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Jana Lauxen



Opinativa, porém sem pretensão.



Updated: 2017-11-09T13:33:03.860+01:00

 



Blog novo!

2017-10-07T13:58:44.023+02:00

Estamos atendendo em novo endereço: www.assinadojana.com



Beleza Brutal

2017-09-28T14:08:02.076+02:00

Tentaram te encaixotarTe transformar em uma coisa pequeninaFácil de carregarTentaram te classificarColocar uma venda em teus olhosPra você não mais enxergarTentaram te endurecerTornar teu ser pesado e escuroNão queriam deixar você ver o dia alvorecerTentaram te calarFechar sua boca para sua voz silenciar“Chega de gritar!”, eles disseram, “Chega de incomodar!”Tentaram te domesticarTe impor muitas regras, muitas normasTe pôr numa jaula pra você não mais voarMas nem na jaula e nem na caixa você aceitou morarA mordaça se recusou a usarA venda em teus olhos não conseguiu te cegarA dureza não foi capaz de te paralisarNão sabiam eles que é impossívelEncaixotar, classificar, endurecerEngaiolarUm ser que é livre desde o seu nascerQue não possui um parNão sabiam que não davaPra calar, domesticar e prenderO indomável, o selvagem, Aquilo tudo que vai dentro de você Porque seu corpo não cabe em nenhuma caixaO mar é pequeno demais pra você nadarSeus olhos enxergam mesmo quando estão fechadosSeu coração bate forte demais pra apanharSeu grito grita alto, Foi feito sob medida para confundir e perturbar Minha beleza é brutal, machuca tua fragilidade mudaVocê não me engana, é mais fraco do que se pode imaginarSe assusta com a minha presença, minha existênciaTe revolto e revoluciono apenas por aqui estarEntão vá tirando suas mãos de mimSuas garras, meu amigo, não irão me agarrarSou moça, sou puta, sou minha, sou muitoNão sou mansa e nem santaVocê é pouco, não poderá me parar#MexeuComUmaMexeuComTodas[...]



Wander

2017-09-22T12:59:03.021+02:00

Tietar nunca foi comigo. Sei lá, fico constrangida e desconfortável, não consigo explicar. Mas sexta-feira, dia 15, foi IMPOSSÍVEL me controlar. Porque fui ao show do Wander Wildner, um dos caras que mais ouvi em toda minha vida.
Ouvi Wander quando era adolescente. Ouvi Wander enquanto crescia e me fodia, enquanto me metia em encrencas em série, enquanto tentava entender o que diabos estava acontecendo aqui. Ouvi Wander quando fui feliz, e quando fui triste também. Ouvi Wander quando fui morar longe de casa e me sentia tão, tão, tão sozinha. De certo modo, era ele quem me fazia companhia.
Ouvi Wander ontem, ouço Wander hoje, e com toda a certeza do mundo ouvirei Wander amanhã.
Este foi o primeiro show dele que eu assisti, e nunca vou esquecer – vide minha cara emocionada ali, ao lado dele, tietando descaradamente.
E a única coisa que eu disse pra ele foi: OBRIGADA.
Porque, sinceramente, não havia mais nada que eu poderia lhe dizer. 





Você perde

2017-09-18T15:54:21.606+02:00

Há alguns anos Carazinho mergulhou em uma onda de violência sem precedentes. Casas e estabelecimentos comerciais assaltados à luz do dia. Pedestres roubados em pleno centro às três da tarde. Assassinatos quase não impressionam mais. Neste contexto, uma notícia abalou minha serenidade já escassa: estamos em vias de perder a instalação de um campus do Instituto Federal de Educação, que, se vier para Carazinho, disponibilizará curso superior gratuito para a comunidade, além de ensino técnico profissionalizante. Uma oportunidade única para nossa cidade, que poderá oferecer uma oportunidade igualmente única para aqueles que querem, mas não podem estudar. Os altos índices de criminalidade em Carazinho e o descaso com o campus do Instituto – e com a educação de um modo geral – estão diretamente ligados, uma vez que a violência aumenta na mesma proporção em que as oportunidades diminuem. Na minha visão, o problema da educação em Carazinho (e no resto do país) não é um problema: é um projeto. Estamos carecas de saber que governo nenhum, de partido nenhum, quer um povo pensante e questionador. E qual a maneira mais eficaz de manter o povo alienado, e consequentemente inofensivo? Negando-lhe a chance de aprender, de progredir intelectualmente. Mantendo o nível mental coletivo baixíssimo, fica mais fácil controlar a boiada. Um povo que pensa e questiona torna a vida dos políticos mais complicada. Acontece que este projeto, de manter o povo mergulhado em sua própria ignorância, tem um furo muito grande. Porque a falta de acesso à educação gera falta de oportunidades, que por sua vez gera estagnação de crescimento. Afinal, pessoas que poderiam estar estudando, produzindo, movimentando a economia, e talvez até gerando emprego e renda, acabam inativas, e ao invés de agregar à sociedade, terminam prejudicando-a. Em médio e longo prazo, quantos profissionais Carazinho perderá sem o campus do Instituto Federal de Educação? Quantos talentos acabarão simplesmente desperdiçados? E quantos não se tornarão o bandido que apontará uma arma para tua cabeça amanhã?Manter a massa ignorante pode servir para conservar esta secular estrutura política corrompida, que beneficia meia dúzia em detrimento de muitos. Entretanto, a manutenção da ignorância traz um efeito colateral grave, que afeta a todos, do rico mais rico ao pobre mais pobre. Porque o país onde vive o político é o mesmo país onde eu, você e o bandido vivem. A cidade violenta na qual eu, você e o bandido moramos é a mesma cidade violenta na qual moram nossos governantes. Somos um só organismo, cujas partes precisam funcionar em consonância para haver harmonia no todo. Por isso, não são somente os alunos que perdem o campus do Instituto Federal de Educação. Eu perco; você perde. O mais rico e o mais pobre perdem. O prefeito, o ex-prefeito, o secretário e o vereador também perdem.Carazinho inteiro perde.[...]



Uma pergunta:

2017-09-15T13:39:13.245+02:00

Dizemos por aí que não nos importamos com a opinião dos outros, mas sempre que possível buscamos convencer os outros das nossas verdades, impondo nossas certezas, forçando-os a engolir o nosso ponto de vista – e AI daquele que discordar!
Se a opinião do outro não importa, porque nos importamos tanto em fazê-lo mudar de opinião?



Quem são eles?

2017-09-07T13:36:36.600+02:00

Você já parou pra pensar quem são os homens que alimentam os dados estarrecedores de violência contra a mulher? Quem são estes caras que agridem, espancam, estupram e matam, deixando o Brasil na indigesta 5ª posição em um ranking global de violência contra a mulher?Seis em cada dez brasileiros afirmam conhecer mulheres que foram ou são vítimas de violência. E se você conhece a vítima, provavelmente conhece também o agressor, já que, na acachapante maioria dos casos, a violência contra a mulher é cometida por seu namorado, marido ou familiar.Ou seja: o agressor não é um monstro de sete cabeças no meio da neblina. Ele não é um estranho. Ele é teu amigo, teu vizinho, teu pai, teu irmão. Ele pode ser – veja só! – até mesmo você, caro leitor.Infelizmente nenhum vem com plaquinha de identificação, e este é o maior problema: o fato de poder ser qualquer um faz com que todos pareçam ser, e é assim que nós, mulheres, passamos a viver em constante estado de medo. Medo de usar uma saia muito curta. Medo de pegar transporte público e privado. Medo de andar na rua às oito da noite ou às três da tarde. Medo daquele desconhecido que caminha atrás de mim na calçada. Medo de precisar chamar o encanador para consertar a torneira quando estou sozinha em casa. Toda mulher é uma vítima em potencial apenas por ser mulher. Mas os homens que não são violentos também pagam um preço pelos que são, e acabam indiretamente afetados pelo mesmo machismo que nos agride, nos estupra e nos mata. Afinal, se toda mulher é uma vítima em potencial apenas por ser mulher, todo homem é um abusador em potencial apenas por ser homem. Seria diferente se nós, mulheres, não precisássemos estar sempre alerta. Se pudéssemos confiar no motorista, no encanador, no vizinho, no estranho com quem dividimos a calçada, no amigo que nos dá carona depois da festa. Seria diferente se pudéssemos confiar em ti, leitor.Então, se você é homem e não agride nenhuma mulher; se você respeita uma desconhecida de minissaia na rua do mesmo jeito que respeita sua mãe; se você não bate, não humilha, não estupra e não mata; antes de se levantar indignado, com o dedo em riste, dizendo “mas nem todo homem...” ou “mas eu não sou assim...”, cale sua boquinha, ouça com atenção e observe o seu entorno. Porque palavras rasas de autodefesa não mudam a realidade, não diminuem o nosso medo e nem fazem com que menos mulheres sejam agredidas e violadas. Se você não é, ótimo, mas olhe em volta: você verá que muitos daqueles que te rodeiam, teus amigos do peito, teus bróders, teus camaradas, são os mesmos caras que alimentam as estarrecedoras estatísticas da violência contra a mulher, e me fazem ter medo de chamar o encanador quando estou sozinha em casa.Você também conhece o agressor. Por isso, se o teu amigo pratica violência e você se cala, saiba que você é conivente. E conivência, meu caro, é cumplicidade. Logo, o nosso medo constante, infelizmente, sempre se justifica.[...]



Sexta-feira foi um dia muito difícil.

2017-09-03T14:28:17.361+02:00

Estive no velório do pai de uma das minhas melhores amigas. Mas o tio Teco não era apenas o pai de uma das minhas melhores amigas. Ele era meu amigo também. Sempre que eu ia visitar a Ana ele passava lá para me dar um abraço – e sempre (SEMPRE!) trazia umas cervejas a mais, porque dizia que a Ana comprava pouca cerveja quando eu ia lá, hahaha.Nunca vou me esquecer dos abraços, da conversa boa e leve, do sorriso largo e farto que o tio sempre trazia no rosto, na alma e no coração. Um ser humano especial, de uma energia linda e vibrante, que vai fazer uma falta danada neste mundo careta e quadrado, onde tantos reclamam por tão pouco.O tio viveu como quis, e isso eu admiro demais: ter coragem de ser quem se é, e assumir a vida que você escolheu viver. Apenas existindo, o tio me ensinou muito.Após o velório, triste e cansada, entrei na loja Beija-Flor, da Taly, e me deparei com este quadrinho, cuja foto tirei. Sorri discretamente quando o vi. Porque eu sei, com a mais absoluta certeza, que a vida continua. E é justamente esta a beleza da vida: ela nunca termina. Como disse o padre durante o velório: o tio deixou o mundo das criaturas e retornou para o mundo do criador. E é lá que a verdadeira vida acontece. Tchau, tio.Até qualquer dia, meu amigo querido![...]



Chega mais, jornal "Tribuna"!

2017-08-30T14:50:47.453+02:00

Sempre achei curioso: há quatro anos eu escrevo para o jornal O Informativo Regional, de Sananduva, e há um ano eu escrevo para o jornal A Folha, de Não-Me-Toque. Já fui colunista de outros jornais e de alguns portais também, mas nunca antes na história de Jana Lauxen eu escrevi para um jornal de Carazinho – cidade onde nasci e onde vivo há quase 15 anos.Bem que dizem que santo de casa não faz milagre. Ou que, em casa de ferreiro, o espeto é de pau.Por isso, fico realmente muito feliz em anunciar que sou a mais nova colunista do mais novo jornal desta cidade que chamamos de nossa: o jornal Tribuna, cujo lançamento aconteceu ontem.O convite veio da amiga e jornalista Jennifer Schmidt Mendez, e eu aceitei no ato! Assim, a cada 15 dias estarei na página 02 do jornal Tribuna dando opiniões que ninguém pediu e metendo meu bedelho em assuntos dos mais variados.O mais legal é que o Tribuna vem com uma proposta realmente diferente: fazer jornalismo. Esmiuçar as notícias, ir atrás do que acontece. Vocês dirão: mas este é o papel de qualquer jornal, oras bolas! Mas, na prática, sabemos que a maioria das redações de jornais se confunde com seu departamento comercial, e nunca sabemos se o que estamos lendo é notícia ou informe publicitário, fato ou factoide, realidade ou ficção.O Tribunaquer fazer diferente, e eu quero fazer diferente junto com o Tribuna.Então só posso agradecer pela oportunidade, pelo espaço, pela confiança em meu trabalho, e dizer que é muito massa finalmente escrever para a cidade onde eu nasci e na qual eu vivo. Porque santo de casa faz milagre sim, e em casa de ferreiro, o espeto nem sempre é de pau. Obrigada, e vida longa ao jornal Tribuna![...]



Corpo são, mente insana

2017-08-16T15:35:38.520+02:00

Quando nosso corpo adoece vamos ao médico, fazemos exames, tomamos remédio, buscamos ajuda. Se o rim inflamar, se o estômago estufar, se a cabeça doer, se o braço inchar, não há um ser humano sobre a Terra que não procure ajuda médica.
Contudo, não é apenas nosso corpo que adoece. Nossa mente e nossas emoções também. A diferença é que, quando surge a depressão, as crises de ansiedade, o estresse, geralmente não procuramos ajuda médica. Quando a doença se manifesta em nosso emocional, sumariamente a ignoramos – de um modo que jamais ignoramos as doenças que se manifestam em nosso corpo.
Acontece que somos uma sociedade extremamente materialista. Não acreditamos em nada que não possa ser pesado, medido, avaliado, encaixotado, comprovado, rotulado, tocado. Se eu não vejo, não existe.
Daí por que tantas doenças emocionais passam despercebidas: seu diagnóstico é mais sutil, suas feridas são imperceptíveis ao olho nu. Uma tomografia pode mostrar um tumor no estômago, mas qual tomografia pode indicar um tumor nas emoções?
Deste modo, tanto o doente quanto a família do doente passam a tratar a doença emocional como algo menor. Se descobrem um câncer, todos se comovem e se mobilizam; mas se descobrem uma depressão, a comoção e a mobilização caem para um terço. Sendo que, não raramente, a depressão mata mais do que o próprio câncer.
Resultado: somos uma sociedade doente vivendo como se fosse saudável. Uma sociedade que cuida do corpo com obsessão, mas negligencia totalmente suas emoções. E dá-lhe desequilíbrio, sofrimento, loucura generalizada.
Corpo são, mente insana.
É impossível viver com um rim doente. A dor, a febre e o desconforto impediriam qualquer um de fazer qualquer coisa. Do mesmo jeito, é impossível viver com as emoções doentes.
Porque a dor, a febre e o desconforto emocionais também são paralisantes, incapacitantes e potencialmente fatais.



Maratona Literária

2017-08-14T19:51:19.816+02:00

Nossas crianças são como sementinhas: precisam ser plantadas, regadas, protegidas e tratadas com todo amor e cuidado, para que possam nascer e florescer como cidadãos.E a literatura é o melhor adubo para o plantio de cidadãos conscientes, inteligentes e, acima de tudo, humanos. Pois são os livros que nos ensinam a pensar com autonomia; são os livros que nos tornam intelectualmente independentes; que nos libertam da ignorância que machuca, cega e acorrenta. Um país sem leitores é um país sem cidadãos.Assim, esta última semana foi muito especial para mim, e para a Editora Os Dez Melhores também.Porque, através de uma parceria muito bacana com o Sesc, pude visitar cinco escolas públicas aqui de Carazinho, e conversar com essa gurizada que é o futuro do nosso Brasil querido e judiado, tentando provar para eles que a literatura não é chata não; que a literatura é nossa amiga, nossa aliada, nossa guardiã. A literatura é a chave que abre a porta desta cela na qual estamos todos encarcerados.Eu acredito que plantamos uma sementinha promissora nesta semana que passou – uma sementinha que, não demora, vai nascer, crescer e florescer.Mas saibam que vocês, queridos alunos, também plantaram uma sementinha em mim. Uma sementinha de esperança; de crença em um amanhã diferente, novo, bonito, mais colorido, mais vibrante. Mais feliz. Um amanhã onde seremos donos de nossas próprias opiniões, e onde enxergaremos muito além dos muros altos que apenas servem para separar nossos quintais.Estão plantadas as sementes, e eu sei que elas não demoram a brotar. Afinal, o amanhã logo vem. Foto: Fernão Duarte.Veja mais fotos da Maratona Literária clicando aqui.[...]



Maratona Literária!

2017-08-07T13:49:22.786+02:00

Previsão do tempo para esta semana: não importa!
Pode chover, pode esfriar, pode esquentar, ventar ou nevar: será a semana mais linda de todo o calendário!
Porque, em parceria com o Sesc, eu participarei de uma maratona literária em cinco escolas de Carazinho, ministrando a nova versão da minha velha palestra, A Literatura Não é Chata!
Começa amanhã e termina só sexta-feira.
Ou seja: AGUENTA CORAÇÃO!

Confere a agenda:
Dia 08/08, 8h e 19h30: Escola Estadual Marquês de Caravelas
Dia 09/08, 8h: Escola Estadual Érico Veríssimo
Dia 09/08, 14h: Escola Estadual Cônego João Batista Sorg
Dia 10/08, 10h30: Escola Municipal Doutor Piero Sassi
Dia 11/08, 8h: Escola Estadual Manuel Arruda Câmara



Quem é o seu deus?

2017-07-25T16:17:45.801+02:00

Todos os religiosos são devotos de algum deus. E independente de como cada um nomeia o seu, creio que, em um ponto, todos concordam: deus é um cara bacana. Seja lá quem for este deus, ele é do bem. Certo? Certo.Mas se deus é legal; se ele é do lado bom da força; por que raios a maioria de seus supostos seguidores não é? Afinal, se deus é gente boa, ele não pode ser assim, tão agressivo e azedo como vocês o pintam. Se deus é pai de todos, suponho que também seja pai das travestis, das prostitutas, dos criminosos, dos umbandistas, dos ateus, dos miseráveis, dos viciados, dos gays, dos jogadores de rúgbi. Vejam o caso de Jesus Cristo: quando ele teoricamente viveu entre nós, há mais ou menos dois mil anos, só andou com os excluídos e com os marginalizados. Não me lembro de nenhuma parte de sua história onde ele menciona curar homossexuais, linchar bandidos, ou atirar pedras em crianças com outra fé.Então, ou deus é um sujeito preconceituoso, mal-humorado e violento, ou seus seguidores não estão entendendo da missa um terço. Fico com a segunda opção. Porque debocha da lógica um deus que não respeita a diferença. Que não compreende o sofrimento do outro, que desconhece a empatia. Não aceito – porque minha razão não permite – um deus tão cruel, vingativo, intolerante e megalomaníaco. Neste deus, que muitos seguem, eu não acredito. O deus que eu chamo de meu é um cara legal e pacífico. Não se importa se você é gay, crente, promíscuo, leproso, dançarino, asiático: ele te aceita, e fim. Este deus que é meu não perde tempo com picuinhas e com detalhes irrelevantes, como a sua profissão, a sua religião, a cor da sua pele, o seu desejo sexual ou a sua conta bancária. Ele quer apenas saber se você é um sujeito bacana, como ele é. O meu deus está interessado nas tuas atitudes; em quem você é no seu dia a dia. Ele espera que você ame os outros – e se não puder amar, que ao menos os respeite. Ele fica de olho no jeito como tratamos o garçom e o porteiro e o empresário rico, e se nos importamos quando enxergamos uma pessoa dormindo na rua, seja ela criança ou não. Ele somente deseja que a gente ajude quem não pode se ajudar, e que tenhamos um pouco de decência e compaixão na forma como vemos o mundo, e o próximo.O deus que é meu aceita a diversidade – e não só aceita, como a celebra e a admira, já que ele próprio a criou. No entanto, para muitas pessoas, só uma fé tem valor: a sua. Estas pessoas frequentam religiosamente templos e cultos, mas já saem da igreja falando mal do vizinho. Estas pessoas rezam o dia inteiro, mas julgam o próximo com uma severidade que não usam para julgar a si mesmas. Estas pessoas apedrejam crianças, atiram homossexuais do décimo andar, e odeiam qualquer crença ou filosofia que vá contra suas certezas miúdas e egocêntricas.O deus destas pessoas não é o meu deus.É o seu?[...]



Escola Ernesta Nunes, os indivíduos e a multidão

2017-07-20T18:40:54.639+02:00

Terça-feira foi um dia MUITO frio aqui em Carazinho, com temperaturas abaixo de zero e geada sobre carros, telhados e gramados. E apesar de estar com os pés e as mãos literalmente congelados, o coração ficou quentinho e confortável a manhã inteira.É que eu estava na Escola Ernesta Nunes, participando da Ciranda Cultural, uma das muitas atividades que aconteceram em comemoração aos 56 lindos anos desta escola querida.Desde que voltei a morar em Carazinho, em 2013, e desde que fundamos a Editora Os Dez Melhores, no mesmo ano, a Escola Ernesta Nunes é presença confirmada em tudo o que se refere à cultura e educação. Uma escola que não é nada acomodada, e está sempre fazendo das tripas coração para dar aos seus alunos não apenas uma educação formal e padrão, mas humana e libertadora, para além das paredes da sala de aula.Foi uma manhã bela de sol e frio, onde pude ver e comprovar mais uma vez o quanto cada um de nós pode fazer a diferença nesse mundão de meu deus. A força da multidão é indiscutível, mas a força do indivíduo costuma ser menosprezada – o que é um tremendo erro. Esquecemos que, se fazemos a nossa parte com honestidade e boa vontade, o mundo em nossa volta imediatamente começa a mudar. A força da multidão se faz da soma dos indivíduos que a compõe. Sem cada um, não existe o todo.É o que eu vejo na Escola Ernesta Nunes: indivíduos fazendo a sua parte com dedicação e obstinação.E eu só posso agradecer pela oportunidade de participar de um pedacinho da história desta escola que faz a sua parte e, por isso, faz a diferença no mundo – inclusive no meu mundo. Agradecer aos professores, diretores, funcionários, alunos, por me receberem com tanto carinho! Agradecer ao Sesc Carazinho pela confiança, e ao grande Fernão Duarte, fotógrafo oficial e parceiro de outros carnavais.E claro: agradecer ao universo, por me dar esta estranha certeza de que estou no melhor lugar em que poderia estar.Veja mais fotos aqui.[...]



Autógrafos do Rui!

2017-07-13T16:06:27.621+02:00

Ontem eu estive no Colégio Sinodal Rui Barbosa para buscar meus autógrafos dos pequenos escritores do Rui. Não consegui pegar o autógrafo de nenhum autor na noite de lançamento, por causa da linda e louca confusão que se formou em torno de cada escritor, quando iniciou a sessão de autógrafos.Mas ontem pude conhecer melhor e conversar com cada um destes pequenos grandes escritores, que continuam me surpreendendo com sua esperteza, sua inteligência, seu carinho, e aquela inocência sábia e astuta que somente as crianças são capazes de ter.Contei a eles um pouco sobre o processo de edição de seu livro, e eles me cobriram de perguntas, com seus olhinhos brilhantes e desafiadores.Foi forte, bonito e intenso. Inesquecível de diferentes maneiras.Obrigada, pequeninos e grandiosos escritores do Rui! Obrigada por me receberem com tanto amor, e por confiarem em mim, e em nós.Vou guardar estes autógrafos no lugar mais querido do meu coração. E toda a vez que a desesperança me pegar desprevenida, vou abrir nas primeiras páginas da obra “Pequenos Escritores do Rui”, para me lembrar por que eu sou tão irritantemente otimista e feliz.Para me lembrar por que eu tenho certeza absoluta de que caminhamos para um futuro mais vibrante e menos triste.[...]



Conectar-se com o diferente: você é capaz?

2017-07-06T13:14:42.920+02:00

Sabemos que nosso cérebro sempre reage quando entramos em contato com algo que não estamos acostumados. Qualquer situação que nos tire do lugar onde confortavelmente existimos coloca nossa mente a trabalhar em alerta máximo.Por isso o diferente é assustador: por que o desconhecemos. O diferente nos coloca em uma situação inesperada e desafiadora, e nosso cérebro primata reage atacando. Uma tentativa de nos defender do que não nos é familiar.Assim, quando vemos um casal homossexual se beijando, nos sentimos constrangidos. Quando cruzamos por um travesti na rua, ele chama nossa atenção de uma forma perturbadora. Quando conhecemos alguém com deficiência, ficamos atordoados e melindrosos.A não ser, é claro, que você seja ou conviva com casais homossexuais. Ou que seja ou conviva com um travesti. Ou que seja ou conviva com uma pessoa com deficiência. O nosso cérebro se adapta ao nosso universo (que, convenhamos: é pequeníssimo), e dali parte para definir o que é “normal” e o que é “anormal” para cada um de nós. E então, quando nos deparamos com o desconhecido, com aquilo que nos é estranho, respondemos de modo defensivo, como se o diferente pudesse colocar nossas crenças e certezas, e nossa própria existência, em perigo. Uma reação instintiva e irracional, típica do homem das cavernas, e da qual precisamos nos libertar o mais rapidamente possível.Penso que devemos tentar nos conectar com o diferente; tentar encontrar nele pontos em comum – porque estes pontos em comum existem, e geralmente são maiores do que as diferenças. A próxima vez que encontrarmos pelo caminho alguém que destoe do pequeno universo onde resumimos nossa existência, ao invés de atacar; de nos sentir ameaçados e ofendidos e desconfortáveis; vamos tentar encontrar neste alguém o que nos une. O que nos torna iguais. Porque enquanto a gente não descobrir um jeito de viver em paz com o que é diferente de nós; enquanto a gente limitar nossa visão ao minúsculo ponto de vista de que dispomos; enquanto nossa percepção não ultrapassar a porta de nosso quarto e o muro de nosso quintal; esqueçam viver em um mundo melhor.Pois um mundo melhor somente poderá ser melhor se for melhor para todos. E eu disse TODOS. Todos mesmo, sem exceção. [...]



O privilégio de saber que é privilegiado

2017-07-04T15:56:10.754+02:00

Você já passou fome? Já dormiu na rua? Já sentiu frio e não encontrou um agasalho para te aquecer? Você já foi humilhado por conta da sua sexualidade? Já se sentiu constrangido por causa de sua cor? Já perdeu um emprego em razão de suas características físicas? Já teve que fugir de seu país em decorrência da guerra ou de desastres naturais? Você já teve vergonha ou receio de falar sobre suas crenças religiosas? Já sentiu medo de abraçar seu namorado(a) na rua?
Se você respondeu “não” para estas perguntas, sorria leitor! Você, assim como eu, é um baita de um privilegiado! Em um mundo onde tantos enfrentam tantas dificuldades, das mais variadas ordens, responder “não” para as perguntas acima faz de ti alguém extremamente afortunado!
Contudo, conheço dezenas de pessoas que responderiam “não” para todas estas perguntas, e mesmo assim são incapazes de reconhecer seus muitos privilégios. E o pior: além de não os reconhecer, ainda acreditam que os possuem apenas por mérito próprio. Seria engraçado se não fosse triste.
Eu sou uma grande privilegiada. Respondo “não” para todas as perguntas acima. Também estudei em escola e faculdade particular, tenho uma família amorosa e estável; nunca sofri privações, humilhações, retaliações, violações. Tenho uma casa para morar e cobertores para me aquecer. Tenho acesso à informação, educação, lazer, cultura, saúde, saneamento básico. Tenho chuveiro quente, comida boa e farta na mesa; vivo com dignidade e em paz. Tenho todas as minhas necessidades supridas e meus direitos básicos respeitados – eu posso abraçar meu namorado na rua e falar das minhas crenças religiosas sem medo de levar uma pedrada. E ainda usufruo de luxos – como escolher o que vou comer e o que vou vestir.
E é por isso que eu sei que, se eu conquistei tudo o que conquistei até hoje, não foi apenas por mérito, esforço e dedicação: foi por que eu tive a sorte e o privilégio de nascer e crescer em um ambiente fértil e acolhedor, repleto de recursos, conforto e oportunidades, no qual tudo colaborou para o meu desenvolvimento.
Mas o maior privilégio do qual eu desfruto, sem dúvida nenhuma, é a consciência plena e clara dos privilégios dos quais eu desfruto.
Porque o privilégio de saber que é privilegiado infelizmente ainda é privilégio de poucos. 



Sobre ser escritor

2017-06-29T13:00:28.591+02:00

Um problema de ser escritor: todas as bobagens em que você já acreditou; todas as ideias absurdas que você já julgou corretas; todas as opiniões preconceituosas e limitadas que você já teve, ficam registradas para sempre.
Imagina se você tivesse escrito e publicado as besteiras que pensava há dez anos?
Bem, eu escrevi e publiquei, hahaha.
Este blog, que mantenho desde 2008, está repleto de textos bestas. Textos que agora eu leio e fico pensando “mas que merda é essa, Janaína?”.
Estou inclusive cogitando criar o Selo da Vergonha Interna, para incluir nestas publicações, por que, sabe: É CONSTRANGEDOR. 



É mais fácil ser triste

2017-06-27T16:38:38.854+02:00

Existe uma música, de uma banda gaúcha chamada TNT, que diz: “O céu não me assusta; o inferno, sim”. Parece uma declaração óbvia, e durante muito tempo eu não entendi exatamente o que esta frase queria dizer. No entanto, os anos vão passando, a gente vai mudando, saindo do lugar, e descobre que, na vida, nada é tão óbvio como pode parecer.E a verdade é que, por mais que soe incoerente, costumamos viver mais confortáveis no inferno do que no céu. Temos mais facilidade em lidar com a tristeza do que com a alegria. Na minha visão, isso acontece porque, quem é triste, não possui qualquer responsabilidade com a felicidade, e muito menos com os outros. Afinal, ser feliz não é um estado humano natural; a felicidade exige compromisso, dedicação, trabalho. E de compromisso, dedicação e trabalho a maioria de nós só quer distância.Se tristes somos, não precisamos fazer muito esforço. Podemos ficar sentados em nossa vida triste e ainda despertar compaixão e ternura. Pessoas tristes costumam ser tratadas com maior benevolência, porque, afinal, coitadas! São tristes.Acontece que não há um ser humano neste planeta que chamamos de Terra que tenha a felicidade na genética. Nenhum de nós é naturalmente feliz. As pessoas que conhecemos, e que costumam ser alegres e otimistas, o são porque se empenham para ser. Geralmente são pessoas desacomodadas e desassossegadas, que simplesmente não aceitam viver tristes. Pessoas que abandonam casamentos infelizes; que deixam empregos desgastantes; que se afastam daqueles que lhes fazem mal. Pessoas que também acordam de manhã desmotivadas e chateadas, mas procuram no dia algo que lhes acalente, alegre e conforte. E para isso é preciso ter coragem.Sim, é preciso coragem para ser feliz. E coragem pressupõe ânimo e destemor. Pressupõe esforço para sair da zona de (des)conforto. Evidentemente que não me refiro aqui a casos de depressão – que é uma doença, e como doença deve ser tratada. Falo de pessoas que encontraram na tristeza uma maneira cômoda de seguir sendo parte do problema, e nunca da solução. Quem precisa se esforçar para conviver com elas são os outros; elas somente sofrem, e são tristes. Quem lhes rodeia que se vire para se adaptar à sua infelicidade.Então, eu desejo sinceramente que não lhe falte coragem para finalmente ser feliz. Porque o céu, meus amigos, não é assustador. O inferno, sim.[...]



A Menina do Vídeo Pornô

2017-06-24T00:01:09.802+02:00

Toda vez que um vídeo pornográfico caseiro cai na internet, o que se vê, se ouve e se lê são acusações e xingamentos direcionados exclusivamente para a menina que participa da gravação. Puta. Burra. Vadia. Bem feito pra ela. A garota é escorraçada, crucificada, queimada na fogueira, a ponto de ter de abandonar trabalho, escola, cidade, uma vida toda. Mas para o rapaz, que geralmente foi quem gravou e espalhou o vídeo, silêncio. É como se ele não existisse. Justamente ele, o responsável por expor publicamente, e de forma criminosa e traiçoeira, o vídeo ou as fotos de momentos que deveriam ser rigorosamente íntimos.
A menina que se deixa filmar ou fotografar pode, no máximo, ser acusada de ingênua. Pois acreditou que aquela ocasião seria mantida em sigilo; que seria respeitada pelo companheiro, seja ele seu namorado ou não. Já ele, cometeu um ato criminoso perante a lei, e imoral perante as regras mais básicas de civilidade e respeito ao próximo. Também se mostrou um perfeito idiota; um infeliz que precisa afirmar sua própria masculinidade diante dos outros, e que seria digno de pena, caso não fosse, antes, digno de punição.
Ela é a vítima, e fim. Ela foi enganada; ela foi exposta publicamente. Ela será conhecida, por muito tempo, como ‘a menina do vídeo pornô’. E ela não é ‘a menina do vídeo pornô’. Ela é, antes de tudo, uma pessoa. Muitas são menores de idade, e nem completaram quinze anos ainda. Ela poderia ser sua irmã, sua filha, sua mãe, sua melhor amiga. Ela poderia ser você.
A maneira como a sociedade trata a mulher, vítima de casos como estes, só comprova o quanto somos machistas, preconceituosos, atrasados e conservadores. Repetimos mecanicamente o lugar-comum: ‘ele é homem, está fazendo o seu papel’. ‘Ela deveria se dar ao respeito’. ‘Comedor’. ‘Puta’. E assim vamos fortalecendo a engrenagem que mantém este tipo de crime tolerável.
Toda vez que ofendemos e denegrimos a menina; toda vez que passamos adiante estes vídeos e estas fotos, estamos sendo coniventes. Estamos deixando de punir o culpado para punir a vítima.
Não concorda comigo? Ok. E é por isso que eu espero que crimes assim parem de acontecer imediatamente. Porque quando chegar a sua vez, ou a vez de sua filha, sua irmã, sua mãe, sua melhor amiga, você vai descobrir da pior maneira que ‘aquela menina do vídeo pornô’ é muito mais do que aquela menina do vídeo pornô.



Amanhã o refugiado pode ser você

2017-06-16T15:58:52.972+02:00

Imagine você: o Brasil entra em guerra. De uma hora para outra, explosões e rajadas de tiros se tornam rotina em sua rua, em sua cidade, em seu estado, em seu país. Cidades inteiras são devastadas, mulheres são estupradas, crianças são assassinadas. Milhares morrem. Não demora, e começa a faltar água, comida, energia elétrica. A vida aqui se torna insustentável. O que você faria?Provavelmente o mesmo que eu, e o mesmo que estes milhões de refugiados sírios, senegaleses, haitianos estão fazendo: você iria fugir. Pegaria uma mala, algumas roupas, o que sobrou de sua família, e daria o fora. Caminhando, correndo, de barco, de carro, em cima de uma mula. Pouco importa. O que interessa é sair daqui. Agora imagine que, neste contexto, nós, brasileiros, chegamos a outro país, cuja guerra não é realidade. Estamos humilhados, machucados, sujos, exaustos, famintos. Nossas crianças e nossos idosos, idem. E ao invés de sermos acolhidos, como os seres humanos que somos, fôssemos maltratados, xingados, intimidados. Proibidos de entrar. Desculpem, mas isso não cabe na minha cabeça. Não consigo entender, e muito menos aceitar, que estas pessoas sejam tratadas como escória, como se fossem uma praga a ser exterminada – e não como seres humanos fugindo da guerra, da morte, da fome. “Mas isto causará um forte impacto econômico nos países que receberem estes refugiados”, dirão os teóricos. E sabe o que eu respondo aos teóricos? FODA-SE o impacto econômico. Estamos falando de mais de 60 milhões de pessoas expulsas de suas casas em todo o mundo, e que não virarão fumaça e se dissiparão no ar só por que a economia precisa continuar crescendo. São pessoas que precisam de abrigo, de amparo, de um pouco de segurança, de um prato de sopa e um copo de água. Se a solução não é acolher, qual é a solução? Incinerá-las numa fogueira, para que suas presenças não atrapalhem nossa vida confortável e feliz? No entanto, devo dizer: não fico surpresa com o tratamento que dispensamos aos refugiados. Nós, em nossas casas seguras e quentinhas, deitados no sofá assistindo Netflix de barriga cheia, gostamos de apontar o dedo aos miseráveis, aos necessitados, aos famintos, aos viciados, aos excluídos, e julgá-los severamente. Agimos como trogloditas, ao mesmo tempo em que vamos à igreja, lemos a bíblia, e postamos frases fofas no Facebook. Que esta crise global dos refugiados sirva para que nos reavaliemos enquanto sociedade dita cristã. Enquanto indivíduo dito cristão. E, se não cristão, ao menos civilizado. Que sirva para nos fazer entender que já passou da hora de aprendermos a nos colocar no lugar do outro, e vê-lo com olhos mais generosos e amigos. Já passou da hora de olharmos as outras pessoas como pessoas, e perceber que o bem-estar delas é tão importante quanto o nosso bem-estar. Chega de dois pesos e duas medidas.Até por que, o jogo vira, meus amigos. Hoje são os sírios, os senegaleses, os haitianos; amanhã poderá ser os americanos, os japoneses, os europeus. Amanhã poderá ser nós, brasileiros. E eu acho que, em uma situação assim, você não iria querer ser recebido com hostilidade por quem, em condição melhor, poderia realmente auxiliar.Ajudar é sempre melhor do que ser ajudado, e neste momento nós podemos ajudar. Que assim seja, então.[...]



Renan.

2017-06-14T16:54:37.622+02:00

Esta foto foi tirada em 2007/2008, e este cara que está comigo se chama Renan Soso. Eu o conheci em 2002, quando entrei para a faculdade, e desde então ele se tornou alguém fundamental na minha vida. Simplesmente não consigo imaginar quem eu seria sem ele. Estudamos juntos por cinco anos, trabalhamos juntos por um ano, fomos vizinhos por dois anos. Ele esteve presente na minha vida de diferentes formas, e estava lá nos momentos mais coloridos, e também nos mais pálidos e sem cor. Até o dia em que ele foi embora para Porto Alegre.Contudo, sua presença segue viva, firme e forte na minha vida. Afinal, ele faz parte da pessoa que eu me tornei. Ele está nas minhas conquistas, no meu trabalho, na minha literatura. Ele está nas decisões que eu tomo, nos caminhos que eu percorro. Ele está na minha saudade, no meu coração, nos meus pensamentos, na minha memória. Ele está em mim.E hoje o Renan faz aniversário. Por isso escrevo este texto, para dizer para ele o que ele já está careca de saber: eu o amo de tantas maneiras, que fica difícil explicar em palavras pagãs.O Renan mudou para Porto Alegre, depois para Caxias do Sul, casou, tem uma filha linda chamada Cecília. Não somos mais vizinhos, não trabalhamos e nem estudamos mais juntos. Mas quando a gente se encontra, é como nesta foto. É como em 2002, em 2007, é como sempre foi. Apesar da distância; apesar da gente conversar muito menos do que eu gostaria e precisaria; apesar da saudade imensa e dolorida; nada, nada, NADA mudou. Quando a gente se encontra, voltamos para esta foto, para este apartamento, para esta época querida em que tudo era tão simples, miúdo e belo.O orgulho que sinto de ti, Renanzito, é do tamanho do ser humano que você é. Você é gigante, e eu só posso agradecer ao universo por ter a honra de contar com a tua presença na minha vida, todos os dias, de todas as formas.Te amo, irmão.Feliz aniversário! [...]



Jornada Nacional de Literatura para quem quiser

2017-06-08T19:40:43.281+02:00

Eu sempre tive restrições com a Jornada Nacional de Literatura, e a principal delas era o preço. As inscrições sempre estiveram além, muito além das minhas possibilidades. E assim como eu, obviamente centenas de outras pessoas também não tinham grana para participar. Por conta do preço do ingresso, a Jornada terminava por elitizar seu público, e para mim tudo o que elitiza e exclui é ruim.Para piorar, além dos valores nada camaradas das inscrições, a Jornada ainda recebia uma boa grana do governo, tanto municipal, quanto estadual e federal. Em 2009 foram 1,1 milhões de reais. Em 2015 a Jornada precisava de meros 3,5 milhões, valor este que não foi obtido, o que gerou o cancelamento e a saída de Tania Rösing do comando da Jornada – cargo que ela ocupava desde sempre.Muita gente chorou e lamentou o cancelamento, mas eu não. Afinal, a Jornada não havia sido extinta para sempre, e segundo diziam, seria remodelada para se tornar mais “acessível”.“Acessível”, esta é a palavra que abre portas e mentes! Fiquei feliz com o discurso, mas sempre com aquela pulga atrás da orelha, já que falar é bem mais fácil do que fazer. No entanto, recentemente divulgaram os valores das inscrições para a 16ª Jornada, que acontece entre 02 e 06 de outubro deste ano. O pacote mais caro custa R$150, e inclui todas as atividades. O mais barato custa R$100, e alunos e professores da UPF têm 50% de desconto. Ainda achou caro? Então saiba que, em 2009, há longínquos oito anos, o valor da inscrição era R$130. Sendo que, naquela época, o salário mínimo não alcançava R$500. Não é preciso ser um economista para entender que a Jornada não era para quem queria, mas para quem podia. Significa que melhorou. É o ideal? Não. Está tudo perfeito e maravilhoso? Não. Eu ainda sonho com o dia em que Jornadas de Literatura custarão quase nada, e quiçá serão gratuitas. Mas baseio meus anseios na realidade, e sei que o mundo não muda em um piscar de olhos, no apertar de um botão, no estalar de um dedo. O importante é que, de 2009 para 2017, melhorou um pouco, o que já é incrível, uma vez que tantas outras coisas pioraram tanto de lá pra cá.A arte, a cultura, a literatura precisam se tornar cada vez mais acessíveis. Não podem ser privilégio de meia dúzia. E para que isso aconteça, precisamos levar a arte, a cultura e a literatura até quem quer, mesmo que não possa.[...]



“Hoje em dia não dá pra falar mais nada: tudo é racismo, machismo, preconceito”

2017-05-29T16:13:10.604+02:00

Eis a frase mais pronunciada por quem nunca sofreu racismo, machismo e preconceito. E vejam só o drama vivido por estas pobres criaturas: agora elas não podem mais debochar em paz de homossexuais, de negros, de deficientes físicos, de mulheres, de imigrantes, pois sempre haverá um “chato” para reprimi-las, para questioná-las, para constrangê-las. “Agora não dá pra falar nada”, elas reclamam. Que vida irritante essa do “politicamente correto”, não? Não.No entanto, por mais que me pareça óbvio que “piadas” que humilham grupos que já são humilhados não são piadas coisa nenhuma, sei que para muitas pessoas é difícil acompanhar o andar da carruagem. Porque o mundo mudou muito nos últimos anos. De modo que, a maioria dos discursos que nos ensinaram, e que nascemos e crescemos ouvindo e repetindo, simplesmente não fazem mais sentido agora. Porém, para abrir mão das lições erradas que aprendemos, precisamos primeiro admitir que as lições que aprendemos estão erradas. Um processo de desconstrução íntima que, para alguns, é aterrorizante.Assim sendo, quando o sujeito se vê diante de uma situação onde suas crenças – pessoais, familiares, políticas – são questionadas e comprovadamente derrubadas, ele tem dois caminhos para seguir: o primeiro, e mais inteligente, é admitir o erro e tentar entender como, onde e por que errou. O segundo é se agarrar na lição errada com unhas, dentes e desespero. A maioria ainda escolhe a segunda opção.  Afinal, é mais fácil bater o pé e dizer “não importam os dados, os fatos, as estatísticas, a realidade; essa é a MINHA OPINIÃO”, do que reavaliar suas certezas, assumir que errou e mudar de ideia.Por isso é tão difícil de conversar com algumas pessoas, cujas opiniões seguem enraizadas a preconceitos primitivos, e nenhum argumento é capaz de colocá-las a refletir. São pessoas que não estão dispostas sequer a ouvir o outro lado, e justamente por isso possuem uma visão tão limitada; elas só enxergam a partir de seu minúsculo e deturpado ângulo. Todavia, para que nossa sociedade melhore, nós precisamos melhorar como indivíduos. Precisamos ter mais compaixão e simpatia na hora de ver o outro. Fazer piada de grupos que ainda lutam pelos seus direitos civis mais básicos, além de estúpido, endossa o discurso do opressor e agride o oprimido. E é assim que assumimos, também, o papel de opressor.  Então, se quem é vítima do racismo, do machismo e do preconceito apontar o racismo, o machismo e o preconceito em você, em vez de se ofender e se defender, apenas escute e reflita.  Porque, acreditem: não nos tornaremos melhores ou menos violentos rindo da dor alheia. Rir do próximo é uma forma de silenciá-lo.E quem silencia não pode reclamar quando é silenciado.[...]



Bruno

2017-05-23T14:31:27.980+02:00

Foi assim: há algum tempo o Fernão Duarte me contou que conheceu um menino chamado Bruno, que lhe disse que tomou gosto pela leitura depois de assistir a minha palestra, A Literatura Não é Chata, e ler meu segundo livro, O Túmulo do Ladrão.De lá pra cá o Bruno já leu mais de 100 livros, e mantém uma estante repleta de títulos em sua casa. Sua média de leitura são 30 livros por ano – goleada sobre a média nacional, que não ultrapassa dois míseros livrinhos por ano. É claro que não tenho a pretensão de dizer que o Bruno começou a ler por minha causa. Afinal, a semente da leitura já estava ali. O máximo que eu fiz foi dar uma adubada, regar, e feito: nasceu mais um leitor!De qualquer maneira é um orgulho pra mim. Afinal, quando elaborei a palestra A Literatura Não é Chata, meu objetivo era justamente este: convencer ao menos UM estudante das vantagens e benefícios da leitura. Eu sempre disse, ao final de cada palestra, que, se pelo menos um aluno ali presente desse uma chance para a literatura, então tudo teria valido a pena.O Bruno é um destes alunos que faz tudo valer a pena. Que resolveu experimentar a literatura, e nunca mais a abandonou. E eu só posso agradecer pela confiança, pelo carinho, e por ele permitir que eu fizesse parte do trampolim que o lançou para este universo mágico e único dos livros, que só quem lê conhece e entende.Hoje o Bruno é um jovem perigoso: perigoso para um sistema corrupto e falido; perigoso para uma sociedade preconceituosa e violenta; perigoso para todos aqueles que desejam, através da ignorância, conservar o povo subserviente. Bruno se tornou um cidadão ameaçador para quem não deseja transformar o mundo em um lugar mais pensante e menos triste. Agora ele representa perigo ao status quo. De minha parte, fico muito feliz por ter ajudado o Bruno a se armar e se municiar contra a estupidez de um país que só lê dois livros por ano, e acredita que cultura é coisa de vagabundo. Um Brasil judiado, intelectualmente inabilitado para perceber que é refém da própria inabilidade intelectual. Bruno é parte de um exército ainda pequenino e discreto, mas que cresce a cada dia. Um exército de desobedientes, que sabem que não há prisão mais desumana do que aquela que mantém seus presos em cárcere intelectual. Um exército que luta com livros, ao invés de armas. Um exército que deseja libertar todos os presos intelectuais deste país, e que acredita na intervenção literária e cultural para nos arrancar da poça de lama onde estamos nos afogando.Bruno, seguimos juntos! (Matéria sobre o Bruno e O Túmulo do Ladrão, publicada na coluna DuArt&Cultura, do meu querido Fernão Duarte, na última edição do jornal Correio Regional. Valeu, Fernãozito!)[...]



Perto da minha casa tem uma pracinha.

2017-05-15T13:05:24.100+02:00

Pequenina, um charme só. Porém, esta pracinha sempre esteve descuidada e desamparada: grama alta, bancos demolidos, pouca iluminação, sujeira. Não demorou, virou ponto de bebedeira e uso de drogas. Ao entardecer, os moradores, vizinhos da praça, somente observavam a movimentação estranha através de suas cortinas e grades.Até que, cansados da situação, os vizinhos decidiram se reunir, se mobilizar e tomar uma atitude. Então limparam a praça, trocaram a luz do poste, cortaram a grama, consertaram e pintaram os bancos, colocaram um balanço e um escorregador. Sem contar a geladeira cultural, que já está cheia de livros.Resultado: revitalização. De ponto de drogas a ponto de encontro em poucas semanas. Estes dias passei por ali (algo que não costumava fazer antes, admito), e vi uma mãe sentada com seu filho pequeno, de uns quatro anos, lendo um livrinho. Quase chorei. Minto: eu chorei. Porque estava vendo, com estes olhos que a terra há de comer, como pequenas atitudes podem mudar o mundo inteiro.O Brasil precisa se revitalizar como esta pracinha. E esta revitalização, tal e qual aconteceu com a pracinha, passa pela mudança e mobilização das pessoas que ali vivem. Os moradores poderiam continuar trancados em casa depois das 18h, reclamando dos viciados, da sujeira, do governo, da vida, de Deus. Mas decidiram levantar suas bundinhas do sofá e tomar uma atitude.Esta pracinha não é a primeira a ser revitalizada por seus vizinhos em Carazinho, e tenho certeza que não será a última. Porque, vagarosamente, estamos compreendendo que a cidade onde moramos é nossa, minha e tua, e toda vez que a agredimos e a negligenciamos, estamos agredindo e negligenciando nosso próprio lar – como quem cospe no prato no qual come. Esta compreensão transforma o cenário de uma pracinha, mas transforma também o cenário de todo um país.Mais do que criticar nossos governantes – e nós devemos criticá-los, claro! – devemos também assumir nossa responsabilidade por este Brasil judiado que habitamos. A pátria amada está ferida e a culpa também é minha. E tua. É óbvio que o governo deveria cuidar do país, e é óbvio que a prefeitura deveria cuidar das nossas praças. Fazer pelo menos o mínimo, como manter a grama cortada e os postes de luz ligados. Isso muda tudo e custa quase nada. Mas não, eles não fazem. E se nossos governantes não fazem, precisamos cobrá-los, mas precisamos também fazer. Caso contrário, seremos exatamente como eles.Porém, se você acha que revitalizar uma pracinha não ajuda a revitalizar um país, pense comigo: quão diferente seria nossa realidade se todas as pracinhas de todos os bairros de todas as cidades de todo o Brasil estivessem bonitas e atrativas?A mudança sempre parte do indivíduo para o coletivo; vem de baixo para cima, de dentro para fora. Não se revitaliza uma pracinha sem o apoio de cada pessoa que vive ali. Imagina um país.Foto: a pracinha perto da minha casa. Por Alessandro Finger. [...]