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Preview: Luciana Severi

Luciana Severi





Updated: 2014-10-05T00:09:27.857-07:00

 



Duelo

2009-08-14T18:18:20.924-07:00

Foi naquele momento que eu resolvi olhar. Virei minha cabeça para o lado direito. Mas tão pouco, que apenas com o canto do olho vislumbrei a figura. Eu sabia que também estava sendo observado. Eu teria que ser discreto. Ela estava ali, como sempre, no silêncio e na imobilidade. O telefone começou a tocar, mas eu permaneci imóvel também. Nada poderia me distrair naquele momento. Dessa vez, eu conseguiria manter meus olhos fixos nela. Até o final.

Eu já esperava por esse momento há algum tempo. Agora, seria mais fácil, já que a posição que ela ocupava na sala era de fácil acesso. Um simples deslocamento de minha cabeça à direita já era suficiente para encará-la sem maiores esforços. Se comparada com as outras vezes, essa seria `fichinha’. O duelo estava ganho, e eu era o vencedor.

Ela não me amedrontava, mesmo com aquele olhar frio e esbugalhado. Olhos redondos, expandidos para fora das órbitas, mantinham-se fixos em mim. Sempre. À distância que estávamos, seus olhos eram sem brilho, embora parecessem mirar sua presa. Sua pele era pálida, parecia fria e lisa. Nada bonito de se observar. Mantinha seus dedos esticados e abertos numa posição pronta para um movimento rápido e rasteiro. Mas eu não me intimidava.

Já se haviam passado vinte minutos e permanecíamos na mesma posição, olhos nos olhos. Os músculos do meu pescoço começavam a manifestar o desconforto. Mas eu não desistiria. Nem mesmo a dor muscular de um torcicolo poderia interferir. Não dessa vez.

O telefone tocou novamente, mas agora era aquele bip familiar sinalizando a minha derrocada. E a voz que atendeu, um tanto melosa, respondeu com um “sim senhor”. A secretária levantou-se de sua cadeira, por traz do balcão e acenou para mim. Olhei para o relógio confirmando minha previsão. Era minha vez de entrar. Bufei por dentro. Respirei fundo, voltando meu olhar para a senhora que me indicava o caminho de sempre. Sorri gentilmente, enquanto me punha de pé. Dei as costas para a gélida figura na parede, mas antes de me ausentar da sala e adentrar a outra, voltei-me em sinal de despedida para a lagartixa que se mantinha imóvel, como uma pedra a me encarar. Lancei meu olhar de reverência pela sua vitória.

Ainda não tinha sido dessa vez. Mas na próxima semana eu venceria.




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2009-09-30T14:21:49.339-07:00

Longe é pertoFeio é bonitoDuro é moleNoite é diaJoão é Maria Sou do contraPorque sou do contraE até nisso meu coração contraria Se é para ser do contraEu desistoMas para ainda assim contrariarEntão resisto. E assim contrariandoAqui estou.[...]



Desperta!

2009-07-26T07:59:49.371-07:00

Por onde andas que não vês?Sente o aroma que te rodeiaAs pessoas que te cercam Joga teu pensamento no futuroAcredita no porvirO que tu tens é o medoAcorda! Da a ti a esperançaDá a ti o poder que tu tensSê o brilho do teu caminhoClareia o teu coração. Aceita o perdãoPerdoa-te.Mexe em teus sentimentosAtreve a confiar. Faze o uso do vidro que te reflete.Enxerga tua imagem.Como és um ser querido.Deixa entrar esse amor dentro de ti. Peço por ti e para ti.Não receie o clarear dos teus diasCom tua própria luzVive, e não tarda mais.LuSeveri (02/09)[...]



Ilusão

2009-10-19T18:39:37.443-07:00

Converso com o céu que me acompanha e peçoQue a ilusão que me prendeBusque em mim o que de mais verdadeiro possuo. Na estrada da vida parecendo tão desertaOs caminhos distantes sugerem um infinitoDe pensamentos que me pegam em descuido. O vento que passa por mimTranspassa meu corpo levando com ele os pensamentosQue viajam pela estrada, fugindo do meu coração. A solidão e a incerteza dos passos trazendo sede.Procuro um porto para ancorarProcuro a força para renascer a cada instante. Serei eu uma sombra ou um ser imaginárioOlhando adiante no horizonteNa esperança de algum contentamento? No meio do caminho desfaleçoNum eterno esquecimentoE aos poucos meu corpo se desprendeCom a ternura do que é, do que foi e será. LuSeveri (11/2008) [...]



Uma Janela Vê os Homens

2009-10-19T18:43:37.085-07:00

Quinto andar. Daqui desta janela vejo o mundo. Vejo guerras, trabalho, progresso, competição. Vejo a vida e a morte acontecerem diante dos meus olhos. O sorriso de um novo dia e o adeus de nunca mais. Os recém-nascidos a chorar pelo leite da mãe a trabalhar, e os velhinhos a fumar mais um cigarro. O olhar distante sem foco algum. Vejo o corre corre, atropelamentos, e o pavor nas calçadas. Vejo os alienados sem direção. Vejo as lojas, cartazes iluminados. Vejo todo o comércio. Os que compram, vendem e trocam. Vejo os que roubam. Vejo os amigos de bom dia e boa noite; vejo desconhecidos. Vejo os pássaros voando, vejo a água caindo, escorrendo em direção a avenida principal. Vejo cair a tarde, anoitecer e o sol nascer. Vejo a madrugada que angustia os trabalhadores. O sono forte, a cabeça caída como que pendurada por um fio. Mas um fio de cada dia. Vejo os bolsos mais vazios, e a expressão de tristeza e desespero; o prato mais vazio a cada refeição. Vejo amanhecer, vejo anoitecer. No banco da praça os que dormem com a cabeça apoiada sobre a garrafa. Vejo garrafas rolando... Cabeças rolando... Vejo fazer sol e chover; fazer calor e frio. Vejo aglomerados, isolados... Semelhanças e diferenças... Ah... Talvez não valesse a pena olhar. Ou talvez procurar por outra janela, bem acima deste andar. LuSeveri (15 anos)[...]