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Clabrazil



Rotina corrida e extraordinários lentos de uma uma mãe brasileira na Alemanha



Updated: 2018-03-05T19:27:14.716+01:00

 



Maratonas da vida

2014-01-22T14:18:18.455+01:00

Sempre me emocionei com músicas, filmes, casamentos, nascimentos. Situações de praxe. Mas nunca me imaginei chorando junto com finalistas de provas esportivas e foi exatamente isso que aconteceu em julho de 2013. Com 35 anos (antes tarde do que nunca!), fazia apenas um ano que o esporte tornara-se parte de minha vida. Assim mesmo, como quem escova os dentes, eu fazia aeróbica, dançava, pedalava e até tinha começado a dar uns trotes na corrida. Aí veio o Ironman em Frankfurt, na Alemanha, onde moro. Cheguei 12 horas depois da prova ter começado. Os cobras já estavam em casa com as pernas pro ar (ou no gelo). Mas quem chegava naquele ponto depois de nadar 3.86 quilômetros, pedalar 180.25 e correr 42.2 eram pessoas normais. Pelo menos aparentemente. Eram homens e (poucas) mulheres de muita vontade. Muita determinação. As lágrimas e sorrisos deles ao cruzar a chegada eram as minhas. Chorei junto. Sorri junto. E decidi que faria sim, minha primeira meia-maratona. Que danasse o fato de eu até um anos antes ter 16Kg mais e ter sido a vida inteira sedentária. Que fosse pro inferno o medo de não dar conta dos treinamentos. Foram três meses de treinamento, uma anemiazinha leve incluída. Sei lá quantos treinamentos chatíssimos de tiro daqueles de botar os bofes pra fora e as pernas se negarem a sair da zona de conforto. Alguns debaixo de chuva e frio (tô falando de frio europeu, viu? Não é garoa, não!). Corridas matutinas, corridas noturnas, corridas de 10 min por não querer incomodar amigos que tomavam conta de meu filho. Tinha corrida para todo gosto, mas as melhores mesmo eram aos domingos, os deliciosos longões. O dia da meia havia chegado. 13 de outubro de 2013, em Offenbach, uma cidade vizinha de Frankfurt sem qualquer glamour. Estava uma friaca de outono descomunal. Alguns mais experientes (ou afobados!) na dianteira e eu bem lá atrás esperando a partida. Não tinha pressa, mas queria chegar em 2:10. Era para isso que havia treinado tanto. Sei que para uma primeira meia, chegar basta, mas a gana era demais. Comecei bem feliz, mas o pulso estava alto, dando 170 de cara. Acho que era a ansiedade daquela prova finalmente ter começado. No quilômetro 3, uma fisgada na perna esquerda na lateral externa da coxa me assustou. A regularidade com que persistia me apavorou. Até então tinha tido uma dorzinha aqui e ali durante os treinamentos, mas aquela dor era estranha de tudo. E nada bem-vinda na minha tão esperada primeira meia. A desgramada da dor continuou. A cada passo que dava ela mostrava para o que veio. Com essa agonia toda, o pulso também nem sonhava em baixar.No quilômetro 11 encontrei uns portugueses que me acolheram como meia-maratonista de primeira viagem. Conversamos e com isso ignorei a dor um pouco e o pulso até baixou. Depois de dois quilômetros juntos, me despedi deles e dei um impulso. A dor também. Mas relativei. Pensei na dor do parto normal sem anestesia de meu filho e sorri. No quilômetro 14 era só alegria. Liguei para meu marido: „faltam 7“! E desliguei. Mais sorrisos. No quilômetro 18 de novo liguei: “faltam só 3!”. Dava gargalhadas sozinha, louca de pedra. No quilômetro 20 reduzi (ainda mais) o ritmo para beber água. A perna cri-cri párou. Dei-lhe um tapa e ela pegou no tranco novamente. Parar faltando um quilômetro? Nem pensar!Quando vi a faixa azul da chegada fiquei ensandecida e acelerei. Tudo bem que o tempo não melhorou grandes coisas por causa disso mas cheguei com dor e feliz aos 2:18.Ver meu filho torcendo por mim foi surreal. Lembrei-me da prova do Ironman. Hoje, três meses depois tenho mais três meias e minha primeira maratona planejadas. Frankfurt 2014, me aguarde![...]



Leve como algodão doce

2013-10-08T15:05:09.025+02:00

 Nestes ultimo meses, foi tanta movimentação que foi impossível sentar a pua e colocar em palavras a vida cotidiana como de costume.Depois de tirar carteira de motorista, formar-me jornalista, virar uma imigrante nas Zuropas, tornar-me cidadã holandesa, casar-me e adentrar o maravilhoso mundo da maternidade, me tornei o que eu nunca pensei que poderia ser: uma corredora.A vida não pára de surpreender com seus solavancos e, realmente, com todos os inevitáveis e traumáticos eventos que ela traz, é incrível ser capaz de guiar (pelo menos em parte) o próprio destino com a tão falada força de vontade.Eu sempre fui muito relaxada com planos – como Zeca Pagodinho e a crença de que pra tudo na vida tem jeito  –  fui sempre deixando a vida me levar. Na verdade, acho que nunca planejei nada na vida até me tornar mãe. E agora, a apenas alguns dias para minha primeira meia maratona, sei que posso seguir um plano e ainda curtir a vida com um quê de disciplina.Péla-saco, eu sei.Vamos lá à historinha de motivação de antes e depois que tanto gostamos de ler:Tenho 1,70 m de altura pesei maior parte da minha vida adulta entre 67 e 70 kg . Eu tinha um tamanho europeu 40-42 (no Brasil estava entre manequins 44-46) , a maioria das minhas roupas sendo um L. Totalmente na média meu corpo, sem drama algum. Sempre amei cozinhar e comer grandes porções. Por sorte, sempre comi bastante saudável e não há absolutamente nada que eu não experimente.Em seguida, veio o filho. A gravidez não foi curtida, devido à morte da minha irmã e sua bebê, logo, não houve qualquer espaço na minha mente para me preocupar com o peso. Felizmente, eu só ganhei cerca de 15 kg, que é um bom número e fácil de perder .Amamentei meu filho até seus 10 meses de idade. Os primeiros meses de amamentação exclusiva foi como um programa de queima de gordura! Perdi a barriga num piscar de olhos e tive o meu corpo de antes da gravidez de volta em 2 ou 3 meses.Até que vieram as agradáveis tardes com café e cheesecake. Eu sou absolutamente louca por cheesecake. E, vamos combinar que empurrar carrinho de bebê para cima e para baixo não é necessariamente um esforço físico. Lânguidos dias de inverno em casa com o bebê, adicionados a algum desequilíbrio hormonal e voilà: os quilos voltaram com a corda toda.Não sei exatamente quantos, mas quando meu filho tinha 12 meses e voltei a trabalhar 28 horas por semana, tive meu grito de alerta: não havia quase nada que me coubesse em meu guarda-roupa. Dinheiro para comprar roupa nova e vontade de pular para um manequim maior não tinha.Foi quando decidi começar a perder peso. Havia feito uma vez na vida, meio sem regra, o Vigilantes do Peso, mas estava longe de acreditar em dietas. A reviravolta veio mesmo quando resolvi fazer as pazes com o passado de negação do esporte.Eu acho que eu tinha uns 74 -76 kg quando comecei a usar finalmente a carteirinha da associação esportiva do meu bairro. Nada de pesos, nada de máquinas. Zumba estava no auge da moda e gostei da diversão de pular e rebolar com música latina.Depois que a Zumba começou a ficar monótona, veio o Step (quantas vezes fiquei tonta de rodopiar e quase tropecei no degrau!). Dancei Salsa pelo menos uma vez por semana, juntei um poquinho de Pilates.O peso foi embora tão rápido e naturalmente, que mal pude acreditar. Novamente, alguns hormônios devem ter mexido seus pauzinhos. Comida deixou de ser um problema e seis meses depois, eu já havia perdido 8-10 kg .Todo o meu guarda-roupa teve de ser substituído por peças de segunda mão (o que tenho curtido muito, confesso!). Minha mãe começou a me perguntar se eu estava doente.Há uns seis meses, quando me senti leve o suficiente para iniciar um novo empreendimento, comecei a correr. Hoje 16 kg estão definitivamente banidos de minha vida. Não preciso dizer que me sinto forte e uma bomba de energia, totalmente em sintonia com meu corpo. Ainda me lembro como, há poucos meses, 20 minutos em ritmo lento em volta do quarteirã[...]



De vida e de morte

2012-10-30T09:58:41.255+01:00

Amanhã faço 35 anos.


Faz dois anos, enquanto passava um fim de semana grávidíssima numa congelante Berlim, minha irmã leuquêmica e recém-parida de uma bebê de 25 semanas morria num leito de CTI no Rio de Janeiro.

Minha mãe, esgotada de 40 dias de acompanhamento intensivo, massageava seu coração na esperança que mantivesse o corpo vivo pelo menos até meu aniversário passar, mesmo que o cérebro já tivesse jogado a toalha no dia anterior.

Um dia depois do meu aniversário embarquei no vôo noturno pro Brasil.

Cheguei no meio do velório. Ainda pude vê-la. Pude chorar sobre seu corpo morto.

A lembrança ainda é hoje muito forte. Ela não martela mais, porém perambula e paira.

Dez dias depois da perda de minha irmã, tendo eu me safado da mácula macabra do dia 31, morria sua filha prematura, Maria Carolina. Meu cunhado e pai da bebê infelizmente não teve a mesma “sorte” que eu. Sua filha o deixou exatamente no dia em que completava anos.

Aniversário de vida e aniversário de morte não deveriam nunca se colidir.




Saber envelhecer

2012-08-23T13:38:15.928+02:00

Amiga Chantal postou hoje no Facebook uma foto da mãe de Sylvester Stallone, uma suposta nonagenária que na busca incessante pela juventude mais parece que caiu dentro do poço da fonte e quebrou a cara. Fonte:http://juliapetit.com.br/beleza/plastificada-a-saga/ Ainda lá, o Facebook vem me sugerir amizade com a ex-sogra, uma senhora de 80 anos linda, que por motivos óbvios infelizmente não fala mais comigo (sou ex mulher de seu filho), mas mesmo assim a quero muito bem. Um dia já foi muito parecida com Catherine Deneuve, e hoje, sem plásticas, mas com a maquiagem, o penteado, as roupas, e, acima de tudo, a atitude certa, envelheceu bem e dignamente. Há vários casos semelhantes de mulheres que envelhecem bem. Claro que algumas são modelos de carreira, mas outras apenas mulheres que sabem o que querem e com isso não pararam no tempo. Pus abaixo algumas inspirações. Quando eu crescer, quero ser como elas. Carmen Dell'Orefice, modelo americanaMaria BethaniaFernanda MontenegroHannelore Elsner, atriz alemãHillary ClintonNeelie Kroes, política holandesa na Comissão Europeia[...]



Padescendo no Paraíso

2012-07-23T13:33:42.740+02:00

Fiquei a manhã inteira na cozinha no maior domingão de sol pois encasquetei que queria fazer rolinhos de repolho (Kohlroulade) bem tradicionais alemães. A casa inteira já estava fedendo a repolho desde o dia anterior, quando o ferventei inteiro numa panela enorme.

Pois bem. Marido é vegetariano, logo fiz não só uma, como duas Kohlroulade diferentes. Uma com carne para mim e Lex, e outra para Jörg, com coalhada, passas, nozes e afins.

Para acompanhar, uma simples batatinha cozida.

(image)
Jörn Rynio / www.jalag-syndication.de

Eis que filho e marido voltam e a mesa está posta.

Filho, que com quase um ano e meio já começa a botar asinhas de gourmet para fora, fica pescando as batatas e ignorando o repolho enrolado que mamãe fez com tanto carinho.

E falava para cada pedacinho "tata", pela primeira vez.

Resultado: meu filho já fala batata em português (orgulho da mamãe!), que é bem mais fácil que Kartoffel, e os rolinhos foram todos pro freezer. Um dia eles voltam para se vingarem do desprezo. Mais cedo que imaginam.




Bebês adultos e adultos bebês

2012-07-19T11:07:20.846+02:00


Cena do parquinho:

Lena, de uns 3 anos, brinca feliz no escorrega.

Mãe se levanta do banco e pergunta para a filha:
"Lena, vamos pra casa almoçar?"

Lena não titubeia:
"Não, eu quero brincar."

Mãe insiste:
"Mas Lena, a mamãe tá com fome."

Lena irredutível:
"Não, eu não quero ir pra casa."

Mãe apela:
"Mas o papai cozinhou uma comidinha bem gostosa pra gente."

Lena cede um pouquinho, bem mais por ter se enjoado do escorrega do que pelos argumentos da mãe.

As duas se vão. E eu fico me perguntando qual delas era a mãe, e qual era a filha.

Comum e chocante é esse comportamento infantil e anti-autoritário dos pais por aqui na Alemanha (suponho que no Brasil não seja diferente). Fico realmente boquiaberta vendo pais discutirem decisões bem aquém da capacidade da criança. Discute-se tudo, quando na verdade uma simples decisão dos pais bastasse.

Qual será o motivo dessa total inversão de papeis? Seriam os pais atualmente mais velhos? Ou pais que realmente planejaram ter filhos e os encaram como um projeto? Pais que trabalham muito, se cobrem de culpa, e, por isso, não ousam "desperdiçar" os poucos momentos com os filhos entrando em conflito? Ou seriam adultos que negam uma educação autoritária na esperança de ser tornarem os melhores amigos dos filhos?

Tenho muito medo dessa tendência. Fui criada com a ideia que criança não tinha querer. E, sinceramente, não me fez mal algum. Se conseguirei criar meu filho dessa forma diante tantas tentações pedagógicas, não sei.

Mais sobre o assunto nessa matéria da revista Época que recebi de minha amiga Nancy.




Norte e sul

2012-07-16T11:09:02.718+02:00

Um casal jovem alemão chega lá em casa para ver nossa nova varanda:
"Que ótima! Com a posição sudoeste o sol bate na medida ideal."

E eu assim:
"Quê?"

Desde que saí do Brasil sou confrontada com minha ignorância profunda em localizações geográficas e espécies de pássaros. Alemão chega num lugar e já sabe do nada, mesmo sem olhar pro sol, se está no norte, no sul, do noroeste ou no sudeste. Parece que eles já nascem com uma rosa dos ventos embutida da cabeça.

Com nomes de rouxinois e gaviões fico também embasbacada. Alemão ouve um pio e já sabe que pássaro é e de onde veio.

Não sei se é furo no nosso currículo escolar ou mero talento para falar de coisas inanimadas, como destacou muito bem a blogueira Tamine Maklouf nesse post. Depois que meu filho crescer e for educado por essas bandas de cá, finalmente entenderei.





Mãe-vaca

2012-06-25T10:18:58.862+02:00

Minha amiga Clarissa acabou de se tornar mãe. O Miguel chegou e fiquei a noite toda sonhando com bebês. Na mesma noite, meu filho de 16 meses largou a mamadeira. Resultado bizarro desses dois eventos: meu corpo produziu leite de novo!

Sempre pus meu corpo a meu favor. Salto alto para deixar as pernas mais esguias, sutiã push-up para aumentar os seios, peças escuras para emagrecer, cigarros e afins para relaxar, álcool para alegrar, cinema e livros para pensar, viagens para ampliar a consciência, comida e doces para degustar.

Até que engravidei e tive um filho.

Então o corpo começou a me dominar.

Primeiro a menstruação que não veio mais. Coisa boa.

Depois os seios que doeram horrores. Passei a dormir de barriga pra cima.

Logo então foi a barriga que cresceu. Adeus cós apertado, bem-vindo cós elástico.

As vontades de comer isso ou de vomitar naquilo não tardaram.

O sono também apareceu nas horas mais inconvenientes. Sonecas na privada do banheiro do trabalho viraram hábito.

Surgiram pêlos na barriga, e áreas escuras onde antes nada tinha. Crueldade.

Como se já não bastasse tanta mudança, o rebento veio e aí o corpo se passou a achar o verdadeiro dono do mundo!

Do dia pra noite, apareceram peitos de atriz pornô cheios de leite. Era só o bebê chorar que enchiam, mesmo que estivesse a quilômetros de distância de meu filho.

A falta de sono profundo me transformou num monstro-mãe. A qualquer soluço do bebê ligava para o pronto-socorro achando que iria morrer.

O corpo pedia doce e eu madava ver nas tortas e sorvetes. E o mesmo corpo dominador os transformava em leite-condensado para o pequeno.

E agora, tantos meses depois, tive um acesso de vaca leiteira?!

Natureza, natureza, o que fazes de mim? Parabéns, Cla. O Miguel é lindão.








Como é bom trabalhar

2012-06-13T15:36:34.402+02:00

Explico.

Fiquei um ano em casa com bebê na função de mãe de Lex. Nos primeiros meses, fui às raias da loucura com um recém-nascido que além de mamar (o lado bom), só fazia chorar e dormir nos horários mais absurdos. Foi por pouco que não pulamos da janela, eu e Lex.

Depois dos três meses o molequinho passou por um exorcismo que o transformou de demônio em anjinho do dia para a noite. Continuou agarrado no peito mas nas horas vagas dormia mais tranquilo e longamente e fazia gracinhas quando dava na telha.

Lá pelo sexto mês, começou uma fase de mudanças de hábito. Estava gordinho de leite de peito mas já cobiçava a comida alheia. Começaram as papinhas, mas sem ainda muito desapego à mãe. Estranhava Deus e o mundo. Ficava irritado quando a progenitora saía do quarto onde dormia. Foi uma fase de novos aprendizados e muita paciência. Mas ele tava tão lindinho e fofinho que tudo se superou.

Daí até um ano continuou o grude, mas se desmamou, começou a mostrar interesse por outras pessoas e pronto. A mãe foi trabalhar.

Sinceramente, nunca fui tão feliz na vida. Meu dia poderia tranquilamente ter 48 horas e nem assim conseguiria ter um só momento de tédio.

Trabalho de manhã, busco Lex ao meio-dia, ponho-o pra dormir, cozinho a janta, durmo um pouquinho ou escrevo, brinco com ele e às 20h a jornada de mãe já acabou. Sobram umas horinhas para ser mulher e amiga do marido.

No dia seguinte tudo começa de novo. Nunca foi tão bom acordar às seis da manhã.




(A)Normalidade holandesa

2012-04-13T20:33:48.760+02:00

Duas notícias essa semana me fizeram lembrar minha segunda terrinha, a Holanda (sim, sou também holandesa naturalizada).

Um restaurante norte-coreano chamado Pyongyang abriu as portas em Amsterdã. É o primeiro na Europa, onde uma leva de gente ávida por comidas exóticas (inclusive quem vos escreve) alterna entre restaurantes etíopes e casaquistaneses para fugir da rotina dos tailandeses.

Até aí nada demais. O problema é o seguinte. Pyongyang é uma rede e centro cultural. As garçonetes e os cozinheiros são enviados especialmente para suas funções no restaurante. Na Coréia do Norte, tirar passaporte não é direito de qualquer cidadão. Transitar dentro do próprio país é difícil, conta meu amigo Ronald, que esteve por lá ano passado e teve suas fotos supervisionadas sem nunca poder andar desacompanhado do guia. Dizem até que as famílias dos funcionários são monitoradas pelo governo enquanto os enviados sorriem e nada falam sobre sua vida pessoal. Logo já dá pra imaginar o quanto de propaganda há por trás do prato de Kimchi.

Nada me surpreende que Amsterdã tenha sido escolhida como a sede da primeira filial da rede na Europa. Amsterdam (e a Holanda em grande parte) é um misto de vila calvinista com Sodoma e Gomorra e bazar turco. A oferta é de se perder de vista. E no fim, vale tudo, desde que ninguém se meta na vida alheia e faça suas coisinhas bem quietinho, sem fazer alarde.

****

A segunda notícia é que Pieter van Vollenhoven, membro da família real holandesa e ex-presidente de câmara de segurança holandesa, andou sugerindo anticoncepção à força para doentes mentais, psiquiátricos e viciados em drogas. Medida deveras eugenista, caro conterrâneo.

****

Dia da Rainha na Holanda. Quando ser "anormal" pode.

Notícias à parte, na Holanda aprendi que ser direta vale a pena. Evita expectativas falsas da outra parte e deixa sua consciência tranquila. Na Holanda também, entrei em contato com um cinismo que contamina. Infelizmente. Foi lá que convivi pela primeira vez com pessoas bastante anti-sociais, mesmo sendo extremamente progressivas e liberais.

Mas para entender a Holanda, basta uma frase, que é para mim o lema nacional: “doe je normaal, dan doe je gek genoeg!” (traduzindo: seja normal, pois isso já é louco o suficiente).



Pascaaal!

2012-05-07T09:33:27.817+02:00

Mãe com filho de dois anos na piscina de crianças no sábado:

"Pascaaal, não corre!"
(A piscina tá vazia. Fora Pascal, só tem meu filho de um ano descobrindo os ralos da piscina.)

Pascal pára de correr e sacode as mãos feliz da vida na água:
"Pascaaal, não espirra água!"
(Quê? Vai fazer o que, então, ler um livro debaixo d`água?)

Pascal pára de fazer splish splash e começa a subir e descer os degraus da piscina.
"Pascaaal, não sobe por aí!"

Pascal tenta subir por lá.
"Pascaaal, aí você vai escorregar e se machucar, já disse!"
(Começo a achar que essa mãe tem problemas)

Pascal acha um peixinho abandonado na piscina.
"Pascaaal, esse peixinho não é seu, deixa ele onde está!"
(Não estou acreditando nessa mulher!)

Pascal larga o peixinho e vem para perto do chafariz onde meu filho inspeciona concentrado o jorro d`água.
"Pascaaal, cuidado com o bebê!"
(Agora até meu filho ela está monitorando, que louca!)

Não preciso dizer que entrei muda e saí calada da piscina. Até na maternidade, o silêncio às vezes fala mais alto.
Image: David Castillo Dominici / FreeDigitalPhotos.net



Vulnerability (Sobre vulnerabilidade)

2012-03-26T14:02:23.414+02:00

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A Casa

2012-03-21T10:12:26.610+01:00

A Casa é uma nova fixação na vida excitante e fresquinha de meu Lex.

Onde a palavra casa é mencionada, se observa um gingado ainda meio duro de quem tenta dançar sem nem mesmo saber ficar em pé sozinho.

Onde os traços triangulares e retangulares de uma casa surgem num livro, se aciona também seu mecanismo primitivo de dança. E a mãe começa a cantar:
Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia entrar nela, não
Porque na casa não tinha chão
Ninguém podia dormir na rede
Porque na casa não tinha parede
Ninguém podia fazer pipi
Porque penico não tinha ali
Mas era feita com muito esmero
Na rua dos Bobos
Número zero
Me lembro ainda criança dessa música, uma de minhas favoritas do disco da Arca de Noé. Fico feliz de poder compartilhá-la com meu bebê.

E fico sonhando com o dia em que mostrarei Gaudi a meu filho, ou o dia em que juntos conheceremos essa obra de Vilaró no Uruguai.



Jovem mulher de meia-idade

2012-03-21T10:13:07.025+01:00

Estava indo dormir dia desses e me dei conta que estamos em 2012.

Meu filho fez um ano em 2012. Eu farei 35 em 2012.

Não sei onde o tempo foi parar. Achei umas cartas de correspondentes que escrevi em 1996 e 1997. Tinha menos de 20 anos na época. Quase duas décadas se passaram e eu não vi.

Se fizesse uma retrospectiva, a lista contaria com acontecimentos grandiosos e penosos.

De lá para cá comecei dois estudos universitários, só me formando em um. Mudei de país duas vezes, aprendi mais 2 línguas estrangeiras, tive uns 5 empregos, uns 10 endereços e 4 aparelhos de celular. Fiz uma leva de grandes amigos, alguns se perdendo no caminho. Me casei duas vezes, me separei uma. Ganhei um bebê divino e, pelas mesmas forças, perdi uma irmã e uma avó.

Agora estou aqui, à beira do caminho, vendo a vida se desenrolando na minha frente, colhendo alguns frutos e tentando plantar outros.

Não tenho medo de morrer, e tô aceitando que envelhecer é fato e buscar juventude eterna só traz insatisfação. Mas não quero parar. Não devo.

Tô pensando em comprar um Smartphone, que tal?



Ano bom demais

2012-03-21T10:13:29.792+01:00

(image)
Passou e nós curtimos. Passou e nossa vida ficou mais rica. Passou e ficamos também mais cansados.

Obrigada, Alexander. Sem saber, você é o maior presente que já tivemos.

Te amamos, filho.
PS: E obrigada especial a meus amigos MARAVILHOSOS: Barbara, Rega, Renilde, Renata e Arnild que ajudaram MUITO na festinha do Lex. E minha mamma também (tá parecendo Xou da Xuxa isso aqui).



São tantas as emoções...

2012-03-21T10:14:08.431+01:00

(image)
e as possibilidades.

Ter um bebê crescendo em casa é uma delícia. Todo dia um tique novo, uma nova careta, um aprendizado.

Um frescor sem precedentes.

Que por sua vez, me faz pensar onde estou e por que estou parada. Que o mundo oferece tantas possibilidades, basta só a gente correr atrás.

E fazer a escolha certa, o que nem sempre é tão óbvio.

Mas eu não desisto. 2012 promete.

Feliz Natal e um próximo ano revigorante. Que 2011 se vá e com ele a maré de tristeza que volta e meia vem de ressaca atazanar as alegrias.



Tristeza

2012-03-21T10:14:46.571+01:00

Setembro, outubro e novembro nunca mais serão felizes.

Setembro Diva foi internada, em outubro seu estado piorou, em novembro ela se foi.

Tenho muitos sonhos em que ela aparece. Por vezes adolescente, por outras já adulta, mas em todos já doente.

A lembrança fica ainda mais dolorida quando o rosto de meu filho — que sentiu toda a dor da perda ainda no meu ventre — se revela a cada dia mais parecido com o da tia.

A dor é funda e presente. Na emotividade de minha mãe, no conformismo de meu pai, nas memórias de minha tia, nos olhos tristes de meu cunhado, na agitação de meu sobrinho, e, até na fé de meu irmão.

Saudades, Diva.



Papo de papinhas

2012-05-07T08:43:24.108+02:00

(image)
Sei que mal escrevo ultimamente e quando o faço é sobre o maravilhoso mundo infantil, mas bem, sobre o que mais divagar se passo 24 horas da minha vida imersa na maternidade?

Meu filho começou a comer sólidos.

E eu mesma cozinho sua papinha.

Para minha enorme surpresa, no bairro onde moro, que é meio hippie, meio hype, sou uma exceção. De todas as mães alemães com as quais convivo, sou a única que faz papinha para seu bebê.

Todas as outras renderam-se aos potinhos da Alnatura comprados na drogaria. Olivia, a mãe francesa de três (!) filhos, é a única que conheço que usa seus dotes culinários na bebê de 6 meses.

Não quero ser chata (aha, impossível!), mas vem cá: primeiro filho, mãe em casa de licença por pelo menos um ano e papinha comprada? Algo não bate nessa história...

Uma mãe (louca) que conheço chegou ao ponto de comprar 100 potinhos de uma só vez para levar para a viagem que fez à casa dos próprios pais na Croácia! Para infelizmente perceber tarde demais que na Croácia também tinha...potinhos!

Para terminar esse post de forma mais positiva (reitero, tô tentando abafar a chata dentro de mim!), uma receita de papinha DELICIOSA que fiz semana passada pro Lex:

Papinha de inhame, abobrinha, batata e dill


500g de inhame
1 abobrinha descascada
2 batatas
Dill que baste
uma colher de óleo de girassol, canola ou milho por porção

Cozinhe tudo no vapor (com exceção da batata) e amasse ou bata tudo fazendo um purê. Dá umas 5 ou 6 porções para congelar. Pode por gema de ovo amassada para reforçar os nutrientes.



Tem que ter peito

2012-05-07T08:44:00.354+02:00

(image)
Faz três meses e meio que pari Alexander e só agora consegui achar tempo para sentar com o laptop no colo e postar algo novo no blog. Coisas de mãe de primeira viagem.

A coisa mais animalesca depois de dar a luz é mesmo amamentar. Para mim, alérgica e atópica de tudo na vida, o leite materno é a única esperança que posso dar a meu filho de não sofrer com tantas reações adversas ao ambiente que vive.

Pois bem, 15 semanas de sugação já se passaram. Mais umas 15 virão.

Nesse meio tempo, tenho lavado diariamente sutias feios mas práticos, daqueles que têm uma janelinha pra crianca mamar. É muito simples, só clicar, abaixar o pano e encaixar a boca do menino faminto. O resto é por conta dele.

É muito estranho (embora satisfatório) ter seu filho grudado nos seus mamilos 8 ou 10 vezes por dia e vê-lo dobrando de peso em tão pouco tempo. Mas, obviamente, tanta natureza pode incomodar os mais pudicos.

Minha sogra acha ok amamentar em público, desde que não seja muito provocativo. Alguém explica o que tem de sedutor em peitos enormes, caíndo de tanto leite na boca de um bebê? E as manchas de leite que vazam pela roupa?

Há mulheres que põem um cachecol ou um pano cobrindo os seios. No entanto, acredito que a grande maioria das que amamentam, planeja os passeios durante os intervalos das mamadas para não se exporem tanto na rua. Já eu, que nao suporto o tédio da vida doméstica, visto o moleque, ponho-o no carrinho e passo horas com ele para baixo e para cima. Com direito a várias bicadinhas, é claro.

Tem gente que faz lista de lugares mais estranhos onde fez amor. Aqui a minha de lugares onde já amamentei:

no parque;
em praticamente todos os restaurantes onde comi nos últimos 3 meses (o menino vê a gente comendo e fica com fome também, coitado!);
no carro:
na biblioteca;
na loja de roupas;
na livraria;
em festas;
no trem;
na beira do rio;
na frente do sogro, de colegas de trabalho e amigos.

A verdade é que tendo um lugar pra sentar e o Lex pedindo, eu tô dando de mamar. Eu lá vou deixar meu filho passando fome?

Há alguns anos encontrei uma canadense meio hiponga em Catar, no Oriente Médio. Não sei como ela deu conta de amamentar em terras muçulmanas, mas seu comentário me marcou bastante na época, embora nem sonhasse em ter filhos: "por que tenho que me esconder para alimentar meu bebê? Quem gostaria de comer sua refeição no banheiro?"

Falou e disse.

Ah, e a cerveja é sem álcool!



Tantos planos infalíveis...

2012-04-02T11:16:10.525+02:00

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Ontem fui ao encontro do curso de grávidas de primeira viagem. Éramos 10 mulheres, das quais eu era praticamente a mais nova, só perdendo para uma outra com 31 anos. A mais velha, esperando o primeiro filho, tinha 44 anos.

Todas, sem qualquer exceção, trabalham fora. E até arrisco dizer que todas, sem exceção, planejaram suas gravidezes.

Fiquei com a pulga atrás da orelha. Sei que os alemães adoram estrutura, planejamento, decisões a longo prazo. Há alguns dias vi uma reportagem sobre uma atraente veterinária de 38 anos que, embora estivesse feliz e satisfeita com sua carreira e sua situação financeira, procurava desesperadamente um marido com o qual pudesse construir uma família. Morria de medo de terminar velha e sozinha.

Vindo de onde venho, o discutível país da ordem e progresso, tenho uma certa dificuldade de lidar com determinados comportamentos femininos norte-europeus.

Que bom que funcionou para a colega de curso de 44 anos ter seu primeiro filho. Mas será que esse é realmente o caminho? Será que é preciso traçar metas de carreira já no jardim de infância? Será mesmo que qualquer desvio é fatal?

Quem foi que disse que a mulher tem que estudar, trabalhar, ganhar uma fortuna e, para que isso aconteça, não deve em hipótese alguma perder seu foco? Ou seja, qualquer relacionamento sério que se apresente em seu caminho deva ficar em segundo plano. Quem foi determinou que uma jovem que engravide aos 20 anos já esteja fadada ao insucesso?

Sei que, no fim das contas, cada um segue o rumo que acredita melhor para si. Eu mesma me casei e divorciei antes de chegar onde estou hoje, 33 anos e grávida do primeiro rebento. Mas a pergunta continua: precisamos mesmo planejar tudo na vida e seguir tais planos à risca? Não seria melhor mantermos os olhos abertos para novas oportunidades fora do roteiro que escrevemos para nossas vidas?



Didi

2012-04-02T11:15:07.444+02:00

Ontem tirei uma blusa sua do armário. Quis vestí-la mas seu cheiro ainda estava nela. Preferi pô-la num saco plástico e deixá-la guardada bem no fundo, longe da visão. Essa blusa vermelha e branca estampada que você comprou em Londres em 2005 me fez chorar. De novo. Como tantas vezes tenho feito nos últimos meses desde que você ficou doente e se foi. Minha irmã do meio, a complicadinha, meio mimada e instável (sei que você pensava o mesmo de mim). Nosso relacionamento sempre foi perturbado. Quando você nasceu eu também era bebê e a carreguei no colo recém-nascida com seus míseros 1.900 gramas para a vizinha ver. Quase matei todo mundo de susto. Eu só queria exibir minha irmãzinha. Depois a infância em que sempre brigávamos. Normal em família em que os pais trabalham tanto, imagino. Brigar para chamar a atenção dos pais. Uma marca de nossos pega-pra-capar ficou registrada na sua testa. Eu a empurrei e você bateu em cheio numa quina de sofá de madeira. Sangrou, ligamos para mamãe, ela voltou pra casa, brigou mais ainda com a gente. Felizmente não foi preciso dar pontos. Na adolescência sempre a mesma ladainha. Você pegava minhas roupas e as vestia sem me pedir. Eu fula da vida, criava um escarcéu. Você, tranquilona, sem entender o porquê de eu me exalter tanto. Nem ligava e continuava a fuçar no meu armário às escondidas. Entenda irmã, que eu também era adolescente e mais velha. Não queria ter você na barra da minha saia o tempo todo. Afinal, você era minha irmã mais nova, uma fedelha.Felizmente chegou a idade adulta e com ela a redução dos conflitos. Mas eles só desapareceram totalmente depois da chegada anunciada do Davi, essa criança linda que você deu pro mundo. Fiquei tão feliz com sua gravidez bem sucedida, de ter a honra de estar na própria sala de operação durante sua cesariana, presenciando aquele momento tão íntimo e até visceral. Na Alemanha meu coração se animava com qualquer foto nova que você fazia do bebê que crescia tão bem amparado por ti. Você, desde pequena, sempre teve uma tremenda afinidade com bebês, anúncio de uma carreira maternal intensa e exemplar. Mesmo que curta. Uma felicidade só, estamos as duas grávidas! Você dois meses adiante, esperando uma menina, a Carolina. Trocamos tantos emails sobre coisas de bebês de cá e lá, você já tinha inclusive me mandado sua rotineira lista de muambas europeias. Dia 8 de setembro, quarta-feira, muito cedo pela manhã, meu celular toca. Mamãe do Brasil me diz que você tinha sido internada. As suspeitas eram duas: trombocitose, a melhor opção, ou leucemia, o terror-mor. O diagnóstico definitivo só saíria naquela tarde. O mesmo coração que era só alegria com as imagens de Davi se comprimiu a apertou o dia todo na esperança de uma notícia razoável. Que infelizmente não veio. Embarquei às pressas par te ver. Ao chegar, você já estava inconsciente e medicada. Cheia de tubos, num CTI de hospital. Sua imagem ficou distorcida de todas as que tinha suas até então. Minha irmã grávida doente duma gravidade absurda. Absurdo demais foi tudo o que se passou a partir dali. Dia 22 de setembro, já à noite, outro telefonema de minha mãe. Dessa vez era Maria Carolina, que tinha sido expelida do depósito químico que seu corpo tinha virado. Expelida, não nascida, a pequena. Foram 620 gramas de vida frágil que caíram nas mãos de nossa mãe. Que dádiva ela ser obstetra. Que dor ter que realizar esse parto não programado sozinha, num CTI de hospital[...]



Recordar é comer

2010-09-07T16:41:19.517+02:00

Sempre gostei de comer (grávida então, nem se fala!). Nada mais natural, logo que sou neta de mineiros, filha de baiano, e comida lá em casa sempre foi farta e fresca. Minhas memórias são vívidas e felizes:Ainda criancinha, mal sabia falar, mas tinha um nome só meu para azeitonas: pedô. A mamadeira de leite morno com açúcar antes de dormir (hoje em dia passo looonge de leite, doce ou não). O pézinho de tomate-cereja que cresceu oblívio aos meus ataques com tesoura na casa dos fundos onde morava meu tio Edson. O pratinho azul de plástico do lanche cheio de biscoitos Maria cobertos com uma grossa camada de manteiga e o copo de café com leite. Diva, minha irmã, tinha o mesmo prato, só que verde (foto).A banana amassada com farinha láctea.O bolo salgado com sardinha que minha mãe sempre fazia para eu levar pra escola quando tínhamos que contribuir pra clássica divisão dos “meninos levam bebida, meninas levam um prato de doce ou salgado”O prato de mexidinho com os restos de arroz, feijão, couve, farofa e linguiça que batíamos cansados e famintos depois da praia. O biscoito frito de restos de angu que minha avó mineira fazia (e o maior resto ainda que era a raspa da panela que ela cobria com leite e dava pro meu avô comer em frente à televisão).O picolé de limão da Kibon que parecia ser mágico com seu palito “vale 1 picolé” na praia. As vitaminas de abacate da nossa árvore do quintal e os pratos da fruta amassada com limão e açúcar que comíamos tanto. Os milhares de lanches à base de banana que traçávamos na casa da prima Fátima nas tardes em que íamos brincar com Maria Fernanda e Raphael, e a fascinação que eu tinha pelo pé de romã deles no quintal. O cachorro-quente da Casa do Alemão em Petrópolis, no caminho de Minas.A feijoada da Dona Zezé, nossa eterna e querida vizinha. E as de Nilza, insuperáveis, em Padre Miguel! As rosas de casca de tomate que tia Quita fazia para enfeitar a salada de maionese. Os pães de queijo duros (para durar mais!) da vó Conceição. E sua bem melhor galinha com quiabo, cujo ingrediente principal vinha do galinheiro ao lado da casa e eu mesma criança adorava puxar as penas da galinha de molho em água quente na bacia. As idas de meu pai José ao mercado de peixes em Niterói bem cedinho nos sábados e sua vinda, um belo dia, com lagosta! Nossos almoços de domingo no Bom Galeto, quando meu irmão Artur se apoderava de todos os palmitos da salada mista. A pipoca com bacon que a Laura vendia na porta da escola. O angu à baiana que eu só comia uma vez por ano na festa junina da igreja. E o sarapatel da falecida tia Margarida, baiana boa demais de forno e fogão.A lasanha de trezentas mil calorias da Lica, nossa querida ajudante. As mega-festas de minha mãe no terraço lá de casa com o prato temático do ano: estrogonofe, feijoada, peixada, rabada, e tantas outras adas. O banquete completo baiano que minhas tias Miralva e Dinalva sempre preparavam para nós: caruru, vatapá, moqueca de camarões gigantes e fritada de siri mole. O abará do beco no Garcia, em Salvador. O sorvete de cupuaçú da Panini, também em Salvador. O suco de melancia com maracujá que minha tia Elza nos apresentou e consta hoje na lista dos meus sucos prediletos.O beijú de rua em Maceió fresquinho.Os guaiamuns que tio Celso encomendou especialmente para nós, visitas de longe pro casamento da Adriana. Comemos e lambemos os beiços e braços, por onde o caldinho escorria. E por falar em cald[...]



Nós e eles também

2010-09-06T13:30:29.832+02:00

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Ano passado fiquei sabendo da história do Pablo Piñeda, um espanhol portador da síndrome de Down que acabara seus estudos e havia se tornado professor. Escrevi sobre ele aqui.

Semana retrasada assisti Yo También, o filme MA-RA-VI-LHO-SO no qual Pablo atua num papel bem próximo de sua realidade, além de dividir a cena com a poderosa atriz Lola Dueñas, conhecida de filmes do Almodóvar.

Só posso recomendar. Assistam. Para rir, chorar, e refletir.



Abrir ou não abrir, eis a questão!

2010-09-06T13:16:35.109+02:00

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Sábado passado fui ao aniversário de uma amiga americana vivendo na Suíça. Fazia muito tempo que não a via e o reencontro foi ótimo.

Fiquei meses matutando o que levar de presente. Por fim, escolhi o livro ma-ra-vi-lho-so da da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie (Half of a Yellow Sun), que, por sinal, estou lendo bem devagarinho para não terminar. A aniversariante, apesar de ser americana, é de origem nigeriana como a autora. Achei bem adequado o livro. Para completar, já que minha amiga é lindíssima e tem um longo e esguio pescoço, comprei também um par de brincos gigantes com uma pena de pavão de cada lado. Show.

Conversa vai, conversa vem, perguntei a ela se ia voltar aos EUA nos próximos meses e ela me disse que talvez fosse sim, para participar de uma celebração da comunidade nigeriana em Chicago. Ah, era a deixa que precisava para entregar-lhe meu presente:

“Por falar em Nigéria, aqui está seu presente”.
“Obrigada”, ela disse. E enfiou o pacote num saco, continuando a conversa como se nada tivesse acontecido!

Fiquei com cara de tacho esperando que ela ainda fosse tirar o embrulho do saco a qualquer momento para abrí-lo na minha frente. Mas nada!

Gente: presente se abre na hora, né? Acho o FIM DA PICADA recebê-lo e só abrir depois da festa. Podem me chamar de afobada mas eu abro todos os presentes na presença de quem me presenteia. É gafe, por acaso?

Resultado: dois dias depois e eu ainda não sei se ela gostou. Talvez nem sequer tenha aberto o pacote...



Dominic, freiras cantantes e gravidez

2010-09-06T13:17:17.237+02:00

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Tô há um tempão sem postar nada no blog. Não é negligência pura e simples. Tenho um motivo de força maior. Ou melhor, o motivo maior possível: estou grávida!

Ainda estou naquela fase inicial, onde se dorme muito, se pensa pouco, e se tem vontade de comer imediatamente tudo aquilo de mais difícil de achar. Semana passada era goiaba vermelha. Na Alemanha, graças aos indianos, dá até pra encontrar a goiaba branca, mas a vermelha nunca vi. Enfim, não posso fazer nada, o bebê vai nascer com cara de goiaba.

Quase tão complicado quanto achar goiaba é decidir que nome dar ao pequeno (a). Tenho sobrenomes podres de comuns, mas sempre tive muito orgulho de me chamar Clarisse numa sala de aula cheia de Lucianas, Tatianas e afins. Sei o valor de um bom nome.

Como se já não bastasse ter que escolher um nome não muito comum nem tão exótico, não associado com pessoas esdrúxulas e que nem gere apelidos maldosos, temos o agravante de o nome ter que ser bonito e pronunciável em alemão, português e inglês, pelo menos. Afinal, esse bebê é multiculti.

Há muito tenho em mente que, se tiver uma filha, seu nome será Olivia. Sei que significa azeitona, oliveira, pode lembrar a Olivia Pailito, a Newton John, mas adoro o nome. E pronto.

Sem nenhuma afeição por nomes masculinos, deixei a cargo do pai que escolha como chamar o pimpolho caso venha a ser menino.

Anteontem no café da manhã ele veio decidido: “Nosso filho se chamará Dominic.”

“Hã?!”. Parei na hora de mastigar a torrada e arregalei os olhos. Engoli com dificuldade e continuei, transtornada. “Dominic?! Tá falando sério?”

“Claro que tô. Dominic é um nome bem cool, dá pra apelidar o menino de Dom, de Nick, até de Omni.”

“Omni?!”. E meu medo só aumentando. "Meu bem, é o seguinte... cê conhece aquela musiquinha antiga bem irritante da freira belga que cantava em francês ‘Dominique, nique nique…’? (Que, como se não bastasse, ainda foi traduzida pro português: ’Dominique, nique nique, sempre alegre esperando, alguém que possa amar!’).”

“Mas eu não disse Dominique. Eu disse DOMinic. Com c ou com k no final, você pode até escolher.”

“Meu bem, Dominic, Dominik, Dominique nique nique, dá tudo no mesmo no Brasil! Isso é nome de mulher!”

“Vocês brasileiros estragam tudo”.

Fim de conversa, fim do café da manhã. Eu chocada de um lado, Jörg frustrado do outro. Ainda bem que temos:

1) 50% de chance de ser Olivia; ou,
2) 6 ½ meses para mudar de ideia.