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BLUE LOUNGE



No luxury and no comfort, no delight and no pleasure, no new liberty and no new discovery, no praise and no flattery, which we may enjoy on our journey, will mean anything to us if we have forgotten the purpose of our travels, and the end of our labours (



Updated: 2017-10-14T15:57:30.669+01:00

 



"Maria da Fonte", Júlio Pomar (1957)

2017-10-14T15:57:30.693+01:00



Este quadro já pertenceu a um amigo meu, que o vendeu num leilão. Infelizmente, a nossa amizade não era fraterna.



Almost a sunny weekend?

2017-08-25T13:21:55.464+01:00

Massimo Vitali, ou já com a cabeça no fim-de-semana.



Robert Capa

2017-08-25T13:14:10.644+01:00


Picasso, protegendo-se do sol?



Identidade e género

2017-08-23T14:06:38.410+01:00

A secretária de estado, Graça Fonseca, optou por, numa entrevista ao DN, dar nota daquilo que é, nas suas palavras, a sua "identidade sexual", considerando ser esta atitude, "completamente política". Tem havido diversas reações à entrevista, como seria de esperar. Umas grotestas, que não me merecem comentário. Há em qualquer caso um certo padrão dominante, aceitável no plano do argumento, que dá nota que as opções sexuais fazem parte do domínio do privado, e que nesse sentido não têm relevância política.  A entrevista é bastante rica nesse contexto, e a entrevistada justifica, a meu ver, bem, a sua decisão, pondo sob tensão aquilo que é o conflito entre a sua esfera de privacidade, e um gesto que considera político. Dá nota, ainda, de uma noção fundamental: que as sociedades não são neutras, funcionando segundo um quadro de valores, fazendo a distinção entre esta "neutralidade" e "imparcialidade". Destrói, a meu ver, a habitual arma de arremesso que é usada nestas situações - a do "preconceito" -, assumindo com grande simplicidade, e cito, que "(...) qualquer sistema vive num país em que há uma percepção dominante, um sistema de valores (...)".  Em 1995, e numa curta passagem de um semestre que tive pela universidade de Brown, no EUA, frequentei um seminário integralmente dedicado às temáticas do "racismo e democracia", onde para lá das questões da raça, se afloravam várias visões relacionadas com a afirmação de valores minoritários numa sociedade plural e livre. A experiência foi rica, pese embora tenha construído a minha forma de ver o tema muito mais em contradição que por adesão a grande parte das teses que, nessa disciplina em concreto, se ensinavam - ou, sendo rigoroso, se colocavam a debate. No quadro da discussão da afirmação daquilo que se definiu ser, uma identidade gay, emergia nos EUA por esses tempos uma corrente que, por oposição às correntes mais fraturantes ou de imposição, criticavam o que era a apresentação do homossexual como uma personagem afetada, devassa, e em muitos casos, folclórica, defendendo que isso esteriotipava a identidade e a imagem que a sociedade dominante teria de um grupo, em muitos aspetos, heterogéneo, e que em muitos casos viveria a sua vida muito longe do que seria a imagem-percepção-padrão do homem de tacão alto ou da mulher camionista. Assente no lead by example, esta corrente motivou muitos gays, nos EUA, mas também na Europa, a procurarem assumir-se como cidadãos exemplares, integrados na sociedade, com naturalidade e sem confrontação.  Desde essa época que simpatizo com esta ideia, que admito senti implícita à entrevista da Graça Fonseca, a de que numa sociedade plural, em que existem sistemas de valores dominantes, é importante afirmar visões minoritárias (mas também as maioritárias), pelo exemplo. Há uma dimensão personalista, de naturalidade, de aceitação do outro, que só é possível no quadro das relações humanas. As sociedades são morais, seja quais forem os valores dominantes, e agrada-me que haja quem opte por defender a sua identidade mais pelo exemplo, pela promoção de role models (e não apenas na política), do que pela mera confrontação e imposição, só porque sim. Nota: Há uma errada percepção, a meu ver, dominante, sobre o conceito de privacidade, muitas vezes entendido apenas como aquilo que é secreto, ou que não deve fazer parte do domínio público. No contexto da sociedade da informação em que vivemos, sou tentado a definir privacidade como a capacidade da pessoa definir o que dá a conhecer de si, no tempo e no espaço. Nota: As afirmações de Graça Fonseca sobre Pedro Passos Coelho, e a sua eventual xenofobia, merecem a minha completa discordância, e estão em linha com o que escrevi n'O Insurgente, num post intitulado Falácias de um debate em movimento.  http://rpc.twingly.com/[...]



"Kate Moss", by Mr. Brainwash (2016)

2016-08-15T20:24:02.864+01:00




Eurico, em versão azul

2016-03-14T18:28:57.235+00:00


Hoje de passagem no escritório de casa, encantei-me com um dos dois Euricos que inspiram a parede. Não é este, mas é igualmente uma versão, in blue. Eurico continua a ser a minha máxima referência estética e conceptual, e a marca máxima do Blue Lounge.



Blue Painting: Robert Delaunay

2015-12-17T13:56:53.876+00:00







Medidas de incentivo à mobilidade social

2015-12-03T15:56:50.506+00:00

Está finalmente defeito o mistério sobre as verdadeiras motivações de António Costa, e aquilo que o levou a fazer tudo, incluindo ficar na mão do PCP, para ser governo. Quanto à Caras, Ficamos a aguardar pelas próximas capas, mostrando quiçá a família Mortágua na intimidade, ou Catarina Martins, behind-the-scenes. Convém recordar que o último PM a frequentar a primeira página desta publicação, à época vestido de pirata, não se aguentou grande coisa lá para os lados de S. Bento. Uma coisa é certa: ninguém pode acusar o PM de não estar a fazer tudo para melhorar a mobilidade social, dando até o exemplo. Fica o registo para a posteridade. 





"Olha para o que eu faço, não olhes para o que eu digo"

2015-12-03T11:45:39.702+00:00


«Não tente transpor conclusões de artigos científicos para a legislação nacional, porque se tentar fazer isso é um passo para o desastre.» 

Resposta de Mário Centeno ao Miguel Morgado, quando confrontado com um artigo científico de 2013 onde o atual Ministro das Finanças avisava para os efeitos nefastos do salário mínimo para a economia.



Os inimigos da mobilidade social

2015-12-01T13:42:27.508+00:00

Os partidos da Esquerda, ao retirarem exigência à Escola Pública, não estão a ajudar os mais novos a terem um futuro melhor. Pelo contrário, estão, desde pequenos, a retirar ferramentas e resiliência às crianças cujos pais optaram por, ou não têm outro remédio senão, recorrer às escolas do Estado. É que as escolas privadas, hoje, preparam desde cedo os seus alunos para a exigência e para os exames. Há pais a fazerem grandes sacrifícios para suportarem as propinas dos colégios, porque sabem que é na exigência que os seus filhos podem estar mais preparados para vencer as dificuldades no futuro.

Na India visitei famílias pobres, que fazem verdadeiros milagres de poupança para que os seus filhos tenham a melhor educação possível. Muitos deles saem dos bairros pobres de Bangalore para escolas e universidades em Inglaterra e nos Estados Unidos. Conheci um rapaz que, tendo sido admitido na London Business School, foi financiado pelo conjunto das famílias pobres da sua comunidade. O mesmo está a acontecer em outros países emergentes, como no Brasil. Em Angola, tinha colaboradores nas minhas equipas que, acordando às cinco da manhã, saiam do trabalho em direcção à faculdade, para completar licenciaturas e mestrados, em período nocturno, apenas regressando a casa já depois das dez da noite: três deles faziam, diariamente, mais de 10 quilómetros, a pé.

Enquanto a esquerda continuar a ler todos os Thomas Pikettys da vida e vender a felicidade e a inocência infantis aos pais e aos seus filhos, Portugal verá degradada a sua mobilidade social, com a agravante que ela hoje é medida em termos globais, e não apenas no limite das nossas fronteiras. Os filhos dos mais ricos ou dos remediados sacrificados, esses, vão continuar a tudo fazer para que os seus possam ter uma educação de exigência. Ironicamente, não deixa de ser curioso que a maioria dos responsáveis políticos da nossa esquerda tem os seus filhos a estudar ... em colégios privados. A coerência política faz-se, sim, mas com os filhos dos outros.



O que há de errado em estimular a procura por via do consumo

2015-11-30T15:14:15.146+00:00

Os spin doctors do partido socialista continuam a insistir - e nos últimos dias têm-no feito de uma forma bem agressiva - em que um dos problemas da dita política austeritária é que, ao cortar rendimentos de funcionários públicos e pensionistas, diminuiu a procura interna e, consequentemente, o PIB; tudo para suportar a ideia de que, repondo salários e pensões, se recupera o crescimento. Discordo totalmente que numa economia aberta onde a soberania monetária é partilhada, seja possível induzir crescimento apenas por via da transferência de rendimentos do setor produtivo para supostamente aumentar a procura interna. Não me interpretem mal, sou completamente a favor que todos possam ter o máximo rendimento possível. Leia-se: possível. A primeira falácia, porém, das medidas de reposição salarial protagonizadas pelo PS passa por esquecer que, na perspectiva da economia nacional (vista como um todo), salários da função pública e as pensões não configuram rendimento, mas um custo. Não há nesta classificação nenhum juízo moral. Ao afirmar-se que os salários da função pública e as pensões são um custo, não se está a dizer que o trabalho público não tem utilidade ou validade, nem que os pensionistas não têm direitos e expectativas juridicamente formadas e moralmente legítimas. O que se reconhece é algo que é economicamente óbvio: salários e pensões pagos pelo Estado não resultam da criação de riqueza, mas de impostos presentes ou futuros (dívida).  Explicando: o Estado, grosso modo, não cria riqueza. Cobra impostos à população e às empresas para depois pagar as suas despesas. Logo, o Estado só pode oferecer saúde, educação, administrar a justiça, garantir a segurança, pagar subsídios e pensões, se os sectores produtivos da sociedade criarem riqueza. Acreditar que, ao transferir recursos do setor produtivo para o setor público se cria riqueza e se estimula a procura, e que, com essa procura, se faz crescer o setor produtivo e o emprego, é insistir na receita que nos trouxe até aqui. É que precisamente por distribuir mais do que aquilo que tem, a cada momento, o Estado português há quarenta anos que acumula défices crónicos; dito por outras palavras, todos os anos o nosso Estado gasta mais do que aquilo que consegue cobrar à economia produtiva, equilibrando a balança com a emissão de dívida pública. A razão que levou a Troika a limitar salários e pensões prende-se apenas com esta realidade: a de que o Estado português não pode ter mais despesa do que aquela que a economia privada consegue suportar, por via de impostos presentes. Desde 2011, depois de bater no fundo, Portugal passou a orientar-se menos para o mercado interno, valorizando uma rota de criação de riqueza por via da produção destinada crescentemente ao exterior. Este circulo é, entendo, virtuoso, e é fácil de explicar porquê: se eu vendo ao exterior, acumulo mais rapidamente riqueza para pagar salários e impostos, investir, e consumir bens e serviços nacionais e importados. Uma economia exportadora cresce mais rapidamente do que se estiver apenas orientada para um mercado interno como o nosso, de pequena dimensão, altamente dependente de bens importados e onde há pouco capital. Este é o caminho mais sustentável para que Portugal possa recuperar rendimento: as nossas empresas exportadoras se continuarem a crescer vão continuar a criar mais emprego e a gerar mais rendimento. Havendo uma economia privada a produzir, o Estado pode cobrar mais impostos para cumprir as suas finalidades. A segunda grande falácia do estímulo da procura por via de uma suposta reposição de rendimentos é que é claro que boa parte do montante transferido será gasto em bens impo[...]



Blue Music: Fort Atlantic

2015-11-27T17:32:03.099+00:00

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Dúvida do dia

2015-11-26T20:37:36.589+00:00

Quanto tempo dura o segundo maior governo de sempre?



Blue Painting - somewhere in Rome

2015-11-25T17:07:57.094+00:00




O tempo da Esquerda

2015-11-25T11:55:52.528+00:00

Terminado o tempo da retórica eleitoral, chegou o momento em que vamos finalmente ter a oportunidade de perceber, em concreto, como se fazem "leituras inteligentes" do Tratado Orçamental, ou como é compatível governar dentro das regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento, respeitando o défice e ao mesmo tempo o rígido quadro normativo do PCP. Não há espaço para "mas" nem "meios mas": as esquerdas estão unidas, e têm a oportunidade que reclamam há anos, num contexto político que exigiram, torcendo o nosso regime até ao limite máximo da sua resistência, para acomodarem a ânsia de aplicarem a sua visão do mundo. Sobre esta tentativa de fundir as esquerdas numa só, misturando água com azeite, vale a pena ler o post da Graça, n'O Insurgente: "A grande oportunidade da Esquerda".



Blue Paintings: He Sen

2015-11-23T19:08:37.711+00:00




New target

2015-11-23T18:09:02.970+00:00




Previsibilidade

2015-11-23T13:00:30.426+00:00

Hoje, o Presidente da República convocou António Costa, e questionou-o sobre a sustentabilidade dos Acordos que celebrou com a esquerda, nos pontos que, nas suas duas intervenções anteriores, havia colocado em cima da mesa como pressupostos para indigitação de um governo. Pontos que têm sido negligenciados, e que estão longe de ser cumpridos, por parte da Frente de Esquerda. Nas últimas semanas, vivemos um clima sempre-em-festa, onde grande parte da imprensa, e opinion makers, preferindo ficar-se pela espuma dos dias, ignoraram olimpicamente as exigências do Presidente da República, bem como o seu papel num sistema semi-presidencial. Alinhando naquilo que é o mise-en-scène socialista e o minimalismo da solução que desenhou, boa parte do país mediático rendeu-se a uma suposta evidência de que Costa teria de ser indigitado. Não faltou quem falasse em "parlamentarização" do regime, e na subordinação do papel presidencial.

Cavaco Silva, porém, não parece muito tentado a ceder a quem não percebe que há muitas coisas em jogo: e uma delas é garantir que o papel do Presidente da República no quadro do nosso sistema se mantém forte, e não cede às jogatanas partidárias desenhadas a partir do Parlamento. Aquilo que Cavaco hoje exigiu era mais do que previsível. Espanta-me que tão poucos o tenham antecipado. 



Blue Paintings: "Su Zihan"

2014-12-22T16:16:13.982+00:00


Su Zihan (Chinese, b. 1978)
Secret Space No. 41, 2011




A propósito dos nossos jovens jihadistas

2014-12-11T12:08:18.272+00:00


"Bomb Games" (2013), de René Gagnon (Canadá)




"Virgem Negra", Mário Cesariny

2014-02-10T16:21:15.827+00:00

Faz-me o favor...

Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.

É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és nao vem à flor
Das caras e dos dias.

Tu és melhor -- muito melhor!--
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.

Mário Cesariny





Blue Symbol: "Naniora", de Mário Cesariny

2013-12-16T15:54:00.275+00:00



Adquirida no domingo. Já ya! O novo ícone do Blue Lounge.



Tá quietinho ou levas no focinho

2013-12-10T01:27:57.985+00:00

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Ora bem, em 1982 os Trabalhadores do Comércio lançam este fabuloso "Tás quietinho ou levas no focinho", que foi, diga-se, o momento que despertou a minha consciência libertária. Já no ano anterior o Grupo de Baile havia causado perturbação no Colégio, quando o professor Migui Paixão decidiu ensinar-nos a letra do "Patchouli". A coisa não foi bem aceite pela direcção, e na semana seguinte, lá voltámos às músicas tradicionais...