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Donos da Noite





Updated: 2018-03-06T06:33:41.211-03:00

 



[Conto] "Siga-me" Parte 4

2009-11-13T03:12:41.140-02:00

- Se você fizer isso de novo, Guilherme, eu juro que te arranco as presas só por diversão. Moleque sem graça. – Bradou o jovem truculento e careca posto bem às costas do gêmeo que falara sobre a chegada de uma “mãe”.- Não fale assim, Pedro. – Anunciou uma das mulheres da casa dos doze – Você sabe que o Guto e o Gui são diferentes da gente...- Ah! Cala a boca, Marina. – Pedro não quis escutar – Esses dois aí estão sempre no mundo da lua e falando coisas sem sentido. Escuta aqui, seu moleque – Pedro colocou a mão musculosa na testa de Guilherme – Da próxima vez abre a garganta de um mendigo e não a porta da nossa casa, falou?Guilherme continuou com o olhar vago em direção à TV tendo apenas o corpo levemente balançado pelo pequeno empurrão de Pedro, que logo depois se jogou em uma poltrona mais afastada.Todos ficaram silenciosos por um minuto. Jeová, ignorando as faces confusas dos mais jovens, perguntou algo para Téco que, estático, não respondeu. Ele ainda estava preso em sua raiva, jurava para si mesmo que havia visto a morena do Boqueirão entrar por aquela porta, era por isso que tinha os pulsos serrados e as presas à mostra. A porta ainda estava aberta, mas como no despertar de um sonho os detalhes foram desaparecendo. Ele concentrou-se com força nas imagens que havia visto, sentia-se em uma briga com sua memória, sendo ele quem tentava lembrar e ela que queria ser esquecida. Alguém havia entrado pela porta. Isso ele tinha certeza. E o que era aquilo agora? Um eco na sua cabeça. Um toque no ombro. Téco voltou para sala.- Está me ouvindo rapaz? – Disse Jeová com a mão levemente apoiada no ombro de Téco.Ele sacudiu a cabeça, ainda confuso.- Você sabe por que está aqui? – Jeová perguntou.- Porque nós somos... Iguais?! – Téco respondeu hesitante.- Justamente e não somente. – Jeová rebateu – Não somos iguais apenas porque somos vampiros, mesmo porque, apesar de iguais na nossa natureza somos diferentes entre si. Dependemos do Patre Petitum daquele que nos cria para sermos o que somos, e nisto sim somos iguais. Ao menos em relação ao Patre somos iguais. – Acrescentou.- Filhos do mesmo pai? – Téco perguntou.Jeová concordou silenciosamente e manteve-se frente à Téco como quem espera alguma informação. Téco não se envolvia a fundo na conversa, ainda pensava na mulher que invadira a pouco aquela casa sem ser notada. Seria isso mesmo? Estava alucinando depois de morto? Deu um suspiro curto, relembrava as imagens mais nítidas como se aquela confusão que lhe assombrara há pouco nunca houvesse existido. Acomodou-se no sofá e ainda demorou alguns segundos para perceber os olhos inquisidores que Jeová pregava aos seus. Eram os olhos verdes mais hipnotizadores que já havia visto.- O que te aflige? – perguntou o mais velho.- Me sinto confuso agora. Acabei de ver algo que ninguém percebeu, uma mulher entrou por aquela porta, e ela era extremamente parecida com aquela que me seduziu lá no Boqueirão. Tipo, quando eu ainda era eu. Antes daquele cara do riso abafado me pegar. – Téco respondeu aquilo que pensava sem ao menos perceber que falava.- Você lembra o que aquele que te criou te disse?Téco sentiu-se imergir das nevoas que lhe tomavam os pensamentos. Não lembrava-se do que aconteceu nos últimos momentos. Parecia ter pensado em algo para responder a primeira pergunta e logo já aparecia uma outra. Ele não havia respondido à primeira, ao menos pensava não ter respondido. Novos pensamentos cruzaram sua mente como um raio cortando o céu. Ele se lembrou dos olhos hipnóticos, era isso, Jeová estava hipnotizando-o.- Eu não me lembro. – Téco blefou.Visivelmente incomodado, Jeová olhou para os outros vampiros da casa.- Mas todos daqui se lembram do Patre Petitum. – Jeová anunciou – Você realmente não se lembra?Téco sentiu o esforço de Jeová para lhe forçar uma resposta, mas a hipnose já não funcionava. Com os olhos nos olhos Téco reafirmou seu blefe, se aquele senhor estava tentando entrar na sua cabeça para lhe faz[...]



[Conto] A Cuidadora

2009-11-13T03:05:41.730-02:00

Hoje não foi um dos meus melhores dias, se é que ainda me lembro de todos eles. Estava a fim de sair daquela casa cheia de gente importuna e ávida por explicações. Brincando de detetive, chegando um após o outro e se amontoando pelos cantos. Se eles conseguissem me ver ou soubessem o que eu já passei viveriam para me servir.

Saí para procurar algum jovenzinho drogado ou de porre, que acordaria fraco e sem se lembrar do que aconteceu na noite anterior, com a ajuda de uma confusão mental de minha parte, imaginando ter sonhado com seres sobrenaturais. Ah! Essa humanidade tola, que pega nossas histórias e as deturpam. Ganham a nossas custas, sobre nossas habilidades sangrentas, sórdidas e belas. Por favor! Existem mais motivos para matarmos agora do que quando realmente nos conheciam e nos perseguiam. Antes era sobrevivência, hoje é mais que isso, é um jogo.

Aquela rua quase não tinha iluminação, e o som abafado de uma boate próxima fazia tum-tum nos meus tímpanos, música desprezível. Gosto muito daquela rua, pouca gente transitando de madrugada, às vezes um grupo de jovens saindo da boate, às vezes sozinhos pedindo taxis e muitas vezes, jovens entorpecidos e despreocupados, querendo mais uma farra para terminar a noite. Um qualquer passou por mim sozinho e cambaleante, não sou de escolher quem eu caço, mas adoro os filhinhos de papai, aquele era um e assoviou me chamando de princesa logo em seguida. Senti o cheiro do suor e álcool, forte e apelativo.

- Você tem fogo? – eu o chamei.

Ele virou e sorriu.

- Sozinha a essa hora morena? Não quer companhia?

Desprezível seria de qualquer jeito, se tendo boas intenções ou não. Ele segurou-me pelos braços e sorriu novamente, seu cheiro ficou mais forte e meu desejo também. Tinha bafo de cerveja, vodka e cigarro, e cheiro de sexo. Ah! Quantos prazeres eu deixei para trás. Era a presa perfeita, daqueles que acham mais fortes que eu, que conseguirão tirar algum proveito de mim. Fui arrastada para um beco escuro e quase não me continha de satisfação, esses jovens tão previsíveis, senhores de si e do mundo. O mesmo beco, as mesmas palavras imundas de bocas imundas. Quer ganhar algo dos meus? Escreva sobre eles, quem sabe não se fica famoso falando sobre vampiros que brilham no sol? É o máximo que terá.

Simulei medo e pavor, sempre achei que seria uma boa atriz, apesar de nunca ter sido mais que uma dançarina de cabaret. A hora do bote tremia de ansiedade. Acho estranho como essas sensações não somem com a experiência. Foi fácil tirar os braços que estavam em torno de mim, ver o susto e o medo nos olhos, por os braços às costas dele e sussurrar no ouvido qualquer coisa banal sobre a morte, ouvir a respiração acelerada, os batimentos do coração, ver a artéria do pescoço pulsando, pulsando, pulsando...

- Sabe o que eu sou? – pergunto.

- Que porra é essa? – ele gritou.

Apesar de acostumada com esses gritos abafados e dissimulados, ouvi algo que me chamou a atenção. Surpreendo-me deixo o jovem fugir, e esqueço da noite de diversão correndo pela rua a fora em suas roupas de marca. Mas e isso agora? Ironia do destino, azar, acaso? Acaso não deveria ser: um lobo não sai a toa pelas ruas, ele também sai à caça. Este não me deu atenção, se é que me viu. Parecia cansado e com sinais de luta, passou com determinação e passos rápidos. Hoje não foi uma boa noite para sair de casa e a ela tenho de retornar, faminta, frustrada e nervosa. O ninho não pode ficar desprotegido, o ninho deve permanecer seguro, sempre.


Texto por Nayara Tiemi Naves
Adaptação por J.C Rossi




Informativo

2009-09-22T16:44:54.208-03:00

Olá leitores, estou postando para dizer que não haverá contos no blog nos próximos 15 dias. Depois de uma semana adoentado e uma semana de provas, preciso de um tempinho para me organizar.

Um abraço!



[Conto] Diário de um Vampiro (página 2)

2009-09-15T15:50:35.516-03:00

Sou senhor de mim mesmo e disso nunca duvidei. Mas o tempo passa, independente do que você é ou do que você quer. O tempo sempre passa. É com a pincelada do tempo que aprendemos as mais diversas coisas, e é nela, também, que se faz possível o esquecimento. Mas e quando muito se aprende e nada se esquece? Parece-me que nessa ocasião, cedo ou tarde, tudo que se aprende entra em conflito com aquilo que não se esquece. Quanto mais experiência e conhecimento se adquirem maior serão as dúvidas e o sentimento de impotência.


Vários de minha raça são hipnotizados por aquilo que chamam de poder. São eles que espalham aos ventos que nossa natureza se remete a dominação e acumulação de influências sobre a humanidade. Esses se vangloriam de superioridade e sentam em poltronas talhadas em materiais nobres e exercem sobre os seus pares e sobre os humanos a condição de líder ou ditador. São vampiros fortes e velhos, possuídos pela cegueira e acomodação. Acreditam serem detentores de tantos poderes que quando seus servos e súditos acreditam, assim eles se tornam. Acredito que isso não aconteceu quando o primeiro líder disse que liderava, mas sim quando o primeiro servo aceitou a fala do outro. Nossa falsa organização, como muitas outras nesse mundo, começou inocentemente pela fé cega.

Toda nossa existência é baseada em uma espécie de fé cega. Tornamos-nos exatamente aquilo que acreditamos querer ser quando bebemos do sangue humano. É a nossa plasticidade, que é tão pouco aproveitada, por sinal. Isto porque todo criador já tem seus traços cristalizados, e, por conseguinte, todo novo vampiro se assemelhará ao seu criador. O que acontece nesse meio é que surgiram e surgirão gerações e gerações de vampiros que acreditam dominar ou serem dominados. Uma enorme e tediosa repetição.

Por vias que até então desconhecia, naquela noite em que decidi que deveria morrer, fui de encontro a algo que iria ditar meus dias até esse momento. Fui feito vampiro por um outro que salvei a vida quando ele aceitava seu fim. Nossos caminhos se cruzaram pela segunda vez naquela noite.

A primeira vez que nos encontramos, embora não me recordasse daquele ocorrido naquela noite, foi em uma situação estranha em que havia encontrado um homem amarrado com jóias de prata em um tronco meio ao pasto sob a luz da lua. Ele mesmo me disse que eu havia lhe soltado daquele tronco que seria seu jazigo e lhe dado tempo para abrigar-se do sol que nasceria. Só tempos depois ele me disse que havia se alimentado de mim e distorcido minhas memórias sobre o ocorrido.

O Fato que desencadeou vários outros fatores foi que meu criador me deixou livre para descobrir o mundo da escuridão.

É de se pensar que eu estava livre para ser um vampiro único e livre das influencias de meu criador. Um pensamento errado. Justamente descobrir o mundo da escuridão foi o que se cristalizou em mim. É a minha obsessão. Foi o que eu fiz. Foi o que me tornei.

Serei eu mesmo o senhor de meus atos?



Na busca de um novo Template

2009-09-11T03:29:41.109-03:00

Olá leitores... estou apanhando um pouco na tentativa de fazer um novo template para o blogger. A versão beta é essa que vocês podem ver, mas provavelmente ainda darei uma mudada.

Opinem.



[Conto] Diário de um Vampiro

2009-09-11T03:33:32.655-03:00

Nunca fui um homem de fé e nem acreditava que desde o momento em que uma pessoa nasce ela carrega em seu corpo uma fagulha de algo maior, algo divino. Para mim isso sempre soou romântico demais. Confesso que queria relatar que me parecia ‘místico demais’, mas veja só: Sou um vampiro.Crer que o ser humano é dotado de um destino, de uma alma, de um propósito, de algo misterioso – seja lá o que for. É a comodidade que supre as carências da humanidade, ou da maioria dos homens. Quando vivia entre eles fazia parte da minoria que acreditava ser donos de si mesmos, desacreditados de uma manifestação de poder ditatorial e sarcástico, que se fazia cegamente, e principalmente, pelos próprios homens. Sempre me perguntei quem era esse Deus do amor que ignorava a destruição de sua cria por ela mesma. Aquele Ser perfeito que fizera do homem sua imagem e semelhança atribuindo-lhes a Alma que, durante sua vida terrena, deveria se posicionar em um tabuleiro de escolhas que poderia condená-la a uma eternidade de luz ou de trevas. Basicamente, me parecia doentio pensar que Algo criava uma energia poderosa, como a dita Alma, e a abandonasse em um corpo impróprio, que na pior das hipóteses profanaria tal energia e atiraria ao limbo. Alimentar o inferno com Almas não dignas de luz soava aos meus ouvidos, desculpe-me os mais crentes, impróprio de um ser perfeito. Por fim, ainda naquela época, e sem saber o que hoje me salta os olhos, silenciosamente neguei a existência de um Deus.Manter as aparências em uma casa cristã foi extremamente difícil, ainda mais tendo meu irmão mais velho como seminarista. Não que em meu intimo eu sentisse vontade de ridicularizar a religião ou a crendice de meus familiares, só me sentia um impostor naquele meio, sem poder de duvidar ou discutir. Deus era o que era. E era preciso, de algum modo, escapar das artimanhas do Demônio. Com o tempo me acostumei com aquele faz de conta, sempre acompanhava minha família aos cultos de domingo na pequena capela, situada a poucos quilômetros de nossa fazenda. Eu era um quadro bem pintado, e até hoje acredito que todos a minha volta me viam como um bom cristão e merecedor do paraíso.Pouco tempo depois da ordenação de meu irmão como padre, e o inicio de sua peregrinação como homem santo pelo mundo. Aqueles que um dia foram meu pai e minha mãe tiveram o seu fim com um surto de gripe. Assumi as responsabilidades da fazenda ainda moço e sem noções sobre como administrá-la. Sempre fui educado com o viés religioso, e meu pai nunca havia pensado que poderia partir como o fez e deixar suas terras à um filho não preparado como eu era.Acredito que se não fosse minha existência, naquele momento, os representantes da igreja arremessariam suas mãos pegajosas sobre a propriedade e a tomaria como posse, afinal, dois de seus fiéis mais comprometidos haviam tido a Alma levada aos céus. Lembro-me que foi justamente isso que me foi proposto quando o vigário me disse após a cerimônia de despedida realizada na capela. ‘Você pode seguir o mesmo caminho de santidade de seu irmão’. Como se eu acreditasse naquilo.Resolvi tentar entender como funcionava a administração das terras. Sabia ler fracamente, mas não dominava a ciência dos números. Era demais para mim. Logo os trabalhadores sentiram a fragilidade da situação e começaram a não aparecer, até mesmo algumas das empregadas que viviam na casa e mantinham a limpeza, organização e a cozinha, debandaram da fazenda. Em pouco tempo, eu estava praticamente só naquelas terras. Tornei-me um velho em um corpo de jovem. Não menos que cinco vezes, cogitei a possibilidade de entregar aquelas terras nas mãos da igreja. Mas o que seria da minha vida após aquilo, senão mais uma vida de fingimentos dentro de um caminho no qual eu não acreditava. Sei que chorei muito. Sentia falta de meus pais e desejava do fundo do coração que a gripe tivesse me[...]



[Conto] "Siga-me" Parte 3

2009-09-11T02:30:52.029-03:00

Não houve tempo para apresentações. Ronaldo se apressou a entrar na casa dos doze e foi seguido por Téco e André. Passaram pelo portão alto e maciço e seguiram pela calçada de pedras grandes e planas até a porta de madeira nobre que se abrigava em uma larga varanda. Antes de tocar a maçaneta, Ronaldo viu a porta se abrir, e, uma bela jovem aparecer sob o batente.Téco viu a moça assim que a abriu se porta. Ele estava lado a lado do rapaz negro que falara, há pouco, sobre algum Celso e sobre lobos. Tudo muito estranho, pensou ele. Sua mente acompanhava rapidamente os acontecimentos. Era fato que ele era um vampiro, mas doze vampiros vivendo juntos em uma casa e sendo pegos por lobos acabava sendo um pouco indigesto para ele. Sentiu que precisava de mais informações para poder entender aquilo tudo. Era um quebra-cabeça, ele sentia. Queria resolvê-lo quanto antes, mas seus pensamentos o orientavam para uma abordagem menos direta. Resolveu esperar um pouco.Seu velho amigo, desaparecido e vampiro, passou pela garota cumprimentando com um leve aceno de cabeça, ela era uma vampira também, e, ao contrário de Ronaldo, não demonstrava nenhum tipo de frustração.A jovem era baixinha, e apesar de não estar acima do peso, tinha aparência rechonchuda. Vestia um macacão jeans, que lhe deixava as cochas à mostra, sobre uma regata preta um pouco decotada. Os cabelos castanhos e ondulados chegavam aos ombros, onde, no esquerdo, uma das alças estava solta. Ela olhou para André e Téco e sorriu. Disse:- E aí André, e esse guri? Presentinho do Nome do Pai?Téco não pode deixar de reconhecer o sotaque sulista da garota. Ela parecia jovial e bem humorada e fez pequenas caretas quando André passou por ela. Téco tentou evitar os olhos âmbares da garota enquanto entrava pela mesma porta. Ela manteve um sorriso não tão natural no rosto.A sala de estar era grande e repleto de moveis de mogno escuro. As paredes pintadas de bordô pareciam amigáveis aos olhos do novo vampiro. Havia um lustre apagado preso ao teto levemente abobadado da sala. A única fonte de luz no local era de uma televisão plana, mais parecida com um quadro do que um tudo de imagem com o qual Téco estava acostumado. A pouca luz não era problema para ele, conseguia enxergar o ambiente com total nitidez. Escutou a porta fechando atrás de si e seguiu André. Passou ao lado de uma cumprida mesa cheia de cadeiras e chegou próximo à televisão. Sentados em um sofá de couro, e com os olhos perdidos, havia dois rapazes idênticos. Gêmeos. André se sentou ao lado deles e acenou para que Téco fizesse o mesmo.- Sabe – disse André – geralmente quem nos apresenta e fala sobre o que nós somos e o que fazemos, e toda essa coisa, é o Jeová. Mas com esse lance do Celso, ele ta meio preocupado.Téco ficou olhando para André tentando entender o que o outro vampiro queria dizer, mas, mesmo tentado, não conseguiu.- Ele não está entendendo nada – disse um dos gêmeos.- Eu sei Guto – respondeu André. O que você quer que eu diga?- Você só tem que esperar – disse o mesmo gêmeo se virando para Téco, e depois se voltou para a televisão assumindo novamente o olhar vago de antes.- Isso. – acrescentou André.Téco sacudiu com a cabeça e olhou para a televisão. Nem ao menos se interessou pelo que se passava, mas esperou. Esse era o conselho.Ronaldo chegou ao porão e viu que Jeová, o vampiro mais velho do grupo, estava sobre uma maca, e, nesta maca estava Sirilo que acompanhava Celso em uma tentativa de descobrir algo sobre o Nome do Pai. Como ele já sabia pelo aviso de André, Celso havia sido pego pelos Lobos, algo realmente estranho. Os Doze sabiam onde podiam ir ou não com segurança, haviam bairros marcados pela ameaça de seus inimigos, mas não no Juvevê. Maldita hora de expandir os territórios.- Sirilo?! – disse Ronaldo.- Ele vai melhorar. – respondeu Jeová [...]



[Conto] "Siga-me" Parte 2

2009-09-11T02:32:03.094-03:00

O motor do Opala SS 78 negro rugiu alto enquanto era guiado pela Av. Presidente Getúlio Vargas. A avenida curitibana estava pouco movimentada às quatro e meia da manhã e os ocupantes do carro mantinham um silêncio estranho. Ronaldo ia guiando o automóvel com olhos plantados na pista, ao seu lado estava Téco; o novo vampiro de Curitiba, que, com as mãos postas sobre os joelhos de sua calça jeans suja pelo confronto frustrado contra o motorista do veículo, abriu a boca:- Mas por que diabos isso aconteceu comigo, Naldo? – Disse com a voz cheia de lamentações.- Pô Téco, aconteceu comigo também. E nem foi só com a gente, piá. – Ronaldo esterçou o volante ganhando a Rua Conselheiro Laurindo.- Não foi só com a gente? Como assim, o que você tá dizendo?- Eu falei que ia te apresentar uns caras, não falei? Então, esses caras são que nem a gente. Você não foi o primeiro, nem eu. E aposto que não será o último.Téco baixou a cabeça. Forçou a memória novamente para a noite anterior, mas nada de novo chegava a sua mente. Lembrava da garota da boate, da casa abandonada no boqueirão e do riso abafado. Depois disso só se recordava de andar a esmo. A veia pulsante daquele inocente despertou o vampiro dentro dele, um estalo. Sabia o que era e sabia do que precisava. Sim, um vampiro, e, segundo seus conhecimentos precisaria de sangue, disso não duvidava, mas ainda parecia coisa de outro mundo. Onde já se viu, há menos de dois dias se preocupava em manter as notas da faculdade e agora era arrastado pelas ruas de Curitiba pelo, até então, amigo morto para manter sua própria família a salvo. Nada daquilo fazia sentido e suas dúvidas urravam dentro de si exigindo explicações.- Então você tá querendo dizer que tem mais... – Téco engoliu seco – mais vampiros por aqui?- Ô Téquinho, raciocina comigo... – Ronaldo respondeu irritado – Aqui... Aqui nesse carro. Quantos vampiros têm nesse carro?Téco não respondeu, sabia que era uma pergunta retórica.- Pois é piá. Tem eu e você. Só aqui tem dois.Téco ficou calado novamente. É claro que havia mais vampiros. Mas em Curitiba? Já era difícil acreditar que vampiros existiam, mas de fato eram reais. Ele mesmo sentia na pele que aquilo não se tratava de uma lenda. “Mas em Curitiba?” pensou novamente. Com tanta gente por ali, como era possível que ninguém descobrisse um ou outro? Tentou imaginar quantos seriam. Ele, Naldo, aquele cara do Boqueirão, a morena, “será que a morena também era uma vampira?”, e mais os amigos do Nando. “Quantos amigos? Uns três ou quatro talvez mais.”. Era isso, havia cerca de dez vampiros em Curitiba, mais que isso era loucura. Olhou para janela e avistou o monumento “Homenagem aos Guarda-Freios” de Poty Lazzarotto. Encostou a cabeça no apoio do acento e fechou os olhos.- O que não é loucura nessa parada? – perguntou para si mesmo em um sussurroRonaldo, mais calmo após dar o esporro no antigo amigo seguia dirigindo seu Opala. Não simpatizava muito quando encontrava um novato, era sempre a mesma coisa. Na maioria das vezes eles queriam vingar o fato de terem se tornados vampiros no primeiro camarada que aparecia pela frente, depois era sempre a mesma lengalenga; queriam saber de tudo. Quisera eles terem sidos largados, como ele fora, ao deus-dará. Sem ninguém para dar uma carona e com paciência em dar as respostas. Ele mesmo não sabia de tudo, mas era consciente que tinha todo tempo do mundo para aprender. A parte mais difícil era fazer esses moleques entenderem. Tocou o carro em direção à sua casa e de seus irmãos.Durante o percurso restante, nem um dos ocupantes do carro abriu a boca. Ronaldo ligou o rádio do carro que prontamente começou a tocar uma música já pelo meio, da onde parou quando o rádio foi desligado.“E o sol se recolheuDeixando sombra onde era luzFicou alguém Qu[...]



[Conto] "Siga-me" Parte 1

2009-09-11T02:32:28.888-03:00

O gramado da Arena da Baixada estaria deserto se não fosse por duas figuras imóveis que se calculavam à distância. À esquerda das cabines de rádio e televisão, havia um jovem de cerca de vinte e cinco anos de idade, cabelos negros e brilhantes, cujos fios lisos recobriam a testa larga e pálida. Vestia uma camiseta vermelha que marcava os músculos do peito, um jeans azul claro e calçava tênis pretos. O rosto estava marcado por expressões de ódio e seus olhos enegrecidos fitavam o adversário que se encontrava na meia-lua oposta da onde estava. A outra figura que se encontrava no belo campo de futebol do Clube Atlético Paranaense carregava feições divertidas. Era mais novo, aparentava ter no máximo vinte anos. Ele sorria ao ver o outro homem com tanto ódio transbordando pela face, realmente o adversário daquela noite queria acertar as contas. Passou a mão pelos cabelos loiros e espetados e esperou. Tentaria negociar. Lutar não fazia tanto sentido. Mas caso não conseguisse impedir o confronto, teria de dar uma vantagem ao rapaz de cabelos negros.- Qualé Téco... Desencana dessa. A gente não tem nada pra acertar. Somos o que somos, não dá pra negar. – falou o vampiro de cabelos loiros.A resposta de Téco foi um gemido de raiva. Iniciou uma corrida pelo campo que nenhum esportista jamais conseguirá replicar. A cada passada tufos de grama eram arrancados e arremessados para trás, em questão de segundos já transferia um soco esmagador no peito do adversário. Ronaldo sentiu o peito afundar onde fora atingido e as pernas abandonarem o solo, a dor pulsou momentaneamente e foi desaparecendo a cada fração de segundo, e, antes de se apoiar novamente, já não sentia nada.A explosão do golpe fez com que o corpo de Ronaldo literalmente voasse pelo gramado. Téco ficou parado com o punho cerrado e de braço esticado, apenas acompanhando com os olhos a curva que o corpo do adversário fazia no céu. Viu o vampiro loiro agarrar o travessão com as mãos e girar o corpo numa pirueta perfeitamente executada, pousando levemente sobre a barra de metal. Apesar da força exercida pelo golpe e da velocidade com que Ronaldo atingiu o travessão, a baliza do gol não emitiu nenhum som e apenas limitou-se a um pequeno tremor.“Exibido” pensou Téco. Dobrou os joelhos para uma nova investida mais foi interrompido por um par de botas que atingia seu rosto fazendo com que sons de ossos se partindo preenchessem o gramado do estádio. Sentiu o corpo tombar e rolar repetidas vezes até a linha do meio de campo. A clavícula esquerda e vários outros ossos foram deslocados do eixo natural. O dor espalhou-se rapidamente e Téco perdeu os sentidos.Ronaldo, de pé ao lado de Téco, ficou fitando o céu estrelado de Curitiba enquanto os danos do seu golpe iam desaparecendo do corpo do outro vampiro. Dali do meio de campo olhou a arquibancada vazia e as torres de iluminação apagadas. Uma espécie de nostalgia alcançou sua mente. Depois de ter sido feito vampiro, poucas foram as vezes em que se sentiu tomado por emoções tão peculiarmente humanas. Não se sentia assim desde os primeiros meses daquela nova vida. Agora, cerca de cinco anos após seu nascimento, ficou se lembrando de como sonhava em vestir a camisa rubro-negra do time do seu coração e correr por aquele gramado sendo ovacionado pelos torcedores do furacão. Sacudiu a cabeça negando aquelas emoções, agora era um vampiro. Não havia sentido em se distrair com desejos tão fúteis. Téco parecia recuperado de seus ferimentos quando abriu os olhos. Ser vampiro trazia alguns benefícios extras que, para ele, pareciam compensar a maldição da vida de parasita. Endireitou a perna direita que estava dobrada de maneira não muito agradável de forma em que seu pé quase tocava sua cintura. Ainda se sentia aturdido quando ouviu a voz de Ronaldo[...]



Considerações

2009-08-05T01:33:15.198-03:00

Boa noite!

Estou aqui postando para informar que o pequeníssimo conto abaixo (o incêndio) é vinculado ao enredo do “Donos da Noite”. Entretanto, ele não está no corpo do texto que futuramente mandarei para as editoras. Digamos que é um presente pra quem está acompanhando os escritos e o blog. E, também, uma palhinha pra quem quiser saber como a história se desenvolve.

Um abraço!


“Vampiros não existem!” Ou ao menos é isso que eles querem que você acredite.



[Conto] O incêndio

2009-09-11T02:33:12.742-03:00

- Fogo! – os moradores que viviam próximo ao Hospital Psiquiátrico gritavam histericamente.Havia muita fumaça. Colunas disformes e negras subiam aos céus e uma nuvem cinzenta cobria boa parte dos quarteirões que cercavam o prédio em chamas. Poucos alemães estavam na rua. Frederich, que andava as cegas, tapava a boca e o nariz com um lenço velho. Os olhos ardiam e lacrimejavam. Com a mão livre tentava tatear algo que lhe indicasse o lado de fora daquele espesso e venenoso véu.- Berta! – tentava gritar em meio a crises de tosse – Onde está você? BERTA!Para qualquer lugar que olhasse, Frederich, via apenas aquela neblina fictícia. Era como caminhar em círculos em meio às brumas. Se concentrou nos sons... Impossível. A fumaça também o impedia de ouvir direito. Frases cortadas chegavam aos seus ouvidos e pareciam vir de todas as direções. Pobre Berta... Não! Ele não poderia desistir, era o responsável por aquela menina que perdera a mãe no parto e o pai na guerra, ele era a única família dela, e por sinal, era o mesmo caso pra ele.- Pelo amor de Deus, Berta! Onde você está?Ele ouviu uma voz infante, apesar de não saber de que lado vinha a voz, pôs se a correr em desespero pelo caminho que seu nariz apontava. Eternos foram os segundo até perceber que corria na direção do incêndio, podia ver grandes labaredas saltando sobre o alto telhado piramidal da construção. Berta, não estava ali. A fumaça tinha, mais uma vez, confundido seus sentidos. Provavelmente algum vizinho havia encontrado a menina após ele, por uma simples distração, perder a menina de vista. Girou o corpo, correria de volta por onde havia vindo. Sentiu calafrios, teria alguém sobrevivido aquele incêndio gigantesco? Não importava, o único desejo era reencontrar Berta.O pedaço de pano que usava como máscara não parecia fazer efeito ali. Suava por baixo das blusas de inverno. O peito queimava, assim como o nariz, a boca estava seca e sentia a aspereza da língua no céu da boca. Já não conseguia correr. Todo ar aspirado parecia em brasa. Tentou manter a direção que, segundo suas expectativas, o levaria para fora daquele manto insalubre.Metros depois, cuja caminhada parecia não o locomover, Frederich vislumbrou um rapaz de peito nu e calças chamuscadas. Ele estava acocorado e passava os dedos nos vãos dos paralelepípedos da rua. Era um louco do hospital. Havia sobreviventes. De qualquer maneira, Frederich não foi tomado pelo desejo de salvar alguém, só se importava com Berta, e, mesmo assim, já se sentia fracassado em sua missão. Toda aquela fumaça somada as sensações desagradáveis que percorriam seu corpo, fizeram Frederich demorar a decidir se ajudava ou não. Rapidamente imaginou alguém passando pela mesma situação, será que alguém haveria de ter socorrido sua pequena Berta se a encontrassem?- Hei! – gritou ele – Vamos sair daqui! Me segue!O homem que escapara do incêndio continuou extasiado em suas caricias aos vãos das pedras e fitando o solo.- Hei, anda! Não agüento mais ficar nesse inferno. – sinalizou com as mãos.Nenhuma resposta.Frederich praguejou levantando a mão acima da cabeça. Se aquele louco tinha sobrevivido ao um incêndio, muito bem conseguiria sair dali. Não se arriscaria nem mais um pouco, todo mundo sabia que aqueles loucos eram violentos. Percebeu o ar menos impuro e enxergava o contorno das casas. Logo poderia respirar aliviado.Ignorando o ar ainda pesado que o cercava, Frederich aspirou uma enorme quantidade de fumaça por puro reflexo de susto. Viu a fumaça ondular e aquele mesmo homem, de calças chamuscadas, estava parado em sua frente. Enfrentou a pior crise de tosses de sua vida, tropeçou em suas próprias pernas e caiu pesadamente sobre o chão duro. Suas mãos, da tentativa de a[...]



Pontapé inicial

2009-08-04T13:28:47.321-03:00

Boa noite.
É com orgulho que eu inicio este blog (ainda em versão beta). Primeiramente, devo me apresentar: Meu nome é Jhonata Rossi Candido, conto com 23 verões na minha bagagem e teimo em ser escritor. Esse hobby começou em 1997 quando, entre amigos, fui encarregado de escrever letras para uma banda que nunca existiu de verdade. Apartir dalí, comecei a escrever pequenos poemas para pequenas paixonites. No final do mesmo ano, escrevi um livreto chamado "O planeta Amarelo" que ninguém nunca leu (ainda bem). Depois de muitos papeis, lapis, canetas e afins, entrei em uma fase de latência produtiva. Em 2006, com a entrada em um cursinho pré-vestibular, passei a produzir pequenos textos para o jornal interno do próprio cursinho. Voltei com os poemas e iniciei um segundo projeto, um livro chamado "Arighan". A produção não foi para frente, mas quem sabe um dia. Depois de várias mudanças (residenciais), e de ler muito Douglas Noel Adams (O guia do Mochileiro das Galáxias), iniciei (em 2007) o terceiro projeto "Herman, O Terráqueo". Bom, realmente eu disse que escrever é um hobby. Continuando... em meados de 2008 passei por uma série de tentativas (frustradas) de elaborar uma história para um novo projeto. Passei a ler mais do que o costume, e me interessar (mesmo) por livros de vampiros. Por fim, cá estou eu. Estou escrevendo o meu primeiro projeto sobre vampiros, e até agora está indo tudo muito bem, ao contrário das outras tantas tentativas. Então é isso. Em breve saberão mais sobre mim e sobre a história que está sendo redigida. Um abraço.