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Saúde Para Todos





Updated: 2018-02-19T10:20:48.321-03:00

 



RELIGIOSIDADE E ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO

2018-02-19T10:20:48.567-03:00


Cerca de 87% da população brasileira considera os dogmas religiosos importantes em sua vida diária, influenciando seu processo de decisão e a emissão de julgamentos Morais. Somos acompanhados de perto por nações como Moçambique (86% de importância, com IDH de 0,418), Malta (85%, 0,85), República Dominicana (87%, 0,72), Líbano (87%, 0,76), Zimbábue (88%, 0,516) e Costa do Marfim (88%, 0,474).

As 20 nações mais religiosas do mundo apresentam um IDH médio de 0,521, ao passo que as 20 nações menos religiosas do mundo apresentam um IDH médio de 0,870. Se a religião é causa ou consequência da miséria é algo para ser elucidado, mas a associação é inquestionável: onde há muita miséria, há alta religiosidade - e onde se observa baixíssima religiosidade, tende a haver alto desenvolvimento humano.

A correlação entre religiosidade e bem estar humano não é apenas uma questão científica, mas também filosófica: muitas pesquisas mostram que pessoas religiosas sentem-se mais felizes e satisfeitas com suas vidas que pessoas ateístas. Mas esta satisfação corresponde a um bem-estar real ou é simplesmente uma racionalização do meio em que vivem? Ou será que a religião nos impede de desenvolver os mecanismos necessários para incremento social e intelectual, retardando o amadurecimento emocional ao autorizar e validar a transferência de responsabilidades e esperanças para a Fé? 

Quem sabe, a ignorância seja mesmo uma benção, afinal.





______
Fontes consultadas para verificação do índice de religiosidade das nações: 
- http://gallup-international.bg/en/Publications/2017/373-Religion-prevails-in-the-world
- http://www.telegraph.co.uk/travel/maps-and-graphics/most-religious-countries-in-the-world/

Fiontes consultadas para verificação do IDH:
- http://www.nationsonline.org/oneworld/human_development.htm
- http://hdr.undp.org/en/countries






O EMBOTAMENTO E O DESTINO DE UM PAÍS

2018-02-15T19:51:46.906-03:00

Você sabe o que é Embotamento?

Em termos médicos: "um tipo de comportamento em que o indivíduo apresenta-se com dificuldades em expressar emoções e sentimentos. É comum ocorrer na esquizofrenia e em outras doenças psiquiátricas".

A faixa de QI de pessoas com Embotamento vai de 80 a 89.

Registre-se que o QI médio do brasileiro é 87 e ele lê (voluntariamente e talvez por isso mesmo) menos de 2 livros não-acadêmicos por ano.

Deixo as conclusões sobre o futuro de nossa nação por sua conta.



REFUTANDO A APOSTA DE BLAISE PASCAL

2018-02-11T02:49:37.509-03:00

"Não se pode provar a existência de deus. Mas, se deus existe, aquele que acredita GANHA tudo (inclusive o paraíso), e aquele que não acredita PERDE tudo (exceto pelo inferno). Se deus não existe, aquele que acredita perde nada, e aquele que não acredita não ganha coisa alguma. Portando, acreditar em deus é uma aposta que permite ganhar tudo e perder nada”.

Este argumento, formulado pelo francês Blaise Pascal (um filósofo católico), demonstra bem a pura intimidação (ou negociata) subliminar nos discursos de fé. Não se trata de comprovar ou não a existência de deus, mas de uma jogada para trapacear nossos medos irracionais produzindo um resultado esperado.

Não é exatamente verdadeiro que aquele que acredita perde nada. Ele perde, sim: perde ao diminuir sua vida preferindo o mito de uma vida após a morte, sacrificando a honestidade para sustentar uma mentira. A religião custa tempo, energia e dinheiro, drenando recursos humanos valiosos que poderiam ser utilizados para melhorar o mundo real. A conformidade religiosa é a ferramenta predileta dos tiranos e uma ameaça à liberdade em toda parte.

Igualmente, não é verdadeiro que aquele que não acredita ganha nada. Rejeitar a religião pode ser uma experiência libertadora, oferecendo prêmios como ampliação de suas perspectivas e liberdade para questionar – e os Livres Pensadores, não os seguidores de doutrinas, sempre estiveram na vanguarda do progresso social e Moral.




REFUTANDO A FÉ

2018-02-11T02:46:13.521-03:00

"A crença em deus não pertence apenas ao campo intelectual, pois a Razão é limitada. A verdade de deus só pode ser conhecida como um ato de fé que transcende a Razão”.

Admitir que algo não é “intelectual” remove este algo do reino do debate. Sim, a Razão é limitada: ela é limitada pelos FATOS. Se você se dispõe a ignorar os fatos, então tudo que lhe restam são hipóteses sem fundamento e pensamentos ilusórios.

A fé traduz-se na aceitação de um argumento como “verdadeiro” a despeito das evidências serem insuficientes ou contraditórias – e isso NUNCA foi algo compatível com a Razão. A fé, em sua própria definição, consiste em aquiescer que os dogmas religiosos não se sustentam por si: eles precisam de um voto extra de confiança.

“Ah, mas existem muitos cientistas que acreditam em deus. Se muitas das mentes mais brilhantes do mundo são teístas, então a crença em deus é coerente”.

Apelar para o peso da autoridade – e não dos fatos ou das evidências – é uma maneira bem pobre de tentar fazer valer argumentações implausíveis. De um modo geral, as pessoas do mundo acadêmico são bem menos religiosas que a média da população. Apesar de ser fácil encontrar cientistas teístas, nenhum deles é capaz de demonstrar cientificamente sua fé. A crença pertence à esfera cultural ou pessoal e ninguém - nem mesmo os cientistas - está livre da sedução irracional da religião.

“Os campos mais avançados da ciência, como a Física Quântica, mostram que a realidade é feita de incertezas e que milagres podem existir. Uma visão teísta do mundo não é incompatível com a ciência”.

Por definição, um milagre exige a suspensão das leis naturais até o ponto em que apenas um fenômeno transcendente poderia explicar o ocorrido. Se a “nova ciência quântica” torna os milagres naturalmente possíveis (um conceito paradoxal em si...), então não existe um reino do “sobrenatural”. Tudo é natural - e deus, desnecessário.

Na física quântica, o termo “incerteza” não se aplica à realidade, mas ao nosso conhecimento da realidade. O teísmo implica na crença em dimensões para além da realidade, é uma fé no sobrenatural, uma acepção que impede que a religião seja minimamente compatível com a Ciência.




REFUTANDO AS REVELAÇÕES

2018-02-11T02:56:41.206-03:00

"A bíblia é um livro historicamente confiável. Não existem motivos para desconfiar dos testemunhos registrados nela. A prova da existência de deus está revelada nas escrituras”.

A bíblia reflete a cultura de seu tempo. Apesar dos cenários serem históricos, boa parte do enredo não é. Por exemplo: excetuando-se os evangelhos (que foram escritos entre 30 e 90 anos após a crucificação, dependendo de qual fonte acadêmica você consultar), não existem outras provas contemporâneas da existência de Jesus. Incontáveis eventos relatados conflitam abertamente com princípios científicos bem estabelecidos. As histórias na bíblia são basicamente isso: histórias.

Em A Era da Razão (1945), Thomas Paine argumenta que as escrituras não podem ser uma “revelação”: uma revelação – se tal coisa existe... – é uma mensagem divina comunicada diretamente a uma pessoa. Assim que esta pessoa a relata, ela se torna um “ouvi dizer”. Ninguém é obrigado a acreditar em algo assim, especialmente quando o “ouvi dizer” é recheado de eventos fantásticos que desafiam qualquer Lógica. O mais provável é que os relatos de milagres sejam decorrentes de erros, mentiras ou interpretações zelosamente teológicas de eventos perfeitamente naturais.

Como bem assinalou Carl Sagan, “Alegações extraordinárias exigem provas extraordinárias”.




REFUTANDO A SUPOSTA DIVINDADE DA MORALIDADE

2018-02-11T02:42:26.536-03:00


"Todos nós temos uma percepção sobre o que é certo ou errado, uma consciência que nos coloca sob o comando de uma ordem maior, superior a nós. Esta Moralidade Universal possui normas que transcendem a humanidade: ela é uma prova que deus plantou em nós sua luz na forma de Razão e nos ofereceu as escrituras como prova de sua palavra”.

Este é outro tipo de argumento baseado em ignorância. Os sistemas Morais baseiam-se em conceitos humanos de bom e ruim e de certo e errado. Batizamos de “bom” tudo que pode prolongar nossa sobrevivência, e de “mau” tudo que pode ameaçá-la. Não precisamos de uma deidade para compreender que assassinar, estuprar, torturar, mentir e roubar são traços ruins de caráter. Os humanos, assim como outros primatas e muitos outros animais, possuem a capacidade inata para determinar o que é ser gentil e razoável.

“Não se pode dizer quem é bom utilizando definições humanas, a sociedade humana não tem capacidade para julgar o interior de uma pessoa, e o padrão de Deus é diferente das convenções humanas”.

A poligamia, os sacrifícios humanos, o canibalismo (alguém citou “Eucaristia”?), o espancamento de mulheres, a mutilação genital de meninas, a guerra, a circuncisão, a castração masculina e o incesto são ações Morais perfeitamente aceitáveis em algumas culturas – e consideradas completamente execráveis por outras. Será que deus se confundiu ao distribuir suas ordens? Seus padrões são “diferentes” ou apenas incoerentes?

Considerar alguns textos “sagrados” é um argumento em favor da “crença em”, não da “existência de” um deus. A necessidade de possuir um padrão Moral normativo absoluto validado por uma “entidade superior” vem da insegurança de algumas pessoas sobre a capacidade de manterem uma retidão de caráter por si mesmas. Pessoas emocionalmente maduras estão cientes do relativismo e pluralismo da humanidade, e confiam em sua capacidade de Reflexão e Raciocínio para determinar o que é Bom e Correto.

Se você não é consegue definir por si o que é Moralmente adequado, e precisa basear suas ações buscando referências em algum texto sagrado, não lhe falta religião, mas Empatia. Ademais, diversos estudos multicêntricos e randomizados mostram que Ateus possuem raciocínios mais analíticos que Teístas, produzindo julgamentos Morais mais acurados e menos tendenciosos.




REFUTANDO O TEÍSMO DA EXPERIÊNCIA PESSOAL

2018-02-11T02:42:09.983-03:00

“Milhões de pessoas sentem a presença de deus dentro de si”. 

Boa parte dos teístas se diz capaz de “alcançar” deus através da meditação e das preces, mas estas experiências não podem ser substanciadas por eventos fora de sua mente.

O misticismo pode ser explicado psicologicamente, sem necessidade de complicar nosso entendimento do universo criando vertebrados gasosos oniscientes, onipresentes e onipotentes. Sabemos muito bem da capacidade dos humanos em inventar mitos, ouvir vozes, delirar, alucinar e conversar com amigos imaginários.

O fato de existirem bilhões de teístas aponta para uma característica da humanidade, não para uma prova cabal da existência de uma “entidade superior”. A Verdade não é algo que se obtém por meio de votos da maioria.

As religiões nasceram como mecanismos de defesa para lidarmos com nosso medo da morte, nossas fraquezas, nossos sonhos e o temor do desconhecido. Elas são ferramentas poderosas para conferir um sentido extra à vida e um senso de identidade para o indivíduo. Mas as religiões diferem radicalmente, e apelações para “experiências interiores” só pioram essas divergências.

“Os ateus deveriam se abster de criticar a experiência teística de se perceber de deus: é como um cego negar a existência de cores”. 

Em primeiro lugar, pessoas cegas não negam o senso da visão ou a existência de cores: o caminho dos impulsos luminosos entre a retina e a região occipital do cérebro pode ser identificado e demonstrado fisiologicamente, assim como os espectros da luz visível podem ser validados por equipamentos, independentemente da visão humana ou de suas crenças. A existência das cores, portanto, não precisa ser tomada como um ato de fé.

Em segundo lugar, isso tornaria a fé uma espécie de “sexto sentido” que só os teístas – os “escolhidos” – teriam. Todavia, eles não oferecem recursos extras para testar seus insights espirituais: temos simplesmente que “acreditar” na sua palavra de que eles são verdadeiros e de que suas “revelações” são provas suficiente da existência de um “ser superior”.

Os céticos não negam a “realidade” subjetiva das experiências religiosas, mas reconhecem essas experiências apenas como ocorrências psicológicas que não necessitam um reino transcendental para ocorrer. Para explicar o fenômeno da “experiência religiosa pessoal”, o princípio da Navalha de Occam é simples, eficaz, imparcial e contundente.




REFUTANDO O DESIGN INTELIGENTE

2018-02-11T02:41:36.917-03:00

Se uma pessoa afirma ter inventado um dispositivo anti-gravidade, não cabe aos outros a incumbência de provar que tal coisa NÃO existe: a defesa da tese cabe ao pretendido inventor. É tarefa DELE apresentar as provas irrefutáveis de seu invento – e qualquer pessoa deve sentir-se livre para recusar a crença no referido dispositivo até que ele tenha sido demonstrado inquestionavelmente real e eficaz.Ainda assim, os teístas procuram defender sua crença segundo seus próprios termos, criando triangulações entre sua fé e evidências científicas comprovadas. Vamos ver como refutar isso:“De onde você acha que tudo surgiu? Como explicar a complexidade do universo? Eu não posso aceitar que toda a beleza e ordem da natureza sejam fruto de mero acaso... Todo relógio precisa de um relojoeiro!”.Este tipo de argumento, apelando para um suposto “design inteligente”, pressupõe em si a existência de um “relojoeiro”. Pedir uma explicação superior para o universo é simplesmente solicitar a aceitação de uma “entidade superior”. Mas o universo não é uma coisa - ele é tudo que há . Assim, se deus existisse, ele seria parte de tudo que há e teríamos que procurar uma explicação para quem criou deus, e o deus seguinte, e o deus seguinte, em uma regressão infinita de relógios e relojoeiros.Se deus pode ser considerado eterno, prescindindo de um criador, por que não simplificar a equação e assumir que o “universo” é, por si somente, eterno e prescinde de um criador?“Ah, mas TUDO tem uma causa, e toda causa é efeito de uma ação prévia. Algo deve ter dado início à Criação. Deus é esse início, essa causa, o Criador”.Novamente, este tipo de argumento se embola em um paradoxo ao afirmar que TUDO tem uma causa, mas “deus” não tem. Se é possível pensar que deus prescinde de uma causa, então por que não admitir que o universo pode prescindir de uma causa e ser ele mesmo seu próprio princípio – e a criação de deuses imaginários apenas uma consequência disso?Existe um design “no” universo, mas argumentar acerca de um design “do” universo é mera semântica teísta. O design que percebemos na natureza não é necessariamente inteligente. A vida é o resultado do design “inconsciente” da seleção natural. A ordem do cosmos deriva do design da gravidade e de regularidades naturais e não necessita de explicações “superiores” a esta para existir e continuar funcionando.Uma “lei natural” é uma descrição, não uma prescrição. O universo não é “governado” por leis, e as leis que lhe atribuímos são meramente concepções humanas sobre a maneira como as coisas normalmente reagem.Nenhum biólogo sério jamais disse que os micro-organismos surgiram “do nada”, em uma mutação acidental, única e isolada. A evolução é o acúmulo gradual de várias pequenas alterações ao longo de milhões de anos em um ambiente adequado. Os humanos são apenas uma das infinitas possibilidades que poderiam ter sobrevivido à impiedosa seleção natural. Se há algo de milagroso em nossa existência, credite o milagre simplesmente às probabilidades, não a um “relojoeiro”.A alegação de um design se baseia em ignorância, não em fatos. A incapacidade de resolver uma dúvida não significa que não existe uma resposta. Por milênios os seres humanos criaram respostas místicas para “mistérios” como o trovão, as tempestades, a fertilidade, a febre, as crises convulsivas, as enchentes, os maremotos, o terremotos, os meteoros e uma infinidade eventos naturais. Mas, quanto mais avançamos em conhecimento científico, menos deuses precisamos. Acreditar em um deus como explicação derradeira para tudo aquilo que ainda não entendemos é responder um mistério com outro mistério – e, se acaso nos satisfizéssemos com essa teologia dos hiatos, nenhuma lacuna d[...]



CUIDADO COM QUEM FALA “EM NOME DA FAMÍLIA”

2018-02-11T02:16:53.894-03:00

Quando um líder – político ou religioso –, dizendo falar em “defesa da família”, prega simultaneamente a importância da fidelidade indiscutível à ideologia que ele representa, mesmo quando esta entra em conflito com a Moralidade nuclear da família, ele não está preocupado com a valorização da instituição “família”, mas com o adestramento de indivíduos - agora mansos, domesticados e isolados do Caráter de suas raízes - capazes de sustentar um projeto de domínio ao longo das gerações por vir.

O poder do Clã Familiar é anterior à agricultura, às cidades, às estradas, às leis, à religião, à força militar, ao emprego, ao dinheiro, ao comércio e até mesmo ao Estado – e por isso minar sua credibilidade é tão importante para todo e qualquer aspirante a dirigente de qualquer coisa.



A MEDICINA PÓS-MODERNA

2018-02-07T17:53:26.465-03:00


Seguramente, 85% dos pacientes que atendo não estão doentes: eles SE ACHAM doentes. Não tenho saída para eles. (Se você acredita que “achar-se doente” é uma forma de doença, recomendo que leia O Mito da Doença Mental, de Thomas Szasz).

Outros 10% estão de fato doentes, mas querem ter 0% de responsabilidade sobre o curso de suas moléstias, transferindo todo ônus de sua melhora para remédios, consultas de especialistas, exames, fé, sorte ou destino, migrando de um consultório para outro, de um pronto atendimento para outro ou de um templo para o templo seguinte. Não tenho solução para esses casos idem.

Finalmente, 5% dos atendidos necessitam de fato de cuidados - mas muitos terminam não tendo o correto acesso a estes recursos devido às filas e confusões que o representantes dos dois grupos anteriores causam no sistema.

Se algum dia a Medicina foi uma arte, isto se perdeu miseravelmente por pressão de tecnicismos (qualquer dor de cabeça chega ao consultório trazendo uma pesquisa no Google que recomenda três ressonâncias para tirar a dúvida), legalidades (medicina anti-processo) e ideologias imorais de transferência de responsabilidade (recentemente, tive que chamar a polícia para ajudar a conter os ânimos dos familiares de uma paciente que se sentiu ofendida por eu ter informado que seu peso, com IMC de 39, era a causa de suas dores articulares). A Arte, hoje, é terminar o dia de trabalho sem atritos diagnósticos e ir para casa para começar o dia de Vida sem o risco deles.

O paciente anseia pela "medicina de antigamente" ao mesmo tempo em que insiste em ser "o paciente de hoje em dia". Nessa incongruência, todos perdem: o médico, o paciente e, principalmente, o emprego racional dos recursos limitados disponíveis.

E alguém vem me perguntar se escolhi fazer medicina como um modo de ajudar os outros...

Sinceramente, depois de 20 anos atuando e com um rastro de dezenas de milhares de pacientes atendidos, descarto por absoluto a possibilidade de realmente ajudar alguém. Nos atrapalhamos ou nos ajudamos sozinhos na mesma proporção. NADA, absolutamente NADA, vem de fora. TUDO - toda mudança, todo progresso, toda evolução pessoal - vem de dentro.

Você recebe os estímulos bons e ruins do meio e é você, apenas VOCÊ - e não sua mãe, pai, cônjuge, médico, psicólogo, pastor, horóscopo, cartomante ou o unicórnio de sua preferência -, quem irá decidir o que fazer com eles. Se irá perseverar com força e honra e evoluir, ou se irá se desfazer em lamúrias de autopiedade e vitimização.

No final, a Medicina é só uma de várias maneiras interessantes de ir descobrindo a Verdade do mundo - como se fosse apenas uma versão de muitas da pílula vermelha de Morpheus. Acordar para a vida sempre foi e sempre será uma decisão individual, jamais médica.




ESQUERDA E DIREITA: NÚMEROS COMO ARGUMENTOS

2018-01-26T07:52:04.107-03:00

Uma pesquisa rápida na Internet é capaz de oferecer uma boa lista de mais de 20 países que enveredaram por regimes socialistas-comunistas ao longo do século XX. Comparando estes países com aqueles melhores colocados em termos de liberdade econômica, duas ponderações saltam aos olhos:Primeiro, é curioso perceber como a Romênia conseguiu estar sob um regime comunista por 42 anos e, em menos de 30 anos, foi capaz de desenvolver um livre mercado a ponto de colocá-la entre os 20 países mais competitivos do mundo. Se temos qualquer intenção de resolver nosso país, a Romênia é um caso a ser estudado.Segundo: excetuando-se a terra de Vlad Tepes - um verdadeiro ponto fora da curva -, a média de IDH nos países com histórico recente de regimes socialistas-comunistas é significativamente MENOR que o IDH médio de países cujos regimes são fortemente baseados em fundamentos de Livre Mercado. Países socialistas-comunistas apresentam um IDH médio de 0,659, ao passo que países capitalistas com livre mercado apresentam IDH médio de 0,874 - uma diferença é de 0,215 pontos! Colocando esses números em perspectiva: considere que o IDH do Brasil é de 0,754 e o da Noruega, 0,949. Se, em uma situação hipotética, abandonássemos nosso inconsciente marxista recheado de direitos individuais que cobramos do Pai-Estado, e aderíssemos a um regime abertamente capitalista, e se com isso fosse possível adicionar esta diferença média ao nosso IDH, ultrapassaríamos a qualidade de vida da Noruega, atingindo a inacreditável potuação de 0,969 – e seríamos, de fato e por mérito, uma potência mundial como nunca houve.Para que tal milagre acontecesse, seria necessário ver cada brasileiro abandonar a mentalidade de incompetências que marca nossa auto-indulgência coletiva; abominar qualquer interferência viciosa do Estado sobre a economia; assumir o Objetivismo e a Meritocracia como padrões absolutos de Moralidade; e desistir de uma vez por todas do discurso vitimizante que nos mantém na lama há séculos. Lamentavelmente, a possibilidade disso acontecer é mais remota que as chances de alguém ensinar um peixe de aquário a tocar clarinete. Que bom que ainda temos os aeroportos como saída...[...]



LEITURA E DESENVOLVIMENTO

2018-01-25T14:54:52.203-03:00

A média de leitura do brasileiro é de 2,1 livros por ano – sendo que, em 50% dos casos, a taxa de leitura não é voluntária: ela se deve a livros exigidos pelas escolas.

Quando deixado à vontade, é possível ver com clareza como o brasileiro faz suas escolhas: 44% da população brasileira não lê coisa alguma e 30% nunca comprou um livro. Aqueles que lêem, consomem parcos 1,3 livros não-acadêmicos por ano.

Na Finlândia – país cujo sistema educacional vive sendo motivo de louvores por aqui -, cada cidadão lê em média 16 livros não-acadêmicos por ano. Na França, são cerca de 20 títulos.

Há 60 anos, a Coreia do Sul tinha altos índices de analfabetismo e quase metade das crianças e jovens fora da escola. Na década de 1970, instauraram uma reforma educacional apostando na leitura como base. Em 2006, a Coreia tomou da Finlândia o primeiro lugar em leitura no PISA (o Programa Internacional de Avaliação de Alunos).

Uma pesquisa realizada pelo Instituo Pró-Livro mostrou que o consumo médio de livros em 2007 era de 4,7 livros/habitante /ano. Em 2011, este índice caiu para 4,0 livros/habitante /ano. Não estamos progredindo: estamos nos tornando uma nação mais iletrada e mais burra a cada dia.

Mas você acha que depois de 3 votos no TRF-4 condenando um sociopata que jamais cumprirá 1 ano sequer de cadeia, e elegendo o candidato fanfarrão da vez - o protagonista pseudo-militar de uma ópera bufa chamada Mitolândia -, estamos no caminho certo.

Seu problema não é excesso de esperança: seu problema é falta de leitura. Quando começar a ler, verá que ter otimismo sem manter um contato lúcido com a realidade é nada além de nutrir uma tolice ingênua ante a vida. E foi exatamente assim, de tolice em tolice, que construímos uma nação infantil e mentalmente doente.




ESTUDOS E RENDAS

2018-01-25T14:53:54.959-03:00

A taxa de analfabetismo nos domicílios cujo rendimento é superior a dez salários mínimos é de apenas 1,4%, enquanto que naqueles cujo rendimento é inferior a um salário mínimo é de quase 29%*.  Mais do que relacionar estes porcentuais como causas ou conseqüências, é impossível negar que se existe algum fator primário capaz de eliminar sua miséria, este fator é o Estudo.

O ensino fundamental no Brasil é praticamente universalizado, as escolas possuem bibliotecas, o acesso à informação via Internet oferece um montante infinito de gigabites de informação, excelentes livros clássicos de domínio público e uma miríade incrível de bons cursos online – muitos deles sem qualquer custo. As vagas em universidades e cursos técnicos são ampliadas a cada dia, assim como os mecanismos de acesso a estas oportunidades.

Mas o brasileiro prefere colocar a culpa no Estado, na política, no sistema, na sociedade e no professor: é mais fácil isso que empenhar-se em fazer A SUA PARTE e ESTUDAR COM AFINCO tudo que lhe vier à mão.




POR QUE NÃO VAMOS DAR CERTO?

2018-01-25T14:51:42.856-03:00

Segundo dados do INAF (Instituto Nacional de Alfabetismo Funcional), mesmo o Estado tendo praticamente universalizado o acesso ao ensino fundamental (98%) de jovens entre 7 e 14 anos na última década, apenas 27% da população brasileira entre 15 e 64 anos é plenamente alfabetizada, e o analfabetismo funcional atinge por volta de 68% da população economicamente ativa.

Entre os alunos do ensino médio, apenas 41% apresentam nível pleno de alfabetização, e 1 de cada 3 estudantes que ingressam no ensino superior não dominam leitura e escrita.

O governo federal tem comemorado o ingresso de 96,4% das crianças com idades entre 07 e 14 anos no Ensino Fundamental e 83% dos adolescentes entre 15 e 17 anos no Ensino Médio. Essa estatística poderia ser motivo de alegria se não fosse a realidade que entre os alunos que cursam a 4ª série do ensino público, 55% não sabem ler nem escrever. Ou seja, 33 milhões de crianças são analfabetas funcionais.




PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) E A IMPORTÂNCIA DAS COISAS QUE FAZEM A VIDA VALE A PENA*

2018-01-15T08:38:03.860-03:00

“Nosso PIB considera em seus cálculos a poluição do ar, a publicidade do fumo e as ambulâncias que rodam para coletar os feridos em nossas rodovias. Ele registra os custos dos sistemas de segurança que instalamos para proteger nossos lares e as prisões em que trancafiamos os que conseguem burlá-los.

Ele leva em conta a destruição de nossas florestas e sua substituição por uma urbanização descontrolada e caótica. Ele inclui a produção de armas e dos veículos usados pela polícia para reprimir a desordem urbana. E ele registra programas de televisão que glorificam a violência para vender brinquedos a crianças.

Por outro lado, o PIB não observa a saúde de nossos filhos, a qualidade de nossa educação ou a alegria de nossos jogos. Não mede a beleza de nossa poesia e a solidez de nossos matrimônios. Não se preocupa em avaliar a qualidade de nossos debates políticos e a integridade de nossos representantes. Não considera nossa coragem, sabedoria e cultura. Nada diz sobre nossa compaixão e dedicação a nosso país.

Em resumo, o PIB mede tudo, menos o que faz a vida valer a pena”.


________
*Robert Kennedy, Senador por Nova Iorque, pré-candidato à presidência dos EUA pelo Partido Democrata, assassinado aos 42 anos de idade em 05 de junho de 1968, poucas semanas após publicar sua intenção de restaurar a importância das coisas que fazem a vida valer a pena.




MORALIDADE E (in)JUSTIÇA

2018-01-10T09:57:14.974-03:00

Kant defendia que as Verdades substantivas poderiam ser encontradas apenas no reino dos abstratos universais, e não no reino da realidade ou do particular. O agente moral se torna moral apenas na medida em que seus motivos estão desvinculados de toda contingência: o imperativo categórico – a mola mestra da moral e da filosofia legal de Kant – deve ser formulado em sintonia ao Realismo Moral e às Verdades substantivas.Por outro lado, na visão Aristotélica e Tomista, a Verdade substantiva deve ser encontrada no mundo real, não em algum reino abstrato desconhecido. Enquanto, para Kant, o julgamento moral consiste em decidir como funcionar dentro de regras abstratas e universais, a tradição Aristotélica diz que o mundo real constitui a matriz sobre a qual devemos julgar o valor de nossos atos.Para Aristóteles e São Tomás de Aquino, o que é certo é certo, e a Lei representa a distribuição proporcional do que é certo. A Justiça, como instrumentalização da Lei, não é ideal, mas é real e baseia-se em uma noção transcendetal de equidade. Contudo, uma vez que um direitoé a defesa do que é considerado individualmente certo, é evidente que os direitos humanos irão colidir entre si – e, em conjunto, atropelarão nossas percepções de Lei e Justiça.Na prática, isso significa que é quase uma insensatez tentar definir uma carta de direitos humanos universais. Ninguém discorda que genocídio e estupro sejam errados. A questão é determinar se certos atos individuais podem ou devem ser colocados em categorias especiais – e o que fazer a respeito disso. Por este motivo, a Lei será sempre política: ainda que afirme levitar dentro do Realismo Moral universal, a Lei estará sempre tentando regular a sociedade para o melhor funcionamento possível – e não da maneira mais ética possível. Uma excelente demonstração disso pode ser vista no sistema carcerário brasileiro: o Brasil possui 1478 estabelecimentos penais públicos de diversos tipos que contabilizavam, em 2016, 726.712 presos – uma média de 491 presos por estabelecimento. Segundo relatórios do Mapa da Violência, do Sistema Integrado de Informações Penitenciárias e do Ministério da Justiça, temos cerca de 61 mil mortes violentas por ano. Vamos descontar o fato de que apenas 6% dos assassinatos são investigados e resultam em identificação do criminoso. Vamos supor que vivemos em um país onde 100% dos crimes são solucionados e que a imensa maioria dos assassinatos não foi cometida por assassinos seriais ou recorrentes: considere que existe 1 assassino para cada assassinato ocorrido. Isso significa que, anualmente, a lista de assassinos aguardando condenação é acrescida de 61 mil indivíduos. Agora faça uma matemática simples:Se cada estabelecimento penitenciário abriga em média 500 criminosos, e temos uma superlotação nas vagas já disponibilizadas, quantos novos presídios precisaríamos construir a cada ano para abrigar apenas os assassinos condenados? Simples: 122. Cento e vinte e dois presídios novos a cada ano. Segundo cálculos elaborados pela 1ª Vara das Execuções Criminais de São Paulo, a criação (construção) de uma vaga gira em torno de R$40 mil e o gasto médio por preso é de R$ 750/mês. Para produzir 61 mil novas vagas por ano, o Estado brasileiro precisaria investir anualmente R$2,5 bilhões na construção de novos estabelecimentos penais e mais R$550 milhões por ano para manter os condenados por lá. Três bilhões de reais por ano, todos os anos, apenas para retirar assassinos de circulação - e ainda nem falamos de sequestradores, estelionatários, ladrões, corruptos e afins.É ó[...]



REFLEXÃO DE UM FINAL DE TARDE

2018-01-09T15:10:19.235-03:00

Cerca de 15% das gestações terminam em aborto espontâneo. Se existe algo como um design inteligente, onde tudo foi criado por um motivo e com um propósito, então deus é o maior abortista serial de todos os tempos.





MORALIDADE E CONSERVADORISMO POLÍTICO

2018-01-09T10:22:24.039-03:00

Nos estertores de seus últimos anos, o século XX testemunhou uma súbita institucionalização da visão de que a Moralidade Niilista deveria agora ser incorporada ao mundo da soberania nacional, e os direitos humanos passaram a exercer sua prerrogativa irrestrita sob o bordão “onde quer que a Lei limite a sagrada liberdade narcisista do indivíduo, limite-se a Lei!”.

Por isso não foi surpresa quando, menos de duas décadas depois do começo do novo milênio, a sofreguidão por um vigoroso idealismo Moral - recheado de normas universais bem estabelecidas e dogmas inexpugnáveis - começou a colonizar o imaginário de muitos órfãos que perambulavam nas ruas babélicas da pós-modernidade.

Aproveitando-se desse ambiente, o Conservadorismo ressuscitou para surfar na onda da indignação popular com as atrocidades veiculadas várias vezes por dia na mídia. Seus argumentos emblemáticos apelam para a revolta coletiva contra o estado de pretensa impunidade, aplicando um discurso cativante que promete ocupar o vácuo deixado pela crise da Moralidade. Mas será que o Conservadorismo é mesmo capaz de entregar o produto que diz estar vendendo?

A defesa da legitimidade de suas intenções repousa na suposta exclusividade de seu sistema Moral. Mas tanto os Conservadores quanto seus opositores dizem portar as novas tábuas da salvação contendo a codificação para um Universalismo vanguardista. Entre tantas pessoas diferentes falando a mesma coisa, como discernir qual delas tem a capacidade de exercer a autenticidade que esperamos?

É irreal presumir que a expansão do Conservadorismo necessariamente levará a um mundo mais ético, intelectual e meritocrático – assim como é irreal presumir que a Justiça é necessariamente objetiva e apolítica. Talvez o que ocorra seja algo diametralmente oposto a isso. O Conservadorismo traz consigo o risco de agravar exatamente aquilo que afirma pretender eliminar: o poder exercido em nome de interesses próprios e desvinculado dos valores de um estado democrático. Infelizmente, no desespero de nos agarramos a uma Moralidade qualquer, estamos adotando qualquer uma que se apresente.

Enquanto continuarmos confiando na encantadora criatividade populista dos outros para arquitetar nossa salvação, o desajuste Moral seguirá sendo a norma do dia – e qualquer fantasia de mudança será apenas mais uma miragem nesse deserto de ingenuidades áridas que nos engole desde 1500.




SOBRE UM NOVO SISTEMA DE ENSINO

2017-12-15T07:49:27.095-03:00

Os professores são os responsáveis por difundir modos de pensar a alunos que já tem seus próprios métodos de raciocínio – métodos estes que serão empregados para processar as informações apresentadas.Muitos dos pontos de vista explicados na frente do quadro negro são edições intelectualmente refinadas de opiniões que os estudantes já possuíam, porém em versões mais rudimentares. Por este motivo, as aulas deveriam levar em conta as competências cognitivas presentes nos alunos, e, idealmente, procurar ampliar e desafiar essas competências, ao invés de simplesmente tentar ocupar espaços vazios ou reorganizar os espaços já existentes colonizando-os com algo que o Estado considere essencial, novo ou melhor.Qualquer professor que tente apresentar um material que não esteja alinhado às competências cognitivas prévias de seus pupilos estará enxugando gelo. Sua instrução será rejeitada como sendo incompreensível ou radicalmente discordante do bom senso, ou será absorvida de modo distorcido. Uma boa aula expõe informações que desalojam as compreensões anteriores do aluno, obrigando-o a construir novos entendimentos. Afinal, o Saber não é uma flor que se observa, mas uma montanha que se escala.Quando o Conhecimento é divulgado desta forma, muitos estudantes metabolizam os dados de modo convencional e, por conseguinte, deturpado. Eles não estão confundindo tudo: estão apenas tentando entender em seus próprios termos. Este problema é bem perceptível quando lidamos com parcelas menos educadas da população e tentamos expressar noções de tolerância, honra, coragem, força, disciplina, igualdade, secularismo e meritocracia.É de se esperar que, enquanto estes conceitos são apresentados em um embrulho questionador, a classe comece a se dividir em grupos com argumentos opostos. O desentendimento mútuo – e não o entendimento compartilhado - é a regra nesses cenários. A mesma dinâmica pode ser observada quando cidadãos discutem política.Em geral, o grupo que demonstra o maior nível de confusão, desacordo e insatisfação pode ser o mais produtivo educacionalmente. E isto não corre apenas porque a agitação fornece carvão para a fornalha do pensamento reflexivo: na verdade, os insatisfeitos barulhentos ajudam a iniciar ou exacerbar o desequilíbrio cognitivo pré-existente, que de outro modo permaneceria constrangido em seu mutismo conveniente. Esta sacudida leva os estudantes – e os cidadãos – na direção de uma reintegração de crenças alicerçada em ideias com um nível bem maior de discernimento.Assim como um hospital tende a ser uma instituição de cuidados, uma escola também deveria conceber sua missão desta forma. Não apenas transmitindo conteúdo ou desenvolvendo habilidades tayloristas específicas, mas apoiando, nutrindo, fomentando, complementando e participando ativamente do crescimento intelectual global do estudante.O fato de muitos professores acreditarem já estar agindo dessa forma – quando não estão nem um pouco - mostra como é essencial e urgente conceber uma nova forma de ensino. Infelizmente, enquanto a Base Nacional Comum Curricular tramita em um universo paralelo, longe da atenção merecida, a nação segue desperdiçando vários minutos por ano com os muitos escândalos do dia. Nesse ritmo, deixaremos de ser o país do futuro e continuaremos a ser, com pompa e circunstância midiáticas, o país sem futuro de sempre.[...]



PERTO DE MAIS UM GIRO NA RODA DA VIDA

2017-12-12T14:04:18.221-03:00

 Último mês de 2017. Hora de olhar para frente, planejar o próximo ano e tentar enxergar o que aguarda um pouco além da curva. Mas é hora também de olhar para trás e ver o rastro das pegadas deixadas no caminho dos últimos 12 meses. E que 12 meses...!Conheci cidades, praias, rios, cachoeiras, matas, estradas e lugares espetaculares; andei mais de 2000 km de moto, carimbei o asfalto com minhas costelas, esmaguei um pulmão e fiz um estágio de imersão de alguns dias, como paciente, na realidade do sistema público de saúde de nosso país. Uma experiência que me modificou profundamente, pode acreditar.De uma ideia surgida em uma conversa de mesa de bar com dois amigos muito queridos (Juliano e João Ricardo), o projeto ManhoodBrasil se desdobrou em um website versátil, informativo, vibrante, contabilizando mais de 1.500 páginas publicadas em um ano (são 309 matérias em 5 categorias de interesse até aqui) e quase 20.000 views/mês. Hoje, a marca reúne mais de 1.000 seguidores no Instagram, mais de 7.000 no Linkedin e superou o teto de 4.000 no Facebook, alcançando mais de 55.000 pessoas e rendendo feedbacks recompensadores. Simplesmente não tenho como agradecer a cada um de vocês que fizeram – e continuam fazendo - parte dessa transformação.Entre idas e vindas no consultório, concentrando 100% dos meus atendimentos no SUS, pude compartilhar das queixas e das agruras de cerca de 6.500 pessoas: de cada 3 pacientes tomando remédios psiquiátricos, 2 não precisavam de remédio algum, mas apenas de uma luz para aceitar a responsabilidade embutida em suas próprias escolhas e a chance de mudança que a vida oferece a cada dia. O mesmo valia para os obesos (60% da população atendida), os ansiosos e os deprimidos. Em muitos casos, não acho que minhas orientações fizeram grande diferença, mas tive o prazer de ver pessoas iluminadas conseguindo se livrar de seus tarjas-preta de estimação, perdendo 8 kg em 2 meses ou até 23 kg ao longo do ano. Assisti relacionamentos renascerem, crises de choros e tempestades de catarse. Testemunhei alguns corajosos se engajando e decidindo finalmente participar ativamente de seu tratamento, virando corredores, atletas, remando caiaques no mar, florescendo novamente. A honra e a alegria de participar de suas vitórias não cabem em palavras.Para fechar 2017 com um brinde especial, recebi a companhia de uma mulher magnífica, inteligente, esforçada, cujos planos em comum me fazem respirar fundo com um sorriso quando penso em como 2018 poderá ser ainda mais recheado de riscos, descobertas e conquistas gratificantes.Espero que você tenha maturidade para reconhecer os milagres que lhe acompanharam neste ano – até mesmo nas vicissitudes que ele pode ter trazido. Que você deixe as picuinhas políticas de lado, que tire essas roupas pirracentas de moralidade que teima em ostentar, e faça uma viagem para dentro de si e para fora de sua zona de conforto. De todas as opções possíveis, seguir vivendo é certamente a mais extraordinária delas! Curta cada minuto.Boas festas :)[...]



AINDA SOBRE EDUCAÇÃO NO BRASIL

2017-12-04T09:28:17.091-03:00

No primeiro dia de 2015, a presidente recém empossada Dilma Rousseff definiu o novo lema de governo: Brasil, Pátria Educadora. Curiosamente, em novembro do mesmo ano, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) lançou seu relatório Education at a Glance.O Education at a Glance é uma fonte validada de informações acuradas sobre o estado da educação em todo o mundo. Ele fornece dados sobre o desempenho das instituições de ensino; o impacto do aprendizado nos países; os recursos financeiros e humanos investidos em educação; o acesso, a participação e a progressão na educação; e a organização e o ambiente de ensino dentro das escolas.No painel de 2015, a OCDE apontou alguns indicadores preocupantes no ensino brasileiro. Por exemplo: o nível de aprendizado médio dos estudantes em Ciência foi péssimo. Entre os avaliados, 82% ficaram entre o nível mais baixo de conhecimento e o nível 2 – o nível básico. A média da OCDE para esses grupos é de 46% no total.Importante salientar que o nível 2 de aprendizagem em ciências é o mínimo necessário para se tornar um cidadão “crítico e informado”. Nesse nível, os estudantes começam a demonstrar as competências que vão permitir que participem efetivamente e produtivamente nas situações cotidianas relacionadas a ciência e tecnologia. Com 82% dos estudantes com nível baixo de conhecimento científico, não é preciso uma dedução complexa para calcular o naipe de raciocínio crítico que nossa população possui...Em leitura, o Brasil ficou entre os 12 piores países, com uma média de 407 pontos - bem abaixo da média de 493 da OCDE.Mas nosso pior desempenho geral foi em Matemática, disciplina em que ficamos entre os cinco piores países avaliados, com uma média de 377 ante uma média de 490 entre os países da OCDE. Basicamente, 70% de nossos estudantes estão abaixo do nível 2 em Matemática – que seria o mínimo necessário para que um aluno possa exercer plenamente sua cidadania. Em países desenvolvidos, como a Finlândia, a taxa de incapazes é de 13%.“Países como a Colômbia e o México, que tinham resultados similares aos nossos, nos deixaram para trás. Portugal e Polônia, que também estavam próximos, deram um salto de qualidade e superaram a média da OCDE” – e estas não são palavras minhas. São da Secretaria Executiva do MEC.NÃO É UM PROBLEMA DE QUANTIDADE...Talvez o problema da qualidade da educação esteja nos investimentos, não? Talvez nós estejamos gastando pouco com isso...Não, não estamos gastando pouco. O Brasil destina 17% dos seus gastos públicos à educação, do nível de educação básica à educação superior. Somente o México e a Nova Zelândia – ambos com 18% - destinam uma proporção maior dos gastos públicos às instituições de ensino.Além disso, o gasto público em instituições de educação superior como percentual do gasto público total aumentou 49% entre 2005 e 2012, o que é bem acima do aumento médio da OCDE de 33%. O aumento foi ainda mais acentuado em instituições de ensino fundamental e médio. A proporção de gasto público nesses níveis aumentou 82% no mesmo período, o maior aumento entre todos os países e parceiros da OCDE com dados disponíveis.Em 2012, o gasto público brasileiro em instituições da educação básica a superior representou 5,6% do PIB. Essa proporção é consideravelmente maior que a média OCDE de 4,7%, e é a quinta mais alta entre todos os países e parceiros da OCDE[...]



SOBRE NOSSO SISTEMA EDUCACIONAL

2017-11-30T14:03:09.105-03:00

O academicismo preciosista brasileiro matou a Academia. Leia a biografia de Einstein, Leeuwenhoek, Newton, Darwin e Ignaz Philipp Semmelweiss, por exemplo, e veja que títulos eles possuíam quando produziram conhecimentos que mudaram o status quo.

Da mesma forma como o governo é o problema do país, os professores (e sua busca por titulações apenas para aumentar salários e não a eficiência do ensino) são o problema do sistema educacional: 50% dos profissionais da área sofrem de algum transtorno mental comum (aí inclusos síndrome de burnout, transtorno da ansiedade, depressão, bipolaridade e síndrome do pânico). Na população geral, a prevalência é de 20%.

Muito mais que a remuneração, precisamos melhorar a seleção de quem vai para as salas de aula. Depois de 30 anos, é perceptível que filtrar a admissão por credenciais acadêmicas e ideologias socialistas não produziu bons resultados: ostentamos a nada honrosa 60.ª posição no ranking mundial de educação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No estudo da OCDE, foram avaliados 76 países - um terço das nações do mundo - por meio do desempenho de alunos de 15 anos em testes de Ciências e Matemática.

A mudança de filosofia deveria começar pela desconstrução da ideia por trás da valorização do ego academicista. Precisamos trocar os silogismos sofistas vitimizantes de nossas escolas por conteúdos técnicos focados em objetivismo, cidadania e responsabilidade resiliente. Apenas assim será possível observar alguma mudança efetiva daqui algumas décadas.



VAMOS FALAR DE ARMAS

2017-11-29T07:52:49.232-03:00

Toda vez que ocorre algum tiroteio nos EUA, os acéfalos da elite intelectual brasileira correm em debandada para atacar a personalidade belicista daquele país, contrapondo-a a culturas mais “pacifistas” no mundo: em menos dez minutos, alguém saca um levantamento sobre mortes por armas de fogo no Japão para exemplificar de que maneira o controle de revólveres, pistolas, espingardas e afins é capaz de derrubar os homicídios causados pelo mau uso destas ferramentas.Contudo, basta apresentar os dados brasileiros para qualquer acadêmico ficar sem argumento. Por aqui, o controle de armas LEGAIS é tão rigoroso quanto o japonês, mas temos quase o dobro de homicídios que os EUA - onde você compra uma 9 mm no Wal Mart.Se quiséssemos mesmo falar de armas com a intenção de poupar vidas, não estaríamos falando de armas. Mas vamos fingir que este seja o caso:É FÁCIL TER UMA ARMA NO BRASIL?Para adquirir uma arma de fogo de uso permitido (são armas de fogo de uso permitido aquelas que se enquadram no disposto no art. 17 do Decreto nº 3.665/2000 – R-105. Ex: Revólver calibre.38 SPL, pistola calibre.380 Auto, espingarda calibre 12.) para defesa pessoal, o cidadão brasileiro deve demonstrar à Polícia Federal que preenche os seguintes requisitos e apresentar os seguintes documentos:a) idade mínima de 25 anos;b) cópias autenticadas do RG, CPF e comprovante de residência;c) elaborar uma declaração por escrito expondo os fatos e circunstâncias que justifiquem o pedido de aquisição de arma de fogo, demonstrando a efetiva necessidade;d) comprovar idoneidade, apresentando certidões negativas criminais fornecidas pela Justiça Federal, Estadual, Militar e Eleitoral e comprovar, também, não estar respondendo a inquérito policial ou processo criminal;e) ocupação lícita;f) aptidão psicológica, que deverá ser atestada por psicólogo credenciado pela Polícia Federal;g) capacidade técnica, que deverá ser atestada por instrutor de tiro credenciado pela Polícia Federal;h) fotografia 3x4 recente;i) entregar o requerimento de autorização para aquisição de arma de fogo preenchido (disponível no site do DPF);j) pagar a taxa de emissão de certificado de registro de arma de fogo (R$ 60,00 – nos termos do art. 11, I e Anexo da Lei 10.826/2003), caso seja deferido o pedido.Já em posse da autorização devidamente emitida pelo Departamento de Polícia Federal o cidadão poderá adquirir a arma de fogo em qualquer estabelecimento comercial  autorizado, no prazo de 30 dias.Após adquirir a arma de fogo, deverá apresentar a nota fiscal emitida pelo estabelecimento comercial e o comprovante de pagamento da taxa de R$ 60,00 para, finalmente, requerer o registro da arma junto ao SINARM e a guia de trânsito para transportá-la até a sua residência ou local de trabalho.O lojista somente entregará a arma ao novo proprietário se ele já estiver com o registro e com a guia de trânsito em mãos, ambos emitidos pela Polícia Federal.Importante salientar que o registro de arma de fogo de uso permitido autoriza apenas a posse da arma, que deverá permanecer sempre no local registrado junto ao SINARM (residência ou local de trabalho quando titular ou responsável legal do estabelecimento ou empresa), com validade máxima de 3 anos podendo ser renovado sucessivas vezes desde que demonstre preencher novamente os requisitos supramencionados.Em alguns debates, ao apresentar essas informações, o sujeito tenta esquivar-[...]



SOBRE UM DELÍRIO CHAMADO NOVEMBRO AZUL

2017-11-21T09:34:38.386-03:00

Após receber toneladas de propaganda sobre as campanhas Novembro Azul, fiquei me perguntando: será que o screening para neoplasia prostática utilizando faixas etárias como linhas de corte produz alguma redução significativa na morbiletalidade da doença?

Não, não produz. E isso é o que dizem as evidências acumuladas a partir de metanálises e revisões sistemáticas da literatura.

Apenas para citar um exemplo de peso: segundo o NIH (Instituto Nacional de Saúde, entidade dos EUA equivalente ao nosso Ministério da Saúde), a dosagem periódica de PSA ou o exame de Toque Retal (TR) não é capaz de reduzir a mortalidade associada ao câncer prostático.

O que o conjunto dos dados embasados DE FATO mostra - e existem dezenas e dezenas de estudos sérios concluindo exatamente esta mesma coisa -  é que o screening populacional com PSA e/ou TR resulta em um exagero nos diagnósticos de câncer na próstata, além da detecção de lesões que, se não diagnosticadas, jamais causariam mal algum.

O excesso de diagnósticos e resultados falso-positivos leva à realização de exames adicionais (p.ex.: biópsia prostática) e tratamentos invasivos em homens que sofrerão, agora, as consequências desses danos desnecessários.

Mas as políticas públicas tupiniquins não são feitas com base em Ciência. Nunca foram. Elas são orquestradas com discursos paternalistas em nome de motivações essencialmente populistas. E, incrivelmente, aqueles que deveriam erguer suas vozes anunciando este descalabro, inacreditavelmente embarcam no delírio para - quem sabe - retirar dele algum brio e prestígio para seus egos.

Não temos um outubro rosa. Tampouco temos um novembro azul. O que temos são meses, anos, décadas do mais puro colorido psicodélico esquizofrênico que o mundo já viu do lado debaixo do Equador. E o surto de Gargamel sob efeito de cogumelos alucinógenos perseguindo Smurfs fantasiosos no bosque segue - com aval do Estado e sua corte de especialistas cegos, surdos e mudos.



SOBRE O MITO DA DOENÇA MENTAL

2017-11-18T11:56:34.318-03:00

A partir da Segunda Guera Mundial, a medicina passou a definir a simulação de doença como uma doença em si. Isso equivale a dizer que uma boa imitação de uma obra-prima deveria, segundo aqueles novos conceitos, ser considerada uma obra-prima.

No caso da doença mental, essa redefinição arbitrária significou aceitar compulsoriamente que uma nota de dinheiro falsificada deva valer o mesmo que uma nota verdadeira - e as manifestações diversas de Fraqueza Moral finalmente receberam sua validação como Doença, sem a necessidade de sustentar sequer um substrato anatomo-fisiológico qualquer que lhe justificasse o título.

Nos últimos 60 anos, tudo que fizemos para resolver este problema foi afrouxar nossos conceitos de doença e de obra-prima, forçando a medicina a aceitar e tratar toda histeria - até as falsificadas - como se fosse uma moléstia crônica "ipso facto".

Travestida de "ciência", a condescendência mercantilista patrocinada por laboratórios farmacêuticos, prontamente abraçada por agremiações de "especialistas" e gratamente recebida por manadas de indivíduos masoquistas em busca de aconchego para suas carências e inépcias, rapidamente alastrou-se pelo mundo e produziu, até aqui, duas gerações inteiras de pessoas confortavelmente assentadas em discursos de autovitimização privilegiada.

E esta farsa sem fim segue firme e forte.