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impavidainpada





Updated: 2014-10-05T01:05:05.124-07:00

 



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2010-10-09T15:59:20.570-07:00

Quanto te vi, uma árvore de frutos podres cresceu em mim. Os galhos perfuraram minhas costelas e atravessaram a pele, o sangue se esparramou pela minha barriga e alcançou os dedos dos pés. Um pequeno reluzente vermelho lago formou-se ao meu redor, onde moravam um tubarão (que comeu meu menor dedo do pé esquerdo) e um tenso jovem indefeso peixe de duas cores. Eu não me importava. O sofrimento era a minha opção enquanto o amor não dormia. Então as raízes se entrelaçaram em minhas veias e as esmagaram como cobras católicas carinhosas calculistas calcificadas. Já não podia respirar graças aos dois galhos secos que arrombavam minhas narinas, que já estavam grandes como brancas bolas de golfe. Embora tudo fosse vermelho, o que eu enxergava era de um azul infantil, porque era isso que eu era. A dor era o melhor caminho para paz. E eu só pensava que precisava honrar aquele sentimento que fora inventado por minha criança. Quando começou a nevar a árvore já não cabia em mim e, de repente, a árvore era eu. Era eu! A árvore mais triste já plantada.



8 Comentários

2010-07-13T06:18:52.838-07:00

Escrevi um roteiro faz muito tempo, chamado "Amarillas", ele foi escrito para a Carolinie, o Rael Barja e o Humberto Carrão. Deixei a idéia de lado. Muito tempo depois o Guga, namorado da Carol, falou que nós tinhamos que montar aquele texto. Ok. Eu falei que eles deviam fazer o que quisessem. A Carol readaptou ele, tirando várias coisas... uma das partes tiradas foi uma onde Bella, a personagem da Carol, lia um texto de um amigo desgostoso. Esse:

“O que fazer quando os olhos desejam chorar as arregaçantes dores do mundo? As lágrimas, então, dilacerariam também a pupila, a retina, a cor e o brilho? E aí vem a boca. Grande, cheia de dentes e medo. O que quer dizer? O que fazer quando ela deseja despejar seus gritos guturais e selvagens, gritos que gritem a dor daqueles que são os quase defuntos que possuem suas quase vidas calcadas na desilusão? O que fazer quando a boca quiser vomitar o nojento que corre dentro do próprio nojo? E quando os ombros não suportarem o peso elefantinóide de toda a mediocridade que roda na ciranda? O negro da vida às vezes - e só às vezes - faz sombra no que é perfume. A sorte é a disposição humana de ver com olhos doces e lubrificados de esperança. A existência é bela justamente porque existe, mesmo que seja qualquer beleza a maquiagem profunda da angústia da existência, que torna suave sua epiderme inconstante e seborréica. Ai, ai. O que fazer quando os olhos desejam chorar as arregaçantes dores do mundo?”

Tinha me esquecido que esse texto existia e que eu gostava dele. E que eu gosto dele, principalmente porque me lembra um jeito que eu escrevia e que eu perdi... enfim...

PS: Pelo o que tô vendo, esse texto vai ser filmado! Assim espero!



0 Comentários

2010-07-06T18:37:37.583-07:00

Bom, a primeira fase já foi! Agora vamos passar para próxima: a escolha do MELHOR roteiro para ser filmado. Os três melhores roteiros escolhidos pelo júri: Júlia Bernat, Marcella Rica, Carolinie Figueiredo, Humberto Carrão e eu, Johnny Massaro, são:

@ellarafaella: Levou mais um copo à boca. O vício o fez perder muitos momentos. Mas viu que outros também apenas bebiam a vida e não viviam.

@sarinhaps: Menina triste. Óculos. Vê td em preto e branco c/ formas distorcidas, encontra menino q tira seus óculos:cores,luz,sorriso.Vida.

@manuhportes: Uma pessoa andando na rua e em seu pensamento se ouve a pergunta: e se não fosse assim? e se o futuro fosse outro? o q seria?

Escolha o seu preferido e mande pelo Twitter (@joaojorge_) o nome do autor escolhido!

Mais uma vez quero agradecer todo mundo que enviou um roteiro e/ou votou e parabenizar muito os três vencedores!

Beijos,
Johnny.



6 Comentários

2010-06-29T09:48:21.693-07:00

Bom, eu tenho quase 22.000 followers no Twitter porque faço Malhação, e já faz um tempo que eu venho pensando que isso pode e deve ter uma utilidade. Não quero que meu Twitter seja apenas mais um objeto de vaidade. Então, foi pensando em como poderia usar isso de forma produtiva que nasceu a idéia de “Fragmento 95+1” (nome sugerido por @jehfigueiredo).

“Fragmento 95+1” é um projeto que visa se utilizar ao máximo da interatividade e da rapidez fornecidas pela Internet.

O projeto consiste no seguinte: através do Twitter as pessoas são convidadas a enviar mini-roteiros de até 140 caracteres, depois através de um “júri” os três melhores serão escolhidos para que o melhor seja eleito por votação também pelo Twitter.

A segunda fase é onde o roteiro começa a tomar vida. Eu e uma pequena equipe vamos começar a pensar e a construir ele, mais uma vez se utilizado ao máximo da interatividade para ajudar nas escolhas. O roteiro vai ser filmado seguindo algumas regras do Dogma 95 (http://pt.wikipedia.org/wiki/Dogma_95) como por exemplo: câmera na mão, filmagens em locações, filme em cores, nenhuma iluminação especial, nenhum truque fotográfico ou filtro, etc. O filme vai ser filmado em câmera digital, deve ter no máximo cinco minutos e será colocado no Youtube.

É isso, mandem suas idéias e boa sorte!



4 Comentários

2010-06-25T17:25:40.453-07:00

CENA 7 - INT / APARTAMENTO / SALA / NOITE

EVA, BERNARDO E FREDERICO na sala. EVA escreve algo, BERNARDO e FREDERICO tentam construir um CASTELOS DE CARTAS.

EVA
Em que mês a gente tá?

BERNARDO
Janeiro.

FREDERICO
Não. Outubro.

BERNARDO
Tem certeza?

FREDERICO
Faz muito tempo desde o último Ano Novo, a gente ia saber se fosse janeiro.

EVA
A gente pode ter esquecido de comemorar o Ano Novo.

SILÊNCIO.

EVA
Mas tudo bem, a gente comemorou outras coisas.

FREDERICO
É.

BERNARDO
Tanto faz... O Ano Novo é uma invenção burguesa...

SILÊNCIO.

EVA
Bom, feliz Ano Novo, meninos.

FREDERICO
Feliz Ano Novo.

BERNARDO
O tempo tá passando rápido demais...

EVA
Mas a gente tá cada vez mais bonito.

BERNARDO
É.

FREDERICO
É.

BERNARDO
Se bem que às vezes parece que o tempo não passa...

EVA
É.

O CASTELO DE CARTAS cai.

BERNARDO
Feliz Ano Novo.

Corta para:



2 Comentários

2010-06-24T18:09:05.761-07:00

"Máscaras" é a minha primeira experiência solo em roteiro e direção de Cinema. "Máscaras" é um documentário-ficção sobre Teatro, produzido na Disciplina "Prática e Teoria Documental" do Curso de Cinema da Universidade Estácio de Sá. O filme conta com entrevistas de Ana Abbott, Alice Borges, André Dale, Angela Dip, Ana Kfouri, Daniel Boaventura, Daniel Herz, Georgiana Góes, Isaac Bernat, João Fonseca, Júlia Bernat e Soraya Ravenle, alem da atuação da atriz Carolinie, interpretando seis personagem diferentes.OS LINKS SÃO: PARTE 1: http://www.youtube.com/watch?v=R0N4QO4pg3EPARTE 2: http://www.youtube.com/watch?v=Dim05Ep7nawGeorgiana GóesAlice BorgesFicha Técnica:Atriz: CarolinieRoteiro e Direção: Johnny MassaroDiretor de Fotografia e Operador de Câmera: Gabriel CoelhoAssistente de Direção: Érika Palmer e Wanessa AlvesDiretor de Produção: Leonardo PapaMontagem: Marco VieiraSom Direto: César CarrapitoFigurino e Maquiagem: Érika Palmer e Wanessa AlvesContra-Regra: César Carrapito e Leonardo PapaStill: Érika Palmer[...]



11 Comentários

2010-03-06T10:55:57.351-08:00

Cena do documentário "Máscaras". Atriz - Carolinie.

CENA 4 / INT / TEATRO

ATRIZ está sentada no proscênio lendo um texto.

ATRIZ – “Peço-lhe que tente ter amor pelas próprias perguntas, como quartos fechados e como livros escritos em uma língua estrangeira. Não investigue agora as respostas que não lhe podem ser dadas, porque não poderia vivê-las. É disto que se trata, viver tudo. Viva agora as perguntas. Talvez passe, gradativamente, em um belo dia, sem perceber, a viver as respostas. Talvez...”

Da coxia ouve-se um “Shi!!!”, a ATRIZ vira-se e não vê ninguém, volta a ler.

ATRIZ – “Também a arte é apenas um modo de viver, e é...”

A mesma ATRIZ aparece pela coxia, meio receosa, e mais uma vez pede silêncio, dessa vez ela possui um chapéu coco e um pano sobre os ombros. Essa é sua parte mais medrosa.

ATRIZ 3 – Silêncio!

ATRIZ – Por que?

ATRIZ 3 – Não tem medo de falar?

ATRIZ – Não. Mas se quiser posso me calar.

Silêncio.

ATRIZ 3 – Fala alguma coisa! Não tem medo do silêncio?

ATRIZ – Tenho.

ATRIZ 3 – Eu também. O silêncio é realmente apavorador, mas pra nossa sorte ele nunca é
plenamente experimentado. Não nesse mundo. (T) Você tem curiosidade?

ATRIZ – Sobre o que?

ATRIZ 3 – Sobre tudo.

ATRIZ – Tenho.

ATRIZ 3 – E não tem medo disso?

ATRIZ – Tenho.

ATRIZ 3 – Eu também.

ATRIZ – Porque não senta aqui? Do meu lado?

ATRIZ 3 – Tenho medo de não conseguir me levantar depois.

ATRIZ – Faz sentido.

ATRIZ 3 – Tenho medo de você também.

ATRIZ – De mim?

ATRIZ 3 – Sim. Principalmente nos últimos tempos, você tem andado realmente assustadora.
Sorte minha que a conheço bem, caso contrário nem estaria conversando com você e então você teria que enfrentar sozinha o pavor da solidão.

ATRIZ – (p/ si) Pelo o que eu to vendo, seria um prazer experimentar um pouco de solidão hoje.
ATRIZ 3 – De tudo, a solidão é o que mais me assusta. E olha que tenho medo de muitas, muitas coisas.

ATRIZ – Ultimamente a solidão tem sido o melhor lugar para se sentar e ficar, por horas.

ATRIZ 3 – Por isso que você está assim, triste. A felicidade é a solidão compartilhada. Eu seria feliz se não tivesse medo da felicidade, da solidão e de compartilhamentos. (ela olha pro palco) Esse teatro vazio, toda essa poeira e esse ecoar eterno de aplausos que já morreram... isso assusta! O teatro é um belo monstro.

ATRIZ – É... um belo monstro...



12 Comentários

2009-12-24T06:52:56.567-08:00

Se olho bem de frente pro rosto da vida posso ver no brilho dos seus olhos uma espinha de mentira, com se o lacrimejar entre as pálpebras fosse pretensiosamente delineado para ser o retrato vivo de um abismo. Aí penso. Um passo. Dois. Três e no quarto eu mesmo me empurro - meio sem querer mas querendo muito - me jogo no preto profundo da dramaturgia social. Lá no fundo penso no amor e em como seria bom gasta-lo sem culpa em todos os orifícios que me fossem permitidos. Lá no fundo penso em escalar o abismo de volta à luz, mas dentro de mim está aquela sensação de que o fundo é tanto para baixo, como para cima. Então penso que somos buracos. Buracos onde nós mesmo nos enfiamos, envergonhados sem realmente experimentar a real vergonha da beleza de ser quem somos. Lá no fundo do meu buraco eu me habito e no fundo da minha habitação estão as minhas vaidades, as minhas paixões e a minha loucura, que nada mais é que o resultado da soma das minhas vaidades com minhas paixões. De repente, caído no fundo do abismo, começo a me enxergar como eu realmente não sou: porque quanto mais fundo se vai, mais escondidos estamos perante nós mesmos, porque todo fundo é o mesmo fundo, e nele não se encontram particularidades, nele se encontram coletividades e até, quem sabe, Deus. Então quando me enxergo por completo, iluminado pelos meus próprios lustres, me vejo vermelho de tantas lágrimas de sangue derramadas por todos meus olhos que choram suas divinas dores. Eu não me encontro quando estou só, eu me encontro quando estou afim de mim mesmo. Quando me calo sinto o mundo acontecer no meu silêncio. E daí, quando minhas duas cascas se tocam, nasce o fedor que me faz sorrir, sofrer e escrever. Falando a verdade, eu não quero que uma multidão me ouça, basta apenas um: eu mesmo. Por fim, nesse abismo, penso que não quero nascer de novo, eu quero mesmo é morrer pela última vez e só.

Ao meu Trio de Anjos.



7 Comentários

2009-10-17T19:19:29.014-07:00

Um não-lugar. Não-pessoas. Não-sentimentos. Um não. E ao mesmo tempo tudo ao avesso.

UM
Em que momento a gente morreu?

DOIS
É menos deprimente procurar saber quando nascemos.

UM
Morrer foi bem pior.

DOIS
Em nenhuma ocasião seria o avesso disso.

UM
Porque?

DOIS
Porque o que?

UM
Porque aquela montanha está com cara de sozinha?

DOIS
Eu ainda te amo.

UM
Eu não sei mais.

DOIS
Tudo bem.

UM
Tudo bem? Nada está nunca bem.

DOIS
Tudo está nunca bem.

UM
E se eu gritar agora?

DOIS
Vai fazer você se sentir melhor?

UM
Sim.

DOIS
Então faça.

UM
Não consigo.

DOIS
Então esqueça.

UM
Preciso ouvir uma música que me faça chorar.

DOIS
Suas lágrimas estão teimosas?

UM
Não tenho mais lágrimas.

DOIS
E sorrisos?

UM
Eu os perdi numa caixa amarela.

DOIS
É como se não existisse...

UM
A caixa?

DOIS
A gente.

UM
Me faltou ar agora.

DOIS
Não existir dói?

UM
Não existir é o mesmo que estar boiando numa piscina de saliva, que ao mesmo tempo que corrói, anestesia. Come a carne, e isso mata, mas deixa o osso exposto e livre, e isso é alegre.

DOIS
Eu não te amo mais.

UM
Porque?

DOIS
Não sei.

UM
Porque?

DOIS

Não sei.

UM
Porque aquela árvore dança sozinha?

DOIS
Porque a solidão é a melhor companhia.

UM
Por isso eu danço só.

Silêncio.

UM
Pra onde foi o amor que há um minuto atrás existia?

DOIS
O amor é um maratonista.

UM
O nosso ultrapassou a linha de chegada.

DOIS
Não. Ele tropeçou e quebrou todos os dentes, fraturou a terceira costela do lado esquerdo de cima para baixo e já não enxerga tão bem graças a uma pedrinha que arranhou a pupila.

UM
Porque as nuvens rastejam e não correm? Elas não tem pressa?

DOIS
Pressa pra que se têm consciência de sua finitude?

UM
Pois então.

DOIS
Eu te odeio.

UM chora.

UM
Minha cabeça ainda cabe no seu colo?

DOIS
Não.

UM
Nossas mãos juntas ainda têm seis dedos?

DOIS
Não.

UM
Nosso amor é um rock ou um jazz?

DOIS
Nosso amor não tem melodia. É música de surdo.

UM
Em que momento a gente morreu?

DOIS
A gente não morreu.

UM
Não?

DOIS
A gente nunca existiu.



3 Comentários

2009-09-15T12:15:28.932-07:00

Lá vem a Boca, cheia de dentes línguas, molhadas de saliva e saliva. O que quer dizer a Boca? Está torta e sinuosa e obliqua e reta e redonda. O que quer dizer a Boca? Quer me falar dos sonhos? Quer me falar da raiva? Da vitória que desce na ladeira de grau noventa? Quer me engolir? Me deglutir? Me degustar? Me desfigurar? Me engole Boca, mastigue a carne e me livre dos parasitas parasitórios paranormais. Mastigue meus ossos e me diga o sabor do cálcio. Tem sabor de leite? Tem sabor de osso de galinha? Vem Boca! Vem Boca, mastigue minha alma que é doce de goiabada marmelada caramelo marshmallow, que é limão lima jabuti javali melão melancia. Mastigue minha alma e triture trinta e três trilhões e três trinquatilhões e três gramas, triture os recôncavos de falsa preposição, de muita pretensão, mastigue as pequenas grutas microscópicas do que acredito que (RISADAS RISADAS RISADAS) que que que que sou. VEM BOCA! Não está raivosa? Esse espuma é esperma ou ódio? É esperma ou ódio? É esperma ou ódio? É esperma ou ódio? É lindo ou bonitamente horrendo? Vem. Come corpo, come o que acho que sou como corpo, come o que sou como ser e o que acho que sou como ser, para só então eu, charfundado na bosta, de novo e sempre de novo me procurar nos meus caquinhos por aí. Vem Boca, derrama sua saliva na minha, a sua, incandescente, na minha, pálida que nem índio europeu. Vem Boca, mastiga meus dentes com os seus. Do que ri, Boca? Do meu nariz de palhaço demitido? Do que ri, maldita Boca? Dei-me um bocado de tua boca, Boca. Me de tua risada que preenche o mundo dessa felicidade sem resposta, dessa felicidade sem porque mas que é modelo da SPFW. Ri de mim? De minzinho? Tão pequeninho? Menos do que o menor dos teus quase noventa caninos. Ri logo de mim, Boca? Logo de eu que sei de tua existência? O certo é ficar cego? Me lambe Boca, não como cachorro, mas como amante. Me lambe com teu sexo, me banha com teu sexo e me transforma-me a mim-me me-mim em sexo carne e puro, vermelho e puro. FALA BOCA! FALA! Diz. Está pulsante? Ensanguentada? Esporrada? De angustia semelhante àqueles que carregam na testa o chifre do bode? Vem, Boca, diz o que tanto precisa dizer e o que tanto preciso ouvir. Vai. Vai! VAI! VAI! VAAAAAAAAAAAAAAAAAI! Diga. Por favor, please, please, peace, please, porfavore. Não me responde com seu silêncio. Não, com ele não. Com ele não! Não Boca! Silêncio. Silêncio. Esse silêncio que existe somente quando não se fala consigo, silêncio este signo da tal morte, da tal dúvida. Não me responda com este silêncio que engole as certezas do mundo. Tenha piedade, Boca. Porque, Boca, me açoita com seu chicote mais violento? Aquele cheio dos espinhos espinhudos. Donde vem tanta fúria? Da goela? Da garganta? Do cu? De onde vem tanto desafetuosidade se és só boca e não tem nem sexo. Desculpe, desculpe, desculpe. Sou eu o sem sexo, não tu. Ah, Boca, diz. Vamos, diga! Diz quando vou deitar minha cabeça no travesseiro de plumas chamuscadas. Diga ou me devora por completo, se não fazes deixas que eu mesmo me como. Tu ou eu? QUE SILÊNCIO É ESTE? Que silêncio é este, santo? Vem de que anus? Vem da boca muda de Deus ou da do Diabo? Ou vem da boca muda do primogênito de Deus com o Diabo? Porque é isso que somos. És tu boca o orifício divinodiabólico pelo qual saem as coisas que devem entrar? És tu Boca um relógio maçante, uma solidão retumbante? És tu Boca que prende na língua anfíbia a noção da liberdade, do true love? És tu Boca a própria boca de minha boca bocuda bocarra boca oca louca pouca? És tua garganta a caverna onde fica escondida a voz das respostas? És tu o cantor embaralhado da minha angústia? És? És tu? Fala Boca, ou me coma por completo, ou me coma por... gluft!



1 Comentários

2009-09-13T18:46:34.312-07:00

O Roacutam não me deixa mais escrever.



6 Comentários

2009-09-06T22:35:02.303-07:00

(image)

Augusta

Angustiada angústia
Angustia o ser
Augusta angustiada
Não pode assim viver.

Augusta angustiada
Não se dá tempo
De angústia sufocada
Vê angústia até no vento.

Angústia envenenada
Mata Augusta angustiada
Dentro de si trancada.

Augusta angústia
Vê no simples ser
Toda angústia de viver.




1 Comentários

2009-08-29T09:48:55.426-07:00

(image)
Luz. Ausência. Preto. Luz.
Uma estrela cadente atravessa o que se tem, o que está flutuando no nadazul. A estrela passa e dança no blue e fica. Dança alegre. Estrela rodopia como se amanhã fosse só mesmo amanhã. E a estrela sorri, larga, bem larga. Sorri estrela, sorri pra mim, pro mundo, seu brilho nunca será meu, nem o que tens de mais fugaz será meu um dia, tu e tua cadência é do mundos. Sorri estrela, atravessa, traz felicidade, és a felicidade. Dança estrela, roda roda roda roda roda roda roda roda roda roda roda roda roda roda roda roda roda, roda estrela louca que roubou de mim a escolha, estrela louca que me tirou o pouco que ainda restava d’eu. Vai, tu é cadente, nasceu pra passar rápido e ficar guardado sempre, como se fosse o desejo que o próprio desejo tem. Sorri estrela, que aí mora tua vida. Na tua língua, estrela, guarda um nome que não o meu, no teu coração, estrela, bate tum tum tum de uma galáxia distante de alguém bêberrante. Sorri estrela, sorri estrela. Estrela sorri para o mundo, és do mundo, bonita estrela da minha inspiração triste.
Luz. Ausência. Preto. Luz.
Cadente que passou e que ficou aqui no meu céuzin nubladin. Sorri estrela, porque teu sorriso floresce meu amor que vai na frente desaguar num rio de tristeza. Sorri estrela, dança estrela, ama estrela, beija estrela, colore estrela, rodopia estrela, canta estrela. Estrela de pele e asa, de osso e azul, pêlo grosso e lágrima, estrela inquieta e apaixonante, que cortou o céu que não o da minha janela. Estrela. Luz. Imensa luz. Vasta luz. Giramundo lá luz lú nu. Estrela, como dói ver-te brilhar, como dói ter que te assassinar, assim, antes do feto virar gente. Mas continua sorrindo estrela, essa dor é minha. Sorri estrela e deixa eu chorar. Leviana. Magnética. Estrela cadente cadunga calunga capenga cádentro. Sorri estrela e me deixa gritar. Sorri estrela, sorri estrela, sorri estrela.
Sorri por ser estrela, sorri por ser cadente.



4 Comentários

2009-08-23T17:45:33.410-07:00

Descobri que minha solidão não é uma fuga, é uma prisão. Descobri que sou feio, mas ainda mais quando olho pra dentro. Descobri que sou simples, mas só quando não posso ser complexo. Descobri que sou velho, mas só porque tenho medo da minha criança. Descobri que sou rio, mas que desejo muito ser mar. Descobri que sou seguro, mas só porque os outros me querem inseguros. Descobri que sou uma pena, mas só porque não posso ser a ave inteira. Descobri que sou um pequeno pedaço, mas só porque tudo é pequeno e tudo é pedaço. Descobri que sou dança e música, mas que isso tudo é. Descobri que sou sorriso, mas só porque o outro lado é encardido. Descobri que sou um caminho sem fim, mas que o fim nunca é fim. Descobri que minhas virtudes não são um presente, mas que são fardos a serem desenvolvidos. Descobri que sou o oposto do que sou, mas que isso ainda é tudo que alguém pode ser. Descobri que a vaidade é o medo de não ser único, mas que ser único vai alem do que possa ser refletido. Descobri que o silêncio não é uma resposta, é um medo. Descobri que meu pouco barulho não é pouco, nem é barulho, é só a minha maneira capenga de não ser. Descobri que Deus é tempo, mas que tempo não é um Deus. Descobri que angústia é ruim, mas que não tê-la é a morte. Descobri que o melhor dançarino é o mar, mas que sua platéia é ingrata. Descobri que pessoas precisam de pessoas, mas que eu, mais do que ninguém, não sabe lidar com essa verdade. Descobri que querer é bom, mas que não querer é ainda melhor. Descobri que o amor não pode ser descoberto, mas que isso me dá ainda mais vontade de amar. Descobri que o segredo é necessário, mas que o necessário nem sempre é a melhor opção. Descobri que a liberdade não é algo que se alcança, mas algo que se sonha. Descobri que, na verdade, nada se descobre, mas que a tentativa é bonita.



4 Comentários

2009-08-23T14:08:09.403-07:00

O que vale mais?
Um começo
Ou um fim?

O que vale mais?
A mosca que vai nascer
Ou a que já nasceu?

O que vale mais?
Um velho sábio
Ou um jovem que pretende?

O que vale mais?
Dois azuis
Ou um vermelho?

O que vale mais?
Um dente solto
Ou um farol vazio?

O que vale mais?
Um pequeno amor
Ou uma grande dor?

O que vale mais?
Meu sorriso
Ou tua lágrimas?

O que vale mais?
O presente momento
Ou o momento presente?

O que vale mais?
A dúvida que constrói
Ou a que destrói?

O que vale mais?
Um quilo de tudo
Ou um quilo de nada?

O que vale mais?
O meu segredo
Ou o nosso segredo?

O que vale mais?
A foto
Ou o instante?


O que vale mais?
A vida
Ou a arte?

O que vale mais?
Uma mão fedorenta
Ou um pé cheiroso?

O que vale mais?
Um espelho
Ou um livro?

O que vale mais?
A folha amarela
Ou a folha verde?

O que vale mais?
Uma partida com lágrimas
Ou uma charrete desgovernada?

O que vale mais?
Um, dois, três
Ou três, dois, um?

O que vale mais?
Um desconhecido
Ou sete conhecidos?

O que vale mais?
A árvore
Ou a escrivaninha em que escrevo?

O que vale mais?
Um ponto
Ou uma vírgula?

O que vale mais?
Uma nota de cem
Ou cem notas de um?

O que vale mais?
Uma vaca inteira
Ou uma retalhada da churrasqueira?

O que vale mais?
Uma azeitona verde
Ou uma azeitona preta?

O que vale mais?
Uma abelha bonita
Ou uma abelha feia?

O que vale mais?
Uma pessoas
Ou um casulo recheado?

O que vale mais?
O visgo
Ou o vesgo?

O que vale mais?
Uma mordida
Ou uma dentada?

O que vale mais?
The mouse
Or o rato?

O que vale mais?
Deus
Ou um iPod?




5 Comentários

2009-08-11T07:32:39.255-07:00

Se o seu sorriso se visse sorrindo jamais tornaria a abrir novamente os lábios, tamanha a indignidade de tua sedução.



3 Comentários

2009-08-09T14:39:53.052-07:00

A que moça pertence o útero das minhas dores? É do mesmo útero os amores? Ou sou eu o dono do útero? Sou? Sim. Eu sou a moça parideira de todas minhas enfermidades, infernidades e doçuras.



2 Comentários

2009-08-08T19:39:16.764-07:00

Na língua um gosto de pré-vômito, como se ela ainda rosasse aquele amor mau comido do dia passado. O desabor vem do fígado ou da frustração? Ou vem de um terceiro? Um bípede encaracolado? Um barbado cheio de dentes de leão? Hein? E em que caixa eu guardo isso que, de repente, se iniciou? Ou eu enfio lá cá em baixo? Hã? Quando alguém põe em dúvida sua vontade de respirar, esse alguém merece todo seu ar, só por te fazer balançar.



7 Comentários

2009-08-06T05:51:17.382-07:00

(image)
Quatro. Quatrinho. Quatrão. Quarto. Quartinho. Quão. Qualquer. Qual?

Vi Pequena Sereia. Num mar sem nome. Vi ela lá longe. Foi pra longe essa Sereia. Tem problema não. Porque nós tudo faz grupo. Eu - sei lá quem sou - a Sereia, a Sra. Nunes e o Porrada Paulista. Faz grupo nós. Faz grupo.
Sereia foi pra longe. E Nunes foi pra dentro. Dentro dela. Foi pra dentro do estômago. Sei lá. Deixa ela lá. Vai que sai junto com brigadeiro? E O PP tá aqui. Tá ali. Tá lá longe. Ele tá em todo lugar. Porque é assim. Ele é assim. Eu sou assim. Ela é assim e a outra é assado. É todo mundo diferente. Mas muito unido por alguma coisa sem nome como o mar.
HAHAHAHA.
O Homem deu nome pra mar? O Homem deu sim. O Homem deu nome pra mar. Burro! Como dar nome ao mar? Tem linha que divide um do outro? E os peixes respeitam as fronteiras? As águas são diferentes? Não Homem. Não. Não e muitas outras vezes não. Mar não tem nome. Nem a coisa - aquela coisa lá - que nos une. Une porque une. Une porque a gente se encontra na orgia das nossas diferenças tão parecidas. É. É.
E tudo junto. E tudo briga. E tudo chora. E tudo ri. E tudo fuma. E tudo grita. E ri. E chora. E beija. E lê. E pensa.
PENSA?
Pensa mesmo? Sei não. Nós tenta. Nós paga de intelectual. Nós paga de Leblon. Nós paga de Literatura. Eu pago mais não. Eles - acho - também não. Aprende-se a se respeitar. Não com a idade. Mas com outra coisa que não a idade. A maturidade? Sei lá. Tem idade em maturidade. Tem sim. Ali no final tem a idade: matur idade. Ai ai! Que lambança de linguagem é essa. Mas a gente se entende. A gente quem? Eu finjo que entendo. Finjo porque tem que fingir que entende. Mas pelo menos a gente sabe que assim não é. E se é a gente talvez não quer que seja. Porque a gente é assim. Sei lá. A mistura muito colorida de branco. Vermelho. Azul. E. Verde. Quase a bandeira gay. Quase a bandeira. É. E bandeira é coisa que nós não tem. Tem não. E importa? Não sei. País que se preze tem. Estados Unidos têm. França também. Se até o Brasil não rasgou a bandeira diante de tudo aquilo lá.
HAHAHAHA. É pra rir.
Sereia foi, mas um dia volta. Tá vindo aí. Quem tá vindo? Quem tá vindo? A gente espera. Espera chegar. De braços abertos e corações grandes. A gente espera. A gente espera. A gente vai sempre se esperar. Grato. Grato. Grato. Grato.
Muito mais que grato.



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2009-07-12T20:20:18.512-07:00

... pela primeira vez o sentimento impede as palavras de sairem da maneira que deveriam, estou ao mesmo tempo tão confuso e tão certo dentro de um concretismo incerto, absolutamente inconcreto sólido, pela primeira vez... pela segunda... pela terceira... e quantas vidas e palavras se façam necessárias para que eu aprenda, para que eu chore as lágrimas na hora em que elas devem cair (E ELAS DEVEM CAIR SEMPRE)... cada vez mais e pela primeira vez sempre... obrigado sempre, pela primeira vez de novo e de de de... dé, bonito, obrigado, o o o o o o o o o o bri - ga - da de di dó dú dé dale.




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2009-07-03T05:43:27.094-07:00

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AMPUTADO

Meus olhos estão mais verdes hoje. Mais verdes que ontem. Estão cheios de maresia, cheios da minha juventude, do meu medo giratório e transmifigurativo. Mais verde do que jamais ousaram estar. Hoje eles são televisores de alta definição, de plasma sanguíneo, de glóbulos homossexuais, televisores tecnotecnotecnoprólogicamente atrás atrasados. São espectros, espectadores dos outros, fantasmas, rascunho corpóreo do próprio estado de minha mais que minha própria alma. Tenho sessenta e quatro anos de angústia. E tudo em mim se repete repetitivamente repetidamente, como se eu mesmo não pudesse me cansar de mim mesmo. Mas eu me canso. Mas eu me cansei. Cansei-me do me, do seu, do sí, do sol, do sou. Não é possível? Como não se digo que estou cheio de mim? Do verde, da pu pu pu pu pu puta pupila, da corzinha da pele, da corzinha da alma, dos neurônios infuncionais e preguiçosos. Cansei de mim só porque antes cansei-me da vida e o que é cansar-se da vida senão cansar-se de si próprio? Estou cansado de tudo e ao mesmo tempo tão ávido de oxigênio, de penetração, de nicotina e revistas de revistas. Sincronicamente dislexo, prolixo, pro lixo, pró lixo, pré e pós e pus lixo e pedra preciosissima de neón laranja fosforescente e histérico. Existe no mundo algo mais carente de atenção que neón? Sim. As estrelas, só brilham por carência, assim como eu. Mas sou carente do que, se a solidão me é tão apetitosa? Se sei que minha feliz felicidade depende só e solamente de mim? Isso é um cuspe de alívio e um cuspe de angústia, me construo para comigo destruir meus ossos, que são tão meus, e que mesmo assim não os conheço. Não sei de sua cor e espessura, nem do seu gosto de cálcio, assim como minha carne. Será mesmo que é vermelha? E se for amarela? Será mesmo que é amarga? E se dor doce como algodão doce caramelo cara de camelo cameleão caramujo cacau? Como conhecerei a mim se o que me constitui me é estranho? E se amputassem minhas pernas de forma carinhosa, juntos com meus braços, seria eu ainda eu, claro. De alta estima e competência baleados de certo, mas ainda sim eu e tudo que sou. Chega. Vou comer.



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2009-06-26T09:07:33.613-07:00

Estou sentindo o tempo passar.

Estou sentindo o tempo correr.

Estou sentindo o tempo comer.

Estou sentindo o tempo morrer.

Estou sentindo o tempo matar.


Passar pelo o que?

Correr por onde?

Comer o que?

Morrer quando?

Matar quem?

Hein?




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2009-06-24T15:25:30.582-07:00

O BEZERRO ATAÍDEJoão era menino quando pela primeira vez saiu de sua fazenda no interior do interior para a cidade. Cidade não é chamada de exterior, e também não pode ser chamada de interior. Então porque o campo é interior se não existe um exterior? Enfim. Mais uma dessas incoerências da língua. João saiu do interior aos nove. Mas antes disso viveu no mato. Era menino do mato. Cheirava a capim orvalhado e tinha o espaço entre a unha e carne marrons de terra. Não sabia o que era videogame e sua boca quase não era capaz de pronunciar a palavra. João era do mato.Subia em árvores. Andava com os pés nus e de vez em quando colocava minhocas vivas na boca. Era do mato aquele menino. João gostava de gente. Mas gostava ainda mais dos animais. Dentre todos os bichos que João mais gostava, era o bezerro Ataíde o seu preferido. Era um bezerro simpático e gozador. Marrom e branco. João e Ataíde passavam horas juntos. Apostavam corridas, brincavam de pique e adedanha. Não adedanha de papel já que nem João nem o bezerro eram alfabetizados. Mas eles não precisavam da escrita. Ninguém precisa.Eram os melhores amigos de todo o mundo. A brincadeira preferida era queimar os carrapatos obesos de glóbulos que João catava em Ataíde. Uma linda amizade.Foi então que João completou nove e seus pais resolveram mudar pra cidade grande. João não quis. Mas os desejos sérios das crianças se perdem na efemeridade dos seus caprichos bobos. Então Seu José, Dona Rosana e João, O Emburrado, foram para cidade. A família se foi. Ataíde ficou. Triste. Triste. Mais triste que manga arrancada do pé. Os dois amigos não puderam se despedir como deveriam. A despedida entre amigos ou deve ser longa o suficiente pra esmiuçar cada canto do que foi a amizade ou tão curta quanto o máximo de tempo que o ser humano menos resistente consegue agüentar debaixo d’água.O tempo passou. Porque é assim que é. Nós somos obrigados a respirar, o Sol a nascer e o tempo a passar. São leis que existem e que não podem ser reescritas. João virou menino do asfalto. Não só sabia pronunciar videogame como também Playstation e Xbox. E lá longe Ataíde já era boi. João via nascer os primeiros pelos de homem e Ataíde os chifres de boi. Entre os dois ficou aquele abismo. Ambos sentiam saudade um do outro. Mas o tempo havia empurrado até mesmo as boas lembranças para o Aterro Sanitário das memórias. Enfim.Certo dia Ataíde mastigava capim, quando um homem sobre um cavalo passou agitando o rebanho. Todos os bois então andaram para a direção indicada e entraram numa fila delimitada por duas cercas de madeira. Ataíde era o primeiro da fila. O capim ainda na boca. O que estava acontecendo? Ele não sabia. Bateram forte no seu lombo e ele andou para frente. Conduziram-no para um lado mais afastado e cortaram-lhe a garganta com um facão afiado. Ataíde não teve tempo de gritar. O sangue vermelho pulou para fora do seu corpo. Muito sangue. Muito vermelho. Muito quente. Antes de cair Ataíde teve tempo de pensar em João. E no dia em que queimaram quase quarenta carrapatos. Suas pernas já não podiam mais sustentá-lo. Tombou. A morte então assinou seu nome no brilho dos seus olhos. Morreu com João na cabeça e o capim na boca.Ataíde e os outros foram levados sem carinho para o corte. Cortaram-lhes. Foram retalhados em pedaços vermelhos e desfigurados. Viajaram até a cidade grande e lá foram embalados. Os restos de Ataíde foram d[...]



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2009-06-18T17:13:27.150-07:00

Se ele tivesse chegado 12:51 teríamos terminado e eu choraria.

Se ele tivesse chegado 12:50 teríamos brigado e eu gritaria.

Se ele tivesse chegado 12:49 teríamos discutido e eu relevaria.

Se ele tivesse chegado 12:48 teríamos jantado e eu talvez sorriria.

Se ele tivesse chegado 12:47 teríamos jantado e eu sorriria.

Se ele tivesse chegado 12:46 teríamos nos abraçado e eu perguntaria a marca do perfume.

Se ele tivesse chegado 12:45 teríamos nos beijado eu talvez dissesse que o amava.

Se ele tivesse chegado 12:44 teríamos nos beijado eu diria que o amava.

Se ele tivesse chegado 12:43 teríamos deitado e talvez deixasse-o entrar em mim.

Se ele tivesse chegado 12:42 teríamos deitado e eu deixaria-o entrar em mim.

Se ele tivesse chegado 12:41 teríamos um filho.

Se ele tivesse chegado 12:40 teríamos uma filha.

Se ele tivesse chegado...

Se ele tivesse chegado...

Se ele tivesse chegado...

Se ele tivesse chegado...

Se ele tivesse chegado...

Se ele tivesse chegado...

Se ele tivesse chegado...

Se ele tivesse chegado...

Se ele tivesse chegado...

Se ele tivesse chegado...

Se ele tivesse chegado...

Se ele tivesse chegado?

Se ele tivesse chegado?

Se ele tivesse chegado?



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2009-06-14T13:05:05.870-07:00

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VERMELHO

Primeiro preciso dizer que agora tudo é vermelho, embaixo é vermelho, o fogo da vela também, sem esquecer que dentro de mim o que corre também é vermelho, tão tão tão vermelho quanto a tinta de minha caneta ensanguentada. Se eu matar todos os homens do mundo, o mar de sangue que se formaria seria maior em litros do que todo o oceano? Ou não? Ou sim? Que todos morram para que eu, então, possa fazer minha experiência. Juro que escrevo num livro celeste para que os curiosos possam ler no diabo que os carregue. E assim ficarei só só sozinho sou zinho showzinho sonzinho. Bem mais sozinho que eu próprio trancado por mim mesmo em meu quarto. Serei feliz? Não sei, sei que serei sozinho e vermelho de solidão e saudade. Pra começar dançaria nu por aí, tão nu e crepitante quanto a chama da vela que vela meu pensamento. O pensamento. Tudo antes de ser é pensamento, mas o que é o antes do pensamento? Como chama? Pré-pensamento? Um pré pré pré prédio mal rascunhado do que será o que será. O pensamento é uma sacola biodegradável de referências anteriores e, portanto, uma reprodução sempre pessoalíssimo do que se quer passar. E quando sou confuso sou vermelho-vermelhíssimo, quando sou sexo sou azul-azulzíssimo e quando sou eu sou cor de pitanga pêssego transparente. Carrego no nó nu ni mim algo de fim previsível, tudo em mim é assim, como a trajetória de uma vela acesa. Começa, queima, derrete, goza, vermelha e morre. Puft! Paft! Peft! Pift! Sou um patife cor de menino maduro, cor do morango liso, cor da música clássica, cor de fígado transgênico transcendental transeunte. Sou chama.