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Viagens





Updated: 2017-07-29T08:58:57.412+01:00

 






Repetições: a vitória do medo; e lágrimas!

2010-04-12T11:42:52.360+01:00

-----A criança, de olhos vivos e aspecto trigueiro, olhou-me de soslaio, intrigada. E com deferência considerou responder-me, solicitando autorização para pousar o bolo meio comido em cima do balcão. E assim, juntou os deditos todos da mão direita, levantou o indicador da esquerda e respondeu: «Tenho estes!». E eram seis os simples anitos do astuto petiz, cujos olhos tão profundos podiam encher de sombras os imensos vazios das noites escuras – seis anos de energia inocente a celebrar com brincadeiras a raridade da vida, nessa supremacia que é não ter senão uma imensa sede de viver. E quando lhe perguntei se me dava do bolo, respondeu que não, que o bolo era dele. E nesse inegável juízo de propriedade foi terminar a guloseima para junto da mãe, também ela toda trigueira, contudo esquecida de si, de tão diluída na cruel desilusão em que vida nos transforma.
-----E naquele quadro percebi o roubo que a vida me fez – e vim por minha vez a correr escrever este texto: é que a certa altura invadiu-me a certeza de que, olhando-os, os podia roubar. E isso não podia ser – não deve um salteador ter sido vítima do mesmo furto que procura cometer. E aqui me declaro incompetente para subtrair aquilo que não tive a capacidade de guardar. E estas lágrimas hão-de ser o selo sagrado desta promessa tão contrária a mim, tão cravada em mim… e tão indiferente a mim!




não há palavras, só música; depois vê-se...

2009-09-21T17:28:22.418+01:00

-----Por enquanto isto vai ficar assim; e calado vou dizendo tudo. Deixo-vos a mais recente (tão nova que ainda cheira a novo) canção dos Pearl Jam e dos seu carismático vocalista Eddie Vedder - Just Breathe; e mais não digo.


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(embed) Pearl Jam - Just Breathe by iHugo



Hoje sinto-me assim...

2009-07-17T13:07:12.470+01:00

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Retornos; e as rabugices do costume...

2009-07-14T16:06:11.888+01:00

-----É nas letras que encontro entendimento para as horas más. É assim desde os tempos em que era uma criança triste, e que escrevia tudo (alguns desses textos chegaram a valer-me nome e prémios na escola) com a ávida destreza dos desconsolados. Isto a propósito deste blogue, criado em resposta ao desafio «e se criasses um blogue?» que alguém me colocou numa conversa no messenger. E eu criei-o sem saber que criava uma porta para o meu passado. Recentemente celebrou o seu terceiro aniversário; ninguém reparou… ainda bem!




Na hora de falar, cala-se a palavra... Obrigado a todos!

2009-06-05T03:17:26.047+01:00

-----Vou ter de me familiarizar com estes 34 anos acabadinhos de fazer: ainda as doze badaladas – isto dito assim até parece uma fábula! – se repetiam nos silêncios da noite e já me deliciava a desembrulhar a prenda que mantiveste escondida nesses sorrisos matreiros de quem me conhece até às minhas mais frívolas excentricidades. Depois, uma mensagem no telemóvel; a seguir outra (credo, eu tenho assim tantos amigos?!)... e num piscar de olhos o telefone desassossegou-se em dezenas de bips que me remetiam para uma caixa de entrada repleta de intensos votos de prosperidades, de abraços sentidos... e de coisas.
-----Nunca fui um grande aniversariante, confesso; e nestes dias encho-me quase sempre de atrapalhados rubores nos agradecimentos, pois sei que lidar com um homem como eu requer paciências e cuidados que, em boa verdade, não deveria sequer saborear. Contudo é esta a minha condição: sou um fino recorte sobre um horizonte de sentimentos profundos; tão doce no abraço como implacável na hora de fazer soar o trovão. Por isso te agradeço (e vos agradeço) este meu trigésimo quarto aniversário; os parabéns são para ti, e para todos vós.






inventários; certezas de que tudo passa e do muito que há-de vir...

2009-05-05T16:19:58.953+01:00

-----A um mês de completar 34 anos de idade, chegou a altura dos meus balanços: não foi tudo mau; contudo não foi tudo bom. Procurei sempre motivos intensos para continuar a viver; e, na minha história – esta que escrevo neste blogue – custam-me apenas alguns amores (e outros incontornavelmente sofridos desamores) de que, em consciência, me não arrependo.
-----Trinta e três anos e onze meses; ainda me lembro das ansiedades de ser homem que afligiam a minha meninice. Tudo era belo e, no entanto, tudo se transformou: a criança que fui amadureceu terrivelmente, sobrando apenas uma leve recordação da sua meiguice. E isto para vos dizer que tudo passa; vertiginosamente, implacavelmente... completamente.



amor de perdição; ou as coisas que a vida nos dá?

2009-05-01T20:19:21.672+01:00

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Apresentação gentilmente cedida pela Andrea (que todos temos no pensamento como a incontornável pomba!) a propósito do décimo aniversário do chat blá blá. A todos os que fazem parte deste universo um sentido agradecimento por tantos e bons momentos de excelente companhia.




a exérese dos sentidos; alguns medos e afins – e dores...

2009-04-27T00:32:42.217+01:00

-----Eis que um telefonema bastou para me alterar os planos: e é já amanhã que vou à faca, coisa que só estava a prever para Junho. Contudo, os senhores da Saúde, céleres quanto baste, descobriram espaço nas suas congestionadas agendas para a minha (– eles é que dizem!) simples cirurgia. Era pegar ou largar: as filas de espera estendem-se para além da barreira dos anos, e eu peguei; mau grado a vontade que tive de largar.
-----Assim, estarei amanhã às 11 horas no hospital; e lá para o meio-dia sairei do bloco operatório com mais um corte na região nadegueira: é que, para mal dos meus pecados, a exérese cirúrgica de um quisto sacrococcígeo a que me submeti em Novembro – e da qual convalesci dolorosamente durante mais de três meses – não bastou; e esta é já a segunda temporada deste thriller tão cheio de sensações fortes, com facas, agulhas, toalhas e lençóis.






Paixão, fundamentalismo; e a forma de se acreditar em quase tudo...

2009-04-22T18:13:02.566+01:00

-----Mataram-no ontem, pronto; estava escrito que seria assim – e os que acreditam celebram-lhe o sacrifício com grandes festividades, indiferentes ao facto de um mesmo coitado sofrer a mesma morte ano após ano para lhes remir os pecados. É sabido (embora nunca tal tenha sido provado) que há-de ressuscitar amanhã: e sairá incógnito do sepulcro, para mostrar as chagas ensanguentadas ao arregalado Tomé, dizendo «acredita-me Tomé, acredita-me!».
-----Eu não acreditaria; virar-lhe-ia as costas pois nunca confio em martírios e tão pouco sou um homem de fé – nem desta fé! Não me sossega a esperança de uma salvação encharcada no sangue de um homem-deus, que se imortalizou na espectacularidade da expiação pela dor. Contudo é disto que o povo gosta há mais de dois mil anos; e, em Roma, a grande meretriz vai agradecendo às multidões, acenando-lhes sorrisos suficientemente sentidos.



Hoje senti-me assim...

2009-04-09T00:00:34.695+01:00

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Porque eu também erro...

2009-04-07T00:35:34.464+01:00

-----Estar contente com a vida, recebê-la de peito aberto é exigível ao comum dos homens; e é mais do que uma exigência – é uma obrigação de carácter. Contudo, no meu caso particular, são os sentimentos que regulam quase sempre as minhas disposições. Admito que não tenho andado bem nestes últimos dias...



Estas coisas aborrecem-me, pronto!

2009-04-01T12:17:14.005+01:00

-----É dia 1 de Abril e está estabelecido que este deve ser o dia das mentiras. No entanto, desagrada-me que haja assim um momento específico para se espetar uma peta (a experiência diz-me que para isso servem também os outros dias todos). Não me apraz, portanto, saber que se oficializou um assunto tão estúpido, atribuindo-lhe até um dia no calendário com honras de celebração: é que as brincadeiras que lhe são inerentes incomodam-me de facto; e deveras causam-me sempre alguma espécie de prejuízo.



As condições devidas; e outros pensamentos...

2009-04-05T12:48:30.172+01:00

-----Andei a remexer nas estantes da sala à procura de um livro que fosse, no seu conceito, diferente de toda a literatura ficcionada a que me dediquei nos últimos dias; fui encontrá-lo escondido (a fazer justiça à atitude do seu autor enquanto viveu) atrás de uma pilha dos outros livros que ainda não tive coragem de ler. Trata-se do Crepúsculo dos ídolos, uma compilação de textos de Friedrich Nietzsche (o filósofo mais maltratado e incompreendido da história do pensamento, devido à crítica feroz que fez à moral cristã e ao mundo ocidental), das Edições 70.
-----Nietzsche negou categoricamente a fragilidade da condição humana ao recusar ver virtudes na humildade; e na sua busca por uma nova moral criou o super-homem, proclamando inflamadamente a morte de Deus. Considerou também não haver espaço no mundo para seres inferiores; uma atitude que hoje lhe vale, ainda que erradamente, uma certa colagem ao nazismo de Hitler.
-----Contudo, não pretendo aqui falar de Nietzsche; quero apenas transcrever um pequeno texto que encontrei ao folhear esse livro. É que estou convencido de que alguém terá, ao lê-lo, algum entendimento sobre o que pretendo com ele. Assim espero.

«Os homens de mais espírito – suponho que são os mais ousados – experimentam também, de longe, as mais dolorosas tragédias; precisamente por isso honram a vida, porque essa lhes contrapõe o seu máximo antagonismo.»

(Friedrich Nietzsche, in Crepúsculo dos ídolos, edições 70)



A remissão possível...

2009-04-02T13:07:40.976+01:00

-----Iniciei hoje uma nova etapa na minha louca correria pelo mundo das sensações: reconquistei o meu filho e selei esse reencontro com lágrimas; foi num abraço intenso, carregado de dores profundas, que o ganhei – confesso que, passados que estão esses momentos, tudo me parece mais relativo agora, sem a assustadora pressão dessa horas.
-----E que dia tão louco, este: a esperança que alimentei durante a manhã diluiu-se na resignação com que tive de encarar algumas certezas tristes (confesso que não estava à espera de algumas verdades!); mas eu sei que na vida há momentos de perder, ainda que a derrota nos seja imposta por circunstâncias muito pouco esclarecidas. No entanto, no fim ganhei o meu filho (que é a maior batalha da minha persistente existência); e ganhei-me a mim, na certeza que tenho de que sou um adversário das adversidades.
-----Termino com um agradecimento aos meus advogados pelas palavras apaziguadoras: sem eles o incêndio seria muito mais devastador, e as explosões bem menos controladas; a eles, um sincero bem-haja.



A verdade de La Palice (ou lapalissada / lapaliçada)...

2009-03-31T19:04:46.870+01:00

-----Nem tudo o que se diz é verdade; tão pouco se pode definir a sinceridade, dada a singularidade do conceito. Contudo, há mentiras tão evidentes que se tornam ridículas – e essas são as mais difíceis de entender. Na minha vida a aldrabice é um facto consumado: as pessoas, provavelmente acossadas pela minha ingenuidade, recorrem frequentemente a artimanhas pouco ortodoxas para conquistar a minha confiança; e eu acredito nelas, ainda que as evidências do erro se cravem como punhais no meu entendimento.
-----Nunca lhes percebi os motivos. Hei-de, no entanto, manter-me fiel aos meus princípios, já que é esse o traço mais vincado da minha personalidade. Perdoar-lhes-ei condescendentemente cada um desses momentos de ignomínia; e nunca farei do rancor uma arma, pois eu não sou assim.
-----Sei que algumas pessoas vão ler este texto; a essas reafirmo a certeza do recado – as palavras aqui escritas são para todos vós, sem querer atingir ninguém em particular. Cabe-vos, antes de mais, avaliar se as mereceis.



Hoje sinto-me assim...

2009-03-14T19:15:20.485+00:00

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Pedaços de tempo...

2009-03-13T10:41:18.750+00:00

-----Aborrecido com o processador de texto (que não tem de facto culpa dos meus súbitos vazios de criatividade), fiz uma pausa para um cigarro. Mas vi-te sentada na cama, serenamente compenetrada na imensidão de papéis espalhados nos cobertores, e retrocedi. Assustaste-te quando me deitei ao teu lado; e depois sorriste ante o meu olhar inflamado. Puxei-te para mim; num gesto brusco arranquei-te a camisola, deixando que a palidez da tua pele me inebriasse a razão. A paixão incendiou-me quando me debrucei sobre o teu perfume – e tu cedeste, inclinada para trás, na urgência de me sentires entrar no teu corpo.
-----Fizemos amor em silêncio, primeiro devagar; depois os suores e os cheiros diluíram-se em gemidos, enquanto acometíamos furiosamente um contra o outro, explodindo de prazer. As carnes estremeceram no grito que cortou o silêncio do quarto; e adormecemos enrolados nos papéis molhados, acariciados pela brisa morna que corria da janela mal fechada.



Recados...

2009-03-16T19:44:53.485+00:00

-----Temos medo das decisões; daí tantas lágrimas escorridas entre sorrisos rasgados. Na dúvida, insistimos na posição mais confortável, sem percebermos (pois disso só damos conta mais tarde) que poderíamos ter vivido melhor.
-----Eu sei que andam por aí muitas vidas erradas – vidas dramáticas, que tão drasticamente seriam diferentes com maior atitude; e mais ousadia. Vivemos sem certezas, é certo; mas porque é que só os audazes arriscam na busca de um caminho melhor? A coragem dar-nos-á sempre a plenitude da vida – e essa só se encontra na harmonia entre o coração e a razão.
-----É frequente enganarmo-nos com mentiras inconscientes; e os filhos são, na maior parte das vezes, a grande desculpa para a sucessiva insistência no erro. E estou convencido de que esse despropósito nos há-de consumir a existência, naquelas longas noites de incomensurável solidão.



Estou sem mim...

2009-03-07T23:13:33.911+00:00

-----Admito que não ando nos meus dias: estupidifiquei-me assim de repente, pronto! Deixo-me amuar com frequência e as dúvidas assaltam-me em catadupa. Não vejo no entanto qualquer perigo nesta minha condição (nem grandes males, decerto); senti foi necessidade de escrever este texto.
-----O que se passa é que não sei explicar este humor, nem este alheamento repentino: ando constrangido com a apatia em que mergulhei nas últimas semanas – e a todos belisco e aborreço com a minha contradição, sem que me possam valer. O problema é comigo e está bem dentro de mim.



Hoje sinto-me assim...

2009-03-04T01:23:55.340+00:00

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Questões de carne, parte um...

2009-03-04T13:53:16.446+00:00

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A curiosidade nas crianças é aventureira, e eu não era excepção: a procura de novos mundos para a minha imaginação, levou-me a ir à socapa roubar as revistas que vira o meu irmão esconder no forro de uma velha mala de cartão; e logo ali, na penumbra do quarto, comecei a folhear o achado. A inocência dos meus anos esvaiu-se em imediatos entendimentos daquilo que começava a ver – eu descobrira a pornografia.
Uma a uma, devorei a nudez de cada gravura; e em cada livro pressenti uma excitação diferente: aquele era um mundo que ao mesmo tempo me assustava e atraía; e ao mesmo tempo me conspurcava e educava. O sexo bruto desenhado no papel seguia uma lógica de realidade que nunca tinha encontrado nos spidermans e x-mans que a minha mãe me oferecia. As imagens, em todas aquelas páginas de crua verdade, sublinharam esses momentos de descoberta; e marcaram até hoje profundamente a minha visão do sexo enquanto acto: por isso é que eu nunca o idealizei.



Hoje sinto-me assim:

2009-02-23T18:42:15.760+00:00

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