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Visões Embaralhadas



Arte,cultura, cinema, viagens, amigos, música, poesia, política, visões embaralhadas sobre a vida nesse planeta e quem sabe no universo.



Updated: 2017-10-02T14:29:07.725-03:00

 



Arte Pelada

2017-10-02T14:27:58.395-03:00

Não estranho o fato de que em pouco tempo duas polêmicas envolvendo arte e artistas estejam no centro das discussões. Todas elas infrutíferas, quase esdrúxulas e acima de tudo muito ignorante. Mas eu tenho me perguntado o que é que está por trás desta guerra? É trata-se de uma guerra.  E para mim a resposta é muito fácil... Enquanto o discurso se inflama por todos os lados, e no calor da emoção onde de tudo um pouco é dito, vai assim como quem não quer nada emergindo o já conhecido discurso de que todo artista é maluco, de que a arte não serve para nada e que tudo isso é perda de tempo, coisa de gente desocupada, que deveria tá pegando em uma enxada ou apertando botão em algum lugar mais decente. Afinal o que é um quadro ou uma música diante da fome? Ou o que é uma peça de teatro diante do desemprego? O que é um homem pelado em um Museu de Arte Moderna diante da violência? Nada! Desnecessário, absolutamente desnecessário. Morram estes vermes! Todos eles!! Tirem o sustento destes malucos que não fazem nada que presta. E aí enquanto se grita bem alto tudo isso e mais um pouco, a verdadeira ação de interesse do capital e do pensamento neoliberal se opera. Como? Alguns exemplos: O que é mais “atentado ao pudor”, o homem pelado ou a extinção das Orquestras Sinfônicas no Estado de São Paulo. Artistas! Que vá procurar algo mais importante pra fazer do que ficar por aí tocando piano com o meu dinheiro. (e enquanto não há mais orquestra pra tocar de graça no parque, A Sinfônica de Berlim vem ao Brasil e só quem pagar $$$$$ pode ver, ou seja, os mesmos que extinguiram a orquestra. Você não pode, mas eles sim). O que é mais pornográfico? A exposição que discute as diversas manifestações de gênero (to vendo a hora que um brasileiro vai atacar o Davi) Ou o fechamento sistemático das bibliotecas no Brasil e o encerramento por parte do desgoverno T@#@#@%& da distribuição de livros paradidáticos às escolas brasileiras. Programa que existe desde 97 e que o vampiro encerrou. Afinal pra que servem os livros? Acaba! Ninguém tem que ler nada! Escritores e leitores são desocupados. Vão lavar uma roupa ou apertar um botão em algum lugar mais decente! O que é mais pornográfico? O desmantelamento da arte e da cultura precisa de justificativa mesmo para quem não está nem aí pra mim ou pra vc. E nada melhor do que construir um discurso que a torna “coisa de maluco”. A arte e a cultura não são apenas uma exposição. Mas enquanto gritamos e fechamos os olhos, o verdadeiro crime se dá na nossa frente sem que ninguém se dê conta. A arte, a cultura e a educação estão sendo roubadas e desconstruídas de todos nós pelo governo, com a desculpa de economizar dinheiro ou colocar em algo mais produtivo, como um apartamento clandestino em Salvador. O verdadeiro atentado ao pudor não chama atenção porque ele é feito e apoiado por essa “gente de bem que odeia”. Mas, procurando esperança depois da idade média, sempre vem a renascença. E a resistência a “gente de bem que odeia” seguirá arte. Nas escolas, nas ruas, na chuva, na fazenda... Não vão matar a arte, por mais que tentem. Não são os primeiros a tentar, nem serão os últimos. 



Sonho das misses

2016-12-20T19:46:47.853-03:00

Dentre os costumes ocidentais, aquele que acho o mais ridículo são os concursos de miss. Uma mulher é esculpida a muita dieta, botox, chapinha e o que mais o valha para colocá-la dentro de um padrão considerado perfeito. Não só no corpo, mas também na atitude. Miss que é miss tem que ser “bela, recatada e do lar”. Tanto esforço para ganhar o título de a mais bonita e depois virar um vaso que acena enfeitando o mundo machista. Mas, existe uma única coisa na vida de miss que admiro: o seu maior sonho é a paz mundial. E eu sempre me pergunto como a mais essencial das necessidades de toda a humanidade pode ser tratada de maneira tão jocosa? Ou você conhece mais alguém que sai por aí respondendo que o seu maior sonho é a paz mundial? Não lembro! Pois bem, depois de 2016, o ano do cão chupando manga no horóscopo tropicalista, vou me entupir da pieguice e da cafonice, própria das misses, para usar as palavras que se perderam em um discurso frívolo, e que deveriam ser engarrafadas e distribuídas em toda esquina: paz mundial, paz mundial, paz mundial!!! E todos nós, reles seres humanos, que não sabemos andar em um salto agulha, também podemos desejar do fundo do nosso coração a paz mundial. E podemos fazer mais pela paz mundial, a partir de nós mesmo. Avisei que ia ser piegas! Mas, como se antes de tudo somos os irreparáveis, esquisitos e imperfeitos humanos? Mas como convencer quem tem o poder de apertar o botão vermelho que a paz mundial é mais importante que tudo? Mas como se há miséria, fome, guerras em nome de Deus, corrupção, muros, refugiados, e tanta gente dona de verdades absolutas derramando sangue, para defender suas verdades absolutas e todos nós sabemos que não existem verdades absolutas? Mas, como se antes da paz mundial (a mais importante das necessidades humanas) vem o dinheiro? Mas, como se quem tem, quer ter mais, tirando de quem não tem nada? Mas como? Mas como? Acho que é por isso que a vontade da paz mundial ficou na boca de mulheres sem discurso. É só mais uma bobagem, entre tantas!Não tenho resposta. Quem dera tivesse!! Quem dera fosse fácil, rápido e possível! Já imaginei estratégias infalíveis e sempre paro na intervenção alienígena ou no meteoro. Mas eu sou brasileira: não desisto nunca e nem perco a esperança. Fui criada assim. O que fazer? Então, mesmo parecendo ridícula, desejo que a paz mundial que há em mim, saúda a paz mundial que existe em cada um de nós. E que esse desejar cresça, em proporções nunca vistas e seja tão forte, que consiga transformar as pessoas que apertam os botões vermelhos da guerra em pessoas-flores, ou quem sabe em pessoas-beija-flor (bem brega, eu sei...). Seres incapazes de todo mal. E, na diferença de todos nós, a paz mundial que saúda a paz mundial de cada um, preencha o corpo, a alma e o espírito com amor, carinho, ternura, respeito, tolerância, compreensão, compaixão, amizade, brincadeiras, risos, poesia, música, dança, cinema, séries, livros, sol, praia, cachoeira, rios, toda a natureza, vinho, cerveja, boa comida e tudo o mais que as pessoas-flores e a pessoas-beija-flor gostam e compartilham. Meu desejo para o Natal e para o Ano Novo.  E termino 2016, o ano da girafa com ebola no horóscopo nórdico, com outra palavra de fundo ridículo, própria das misses: muito obrigada! Só posso agradecer. Muito. Sei o que foi bom e o que foi ruim, na verdade foram excelentes. Porque foram e aprendi (bem brega, eu sei...). Mas mesmo com tudo isso, além da paz mundial, também não posso deixar de falar: primeiramente, fora temer. [...]



Precisamos falar sobre a não-ficção

2016-08-09T17:00:20.737-03:00

Vamos imaginar que o audiovisual seja dividido em castas. A mais elevada de todas é o cinema. Logo abaixo, ocupando lugar que poderia ser dos sacerdotes, está o documentário. Embaixo, mas não menos pura, está a televisão quando ela faz dramaturgia, jornalismo não-sensacionalista e o esporte. Aqui também transita a casta da publicidade, algo equivalente ao lugar ocupado pelos banqueiros em outros mundos.  E aí abaixo de tudo isso, equivalente aos parias e intocáveis, está uma casta ruidosa, espalhafatosa, sentimental, chorona, que adora piadas de duplo sentido e torta na cara, fofoqueira, desorganizada, cafona, que não dispensa um glitter e um dourado, adora cozinhar, decoração e viagem...  É a televisão que faz não-ficção/humor. É aí nesse mundo de diversidades que se encontram os realities, os programas de auditório, variedades, entretenimentos, jornalismo sensacionalista, humorísticos de gosto duvidoso, talk-shows entre outros tipos de programas. Aí agora vamos imaginar que em um dia qualquer aconteceu uma festa intercastas, que terminou em uma grande orgia, onde ninguém era de ninguém, uma loucura e que depois de um tempo (sei lá quantos) nasceu os filhos desta noite fatídica: os vídeos de internet. No nascimento, considerados bastardos inglórios, cheios de defeito e de péssima qualidade. Mas os bastardinhos foram crescendo, crescendo e um dia (também não sei precisar a data) acordaram tipo uma Gisele, jogando o cabelo e pisando com salto agulha nas outras castas. E agora com essa cara loira e bela, os membros das outras castas tem se apresentado para conquistar o bastardinho, tentando trazê-lo para o seio da família. Mas os rebeldes crescidos sem educação ou filtro, não estão nem aí e querem mais é curtir a vida sem se preocupar com a sua linhagem. E tem uma galera que se dá muito bem com os vídeos de internet. Eles se reconhecem na sua origem pobre e humilde, que são os parias da televisão de não-ficção/humor. Juntos parecem que eles estão mais fortes e interessantes do que seus “pais puros”. Podem se misturar, mas sobrevivem também sozinhos, cada um no seu mundo. Com exceção da teledramaturgia, que encontrou seu espaço nessa zona, com as séries da Netflix e seus concorrentes, o resto ainda pena para colocar todo mundo na mesma mesa, se é que isso é possível. E é evidente que entre os mais sofredores está a publicidade. Às vezes dá pena de ver...E o que mais tem me feito pensar nessa história é a grande dificuldade do mercado publicitário em fazer não-ficção audiovisual, seriada, com formato, contando uma história a partir de um formato para internet ou televisão para seus clientes. Cada vez que sento em uma reunião de agência e escuto as palavras “marca-storytelling-web série-viral” na mesma frase, eu penso: lá vem merda. Dificilmente eu me engano. É que agora os puros precisam se misturar aos parias, se quiserem de verdade criar conteúdo que tenha views, likes e principalmente compartilhamento. Pensar como antes, não vai levar a lugar algum. Os 30 segundos agonizam em coma. Mesmo que esse coma dure 100 anos. A questão da não-ficção é tão séria que as vezes é muito difícil encontrar profissionais para trabalhar nos formatos. Ou eles estão ocupados ou não existem. Os Festivais ignoram e desprezam a não-ficção/humor. Cursos de não-ficção são raros, mesmo os que existem morrem logo por falta de aluno ou interesse. O Fundo Setorial e a Ancine também torcem seus narizes. Política de desenvolvimento para a não-ficção é pouca. Às vezes rebaixa nota de avaliação. Mas sabe qual é a real? No final do dia, na hora de fechar o caixa é justamente a não-ficção/humor que paga a conta, por ser mais barata, rápida de produzir e com resultados efetivos nesse brinquedinho caro chamado audiovisual.  [...]



Dá-se um jeito.

2016-02-27T20:55:19.360-03:00

Hoje ouvi uma cara contando que estava puto porque teve que pagar uma indenização para uma funcionária que o tinha processado. Não sei que tipo de comércio é. Só sei que tem um caixa. A funcionária em questão tinha sido mandada embora por justa causa porque tinha roubado o caixa do patrão. Durante três meses. A câmera que ficava em cima do caixa estava desligada e então ele não podia provar. Porque se tentasse, iam descobrir que ele, de algum jeito que eu não entendi, mantém um esquema para alterar o caixa, caso a fiscalização passe. “É um jeito de fraudar”. Ele disse. Alto. Em bom som. Como se fosse a coisa mais comum do mundo. E na sequência o assunto andou para o lado da crise. E morte a não sei quem... Botar fogo não sei onde. Porque não sei quem falou na televisão que só vai piorar. É o que mais se escuta. Eu lembrei do Renato Russo: ninguém respeita a constituição, mas todos acreditam no futuro da nação. Que país é esse?  E a única coisa que eu tenho para responder é: não sei. Acho que ninguém sabe. Quem sou eu para responder? Mas, tenho a mais plena consciência que não existe uma resposta só e todas elas não são fáceis de ouvir ou realizar.Ninguém respeita a constituição. Ninguém no nível geral da coisa. E tudo bem falar alto por aí. Pensei que talvez a gente não tenha noção clara entre o que é permitido por lei, e o que não é, além do básico “não matarás”. Aqui talvez seja o único lugar do mundo onde existe a expressão “essa lei não pegou”. Sempre me perguntei como pode isso? Se é lei. É lei. Mas... dá se um jeito. Dá-se um jeito pra tudo. O  brasileiro aprendeu a dar seus pulos tentando sobreviver.  Com certeza alguém já deve ter escrito sobre isso por aí, ao analisar o baixo nível da nossa educação. Porém, todavia, contudo, então, chegamos a um momento que mostra claramente não ser mais possível continuar assim. Mas como mudar? Como quebrar a cadeia de vantagens e jeitos tão arraigados em nós? Todo mundo é assim? Sei lá!! Tem hora no Brasil que se você não der um jeito, simplesmente não acontece. Vencer o “sistema brasil” é uma batalha heroica que a gente vive diariamente. Serve de desculpas?? Sei lá!! A vida não é fácil. Na nossa bandeira está escrito “ordem e progresso”. Nem preciso falar nada dessa frase, porque muito já foi dito,  além da piadas, memes, vídeos, fotos e fatos. Uma vez uma imagem chamou a minha atenção. No lugar do tão ambicioso “ordem e progresso”, um foda-se. Pergunte para qualquer brasileiro qual é o seu sonho? Casa própria? Só se for fora do país. Brasileiro bem-sucedido mora no exterior. Não é um julgamento de quem foi. Não, de jeito nenhum. É  só que se você quer abandonar, e é quase um sentimento-típico-brasileiro, foda-se. As pessoas carregam dentro do seu mais profundo eu um incansável chiado: “esse dia há de chegar, vou largar essa merda”. Cansei de ouvir.... ainda ouço. Se todo mundo tomasse coragem, seríamos mais de 200 milhões de pessoas, que deixaram para trás 8.514.876 km², sendo que 7.408 kmtem vista para o mar. Já pensou? Acho que aí então seríamos a nação mais feliz do mundo. Longe daqui. E o que aconteceria com todo esse pedaço de terra, na Terra? Acho que o resto do mundo encontraria espaço para agir da maneira como sempre viu o Brasil, e a gente se deixou ver, desde a invasão pelos portugueses: exploração das suas riquezas até que tudo sumisse e aqui então fosse engolido pelo Oceano Atlântico e esse “problema-chamado-brasil, enfim desapareceria. Sei que parece sinopse de filme. Total ficção, espero. Porque mesmo em um real apocalipse, isso não vai acontecer. Muita gente pode até ir embora. Mas outro número gigante vai ficar. Pelas mais diferentes razões. Eu vou ficar. Nem falo inglês. Sou tão desgraçada que a língua portuguesa é razão da minha vida. Moro aqui. É a minha casa. Na verdade de todo[...]



A sagrada família

2015-09-25T13:17:44.569-03:00

Aconteceu que depois de quatro anos, Soraia, que é bióloga, tinha conseguido finalmente entregar a sua tese de doutorado. Não tinha sido fácil principalmente quando precisou adaptar o tema, para as exigências do laboratório de estudos do genoma humano. Ninguém entendia muito bem o que a Soraia fazia. Só que era uma coisa difícil. Naquele dia, Marte, seu regente estava no alto do céu e Vênus em harmonia com Saturno, faziam tudo ter um ar auspicioso, como falou quando ligou para a sua esposa, a Marcela. Elas combinaram de mais tarde encontrar os amigos para uma cerveja e quem sabe aproveitar para ficarem mais próximas. Não estavam bem. A analista financeira, a Marcela, trabalhava muito. E justo naquele dia, Vênus e Saturno se desentenderam para ela. Apareceu uma diferença nas contas do banco onde trabalhava e ela não podia arredar o pé dali, até descobrir onde estava o dinheiro. Soraia ficou brava. De novo a mesma história. Tomou uma cerveja belga a mais, com 18% por cento de álcool. Precisou ir ao banheiro e na saída encontrou o Dudu na porta. E não se sabe ao certo se foi a quarta cerveja belga, Vênus ou Saturno, ou algo engraçado que ele falou e ela riu, voltaram para dentro do banheiro. Trancaram a porta. Soraia esqueceu de Dudu no dia seguinte, mas no fim do mês os enjoos, o atraso na menstruação e “aquele maldito exame de farmácia” comprovaram: estava grávida. Esperou até as duas da manhã, daquele dia em que esqueceu de ler o horóscopo e contou para Marcela. A analista financeira olhou para o relógio e disse a si mesmo que uma mãe de família não poderia chegar em casa àquela hora. E sem querer sentiu-se mãe. Depois quis saber do pai.– O  Dudu é só um amigo. - Mas ele precisa saber. Marcela também quis saber se Soraia amava o Dudu, se ela ia sair de casa, se ia ter a criança. Bom, nada disso aconteceu. O Pedro nasceu com duas mães e um pai. Marcela que odiava o trabalho no banco saiu e abriu uma floricultura. Soraia foi trabalhar em outro laboratório. Trabalhava muito e ainda dava aula na pós-graduação da faculdade. Marcela cuidava do Pedro. Mas Dudu achava que o menino estava muito mimado. E resolveu dar um jeito naquela história: adotou um cachorro. O Pedro, amou o Betoneira, o cachorro. Soraia não ligou muito. Mas todo mundo teve a certeza que Marcela ficou com ciúmes do cachorro. É claro que ela não ia admitir. No domingo, no parque resolveu provar que estava acima desses comentários maldosos daquela família: pediu ao moço do cachorro-quente para tirar uma foto dos cinco e fez questão de segurar o Betoneira no colo. Prometeu a si mesma imprimir aquela foto e colocar na sala de casa. D.Else tinha três filhos. Duas meninas e um menino. A Márcia era a mais velha, o Naldinho o do meio e a Juliana a mais nova. Seo Ermírio, antes de morrer, vivia chamando a Ju da sua filha prafrentex.  É que a Ju adorava viajar. Antes dos 24 anos, já tinha ido duas vezes para a África e perdido as contas das vezes em que esteve na Europa. Naquele tempo, Ju  estava na Nova Zelândia e Márcia, a advogada, ficou brava com a irmã que não se deu ao trabalho de voltar para o casamento do irmão. Naldinho fez uma cerimônia tão bonita. O pai já não estava presente. Custava ter voltado? Mas a Ju não voltou. Só chegou ao Brasil alguns meses depois e grávida de cinco meses. Não quis falar quem era o pai “pouco importa”. Prometeu fincar raízes para cuidar da Gisele. Márcia, que era louca por sapato, antes da sobrinha nascer já tinha comprado quase todos os tipos que uma criança pode usar. Quando Gisele nasceu tinha botinha, tênis da Nike, sapatilha de lacinho.... A Juliana achava tudo aquilo uma bobagem. Mas, resolveu deixar pra lá. A irmã ajudava com o dinheiro e cuidava da filha. Mas era D. Else quem ficava a maior parte do tempo com a menina. A Ju passou a trabalhar das nove as seis e não conseguia tirar da cara a expressão de “pa[...]



Cúmplices

2015-02-09T23:43:50.001-03:00

(Ficção. Algumas semelhanças com a realidade, mas bem poucas. Identidades preservadas pela própria dignidade da pessoa)Domingo, perto da meia-noite recebo uma mensagem da distante Inglaterra no celular: “está vendo o Sportv? Campeonato Mundial de Patinação Artística”. Sem lembrar da entediante segunda-feira que se aproxima, pulo da cama desesperada e só consigo pensar no que perdi. Rapidamente, pelo celular, da distante Inglaterra, da terra onde as pessoas fazem mestrado, recebo as atualizações das últimas apresentações, com detalhes nas notas... E aí então entro no reconforte mundo dos saltos-e-piruetas-com-babados-no-gelo. Feliz é aquele que tem uma amiga para dividir o amor pela patinação. Mais feliz ainda é quem tem um amiga para compartilhar suas impressões sobre outro derivado dos pulos-com-fru-fru: filmes de patinação. Afinal são poucas as pessoas no mundo que vão soltar um suspiro ao ouvir: “Um casal quase perfeito”. Clássico... até hoje insuperável...(Disney, me desculpe mas Sonhos no Gelo nunca será “Um casal..., talvez se comparamos com Um casal quase perfeito três (existe!))... Enfim, isso é mais que uma amizade. É quase como ser cúmplice em um crime.Mais difícil do que encontrar alguém para falar sobre patinação artística, é aguentar sozinha o preconceito por gostar de Alcione. Mas eu não passo por isso... D, assim como eu, também é fã da Marrom (mesmo quando ela aparece vestida de cereja). E podemos compartilhar o momento de cantar (dentro do carro é claro), fazendo um dueto, “garoto, maroto, travesso....”, É  uma alegria inexplicável.... Mas é tão difícil sair desse armário, o risco de bullying é aterrorizador... L,  divide comigo o amor pelas fontes... e alguma cascatas. Acho lindo. Como L é arquiteta, a gente sonha ganhar na loteria, só para construir uma casa com uma grande, esquisita e chamativa “fonte-elefante”. A título de curiosidade, elefante em casa dá sorte... Enquanto a grana da loteria não vem, ficam espalhados pela casa elefantinhos-de-bisquit-com-espelhinhos-colados... E o ridículo de tudo isso toma horas e horas de boas conversas... principalmente se tiver cerveja no meio. Mas a gente sempre concorda que fonte de respeito é a “Casa da Pedra” do Frank Lloyd... J, Outra parceira da clandestinidade, é uma pessoa respeitada, principalmente quando o assunto é economia e investimento, que mantém em segredo uma coleção respeitável de Júlia e Sabrina... antigas. “Que delícia para zerar o QI.”... costuma dizer, se desculpando por esse amor bandido.  E por considerar “o torso nu do Capitão Walker, protegendo finalmente Lisa.”, quase Joyce... Sonho um dia escrever um livro desses, e me divirto procurando pseudônimos... Chegamos à conclusão que Dolores Ruas é uma boa opção. Ainda não achei um bom nome para o meu capitão... claro que precisa ser uma história na praia. São os nossos preferidos.... E é melhor eu parar por aqui para não piorar, ou colocar em risco a cumplicidade... São gostos que não tem explicação. Ou lógica. São gostos-duvidosos que brotam de um desastre químico do cérebro. Acontece, sem que se possa fazer nada, com muita gente e é involuntário. Talvez isso explique o ditado  “sapo não anda com cobra”... tem sempre alguém por aí para compartilhar o seu lado Z... [...]



Reply na caixa de spam

2015-01-21T21:10:19.959-03:00

Caro Zig, sei que a gente já se conhece há algum tempo. Estou acostumada a receber suas mensagens quase todo dia. Sinto que nossa relação tem um “lance”, mas eu não sei se ela é sólida o suficiente para que a gente comece a partilhar as nossas finanças. Tenho muitas dúvidas... Por isso ainda não decidi te mandar meus dados bancários e as minhas senhas. Sei que você já se irritou profundamente com a minha negativa e já tentou pegar na marra. Mas acho que deve ter passado, você continua me escrevendo. Mas dinheiro não é bom para nenhuma relação, atrapalha e além do mais prefiro pensar que você gosta de mim como pessoa, a nível de ser humano, não apenas como uma senha. Bjss e até amanhã.Fê_molhadinha, querida olha entendo a sua tentativa de provocar em mim sentimentos e paixões até então imagináveis, mas assistindo aos vídeos que me mandou (vi só metade porque não pude colocar o número do meu cartão crédito para ver o resto), acho que sou muito careta para você. É sou... desculpa, mas tenho a sensação que se entrar na sua posso não chegar viva ao final da tal noite de loucuras que você promete. Por favor, não pense que acho você uma assassina, tenho certeza da sua paixão por mim, jamais duvidei, é que sinto não ter preparo físico para aguentar até o final. E... preciso te dizer uma coisa: aquele seu amigo vestido de diabinho, me dá muita vontade de rir. Já te disse também que tenho problemas com peito... não gosto muito. Então, vamos parar por aqui. Não sofra, vai ser melhor para nós duas. O tempo nos dirá. Beijos.Menino_da_porteira, vou ser direta com você: não vou na sua festa! Por favor, não se sinta ofendido. É que o meu conhecimento de sertanejo para em “Fogão à Lenha” com Chitãozinho e Xororó e sei a letra de “Entre tapas e beijos”. Mas, pelo que você descreve, o seu evento é bem mais moderno, já que o som é o “mais puro sertanejo universitário”... Sinceramente, também não consigo me imaginar na “grande fila de cowboys e cowgirls gastando a sola da bota até o sol raiá.” Amigo, se você estiver a fim de um cinema, um jantarzinho, ficar na fila da paleta mexicana, me escreve. A gente marca. Bjss.Mirella, não tenho interesse em comprar “pó de Goji Vita para emagrecer”. Admiro a Ivete Sangalo por ela usar, mas não é para mim. Obrigada.Padre Moa, obrigada pelas suas orações e sermões. Mas como o senhor exige seguir as riscas os mandamentos da Santa Igreja Católica, não tenho condições de ser sua seguidora. Por favor veja o outro e.mail que lhe mandei falando o que penso sobre família, todo tipo de família, contracepção e divórcio. Atenciosamente.Lúcifer, nesse momento não tenho interesse em participar de nenhuma seita satânica. Pela sua insistência tive que te bloquear. Espero que entenda. Sem ressentimentos.Lulu, adorei suas flores de biju! Pena que seu site está fora do ar. Da próxima eu compro. Parabéns pelo seu trabalho. Bjss (depois eu continuo faltam só 1093 mensagens) [...]



Cara nova, problema velho

2015-01-03T14:25:48.904-03:00

Percebi que ano passado, em 2014, escrevi apenas um post. O ano inteiro e eu me dei ao trabalho de escrever apenas uma vez. Péssimo. Isso sim é um abandono. Estou cumprindo tabela ao mudar o visual do blog, como faço todos os anos, apenas para manter a tradição e o meu canto particular na internet. É como um paulista que tem um terreno na Bahia, sonhando com o dia em que vai conseguir finalmente largar tudo e morar lá. Por enquanto é apenas um pedaço de terra cercado. O exemplo se aplica muito ao blog. Um dia sonho em alimentá-lo com muitos textos, conteúdo interessantes e que tocar o coração das pessoas. Um dia... quem sabe quando eu me aposentar da vida corrida que levo... um dia quando não passar 12 horas sentada na frente do computador escrevendo. Um dia quando tiver tempo para pesquisar temas e achar, todo santo dia, algo relevante para postar. Um dia... quem sabe... talvez. Por enquanto o que posso oferecer é apenas a manutenção da cerca. Tenho o projeto construído na minha cabeça: um blog que fale de cinema, livros, arte, cultura, comportamento... os temas pelos quais me interesso. Vou ler um livro e resenhá-lo aqui... por enquanto eu mal termino de ler os livros que começo. Assisto muitos filmes ainda... mas não consigo escrever sobre todos. Bem que gostaria... comentar as séries que acompanho... o que penso sobre cultura. A gente tem sempre tanta coisa pra compartilhar, tanta coisa na cabeça... e só coloca para fora na mesa do bar, lamentando com os amigos o tempo. Esse senhor destemido e atrevido, que não se dá o trabalho de parar um minuto para que eu posso realizar esse sonho. Então para concluir a culpa não é minha... é o do tempo. Já estou entrando em contato com os meus advogados para ver o que podemos fazer para processá-lo. Um dia quando ele for julgado... um dia... vou pedir de volta o tempo perdido e prometo usar a indenização toda aqui. Até daqui a pouco quem sabe...



O presente que sonho para São Paulo

2014-01-22T22:31:10.457-03:00

(texto para a tradicional mudança anual do blog)Aniversário de São Paulo e a tradicional época de demonstrar um pouco de amor a essa cidade.  E apesar de São Paulo não prestar, não ter amor, compaixão, beleza, carinho, paciência, gosto muito daqui. E não me canso de pensar como tudo poderia ser diferente. Mas sei que as mudanças não acontecem de uma hora para outra. Aqui não tem mágica. Mas poderia começar por algum lugar e se eu desejo algo para essa cidade, queria ver o Parque Augusta inteiro, não retalhados em lotes, com dois prédios no meio. Já temos grades, porteiros, controle remoto, crachás, câmeras de segurança, demais. Estamos saturados. Se for assim, não vai ser um parque. Apenas mais um desses lugares que ninguém entra sem um código de acesso. Um parque. Não mais uma catraca para gente passar sem olhar para os lados. Sem ver o outro, sem conviver. Um parque no meio da cidade. Perto do metrô, que permite o acesso de pessoas de todas as zonas. Um lugar para o skate, o Tai-chi, o piquenique, a caminhada, o namoro, o encontro, a passagem. Um parque aberto. Convivência.Não seria lindo se ao invés das grandes imobiliárias, que já canibalizaram tanto essa cidade, de uma hora para outra, num momento de lucidez, disputassem entre si o direito de dar de presente para a cidade o parque? Como ele deve ser e como a gente merece? Top of Mind. Mas o prêmio não importaria, porque a vontade de retribuir, de ajudar na cura, de apenas fazer o que é direito e certo, fosse mais lucrativa do que qualquer outro empreendimento imobiliário com quartos, varanda gourmet e garagem com depósito,  pudesse render. Sei que sou uma idiota. Ingênua. Mas não custa sonhar. Sabe o que mais me mágoa nessa história dos tantos espaços públicos roubados de São Paulo e dos paulistanos? As marginais. Eu não sei se você já parou para pensar: mas nós temos dois rios, dois, e simplesmente não podemos nos aproximar de suas margens. Apenas passamos por elas a 90 quilômetros por hora (se for de madrugada, no restante do tempo, com sorte a 10 quilômetros)  sempre dentro de um carro. E mesmo que o Tietê e o Pinheiros tivessem suas águas cristalinas, seria muito difícil chegar perto. Com risco de morte por infinitas causas: de atropelamento a contaminação por mercúrio. E isso dificilmente tem conserto. Jamais vamos fazer uma caminhada pelas margens do Rio Tietê. Isso soa tão absurdo que parece piada. Imagine que locação para um rolezinho?! Talvez essa palavra nem existisse. Porque os jovens da cidade teriam aonde ir durante as férias, o que fazer. Um espaço de lazer para o esporte, para a conversa, para qualquer coisa. E é enorme, perto de casa. Penha-Lapa/ Jaguaré-Interlagos. De ponta a ponta quilômetros de margens inteirinha para os paulistanos. E isso é mesmo só um sonho e uma grande pena. E o assunto aqui não é rolezinho. É o grande assalto que todos os paulistanos sofreram e nem se deram conta. Afinal quem vê valor em margem de rio? Será que o Parque Augusta vai repetir essa história? Tudo de novo, sem volta? Mais uma ferida aberta que não cicatriza, para a gente tratar? E se eu pudesse escrever a biografia não autorizada do Paulo Maluf, o título do livro seria: O homem que roubou as margens de dois rios. Além de todo o dinheiro, ele também tirou o nosso direito de simplesmente passear nas margens dos rios. Ele merece entrar para história assim, como um homem egoísta, sem visão, que não pensou no bem comum. Com suas marginais transitáveis, São Paulo seria bem diferente  Talvez até os rios estivessem limpos. Porque com gente perto, ficaria complicado jogar tanto lixo. De longe ninguém vê e fica por isso mesmo. Isso é muito triste e não tem solução. A gente já se ferrou tanto, e o resultado desse crescimento desordenad[...]



O fim do grande amor

2013-10-17T15:53:16.732-03:00

Nem me lembro de quando foi a primeira vez em que ouvi você... Faz muito tempo. Mas tenho certeza que antes de lhe ver, eu lhe ouvi. Com atenção. Deixei você entrar em mim. Deixe sem nenhum medo você invadir a minha alma e me tomar... Te amei. Dede de sempre. Fui sua. Sua Mulher de Atenas, passiva, amante. Calada. Em troca você foi comigo. Segurou na minha mão. Esteve comigo quando eu rastejava de dor. Você viu. Viu o meu avesso. Acreditei em você. Nunca duvidei. No dia em que confundi vodka com água, você viu meu vômito.  Quer intimidade maior do que essa? Qual??  Íntimos... caros... amigos... Eu fui ridícula, estabanada, perdida... Você... ali. Vivi com o combustível que seríamos futuros amantes. Vivi!!  Eu ri, eu chorei, eu gritei, eu engoli seco e... não escondi de você. Não sou uma pessoa de muitos relacionamentos, tenho uma certa inabilidade com esse assunto, e o pouco que sei: aprendi com você. E agora? Você... que vontade de chorar... muito. Ora por favor... não se proíbe livros!! Não se proíbe livros... nenhum... Cessa! Não me venha falar das leis, da moral, dos bons costumes, das verdades e das mentiras... do que é, e que ninguém pode saber!! Chega disso... não aguento... Simplesmente não se proíbe livros!! Se você parar um pouquinho para pensar... vai lembrar: em todas as formas de autoritarismo, a primeira providência é queimar os livros. Censurá-los, excomungá-los!! Não você... por favor. Você meu cavaleiro templário... não um monge medieval. Alguém precisa vir aqui e me dizer que tudo isso é mentira... Tô implorando!! Que dor...  Não se proíbe livros, nenhum... Depois de tudo que passamos, entre mim e você essa não era uma pergunta! Não! Era uma certeza: a nossa matéria-prima. Meu Deus! Te amei... tanto, tanto, tanto.  Agora... o que posso fazer? Vou lhe deixar a medida do Bonfim... não me valeu. E apesar de um grande amigo, talvez só o Pixinguinha não me baste! Vou trepar com o jazz e ferir o seu ciúmes! Vou... esse entorpecido, diabólico , mal falado e deslumbrante... tudo o que você já foi pra mim um dia!! Vou... muito!! Você vai ver! Mas fique tranquilo, bato o portão sem fazer absolutamente nenhum alarde... nenhum. Vou ser feliz e passar bem!! Quero ver como vai suportar me ver tão feliz!!  Quero!! Mas... não vou embora com a sensação de que já vou tarde... não... Fui surpreendida... traída! Você... não se proíbe livros... nenhum. Sempre soube que você acreditava nisso.... Você... Oh pedaço arrancado de mim... Oh, metade amputada de mim, leva o que há de ti, que a saudade dói latejada, é assim como uma fisgada, no membro que já perdi... Adeus. 



Paixão segundo GH

2013-10-14T11:06:22.705-03:00

trechos que me dizem muito.

"O que os outros recebem de mim reflete-se então de volta para mim, e forma a atmosfera do que se chama: eu. O pré-climax foi talvez até agora a minha existência. A outra - a incógnita e anônima -, essa outra minha existência que era apenas profunda, era o que provavelmente me dava a segurança de quem tem sempre na cozinha uma chaleira em fogo baixo: para o que desse e viesse, eu teria a qualquer momento água fervendo."

"Da-me tua mão desconhecida, que a vida está me doendo, e não sei como falar - a realidade é delicada demais, só a realidade é delicada, minha irrealidade e minha imaginação são mais pesadas."

"Todo caso de loucura é que alguma coisa voltou. Os possessos, eles não são possuídos pelo que vem, mas pelo que volta. As vezes a vida volta. Se em mim tudo se quebrava à passagem da força, não é porque a função desta era a de quebrar: ela só precisa enfim passar pois já se tornara caudalosa demais para poder se conter ou contornar - ao passar cobria tudo."

"E a mim - quem me quereria hoje? quem é que ficara tão mudo quanto eu? quem, como eu, estava chamando o medo de amor? e querer, de amor? e precisar, de amor? Quem, como eu, sabia que nunca havia mudado de forma desde o tempo em que haviam desenhado na pedra de uma caverna? e ao lado de um homem e de um cachorro."



Não vou comemorar o dia da mulher

2013-03-04T12:33:23.396-03:00

Neste ano de 2013, o dia Internacional da Mulher cai, como é de costume, no dia 08 de março... Homenagens, campanhas, promoções, descontos, flores, bombons, presentes... e toda uma série de "coisas" vão neste dia ganhar a conotação especial de reverenciar o sexo feminino. Não contem comigo para isto... no máximo o que farei é uma longa oração para que a mulher que apanhar neste dia, e isto acontece com uma mulher no mundo a cada segundo todos os dias, consiga de alguma forma se libertar. Vou pedir que a dor causada pelo ácido jogado na face de uma alma já dilacerada, não arda tanto... Vou rezar para que o filho ao ver a dor da própria mãe humilhada, quebrada, violentada, não perpetue esta atitude também com a sua mulher e filhas, quando formar uma família... já que foi educado para isto. Vou implorar para que a filha não pense que também precisa ser o objeto de um homem, ao ver toda a geração de mulheres da sua família sendo estuprada por aqueles que deveriam ser apenas família. Vou pedir que a menina de apenas 9 anos, violentada dentro do seu próprio quarto, lugar em que deveria se sentir segura, receba amparo para conseguir viver com dignidade mesmo tendo a infância roubada. Vou também, neste dia 08, pensar em todas as mulheres que levantam da cama antes do sol nascer e vão para o trabalho, deixando seus filhos sozinhos e rezando muito para que nada de ruim aconteça e que no fim do dia, o pão que elas lutam tanto para conquistar, possa ser repartido por todos na mesa. Vou pedir para que todas as mulheres abandonadas grávidas e que não servem mais para o tesão, consigam forças para educar seus filhos com um mínimo de dignidade. E que estes filhos possam retribuir o amor de suas mães, sem violência e drogas... Vou querer que por apenas um dia nenhuma imagem de mulher seja retocada no photoshop e esta escravidão do corpo não roube a inteligência e a vontade de se educar das adolescentes de todo o mundo, que passam horas tentando ser aquilo que não podem. Gostaria que nenhum homem louco de ciúmes matasse a mulher que julga amar, mas que na verdade não tem nenhum outro sentimento além de um orgulho ferido. Vou pedir para todas as mulheres do mundo estudarem. Assim como quis a menina de 15 anos que sonhava em ser médica e que foi atacada pelo Talibã. Vou pedir também para que elas trabalhem as mesmas horas do homens e ganhem a mesma coisa. Hoje as mulheres trabalham mais horas e ganham menos. Vou implorar muito para que nenhuma mulher precise andar de ônibus na Índia. O dia 8 não significa nada se nos 364 dias seguintes de tantos séculos, para frente e pra trás na história da humanidade a vida das mulheres continuar a ser marcada por tanta violência e desigualdade. Não há o que comemorar.



A vida é muito curta para morar em São Paulo

2013-01-23T18:12:13.515-02:00


Quando eu vi esta frase pensei: é verdade. Depois deste primeiro impulso, meu coração se encheu de tristeza em constatar a que ponto esta cidade chegou. Costumo dizer que uma pessoa é mesmo paulistana quando ela alimenta o desejo de deixar São Paulo. Quase todas as pessoas que moram aqui, tem a mais absoluta certeza que seriam muito mais felizes em outro lugar.... E por quê?
É o trânsito? É a pressa? É a chuva e a garoa que não param? É a violência? Os preços absurdamente caros de tudo? O jeito sisudo da moça no metrô? Pode ser tudo isto... Afinal se tem uma coisa que São Paulo consegue fazer pelos seres humanos que se atrevem a viver aqui é endurecer seus corações... É preciso. Tem  que ser esperto, alerta, tomar cuidado...
O medo assombra em cada farol, em cada esquina... na madrugada, em qualquer lugar.
Tudo é cinza. Tudo é longe. Tudo é feio.
Mas será que São Paulo pode ser reduzida dessa maneira? Acho que não... sinceramente acho que este sentimento de abandono eminente pela cidade é alimentado por esta política perversa que não pensa na convivência e sim no toma-lá-dá-cá e no levar vantagens em tudo. Se você quer ir embora, então por que pedir melhorias? Se você quer ir embora por que cuidar? Não tem sentido....
Eu adoro São Paulo, mas estou sendo vencida por tantas dificuldades urbanas... e a minha vontade de ir  está crescendo.... lamento. Se vou de verdade tomar esta decisão? Confesso que me falta coragem... pelo jeito vou manter este casamento ruim.
Vou alimentar o sonho de ver esta cidade do jeito que ela deve ser. Com transporte público descente, para todos, confortável, que a violência seja diminuída, que todos os bairros, de todas as zonas mereçam o mesmo tratamento, que a gente possa conviver. Sonho com uma São Paulo mais amiga e menos perversa. Parabéns sua filha de uma puta que gosto tanto!!
Se a vida é muito curta, então na verdade não temos mais tempo, estamos atrasados. E não adianta só esperar o poder público... porque este já provou que gosta mesmo do prestígio, do poder, do dinheiro que corre como água para poucos, que inebriados por estas pequenas coisas esquecem do que importa.  



Ainda aqui

2012-12-25T12:40:06.131-02:00

Não escrevo quase neste blog... o que já sabemos é um abandono virtual, mas contra o qual não posso fazer nada. Num mundo de cento e poucos caracteres parece que fica estranho escrever longos textos... e pior parece que você não pensa mais em logos textos e sim em pequenas frases. Haikais cotidianos, que vão pincelando aqui e ali o resumo dos seus dias e também dos seus amigos... A vida virtual, desde quando mantenho este blog mudou na velocidade da luz e sabe Deus para que lado ela vai... A cada novo dia o jeito de usar a internet se altera... e agora estamos esperando o que virá depois do Facebook... enquanto isto, aqui na sala de justiça, o que tenho para dizer em minha defesa é que tenho apego a este pequeno ponto de bit (pleonasmo??) virtual... é o meu pedaço de terra... não quero abandoná-lo. Descarto os ensinamentos budistas e dos mais elevados espirituais, que se não está sendo usado devemos jogar fora... não vou. Gosto de saber que tem um lugar no mundo que de verdade quem manda sou eu... Escrevo o que quero, do jeito que quero sem nenhum briefing... mas e aí o que fazer com tanta liberdade?? Nada né... a falta de tempo, costume, incentivo, assunto, disposição, disciplina, uma leve suspeita de distúrbio de atenção, faz as coisas serem como elas são... Mas algumas tradições são sagradas como a alteração de layout que faço no fim de todo ano... mudei... simplesmente a cor do blog para verde... porque em 2013 espero um ano mais verde para mim... e para todos. Não vou ser egoísta... Verde é esperança, é prosperidade, é natureza, é alegria é disposição é a vontade de construir um nova vida... é isto que espero alcançar. Em 2012 vi poucos filmes, quase não fui ao teatro, li muitos livros, escutei muita música, visitei algumas exposições, não sai muito, e fui nos restaurantes de sempre... poderia ter registrado estas impressões aqui, como sempre fiz. Ficou lá no facebook.... Não espere promessa vãs... não farei. Vou escrever... quando der. Feliz 2013



Não é preciso despertador em São Paulo

2012-05-14T16:14:43.978-03:00

São Paulo sempre foi uma cidade de crescimento e mudanças. Faz parte da sua essência. Isto não quer dizer que estas coisas aconteçam de maneira pensada ou respeitando o mínimo do bom gosto e de algumas leis do urbanismo. É uma cidade desordenada que cresce para todos os lados, sem controle. A exploração imobiliária está destruindo o pouco que a cidade tinha da sua história. O meu bairro por exemplo, um bairro tradicional da  zona norte de São Paulo, está virando um canteiro de obras. Antigas casas dão lugar a imensos condomínios onde o futuro está escrito em números: quatro salas, quatro quartos, quatro banheiros, trezentas vagas de garagens, não sei quanto de área útil. O que antes era um pacato bairro residencial, agora é um estacionamento de caminhões betoneiras que funcionam das sete da manhã em ponto até as cinco da tarde. Mesmo porque se passar desta hora começa a gritaria nas janelas mandando a obra parar, avisando que vão chamar a polícia... Cinco da tarde é o mínimo da tolerância que as pessoas aguentam do barulho que virou a trilha sonora desta cidade, onde todos vivem de fones. Olhe a sua volta.... andando, no metro, no almoço... todo mundo vive de fone, no seu próprio mundo, fugindo dos barulhos que vão nos buscar onde quer que a gente esteja... Eu não uso mais despertador já que em volta do meu prédio pelo menos cinco outros condomínios estão sendo construídos a todo vapor. E isto não é um privilégio de Santa Terezinha... não... em todos os lugares, em todos os bairros, em todas as zonas o horizonte de São Paulo vai sendo roubado aos poucos por este crescimento desordenado... Sinto muita tristeza de ver minha cidade assim... E mais ainda de saber que onde está uma construção que não deveria é porque alguém ganhou uma grana, pagou uma propina, falou com um vereador, conhece alguém na prefeitura... e assim vamos construindo um futuro confuso. Um futuro de histórias derrubadas... cuja lembrança que vai ficar é um barulho ensurdecedor que nos tira o sono, a tranquilidade, a paisagem, que principalmente deixa ainda mais difícil a ideia de morar aqui... 



Tem um silêncio comigo...

2012-02-10T21:09:49.539-03:00

O grande problema dos amores platônicos é que eles são profundos silêncios. É o instante em que a sua respiração para diante da pessoa amada e não pode ir além do bom comportamento e da contenção. Nem adianta falar sobre ser mais ousado, arricar... O tipo de platonismo que falo é do tipo fato. Não é uma suposição... É triste.
Você não tem com quem dividir isto. Nem com vc mesmo. Além do sentimento ardente de realizar, que vem dos detalhes como a mão, a boca, o cabelo, o jeito de falar e ser, enfim todos os ingredientes desta coisa chamada amor, existe também o desejo mais do que ardente de esquecer isto. De fazer de conta que não é nada. E é assim que os silêncios vão se aculumando no seu pensamento e principalmente no seu coração... Como uma questão de sobrevivência você passa a preencher este vazio com que lhe resta: a música. E existe música para caralho (desculpe) o palavrão. Assim de estilo em estilo, com fone de ouvido, para ninguém nem sonhar com o que você está ouvindo, você vai criando sonhos na sua cabeça. Imaginando a oportunidade em que tudo poderia acontecer. E vc traça planos, argumentos e no fim deste longo pensamento, quase um devanio, a realidade lhe chama. O fim não vem... nem na sua cabeça. Em outros momentos vivi isto e resolvi arquitetar a situação para que ela acontecesse. Foram as piores coisas da minha vida... Não quero mais fazer isto. Por mais que doa, por mais que sinta saudade deste veneno-cor-rosa, vou apostar desta vez... no acaso... senão for, não foi, se foi... o que será? Porque também corre-se do amor platônico se realizar e você perceber que ele é mais bonito na ficção... Ou seja, quem vem primeiro o ovo ou a galinha?? Não sei responder... nunca saberemos... se vale realizar ou contar com o alinhamento dos planetas em favor de um sentimento que independente de qualquer coisa, iluminou meu coração...



Puff... se foi

2012-01-03T23:01:35.409-03:00

No fim do ano fui surpreendida pela notícia da morte do jornalista Daniel Pizza. Eu fiquei bem triste. Ele morreu aos 41 anos, jovem e com muita coisa pra fazer. Morreu de um AVC. Vai saber se esta era a hora dele ou não. Esta resposta a gente nunca terá. Mas estas saídas repentinas deixam na gente aquela sensação de a qualquer momento pode ser você. E aí? O que falta ainda pra fazer? Daniel publicou 17 livros, escrevia no Estadão, falava no rádio... Pensando que o Ruy Castro lançou o seu primeiro livro aos 41 e o Woody Allen começou as 37 anos... assim como tantas outras pessoas, ele estava só começando. É difícil deixar de pensar nisto. No que mais poderia vir pela frente que foi abrevidado pela certeza constante da vida, que é a morte? Este clichê perverso que está sempre ao nosso lado, mesmo que a gente ache que este dia vai demorar a chegar... Assim toda a preocupação, toda a tristeza, toda a agonia, e ansiedade e depressão, e raiva e magooa... todas estas coisas também vão embora com a gente na hora da morte. Viram pó... da mesma forma. Perdem o sentido, a importância... Então pra quê né?? Vai saber... o que a gente ainda não aprendeu.  Não tenho medo da morte, mas ela mexe comigo... Ela no sentido a entidade... sim porque a morte é uma entidade. Um ser que nunca vamos desvendar. Nossa maior certeza e também mistério. Que independente de vc ser rico, pobre, digno, ladrão ela vai te encontrar... Num instante... puff já era... já foi. Então o que nos resta fazer é seguir...e torcer para que a hora do encontro seja menos doída, no tempo... que fique a certeza de uma boa vida... que a lápide e o obtuário sejam a confirmação de uma vida feliz. Mesmo sem saber é preciso fazer a nossa parte...



A tradicional mudança

2012-01-03T00:10:05.884-03:00

Todo ano, faça chuva ou faça sol, eu mudo a cara do blog... pus aí uns passarinhos... Gostei da simplicidade. Queria tirar estes anúncios do blog... mas me parece que se eu fizer isto serei atacada cibernéticamente e minha vida virtual corre o risco de sumir... Eu também não sei fazer isto. Já tentei... me falaram para mudar de endereço. Eh... putz dá um trampo fazer isto sabia... Aliás dá um trampo ter o blog... Sei que vc vai dizer que não escrevo nada aqui nunca... eh verdade. Não queria tocar neste assunto velho de novo... mas fazer o quê? Se serve de consolo é como carregar uma terrível culpa... vc sabe que deveria entrar... fazer qualquer coisa... mas deixa pra lá... conheço um monte de gente que é assim formamos os expatriados da blogosfera... Aqueles cidadãos que um dia serviram a esta terra distante e agora preferiram ir cantar em outra freguesia, como o Facebook... Mas a mudança de começo de ano não deixo passar. Gosto de pensar que sou um ponto perdido na nuvem internética. E isto eh verdade... vc consegue ver quantas pessoas entraram no seu blog e o que estavam procurando. O hit número um do meu blog é um post de 2008, ou sei lá quando não vou procurar em que falo sobre o filme "Talvez algum dia" um hit master plus da sessão da tarde nos anos 80... Então eh isto aí... Vou ficar por aqui... de vez em quando venho aqui neste país, na blogosfera. Aliás eu pensei nisto porque vi estes dias umas pessoas nos EStados Unidos que querem fundar um país no meio do mar. Eu achei isto incrível. Realmente uma nova época. Quando li isto pensei no rumo que a vida humana está tomando. 2012 é o ano que dizem o mundo vai acabar... Sabe, tenho a mais absoluta certeza que não. Mas tenho certeza que este mundo como conhecemos não vai exitir mais. Viveremos mudanças de paradigmas, de dogmas, de conhecimentos. Vamos construir novos paises, no mar... Que sociedade será esta? Talvez sem tantas diferenças e ostentações, mais simplicidade... Torço para que todas estas mudanças aconteçam  com paz, amor, alegria e saúde. Eh isto que desejo para 2012! Mesmo sabendo que isto é muito difícil... mas não consigo perder a esperança. Aliás a esperança e a fé. Uma sem a outra não adianta nada. São duas palavras irmãs.



Cabelos curtos

2011-09-03T19:28:41.506-03:00

(faz tempo que não escrevo aqui....)

Você pode ser uma pessoa que não entende ou não goste muito de numerologia. Ou ache que é um pouco difícil achar que, em cada número de 1 a 9 e todas as suas infinitas combinações possuem uma determinada vibração e energia. Mas, para mim a numerologia é muito clara. E isto não quer dizer que eu seja boa em matemática. Talvez por isto admire tanto os números. Não domino sua forma lógica - soma, multiplicação, divisão, logaritmo e outras maluquices. A mim coube o entendimento de seus significados humanos e espirituais. Mas um espiritual ateu, se é que isto é possível. Mas no sentido de que não tem um Deus difinido e sim a sua essência. O que isto tem a ver com cabelos curtos? Pois bem. Este ano, 2011 é para mim um ano pessoal 5. O ano pessoal você descobre somando a sua data de nascimento ao ano atual. O ano começa a valer próximo a seu aniversário e vai assim até o próximo aniversário. O ano pessoal tem a ver com o ciclo de vida que todos nós atravessamos em determinadas épocas de nossas vidas. Nem todos os tempos são iguais. E a nossa história sempre tem os seus momentos. Este ciclo vai de 1 a 9. Então vivemos ciclos de nove anos ao logo de nossas vidas. E este ciclo tem a função de nos aprimorar na evolução pessoal. O ano 5 tem o significado de "intensa mudança". Vivemos no cinco o impulsso as vezes involuntário de nos transformar. É como se fosse a primavera de nossas vidas. Isto não quer dizer que tudo seja lindo, maravilhoso. Então aceitando o fato de que este é um tempo de mudança e aprendizado. Duros. Estou simplicando as coisas para que este turbilhõa fique mais leve. Meu cabelo dá muito trabalho grande. Curto fica mais fácil. Simples assim. Mas é uma mudança e tanto. É estranho olhar no espelho. Aliás é estranho olhar como tudo está diferente. Acho que agora é a parte da hora que a chuva para. E a gente finalmente pode olhar as flores. É assim que me sinto. Nunca tive cabelos curtos. Espero que nunca mais também outras coisas se repitam. Porque os ciclos também são chances para corrigir velhos usos e costumes que nem sempre são bons para nós. Sabe o que significa o ano 6, que vem em seguida? Equilibrio. Bem-estar. E você só pode conseguir isto de maneira plena mudando o que prejudica isto. Esta é a minha lição.



Apenas um encontro

2011-04-02T15:27:58.001-03:00

(da série: é ficção) Um destes finais de semana besta que a acontece na sua vida e que você de verdade não programou nada. Não tem muitas perspectivas e sei lá porque uma amiga do nada te liga convidando para um jantar na casa não sei de quem, para comemorar um aniversário. Bom... apesar da vontade de ficar em casa, na zona de conforto onde nada muito exitante acontece além das telas da televisão, é grande... mas vamos fazer um esforço. E aí meio que sem querer você se arruma, passa maquiagem, um pouco de batom e esquece do perfume... tudo bem. Ai no meio de tanta gente que vc nunca viu uma é diferente. Não só pela beleza. Mas pelo olhar profundo, um tanto cansado, daquele tipo que vc tem quando acha que as suas piores lutas chegaram ao fim... e os momentos agora são de paz. E aí entre taças de vinho e risadas e bobagens e uma lua linda, vc simplesmente conversa. Muito tempo. Sobre coisas apenas suas... alguns segredos, alguns mistérios revelados. E aí nasce dentro de si uma pequena chama, que apesar de ter brotado de uma noite apenas, de uma única conversa de um único momento parece que a cada dia esta chama esquisita fica lá... as vezes cresce para depois abrandada por tantas considerações e "e se"... antes já foi assim e a tal chama apagou sozinha. Agora... parece que teima em ficar acesa. Em achar que aquele tipo de conversa, aquela risada, daquele jeito, com aquelas esperança não é algo que se encontre por aí... estranho é que a noite terminou sem muitas promessas, sem telefone, apenas com um adeus... foi... e o que ficou do pequeno momento do rearanjo do universo? Uma saudade esquisita, de algo que não foi... e uma ansiedade louca e gritante para que a os astro se unam para uma outra vez...



A vida depois do carnaval

2011-03-05T17:50:03.939-03:00

Eu sinceramente não sei se isto é uma lenda, ou se o Brasil realmente só funciona depois do carnval. Acho que já tivemos anos piores, em que o mundo realmente parecia parado. Mas quando o carnval cai em março a coisa fica pior. Porque são dois meses de coisas paradas. Ou andando mais ou menos, que é a mesma coisa. Para as pessoas que nasceram no signo de áries é bem pior. Não sei explicar direito, mas uma conjunção astral poderosíssima se forma no céu para que a coisa fique preta. Não lembro de ter começado um fim de ano realmente tranquilo. Sempre começo o ano atrapalhada. Mas 2011 ganhou o prêmio master plus de confusão. E eu decidi que este é o último. Talvez, agora as duras penas, tenha aprendido que as coisas não acontecem de uma hora para outra. Tudo tem seu tempo e sua hora. E eu preciso ver isto e não tentar viver no meu tempo e na minha hora, que acontecem dentro da minha cabeça, que como sabemos não funciona lá muito bem... Estou literalmente esperando o carnaval passar... como um urso hibernado. Não vou cair na folia como tantas vezes já fiz... Carnaval pra mim era realmente festa... Cerveja, vodca, fantasias, blocos, pessoas, namorados de carnaval - se é que isto existe - e hoje o tempo passou e tô pendurando a minha fantasia. Nâo sei se pra sempre... mas por hora. Apesar de tudo eu gosto de carnaval...



Um chapéu de presente...

2010-12-26T22:45:06.664-03:00

(image) Conheci uma moça que ganhou de presente um chapéu muito bonito. Mas antigo demais para ser usado nos dias comuns. Seu formato acertava-se perfeitamente à cabeça, mas ao mesmo tempo garantia um certo desconforto como se o resto da roupa e mesmo da cara não combinasse com o tom azul e a flor amassada de organza rosa e velha. O presente era uma herança que recebera no mesmo dia que soube da morte da avó. O chapéu tinha sido o seu enfeite de todos os domingos. Na sua avó ficava perfeito, combinavam. Talvez sua avó tivesse construído uma vida onde fosse possível caber um chapéu romântico. Esta menina não tinha uma vida onde este chapéu pudesse ser usado aos domingos. No máximo seria pendurado como um quadro em algum canto da casa, para que o carinho, as férias perfeitas na casa da avó, as tardes juntas no quarto de costura, as noites na frente da televisão, o cheiro da comida, o cheiro de talco logo após o banho, o café do domingo sempre cedo e sempre com bolo de fubá estivessem também pendurados juntos com o chapéu. Talvez assim também chegasse o dia em que esta moça pudesse usá-lo de forma natural e se sentir bonita, como, tinha certeza, sua avó sentia. Não sabia ao certo se este dia chegaria.... Mas não tinha pressa. Agora era um dos seus pertences. Um presente perfeito que ganhara para aliviar uma tristeza. Uma bobagem, como disse sua tia. O mundo mudaria certamente em torno do chapéu. Mas ele não ficaria mais feio, nem mais bonito, nem mais ultrapassado do que já era... Talvez o tempo também mude o chapéu, deixe-o desbotado, talvez as traças ataquem. Mas isto sinceramente não tem importância... Num dia qualquer, em que estiver a toa e sozinha, já posso vê-la colocar a chapéu na cabeça, olhar no espelho, sorrir, imaginar uma conversa qualquer, um passeio, brincar de voltar no tempo, brincar de ser outra pessoa, brincar com o seu passado, cantar, dançar... enfim, usar a "bobagem" como as coisas devem ser: simples e para trazer alegrias. Mas depois colocá-lo no seu lugar na parede e se voltar para ler o jornal, arrumar a roupa ou sair para tomar um sorvete. E certa de que não importa que você não combine mais com o chapéu do passado, mas ele esteve ali, fez parte da sua vida... e vai continuar, mesmo que pendurado na parede.



Não vou comprar cigarro em Cuba

2010-12-26T22:09:30.096-03:00

Tradicionalmente todo ano, no final do ano especificamente, mudo a cara do blog. No começo sempre fico em dúvida se fiz a escolha certa. Mas depois vou me acostumando e me recuso a mudar... Então esta será a cara do Visões em 2011. Pra falar a verdade escolhi pela cor e pela simplicidade. Achei melhor do que antes que estava muito rebuscado e esquisito. Afinal é isto também o que tem acontecido com os blogs. Em tempos de cento e poucos caracteres ter um blog é ser "old school"... Não se usa mais, ninguém lê e é como um grão de areia na tempestade virtual que cresce a cada milésimo de segundo. Mas eu insisto... de forma um pouco desleixada... escrevendo pouco... mas tô ai. Coloquei na minha lista de coisas para fazer a mudança do blog... vou ficando... ele vai ficando e assim seguimos como um casamento antigo, daqueles que as pessoas tem muita intimidade, mas pouca convivência, talvez pouco amor, mas muita coisa da vida em jogo para sair batendo a porta, ir comprar cigarro em Cuba e nunca mais voltar.



Lançamento dia 18/11

2010-11-03T10:54:46.370-03:00

(image)



A Balada do Louco

2010-10-20T13:49:23.374-03:00

Para conhecer mais sobre o livro é só acessar o link: http://meadiciona.com/abaladadolouco
Espero que gostem.