seja, segundo o Paulo a religião é uma fatalidade que aflige inexoravelmente a humanidade e como tal não deve ser alvo de debates.   Esta é análoga à falácia da origem genética da fé. Ou seja, mesmo que descubramos «um gene» da fé ou mesmo que ignoremos que o Paulo nos está a chamar, a todos os ateus, desumanos ou algo que o valha e admitamos que a religião é «uma dimensão intrínseca e inextricavelmente humana», isso não é argumento para nada: nem que a fé é racional, nem que é irracional muito menos que é boa ou má ou é uma força para o bem resultam desta assunção. A admitir-se essa premissa como verdadeira isso significaria apenas que é uma característica humana ter fé e seguir uma religião. Também é uma característica humana ter enfartes, mas isso não é bom, e é uma característica genética humana ter necessidade de comidinha, mas isso não é mau. E podemos e devemos discutir essas caracterísicas humanas e, em relação à primeira, que é má, debater e investigar como podemos minorar ou debelar os seus efeitos.   Ou seja, a falácia consiste em dizer que algo é racional ou irracional, correcto ou incorrecto, bom ou mau, porque «está nos genes» ou é «uma dimensão intrínseca e inextricavelmente humana». O que está em causa na questão em apreço é saber se a religião é ou não uma força para o bem e não saber se temos uma predisposição para a religião. Já agora, mesmo que tenhamos predisposição para tal e a fé não tiver justificação, a fé continua, qual ilusão óptica, a ser injustificável e como tal irracional. Ou seja e mais uma vez, afirmar que não devemos discutir algo por causa da sua suposta inextricabilidade do que é ser humano é que é uma falácia não a discussão desse algo inextricável.   Como nota final, uma vez que o Paulo não viu o debate não sabe que foi exactamente sobre o facto de «as religiões de terem "mau uso", de serem utilizadas ao serviço das rupturas, da violência, da intolerância e do ódio» que assentou toda a retórica de Tony Blair. Mas, infelizmente, o senhor que considera que só o bem é a «verdadeira essência da fé» e que o mal em nome da religião é uma distorção induzida pelo secularismo decadente e hedonista, afirma a alto e bom som que a cura da maleita é mais do mesmo, mais religião e mais fé, com a religião e a fé a ditarem os destinos de todos, crentes e não crentes. Mas acho curioso que fales em visões a preto e branco num post que fala de um senhor que acha que a ausência de religião pode ser perigosa e que por isso vê o mundo dividido em bons, os crentes, e maus, os outros.  E, claro, para ele os bons nunca se enganam.   Sequência dos posts 1- O pecado original 2- Quatro reparos e muitos desconcertos - sobre falácias 3- Um reparo e muitos desconcertos 4- So far, o presente é o último sobre o tema :) [...]



Quatro reparos e muitos desconcertos - sobre falácias

Sun, 05 Dec 2010 09:30:59 GMT

Fiquei extraordinariamente desconcertada com o desconcerto do Paulo em relação ao Blair Hitch project e mais ainda com o seu conceito de falácia, em particular porque o ilustra, falaciosa e recorrentemente, ao longo de todo o texto. E este foi tão desconcertante que não o consigo discutir de uma assentada, vou primeiro tentar explicar porque é falacioso criticar a proposição ou premissa que foi debatida, «religion is a force for good in the world».   Disse o Paulo que era falácia discutir-se, não pela primeira vez nem sequer pela primeira vez neste formato, há cerca de um ano foi debatido na BBC, com resultados ainda mais esmagadores, um tema muito semelhante, a premissa dos argumentos falaciosos que surgem invariavelmente em qualquer discussão de religião, como o nosso espaço de comentários confirma. De facto, o que quer que se discuta, normalmente sobre catolicismo porque em Portugal essa é a religião que inflama ânimos, seja a aversão a contraceptivos da Igreja, a sua homofobia ou misoginia, a existência de Deus, do Diabo ou o livre arbítrio, surge sempre na discussão, como se de um argumento final se tratasse, o Argumentum ad Nauseam de que a religião é uma força para o bem, dá de comer a tantos pobrezinhos e está na vanguarda do tratamento das pessoas com SIDA, logo tudo o mais que afirma é verdadeiro.   Quiçá seja útil recordar ao Paulo o que é falácia e, com mais urgência ainda, o que é a lógica informal que estuda as falácias formais e informais que ocorrem quando as pessoas argumentam. O Dicionário de Inglês conciso de Oxford (Concise Oxford English Dictionary) define lógica como «a ciência da argumentação, prova, reflexão ou inferência». Ou seja, é a lógica que permite analisar um argumento ou raciocínio e deliberar sobre a sua veracidade. A lógica não é um pressuposto para a argumentação, é claro; mas conhecendo-a, mesmo que superficialmente, torna-se mais fácil evidenciar argumentos inválidos. E o objectivo de um argumento passa necessariamente pelas razões (premissas) que sustentam uma conclusão. Um argumento é falacioso quando é logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou incapaz de sustentar o que alega sustentar, isto é, «quando parece que as razões apresentadas, as premissas, sustentam a conclusão, mas na realidade não sustentam».   Por outras palavras, o que se discutiu neste debate não foi uma conclusão, foi a premissa de todas as discussões informais e muitas discussões formais sobre religião. E uma premissa não pode ser falaciosa, apenas verdadeira ou falsa e foi isso que se tentou apurar no debate, para evitar sermos mimoseados ad nauseam com argumentos non sequitur, ainda por cima assentes numa premissa falsa, do tipo   Premissa 1 - A religião que o argumentador segue diz A Premissa 2 - Essa religião é uma força para o bem Conclusão - A é verdadeiro   Em jeito de conclusão, percebo que tenhas ficado muito maçado com o debate - e quiçá com o seu desfecho -, que contraria os teus pre-conceitos, que elaboraste ao longo do texto. Assim, acusaste quem o fez de não exibir a subserviência devida à religião o que, como devia ser evidente, não passa de mais uma forma falaciosa de procurar desviar o assunto, que transformaste na questão de saber se o tema em debate é um absurdo indecente que nunca deveria ser debatido, muito menos naqueles moldes, evitando assim a maçada de discutir o que realmente estava em discussão.A tua reacção [...]



The Blair Hitch project

Sat, 27 Nov 2010 10:15:33 GMT

Esta madrugada Christopher Hitchens, contra, e Tony Blair, a favor, debateram a moção «Be it resolved religion is a force for good in the world» no Canadian Munk Debates. Hitchens, sem surpresas, foi o grande vencedor da noite que acabou com 32% da audiência a favor da bondade da religião e 68% contra.

 

Infelizmente, adormeci e não consegui assistir ao debate ao vivo e este ainda não está no Youtube - apenas estão disponíveis as reflexões pré-debate de Hitchens de que escolhi o excerto que se segue para responder a algumas efabulações que se desenvolvem no post da agradável surpresa. E digo infelizmente porque uma pesquisa rápida na net e no twitter permitiu-me perceber que este foi um debate muito, mas mesmo muito, bom.

 

Enquanto o Youtube não disponibiliza o debate, transcrevo algumas das afirmações que, pelo índice de tweets, parecem ter sido muito marcantes e que constituem, todas elas, bons pontos de partida para futuros posts.

 

Tony Blair:

1- "For me, faith's not about certainty... it's an awareness of my own ignorance."

2- "I cannot deny for a moment that religion can be a force for evil... but it is a perversion”

3- "It's important for people of faith to have Hitchens to challenge us to be...better at being people of faith."

 

Hitch

1- "Religions may do good, but they do so in order to proselytize."

2- "We don't require divine permission to know right from wrong."

3- "The cure for poverty is the empowerment of women."

 

Adenda: A transcrição completa do debate pode ser lida aqui.

 

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Totalitarismos e vitimização: a invenção da cristofobia

Sun, 21 Nov 2010 11:21:01 GMT

Na Geneologia da Moral Friedrich Nietzsche referiu-se à necessidade cristã de mártires, na sua maioria inventados, de que alimentam a fé e sem os quais fenecem escrevendo que «o cristianismo (ou a moralidade dos escravos) necessita um ambiente hostil para funcionar, a sua acção é fundamentalmente reacção»   Em particular a ICAR* precisa de agitar incessantemente a bandeira de supostas perseguições a cristãos, pois, como afirmou em 2004 Edward Novak, secretário da Congregação para as Causas dos Santos, «De um mártir» nascem «centenas, milhares» de novos fiéis. Isto é, para angariar clientela e inflamar os fundamentalistas, é necessário inventar perseguições e glorificar os «mártires» que se «sacrificam» em nome de uma qualquer «causa» cristã, seja ela o aborto, a «defesa» da família tradicional ou a imposição a todos das doutrinas da Igreja.   O cúmulo do absurdo da cristianovitimização pode ser apreciado nas manobras e pressão exercidas pelo Vaticano para que seja aprovado um novo termo: a «cristianofobia» ou «cristofobia», termo recente mas rapidamente incorporado no léxico dos fundamentalistas que querem submeter todos aos ditames do Vaticano. A coisa teve especial reprodução mediática após a publicação do livro «Política sem Deus. Europa e América, o cubo e a catedral» (Edições Cristandade), do teólogo católico e biógrafo de papas George Weigel. De facto, e como confirmam os comentários ao post «Way to go, Filipino Freethinkers», os fanáticos cristãos gritam «cristofobia» e ululam perseguições sempre que os poderes públicos não condescendem em transcrever na letra da lei os anacrónicos ditames da Igreja de Roma.   Neste post em particular o devoto comentador insiste ad nauseam na tese de que os católicos em particular e os cristãos em geral são o grupo mais perseguido do planeta, quiçá mesmo nas Filipinas onde após séculos de dominância absoluta da ICAR alguns grupos se arrogam a apoiar publicamente o anti-católico projecto de lei que dá uma «navalhada de luva branca, quer nos não-nascidos graças ao aborto a pedido, quer nos cristãos e na ICAR em particular» ao pretender dar acesso à pílula e aos (já não tão execrados) preservativos.   Esta nova onda de cristianovitimização que invade o espaço etéreo cristão, para a qual dizer «freedom of worship» em vez de «freedom of religion» é carpido como um ataque insidioso aos cristãos, foi amplificada recentemente quer pela condenação à morte por blasfémia de Asia Bibi no Paquistão quer pelo ataque da al-Qaeda à Catedral de Nossa Senhora da Salvação em Bagdad, que vitimou 70 crentes.  Claro que é completamente irrelevante que seja exactamente a religião a causa de ambas as barbáries e que no Iraque, por exemplo, as grandes vítimas das guerras religiosas sejam shiitas, muitos deles massacrados nos seus templos. Ou que, numa guerra que já matou pelo menos um milhão de pessoas, de acordo com os únicos estudos peer-reviewed, dizer «Our people in Iraq today are persecuted, threatened and suffer martyrdom. Since 2005, 900 Christians have been killed, among them five priests and the archbishop of Mosul» é um insulto à memória das centenas de milhares que morreram nesta guerra abominável.   A onda de martirização atingiu o pico de amplitude aqui mesmo ao lado onde,  encorajados pelas palavras de Bento XVI, os monge[...]



A tragédia, o drama, o horror, o fim do mundo

Fri, 19 Nov 2010 18:47:13 GMT

Onde é que já se viu, respeitar alguém que não respeita os ditames cristãos no que à sexualidade diz respeito! Tsk,tsk, tsk, shame on you, televisão pública de Chicago....