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dias mais longos ||||| anos mais curtos





Updated: 2018-04-03T04:03:17.590-03:00

 



Circunscríto

2018-04-03T04:03:17.632-03:00

DEITO-ME DE UM LEVANTE,
E ME LEVANTO, FEITO UM QUADRADO.
A TERRA PARECIA REDONDA,
DEVO EU CONFORMAR-ME COM UM MUNDO CHATO?



La duración de un momento

2018-03-07T04:27:34.418-03:00

¿Cuantos segundos dura un momento de verdad?

Si uno intenta sacar una foto del "ahora", y reduce, de tal modo, la apertura del obturador hacia lo mínimo posible, la foto le saldrá negra e incognoscible.

Si uno intenta sacar una foto del "infinito", y aumenta, de tal modo, la apertura del obturador hacia lo máximo posible, la foto le saldrá blanca e igualmente incognoscible.

Ni lo mínimo, ni lo máximo. Ni el promedio, así, tal cual. No, no es tan racional. No tiene formula definida.

Hay una búsqueda por un balance sutil en el arte de la fotografía. Búsqueda ésa, que es, quizás, análoga a la manera como podríamos estar viviendo cada instante.

El momento, en mi opinión consiste en un balance entre el aquí y el ahora. Es más intenso cuando condensa la mayor cantidad de información por metros cuadrados o en cada segundo. Es más verdadero cuando encontramos un balance adecuado entre su intensidad y lo que hay de esencial en la relación entre los agentes del momento y sus entornos.

— Cuando me refiero al aquí, quizás refierome a este sitio onírico que uno no puede precisar cual es, pero que puede sentir si está en él, o no, a depender de la verdad con que el momento se le presenta. —

No, no es ni esta sala, ni esta ciudad. Mucho menos este segundo o este minuto. No se conoce al cierto por donde se extende ni cuando vayamos a depararnos con un momento de verdad, mucho menos cuanto dura.

A veces, un poco menos, a veces, un poco más. Un momento de verdad puede tardar menos que un segundo y tener la intensidad del infinito. A la vez, puede que dure toda una vida y que no sea más que un recuerdo recurrente y transitorio de la infancia.

Cuando te dije que no quiero nada superficial, dije que a mi me da igual la intensidad o la duración de los momentos que vengamos a compartir. Pero que más me interesa saber que, absolutamente cada instante, fue el adecuado para convertir nuestros momentos en algo más cercano de la verdad.

¿Cuantos segundos dura un momento de verdad?

No sé, pero creo que lo necesario, hasta que sea lo suficiente.



Um pouco mais que silêncio.

2018-02-17T08:52:10.435-03:00

Tem algo de misterioso e sensual no silêncio.Uma mistura de desejo engasgado ou delírio contido.É como se o passar dos dias acumulasse os ânimos de estórias possíveis, e impossíveis também.É como se você, coberta por uma cortina de incertezas, conseguisse estar aqui e, ao mesmo tempo, em qualquer lugar imaginável.Ubiquidade? Talvez. Mas com um gostinho de sensualidade.Porque é fácil simplesmente existir para além da presença física. Quantos momentos em um só dia dedicamos à imaginar paisagens surreais que só poderiam caber em uma mente inquieta e criativa, disposta a dar esse salto rumo à fantasia?No entanto, pensar em você é como saborear uma lembrança vívida, real, vestida de pequenos detalhes e momentos.Cada entrelaçar de dedos, cada olhar que durou um pouco mais do que o permitido por etiqueta, cada cansaço, sumiço, reencontro.E ir despindo-se de cada dedo, cada passo, ruído, segredo, dúvida, rumores, fofocas e lembranças como se fossem peças de um vestuário sobressalente em uma dança erótica — chamada destino?Até que, nús, só nos reste, para além de toda a especulação, o som dos fogos de uma sereia arquetípica, e o ruído dos seus devotos — reais? — a desembrulharem o presente de um orgasmo sem fronteiras.Isso. Um só orgasmo. Tangível, verborrágico e transcendental.Tudo ao mesmo tempo e em seguida, um silêncio.Sensual, sim.Característico de quem, sem mais do que desvencilhar-se, torna a vestir a realidade e a imaginação em doses homeopáticas.Um pouco constrangido, um pouco a vontade, mas imprescindivelmente disposto a escutar mais do que falar. Posto que não existe muita literatura em uma dança sensual, mas sim um certo fluxo, ponderado, tácito e consciente, capaz de navegar entre a entrega do sedutor e a abertura do seduzido.Não precisa recitar nem declamar os movimentos dessa dança. Basta com sentir que, através dela, abraçamos toda a existência em uma comunhão sublime.— Seria isso amor?— Seria isso, Amor?[...]



Trindade

2018-01-11T09:03:07.334-03:00

A chuva cai e até o concreto se rende.
Suas gotas se misturam com o orvalho e a noite abraça o dia em singela comunhão.
É como se o sol, humilde com a redenção da lua, optasse por um dia mais gélido, em homenagem à igualdade entre os astros.
Posto que não basta com que empreste a sua luz, mas que também reconheça a importância das marés.
Porque evaporar também não é sempre suficiente, mas aprender a mover-se sem necessariamente sair do lugar,
Em um movimento que renda náuseas à marinheiros de primeira viagem e prazer aos equilibristas das ondas.
Convencendo a dualidade de que, para ser inteira, necessário é que a água suba, e desça, e dance, e evapore, e até viaje um pouco, e se resiguine para tornar a cair,
Com o ânimo de quem tem esperança de trazer um pouco mais de vida para lugares outrora esquecidos, como o sertão e, porventura, até o concreto.



hérnia de umbigo

2011-11-23T23:01:51.380-02:00

não sei se é o meio-dia, o meio-fio ou o fio da meada.
já não posso fiarme em diapositivas.
uma visão positiva por hora serve e logo me escapa.
me sinto só, como(,) jamais servido.

para que o banquete sem o entre talheres?
entreolhamse os que à mesa jantam,
vejo a mim mesmo e sequer me enxergo.
adeus esteves. ai essa hérnia de umbigo.....

inflamada do que já não sou,
e do que nunca serei, inflada.



o verbo relativizado

2011-09-06T05:19:36.636-03:00

o tempo,
foi pro espaço.
o espaço,



私のお金はどこにある、くそ? - volto a escrever por aqui

2011-08-21T10:01:24.756-03:00

Ele acordou com asía e não sabia muito bem se era a Asia aquilo que aos poucos se desembaçava aos seus olhos na janela de defronte.

Pensou nos dias que foram e no hoje que tarde já lhe derrubava da cama. Lembrou-se do sol, dos anos. Do calor, que com o seu atroce fritar de nervos cutâneos progressivamente contamina o cérebro com uma impaciência sem precedentes (agosto parecia não ter fim, e ele sempre foi dramático ao hiperbolizar).

-Oba! É mais um dia que começa!
Disse em auto-sarcasmo desesperado.

Descobre, então, que ao seu lado acabara de acordar àquela puta da esquina do tailandês de não longe. Os segundos seguintes se reservaram ao tropeço retrospecto a fim de descobrir se havia -ou não- usado camisinha horas atrás. Prontamente desiste desse raciocínio antes que, se não bastara esquecidamente senil se descobrira também aidético.

- Watashi no okane wa doko ni, kuso?
Disse aquela-que-ele-não-sabia-o-nome, com a maior cara de cú, o que ele poderia (em bom baianês) ter dito com cerca de quatro palavras. De fato, teve que pagar o dobro por comer o seu cú, fenômeno que até última instância gerou discussão acerca do estado ontologico da possivel estafa a que ele acusava à vadia.

Constrangido, pagou 5000 yenis (1500 mais do que devia) ao ser intimado com a camisinha melada de bosta que ela lhe trouxe do banheiro à varanda em quanto ele gozava do primeiro cigarro sob o fim-de-tarde de uma Tokyo magenta. Sequer havia gozado, ao menos não na camisinha. Preferiu esquecer, antes bosta do que nada, pensou. E antes uma rapidinha do que troco, logrou a sua lógica ao fazer valer
-huh!
o valor
-huh!
agregado à vergonha
-aaaaah...

Contemplou a japonesa ir-se em quanto se lembrava da asía que assomava-lhe, quando exclamou:
-Malditas Chang hedónicas!
A essa altura já tinha certeza de que colocavam algum entorpecente químico 'gastro-intefatal' nessas cervejas. Químico aparentemente aditivo, uma vez que mesmo assim, e talvez por isso mesmo, era incapaz de não bebê-la a cada despretensiosa visita ao tailandês este, cada vez mais frequentes.

Pensava nos amigos, nos domingos, lembrou-se do Faustão e vomitou morosidade. Demasiava-se em sufoco ao cabo do sol que se punha. Refluxo dos seus sonhos, os dias duram já o infinito e cada vez um tanto mais. Os anos, não obstante, se expremem em 24 horas e cada vez menos.

O fim-dos-tempos é o tempo que leva o sol em se pôr, cada vez mais estático, cada vez mais patético.
Como um cigarro ao que se traga, mas que já pouco queima.



a cor da pureza

2017-02-13T12:27:09.975-03:00

Uma pseudo-circunferencia -pois na verdade é elíptica-
Borrada por entre os cimentos,
A esfera distoando dos cubos tão humanos, urbanos e cinzentos -pretensiosos cubos pintados de branco com o intuito de parecerem um tanto mais puros-

Como que esnobando ela surge em tons de amarelo
Descrevendo sua silenciosa órbita sem fazer muito caso,
Em que por acaso eu vi ao chegar na varanda de concreto,
tentando concretizar o sonho tão humano de me pintar de branco, sair do cubo e ser um pouco mais puro.


Estou imundo de significados e metáforas.
Pintar-me-ei de amarelo.



amor proibido

2017-02-13T12:27:09.986-03:00

toco-te ao acaso,
sob o inverso do ocaso,
de mais um dia que amanhece.

sinta a leveza dos passaros
que deslizam pela sua nuca,
provocando arrepios através dos meus dedos.

nosso amor um tanto nascente.

não se pôr, se propor, se recompor.

se negue, não se entregue, evite meu colo.


agora durma, que eu durmo,
e dormindo, enfim, estamos livres-pelo-amor.


(qualquer coisa a culpa é dos nossos sonhos.)



Ao-topo-ias.

2017-02-13T12:27:09.999-03:00

Veja esse céu negro,
Encharcado de mistérios,
Encontra no buraco da lua
o ralo do esclarescimento.

Me vejo avesso ao céu.
Olho o céu como a uma criança:

Embebecido de incertezas,
Minha alma é negra de tantas interrogações.
Cade a lua do meu ser?

Lua. Falso objeto.
Lua. Falsa mentira.
Quisera eu acreditar,
Pudera eu acreditar.

Cadê o meu Quintana com as suas utopias?
Foi pro ralo?



Neo-hipismo

2017-02-13T12:27:10.011-03:00

A palavra que tanto guiei,
Surge a mim agora intangível,
Inatingível meio de expressão,
Para o neologismo de tudo o que sinto.




planos

2017-02-13T12:27:10.021-03:00

acendo um cigarro,
fumo os meus planos,

a roupa que visto faz parte do plano,
o filme que vejo faz parte do plano,
aquilo que ouço faz parte do plano,
as pessoas que escolho ligar fazem parte do plano,
na verdade, o ato de ligar em si faz parte do plano.
as metas que traço são partes do plano,
as linhas que desenho,
a lagrima que cai,
os sonhos -com caráter coercitivo de pesadelos-
até o cigarro que fumo,
tudo é meu plano.

apago o cigarro.
planejo ser alguém.



-shhh...

2017-10-23T01:23:45.663-03:00

Quando o silêncio chega, eu chego me calo,
Rasgado e usurpado,
Deito para a realidade.
O mundo distorcido através de uma lágrima.

As marcas de uma violência serena,
O vento entrando pela janela,
Os meus sonhos dissolvidos, escorridos,
Encharcados no lençol.

O silêncio me estuprou e eu sequer ouvi.



-shhh...

2008-11-28T17:21:25.395-03:00

Quando o silêncio chega, eu chego me calo,
Rasgado e usurpado,
Deito para a realidade.
O mundo distorcido através de uma lágrima.

As marcas de uma violência serena,
O vento entrando pela janela,
Os meus sonhos dissolvidos, escorridos,
Encharcados no lençol.

O silêncio me estuprou e eu sequer ouvi.



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2017-02-13T12:27:10.042-03:00

Sabe, Dor? Que tál se fizermos um pacto?
Deixarás de me atormentar com esse seu jeito



Terra sentidos

2017-02-13T12:27:10.050-03:00


Cheire.

Será que consegues cheirar?
Esse aroma alvo, quase rubroazul,
ou todas as cores que imaginar.

Ouça.
Será que consegues ouvir?
Batuques, batidas, ritmos ásperos,
Tambores suaves feitos de cetim.

Toque.
Será que consegues tocar?
Textura salina ou o doce salgado,
Salgando do cru, salgado do mar.

Veja.

Será que consegues o ver?
As cores escala em tons de bequadro,
Harmonia bemol do nosso viver.

Coma.
Será que consegues comer?
O nosso abara de aromas pesados,
Um bom vatapá cheirando a dendê.

Sinta.
Vem apenas sentir sem se preocupar
A mistura sublime da contradição.
O acordo firmado entre o céu e o mar.
Dos risos brilhantes da nossa canção,
Escravos do belo, das ondas que batem,
Escravos do lindo e da imaginação
Somos Terra Bahia, das grandes idéias,
Somos Terra Bahia de um só coração.



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2017-02-13T12:27:10.060-03:00

Fruto de um acordo entre o céu e o mar.
Terra bahia, terra cantar.
Terra escrava das pancadas dessas ondas,
Terra escrava da beleza solar.

Cheire.
Você consegue cheirar?
Tem aroma rubroazul,
ou todas as cores que imaginar.

Toque.
Você consegue tocar?
Tamanha textura salina,
dosalinando salgadando o mar.

Ouça.
Será que consegue ouvir?
Batuques e ritmos tão ásperos,
tambores suaves como cetim.

Veja.
Você consegue ver?
O nosso tecido bequadro,
sustenido do nosso viver.

Sinta.
A mistura e a contradição.
Fruto do acordo dos céus,
Terra Bahia, um só coração.








Vento

2017-02-13T12:27:10.071-03:00

A cada vento a cortar a face, um desejo imenso de poetizar.
A cada vento a cortar a face, um desejo imenso de viver e amar.

A cada esquina um novo vento a me cortar.



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2017-10-23T01:23:45.711-03:00


Gaia que urge,
tufões que surgem,
águas revoltas,
mares confusos,

mais uma onda viola esta terra,
espanca os sólidos férteis
lembre-nos que és águas, lembre-nos que és vida,
machuque esta terra que aos poucos te esquece,
e culpe-a por ser cúmplice dessa raça



0 Comentários

2017-02-13T12:27:10.081-03:00

Gaia que urge,
tufões que surgem,
águas revoltas,
mares confusos,

mais uma onda viola esta terra,
espanca os solos sólidos e férteis
lembra-nos que és água, és vida.
e que ausente a mesma

e machuca, com razão, esta terra que aos poucos a esquece,
esta terra que é cúmplice da ingratidão humana.



Visita indiscreta

2017-02-13T12:27:10.101-03:00

A dor é tão insensível,
que quando se mostra incrível,
é impossível suportar.

Saborosa dor, tão sem gosto,
que nos seus eternos sufocos,
de um soluço, faz-me louco,
me enlouquecendo ao chorar.

Cala-te dor indiscreta,
Feche a porta, não deixa brecha,
Vai-te embora pela fresta,
Entre juízo que ainda me resta,
E a loucura a me atazanar.

E quando fores, mande recado,
Para que esteja distante e não ao seu lado,
E quando longe daí, exilado.
Esteja a salvo, esteja sanado,
Esteja livre, esteja calado,
Até o teu próximo visitar.



Sonhos

2017-02-13T12:27:10.111-03:00

presta atenção pequena,
pois nos sonhos, tudo é possível.
daremos vida ao que não é vivo,
teremos medo do imprevisível,

presta atenção pequena,
pois não poderei repetir,
os sonhos machucam feito na vida,
ou como na vida nos fazem sorrir.

presta atenção pequena,
pois não haverão oportunidades,
qual será nosso sonho de hoje?
uma cascata de amor,
ou uma cachoeira de saudades?



0 Comentários

2017-02-13T12:27:10.120-03:00

A dor é tão insensível,
que quando se mostra incrível,
é impossível suportar.

Tenho-a por mim tão breve,
nos seus eternos sufocos,
que de um soluço, faz-me louco,
me enlouquecendo ao chorar.

Cala-te dor indiscreta,
Feche a porta, não deixa brecha,
Vai-te embora pela fresta,
Entre juízo que ainda me resta,
E a loucura a me atazanar.

E quando fores, mande recado,
Para que esteja distante ao seu lado,
E quando longe daí, exilado.
Esteja a salvo, esteja sanado,
Esteja livre, esteja calado,
A espera de um próximo visitar.




Sem anseios

2017-02-13T12:27:10.130-03:00

Deixe-me repousar sobre o teu seio.
Calado, sem anseios.

Proteja-me do passado, da lembrança.
Dos vislumbres de um futuro que ainda não veio, mas que tanto dói.

Não engula a minha encenação. Não ceda ao meu beijo.
Ensina-me a espontaneidade.

Ensina-me com a sua inexperiência.
Não deixe que os calos da maturidade ofusquem a inocência inerente a felicidade.

O medo, o receio, a entrega, a entorpecência.
Elementos de uma inocência que não mais tenho e que tanto desejo.

Lembre-se: Eu te amo.

(por enquanto devaneios carnais permeiam a minha mente.
vultos das minhas mais sujas luxúrias.

entenda que não passam de tentativas,
mesmo que inconsientes não passam de tentativas,
inúteis, de me afirmar independente de ti.)


Impossível.

Por favor, não vá agora.

Deixe-me ao menos repousar sobre o teu seio.
Calado, sem anseios.



Uma dor de cabeça...

2017-02-13T12:27:10.138-03:00

Afrouxo os cadarços e o tênis quase que pede para sair. A calça incomoda, mas não me interessa tira-la. Uma Diana Reeves no media player e uma dor de cabeça que não quer passar. O calor de um dia estressante que se dissolve no chão gelado através dos meus pés, agora descalços. A lembrança da ligação dela há hora atrás. As obrigações que até batem a porta, mas que eu faço questão de não ouvir -o escuro prostrativo me parece mais atraente ou ao menos mais produtivo-. Sequer cedo às tentações do prazer -mundanos ou coletivos-. Estou muito bem onde sequer estou. A mente vagando na estagnação.

Pouco consigo lembrar dos meus últimos sonhos. Sou incapaz de definir quando e como foram detalhadamente, o que é normal. No entanto, assusto-me ao fazer as mais frias interpretações sobre as relações entre meu eu e o pouco do meu fictício –o pouco que juro fazer sentido, mesmo sabendo que não faz-. A inconsistência dos meus desejos, dos meus medos, tudo tão evidente e assustador. É como se subitamente me parecesse infantil desejar o mundo, ao passo que o mundo deseja tanto de mim.

- Devo ser monogâmico, flexível e de hipótese alguma ciumento. Amor livre é evolução, mas ame o seu amor e seja fiel como em uma prisão. Devo também ser estudioso, intelectual, crítico e livre dos conceitos prédefinidos pela sociedade, afinal tudo é tão efêmero. Lembre-se: carpe diem. Mas o diem do carpe acaba, e não fazer planos para o amanhã é tolice. A esquerda é desprezar a direita, a direita é desprezar a esquerda e o meio é incompetência ou ociosidade. A barba deve ser meticulosamente bem feita para ser fiel ao desleixo. Esqueça os valores do dinheiro, mas não se esqueça de vestir-se bem. A arte é só uma fase da sua vida que um dia acaba, mas lembre-se: o artista é eterno e imortal. -

Uma Diana Reeves no media player e uma dor de cabeça que não quer passar. A calça que vesti semana passada para ludibriar a minha mente agora me parece tão incômoda –sequer consigo tira-la-. Os cadarços das definições são folgados e os tênis que usei para caminhar ileso pelas ruas das incertezas rasgam a cada passo -como pode haver tantas mentiras no simples ato de caminhar?-. Meus calos são o que me condenam e neles as confusões existenciais urgem para fugir –não, não fujam, nem fiquem-. Se elas fogem eu enlouqueço. Se elas se ficam eu enlouqueço. Não vejo a lucidez na luz do túnel. Quisera eu conseguir lembrar dos meus sonhos –ao menos na loucura deles prevalecia uma realidade livre de compromissos com a coerência-.