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COSMéTICAS.net - SAPO Blogs



Last Build Date: Thu, 02 Nov 2017 22:06:57 GMT

 



Letras & Números divinais

Thu, 02 Nov 2017 22:03:00 GMT

 

Tenho para mim que os portugueses lêem cada vez mais, mas sentar no metro e dar de frente com uma rapariga a ler a bíblia não deixa de ter o seu quê de admiração. Pese embora ser este o livro mais popular do mundo, o seu lugar costuma ser mais de estar arrumadinho nas prateleiras ou a enfeitar mesas de cabeceira, não propriamente a passear-se por aí. Duvidei, seria mesmo? E confirmei, que sim. Lia o livro de "Números" o 4° livro do pentateuco e do velho testamento. A rapariga levantou a cabeça por uns momentos e deparou-se com a minha cara de espanto. Sorriu. Sorri.

 

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Diário de Bordo (IV) - Olaias, Lisboa, outubro 2017

Wed, 11 Oct 2017 23:01:00 GMT

 

Se a grandeza de uma cidade se medisse pela sua miséria, então, o Porto seria maior que Lisboa, e Lisboa mais miserável do que o Porto. Certo é que não existem grandes cidades nem capitais sem os seus mendigos, sem seus sem-abrigos ou pedintes. Nem sem os seus loucos que nos abordam no inóspito das esquinas. Aleijados nos passeios, familias completas de refugiados com pai, mãe e filhos. Podemos virar-lhes a cara, encara-los como fraudes ou problemas dos outros. Pedem-te uma moeda, comida, tabaco, o que se queira. No mínimo, merecem um sorriso, um aperto de mão, uma palavra de coragem. Porque o dia de amanhã nunca ninguém o viu , e a vida é uma passagem, para a outra margem.

 

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Ao centro: família de refugiados sírios. Avenue des Champs Elysees, Paris




Diário de Bordo (IV) - Donostia, San Sebastian........ ....................................................Matando o tempo

Wed, 04 Oct 2017 22:12:00 GMT

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Não lhe conheço o nome, não lho perguntei, não quis saber. Estava matando o tempo, escrevendo num caderno, com uma Canon 30D pousada no arrebate ao seu lado.
Senhor, perdoe-me por interromper, posso-lhe perguntar o que significa esta mensagem que está um pouco por todo lado nas paredes? Eu não sei interpretar Euskara [o idioma basco]. Não tem problema nenhum, precisava mesmo de uma pausa, e com todo o gosto te explicarei. Então, trata-se de uma mensagem revindicativa da comunidade basca dirigida a Madrid, exigindo que os presos por crimes cometidos enquanto militantes da ETA , e não importa se concordamos ou discordamos do modo de atuação antigo ou atual do partido, para que os mesmos sejam mudados para prisões dentro do território da comunidade basca. Porque desde sempre e neste mesmo momento, a maioria deles estão espalhados por prisões de toda a Espanha, e não recebem visitas dos seus familiares que não têm a facilidade de se deslocar. Então, "devolvam os presos da ETA ao país basco". Parece-me justo, obrigado. Vai uma foto para recordação?

 

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Diário de Bordo (III) - A Torre da Grandeza no pior da sua Crueza

Sun, 10 Sep 2017 11:26:00 GMT

Paris, 9 de setembro 2017, 9h07 pm, desço a rua que me hão descrito como La Grand Avenue para chegar a Torre Eiffel. - Senhor, conhece Paris? Não, é a minha primeira vez em Paris. A expressão de frustração de Elie não se rende à segunda questão, E não viu por aí uma igreja onde me possa dirigir? Não. O Senhor é Católico? Não. Cristão? Sou agnóstico, a religião é das piores coisas que o homem podia inventar... Elie deu-me uma palmada no ombro com relativa força. Não sei se por reprovação ao que ouvira ou se pretendia expulsar algo de mau em mim. Como se chama? Jerónimo. Muito prazer, chamo-me Elie, sou de Aleppo na Siria, Antropólogo e professor de filosofia. De onde vens? Portugal. Ah, Fátima! Elie Intaká abriu o segundo botão da camisa, retirou o seu amuleto de madeira, um crucifixo com a mensagem pregada na cruz em árabe. Eu sou devoto de Fátima. E eu vivo a 14 Km de Fátima. Então como podes dizer que a religião é a pior coisa que o homem já inventou? Porque já sofri a minha quota parte por ela, porque provavelmente o senhor está a sofrer muito por ela, pelas guerras dela. Elie comove-se tremendamente, os seus olhos vivos que até ali me queriam transmitir algo ficam baços. Se alguém lhe provasse das lágrimas que não consegue agora conter, imagino que seriam mais amargas do que as águas salgadas e agitadas que já terá atravessado até se cruzar ali comigo, na Grand Avenue. Mas como podes tu ignorar Deus? Por Deus eu cheguei aqui, estou aqui a falar contigo. Eu não ignoro Deus, apenas deixei de me questionar o que ele quer de mim e de me permitir a que a sua vontade condicionasse a minha vida, porque isso não é ser Deus, condicionar os seus súbditos de forma tão cruel ao ponto de se acreditar que lhe devemos sacrifícios, ou a vida... eu não posso venerar um deus como o do velho testamento, que cometeu tantas atrocidades, tantas mortes, tanto sofrimento nos humanos. Só porque sim, porque quero, posso e mando. Esse não pode ser o meu deus com D grande, Quem é então esse teu Deus, que dizes que não ignoras? Deus para para as mentes que chamo agnósticas não deve ser uma preocupação, se existe ou não existe, se em corpo ou forma, espírito ou visível, se tem planos para mim ou não, isso não deve ser da minha preocupação. Eu vejo Deus nesta árvore que aqui cresce ao nosso lado, sinto Deus no frio da brisa que nos regela agora a cara, na força das tempestades que assolam os Estados Unidos, nos olhos da minha filha quando se decepciona comigo. Deus é toda a natureza que me envolve, e ela trata de me equilibrar, sem me pedir nada em troca, e por isso lhe sou grato, à mãe Natureza, se quiseres, o meu Deus. Elie já não queria chorar, sorria, nos abraçamos, ele beijou a minha testa e se afastou. Queria deixá-lo partir, e penso que ele queria partir pelos hesitantes passos que deu mas avançou de novo para mim e pôs a mão direita no seu peito esquerdo, e com os olhos novamente cheios de amargura me voltou a indagar, Vou-te pedir um favor que nunca pensei vir a necessitar de pedir, o meu filho só me consegue fazer chegar dinheiro pela Western Union daqui por dois dias, e hoje tenho uma etapa fundamental , e que me aflige, porque todo o meu futuro depende de eu chegar a tempo, até amanhã a tarde a um amigo que me aguarda muito longe daqui, preciso de 52€ para o bilhete do comboio que me levará, e não tenho dinheiro para comer ou onde dormir há dois dias. Por isso procuro uma igreja e não a encontro, mas encontrei-te a ti, suplico-te, ajuda-me. Neste momento já chorava-mos os dois e com voz embargada lhe explico, Não tenho esse dinheiro comigo, queria muito te ajudar, mas o que tenho no bolso é para as refeições dos próximos dois dias e já é menos do que esperava, Quanto me podes dar? 20€. Obrigado, respondeu Elie estendendo a mão. Meti a mão ao bolso donde me saiu um monte de cartões, recibos e algumas notas dobradas com a de v[...]






Diário de Bordo (I) - Porto de Mós / Paris

Thu, 07 Sep 2017 06:03:00 GMT

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Burgos, Espanha 8h03AM, uma hora a menos em  Portugal.

E vão 6 horas de viagem mais 630 quilómetros na pele desde que apagou aquela ultima beata na calçada, terra dela mesmo, era a calçada de Porto de Mós.

Ele está definitivamente de volta às lides blogosfericas porque, o bom filho a casa torna, e quanto à boçalidade crassa e crescente das efemeras redes sociais, vós sabeis, o Mr. nunca gramou as efemeridades. Saudades...




Do Panorama Televisivo Nacional

Wed, 06 Sep 2017 00:48:00 GMT

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Escrito e dirigido por Cristina Boavida, protagonizado por Ana Padrão e Diogo Morgado, este último na sua primeira aparição que o traria para o estrelato, "Amo-te Teresa" é uma co-produção da SIC corria o ano de 2000, que confirma a  reviravolta do panorama televisivo que se vinha encetando desde há três anos, sem a mínima concorrência, por este canal.

E se à TVI e ao já Saudoso Nicolau Breyner com a sua produtora de conteudos NBP, se devem a subida da fasquia do extraórdinário melhoramento da produção de telenovelas em Portugal, que somado ao "grande pontapé" que revirou a seu favor a liderança das audiências nacionais, numa cartada dupla de telenovela com reality show - o primeiro que rebentou no pais e por este canal, com o roteiro exibido na telenovela "Todo o Tempo do Mundo" com Ruy de Carvalho e Eunice Muñoz, e que apartir dai foi sempre a somar; se à RTP, já mais recentemente, se deve o mérito das grandes produções de séries nacionais de alto gabarito, sejam de elas cariz Histórico mas não só;  já na SIC tempos houve (saudades...) em que era esta foi a senhora dos Tele-filmes e cujo expoente máximo do pequeno ecrã foi a a sua primeira longa metragem "Tentação" (1997) , produzida inicialmente para o canal de Carnaxide mas que acabaria a dar cartas no grande ecrã da sétima arte atingindo um recorde de vendas de bilheteira inigualável durante mais de uma década do cinema português. Neste aspecto foi preciso mais de uma década para "A Gaiola Dourada" (2013) do luso-francês Rubén Alves o destronar e que aqui pode recordar.

 




E depois do adeus, Sobral?

Sun, 21 May 2017 00:01:00 GMT

Ponto prévio: Salvador ganhou o Eurofestival da canção, não porque arriscou com uma música portuguesa em contra-ciclo dos demais, mas porque emprestou a sua graça e seu talento ao de outros, o dos excelentes compositores de letra e musica, excelentes produtores e staff, mas sobretudo porque a etiqueta musical adequada e com toda a propriedade para "Amar Pelos Dois" é world music - não é propriamente Portugal. E com isto tudo a RTP mudou o figurino do seu concurso, mudou e ganhou. O panorama musical universal agradece o feito dos portugueses, é verdade. Mas vamos lá... Como tantos outros, eu não acompanhava o Eurofestival, nem o  Festival RTP da Canção desde os primórdios dos anos 90. Estavamos-nos a marimbar. Mas no dia seguinte, quando acordamos para a enorme polémica envolta no tipo de música e vencedor do candidato português a represntar Portugal em Kiev, a incredibilidade generalizada e insultos ao artista era tal que parecia assunto de Estatal. Não me absti de confirmar o que era afinal que estava a provocar a maior revolução desde... bem, chamemos a isto tudo um 25 de Abril da Canção. Assisti ao video da interpretação do Irmão de Luísa Sobral - boa escolha! - um bom prenúncio para começar. "Google it" , okay, vídeo da musica, mas não consigo formar opinião na primeira visialização... Ninguém, no mundo, atrevo-me a dizer, está habituado a ver aqueles trejeitos exagerados e maneira de estar em palco, facto que me distrai logo desde o inicio da atuação, e retira o protagonismo ao mais importante: A melodia, a harmonia, e a mensagem lírica da letra da canção. Pico o play pela segunda vez e fecho os olhos. Quero ouvir aquela musica como se de transmissão de rádio se trata-se. Porque faltou isso. A primeira imagem exageradamente de jingão que Salvador transmite na sua atuação inicial ao vencer o festival de Portugal apaga a força da música. E agora sim, o primeiro acorde introduz-me uma abertura com melodia desde logo algo espiritual. O primeiro verso atira para a... A harmonia do arranjo sabe a uma mescla de varias culturas musicais, um arranjo Orquestral (muito) , Jazz (qb), e uma pitada de Boça Nova (para avivar o sabor). Sabe-me à "Garota de Ipanema" na cover de Frank Sinatra, divinal. Tresanda a Caetano Veloso, Rita Lee, Elis Regina e Vinicius de Moraes. Tem a calma e espiritualidade de um Fado e o gemer dos Blues americanos, mas sem chorar. uma voz doce mas com relevos, interprtação sem duvida à Jazz.  E foi por isto que Salvador Sobral ganhou o Eurofestival. Um português, sim. Em português, sim. Mas uma canção sobretudo do mundo para o mundo, que o mundo soube logo agarrar! Mas não é por acaso que as radios não agarravam em Sobral. Não é por acaso, é com a sua razão, que o publico foi em grande medida crítico e mal agoirento com aquela primeira e exagerada linguagem corporal da primeira atuação. Não é por acaso que ele se corrigiu e nunca mais abusou de tal maneira com Amar Pelos Dois.  Não é por acaso que depois de me apaixonar pela sua musica e seu feito, não consigo passar dos 5 minutos iniciais de abertura de um concerto concerto dele gravado anteriormente à sua prestação em Kiev. Nem é por acaso que "A Garota de Ipanema" é a música mais vendida e tocada de todos os tempos nos rankies mundiais. E depois do Adeus à Kiev, Sobral?   src="https://www.youtube.com/embed/8Ty1ubVP1l8?feature=oembed" width="640" height="360" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen">[...]



Do Panorama Radiofónico Nacional

Sun, 06 Dec 2015 08:35:00 GMT

 

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A forma como o panorama do audiovisual português se alinha tem o seu quê de interessante.

Verifica-se uma trilogia de sectores que definem uma linha condutora e acaba no traulitar dos consumidores.

Essa trilogia divide-se entre o mundo da arte musical, passando pela produção generica audiovisual que em Portugal se resume a telenovelas, acabando na playlist das rádios.

E se as rádios nacionais, em conluio com as editoras, deram cartas outrora formatando o percurso de bons ou maus músicos e musicas, hoje são as telenovelas que marcam o passo.

Vide o caso da música aqui hoje. Ela é de 2009, integra a banda sonora da telenovela sensação do momento e  que surgiu no final deste verão, e acabou na berra das playlist de rádios portuguesas ao ponto de integrar a da conservadora Antena 1 - Emissora Nacional Portuguesa.

Às radios mais atentas, se quiserem, basta anteciparem-se. A excessão de temas criados para os genéricos das produtoras, para a seleção de musicas novas com dois dedos de testa se percebe que o segredo reside no apostar em músicas com ritmos que peguem ao ouvido de estaca.

Esta musica já tocava numa rádio local há mais de dois anos, e o critério de escolha foi esse, associado ao imaginário de quem a escolheu, das duas gajas que se beijam no final do vídeo invertendo toda uma letra, que a Antena 1 nem sonha...




Terapias provincianas para o trânsito de Lisboa

Wed, 02 Dec 2015 15:13:00 GMT

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 Aqui vão umas dicas terapeuticas caseiras tipo "mezinhas d'avó" que a gente tanto gosta na aldeia, porque:

1. Se chegas-te a Lisboa tens de ter noção de que 'aqui é Portugal e o resto é paisagem'.

2. Provinciano: nunca esqueças as tuas origens pois nas mesmas descobrirás segredos terapêuticos que nem a tua gaja sabia que tinhas dentro dessa braguilha. 

3. Se ouves buzinar no transito -sim esse ruído mesmo que te tira do sério a cada 3 minutos- manda-os para um sítio qualquer. Provinciano que se preze nem tem papas na língua, nem se exprime com eufumismos (i.e. adjetivo masculino plural; 'rodriguinhos' em lx)  pois que essas são daquelas palavras de sete e quinhentos.

4. A partir da terceira buzinadela que ouvires, e que mesmo não tendo certeza, assumes como tendo sido para ti, já podes manda-los pr'ó caralho, mas com estilo: acrescenta "morcão" se és do Porto, "vacão" se és de Leiria, ou outro qualquer'ão da tua provincia, que é tão rica nestas terapias.

5. Buzinas, buzinas, e mais buzinas.... sejam 4 da tarde ou 4 da manhã. Os alfacinhas são - tirando os do Belenenses assim mais armados ao pingarelho porque vivem ao lado do Palácio de São Bento - conas todos os dias. Comodistas por natureza. Assim da-lhes portanto o desconto terapêutico de quem tem um QI abaixo dos 69. É que nunca leram as leis de trânsito sobre  a obrigação de substituir as buzinas por sinais de luzes apenas que anoiteça, ou as civis da República Portuguesa no que estabelece sobre horário limite de ruído público. 

6. Em Lisboa conduz sempre de vidro aberto. Faça chuva ou faça sol. És da província, canudo! E vais precisar dele. Para fumar aquele cigarro terapêutico que te restabelece os índices de raciocínio, confiança e calma santa, tantas vezes necessárias para pores a mão de fora e lançares aquele pirete a que só os provincianos se dão ao trabalho. Aquele torcer de dedos bem desenhado. Porque a arte de um pirete aprende-se na provincia. É de coragem e feito com os colhões no sítio, tipo: os  dedos indicador e anelar simetricamente enrolados paralelamente ao "pai de todos" bem centrado e esticado. 

7. quando regressares à província, esquece lá essa moda urbana de que as rotundas são o prolongamento por natureza das várias vias que se lhe confluem, blá,blá... ide más é ler o que do uso da buzina a lei diz. Portanto, deixa-te de merdas e de entrar nas rotundas da aldeia depois, sempre a acelerar. Mesmo sem sinais de stop, as rotundas na província tem um código de conduta próprio para se respeitar.

8. Os piretes são uma arte, já disse. Não os esbanjes. Tinhas nada que ensaiar assim à sucapa - umas linhas aqui acima, que eu bem ví - se és ou não artista de enrolar os dedos simétricamente. Guarda esses ensaios para quando no trânsito, e a ver vamos se com estas terapias não te comportas lindamente no meio do barulho.

 




Da co-adoção e da sociedade transvestida

Sun, 29 Nov 2015 15:13:00 GMT

 

Sobre o assunto existem estudos científicos originados pelo pai da psicanálise Sigmund Freud. É evidente que uma criança educada por dois homens ou duas mulheres enquanto pais, alterará o seu percurso humano. Chama-lhe a medicina de 'O Complexo de Édipo', e podes ler sobre ele aqui .

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 Édipo, segundo a mitologia grega, mata o pai por desejar sexualmente para ele a mãe

 

A co-adoção por casais do mesmo sexo foi a primeira lei aprovada pelo novo governo de estrema esquerda ainda antes mesmo de ser assumida a sua posse. 

Aprovada que está, e lamentavél que quem foi, ou é contra a lei, nunca tenha argumentos válidos que defendam a sua ideia para além dos seus próprios autos de fé e valores cristãos, de resto, atitude em nada distinta da argumentação utilizada pela esquerda parlamentar na defesa da imposição de seus fanáticos dogmas politicos. Exagerado será não ver que estamos perante a imposição de uma anarquia muito para além daquilo que são valores individuais, pois que interfere com a saúde clínica de um ser em crescimento em Portugal, logo, com o futuro da sua sociedade.

É a lei de Murphy (se pode correr mal, vái correr mal). Quando se teme que o caldinho de governo que temos na Assembleia da República se possa preparar para transformar o velho pais de brandos costumes no, de todos, brevemente o mais liberal da Europa e, porque não, do mundo. O que não sendo uma ideia propriamente desagradável, também não sei se agrada de todo.

Vamos-nos deitar a advinhar? Então vá lá, advinha-se portanto o que o próximo decreto da esquerdalha - [i.e.] esquerda + canalha - garotos na gíria popular (os do BE), e de quem os come ao pequeno almoço (PCP) estará a preparar como uma das grandes revoluções e prioridades do país: a despenalização das drogas leves? In extremis, direito dos pais ao infantícídio, como na América?

Eles andaram foi a estagiar e fazer Erasmus demais no país das papoilas holandesas.Só pode.

Mas alguém os avisou que aquilo não era para fumar?

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 O Complexo de Édipo musicado pelos Xutos e Pontapés

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Paulo Jerónimo




O Melão de T3LL0

Mon, 02 Mar 2015 08:44:00 GMT

 

Pelo sim pelo não, porque já me arrempendi de não o ter feito na altura de se terem averbado no dragão outros 5-0 noutro clássico, ou porque nas redes sociais (culpadas da suspensão de assuntos neste blog) os temas são tão efémeros e voláteis, deposito neste obituário o pensamento de ontem pelo pê de T3LL0. E desafio o Nuno PortoMaravilha a fazer o mesmo.

 

 

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É pá, isto não se faz!
Faltam ainda 10 minutos para acabar o jogo mas tenho de solicitar desde já o livro de reclamações aos senhores do Dragão.
Então a malta compra bilhete para assistir àquilo que se espera ser um grande clássico de futebol e apresentam-nos em palco um Bailinho da Madeira?!

Não vale!
Ao menos digam ao Jackson onde estamos, que em portugal tal dança não tem passo doble... ao quaresma que se deixe de invenções porque esta não é uma coreografia cigana, é da terra do amigo Ronaldo portanto não vale trocar o passo ao adversário, não vale... e ao Lopetegui que não estamos no País Basco nem na tropa, pois que o Bruno de Carvalho não é propriamente dirigente da ETA nem era preciso acertar-lhe o passo... é que sinceramente... assim não há condições!

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Paulo Jerónimo




"her", filme realista?

Wed, 21 May 2014 09:18:17 GMT

 

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her é um filme escrito e realizado por Spike Jonze. Um filme em que a ficção pode ser realidade e onde as semelhanças com as nossas vivências não são, totalmente, fortuitas. A película descreve um universo em que os computadores têm consciência de si próprios e de outrem. Um universo em que os computadores inter-reagem com cada um de nós. Assim, Spike Jonza remete para uma era digital que, no fundo, pode estar mais ou menos próxima. 

 

Teodoro vive na cidade de Los Angeles, urbe em que tudo pode ser possível. Teodoro domina perfeitamente bem a escrita. Sabe fabricar as boas frases e encontrar as palavras exactas para descrever os sentimentos e falar de amor.  

Apesar destas qualidades, Teodoro vive só, sofrendo com a solidão. O seu apartamento, o seu lar é demasiado grande e, esse espaço, reenvia-o para o divorcio, para o falhanço do seu único casamento com Catarina. Os jogos vídeos, os vários ornamentos em 3D não compensam as noites solitárias. 

Para combater o vazio e o tédio da sua vivência, Teodoro investe na compra dum programa informatico, uma inteligência artificial concebida para se adaptar à personalidade de cada humano, ou seja, a voz de Samanta. E, assim, a voz feminina suave, intuitiva e divertida de Samanta vai seduzir Teodoro que, pouco a pouco, vai ficar loucamente apaixonado.

Eis o ponto de partida para um idílio insensato e irreal. A magia do relato assenta nos inúmeros detalhes agenciados por Spike Jonze, tal como a proeza dos actores, tornando realista, romântico e poético o que, inicialmente, não o era.

 

 

Ficha Técnica: her, realizado por Spike Jonze, com Joaquin Phoenix, Amy Adams, Rooney Mara, Chris Patt... - voz de Scarlett Johansson / USA 2014, 2h06, cores

 

Nuno

 

 

 

 




A Transmissão Simbólica n°29 ................................ ............................La Transmission Symbolique n°29

Thu, 08 May 2014 11:51:04 GMT

 

 

"Viver só em Lisboa, com 11 anos, era muito complicado. A língua é quase diferente. Não é absolutamente nada o mesmo sotaque que na Madeira. Não compreendia nada."

 

Cristiano Ronaldo

So Foot-Junior, mai 2014, p.37 

Nuno




Les Grandes Ondes (à l'ouest): .............................. ...........................uma comédia àcerca do 25 d Abril

Wed, 23 Apr 2014 20:12:51 GMT

 

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Dois jornalistas, ou seja, um reporter já de idade e machista e uma jovem feminista, são enviados a Portugal em Abril de 1974. Acompanhados por Bob, um técnico perto da reforma, são encarregados de cobrirem, para a Televisão Suiça, o contributo das doações Helvéticas para o desenvolvimento das escolas no Portugal fascista.

 

Apesar da boa vontade de Pelé, o jovem tradutor Português, nada ocorre como previsto. Os temas pensados estão longe de serem interessantes e, além disso, existe muita tensão entre os dois jornalistas. A pequena comitiva decide, assim, abandonar o seu projeto de reportagem quando, subitamente, surge a Revolução. Um acontecimento que vai ditar e acelerar a democratização da Espanha, Grécia... 

 

Esta mesma equipa vai dar cobertura jornalística a este evento, vivendo momento raros. Les Grandes Ondes (à L'OUEST) é uma comédia histórica onde a poesia e o burlesco coabitam. O realizador Suíço, Lionel Baier, realizou um filme com poucos meios. Contudo, graças a uma alegre e descomplexada mistura de géneros - até uma sequência comédia musical apresenta - o filme ganhou uma dimensão, certamente, inesperada. Sem publicidade, não passando em todas as salas, a realização de Lionel Baier soube seduzir os telespectadores que se fizeram seus embaixadores... Esta ultima razão explica que o filme ja esteja auto-financiado e, igualmente, que tenha sido eleito por entidades culturais e recreativas Franco - Portuguesas como suporte de festejos do 40° aniversario do 25 de Abril de 1974.

 

Ficha técnica: Suiço, Fr, Pt - 2014 - 1h24 - a cores

Realizado por Lionel Baier. Com: Valérie Donzelli, M. Vuillermorz, Patrick Lapp, Francisco Belard, Jean-Stéphane Bron

 

Nuno




Benfica: Orgulhosamente só no Cosmos?

Mon, 21 Apr 2014 21:53:19 GMT

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 Clicar nas imagens para ampliar

 

A imprensa Francesa ganhou mais um título neste mês de Abril: So Foot-Junior. O lançamento desta publicação, protagonizado pela prestigiada revista So Foot, foi salientado pelos mídia. É, após So Film e So Film-España, o último capítulo publicado, mas certamente não o derradeiro, duma aventura editorial que começou com quatrocentos euros.

A revista, como o deixa entrever o seu nome, é destinada, sobretudo, a jovens e adolescentes. Contudo, certas "más línguas", dizem que vai ser confiscada pelos pais e adultos. Este primeiro número apresenta um dossier central dedicado a Cristiano Ronaldo que tem, por essa razão, as honras da capa.

 

Outro caderno interessante é aquele que, resumindo a história recente do futebol, aponta várias definições e escolhas do clube ideal. O único clube Português a ser citado é o FC Porto e relativamente aos itens aqui apresentados. 

E quem acredita que o Benfica é o clube com mais sócios no mundo pensa que o Sol anda à volta da Terra.

Fonte: So Foot-junior, mai 2014, pp. 48-49

 

Nuno




Génesis: o alfa e o ómega, o principio do fim

Sun, 30 Mar 2014 13:51:35 GMT

 

Os temas bíblicos sempre deram panos para mangas... e polémicas qb.

Escritores, poetas, coreógrafos, todos gostam de explora-los. A sétima arte também.
Sobre o primeiro livro do cânone bíblico podem-se ter várias opiniões e dissertar várias conclusões, mas tenho para mim uma que sempre achei desconcertante: é que revela-nos a crueza da Criação à Destruição! Com este filme «Noé» aguarda-se portanto um "Dilúvio"... 

"Será isto o fim de tudo?" - Questiona a Paramount Pictures no seu facebook oficial.

 

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Paulo Jerónimo

 

 

Estreia nos cinemas a 10 de abril

Realizador: Darren Aronofsky

com

Russell Crowe

Jennifer Connelly

Emma Watson

Anthony Hopkins




Snowpiercer ou o Cavalo de Ferro

Sat, 21 Dec 2013 13:52:05 GMT

 

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O filme SnowPiercer é uma obra prima e um grande filme de antecipação cientifica, já que a acção se passa num futuro próximo, em 2031.

 

O realizador Coreano, Bong Joon-ho, transcende o género fantástico e autoriza um olhar sobre os possíveis futuros da nossa espécie. Como na Banda Desenhada - o filme é uma adaptação da Bd Francesa, Transperceneige, de B. Legrand, J-M Rochette e Jacques Lob - um trem anda sem parar à volta duma Terra completamente gelada e coberta de neve. É o último refúgio para a humanidade. A glaciação do planeta é fruto duma experiência falhada para lutar contra o aquecimento global.

 

O trem que produz água e energia, graças à neve que a locomotiva "engole", é uma espécie de Arca de Noé. Esta jangada sobre carris apresenta também um retrato realista da Humanidade: Nas carruagens da frente vivem os dominantes, aqueles que possuem o conforto e o acesso ao bem estar. Fazendo ecrã ou fronteira com as carruagens dos esfomeados e dos ignorantes, existem as carruagens do exército. E, finalmente, a locomotiva onde vive o criador e condutor do trem. É um chefe de estado e um deus vivo.

 

Após revoltas passadas, Gilliam e Curtis decidem organizar uma nova revolta. A luta pela liberdade e pela dignidade vai passar pela atrevessia das inúmeras carruagens. A conquista de cada carruagem, até à locomotiva, apresenta imensas surpresas.

 

A acção impressionante deste filme parece ser um apelo sem equivoco para recusar a animalidade, a exploração do homem pelo homem, em suma, o intolerável quem diariamente, nos gabam em nome dum longínquo e nebuloso pragmatismo.

O realizador mostra como o pior (e o melhor) da humanidade se reconstituem no "cavalo de ferro".

 

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Nuno




A Transmissão Simbólica n°28 ................................ ........................... La Transmission Symbolique n°28

Tue, 05 Nov 2013 17:34:17 GMT

 

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A biografia futebolística de Gianni Rivera parece ter sido esquecida e diluída nas "brumas da memória", dando-se maior relevo às declarações filosóficas do Brasileiro Sócrates, às considerações terceiro-mundistas de Maradona, às concepções tácticas de Johan Cruyff, ao "design" de Beckham ou de C. Ronaldo...

Gianni Rivera foi campeão Europeu em 1969 com o Milão AC (4-1 contra o Ajax) e, em 1970, foi, com a selecção Brasileira, uma das "grandezas" da Copa do Mundo, no México. E, isto, por duas razões: Qualificou a Itália para a final (golo aos 111 minutos, contra a RFA) e apenas joga os derradeiros cinco minutos, na final perdida contra o Brasil (4-1).

 

Gianni Rivera é na altura, momento em que o futebol se torna cada vez mais atlético, muito criticado, pela imprensa Italiana, devido à sua constituição física. Chega a ser denominado "bom futebolista para jogos amigáveis" ou "sacristãozinho"...

Na entrevista que deu à revista So Foot n°108 - 2013, pp. 160-163, decorridos 40 anos, Rivera continua igual a si próprio, declarado:

 

"Ser treinador? Não tinha vontade de passar toda a minha vida em fato de treino."

 

E, para concluir, este remate:

 

"O futebol são duas coisas: a visão do jogo e a técnica. Alguns vêem o que é preciso fazer, mas não têm posses para o realizar. Alguns, ainda, sabem fazer tudo com uma bola, salvo o que seria preciso fazer. Eu tinha estas duas qualidades."

 

Fonte:  So Foot n°108 - 2013, pp. 160-163

Nuno




Filme ou Banda Desenhada?

Fri, 01 Nov 2013 08:42:45 GMT

 

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BD "Le bleu est une couleur chaude", p.79

 

O ideal é sempre poder ver um filme sem saber demasiado a seu respeito.

E o essencial é: Pela primeira vez, na história do cinema, uma adaptação duma Banda Desenhada à tela ganhou um prémio prestigioso, a Palma de Ouro 2013. A critica e os espectadores são unânimes quanto à beleza da fita.

La vie d'Adèle, realizado por Abdellatif Kechiche, não é, contudo, uma adaptação totalmente fiel do livro Le bleu est une couleur chaude, concebido e desenhado por Julie Maroh, na medida em que o relato final é diferente.

 

La vie d'Adèle, embora proibido aos menores de 12 anos, não é um filme pornográfico. É, isso sim, a narração duma aprendizagem iniciática na qual o questionamento da paixão ultrapassa a problemática da orientação sexual. No final, um tema clássico: O amor absoluto e a sua compatibilidade com as exigências culturais e sociais...

 

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Fontes: Extrato do filme; ilustração - detalhe da Bd, p.79, ed. Glénat 

Nuno




Walking Dead e a Imagem Carnavalesca do Mundo

Wed, 28 Aug 2013 19:02:17 GMT

    Traduzida e publicada em 18 línguas, a Banda Desenhada Walkind Dead é um sucesso editorial mundial que parece incomodar. Como qualificar e explicar este êxito que levou esta Bd a ser, igualmente, o esqueleto e a estrutura duma série TV de renome?   Contrariamente ao que se poderia pensar, a criação de Robert Kirkman, cenarista norte-americano, conhece uma enorme divulgação na Europa, existindo 15 adaptações diferentes, não se contabilizando, por razões óbvias o Reino Unido. Se países como a França, a Alemanha ou a Espanha acompanham o ritmo de publicação norte americano desde a publicação do tomo:1 (2005), já países como a Hungria ou Portugal só em 2011 e 2010, respectivamente, iniciaram a publicação traduzida do primeiro tomo.   Na Ásia, três países publicam e traduzem a série: Coreia do Sul, Japão e Taiwan. A afirmação de Walking Dead num universo dominado pelo grafismo da Bd Manga é uma proeza que deve ser evidenciada. Foi a Coreia do Sul, logo seguida pelo Japão, quem inaugurou a edição da série, havendo já 9 tomos publicados desde 2011.   Na América do Sul, o Brasil foi o primeiro a editar, em 2006, a Bd de Robert Kirkman. Ou seja, acompanhando o nascimento da Bd e com 5 anos de avanço em relação à Argentina, Chile, México e Peru.    Nascida nos Usa, contaminando as terras anglófonas, Austrália, Irlanda, Reino Unido... e, em seguida, grande parte do planeta, Walking Dead passou, também, a ser uma Bd adaptada à televisão nos países onde existe, exceptuando na Hungria.    Vários textos que se debruçam sobre a Bd apresentam análises e observações que reenviam para o apocalipse. Penso que Walking Dead é muito mais do que uma mera metáfora do simbolismo mítico do Apocalipse e do Juízo Final. É a tentativa dum questionamento sobre o relacionamento e os comportamentos humanos alienados por um mundo dominado por uma sociedade onde tudo é mercadoria e troca, inclusive o próprio ser humano.   O retorno dos mortos à convivência com os vivos constitui a acção central que conduz a intriga. Em Walking Dead, os autores introduzem-nos num mundo diferente. O relato não nos fornece nenhuma indicação lógica e coerente, quanto à explicação dos acontecimentos. O agente de polícia Rick Grimes, após um tiroteio contra bandidos, acorda num mundo povoado, essencialmente, por mortos vivos. Nenhuma informação nos é dada perante esta ambiguidade. A medida que a narração evolui, aceitando-se o pacto de leitura, acabamos por decifrar de maneira racional elementos sobrenaturais.   Para tornar aceitável o fio condutor do relato, os autores vão introduzir  progressivamente eventos que focam a condição humana. E, imediatamente, ressalva que, no âmbito dum meio ambiente hóstil, a espécie humana só existe colectivamente. O recurso ao fantástico desentroniza o mito da viabilidade do indivíduo só no mundo. Robinson Crusoé, sobrevivendo isolado na sua ilha longínqua, é um ser muito mais irreal que Rick Grimes e os seus companheiros. E, paralelamente, só uma compreensão recíproca permite ao grupo de Rick sobreviver perante os perigos exteriores. E não é um paradoxo se os perigos mais reais decorrem dos grupos humanos cujos relacionamentos assentam em relações de opressão violenta entre os indivíduos. O exemplo da sociedade dirigida pelo "Governador" é ilustrativo disso. Os mortos vivos, abstraindo-se a dinâmica do número ou da quantidade, acabam por ser inofensivos.   Em[...]



Bravô! Palma de Ouro à Gaiola Dourada .................. ................Conversas com os botões da camisa (6)

Tue, 27 Aug 2013 12:37:58 GMT

       "Quando a esmola é grande o pobre desconfia" e tanta propaganda que se viu no pré-lançamento do filme de Rúben Alves A Gaiola Dourada - um retrato dos portugueses, resultante da epopeia de sua emigração nas últimas décadas - confesso que me levou a sentar na sala com a esperança e espetativa de que ia enganado.   Tentando apaziguar a discussão entre meus dois neurónios frontais contra um ocipital, degladiavam-se: "lá tás tu Paulo... vai-se a ver e na volta o filme até que merece mesmo uma Palma de Ouro, à grande e à francesa (link). Espera..." 1.ª Surpresa: a sala começava a mostrar-se demasiadamente bem composta. Mais de metade dos lugares ocupados, tendo em conta que estamos ao meio da tarde de um dia de semana, no pais que, contam  as estatísticas, tem a mais baixa taxa de cultura cinéfila (ou de leitura, já agora...) bom, isto por si só já é obra.   "Vês o efeito da propaganda? Picardava o neurónio ocipital.  Achas que sim, oh cromo? Vinte e seis dias depois da estreia nacional? Ripostava um dos do lóbulo frontal.  Em parte, talvez... mas no todo, duvido - atiçava o segundo dos frontais, prosseguindo: Ó "neurónio ressabiado", pá. Aqueles anos de neve na infância passada pelos Pirenéus Bascos afetaram-te mesmo do clima, com certeza..." E a Sala continuava enchendo.   É relevante e sintomático o percurso cultural dos Portugueses. Eles aprenderam a ver televisão, antes mesmo de terem tido oportunidade de aprenderem a ler. Sim, literalmente. E esse fenómeno, de certo modo prolongado pelos próximos 30 anos é determinante para o nível e exigência cultural que demonstramos hoje. Com o aparecimento das primeiras emissões da RTP nos anos 50 num pais maioritariamente analfabeto como o era o nosso, o povo entra em transe com emissões de futebol, festivais da canção ou concursos. Entre os prazeres de assistir, ver e ouvir as emoções de "Gabriela" ao vivo, in loco na pequena "caixa mágica" ou deleitar-se na leitura da mesma, escrita pela pena de Jorge Amado, a escolha seria óbvia. E se hábitos de leitura  nunca pegaram, os da sétima arte então, nunca vingaram.  Os Portugueses continuam a ser os cidadãos da Europa que menos cinema frequentam, onde mais salas fecham ou as cadeiras livres abundam.   Mas cultura? O que é isso da cultura? Depois de alguns anos de investimento nesse sentido, o atual governo português retrocede dizendo-nos que, por culpa da crise... há que exterminar, precisamente este Ministério, o da Cultura. Foi a primeira das Reformas de Estado a pôr em prática, aquando da remodelação de Ministérios. A população, a que "sabe ler" inclusive nas entrelinhas, retira daqui outras leituras: demonstram-nos o modo como os dirigentes do país, eles próprios uns incultos, encaram o assunto. Numa atitude "comezinha", "portuguesinha", revivem-se memórias antigas: "cultura é no campo, no lavradio. A cultura do ancinho, da enchada, do terreno que germina. Recupere-se a agricultura, a verdadeira cultura." Como em tudo, há que definir prioridades.   Alors, e o filme? O filme... bon, c'est ça: "La Cage Dorée" -  A Gaiola Dourada escreve-se, fala-se e protagoniza-se na mais francesa e incontornável de todas as cidades - aquela que, dentre todas as outras, mais portugueses acolheu em todo o mundo: Paris. Na película estereotipa-se uma família emigrante portuguesa. Mas a estória extravasa o que se possa considerar ou etiquetar como sendo ex[...]



Porto; Ponte, Vida - 2 : P. Futre & Luta de Classes

Tue, 13 Aug 2013 09:53:58 GMT

 

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Para festejar o seu décimo aniversário, a revista So Foot, nascida com um capital de 450 euros, apresenta 198 páginas de entrevistas "orgásticas" com jogadores que marcaram e pontuam a história do futebol moderno. 

Dado a conhecer, graças ao FC Porto, com a conquista da Liga dos Campeões Europeus em 1987, Paulo Futre é o único jogador Português presente no conjunto de entrevistados, destacando-se, assim, com Platini, Zidane, Ronaldinho, Hagi...

 

Após a consagração da Liga dos Campeões Europeus, Paulo Futre é transferido para o Atlético de Madrid por 400 milhões de pesetas (2,2 milhões de euros). A segunda maior transferência de sempre para aquela época. E esta transferência desagua, com o tempo, em outras. E, no âmbito da sua carreira, Paulo Futre, conhecerá Berlusconi e Bernard Tapie homens que, ainda hoje, são actores da actualidade internacional. 

Nascido em 1966, numa família operária de Montijo, Paulo Futre, depressa toma consciência da sua condição social e define-se como anti-burguês. O seu primeiro salário é destinado a comprar um gira-discos e para ouvir a música de Queen e, se a história se repetisse, tornaria a fazer greve, como jogador, aquando a Copa do Mundo de 1986. 

 

Poder-se-ia continuar a descrever a entrevista com Paulo Futre e, no fundo, poder-se-ia pensar que este depoimento não aponta nada de novo se não existissem estas palavras do mesmo Paulo Futre:

 

" ... (eu) não compreendia nada, não compreendia que se ganhássemos a final (LdC) todo o povo do Porto, ricos e pobres, ficaria feliz. E se perdêssemos todos chorariam. Porque só no Porto é que é assim."

 

Haverá melhor do que estas palavras para definir uma nação? 

O Porto é uma nação!

Fonte: So Foot - 10 ans - n°108 - pp.180-184

Nuno




Porto; Ponte, Vida - 1

Wed, 07 Aug 2013 08:56:43 GMT

 

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Em seis de Agosto de 1968, Miguel Torga, visitou Vilarinho das Furnas, no Gerês, véspera do dia em que esta Aldeia foi inundada. Como outras comunidades comunitárias foi escolhida consciente e politicamente pelos Serviços Florestais dependentes do governo fascista. Os sectores geográficos correspondentes à construção das barragens foram determinados, essencialmente, por razões ideológicas. Era necessário desenhar uma unidade que nunca existiu. Aceitar que "para lá do Marão mandam os que lá estão" não era compatível com o conceito de centralismo.

 

A diversidade de inúmeras "minha terra = meu país" não é incoerente com uma vivência de 8 séculos no âmbito da mesma fronteira administrativa e nacional. Miguel Torga como Fernão Magalhães é Transmontano. Se Miguel Torga, prémio Internacional de Poesia em 1972, é um ilustre desconhecido em Portugal, Fernão Magalhães, o maior navegador Português, não figura no monumento realizado em honra dos descobrimentos.

 

Não se trata, nesta nova rubrica, de construir novas teorias ou ideias. Sim de disponibilizar documentos sobre a cidade do Porto e a sua história que o centralismo lisboeta procura apagar ou normalizar na memória colectiva dos Portugueses.

 

Na foto, tirada em 1963/4, aparece a seleção de andebol da cidade do Porto. Esta seleção reunia jogadores de vários clubes da cidade Invicta e participava em torneios na Galiza. O quadro da foto é o campo de andebol do antigo complexo desportivo do FC Porto, situado na Rua da Constituição. Este complexo, guardando-se a fachada, foi totalmente renovado. 

 

Fontes: Miguel Torga, En franchise intérieure, ed. Aubier Montaigne, Paris 1982, p.347 | O Título é tirado do nome duma novela, em honra do Porto, do escritor Brasileiro Moacyr Scliar | A foto é minha

Nuno